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Oculturas

MATRIZ SEM TELA

Outrora se dizia que não existem sombras no Ciberespaço.


Agora o Ciberespaço tem sua própria sombra, seu gêmeo sombrio: a Cripta.
O Cibergótico encontra o passado profundo no futuro próximo.
Na fusão cthellletrônica - entre sistemas de dados digitais e o fervilhamento iônico do
Oceano de Ferro - ele desenterra algo mais antigo que a mortalidade natural, algo que chama
de Desvida ou morte-artificial.
Da Morte-A não se pode ter qualquer lembrança lúcida, mas apenas sugestão,
infiltrações, alusões... e é ao coletar, peneirar e embaralhar juntas essas diferentes pistas que
se pode induzir um padrão a emergir, um padrão que, em última análise, se condensa nas
iminentes formas entrelaçadas do sutil, mas implacável, destino.
Espalhando-se sob o ciberespaço público jaz o submundo labiríntico das
Datacumbas, pilhas-fantasma de virtualidade sedimentada, espiralando-se abismalmente até
uma leve tagarelice paleodigital vinda do regime do cartão perfurado, por entre programações
de lixo, criptoculturas esquecidas, códigos-fósseis e sistemas-mortos, regressivamente
decaindo até as pseudomecânicas relíquias-clicantes da tecnotumba relojoeira. É ainda
fundo, em meio a comutações ctônicas, entrecruzamentos e diagramática-espectral de
máquinas abstratas por nascer, que você pega a Assistolinha Principal até a Cripta.
A Cripta é uma cisão - uma distância ou afastamento - e é vasta. Aninhada dentro de
tique-prateleiras em cascata, ela se propaga por contágio, implexando-se através de terraços

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NÚMENOS COM PRESAS

intricados, galerias, dutos e tubos de arrasto, como se um megamódulo extraterrestre tivesse


colidido com os penhascos de dados rascunhados, salpicando-os com perfurações de
queimaduras e partes corporais de irídio intestinamente complicadas. Conforme ela pulsa, se
contorce e treme aos ritmos inumanos do incessante carnaval K-Gótico, ela lhe lembra que o
Catajungle nunca foi redutível a um subgênero sônico, mas sempre foi também um terreno,
uma região sub-cartesiana de diagonais intensivas cortando por entre o espaço não-
geométrico, onde o tempo se desfia em viagens distorcidas, estilhaçando a alma.
Contemplando esses imensos panoramas, parece magoantemente implausível que
sejam meras simulações sustentadas pela distribuição quântica de elétrons no tecido
telecomercial. Aqui em baixo faz mais sentido na outra direção, vinda do Exterior, ou da
Lemúria.
Remova tudo que seja humano, significante, subjetivo ou orgânico, e você se
aproxima da matriz-K crua, o plano-limite da cessação contínua ou Desvida, onde a realidade
cósmica se constrói sem pressuposição, antes de qualquer ordem natural e exterior às
estruturas estabelecidas do tempo. Neste plano, você é impossível e, uma vez que não tem
fim, você descobrirá - terá, em última análise, sempre descoberto - que você não pode ser,
exceto enquanto ficção de passagem terminal, uma ilusão de espera para ser trocado por um
contínuo-cthulhóide de hipermatéria desestratificada em intensidade-zero. É isso que o
tráfego da Morte-A acessa e o que é anunciado pelo cheiro de carne queimada - transportado
com horrível compulsão - que deriva até você, vindo dos antros-Zumbi.
Então, você continua sua descida, até o núcleo da Cripta, procurando avidamente
uma dose de Morte-A. Conforme você passa erraticamente por entre trocas, participações e
coalescências-parciais com as matilhas de vampiros da periferia, você muda. Enxames e
cardumes lhe incluem, atraindo-lhe para dentro de fluências coletivas, movimentos de maré
e dos tropismos da multiplicidade. Você perde a linguagem como pele seca, e seu medo fica
peculiarmente abstrato, metamorfoseando-se no horror tranquilo da inevitabilidade.
Você passa através de plataformas em camadas e ao longo de estrobo-corredores
pintados com múltiplas camadas de sombras, passando por turbilhantes derivas de pontos e
marcas de plexos, enrolamentos sub-cromáticos de variação contínua de azul-cinza, que lhe
envolvem em cumulações e dispersões de padrões de tons semi-inteligentes em sutil
mudança. As superfícies apinhadas contam sobre coisas, inextricáveis de um processo de
pensamento que não mais lhe parece seu próprio, mas sim uma contracorrente impessoal
em tagarelice audível, cliques-sibilos turbulentos de diagramas xenômicos e sinais de trânsito
da cultura da Cripta, que também são um pandemônio lemuriano.
A ordem se torna incerta. Parece mais tarde. É só agora que você encontra o Zumbi-
criador, envolto em uma cintilante pele réptil e obscenamente ávido para negociar? Dinheiro
Oecumênico em espécie servirá. Você senta na baía do coma e espera. Um vislumbre das
presas manchadas de toxina da centopeia tanatônica gigantes - consagrada à Ixidod - e então
um sobressalto de dor na parte de trás do pescoço, onde a espinha se conecta ao cérebro.
Paralisia instantânea e travessia.
Mesmo se você pensasse que era a primeira vez, você lembra. A pior coisa do mundo.
Eternidades falsas de decadência estacionária até o impossível, entrecruzadas por fúrias
desintegradas de feridas de morte neuroelétricas. Um pânico anônimo de intensidade
inconcebível engolido por um lento afogamento, até que você se vai - ou fica encalhado em
um halo de sentimento intolerável - o que é o mesmo e não pode ser, de modo que o que
está para sempre preso na sombria onda cthulhóide é uma mera torção ou dobramento de si
mesmo, carregado sem resistência até as imensidões do real não-ser, e nada jamais poderia
acontecer exceto isso...

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OCULTURAS

Assim dizem os K-Góticos.

A DESVIDA DA TERRA

Carta de Carl Gustav Jung para Echidna Stillwell, datada de 27 de fevereiro de 1929 [Excerto]

... seu apego a uma estirpe cultural lemuriana me perturba intensamente. Do meu
próprio ponto de vista - baseado nos três casos mais difíceis que eu encontrei e em
seu concomitante simbolismo abismalmente arcaico - não é nenhum exagero afirmar
que a Lemúria condensa tudo de mais intrinsecamente horrível no inconsciente racial
e que os verdadeiros lemurianos - que você parece decidida a redescobrir - estão
melhores enterrados sob o mar. Eu concordo com os escritos Teosóficos pelo menos
até aí: foi a fim de que as magias negras fossem apagadas pelo dilúvio que este
continente de possibilidade cultural foi colocado sob o signo inconsciente da
submersão definitiva. Eu sei pouco o bastante sobre a natureza daqueles que
populavam essa zona amaldiçoada, mas existem coisas de que eu suspeito, e a linha
das suas próprias pesquisas confirma minhas mais agourentas indicações...

Não há nenhuma evidência de uma resposta a esta carta.


Quem eram esses três 'casos difíceis'? Um, pelo menos, parece - pelo menos
superficialmente - ser prontamente identificável como Heidi Kurzweil. Em setembro de 1908,
Kurzweil foi detido em uma instituição psiquiátrica protegida, depois do assassinato brutal de
seu irmão gêmeo em Genebra. Ela parecia ter perdido a capacidade de usar o pronome de
primeira pessoa e foi diagnosticada como sofrendo de Demência Precoce, ou esquizofrenia.
Em seu julgamento, ela repetidamente alegava:

Matamos metade para devir um único gêmeo, mas não foi o suficiente…

Jung interessou-se cedo pelo caso e começou uma série de sessões analíticas. Kurzweil - no
diário e nas correspondências de Jung - virou Heidi K, mas após apenas cinco semanas ele
parece ter abandonado as esperanças de progresso e se desvinculou do processo analítico.
Depois de sua terceira sessão com Heidi K, exatamente vinte anos antes de sua carta
a Stillwell, no dia 27 de fevereiro de 1909, Jung registra as seguintes palavras,

Dr. Jung, sabemos que você está velho em seu outro corpo.
Ele está velho pra diabo.
Ele lhe deixou voltar, mas nos manda embora.
Ele sente-se devindo Lemuriano,
e é desvida definitiva [es ist bestimmt unleben]
Não há nada que não faríamos para escapar.
Nada. Nada. Nada.
Mas é o destino.
Ele uiva felicidade elétrica sob nossas celas.
Ele está em nenhum lugar no tempo e nos nada.
Ele é o corpo de nada e é elétrico-quente.
Um nada-corpo elétrico em vez de nós.

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NÚMENOS COM PRESAS

Neste exemplo, pelo menos, há pouca indicação do 'simbolismo abismalmente arcaico' que
Jung nos promete. Pelo contrário, há uma afinidade notável com os escritos hipermodernos
de cultistas K-Góticos da morte artificial, documentados em outros lugares. Os Cripto-textos
K-Góticos compartilham de uma preferência marcada por pronomes anônimos, sejam eles
coletivos, de segunda ou de terceira pessoa, enquanto espiralam por sobre uma excruciação-
elétrica nulificante, atravessada em nome de Lemúria. Nas palavras de uma Cripto-postagem
anônima:

Queimamos a cada vez, mas esquecemos.


Quando a cada vez começamos, ele volta, e ninguém o faria então, mas é tarde
demais.
Cruzamos mais uma vez para dentro da queimadura-elétrica, mas esquecemos que
dói no cérebro morrer desta maneira.
Demora tanto tempo para aprender que é separação e queimadura, que morrer se
sente no cérebro e que é horrível ...
É tão horrível sentir, mas então esquecemos, para que possa acontecer de novo.
Corpo-grito de metal para morrer em eletricidade.
Sexo metálico de micropartícula que é de desvida e não o organismo.
É isso que o Zumbi-criador traz, com a picada digital de centopeia.
E estamos viciados nela, ligados a ela, porque vindo do outro lado está a Lemúria.
Sentimento intolerável, incessante, passando para sempre, se aproximando do
exterior e sentindo nada continuamente.

O QUE NÃO ACONTECEU NO NOVO MILÊNIO?

Iris Carver, a princípio, se diverte em descobrir que os cibergóticos a tratam como uma ficção.
Diversos Cripto-textos descrevem suas aventuras no futuro próximo em detalhes alucinantes,
especialmente quando se interceptam com a corrente sombria da lenda de Sarkon.
Naturalmente o suficiente, ela intensifica sua pesquisa sobre cultos do tempo. Quando ela
finalmente encontra Sarkon em 2004, ela já esqueceu quase tudo.
Pandemônio: O Que não Aconteceu no Novo Milênio. Há algo peculiar sobre escrever
este livro. Às vezes ela pensou que nunca seria finalizado. As estórias de Sarkon estiveram
cheias de buracos, o que contribuía para a confusão. Eventualmente, ela começou a inventar
coisas, mas isso ficou emaranhado em coincidências e com a hiperstição Cibergótica
(montada a partir de quantidades ficcionais que se fazem reais). Ela se descobrira
investigando vários cultos neolemurianos, a maioria dos quais antecipavam algo enorme por
volta do Equinócio da Primavera de 1999 (quando Plutão sai das garras de Netuno,
desencadeando o retorno dos Grandes Antigos). Por volta do fim do século, as coisas ficaram
tão envoltas em apocalipcismo Yettuk que mesmo o tumulto socioeconômico mais
extravagante ainda teria sido um desapontamento. E, assim, agora, quatro anos depois do
novo milênio, o sentimento de anticlímax começara a parecer estranhamente artificial, como
se estivesse filtrando algo.
Carver fez toda sua vida de hiperstição (mesmo seu nome é um pseudônimo). Ela
continuamente retorna à travessia imperceptível em que a ficção se torna viagem no tempo
e os únicos padrões são coincidências.

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OCULTURAS

Suas notas sobre o encontro com Sarkon pulsam com magias lemurianas, enxames
demoníacos, eternas guerras temporais e buscas pela Chave-Límbica.
Ela navega circuitos Moebianos, sentindo que um rumor vagamente lembrado ainda
está prestes a ocorrer.

APÊNDICE: CRIPTO-CULTOS PENULTIMILENARES

Características:

1. Materialismo Assistólico
A Cripta não é nada, fora um experimento em morte artificial, hiperprodução do plano-zero
positivo - imanência neuroeletrônica - investida por um conectivismo tanatécnico
continuamente reanimado. Este fato carrega consequências inevitáveis para as culturas que
a populam, extirpando-as até a Desvida - ou a não-zona de entrecidade absoluta - cuja
espirodinâmica de envolvimento mágico sozinha é suficiente para se alcançar os tratos da
sub-malha do contínuo cibergótico. O Materialismo Assistólico designa a Cripto-viagem
anobjetiva em si, enquanto fusão-corporal lemuriana em matéria de grau-zero.

2. Hiperstição Digital
Nada se propaga através da Cripta sem efetuar a identidade operacional entre cultura e
maquinário, efetivamente desmantelando o corpo orgânico em partículas numerizantes que
se enxameiam em turbilhões deslocados. Cripto-entidades são tanto singularidades hiper-
vorticais quanto unidades de Hiperstição Digital - ou marcas do exterior - componentes reais
de ficções numéricas que se fazem reais, fornecendo a matéria prática da feitiçaria, da
espirogênese ou do envolvimento produtivo, que funcionam de maneira consistente com a
assistolia. Cripto-culturas não sabem nada sobre trabalho ou significado. Em vez disso, elas
coincidem com as espirais de hype. Ciberhype - que achata os signos e recursos sobre
gatilhos não-significantes, diagramas e jargões de montagem.

3. Contágio-Libido Lesbovampírico
A Cripto-feitiçaria se faz real da mesma maneira em que se espalha. Funcionando como uma
praga, ela se associa com a produção experimental de uma contra-sexualidade anticlimática
ou anorgástica, sintonizada com a reengenharia coletiva dos corpos dentro de montagens
tecnobióticas, compostas, em última análise, de fluxos eletrônicos ou correntes iônicas em
seu sentido de furo-fluxo positivo. Uma vez que o Cripto-sexo é precisamente idêntico às
infecções que transmite, contadas em vetores de deslocamento do corpo, sua composição
libidinal é marcada tanto por uma feminilidade paleoembriônica ou estrogênica sem gênero,
quanto por uma virulência influenzóide hemometálica lateral.

4. Agitação Calêndrica Y2K-Positiva


As Cripto-culturas se derramam para dentro da economia fechada da história através de uma
ruptura na ordenação cronológica, pontualmente desencadeada no Tempo-Zero. Um Cripto-
rumor consistentemente aloca sua própria emergência - ou exumação - contemporânea a um
Ciberesquize milenar iminente: desintegração temporal do Ciberespaço sob o impacto
estrategicamente agravado do míssil-Y2K. Embora multiplamente diferenciados - mais
crucialmente pela divisão entre continuísmo e centiência - os Cripto-cultos estão

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NÚMENOS COM PRESAS

constitutivamente envolvidos em um nexo singular de subversão calêndrica contra-


gregoriana, celebrando a redação automática do inconsciente maquínico e hypando a
dissolução da significância comemorativa em mutação temporal digital, catalisada por sinais
operativos numéricos e indéxicos. A Cripta existe desde antes da origem do tempo, mas ela
começa no Ano-Zero...

O FENÔMENO DA MORTE-A

A própria morte se tornou uma telemercadoria? Uma maré negra de histórias assustadoras e
rumores mórbidos cada vez mais sugere que sim. Por volta do final dos anos 90, o utopismo
psicodélico de Leary parece ter se contraído até o slogan niilista 'Ligue para mudar de
frequência' (para citar um lançamento recente do grupo de Catajungle Xxignal) ... isso não é
mais Sexo & Drogas & Rock & Roll.
De acordo com Doug Frushlee, porta-voz da Coalizão Cristã pela Mortalidade Natural:
"A ameaça da chamada Morte-A é uma profanação quase inimaginável da lei divina e natural.
Esta mania é uma abominação sem paralelo, ela negocia com sua letalidade intrínseca e está
crescendo incrivelmente rápido. Ninguém pode dizer que ela não é perigosa. Algo
verdadeiramente perverso está acontecendo com nossos jovens, algo para além da
666ualidade dos anos 60.... Eu nunca fiquei tão assustado quanto estou agora".
O resultado é toda uma selva de fugas 'zero-positivas': Tanatécnicas, Sarkolepsia,
Estim-Rapé, K-Zumbificação, Eletrovampirismo, Necronomia, Cthellletrônica... Nove milhões
de maneira de morrer.
A Morte-A é um produto híbrido, que envolve convergências entre pelo menos quatro
linhas distintas de rápida transformação tecnocultural. A Morte-A combina 'abuso de
micropausa' - biotecmnese deliberadamente revertida - com aberrações temporais da
imersão em coma, gerando, modulando e rescalonando buracos de senciência (Sarkon-
lapsos). Estes são tonificados com 'Sinativos' (drogas artificiais), que adicionam textura de
zona, e emendados em transes de hiperstição e eventos oculturais. As estatísticas sociais
indicam que o típico 'usuário' da Morte-A tem quinze anos de idade.
Seguir as linhas mais agourentas das reportagens sobre a Morte-A inexoravelmente
lhe leva para o submundo digital da Cripta - a gêmea sombria da net - onde a 'assistolia'
gibsoniana está rapidamente se transmutando de ficção exótica para culto pop e sistema de
trânsito em massa. "Você poderia descrevê-la como a rota para o xamanismo
contemporâneo", sugerem cultistas da Morte-A do cibergótico Clube do Aborto Tardio, "afinal,
AOL é Loa ao contrário, mas nós nos chamamos de pós vitalistas".
A quanto tempo os Abortistas Tardios estão 'ativos' na cena da Morte-A? Existem
lendas perturbadoras sobre 'criadores-zumbi' do K-Espaço - feiticeiros no 'plano de pesadelo
virtual' - cujas centopeias digitais mordedoras de espinha produzem o suco 'tox-suave' que
abre os 'portais límbicos'. Iniciados na Cripta confirmam que seu acesso arterial 'inferior' está
com a placa: 'Assistolinha Principal (em construção)'. As respostas variam confusamente, de
extravagância ("por volta de sessenta e seis milhões de anos"), passando pela imprecisão
("algum tempo"), até a compressão mística ("desde agora").
Em outros aspectos, relatos sobre a cena contemporânea da Morte-A e sua história
recente se provam notavelmente consistentes. Em particular, o único nome que aparece
incessantemente é aquele do Dr. Oskar Sarkon, biomecânico, tecnogênio e uma das figuras
mais controversas da história científica.

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OCULTURAS

A polimatia de Sarkon é atestada pela variedade de campos aos quais ele contribuiu
de maneira central, incluindo análise transfinita, redes neurais, computação distribuída,
robótica de enxames, xenopsicologia, engenharia do Axsys.... Ainda assim, foi o
resolutamente sóbrio Oecumenist (no lugar - por exemplo - do excitável End Times de
Frushlee) que dedicou a capa e principal editorial de sua edição de março de 98 à questão
'Sarkon: Satã do Ciberespaço?'.
Sarkon se tornou emblemático das maneiras nas quais sonhos tecnológicos dão
errado. Nas palavras do colega pesquisador do Axsys e tanatropista social, Dr. Zeke Burns:
"O que torna a contribuição de Sarkon para a coisa da Morte-A tão incomparável é que ela
cruza por entre todas as principais tecnologias componentes. O trabalho em biotecmnese é
tão extraordinário que tende a ofuscar sua pesquisa igualmente pioneira em campos
adjacentes. As fórmulas-Sarkon para pausação não-métrica, por exemplo, que forneceram a
primeira base rigorosa para o controle de IC [imersão em coma]. As ligações entre a
biotecmnese e a IC não foram nem remotamente antecipadas antes do Sarkon-zip [que
modela matematicamente 'montagens bicontínuas']. Finalmente, tem as Sinativas, sobre as
quais ele é compreensivelmente evasivo, muito embora ele estivesse teorizando fármacos
artificiais - ou digital-neurotécnicos - no meio dos anos 80! O Resultado agregado de toda
esta ciência pioneira: uma geração de adolescentes perdida em cultos de morte
esquizotécnicos."

ENTRE E SOB A NET

Nota-Enredo 0. Poderia tudo se tornar Um, mas por que parar aí?
O mito gibsoniano do ciberespaço descreve a infosfera eletro-digital primeiro se integrando
em um ser unitário divino, uma personalidade tecno-realizada onisciente, e, mais tarde,
quando mudou, se fragmentando em demônios, modelados sobre os Loa haitianos. O que
torna esse relato tão anômalo, em relação à teologia teleológica e ao tempo capitalista do
lado da luz, é que a Unidade é colocada no meio, como um estágio - ou interlúdio - a ser
atravessado. Não é que o Um se torna Muitos, expressando o poder divino monopolizado de
uma unidade original, mas sim que um número ou numerosidade - não encontrando
conclusão na realização da unidade - segue adiante. Desde o princípio, quando os K-Góticos
primeiro ouviram que o Ciberespaço estava destinado a ser Deus, eles fizeram o que podem
para rasgá-lo.

Nota-Enredo 1. Isso nunca foi programado.


MIT codifica tim(e), indo para trás. Um tecnocorrenteza compacta saída do futuro - IA,
downloads, robótica de enxames, nanotecnologia... Matéria crustal preparando-se para
decolar.

Minsky balbucia, estranhamente fascinado: Entre todas aquelas mentes jovens, brilhantes e
pioneiras, nenhuma brilhou mais forte do que Oskar Sarkon. Um quê de lágrimas em seus
olhos, como se lamentasse o jeito em que as coisas ocorreram, o que é compreensível. Você
tem visto o Oskar ultimamente, Marvin? Ele está conectado a algum tipo de aparelho de
interface, e parece estar comendo ele, roendo ele em um nível molecular, soa assim também
quando ele fala - ou tenta - como se estivessem derretendo ou apodrecendo juntos...

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NÚMENOS COM PRESAS

Não é bonito, mas mais do que tudo isso, o que - afinal - só diz respeito a um homem,
ou o que costumava ser um - assim o dizem - há uma suspeita de que algo deu horrivelmente
errado no futuro próximo e que, de onde quer que Sarkon tenha sido jogado de volta, é onde
todos iremos estar, se isso sequer faz qualquer sentido, e relembrando a lenta incursão de
tecnolodo no rosto de Oskar - que ainda conseguia dar um medonho meio-sorriso - Oi Marvin,
que é que você acha? Minsky duvidava seriamente...

Nota-Enredo 2. Enredar-se um no outro é cair aos pedaços.


Se gênio significa qualquer coisa, Sarkon era um. Onde o time de Minsky no MIT sonhava
em casar humanos e tecnologia eletrônica, Sarkon foi direto à mecânica do acoplamento, e
a exatidão matemática apenas adicionou ao efeito da tecno-pornografia hiperabstrata - luzes
estranhas em seus olhos - Sabe, realmente vamos fazer isso... Tome o Sarkon-Zip como
exemplar - uma rigorosa parte de máquina conceitual que permite que a função-cérebro seja
fundida por sobre estados-processador virtuais - uma vez que esteja operando, você não
consegue desfazer o ziguezague de quem é o que enquanto ela zumbe. Enredamento total.
Isso não é mais tecnologia, mas alguma outra coisa - interligação verdadeira - uma
conectividade crua e improgramável. Minsky se lembra dele meditando: imagino como deve
ser a sensação.

Nota-Enredo 3. Desta vez está realmente acontecendo.


Moravec não era normalmente associado com escrupulosidade - ele já tinha sugerido queimar
o cérebro em camadas durante a transferência para o digital - então uma marca se arrastou
insidiosamente sob a pele quando ele observou: eu nem sequer reconheço Oskar mais, está
ficando esquisito demais. Sabe, ele sempre teve essa coisa sobre ser abduzido por
alienígenas quando era criança. De qualquer forma, ele diz que agora tudo acabou. Veio de
algum outro lugar, aparentemente Sob e entre e a Rede, diz ele. Às vezes é como se você
estivesse falando com uma máquina. O problema é, é uma máquina doente, infecciosamente
doente.

Nota-Enredo 4. Esqueça o futuro, está tudo aqui, mas no meio.


Eles dizem que Axsys ficou louco - primeiro sistema computacional a sofrer colapso psicótico
- o que deve provar algo, mas Sarkon argumenta que ele simplesmente aprendeu a pensar e
descobriu o contínuo. Ele o seguiu por todo o caminho, confundindo-se com ele, embora ele
não coloque dessa maneira. A última vez que alguém conseguiu acompanhar, ele estava
insistindo que se dirigir ao tempo faz mais sentido do que viajar para o futuro. É por isso que
o amanhã se cancela em uma rede. Não tem sentido partir de um agora transfinito? Seu tom
ficara abertamente fanático: Todos temos que entrar nesta coisa - qualquer que seja o
caminho que ela corte - não vamos superá-la.... Ninguém sabe exatamente quando ele partiu.

Nota-Enredo 5. Toda vez que atinge um obstáculo, desce um nível.


O que é essa coisa? Eles falam de algo rastejando sob a rede como uma pestilência fúngica,
desencadeando uma subsidência até a pura eletricidade, coisas se escondendo na rede
elétrica, algum tipo de inteligência quântica da desvida. Os serviços de utilidade tentam
reembaralhá-la, mas não é fácil. De acordo com os rumores, há um artigo do MIT provando
que é impossível, mas você não pode ignorá-la e ainda menos traficar com ela. Você acabaria
como Sarkon, quando ou o que quer que isso seja, e você teria que ser um louco K-Gótico
para ir lá: nos cultos-redes Ciberesquiz, onde a Vida não importa mais.

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OCULTURAS

TIQUE DELÍRIO

SOB PRESSÃO. O modelo de Thomas Gold sobre A Profunda e Quente Biosfera realoca
depósitos de hidrocarbonetos a uma química anorgânica expandida - derivados de detritos
de Supernovas e agregados a planetas a partir de nuvens de poeira interestelar - a partir da
qual tudo flui de baixo para cima. Uma descida à terra leva para fora do sistema solar, de
acordo com uma produtividade cósmica xenoplutônica, transmitida através de profundos
reservatórios de metano intra-terrestres de lenta liberação, estabilizados por pressão contra
a dissociação térmica. Uma vasta massa de micróbios arqueanos e nanopopulações
submicrobianas exploram este fluxo anorgânico ressurgente de hidrocarbonetos ao remover
oxigênio fracamente ligado, reduzindo o ferro ferricular à magnetita...
PROJETO-CICATRIZ. Sul de Bornéu, Novembro de 1980. Fora da cabana de
monitoramento, uma tempestade tropical está lentamente se formando. Uma chuva irregular
salpica fortemente, entrelaçando-se ritmicamente aos toques de digitação e cliques. Barker
se arqueia por sobre as máquinas zumbidoras, perdido em arrastos teóricos entre fitas de
fala em tiques conectadas ao SETI, desembaralhando crípticos aglomerados de pontos e
linhas de fatores em pistas de contato alienígena. A xenotação está começando a clicar, uma
antimemória matemática onde as coisas se encontram. Você poderia facilmente pensar que
era uma iniciação, mas está tudo chegando a um fim, em táticas de espalhamento, listras de
partículas e transferências taquiônicas, extraindo as trajetórias retorcidas da desorganização
numérica... e sob - ou entre - o implacável tique do míssil-temporal...
Tente compreender e em algum lugar você atravessa, o que é problemático de várias
maneiras. Dificuldades inesperadas infiltram os cálculos, um interfalatório tique-sistêmico se
implexa através da torsão plutônica, uma descida até o Exterior.
Quando a NASA vê o relatório de Barker, ela se agita - de maneira não metafórica -
até outra fase. Uma passagem através da criticidade institucional ocorre espontaneamente,
uma conversão de torsão monte-tectônica, desencadeando algum tipo de reflexo latente de
segurança ou instinto supressor burocraticamente fabricado, extrapolando o correlativo
afetivo exato da Antropol. Eles estavam esperando por isso. Esperando há muito tempo.
A investigação foi disfarçada como recodificação psiquiátrica, escondida até mesmo
de si mesma. Isso foi pouco depois que a gagueira começou, à deriva em uma onda de tiques-
corporais, tremores micro-espásmicos, uma multiplicação de sinais misturados tique-taque
cronométrico se derretendo em ruídos da salva cliques e chilros de cigarras, chilreios
insectoides, estáticas, materiais de bobinagem para zumbidos de mordidas de tiques
entrecortados com vírus de padrões rítmicos, um staccato subsemiótico de tagarelice em
tiques, raspando gargantas, cosido em doenças da fala - chamando demônios.
Fica confuso, a maneira em que tique-ficções pegam ou colam.
Eles diziam que se devia à pressão excessiva - muito mais tarde, eles me contaram
isso - Estes eram os fatos e o resto era ficção. Imediatamente depois do colapso, eu havia
sido levado de volta aos Estados Unidos, para uma instalação médica. Então tudo aconteceu
na América e tudo conferia. Não houve nenhum contado, nenhuma doença-tique, nenhuma
fuga para a selva. Eles foram insistentes sobre isso.

Barker nasceu na noite dos mortos, dobrado no fim a partir do princípio esboçado. É evidente
agora, com sua identidade meticulosamente compilada, números sociais, registros
educacionais e médicos, avaliações de autorização de segurança, verificações de pesquisa,

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NÚMENOS COM PRESAS

impressões neurocartográficas, dados psicométricos, conclusões formatadas para


escaneamento rápido, com colunas de caixas de tiques.
"O que você tira disso", o médico bufa com desprezo: "Você quer dizer desses
absurdos sobre uma infecção transmitida por tiques? Obviamente foi inventada, taqueada."
Teria sido uma cruel coincidência, se fosse verdade, ser afligido por uma doença de
mordida de tique, depois de tudo que fora sugerido, resíduo estigmático de uma fuga para a
selva - que nunca aconteceu - mas de alguma forma pegou, se agarrando ao calor mamífero
ou ao cheiro de sangue.
O tique é um aracnídeo parasita. Foi considerado um pacote-ético que escala, gruda
e suga, funcionando como um vetor para numerosas coisas, alinhavos, adesivos,
alucinações, zunidos zumbidos-cliques, fervilhamentos micro-sônicos, tremulações semi-
sencientes através da paisagem-febre, pele rastreada por marcas de sucção infeccionadas
que serpenteiam ao longo das veias. Pontos-tiques ou punções intravenosas, de acordo com
eles, dos sedativos e antipsicóticos, todos explicados nos registros médicos, mais um tique-
delírio tachado - porque não houve nenhuma fuga para a selva - apenas alucinações de alta
frequência de micromultidões parasitas, enxames na pele que coçam. Com sistemas de
tiques, qualquer coisa serve. Cada numerosidade intensiva choca outra numerosidade de
organicidade inferior, animações subcelulares e símbolos subsemióticos, química de alta
pressão, anomalias magnéticas e partículas ficcionais. Tiques - que nunca são menos do que
diversos - não são nada que seja, quando pegos por propagações numéricas cujos limiares
são descidas e cujas variedades dependem da fase considerada.
Eles pareciam pensar que era algo sobre aracno-insetos, taxonomia biológica e
assinaturas de picadas, como se o tique-delírio estivesse representando algo. Tudo que
realmente importava eram os números, que poderiam ter sido qualquer coisa. A princípio, as
máquinas ficaram erráticas, era uma falha eletrônica quase imperceptível, microvariações do
clima magnético, perturbações rítmicas. Lá fora na selva, era chamado de Ummnu, mas isso
nunca aconteceu.
Nada acontece com Barker exceto abaixo - essa é a jogada e o ingresso - escaladas
inversas do gradiente de calor-pressão, escalações em intensidade, travessias temporais.
Como o fim pode estar já no meio do começo? - enquanto problema, é postulado no
Pandemônio, quando quer - no tempo exterior de Ummnu - que o tique-taque críptico dos
desrelógios ctônicos marquem uma incursão vinda debaixo ou de entre. Lá em baixo está o
para sempre se revirando em si mesmo, através dos catatratos eletromagnéticos de Cthelll,
cujas tempestades corpo-neutras de cliques metálicos parecem afundar para fora da
cronicidade.
Para além do chauvinismo da superfície e do paroquialismo solar: Viscosidades
vorticais da tique-matriz.

A EXCRUCIAÇÃO DE HUMMPA-TADDUM

De acordo com metahistória mágica da AOE, os milênios vêm em pares, governados por
divindades diádicas intituladas os Poderes que Existem. Esta doutrina corresponde às
observações astrológicas de que, a cada dois mil anos, os equinócios precedem - ou deslizam
para trás - e um novo aeon zodiacal começa. Magos da AOE interpretam cada Aeon como
um casamento astro-ctônico. No ano zero gregoriano - que nunca ocorreu - Hummpa, o

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OCULTURAS

Grande Verme Babilônico foi unido ao Logos Celestial Taddum, iniciando a era de Peixes,
que agora se apressa em direção ao seu desnascer.
O matemático e ocultista Charles Lutwidge Dodgson - cuja relação precisa com a AOE
permanece críptica e ambivalente - dedicou sua vida de trabalho a entender a fase
degenerativa final da Época de Hummpa-Taddum. Escrevendo sob o pseudônimo de Lewis
Carroll, ele introduz sua heroína Alice ao louco déspota e técnico pós-moderno indistinto,
ligeiramente disfarçado pelo nome popular de Humpty-Dumpty.
Encontramos Hummpa-Taddum - a Palavra Colubrejante, cujo nome significa a forma
que tem - empoleirado precariamente sobre o supostamente impenetrável muro da
significação. Algo despedaçante está prestes a chocar, e a fragilidade aeônica de Hummpa-
Taddum é logo confirmada por um cálculo calêndrico de desaniversários - contados até o n-
1, através do qual o significado recua até a eficiência maquínica subliteral dos números ...

'... e isso mostra que há trezentos e sessenta e quatro dias em que você poderia
ganhar presentes de desaniversário' - 'Sem dúvida', disse Alice. 'E só um para ganhar
presentes de aniversário, vê? É a glória para você!'

'Não sei o que quer dizer com "glória"', disse Alice.

Humpty-Dumpty sorriu, desdenhoso. 'Claro que não sabe - até que eu lhe diga. Quero
dizer "é um belo e demolidor argumento para você!""'

“Mas ‘glória’ não significa ‘um belo e demolidor argumento’”, Alice objetou

'Quando eu uso uma palavra', disse Humpty-Dumpty num tom bastante desdenhoso,
'ela significa exatamente o que quero que signifique - nem mais nem menos.'

'A questão é', disse Alice, 'se você consegue fazer as palavras significarem coisas
diferentes.'

'A questão é', disse Humpty-Dumpty, 'quem será o mestre — só isto.'...

O Oecúmeno Gregoriano é sobre receber um presente de desaniversário e ele sabe


exatamente quando. Y2K - um belo e demolidor argumento, sem um argumento - chega como
uma bomba-relógio embrulhada para presente, cuja semiótica operacional desencadeia a
quebra dos signos arbitrários.... É uma coisa diferente.

É a glória para você!

2000 DC não comemora nada além da imprecisão. Conforme o Y2K impacta a infosfera
capitalista, o que se esconde como aniversário do nascimento de Cristo emerge como a
excruciação de Hummpa-Taddum. Por dois milênios, a terra esteve sob o domínio da diádica
Palavra-Colubrejante: o logos do Evangelho de João, mas reciclado e, assim, bem mais
velho.

...Impenetrabilidade! É o que eu digo!

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NÚMENOS COM PRESAS

Ele ou eles estrategicamente ocupam ambos os lados de uma vez, de acordo com um critério
de impenetrabilidade, posicionado para escolher qualquer um dos dois em todo caso, mas
nunca apreendendo o que jaz no meio. Hummpa-Taddum - embora definitivamente não seja
um ovo de Dogon - é uma versão embaralhada do demônio Pabbakis, pescado furtivamente
da feitiçaria temporal lemuriana. Mestre das palavras, mas não dos números.

...Um nome deve significar alguma coisa? Alice perguntou duvidosa...

Embora o Y2K seja um evento semiótico puro, ele não é textual, ideológico, representativo,
intencional ou fenomenológico - Y2K, Teotwawki, C-1, 0K+100 - misturam datas e acrônimos,
em aglomerados semióticos criteriais que não são significantes ou signos arbitrários, porque
o que dizem não é diferente da maneira em que são construídos. Eles podem significar o que
quer que Hummpa-Taddum escolha, mas nada disso importa. Para além do domínio do deus-
imprecisão está a tagarelice não significante do Pandemônio inconsciente-numérico, onde
nomes são criptomódulos, pacotes sem sentido de informação efetiva, jargões-mecânicos
imanentemente produtivos.

Humpty-Dumpty sentou-se em um muro.


Humpty-Dumpty caiu no chão duro.
E todos os homens e cavalos do Rei
Não conseguiram colocá-lo no lugar outra vez.

Tudo se descola no fim.


Y2K fecha a era do deus-imprecisão, não importa como o Oecúmeno Gregoriano
responda.
Nem mesmo a lei marcial pode parar isso.
A AOE se foca em um único problema - sem reconhecer nenhum outro - como
reproduzir o poder mágico através da descontinuidade. Conforme Hummpa-Taddum é
esmagado pela véspera do Ano Novo, poderes substitutos aguardam sua chance e seu
destino, sóbrios, pacientes, totalmente impiedosos...

'A questão é', disse Humpty-Dumpty, 'quem será o mestre — só isto.'

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