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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DR.

PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO ESTADO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Autos nº: XXX


Embargante: EPITÁFIO DE DEUS

EPITÁFIO DE DEUS, já devidamente qualificada nos autos do


processo de número em epígrafe, cuja parte adversa é a pessoa jurídica
INCORPORADORA MEQUETRÉFI,, também todos devidamente
qualificado, vem, respeitosamente, por seu advogado infra assinado, à
presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. 1.022 do
Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), opor os presentes

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

em face da decisão de fl. X do acórdão X, pelas razões de fato e de


direito a seguir aduzidas.

1. ESCLARECIMENTO INICIAIS

1.1 DO CABIMENTO

Os embargos de declaração, ainda que detestados por alguns dos julgadores, são
cabíveis quando ocorre no julgado contradição, obscuridade, omissão ou com fim de
corrigir erro material.

Conforme palavras do Min. Marco Aurélio do E. STF, verbis:

"Os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas


servem-lhe ao aprimoramento. Ao apreciá-los, o órgão deve fazê-lo com espírito de
compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da
parte em prol do devido processo legal." (STF-2ª Turma, A. I. 163.047-5-PR-AGRG-
EDCL, j. 18.12.95, v. U., DJU 8.3.96, p. 6.223. In Theotônio Negrão. Código de
Processo Civil e Legislação em vigor, 35ª ed., São Paulo: Saraiva, p. 592, 2003.)

No caso em apreço, necessário ressaltar a existência de omissão na falta de


fundamentação específica, motivo pelo qual cabível a oposição do presente embargo,
com fulcro nos arts. 489, § 1º, I e III, e 1.022, II, e parágrafo único, II, CPC.

1.2 DA TEMPESTIVIDADE

Dispõe o Art. 1.023 do CPC que os embargos serão opostos no prazo de 05 dias,
em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou
omissão.

Pois bem, a decisão de fl. X Dos autos foi publicada em XX/XX/XXX,


conforme certidão de publicação de fl.X.
Portanto, tempestivo o presente embargo.

2. DA SÍNTESE PROCESSUAL

A presente demanda iniciou-se com a propositura de ação do recorrente contra a


recorrida, em virtude de atraso na entrega de unidade imobiliária, pleiteando-se lucros
cessantes em razão da demora exacerbada na entrega da unidade imobiliária e danos
morais.

Uma vez que o juízo de primeiro piso, contrariando texto legal, acolheu a
exceção de legitimidade passiva alegada pela recorrida, interpôs-se a apelação da r.
sentença perante o TJRS que, na r. Apelação Cível, manteve integralmente o decisum do
qual se apelou “pelos seus próprios fundamentos”, contrariando disposição
constitucional constante no art. 93, IX, CRFB.

Contra tais fatos é que recorre o recorrente.

3. DA RESPONSABILIZAÇÃO CÍVEL DO INCORPORADOR

Como ressaltado anteriormente, o art. 43, II, da Lei do Condomínio não deixa
margem para a dúvida quando prevê expressamente a responsabilidade do incorporador
pela entrega injustificada do produto.

Tal previsão legal de responsabilidade civil contratual constitui-se como


exigência da ordem jurídica, haja vista não ser possível ao promitente comprador
ingressar contra o construtor no judiciário alegando violação de dispositivo de acordo
bilateral entre as partes uma vez que o comprador não fechou contrato com esse, mas
sim com o incorporador.

Dessa feita, ocorrendo atraso na entrega do imóvel, a responsabilidade recai


sobre o incorporador – o qual, como ressalta a lei, poderá exigir o quantum
indenizatório do construtor, via ação regressa, caso seja dele a culpa.

Nesse sentido, há os seguintes decisi do STJ sobre o assunto:

RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE


IMÓVEL EM CONSTRUÇÃO. ATRASO DA OBRA. ENTREGA APÓS O
PRAZO ESTIMADO. CLÁUSULA DE TOLERÂNCIA. VALIDADE. PREVISÃO
LEGAL. PECULIARIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL. ATENUAÇÃO DE
RISCOS. BENEFÍCIO AOS CONTRATANTES. CDC. APLICAÇÃO
SUBSIDIÁRIA. OBSERVÂNCIA DO DEVER DE INFORMAR. PRAZO DE
PRORROGAÇÃO. RAZOABILIDADE. [Omissis] 2. A compra de um imóvel "na
planta" com prazo e preço certos possibilita ao adquirente planejar sua vida
econômica e social, pois é sabido de antemão quando haverá a entrega das
chaves, devendo ser observado, portanto, pelo incorporador e pelo construtor,
com a maior fidelidade possível, o cronograma de execução da obra, sob pena
de indenizarem os prejuízos causados ao adquirente ou ao compromissário pela
não conclusão da edificação ou pelo retardo injustificado na conclusão da obra
(arts. 43, II, da Lei nº 4.591/1964 e 927 do Código Civil). [Omissis] (REsp
1582318/RJ, Terceira Turma, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Dt. Julg.
12.09.2017, DJe 21.09.2017)
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL CUMULADA
COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO. PROMESSA DE COMPRA E VENDA.
INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA A
DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DA
LEGISLAÇÃO CONSUMERISTA. INTERESSE RECURSAL. AUSÊNCIA.
SUSPENSÃO DO PROCESSO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
SÚMULA 211/STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO AUTORAL. NÃO
CONFIGURAÇÃO. PRETENSÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL POR
DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA. INCORPORADORA E
CONSTRUTORA QUE NÃO TOMARAM TODAS AS CAUTELAS
NECESSÁRIAS E POSSÍVEIS PARA A REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL DO
EMPREENDIMENTO. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. NÃO
CARACTERIZAÇÃO. CULPA DE TERCEIRO. NÃO AFASTAMENTO DA
RESPONSABILIDADE DO AUTOR DIRETO DO DANO. [Omissis] 5. O atraso
na entrega das unidades ao promitente comprador, para ser considerado caso
fortuito ou força maior, deve decorrer de fato inevitável e imprevisível, o que
não ocorreu na hipótese em tela. Incorporadora e construtora que não tomaram
todas as cautelas necessárias e possíveis para o regular licenciamento ambiental de
empreendimento de grande porte em local de notório interesse ambiental. 6. A culpa
de terceiro não exime o autor direto do dano do dever jurídico de indenizar,
mas tão somente lhe assegura o direito de ação regressiva contra o terceiro que
criou a situação determinante do evento lesivo. [Omissis] (REsp 1328901/RJ,
Terceira Turma, Rela. Min. Nancy Andrighi, Dt. Julg. 06.05.2014, DJe 19.05.2014).

DOS PEDIDOS:

Diante das causae petendi acima aduzidas, pede-se a reforma integral do r.


acórdão de forma a reconhecer a procedência dos pedidos do autor e dar-lhes
deferimento de modo a (I) condenar a recorrida ao quantum indenizatório solicitado
anteriormente.

Nesses termos, pede deferimento.

Porto Alegre, 03/12/2020.

Rafael Pinheiro da Rosa


OAB/RS 666.666