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18/11/2020 Disciplina Portal

Fundamentos das ciências


sociais

Aula 7 - Modelos clássicos da análise


sociológica: a contribuição de Max Weber
INTRODUÇÃO

Por que os indivíduos, em uma situação especí ca, tomam determinadas decisões? Quais as razões/motivações para
esses atos?

Entender o sentido das ações empreendidas pelos indivíduos é o ponto de partida da sociologia de Max Weber, que
estudaremos nesta aula.

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OBJETIVOS

De nir o objeto e o método de investigação da sociologia weberiana.

Estabelecer o conceito de ação social.

Distinguir ação social e relação social.

Identi car os tipos de ação social.

Reconhecer a importância da sociologia weberiana para a análise da sociedade brasileira.

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, O MÉTODO COMPREENSIVO DE MAX WEBER


De acordo com Adriana Loche, Max Weber procura compreender a sociedade como um agregado de indivíduos que possuem
suas motivações próprias. Ao mesmo tempo, o estatuto de realidade objetiva é mudado para uma concepção menos determinista
de sociedade, segundo a qual a realidade é um fenômeno compósito.
Por isso, o cientista não conhece a sociedade de antemão, nem consegue abarcá-la totalmente. Para compreender a sociedade, é
preciso entender as redes de signi cações estabelecidas pelos indivíduos em suas ações e relações sociais. Para criar uma
imagem, como a que Durkheim via a sociedade como uma coisa, Weber a compreendia como um conjunto de ações parciais que
precariamente se totalizavam.
Assim, somente podemos compreender pequenos “pedaços” dessa realidade. Como cada indivíduo tem sua própria visão parcial
do mundo, há um con ito permanente entre os indivíduos que compõem a sociedade. Por este motivo, Weber propõe a
reconstrução do sentido subjetivo original da ação e o reconhecimento da parcialidade da visão do observador.

AÇÃO SOCIAL: UMA AÇÃO DOTADA DE SENTIDO


O objeto da sociologia para Weber é o sentido da ação social, que deve ser buscado pela apreensão da totalidade de
signi cados e valores atribuídos pelos indivíduos. Nesse sentido, ele procura mostrar que não há apenas uma causa
dos fenômenos sociais; através da ideia de “adequação de sentido”, Weber mostra a convergência da ação em duas ou
mais esferas que compõem o todo social (a economia, a política, a religiosa etc.), ou seja, a ação social é determinada
por mais de uma causa, sendo que cada causa tem importância variada sobre a determinada ação.

Para ele, a tarefa do sociólogo é “pesquisar os sentidos e os signi cados recíprocos que orientam os indivíduos na
maioria de suas ações e que con guram as relações sociais”. A análise sociológica deve, assim, compreender e
interpretar o sentido e os efeitos das ações humanas.

TIPOS DE AÇÃO
Weber, preocupado com o valor que cada indivíduo atribui à sua ação, procurou elaborar uma tipologia para
compreender as características particulares, de nindo quatro tipos de ação:

Ação racional com relação a ns

Motivada por ns objetivos, ou seja, para atingir seus ns, o indivíduo planeja e executa seus
planos, utilizando-se dos meios que considera mais adequados para atingir seus objetivos.
A racionalidade econômica capitalista é exemplo desse tipo de ação. Nesta perspectiva,
para Weber, o individualismo e a racionalização de condutas são elementos centrais da
modernidade.

Ação racional com relação a valores

Motivada por crenças em valores morais, religiosos, políticos etc. Neste tipo de ação o que
importa para o indivíduo é seguir os princípios que mais lhe são caros, não importando o
resultado de sua conduta; o que lhes impele é a lealdade aos valores que orientam sua
conduta. É o caso dos agentes que abrem mão de vantagens nanceiras em função da
preservação ambiental, por exemplo.

Ação afetiva

Guiada por uma conduta emocional. Sentimentos como raiva, ódio, paixão, desejo, ciúme
orientam sua conduta. Muitas vezes, o resultado dessas ações não é o esperado pelo
agente, em virtude da irracionalidade de seu ato. Os crimes passionais são exemplos típicos

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deste tipo de ação social.

Ação tradicional

Guiada pela tradição, costumes arraigados que fazem com que os indivíduos ajam em
função deles. É uma espécie de reação a estímulos habituais. Exemplo disso é o hábito de
saudarmos as pessoas com expressões como “bom dia”, “boa noite”, “ que com Deus”,
independentemente de termos grande a nidade com elas ou mesmo alguma fé. Para Weber
é difícil perceber até que ponto o agente age conscientemente ao empreender este tipo de
ação.

RELAÇÃO SOCIAL
A relação social estabelece-se quando os agentes partilham o sentido de suas ações e agem reciprocamente de
acordo com certas expectativas que possuem do outro. Como mostra Quintaneiro, em Um toque de clássico, são
exemplos de relações sociais a amizade, relações de hostilidade, trocas comerciais, relações políticas etc.

“Tanto mais racionais sejam as relações sociais, mais facilmente poderão ser expressas sob a forma de normas, seja
por meio de um contrato ou de um acordo, como no caso das relações de conteúdo econômico ou jurídico, da
regulamentação das ações de governo, de sócios etc.”.

QUINTANEIRO et al. Um Toque de Clássico. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2009.

Fonte: pyrozhenka / Shutterstock, baranq / Shutterstock, Rawpixel.com / Shutterstock e Antonio Guillem / Shutterstock

PATRIMONIALISMO: A PERMANÊNCIA DO ARCAICO


Na aula 4, estudamos as formas de dominação legítima preconizadas por Max Weber, a saber:

  Dominação tradicional;

  Dominação racional-legal;

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  Dominação carismática.

Vimos que a dominação racional-legal expressaria a forma mais moderna de dominação, visto que este tipo de
dominação se assenta nas formas impessoais de concessão e reconhecimento da autoridade legitimamente
constituída.

Roberto da Matta discute a permanência de práticas tradicionais na sociedade brasileira em seu livro “O que faz o
Brasil, Brasil?“:

O dilema brasileiro residiria na oscilação, ou seja, no que existe de liminar, entre "um esqueleto nacional feito de leis
universais cujo sujeito era o indivíduo e situações onde cada qual se salvava e se despachava como podia, utilizando
para isso seu sistema de relações pessoais’.”

Nesse sentido, o brasileiro oscilava entre uma série de leis que, teoricamente, todos os indivíduos da sociedade
deveriam cumprir, e uma série de expedientes passíveis de serem utilizados para burlar estas normas com bases em
uma rede de contatos pessoais facilitados pelo nosso próprio sistema burocrático e hierárquico.

Deste con ito nasceriam situações que todos nós estamos acostumados a vivenciar, como o jeitinho, que sempre está
ao nosso alcance (pra tudo tem um jeito), e o famoso ‘“você sabe com quem está falando?”.

Roberto da Matta, em O que faz o Brasil, Brasil? (Rio de Janeiro: Ed. Sala, 1984)

Veja na tirinha um exemplo do que hoje chamamos de “jeitinho brasileiro”:

Fonte: //mentirinhas.com.br/mentirinhas-426/

Saiba Mais
, Clique aqui (https://www.youtube.com/watch?v=CM9xBCj7h5Q) e assista ao vídeo sobre o “jeitinho brasileiro”.
Segundo Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil:

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No Brasil onde imperou, desde tempos remotos, o tipo primitivo de família patriarcal (o pai é o chefe supremo, o
homem possui um status de soberano, senhor total de todos e todas as coisas), o desenvolvimento da urbanização
que não resulta unicamente do crescimento das cidades, mas também do crescimento dos meios de comunicação,
atraindo vastas áreas rurais para a esfera de in uência das cidades, ia acarretar um desequilíbrio social, cujos efeitos
permanecem vivos ainda hoje.

Não era fácil aos detentores das posições públicas de responsabilidade, formados por tal ambiente, compreenderem a
distinção fundamental entre os domínios do privado e público. Assim, eles se caracterizam justamente pelo que separa
o funcionário “patrimonial” do puro burocrata, conforme a de nição de Max Weber.

Como se sabe, a prática do patrimonialismo ainda é bastante arraigada na sociedade brasileira. Apesar de o
ordenamento jurídico brasileiro consagrar o princípio da igualdade entre os cidadãos, veri ca-se a permanência de
relações hierarquizada que permitem que alguns indivíduos sejam “mais iguais que outros”, como irônica e
argutamente demonstra Roberto da Matta, em “O que faz o Brasil, Brasil?” sobre o qual comentamos anteriormente.

É o caso de homens públicos que se utilizam de recursos públicos para ns privados, seja utilizando-se de funcionários
públicos para serviços domésticos, seja pleiteando vistos diplomáticos a parentes sem alegadas razões de Estado.

Cabe ressaltar que essas práticas vem sendo contestadas e combatidas, como se pode perceber na proibição do
nepotismo (contratação de parentes para ocupar cargos públicos) nas três esferas do poder (Executivo, Legislativo e
Judiciário), como preconiza a Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal, de 29 de agosto de 2008, que
ressalta o princípio da impessoalidade no trato da coisa pública.

Dmitry Guzhanin / SHutterstock

ATIVIDADE

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Leia o caso abaixo e responda às questões propostas:

O capítulo 63 da novela mexicana Rebelde, produzida pela rede Televisa e transmitida/dublada pelo SBT, trouxe o
seguinte diálogo:

Mia: Tipo assim, eu gosto muito de comprar. Bolsas, sapatos, maquiagem...tudo para car bem linda.
Miguel: Ah, meu amor, você deve fazer o que gosta. Tem que pensar em você. Só tenha cuidado para que suas amigas
não se aproveitem de você.
Mia: Ah! Mas isto é claro para mim, na hora que a gente precisa é cada um por si, não tem ninguém para ajudar. É por
isso que eu penso primeiro em mim, segundo em mim e depois em mim...
Miguel: E em mim você não pensa?
Mia: Só para carregar meus embrulhos!!!!
Roberta: Essa barbie descerebrada não faz outra coisa senão comprar, comprar! É uma egoísta, uma individualista que
só pensa em si.

Segundo a teoria da ação social de Weber, que tipo de ação está presente nesses diálogos? Justi que.

Resposta Correta

Glossário
ADRIANA LOCHE

LOCHE, Adriana et al. Sociologia Jurídica. Porto Alegre: Síntese, 1999. p. 32.

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