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DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE

9º) A Constituição Federal dispõe em seu artigo 7º, XXIII que são direitos dos
trabalhadores urbanos e rurais, o “adicional de remuneração para as atividades penosas,
insalubres ou perigosas, na forma da lei."
10º) Nesse sentido, a CLT dispõe claramente em seu Art. 192, que: "Art. 192. O exercício
de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo
Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de 40%
(quarenta por cento),20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário mínimo da
região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo."
11º) Como já esclarecido, as atividades laborais da autora envolviam contato constante
com câmara fria, especialmente pela sua atribuição cumulativa de arrumar o estoque de
sorvete.
12º) Nos termos da NR 15, em seu anexo 9, são enquadradas a seguintes atividades
como insalubres:
"As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em locais
que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao frio, sem a
proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção
realizada no local de trabalho."
13º) Portanto, considerando que as atividades laborais da autora envolviam
constantemente o acesso às câmeras frias, submetendo-se aos agentes insalubres do frio,
tem-se configurada situação garantidora do adicional.
14º) Cabe destacar que para que seja devido o benefício, não se exige a permanência do
trabalhador dentro da câmera fria, mas unicamente o seu ingresso habitual durante a sua
jornada de trabalho:
"(...) o empregado alcança o adicional de insalubridade pela exposição ao frio em caráter
habitual, ainda que não integralmente ao longo da jornada, mas dele se afasta
quando a exposição é ocasional, o que inclui tanto a exposição fortuita – empregado
chamado a ajudar na limpeza da câmara ali permaneceu por outra hora, num ou
noutro dia da semana – e a exposição em tempo muito reduzido – empregado do
departamento comercial se dirige à câmara frigorífica todos os dias, mas nela permanece
por cinco minutos para a contagem das caixas recebidas." (DA SILVA, Homero Batista.
Curso de Direito do Trabalho Aplicado. vol. 3. 4ªed. Editora RT, 2017. Versão ebook. cap.
4)
15º) Inquestionável que as atividades exercidas, pela autora ao ter que adentrar diversas
vezes ao dia, na câmara fria enquadram-se perfeitamente ao pleito de insalubridade:
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. O acesso habitual às câmaras frias, sem a
comprovação do uso de EPIs, implica na sujeição do empregado a condições
insalubres, fazendo jus ao respectivo adicional. (TRT- 20 00018864820145200006,
Relator: MARIA DAS GRACAS MONTEIRO MELO, Data de Publicação: 20/07/2017)
16º) Faz jus a autora, assim, ao adicional de insalubridade, o qual deverá incidir no cálculo
das horas extras ora postulados, bem como nas horas extras, depósitos do FGTS, 13º
salário e férias pagas.

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