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Nome Completo: Bruno Pessoa Villela RGM: 24177199

Instituição: Cruzeiro do Sul Data: 23/11/2020


Curso: Pedagogia
Disciplina: Estágio Supervisionado em Gestão Educacional

ATIVIDADE 1.1 - BNCC E SEUS DESAFIOS PARA IMPLEMENTAÇÃO

Analise a BNCC e sua correlação com os direitos humanos e as ODS 2030 e elabore um
texto dissertativo, com o mínimo de uma lauda, conforme as orientações a seguir:
Materiais de referência para realização da atividade: Texto da BNCC (Educação
Infantil, Ensino Médio ou Ensino Fundamental, conforme o segmento do estágio),
Declaração Universal dos Direitos Humanos e ODS 2030.

Produção do Texto Dissertativo.


O texto dissertativo (com suas palavras) deverá fazer menção à:
a) Origem da declaração dos direitos humanos (E ODS 2030);
b) Propostas gerais presentes na BNCC (consultar a introdução documento);
c) Uma competência específica (fundamental e médio) ou campo de experiência
(infantil), a pelo menos 01 artigo da DUDH ou a pelo menos 01 ODS (para
Educação Infantil, deve-se considerar a ODS 4 Meta 4.2);
d) Correlação entre a importância da presença e do desenvolvimento dessa
competência na formação do estudante egresso na educação infantil, do ensino
médio ou fundamental, explicando-a adequadamente.

Digite aqui o seu texto:


As origens da Declaração Universal dos Direitos Humanos estão relacionadas
com a existência e as consequências da Segunda Guerra Mundial, destacando-se dois
aspectos deste conflito, basilares para o documento internacional: o Holocausto que
matou milhões de pessoas e as vítimas civis não combatentes. Com isso em mente, os
países tentaram formular a "Declaração" para proteger a dignidade e outros direitos
básicos dos cidadãos, especialmente em países sob regimes ditatoriais, de exceção ou
com conflitos civis e étnicos.
A "Declaração Universal1" foi assinada pelos 193 países que compõem as
Nações Unidas. Este documento serve como base para constituições e dos tratados
internacionais. Contém 30 artigos sobre a necessidade de garantir os direitos de
liberdade, justiça e paz no mundo, entre eles, transcrevo o artigo 26:

“1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo
menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino
elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser
generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em
plena igualdade, em função do seu mérito.
2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao
reforço dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais e deve
favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e
todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das
atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
3.Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a
dar aos filhos”. (Declaração dos Direitos Humanos, 1948, Art. 26) (grifo
nosso)

Em consonância com diversos diplomas legais, da constituição federal,


estaduais, conjugadas a outras normas e diretrizes, observa-se que a questão da
educação, como direito do cidadão e dever do estado, historicamente amplia seu pleito e
força no surgimento do Estado Nacional moderno, ressurgindo nas revoluções sociais
do século XVIII e XIX, principalmente na Revolução Francesa. Contudo este direito
básico, que da mesma cepa que a igualdade, liberdade, propriedade, encontra-se no
mundo em distintos níveis de implementação.

No caso brasileiro, na forma da lei, o direito a educação, surge desde a primeira


carta constitucional de 1824, entretanto, somente quase dois séculos depois, torna-se um
direito de fato, na carta magna de 1988. E seu ordenamento e normatização expressaram
suas formas e características, ainda em constante metamorfose e reformulação, nas
décadas de 1990 e 2000.

Deve-se destacar que, quando se trata de educação escolar, o artigo 210 da Constituição
Federal estipula que “fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de
maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos,
nacionais e regionais” (BRASIL, 1988) (grifo nosso).

1
Vide Declaração Universal dos Direitos Humanos em <
https://www.ohchr.org/en/udhr/documents/udhr_translations/por.pdf>
Para tanto, foi elaborado a “Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)” e na
sequencia o “Plano Nacional de Educação (PNE)”, cuja implementação visou atender
aos direcionamentos constitucionais do art. 2142. Dentre as várias estratégias por ele
definidas, destaca-se a “implantação dos direitos e objetivos de aprendizagem e
desenvolvimento que configurarão a base nacional comum curricular do ensino
fundamental” (BRASIL, 2014).

Como premissa central, a Base Nacional Comum Curricular 3 soma-se ao


alicerce, do Plano Nacional de Educação (PNE,), a Lei de Diretrizes e Bases da

2
O artigo 214 da Constituição Federal do Brasil dispões “Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de
educação, de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de
colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a
manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de
ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que conduzam a: I - erradicação
do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV -
formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País; VI -
estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto
interno bruto.” (BRASIL, 1988)
3
Vide Base Nacional Comum Curricular < http://portal.mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/base-
nacional-comum-curricular-bncc>. Este documento elenca dez pilares para a sua consecução: 1. Valorizar
e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para
entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade
justa, democrática e inclusiva; 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das
ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para
investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive
tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas; 3. Valorizar e fruir as diversas
manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas
da produção artístico cultural; 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como
Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística,
matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em
diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo; 5. Compreender, utilizar e
criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética
nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações,
produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva;
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências
que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao
exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e
responsabilidade; 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular,
negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos
humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com
posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta; 8. Conhecer-se,
apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e
reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas; 9.
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e
promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de
indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de
qualquer natureza e 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade,
resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos,
sustentáveis e solidários. (BRASIL, 2018, p. 9-10)
Educação (LDB,) propósito de orientar a educação à plena composição humana para a
construção de uma sociedade justa, tolerante e democrática.

Este ultimo documento de redação hodierno e transcurso inicial, em 2018, reiteram


pontos, objetivos e conceitos presentes em todos as normativas antecessoras até mesmo
a carta constitucional. Entretanto sua aplicação tem impactado nos processos de
(re)elaboração de currículos e materiais didáticos, formação de professores, adequação e
dinâmica da vivencia escolar.

A BNCC traz a importância do desenvolvimento de competências e habilidades


gerais para promover a educação, pretendendo construir na criança e adolescente, o
respeito a sociedade, as pessoas e principalmente à terra e seus recursos naturais,
desenvolvendo assim, pratica cotidiana, ações como cidadãos.

De forma sintética a Base Comum descreve ou propõe as “capacidades” como não


apenas o conhecimento possuído, mas seu uso efetivo e resultados advindos deste. No
tocante a definição de “habilidade” podemos entender como características individuais,
que por possuírem uma maior “fluidez e plasticidade” devem ser orientadas, conduzidas
com maior acuidade e afinco por parte do professor, visando sempre despertar a
curiosidade, o interesse e o senso crítico do aluno, .intra ou extra processo de
aprendizagem.

Neste sentido a dinâmica formada entre as capacidades e habilidades, postuladas pela


BNCC estão em consonância com o objetivo da Agenda 2030 e dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

“A Agenda 2030” é uma revisão realizada pela ONU, em 2015, do projeto


“Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)”, criado no ano de 2000, esse novo
plano, tem por metas: sobre as pessoas, o planeta, paz, parcerias e a prosperidade. O
plano também visa fortalecer a paz universal com maior liberdade e determina que a
erradicação da pobreza em todas as formas e escalas, incluindo a pobreza extrema, é o
maior desafio. O plano em sua estrutura apresenta 17 “Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável”, mas englobam diversas outras pautas de essencial importância como a
ambiental do Rio+20, populações com o Cairo+20, das mulheres e equidade de gênero
com Pequim+20.
Dentre os diversos objetivos destacamos o quarto, com o título geral “Assegurar
a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de
aprendizagem ao longo da vida para todas e todos” podemos diretamente relacionar
esse programa da ONU, com as próprias legislações e normas brasileiras no referente a
educação e seu direito básico.

Pontuamos aqui a proposta apresentada no item “até 2030, garantir que todos as
meninas e meninos tenham acesso a um desenvolvimento de qualidade na primeira
infância, cuidados e educação pré-escolar, de modo que eles estejam prontos para o
ensino primário.” (ODS, Brasil, Meta 4.2) (grifo nosso)

Como exposto anteriormente a universalização do acesso e do próprio sistema de


ensino, buscando englobar as crianças, não é um tema discutido recentemente, ao menos
na historia do Brasil e da educação brasileira, sempre esteve pautada esta necessidade e
demanda, e sua contrapartida de ação efetiva do Estado, como garantidos deste direito
básico, na formação de cidadãos conscientes, críticos e atuantes cosmopolitamente.

Neste sentido é evidente o reconhecimento implícito do documento, na desigualdade de


acesso à educação fundamental, primeiramente por gênero, ao salientar a necessidade de
garantir o acesso a “meninas e meninos”, atrelando a isso premência de uma educação
inclusiva e equitativa de qualidade para propiciar oportunidade de aprendizagem
constante e igualitária, salientando a importância da aprendizagem como um processo
continuo ao longo da vida.

Retomando a Base Nacional Comum Curricular, como ponderamos é um


documento de caráter normativo que estabelece o conjunto de conhecimentos e
habilidades essenciais que todos os alunos devem desenvolver durante a Educação
Básica. No referente a Educação Infantil, a BNCC estabelece 5 Campos de Experiência
para o desenvolvimento da criança de 0 à 5 anos. Evidencio a Experiência 1. “O eu, o
outro e o nós”. Esse campo ajuda a criança a desenvolver atitudes da vida em sociedade,
conhecendo e valorizando sua própria identidade, sincrônico, a respeitar e reconhecer as
diferenças dos outros.

Compondo um dos matizes dessa dinâmica, as experiências advindas das Rodas de


conversa, brincadeiras coletivas, e reconhecimento mediado pela aceitação e o
entendimento crítico e não dogmático, das diferenças sociais, culturais, étnicas e de
gênero. Buscando abarcar no processo educacional a internalização da diversidade, do
autoconhecimento e do respeito mútuo.

Neste sentido ao se permitir que uma parcela da sociedade, que deveria estar
sendo protegida nos seus direitos básicos, da vida, segurança e educação, tornam-se
espectros distantes dos prismas sociais e políticos de um país, cria-se um ciclo e
princípios de exclusão. Quando um aluno não tem a possibilidade de receber a educação
infantil, mas sai da primeira etapa de sua formação cidadã. Então a criança não tem
mais experiência, pois o campo de vivência é a base do aprendizado, e a criança pode se
socializar, fazer perguntas, observar. O desempenho e a experiência de vida coletiva
também podem desenvolver habilidades, princípios da ética, democracia, tolerância e
sustentabilidade.

Observar o desenvolvimento dos alunos no campo da experiência da educação


infantil e de habilidades na educação básica é uma forma de promover a igualdade de
acesso ao conhecimento.

Referências

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO DA EDUCAÇÃO NACIONAL.


Acessado de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm

MINISTERIO DA EDUCAÇÃO. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular.


Acessado de http://basenacionalcomum.mec.gov.br/

OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Acessado de


http://www.itamaraty.gov.br

PERRENOUD, P. Construir as competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Acessado de http://pne.mec.gov.br/

PLATAFORMA AGENDA 2030. Acelerando as transformações para a Agenda 2030


no Brasil. Acessado de http://www.agenda2030.org.br/