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PRIMEIRO TEXTO:

O CENTRO INSTINTIVO E OS NÍVEIS DO


INCONSCIENTE
O Inconsciente dentro da Perspectiva do Trabalho de
Quarto Caminho:
.... compreender a consciência como uma totalidade, e não
porções discretas e isoladas entre si que mantém apenas
contatos ocasionais ou que apenas tenham troca de informações
de cunho simbólico...
A Filosofia Perene situa, assim como o Trabalho, o Inconsciente
como uma área da consciência que está em contato com o nosso
passado biológico, no qual éramos seres vivos e dotados de
capacidades e competência muito importantes, que na maioria
das vezes não encontra uma forma de expressão na realidade
que nos cerca a não ser em situações limites, onde os controles
da racionalidade, da personalidade e do ego, ficam
temporariamente em suspenso.
Desta forma, certos elementos ou funções do Inconsciente
podem se exprimir, sendo rapidamente reprimidos pela
estranheza e desconforto que tal tipo de intervenção costuma
causar.

Um Modelo Prático de Consciência:


O modelo que será apresentado abaixo, baseia-se na proposta
de Charles Tart .... incorporando muitos dos conceitos do Quarto
Caminho nos seus modelos e proposta.... que visa entender a
Consciência como um fenômeno único e indivisível, inerente ao
ser, e que, enquanto o próprio ser estiver incompleto, a
consciência irá refletir os diferentes estágios intermediários de
desenvolvimento deste, em termos de diferentes formas de
expressão das suas funções.

Desta maneira, a Consciência poderia ser representada


graficamente como uma espécie de ‘ovo’ dividido em três
grandes áreas:

1. uma área composta daquilo que conhecemos como


Inconsciente,

2. uma área, mais limitada e mais próxima de nós, que


conteria os elementos que comporiam o chamado
Consciente
3. e, finalmente, uma grande área, em contraposição com o
Inconsciente, que conteria os elementos que refletem a
potencialidade do ser humano, que receberia o nome de
Superconsciente.

Essa representação é interessante para o estudioso e praticante


das teorias e idéias do Quarto Caminho, porque permite
estabelecer duas correlações importantes:
1. com o conceito de ´Aur´, que é considerado como uma
espécie de campo morfogenético daquilo que o indivíduo
foi, é e poderá vir a ser, que costuma ser representado
comumente na forma de um ovóide, igualmente, e
2. com a possibilidade de aplicação da Lei das Oitavas para
localizar as diferentes estratégias que o Trabalho utiliza
para explorar e harmonizar os processos da consciência.

O produto final, na finalização do processo de desenvolvimento


do ser, seria uma consciência ´simples´, na medida em que ela
não mais comportaria divisões internamente em consciência,
inconsciência ou superconsciencia. Ela seria simplesmente a
consciência do ser plenamente realizado.

NESTE MODELO.... aquilo que se considera como o campo da


consciência integral do indivíduo é representado pelo ´ovo´, que
é dividido arbitrariamente em duas parte, uma chamada de
´superconsciente´ e a outra, de inconsciente.
O superconsciente representa a área em que potencialidades e
capacidades que existem dentro da consciência do indivíduo
poderão ser descobertas e incorporadas através de um esforço
dirigido e voluntário, são as ditas funções superiores da
consciência e correspondem grosso modo, aos Centros
Superiores propriamente dito.
Elas envolvem os estados transcendentes do ser, com as
experiências iluminativas, o êxtase, a aquisição do conhecimento
não-racional, a capacidade de conhecer e experimentar a
realidade objetivamente e não apenas através de modelos
simplificados, uma visão espiritual do mundo e, igualmente, a
capacidade de lidar com as Leis Cósmicas do Raio da Criação.
O superconsciente representa o desenvolvimento futuro do
indivíduo e será a grande área dos estudos e práticas voltadas
para a ativação dos Circuitos Cerebrais Pós-Larvais.

O Insconsciente representa o passado, tudo aquilo que o


indivíduo contém em termos de memórias e capacidades, seja
por experiência própria, seja pela memória genética, de modo
que costuma-se dizer que o Insconsciente é o repositório de
todas as memórias e experiências armazenadas desde a primeira
célula que surgiu no oceano primordial até o momento presente
do indivíduo.
O Inconsciente não é composto apenas de memórias,
mas também apresenta uma série de capacidades e
habilidades.
.... é importante deixar claro aqui que ele (Inconsciente),
faz parte fundamental do processo de desenvolvimento
do ser e não pode ser deixado de lado em hipótese
alguma, como ocorre em certas propostas que visam o
desenvolvimento das habilidades e competências do
superconsciente em detrimento do inconsciente.
A separação que é postulada entre o inconsciente e o
superconsciente representa o espaço onde a nossa consciência
normal ´trafega´ ao longo das atividades do dia a dia. Essa
consciência é modulada pela nossa qualidade de atenção e
geralmente ela oscila para cima, em alguns momentos entrando
em contato com os elementos superconscientes mais primitivos,
o que nos dá as experiências que são chamadas de coincidências,
sorte, sincronicidade, intuições, etc. e também poderá oscilar
para baixo, mergulhando dentro do inconsciente, na forma de
imagens de sonhos enquanto ainda estamos despertos, ou
memórias do nosso passado que surgem sem que saibamos
muito bem o porquê.

.... a maior parte dos dois domínios, o inconsciente e o


superconsciente está inexplorada e raramente consegue ser
experienciada senão em situações muito especiais, quase
sempre de natureza acidental e geralmente envolvendo crises
experiências limítrofes, onde o racional mecânico deixa de
exercer o seu controle e permite com que temporariamente
funções outras possam se tornar evidentes.

..... fica evidente o papel e a importância da atenção como


elemento capaz de oferecer não apenas as experiências, mas
definir áreas em que a nossa consciência poderá trafegar para
além dos limites da consciência ordinária. Isso implica no
desenvolvimento de novas formas de atenção que não sejam as
puramente sensoriais, que apenas são utilizadas para a captação
de fenômenos para posterior descrição deles.
A Lei das Oitavas nos diz que cada fenômeno evolui em
sete camadas distintas e consecutivas e, para que o
processo chegue ate o seu final ou destino, dois ´choques´
devem ser feitos: o primeiro entre a terceira e quarta
camadas e o segundo, entre a sétima e a oitava camada
final.
Esses choques podem pré-existir na natureza e dentro de nós
mesmos, constituindo a maioria dos processos e mecanismos
automáticos, entretanto outros processos necessitam da
aplicação de energias e sua retirada em momentos precisos e
que não estão previstos na natureza, o que torna necessário uma
atuação consciente e precisa para que os processos possam ter
continuidade.

.... choques que devem ser dados tanto a nível do inconsciente


quando do superconsciente.
Iremos aprofundar os choques que se referem ao inconsciente,
visto que na dimensão superconsciente isso somente será feito
no estudo dos Centros Superiores.
..... nossa realidade de consenso ou ordinária, que apresenta
uma área de interseção tanto para com o superconsciente
quanto para o inconsciente, sendo que ela trafega entre essas
duas dimensões ao longo das atividades do dia.

Características do Inconsciente dentro da


Perspectiva do Trabalho
... a estrutura e natureza do Inconsciente, é o fato de que este é
um elemento caótico, composto por uma mescla de elementos
que vão desde as memórias e experiências mais imediatas, que
acabaram de ocorrer conosco, misturadas com elementos
antigos, alguns até mesmo do nosso passado biológico e
genético.
Estes elementos.... ficam mergulhados na matriz do inconsciente
como se fossem componentes de uma ´sopa´ mudando
constantemente de lugar e estabelecendo uma série de relações
que nada tem de lógico ou causal. Elementos e memórias do
nosso inconsciente pessoal poderão estar aleatoriamente
associados com outros de natureza racial ou biológica.

Enquanto algum tipo de ordem ou categorização não vier a ser


introduzida dentro do Inconsciente, nada poderá ser feito em
termos de um trabalho construtivo que o leve em conta e o
integre na economia geral da consciência em desenvolvimento.

.... o inconsciente é fundamentalmente imaturo ou infantil,


porque ele surge a partir do primeiro desdobramento da
consciência oceânica do recém-nato, a partir do primeiro
imprint, que define uma realidade consciente, localizada no
mundo exterior, e que irá se desenvolver na futura
personalidade e uma parte localizada internamente, que ficará
reprimida por toda a vida do indivíduo, o inconsciente.
O problema é que essa porção oculta da nossa consciência....
simplesmente vai acumulando as experiências que o indivíduo
vai passando ao longo da sua vida, e tudo isso fica presente, mas
reprimido como inconsciente, de forma caótica e desordenada.

.... o Inconsciente se tornar uma ferramenta fundamental no


futuro do desenvolvimento do ser, pois que ele representa o
repositório das experiências pelas quais passamos, sem que elas
tenham sido deformadas pelos processos da nossa
personalidade.
Quando tivermos de dar início à transformação do nosso ser,
será a partir dos elementos recuperados na sua formulação
essencial, guardados no Inconsciente que iremos realizar esse
processo de nutrição e transformação.
..... o Inconsciente não tem os recursos para lidar de forma
racional, ou de interpretar os elementos que ele recebe
continuamente, oriundos da nossa experiência diária...... como
ele não é capaz de interpretar nem filtrar nada, ele
simplesmente recebe tudo e armazena dentro da sua própria
dimensão, o que se torna muito oportuno para a nossa
consciência ordinária, porque ela não precisa se preocupar com
nada senão com os seus próprios modelos e interesses.

.... no inconsciente, podemos encontrar a experiência (ocorrida)


tal como ela aconteceu, acrescida dos detalhes que até mesmo
não havíamos registrado ordinariamente: o perfume da amada,
sua roupa, a luminosidade, a música que estava sendo tocada, ou
não, o ambiente que nos cercava nos mínimos detalhes, o estado
emocional, etc., de maneira que tudo fica registrado com o
frescor e qualidade da experiência original.

O Inconsciente como foi visto acima, guarda um registro muito


mais preciso dos eventos que aconteceram, entretanto, ele não
os interpreta, mas os localiza dentro da única maneira que
conhece: através de símbolos.
A linguagem dos símbolos do inconsciente é uma característica
dos próprios elementos que ele contém.... Esses elementos
tendem a ser mais distintos e evidentes devido à característica
do Inconsciente ser incapaz de estabelecer interpretações e com
isso, não ocorre o fenômeno da contaminação recíproca das
experiências ou memórias nesse nível. O caráter simbólico que
reveste cada uma delas é sempre de natureza auto-referente
onde cada elemento, memória, experiência, evento estará
sempre relacionado com o próprio indivíduo.

Assim, o grande desafio é aprender a lidar com a linguagem


simbólica do inconsciente e ser capazes de identificar e
reconhecer a experiência que jaz por detrás dos símbolos que
são apresentados.
Isso é feito quando conseguimos entrar em contato mais íntimo
com os elementos do inconsciente, além da dimensão do sonho,
e passamos a lidar com todos os materiais com que entramos em
contato como se fosse um grande jogo. A natureza infantil do
inconsciente valoriza apenas esse tipo de aproximação, sendo
que qualquer outra forma de imposição de uma vontade exterior
a coloca na defensiva e faz com que ela se disperse.

Um outra característica do Inconsciente é a sua incapacidade de


estabelecer um juízo crítico ou de valor sobre os seus conteúdos:
as suas ações consideram tudo como verdadeiro e concreto, sem
qualquer possibilidade de dúvidas e se envolvendo inteiramente
no ´jogo´ enquanto estiver interessado nele. Ele poderá inclusive
ser induzido por uma vontade externa, por exemplo oriunda da
personalidade ou do ego, ou mesmo, por sugestão de uma outra
pessoa, a acreditar e atuar de acordo, sem qualquer limite ou
questionamentos.
SEGUNDO TEXTO:
O INCONSCIENTE E A SUPERCONSCIÊNCIA

1) Introdução -Definindo os conceitos


Segundo Gurdjieff (e o Trabalho), o ser humano é constituído de
2 partes: essência e personalidade. A essência é aquilo que lhe é
próprio e a personalidade é aquilo que não lhe é próprio.
...... os sentimentos criados por imitação... não lhe é próprio...
isso é a sua personalidade.
Os conceitos de essência e personalidade só poderão ser
compreendidos em sua forma mais ampla através da experiência
pessoal.

A essência é constituída por 3 fatores:


a. Componente genético
b. Componente energético
c. Componente psicológico
Aqui, temos de diferenciar os elementos
imprintados dos aprendidos (elementos
essenciais versus personalidade). Os
imprintados.... são determinantes, definem
linhas de condutas e fecham o acesso a
outras linhas; geralmente são definitivos e
não podem ser alterados pelo uso de
técnicas psicológicas comuns.
Inconsciente = todas os elementos aprendidos e vivenciados na
forma de memórias.
Personalidade (Consciente??) = uma porção de elementos que
são entendidos como sendo "aceitáveis", "saudáveis" ou
"permitidos" pelo indivíduo ou sociedade e que se expressam no
dia-a-dia.
Superconsciente = o conjunto de experiências, conhecimentos e
comportamentos que o indivíduo poderá vir a desenvolver, caso
consiga restabelecer um contato com a sua essência. Aspecto
"potencial" da consciência, que ela intuitivamente percebe como
algo a ser ainda desenvolvido, algo que mantém ainda laços mal
definidos com a essência. É a tentativa de novamente, voltar ao
estado de união com a essência original. (Ver nota no final)

Consciência é um desdobramento da essência, que surge a partir


do momento em que o ser humano diferencia-se do Todo (é o
primeiro imprint no recém nascido), e se expressa de 3 formas:
na personalidade, no inconsciente e potencialmente no
superconsciente.

Personalidade <> 4 Circuitos Neurológicos de T. Leary.


Superconsciente <> Os 4 Circuitos superiores de T. Leary, o
caminho do retorno, cuja premissa básica é que o ser humano
trabalhe sobre si mesmo. O Retorno, a União com o Amado, a
Saudade da Casa do Pai. Religare no latim.

Com o tempo a relação da essência com a personalidade diminui


e a personalidade se afirma como um elemento manipulador da
realidade e deixa a essência "de lado", abandonando-a como
algo inútil.

2) O Modelo Humano
Dentro do Trabalho dividimos o inconsciente em 8 níveis e a
ascensão em direção à superconsciência em 8 etapas.

Estágios: níveis da consciência:


a) universal
- DO: "União"
- Choque: Trabalho
- SI: Eu Perfeito
- LA: Eu Realizador
b) coletivo
- SOL: Eu Satisfeito
- FA:Eu Sereno
- Choque: Sacrifício
- MI: Eu Contente
c) pessoal
- RE: Eu Acusador
- DO: Eu Degenerado

Estados: níveis do inconsciente:


-DO: Individual
a) pessoal
- RE: Adolescência (segundo nível)
- MI: Infância (terceiro nível)
- Choque: "morte" do "pessoal"
- FA: Parental
b) coletivo
- SOL: Tribal
- LA: Racial
- SI: Biológico
- Choque: aniquilação ou união com o Todo: desaparecimento da
dualidade eu-outro; é a situação do "caos", anterior
ainda à criação, é a situação do Absoluto não
diferenciado, não dividido na Criação. é também, de
certa forma o retorno à condição de essência
oceânica..... o desenvolvimento do homem
(ontogenia) repete ou resume o desenvolvimento ou
evolução de toda a vida (filogenia).c) universal
- DO: Cósmico

O desenvolvimento ou evolução consiste


numa série de transformações hierárquicas das
estruturas mais profundas para fora do
inconsciente, iniciando-se a partir da mais inferior
(corpo) até o mais elevado (Deus e o Vazio).
O inconsciente é extremamente rico e é parte muito importante
de ser trabalhada.
É condição sine qua non o trabalho sobre o inconsciente antes de
trilhar as etapas em direção ao superconsciente.
O trabalho com os níveis do inconsciente permite-nos gerar uma
possibilidade de acesso aos níveis superiores. É como se, a partir
da "recordação" do primeiro nível do inconsciente a câmara que
encerra o primeiro nível do superconsciente também fosse
ativada. No entanto, tal câmara se abre potencialmente, ou seja,
gera-se a possibilidade de expressão nesse nível, mas não a
garantia.
Os níveis que levam em direção ao superconsciente são descritos
pelos sufis como Os Sete Passos da Jornada da Alma ou As Sete
Épocas do Sufi, sendo o oitavo nível entendido como o da União
plena com o Absoluto.
Na Jornada dos Sete Passos, cada passo ergue dez mil véus e nos
leva de volta a estar face-a-face com o Amado.
A passagem por todos esses véus traz consigo um esquecimento
consolador;.... o homem... está numa prisão, e está separado do
Absoluto por pesadas cortinas.

É a finalidade última do Sufismo mostrar que essa separação é


ilusória e de novo buscar a União.

ARQUÉTIPOS
A base fundamental para a compreensão
dos significados múltiplos das imagens
apresentadas é o conceito de "Arquétipos" como
formas de energia consciente que podem ser
conectadas através de esforços corretamente
dirigidos e desenvolvidos.

Dentro das linhas ditas "não científicas", os


arquétipos são considerados como elementos que
pertencem a uma realidade situada acima ou
abaixo do ser humano, possuidores de uma
consciência e um conhecimento próprios e se
relacionam com o ser humano da mesma maneira
que este se relaciona com os outros reinos da
natureza.

O homem, portanto, poderá se "sintonizar" a algum desses


arquétipos, estabelecer uma relação de troca com ele e mesmo,
vir a colaborar com a sua expressão na realidade humana.
Constituem o "mundo das idéias" de Aristóteles e Platão, que se
situa imediatamente acima da realidade humana, um mundo
povoado de imagens e idéias, que definiriam todas as expressões
materiais na nossa realidade.
... tais "arquétipos" poderiam ser chamados ou invocados e
mesmo, gerados a partir de determinadas técnicas, a partir da
manipulação das trocas energéticas entre as diferentes
dimensões.
Dentro da perspectiva da Psicologia Analítica, os arquétipos
estariam habitando a parcela do mundo inconsciente do ser
humano que é chamada de "Inconsciente Coletivo", ou seja, o
conjunto de elementos psicológicos compartilhados por uma
determinada coletividade. Cumpre notar que tal "Inconsciente
Coletivo" seria atemporal e mais se desenvolveria quanto maior
fosse a egrégora de indivíduos nele sintonizados.

SINTETIZAND ESTAS DUAS ABORDAGENS:


O arquétipo corresponderia a uma espécie de
"modelo" psicológico/energético que tenderá a
conduzir o ser humano a um campo de experiências
que visam ampliar o desenvolvimento da sua
consciência em direção à superconsciência.
Portanto o arquétipo se situaria eminentemente no
campo da superconsciência, ou seja, dos elementos
psicológicos e experienciais que ainda exigem um
desenvolvimento voluntário por parte do ser
humano, ou seja, que não fazem parte de sua
natureza de forma acabada, mas sim como um
potencial.

OS SETE PASSOS
O Primeiro Passo: o Eu Degenerado - está relacionado
com Adão. Tem a ver com a alma natural, sensual, selvagem,
com o homem ainda ignorante do Caminho e da Realidade. Este
é o estado da maioria dos homens, por isso relaciona-se com
Adão, uma vez que ele é o Pai dos Homens e foi o primeiro a
desobedecer a Deus.
O Segundo Passo: o Eu Acusador - é simbolizado por Idris, que
relaciona-se com o estudo intenso. Neste estágio o indivíduo
começa a observar a si próprio (estudar a si mesmo) e surge o
sofrimento em se perceber o estado pessoal de mecanicidade e
ilusão.

O Terceiro Passo: o Eu Contente - Este estágio relaciona-se


com Noé, aquele que conseguiu se libertar dos erros e enganos.
Inicia-se a instrução em direção ao Amor e Paixão pelo Absoluto.
A experiência mística aqui é direta, não possui intermediários
ou rituais específicos.

O Quarto Passo: o Eu Sereno - Este estágio é simbolizado por


Abrahão. Os últimos vestígios do passado se vão, a luta cessou e
a alma se torna Tranqüila. Tudo o que ela vê a conduz até Allah e
isto não mais é acompanhado por esforços, dores ou distração.

O Quinto Passo: o Eu Satisfeito - Este estágio é simbolizado por


Moisés. É o estágio do Conhecimento Perfeito. O indivíduo
sente-se plenamente satisfeito em Deus. É um estágio ainda mais
equilibrado e estável que os anteriores.

O Sexto Passo: o Eu Realizador - Este estágio relaciona-se com


Cristo. É também chamado de a Alma que Satisfaz a Deus. É o
estágio onde não apenas o indivíduo se satisfaz por estar com
Deus, mas Deus se satisfaz com indivíduo também.
O Sétimo Passo: o Eu Perfeito - Este estágio é simbolizado por
Maomé. Neste estágio a alma se torna um espelho do próprio
Criador. Ele e o Senhor são um. No espelho de sua alma, todas as
coisas, no céu e na terra são refletidas. Este estágio de ser é
também conhecido pelo nome de Insan-el-Kamil, aquele que
justifica toda a criação. São os Homens Justos do misticismo
cristão, por cujo Amor, Deus mantém a Criação.

Poderíamos dizer que o oitavo nível do inconsciente, a essência


oceânica e o oitavo nível da superconsciência são semelhantes,
pois a característica básica dessas 3 estruturas é a não
diferenciação, a Unidade, a total fusão com o Todo.
O oitavo nível do inconsciente representaria as memórias que
temos da essência oceânica pessoal que no fundo, é a essência
do próprio Criador.

..... mais importante do que a terminologia empregada é a


compreensão e experimentação pessoal do que nós somos e no
que podemos escolher nos transformar.
..... os choques sempre representam uma energia extra,
adicional, que deve ser colocada para que o processo (de
desenvolvimento) siga adiante, na direção desejada.
.... o primeiro choque consiste no "sacrifício" do ego ou da
dimensão "pessoal" desse caminho. Consiste na real percepção
de que a necessidade vem de fora de mim, que nada mais é do
que uma obrigação minha, sendo ser humano, trilhar o Caminho
do Retorno. A necessidade não está em mim, mas sim no
Criador.

... nossa essência é parte da do Absoluto. Os conteúdos de


ambas são os mesmos. Quando somos capazes de retornar, é o
próprio Criador que volta a Si mesmo e Se olha, reconhece a Si
próprio e aprende. É essa dimensão que nos dá a real
Humildade, necessária para trilhar o caminho sem se perder na
arrogância. Nós o fazemos não por nós, mas por algo muito
maior.

Nota:
Comentários sobre o livro Atman Project de Ken Wilber:
A evolução pode ser caracterizada como a busca (e posterior
transcendência) de níveis hierarquicamente superiores.
Estruturas novas que somam-se às antigas e que serão
englobadas por outras e assim por diante, levando as estruturas
simples à complexidade, à totalidade e a uma maior abrangência.
O desenvolvimento da consciência humana pode ser dividido em
duas fases:
1. A primeira vai do nascimento à idade adulta. É
caracterizada pela saída de um estado subconsciente, onde
não há diferença entre si mesmo e o mundo; é um estado
pré-pessoal onde o "eu" ainda não existe.

2. A segunda fase, pode ser entendida como sendo o caminho


do retorno, onde o indivíduo passa a ser um só com o
cosmo, onde se chega a transendência do próprio "eu".
Esse caminho então, leva o indivíduo de um estado
subconsciente (recém-nascido), à auto-consciência (adulto)
e mais tarde através dos choques corretos, à
superconsciência.

......no estado oceânico (original, no nascimento), a criança vive


num paraíso, onde suas necessidades são supridas, onde não há
tempo e nem espaço. Esse paraíso porém, é constituído de
inocência e ignorância e não de perfeição e transcendência
pessoal, como nos últimos estágios de desenvolvimento
(superconsciência).

O sentimento corporal é o primeiro passo para a individualidade


pois, a identificação com o corpo é o que diferencia a criança do
resto do mundo.
É a percepção de que o corpo é algo diferente do resto do
mundo que permite à criança dar um passo em direção a
consciência.
A percepção do corpo baseia-se na sensação de prazer e
desprazer.... O prazer é sentido em todo ocorpo e a isso associa-
se a evolução da consciência do corpo na sua totalidade.

...a linguagem é um passo dado apenas pela humanidade e


que determina a expansão da consciência.
A partir da palavra e do pensamento a criança internaliza as
proibições e exigências dos pais e assim introjeta um
"controlador"..... Esse "controlador" tem origem a partir da
relação (imaginária e real) dos pais com a criança e irá
determinar as atitudes que o jovem assumirá durante sua vida e
que determinará sua personalidade, ou os papéis que assume
em seu dia-a-dia.

.... reprogramando o diálogo (controlador) temos a


possibilidade de mudar atitudes indesejadas ou incontroláveis....
enquanto isso não acontecer o indivíduo permanecerá preso a
um roteiro e programado por diretrizes internas.

A partir desse ponto termina a primeira fase do desenvolvimento


da consciência. Partiu-se de um nível pré-consciente e atinge-se
o nível de consciência de si mesmo e de seus papéis
(personalidade). A maior parte da humanidade para seu
desenvolvimento aqui, mas essa na realidade, é apenas a
primeira fase.

Novas estruturas surgem sempre a partir da


transformação da estrutura anterior. A intenção
dessas transformações sucessivas é a de levar o
indivíduo a alcançar o Absoluto, pois, uma
mudança imediata e final não é possível; a
ascensão acontece em etapas.
A partir da emergência dessas estruturas, o indivíduo pode
experienciar um novo nível de ser, dando assim, um salto
em direção a um nível mais elevado de consciência ou ainda, em
direção à superconsciência.

TERCEIRO TEXTO:
LIVRO “CONSCIÊNCIA SEM FRONTEIRAS”

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