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A REVOLUÇÃO DE 30 FOI UMA MUDANÇA DE HEGEMONIA NA ECONOMIA BRASILEIRA, TROCA-SE O

MODELO DE ACUMULAÇÃO AGRÁRIO-EXPORTADOR PELO URBANO-INDUSTRIAL.

Só em 1956 se concretiza, já que nesse ano pela primeira vez a renda industrial superará a agrícola.

Porém, mesmo antes disso é crucial o processo através do qual isso se dará.

Porque se trata da introdução de um novo modo de acumulação, qualitativamente e quantitativamente distinto, que irá
depender de uma realização parcial interna crescente.O processo envolveu:

Nova correlação de forças sociais

Reformulação do aparelho e da ação estatal

Regulação de fatores (Trabalho e preço de trabalho)

Destruindo a regras que inclinavam a economia para o modelo agroexportador – Penalizando custos e
rendimentos dessa produção, seja confiscando lucros parciais (Café) ou aumentando custo relativo dos
empréstimos à agricultura e baixando aos industriais.

Criando condições para expansão das atividades ligadas ao mercado interno.

Aspectos de enorme significado nesse contexto: A Regulação de fatores de produção! São três!

1) Mais importante: Regulação das leis de relação entre o trabalho e o capital.

Critica Ignácio Rangel por estudar legislação trabalhista apenas do ponto de vista estrutural formal corporativista.
Segundo Rangel os níveis de salário mínimos seriam acima do que se obteria com barganha entre trabalhadores e
capitalistas, no mercado livre, endossando versões redistributivas de renda das políticas de 1930 a 1964. Minimizam
o papel dessa legislação no processo de acumulação que se instaura e se acelera a partir de 1930. Oliveira discorda.

Trata-se de uma abstração sem respaldo concreto falar de mercado livre capitalista ainda não criado. Nunca foi provado
que os níveis salariais estivessem acima do custo de reprodução da força de trabalho. A legislação interpretou
salário mínimo como “de subsistência”, baseado nas necessidades alimentares (Calorias, proteínas, etc.) para um
padrão de trabalhador, de certo tipo de produção, de certo tipo de força mecânica, comprometimento psíquico, etc.;
enfim, a quantidade de força de trabalho que se poderia vender e nada há sobre a incorporação dos ganhos de
produtividade.

O salário mínimo nada tem a ver com o quanto o trabalhador produz, ou seja, não se trata de pagar pelo que ele produz.

O salário mínimo se limita a definir o quanto ele precisa comer para permanecer vivo e utilizável para produzir por
mais um mês.

DECISIVO, PORÉM SALÁRIO MÍNIMO É APENAS PARTE DAS MEDIDAS PARA INSTAURAR NOVO
MODO DE ACUMULAÇÃO. Também é preciso transformar a massa do êxodo rural em “exército de reserva”.

Duas razões para isso:

a) Criava horizonte médio para o cálculo empresarial


b) Igualava reduzindo o preço da força de trabalho.

2) Regulação dos demais fatores tendo o Estado um caráter “planificador”.

Esse aspecto perdura até Juscelino Kubitschek.

O Estado opera continuamente transferindo recursos e ganhos para a empresa industrial, fazendo dela o centro do
sistema.

Os mecanismos de mercado devem ser substituídos por controles administrativos cuja missão é fazer funcionar a
economia de forma não-automática.

Intervenção do Estado na esfera econômica: Operando na fixação de preços, na distribuição de ganhos e perdas entre
diversos grupos das classes capitalistas, no gasto fiscal com fins reprodutivos, subsídios a outras atividades produtivas.
Criar as bases para que a acumulação capitalista industrial pudesse se desenvolver.

3) Nova função da agricultura – Estabilidade social do sistema alimentando massas urbanas e fornecendo matérias
primas.

Função qualitativamente distinta.

De um lado, subsetor de produtos de exportação, servir para o pagamento de bens de capital e intermediários de
produção externa.

O compromisso é mantê-la ativa sem estimulá-la como setor e unidade central do sistema.

De outro lado, subsetor de produtos para o mercado interno, suprindo:

a) as necessidades da massa urbana, não elevando o custo da alimentação;


b) os custos das matérias primas para a indústria;

No conjunto facilitando o processo de acumulação urbano-industrial.

A estabilidade social do sistema girará em torno dessa facilitação.

“O PROBLEMA AGRÁRIO”

Sua solução é um ponto fundamental para a reprodução das condições da expansão capitalista.

É um complexo de soluções com três vertentes:

Enorme contingente de mão de obra

Oferta elástica de terras

Viabilização do encontro desses dois fatores pelo Estado. (Rede rodoviária)

PERMANENTE EXPANSÃO HORIZONTAL COM BAIXÍSSIMOS COEFICIENTES DE CAPITALIZAÇÃO OU


SEM NENHUMA CAPITALIZAÇÃO PRÉVIA.

Um tipo estrutural de “acumulação primitiva” num capitalismo que cresce por elaboração de periferias. Ao invés de
“fronteiras externas” temos “fronteiras internas”.

FRONTEIRAS INTERNAS

Expropriação do excedente que se forma na posse transitória da terra: O morador ocupa, desmata, destoca e cultiva
lavouras temporárias, porém assim fazendo prepara a terra para lavouras permanentes ou pastagens que não são dele,
mas do proprietário.

Há transferência de “trabalho morto” para o valor das atividades do proprietário que acumula e subtração de valor
para o produtor direto que tem seus preços rebaixados.

Há o avanço da fronteira agrícola pela rotação de terras dentro do latifúndio. Processo secular no Nordeste: O morador
ao plantar sua roça também planta o algodão (que será vendido ao proprietário), o custo de reprodução da força de
trabalho é a variável que torna comercializáveis ambas as mercadorias. No período colonial além da roça se plantava a
cana.

Por isso, a maioria dos alimentos que abastecem os centros urbanos provem de zonas de ocupação recente e tem baixa
cotação.

FRONTEIRAS EXTERNAS Fronteira agrícola que se expande com as rodovias:

Entre 1940 e 1950 o café no Norte do Paraná;

1950 com o arroz e pecuária Maranhão;

1960 com a pecuária Goiás e Mato Grosso;

1960 ao longo da Belém-Brasília;


Entre 1960 e 1970 no Oeste do paraná e sul do Mato Grosso;

“MECANISMO DE AUTOCONTROLE NO PROCESSO DE EXPANSÃO DA MELHORIA TÉCNICA NA


AGRICULTURA”

Ruy Miller Paiva

A enorme oferta de mão de obra somada a enorme oferta de terras reproduz incessantemente uma acumulação primitiva
na agricultura. Nesse contexto a produção em técnicas rudimentares se torna de custo mais baixo que os de técnicas mais
complexas com motorização, pesticidas e adubos.

REPERCUSSÕES IMPORTANTES DO MODELO ACIMA DESCRITO

1) Impedindo o aumento do custo da produção agrícola tem papel importante no custo de reprodução da
mão de obra urbana;
2) Formação de um proletariado rural que serve às culturas comerciais de mercado externo e interno.
3) A um só tempo: MANTEM O PROBLEMA DA DISTRIBUIÇÃO DA TERRA E FORMA UM
PROLETARIADO RURAL SEM ESTATUTO DE PROLETÁRIO pois sem legislação trabalhista ou
previdenciária, assim permite dentro da agricultura uma diferenciação produtiva e de produtividade,
viabilizadas pela MANUTENÇÃO DE BAIXÍSSIMOS PADRÕES DO CUSTO DE REPRODUÇÃO
DA FORÇA DE TRABALHO E, PORTANTO, DO NÍVEL DE VIDA DA MASSA
TRABALHADORA RURAL.

RESUMO DO CONJUNTO DO TEXTO – CONCILIAÇÃO DAS ELITES INDUSTRIAIS E AGRÁRIAS


VIA MANUTENÇÃO DA MISÉRIA DOS TRABALHADORES DO CAMPO.

Se é verdade que:

De um lado - a criação do “novo mercado urbano-industrial” exigiu um tratamento discriminatório e até confiscatório sobre
a agricultura,

De outro – a agricultura foi compensada pelo fato de que esse crescimento industrial permitiu às atividades agropecuárias
manterem seu padrão “primitivo”, baseado numa alta taxa de exploração da força de trabalho.

E ainda – Foi a constituição de uma força de trabalho urbana operária que possibilitou existir um proletariado rural em
maior escala o que significou um acúmulo para as culturas comerciais de mercado externo e interno.

SE EM TERMOS DE PRODUTIVIDADE OS SETORES AGRÍCOLA E INDUSTRIAL SE DISTANCIAM, MAS ISSO


NÃO AUTORIZA A CONSTRUÇÃO DE UM MODELO DUAL EXISTE SIM UMA INTEGRAÇÃO DIALÉTICA EM
QUE UM REFORÇA E ALIMENTA OUTRO E VICE VERSA, ALTERANDO QUALITATIVAMENTE O PADRÃO
HEGEMÔNICO DE ACUMULAÇÃO.
REPERCUSSÕES SOBRE O URBANO A PARTIR OU SOBRE DIFERENTES SETORES DA ECONOMIA.

PRIMÁRIO - AGRICULTURA/ Maior repercussão deriva da manutenção, ampliação e combinação no setor


agropecuário do padrão “primitivo” com novas relações de produção.

Formando o “exército de reserva” das cidades que ampliou as possibilidades de acumulação e fornecendo
excedentes alimentícios com preços rebaixados pelo custo de reprodução do trabalhador rural combinado e
pela limitada oferta de força de trabalho urbana.

Elementos de composição e de rebaixamento do preço de oferta de força de trabalho urbana:

a) Custo de alimentação;
b) Custo de bens e serviços urbanos.

SECUNDÁRIO - INDUSTRIA/ Outra repercussão enorme crescimento da produtividade industrial que, com a
intervenção estatal sobre o preço da força de trabalho já descrita, deu margem à enorme acumulação
industrial das décadas de 50, 60 e 70.

A indústria no brasil nunca precisou de um mercado consumidor no campo. A produção de tratores não
chegou a vigésima parte da produção de carros e a produção e consumo de fertilizantes que se ampliou entre
1960 e 1970 não altera a relação homem/terra base do modelo de agricultura anterior.

A orientação da indústria foi sempre voltada para os mercados urbanos, não só pelo consumo, mas por conta
de um modelo de crescimento que se dá por concentração, que possibilita o surgimento de setores de
“ponta”.

Embora produtividade agrícola e industrial se distanciem, a agricultura tem um papel vital para expansão do
sistema.

Embora a agricultura pouco represente como mercado para a indústria, aquela redefine as condições
estruturais dessa ao introduzir novas relações de produção no campo viabilizando a agricultura comercial de
consumo interno e externo pela formação de um proletariado rural.

Assim não há separação entre os dois setores, mas relações estruturais na lógica do tipo de expansão
capitalista das décadas de 1950, 1960 e 1970.

Formação do setor industrial

Tornar a empresa industrial a unidade-chave do sistema econômico.

A “substituição de importações” foi supervalorização para explicar o arranque industrial. A crise cambial e a
não disponibilidade de divisas e a II Grande Guerra impedem o acesso a bens importados, os industriais
brasileiros podem então produzir produtos de menor qualidade com preço mais caro. Uma política
alfandegária protecionista ampliará as margens de preferência para produtos de fabricação interna. Condição
necessária, mas não suficiente.

Mas, a experiência Argentina desmonta essa tese pois se industrializou entre 1870 e 1930 em crescente
integração com o capitalismo internacional e em regime livre cambista, com ampla capacidade de importação.

A industrialização visa sempre atender primeiro a necessidade de acumulação e não à de consumo.

PRIMEIRA ETAPA – BENS DE CONSUMO NÃO DURÁVEIS


Se existe uma massa urbana (industrial e de serviços) de baixo custo de reprodução (afim de se garantir a
inversão) é inevitável produzir aquilo que faz parte do custo de reprodução dessa massa urbana. Produziu-se
inicialmente, assim bens de consumo não duráveis para as classes populares – respaldado pelos recursos
naturais do país – e numa segunda etapa bens de consumo duráveis.

SEGUNDA ETAPA – BENS DE CONSUMO DURÁVEIS, INTERMEDIÁRIOS E DE CAPITAL.

Essa segunda etapa se fará possível em função da redefinição das relações trabalho-capital, ampliação do
“exército de reserva”, aumento da taxa de exploração, as velocidades diferenciais de crescimento de salários e
produtividade que reforçam a acumulação.

Orientação se deu mais pela necessidade de produção/acumulação que de consumo.

O consumo é sempre privilegiado na ideologia “desenvolvimentista” do grupo CEPAL-BNDE que deu a base
para o plano de metas de kubiteschek, porém não racional que logrado com produtos qualitativamente
inferiores e caros.

Que os preços nacionais sejam maiores que importados, é preciso que sejam pois ao transmitirem
interindustrialmente a outras produções elevam a média dos preços dos demais ramos.

Do ponto de vista da acumulação essa produção pode realizar-se porque há concentração de renda que torna
consumíveis os produtos e reforça a acumulação pois a alta produtividade dos novos ramos em comparação
com o crescimento dos salários dá um salto que reforça a tendência a concentração de renda.

O que é necessário é que os altos preços não se transmitam aos bens que formam parte do custo de
reprodução da força de trabalho, o que ameaçaria a acumulação.

Os preços dos produtos dos ramos “dinâmicos” podem e devem ser mais altos que importados já que se
realizam internamente.

Preços competitivos só sentido no mercado externo. O preço do café tem que ser competitivo, mas carros
nacionais podem ser 2 ou 3 vezes mais caros que os nacionais.

A produção nacional de bens duráveis se destina a uma classe alta dentro de uma extrema desigualdade de
distribuição de renda. Esse ramo industrial está entre os mais rentáveis e promissores e orientam a estrutura
produtiva. E a orientação é para a acumulação e não para o consumo baixar o preço dos carros não está no
horizonte pois significaria vender mais carros sem retorno favorável nos lucros.

TERCIÁRIO - SERVIÇOS/ Repercussão desse conjunto heterogêneo de atividades cuja unidade está em não
produzirem bens materiais.

Para o “modo de produção subdesenvolvido” o setor de serviços estaria desproporcional em termos de


participação no emprego e no produto. O setor terciário estaria inchado, consome excedente e aparece como
peso morto na formação do produto.

No marxismo os serviços, salvo os de transporte e comunicação, são “improdutivos” (não agrega valor ao
produto social). Mas, serviços de intermediação ou publicidade, por exemplo, não representariam trabalho
socialmente necessário para a reprodução das condições do sistema capitalista? Dentre essas condições a
dominação não seria uma das mais importantes? A dominação faz parte da reprodução da mercadoria
trabalho, que distingue o capitalismo de outros modos de produção.

O terciário tinha participação no produto interno líquido de 55% em 1939 e passou para 53% em 1969. Foi o
setor que mais absorveu os incrementos da força de trabalho na porcentagem da população ativa pulou nesse
mesmo período de 24% para 38%.
O crescimento do terciário faz parte do modo de acumulação urbano adequado à expansão do sistema
capitalista no Brasil; não é “inchação” ou segmento marginal da economia.

CONDIÇÕES CONCRETAS DA EXPANSÃO DO CAPITALISMO NO BRASIL

Antes de 1930 base de acumulação capitalista pobre já que agricultura fundada sobre “acumulação primitiva”
e não sentou as bases da infraestrutura urbana para a indústria. Antes de 1920 fora o Rio de Janeiro, todas
cidades eram burgos acanhados.

Entre 1939 e 1969 a participação da indústria no produto líquido passa de 19 para 30% e na força de trabalho
de 10 para 18%.

O crescimento industrial teria que centrar toda a virtualidade da acumulação capitalista na empresa industrial,
mas apoiada em serviços urbanos diferenciados e desligados da unidade fabril. A carência de tais serviços na
primeira onda industrial levou a autarquização das unidades fabris logo substituído por trabalho fora dos
muros da fábrica.

Com a ausência de uma acumulação capitalista prévia que financiasse a implantação de serviços se reproduziu
nas cidades um crescimento horizontal, extensivo, de baixíssimos coeficientes de capitalização. Baseada na
abundância da mão de obra, revivescendo formas artesanais de profissão, principalmente os serviços de
reparação.

Entre 1940 e 1950 serviços de produção passam de 9,2% para 10,4%. Serviços de consumo coletivo de 4,2%
para 5,1%. Serviços de consumo individual se mantem em 6,3%.

Entre 1950 e 1960 os serviços de produção seguem para 11, 5% e os demais serviços se mantêm.

Então os serviços de produção, diretamente ligado â expansão da indústria, é o maior responsável pelo
crescimento do setor terciário.

O terciário não está inchado, está na dimensão ligada à acumulação urbano-industrial. A aceleração do
crescimento exige das cidades uma infraestrutura em serviços que não estavam previamente dadas.

A intensidade do crescimento industrial (Em 30 anos vai de 19 a 30% a participação no produto bruto) não
permitirá uma intensa e simultânea capitalização nos serviços – que não poderão concorrer pelos escassos
fundos disponíveis para a acumulação capitalista.

Daí o crescimento não capitalístico do setor terciário. Os serviços são realizados a base de pura força de
trabalho, remunerada em níveis baixíssimos, transferindo permanentemente uma fração de seu valor para
atividade de corte capitalistas.

Exemplos:

Moderna agricultura de frutas e horitigranjeiros em simbiose com comércio ambulante de frutas.

Sem-número de pequenos objetos (pentes, lâminas de barbear, produtos de limpeza, etc.) vendido pelo
comércio ambulante nas cidades.

Aumento da frota de carros paralelo aos serviços braçais de lavagem de carros assim como dos serviços de
pequenas oficinas de re-produção de carros.

Todos esses serviços crescem exatamente em 1970, quando a indústria se recupera e gera empregos e todo o
processo se cristaliza numa distribuição de renda mais desigual.
Esses serviços são adequados ao processo de acumulação global e da expansão capitalista e reforçam a
tendência à concentração da renda.

Os altíssimos incrementos de urbanização no Brasil não são consequência apenas da industrialização, são
também contrapartida da desruralização. Daí urbanização sem industrialização ou com marginalização.

As necessidades da acumulação, no caso brasileiro, impuseram um crescimento dos serviços horizontalizados


cuja a aparência é o “caos” da cidade.

Habitações construídas em mutirões pelos próprios trabalhadores contribuíram para aumentar a taxa de
exploração da força de trabalho deprimindo os valores reais pagos pelas empresas. Uma atividade de
“economia natural”se casa bem com um processo de expansão capitalista, que tem suas bases e seus
dinamismo na intensa exploração da força de trabalho.

O processo descrito constitui o modo de acumulação próprio da expansão do capitalismo no Brasil pós 1930,
processo desigual e combinado produto de uma base pobre de acumulação capitalista para sustentar a
expansão industrial e a conversão da economia do pós-1930.

ORIGINALIDADE

A combinação de desigualdades existe em qualquer cambio de sistemas.

Original – introduzir relações novas no arcaico, liberando força de trabalho que suporta a acumulação
industrial-urbana e reproduzir relações arcaicas no novo, que preserva o potencial de acumulação liberado
exclusivamente para expansão do novo.

Necessário para transição tão radical:

De situação que a realização dependia integralmente do setor externo.

Para o ponto crítico da realização, permanência e expansão gravitasse em torno do setor interno.

O sistema caminhou para concentração de renda, da propriedade e do poder.


Capítulo III – Um intermezzo para a reflexão política:
Revolução burguesa e acumulação industrial no Brasil.

A inserção da economia brasileira no sistema capitalista no pós-30 foi uma possibilidade definida
dentro dela mesma, as relações de produção vigentes continham em si a possibilidade de
reestruturação do sistema, aprofundando a estruturação capitalista ainda quando o esquema da
divisão internacional do trabalho fosse adverso.
Do ponto de vista da articulação interna das forças sociais interessadas na reprodução de capital a
questão a ser resolvida é a da substituição das classes proprietárias rurais na cúpula da pirâmide do
poder pelas novas classes burguesas empresário-industriais.
As classes trabalhadoras não têm nenhuma possibilidade nessa encruzilhada.
O mundo emerge da segunda grande guerra preocupado em reconstruir as economias dos países ex-
inimigos para evitar o socialismo. Recursos são desviados para esse fim e a divisão internacional do
trabalho é restaurada.
Nessas circunstâncias a expansão do capitalismo no Brasil repousará na dialética das forças sociais internas.
Em meio a essas tensões emerge a revolução burguesa no Brasil que tem no populismo sua forma política.

Ao contrário da revolução burguesa “clássica”, a mudança das classes proprietárias rurais pelas novas classes
burguesas empresário-industriais, no Brasil não há luma ruptura total do sistema.

No modelo clássico europeu a hegemonia das classes proprietárias rurais é total e paralida qualquer
desenvolvimento das forças produtivas, pelo fato de que não entravam em nenhum sistema que lhes
fornecesse os bens de capital necessários a sua expansão: Ou elas produziriam tais bens ou não haveria
expansão. A ruptura tem que se dar em todos os níveis e em todos os planos.

No Brasil as classes proprietárias são parcialmente hegemônicas, mantendo o controle das relações externas
da economia até que há o colapso dessas relações e a hegemonia desemboca num vácuo. Estavam dadas as
condições necessárias, mas não suficientes para a industrialização. A condição suficiente será encontrar um
novo modo de acumulação que substitua o acesso externo da economia primário-exportadora. Mas, era antes
necessário adequar as relações de produção.

O populismo é a larga operação dessa adequação. Irá juntar o “arcaico” com o “novo” fundando novas
relações entre capital e trabalho, a fim de criar fontes internas de acumulação. A legislação trabalhista criará
as condições para isso.

A nascente burguesia industrial usará o apoio das classes trabalhadoras urbanas para liquidar politicamente as
antigas classes proprietárias rurais, isso porque essa burguesia necessita evitar que a economia após a guerra
e com o boom do café e de outras matérias-primas volte à situação pré-1930.
Longos anos de política aparentemente contraditórias. De um lado; penalizam a produção para exportação
procurando manter a capacidade de importação do sistema, de outro: beneficiam a empresa industrial,
motora da nova expansão.

As novas classes burguesas empresário-industriais assumem a hegemonia. Como contrapartida a legislação


trabalhista não afetará as relações no campo.

Esse PACTO ESTRUTURAL preservará modos de produção distintos entre setores da economia, mas eles não
serão antagônicos como no modelo cepalino.

O modelo brasileiro de expansão capitalista não requer a destruição completa do antigo modo de acumulação.
Pelo contrário, a população rural continuará a crescer reproduzindo uma forma não-capitalista de produção.

Outra particularidade do modelo brasileiro é a estrutura da economia industrial-urbana, especialmente quanto


a proporção dos setores secundário e terciário. Primeiro, os incrementos de emprego no secundário são
conjunturais; secundo, incremento de empregos no setor de serviços de consumo pessoal se dá quando no
setor secundário aquele incremento se acelera. Portanto, não há “inchamento”. O crescimento dos dois
setores no pós-1930 revela condicionamentos estruturais da expansão capitalista no Brasil.

O ESCRAVISMO COMO ÓBICE

O custo de reprodução do escravo era interno da produção e a industrialização tentará expulsar esse custo.

No modelo clássico se necessitava absorver sua periferia de relações de produção, no Brasil era necessário
criar essa periferia e foi longo esse caminho, desde a abolição da escravidão até 1930, já que a inserção então
favorecia a manutenção dos padrões “escravocratas” de relações de produção. Só uma crise das forças
produtivas obrigará à mudança do padrão. O tipo de inserção na divisão internacional do trabalho é decisivo.

Instituições do pós-30, em especial legislação trabalhista, objetiva expulsar o custo de reprodução da força de
trabalho de dentro das empresas industriais. O salário mínimo será a obrigação máxima da empresa, todo seu
potencial voltado para a acumulação em si.

Por outro lado, a acumulação é potencializada com a imensa reserva de “trabalho morto” que é a tecnologia
transferida para países de industrialização recente. O processo de reprodução do capital “queima” várias
etapas. Isso somado às leis trabalhistas multiplica a produtividade das inversões. A não criação de empregos
não é o problema do crescimento industrial, mas sim sua a aceleração que impões um distanciamento
irrecuperável dos rendimentos do capital em relação ao trabalho.

Para diminuir essa distância seria necessário que o crescimento da demanda por força de trabalho fosse várias
vezes superior ao crescimento da oferta.

Porém, a tecnologia acumulada também reduz o circuito de realização interna do capital tornando o efeito
multiplicador (empregos diretos e indiretos) real da inversão mais baixo que o potencial.

A razão histórica da industrialização tardia dá ao setor secundário uma participação desequilibrada no produto
e na estrutura do emprego.

DIMENSÕES DO TERCIÁRIO p 67

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