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Categorias da narrativa na obra “O Cavaleiro da Dinamarca”, de Sophia de Mello Breyner

Andresen

Ação

Momentos da ação

Situação inicial (introdução) – “A Dinamarca fica no Norte da Europa… as histórias


tantas vezes ouvidas pareciam cada ano mais belas e mais misteriosas.” (versão Porto
Editora – p. 7 a 9) (versão da Editora Figueirinhas – p. 5 a 10)

Peripécias (desenvolvimento) – “Até que, certo Natal, aconteceu naquela casa uma
coisa que ninguém esperava… “”Que maravilhosa fogueira” pensou o Cavaleiro.
“Nunca vi fogueira tão bela.”” (versão Porto Editora – p. 9 a 51) (versão da Editora
Figueirinhas – p. 10 a 70)

Desenlace (conclusão) – “Mas quando chegou em frente da claridade viu que não
era uma fogueira… iluminam os pinheiros.” (versão Porto Editora – p. 51) (versão da
Editora Figueirinhas – p. 71)

Relevo
Ação principal – Viagem do Cavaleiro à Terra Santa e regresso à Dinamarca.
Ações secundárias

Narradores Secundários

Mercador Filippo Filippo Capitão de um navio do negociante


flamengo
(Veneza) (Florença) (Florença)
(Flandres)

História de História de História de Fala sobre as expedições portuguesas e


narra a História de
Vanina e Giotto e Dante e
Guidobaldo Cimabué Pêro Dias e do nativo.
Beatriz

Delimitação
Aberta – Não se aplica.
Fechada – Tanto a ação principal como as ações secundárias são ações fechadas.

Organização das sequências narrativas

Encadeamento – ação principal (viagem do Cavaleiro à Terra Santa e regresso à


Dinamarca)
Encaixe – ações secundárias.

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Personagens

Relevo – ação principal


Principal – Cavaleiro.
Secundárias – Mercador de Veneza, banqueiro Averardo, Filippo, negociante
flamengo, capitão de um navio do negociante flamengo.
Figurantes – Criados e servos do Cavaleiro, amigos, do banqueiro que cearam com
este, com Filippo e com o Cavaleiro…

Relevo – ações secundárias

Veneza – Mercador de Veneza


- Personagens principais – Vanina e Guidobaldo;
- Personagens secundárias – Tutor Jacopo Orso, velho marinheiro;
- Figurantes – Esbirros, amigos de Guidobaldo, jovens de Veneza, aias, doge…

Florença – Filippo
- Personagens principais – Giotto e Cimabué.

Florença – Filippo
- Personagens principais – Dante e Beatriz;
- Personagens secundárias – Virgílio;
- Figurantes – Condenados, monstros, demónios, anjos…

Antuérpia – Capitão de um navio do negociante flamengo


- Personagem principais – Pero Dias / Pêro Dias e indígena;
- Figurantes – Portugueses, berberes, indígenas.

Processos de caracterização

Direta – “Mas não tentou convencer o marido a ficar, pois ninguém deve impedir um
peregrino de partir-“ (versão Porto Editora – p. 10 l. 11 e 12) (versão da Editora
Figueirinhas – p. 11)

Indireta – “Rezou muito, nessa noite, o Cavaleiro. Rezou pelo fim das misérias e das
guerras, rezou pela paz e pela alegria do mundo. Pediu a Deus que o fizesse um homem
de boa vontade, um homem de vontade clara e direita, capaz de amar os outros. E
pediu também aos Anjos que o protegessem e guiassem na viagem de regresso, para
que, daí a um ano, ele pudesse celebrar o Natal na sua casa com os seus.“ (versão
Porto Editora – p. 12 l. 1 a 9) (versão Figueirinhas – p. 13 e 14) - Deduzimos que o
Cavaleiro era crente (cristão), amava o próximo e a sua família.

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Espaço

Físico – (geográfico) - Lugares percorridos pelo Cavaleiro da Dinamarca.

Social – O Cavaleiro (nobre) relaciona-se com membros do povo (ex.: lenhadores),


burgueses (mercador de Veneza, banqueiro Averardo e negociante flamengo), clero
(frades do convento).
Natal na casa do Cavaleiro – Ambiente familiar, festivo, natalício, de paz, de harmonia,
de aliança, de amor.

Psicológico – Espaço/atmosfera que evidencia e revela as reflexões e os pensamentos de


uma personagem (ex: medos, sonhos…):
Ex: “— Vou morrer esta noite — pensou o Cavaleiro —. Então lembrou-se da grande
noite azul de Jerusalém toda bordada de constelações. E lembrou-se de Baltasar,
Gaspar e Belchior, que tinham lido no céu o seu caminho. O céu aqui era escuro,
velado, pesado de silêncio. Nele não se ouvia nenhuma voz nem se via nenhum sinal.
Mas foi em frente desse céu fechado e mudo que o Cavaleiro rezou. Rezou a oração dos
Anjos, o grande grito de alegria, de confiança e de aliança que numa noite
antiquíssima tinha atravessado o céu transparente da Judeia.“. (versão Porto Editora
– p. 50 l. 7 a 16) (versão Figueirinhas – p. 67 e 68)

Tempo

Cronológico – (passagem dos dias, meses, anos…) – O Cavaleiro da Dinamarca


demora quase dois anos, desde a sua casa na Dinamarca à Palestina e regresso. Os
acontecimentos sucedem-se por ordem cronológica.

Ações secundárias (histórias de Vanina e Guidobaldo, Dante, Beatriz e Virgilio, Pêro


Dias) – Há um recuo no tempo – analepse

Histórico – A ação principal decorre na época dos Descobrimentos.

Narrador

Presença

Presente ou participante – Não se aplica.

Ausente ou não participante – tanto na ação principal como nas secundárias, os


narradores classificam-se como ausentes ou não participantes, pois não desempenham
qualquer papel na ação, narrando os acontecimentos sem neles intervirem; nos
respetivos discursos usam pronomes, determinantes e formas verbais da 3ª pessoa
gramatical.
Ex: “Na Primavera o Cavaleiro deixou a sua floresta e dirigiu-se para a cidade mais
próxima, que era um porto de mar. Nesse porto embarcou, e, levado por bom vento que
soprava do Norte para o Sul, chegou muito antes do Natal às costas da Palestina. Dali

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seguiu com outros peregrinos para Jerusalém.“ (versão Porto Editora p. 10 l. 13 a
17) (versão Figueirinhas – p. 12)
Posição

Objetivo – O narrador pode ser objetivo, se relata os acontecimentos de uma forma


imparcial e distanciada.
Ex: “Então, a pedido do negociante, o capitão começou a falar das suas viagens.
Contou como desde muito novo tinha seguido a carreira de marinheiro viajando por
todos os portos da Europa desde o mar Báltico até ao Mediterrâneo. Mas era
sobretudo entre a Flandres e os portos da Península Ibérica que viajava.“ (versão
Porto Editora p. 36 l. 14 a 18) (versão Figueirinhas p. 47 e 48)

Subjetivo – O narrador pode ser subjetivo, se ao narrar a história apresenta a sua


opinião sobre os factos, julgando, aconselhando, elogiando, censurando, etc..
Ex: “A noite de Natal era igual todos os anos. Sempre a mesma festa, sempre a mesma
ceia, sempre as grandes coroas de azevinho penduradas nas portas, sempre as mesmas
histórias. Mas as coisas tantas vezes repetidas, e as histórias tantas vezes ouvidas
pareciam cada ano mais belas e mais misteriosas.“ (versão Porto Editora p. 9 l. 14 a
18) (versão Figueirinhas p. 10)
“Encontrou o negociante em sua casa, aquecendo as mãos à lareira, vestido com uma
bela roupa de pano verde, larga e debruada de peles pretas.“ (versão Porto Editora p.
35 l. 10 a 12) (versão Figueirinha p. 45)

Modos de representação do discurso narrativo

Narração – Relato de acontecimentos; representa um momento de avanço na ação


(Ex: “ Guidobaldo cobriu-a com sua capa escura, e a gôndola afastou-se e sumiu-se no
nevoeiro de Outubro.
Na manhã seguinte as aias descobriram a ausência de Vanina e correram a prevenir o
tutor.
Jacopo Orso chamou Arrigo e com ele e os seus esbirros dirigiram-se para o cais.“) (p.
25)

Descrição – Representa um momento de pausa na ação com o objetivo de:


a) Situar a ação no espaço (Ex: “A Dinamarca fica no Norte da Europa.“ , “( … )
havia em certo lugar da Dinamarca, no extremo Norte do país, perto do mar, uma
grande floresta de pinheiros, tílias, abetos e carvalhos. Nessa floresta morava com a
sua família um Cavaleiro. Viviam numa casa construída numa clareira rodeada de
bétulas.“ (p. 5);
b) Situar a ação no tempo (Ex.: “ Há muitos anos, há dezenas de anos ( … )“ (p. 5);
c) Caracterizar física (homem, Cavaleiro) e psicologicamente uma personagem
(crente - católico; homem de palavra; curioso, desejando aprender mais; ama o próximo
dá muita importância à família, corajoso, determinado, persistente);

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d) Descrever um ambiente (Ex: “Na sua terra ele procurava a companhia dos
trovadores e dos viajantes que lhe contavam as suas aventuras e as histórias lendárias
do passado. Mas agora, ali, naquela sala de Florença, aqueles homens discutiam os
movimentos do Sol e da luz, e os mistérios do céu e da terra. Falavam de matemática,
de astronomia, de filosofia. Falavam de estátuas antigas, falavam de pinturas
acabadas de pintar. Falavam do passado, do presente, do futuro. E falavam de poesia,
de música, de arquitetura. Parecia que toda a sabedoria da terra estava reunida
naquela sala.“) (p. 30)

Diálogo – Duas ou mais pessoas conversam “— Já pensávamos que não voltasses mais
— disse um velho de grandes barbas —.
— Demorei mais do que queria — respondeu o peregrino —. Mas graças a Deus
cheguei a tempo. Hoje antes da meia-noite estarei em minha casa.“ (p. 64)

Monólogo – A personagem fala sozinha ou reproduz se o pensamento da personagem


“— Estou perdido — murmurou ele baixinho —.“ (p. 6).