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Superlives #4  Dr.

Ítalo Marsili
As quatro narrativas possíveis do ser-humano (e a causa da
infelicidade humana).

1- Qual é o cenário da minha história?  é só material?

 Exemplo do isqueiro (o mundo transcende a materialidade imediata


 nós enxergamos a função, enxergamos o feixe de possibilidades).
 O prof. Olavo de Carvalho chama isto de círculo de latência.
 Portanto, a Realidade é o que eu vejo (percebo fisicamente de modo
imediato) e o que pode ser (as potencialidades).

2- O Dr. Ítalo Marsili lança um desafio: me conte sua vida agora em


duas frases;

 Para narrar é preciso selecionar (princípio de seleção  Prof. Tiago


Amorim);
 No fundo, pensamos algo assim (ao assistir Narcos): “Porra, o Pablo
Escobar é fueda!” Por que pensamos isto (apesar dele ser
moralmente mal)? Porque é uma narrativa, é uma história.
 Quem você é? Me conta sua vida, me conta a sua história.

Ao tentar respondera a esta pergunta, sentimos dificuldade, pois


falta-nos um argumento vital.

 É por falta deste argumento vital que acabamos por nos apegar aos
símbolos externos (na religião e em tudo mais);

3- É desta falta de contar uma história humana que vem todas as


desesperanças;
 As profissões do nosso tempo não são cristalinas, não são profissões
cujo argumento vital esteja dado dentro delas.
 Aderir à uma carreira não tem nada a ver com o desenvolvimento
argumental da sua vida.
4- Qual é o meu eixo narrativo?
 A única coisa que o ser humano pode fazer é contar uma história;
 A substância da vida humana é narrativa;
 “Narrar é humano” – Yuri Vieira;

5- " Quem nao sabe narrar, nao sabe viver".

Ferramentas para narrar a sua vida pessoal -

Como se conta uma historia pessoal (pergunta) - O que estou narrando


dentro deste eixo?

1- Diário.

2- Autoretrato.

de Graciliano Ramos aos 56 anos.

3- Memórias. - a memoria serve para ser articulada dentro de um eixo


narrativa.

4- Crônica.

 Dos sineiros (Machado de Assis)

5- Auto-biografia.

 Confissões de Santo Agostinho

- As memórias são combustíveis para nos encaixarmos em nosso eixo


narrativo.

 Micro-vidas chamada dias;


 “O homem pode suportar qualquer como, desde que tenha um
porquê”.  Aos 25 anos apegar-se à todos os símbolos externos de
sucesso (lembro do conto do machado, onde há um general de farda)/
ou (o contrário) virar um hippie moderno.
 Epidemia da maioria das pessoas com ansiedade e depressão: falta de
um eixo narrativo (uma das causas)  Narrar a própria história:
fonte da “autoridade espiritual”?
 O que são peripécias?

substantivo feminino
1.
momento de uma narrativa, peça teatral, filme etc. que altera o curso dos
acontecimentos, ger. de maneira inesperada, e modifica a situação e o modo de agir
dos personagens.
2.
INFORMAL
acontecimento inesperado, imprevisto.

 Diário de situação

 O auto-retrato do Graciliano, apesar de cômico, não tem um argumento vital,


é fragmentário (não a toa, ele quer morrer);

+ Instagram e facebook (redes sociais de modo geral): pseudo-registros da sua


história.

 No instagram há memórias e pequenas crônicas do dia-a-dia  é um vestígio


do instinto narrativo.

 A memória não dá conta, nem o auto-retrato, nem a crônica, o diário ajuda


muito. Mas o que dá conta mesmo é a auto-biografia.

 Uma autobiografia, pra ser boa, tem de ter o seguinte: qual o argumento
desta vida? Para que este cara viveu? Em torno do que esta porra toda se
articulou?

 O sujeito tem um argumento, por isso ele tem uma vida.

 Autobiografia: só depois de 1.000 dias completos vividos (até lá, diário);

 “Preste atenção: só uma personalidade madura atrai, convence, muda,


reforma a vida dos outros”.

 “O que é uma personalidade viva madura? É uma personalidade que


conseguiu contar uma história coerente; dentro de um argumento”.

 Só quando você encontra seu argumento vital é que você passa a viver
mesmo.

 “Ego, tecnicamente falando, é a tua história: a história que você contou e,


portanto, a história que você viveu.
 “Falar eu é particularizar a sua história”.

 “A vitimização (achar que todo mundo te deve tudo) é um sinal claro de que
você não tem um argumento vital”.

 Isto é um sintoma da nossa geração.

 Posicionamento existencial: ou se está na periferia de si ou se está no


centro de si.

 A frase do Frankl também funciona aqui, mas ao contrário ( ou seja, uma vida
sem o porque não suporta nenhum como);
 Aqui também lembrei da frase que li no As aventuras de Tom Sawye, de
Mark Twain  “O resmungo é o padre-nosso ao contrário”.

 Reposicionar o sujeito no centro de sua história.

1- Precisamos começar pela ambiência: onde você se move?  eu vou


desenrolar minha história num lugar mais baixo (meramente material) ou num
mundo mais alto, de significados espirituais?

Os quatro eixos narrativos:

1- Eixo narrativo imoral/indigno do ser humano:


material/subjetivo. Evitar o sofrimento e aderir ao prazer. Ele
não é, no fim das contas, possível  São os Shudras.

2- Eixo narrativo material-objetivo: vai buscar prosperidade. 


serviço/empreendedores  só faz sentido se for pra fora.

 Aprender uma função/ofício útil; é o vaishya  fazer algo útil


que sirva – mote geral, argumento.
 Daqui, deste eixo narrativo, cria-se o enredo.

 Sucesso = aumento do espaço de segurança para você


poder cuidar dos seus filhotes em paz.
 Serviço: pode ser animal ou então humano (qual a
finalidade do ser humano?).

 É preciso adicionar este argumento ao serviço;


 Fazer a vida dos outros ser mais humana, mais pessoal.
 Técnica narrativa do diário: minha vida hoje foi um sucesso
ou foi uma tragédia?

A vida shúdrica é um conjunto de reações


orgânicas/animalescas.

 Vaishya: inferior ou superior;

3- Espiritual-subjetivo: nobreza, cavalaria  ser leal, ser nobre,


ser digno - bombeiros, policiais, heróis.

4- Mundo espiritual-objetivo: eixo intelectual/sacerdotal.

 Olhar objetivo para o mundo espiritual;


 Entender e explicar;
 Entender como as coisas são e explicar por abundância;
 Brâmanes;
 A vocação intelectual está atrelada ao serviço.

 Auto-biografia = 10 anos de diário;

 Não tenha pressa de “dar certo”: dar certo é articular sua vida
em torno de um argumento vital.
 O argumento shúdrico não é argumento, é dissolução.

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