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Angola: O caminho para a reforma económica

11 de junho de 2018
O FMI concluiu recentemente sua avaliação anual da saúde da economia
angolana e constatou que o país, sob um novo governo, avançou na definição de
uma agenda de reformas virada para estabilidade macroeconómica e crescimento
em benefício de toda a população.

O empenho de um novo governo em restabelecer a


estabilidade macroeconómica e implementar reformas

Desde a eleição do ano de 2017, o governo de Angola começou


a implementar políticas destinadas a restabelecer a estabilidade
macroeconómica e melhorar a governação, como a demissão de
funcionários ligados ao governo anterior, o arranque de
investigações sobre o possível desvio de fundos em várias
entidades públicas e a criação de uma unidade especializada de
combate à corrupção.

A queda dos preços do petróleo e as políticas no período


que antecedeu as eleições pressionaram a economia.

A queda drástica dos preços do petróleo iniciada em meados de


2014 reduziu substancialmente as receitas fiscais e as
exportações, com a parada do crescimento e uma forte
aceleração da inflação. Isso evidenciou a necessidade de
abordar as vulnerabilidades com mais vigor e diversificar a
economia para além do petróleo.
As autoridades tomaram medidas para mitigar o impacto do
choque no preço do petróleo, como uma melhoria considerável
do saldo orçamental primário não petrolífero na ordem de 17,5%
do PIB em 2015-16, sobretudo graças a cortes de gastos que
incluíram a eliminação de subsídios, e a desvalorização do
kwanza em relação ao dólar dos EUA em mais de 40% entre
Setembro de 2014 e Abril de 2016. Contudo, em Abril de 2016, a
taxa de câmbio foi fixada ao dólar dos EUA mais uma vez.

Por muitos anos Angola viu-se presa em um conflito civil que


destruiu o seu capital humano e solapou a capacidade do estado
angolano de funcionar normalmente. Desde o fim do conflito em
2002, o país trabalhado para melhorar sua governação e a
eleição de 2017 é uma prova de uma reforma económica e
política que ajudou o povo a recuperar a sua confiança em suas
perspetivas como um todo

As políticas no período que antecedeu as eleições de agosto de


2017 — expansão orçamental e taxa de câmbio fixa — levaram
a uma erosão ainda maior dos amortecedores orçamentais e
externos. O défice orçamental global piorou, chegando a 6% do
PIB, e a dívida pública incluindo a dívida da petrolífera estatal
Sonangol, alcançou 64% do PIB em 2017. As reservas
internacionais brutas caíram para $ 17¾ mil milhões — o
equivalente a seis meses de importações — enquanto o
diferencial entre a taxa de câmbio paralela e a oficial subiu para
150% em 2017.

a implementação um programa de estabilização


macroeconómica.
O governo lançou o programa de estabilização macroeconómica no início
de janeiro de 2018. Ele prevê consolidação orçamental, uma maior
flexibilidade do câmbio, a redução do rácio dívida pública/PIB para 60% no
médio prazo, a melhoria do perfil da dívida por meio de uma operação de
gestão de passivos, a liquidação de pagamentos internos em atraso e a
implementação eficaz da legislação contra o branqueamento de capitais.

A Assembleia Nacional aprovou um orçamento prudente para 2018,


visando uma melhoria do saldo orçamental primário não petrolífero de 2%
do PIB. Em janeiro, o banco central abandonou o câmbio fixo em relação ao
dólar americano e tem vendido cada vez mais divisas em leilões regulares,
em oposição a vendas diretas. O banco central também está a reformular o
seu quadro de política monetária de modo a implementar um regime de
metas monetárias.

 As reformas estruturais viradas corretamente para a


promoção do crescimento do setor privado.

 A Assembleia Nacional aprovou recentemente a Lei de Concorrência, que


estabelece um quadro para apoiar a concorrência nos mercados internos e
lidar com práticas monopolistas em setores-chave, como as
telecomunicações e a produção de cimento. Outro diploma recém-aprovado
pela Assembleia Nacional foi a Lei do Investimento Privado, que elimina
barreiras de entrada ao investimento direto estrangeiro. O governo também
lançou um programa para diversificar as exportações e substituir as
importações.

A necessidade de criar espaços orçamentais para fechar as


lacunas sociais.
As lacunas sociais em Angola são grandes e generalizadas, o que abrange
uma incidência da pobreza maior do que a prevista pelos níveis de
rendimento, e taxas de mortalidade mais altas do que as dos seus pares na
região. Os gastos públicos são insuficientes em áreas cruciais, como a
educação. Um programa de transferência condicionada de rendimento bem
concebido poderia ajudar a aliviar a pobreza e outros problemas sociais.

Assim como outros países ricos em recursos naturais em África, Angola


precisou voltar-se para setores não petrolíferos da sua economia para
compensar a queda das receitas tributárias e das exportações

www.imf.org/pt/News/Articles/2018/06/07/NA061118-Angola-
The-Road-to-Economic-Reform