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LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE – ECA

Professor Diogo Lopes


LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.

DOS CRIMES CONTRA A CRIANÇA E ADOLESCENTE.


Art. 226 a 244-B, ECA.

Art. 226, ECA.


Aplicam-se aos crimes definidos nesta Lei as normas da Parte Geral do Código Penal e, quanto ao processo,
as pertinentes ao Código de Processo Penal.

Art. 227, ECA.


Os crimes definidos nesta Lei são de ação pública incondicionada.

01 – AÇÃO PENAL:

Os crimes definidos no ECA procedessem mediante ação penal pública incondicionada.

02 – ART. 228, ECA.

Art. 10, ECA.


Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são
obrigados a:
I - manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais, pelo prazo de
dezoito anos;
II - identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão
digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente;
III - proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do
recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais;
IV - fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrências do parto
e do desenvolvimento do neonato;
V - manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe.
VI - acompanhar a prática do processo de amamentação, prestando orientações quanto à técnica
adequada, enquanto a mãe permanecer na unidade hospitalar, utilizando o corpo técnico já existente.

Art. 228, ECA.


Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de
manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. 10 desta Lei, bem como de
fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de nascimento,
onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.

a) SUJEITO ATIVO:
Trata-se de crime próprio, pois somente pode ser praticado pelo encarregado de serviço ou pelo
dirigente do hospital.

b) CONDUTA:
Trata-se de crime omissivo pois o tipo penal pune o agente que deixa de observar as seguintes observações:
- Manter o prontuário pelo prazo de 18 anos.

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- Fornece a declaração de nascimento.

C) ELEMENTOS SUBJETIVOS:
Se o crime for doloso a pena será de 6 meses a 2 anos.
Se o crime for culposo a pena será de 2 a 6 meses ou multa

03 – ART. 229, ECA.


Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de identificar
corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, bem como deixar de proceder aos exames
referidos no art. 10 desta Lei:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.

a) SUJEITO ATIVO:
Também é crime próprio pois somente pode ser praticado por medico, enfermeiro ou dirigente de hospital.

b) CONDUTA:
Também é crime omissivo próprio pois o tipo penal pune o agente que deixa de observa os seguintes
deveres:
- Identificar o recém-nascido e sua mãe.
- Os exames definidos no art. 10, ECA.

c) ELEMENTO SUBJETIVO:
Se o crime de doloso a pena e 6 meses a 2 anos.
Se o crime e culposo a pena e de 2 a 6 meses ou multa.

04 – APREENSÃO – ART 230, ECA.

Art. 230, ECA.


Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante
de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele que procede à apreensão sem observância das
formalidades legais.

05 – COMUNICAÇÃO IMEDIATA – ART. 231, ECA.

Art. 231, ECA.


Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente de fazer imediata
comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

a) SUJEITO ATIVO:
Trata-se de crime próprio, pois somente pode ser praticado pela autoridade policial.

b) CONDUTA:
Trata-se de condita omissiva, pois o tipo penal pune o agente que deixa de comunicar imediatamente o juiz
e a família do apreendido ou pessoa por ele indicada a apreensão e o local onde se encontra apreendido.

06 – VEXAME – ART. 232, ECA.

Art. 232, ECA.

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Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a
constrangimento:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

a) SUJEITO ATIVO:
Trata-se de crime próprio, pois deve haver uma relação de autoridade guarda ou vigilância

b) CONDUTA:
Submeter a criança ou adolescente a constrangimento ou vexame.

07 – LIBERAÇÃO IMEDIATA – ART. 234, ECA.

Art. 234, ECA.


Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de criança ou
adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

a) SUJEITO ATIVO:
Trata-se de crime próprio, pois somente pode ser praticado pela autoridade competente.

b) CONDUTA:
O tipo penal pune a conduta de: deixar de liberar imediatamente o menor tão logo que tome conhecimento
da ilegalidade da apreensão.

08 – PRAZOS – ART. 235, ECA.

Art. 235, ECA.


Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício de adolescente privado de liberdade:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Internação – prazo máximo de 3 anos;


6 meses reavaliação;
3 meses descumprimento reiterado de medidas anteriormente impostas;
Liberação compulsória aos 21 anos;
Internação antes da sentença 45 dias.

09 – EMBARAÇAMENTO – ART. 236, ECA.

Art. 236, ECA.


Impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do
Ministério Público no exercício de função prevista nesta Lei:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

OBS: Esse tipo penal puni a conduta de embaraçar ou impedir a atuação das autoridades acima
relacionadas definidas no ECA.

10 – SUBTRAÇÃO DE MENORES –ART. 237, ECA.

Art. 237, ECA.


Subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial,
com o fim de colocação em lar substituto:
Pena - reclusão de dois a seis anos, e multa.
Elementos subjetivo: trata-se do dolo com a finalidade especial de colocação do menor em lar
substituto.
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11 – PROMESSA DE ENTREGA – ART. 238, ECA.

Art. 238, ECA.


Prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa:
Pena - reclusão de um a quatro anos, e multa.
Parágrafo único. Incide nas mesmas penas quem oferece ou efetiva a paga ou recompensa.

PODER FAMILIAR TUTELAR


PAI E MÃE TUTOR
FILHO PUPILO

OBS: Este tipo penal puni também que paga pela entrega ou pela promessa.

(PODE CAIR)
12 – ENVIAR PARA O EXTERIOR – ART. 239, ECA.

Art. 239, ECA.


Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com
inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro:
Pena - reclusão de quatro a seis anos, e multa.
Parágrafo único. Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude:
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência.
OBS:
Os art. 13-A e 13-B, incidi sobre esse crime.

13 – CRIMES RELACIONADOS À PEDOFILIA – ART. 240, ECA.

Art. 240, ECA.


Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou
pornográfica, envolvendo criança ou adolescente.
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1o Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo
intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda
quem com esses contracena.
§ 2o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime:
I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la;
II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade;
III – prevalecendo-se de relações de parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, ou por
adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha
autoridade sobre ela, ou com seu consentimento.

a) PRODUÇÃO DE CENAS DE SEXO EXPLÍCITOS OU PORNOGRAFIA ENVOLVENDO


CRIANÇA OU ADOLESCENTES.
ART. 240, ECA.
Cenas de sexo explícitos pornografia envolvendo criança e adolescentes compreende qualquer situação
que os envolva em atividades sexuais explicitas, reais ou simuladas ou exibição dos órgãos genitais para
fins primordialmente sexuais.

b) VENDA DE CENAS DE SEXO EXPLÍCITO OU PORNOGRAFIA.


ART. 241, ECA.

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Vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou
pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

c) COMPARTILHAMENTO DE CENAS DE SEXOS EXPLÍCITOS OU PORNOGRAFIA.


ART. 241-A, ECA.
Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por
meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo
explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
I – assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias, cenas ou imagens de que
trata o caput deste artigo;
II – assegura, por qualquer meio, o acesso por rede de computadores às fotografias, cenas ou
imagens de que trata o caput deste artigo.
§ 2o As condutas tipificadas nos incisos I e II do § 1 o deste artigo são puníveis quando o responsável
legal pela prestação do serviço, oficialmente notificado, deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito de
que trata o caput deste artigo.

d) AQUISIÇÃO DE CENAS DE SEXO EXPLÍCITOS OU PORNOGRAFIA.


ART. 241-B, ECA.
Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha
cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1o A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se de pequena quantidade o material a que se
refere o caput deste artigo.
§ 2o Não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar às autoridades
competentes a ocorrência das condutas descritas nos arts. 240, 241, 241-A e 241-C desta Lei, quando a
comunicação for feita por:
I – agente público no exercício de suas funções;
II – membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre suas finalidades institucionais, o
recebimento, o processamento e o encaminhamento de notícia dos crimes referidos neste parágrafo;
III – representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço prestado por
meio de rede de computadores, até o recebimento do material relativo à notícia feita à autoridade policial,
ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário.
§ 3o As pessoas referidas no § 2o deste artigo deverão manter sob sigilo o material ilícito referido.

e) SIMULAÇÃO EM CENAS DE SEXO EXPLÍCITOS OU PORNOGRAFIA.


ART. 241-C.
Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de
adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação
visual:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, disponibiliza, distribui,
publica ou divulga por qualquer meio, adquire, possui ou armazena o material produzido na forma do caput
deste artigo.

14 – ARMAS OU MUNIÇÃO – ART. 242, ECA.

Art. 242, ECA.


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Vender, fornece ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma,
munição ou explosivo:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos.

15 – BEBIDAS ALCOÓLICAS – ART. 243, ECA.

Art. 243, ECA.


Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma, a criança ou a
adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, outros produtos cujos componentes possam causar
dependência física ou psíquica:
Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave.

OBS: se a droga constar na portaria 344 da secretaria de vigilância sanitária, do ministério da saúde,
configura crime de tráfico de drogas, com aumento de pena previsto no art. 40 da lei 11.343/2006.

16 – FOGOS DE ARTIFICIO OU ESTAMPIDO – ART. 244, ECA.

Art. 244, ECA.


Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente fogos
de estampido ou de artifício, exceto aqueles que, pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de provocar
qualquer dano físico em caso de utilização indevida:
Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa.

17 – CORRUPÇÃO DE MENORES – ART. 244-B.

Art. 244-B, ECA.


Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou
induzindo-o a praticá-la
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 1o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas
utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet.
§ 2o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração
cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1o da Lei n o 8.072, de 25 de julho de 1990.

OBS: esse crime pune quem corrompe o menor, induzindo a praticar crimes ou com ele pratica
crimes, trata-se de crime formal pois não há necessidade de demostrar a efetiva corrupção.

OBS: Se para o tráfico de droga o agente não responde por este crime.

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