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18/11/2020 Disciplina Portal

Fundamentos das ciências


sociais

Aula 10 - A atualidade das Ciências Sociais na


compreensão da sociedade contemporânea:
novos padrões morais e culturais
INTRODUÇÃO

Passada a primeira década do século XXI, veri ca-se a ocorrência de novos padrões de comportamento e estilos de
vida.

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Grupos sociais historicamente excluídos organizam-se e buscam cada vez mais inserir-se no mundo globalizado sem
abrir mão de suas marcas identitárias. Novos modelos de família passam a conviver com o modelo tradicional de
família nuclear.

Nesta aula, para nalizar nossa disciplina, analisaremos algumas dessas signi cativas mudanças culturais.

OBJETIVOS

Analisar questões contemporâneas da sociedade brasileira e mundial.

Estudar o processo de produção das diferenças.

Analisar o preconceito de raça na sociedade brasileira.

Analisar os preconceitos de gênero e de orientação sexual na sociedade brasileira.

Descrever o processo de construção de novas identidades e novos padrões de comportamento.

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NOVAS IDENTIDADES ÉTNICAS


Para compreendermos o conceito das novas identidades étnicas precisamos entender o conceito de grupo étnico.

Grupo étnico designa uma população que:

Fonte: Syndromeda / Shutterstock, Christian Wilkinson / Shutterstock, Blend Images / Shutterstock e Rawpixel.com / Shutterstock

RECONFIGURAÇÕES IDENTITÁRIAS: O “SER INDÍGENA” NO BRASIL


CONTEMPORÂNEO
Os anos 1970, no Brasil, entre outros processos de buscas políticas por liberdade de expressão, marcados por
movimentos contra-hegemônicos de dissidentes da ditadura militar, inspirados em parte pelo movimento católico da
Teologia da Libertação, como também pelas ações do Conselho Missionário Indigenista (CIMI), algumas comunidades
indígenas do Nordeste lutaram por seus direitos à terra e identidade, voltando a pelo menos parte de seus territórios.

Ainda hoje trabalham pela manutenção de uma identidade que lhes havia sido subtraída durante o processo
colonizatório.

Vera Calheiros, Clarice Mota, Rodrigo Grunewald e outros autores registraram este constante processo de “reinvenção
da tradição” e “etnogênese”, como cou conhecido na literatura antropológica.

Esse processo de busca pelo que se considera o elemento principal para a retomada da terra e dos direitos
subsequentes foi motivado pela chamada cultura ancestral e, consequentemente, pela autoimagem identitária.

Percebe-se um movimento para fora dos limites físicos e culturais da aldeia, ao mesmo tempo em que tal movimento
re ete a busca da identidade indígena por dois grupos sociais: a própria comunidade indígena e alguns setores
urbanos de classe média e alta.

Grupos que se contradizem, portanto, ao passo que também se encontram em um espaço recém-construído de
necessidades de autoa rmação interdependentes, onde a antiga exclusão se traduz em inclusão, mesmo que a custa
de invenções e ressigni cações das tradições perdidas.

A PRODUÇÃO DAS DIFERENÇAS


Como vimos na aula 3, a diversidade cultural é marca característica das sociedades humanas. As sociedades humanas
são marcadas, entre outras coisas, pelas diferenças de:

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Fonte: creativetan / Shutterstock, hxdbzxy / Shutterstock, StepanPopov / Shutterstock, Rawpixel.com / Shutterstock, Nejron Photo
/ Shutterstock e Pla2na / Shutterstock

Contudo, muitas vezes essas diferenças são hierarquizadas e passam a constituir desigualdades concretas, colocando
grupos e indivíduos em patamares diferentes da escala social, privilegiando uns e excluindo outros.

Na sociedade brasileira este processo de produção de diferenças e desigualdades se constituiu, desde a colonização,
numa das questões mais notórias e discutidas pelos historiadores e cientistas sociais. Some-se a isso o fato de o
senso comum interiorizar e reduzir práticas etnocêntricas, como, por exemplo, a valorização do trabalho intelectual em
detrimento do trabalho manual, e o tratamento diferenciado - para melhor - daqueles que ocupam posições superiores
na hierarquia social brasileira. É justamente esse tipo de procedimento que cria o que se denomina exclusão.

Preconceito racial
Embora permaneça, tanto em algumas correntes cientí cas como no senso
comum, a ideia de que existem raças humanas diferentes, os estudos e pesquisas
contemporâneos indicam que não há diferenças signi cativas entre os indivíduos
oriundas das suas diferenças somatológicas (de aparência física).

Todos os humanos descendem de um tronco comum, o homo sapiens.


Desta forma, não se pode pensar em raças superiores ou inferiores, pois
herdamos todos o mesmo patrimônio hereditário. No entanto, na prática, percebe-se
que o conceito de raça continua equivocadamente sendo usado como justi cativa
para a exclusão constante de povos e indivíduos, seja pela força das armas
ou das ideias, seja pelo processode exclusão social ou de não reconhecimento
de seus padrões culturais. A essa prática dá-se o nome de racismo.

O Brasil não conheceu o regime de segregação racial, o apartheid. A sociedade


brasileira, ao longo de sua história, não foi pensada de forma dual (negros x brancos).
Contudo, isso não signi ca que o racismo, em suas diferentes manifestações,
não faça parte da vida brasileira.

O debate em relação ao preconceito racial no Brasil tomou vulto


nos últimos anos, com a elaboração do Estatuto da Igualdade Racial
e as políticas de ação a rmativa, em especial a política
de reservas de cotas nas universidades.

Respeito não tem cor

Tem consciência

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CONCEITUANDO...

PRECONCEITO DE GÊNERO
As mulheres, desde a Revolução Industrial, vêm ocupando espaço no mercado de trabalho e, com isso, aumentando
sua importância na sociedade. Contudo, muitos ainda observam o trabalho feminino como uma expansão do trabalho
doméstico, tido como menos importante.

A luta da mulher pela sua inserção no mercado de trabalho, tem sua origem em tempos passados, e até hoje, a mulher
ocupa cargos de trabalho relacionados com serviços de saúde, de educação, como se o trabalho fosse uma extensão
do trabalho doméstico. Não que esses trabalhos não tenham importância, mas é paradoxal o fato de cargos
administrativos e industriais serem predominantemente masculinos.

A sociedade brasileira é composta, preponderantemente por mulheres, mas estas têm participação inferior a dos
homens no mercado de trabalho. Além do mais, a parcela feminina que está empregada precisa enfrentar preconceitos
e inacreditavelmente recebe menos pelo mesmo trabalho exercido por um homem.

Outro claro exemplo de preconceito contra as mulheres se expressa nos altos índices de violência doméstica,
motivação para a criação de lei especí ca visando maior rigor na punição dos agressores, a chamada Lei Maria da
Penha.

ian johnston / SHutterstock

PRECONCEITO DE ORIENTAÇÃO SEXUAL


Durante o processo de socialização, aprendemos que existe um padrão de orientação sexual, baseado na
heterossexualidade. A partir daí, tendemos a identi car e classi car lésbicas, gays, travestis, transexuais e
transgênicos através da representação feita, em geral, pelos meios de comunicação, ou seja, de forma estereotipada,
como faz com as mulheres afrodescendentes e outros grupos.

Muitas vezes, esse preconceito se expressa em forma de humor, piadas que satirizam e diminuem os indivíduos de
orientação sexual não heterossexual, passando, depois à discriminação e, não raro, à violência.

Ressalte-se que esta minoria é, historicamente, vítima de violências físicas e simbólicas e, até recentemente, sua
prática era considerada patológica.

Por essa razão, a questão do reconhecimento jurídico das uniões homoafetivas gerou tanta polêmica, pois trouxe para
a agenda nacional a possibilidade da existência de mais de um modelo de família, o que já é uma realidade não só no
Brasil, como em várias sociedades.

NOVOS PADRÕES FAMILIARES


O modelo tradicional de família

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Para Lévi-Strauss (A família, 1972), entende-se por família uma união mais ou menos duradoura, socialmente aprovada,
entre um homem, uma mulher e seus lhos, fenômeno que estaria presente em todo e qualquer tipo de sociedade.

Como modelo ideal, a palavra família designa um grupo social possuidor de pelo menos três características:

Fonte da Imagem:

Originada no casamento;

Fonte da Imagem:

Constituída por marido, esposa e lhos;

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Fonte da Imagem:

Os membros da família estão unidos entre si por laços legais, direitos e


obrigações econômicas, religiosas ou de outra espécie, um
entrelaçamento de nido de direitos e proibições sexuais, divisão sexual
do trabalho e uma quantidade variada e diversi cada de sentimentos
psicológicos (amor, afeto, respeito, medo).

DÉCADAS DE 1960 E 1970 – AS TRANSFORMAÇÕES DOS MODELOS


DE FAMÍLIA
Como demonstra Miriam Goldenberg em “Novas famílias nas camadas médias urbanas”, o nal da década de 1960 e
início da década de 1970 são marcos fundamentais nas transformações dos papéis femininos e masculinos na
sociedade brasileira e, consequentemente, da concepção de família em nosso país.

SAIBA MAIS
, Clique aqui (//www.miriangoldenberg.com.br/images/stories/pdf/conjugalidades.pdf) e saiba mais sobre esse assunto.

MOVIMENTO FEMINISTA

Fonte da Imagem: john dory / Shutterstock

O movimento feminista, que estava sendo organizado na Europa e nos Estados Unidos, começou a repercutir no Brasil.
Os jornais, as revistas, o cinema, o teatro e a televisão passaram a dar espaço para as reivindicações das mulheres.

O denominador comum das lutas feministas foi o questionamento da divisão tradicional dos papéis sociais, com a
recusa da visão da mulher como o “segundo sexo” ou o “sexo frágil”, cujo principal papel é o de “esposa-mãe”.

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As feministas reivindicavam a condição de sujeito de seu próprio corpo, buscando um espaço próprio de atuação
pro ssional e política.

A PARTIR DOS ANOS 1970


A partir dos anos 1970, apesar do predomínio do modelo nuclear conjugal, entre as famílias das camadas médias,
aumentaram as experiências de vínculos afetivo-sexuais variados e o contingente de mulheres optando pela
maternidade fora da união formalizada.

Castells assinala que houve um crescimento do número de pessoas vivendo sós e um crescimento expressivo das
famílias che adas por mulheres. (glossário)

A coabitação sem vínculos legais ou união consensual como alternativa ao casamento se tornou cada vez mais
expressiva numericamente, e aceita legal e socialmente (e a duração destas uniões informais começaram a ser cada
vez menores).

O tamanho das unidades domésticas também tendia a diminuir ainda mais, com o decréscimo do número de lhos.

Cresceram os recasamentos e as famílias recombinada.

OS MODELOS CONTEMPORÂNEOS DE FAMÍLIA


Ao falar-se, na atualidade, de família, o plural impõe-se:

“Já não há um ‘modelo ocidental’ mas vários.”

Segalen

O divórcio, a união livre, as recomposições familiares abalam o que se chamava, até pouco tempo, de “modelo de
família ocidental”. Este modelo será ainda mais abalado com as novas técnicas de procriação.

A doação de óvulos, a fecundação por inseminação arti cial ou in vitro, a possibilidade de clonagem de seres
humanos, levam-nos a re etir sobre os princípios que assentam o nosso sistema de parentesco. (glossário)

Há uma visibilidade cada vez maior das famílias homoafetivas (glossário), ou seja, formadas por indivíduos do mesmo
sexo.

Cresceram os recasamentos e as famílias recombinada.


REFLEXÃO
, Essas tendências colocam em xeque a estrutura e os valores da família tradicional. Não se trata do m da família, uma vez que
outras estruturas familiares estão sendo testadas e poderemos, no m, reconstruir a maneira como vivemos uns com os outros,
como procriamos e como educamos de formas diferentes.

ATIVIDADE
Leia atentamente o texto O Paradigma Cássia Eller (glossário). Depois, responda:

Quais as implicações sociológicas do uso da expressão “família homossexual”? No caso apresentado, o que
caracteriza a relação entre o lho da falecida cantora e sua companheira?

Resposta Correta

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Glossário
FAMÍLIAS CHEFIADAS POR MULHERES

O crescimento dessas famílias ocorreu em função da elevação das taxas de separações e divórcios; da expectativa de vida maior
para as mulheres gerando mais viuvez feminina e da crescente proporção de mulheres solteiras com lhos, não apenas por
abandono de seus parceiros, mas como opção.

SISTEMA DE PARENTESCO

Sexualidade e parentesco são dissociados, paternidades e maternidades são multiplicadas (genética e socialmente), o
nascimento de um lho não provém necessariamente de um casal.

FAMÍLIAS HOMOAFETIVAS

Este modelo de família tem recebido o reconhecimento de consideráveis setores da sociedade, bem como de setores do
Judiciário, que vem, desde inédita sentença do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul em 2001, até o entendimento
do Supremo Tribunal Federal, em 2010, que reconheceu como entidade familiar o relacionamento entre duas pessoas do mesmo
sexo.

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