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Legislação Extravagante – Lei das Organizações Criminosas

Professor Diogo Lopes

LEI Nº 12.850, DE 2 DE AGOSTO DE 2013.


Define organização criminosa e dispõe sobre a
investigação criminal, os meios de obtenção da prova,
infrações penais correlatas e o procedimento criminal;
altera o Decreto-Lei n o 2.848, de 7 de dezembro de
1940 (Código Penal); revoga a Lei n o 9.034, de 3 de
maio de 1995; e dá outras providências.

1 – DOS MEIOS EXTRAORDINÁRIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS:

a) DISTINÇÃO ENTRE MEIO DE PROVA E MEIO DE OBTENÇÃO DE PROVA.

Meio de prova e um instrumento por meio do qual a fonte de prova ingressa em juízo, e por isso possui
natureza endoprocessual.

O meio de obtenção de prova e um meio de investigação com o objetivo de encontrar fontes de prova e
colher elementos de informação e é realizado em regra durante a fase investigatória pela autoridade policial
e seus agentes.

Os meios ordinários de obtenção de prova são aqueles utilizados da investigação de qualquer crime.
Ex: busca pessoal e domiciliar

Meios extraordinários de obtenção de provas, também chamado de técnicas especiais de investigação


são utilizados na investigação de crimes mais graves.
Ex: infiltração de agentes, intercepção telefônica.

b) MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVA EM ESPÉCIE:


ART. 3 L.O.C

I – Colaboração premiada:
Para incentivar os criminosos a colaborar com a Justiça, várias leis trouxeram a possibilidade de se
conceder benefícios àqueles acusados que cooperam com a investigação. Esses benefícios podem ser a
diminuição da pena, a alteração do regime de seu cumprimento ou mesmo, em casos excepcionais, isenção
penal. Essa colaboração é extremamente relevante na investigação de alguns tipos de crime, como por
exemplo: no de organização criminosa, em que é comum a destruição de provas e ameaças a testemunhas;
no de lavagem de dinheiro, o qual objetiva justamente ocultar crimes; e no de corrupção, feito às escuras e
com pacto de silêncio.
Há duas formas de colaboração premiada. Na primeira, o criminoso revela informações na
expectativa de, no futuro, tal cooperação ser tomada em consideração pelo juiz quando da aplicação da
pena. Na segunda, o criminoso entra em acordo com o Ministério Público, celebrando, após negociação, um
contrato escrito. No contrato são estipulados os benefícios que serão concedidos e as condições para que
a cooperação seja premiada.

II – Captação ambiental de sinais:


Eletromagnéticos
Ópticos
Acústicos

OBS:

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De Acordo com STF e permitida a instalação escutas ambientais em escritório de advocacia por ordem
judicial mesmo que seja durante a noite se houver suspeita que o advogado integra organização criminosa.
III – Ação controlada:
E o flagrante postergado, retardado, prorrogado, diferido.
IV – Acesso a registros de ligação telefônicas e telemáticas:
Em julgado antigo do STF (2012), extrai-se que é admissível verificar o registro das ligações pela
autoridade policial quando da prisão do agente.
O STJ entende que a verificação das conversas de WhatsApp depende de ordem judicial.
A quebra do sigilo telefônico, bancário, financeiro e fiscal pode ser realizada pelo juiz e comissão
parlamentar de inquérito (CPI).

V – Acesso a dados cadastrais:


Constantes de bancos de dados públicos ou privado.

VI – Acesso a informações eleitorais ou comerciais:


O Sistema de Informações Eleitorais – SIEL destina-se ao atendimento das solicitações de acesso
aos dados constantes do Cadastro Nacional de Eleitores, realizadas exclusivamente por Autoridades
Judiciárias ou Representantes do Ministério Público

VII – Interceptação telefônica e telemática:

VIII – Afastamento do sigilo bancário, financeiro e fiscal:

IX – Infiltração de agentes policiais:

X – Cooperação entre instituições e órgãos:

c) INCIDÊNCIA DA LEI DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA:

I – Organizações criminosas:
Comando vermelho, pcc, etc...

II – Infrações penais á distancia:


São aquelas a conduta ocorre em um pais e o resultado ocorre em outro.

III – Organizações terroristas:

d) BUSCA E APREENSÃO:

I – Busca domiciliar:
A busca domiciliar possui a finalidade de encontrar: agentes para prendê-los, os instrumentos e
produtos do crime para apreensão, demais provas relacionadas ao crime e sua respectiva apreensão e pôr
fim a vítima.
A busca domiciliar somente pode ser realizada por ordem judicial.
OBS:
E possível violação de domicilio mesmo contra a vontade do morador, além da imposte-se da ordem judicial:
flagrante delito, desastre e prestar socorro.

Natureza jurídica
Meio de obtenção de prova de acordo com o CPP.
CPP está dentro do capitulo dos meios de prova.
Prova cautelar sendo o contraditório diferido.

II – Busca pessoal:
Instrumentos do crime, produto do crime outros documentos relacionados ao crime.
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Hipótese: ordem judicial, prisão, durante a busca domiciliar e fundada a suspeita que o indivíduo
tenha consigo armas proibidas, instrumentos ou produtos do crime e demais provas relacionadas ao crime.

OBS:
A medida cautelar de caráter real que visa o proveito do crime e denominada sequestro.

III – Apreensão:
E o ato de constrição dos instrumentos e produtos do crime bem como de outras fontes de prova.

e) COLABORAÇÃO PREMIADA:

Colaboração premiada e o ato praticado pelo agente para auxiliar as investigações da organização
criminosa.

I – Finalidade:
Demais agentes, identificar estrutura da organização. (Delação premiada).

Identificar possível vítima, produto e proveito do crime e evitar que crimes aconteça.

II – Benefícios:
Não oferecimento da denúncia – (arquivamento do IP).
Requisito: ser o primeiro colaborador, não ser o chefe da organização.
O prazo para oferecimento da denúncia poderá ser suspenso por até 6 meses prorrogável por igual período.

Extinção da punibilidade.

Conversao da pena de privativa de liberdade em restritiva de direitos.


Neste caso não precisa estar presentes os requisitos do art. 44 do CP.

Diminuição de pena até 2/3.

Progressão imediata de regime de pena de privativa de liberdade.

Diminuiçao de pena ate ½.

OBS:
Responsáveis pela colaboração: – Ministério público.
– Delegado (neste caso a homologação do acordo depende de previa de manifestação do MP).

OBS:
Compete o juiz a homologar o acordo e se dele descorda será aplicado o art. 28 do CPP.

OBS:
Em razão do sistema acusatório o juiz não pode participar do acordo.

f) AÇÃO CONTROLADA:

Consiste na prorrogação da intervenção estatal no caso de flagrante delito objetivando o momento mais
eficaz sobe a ótica probatória para se realizar a prisão em flagrante.

I – Lei das organizações criminosas:


Para que autoridade policial retarde a intervenção estatal deve haver comunicação previa a
autoridade judicial.
O juiz comunicara ao Ministério Público e poderá estabelecer os limites da ação controlada.

I – Lei de Drogas:

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Art. 53, lei 11.343/06:
Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos nesta Lei, são permitidos, além dos
previstos em lei, mediante autorização judicial e ouvido o Ministério Público, os seguintes procedimentos
investigatórios:
I - a infiltração por agentes de polícia, em tarefas de investigação, constituída pelos órgãos especializados
pertinentes;
II - a não-atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos ou outros produtos
utilizados em sua produção, que se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de identificar e
responsabilizar maior número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação
penal cabível.
Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, a autorização será concedida desde que sejam
conhecidos o itinerário provável e a identificação dos agentes do delito ou de colaboradores.

OBS:
Em razão neste caso deve ser observado os seguintes requisitos:
Autorização judicial após manifestação do ministério público.
A intervenção deve ocorrer dentro do território Brasileiro.
Deve se conhecer o itinerário provável.
Deve se conhecer os agentes dos delitos ou colaboradores.
Ter a finalidade de encontrar o maior número de agentes.

Para o STJ a postergação da intervenção policial para se colher o maior número de elementos de
informação relacionados ao tráfico não consiste na ação controlada e não depende de autorização
judicial.

g) INFILTRAÇÃO DE AGENTES: ART. 53, LEI 11.343/06.

I – Lei das organizações criminosas:


Esta regulado nos art. 10 a 14 da lei de organizações criminosas e por isso hoje pode ser classificada
como prova típica.
A infiltração de agentes depende de autorização judicial e pode ser requerida pelo ministério público
ou pela autoridade policial.

OBS:
Se requerida pela autoridade policial a decisão dará após manifestação do MP.
A infiltração pressupõe a anuência do agente policial que possuem os seguintes direitos:
A recusa ou a cessação de sua infiltração.
Mudança de nome e incidência da lei de proteção a vítima e testemunha.
Preservação de sua identidade... (imagem, voz, família...sigilo de todos)
Exceção: salve decisão judicial encontraria.
Prazo máximo e de 6 meses e prorrogável por igual período.

- Prazo de infiltração de agentes dos crimes relacionados a pedofilia ECA: 90 a 720 dias.

h) ACESSO A REGISTROS CADASTRAIS.

I – Lei das organizações criminosas:


A autoridade policial e o ministério público terão acesso aos dados do investigado constantes de
dados de banco público ou privado independente de ordem judicial.

II – CPP:
O MP e o Delegado procederam ao acesso aos dados independente de ordem judicial do investigado
e de vítimas no caso de crimes que envolve privação de liberdade, nos termos do art. 14-A do CPP.

i) CRIMES OCORRIDOS DA INVESTIGAÇÃO:


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I – Embaraçar investigações de infrações penais que envolvem organização criminosa.
Art. 2º, § 1º, LOC.
II – Revelação da identidade do colaborador (autorização).
Art. 18, LOC.
III – Colaboração caluniosa.
Art. 19, LOC.
IV – Quebra de sigilo – Ação controlada.
Art. 20, LOC. Infiltração de agentes.
V – Recusa de acesso a registros cadastrais.

2 – CONCEITO DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA: Lei nº 12.850/2013.

Associação de 4 ou mais pessoas estruturalmente ordenadas e caracterizadas pela divisão de


tarefas ainda de que maneira informal.
Com o objetivo de obter vantagem de qualquer natureza de forma direta ou indireta e mediante a
pratica de infrações penais cuja a pena máxima seja superior a 4 anos ou que tenha caráter transnacional.

3 – CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA:

a) CONDUTA:

Trata-se de crime de ação múltipla ou conteúdo variado, também chamado plure nuclear, pois no
tipo penal há 4 verbos:
Promover
Constituir
Integrar
Financiar

b) OBJETO MATERIAL:

Organização criminosa

c) SUJEITO ATIVO:

Trata-se de crime plure subjetivo, pois para sua configuração são necessárias pelo menos 4 pessoas.
Trata-se de concurso necessário e de condutas paralelas.

d) SUJEITO PASSIVO:

Trata-se de crime vago pois o sujeito passivo material e indeterminado.

e) ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO:

Trata-se do dolo com a finalidade especial de obter vantagem de qualquer natureza.

f) PENA:
Reclusão de 3 a 8 anos e multa.

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Se a organização criminosa efetivamente praticar os crimes pretendidos, aplicasse-a o cumulo material, pois
serão somadas as penas do crime de organização com aqueles.

g) DISTINÇÃO DA ORGANIZAÇÃO COM OUTRAS ASSOCIAÇÕES CRIMINOSAS:

I – Associação criminosa.
Art. 288, CP

Sujeito ativo.
Quantidade: 3 ou mais pessoas.

Elemento subjetivo: dolo de integrar associação para pratica de crimes.

Pena: 1 a 3 anos de reclusão, com pena mínima e de 1 ano e cabendo suspensão condicional do
processo.

II – Associação criminosa qualificada:


Art. 288, CP

Pena qualificada de 3 a 6 anos.


Hediondos
Tráfico de drogas
Terrorismo
Tortura

Art. 8º da lei 83072/90


Crimes que não configura associação qualificada (tráfico de drogas).

III – Associação para o tráfico:


Art. 35, lei 11.343/06

Pena qualificada de 3 a 10 anos.


Sujeito ativo e precisa de 2 ou mais pessoas.

Elementos subjetivo.
Para trafico: art. 33, caput § 1º e art. 34, lei 11.343/06.

Finalidade para financiamneto, art. 36, lei 11.343/06.

h) CAUSAS DE AUMENTO DE PENA:

Pena aumentada até 1\2 e se houver emprego de arma de fogo.

Pena aumentada de 1\6 até 2\3,


Se a participação de criança ou adolescentes.

OBS:
Nos crimes da lei de droga a pena também e aumentada de 1\6 a 2\3 se visar ou envolver criança ou
adolescente.

OBS:
No crime de associação criminosa a pena de aumentada até 1\2.

Se a concurso de funcionário público e a organização se utilizar dessa condição para pratica das
infrações penais.
Se o produto ou proveito da infração penal destinar-se ao exterior.
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Se a organização criminosa tiver conexão com outras organizações criminosas independentes.
Se a circunstância do fato evidenciaria a transnacionalidade da organização.

i) CIRCUNSTANCIAS AGRAVANTE ESPECIFICA:


Art. 2º § 3º

Pena será agravada quando o agente exerce o comando da organização ainda que não pratique
pessoalmente os altos de execução.

OBS:
Aplicação da pena: art. 68, CP (critério trifásico)

1º fase: Pena base art. 53, CP (circunstância judicial)


Pena de 3 a 8 anos e multa.

2º fase: Agravantes e atenuantes, art. 60 e 62, CP – art. 65, CP – art. 2º, § 3º, LOC
Na segunda fase da aplicação da pena não se pode extrapolar os marcos legais.

3º fase: Causa de aumento e diminuição de pena.

h) Efeitos da condenação:

Se o agente e funcionário público e houver condenação com o transito e julgado, acarretará a perda
da carga e a interdição para exercício de função pública pelo prazo de 8 anos subsequente ao cumprimento
de pena.
Trata-se de perca de automática de do cargo assim como no caso de tortura.

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