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FACULDADE DE DIREITO

UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

DIREITO DAS OBRIGAÇÕES


2020

MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES

III CAPÍTULO DO PROGRAMA DA DISCIPLINA

Itiandro Slovan Simões – Assist. Estag.

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Índice

Tema III – Modalidades de Obrigações (15 tempos)

Objectivo geral do tema: - Identificar, explicar, descrever, ordenar e


ilustrar a disciplina jurídica concernente às modalidades das obrigações.

3.1. Modalidades de obrigações quanto ao vínculo

3.2. Modalidades de obrigações em função dos tipos de prestações.

3.3. Modalidades de obrigações quanto ao objecto

3.4. Modalidades de obrigações quanto aos sujeitos

3.5. Avaliar os conhecimentos, habilidades e valores alcançados no


tema.
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Índice

3.1. Modalidades de obrigações em função dos tipos de


prestações.

3.1.1. Obrigações de prestação de coisa e de prestação de facto.

3.1.2. Obrigações de prestação fungível e de prestação infungível.

3.1.3. Obrigações de prestações instantâneas e de prestações


duradouras.

3.1.4. Obrigações de prestação de resultado e de prestação de


meios.
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“A língua é como um rio: sem margens,

desaparece.”

João Carreira Bom


Obrigações com prestação de coisa

• O objecto: a entrega de uma coisa (art.º 879/b).

• O credor nunca tem um direito directo sobre a coisa mas apenas


um direito à prestação, e à conduta do devedor de entrega da
prestação.

• Na execução específica, existe apenas um direito sobre a


prestação.

• Artº408/1: transmissão da propriedade – por efeito do contrato.

• O artº408/2: prestação de coisa futura.


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PRESTAÇÃO DE COISA: A definição do art.211º é incompleta…

Bens futuros: (1) não tendo existência, (2) não possuindo autonomia própria
ou (3) não se encontrando na disponibilidade do sujeito (perspectiva da
aquisição futura destas características).

Prestação de
coisa

Podemos distinguir entre objecto imediato e mediato da


obrigação

Coisa futura art.211º e 399º


Coisa presente

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PRESTAÇÃO DE FACTO:
O objecto é a realização de uma conduta ou serviço (arts. 1154.º a 1156.º)

Facere – uma acção por parte do devedor.


Facto positivo

Non facere – a não realização de determinada


conduta por parte do devedor.
Facto negativo
Prestações de pati – tolerar a realização de
uma conduta por outrem.

Prestações de facto material – conduta puramente material do


devedor, não destinada à produção de efeitos jurídicos.

Prestações de facto jurídico – conduta do devedor destinada à


produção de efeitos jurídicos, sendo assim esse resultado jurídico
incluído na prestação.
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Obrigações com prestação fungível Obrigações com prestação infungível

A prestação pode ser realizada por Só o devedor pode realizar a prestação, não
pessoa diferente do devedor, sendo sendo assim permitido que terceiro realiza a
assim permitido que terceiro realize a prestação (artº767/2).
prestação (artº767/1). A infungibilidade pode ser:
• Convencional: “Quando se tenha acordado
expressamente em que esta deve ser feita pelo
devedor” – artº767/2-2ºparte;
• Natural: “ou quando a substituição o prejudique” –
artº767/2-3ªparte.

Regra geral são fungíveis. As prestações infungíveis são as excepções.

Exemplo: Um pintor de interiores que Exemplos: o pintor famoso contratado para pintar
celebra um contrato para a pintura de um quadro; ou a costureira famosa contratada
uma casa. para fazer um vestido.
Artigos relacionados:Artº828 – Artigos relacionados:
execução específica de facto fungível. ● Artº791 – A infungibilidade da prestação pode
mesmo ser a causa da extinção da obrigação.
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Prestação de facto, material ou jurídico

Positivo (facere) Negativo

Fungível Infungível Pati Non facere

Infungibilidade natural

Infungibilidade convencional
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OBRIGAÇÕES COM PRESTAÇÃO INSTANTÂNEA E
OBRIGAÇÕES COM PRESTAÇÃO DURADOURA

Prestação instantânea Prestação instantânea integral


Entrega da prestação num único Arts. 882 e1208.º.
momento.
Exp.: Artº879/b Prestação instantânea fraccionada
Art. 934.º

Prestação duradoura Prestação duradoura continuada


O cumprimento se prolonga no contratos de fornecimento de água, luz ou gás.
tempo, devido às prestações
serem entregues de acordo com Prestação duradoura periódica
um período de tempo previamente
acordado. Art.1038º/a
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Obrigações com prestação de Obrigações com prestação de
resultado Meios
O devedor vincular-se-ia a fazer com que o O devedor não está obrigado a proporcionar
credor obtivesse um determinado a obtenção do resultado mas apenas a
resultado, respondendo por incumprimento actuar com a diligência necessária para
se esse resultado não fosse obtido. que esse resultado fosse obtido.

Exemplo: o transportador que estaria Exemplo: o médico apenas estar obrigado a


obrigado a entregar uma coisa. prestar os seus melhores esforços para curar
o doente.
• O interesse em estabelecer esta distinção estaria na forma de fazer o ónus da prova.
• Nas com prestação de resultado, bastaria o credor demonstrar que o resultado não fora
atingido. Nas com prestação de meios, também teria que demonstrar que a conduta do
devedor não correspondeu à que se tinha obrigado a prestar.
• Foi desenvolvida por Demogue. Entre nós não tem aplicação prática. O devedor vincula-
se sempre a uma conduta (a prestação), que corresponde a um interesse do credor,
ou seja, à obtenção de um resultado (artº398/2).
• O ónus pertence sempre ao devedor, que deve provar – artº342/2 e 799/1. 10
Itiandro Slovan Simões
itiandroslovan@gmail.com
(+244)923569875 11
QUESTÕES?

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Índice

3.2. Modalidades de obrigações quanto ao vínculo


3.2.1. As obrigações naturais e as obrigações civis.

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OBRIGAÇÕES NATURAIS
OBRIGAÇÕES NATURAIS
ÍNDICE SISTEMÁTICO

1. Exposição teórica
• 1.1. Objectivos
• 1.2.Natureza jurídica
• 1.3. Diferença face à obrigação civil
• 1.4. Regime jurídico
• 1.5. Casos duvidosos:
• 1.5.1. As dívidas de jogo
• 1.5.2. As obrigações nulas
• 1.5.3. A ingratidão do donatário
2. Questões colocadas pelos formandos
3. Avaliação de conhecimentos
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1.1. Objectivos para hoje

1. Perceber se pode considerar-se as obrigações naturais


como sendo (ou não) obrigações jurídicas

2. Analisar alguns casos-fronteira na distinção entre as


obrigações naturais e as civis

3. Avaliar os conhecimentos sobre a matéria dada

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“Enquanto não alcances, não descanses.

De nenhum fruto queiras só a metade."

Miguel Torga
1.2. Natureza jurídca (I/II)

A obrigação natural é um tertium


genus, entidade intermediária entre o
mero dever de consciência e a
obrigação juridicamente exigível, a
meio caminho entre a moral e o direito

É mais que um dever moral


e
menos do que uma obrigação civil.
18
18
1.2. Natureza jurídica. (II/II)

Ao contrário da obrigação civil, a


obrigação natural não produz todos
os efeitos de Direito.

Alguns autores chamam a obrigação


natural de obrigação imperfeita.-

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1.3. Diferença face à obrigação civil (I/IV)

A obrigação natural não pode ser

exigida pelo credor.

Existe, mas não pode ser


judicialmente cobrada.

Da obrigação natural
descumprida não decorre
responsabilidade.
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20
1.3. Diferença face à obrigação civil (II//IV)

Numa obrigação civil – p. ex. uma

dívida em dinheiro – o não

cumprimento por parte do

devedor faz nascer para o credor

a pretensão e, para o devedor, a

responsabilidade patrimonial

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21
1.3. Diferença face à obrigação civil (III/IV)

Na obrigação natural não


surge a pretensão.

A dívida existe, mas não pode


ser judicialmente cobrada.

É desprovida de acção.

Matematicamente falado…
Obrig. Naturais = Direito – Acção
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1.3. Diferença face à obrigação civil (IV/IV)

A soluti retentio
(retenção do pagamento)

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Deve-se considerar as obrigações naturais como
sendo (ou não) obrigações civis?
• Não é uma verdadeira obrigação jurídica: apesar de poder existir uma
dívida moral ou social, não existe um vínculo jurídico que ligue o credor
ao devedor, e que o obrigue a entregar uma prestação, tal como vem
definido no artº397.

• O CC não pretende criar um regime jurídico para as obrig. naturais:


pretende é definir “obrig. natural”, e referir que a prestação livremente
prestada ao abrigo de uma obrig natural, não podendo ser exigida a sua
restituição (artº403/1).

Não corresponde a um dever jurídico, mas a um dever de ordem


moral ou social.
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1.4. Regime jurídico (I/II)
Artigo 403.º do Código Civil

1 – Não pode ser repetido o que for prestado espontaneamente em


cumprimento de obrigação natural, excepto se o devedor não tiver capacidade
para efectuar a prestação.

2 – A prestação considera-se espontânea, quando é livre de toda a coacção.

Assim...
O pagamento de obrigação natural é válido e eficaz e permite ao credor

reter aquilo que recebeu, sem a possibilidade ao pagador arrependido

de pleitear a repetitio indebiti

As partes não poderão nunca convencionar obrig. naturais


25 (809.º).
25
1.4. Regime jurídico (II/II)

A amortização parcial da obrigação natural não autoriza o


credor a reclamar o pagamento do restante.

A obrig. natural não se converte em civil por essa solvência


incompleta.
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1.5. Casos duvidósos: (I/VII)

Obrigação de dar gorjeta?

Obrigação de pagar dívida prescrita?

Obrigação de pagar dívida de jogo?


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1.5. Casos duvidósos: as dívidas de jogo (II/VII)

Artigo 1245.º:

As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se


pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi
ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito.
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1.5. Casos duvidósos: as dívidas de jogo (III/VII)
Acórdão STJ. SJ200807100014711, de 10/07/2008, Garcia Calejo
O concurso “QUEM QUER SER MILIONÁRIO” é um programa televisivo, assente no
factor conhecimento e também em circunstâncias de sorte ou azar (derivados da
dificuldade maior ou menor das perguntas em relação ao saber do concorrente),
constituindo um entretenimento, ou passatempo, com o oferecimento de um prémio.
Possui as características que permitem integrá-lo juridicamente nas modalidades de
jogos de fortuna ou azar e outras formas de jogo a alude o art. 159º da Lei do Jogo
(Dec-Lei 422/89 de 2/12).
Devendo ser considerado um jogo lícito, o concurso desencadeia ou origina, tão só,
obrigações naturais, como decorre do art. 1245º do C.Civil.
Sendo fonte de obrigações naturais, não é judicialmente exigível o cumprimento das
respectivas obrigações, mas em caso de o devedor cumprir espontaneamente, não lhe
será permitido exigir a repetição do indevido. A prestação pelo devedor efectuada em tais
circunstâncias é juridicamente reconhecida como um cumprimento de um dever social.
Não seria assim se o concurso em causa fosse regulado por lei especial e nela se
definissem as obrigações emergentes como civis. O art. 1247º do C.Civil ressalva do
regime acima definido, a legislação especial sobre a matéria, pelo que, nessa
circunstância, o regime aplicável seria o civil e não o particular das obrigações naturais.
Porém, no caso do concurso em causa, não existe qualquer lei especial que regulamente e
defina as obrigações dele decorrente, como civis. 29
1.5. Casos duvidósos: as dívidas de jogo (IV/VII)

E quem empresta para que outrem jogue?


Pode-se exigir reembolso do que se emprestou para jogo ou aposta, no
acto de apostar ou jogar?

Divergências interpretativas…
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1.5. Casos duvidósos: as dívidas de jogo (V/VII)

São legais, no entanto…


Lei n.º 5/16 – Regime Jurídico

da Actividade de Exploração

dos Jogos (turfe, loterias,

competição desportiva,

intelectual ou artística)

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31
1.5. Casos duvidósos: as obrigações nulas (VI/VII)

O óbvio…

Não são obrigações naturais as obrigações nulas, porque


estas são inválidas e de nenhuma eficácia jurídica.

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1.5. Casos duvidósos: a igratidão do donatário (VII/VII)

E o(a) donatário(a) ingrato(a)?


O Código Civil (art. 974.º) estabelece a
possibilidade de revogação por ingratidão do
donatário.

Quem recebe a doação deve gratidão ao doador


pelo resto da vida.

Se o(a) donatário(a) agredir ou ofender o doador,


poderá perder a doação.
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Mas e se...?

O doador fez a doação ao (à) donatário(a) porque existia


uma obrigação natural?

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Se, por exemplo:

O Juca doou um carro a

Maria porque lhe devia

dinheiro e a dívida havia

prescrito?

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35
É revogável tal doação se ela lhe for ingrata?

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Ah, vida cruel...

Tal doação não se extinguirá porque não foi feita


por liberalidade e sim em cumprimento de
obrigação natural.

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2. Questões a colocar pelos estudantes

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3. Avaliação de conhecimentos
1. O pagamento parcial de uma obrigação prescrita torna-a exigível pelo credor
quanto ao débito restante.

2. As obrigações naturais são dotadas de plena exigibilidade, já que a ofensa ao


direito subjectivo do credor lhe concede a pretensão de exigir do devedor a coisa
ou conduta voluntariamente recusada.

3. Na obrigação natural, há uma relação jurídica qualificada pelo débito e pelo


crédito entre quem pagou e quem recebeu.

4. As obrigações originárias de contratos de prestação de serviços profissionais,


como médicos, são de resultado, porquanto o profissional vincula-se ao
objectivo a ser alcançado pelo contratante.

5. É correcto caracterizar como obrigação natural o mero pagamento de alimentos


por parentes além do 3.º grau, na linha colateral, sem qualquer amparo legal.
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3. Avaliação de conhecimentos
1. O pagamento parcial de uma obrigação prescrita torna-a exigível pelo credor
quanto ao débito restante.

2. As obrigações naturais são dotadas de plena exigibilidade, já que a ofensa ao


direito subjectivo do credor lhe concede a pretensão de exigir do devedor a coisa
ou conduta voluntariamente recusada.

3. Na obrigação natural, há uma relação jurídica qualificada pelo débito e pelo


crédito entre quem pagou e quem recebeu.

4. As obrigações originárias de contratos de prestação de serviços profissionais,


como médicos, são de resultado, porquanto o profissional vincula-se ao
objectivo a ser alcançado pelo contratante.

5. É correcto caracterizar como obrigação natural o pagamento de alimentos por


parentes além do 4.º grau, na linha colateral, sem qualquer amparo legal.
40
Obrigado pela atenção,

Itiandro Slovan Simões

itiandroslovan@gmail.com
(+244)92359875 41
Índice
3.4. Modalidades de obrigações quanto ao objecto
3.4.1. As obrigações genéricas
3.4.2. As obrigações alternativas. Distinção das obrigações com
faculdade alternativa
3.4.3. As obrigações pecuniárias
3.4.3.1. As obrigações de soma ou quantidade
3.4.3.2. As obrigações em moeda específica
3.4.3.3. As obrigações em moeda estrangeira
3.4.3.4. As obrigações de juros
3.4.3.4.1. Noção, modalidades, autonomia, taxas de juro, juros
usurários e proibição do anatocismo
3.5. Avaliar os conhecimentos, habilidades e valores alcançados no
tema
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1.1. Objectivos para hoje

1. Identificar as situações em que há obrigações genéricas

2. Perceber se o risco de destruição da coisa é de qual das


partes?

3. Avaliar os conhecimentos sobre a matéria dada

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OBRIGAÇÕES COM PRESTAÇÃO DETERMINADA E OBRIGAÇÕES
COM PRESTAÇÃO INDETERMINADA

Obrigações com prestação determinada


A prestação encontra-se totalmente determinada
no momento da constituição da referida obrigação.

Tipos Obrigações com Obrigações


prestação genéricas
de
indeterminada
obrigações:
A prestação ainda não
se encontra
determinada, tendo esta Obrigações
de ser feita até ao alternativas
momento do
cumprimento.
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Três razões para que exista uma indeterminação da
prestação no momento da conclusão do negócio jurídico:

1 Há uma regra supletiva aplicável.

2 Decidiram aplicar as condições normais de mercado.

3 Resulta de acordo das partes

A determinação da prestação – artigo 400.º


O poder de determinar a prestação não é absoluto,
devendo pelo menos respeitar-se a equidade.

Não obriga a forma legal especial. 46


Regra geral da determinação das prestações: art.º 400.º
Regime especial: Artº 539 .º (obrig. genéricas).

Obrigações Genéricas

Ponto nº 1 – O que são as obrigações genéricas?

Ponto nº 2 – Quem faz a escolha?

Ponto nº 3 – Quando se dá a transferência de


propriedade (e a consequente transferência do risco)?

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O que significa “se encontrar apenas determinada qto ao género”?
• Sabe-se apenas qual o seu género (o que é exactamente);

• E que existe igualmente uma referência a uma certa quantidade de


coisas dentro desse género.

Normalmente, as obrig. coisa fungível (207.º) tbm são genéricas.

Podem contudo as de coisa infungível também ser genéricas.

As genéricas não estão determinadas na celebração do contrato, mas


para que possa ser cumprida, tem de haver a individualização ou
escolha.

Por esta operação (individualização ou escolha) a obrigação deixa


de ser genérica, para se tornar específica.
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1. Nas genéricas o objecto é identificado com um artigo indefinido
(um, uma...) ou um numeral cardinal (dois, trezentos
milhões, 0,493...), seguido ou não de uma unidade de medida.

2. As obrig. genéricas têm sempre por objecto coisas fungíveis.

3. Nas específicas: coisas infungíveis, mas tb podem ser as fungíveis.

4. A maioria das compras e vendas gera obrigações genéricas.

5. As compras e vendas de imóveis e de objectos usados geram


normalmente obrigações específicas.

6. A compra e venda de animais é muitas vezes específica, porque


o comprador escolhe o (ou os) animal antes de o comprar.

Ainda mais vezes é genérica: vende-se certa quantidade de animais de


certo conjunto (compra do conjunto – a manada, a raça ou o aviário).
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● A escolha feita pelo devedor: (539.º)…
não escolhendo as piores coisas, nem as melhores coisas…
devendo prestar coisas de qualidade média.

● A escolha feita pelo credor ou pelo terceiro:


É a excepção: estipulação legal ou convenção.

Quando a escolha for feita por terceiro (542.º):


Para ser eficaz tem de ser declarada ao devedor e ao credor

Quando a escolha for feita pelo credor, difere do artº 400:


Não a fazendo aquele, a escolha passa a competir ao
devedor e não ao tribunal (542º/2).

A escolha do credor tem de ser declarada ao devedor.


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Quando tem lugar a transferência da propriedade sobre a coisa, ou
coisas, que vão servir para o cumprimento da obrigação?

É por isto, muito importante perceber quem é o proprietário da coisa, ou coisas:


se o devedor, ou se já o credor.

Nº s 1, a contrario sensu, e 2 do artº 408: é necessário que haja determinação


da prestação. Contudo, o 408/2 prevê que as genéricas são uma excepção.

Quando se transfere então o dto propriedade nas obrigações genéricas?


– no momento da concentração.

Existe um 1.º momento, no qual sucede a escolha passando de genérica a específica.

E existe então um 2.º momento, quando ocorre a concentração da obrigação


genérica. Desta deriva a transferência do dto propriedade sobre a coisa, e
também a transferência do risco. 51
Mas, e quando é que ocorre este 2.º momento de concentração da
obrig. genérica?
Logo com a escolha? Com o envio? Com a entrega?
Teoria da escolha (Thol): com a escolha do devedor.
Seria a partir deste momento que o direito de propriedade
sobre a coisa se transferiria para o credor.

Momento Teoria do envio (Puntschart): dá-se com o envio.


em que a
obrigação Logo que as coisas saíssem do domicílio do devedor, a obrig
genérica concentrar-se-ia, passando a propriedade e o risco
genérica
de elas perecerem a ser do credor.
se
concentra Teoria da entrega (Jhering): só se dá com o cumprimento.

Até lá, o direito de propriedade e o risco do perecimento da


coisa (ou coisas), objecto da prestação, são do devedor.

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Diferenciar duas situações:
1. A escolha ser feita pelo devedor;
2. A escolha ser feita pelo credor ou por terceiro.
● No caso de a escolha ser feita pelo devedor (teoria da entrega: artº 540 e artº
541-1ºparte – a contrario sensu).

A concentração só se dá mediante o cumprimento da obrig pelo devedor


Até lá, o dto. propriedade e o risco de perecimento da coisa são do devedor

Art. 541º – excepções:


1) Acordo.
2) O género se extinguir: art. 790º/1.
3) Mora do credor (artº 813º e ss).
4) Promessa de envio (artº 541º → artº 797º): local de envio ou remessa.

Artº541 – divergência entre M. Cordeiro e M. Leitão

53
NO CASO DE A ESCOLHA SER FEITA PELO CREDOR OU POR TERCEIRO

A concentração da obrigação genérica dá-se no momento da escolha pelo


credor ou por terceiro. (teoria da escolha).

Esta escolha é irrevogável.

Os efeitos são a concentração da obrigação genérica e consequente transferência


de propriedade e risco, do devedor para o credor.

Só é válida se comunicada às partes. Se o credor ou 3.º não fizerem a escolha no


prazo estipulado pelo contrato, então a escolha passa a competir ao devedor.

Nota final sobre as obrigação de prestação genérica:

Regime a aplicar, no caso de a escolha pertencer ao devedor: arts 540º e 541º

Regime a aplicar, no caso de a escolha pertencer ao credor ou a 3.º: artº 542º


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3. Avaliação de conhecimentos
1. Entrega de 30 toneladas de mármore de certa qualidade.
2. Entrega feita pelo António dos seus dois automóveis a Bento.
3. Venda por Bento a António «dos seus 450 CD».
4. Obrigação nascida da venda por Bento a António de «uma das suas duas
últimas garrafas da colheita de 1983».
5. Obrigação nascida de uma encomenda de um computador com processador
Pentium IV, a 1500 MHz, placa de som do tipo XYZ, 20 Gb de disco rígido e 256
Mb de RAM.» A quantidade é um e o género é computador com processador
Pentium IV, a 1500 MHz, placa de som do tipo XYZ, 20 Gb de disco rígido e 256
Mb de RAM.
6. Entrega de um bolo de noiva, de chocolate, coberto dechantilly, polvilhado com
amêndoa ralada, com os nomes dos noivos (Obdúlia das Cruzes e Teodósio
Menezes) escritos em açúcar.
7. Compra e venda de 500.000 das acções que Bento tem na sociedade Y.
8. Compra e venda das 500.000 acções que Bento tem na sociedade Z. 55
Obrigações Alternativas

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A escolha da prestação pertence ao devedor (artº543/2).
Excepção: (artº549 → artº542).

Quando se dá a concentração?
Artº408/2 – qdo a coisa for determinada e com conhecimento de ambas as partes.

Não se pode revogar a escolha: nem alguma das partes nem o 3.º (549 → 542).

Se o credor ou 3.º não escolherem dentro do prazo, os artsº 549 e 542,


devolvem a escolha ao devedor.

Se a escolha pertencer ao devedor (artº543/2), e se este não a fizer, só na fase


de execução pode o credor exigir que o devedor o faça, sob pena de a escolha
passar para o credor (artº548).

Os dtos do credor, na fase de execução, apenas incidem sobre a coisa escolhida


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58
Quando se dá a impossibilidade da prestação

antes de a escolha ter ocorrido, ou seja, antes

da concentração da obrigação?

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1) Qdo a impossibilid é casual e não é imputável a nenhuma das partes, é o devedor que tem
de suportar o encargo (artº545).

2.1) Escolha do devedor: pode optar por entregar uma das outras .
2)
Impossibilid
Regime imputável ao 2.2) Escolha do credor: pode optar: (i) Uma das ainda possíveis; (ii)
especial devedor indemnização; (iii) resolver o contrato.
(artº546):
3.1) Escolha do credor: a obrig. considera-se cumprida.
545º 3)
A Impossibilid 3.2) Escolha do devedor: pode optar por:
imputável ao
(i) Considerar a obrig. cumprida;
547º credor
(ii) escolher outra prestação, cumprir e pedir indemnização.
(artº547):

M.Cordeiro: o 3.º só pode escolher entre Imputável ao devedor e escolha de


prestações possíveis. Se uma se tornar 3.º: passa o credor a exercer a
4)
impossível, a escolha passa para às partes. possibilid de escolher o 546.
Situação
não M.Leitão concorda: artº 400º (a escolha do 3.º serve
prevista só para determinar a prestação, e não p/ escolher Imputável ao credor e escolha de
na lei entre prestações possíveis, indemnização, ou 3.º: a escolha passa p/o devedor,
resolução). Este juízo, só a parte que sofreu o dano que pode optar segundo o 547.º
é que pode fazer..
60
61
62
Lei nº 05/05, 29 Jul. - Sistema de Pagamentos de Angola

63
1 aureaus = 25 denarius = sestercia (lata) = 200 dupondia (bronze)

= 400 assiae (cobre) = 800 senis (lata) = 1.600 quadranta (bronze)


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REQUISITOS:
● 1) Tem de ter dinheiro por objecto;
● 2) Tem de visar proporcionar ao credor o valor que as respectivas
espécies monetárias possuam.
SÃO CUMULATIVOS

• Três funções:

• 1) Meio geral de trocas: meio intermediador da circulação de bens.

• 2) Unidade de conta: pode ser usado como medida do valor de bens e


serviços.

• 3) Meio legal de pagamento: eficácia liberatória à entrega de espécies


monetárias em pagamento de obrigações pecuniárias.
• Lei nº 71-A/76, 11 de Nov. (Lei da Moeda Nacional).
• Lei nº 20/12, 30 de Jul. (nova família do Kwanza)
65
Tendo por objecto uma prestação em dinheiro, venham proporcionar ao
credor o valor que as respectivas espécies provam como tais

Modalidades:

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OBRIGAÇÕES DE QUANTIDADE: Artigo 550º:
VALOR NOMINAL,
1) Princípio do curso legal.
FACIAL
2) Princípio do nominalismo monetário:
OU EXTRÍNSECO

Como em períodos de inflação ou deflação,


esse valor de troca pode sofrer grandes VALOR DE TROCA
alterações, entre o momento da constituição 1. INTERNO: quantid. bens
e o do seu cumprimento,
2. EXTERNO: quantid.
O art. 550.º dá preferência ao valor
moedas que ela vale
nominal, contra o valor de troca.

O risco de desvalorização corre por conta do credor


Excepções: 1ª) As partes estipularem o contrário;
2ª) A lei vem prever a actualização (artº551):
Ver 567.º n.º3, 437.º, 1104,

São obrig. genéricas. Contudo, é impossível a extinção do género.


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Obrigações em moeda estrangeira (valutárias)
Objectivos:

1. Acautelar-se contra uma eventual desvalorização da moeda nacional;

2. Especular com a eventual subida da moeda estrangeira.

Podem ser:
o Valutárias próprias – pagamento é efectivado em moeda estrangeira;
o Valutárias impróprias – a moeda estrangeira serve de bitola do valor da obrig.

Critério distintivo: o local do cumprimento.

Vencem juros de acordo com a taxa legal da moeda em causa ou a taxa de


mercado, quando esta não exista. O art. 806º/2 não se aplica às valutárias.

O artº558/2 prevê as consequências para a mora do credor.

Caso seja o devedor a entrar em mora, aplica-se o artº 804/2.


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2. Questões a colocar pelos estudantes

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70
71
Remuneração em razão da cedência ou deferimento de coisas fungíveis
(capital), por um dado período de tempo

correspondente à utilização do capital.

Representam uma prestação devida como compensação ou


indemnização pela privação temporária de uma quantidade de coisas
fungíveis denominada capital e pelo risco de reembolso desta

Uma obrigação que se constitui tendo como referência uma outra obrigação (de

capital: 212.º/2). e constitui economicamente um rendimento desse capital.

São no entanto, duas obrigações distintas.

O crédito de juros adquire autonomia em relação ao crédito de capital (561)


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1. Cód. Hamurabi: Cap.VII, juros: art.O. Se um mercador emprestou a juros grãos ou
prata e não recebeu o capital, mas, recebeu os juros do grão ou da prata, e, ou não
descontou o grão ou prata que recebeu e não redigiu um novo contrato ou adicionou
os juros ao capital, esse mercador restituirá em dobro todo grão ou prata que
tomou.

2. O Código de Manu: Art. 138. Um mutuante de dinheiro, se ele tem um penhor, deve
receber, além de seu capital, o juro fixado por Vasistha, isto é, a octogésima parte de
cem por mês ou em um quarto. Art. 150. Um juro que ultrapassa a taxa legal e que se
afasta da regra precedente, não é válido; os sábios o chamam processo usuário; o
mutuante não deve receber no máximo senão cinco por cento.

3. A Lei das XII Tábuas: Tábua VIII – dos Delitos: Os juros de dinheiro não podem
exceder de uma onça, isto é, 1/12 do capital por ano (unciariu foenus), o que dá 8 1/3
por cento por ano; se se calcula sobre o ano solar de 12 meses, segundo o calendário
já introduzido por Numa (a pena contra o usuário que ultrapassa o limite é do
quádruplo).

4 Bíblia: Deuteronôm., 23,v.19 a 20: - A teu irmão não emprestarás à usura, nem à usura
de dinheiro, nem à usura de comida, nem à usura de qualquer coisa que se empresta à
usura. Ao estranho emprestarás à usura, porém a teu irmão não emprestarás à usura.

5 Alcorão: Cap.II, v.276: ‘Deus permitiu a venda, proibiu a usura. Aqueles que voltarem
para a usura serão entregues ao fogo, onde ficarão eternamente’. Capítulo III, v. 125 – ‘Ó
crentes! Não vos deis à usura, elevando a quantia ao dobro e sempre ao dobro’. 73
Legais – Artº 559/1. Normas legais determinem a atribuição de juros
(artº 806/1), ou supletivamente sempre que as partes estipulem a
atribuição de juros sem determinarem a sua taxa.

Convencionais – artº 559/2 – a sua taxa ou quantitativo é


estipulada pelas partes.
Os Contudo, ver o artº559-A, (juros usurários).

juros Remuneratórios – Finalidade remuneratória


– preço do empréstimo do dinheiro.
podem
Compensatórios – proporcionar ao credor um pagamento que
ser: compense uma temporária privação de capital, que ele não deveria ter
suportado.
Moratórios – natureza indemnizatória dos danos causados pela mora,
visando recompensar o credor pelos prejuízos sofridos, pelo
retardamento no cumprimento.
Indemnizatórios – indemnizar os danos sofridos por outro facto
praticado pelo devedor (para além da mora): o incumprimento definitivo.
74
JUROS SIMPLES

J = P (ou C) . i . N J = juros
P = principal (capital)
i = taxa de juros
Dívida de USD 1.000,00 que deve ser paga com
n = número de períodos
juros de 8% a.m. pelo regime de juros simples e
devemos pagá-la em 2 meses.
Os juros que pagarei serão: J = 1000 x 0.08 x 2 = 160

Montante = Principal + Juros


Montante = Principal + ( Principal x Taxa de juros x Número de períodos)

Calcule o montante resultante da aplicação de USD 70.000,00 à taxa de


10,5% a.a. durante 145 dias.

SOLUÇÃO: M = P . ( 1 + (i.n) ) M = 70000 [1 + (10,5/100).(145/360)]


= USD 72.960,42
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É proibido o anatocismo (cobrança de juros sobre juros)
Art. 560.º

Anactocismo é a capitalização de juros (juros sobre juros).

Se alguém emprestar 1000 Kz a uma taxa de 10% ao ano, ao fim de 5 anos


terá a receber 1500 Kz (1000 de capital e 500 de juros).

Caso os juros fossem capitalizados, cada vencimento de juros implicaria


um acréscimo no capital, que passaria
No 2.º ano a ser de 1100 Kz,
No 3.º de 1210 Kz,
No 4.º de 1331 Kz, e
No 5.º de 1464,10 Kz, sendo o total a restituir de 1610,51 Kz, o que
implicaria ter a taxa de juro efectiva ultrapassado os 12% anuais.
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O anatocismo

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2. Questões a colocar pelos estudantes

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81
Índice

3.3. Modalidades de obrigações quanto aos sujeitos

3.3.1. A indeterminação do credor na relação obrigacional.

3.3.2. A pluralidade de partes na relação obrigacional.

3.3.2.1. As obrigações conjuntas ou parciárias.

3.3.2.2. As obrigações solidárias.

3.3.2.3. As obrigações plurais indivisíveis.

3.3.2.4. Outras modalidades de obrigações plurais.

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A indeterminação do credor na relação obrigacional

• Artigo 511.º: o credor pode não ficar determinado no momento em que


a obrigação é constituída, embora deva ser determinável, sob pena
de ser nulo o negócio jurídico de que resulta a obrigação.

• No entanto, o devedor é obrigatoriamente determinado logo no


momento em que a obrigação é constituída.

• Exemplos:
• A promessa pública referida no artigo 459.º;
• Os bilhetes de lotaria premiados (credor é quem tiver a sua posse);
• Os cheques à ordem (com a sua possibilidade de endosso).

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A PLURALIDADE DE PARTES NA RELAÇÃO OBRIGACIONAL

Obrigação singular:, abrange apenas duas pessoas (credor e devedor).

O vínculo obrigacional pode, contudo,


envolver mais do que um credor e mais do que um devedor.

Obrigações plurais activas – Quando um devedor se


obriga perante dois ou mais credores.
Obrigação plural
Quando abrange mais do Obrigações plurais passivas – Quando dois ou mais
que dois sujeitos, tendo devedores se obrigam perante um credor.
assim uma pluralidade de
credores e/ ou devedores
Obrigações plurais mistas – Quando dois ou mais
devedores se obrigam perante dois ou mais devedores.

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Depois de se saber o número de devedores ou de credores que a relação
obrigacional tem, é muito importante saber:

1) Como se processa a contribuição dos vários devedores


para a realização da prestação?

2) Em que termos pode cada um dos credores exigir a


prestação?

Obrigações conjuntas
As ou parciárias
obrigações plurais
dividem-se em:
Obrigações solidárias

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• Cada um dos devedores só está vinculado a prestar ao credor ou
credores a sua parte na prestação e cada um dos credores só
pode exigir do devedor ou devedores a parte que lhe cabe.

• A prestação é assim realizada por partes, prestando cada um dos devedores


a parte a que se vinculou e não recebendo cada um dos credores mais do que
aquilo que lhe compete.

• Exemplo:
• Se A, B e C prometeram entregar a D, E e F 900.000 Kwanzas;
• Então, A só é obrigado a entregar 100.000 Kz a D, 100.000 Kz a E e
100.000 Kz a F;
• D só pode exigir 100.000 Kzs a A, 100.000 Kz a B, e 100.000 Kz a C;
• D nunca poderá exigir mais do que os 100 Kz a cada um dos devedores.
86
Solidariedade Solidariedade Solidariedade
activa Passiva Mista
O devedor A, Os devedores A, B e C
obriga-se a pagar Devedores A, B e C obrigam-se a obrigaram-se a pagar
aos credores D, E e pagar ao credor D 900.000 Kz. aos credores D, E e F
F 900.000 Kz. 900.000 Kz.
Um dos dois ou mais Qualquer um dos dois ou
credores pode exigir O credor pode exigir de apenas um dos mais credores, pode exigir
do devedor a de um dos dois ou mais
prestação integral devedores, a totalidade da prestação. devedores, a totalidade da
(artº512/1). prestação.
O devedor fica Se um dos devedores cumprir a totalidade
liberado, podendo os da prestação, isso libera-o a ele e a
restantes credores todos os outros devedores perante o Neste caso, concorrem os
apenas exigir o credor.
regimes da solidariedade
pagamento devido ao O devedor que cumpriu a totalidade da
credor que foi activa e da solidariedade
prestação, exercer o direito de regresso
satisfeito na totalidade (artº524), e exigir dos outros devedores a passiva.
(artº512/1 e artº533). parte correspondente na prestação que
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A solidariedade nas obrigações só existe se for prevista por lei, ou
convencionada pelas partes. A regra geral é a das obrigações conjuntas
Solidariedade activa Solidariedade passiva Solidariedade mista

São praticamente inexistentes Encontra-se prevista por lei, nos artigos:


os casos em que a lei preveja a ● Artº467 – Pluralidade de gestores;
solidariedade activa. ● Artigos 497 e 507 – Resp. Extracontrat;
● Artº649 – Pluralidade de fiadores;
Este tipo de solidariedade tem ● Artº1139 – Pluralidade de comodatários;
pouco interesse prático. ● Artº1169 – Pluralidade de mandantes.

A identidade da prestação em relação a todos os sujeitos da obrigação.

As
características A extensão integral do dever de prestar ou do direito à prestação em
das obrigações relação, respectivamente a todos os devedores ou credores.
solidárias são:
E o efeito extintivo comum da obrigação caso se verifique a realização
do cumprimento por um ou apenas a um deles.
88
A relação entre os devedores e o credor (I/II)

• Direitos dos credores:

• Exigir judicial ou extrajudicialmente a prestação de qualquer dos


devedores
– Renúncia à solidariedade (art.º 517 e 527).

• Interpelar ou demandar os condevedores, pelo que tiver exigido ao


primeiro, devedor, se houver entretanto insolvência ou risco de
insolvência do condenado, ou se a execução contra ele se mostrar
particularmente onerosa ou morosa para o credor.

• Se algum dos condevedores, por erro, realizar a prestação depois de


outro já ter cumprido, poderá exigir do credor a repetição do indevido
89
A relação entre os devedores e o credor (II/III)

Meios de defesa (514.º – meios de defesa pessoal ou comum)

• Os meios comuns:

– podem referir-se à fonte da obrigação, ao funcionamento da relação


obrigacional no que toca ao credor, ou a outro facto que, pela sua
natureza, respeite a todos os devedores.

– Artigos 220.º, 280.º, 294.º, 428.º, 337.º, 270.º, 762.º, 737.º, 747.º,
790.º, 813.º, 868.º)

90
• Os meios pessoais são factos que, afastando temporária ou
definitivamente a pretensão do credor, se referem apenas a um dos
condevedores, só por este podendo ser invocados.

– a) só podem ser opostos pelo devedor a quem se referem, mas, uma


vez invocados, aproveitam a todos face do credor (compensação)

– b) outros, além de serem invocáveis apenas pelo devedor a quem


respeitam, só a ele aproveitam também, na medida em que o libertam
definitivamente da obrigação, prejudicando os outros condevedores.

– c) Outros também só podem ser invocados pelo devedor a quem


respeitam, mas não prejudicam os outros condevedores, embora
também não lhes aproveitem (309.º e art. 521.°, nº 1).

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Modos de satisfação do direito do credor. Art. 523.°

• 1. Compensação – art. 523.° e 848.°.

– Se A e B deverem Kz 50.000 a C, em regime de solidariedade, e A for


credor de C, por igual importância, só ele (A), e não B, pode declarar
extinta a obrigação (solidária) para com C, por meio de compensação
com o seu crédito.

– Fazendo-o, porém, a extinção da dívida aproveita igualmente a B, sem


prejuízo do direito de regresso do compensante.

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• Modos de satisfação do direito do credor. Art. 523.°

• 2. Confusão.

• Admitamos que, sendo A, B e C devedores solidários de D pela soma de Kz


60.000, o credor morre e lhe sucede como herdeiro o condevedor A.

– Quando assim seja, a dívida de A extingue-se por confusão.

– Os dois condevedores restantes (B e C) continuam devedores solidários,


agora perante A, mas deduzindo à prestação integral a quota correspondente
ao antigo devedor (art. 869.°).

– Trata-se de um facto pessoal que, todavia, pode ser invocado pelos outros
obrigados, a quem aproveita, na medida da quota correspondente ao
devedor a quem o facto se refere.

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Modos de satisfação do direito do credor. Art. 523.º

• 3. Remissão.

– Constitui um facto pessoal, que aproveita sempre ao devedor a quem


respeita; quanto aos outros, ou lhes aproveita na medida da quota do
beneficiário ou, pelo menos, não os prejudica.

• 4. Prescrição

– Corre autonomamente para cada um dos condevedores.

– Pode suceder que a obrigação prescreva em relação a um ou alguns e não


esteja em condições de prescrever quanto a outros.

– Nesse caso, se aquele ou aqueles cuja obrigação não prescreveu forem


obrigados a cumprir, gozarão do direito de regresso contra aqueles cujas
obrigações se achassem prescritas.
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Modos de satisfação do direito do credor. Art. 523.º

5. Renúncia à solidariedade

• É feita a favor de um só ou alguns dos devedores (art. 527º).

• Distingue-se da remissão, porque na renúncia à solidariedade o credor se


compromete apenas a não exigir do beneficiário uma prestação superior à quota
deste.

• Havendo insolvência de algum dos condevedores, o beneficiário da renúncia


responderá, além da sua quota, perante o titular do direito de regresso e ainda
perante o próprio credor que demandou o insolvente.

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Interpelação do devedor; interrupção da prescrição; renúncia à
prescrição; caso julgado; impossibilidade da prestação imputável
a um dos devedores.

• 1. Renúncia à prescrição. Não se impõe aos outros devedores, que podem


opor a prescrição da sua obrigação contra o devedor que, renunciando a esta,
os interpelo em seguida, no exercício do direito de regresso (art. 521º, nº 2).

• 2. Caso julgado. Permite-se que a sentença proferida em relação a um dos


devedores aproveite aos restantes, mas não os prejudique, não lhes seja
oponível.

– Quando demandados podem opor, não só os meios pessoais de defesa,


mas os próprios meios comuns, desde que a decisão não se baseie em
fundamentos que respeitem pessoalmente ao devedor demandado.

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Interpelação do devedor; interrupção da prescrição; renúncia à
prescrição; caso julgado; impossibilidade da prestação imputável
a um dos devedores.

• 3. Impossibilidade da prestação.

– Se for por causa não imputável a nenhum dos devedores, a obrigação


solidária extinguir-se-á em relação a todos eles.

– Se for imputável a um ou alguns dos devedores, quanto à indemnização:

– Entre a parte desta, correspondente ao valor da prestação devida,


mantém-se a responsabilidade solidária de todos os devedores

– Na parte excedente: só responde por ela o devedor ou os


devedores a quem o facto seja imputável (art. 520º).

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As relações entre os devedores solidários

• O devedor demandado que satisfizer a prestação acima da parte que lhe


competir, tem direito de regresso sobre os outros (artº524), mas também só
nas partes que lhes competirem.

• Em caso de insolvência de um deles ver artº 526/1.

• O credor de regresso deixa porém de poder aproveitar esse benefício de


repartição, se foi por sua negligência que não lhe foi possível cobrar a parte do
devedor insolvente (artº526/2).

• Os meios de defesa que os devedores tinham perante o credor também são


válidos contra o credor de regresso (artº525/1), a menos que fosse um meio
comum de defesa (artº525/2).

• No caso de prescrição aplicam-se os artigos 521/1 e 521/2.


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OBRIGAÇÕES PLURAIS INDIVISÍVEIS
Regime das obrigações divisíveis e indivisíveis (artigos 534.º a 538.º)
• Se a obrig se extinguir em relação a alguns dos devedores, pode o credor exigir aos
outros devedores a prestação, ficando contudo, obrigado a devolver aos devedores que
cumpriram, a parte que cabia ao devedor ou devedores exonerados (artº536).

• No caso de impossibilidade da prestação por culpa de um ou mais devedores, ficam


os devedores não culpados exonerados da obrigação (artº537). Apenas o devedor ou
devedores culpados serão sujeitos à obrigação de indemnização perante o credor.

• Se a obrigação for indivisível com pluralidade de credores, qualquer um deles tem o


direito de exigir a prestação por inteiro, mas que o devedor, enquanto não for
judicialmente citado, só relativamente a todos os credores em conjunto se pode exonerar
(artº538).

• A citação judicial do devedor por um dos credores transforma a obrig. conjunta em


solidária. Qto. aos restantes credores ver os artsº 865/2 e 870/2.
99
OUTRAS MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES PLURAIS
Obrigações correais Obrigações disjuntas Obrig. mão comum
Embora havendo uma Correspondem a obrigações Apesar de ocorrer uma
pluralidade de devedores de sujeito alternativo pluralidade de partes,
ou de credores, quer a (existe uma pluralidade de essa resulta da pertença
obrigação quer o direito devedores ou de credores, da obrigação a um
de crédito se mas apenas um virá, por património de mão
apresentarem como escolha, a ser designado comum, autonomizado do
unos. sujeito da relação restante património das
obrigacional). partes.
Assim, o crédito não se
pode extinguir apenas em A escolha neste caso não O vínculo estabelece-se
relação a um dos se coloca em relação a de uma forma colectiva,
devedores, ou a um dos várias prestações possíveis, onerando o conjunto de
credores, extinguindo-se mas sim, em relação aos devedores com o dever
antes globalmente sempre sujeitos da obrigação, de prestar ou o conjunto
que ocorra uma vindo posteriormente um de de credores com o direito
circunstância extintiva entre vários, a ser designado à prestação.
que afecte um dos como devedor ou credor.
sujeitos da obrigação. Ver o artº 2097.
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