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Haesbaert – O Mito da Desterritorialização

Cap 2 Definindo Território para entender a Desterritorialização


Território é um conceito utilizado por diversas áreas do conhecimento, embora parece
ser estritamente geográfico. Contudo, uma vez que outras áreas trazem diversas
abordagens para este tema o que seria seu entendimento a partir de uma perspectiva
espacial, ou melhor, o que é a espacialização do território?

O autor define 3 vertentes clássicas de noções de território: (p.40)


-Política, ou jurídico-política, território é um espaço controlado e delimitado, através da
qual se exerce determinado poder, muitas vezes exclusivamente o poder político do
Estado.
-Cultural ou simbólico-cultural: prioriza a dimensão simbólica e mais subjetiva, em que
o território é visto, sobretudo, como o produto da apropriação /valorização simbólica de
um grupo em relação ao seu espaço vivido.
-Econômica: menos difundida, enfatiza a dimensão espacial das relações econômicas, o
território como fonte de recursos e/ou incorporado no embate entre classes sociais e na
relação capital-trabalho, como produto da divisão “territorial” do trabalho, por exemplo.

Também organiza a leitura do território, para cada uma das abordagens, as perspectivas
de: (p.41)
- Materialismo-Idealismo; que se desdobra em função de outras duas perspectivas:
parcial e a integradora.
- Espaço-Tempo: nas perspectivas de absoluto ou relacional; ou historicidade e
geograficidade

2.2 Território nas perspectivas materialistas

Existe uma dimensão importante de não encarar Território não apenas como uma
categoria de análise, mas sim como algo existente para além da categoria. Seja partir de
sua indicação de terra, e, portanto, materialidade, seja ao entende-lo pelos sentimentos
que o território inspira. (p.44)
As perspectivas materialistas vão do extremo do entendimento “naturalista” que
o reduzem ao seu caráter biológico, e um outro social, em especial as “relações de
produção”. Um meio termo seria por exemplo uma leitura econômica, entendendo como
fonte de recursos. (p.44).

Concepções naturalistas
Diz a respeito das comparações entre os comportamentos animais e humanos, mas traça
exemplo que mostram a funcionalidade do território não são exclusivas da espécie
humana (p.47). Ao alertar para os problemas das comparações entre os animais não
humanos, o autor alerta “Pior do que isso, cita-se a origem dos homens entre os
predadores para justificar um instinto não só agressivo, mas também de necessidade
‘biológica’ de dominar um pedaço de terra.” (p.51).
Concepção de base econômica
Definição do Godelier: “porção da natureza e, portanto, do espaço sobre o qual uma
determinada sociedade reivindica e garante a todos ou a parte de seus membros direitos
estáveis de acesso, de controle e de uso com respeito à totalidade ou parte dos recursos
que aí se encontram e que ela deseja e é capaz de explorar. (p;56).
O autor também destaca as “confusões entre os usos de território e espaço como
sinônimos. Esse debate entre na discussão de Milton Santos:
“O território usado constitui-se como um modo complexo onde se tece uma trama de
relações complementares e conflitantes. Daí o vigor do conceito, convidando a pensar
processualmente as relações estabelecidas entre o lugar, a formação socioespacial e o
mundo. O território usado, visto como uma totalidade, é um campo privilegiado para a
análise na medida em que, de um lado, nos revela a estrutura global da sociedade e, de
outro lado, a própria complexidade do seu uso.” (p.59). Dialética do território usado
recurso-abrigo.

Tradição jurídico-política de território


Fundamental para a Geografia Política e sua mais tradicional definição que faz a
associação entre território e os fundamentos materiais do Estado.
Discussão de Ratzel e espaço vital
Gottman “no mundo compartimentado da Geografia, a unidade política e o território. ”
“Compartimento do espaço politicamente distinto” “entidade jurídica, administrativa e
política” (p.65).

2.3 Território nas perspectivas idealistas.

García, território “semantizado”, que não se explica apenas pelas características físicas
(p.70).
Cartesianismo : não há sobreposição de territórios.
Bonnemaison; É assim que o território cultural precede o território político e com ainda
mais razão precede o espaço econômico. (p.72).

E qual a diferença deste uso para Territorialidade?

2.4 Território numa perspectiva integradora.