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Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário

Tribunal de Justiça
Regional da Barra da Tijuca 190
Cartório do I Juizado Esp. Cível
Luiz Carlos Prestes, s/n Fórum RegionalCEP: 22775-055 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ e-mail: btj01eciv@tjrj.jus.br

Processo Eletrônico
Processo:0018389-85.2020.8.19.0209

Classe/Assunto: Procedimento do Juizado Especial Cível/Fazendário - Dano Moral - Outros/ Indenização


Por Dano Moral
Autor: VIVIANE DE ARAUJO DOS SANTOS
Réu: CAROLINE BARTHOLO FURLAN
Réu: RADAMES MARTINS RODRIGUES DA SILVA

PROJETO DE SENTENÇA

Dispensado o relatório na forma do art. 38 da Lei n. 9.099/95, passo a decidir.


Parte autora que aduz, em síntese, que os réus proferiram ofensas em redes sociais a seu respeito, e a
acusaram de ter vazado informações supostamente falsas a "site" jornalístico. Requer o cumprimento de
obrigação de fazer e não fazer, e indenização por danos morais.
A responsabilidade no caso em exame é de natureza subjetiva, conforme previsão do artigo 186 do
Código Civil, impondo-se ao demandante a comprovação do fato constitutivo de seu pedido (art. 373, I,
do Código de Processo Civil).
Em primeiro lugar, quanto ao pedido dos réus de aplicação de multa à parte autora por litigância de má-
fé em razão de suposta falsa alegação de não possuir meios de arcar com custas processuais e
honorários advocatícios, este não merece acolhimento. Isto porque, além de não haver prova nos autos
acerca da alteração da verdade pela demandante, o pedido de gratuidade de justiça deverá ser
apreciado em sede de eventual recurso, uma vez que por ora não incidem custas processuais e
honorários advocatícios, conforme art. 55 da Lei n.º 9.099/95.
Compulsando os autos, observo que a parte autora alega que a primeira ré proferiu palavras ofensivas à
sua honra nas redes sociais, como "prostituta", "você acha que trabalho como prostituta é digno?",
"nunca trabalhou na vida, só fez filme pornô", "ficar pelada não é profissão".
Contudo, analisando os elementos dos autos, verifico que a parte autora não apresenta as provas de
maneira integral e clara, querendo fazer crer que mensagens privadas foram propagadas ao público em
geral.
Vejamos.
O "print" de fl. 39 aponta comentário realizado pela primeira ré na rede social INSTAGRAM. Vê-se que a
primeira demandada responde o comentário de terceira pessoa (@centrodeeventosstl), não tendo a
parte autora juntado aos autos a postagem na qual ocorreu o comentário em tela e nem a integralidade
dos comentários envolvidos na mesma, em especial, o proferido pelo usuário @centrodeeventosstl.
Os réus demonstram em sua contestação, às fls. 147 e seguintes, que a menção à "prostituta" se referiu
ao comentário do citado perfil, @centrodeeventosstl, não estando claro que tanto este como a primeira
ré estavam se referindo à autora, uma vez que, como já salientado, nenhuma das partes juntou a
postagem que ensejou tais comentários.
Também observo que o "print" de fl. 40 não se tratou de postagem da primeira ré em suas redes sociais,
mas de conversa privada com terceiro. Assim, entendo que tais dizeres - atinentes à autora ter feito filme
pornô, a apelar para o corpo, a ser vulgar, entre outros - não são suficientes para atingir a honra da
demandante, que é figura pública e utiliza sua imagem com fins profissionais, estando mais suscetível a
tais tipos de comentários.
Não somente por ser figura pública, as afirmações constantes de fl. 40 não podem ensejar ofensa moral
principalmente porque não foram reproduzidas em postagem pública, mas apenas em conversa privada.
Quanto ao segundo réu, não constam dos autos o conteúdo da mencionada "live" que seria realizada
pelo mesmo a respeito da autora, não tendo esta comprovado efetiva ofensa proferida pelo demandado.
Também destaco que as frases utilizadas pelos réus em suas redes sociais, como "vou esclarecer tudo e

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mostrar de vez quem é quem nessa história" e "depois da live que a máscara cair" não são suficientes
para configurar lesão a bem integrante da personalidade da parte autora.
Por fim, sobre a alegação de que o segundo réu estaria acusando a autora publicamente de ter fornecido
matéria mentirosa a seu respeito a "site" jornalístico, esta não fica evidenciada nos autos. Pelo contrário,
em diligência informal realizada por esta juíza leiga, verificou-se a existência de vídeo publicado pelo
segundo réu, no qual este narra o ocorrido a respeito da matéria veiculada no sítio eletrônico EXTRA,
frisando por diversas vezes que não está dizendo que foi a autora quem promoveu tal matéria.
Deste modo, embora as referências feitas pelos réus à autora em suas redes sociais possam ter sido
desagradáveis à mesma, não se mostram aptas à configuração de dano moral indenizável, não tendo os
réus extrapolado o direito de expressão.
Também cumpre destacar que a doutrina mais abalizada é uníssona em afirmar que o mero dissabor,
discussões do dia a dia que não afetem à intimidade, não são capazes para justificar a existência do
dano moral.
Confira-se, a título de exemplo, as sempre precisas lições do Desembargador SÉRGIO CAVALIERI
FILHO, em sua consagrada obra, in verbis:
Nessa linha de princípio, só deve ser reputado como dano moral a dor, vexame, sofrimento ou
humilhação que, fugindo à anormalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do
indivíduo, causando-lhe aflições, angústia e desequilíbrio em seu bem estar. Mero dissabor,
aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral,
porquanto, além de fazerem parte do nosso dia a dia, no trabalho, no trânsito, entre os amigos e até no
ambiente familiar, tais situações não são intensas e duradouras, a ponto de romper o equilíbrio
psicológico do indivíduo. Se assim não entender, acabaremos por banalizar o dano moral, ensejando
ações judiciais em busca de indenizações pelos mais triviais aborrecimentos. (in, Programa de
Responsabilidade Civil. Malheiros: Rio de Janeiro, 1999, 2a edição, página 78).
Desta forma, não foi comprovada nos autos a existência de danos morais e sim uma mera irritação ou
sensibilidade.
Portanto, entendo que não merece acolhimento o pedido autoral.
Diante de todo o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido autoral, com fulcro no artigo 487, inciso I,
do Código de Processo Civil.
Sem custas e nem honorários advocatícios (artigo 55, da Lei nº 9.099/95).
Ficam as partes cientes de que o prazo recursal fluirá, independentemente de intimação, da data
designada na ACIJ para a leitura de sentença e, em caso de parte desassistida de advogado, deverá
procurar advogado Particular ou Público (Defensoria Pública ou Dativo, podendo-se valer do convênio
existente entre o Tribunal de Justiça e universidades existentes neste Fórum).
Certificado o trânsito em julgado, não havendo novas manifestações no prazo de 15 dias, dê-se baixa e
arquivem-se. Decorridos 90 dias do arquivamento, os autos serão eliminados, na forma do artigo 1º do
Ato Normativo Conjunto nº 01/2005.
Anote-se o nome do(a) advogado(a) da(s) parte(s) ré(s) para futuras publicações, conforme requerido.
Submeto este Projeto de Sentença ao Juiz Togado, na forma do que dispõe o art. 40 da Lei n. 9.099/95.
Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2020.

Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2020.

Priscilla Ferreira Nobre Rocha

Código de Autenticação: <2020140368|1254|1>

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Data: 02/12/2020 17:45:30Local TJ-RJMotivo: Assinado por Priscilla Ferreira Nobre Rocha

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