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PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL

Os princípios podem ser encontrados de maneira explícita, positivados (lei) ou implícitos. Para
compreendermos melhor essa maneira muito importante devemos separar as relações dos princípios.
Os princípios vão se dividir de acordo com sua relação. E, quais são essas relações? São:
 Com a Missão do Direito Penal;
 Com o fato do agente;
 Com o agente do fato;
 Com a pena.

I. Princípios relacionados com a Missão do Direito Penal

 Princípio da exclusiva proteção dos bens jurídicos: o direito penal destina-se a


proteger os bens jurídicos. Todavia, não serve para proteger a ética, a moral, a
convicções filosóficas, uma determinada religião, as estratégias governamentais.
 Princípio da intervenção mínima: significa fragmentariedade e subsidiaridade do
direito penal.
o Fragmentaridade:
a) o direito penal somente pode proteger os bens jurídicos mais importantes;
b) contra as lesões mais intoleráveis.
o Subsidiaridade: significa que o direito penal é um direito subsidiário aos demais
ramos do direito, ou seja, se outros ramos jurídicos são suficientes para resolver
o caso concreto, portanto, não será necessário ser discutido no direito penal.
O princípio da intervenção mínima gera o direito penal mínimo. (Raul Eugênio Zaffaroni).

II. Princípios relacionados com o fato do Agente

 Princípio da materialização do fato ou princípio da exteriorização do fato:


O Estado só pode criminalizar condutas exteriorizadas por ação ou omissão.
Consequências: ninguém pode ser castigado ou punido pelos seus
pensamentos, pelas cogitações, por não poder exteriorizá-los. Em suma, não há crime
sem conduta externa e voluntária. O direito penal que exige a exteriorização do crime o
qual caracterizar o direito penal do fato. O modelo oposto, é o direito penal de autor,
permite a punição do agente pelo que é e não pelo que faz.

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 Princípio da legalidade e da reserva legal: Limitação do poder punitivo estatal.
FEUERBACH, séc. XIX consagrou a reserva legal através da fórmula latina “nullum
crimen, nulla poena sine lege”. A lei deve ser precisa e cristalina.
LEGALIDADE E RESERVA LEGAL: É de abrangência mais ampla do que os princípios da
reserva legal. Todos os comportamentos estão sujeitos à legalidade (todos os diplomas do art. 59
CF), no entanto somente alguns estão sujeitos ao da reserva legal (este é de menor abrangência,
mas de maior densidade ou conteúdo, visto exigir o tratamento de matéria exclusivamente pelo
Legislativo, sem participação normativa do executivo) (somente leis ordinárias e complementares).
Temos a reserva legal absoluta: ato normativo emanado do Congresso Nacional elaborado
de acordo com o devido processo legislativo constitucional.
Reserva legal relativa: A CF apenas de exigir edição de lei formal, permite que esta fixe tão-
somente parâmetros de atuação para o órgão administrativo, que poderá complementá-la por ato
infra legal, sempre, porém, respeitados os limites ou requisitos estabelecidos pela legislação.
Princípio da legalidade criminal: Não há crime sem lei anterior que o defina “nullum crimem
sine lege”.
Legalidade penal: não há pena sem prévia cominação legal “nulla poena sine lege”;
Legalidade Jurisdicional ou processual: Não há processo sem lei. “Nulla coatio sine lege”;
Legalidade Execucional: “nula executio sine lege”.

 Princípio da ofensividade ou lesividade: Entre a ofensividade ou a lesividade, o


correto é utilizar a terminologia ofensividade, pela razão da ofensa ser o gênero que
comporta duas espécies:
a) lesão;
b) perigo de lesão.
Ofensividade: não há crime sem ofensa ao bem jurídico. A ofensa se refere a lesão ou ao
perigo de lesão em relação ao bem jurídico. A lesão e o perigo de lesão no direito penal são o
resultado jurídico.
Fórmula: Lesão ou perigo de lesão = resultado jurídico.
Resultado jurídico: é a ofensa ao bem jurídico. É a lesão ou perigo concreto de lesão ao bem
penalmente tutelado. É uma valoração.
 Morte (resultado naturalístico)
Resultado jurídico = aborto nos treze primeiros dias (pílula do “dia seguinte”, por exemplo).
Não é um resultado juridicamente desvalioso, pois o Código Penal só protege a vida intrauterina, a
qual se dá somente quando o ovo só chega ao útero no 14º dia – fenômeno da nidação.

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III. Princípios em relação com o agente do fato

 Princípio da responsabilidade pessoal: ninguém pode responder por fatos alheios.


Não existe no direito penal a responsabilidade coletiva, a solitária ou a familiar. A
responsabilidade é personalíssima.
Admite-se a responsabilidade penal da pessoa jurídica, prevista na Constituição, em duas
situações:
a) crimes econômicos;
b) crimes ambientais.

Obs.: No presente momento, só a lei ambiental prevê a responsabilidade da pessoa


jurídica, por estar regulamentada.

 Princípio da responsabilidade subjetiva: não há crime sem dolo ou culpa.

 Princípio da culpabilidade: classificando-o como princípio, admite-se a capacidade


do agente de se motivar de acordo com a norma: maiores de 18 anos; mentalmente
sã.
No direito penal, a culpabilidade possui tríplice função:
a) um dos fundamentos da pena;
b) necessidade concreta da pena: art. 29 do CP;
c) fator de graduação da pena: art. 59 do CP.

CULPABILIDADE X CULPA
Dogmaticamente, na esfera penal a culpabilidade é juízo de reprovação que recai sobre o
agente do fato

 Princípio da igualdade:
Admitem-se duas teorias:
 Teoria paritária: originou-se na Revolução Francesa, naquela época, a igualdade
significava: a lei não pode distinguir as pessoas, cujo o lema é: Liberdade,
igualdade e fraternidade.
 Teoria valorativa: possui fundamento constitucional, a lei admite a distinção entre
as pessoas, desde que justificadas. Nesse caso, a distinção é diferente de
discriminar, pelo motivo de que os iguais são tratados de forma igual e os

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desiguais, tratados desigualmente. Ex: A licença maternidade da mulher é de
120 dias e ao homem é garantido 5 dias.

 Princípio da presunção da inocência: Art. 5º. LVII da CF/88, determina “ninguém será
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

IV. Princípios em relação com a Pena

 Princípio da proibição de pena indigna: a pena não pode ofender a dignidade da


pessoa humana, desse modo, não se permite a pena de banimento, prisão perpétua,
pena de morte (exceção em tempo de guerra).
 Princípio da proporcionalidade: Proporcionalidade entre a gravidade do crime e a
sanção a ser aplicada.
 Princípio da individualização da pena: A individualização da resposta estatal ao
agente de uma infração em três etapas: I) na definição, pelo legislador, do crime de sua
pena; II) na imposição dessa pena pelo juiz; III) Na fase de execução da pena. Este
princípio está previsto no Art. 5º, XLVI da CF/88.
 Princípio da pessoalidade: Art. 5º, XLV da CF/88 determina que “nenhuma pena
passará da pessoa do condenado podendo a obrigação de reparar o dano e a
decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e
contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido”.
 Princípio do não “bis in idem”: Ninguém pode ser processado duas vezes pelo
mesmo crime, nem ser condenado pela segunda vez em razão do mesmo fato e muito
menos ser executado duas vezes por condenações relacionadas ao mesmo fato.

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