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LEVÍTICO

INTRODUÇÃO
A LEGITIMAÇÃO DA FUNÇÃO SACERDOTAL

Culto sacerdotal e práticas religiosas de Israel e do Judaísmo


Parece ter perdido espaço para a nova aliança. Lendo o livro compreende-se o período
pós-exílico e a ascenção da classe sacerdotal (detentora da mediação - No tempo de Jesus,
controlava o econômico, político, religioso e jurídico. Classe mais atacada pelaradicalidade de
JESUS).

PÓS-EXÍLICO
Vemos aqui Moisés e como deve ser a vida dos libertos do Egito. Ele é o mediador
entre Deus e Araão (sacerdote). Porém foi constituído por volta de 538 a. C. Não foi fácil a
reestruturação dos chefes josué (sacerdote), Zorobabel (Rei), falharam tomando depois o lugar
do sumo sacerdote Araão e seus filhos (8, 1-2).
Assim o Levítico seria estatuto do governo sacerdotal e base da vida nacional.

2º- Na saída do Egito quem libera o povo são os levitas Maoisés e Araão: Eram
igualitários contra os tributários egípcios (Jz 17; 18, 19-20. 27-31). 3º- Monarquia. Após a
conquista do Sul e do Norte, Daví conquista Jerusalém (Poder político e Dinastia sacerdotal).
O Igualitarismo cai, menos no Norte (BETEL - I Reis 12 com o sacerdócio Levítico (Israel) e
ao sul (judá) o sacerdócio sadocita.
Em 722 a. C. caiu o Reino do Norte. O Rei Ezequias tenta salvar isso pela unificação
do alto e não consegue. Os levitas (Ne 13, 29) se unem com os sacerdotes levitas e sadocitas
para esses os organizarem no culto? ou para cooptar o levitismo? o que importa é que o
sacerdócio se fortaleceu e os levitas se tornaram meros funcionários do templo.

IDEOLOGIA DO SECERDOTE MEDIADOS


Foi pelo livro do Levítico que o poder sacerdotal se expandiu tanto . Como justificar
tal poder? Pela idéia do mediador só se vai a Deus pelo pelo sacerdote e vice-versa.

POVO Sacerdote DEUS


PORFANO PONTÍFICE SAGRADO
A Tenda, santuário portátil no deserto, é templo de Jerusalém com divisão de espaço
em 3 partes:
ZONA DO SAGRADO (Santo dos Santos com a arca e o propiciatório).
ZONA DO PROFANO (templo, o pátio e o mundo dentro e fora).
Daí colocar Deus tão longe (Teologia do transcendente) para que só pelo sacerdote se
chegar a Ele.

A CORTINA DO SANTUÁRIO RASGOU-SE...

Mt 27, 51
Esse véu dentro da cortina no santuário significava separação entre Deus e o Mundo.
Quem podia sanar essa separação era só o sacerdote ; dai Jesus é o sacerdote definitivo e o
mundo se tornou o santuário sem diferenciação. A estrutura do livro é a seguinte: Sacrifícios
(1-7); O sacerdócio mediador (8-10); Pureza e inpureza (11-16); O código de santidade (17-
26); O apêndice: O resgate (27). Eles constituem o que podemos chamar de “Manual do
Sacerdote”. Das relações do homem com a divindade; isso faz parte das religiões desde que
não se torne meio de dominação. Sacrifício - fazer o sagrado (tornar sagrado algo); a idéia de
renúncia entra se não se conhecer esse mecanismo. Pela psicologia vemos que nossa parte
espiritual se compõe de consciente, (EGO= 5-10 % da psique), o inconsciente (90-95 %); o
centro da psiquê e o ser em si.

OS SACRIFÍCIOS NO N.T. (1, 1-7, 38)


1-Holocausto (1, 3-17)
OLAH = Sacrifício por excelência; queima de toda a vítima que sobe como a fumaça -
boi, cordeiro, cabrito, aves- a vítima tem que ser perfeita, o que mostra a integridade do
ofertante. Colocar a mão na cabeça da vítima, indica que esta terá a mesma intenção do
ofertante.
IMOLAÇÃO = Talho no pescoço - jugular - onde sai o sangue - vida - da vítima.
A vítima passa do profano ao sagrado. Erão pastores, por isso o sacrifício de animais.
2-Oblação (2, 1-16)
MINEHAH = produtos do solo, só uma parte é queimada sobre o altar, a outra é do
sacerdote. O sal é recomendado (sal da aliança).
Para Deus vão o Sangue e a gordura. Entranhas e figado – sede dos sentimentos e
impulsos. Rins e lombo – reprodução da vida. Jesus é oferecido ao Pai e depois repartido.
4- O sacrifício pelo pecado (4, 1-5, 13. 6,17-23)
Kipper = Exp[iatório. Sana a desordem introduzida na comunidade. O pecado varia de
tamanho, por isso a diferenciação do pecado do sumo sacerdote (4, 3-12) da comunidade (13-
21), de um chefe (22-26) e de um homem do povo (27-35). A diferença é que a vítima é
queimada fora do altar. O centro do sacrifício é o sangue, e se resolvia de acordo com a posse.
5- Sacrifício de reparação (5, 14-26. 7, 1-6)
ASHAM = Semelhante ao sacrifício expiatório (7, 1-6).

O SACRIFÍCIO DEFINITIVO
O sacrifício autêntico depende do interior da pessoa. Daí o Levítico tem grandes
denúncias contra o culto vazio desviado da vida concreta. A prática da justiça era muito
exigida (Is 1, 10-20. Ecle 34s). A crítica no NT leva ao auge essa crítica. É que o único
sacrifício aceito por Deus é a defesa da vida. “Não há maior amor que dar a vida... A justiça
perseguida por Jesus o leva a dar a vida. Jesus morre devido à cultura injusta. Subversivo - At
2, 14-36. Hebreus mostra que Jesus supera os da A. Aliança, sobretudo pelos pecados contra a
justiça. Depois de Jesus o único sacrifício aceito é a prática da justiça.

II. SACERDÓCIO MEDIADOR (8-10)

A CONSAGRAÇÃO SACERDOTAL
Nos capítulos centrais da literatura veterotestamentária, temos aqui a instituição dos
sacerdotes (8), a imaginação do culto (9). A violação do sagrado e a função sacerdotal (10).
Moisés investe Araão e seus filhos da função sacerdotal (narração pós exílica).
Só se sabe que nela vem escrito: Consagrado a Javé (Ex 28, 36-9); tudo isso é ordem
de Javé (8,9). O sacrifício pelo pecado 18, 14-17. Quem preside é Moisés, não existia
monarquia. Os demais sacerdotes só estendem a mão e confirmam depois oferece-se um
holocausto em favor dos sacerdotes (18, 18-21); o 3º sacrifício é para a consagração. Ungia-se
a orelha e o polegar da mão e do pé (propriedade de Javé), por fim temos a aspersão 8,30
(óleo e sangue) mais uma oblação.
O rito durava sete dias (8, 31-36)para que os neo-sacerdotes não saíssem do lugar
sagrado e não se profanassem.

INAUGURAÇÃO DO CULTO (9,1-24)


Após a consagração temos a inauguração do culto: Preparação (1-7), sacrifício pelos
sacerdotes (8-14), sacrifício pelo povo (15-21), benção e teofania (22-24). A Aclamação e
prostração do povo encerram a cerimônia: Javé comunga com o povo. Javé está presente e é
experimentado no acontecimento que promovem a libertação e a posse da terra.

A VIOLAÇÃO DO SAGRADO 910, 1-7


Aqui, Nadab e Abiú oferecem fogo irregular.

FUNÇÕES SACERDOTAIS (10, 8-11)


Além do culto, os sacerdotes devem distinguir entre o sagrado e o profano. Gn 1, 1-2
mostra isso bem. Os sacerdotes conhecendo as leis encaminham a vida das pessoas (Cap 17-
26). Só no tempo de Jesus existiam 613 leis (365 delas eram proibições).

SACERDÓCIO DEFINITIVO
Hebreus supera todo sacerdócio antigo. Mesmo sendo leigo, Jesus se entrega
totalmente à justiça.
“Santo é o que está continuamente fora do profano. Participar do culto é religar-se ao
sagrado.

ANIMAIS PUROS E IMPUROS (11)


O puro se pode comer e o impuro não: Os da terra de casco fendido e ruminam (3), os
da água que teêm barbatana e escamas (9), os do ar que saltam e voam com 2 asas e 2 pernas
e que não comem corpos (13-22). É prevista a oferta dos pobres (8), indica a formação classes
no pós-exílico. Maria pouco têm (Lc 2, 22-38).
Infeções na pele (9-17); manchas brancas e vermelhas (18-23); queimaduras (24-28);
chagas na cabeça e na barba (29-37); calvice (40-44) e depois a norma para os leprosos (43s).
Viverá fora do acampamento ou cidade (Jesus vai até ao leproso –Mc 1, 40ss); mofo nas
roupas (13, 47-59); purificar (14, 21s) e por fim a purificação da casa (14, 33-53)

A IMPUREZA SEXUAL (15)


O Sexo é visto como forma misteriosa e mágica, sempre ligado o sexo com o sagrado,
visto que a vida emerge apartir das relações sexuais. Na menstruação a relação fica proibida.
A mulher da adolescência à menopausa fica escrava do templo, oferecendo sacrifícios
mensais (Hemorroíza – Mc 5, 21-34).

O DIA DO PERDÃO (16) YOM KIPPUR – Dia de


Expiação
Era a maior festa religiosa do ano: O rito do sangue para as pessoas (11-15) para o
santuário e o altar (16-19). O rito do bode expiatório (20-22) e algumas normas (23-28).Aqui
o santuário tem duas partes: O ambiente santo e o santíssimo ou Santo dos Santos separados,
no Santíssimo é somente o sumo sacerdote quem entra e oferece incenso (Nm 7, 89); Asperge
a ARCA DA ALANÇA com o sangue do bode. Na hora do sacrifício com as mãos sobre o
bode, o sumo sacerdote transfere pela confissão os pecados do povo, depois o bode é expulso
para o deserto.
A lei da pureza alimentou o desprezo pela natureza.

DEUS
Sumo Sacerdote TEMPLO Surge já ai um
TEMPLO classismo social e
Levitas e Jerusalém nacionalismo
Jerusalém
sacerdotes Judéia ferrenho comum no
Judéia mundo ocidental
Judeus e homens Samaria
Samaria
Mulheres judias Galiléia
Galiléia
Pagãos Naçõespagãs
pagãs
Nações
Mundo e natureza

Quanto mais perto do templo, mais puro e isso vale para o aspecto geográfico.

IV. CÓDIGO DE SANTIDADE (17-26)

É a parte mais antiga do livro. “sejam santos...19, 2 (ser separado) produzida no tempo
do exílio da babilônia.

SACRALIDADE DA VIDA (17)


O ser recebe o sopro de Deus e o conserva no sangue. Este se refere ao não matar.
Essa deve seguir os costumes prescritos por Javé, são condicionados no Egito e Canaã
pelas relações enfadônicas (na família) de incesto.
UM POVO SANTO COMO SEU DEUS (19)
O centro é o amor ao próximo como a si mesmo (Mt 22, 37-40). Temer Javé é não
oprimir nem explorar o próximo, nem reter seu trabalho (13-14). Fazendo assim os filhos
passam pelo fogo.

PENAS CONTRA O ABUSO SEXUAL (8-21)

MANTER A IDENTIDADE (20, 22-27)


Santidade, identidade, obediência aos estatutos e normas.

A SANTIDADE DOS SACERDOTES (21)


Esse capítulo inaugura a Segunda parte do código onde os materiais se referem ao
culto. Os sacerdotes oferecem o alimento ao seu Deus (6-8), não se misturam, sobretudo com
os mortos (não fazem rituais de luto. Coxos, cegos, atrofiados, deformados ou eunucos, não
podiam ser sacerdotes. Jesus ia atrás desses problemas (Mc 2, 17; Lc 11, 16-21; Mt 25, 31-46.

OS ALIMENTOS SAGRADOS (22)


Normas de pureza para os sacerdotes que comiam os sacrifícios (1-9). Normas de
limite dos contatos das pessoas profanas com tudo o que entrou na esfera do sagrado(10-16).
Os estranhos da família sacerdotal podiam comer das porções sagradas.

AS FESTAS RELIGIOSAS (23)


Temos aqui reunidos cinco calendários do AT (Ex 23, 12-17; 34, 18-23; Nm28-29; Dt
16, 1-17). São contudo festas muito pobre; o sacerdote só é mencionado na oferta do primeiro
feixe.
O SÁBADO Fundado no número 7, é o dia sagrado da semana(23, 3). Já no texto
sacerdotal de Gn 2,1-3 é cósmico. A festa da páscoa e a dos pães sem fermento aparecem em
estreita relação, em datas diferentes (23, 5-8); aquela de cultura pastoril, essa agrícola.
A Festa da OFERTA DO 1º FEIXE (23, 9-14) sem data é a ação de graça pela
colheita inteira.
A Festa da SEMANAS (PENTECOSTES) é agrícola (23, 22; 19, 9s).
A Festa da LUA (23, 23-25) na lua nova do 7º mês. É um memorial a Javé.
A Festa da EXPIAÇÃO (23, 26-32 e Levítico 16.
A Festa das TENDAS ou da colheita (23, 33-36. 39-43).
O RITUAL DAS LÂMPADAS e dos PÃES é um símbolo da presença de Deus e do
povo no santuário. Consumida pelo sacerdotes (I Sm 21, 2-7) e Mc 2, 23-28). Em 24, 17ss a
Lei do Talião: A pessoa sofrerá o mesmo dano que tiver causado ao outro. Nessas
experimentava a providência de Deus e a previdência do homem. Depois de 7 anos no
qüinquagésimo ano. É o ano da recuperação (Dt 15, 12-18). O povo deve escolher. No centro
da fidelidade está a posse ou não da terra.

O RESGATE (27)

Tudo pertence a Javé, o povo só usa. Daí que o sentido das ofertas tem que ser
religioso.