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Universidade Federal da Bahia

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas


Departamento de Antropologia
Disciplina: Antropologia II Professor: Marina Guimarães Vieira
Nome: Lívia Chaves dos Santos

AVALIAÇÃO ESCRITA

Exposição discursiva

Parte 1
Questão 01 – Apresente as principais premissas da escola evolucionista e principais
criticas discutidas ao longo do curso.
Partindo das discussões feitas com base nos textos lidos na disciplina, podemos dizer que a
teoria evolucionista tenciona direcionar a uma única linha de desenvolvimento para a humanidade em
geral, e o racialismo, teoria que faz julgamentos de valor dos indivíduos a partir de características
fenotípicas, e tais ideias eram dominantes até a primeira metade do século XX, no momento em que
Franz Boas, por meio de artigos e conferências, fazendo críticas a essas teorias, propondo uma nova
ciência fundamentada no conceito de cultura sendo esta mais importante para a diversidade, o
relativismo metodológico, o método histórico e a necessidade de analisar cada cultura como uma cultura
única em si pelas peculiaridades que lhes cabem.

Marcada pela discussão evolucionista, a antropologia do Século XIX deu preferencia ao


Darwinismo Social, que elegia a sociedade europeia da época como o ápice de um processo evolutivo,
onde as sociedades aborígenes eram tidas como exemplares do primitivismo humano e social. Esta
perspectiva usava o conceito de “civilização” para classificar, julgar e, na posteridade, justificar o
domínio sobre outros povos. Essas visões de mundo, com base no conceito civilizacional de
superioridade, deixando de dar atenção às diferenças em relação aos povos conceituados como
inferiores, recebe o nome de etnocentrismo. O conceito etnocêntrico europeizado do homem que se
atribui o valor de “civilizado”, faz crer que outros povos, taxados como primitivos como os das Ilhas da
Oceania estavam “fora da história e da cultura”. Esta afirmação se faz presente nos textos de todos os
teóricos evolucionistas eu escreviam sobre o tema. Interessante salientar que embora a maior parte dos
evolucionistas trabalhasse em escritórios, Lewis Henry Morgan, tinha contato com diversas
comunidades indígenas do norte dos Estados Unidos. Essa corrente tem autores que compartilham de
uma visão nublada das culturas humanas, o que seria uma simplificação absurda do contexto ao mesmo
tempo em que se deixaria de aproveitar os estudos clássicos da antropologia que eles fizeram. A palavra
Antropologia nos remete ao homem, nos mostra que ele é o objeto material de estudo. Em uma resposta
mais "teológica" a antropologia busca, através de reflexões sobre cultura, a verdade sobre a pessoa
humana e o mundo que o rodeia, o ser que teria sido feito à semelhança de Deus num processo de
evolução, dividido desde a origem pelo pecado em suas múltiplas relações e dimensões religiosas e
culturais.
Como ciência, compete a ela refletir sobre a superação da dicotomia da dialética
antropológica da autonomia humana na pós-modernidade e identificar o ser humano como razão do
plano da salvação divina, que não se confunde com a realização histórica e nem com o cerceamento da
realidade sob a perspectiva humana, cabe também compreender o ser humano num processo de
evolução, desde a perspectiva teológica até a social, cabe analisar o contexto cultural do ser humano
desde suas divisões e responsabilidades, entre outras premissas.
O Evolucionismo já vinha sendo tratado desde a Antigüidade, no ponto de vista cultural e
religioso, quando o livro de Gênesis discorre sobre a criação do homem e seu pecado original. As
teorias sobre evolução e futuro do homem e tratado na teoria do progresso circular. Já na Idade Média, a
questão da evolução passa a ser tratada em duas premissas: o pessimismo e a teoria da evolução social
espiralada. Os principais conceitos introduzidos pelos evolucionistas foram as de cultura, de sistema de
parentesco, de sobrevivência, de evolução cultural, religião, magia simpática, por contato, de
terminologia de parentesco, totemismo, clã, tribo, família, descendência patrilinear ou matrilinear e um
lista diversa além, de modo que, apesar das falhas teóricas contidas no Evolucionismo tem suas falhas, é
necessário ao estudo da Antropologia para a compreensão da evolução no processo de estudos da
mesma. Essa corrente de estudo foi dominante até o inicio do século XX, sendo seus expoentes Lewis
Henry Morgan, Edward Burnett Tylor e James George Frazer. Partindo da observação de traços
fundamentais em comum a todas as culturas e etnias, essa linha interpretativa pressupõe uma história
comum a toda humanidade. As críticas de Franz Boas aos pressupostos teórico-metodológicos da
antropologia evolucionista, rompendo um padrão vigente de pensamento racialista e eurocêntrico. A sua
primeira crítica reside no fato de que a mentalidade humana não é algo uniforme e obedece a um
conjunto determinado de leis, nem os possíveis caminhos para o desenvolvimento das sociedades.
Assim, as ideias não existem de forma idêntica por toda parte: elas variam de acordo com a
construção daquela sociedade. Já há material suficiente para evidenciar que os motivos dessas variações
são tanto externa, baseada no ambiente em que se desenvolvem, quanto internas, fundadas sobre
condições psicológicas e abstratas. A influência dos fatores externos e internos materializa uma grade de
leis que rege o desenvolvimento da cultura. (BOAS, 2009, p. 27). Como a mente humana é complexa e
variada, também o são as instituições, invenções e descobertas criadas com base nela. Boas não aceita a
implicação teórica de que os mesmos fenômenos se desenvolvam da mesma maneira e a partir da
mesma causa semelhantemente em todo lugar, asseverando que há uma multiplicidade de caminhos para
que esses fenômenos possam se desenvolver paulatinamente de acordo com seu complexo.
Assim, antes de crer nos fenômenos humanos como unigênitos, deve-se primeiro
considerar a comparabilidade do material de estudo, pois uma das premissas torna inconcebível
comparar tribos ou grupos completamente diferentes, que surgiram de forma desigual e apreender que
suas invenções se dão a partir da mesma origem. A partir desse contexto, é preciso avaliar se tais
fenômenos não teriam se desenvolvido de maneira independente ou se teriam sido transmitidas de um
povo a outro de algum modo em que se achasse em comunicação.
As metodologias dos estudos antropológicos variam desse ponto, para fazer as analises que
forem necessárias para conhecer os pontos convergentes e divergentes que ora aproximam, ora
distanciam realidades socioculturais.

Parte 2
Questão C – Discorra sobre o conceito de pessoa em Marcel Mauss e David Schneider.
O conceito de pessoa é um dos mais visitados da historia recente dos estudos
antropológicos das ciências sociais. E tal como no titulo do texto no qual Mauss trata do assunto, que
ele escreveu em 1938, categoriza o conceito de pessoa como fundamento histórico do pensamento
humano. A construção do conceito se dá por maneiras diversas, e por conteúdos muito aleatórios,
relativos a um contexto social, cultural, histórico e politico, sendo um objeto importante de estudo
antropológico, e o conceito de pessoa é um elemento polissêmico da psicologia social, pois se utiliza de
varias ferramentas ligadas aos saberes e fazeres, onde todos os objetos pertencentes ao individuo
formam a pessoa.

Podemos começar falando da etimologia da palavra pessoa, cuja raiz tem


por significado “máscara”, e assim como escrutina a palavra, ele tenta recriar a historicidade da
construção desse elemento. Muitos estudos consideram a noção de pessoa como algo inato,
indissociável do conceito de ser humano, como algo que sempre existiu, quando não é apenas o
pertencimento a classe dos homo sapiens que nos dota de caráter personificado de pessoa, pois essa se
dá por processos mais complexos de construção cientifica. Partindo do principio primitivo de
indistinção, essa noção do EU que Mauss expõe, vem de uma concepção durkeimiana de uma história
social das categorias do espírito humano no nível das concepções acerca da própria individualidade. Isso
constitui uma ideia de que pessoa é um conjunto de noções sociais, morais, jurídicas, normativas,
culturais, alicerçadas pelas experiências vividas pelo individuo em sociedade, através de processos de
subjetivação de acordo com os signos de cada recorte, situando uma consciência de si em uma
perspectiva que une processos comunicativos e suportes sociais e biológicos, apoiados pelo conceito de
evolucionismo estrutural contido na sociologia, e varia de sociedade para sociedade, de acordo com as
regras sociais estabelecidas naquele meio. A abordagem de Mauss atravessa os variados grupos
humanos e o tempo. Nesse “passeio” pelas sociedades e culturas, mostra a fluidez capaz de conter a
noção de pessoa. E tudo isso se alia aos conceitos que David Schneider discorre nas suas teorias sobre
parentesco, em que o parente aparece como uma pessoa, por estar inserida num contexto sociocultural
que o simbologiza dentro de uma unidade de parentesco, forjando essa combinação através de vários
elementos funcionais como geracionais, de gênero, de simetria ou assimetria, de formalidade ou
informalidade. A pessoa é definida por elementos diferentes que a compõem, para que ela possa exercer
esse papel, como o policial que deve conhecer as especificações e exigências do seu trabalho para
realizar corretamente o seu papel em seu domínio cultural. A pessoa tem seu papel como parente, mas
também tem seu papel perante seu domínio cultural na sociedade, sendo suas características definidas
pelos sistemas dessa sociedade.

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