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DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL

LEI PENAL NO TEMPO

Art.2º CP e art. 5º inciso 40 CF: temos o princípio da retroatividade benéfica – a lei penal
não retroagirá, salvo, para beneficiar o réu. A lei que retroage é chamada de “lex mitior”, aliás que
pode surgir assim:
a) “Abolitio criminis”, art. 2º caput CP, é a lei penal que descriminaliza condutas, torna o
fato penalmente atípico. Tem como consequência a extinção da punibilidade do réu. EX:
art. 240 CPP, previa o crime de adultério que aliás deixou de ser crime, sendo apenas ilícito
civil;
b) “Novatio legis in melius”, art. 2º parágrafo único CP, é a nova lei penal que mantem a
incriminação, mas dá ao fato tratamento mais brando. EX: art. 28 da lei 11.343/06, prevê o
crime de porte de droga para consumo pessoal, mas este deixou de ter pena privativa de
liberdade. *CUIDADO*, a lei que retroagi pode alcançar até fatos atingidos pela coisa
julgada, caso a lei que favoreça o réu o incida durante a fase da execução da pena, é o
Juiz da execução penal quem deve aplica-la.

CUIDADO: a lei penal gravosa aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se entrar
em vigor durante a permanência ou continuidade delitiva, pois são crimes que está em flagrante
enquanto durar.

 Lei penal excepcional e Lei penal temporária:

 Lei penal excepcional, é aquela criada para ter aplicação durante situações excepcionais.
EX; enchentes, catástrofes, etc.

 Lei penal temporária, é aquela criada para ter aplicação durante determinado período de
tempo. Essas duas leis apresentam as seguintes características: a) são auto revogáveis;
b) ultratividade, mesmo após a sua revogação continua a produzir efeito.

 Tempo do crime, art. 4º CP: Há situações raras que a conduta do agente criminoso ocorreu
em um dia, mas o resultado ocorreu em outra data, qual tempo do crime? Foi adotada a
TEORIA DA ATIVIDADE, ou seja, considera-se o crime praticado no momento da ação ou
omissão, ainda que seja outro o momento do resultado. EX: Zé rolinha, com 17 anos e 11
meses, atira na vítima Seu Barriga para matar, aliás que vem a óbito depois de 3 meses.

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Neste caso, vai ser aplicada o ECA, porque no momento do crime o autor do disparo tinha
menos de 18 anos de idade.
CUIDADO: Zé rolinha, com 17 anos e 11 meses de idade, privou a liberdade da vítima para receber
resgate. Tal privação durou 3 meses, ocasião em que a vítima foi solta e o agente preso. Nesse caso,
aplicam-se as normas do CP, porque estamos diante de um crime permanente (é aquele cujo
momento de consumação se prolonga no tempo).

 Lugar do crime, art. 6º CP: Para que serve? A quais crimes se aplica? – Deve ser aplicado
aos crimes à distância ou de espaço máximo (são aqueles que atingem o território de 2 ou
mais países).
Trata-se de um critério de aplicação da lei penal. *CUIDADO*, para efeito do lugar do crime,
foi adotada a teoria da ubiquidade ou mista, ou seja, o crime se considera praticado no lugar da
ação ou omissão, quanto no lugar do resultado = LU (lugar do crime –ubiquidade) + TA (tempo do
crime – atividade). LUTA

LEI PENAL NO ESPAÇO

 Territorialidade, art. 5º CP: A lei brasileira deve ser aplicada aos fatos acontecidos no
território nacional. Contudo, o Código Penal, adotou o princípio da territorialidade
temperada ou mitigada, pois há quem tem imunidade diplomáticas: chefe de Estado; chefe
de Governo; embaixadores; chefes de organismos internacionais, familiares destas pessoas.
ATENÇÃO: o interior das embaixadas estrangeiras em nosso pais é o território nacional Brasil.

 Território nacional, compreende todo espaço em que o Brasil exerce sua soberania. Engloba
o território físico, marítimo (12 milhas), aéreo e por EXTENSÃO – engloba as embarcações
e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde
quer que se encontre, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantis
ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto mar.
OBS: Aplica-se a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo
no espaço aéreo correspondente, e está em porto ou mar territorial do brasil.

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 Extraterritorialidade, é a aplicação da lei penal brasileira aos crimes ocorridos no
estrangeiro.

Classificações:
o Extraterritorialidade incondicionada, art. 7º, I CP – não importa qualquer condição,
a lei brasileira será aplicada (art. 7º parágrafo 1º CP);
o Extraterritorialidade condicionada, art. 7º II, parágrafo 3º do CP – as condições
estão previstas no art. 7° parágrafo 2º CP.
OBSERVAÇÕES:
 Pena cumprida no estrangeiro, art. 8º CP, na extraterritorialidade condicionada não pode,
pois já tendo sido aplicada a lei estrangeira, não se aplica a lei brasileira, já na
extraterritorialidade incondicionada pode. A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena
imposta no brasil pelo mesmo crime, quando diverso, ou nela é computada quando idênticos.

 Homologação da sentença penal estrangeira, art. 9º CP, o órgão competente para


homologar sentença estrangeira é o STJ para fins de reparação de dano e outros efeitos civis,
além do cumprimento de medida de segurança.

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