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ERROS ESSENCIAIS E ERROS ACIDENTAIS

O erro pode ser tanto falsa representação da realidade, como falso ou equivocado
conhecimento de um determinado objeto. Vale dizer que este difere da ignorância, uma vez que é a
falta de representação da realidade ou total desconhecimento do objeto – sendo um estado negativo,
enquanto o erro é um estado positivo. Entretanto, apesar de didática e teoricamente diferentes, a
legislação penal brasileira trata de forma idêntica tanto erro como ignorância, com as mesmas
consequências.
O erro sobre os elementos constitutivos do tipo penal pode ser essencial ou acidental. O erro
essencial é aquele que afasta dolo e, talvez, culpa, ao recair sobre elementares, circunstâncias ou
qualquer outro dado que se agregue à figura típica. São eles:
 Erro de proibição: inevitável/invencível/escusável- O agente atua ou se omite sem ter a
consciência da ilicitude do fato em situação na qual NÃO é possível lhe exigir que tenha
consciência. Afasta a potencial consciência da ilicitude. Evitável/vencível/ inescusável – O
agente atua ou se omite sem ter a consciência da ilicitude do fato em situação na qual era
possível exigir que tenha consciência. Diminuição da pena de um sexto a um terço (1/6 –
1/3). Espécies de erro de proibição: A) Direito: Quando o agente se equivoca quanto ao
conteúdo de uma norma proibitiva ou porque ignora a existência do tipo incriminador, ou não
conhece completamente o seu conteúdo, ou não entende o seu âmbito de incidência. B)
INDIRETO: O agente sabe que a conduta é típica, mas supõe presente uma norma
permissiva, acreditando existir um excludente da ilicitude.
 Erro de tipo: É o equívoco que recai sobre as circunstâncias do fato, sobre elementos do tipo
penal. (Torna-se um fato atípico). Ex.: Dois caçadores vão caçar um urso na floresta. Um deles
balançou as plantas fingindo que era o urso para o outro ficar com medo. Este atira e mata o
caçador brincalhão imaginando ser um urso. O erro de tipo pode ser evitável ou inevitável.
É inevitável/invencível/escusável quando qualquer pessoa poderia ter errado naquela
mesma circunstancia ou é evitável/vencível/inescusável, quando o agente foi desatento,
não adotou a cautela necessária naquela circunstância. No erro de tipo inevitável, o agente
está diante de fato atípico. Se evitável o erro, o agente pode ser punido pelo crime se punível
pela culpa.

Erro sobre elementos do tipo

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.

Descriminantes putativas

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§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que,
se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.

Erro determinado por terceiro

§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

Erro sobre a pessoa

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Erro sobre a ilicitude do fato

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena;
se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. (

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do
fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.

Temos o erro acidental que não afasta dolo ou dolo e culpa. Neste caso, o agente tem total
consciência da ilicitude de seu ato, apenas errando na concepção sobre elemento não essencial do
fato ou em sua execução. Este erro acontece nas hipóteses de erro sobre a pessoa (error in
persona), sobre o objeto (error in objecto), execução (aberratio ictus), resultado atingido em face
do pretendido (aberratio criminis) e causa do resultado (aberratio causae).

 Erro sobre objeto (error in objecto) se dá quando o autor, dolosamente, tendo consciência
da ilicitude de seu ato, se propõe a cometer conduta típica e o faz, mas erra sobre a
avaliação das características do objeto, como no caso de um ladrão que subtrai anel
supondo o ser de ouro, quando, na verdade, era apenas bijuteria.

 Erro sobre a pessoa (error in persona) incide o art. 20, § 3° do CP, que afirma não
isentar de pena o agente, além de salientar que as características usadas na descrição da
vítima para o processo, serão as da pessoa a qual se queria cometer o delito. Por exemplo,
eu fui pago para matar Pedro, mas mato João seu irmão gêmeo. Responderei no art. 121,
§ 2°, I do CP, mesmo que não fosse receber a recompensa por não ter cometido o crime
certo.

Erro na execução

Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa
que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-
se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.

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 Aberratio ictus, segundo Greco, quando, por acidente ou erro no uso dos meios de
execução, o sujeito ativo atinge pessoa diversa da pretendida. Não ocorrendo concurso
formal de crimes (art. 70 do CP), o réu responde somente pelo erro sobre a pessoa, no
supracitado art. 20 § 3° do CP. Por exemplo, quero acerta A, mas acabo acertando B.

 Aberratio criminis acontecerá quando, fora dos casos do art. 73 do CP, por acidente ou
erro na execução da prática delitiva, for alcançado resultado diverso do pretendido pelo
autor. Haverá imputação de culpa se esta for legalmente prevista. No caso de o sujeito
ativo conseguir, também, o resultado que pretendia inicialmente, deverá ser observada a
aplicação do art. 70 (concurso formal de crimes) e 73 do CP.

 Aberratio causa estará presente no caso do indivíduo que, supondo ter matado a vítima
por estrangulamento, enforca-a para dissimular o assassinato e tentar ludibriar os oficiais
para que estes pensem que houve suicídio. Entretanto, os peritos descobrem que a morte
só ocorreu após o enforcamento. Neste caso, o agente responderá apenas por um só delito
(no caso, homicídio) doloso consumado.

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