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BOLETIM DE ATUALIZAÇÃO CICLOS1

1º TRIMESTRE 202023

Sumário

1 - CONSTITUCIONAL:....................................................................................................................................6

 PROCESSO LEGISLATIVO:.......................................................................................................6

 MINISTÉRIO PÚBLICO:...........................................................................................................6

 DEFENSORIA PÚBLICA:..........................................................................................................6

 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE.................................................................................6

 ENTIDADES DESPORTIVAS:....................................................................................................8

2- ADMINISTRATIVO:.....................................................................................................................................8

 APOSENTADORIA..................................................................................................................8

 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA:........................................................................................9

 SERVIDOR PÚBLICO...............................................................................................................9

 FUNDEF:..............................................................................................................................10

 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO:...............................................................................11

 CONCURSO PÚBLICO:..........................................................................................................12

 DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA:..............................................................................................12

 LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA:............................................................................................13

1
Organização e sistematização: Setor de Material Ciclos (Por Isabella Miranda, Tássia Neumann, Carina Ferreira e Patrícia
Lavratti).
2
Obs1. Todas as informações foram extraídas do site Dizer o Direito (#SomosTodosMarcinho #AjudaMarcinho), contendo
apenas algumas marcações (#importante #atenção) de nossa autoria. Obs2. Todos os julgados foram devidamente
adicionados nas FUCs (para achar no material as novas inserções basta procurar o * asterisco).
3
ATENÇÃO:
STJ: Informativos 659-664
STF: Informativos 962-967

1
 LICITAÇÕES:.........................................................................................................................13

3- PENAL:.....................................................................................................................................................14

 PRINCÍPIOS..........................................................................................................................14

 CRIME DE INCÊNDIO............................................................................................................14

 ESTELIONATO......................................................................................................................15

 FALSIDADE IDEOLÓGICA......................................................................................................16

 PRESCRIÇÃO........................................................................................................................16

 MEDIDA DE SEGURANÇA:....................................................................................................17

 PECULATO:..........................................................................................................................18

4 – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL:................................................................................................................18

 DROGAS:.............................................................................................................................18

 COLABORAÇÃO PREMIADA:................................................................................................20

 LEI ANTITERRORISMO:.........................................................................................................20

 CRIMES CONTRA A HUMANIDADE:......................................................................................21

 CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA:............................................................................21

 CRIMES NO CTB:..................................................................................................................22

5 – PROCESSO PENAL:..................................................................................................................................22

 INQUÉRITO..........................................................................................................................23

 INVESTIGAÇÃO CRIMINAL...................................................................................................23

 NULIDADES..........................................................................................................................24

 COMPETÊNCIA.....................................................................................................................24

 DEFENSOR DATIVO..............................................................................................................25

 RECURSOS...........................................................................................................................26

 PROCEDIMENTO 8.038/90...................................................................................................27

 SIGILO BANCÁRIO E FISCAL..................................................................................................27

2
 PROVAS...............................................................................................................................28

 AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA....................................................................................................29

 PRISÃO DOMICILIAR:...........................................................................................................29

 EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA.......................................................................................30

 EXECUÇÃO PENAL................................................................................................................32

 HABEAS CORPUS:................................................................................................................33

6 - CIVIL.......................................................................................................................................................33

 PRESCRIÇÃO/DIVÓRCIO.......................................................................................................33

 RESPONSABILIDADE CIVIL/PROVEDOR DE ACESSO À INTERNT............................................34

 BEM DE FAMÍLIA.................................................................................................................34

 FIANÇA................................................................................................................................34

 PROCURAÇÃO.....................................................................................................................35

 LOCAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS........................................................................................35

 DÍVIDAS CONDOMINIAIS.....................................................................................................36

 DIREITOS AUTORAIS............................................................................................................37

 COOPERATIVA.....................................................................................................................38

 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA............................................................38

 CONTRATOS........................................................................................................................39

 PARENTESCO.......................................................................................................................39

 ALIMENTOS.........................................................................................................................39

 SUCESSÕES..........................................................................................................................40

 SEGURO...............................................................................................................................41

7 – PROCESSO CIVIL:....................................................................................................................................41

 COMPETÊNCIA.....................................................................................................................41

 RECURSOS...........................................................................................................................42

3
 SUSTENTAÇÃO ORAL...........................................................................................................44

 RECLAMAÇÃO......................................................................................................................45

 IRDR....................................................................................................................................45

 INSOLVÊNCIA CIVIL..............................................................................................................46

 INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA......................................................................46

 REPERCUSSÃO GERAL..........................................................................................................47

 TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO............................................................................47

 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE/EXECUÇÃO..........................................................................48

 EXECUÇÃO...........................................................................................................................48

 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA............................................................................................50

 PENHORA............................................................................................................................51

 CITAÇÃO..............................................................................................................................52

 AÇÃO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS.................................................................................52

 EXECUÇÃO FISCAL................................................................................................................52

 PROCESSO COLETIVO...........................................................................................................53

8 - TRIBUTÁRIO:...........................................................................................................................................53

 PIS/COFINS..........................................................................................................................53

 IR.........................................................................................................................................54

 ICMS....................................................................................................................................55

 TAXA...................................................................................................................................55

 PRESCRIÇÃO........................................................................................................................56

 IMUNIDADE.........................................................................................................................56

 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA........................................................................................57

9 - EMPRESARIAL:........................................................................................................................................57

 FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL...................................................................................57

4
 MARCA................................................................................................................................60

 TÍTULOS DE CRÉDITO...........................................................................................................60

 REPRESENTANTE COMERCIAL..............................................................................................60

10–CONSUMIDOR:.......................................................................................................................................61

 RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO......................................................................61

 PLANO DE SAÚDE................................................................................................................62

 COMPRA E VENDA DE IMÓVEL............................................................................................62

 COBRANÇA JUDICIAL INDEVIDA...........................................................................................62

 BANCOS DE DADOS E CADASTROS DE CONSUMIDORES......................................................63

 PUBLICIDADE ENGANOSA....................................................................................................63

11 – PREVIDENCIÁRIO:.................................................................................................................................63

 PREVIDÊNCIA PRIVADA.......................................................................................................63

 REAFIRMAÇÃO DA DER........................................................................................................64

 DESAPOSENTAÇÃO..............................................................................................................64

 SALÁRIO DE BENEFÍCIO........................................................................................................65

12- DIREITO AMBIENTAL..............................................................................................................................65

 AÇÃO POPULAR...................................................................................................................65

 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA...............................................................................................66

13 – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.......................................................................................67

 CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA DOS PROGRAMAS DE RÁDIO E TV...........................................67

 PODER FAMILIAR.................................................................................................................68

14 – DIREITO ELEITORAL..............................................................................................................................68

 PRESTAÇÃO DE CONTAS......................................................................................................69

15 – FINANCEIRO.........................................................................................................................................69

 RECEITAS PÚBLICAS.............................................................................................................69

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1 - CONSTITUCIONAL:

 PROCESSO LEGISLATIVO

A Constituição Estadual não pode ampliar as hipóteses de reserva de lei complementar, ou seja, não
pode criar outras hipóteses em que é exigida lei complementar, além daquelas que já são previstas na
Constituição Federal. Se a Constituição Estadual amplia o rol de matérias que deve ser tratada por meio de lei
complementar, isso restringe indevidamente o “arranjo democrático-representativo desenhado pela
Constituição Federal”. Caso concreto: STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da CE/SC que exigia a
edição de lei complementar para dispor sobre: a) regime jurídico único dos servidores estaduais; b)
organização da Polícia Militar; c) organização do sistema estadual de educação e d) plebiscito e referendo.
Esses dispositivos foram declarados inconstitucionais porque a CF/88 não exige lei complementar para
disciplinar tais assuntos. STF. Plenário. ADI 5003/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/12/2019 (Info 962).

 MINISTÉRIO PÚBLICO

Ação Civil de perda de cargo de Promotor de Justiça cuja causa de pedir não esteja vinculada a ilícito
capitulado na Lei nº 8.429/92 deve ser julgada pelo Tribunal de Justiça. STJ. 2ª Turma. REsp 1.737.900-SP, Rel.
Min. Herman Benjamin, julgado em 19/11/2019 (Info 662). #IMPORTANTE

 DEFENSORIA PÚBLICA

O STJ indeferiu pedido da DPU para, em substituição à Defensoria Pública de Alagoas, atuar em
recurso especial sob o argumento de que a Defensoria Estadual não possui representação em Brasília. Isso
porque, embora a DPE/AL não possua espaço físico em Brasília, ela aderiu ao Portal de Intimações Eletrônicas
do STJ e, portanto, pode atuar normalmente no processo a partir de sua sede local. A DPU só pode atuar nos
processos das Defensorias Públicas estaduais se a respectiva Defensoria Pública estadual: • não tiver
representação em Brasília; e • não tiver aderido ao Portal de Intimações Eletrônicas do STJ. STJ. 5ª Turma. PET
no AREsp 1.513.956-AL, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 17/12/2019 (Info 664).

 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

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O afastamento de norma legal por órgão fracionário, de modo a revelar o esvaziamento da eficácia do
preceito, implica contrariedade à cláusula de reserva de plenário e ao Enunciado 10 da Súmula Vinculante.
Caso concreto: a 4ª Turma do TRF da 1ª Região, ou seja, um órgão fracionário do TRF1, ao julgar apelação,
permitiu que uma empresa comercializasse determinada espécie de cigarro mesmo isso sendo contrário às
regras do Decreto nº 7.212/2010. Embora não tenha declarado expressamente a inconstitucionalidade do
Decreto, a 4ª Turma afirmou que ele seria contrário ao princípio da livre concorrência, que é previsto no art.
170, IV, da CF/88. Ao desobrigar a empresa de cumprir as regras do decreto afirmando que ele violaria o
princípio da livre iniciativa, o que a 4ª Turma fez foi julgar o decreto inconstitucional. Ocorre que isso deveria
ter sido feito respeitando-se a cláusula de reserva de plenário, conforme explicitado na SV 10: Súmula
vinculante 10-STF: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de
tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder
Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte. STF. 1ª Turma. RE 635088 AgR-segundo/DF, rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 4/2/2020 (Info 965).

O Procurador da Câmara Municipal dispõe de legitimidade para interpor recurso extraordinário contra
acórdão de Tribunal de Justiça proferido em representação de inconstitucionalidade em defesa de lei ou ato
normativo estadual ou municipal. Os Procuradores (do Estado, do Município, da ALE, da Câmara etc.) possuem
legitimidade para a interposição de recursos em ação direta de inconstitucionalidade. STF. 2ª Turma. RE
1126828 AgR/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgado em 4/2/2020 (Info 965).

É cabível ação direta de inconstitucionalidade contra deliberação administrativa do Tribunal que


determina o pagamento de reajuste decorrente da conversão da URV em reais (“plano real”) aos magistrados
e servidores. Depois que a ADI foi proposta, e antes que fosse julgada, o TRT decidiu revogar essa deliberação
administrativa. Diante disso, indaga-se: o mérito da ação foi julgado? NÃO. Em decorrência da revogação da
deliberação, o STF julgou prejudicada a ADI, por perda superveniente de objeto. STF. Plenário. ADI 1244 QO-
QO/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/12/2019 (Info 964).

Exige-se quórum de MAIORIA ABSOLUTA dos membros do STF para modular os efeitos de decisão
proferida em julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral, no caso em que NÃO
tenha havido declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. Qual é o quórum para que o STF, no
julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral reconhecida, faça a modulação dos

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efeitos da decisão? • Se o STF declarou a lei ou ato inconstitucional: 2/3 dos membros. • Se o STF não declarou
a lei ou ato inconstitucional: maioria absoluta. STF. Plenário. RE 638115 ED-ED/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 18/12/2019 (Info 964).

 ENTIDADE DESPORTIVAS

A Lei 13.155/2015 institui o PROFUT (Programa de modernização da gestão e de responsabilidade


fiscal do futebol brasileiro). Essa lei alterou o Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671/2003) para incluir entre os
critérios técnicos, além da colocação obtida em campeonato anterior, a apresentação de Certidão Negativa de
Débitos Federais, de certificado de regularidade de contribuição ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) e comprovação de pagamentos de obrigações previstas nos contratos de trabalho e nos contratos de
imagem dos atletas. Assim, por força da Lei nº 13.155/2015, um clube de futebol da série “A” (“1ª divisão”) do
Campeonato Brasileiro caso não cumprisse os requisitos de regularidade fiscal, regularidade com o FGTS e com
os salários dos atletas seria rebaixado para a série “B”. Para o STF, a exigência da regularidade fiscal fere a
autonomia das entidades desportivas em relação à sua organização e seu funcionamento (art. 217 da CF/88) e
constitui forma indireta de coerção estatal ao pagamento de tributos. A retirada do clube do campeonato pelo
não pagamento de tributos ou do FGTS é medida gravíssima, que demonstra falta de proporcionalidade e
razoabilidade, além de configurar uma sanção política. Com a exclusão automática do campeonato, o clube
jamais conseguiria pagar tributos e refinanciamentos, trazendo prejuízos à União, aos atletas, aos funcionários
e à ideia de fomentar o desporto. Resultado: foi declarada a inconstitucionalidade do art. 40 da Lei nº
13.155/2015, na parte em que altera o art. 10, §§ 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.671/2003, mantendo-se a vigência e
eficácia de todos os demais dispositivos impugnados. STF. Plenário. ADI 5450 MC-Ref/DF, rel. Min. Alexandre
de Moraes, julgado em 18/12/2019 (Info 964).

2- ADMINISTRATIVO:

 APOSENTADORIA

O Tribunal de Contas tem o prazo de 5 anos para julgar a legalidade do ato de concessão inicial de
aposentadoria, reforma ou pensão, prazo esse contado da chegada do processo à Corte de Contas. Em
atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao

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prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou
pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. STF. Plenário. RE 636553/RS, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 19/2/2020 (repercussão geral – Tema 445) (Info 967). Importante!!! Atualize seus
livros!

 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA

É possível que o chefe do Poder Executivo estadual convide, em consenso com a OAB, um
representante da Ordem para integrar órgão da Administração. Isso é válido. No entanto, a lei não pode impor
a presença de representante da OAB (“autarquia federal”) em órgão da Administração Pública local. STF.
Plenário. ADI 4579/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/2/2020 (Info 966).

 SERVIDOR PÚBLICO

Os médicos cooperados estrangeiros não possuem direito adquirido de permanecer no Projeto Mais
Médicos Inexiste direito adquirido para os médicos cooperados estrangeiros de permanecer nos quadros de
agentes públicos da saúde pública, ainda que já tenham sido vinculados ao Projeto Mais Médicos para o Brasil.
STJ. 2ª Turma. RO 213-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05/12/2019 (Info 663).

Algumas Constituições estaduais preveem que a pessoa que tiver exercido o cargo de Governador do
Estado fará jus, após deixar o mandato, a um subsídio mensal e vitalício. Alguns chamam isso de
representação, outros de pensão vitalícia e outros de pensão civil. A previsão desse pagamento é compatível
com a CF/88? NÃO. A instituição de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex-governadores corresponde à
concessão de benesse que não se compatibiliza com a Constituição Federal (notadamente com o princípio
republicano e o princípio da igualdade, consectário daquele), por configurar tratamento diferenciado e
privilegiado sem fundamento jurídico razoável, em favor de quem não exerce função pública ou presta
qualquer serviço à administração. Os ex-Governadores (ou as viúvas) que foram beneficiados com esse
“subsídio” ou com a “pensão” dela decorrente terão que devolver as quantias que receberam antes do STF
declarar inconstitucional a previsão da Constituição Estadual? NÃO. Não é necessária a devolução dos valores
percebidos até o julgamento da ação. Isso por conta dos princípios da boa-fé, da segurança jurídica e, ainda,

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da dignidade da pessoa humana. STF. Plenário. ADI 4545/PR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 5/12/2019
(Info 962).

Os servidores públicos federais, quando desempenhavam funções gratificadas tinham direito de


incorporar, em sua remuneração, a vantagem decorrente do cargo em comissão ou da função de direção,
chefia e assessoramento. Isso estava previsto na redação original do art. 62 da Lei nº 8.112/90. Isso ficou
conhecido como incorporação de quintos em razão do exercício de funções gratificadas. Houve uma discussão
se os servidores públicos federais tiveram direito à incorporação dos quintos no período que vai de
08/04/1998 a 04/09/2001. Após várias decisões favoráveis aos servidores, o STF decidiu em sentido contrário.
Em 2015, o STF decidiu que não era permitida a incorporação dos quintos nesse período e que essa
possibilidade acabou com a edição da MP 1.595-14 (convertida na Lei nº 9.527/97). Ocorre que muitos
servidores estavam recebendo os quintos referentes ao período de 08/04/1998 a 04/09/2001 por força de
decisões judiciais ou administrativas. Como ficou a situação dessas pessoas? O STF, em embargos de
declaração, decidiu modular os efeitos da decisão e afirmou o seguinte: • é indevida a cessação imediata do
pagamento dos quintos quando houve uma decisão judicial transitada em julgado em favor do servidor. Neste
caso, o servidor já incorporou definitivamente os quintos ao seu patrimônio jurídico; • se o servidor estava
recebendo os quintos em razão de decisão administrativa ou de decisão judicial não definitiva, o pagamento
dos quintos é indevido. No entanto, os efeitos da decisão foram modulados, de modo que aqueles que
recebem a parcela até a data de hoje terão o pagamento mantido até a sua absorção integral por quaisquer
reajustes futuros concedidos aos servidores. Em outras palavras, a remuneração ou os proventos não
diminuirão de valor imediatamente. No entanto, quando houver um aumento, esse valor dos quintos sumirá,
sendo absorvido pelo aumento. STF. Plenário. RE 638115 ED-ED/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
18/12/2019 (Info 964).

Algumas leis municipais preveem que a pessoa que tiver exercido o cargo de Vereador fará jus, após
deixar o mandato, a um subsídio mensal e vitalício. Alguns chamam isso de representação, outros de pensão
vitalícia e outros de pensão civil. A previsão desse pagamento é compatível com a CF/88? NÃO. O STF fixou a
seguinte tese a respeito do tema: Lei municipal a versar a percepção, mensal e vitalícia, de “subsídio” por ex-
vereador e a consequente pensão em caso de morte não é harmônica com a Constituição Federal de 1988.
STF. Plenário. RE 638307/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/12/2019 (Tema 672 – repercussão geral)
(Info 964). #IMPORTANTE

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 FUNDEF

O valor da complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino


Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) deve ser calculado com base no valor mínimo nacional
por aluno extraído da média nacional. A complementação ao Fundef realizada a partir do valor mínimo anual
por aluno fixada em desacordo com a média nacional impõe à União o dever de suplementação de recursos,
mantida a vinculação constitucional a ações de desenvolvimento e manutenção do ensino. Em outras palavras,
os Estados prejudicados com o cálculo incorreto do valor mínimo nacional por aluno deverão ser indenizados
por conta do montante pago a menor a título de complementação pela União no período de vigência do
FUNDEF, isto é, nos exercícios financeiros de 1998 a 2007. O tema acima foi definido pelo STJ (no REsp
1101015/BA) e pelo STF nas ACO 648/BA, ACO 660/AM, ACO 669/SE e ACO 700/RN, jugadas em 6/9/2017.
Diante disso, é possível que o Ministro do STF, Relator de ações com pedidos semelhantes, decida
monocraticamente e julgue procedente os pedidos formulados por outros Estados-membros contra a União.
Não haverá, neste caso, violação ao princípio da colegialidade. STF. Plenário. ACO 701 AgR/AL, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 18/12/2019 (Info 964).

 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

O Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 492/1994, reduzindo de 30% para 20% a alíquota do
imposto de importação dos brinquedos em geral. Com a redução da alíquota, houve a entrada de um enorme
volume de brinquedos importados no Brasil, oriundos especialmente da China, sendo estes bem mais baratos
que os nacionais. Como resultado, várias indústrias de brinquedos no Brasil foram à falência e, mesmo as que
permaneceram, sofreram grandes prejuízos. Uma famosa indústria de brinquedos ingressou com ação contra a
União afirmando que a Portaria, apesar de ser um ato lícito, gerou prejuízos e que, portanto, o Poder Público
deveria ser condenado a indenizá-la. O STJ não concordou com o pedido. Não se verifica o dever do Estado de
indenizar eventuais prejuízos financeiros do setor privado decorrentes da alteração de política econômico-
tributária no caso de o ente público não ter se comprometido, formal e previamente, por meio de
determinado planejamento específico. A referida Portaria tinha finalidade extrafiscal e a possibilidade de
alteração das alíquotas do imposto de importação decorre do próprio ordenamento jurídico, não havendo que
se falar em quebra do princípio da confiança. O impacto econômico-financeiro sobre a produção e a

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comercialização de mercadorias pelas sociedades empresárias causado pela alteração da alíquota de tributos
decorre do risco da atividade próprio da álea econômica de cada ramo produtivo. Não havia direito subjetivo
da indústria quanto à manutenção da alíquota do imposto de importação. STJ. 1ª Turma. REsp 1.492.832-DF,
Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 04/09/2018 (Info 634). STF. 1ª Turma. ARE 1175599 AgR/DF, Rel. Min.
Rosa Weber, julgado em 10/12/2019 (Info 963)

A União, na condição de acionista controladora da Petrobras, não pode ser submetida à cláusula
compromissória arbitral prevista no Estatuto Social da Companhia, seja em razão da ausência de lei
autorizativa, seja em razão do próprio conteúdo da norma estatutária. Caso concreto: um grupo de acionistas
da Petrobrás formulou requerimento para instauração de procedimento arbitral perante a Câmara de
Arbitragem do Mercado (CAM-BOVESPA) contra a União e a Petrobrás, no qual pedem o ressarcimento pelos
prejuízos decorrentes da desvalorização dos ativos da Petrobras, em razão dos desgastes oriundos da
Operação Lava Jato. O procedimento foi instaurado com base no art. 58 do Estatuto Social da Petrobrás, onde
consta uma cláusula compromissória dizendo que as disputas que envolvam a Companhia, seus acionistas,
administradores e conselheiros fiscais deverão ser resolvidas por meio de arbitragem. A União afirmou que
não estava obrigada a participar dessa arbitragem, argumento que foi acolhido pelo STJ. STJ. 2ª Seção. CC
151.130-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 27/11/2019 (Info 664).

 CONCURSO PÚBLICO

A Caixa Econômica Federal, embora vinculada como empresa pública ao Estado, executa uma
atividade econômica em ambiente de concorrência. A terceirização pela Caixa Econômica Federal dos serviços
jurídicos não se revela ilegal, considerando que esses serviços não estão relacionados com a atividade-fim da
empresa. STJ. 2ª Turma. REsp 1.318.740-PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, julgado
em 16/10/2018 (Info 659).

Sem previsão constitucionalmente adequada e instituída por lei, não é legítima a cláusula de edital
de concurso público que restrinja a participação de candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou a
ação penal. STF. Plenário. RE 560900/D F, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 5 e 6/2/2020 (repercussão
geral – Tema 22) (Info 965). IMPORTANTE.

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 DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA

Não se imputa ao Poder Público a responsabilidade integral por alegada desapropriação indireta
quando, em gleba cuja ocupação por terceiros apresenta situação consolidada e irreversível, limita-se a
realizar serviços públicos de infraestrutura, sem que tenha concorrido para o esbulho ocasionado
exclusivamente por particulares. Assim, na medida em que o Poder Público não pratica o ato ilícito
denominado “apossamento administrativo” nem, portanto, toma a propriedade do bem para si, não deve
responder pela perda da propriedade em desfavor do particular, ainda que realize obras e serviços públicos
essenciais para a comunidade instalada no local. STJ. 2ª Turma. REsp 1.770.001-AM, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

 LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA

Imóvel do particular foi incluído em unidade de conservação. Houve, no caso, uma limitação
administrativa. Ele ajuizou ação de desapropriação indireta pedindo indenização. Mesmo não tendo havido
desapropriação indireta, mas sim mera limitação administrativa, o juiz deverá conhecer da ação e julgar seu
mérito. Devem ser observados os princípios da instrumentalidade das formas e da primazia da solução integral
do mérito. STJ. 1ª Turma. REsp 1.653.169-RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/11/2019 (Info 662).

 LICITAÇÕES

O credenciamento é uma hipótese de inexigibilidade de licitação na qual “a Administração aceita como


colaborador todos aqueles que, atendendo as motivadas exigências públicas, manifestem interesse em firmar
contrato ou acordo administrativo.” (TORRES, Ronny Charles Lopes de. Leis de Licitações Públicas comentadas.
Salvador: Juspodivm, 2019, p. 348). Desse modo, o credenciamento é um procedimento por meio do qual a
Administração Pública anuncia que precisa de pessoas para fornecer determinados bens ou para prestarem
algum serviço e que irá contratar os que se enquadrem nas qualificações que ela exigir. Após esse
chamamento público, os interessados podem se habilitar para serem contratados. Fala-se que é uma hipótese
de inexigibilidade de licitação porque não haverá competição (disputa) entre os interessados. Todos os
interessados que preencham os requisitos anunciados serão considerados “credenciados” e estarão aptos a
serem contratos. O Banco do Brasil publicou edital para credenciamento de advogados para prestar serviços

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advocatícios. Ocorre que o edital de credenciamento publicado previu um critério de pontuação, de forma que
os advogados e escritórios que se inscrevessem iriam ser avaliados e organizados segundo uma ordem de
classificação baseada no currículo, experiência etc. O TCU e o STJ entendem que isso não é válido. O
estabelecimento de critérios de classificação para a escolha de licitantes em credenciamento é ilegal. O
credenciamento é considerado como uma espécie de inexigibilidade de licitação justamente pelo fato de não
ser possível, em tese, a competição entre os interessados. Logo, a previsão de critérios de pontuação entre os
interessados contraria a natureza do processo de credenciamento. Assim, no credenciamento só se admite a
existência de requisitos mínimos. Se o interessado preencher, ele está credenciado; se não atender, encontra-
se eliminado. Os critérios permitidos são, portanto, meramente eliminatórios (e não classificatórios). STJ. 1ª
Turma. REsp 1.747.636-PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 03/12/2019 (Info 662). #IMPORTANTE

As normas previstas na Lei da Relicitação (Lei 13.448/2017) para a prorrogação antecipada dos
contratos de concessão são compatíveis com os princípios constitucionais da eficiência, da razoabilidade, da
impessoalidade, da moralidade e da competitividade. As normas previstas na Lei da Relicitação para a
prorrogação antecipada dos contratos de concessão não violam os princípios constitucionais da eficiência, da
razoabilidade, da impessoalidade, da moralidade e da competitividade. As regras complementam os requisitos
da legislação geral (Lei nº 8.987/95) sobre o regime de concessão de serviços públicos, que exige a
regularidade, a continuidade, a eficiência, a segurança e a fixação de tarifas em valores razoáveis
(modicidade). A prorrogação é analisada caso a caso e está sujeita à fiscalização da agência reguladora. Vale
ressaltar, ainda, que o contrato deve ser submetido à consulta pública, havendo ainda a necessidade de
encaminhar ao TCU o termo aditivo para análise final. STF. Plenário. ADI 5991 MC/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 20/2/2020 (Info 967).

3- PENAL:

 PRINCÍPIOS

É possível a aplicação do princípio da insignificância para o agente que praticou o furto de um


carrinho de mão avaliado em R$ 20,00 (3% do salário-mínimo), mesmo ele possuindo antecedentes criminais

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por crimes patrimoniais. STF. 1ª Turma. RHC 174784/MS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 11/2/2020 (Info 966).

 CRIME DE INCÊNDIO
A materialidade do delito de incêndio (art. 250, § 1º, I, do CP), cuja prática deixa vestígios, deve ser
comprovada, em regra, mediante exame de corpo de delito, nos termos do art. 158 do CPP. Existe até uma
previsão específica para o caso do crime de incêndio: Art. 173. No caso de incêndio, os peritos verificarão a
causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio
alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.
Vale ressaltar, no entanto, que a substituição do exame pericial por outros meios de prova é possível em
hipóteses excepcionais quando desaparecidos os sinais ou as circunstâncias não permitirem a realização do
laudo, conforme autoriza o art. 167 do CPP. Para que a utilização de outros meios de prova seja válida, é
necessário que se demonstre que houve uma justificativa para a não realização do laudo pericial. Em um caso
concreto, o STF entendeu que essa utilização estava justificada. Isso porque o réu, mesmo após ser orientado
pelo Corpo de Bombeiros a registrar, imediatamente, ocorrência policial e solicitar perícia técnica ao Instituto
de Criminalística, permaneceu inerte durante sete dias. A não elaboração da perícia oficial ocorreu, portanto,
em razão do desaparecimento dos vestígios do crime, considerada a demora em registrar a ocorrência e a falta
de preservação do local. Por essa razão a materialidade do delito foi demonstrada pela prova testemunhal,
corroborada por cópias da apólice do seguro, aviso de sinistro, ocorrência policial, relatório de regulação de
sinistros, fotografias, laudos de averiguação e pelo laudo elaborado pela seguradora. Levando em conta a
justificada inviabilidade da elaboração do exame de corpo de delito e a demonstração da materialidade do
crime por outros meios de prova, foi correta a aplicação do art. 167 do CPP no presente caso. STF. 1ª Turma.
HC 136964/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/2/2020 (Info 967).

 ESTELIONATO

#IMPORTANTE #PACIFICOU: A competência para julgar estelionato que ocorre mediante depósito ou
transferência bancária é do local da agência beneficiária do depósito ou transferência bancária (local onde se
situa a agência que recebeu a vantagem indevida). Na hipótese em que o estelionato se dá mediante
vantagem indevida, auferida mediante o depósito em favor de conta bancária de terceiro, a competência
deverá ser declarada em favor do juízo no qual se situa a conta favorecida. No caso em que a vítima, induzida

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em erro, efetuou depósito em dinheiro e/ou transferência bancária para a conta de terceiro (estelionatário), a
obtenção da vantagem ilícita ocorreu quando o estelionatário se apossou do dinheiro, ou seja, no momento
em a quantia foi depositada em sua conta. STJ. 3ª Seção. CC 167.025/RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, julgado em 14/08/2019. STJ. 3ª Seção. CC 169.053-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
11/12/2019 (Info 663). Não confundir: • estelionato que ocorre por meio do saque (ou compensação) de
cheque clonado, adulterado ou falsificado: a competência é do local onde a vítima possui a conta bancária.
Isso porque, nesta hipótese, o local da obtenção da vantagem ilícita é aquele em que se situa a agência
bancária onde foi sacado o cheque adulterado, ou seja, onde a vítima possui conta bancária. Aplica-se o
raciocínio da súmula 48 do STJ (Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar
crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.) • estelionato que ocorre quando a vítima,
induzida em erro, se dispõe a fazer depósitos ou transferências bancárias para a conta de terceiro
(estelionatário): a competência é do local onde o estelionatário possui a conta bancária. Isso porque, neste
caso, a obtenção da vantagem ilícita ocorre quando o estelionatário efetivamente se apossa do dinheiro, ou
seja, no momento em que ele é depositado em sua conta.

 FALSIDADE IDEOLÓGICA

O art. 125, XIII, da Lei nº 6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro) previa o seguinte crime: Art. 125 (...) XIII
- fazer declaração falsa em processo de transformação de visto, de registro, de alteração de assentamentos, de
naturalização, ou para a obtenção de passaporte para estrangeiro, laissez-passer, ou, quando exigido, visto de
saída: Pena: reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos e, se o infrator for estrangeiro, expulsão. A Lei nº 13.445/2017
(Lei de Migração), revogou integralmente o Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.815/80), inclusive o art. 125, XIII.
A Lei nº 13.445/2017 não repetiu, em seu texto, um crime semelhante ao que era previsto no art. 125, XIII, do
Estatuto do Estrangeiro. Apesar disso, não houve abolitio criminis neste caso, considerando que esta conduta
continua sendo crime. A conduta de fazer declaração falsa em processo de transformação de visto, de registro,
de alteração de assentamentos, de naturalização, ou para a obtenção de passaporte para estrangeiro, laissez-
passer ou, quando exigido, visto de saída, configura agora o crime do art. 299 do Código Penal (falsidade
ideológica). Desse modo, não houve abolitio criminis, mas sim continuidade normativo-típica. O princípio da
continuidade normativa ocorre quando uma norma penal é revogada, mas a mesma conduta continua sendo
crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração penal continua tipificada em outro dispositivo, ainda que

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topologicamente ou normativamente diverso do originário. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1.422.129-SP, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

 PRESCRIÇÃO

Acórdão que confirma ou reduz a pena interrompe a prescrição? • SIM. É a posição atual da 1ª Turma
do STF. O acórdão confirmatório da sentença implica a interrupção da prescrição. A prescrição é, como se
sabe, o perecimento da pretensão punitiva ou da pretensão executória pela inércia do próprio Estado. No art.
117 do Código Penal que deve ser interpretado de forma sistemática todas as causas interruptivas da
prescrição demonstram, em cada inciso, que o Estado não está inerte. Não obstante a posição de parte da
doutrina, o Código Penal não faz distinção entre acórdão condenatório inicial e acórdão condenatório
confirmatório da decisão. Não há, sistematicamente, justificativa para tratamentos díspares. A ideia de
prescrição está vinculada à inércia estatal e o que existe na confirmação da condenação é a atuação do
Tribunal. Consequentemente, se o Estado não está inerte, há necessidade de se interromper a prescrição para
o cumprimento do devido processo legal. STF. 1ª Turma. RE 1237572 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/
Acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 26/11/2019. STF. 1ª Turma. RE 1241683 AgR/RS, rel. orig. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 4/2/2020 (Info 965). • NÃO. É a posição da
doutrina, do STJ e da 2ª Turma do STF. O art. 117, IV do CP estabelece que o curso da prescrição interrompe-se
pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis. Se o acórdão apenas CONFIRMA a
condenação ou então REDUZ a pena do condenado, ele não terá o condão de interromper a prescrição. STF. 2ª
Turma. RE 1238121 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 06/12/2019. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp
1557791/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 06/02/2020. STJ. Corte Especial. AgRg no RE nos EDcl no REsp
1301820/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 16/11/2016.

 MEDIDA DE SEGURANÇA

Segundo o art. 97 do CP: Art. 97. Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art.
26). Se, todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento
ambulatorial. Assim, se fosse adotada a redação literal do art. 97 teríamos o seguinte cenário: • Se o agente
praticou fato punido com RECLUSÃO, ele receberá, obrigatoriamente, a medida de internação. • Por outro
lado, se o agente praticou fato punido com DETENÇÃO, o juiz, com base na periculosidade do agente, poderá

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submetê-lo à medida de internação ou tratamento ambulatorial. O STJ, contudo, abrandou a regra legal e
construiu a tese de que o art. 97 do CP não deve ser aplicado de forma isolada, devendo analisar também qual
é a medida de segurança que melhor se ajusta à natureza do tratamento de que necessita o inimputável. Em
outras palavras, o STJ afirmou o seguinte: mesmo que o inimputável tenha praticado um fato previsto como
crime punível com reclusão, ainda assim será possível submetê-lo a tratamento ambulatorial (não precisando
ser internação), desde que fique demonstrado que essa é a medida de segurança que melhor se ajusta ao caso
concreto. À luz dos princípios da adequação, da razoabilidade e da proporcionalidade, na fixação da espécie de
medida de segurança a ser aplicada não deve ser considerada a natureza da pena privativa de liberdade
aplicável, mas sim a periculosidade do agente, cabendo ao julgador a faculdade de optar pelo tratamento que
melhor se adapte ao inimputável. Desse modo, mesmo em se tratando de delito punível com reclusão, é
facultado ao magistrado a escolha do tratamento mais adequado ao inimputável. STJ. 3ª Seção. EREsp
998.128-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 27/11/2019 (Info 662). #IMPORTANTE

 PECULATO

O administrador que desconta valores da folha de pagamento dos servidores públicos para quitação
de empréstimo consignado e não os repassa a instituição financeira pratica peculato-desvio, sendo
desnecessária a demonstração de obtenção de proveito próprio ou alheio, bastando a mera vontade de
realizar o núcleo do tipo. Peculato-desvio é crime formal para cuja consumação não se exige que o agente
público ou terceiro obtenha vantagem indevida mediante prática criminosa, bastando a destinação diversa
daquela que deveria ter o dinheiro. Caso concreto: diversos servidores estaduais possuíam empréstimos
consignados. Assim, todos os meses a Administração Pública estadual fazia o desconto das parcelas do
empréstimo da remuneração dos servidores e repassava a quantia ao banco que concedeu o mútuo. Ocorre
que o Governador do Estado determinou ao Secretário de Planejamento que continuasse a descontar
mensalmente os valores do empréstimo consignado, no entanto, não mais os repassasse ao banco, utilizando
essa quantia para pagamento das dívidas do Estado. Esta conduta configurou o crime de peculato-desvio (art.
312 do CP), gerando a condenação do Govenador, com a determinação, inclusive, de perda do cargo (art. 92, I,
do CP). STJ. Corte Especial. APn 814-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. Min. João Otávio de
Noronha, julgado em 06/11/2019 (Info 664).

4 - LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL

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 DROGAS

João, de dentro da unidade prisional onde cumpre pena, liderava uma organização criminosa. Com o
uso de telefone celular, ele organizava a dinâmica do grupo e comandava o tráfico de drogas, dando ordens
para seus comparsas que, de fora do presídio, executavam a comercialização do entorpecente. João foi
condenado por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/2006). Neste caso, ele deverá ter a sua pena
aumentada com base no art. 40, III? SIM. Se o agente comanda o tráfico de drogas de dentro do presídio,
deverá incidir a causa de aumento de pena do art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006, mesmo que os efeitos destes
atos tenham se manifestado a quilômetros de distância. Não é necessário que a droga passe por dentro do
presídio para que incida a majorante prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006. Esse dispositivo não faz a
exigência de que as drogas efetivamente passem por dentro dos locais que se busca dar maior proteção, mas
apenas que o cometimento dos crimes tenha ocorrido em seu interior. STJ. 5ª Turma. HC 440.888-MS, Rel.
Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/10/2019 (Info 659).

Para fins do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, milita em favor do réu a presunção de que ele é primário,
possui bons antecedentes e não se dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa; o ônus
de provar o contrário é do Ministério Público A previsão da redução de pena contida no § 4º do art. 33 da Lei
nº 11.343/2006 tem como fundamento distinguir o traficante contumaz e profissional daquele iniciante na
vida criminosa, bem como do que se aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se
com a sua própria sobrevivência e/ou de sua família. Assim, para legitimar a não aplicação do redutor é
essencial a fundamentação corroborada em elementos capazes de afastar um dos requisitos legais, sob pena
de desrespeito ao princípio da individualização da pena e de fundamentação das decisões judiciais. Desse
modo, a habitualidade e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados, não valendo a
simples presunção. Não havendo prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução de pena. Em outras
palavras, militará em favor do réu a presunção de que é primário e de bons antecedentes e de que não se
dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. O ônus de provar o contrário é do
Ministério Público. Assim, o STF considerou preenchidas as condições da aplicação da redução de pena, por se
estar diante de ré primária, com bons antecedentes e sem indicação de pertencimento a organização

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criminosa. STF. 2ª Turma. HC 154694 AgR/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 4/2/2020 (Info 965).

O art. 28 da Lei nº 11.343/2006 prevê o crime de porte de drogas para consumo pessoal. Art. 28.
Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I -
advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de
comparecimento a programa ou curso educativo. Em regra, as penas dos incisos II e III só podem ser aplicadas
pelo prazo máximo de 5 meses. O § 4º prevê que: “em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e
III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.” A reincidência de que trata o §
4º é a reincidência específica. Assim, se um indivíduo já condenado definitivamente por roubo, pratica o crime
do art. 28, ele não se enquadra no § 4º. Isso porque se trata de reincidente genérico. O § 4º ao falar de
reincidente, está se referindo ao crime do caput do art. 28. STJ. 6ª Turma. REsp 1.771.304-ES, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662).

É possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas com base no fato de o
acusado ser investigado em inquérito policial ou ser réu em outra ação penal que ainda não transitou em
julgado? • STJ: SIM. É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da
convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no art.
33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
14/12/2016 (Info 596). STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 539.666/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
05/03/2020. • STF: NÃO. Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado,
prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos
policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob pena de violação ao
art. 5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade). STF. 1ª Turma. HC 173806/MG, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 18/2/2020 (Info 967). STF. 2ª Turma. HC 144309 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 19/11/2018.

 COLABORAÇÃO PREMIADA

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O delatado possui o direito de ter acesso às declarações prestadas pelos colaboradores que o
incriminem, desde que já documentadas e que não se refiram à diligência em andamento que possa ser
prejudicada. STF. 2ª Turma. Rcl 30742 AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 4/2/2020 (Info
965).

 LEI ANTITERRORISMO

Importante! A tipificação da conduta descrita no art. 5º da Lei Antiterrorismo (atos preparatórios de


terrorismo) exige a motivação por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e
religião, expostas no art. 2º do mesmo diploma legal. STJ. 6ª Turma. HC 537.118-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 05/12/2019 (Info 663).

 CRIMES CONTRA HUMANIDADE

É necessária a edição de lei em sentido formal para a tipificação do crime contra a humanidade
trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado A definição dos crimes de lesa-
humanidade, também chamados de crimes contra a humanidade, pode ser encontrada no Estatuto de Roma,
promulgado no Brasil por força do Decreto nº 4.388/2002. No Brasil, no entanto, ainda não há lei que tipifique
os crimes contra a humanidade. Diante da ausência de lei interna tipificando os crimes contra a humanidade,
não é possível utilizar tipo penal descrito em tratado internacional para tipificar condutas internamente, sob
pena de se violar o princípio da legalidade (art. 5º, XXXIX, da CF/88). Dessa maneira, não se mostra possível
internalizar a tipificação do crime contra a humanidade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de
Tratado internalizado por meio do Decreto n. 4.388, porquanto não há lei em sentido formal tipificando
referida conduta. STJ. 3ª Seção.REsp 1.798.903-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
25/09/2019 (Info 659). O disposto na Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos
Crimes contra a Humanidade não torna inaplicável o art. 107, inciso IV, do Código Penal A Convenção sobre a
Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes contra a Humanidade afirma que os delitos de lesa-
humanidade devem ser declarados imprescritíveis. Esta Convenção foi adotada pela Resolução nº 2.391 da
Assembleia Geral da ONU, em 26/11/1968, e entrou em vigor em 11/11/1970. Contudo, ela não foi ratificada
pelo Brasil. Não é possível aplicar essa Convenção no Brasil sem ratificação, nem mesmo sob a alegação de que
seria norma jus cogens (normas imperativas de direito internacional, amplamente aceitas pelo país e

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insuscetíveis de qualquer derrogação). A regra do direito brasileiro que prevê a existência da prescrição (art.
107, IV, do CP) não pode ser afastada sem a existência de lei em sentido formal. Somente lei interna (e não
convenção internacional, muito menos aquela sequer subscrita pelo Brasil) pode qualificar-se,
constitucionalmente, como a única fonte formal direta, legitimadora da regulação normativa concernente à
prescritibilidade ou à imprescritibilidade da pretensão estatal de punir, ressalvadas, por óbvio, cláusulas
constitucionais em sentido diverso, como aquelas inscritas nos incisos XLII e XLIV do art. 5º da CF/88. STJ. 3ª
Seção. REsp 1.798.903-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/09/2019 (Info 659).

 CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

A conduta de não recolher ICMS em operações próprias ou em substituição tributária enquadra-se


formalmente no tipo previsto no art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 (apropriação indébita tributária), desde que
comprovado o dolo. O não repasse do ICMS recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária, em
qualquer hipótese, enquadra-se (formalmente) no tipo previsto art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90, desde que
comprovado o dolo. Em outras palavras, o tipo do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 não fica restrito apenas às
hipóteses em que há substituição tributária. O que se criminaliza é o fato de o sujeito passivo se apropriar do
dinheiro relativo ao imposto, devidamente recebido de terceiro, quer porque descontou do substituído
tributário, quer porque cobrou do consumidor, não repassando aos cofres públicos. STJ. 3ª Seção. HC 399.109-
SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/08/2018 (Info 633).
O contribuinte que, de forma contumaz e com dolo de apropriação, deixa de recolher o ICMS cobrado do
adquirente da mercadoria ou serviço, incide no tipo penal do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90. O valor do ICMS
cobrado do consumidor não integra o patrimônio do comerciante, o qual é mero depositário desse ingresso de
caixa que, depois de devidamente compensado, deve ser recolhido aos cofres públicos. Vale ressaltar,
contudo, que, para caracterizar o delito, é preciso comprovar a existência de intenção de praticar o ilícito
(dolo). STF. Plenário. RHC 163334/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/12/2019 (Info 964).

 CRIMES NO CTB

O crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, tipificado no art. 302 do CTB, prevê,
como uma das penas aplicadas, a “suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir
veículo automotor.” Se o réu que praticou este crime é motorista profissional, ele pode, mesmo assim, receber

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essa sanção ou isso violaria o direito constitucional ao trabalho? Não viola. O condenado pode sim receber
essa sanção, ainda que se trate de motorista profissional. É constitucional a imposição da pena de suspensão
de habilitação para dirigir veículo automotor ao motorista profissional condenado por homicídio culposo no
trânsito. O direito ao exercício de atividades profissionais (art. 5º, XIII) não é absoluto e a restrição imposta
pelo legislador se mostra razoável. STF. Plenário. RE 607107/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
12/2/2020 (repercussão geral – Tema 486) (Info 966).

5 – PROCESSO PENAL:

 INQUÉRITO POLICIAL

Caso concreto: a Polícia Federal, sob a supervisão do Ministério Público estadual e do Juízo de
Direito, conduziu inquérito policial destinado a apurar crimes de competência da Justiça Estadual. Entendeu-se
que a Polícia Federal não tinha atribuição para apurar tais delitos considerando que não se enquadravam nas
hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei nº 10.446/2002. A despeito disso, o STF entendeu que
não havia nulidade na ação penal instaurada com base nos elementos informativos colhidos. O fato de os
crimes de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela Polícia Federal não geram nulidade.
Isso porque esse procedimento investigatório, presidido por autoridade de Polícia Federal, foi supervisionado
pelo Juízo estadual (juízo competente) e por membro do Ministério Público estadual (que tinha a atribuição
para a causa). O inquérito policial constitui procedimento administrativo, de caráter meramente informativo e
não obrigatório à regular instauração do processo-crime, cuja finalidade consiste em subsidiar eventual
denúncia a ser apresentada pelo Ministério Público, razão pela qual irregularidades ocorridas não implicam, de
regra, nulidade de processo-crime. O art. 5º, LIII, da Constituição Federal, afirma que “ninguém será
processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”. Esse dispositivo contempla o chamado
“princípio do juiz natural”, princípio esse que não se estende para autoridades policiais, considerando que
estas não possuem competência para julgar. Logo, não é possível anular provas ou processos em tramitação
com base no argumento de que a Polícia Federal não teria atribuição para investigar os crimes apurados. A
desconformidade da atuação da Polícia Federal com as disposições da Lei nº 10.446/2002 e eventuais abusos
cometidos por autoridade policial, embora possam implicar responsabilidade no âmbito administrativo ou

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criminal dos agentes, não podem gerar a nulidade do inquérito ou do processo penal. STF. 1ª Turma. HC
169348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

Mesmo que a investigação criminal tramite em segredo de justiça será possível que o investigado
tenha acesso amplo autos, inclusive a eventual relatório de inteligência financeira do COAF, sendo permitido,
contudo, que se negue o acesso a peças que digam respeito a dados de terceiros protegidos pelo segredo de
justiça. Essa restrição parcial não viola a súmula vinculante 14. Isso porque é excessivo o acesso de um dos
investigados a informações, de caráter privado de diversas pessoas, que não dizem respeito ao direito de
defesa dele. STF. 1ª Turma. Rcl 25872 AgR-AgR/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

 INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

O Procurador-Geral de Justiça, se entender que é caso de arquivamento do Procedimento de


Investigação Criminal (PIC) por ausência de provas, não precisa submeter essa decisão de arquivamento à
apreciação do Tribunal de Justiça, não se aplicando, nesta hipótese, o art. 28 do CPP. O arquivamento do PIC,
promovido pelo PGJ, nos casos de sua competência originária, não reclama prévia submissão ao Poder
Judiciário, pois este arquivamento, que é por ausência de provas, não acarreta coisa julgada material. O chefe
do Ministério Público estadual é a autoridade própria para aferir a legitimidade do arquivamento do PIC. Logo,
descabe a submissão da decisão de arquivamento ao Poder Judiciário. STF. 1ª Turma. MS 34730/DF, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 10/12/2019 (Info 963). #IMPORTANTE.

 NULIDADES

É possível que o réu permaneça algemado durante o julgamento no Tribunal do Júri caso existam nos
autos informações fornecidas pela polícia no sentido de que o acusado integra milícia, possui extensa folha de
antecedentes criminais e foi transferido para presídio federal de segurança máxima justamente em virtude da
sua alta periculosidade. Não se pode desconsiderar o que está nos autos do processo e aquilo que foi
informado pela polícia. A questão da periculosidade, ou não, do réu é assunto de polícia e não de juiz. Se a
polícia informa que o réu é perigoso, o juiz que, normalmente, entra em contato com o réu pela primeira vez,
tem de confiar na presunção de legitimidade da informação passada pela autoridade policial. Fora dos casos
de abuso patente, é preciso dar credibilidade àquele que tem o encargo de zelar pela segurança pública,

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inclusive no âmbito do tribunal. Em casos assim, a decisão do juízo que mantém as algemas não viola a súmula
vinculante 11. STF. 1ª Turma. Rcl 32970 AgR/RJ, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/12/2019 (Info
964).

 COMPETÊNCIA

Depois de anos sendo investigado em inquérito que tramitava no STF, o Ministro Relator declinou a
competência para apurar os crimes porque os fatos ocorreram antes de o investigado ser Deputado Federal;
logo, aplica-se o entendimento firmado na AP 937 QO O fato de as investigações estarem perto do fim e de já
terem demorado anos não servem como argumento jurídico válido para prorrogar a competência do STF.
Apesar da efetiva evolução das investigações, sob a supervisão do STF, não houve oferecimento de denúncia
contra o agravante nem encerramento da instrução processual penal. Logo, o marco temporal relativo à data
de apresentação das razões finais não foi alcançado. Além disso, quanto ao segundo argumento da defesa, o
STF esclareceu que é possível a imediata remessa dos autos às instâncias competentes, inclusive antes da
publicação do acórdão ou do trânsito em julgado, quando constatado o risco de prescrição. STF. 2ª Turma. Pet
7716 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 18/2/2020 (Info 967).

Policial Rodoviário Federal, durante o trajeto de sua casa para o trabalho, envolveu-se em uma
desavença no trânsito com o condutor de um veículo que dirigia sem respeitar a sinalização e em alta
velocidade. O Policial efetuou disparos que resultaram na morte do condutor. A competência para julgar essa
acusação de homicídio é da Justiça Estadual. A competência da Justiça Federal pressupõe a demonstração
concreta das situações veiculadas no art. 109 da CF/88. A mera condição de servidor público não basta para
atraí-la, na medida em que o interesse da União há de sobressair das funções institucionais, não da pessoa do
agente. A infração penal cometida pelo réu no deslocamento até o local de trabalho não guarda qualquer
vinculação com o exercício das funções de Policial Rodoviário Federal. STF. 1ª Turma. HC 157012/MS, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 10/12/2019 (Info 963).

Compete à Justiça Estadual julgar o crime de homicídio praticado contra policiais militares estaduais,
ainda que no contexto do delito federal de contrabando (STJ. 3ª Seção. CC 153.306/RS, Rel. p/ Acórdão Min.
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/11/2017). Ex: o sujeito ativo trazia cigarros importados em seu
veículo e, para fugir de uma blitz, atirou e matou um dos policiais militares. Haverá desmembramento: a

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Justiça Federal julgará o contrabando e a Justiça Estadual julgará o homicídio. Situação diversa, entretanto, é
aquela em que o crime contra a vida em desfavor de agentes estatais, consumado ou tentado, é praticado no
contexto de crime de roubo armado contra órgãos, autarquias ou empresas públicas da União. Isso porque,
nesta hipótese, a íntima relação entre a violência, elementar do crime de roubo, e o crime federal (roubo
armado) atrai a conexão. Ex: o sujeito ativo cometeu roubo contra os Correios; depois de consumado, passou a
ser perseguido por policiais militares e atirou contra eles, matando um e ferindo o outro. O roubo e os delitos
de homicídio serão julgados conjuntamente pela Justiça Federal. STJ. 3ª Seção. CC 165.117-RS, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, julgado em 23/10/2019 (Info 659).

 DEFENSOR DATIVO

O STJ fixou quatro teses a respeito desse tema: 1) As tabelas de honorários elaboradas
unilateralmente pelos Conselhos Seccionais da OAB não vinculam o magistrado no momento de arbitrar o
valor da remuneração a que faz jus o defensor dativo que atua no processo penal; servem como referência
para o estabelecimento de valor que seja justo e que reflita o labor despendido pelo advogado. 2) Nas
hipóteses em que o juiz da causa considerar desproporcional a quantia indicada na tabela da OAB em relação
aos esforços despendidos pelo defensor dativo para os atos processuais praticados, poderá, motivadamente,
arbitrar outro valor. 3) São, porém, vinculativas, quanto aos valores estabelecidos para os atos praticados por
defensor dativo, as tabelas produzidas mediante acordo entre o Poder Público, a Defensoria Pública e a
seccional da OAB. 4ª) Dado o disposto no art. 105, parágrafo único, II, da Constituição da República, possui
caráter vinculante a Tabela de Honorários da Justiça Federal, assim como tabelas similares instituídas,
eventualmente, pelos órgãos competentes das Justiças dos Estados e do Distrito Federal, na forma dos arts.
96, I, e 125, § 1º, parte final, da Constituição da República. STJ. 3ª Seção. REsp 1.656.322-SC, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 23/10/2019 (Tema 984 – recurso repetitivo) (Info 659).

 RECURSOS

Depois do trânsito em julgado, defesa impetrou HC pedindo a anulação do acórdão do TJ; STJ
concedeu a ordem; TJ rejulgou e manteve a condenação; MP interpõe recurso especial para aumentar a pena;
STJ não pode majorar a pena porque isso seria reformatio in pejus indireta. Ofende o enunciado do non
reformatio in pejus indireta o aumento da pena através de decisão em recurso especial interposto pelo

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Ministério Público contra rejulgamento de apelação que não alterou reprimenda do acórdão anterior, que
havia transitado em julgado para a acusação e que veio a ser anulado por iniciativa exclusiva da defesa.
Exemplo: sentença condenou o réu a 10 anos de reclusão. Defesa apelou. Tribunal de Justiça reduziu a pena
para 9 anos. Essa decisão transitou em julgado para ambas as partes. Defesa impetrou habeas corpus junto ao
STJ, que concedeu a ordem para anular o acórdão do TJ por ausência de prévia intimação. TJ rejulgou a
apelação e manteve a condenação, fixando a pena em 9 anos (como na primeira vez). Contra este segundo
acórdão o Ministério Público interpôs recurso especial. STJ deu provimento ao Resp para aumentar a pena do
réu para 10 anos (como na sentença). Essa decisão do STJ violou o princípio da non reformatio in pejus indireta
considerando que colocou o sentenciado em situação pior do que aquela que ele tinha antes do habeas
corpus. Desse modo, deve ser afastado o acréscimo da pena (10 anos), restabelecendo-se o segundo acórdão
proferido pelo Tribunal de Justiça no julgamento do recurso de apelação (9 anos). STJ. 3ª Seção. RvCr 4.853-SC,
Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Desembargador Convocado do TJ/PE), julgado em 27/11/2019 (Info
663).
 PROCEDIMENTO 8.038/90

Se a ação penal for de competência do STF e STJ, ela deverá obedecer a um rito processual próprio
previsto na Lei nº 8.038/90. Na fase do art. 6º da Lei nº 8.038/90, o Tribunal se reúne para analisar a denúncia
oferecida, ocasião em que poderá: a) receber a denúncia (ou queixa). b) rejeitar a denúncia (ou queixa): se
estiver presente uma das hipóteses do art. 395 do CPP. Nesta segunda hipótese podemos dizer que o Tribunal
decidiu pela não admissibilidade da acusação. c) julgar improcedente a acusação: se estiver presente uma das
situações do art. 397 do CPP. Imagine que o Ministro Relator apresentou voto contrário à admissibilidade da
acusação, sob o argumento de que não havia justa causa para o exercício da ação penal (art. 395, III, do CPP).
Ocorre que, depois dele, votou uma Ministra afirmando que havia sim justa causa. Essa divergência
inaugurada pela Ministra foi seguida pela maioria dos demais Ministros e, com isso, a denúncia contra o
acusado foi recebida e iniciou-se a ação penal. O Ministro deverá ser substituído na Relatoria do processo?
Não. Não ocorre substituição do Relator quando ele for vencido quanto à mera admissibilidade da acusação na
fase do art. 6º da Lei nº 8.038/90. Situação diversa ocorre quando o Relator for vencido em questão de mérito,
apta a produzir coisa julgada material, como nos casos de absolvição sumária e de extinção da punibilidade,
passíveis de serem reconhecidas na fase do art. 6º da Lei nº 8.038/90 por força do art. 397 do CPP. O Ministro
que proferir o primeiro voto divergente sobre questão de mérito, condutor da tese vencedora, deve ser
designado substituto na relatoria do feito, ainda que o voto tenha sido proferido de forma antecipada, e que o

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Ministro na posição subsequente ao Relator originário na ordem de julgamento venha a aderir posteriormente
à tese do voto divergente antecipado. STJ. Corte Especial. APn 849-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 07/08/2019 (Info 659).

 SIGILO BANCÁRIO E FISCAL

1. É constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da UIF e da íntegra do


procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil (RFB), que define o lançamento do tributo, com os
órgãos de persecução penal para fins criminais, sem a obrigatoriedade de prévia autorização judicial, devendo
ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente instaurados e sujeitos a posterior
controle jurisdicional. 2. O compartilhamento pela UIF e pela RFB, referente ao item anterior, deve ser feito
unicamente por meio de comunicações formais, com garantia de sigilo, certificação do destinatário e
estabelecimento de instrumentos efetivos de apuração e correção de eventuais desvios. STF. Plenário. RE
1055941/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/12/2019 (repercussão geral – Tema 990) (Info 962).

 PROVAS

Advogado que teve seus poderes revogados pela cliente, que pediu de volta os documentos do caso,
não pode depor como testemunha no processo porque a conduta da parte demonstra que ela não liberou o
causídico do sigilo profissional que ele deve respeitar A vítima contratou um advogado para representar seus
interesses no processo criminal. Sucede que, logo no início do processo, ela e o advogado se desentenderam e
a vítima revogou expressamente os poderes que havia conferido ao advogado, proibindo-o de atuar no caso.
Além disso, requereu que ele devolvesse qualquer documento que estivesse em sua posse e que fosse
relacionado com o fato apurado. Ao saber disso, o réu pediu a oitiva do advogado como testemunha no
processo penal. Esse advogado não poderá ser ouvido como testemunha. Para que o advogado possa prestar
seu testemunho é indispensável que haja o consentimento válido do interessado direto na manutenção do
segredo (cliente). Mesmo que a parte interessada faça isso, ou seja, mesmo que ela autorize que o profissional
revele os fatos resguardados pelo sigilo, ainda assim ele é quem irá decidir se irá dar ou não seu testemunho.
No caso concreto, o advogado que foi arrolado como testemunha teve seus poderes como patrono da
interessada expressamente revogados, vedando-se sua atuação no caso. Além disso, requereu-se que
devolvesse qualquer documento relacionado ao fato que a ele tivesse sido entregue. Isso significa que a

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cliente não liberou o advogado do dever de manter o segredo profissional sobre as informações e documentos
de que teve conhecimento em razão da atuação como defensor técnico. Portanto, o advogado não pode
testemunhar sobre fatos de que tomou conhecimento em razão de seu ofício, como para o exercício de sua
atuação profissional a partir da narração apresentada pelo cliente e eventuais documentos por ele entregues.
STF. 2ª Turma. Rcl 37235/RR. Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/2/2020 (Info 967).

É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada com base unicamente em denúncia
anônima. Caso concreto: a diretora da unidade prisional recebeu uma ligação anônima dizendo que Rafaela,
que iria visitar seu marido João, tentaria entrar no presídio com droga. Diante disso, a diretora ordenou que a
agente penitenciária fizesse uma revista minuciosa em Rafaela. Na revista íntima efetuada, a agente
penitenciária encontrou droga escondida na vagina da visitante. Rafaela confessou que estava levando a droga
para seu marido. A prova colhida é ilícita. STJ. 6ª Turma. REsp 1.695.349-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 08/10/2019 (Info 659).

Embora não possua caráter vinculante, a realização de perícia antropológica constitui-se em


importante instrumento para assistir as partes nos debates em plenário e também o julgador na imposição de
eventual reprimenda, podendo, no caso, ser realizado após a pronúncia do réu, sem prejuízo ao andamento
processual. STJ. 6ª Turma. RHC 86.305-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 01/10/2019 (Info 659).

O art. 3º da LC 156/2010, do Estado de Pernambuco redenominou o cargo de datiloscopista policial


para perito papiloscopista, no âmbito da polícia civil. Para o STF, essa previsão é constitucional. A competência
para dispor sobre os peritos oficiais da polícia civil é concorrente, nos termos do art. 24, XVI, da CF/88, que
prevê que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre organização,
garantias, direitos e deveres dos policiais civis. A União, cumprindo o que prevê o art. 24, XVI, da CF/88, editou
as normas gerais sobre o tema, ao aprovar a Lei nº 12.030/2009, que “dispõe sobre as perícias oficiais”. A LC
estadual 156/2010 não possui nenhuma antinomia com a Lei federal nº 12.030/2009. O art. 5º da Lei nº
12.030/2009 não foi exaustivo ao elencar determinados peritos. Podem existir outros. Além disso, a Lei nº
12.030/2009 não proibiu que se equiparassem os cargos de datiloscopista ou papiloscopista. A expressão
“perito criminal” abrange, portanto, todos os peritos oficiais que possuem a incumbência estatal de elucidar
crimes, sendo possível aventar um rol bem mais amplo de agentes que atuam como peritos oficiais. STF.
Plenário. ADI 5182/PE, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/12/2019 (Info 964).

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 AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA

Importante! A audiência de custódia, no caso de mandado de prisão preventiva cumprido fora do âmbito
territorial da jurisdição do Juízo que a determinou, deve ser efetivada por meio da condução do preso à
autoridade judicial competente na localidade em que ocorreu a prisão. Não se admite, por ausência de
previsão legal, a sua realização por meio de videoconferência, ainda que pelo Juízo que decretou a custódia
cautelar. STJ. 3ª Seção. CC 168.522-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/12/2019 (Info 663).

 PRISÃO DOMICILIAR

IMPORTANTE. A prisão domiciliar do art. 318 do CPP só se aplica para os casos de prisão preventiva,
não podendo ser utilizado quando se tratar de execução definitiva de título condenatório (sentença
condenatória transitada em julgado). Não é possível a concessão de prisão domiciliar para condenada gestante
ou que seja mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência se já houver sentença condenatória
transitada em julgado e ela não preencher os requisitos do art. 117 da LEP. STF. 1ª Turma. HC 177164/PA, Rel.
Min. Marco Aurélio, julgado em 18/2/2020 (Info 967).

 EXECUÇÃO PROVISÓRIA

Juiz condenou o réu, concedeu a ele o direito de recorrer em liberdade, mas lhe aplicou uma série de
medidas cautelares diversas da prisão previstas no art. 319 do CPP. Em apelação, o Tribunal de Justiça
manteve a condenação. Contra esse acórdão, o réu interpôs, simultaneamente, recurso especial e
extraordinário. A decisão do TJ foi proferida na época em que o entendimento do STF era no sentido de ser
cabível a execução provisória da pena. Diante disso, o TJ, logo depois de receber os recursos especial e
extraordinário, determinou que o condenado iniciasse imediatamente o cumprimento da pena. Ocorre que
logo depois, o STF alterou a sua posição e passou a proibir a execução provisória da pena (ADC 43/DF, julgada
em 7/11/2019). A defesa do réu impetrou habeas corpus pedindo a liberdade imediata do condenado. O STF
concedeu a ordem, mas não para a liberdade imediata do condenado, e sim para que o Tribunal de Justiça
analise eventual necessidade de prisão preventiva ou a aplicação de medidas cautelares diversas. STF. 1ª

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Turma. HC 174875/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
3/12/2019 (Info 962).

Juiz condenou o réu, concedeu a ele o direito de recorrer em liberdade. Em apelação, o Tribunal de
Justiça manteve a condenação. Contra esse acórdão, o réu interpôs, simultaneamente, recurso especial e
extraordinário. A decisão do TJ foi proferida na época em que o entendimento do STF era no sentido de ser
cabível a execução provisória da pena. Diante disso, o TJ, logo depois de receber os recursos especial e
extraordinário, determinou que o condenado iniciasse imediatamente o cumprimento da pena. Ocorre que
logo depois, o STF alterou a sua posição e passou a proibir a execução provisória da pena (ADC 43/DF, julgada
em 7/11/2019). A defesa do réu impetrou habeas corpus pedindo a liberdade imediata do condenado. O STF
concedeu a ordem, mas não para a liberdade imediata do condenado, e sim para que o Tribunal de Justiça
analise eventual necessidade de prisão preventiva ou a aplicação de medidas cautelares diversas. STF. 1ª
Turma. HC 175405/PR e HC 176841/SC, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgados em 17/12/2019 (Info 964).

Juiz condenou o réu e negou a ele o direito de recorrer em liberdade por estarem presentes os
requisitos da prisão preventiva. Em apelação, o Tribunal de Justiça manteve a condenação. Contra esse
acórdão, o réu interpôs, simultaneamente, recurso especial e extraordinário. A decisão do TJ foi proferida na
época em que o entendimento do STF era no sentido de ser cabível a execução provisória da pena. Diante
disso, o TJ, logo depois de receber os recursos especial e extraordinário, determinou que o condenado
iniciasse imediatamente o cumprimento da pena. Ocorre que logo depois, o STF alterou a sua posição e passou
a proibir a execução provisória da pena (ADC 43/DF, julgada em 7/11/2019). A defesa do réu impetrou habeas
corpus pedindo a liberdade imediata do condenado. A 1ª Turma do STF afirmou o seguinte: realmente,
atualmente, não cabe execução provisória da pena. No entanto, no caso concreto, o juiz de 1ª instância
decretou a prisão preventiva do acusado e, depois, vedou-lhe o direito de recorrer em liberdade. Além disso, o
Tribunal de Justiça, apesar de ordenar a execução provisória, repetiu a necessidade de garantia da ordem
pública. Logo, a manutenção da prisão não foi apenas por conta da execução provisória da pena. Desse modo,
não se pode dizer que a decisão do Tribunal de Justiça tenha sido teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva
ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF, situações nas quais o STF poderia conceder de ofício o
habeas corpus. STF. 1ª Turma. HC 176723/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

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Tribunal do Júri condenou o réu. Juiz-Presidente concedeu a ele o direito de recorrer em liberdade. Em
apelação, o Tribunal de Justiça manteve a condenação. Contra esse acórdão, o réu interpôs, simultaneamente,
recurso especial e extraordinário. A decisão do TJ foi proferida na época em que o entendimento do STF era no
sentido de ser cabível a execução provisória da pena. Diante disso, o TJ, logo depois de receber os recursos
especial e extraordinário, determinou que o condenado iniciasse imediatamente o cumprimento da pena.
Ocorre que logo depois, o STF alterou a sua posição e passou a proibir a execução provisória da pena (ADC
43/DF, julgada em 7/11/2019). A defesa do réu impetrou habeas corpus no STJ pedindo a liberdade imediata
do condenado. O Ministro Relator do STJ, monocraticamente, negou o pedido de liminar. A defesa impetrou,
então habeas corpus para o STF contra essa decisão do Ministro do STJ. Cabe habeas corpus neste caso? Não.
Em regra, não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ. Aplica-se o
raciocínio da súmula 691 do STF. Exceções: a regra acima exposta pode ser afastada em casos excepcionais,
quando a decisão atacada se mostrar teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária
à jurisprudência do STF, situações nas quais o STF poderia conceder de ofício o habeas corpus. No caso
concreto, o STF entendeu que havia alguma situação excepcional que poderia justificar a concessão do habeas
corpus de ofício? Não. A 1ª Turma do STF afirmou o seguinte: realmente, atualmente, não cabe execução
provisória da pena. Isso foi decidido na ADC 43/DF, julgada em 7/11/2019). No entanto, o caso concreto
envolve uma condenação pelo Tribunal do Júri. Existem alguns Ministros do STF que entendem que seria
possível a execução provisória da pena nas condenações do Tribunal do Júri. Isso porque, em razão da
soberania dos vereditos, o Tribunal não pode reexaminar os fatos decididos pelos jurados. A discussão sobre a
possibilidade ou não de execução provisória das condenações do Tribunal do Júri será definida pelo STF no
Recurso Extraordinário 1235340, cujo relator é o Ministro Luís Roberto Barroso e que está previsto para ser
julgado ainda no ano de 2020. Logo, como existe essa possibilidade de o STF adotar a execução provisória nas
condenações envolvendo o Júri, não se pode dizer que a decisão do Tribunal de Justiça tenha sido teratológica,
flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF, situações nas quais o STF
poderia conceder de ofício o habeas corpus. STF. 1ª Turma. HC 175808/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

 EXECUÇÃO PENAL

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É ilegal a sanção administrativa que impede definitivamente o direito do preso de receber visitas. STJ.
6ª Turma. RMS 48.818-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/11/2019 (Info 661)

É possível a comutação da pena prevista no Decreto 9.246/2017 aos condenados que estejam no
regime fechado, semiaberto ou aberto, não havendo restrição quanto ao regime de cumprimento de pena O
Decreto nº 9.246/2017 não traz nenhuma ressalva ao regime de cumprimento de pena quando dispõe sobre a
comutação aos condenados que cumprem pena privativa de liberdade. STJ. 6ª Turma. REsp 1.828.409-MS, Rel.
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 01/10/2019 (Info 659).
Suponhamos que na sentença condenatória não constou que o apenado é reincidente. O juízo da
execução, contudo, na fase de cumprimento da pena, percebeu que o condenado é reincidente. O juízo da
execução penal poderá reconhecer essa circunstância negativa no momento de analisar se concede ou não os
benefícios (ex: progressão). O Juízo da Execução pode promover a retificação do atestado de pena para
constar a reincidência, com todos os consectários daí decorrentes, ainda que não esteja reconhecida
expressamente na sentença penal condenatória transitada em julgado. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.738.968-MG,
Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/11/2019 (Info 662). #IMPORTANTE

 HABEAS CORPUS

Não cabe habeas corpus contra decisão de Ministro do STF que decreta a prisão preventiva de
investigado ou réu. Aplica-se, aqui, por analogia, o entendimento exposto no enunciado 606 da Súmula do STF.
Súmula 606-STF: Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de turma, ou do plenário,
proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso. STF. Plenário. HC 162285 AgR/DF, Rel. Min. Alexandre
de Moraes, julgado em 19/12/2019 (Info 964)

A concessão do benefício da transação penal impede a impetração de habeas corpus em que se


busca o trancamento da ação penal? Com a celebração da transação penal, o habeas corpus que estava
pendente fica prejudicado ou o TJ deverá julgá-lo mesmo assim? • STJ: SIM. Fica prejudicado. A concessão do
benefício da transação penal impede a impetração de habeas corpus em que se busca o trancamento da ação
penal. STJ. 6ª Turma. HC 495.148-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 24/09/2019 (Info 657). •
STF: NÃO. Não impede e o TJ deverá julgar o mérito do habeas corpus. A realização de acordo de transação
penal não enseja a perda de objeto de habeas corpus anteriormente impetrado. A aceitação do acordo de

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transação penal não impede o exame de habeas corpus para questionar a legitimidade da persecução penal.
Embora o sistema negocial possa trazer aprimoramentos positivos em casos de delitos de menor gravidade, a
barganha no processo penal pode levar a riscos consideráveis aos direitos fundamentais do acusado. Assim, o
controle judicial é fundamental para a proteção efetiva dos direitos fundamentais do imputado e para evitar
possíveis abusos que comprometam a decisão voluntária de aceitar a transação. Não há qualquer disposição
em lei que imponha a desistência de recursos ou ações em andamento ou determine a renúncia ao direito de
acesso à Justiça. STF. 2ª Turma. HC 176785/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

6 - CIVIL

 PRESCRIÇÃO/DIVÓRCIO

O art. 197, I, do Código Civil prevê que “não corre a prescrição entre os cônjuges, na constância da
sociedade conjugal”. Se os cônjuges estão separados há muitos anos, não se deve aplicar a regra do art. 197, I,
do CC. Mesmo não estando prevista no rol do art. 1.571 do CC, a separação de fato muito prolongada, ou por
tempo razoável, também pode ser considerada como causa de dissolução da sociedade conjugal e, em assim
sendo, tem o condão de impedir a fluência do prazo prescricional da pretensão de partilha de bens de ex-
cônjuges. Caso concreto: a pretensão de partilha de bem comum após mais de 30 anos da separação de fato e
da partilha amigável dos bens comuns do ex-casal está fulminada pela prescrição. STJ. 3ª Turma. REsp
1.660.947-TO, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

 RESPONSABILIDADE CIVIL/PROVEDOR DE ACESSO À INTERNET

É obrigatória, por parte dos provedores de conexão e de aplicação, a guarda e apresentação dos dados
relacionados à porta lógica de origem associadas aos endereços IPs. Com a porta lógica de origem é possível
identificar o usuário, mesmo que ele esteja compartilhando um mesmo número de IP na internet com outras
pessoas. Trata-se, portanto, de dado essencial para o correto funcionamento da rede e de seus agentes
operando sobre ela. Em razão disso, sua guarda é fundamental para a preservação de possíveis interesses
legítimos a serem protegidos em lides judiciais ou em investigações criminais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.777.769-
SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

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 BEM DE FAMÍLIA

A proteção legal conferida ao bem de família pela Lei nº 8.009/90 não pode ser afastada por renúncia
do devedor ao privilégio, pois é princípio de ordem pública, prevalente sobre a vontade manifestada. A
despeito disso, o bem de família legal não gera inalienabilidade. Logo, é possível que o proprietário pratique
atos de disposição dele, podendo, por exemplo, oferecê-lo como objeto de alienação fiduciária em garantia. A
utilização abusiva do direito à proteção do bem de família viola o princípio da boa-fé objetiva e, portanto, não
deve ser tolerada. Assim, deve ser afastado o benefício conferido ao titular do bem de família que exerce o
direito em desconformidade com o ordenamento jurídico. STJ. 4ª Turma. REsp 1.595.832-SC, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 29/10/2019 (Info 664).

 FIANÇA

É necessária a outorga conjugal para fiança em favor de sociedade cooperativa. STJ. 4ª Turma. REsp
1.351.058-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/11/2019 (Info 664).

 PROCURAÇÃO

Em regra, o mandato só confere poderes que o mandatário administre os bens do mandante: Art. 661.
O mandato em termos gerais só confere poderes de administração. Para que o mandatário possa dispor,
alienar ou gravar o patrimônio do mandante, exige-se a confecção de instrumento de procuração com poderes
expressos e especiais. É o que prevê o § 1º do art. 661: “Para alienar, hipotecar, transigir, ou praticar outros
quaisquer atos que exorbitem da administração ordinária, depende a procuração de poderes especiais e
expressos.” A outorga de poderes de alienação de “quaisquer imóveis em todo o território nacional” não supre
o requisito de especialidade exigido pelo art. 661, § 1º do CC, que exige referência e determinação dos bens
concretamente mencionados na procuração. STJ. 3ª Turma. REsp 1.814.643-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 22/10/2019 (Info 660).

 LOCAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS

O art. 12 da Lei nº 8.245/91 prevê que “em casos de separação de fato, separação judicial, divórcio ou
dissolução da união estável, a locação residencial prosseguirá automaticamente com o cônjuge ou
companheiro que permanecer no imóvel.” O § 1º do art. 12 afirma que o locatário original (sub-rogado)

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deverá notificar o fiador, informando sobre essa separação, a fim de que o fiador decida se deseja ou não
continuar com este encargo. Segundo o § 2º do art. 12, o fiador, depois de ser notificado pelo sub-rogado,
poderá, no prazo máximo de 30 dias, informar ao locador que quer se exonerar das suas responsabilidades.
Suponhamos que o locatário original não informou o fiador. O locador, contudo, assumiu esse papel e
notificou o fiador, comunicando que houve a sub-rogação. Mesmo assim o prazo do fiador já começou a
correr? O prazo de 30 dias para que o fiador peça a sua exoneração começou a ser contado a partir dessa
notificação feita pelo locador? SIM. O prazo para o fiador exonerar-se da fiança inicia-se do efetivo
conhecimento da sub-locação, ainda que a ciência não ocorra pela comunicação do locatário sub-rogado.
Apesar de o art. 12, § 2º, da Lei nº 8.245/91 afirmar que é o locatário original que deverá fazer a notificação do
fiador, é possível a relativização dessa formalidade por meio da aplicação do princípio da instrumentalidade
das formas. STJ. 3ª Turma. REsp 1.510.503-ES, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

A inércia do locador em exigir o reajuste dos aluguéis por longo período de tempo suprime o direito à
cobrança de valores pretéritos, mas não impede a atualização dos aluguéis a partir da notificação extrajudicial
encaminhada ao locatário. Exemplo: a Alamos Ltda. alugou um imóvel para a Havana Ltda. O valor do aluguel
era de R$ 10.000,00 e o contrato tinha prazo de duração de 20 anos. No pacto havia uma cláusula prevendo
reajuste automático no percentual de 5% a cada ano. Durante 5 anos, a Havana (locatária) pagou, todos os
meses, o valor de R$ 10.000,00, sem qualquer oposição da Alamos (locadora). Em outras palavras, a locadora
nunca exigiu o cumprimento dessa cláusula contratual de reajuste. No dia 02/02/2019, a Alamos enviou uma
notificação extrajudicial para a Havana dizendo que a locatária estava descumprindo o contrato porque estava
pagando um valor de aluguel menor do que deveria. A locadora afirmou que a locatária deveria ter aumentado
o valor do aluguel a cada ano e que, portanto, ela estaria inadimplente. Na notificação, a locadora exigiu que a
locatária: 1) pagasse os próximos meses já com o valor reajustado; e 2) pagasse também a diferença dos
meses anteriores à notificação. Em outros termos, a Alamos falou que as parcelas anteriores foram pagas a
menor e exigiu a diferença de todos esses meses. Os pedidos da locadora devem ser acolhidos, segundo o STJ?
O pedido 1, sim. O pedido 2, não. STJ. 3ª Turma. REsp 1.803.278-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 22/10/2019 (Info 659).

A ação de despejo não exige a formação de litisconsórcio ativo necessário. STJ. 3ª Turma. REsp
1.737.476-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

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 DÍVIDAS CONDOMINIAIS

O proprietário do imóvel gerador dos débitos condominiais pode ter o seu bem penhorado no bojo de
ação de cobrança, já em fase de cumprimento de sentença, da qual não figurou no polo passivo, uma vez que
ajuizada, em verdade, em face da então locatária do imóvel. Ex: o condomínio ajuizou ação de cobrança de
cotas condominiais apenas contra o locatário; o pedido foi julgado procedente determinando que o locatário
pagasse os débitos condominiais; iniciou-se a fase de cumprimento de sentença; o STJ afirmou que o juiz pode
determinar a penhora do imóvel mesmo o locador (proprietário) não tendo figurado no polo passivo da ação
de cobrança. STJ. 3ª Turma. REsp 1.829.663-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660).
Vale ressaltar que existe decisão em sentido contrário envolvendo o promitente comprador: Em ação de
cobrança de cotas condominiais proposta somente contra o promissário comprador, não é possível a penhora
do imóvel que gerou a dívida - de propriedade do promissário vendedor -, admitindo-se, no entanto, a
constrição dos direitos aquisitivos decorrentes do compromisso de compra e venda. STJ. 3ª Turma. REsp
1.273.313-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 3/11/2015 (Info 573).

Caso concreto: a convenção de condomínio previu que a construtora – proprietária das unidades
imobiliárias ainda não comercializadas – precisaria pagar apenas 30% do valor da taxa condominial por
unidade. Assim, enquanto os demais condôminos pagariam 100% da quota condominial, a construtora teria
que pagar apenas 30% por unidade. O STJ considerou que essa cláusula é nula. A convenção outorgada pela
construtora/incorporadora não pode estabelecer benefício de caráter subjetivo a seu favor com a finalidade
de reduzir ou isentar do pagamento da taxa condominial. A taxa condominial é fixada de acordo com a
previsão orçamentária de receitas e de despesas, bem como para constituir o fundo de reserva com a
finalidade de cobrir eventuais gastos de emergência. A redução ou isenção da quota condominial a favor de
um ou vários condôminos implica oneração aos demais, com evidente violação da regra da proporcionalidade
prevista no inciso I do art. 1.334 do CC/2002. STJ. 3ª Turma. REsp 1.816.039-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

 DIREITOS AUTORAIS

A paródia é uma das limitações do direito de autor, com previsão no art. 47 da Lei 9.610/98, que prevê
serem livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe

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implicarem descrédito. Respeitadas essas condições, é desnecessária a autorização do titular da obra
parodiada. A finalidade da paródia, se comercial, eleitoral, educativa, puramente artística ou qualquer outra, é
indiferente para a caracterização de sua licitude e liberdade assegurada pela Lei nº 9.610/98. Caso concreto:
durante sua campanha de reeleição para Deputado Federal em 2014, o humorista Tiririca fez uma paródia da
música “O Portão”, de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, na qual pedia votos. O STJ entendeu que
não era devida indenização para o titular dos direitos autorais porque, em regra, não é necessária prévia
autorização para a realização de paródias. STJ. 3ª Turma. REsp 1.810.440-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 12/11/2019 (Info 661).

Ainda que a intérprete tenha autorizado a gravação e produção de um fonograma, a reprodução e


comercialização do material obtido, em CD, precisa de sua nova anuência, não se podendo dizer que estava
abrangida pela primeira autorização A fixação de uma interpretação em fonograma não é suficiente para
absorver o direito prévio do intérprete, tampouco deriva em anuência para sua reprodução sucessiva ou em
cessão definitiva de todos os direitos titularizados pelo intérprete e demais titulares de direitos de autor ou
conexos. Os direitos do artista intérprete estão elencados nos incisos do art. 90 da Lei nº 9.610/98, e a
disposição de cada um deles não presume a cessão dos demais, devendo-se interpretar restritivamente os
contratos de cessão de direitos autorais. Caso concreto: Juliana, cantora, foi contratada pela “VAM Ltda”
(empresa produtora de mídias) para gravar a canção “La vem Emília”. Ao ser contratada, Juliana foi informada
de que a música seria utilizada como tema da personagem Emília, no programa de TV “Sítio do Pica Pau
Amarelo”. Posteriormente, esse fonograma foi incluído em um CD intitulado Sítio do Pica-Pau Amarelo
produzido pela “VAM Ltda”. Ocorre que Juliana não foi comunicada de que a música seria inserida no CD, além
de a produtora não ter inserido o nome da intérprete nos créditos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.400.463-RJ, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661).

 COOPERATIVA

Se um cooperado pede para sair ou é expulso da cooperativa ele não terá direito de receber uma
quota-parte do FATES, que é um fundo indivisível Não se partilha a verba do Fundo de Reserva e Assistência
Técnica Educacional e Social - FATES - com o associado excluído ou que se retira do quadro social da
cooperativa. O percentual obrigatoriamente pago ao FATES, no percentual mínimo de 5% das sobras líquidas

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apuradas ao final do exercício social não é disponível e seu destino independe da vontade dos cooperados. STJ.
3ª Turma. REsp 1.562.184-RS,Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/11/2019 (Info 661).

 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

A desconsideração da personalidade jurídica, ainda que com fundamento na Teoria Menor, não pode
atingir o patrimônio pessoal de membros do Conselho Fiscal sem que haja a mínima presença de indícios de
que estes contribuíram, ao menos culposamente e com desvio de função, para a prática de atos de
administração. Caso concreto: consumidor comprou um imóvel de um cooperativa habitacional, mas este
nunca foi entregue; o consumidor ajuizou ação de cobrança contra a cooperativa, tendo o pedido sido julgado
procedente para devolver os valores pagos; durante o cumprimento de sentença, o juiz, com base na teoria
menor, fez a desconsideração da personalidade jurídica para atingir o patrimônio pessoal dos membros do
Conselho Fiscal da cooperativa; o STJ afirmou que eles não poderiam ter sido atingidos. A despeito de não se
exigir prova de abuso ou fraude para fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade
jurídica, tampouco de confusão patrimonial, o § 5º do art. 28 do CDC não dá margem para admitir a
responsabilização pessoal de quem jamais atuou como gestor da empresa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.766.093-SP,
Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/11/2019 (Info 661).

 CONTRATOS

Importante! Mudança de entendimento! Atualize o Info 561-STJ. Em regra, é válida a cláusula de


reajuste por faixa etária em contrato de seguro de vida. Essa cláusula somente não será válida nos casos em
que o contrato já tenha previsto alguma outra técnica de compensação do “desvio de risco” dos segurados
idosos, como nos casos de constituição de reserva técnica para esse fim, a exemplo dos seguros de vida sob
regime da capitalização (em vez da repartição simples). STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 632.992/RS, Rel. Min.
Maria Isabel Gallotti, julgado em 19/03/2019. STJ. 3ª Turma. REsp 1.816.750-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 26/11/2019 (Info 663).

 PARENTESCO

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A representação legal do filho menor é uma das vertentes do poder familiar e deverá ser exercida,
em regra, pelos pais, conforme prevê o art. 1.634, VII, do Código Civil. Assim, somente em algumas hipóteses é
que o menor poderá deixar de ser representado pelos seus pais. O fato de ter sido concedida a guarda do
menor para uma outra pessoa que não compõe o núcleo familiar não significa que tenha havido a destituição
automática do poder familiar. Logo, mesmo em tais casos, a competência para representar este menor em
juízo é do pai ou da mãe (e não da guardiã). STJ. 3ª Turma. REsp 1.761.274-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 04/02/2020 (Info 664).

 ALIMENTOS

Em ação judicial que versa sobre alimentos ajuizada por menor, não é admissível que a concessão da
gratuidade de justiça esteja condicionada a demonstração de insuficiência de recursos de seu representante
legal. Caso concreto: uma criança, representada por sua mãe, ingressou com execução de alimentos contra o
pai; o juiz indeferiu o pedido de gratuidade de justiça porque a mãe do autor (representante do menor) não
provou a sua insuficiência de recursos. O direito ao benefício da gratuidade de justiça possui natureza
individual e personalíssima. Assim, os requisitos para a concessão ou não do direito à gratuidade deverão ser
preenchidos, em regra, pela própria parte, e não pelo seu representante legal. É evidente que, em se tratando
de menores representados pelos seus pais, haverá sempre um forte vínculo entre a situação desses dois
diferentes sujeitos de direitos e obrigações, sobretudo em razão da incapacidade civil e econômica do próprio
menor. Isso não significa, contudo, que se deva automaticamente examinar o direito à gratuidade a que
poderia fazer jus o menor à luz da situação financeira de seus pais. Assim, em se tratando de direito à
gratuidade de justiça pleiteado por menor de 18 anos, deve o juiz, inicialmente, aplicar a regra do §3º do art.
99, deferindo o benefício em razão da presunção de sua insuficiência de recursos. Existe, todavia, a
possibilidade de a outra parte demonstrar, com base no § 2º, a ausência dos pressupostos legais que justificam
a gratuidade, pleiteando, em razão disso, a revogação do benefício concedido. STJ. 3ª Turma. REsp 1.807.216-
SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

 SUCESSÕES

A fixação de determinado valor a ser recebido mensalmente pelo herdeiro a título de adiantamento de
herança não configura o negócio jurídico processual atípico do art. 190 do CPC/2015. O acordo firmado entre

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os herdeiros para autorizar a retirada mensal dos valores não é um acordo puramente processual. Isso porque
o seu objeto é o próprio direito material que se discute e que se pretende obter na ação de inventário, ou seja,
a divisão do patrimônio do autor da herança. O que se está fazendo, portanto, é simplesmente antecipar a
fruição e uso do direito material. STJ. 3ª Turma. REsp 1.738.656-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
03/12/2019 (Info 663).

Importante!!! É possível o inventário extrajudicial, ainda que exista testamento, se os interessados


forem capazes e concordes e estiverem assistidos por advogado, desde que o testamento tenha sido
previamente registrado judicialmente ou haja a expressa autorização do juízo competente. STJ. 4ª Turma. REsp
1.808.767-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 15/10/2019 (Info 663).

Aquele que renuncia a herança não tem legitimidade para pleitear eventual nulidade de negócio
jurídico que envolva um dos bens que integram o patrimônio do de cujus. Exemplo hipotético: João, Pedro,
Tiago e Regina são irmãos. Em 2010, Regina, que tinha sérios problemas de saúde, vendeu um apartamento
para seu irmão Tiago por preço bem abaixo do mercado. Os demais irmãos não souberam dessa venda. Em
2011, Regina faleceu. Não tinha cônjuge, descendentes ou ascendentes. Diante disso, os únicos herdeiros
eram seus irmãos. João optou por renunciar a herança em favor do monte. Logo depois que fez isso, João
tomou conhecimento da venda do apartamento ocorrida em 2010. Ele ficou revoltado porque considerou que
sua irmã não estava em sua perfeita condição mental, tendo sido, portanto, “enganada” por Tiago. João
ingressou com ação declaratória de nulidade do negócio jurídico. O juiz deverá extinguir o processo sem
resolução do mérito porque João não possui legitimidade ativa ad causam considerando que ele renunciou
expressamente a herança deixada por Regina, de sorte que, mesmo se anulada a venda, não teria nenhum
proveito econômico com isso. STJ. 4ª Turma. REsp 1.433.650-GO, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
19/11/2019 (Info 664).

 SEGURO

No seguro de vida, se o segurado se suicidar, a seguradora continua tendo obrigação de pagar a


indenização?
1) Entendimento ANTERIOR (até 08/04/2015) (Súmulas 105 do STF e 61 do STJ): O critério era o da
premeditação: • Se o suicídio foi premeditado: NÃO • Se o suicídio não foi premeditado: SIM.

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2) Entendimento ATUAL (Súmula 610 do STJ): O critério passou a ser o meramente temporal: • Suicídio nos
dois primeiros anos: SEM direito à indenização. • Suicídio após os dois primeiros anos: TEM direito à
indenização. Caso concreto: segurado cometeu suicídio antes de terminarem os dois primeiros anos do
contrato. Ficou demonstrado que o suicídio não foi premeditado. Assim, pelo entendimento anterior, o
beneficiário do seguro teria direito à indenização (porque o suicídio não foi premeditado). Por outro lado, pelo
entendimento atual, o filho de João não teria direito à indenização (porque o suicídio ocorreu nos dois
primeiros anos do contrato). O beneficiário ajuizou a ação contra a seguradora quando ainda vigorava o
entendimento anterior do STJ, tendo, inclusive, obtido uma sentença favorável. Ocorre que, quando o
processo chegou ao STJ por meio de recurso, o entendimento já havia mudado. Neste caso, o STJ afirmou que,
mesmo tendo havido alteração da jurisprudência, deveria ser aplicado o entendimento anterior. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.721.716-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/12/2019 (Info 662).

7 – PROCESSO CIVIL:

 COMPETÊNCIA

Compete à Justiça comum processar e julgar causa de servidor público municipal admitido mediante
aprovação em concurso público sob o regime da CLT e que, posteriormente, passou a ser regido pelo estatuto
dos servidores públicos municipais (estatutário). Caso concreto: o servidor ingressou no serviço público do
Município em 1997 no cargo de auxiliar de serviços gerais sob o regime celetista e, em julho de 2010, passou a
ser regido pelo regime estatutário. Em 2013, ele ajuizou ação na Justiça do Trabalho para pleitear o
recolhimento de parcelas do FGTS no período em que esteve regido pelas regras da CLT. Como o vínculo do
servidor com a administração pública é atualmente estatutário, a competência para julgar a causa é da Justiça
comum, ainda que as verbas requeridas sejam de natureza trabalhista e relativas ao período anterior à
alteração do regime de trabalho. STF. Plenário. CC 8018/PI, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 19/12/2019 (Info 964).

 RECURSOS

O art. 1.015, VI, do CPC/2015 prevê: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões
interlocutórias que versarem sobre: VI - exibição ou posse de documento ou coisa; Essa hipótese de cabimento

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abrange: • a decisão que resolve o incidente processual de exibição instaurado em face de parte; • a decisão
que resolve a ação incidental de exibição instaurada em face de terceiro; • e, ainda, a decisão interlocutória
que aceite ou rejeite mero requerimento formulado no bojo do próprio processo. Assim, cabe agravo de
instrumento com base no art. 1.015, VI, do CPC/2015, contra a decisão interlocutória que defira ou indefira a
expedição de ofício para que um terceiro apresente determinado documento, mesmo sem a instauração de
incidente processual ou de ação incidental. STJ. 3ª Turma. REsp 1.798.939-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 12/11/2019 (Info 661).

É irrecorrível o acórdão que admite ou inadmite o Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas –


IRDR. Podem ser apontadas três razões para se defender o não cabimento de recurso nestes casos: 1) o art.
976, §3º, do CPC/2015 afirma que, mesmo depois de o IRDR não ter sido admitido é possível que se requeira a
instauração de um novo IRDR, desde que satisfeito o pressuposto que não havia sido inicialmente cumprido,
sanando-se o vício existente ao tempo do primeiro requerimento. 2) o CPC só previu recurso contra a decisão
que julga o mérito do IRDR; 3) o acórdão que inadmite a instauração do IRDR não preenche o pressuposto
constitucional da causa decidida apto a viabilizar o conhecimento de quaisquer recursos excepcionais, pois
ausente o caráter de definitividade no exame da questão litigiosa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.631.846-DF, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 661).

A parte, ao apresentar recurso especial ou recurso extraordinário, tem o ônus de explicar e comprovar
que, na instância de origem, era feriado local ou dia sem expediente forense? Essa comprovação poderia ser
posterior à interposição do recurso? Na vigência do CPC/1973: A parte, mesmo que não demonstrasse no
momento da interposição do recurso que havia esse feriado local, poderia comprovar depois. Assim, era
possível a comprovação posterior da tempestividade de recurso no STJ ou no STF quando o recurso houvesse
sido julgado intempestivo em virtude de feriados locais ou de suspensão de expediente forense no tribunal a
quo. Esse era o entendimento do STJ e do STF. Na égide do CPC/2015: O cenário mudou. O CPC/2015 trouxe
expressamente um dispositivo dizendo que a comprovação do feriado local deverá ser feita, obrigatoriamente,
no ato de interposição do recurso. Veja: Art. 1.003 (...) § 6º O recorrente comprovará a ocorrência de feriado
local no ato de interposição do recurso. O que o STJ decidiu sobre esse dispositivo? A Corte Especial do STJ, ao
julgar o REsp 1.813.684-SP, decidiu que: - realmente, o CPC/2015 exige, de forma muito clara, a comprovação
do feriado local no ato de interposição do recurso. - ocorre que, durante muitos anos, não foi assim. Houve,
portanto, uma radical mudança e, em virtude disso, seria razoável fixar uma modulação dos efeitos desse

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entendimento, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança, da isonomia e da
primazia da decisão de mérito. Assim, foi estabelecida a seguinte regra de transição:
• Para os recursos especiais interpostos antes de 18/11/2019 (data de publicação do REsp 1.813.684-SP): é
possível a abertura de vista para que a parte comprove a suspensão do prazo em virtude de feriado local após
a interposição do recurso, sanando o vício.
• Para recursos interpostos depois de 18/11/2019: prevalece a necessidade de comprovar o feriado no
momento da interposição do recurso, sendo impossível a sua posterior comprovação em razão de ser vício
insanável. Em suma, é necessária a comprovação de feriado local no ato de interposição do recurso, sendo
aplicável os efeitos desta decisão tão somente aos recursos interpostos após a publicação do REsp
1.813.684/SP, o que ocorreu em 18/11/2019. STJ. Corte Especial. REsp 1.813.684-SP, Rel. Min. Raul Araújo,
Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/10/2019 (Info 660). Cuidado. O STF afirma que, com o
CPC/2015, passou a ser impossível sanar o vício da comprovação do feriado local, de modo que a sua
comprovação deve ser feita no ato de interposição do recurso. Em outras palavras, o STF não faz essa mesma
modulação que foi criada pelo STJ. Logo, em se tratando de recurso extraordinário, mesmo que interposto
antes de 18/11/2019, a parte já tinha que comprovar o feriado local, sob pena de não admissão do RE. Nesse
sentido: STF. Plenário. ARE 1223738 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18/10/2019. #IMPORTANTE

A técnica de julgamento do art. 942 pode ser aplicada na hipótese em que não houve unanimidade
quanto à preliminar de admissibilidade da apelação adesiva? Ex: o autor interpôs recurso adesivo endereçado
à Câmara Cível do Tribunal de Justiça; 2 Desembargadores votaram por conhecer do recurso adesivo, mas 1
Desembargador votou pelo não conhecimento sob o argumento de que não havia pertinência temática; neste
caso, deve ser aplicado o art. 942 do CPC, com a convocação de dois novos Desembargadores para votar? SIM.
Aplica-se a técnica de ampliação do colegiado quando não há unanimidade no juízo de admissibilidade
recursal. O art. 942 do CPC não determina a ampliação do julgamento apenas em relação às questões de
mérito. Na apelação, a técnica de ampliação do colegiado deve ser aplicada a qualquer julgamento não
unânime, incluindo as questões preliminares relativas ao juízo de admissibilidade do recurso. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.798.705-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 22/10/2019 (Info 659). #IMPORTANTE

A discussão envolvendo a possibilidade ou não de retenção de honorários advocatícios contratuais


sobre crédito relativo a diferenças do FUNDEF possui natureza infraconstitucional, de forma que não cabe
recurso extraordinário para apreciá-la considerando que não há matéria constitucional a ser analisada. STF. 1ª

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Turma. ARE 1066359 AgR/AL, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/11/2019 (Info 961). STF. 1ª Turma. ARE
1107296 AgR/PE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/2/2020 (Info 966).

 SUSTENTAÇÃO ORAL

Se um processo que estava no Plenário virtual é destacado para julgamento presencial, o julgamento
será reiniciado, de forma que será possível a realização de sustentação oral mesmo que o relator já tivesse
votado no ambiente virtual O Min. Alexandre de Moraes era relator de uma ação direta de
inconstitucionalidade. Ele incluiu esse processo para ser julgado pelo Plenário Virtual. O relator apresentou seu
voto e os Ministros começaram a votar. Ocorre que o Min. Marco Aurélio formulou pedido de destaque,
requerendo que a referida ADI fosse julgada presencialmente pelo Plenário físico. Diante disso, o Min.
Alexandre de Moraes retirou o processo da pauta de julgamentos eletrônicos e o encaminhou ao Plenário
físico para julgamento presencial, tendo havido nova publicação de pauta. O advogado da parte, quando viu a
publicação da pauta, pediu para fazer sustentação oral no Plenário físico. O Min. Alexandre de Moraes negou o
pedido sob o argumento de que já havia apresentado seu voto no Plenário Virtual e a sustentação oral ocorre
sempre antes de o relator votar. Depois que o relator vota, não cabe mais sustentação oral. A maioria dos
Ministros, contudo, concordou com o pedido de sustentação oral da parte. Quando há o deslocamento do
Plenário Virtual para o Plenário físico, o julgamento se reinicia, havendo, portanto, direito de ser formulado
pedido de sustentação oral. Além disso, os advogados somente têm acesso ao que foi deliberado na sessão
virtual depois de prolatados todos os votos. Logo, o advogado da parte não teve acesso ao voto do relator que
foi liberado no Plenário Virtual. STF. Plenário. ADI 4735/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
6/2/2020 (Info 965)

 RECLAMAÇÃO

STF determinou a devolução do recurso extraordinário para o tribunal de origem a fim de que ficasse
aguardando o julgamento do tema afetado como recurso extraordinário repetitivo. Após o julgamento pelo
STF, o Presidente do Tribunal de origem julgou prejudicado o referido recurso extraordinário. Contra esta
decisão do Presidente do Tribunal de origem, a parte prejudicada interpôs recurso inadequado, que não foi
admitido. Houve trânsito em julgado. Diante disso, a parte prejudicada ingressou com reclamação afirmando
que a decisão do Presidente do Tribunal de origem descumpriu a decisão do STF que determinou o retorno

45
dos autos ao Tribunal para aguardar o julgamento do tema afetado. Deve ser negado seguimento a esta
reclamação. Isso porque é inadmissível a reclamação proposta após o trânsito em julgado da decisão
reclamada (art. 988, § 5º, I, do CPC/2015). Súmula 734-STF: Não cabe reclamação quando já houver transitado
em julgado o ato judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal. Além disso, o
ato do STF que determina a devolução do recurso extraordinário para que aguarde o julgamento do tema
afetado não tem cunho decisório. STF. 1ª Turma. Rcl 24810 AgR/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11/2/2020
(Info 966).

 IRDR

O procedimento de alegação de distinção (distinguishing) entre a questão debatida no processo e a


questão submetida ao julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 1.037, §§9º a 13, do CPC,
aplica-se também ao IRDR. Exemplo: o TJ/SP está recebendo milhares de apelações discutindo se os bancos
podem ou não cobrar a tarifa bancária “X”. É instaurado um IRDR no TJ/SP para decidir o tema. O
Desembargador Relator determina a suspensão de todos processos pendentes, individuais ou coletivos, que
tramitam no Estado de São Paulo envolvendo a cobrança da tarifa bancária “X”. Antes da instauração do IRDR,
Pedro havia ajuizado, na comarca de Santos (SP), ação contra o Banco Itaú questionando a cobrança da tarifa
“X”. O processo estava tramitando normalmente, mas o Juiz foi informado de que o TJ/SP determinou o
sobrestamento de todos os processos que tratem sobre o tema. Diante disso, o magistrado proferiu decisão
determinando a suspensão do processo envolvendo Pedro e o Banco Itaú. Pedro, contudo, não concorda com
essa suspensão. Isso porque a matéria discutida na ação por ele proposta envolve a constitucionalidade da
tarifa “X” (e não a sua legalidade). Logo, seria, em seu ponto de vista, um caso diferente daquele que será
julgado pelo TJ/SP no IRDR. Pedro poderá interpor, imediatamente, um agravo de instrumento contra esta
decisão do Juiz? Não. Antes de interpor o agravo de instrumento, Pedro deverá adotar o procedimento de
distinção previsto no art. 1.037, §§ 9º a 13, do CPC. Mas esse procedimento foi previsto para os recursos
repetitivos. Mesmo assim, ele se aplica também para o IRDR? Sim. Tanto os recursos especiais e
extraordinários repetitivos como o IRDR compõem um microssistema de julgamento de questões repetitivas,
devendo o intérprete promover, sempre que possível, a integração entre os dois mecanismos que pertencem
ao mesmo sistema de formação de precedentes vinculantes. Não há diferença ontológica nem tampouco
justificativa teórica para um tratamento assimétrico (diferente). STJ. 3ª Turma. REsp 1.846.109-SP, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 10/12/2019 (Info 662). #IMPORTANTE

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 INSOLVÊNCIA CIVIL

A declaração de insolvência civil dos executados não pode ser feita no bojo da própria ação executiva
Constatada a ausência de bens penhoráveis, a declaração de insolvência civil dos executados não pode ser
feita no bojo da própria ação executiva. O processo de insolvência é autônomo, de cunho declaratório-
constitutivo, e busca um estado jurídico para o devedor, com as consequências de direito processual e
material, não podendo ser confundido com o processo de execução, em que a existência de bens é
pressuposto de desenvolvimento do processo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.823.944-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 19/11/2019 (Info 661).

 INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA

O incidente de assunção de competência está previsto no art. 947 do CPC/2015: Art. 947. É admissível
a assunção de competência quando o julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo de
competência originária envolver relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem repetição
em múltiplos processos. Assim, cabe o incidente em caso de: a) recurso; b) remessa necessária; c) julgamento
de processo de competência originária do Tribunal. É inadmissível incidente de assunção de competência fora
das situações previstas no art. 947 do CPC/2015. Caso concreto: a parte ajuizou ação rescisória na Turma
Recursal do Juizado Especial cível estadual, tendo a ação sido indeferida liminarmente. Contra essa decisão, a
parte ingressou com incidente de assunção de competência no STJ; no caso concreto, não se está diante de
recurso, remessa necessária ou processo de competência originária do STJ, sendo, portanto, manifestamente
descabido o pedido. Vale ressaltar que, contra a decisão da Turma Recursal, nem cabe recurso para o STJ. STJ.
1ª Seção. AgInt na Pet 12.642-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 14/08/2019 (Info 659).

 REPERCUSSÃO GERAL

Há repercussão geral da questão constitucional referente à inclusão dos expurgos inflacionários na


correção monetária dos depósitos judiciais (Tema 1.016). Reconhecida a repercussão geral, o STF determinou
a suspensão nacional de todos os processos que envolvam discussão sobre expurgos inflacionários dos planos

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econômicos nos depósitos judiciais. Tal decisão foi proferida com base no art. 1.035, § 5º do CPC/2015. STF.
Plenário. RE 1141156 AgR/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/12/2019 (Info 964).

 TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO

Em se tratando de aclaratórios opostos a acórdão que julga agravo de instrumento, a aplicação da


técnica de julgamento ampliado somente ocorrerá se os embargos de declaração forem acolhidos para
modificar o julgamento originário do magistrado de primeiro grau que houver proferido decisão parcial de
mérito. Quando se tratar de embargos de declaração contra acórdão que decidiu agravo de instrumento, só
será caso de ampliação do colegiado se, ao julgar os embargos declaratórios, o colegiado - por maioria -
deliberar por reformar decisão de mérito (o que significa dizer que se terá, por deliberação não unânime,
atribuído efeitos infringentes aos embargos de declaração, reformando-se a decisão embargada e, por
conseguinte, reformando a decisão parcial de mérito prolatada pelo órgão de primeira instância) (CÂMARA,
Alexandre Freitas. A ampliação do colegiado em julgamentos não unânimes. Revista de Processo, ano 43, vol.
282, ago/2018, p. 264). STJ. 3ª Turma. REsp 1.841.584-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
10/12/2019 (Info 662).

 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE/EXECUÇÃO

Declarada a prescrição intercorrente por ausência de localização de bens, incabível a fixação de verba
honorária em favor do executado. Por força dos princípios da efetividade do processo, da boa-fé processual e
da cooperação, não pode o devedor se beneficiar do não-cumprimento de sua obrigação. O fato de o
exequente não localizar bens do devedor não pode significar mais uma penalidade contra ele, considerando
que, embora tenha vencido a fase de conhecimento, não terá êxito prático com o processo. Do contrário, o
devedor que não apresentou bens suficientes ao cumprimento da obrigação ainda sairia vitorioso na lide,
fazendo jus à verba honorária em prol de sua defesa, o que se revelaria teratológico, absurdo, aberrante. Há
situações em que, mesmo não sucumbindo no plano do direito material, a parte vitoriosa é considerada como
geradora das causas que produziram o processo e todas as despesas a ele inerentes. Assim, a responsabilidade
pelo pagamento de honorários e custas deve ser fixada com base no princípio da causalidade, segundo o qual
a parte que deu causa à instauração do processo deve suportar as despesas dele decorrentes. STJ. 3ª Turma.

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REsp 1.835.174-MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 05/11/2019 (Info 660). STJ. 4ª Turma.
REsp 1.769.201/SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 12/03/2019 (Info 646).

 EXECUÇÃO

Não tendo sido prestada garantia real, é desnecessária a citação em ação de execução, como
litisconsorte passivo necessário, do cônjuge que apenas autorizou seu consorte a prestar aval. O cônjuge que
apenas autorizou seu consorte a prestar aval, nos termos do art. 1.647, III, do Código Civil (outorga uxória),
não é avalista. Dessa forma, não havendo sido prestada garantia real, não é necessária sua citação como
litisconsorte, bastando a mera intimação do cônjuge que apenas autorizou o aval. STJ. 4ª Turma. REsp
1.475.257-MG, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 10/12/2019 (Info 663).

Juiz, no despacho inicial da execução, fixou os honorários advocatícios; esse valor é, em princípio,
provisório; ocorre que, no curso da execução, foi firmado acordo entre as partes, sem nada dispor sobre
honorários; o advogado poderá executar esse valor fixado no despacho inicial Quando houver sentença
homologatória de transação firmada entre as partes e esta não dispor sobre os honorários sucumbenciais, a
decisão inicial que arbitra os honorários advocatícios em execução de título extrajudicial pode ser considerada
título executivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.819.956-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 10/12/2019 (Info 663).

O § 3º do art. 782 do CPC/2015 prevê que o juiz, a requerimento da parte, pode determinar a inclusão
do nome do executado nos cadastros de inadimplentes (exs: SPC/SERASA). Embora o magistrado não esteja
obrigado a deferir o pedido de inclusão do nome do executado no cadastro de inadimplentes, visto que a
norma do art. 782, § 3º, do CPC/2015 não trata de uma imposição legal, mas mera faculdade atribuída ao juiz
da causa, não se revela idôneo condicionar a referida medida à prévia recusa administrativa das entidades
mantenedoras do respectivo cadastro. Assim, o credor pode requerer essa providência diretamente ao juízo,
não sendo necessário comprovar que este pedido foi feito antes, extrajudicialmente, para as entidades
mantenedoras do cadastro e que elas recusaram. STJ. 3ª Turma. REsp 1.835.778-PR, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

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Havendo penhora de bem indivisível (ex: um apartamento), a meação do cônjuge alheio à execução
deve recair sobre o produto da alienação do bem. Para impedir que a penhora recaia sobre a sua meação, o
cônjuge meeiro deve comprovar que a dívida executada não foi contraída em benefício da família.
Precedentes. No entanto, tratando-se de dívida proveniente da condenação ao pagamento de honorários
sucumbenciais em demanda da qual o cônjuge meeiro não participou, é inegável o direito deste à reserva de
sua meação. Os honorários advocatícios consagram direito do advogado contra a parte que deu causa ao
processo, não se podendo exigir do cônjuge meeiro, que não integrou a relação processual da lide originária, a
comprovação de que a dívida executada não foi contraída em benefício do casal ou da família. Exemplo: João
ajuizou ação ordinária contra Pedro, tendo o pedido sido julgado improcedente. O autor foi condenado a
pagar R$ 200 mil de honorários advocatícios em favor de Pedro. Marcos (advogado de Pedro) ingressou com
execução contra João cobrando os R$ 200 mil. O juiz determinou a penhora de uma sala comercial que está
em nome de João. Raquel, esposa de João, apresentou embargos de terceiro contra essa penhora. Sua quota-
parte deverá ser preservada, não sendo necessário que ela comprove que essa dívida contraída foi exclusiva
do marido. STJ. 3ª Turma. REsp 1.670.338-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 04/02/2020 (Info
664).

 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

É aplicável o CPC/2015 ao cumprimento de sentença, iniciado sob sua vigência, ainda que a sentença
exequenda tenha sido proferida sob a égide do CPC/1973. STJ. 2ª Turma. REsp 1.815.762-SP, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

O credor pode optar pela remessa dos autos ao foro de domicílio do executado, mesmo após o início
do cumprimento de sentença O inciso II do art. 516 do CPC prevê que o cumprimento da sentença será feito
perante o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição. O parágrafo único, por sua vez, afirma que
o exequente poderá optar por ingressar com o cumprimento de sentença: a) no juízo do atual domicílio do
executado; b) no juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução; c) no juízo do local onde deva
ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer. É possível que o exequente faça a opção de que trata o
parágrafo único do art. 516 do CPC/2015 mesmo após já ter sido iniciado o cumprimento de sentença? SIM. O
credor pode optar pela remessa dos autos ao foro de domicílio do executado, mesmo após o início do

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cumprimento de sentença. STJ. 3ª Turma. REsp 1.776.382-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
03/12/2019 (Info 663).

Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva resistência do executado ao
cumprimento de sentença João ingressa com pedido de cumprimento de sentença cobrando determinada
quantia de Pedro. Após ser intimado a pagar, Pedro depositou em juízo o valor da condenação, mas
apresentou petição narrando que aquilo não era pagamento e sim mera garantia do Juízo para obter o efeito
suspensivo na futura impugnação. Hipótese 1: Pedro, logo em seguida ao ato acima, apresentou impugnação
ao cumprimento de sentença. A impugnação foi julgada improcedente. Pedro terá que pagar a multa de 10%
do art. 523, § 1º? SIM. Veja: A multa a que se refere o art. 523 do CPC/2015 será excluída apenas se o
executado depositar voluntariamente a quantia devida em juízo, sem condicionar seu levantamento a
qualquer discussão do débito. STJ. 3ª Turma. REsp 1803985/SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
12/11/2019. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1435744/SE, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 28/05/2019.
Hipótese 2: Pedro depositou em juízo o valor da condenação e apresentou petição narrando que aquilo não
era pagamento e sim garantia do Juízo. Apesar disso, Pedro não apresentou a impugnação. Transcorrido o
prazo, como o devedor não ingressou com a impugnação, o credor pediu a expedição de guia para
levantamento do valor depositado, o que foi deferido pelo juiz mediante alvará. Pedro terá que pagar a multa
de 10% do art. 523, § 1º? NÃO. Não haverá a incidência da multa mesmo o devedor tendo afirmado que não
estava pagando. Isso porque para incidir a multa é necessário que haja a efetiva resistência do devedor por
meio da propositura de impugnação, o que não ocorreu. Assim, considerando o depósito efetuado e a
ausência de resistência ao cumprimento de sentença, não se justifica a incidência da multa. Para incidência da
multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva resistência do executado ao cumprimento de sentença. STJ.
3ª Turma. REsp 1.834.337-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 03/12/2019 (Info 663)

 PENHORA

São penhoráveis as verbas recebidas por escola de samba a título de parceria público-privada com a
administração pública. A situação NÃO se enquadra na hipótese do art. 833, IX, do CPC: Art. 833. São
impenhoráveis: (...) IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em
educação, saúde ou assistência social; STJ. 3ª Turma. REsp 1.816.095-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
05/11/2019 (Info 660).

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A instituição financeira que cumpre ordem judicial de indisponibilização de saldos encontrados em
contas bancárias atua como auxiliar da Justiça. A atuação dos auxiliares da Justiça é dirigida e orientada pelo
Juízo da causa, a quem subordinam-se e submetem-se, mediante regime administrativo, e, por isso, os
auxiliares não detêm nenhuma faculdade ou ônus processual, devendo, entretanto, observar os deveres
estabelecidos no art. 77 do CPC/2015 (art. 14 do CPC/1973). Assim, os auxiliares da Justiça podem ser
responsabilizados civil, administrativa ou penalmente pelos danos que causarem, em razão de dolo ou culpa. A
responsabilidade civil dos auxiliares da Justiça deve ser apurada mediante observância dos princípios do
contraditório e ampla defesa, em via processual adequada para sua inclusão como parte. Exemplo: o Juiz da 3ª
Vara Cível determinou ao Banco Itaú que efetuasse o bloqueio dos valores existentes na conta bancária da
empresa Fênix S/A. A instituição financeira cumpriu a ordem e foi bloqueado R$ 1 milhão. Passados alguns
meses, o Juiz da 3ª Vara Cível determinou a transferência do valor bloqueado. O banco respondeu que o
dinheiro não existia mais, uma vez que foi retirado por determinação do Juiz da 5ª Vara Cível, onde tramitava
outra execução proposta contra a Fênix S/A. O Juiz da 3ª Vara Cível entendeu que houve descumprimento de
ordem judicial e, em razão disso, determinou a penhora do mesmo valor (R$ 1 milhão, com as atualizações)
nas contas do Banco Itaú. O STJ considerou que essa determinação foi ilegal. STJ. 3ª Turma. RMS 49.265-MG,
Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/12/2019 (Info 662).

A Fundação Habitacional do Exército (FHE) é uma entidade vinculada ao Exército Brasileiro, criada pela
Lei nº 6.855/80. A FHE tem por objetivo facilitar a aquisição da “casa própria” para os militares e demais
associados, além de prestar outras formas de “apoio social” aos militares (exs: consórcios, seguros, planos
odontológicos etc.). Os bens da FHE são considerados impenhoráveis em razão de dois motivos: 1) a FHE
possui características de autarquia federal (e os bens das autarquias são impenhoráveis); 2) o art. 31 da Lei nº
6.855/80 prevê que o patrimônio da FHE goza dos privilégios próprios da Fazenda Pública, inclusive quanto à
impenhorabilidade. STJ. 1ª Turma. REsp 1.802.320-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 12/11/2019
(Info 662).

 CITAÇÃO

Empresa estrangeira que não tenha agência ou filial no Brasil pode ser citada por meio de seu
entreposto no país É regular a citação da pessoa jurídica estrangeira por meio de seu entreposto no Brasil,

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ainda que não seja formalmente aquela mesma pessoa jurídica ou agência ou filial. STJ. Corte Especial. HDE
410-EX, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 20/11/2019 (Info 661).

 AÇÃO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS

É admissível o ajuizamento da ação de exibição de documentos, de forma autônoma, na vigência do


CPC/2015. Admite-se o ajuizamento de ação autônoma para a exibição de documento, com base nos arts. 381
e 396 e seguintes do CPC, ou até mesmo pelo procedimento comum, previsto nos arts. 318 e seguintes do
CPC. STJ. 3ª Turma. REsp 1.803.251-SC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 22/10/2019 (Info 660).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.774.987-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 08/11/2018 (Info 637).

 EXECUÇÃO FISCAL

i) o prazo de redirecionamento da Execução Fiscal, fixado em cinco anos, contado da diligência de


citação da pessoa jurídica, é aplicável quando o referido ato ilícito, previsto no art. 135, III, do CTN, for
precedente a esse ato processual; ii) a citação positiva do sujeito passivo devedor original da obrigação
tributária, por si só, não provoca o início do prazo prescricional quando o ato de dissolução irregular for a ela
subsequente, uma vez que, em tal circunstância, inexistirá, na aludida data (da citação), pretensão contra os
sócios-gerentes (conforme decidido no REsp 1.101.728/SP, no rito do art. 543-C do CPC/1973, o mero
inadimplemento da exação não configura ilícito atribuível aos sujeitos de direito descritos no art. 135 do CTN).
O termo inicial do prazo prescricional para a cobrança do crédito dos sócios-gerentes infratores, nesse
contexto, é a data da prática de ato inequívoco indicador do intuito de inviabilizar a satisfação do crédito
tributário já em curso de cobrança executiva promovida contra a empresa contribuinte, a ser demonstrado
pelo Fisco, nos termos do art. 593 do CPC/1973 (art. 792 do novo CPC - fraude à execução), combinado com o
art. 185 do CTN (presunção de fraude contra a Fazenda Pública); e, iii) em qualquer hipótese, a decretação da
prescrição para o redirecionamento impõe seja demonstrada a inércia da Fazenda Pública, no lustro que se
seguiu à citação da empresa originalmente devedora (REsp 1.222.444/RS) ou ao ato inequívoco mencionado
no item anterior (respectivamente, nos casos de dissolução irregular precedente ou superveniente à citação
da empresa), cabendo às instâncias ordinárias o exame dos fatos e provas atinentes à demonstração da prática
de atos concretos na direção da cobrança do crédito tributário no decurso do prazo prescricional. STJ. 1ª

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Seção. REsp 1.201.993-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 08/05/2019 (recurso repetitivo - Tema 444)
(Info 662).

 PROCESSO COLETIVO

O Ministério Público Federal possui legitimidade para propor ação civil pública a fim de debater a
cobrança de encargos bancários supostamente abusivos praticados por instituições financeiras privadas. Ex:
ação civil pública ajuizada pelo MPF contra diversos bancos privados pedindo para que seja declarada abusiva
a cobrança da tarifa bancária pela emissão de cheque de baixo valor. As atividades desenvolvidas pelas
instituições financeiras, sejam elas públicas ou privadas, estão subordinadas ao conteúdo de normas
regulamentares editadas por órgãos federais e de abrangência nacional. Logo, o cumprimento dessas normas
por parte dos bancos é um tema de interesse nitidamente federal, suficiente para conferir legitimidade ao
Ministério Público Federal para o ajuizamento da ação civil pública. STJ. 3ª Turma. REsp 1.573.723-RS, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 10/12/2019 (Info 662). #IMPORTANTE

8 - TRIBUTÁRIO:

 PIS/COFINS

Existe direito de creditamento de PIS/PASEP e COFINS em caso de ICMS-ST? O contribuinte


substituído do ICMS tem direito de creditamento de PIS e COFINS, na forma do art. 3º das Leis nºs
10.637/2002 e 10.833/2003, sobre os valores recolhidos pelo contribuinte substituto no regime de
substituição tributária “para frente”? 1ª Turma do STJ: SIM É possível o desconto de créditos existentes de
contribuição ao PIS e da COFINS, pelo contribuinte substituído, sobre o ICMS recolhido pelo substituto, no
regime de substituição tributária progressiva do imposto estadual (ICMS-ST), na aquisição de bens para
revenda. STJ. 1ª Turma. REsp 1.428.247-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa,
julgado em 15/10/2019 (Info 659). 2ª Turma do STJ: NÃO O contribuinte não tem direito a creditamento, no
âmbito do regime não cumulativo das contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS, dos valores que, na condição
de substituído tributário, paga ao substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS-ST. STJ. 2ª
Turma. REsp 1.456.648-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2/6/2016 (Info 586)

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 IR

Não tendo participado do fato gerador do tributo, a declaração conjunta de imposto de renda não
torna o cônjuge corresponsável pela dívida tributária dos rendimentos percebidos pelo outro. Exemplo
hipotético: João e Carla são casados. Eles fizeram uma declaração conjunta do imposto de renda. Ocorre que
não se declarou que Carla recebeu R$ 10 mil por serviços prestados para uma determinada empresa. Houve,
portanto, omissão de rendimentos recebidos. Ao detectar a omissão, a Receita Federal fez lançamento de auto
de infração contra Carla e João. Não poderia ter feito contra João. O fato gerador (renda auferida com os
serviços prestados) foi praticado apenas pela mulher. Logo, o marido não pode ser considerado como
solidariamente obrigado. STJ. 1ª Turma. REsp 1.273.396-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
05/12/2019 (Info 662).

O imposto de renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de
renda ou de proventos de qualquer natureza. Renda, para fins de incidência tributária, pressupõe acréscimo
patrimonial ao longo de determinado período, ou seja, riqueza nova agregada ao patrimônio do contribuinte.
A quota condominial é a obrigação mensal imposta a todos os condôminos para cobrir gastos necessários à
manutenção de um condomínio. Trata-se, portanto, de uma despesa, um encargo que é suportado pelos
condôminos. Assim, a dispensa do pagamento das taxas condominiais concedida ao síndico pelo trabalho por
ele exercido não pode ser considerada como pró-labore, rendimento nem tampouco como acréscimo
patrimonial. Logo, não está sujeita à incidência do imposto de renda, sob pena, inclusive, de violar o princípio
da capacidade contributiva. Quando o síndico deixa de pagar a quota condominial não há uma alteração entre
o patrimônio preexistente e o novo. Não há o ingresso de riqueza nova em seu patrimônio que justifique a
inclusão do valor correspondente à sua quota condominial como ganho patrimonial na apuração anual de
rendimentos tributáveis. STJ. 1ª Turma. REsp 1.606.234-RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
05/12/2019 (Info 662).

 ICMS

A norma do art. 20, § 6º, I, da LC 87/96 não confere o crédito a quem promove as saídas isentas, mas
ao contribuinte que adquire os produtos agropecuários ao abrigo da isenção A exceção prevista no art. 20, §

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6º, I, da LC 87/96, que permite a manutenção de créditos nas operações que envolvem produtos
agropecuários, não é destinada àquele que realiza a venda contemplada pela isenção, mas ao contribuinte da
etapa posterior, que adquire a mercadoria isenta do imposto e que tem a sua operação de saída normalmente
tributada. STJ. 1ª Turma. REsp 1.643.875-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 19/11/2019 (Info 663). Obs:
existem julgados da 2ª Turma do STJ concedendo o direito à compensação, mas sem enfrentar com
profundidade esse argumento acima exposto. Nesse sentido: STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1606333/RS, Rel.
Min. Herman Benjamin, julgado em 02/02/2017. Para fins de prova, por enquanto, recomendo a adoção do
entendimento manifestado pela 1ª Turma e divulgado no Info 663 do STJ.

 TAXA

O STF declarou a inconstitucionalidade de Lei do Estado do Amapá, que instituiu a Taxa de Controle,
Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Exploração e Aproveitamento de Recursos Hídricos (TFRH).
A Corte entendeu que o valor cobrado é muito superior em relação ao custo da atividade estatal relacionada
(fiscalização das empresas que exploram recursos hídricos). Logo, não há proporcionalidade entre o custo da
atividade estatal e o valor que será pago pelos particulares pela taxa. Isso viola as características da taxa, que é
um tributo orientado pelo princípio da retributividade e que possui caráter contraprestacional e sinalagmático.
Além disso, a lei previa que apenas 30% dos valores arrecadados com a taxa seriam utilizados em atividades
relacionadas com a política de recursos hídricos e os 70% restantes iriam para a conta única do Tesouro
Estadual. Isso demonstra o caráter arrecadatório desta taxa. Por fim, ao onerar excessivamente as empresas
que exploram recursos hídricos, a referida taxa adquiriu feições verdadeiramente confiscatórias, dificultando,
ou mesmo inviabilizando, o desenvolvimento da atividade econômica. Houve, portanto, violação ao que prevê
o art. 150, IV, da CF/88, que proíbe que os tributos sejam utilizados com efeito de confisco. STF. Plenário. ADI
6211/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 4/12/2019 (Info 962).

 PRESCRIÇÃO

O simples ajuizamento de ação declaratória de inexigibilidade tributária não é suficiente para impedir
a cobrança judicial do tributo que a Fazenda Pública entende devido. A sentença de procedência na ação
declaratória de inexigibilidade tributária, por si só, também não é suficiente para impedir a cobrança do
tributo. Por falta de previsão legal, a sentença favorável ao sujeito passivo impugnada por apelação da

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Fazenda Pública não suspende a exigibilidade do crédito tributário. Isso porque a apelação, neste caso, é um
recurso dotado de efeito suspensivo. Por outro lado, se a Fazenda Pública recorre e o Tribunal prolata acórdão
confirmando a sentença favorável ao contribuinte, esta decisão produz efeitos desde logo, infirmando a
certeza do correspondente crédito inscrito em dívida ativa e, por conseguinte, impedindo o ajuizamento da
execução fiscal. Por fim, se o Fisco conseguir anular ou reformar esse acórdão do Tribunal de 2ª instância, ele
volta a ter a possibilidade de cobrar o tributo. Depois de anulado ou reformado o aludido acórdão e, não
ocorrendo nenhuma causa de suspensão de exigibilidade (art. 151 do CTN), o Fisco estará autorizado a fazer a
cobrança do crédito tributário. Logo, com o trânsito em julgado desta decisão que anulou ou reformou o
acórdão inicia-se a contagem da prescrição para o ajuizamento da execução fiscal. STJ. 1ª Turma. AREsp
1.280.342-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/10/2019 (Info 660).

 IMUNIDADE

Tese fixada no RE 566622 – Tema 32: Redação original: Os requisitos para o gozo de imunidade hão de
estar previstos em lei complementar. Redação modificada após embargos de declaração: A lei complementar é
forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social
contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a
serem por elas observadas. STF. Plenário. RE 566622/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/2/2017
(repercussão geral – Tema 32) (Info 855). STF. Plenário. RE 566622 ED/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/
o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 18/12/2019 (Info 964).

De acordo com o art. 149, § 2º, I, da CF/88, as contribuições sociais e de intervenção no domínio
econômico não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação. Trata-se de imunidade tributária criada
com o objetivo de incentivar as exportações. Se o fabricante ou produtor brasileiro faz a exportação por
intermédio de uma empresa exportadora intermediária (ex: trading company), incide igualmente a imunidade
tributária? Incide a imunidade tributária no caso de operações indiretas de exportação? SIM. A norma
imunizante contida no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal alcança as receitas decorrentes de
operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação negocial de sociedade exportadora
intermediária. STF. Plenário. ADI 4735/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/2/2020 (Info 966).
STF. Plenário. RE 759244/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 12/2/2020 (repercussão geral – Tema 674).

 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA

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É inconstitucional lei estadual que disciplina a responsabilidade de terceiros por infrações de forma
diversa da matriz geral estabelecida pelo Código Tributário Nacional (CTN). Há, neste caso, uma
inconstitucionalidade formal. Ao ampliar as hipóteses de responsabilidade de terceiros por infrações, prevista
pelos arts. 134 e 135 do CTN, ou tratar sobre o tema de maneira diferente, a lei estadual invade competência
do legislador complementar federal para estabelecer as normas gerais na matéria (art. 146, III, “b”, da CF/88).
Caso concreto: é inconstitucional lei estadual que atribui responsabilidade tributária solidária por infrações a
toda pessoa que concorra ou intervenha, ativa ou passivamente, no cumprimento da obrigação tributária,
especialmente a advogado, economista e correspondente fiscal. STF. Plenário. ADI 4845/MT, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 13/2/2020 (Info 966).

9 - EMPRESARIAL:

 FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

O síndico (atual administrador judicial) é responsável pela prestação de contas da massa falida ao juízo
a partir do momento de sua nomeação, incluídos os atos realizados pelo gerente na continuidade provisória
das atividades. Esse gerente, que desempenhará funções específicas relacionadas ao comércio dos bens, ficará
sob a imediata fiscalização do síndico, cabendo, ao final, prestar contas de tudo que fez ao síndico. Logo, o
síndico é também responsável pelos atos realizados pelo gerente na continuidade provisória das atividades,
devendo prestar contas disso ao juiz. STJ. 4ª Turma. REsp 1.487.042-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
em 05/12/2019 (Info 663). Obs: a Lei nº 11.101/2005 não mais utiliza a expressão “síndico”, chamando agora
de “administrador judicial”. Obs2: o caso acima foi apreciado com base na antiga Lei de Falências (DL
7.661/1945), no entanto, a solução seria a mesma no atual diploma (Lei nº 11.101/2005).

O Juízo da recuperação é competente para avaliar se estão presentes os requisitos para a concessão
de tutela de urgência objetivando antecipar o início do stay period ou suspender os atos expropriatórios
determinados em outros juízos, antes mesmo de deferido o processamento da recuperação. STJ. 2ª Seção. CC
168.000-AL, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/12/2019 (Info 663).

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Compete ao Juízo falimentar decidir sobre os bens do falido dados em garantia em favor de sociedade
empresária em recuperação judicial ainda que pendente decisão no juízo arbitral sobre eventual
descumprimento de obrigações entre as partes. STJ. 2ª Seção. CC 166.591-SP, Rel. Min. Antonio Carlos
Ferreira, julgado em 23/10/2019 (Info 659).

É imprescindível a verificação da natureza onerosa ou gratuita do aval prestado, antes do pedido de


recuperação judicial por sociedade empresária, para que se determine se a garantia se sujeita ou não ao
processo de soerguimento A empresa “J” tomou dinheiro emprestado junto a um banco e a empresa “E” foi
avalista. Antes do vencimento, a empresa “E” entrou em recuperação judicial. Esse crédito do banco deverá
ser habilitado na recuperação judicial e poderá ser cobrado da empresa “E” (avalista)? Depende. O art. 5º, I, da
Lei nº 11.101/2005 preconiza: Art. 5º Não são exigíveis do devedor, na recuperação judicial ou na falência: I –
as obrigações a título gratuito; Esse art. 5º, I, tem como objetivo impedir que o devedor, já com dificuldades
para adimplir dívidas decorrentes de obrigações de natureza onerosa, seja também compelido a satisfazer
aquelas pelas quais não recebera qualquer contrapartida, circunstância que implicaria quebra de isonomia e
prejuízo a quem se tornou credor e cumpriu, a contento, a contraprestação respectiva. Assim, será necessário
verificar se esse aval prestado pela empresa teve natureza onerosa ou gratuita, para que se determine se a
garantia se sujeita ou não ao processo de recuperação judicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.829.790-RS, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 19/11/2019 (Info 661).

Os encargos derivados de adiantamento de contratos de câmbio se submetem aos efeitos da


recuperação judicial da devedora Adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC) é um serviço por meio do
qual o banco faz a antecipação de recursos para o exportador, em moeda nacional (Reais), enquanto ele não
recebe o dinheiro da exportação. Os encargos derivados de adiantamento de contratos de câmbio se
submetem aos efeitos da recuperação judicial da devedora. O exportador que celebrou um ACC terá que,
depois de um tempo que for combinado, devolver ao banco os recursos que a ele foram adiantados. Ocorre
que, além da quantia principal adiantada, o exportador também terá que pagar outros valores acessórios,
como juros, multa, taxas etc. • Os valores relacionados com adiantamento a contrato de câmbio não se
sujeitam aos efeitos da falência, por força do § 4º do art. 49 da Lei nº 11.101/2005. São considerados créditos
extraconcursais. • Por outro lado, os ENCARGOS derivados de adiantamento de contratos de câmbio:
submetem-se aos efeitos da recuperação judicial da empresa devedora. Isso significa que o banco, para

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receber os encargos, terá que sujeitar esse crédito às regras de pagamento da recuperação judicial. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.810.447-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 661).

Se o credor não requereu a habilitação de seu crédito e o quadro-geral de credores já foi homologado,
a única via que ainda resta para esse credor será pleitear a habilitação por meio de ação judicial autônoma que
tramitará pelo rito ordinário, nos termos do art. 10, § 6º, da LFRE: § 6º Após a homologação do quadro-geral
de credores, aqueles que não habilitaram seu crédito poderão, observado, no que couber, o procedimento
ordinário previsto no Código de Processo Civil, requerer ao juízo da falência ou da recuperação judicial a
retificação do quadro-geral para inclusão do respectivo crédito. Vale ressaltar, no entanto, que essa ação
pedindo a habilitação retardatária somente pode ser proposta até a prolação da decisão de encerramento do
processo recuperacional. Desse modo, uma vez encerrada a recuperação judicial, não se pode mais autorizar a
habilitação ou a retificação de créditos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.166-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
10/12/2019 (Info 662).

O art. 48 da Lei nº 11.101/2005 elenca requisitos que deverão ser cumpridos pelo devedor para que
ele possa requerer recuperação judicial. O primeiro requisito é a previsão de que o devedor deverá estar
exercendo regularmente suas atividades há, no mínimo, 2 anos no momento do pedido. O cômputo do
período de dois anos de exercício da atividade econômica, para fins de recuperação judicial, nos termos do art.
48 da Lei nº 11.101/2005, aplicável ao produtor rural, inclui aquele anterior ao registro do empreendedor. O
produtor rural, por não ser empresário sujeito a registro, está em situação regular, mesmo ao exercer
atividade econômica agrícola antes de sua inscrição, por ser esta, para ele, facultativa. Assim, para o
empreendedor rural, o registro, por ser facultativo, tem o efeito constitutivo de equipará-lo, para todos os
efeitos, ao empresário sujeito a registro, sendo tal efeito apto a retroagir (ex tunc), pois a condição regular de
empresário já existia antes mesmo do registro. Logo, para cumprir os 2 anos exigidos por lei, o produtor rural
pode aproveitar o período anterior ao registro, pois já naquela época ele estava exercendo regularmente
atividade empresarial. STJ. 4ª Turma. REsp 1.800.032-MT, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min. Raul Araújo,
julgado em 05/11/2019 (Info 664).

 MARCA

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O sistema denominado mailbox consistiu em mecanismo transitório adotado para salvaguarda de
pedidos de patentes relacionadas a produtos farmacêuticos e produtos agroquímicos, cuja tutela jurídica
resultou da internalização no País, em 1/1/1995, do Acordo TRIPS (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de
Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio). Tratando-se de patentes excepcionalmente requeridas
pelo sistema mailbox, a Lei de Propriedade Industrial, em suas disposições finais e transitórias, estabeleceu
regra expressa assegurando proteção, a partir da data da respectiva concessão, limitada ao prazo
remanescente previsto no caput do seu art. 40 (20 anos contados do dia do depósito). Assim, o legislador
afastar a possibilidade de incidência do prazo excepcional do parágrafo único do art. 40 (10 anos a partir da
concessão). STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.910-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

 TÍTULOS DE CRÉDITO

DUPLICATA. O § 1º do art. 2º da Lei nº 5.474/68 prevê as informações que deverão constar em uma
duplicata. Uma das informações que deve obrigatoriamente constar na duplicata é o número da fatura (inciso
II). Se na duplicata constou o número errado da fatura, isso invalida o título, tornando-o inexigível. Isso porque
o número da fatura é requisito legal da duplicata. Assim, em observância ao princípio da literalidade, a
aposição de número incorreto da fatura na duplicata invalida o título de crédito, retirando-lhe a exigibilidade
executiva extrajudicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.601.552-PE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
05/11/2019 (Info 660).

 REPRESENTANTE COMERCIAL

A representação comercial autônoma é uma espécie de contrato segundo o qual uma determinada
pessoa (física ou jurídica) chamada de “representante” compromete-se a ir em busca de interessados que
queiram adquirir os produtos ou serviços prestados por uma empresa, designada “representada”. O art. 27,
“j”, da Lei nº 4.886/65 prevê que o representado deverá pagar uma indenização ao representante em caso de
rescisão imotivada, cujo montante não poderá ser inferior a 1/12 do total da retribuição auferida durante o
tempo em que exerceu a representação. O valor dessa indenização pode ser pago antecipadamente, diluído
no contrato de representação comercial? NÃO. É nula a cláusula que prevê o pagamento antecipado da
indenização devida ao representante comercial no caso de rescisão injustificada do contrato pela
representada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.831.947-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/12/2019 (Info 662).

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10 –CONSUMIDOR:

 RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO

À luz do art. 14, caput e § 1º, do CDC, o fornecedor responde de forma objetiva, ou seja,
independentemente de culpa, pelos danos causados por defeito na prestação do serviço, que se considera
defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar. Em se tratando da
realização de exames médicos laboratoriais, tem-se por legítima a expectativa do consumidor quanto à
exatidão das conclusões lançadas nos laudos respectivos, de modo que eventual erro de diagnóstico de
patologia ou equívoco no atestado de determinada condição biológica implica defeito na prestação do serviço,
a atrair a responsabilidade objetiva do laboratório. O simples fato do resultado negativo do exame de DNA
agride, ainda, de maneira grave, a honra e reputação da mãe, ante os padrões culturais que, embora
estereotipados, predominam socialmente. Basta a ideia de que a mulher tenha tido envolvimento sexual com
mais de um homem, ou de que não saiba quem é o pai do seu filho, para que seja questionada sua
honestidade e moralidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.700.827-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
05/11/2019 (Info 660).

 PLANO DE SAÚDE

A operadora do plano de saúde tem o dever de custear as despesas de acompanhante do paciente


idoso no caso de internação hospitalar. Fundamento: art. 16 do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) e art.
22 da Resolução Normativa nº 428/2017, da ANS. STJ. 3ª Turma. REsp 1.793.840-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

Aplica-se a Lei nº 9.656/98 à pessoa jurídica de direito público de natureza autárquica que presta
serviço de assistência à saúde de caráter suplementar aos servidores municipais. Considerando que o caput do
art. 1º faz menção expressa às pessoas jurídicas de direito privado, pode-se interpretar que a escolha do termo
“entidade” no § 2º teve por objetivo ampliar a aplicação da lei para todas as pessoas jurídicas que prestam os
serviços de assistência à saúde suplementar, até porque não faria sentido a utilização de termos distintos. STJ.

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3ª Turma. REsp 1.766.181-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
03/12/2019 (Info 662).

 COMPRA E VENDA DE IMÓVEL

No caso de resolução de contrato por atraso na entrega de imóvel além do prazo de tolerância, por
culpa da incorporadora, o termo ad quem dos lucros cessantes é a data do trânsito em julgado. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.807.483-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 08/10/2019 (Info 661). Observação 1: Se
o contrato contiver uma cláusula prevendo multa em caso de atraso na entrega do imóvel (cláusula penal
moratória), a construtora pagará apenas a multa, não podendo ser cumulada com lucros cessantes. Nesse
sentido: A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação e,
em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes. STJ. 2ª
Seção. REsp 1.498.484-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/05/2019 (recurso repetitivo) (Info
651). Observação 2: Em 28/12/2018, entrou em vigor a Lei nº 13.786/2018, que dispõe sobre a resolução do
contrato por inadimplemento do adquirente de unidade imobiliária. A Lei nº 13.786/2018 acrescentou o art.
43-A na Lei nº 4.591/64 para tratar sobre o inadimplemento (parcial ou absoluto) em contratos de compra e
venda, promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de unidades autônomas integrantes de
incorporação imobiliária ou de loteamento. O entendimento acima exposto REsp 1.807.483-DF só se aplica
para os contratos celebrados antes da vigência da Lei nº 13.786/2018. As regras da Lei nº 13.786/2018 não
podem ser aplicadas aos contratos anteriores à sua vigência.

 COBRANÇA JUDICIAL INDEVIDA

Em caso de cobrança judicial indevida, é possível aplicar a sanção prevista no art. 940 do Código Civil
mesmo sendo uma relação de consumo. O art. 940 do CC e o art. 42 do CDC incidem em hipóteses diferentes,
tutelando, cada um deles, uma situação específica envolvendo a cobrança de dívidas pelos credores. Mesmo
diante de uma relação de consumo, se inexistentes os pressupostos de aplicação do art. 42, parágrafo único,
do CDC, deve ser aplicado o sistema geral do Código Civil, no que couber. O art. 940 do CC é norma
complementar ao art. 42, parágrafo único, do CDC e, no caso, sua aplicação está alinhada ao cumprimento do
mandamento constitucional de proteção do consumidor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.645.589-MS, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

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 BANCOS DE DADOS E CADASTRO DE CONSUMIDORES

Configura dano moral in re ipsa a ausência de comunicação acerca da disponibilização/comercialização


de informações pessoais em bancos de dados do consumidor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.799-MG, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 12/11/2019 (Info 660).

 PUBLICIDADE ENGANOSA

A ausência de informação relativa ao preço, por si só, não caracteriza publicidade enganosa. Para a
caracterização da ilegalidade omissiva, a ocultação deve ser de qualidade essencial do produto, do serviço ou
de suas reais condições de contratação, considerando, na análise do caso concreto, o público alvo do anúncio
publicitário. STJ. 4ª Turma. REsp 1.705.278-MA, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 19/11/2019 (Info
663).

11 – PREVIDENCIÁRIO:

 PREVIDÊNCIA PRIVADA

A decretação de intervenção federal em entidade de previdência complementar implica a suspensão


do cumprimento de sentença O art. 44 da LC 109/2001 prevê a possibilidade de intervenção estatal na
entidade de previdência complementar que não estiver desempenhando corretamente suas atividades. Essa
intervenção é realizada pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), que é uma
autarquia federal. A intervenção feita nas entidades de previdência complementar é regida pela LC 109/2001
e, subsidiariamente, pela Lei nº 6.024/74 (diploma que disciplina intervenção do BACEN nas instituições
financeiras). O art. 6º, I, da Lei nº 6.024/74 prevê que, nas hipóteses de intervenção, haverá a suspensão da
exigibilidade das obrigações vencidas, o que gera também a suspensão das execuções. Logo, a decretação de
intervenção federal em entidade de previdência complementar implica a suspensão do cumprimento de
sentença. STJ. 3ª Turma. REsp 1.796.664-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/11/2019 (Info 661).

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 REAFIRMAÇÃO DA DER

É possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que


implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o
ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493
e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. STJ. 1ª Seção. REsp 1.727.064-SP, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 23/10/2019 (recurso repetitivo - Tema 995) (Info 661).
#IMPORTANTECONCURSOSFEDERAIS

 DESAPOSENTAÇÃO

Não há, por ora, previsão legal do direito à 'desaposentação' ou à ‘reaposentação’, sendo
constitucional a regra do art. 18, § 2º, da Lei nº 8.213/91 Em 2016, o STF decidiu que não há previsão legal do
direito à “desaposentação”. Depois da decisão do STF começaram a ser propostas ações alegando que o
Supremo havia decidido apenas sobre a desaposentação, mas não sobre a reaposentação. • Desaposentação:
o segurado, mesmo depois de se aposentar, continua trabalhando e pagando contribuições previdenciárias.
Depois de algum tempo nessa situação, ele renuncia à aposentadoria que recebe e pede para somar o tempo
que contribuiu antes e depois da aposentadoria com o objetivo de requerer uma nova aposentadoria, desta
vez mais vantajosa. • Reaposentação: o segurado, mesmo depois de se aposentar, continua trabalhando e
pagando contribuições previdenciárias. Depois de algum tempo nessa situação, ele renuncia à aposentadoria
que recebe e pede para que seja concedida uma nova aposentadoria utilizando unicamente o tempo de
contribuição posterior à primeira aposentadoria. Os Ministros entenderam que o STF já rejeitou a hipótese de
reaposentação no primeiro julgamento ocorrido em 2016. No entanto, para evitar dúvidas, o STF resolveu
alterar a tese anterior para deixar isso mais claro: Tese original: No âmbito do Regime Geral de Previdência
Social - RGPS, somente lei pode criar benefícios e vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão
legal do direito à “desaposentação”, sendo constitucional a regra do art. 18, § 2º, da Lei 8.213/1991. Tese
modificada: No âmbito do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, somente lei pode criar benefícios e
vantagens previdenciárias, não havendo, por ora, previsão legal do direito à 'desaposentação' ou à
‘reaposentação’, sendo constitucional a regra do art. 18, § 2º, da Lei nº 8.213/1991. Por outro lado, o STF deu
parcial provimento aos embargos declaratórios para: • dizer que são irrepetíveis os valores alimentares

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recebidos de boa-fé por segurados beneficiados com desaposentação ou reaposentação, até a proclamação do
resultado. • garantir o direito daqueles que usufruem de “desaposentação” ou de “reaposentação” em
decorrência de decisão transitada em julgado, até a proclamação do resultado do julgamento dos embargos
de declaração (06/02/2020). STF. Plenário. RE 381367 ED/RS e RE 827833 ED/SC, rel. orig. Min. Dias Toffoli,
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/2/2020 (repercussão geral) (Info 965).

 SALÁRIO DE BENEFÍCIO

Aplica-se a regra definitiva prevista no art. 29, I e II, da Lei nº 8.213/91, na apuração do salário de
benefício, quando mais favorável do que a regra de transição contida no art. 3º da Lei nº 9.876/99, aos
segurados que ingressaram no Regime Geral da Previdência Social até o dia anterior à publicação da Lei nº
9.876/99. STJ. 1ª Seção. REsp 1.596.203-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 11/12/2019
(recurso repetitivo - Tema 999) (Info 662). Obs: na prática forense, isso ficou conhecido como “revisão da vida
toda”.

12- DIREITO AMBIENTAL

 AÇÃO POPULAR

Em 2019, houve o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério, localizada em Brumadinho


(MG). O rompimento resultou em um terrível desastre ambiental e humanitário. Felipe, na condição de
cidadão, ajuizou ação popular contra a União, o Estado de Minas Gerais e a Vale S.A., pedindo para que os réus
fossem condenados a recuperar o meio ambiente degradado, pagar indenização pelos danos causados e pagar
multa por dano ambiental. Como Felipe mora em Campinas (SP), ele ajuizou a ação no foro de seu domicílio e
a demanda foi distribuída para a 2ª Vara Federal de Campinas (SP). Ocorre que na 17ª Vara Federal de Minas
Gerais existem ações individuais, ações populares e ações civis públicas tramitando contra os mesmos réus e
envolvendo pedidos semelhantes a essa ação popular ajuizada em Campinas. Quem é competente para julgar
esta ação popular: o juízo do domicílio do autor ou o juízo do local em que se consumou o ato danoso? O juízo
do local onde se consumou o dano (17ª Vara Federal de Minas Gerais). Regra geral: em regra, o autor pode
ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio, mesmo que o dano tenha ocorrido em outro local. Isso porque

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como a ação popular representa um direito político fundamental, deve-se facilitar o seu exercício. Exceção: o
STJ entendeu que o caso concreto envolvendo Brumadinho era excepcional com inegáveis peculiaridades que
impõem a adoção de uma solução diferente para evitar tumulto processual em uma situação de enorme
magnitude social, econômica e ambiental. Assim, para o STJ é necessário superar, excepcionalmente, a regra
geral. Entendeu-se que seria necessário adotar uma saída pragmática para permitir uma resposta do Poder
Judiciário aos que sofrem os efeitos desta grande tragédia. A regra geral do STJ deve ser usada quando a ação
popular for isolada. Contudo, no caso de Brumadinho havia uma ação popular em Campinas (SP) competindo e
concorrendo com várias outras ações populares e ações civis públicas, bem como com centenas, talvez
milhares, de ações individuais tramitando em MG, razão pela qual, em se tratando de competência
concorrente, deve ser eleito o foro do local do fato. Em face da magnitude econômica, social e ambiental do
caso concreto, é possível a fixação do juízo do local do fato para o julgamento de ação popular que concorre
com diversas outras ações individuais, populares e civis públicas decorrentes do mesmo dano ambiental. STJ.
1ª Seção. CC 164.362-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12/06/2019 (Info 662).

 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA

Para que haja a apreensão de veículo utilizado na prática de infração ambiental não é necessário que
se comprove que o bem era utilizado de forma reiterada ou rotineiramente na prática de ilícitos ambientais
Exigir que a autoridade ambiental comprove que o veículo era utilizado específica, exclusiva, reiterada ou
rotineiramente para a prática de delito ambiental caracteriza verdadeira prova diabólica, o que tornaria letra
morta a legislação que ampara a atividade fiscalizatória. As autoridades ambientais podem apreender veículo
utilizado para a prática de infração ambiental mesmo que este bem seja alugado e quem tenha cometido o
ilícito tenha sido o locatário Ainda que se trate de bem locado ao real infrator, a apreensão do bem é possível.
Não se pode dizer que houve uma injusta restrição ao proprietário (que não deu causa à infração ambiental).
Ao alugar o veículo, o locador assume o risco decorrente da exploração da atividade econômica por ele
exercida. Além disso, seja em razão do conceito legal de poluidor, seja em função do princípio da solidariedade
que rege o direito ambiental, a responsabilidade administrativa pelo ilícito recai sobre quem, de qualquer
forma, contribuiu para a prática da infração ambiental, por ação ou omissão. Ademais, aquele que realiza a
atividade de locação de veículos deve adotar garantias para a prevenção e o ressarcimento dos danos
causados pelo locatário. Não é possível admitir que o Judiciário comprometa a eficácia da legislação ambiental
e impeça a apreensão do veículo tão somente porque o instrumento utilizado no ilícito originou-se de um

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contrato de locação, cessão ou de qualquer outro meio juridicamente previsto. O locador (proprietário) do
bem apreendido tem o direito de se defender administrativamente Após a medida de apreensão, a autoridade
administrativa deverá notificar o proprietário do veículo locado para dar a ele a oportunidade de comprovar a
sua boa-fé antes de decidir sobre a destinação do bem apreendido pela prática de infração ambiental. Cabe ao
proprietário do veículo comprovar sua boa-fé, demonstrando que, pelas circunstâncias da prática envolvida e
apesar de ter tomado as precauções necessárias, não tinha condições de prever a utilização do bem no ilícito
ambiental. A autoridade administrativa deve notificar o proprietário do veículo locado para oportunizar que
comprove a sua boa-fé antes de decidir sobre a destinação do bem apreendido pela prática de infração
ambiental. STJ. 2ª Turma. AREsp 1.084.396-RO, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 19/09/2019 (Info 659)

13- ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

 CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA DOS PROGRAMAS DE RÁDIO E TV

Importante! Emissora de TV pode ser condenada ao pagamento de indenização por danos morais
coletivos em razão da exibição de filme fora do horário recomendado pelo Ministério da Justiça. Segundo
decidiu o STF, é inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado” contida no art. 254 do ECA.
Assim, o Estado não pode determinar que os programas somente possam ser exibidos em determinados
horários. Isso seria uma imposição, o que é vedado pelo texto constitucional por configurar censura. O Poder
Público pode apenas recomendar os horários adequados. A classificação dos programas é indicativa (e não
obrigatória) (STF. Plenário. ADI 2404/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/8/2016). Vale ressaltar, no
entanto, que a liberdade de expressão, como todo direito ou garantia constitucional, exige responsabilidade
no seu exercício, de modo que as emissoras deverão resguardar, em sua programação, as cautelas necessárias
às peculiaridades do público infantojuvenil. Logo, a despeito de ser a classificação da programação apenas
indicativa e não proibir a sua veiculação em horários diversos daquele recomendado, cabe ao Poder Judiciário
controlar eventuais abusos e violações ao direito à programação sadia, previsto no art. 221 da CF/88. Diante
disso, é possível, ao menos em tese, que uma emissora de televisão seja condenada ao pagamento de
indenização por danos morais coletivos em razão da exibição de filme fora do horário recomendado pelo
órgão competente, desde que fique constatado que essa conduta afrontou gravemente os valores e interesses
coletivos fundamentais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.463-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
19/11/2019 (Info 663).

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 PODER FAMILIAR

A existência de vínculo familiar ou de parentesco não constitui requisito para a legitimidade ativa do
interessado na requisição da medida de perda ou suspensão do poder familiar. O art. 155 do ECA prevê o
seguinte: Art. 155. O procedimento para a perda ou a suspensão do poder familiar terá início por provocação
do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse. O legislador ordinário não definiu o que seria esse
“'legítimo interesse” nem fixou requisitos rígidos para a legitimação ativa desta ação. Trata-se, portanto, de
conceito jurídico indeterminado, preceito de lei comumente chamado de “aberto”. Não se trata de uma
omissão do legislador, mas sim de uma consciente opção legislativa. O objetivo do legislador foi o de permitir
que o intérprete analise, no caso concreto, o princípio do melhor interesse da criança e sua proteção integral.
Em virtude disso, o legítimo interesse para o pedido de perda ou suspensão do poder familiar, referido pelo
art. 155 do ECA, deve ser analisado com prudência, a partir do caso concreto. STJ. 4ª Turma. REsp 1.203.968-
MG, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 10/10/2019 (Info 659).

Mãe biológica pode se opor à ação de guarda de sua filha mesmo que já tenha perdido o poder
familiar em ação proposta pelo MP com esse objetivo A mãe biológica detém legitimidade para recorrer da
sentença que julgou procedente o pedido de guarda formulado por casal que exercia a guarda provisória da
criança, mesmo se já destituída do poder familiar em outra ação proposta pelo Ministério Público e já
transitada em julgado. O fato de a mãe biológica ter sido destituída, em outra ação, do poder familiar em
relação a seu filho, não significa, necessariamente, que ela tenha perdido a legitimidade recursal na ação de
guarda. Para a mãe biológica, devido aos laços naturais, persiste o interesse fático e jurídico sobre a criação e
destinação da criança, mesmo após destituída do poder familiar. Assim, enquanto não cessado o vínculo de
parentesco com o filho, através da adoção, que extingue definitivamente o poder familiar dos pais biológicos,
é possível a ação de restituição do poder familiar, a ser proposta pelo legítimo interessado, no caso, os pais
destituídos do poder familiar. STJ. 4ª Turma. REsp 1.845.146-ES, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 19/11/2019
(Info 661).

14- ELEITORAL:

 PRESTAÇÃO DE CONTAS

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O STF julgou parcialmente procedente ADI para conferir interpretação conforme à Constituição às
normas do art. 47, caput e § 2º, da Res./TSE 23.432/2014; do art. 48, caput e §2º, da Res./TSE 23.546/2017; e
do art. 42, caput, da Res./TSE 23.571/2018, afastando qualquer interpretação que permita que a sanção de
suspensão do registro ou anotação do órgão partidário regional ou municipal seja aplicada de forma
automática, como consequência da decisão que julga as contas não prestadas, assegurando que tal penalidade
somente pode ser aplicada após decisão, com trânsito em julgado, decorrente de procedimento específico de
suspensão de registro, conforme o art. 28 da Lei nº 9.096/95. STF. Plenário. ADI 6032 MC-Ref/DF, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 5/12/2019 (Info 962).

15- FINANCEIRO

 RECEITAS PÚBLICAS

O art. 82, § 1º do ADCT permite que os Estados aumentem em até 2% a alíquota do ICMS que é
cobrado sobre produtos e serviços considerados supérfluos. O valor arrecadado com esses 2% a mais deverão
ser destinados exclusivamente ao Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza: Art. 82. Os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios devem instituir Fundos de Combate à Pobreza, com os recursos de que trata
este artigo e outros que vierem a destinar, devendo os referidos Fundos ser geridos por entidades que contem
com a participação da sociedade civil. § 1º Para o financiamento dos Fundos Estaduais e Distrital, poderá ser
criado adicional de até dois pontos percentuais na alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços - ICMS, sobre os produtos e serviços supérfluos e nas condições definidas na lei complementar de que
trata o art. 155, § 2º, XII, da Constituição, não se aplicando, sobre este percentual, o disposto no art. 158, IV,
da Constituição. (...) As receitas provenientes do adicional previsto pelo § 1º do art. 82 do ADCT não podem ser
consideradas para efeito de cálculo da amortização da dívida do Estado (não podem ser incluídas no cálculo da
dívida pública do Estado com a União). Por outro lado, tais recursos devem sim ser considerados para efeito de
cálculo do montante mínimo destinado à saúde e à educação. STF. Plenário. ACO 727/BA, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 13/2/2020 (Info 966).Fucs: Legislação Penal Especial e Crimes Federais: 8. Crimes Contra a
Ordem Tributária.

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