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Microeconomia

3º Mini Teste
Aulas 8, 9 e 10
Eficiência Estática

Num mercado concorrencial todas as trocas efetuadas são mutuamente vantajosas, o que significa que ambas
as partes ganham.

Procura de mercado - representa a disponibilidade a pagar dos consumidores pelo bem ou serviço que está a
ser transacionado, ou seja o beneficio marginal que retiram de cada unidade consumida.

Oferta de mercado – traduz a disponibilidade para vender das empresas, nomeadamente o que exigem
receber e que corresponde ao custo marginal da produção.

Não existe nenhuma quantidade que traga maior diferença entre custo e beneficio que a quantidade de
equilíbrio.

Representa o CMg de cada unidade oferecida/vendida

Representa o BMg de cada unidade procurada/comprada

Numa quantidade como Q0, o BMg de mais uma unidade é superior ao respetivo CMg, portanto deveria
produzir-se mais. BMg > CMg

Em Q1 sucede o oposto BMg < CMg, e deveria reduzir-se a produção.

A quantidade mais eficiente no sentido de garantir um beneficio liquido máximo, é precisamente Q*, ou
seja, a solução concorrencial.

O equilíbrio de mercado concorrencial traz o maior ganho agregado possível no que diz respeito ao bem em
causa, mas a divisão deste ganho entre consumidores e produtores não é necessariamente equitativo.

Como se dividem os ganhos?

Considerando o preço de equilíbrio, define-se o excedente do consumidor como a diferença entre o seu
beneficio (dado pela procura) e o preço que paga. De igual modo, o excedente do produtor é a diferença
entre o preço recebido e o custo de produção, para todas as unidades.

O consumidor ganha a diferença entre o seu beneficio (dado por D)


e o preço que paga (P*) por todas as unidades consumidas.

O produtor ganha a diferença entre o preço que recebe (P*) e o seu


custo (dado por D) por todas as unidades vendidas.

Esta medida de ganho do produtor apenas difere do lucro por não considerar os custos fixos de produção.
Mariana Milhano Coelho
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A repartição do excedente gerado entre o consumidor e produtor (ou seja, a divisão dos ganhos de troca)
depende das elasticidades relativas das duas curvas.

Independentemente da repartição dos ganhos, o mercado concorrencial é teoricamente eficiente assegurando


que só as empresas mais competitivas ficam em cada mercado e que o preço é o menor possível. Isto não
quer dizer que, na prática, o resultado do funcionamento do mecanismo de mercado seja sempre eficiente,
uma vez que existem diversas falhas de mercado:
• Se em vez de empresas e de consumidores tomadores de preços, existirem participantes com poder
de mercado, a solução alcançada não será tão eficiente.
• Outras falhas de mercado existem quando há externalidades (situações em que uma transação entre
duas partes - consumidor e vendedor - traz custos ou benefícios a uma terceira parte que não
participa nessa transação).
⇒ Externalidades negativas: Danos Ambientais
⇒ Externalidades positivas: Bens públicos
• Uma outra situação que afasta os mercados reais da eficiência é a existência de assimetrias de
informação entre os consumidores e produtores.

Eficiência Dinâmica – Os recursos da economia (fatores produtivas) vão deslocar-se para os mercados onde
são mais produtivos.
Essa dinâmica garante que P = Min ⎨CMed⎬ -> Está se a produzir da forma mais eficiente possível!

Monopólio – Estrutura de mercado em que uma única empresa serve todos os consumidores e não existem
substitutos próximos do produto vendido pelo monopolista.

Características do monopólio: A característica fundamental do monopólio é que a empresa enfrenta uma


procura própria que não é servida por mais ninguém, isto é:

1. Não é tomadora de preços -> Tem poder de mercado.

Sabe que para vender terá de descer o preço, de acordo com a procura, e escolhe a quantidade a vender
considerando esta relação (ou seja a relação entre P e Q - se Q↑ ⇒ P↓).

2. Há barreiras á entrada (tecnológicas ou legais, logo pode manter π > 0).

3. Não há comportamento estratégico, porque não há outras empresas relevantes.

Escolha do monopolista: A empresa continua a ter como objetivo:

MAX π = MAX [P(Q) x Q – C(Q)]

Mas agora a empresa sabe que o preço depende da quantidade produzida, de acordo com a função procura
P(Q). Então o que distinguirá a escolha do monopolista é o lado da RECEITA.

Mariana Milhano Coelho


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Quando produz mais, o preço desce e vende mais: Aulas 8, 9 e 10
ganha a receita A.

Mas tem de vender mais barato, logo perde a receita B.

A RMg do monopolista não é constante e igual a um determinado preço, a não ser no caso da procura
infindamente elástica. Em geral, há dois efeitos no lado da receita:
• Por um lado, quando a empresa vende mais unidades, entra mais receita porque a quantidade vendida
é maior.
• Mas por outro lado, tem de vender mais barato, o que dá uma perda de receita.

A RMg pode assim ser positiva ou negativa, ou seja, a Receita Total pode aumentar ou diminuir com o
aumento da quantidade vendida.
!"
Dado que: RT = P (Q) X Q -> Ao vender mais uma unidade o monopolista recebe P, mas perde !"
em
todas as unidades que vende.
!"
Matemáticamente, Rmg = P + !" x Q

É  sempre  negativo  –  Logo  o  monopolista  escolherá  produzir  menos  que  uma  empresa  concorrencial  
porque  a  sua  Rmg  é  inferior  ao  preço.  

Nota:
Na escolha o monopolista tem a consideração a Rmg:
• MAX π = MAX (RT – CT)
• Rmg = Cmg
Em concorrência perfeita temos Rmg = P logo P = Cmg.
No monopólio temos Rmg < P

Relação entre Rmg e a Elasticidade Procura:


𝟏
Rmg = P[ 𝟏 − |𝒆| ]

Logo, se a procura é:
• Rígida: 0 < |e| < 1 então Rmg < 0

• Elástica – unitária: |e| = 1 então Rmg = 0

• Elástica: |e| > 1 então Rmg > 0

Da relação entre RMg e a Elasticidade da Procura concluímos que um monopolista NUNCA produz na zona
rígida da procura ( Rmg<0 ). Porque podia aumentar a receita produzindo menos (Q↓), o que lhe traria
também custos menores e consequentemente mais lucro.

A margem do monopolista é tanto menor quanto mais elástica for a procura que lhe é dirigida, o que se pode
ver na condição de maximização do lucro:

Mariana Milhano Coelho


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𝑷!𝑪𝑴𝒈 𝟏
RMg = CMg (=) 𝑷
= |𝒆|

• Se |e|=  ∞
𝟏
• 𝐥𝐢𝐦|𝒆|→! (  |𝒆|  ) = 𝟎

logo: P = CMg

Conclusão: Se a procura for infindamente elástica o monopolista escolhe o P=CMg.

Ao contrário do que sucede em concorrência, é possível em monopólio ter lucro positivo no longo prazo
porque não há entrada de novas empresas.

Nota: O monopolista não tem curva da oferta, uma vez que escolhe simultaneamente a quantidade e o preço
onde se vai posicionar, embora esteja sempre limitado pelas condições da procura.

Análise de eficiência: O Monopólio em BOM ou MAU?


Comparação entre a solução de um empresa concorrencial e a escolha de uma empresa monopolista:

Solução:
• Empresa concorrencial – a escolha está quando P = CMg
• Monopolista – quantidade menor e num preço mais alto.

No ponto (PM, QM) ainda haveria quantidades cujo BMg é superior ao


CMg de produção (PM > CMg) portanto ainda haveria trocas
socialmente vantajosas, mas não são efetuadas.

E quem sai prejudicado? Sobretudo os consumidores.

Para os consumidores, o monopólio é prejudicial. A sua perda de excedentes corresponde á área B+C
(pois o XC é agora A, perdeu B+C em relação à concorrência perfeita).

Para a empresa, como não poderia deixar de ser, o monopólio traz um aumento de excedente – em
particular um ganho líquido igual ás áreas B-E. (pois o XP é agora B+D, ganhou B mas perde é em relação á
concorrência perfeita).
Logo ganha se B>E e perde se B<E.

Assim se verifica que a existência de monopólio não é apenas uma redistribuição de riqueza dos
consumidores para o produtor, uma vez que resulta numa perda líquida de excedente (área C+E), designada
por carga excedentária.
Perda de eficiência
O Monopólio introduz ineficiência no mercado por não vender todas as do Monopólio
unidades cujo BMg seria maior que o respetivo custo ⇒ Haveria trocas socialmente
vantajosas que não são efetuadas ⇒ é por isto que os Estados controlam os
monopólios.

Porque existem monopólios? Não poderiam os estados obrigar à introdução de concorrência em


todos os mercados zelando pela eficiência ? nalgumas situações a intervenção nesse sentido é difícil ou
mesmo contraproducente.
Mariana Milhano Coelho
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1. Economias de Escala
Nalguns sectores produtivos existem fortes economias de escala, ou seja, o custo médio de
produzir é tanto menor quanto maior a quantidade.
Se a empresa conseguir sempre produzir a custos mais baixos, independentemente da quantidade
produzida então detém: Rendimentos à escala SEMPRE crescentes.

Isto pode suceder em sectores em que os CF são muito significativos.


Chama-se a este tipo de situação: Monopólio Natural.

É impossível introduzir um preço eficiente (igual ao Cmg de produção)


pois teste será sempre abaixo do CMed, logo haveria prejuízo, ou seja, se o Estado tentar quebrar
este monopólio, vai fazer subir os custos e não consegue estabelecer um mercado concorrencial.

Se o CMed for sempre decrescente, é porque CMg < CMed

2. Economias de Rede

Por vezes, o beneficio associado ao consumo de um bem é tanto maior quanto mais
consumidores usarem o mesmo bem, o que leva a que todos procurem comprar á empresa mais
popular, criando um efeito bola de neve que dificulta a entrada de empresas concorrentes. Aqui
trata-se de um efeito do lado da procura e não do lado dos custos de produção. Ex: Microsoft.

3. Barreiras á entrada (legais ou tecnológicas)


a) Patentes (incentivo á inovação) ou licenças governamentais (controlo do Estado)

Sabendo que a perda de eficiência associada á situação de monopólio, parece estranho


que nalguns casos os Estados concedam patentes que impedem a concorrência. A lógica
por trás destas politicas prende-se com o reconhecimento de que a inovação tecnológica
tem custo de investigação e desenvolvimento que podem ser significativos:

Patentes -> Monopólios temporários que pretendam compensar as empresas pelos custos
incorridos e assim fomentar a inovação. (mas se não houvesse patentes o incentivo á
inovação seria menor, pois as empresas que inovassem, seriam imediatamente copiadas e
teriam um lucro menor.

b) Controlo do fator fundamental (matéria-prima ou know-how)


 
Discriminação de preços

Até aqui partimos do principio que:


- Para vender mais, a empresa monopolista tinha de baixar o seu preço, perdendo com isso alguma
receita potencial.

Mas existem, por vezes, formas de aumentar a quantidade vendida evitando esta perda de receita,
nomeadamente através da venda de unidades do mesmo bem a vários preços distintos.

Discriminação de preços
Mariana Milhano Coelho
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Definição: Para unidades iguais, que custam o mesmo a produzir, temos diferenças de preço.

Exemplos de situações em que os consumidores compram o mesmo bem, à empresa, a preços


diferentes: Aviões, Chamadas telefónicas, fotocópias, água, eletricidade, gás, bilhetes,...

Porque se faz discriminação de preços? Porque para Q↑ => P↓. Mas se conseguir manter o preço para a
quantidade produzida e só cobrar o preço mais baixo para a quantidade adicional => Maior Lucro!

Para que uma empresa consiga fazer discriminação de preços tem de verificar algumas condições:

- Existência de algum poder de mercado, pois uma empresa tomadora de preços, por definição, não
consegue discriminar.
- Dificuldade de revenda do bem, impedindo os consumidores de fazerem arbitragem.
Exemplos de revenda fácil: bens alimentares (pão) e outros bens de consumo (vestuário).
Exemplos de revenda difícil: redes com acesso individual (telecomunicações, eletricidade, água, gás,
...)
- Existência de consumidores identificados com características diferentes (alguns com valorizações
maiores e outros menores) => Segmentação da Procura.
- Ausência de impedimentos legais à discriminação, ou seja, se for permitido por lei.

Consoante a situação, e em particular a qualidade da informação disponível sobre os consumidores, as


empresas podem enveredar por várias discriminações de preços:
 
1. Perfeita ( Discriminação de 1º Grau) – Intitula-se discriminação perfeita de preços qualquer
situação em qua a empresa consiga retirar todo o excedente ao consumidor:

• Seja vendendo cada unidade a um preços equivalente ao máximo da disponibilidade a pagar por
ela – cobra-se por cada unidade exatamente o máximo que o consumidor está disposto a pagar.

• Ou aplicando um preço de duas partes, um preço por unidade e um preço de acesso ao bem, onde
este ultimo serve para transferir o excedente do consumidor para o produtor.

F: componente constante (paga sempre para acesso, independentemente da quantidade


consumida)
P: Preço por unidade

Para descriminação perfeita P=P* e a F=XC (retira-se todo o excedente ao consumidor).

Este tipo de preços nem sempre são aplicáveis como tal! – Se os consumidores forem diferentes e
não identificáveis, pode não ser fácil cobrar a parte fixa: alguns consumidores recusam-se a
consumir o bem e o monopolista pode ter que baixar a entrada e permitir que o XC aumente.

2. Por Grupos (discriminação do 3º grau) – O monopolista consegue identificar o consumidor por


tipo e cobra um preço uniforme a cada tipo de consumidor.
Quando existem grupos de consumidores bem identificados, a empresa pode apresentar preços
distintos consoante o grupo que o consumidor pertença (ex: muitos bens oferecem descontos a
estudantes, > 65 anos,...).

Mariana Milhano Coelho


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Desde que haja impossibilidade de arbitragem, então aqui tempos efetivamente PROCURAS
DIFERENTES, e identificadas que o monopólio explora antecipadamente.

Exemplo: Um monopolista tem 2 procuras diferentes: P1 (Q1) e P2 (Q2)

• Max Q1,Q2 ⎨π⎬ = P1 (Q1) x Q1 + P2 (Q2) x Q2 – C (Q1 + Q2)

!"
−   !!! = 0 (=) Rmg1= Cmg
!"
− !!!
= 0 (=) Rmg2= Cmg

! !
• P1(1 − ℇ!
) = P2(1 − ℇ!
)

Ou seja, no ótimo vende-se a um preço mais baixo aos consumidores que tem elasticidades maiores. Para
maximizar o lucro, a empresa deve cobrar um preço mais alto ao grupo que tenha a procura menos elástica.

3. Por Quantidade (Discriminação de 2º grau) – Nem sempre existe forma de distinguir entre os
vários tipos de consumidores. Nestes casos, a empresa pode oferecer diferentes combinações
quantidade-preço e os próprios consumidores revelam o seu tipo através do pacote escolhido.

“Auto-segmentação” da Procura: relação quantidade-preço (tipicamente quantidades pequenas


preços elevados e quantidades elevadas preços baixos)

4. Outros métodos: Como a venda a preços diferentes traz um potencial aumento de lucro, as
empresas têm desenvolvido outras formas de discriminar entre consumidores que podem ser
designados por “métodos de barreira”, ou seja, o consumidor tem de ultrapassar um determinado
obstáculo para ter acesso aos preços mais baixos. Exemplos são os cartões de fidelização, ao os
saldos.

⇒ Pode juntar os preços (“Bundling” ou preços conjuntos)


⇒ Pode diferenciar os produtos para discriminar o preço
⇒ Vender a preços diferentes em momentos diferentes também é um tipo de discriminação.
Exemplo: preço de lançamento ≠ preço de saldo

Nota: Como o monopolista tem menos informação, nunca consegue tanto lucro como na
discriminação perfeita.

Embora a palavra “discriminação” tenha nos dias de hoje uma carga pejorativa, a discriminação de preços
pode ser boa para a sociedade. Comparando, por exemplo, um monopolista de preço único com um que
consiga vender a dois ou a três preços, é provável que no segundo caso haja mais consumidores com acesso
ao bem e a quantidade vendida esteja mais próxima daquele que seria eficiente.

• Concorrência Monopolista

Os mercados analisados até agora pressupõe a existência de um único bem perfeitamente homogéneo. No
entanto, muitos do mercados que podemos observar na realidade caracterizam-se por uma forte
diferenciação de produtos, isto é, por haver várias marcas de uma determinada categoria de produtos, marcas
estas que os consumidores valorizam de formas diferentes.

Um dos modelos que permite analisar tais situações é o modelo designado por concorrência monopolista.
Mariana Milhano Coelho
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A ideia é que cada empresa tem o exclusivo da sua marca, ou seja, comparta-se como o monopólio da sua
marca, podendo escolher uma estratégia de preço e quantidade com base na procura que exista por essa
marca.

Rmg = Cmg, para cada empresa

Por outro lado, não existem barreiras à entrada, portanto qualquer outra empresa pode lançar uma marca
concorrente. Quando tal sucede, uma parte da procura existente é desviada para outras marcas que já
estavam no mercado.
 
Tal como no mercado perfeitamente concorrencial, haverá entradas de novas empresas enquanto houver
possibilidade de ganhar um lucro económica positivo e o equilíbrio de longo prazo dá-se quando o lucro for
zero (π=0)

P = CMed, para cada empresa

Interação Estratégica:

Uma das preocupações fundamentais das empresas: Compreender de que forma os seus resultados (vendas e
lucros) são afetados não só pelas suas próprias escolhas mas também pelas estratégias de empresas
concorrentes.

Existem inúmeros modelos que tentam descrever os mercados onde existe interação estratégica entre
empresas, mas todas eles existem a definição de:
• Intervenientes
• Estratégias Oligopólio - Existem algumas empresas (mas relativamente
poucas e com poder de mercado) e cada uma delas reconhece o
• Mecanismos de escolha individual impacto das suas ações no mercado ( e em particular, nas
• Interação para o equilíbrio rivais), bem como o impacto respetivo das ações das
concorrentes no seu lucro => Como Analisar? A estratégia
melhor para cada empresa depende das estratégias das outras.
O equilíbrio resulta da interação – Teoria dos Jogos.

Teoria dos Jogos: área do conhecimento que trata estes temas e tem aplicações muito vastas.

Um jogo é qualquer situação em que há diversos intervenientes (os jogadores), que têm objetivos próprios e
vão ter atingi-los através da escola das suas ações (estratégias), sabendo no entanto que o resultado que irão
conseguir depende também das estratégias dos outros jogadores.

Num jogo não coperativo, cada jogador tomas as suas decisões de foma independente procurando obter o
melhor resultado individual. Ou seja, cada jogador só está interssado no seu próprio resultado.

Dilema do priosioneiro: Jogo no qual a estratégia que é melhor individualmente resulta numa solução que
acaba por ser pior para todos os jogadores.
Ou seja, o dilema do priosioneiro ocorre quando a solução a que se chega é pior do que aquela que se obteria
se houvesse cooperação entre os jogadores, ou seja, os incentivos individuais levam a uma situação em que
o resultado é inferior aquele que seria atingindo com um comportamento cooperativo. Mas individualmente
as empresas tem o incentivo em fazer para se desviarem do acordo para não teremo risco de não ganhar
nada.

Mariana Milhano Coelho


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Matriz de resultados Aulas 8, 9 e 10
  expressa em meses de cadeia
 
 
 

Pensamento do Jogador B: Se o outro confessar, incriminando-me, então o melhor para mim é confessar
também (36 meses de cadeia em vez de 60); mas se o outro não confessar, também é melhor para mim
confessar (1 mês de cadeia em vez de 3).

Neste tipo de situação existe uma estratégia dominante.

O jogador deve sempre confessar seja qual for a estratégia do outro.

No jogo apresentado acima (que é simétrico) ambos os jogadores pensarão da mesma forma e por isso existe
um equilíbrio de estratégias dominantes => em que ambos confessam.

Note-se que tal implica uma estadia de 36 meses de cadeia para ambos, quando poderiam sair ao fim de 3
meses se nenhum deles confessasse (mas não sabendo a tomada de escolha do outro jogador é, nesta
situação, preferível confessar).

Nem todos os jogos são dilema do prisioneiro, aliás na maior parte das interações não existe sequer
estratégias dominantes para ambos os jogadores.

Equilíbrio de Nash – Cada jogador está a escolher a sua melhor estratégia dadas as estratégias das outras.

Matriz apresenta um jogo entre


empresas que devem escolher
entre preço alto e preço baixo,
onde os resultados são os
lucros obtidos

Neste jogo, a melhor estratégia para cada empresa depende do que a outra está a fazer (praticar preço alto se
a outra fizer o mesmo, caso contrário escolher preço baixo). Existem 2 equilíbrios de Nash: ambos com o
preço altos e ambos com o preço baixo.

É um equilíbrio de Nash porque depois de saber a estratégia do seu adversário, nenhuma das empresas tem
incentivo de se desviar do ponto óptimo (depende do outro).

Também pode acontecer que num jogo não exista qualquer equilíbrio de Nash em estratégias puras, embora
seja frequente encontrar um equilíbrio de Nash nas estratégias mistas, isto é, uma situação em que cada uma
!
das estratégias é jogada com uma dada probabilidade => é o caso do jogo “Pedra, Papel ou Tesora” P = !

Estruturas de mercado em oligopólio => Os resultados e métodos associados à teoria de jogos podem ser
aplicadas na análise dos mercados oligopolistas.

Ou seja, situações em que existe um número relativamente pequeno de empresas a servir os mesmos
consumidores, e onde o lucro de cada empresa dependerá também da estratégia das suas concorrentes.

Mariana Milhano Coelho


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Nos modelos que se seguem manter-se-á a hipótese de produto homogéneo.

Modelo de oligopólio
 
 
 
 
 
Cournot   Bertrand  
  Stackelberg  
 
 
.v.  estratégica:  quantidade   preço  
 
  quantidade  
Tendo  por  base  a  
quantidade  oferecida    
  Empresa  líder  e  as  
por  a  outra  empresa  
  seguidoras  
sei  a  quantidade  que  
tenho  de  adaptar    
 
 
• Concorrência em quantidades: Caso as empresas num mercado atuem através da escolha de
quantidades, o preço de mercado será determinado pelo conjunto de estratégias de todas as empresas
bem como pela curva de procura.

Modelo de Cournot: considera que cada empresa escolhe a quantidade que vai colocar no mercado
tomando como dada a quantidade das concorrentes.

A maximização do lucro de cada empresa tem como resultado, assim, não uma quantidade certa mas
sim uma função reação (ou função melhor resposta).

O equilíbrio de cournot dá-se quando nenhuma empresa quer mudar a sua quantidade dadas as
quantidades das outras, ou seja, na interação de todas as funções reação. O equilíbrio será simétrico
se todas as empresas tiverem os mesmo custos de produção.

Modelo de Stackelberg: Toma em consideração que na realidade há empresas com maior influencia
no mercado.

Neste modelo existe uma empresa líder, sendo as restantes seguidoras. A líder escolhe primeiro e
leva desde logo em consideração, ao escolher a sua quantidade, a resposta das outras, sendo estas
modelizadas no equilíbrio de Cournot. O lucro da líder será assim maior.

• Concorrência em preço: As empresas tomam decisões estratégicas da escolha do preço.

Modelo de Bertrand: Cada empresa deve escolher o preço a que quer colocar o seu produto, dados
os preços dos outros.

No entanto, com um produto homogéneo não faz sentido que haja compradores a diversos preços ao
mesmo tempo, pois todos preferirão com a empresa com melhor preço.

Em determinadas circunstâncias, nomeadamente custos marginais constantes e ausência de


restrinções de capacidade, as empresas concorrentes vão tender a entrar numa guerra de preços =>
Mariana Milhano Coelho
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vale sempre a pena baixar ligeiramente o preço para captar mais clientes, mesmo que todas as
empresas acabem por ficar pior no final. Trata-se de um dilema do prisioneiro.

O equilíbrio de Bertrand nestas situações será P=CMg tal como na concorrência perfeitas, mas por
diferentes motivos.

Coligação entre empresas: A forma de todas as empresas em conjunto terem o maior lucro possível
consiste em juntarem-se numa coligação/cartel.

O equilíbrio de mercado neste caso, coincide com o que ocorreria em situação de monopólio, ainda que com
diferentes fábricas, pois os custos de produção podem variar para os diferentes membros da coligação.
Apesar das coligações aumentarem sempre o lucro das empresas, é uma solução menos frequente do que se
pensaria por 2 razões:

• Na maioria dos países a coligação entre empreses, com o objetivo de aproveitar o seu poder de
mercado subindo os preços, é proibida pela legislação de defesa da concorrência. Esquemas desta
natureza são (e têm sido) punidos pelas autoridade, com multas e até penas de prisão.

• Os acordos de coligação tendem a ser instáveis, pois muitas vezes há um incentivo individual a
“furar” o acordo, por exemplo produzindo um pouco mais do que o combinado. Naturalmente, se
muitas empresas fizerem isto, a solução de coligação não será atingida.

Mariana Milhano Coelho

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