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Golpe de Aríete

nas Instalações Elevatórias


– Método de Parmakian

Disciplina: HDS 1005 - Hidráulica B


Professora: Daniela Guzzon Sanagiotto

Semestre 2010-2 1
Golpe de aríete em instalações de bombeamento
 O desenvolvimento do fenômeno do golpe de aríete numa
instalação de bombeamento se processa da seguinte maneira:
 1ª fase
Interrupção por falta de energia elétrica – o motor permanece
girando por algum tempo pela energia cinética.
Velocidade angular do rotor decresce rapidamente –
decréscimo da descarga.
Nesta fase ocorre uma redução de pressão no interior do
encanamento, sendo essa depressão maior, no seu início, na união
com a bomba, propagando-se ao longo do encamento no sentido da
sua saída.
Após o tempo L / a (L = comprimento de recalque e a =
celeridade), a tubulação está em depressão e a água fica imóvel.

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Golpe de aríete em instalações de bombeamento
 2ª fase
Devido à sua elasticidade, o encamento readquire seu diâmetro
primitivo, a medida que a onda de pressão retorna do reservatório para
a bomba.
Após o tempo 2L/a a onda de pressão chega à bomba.
Nessa fase podem ocorrer duas hipóteses, de acordo com a
presença ou não de válvula de retenção.
1ª Hipótese: sem válvula de retenção (bombas de grande descarga).
Rotor continua girando no mesmo sentido, mas o fluxo está em
sentido contrário. – dissipação da energia
O rotor vai girando cada vez mais lentamente, sua velocidade
passa por zero e começa a girar em sentido contrário, como se fosse
uma turbina hidráulica, sob a ação da água da linha de recalque.

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Golpe de aríete em instalações de bombeamento
 O número de rotações aumenta até atingir o valor nominal de
rotações, porém, em sentido inverso.
 Nessa fase temos acréscimo de pressão no interior da bomba e no
encanamento de recalque.
 A descarga em sentido inverso aumenta, até atingir a rotação
nominal em sentido inverso e começa a diminuir.
 A amplitude de oscilação da pressão depende da inércia do
conjunto rotores da bomba e do motor.
 Inércia pequena – desprezível o tempo de anulação da descarga.
 Parmakian – análise do golpe de aríete para bombas centrífugas.

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Golpe de aríete em instalações de bombeamento
 2ª Hipótese: com válvula de retenção (VR)
A corrente líquida, ao retornar à bomba, encontra a válvula
fechada, o que ocasiona uma compressão do líquido, dando origem a
uma onda de sobrepressão.
Os efeitos do golpe de aríete se verificam sob uma forma
oscilatória, até que a energia do líquido seja absorvida pelas forças
elásticas do material do encanamento.
Se a VR não fechar instantaneamente, penetrará na bomba uma
certa descarga, cuja velocidade pode atingir valor tão elevado que, a
sobrepressão gerada é muito superior ao obtido quando a VR funciona
adequadamente.

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Golpe de aríete em instalações de bombeamento
 Segundo Parmakian, se desprezarmos as perdas de carga na linha de
recalque, a sobrepressão na saída da bomba, no caso do fechamento
rápido de uma VR, é, em valor absoluto, aproximadamente igual ao
valor da depressão existente no momento em que se verifica a onda
de retorno.
 3ª fase
Os elementos sucessivos do encanamento vão sofrer também os
efeitos da onda de pressão à medida que essa se propaga a partir da
válvula de retenção até a saída no reservatório.
Ao final de um novo L/a, isto é, 3L/a do início do fenômeno, todo
o encanamento terá se dilatado com a água submetida à sobrepressão e
novamente o fluído todo estará imóvel.

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Golpe de aríete em instalações de bombeamento
 4ª fase
Graças à sua elasticidade, o encanamento retorna ao seu
diâmetro original, ao fim de um tempo 4L/a. Volta-se à situação que
existia no momento do desligamento brusco da bomba.

 O fenômeno se reproduziria indefinidamente se não houvesse o


efeito amortecedor das perdas de carga e da elasticidade do material
do encanamento.
 A onda da sobrepressão é máxima junto à bomba e nula na saída do
reservatório.

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Método de Parmakian
 São admitidas as seguintes hipóteses:
 O líquido é homogêneo e elástico;
 As paredes do encanamento são homogêneas, elásticas e isotrópicas;
 As velocidades e pressões são uniformemente distribuídas ao longo de
qualquer seção transversal;
 Os níveis de água no reservatório, durante a ocorrência do fenômeno,
permanecem invariáveis;
 A bomba é do tipo centrífugo (velocidade específica baixa);
 Não há válvula de retenção.

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Método de Parmakian – Convenções:

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Determinação de C1
 Para encanamento fixo firmemente em uma das extremidades
5
C1 = −µ
 Para encanamento fixo firmemente nos dois extremos 4
C1 = 1 − µ 2
 Para encanamento fixo firmemente nos dois extremos e com juntas
de dilatação no meio µ
C1 = 1 −
2

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Determinação da celeridade (C)
1
C=
γ1 d .C1 
 + 
g  K E.e 

5
C1 = −µ
4
C1 = 1 − µ 2
µ
C1 = 1 −
2

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Parâmetros
 Período T do encamento
L
T =2
C
 Constante ρ do encanamento
C.V0
2ρ =
g.he

 Módulo volumétrico do líquido – K1


91600.H.Q
K1 =
(PR 2 ).η.n 2

 Utiliza-se o termo K1.T para a utilização dos gráficos de Parmakian.

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Valores de subpressão
Depressão na metade do encanamento de recalque

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Valores de subpressão
Depressão na boca de descarga da bomba

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Valores de sobrepressão
Sobrepressão na saída da bomba

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Valores de sobrepressão
Sobrepressão na metade do comprimento do encanamento

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Velocidade máxima de reversão da bomba

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Exemplo:
 Uma elevatória com duas bombas em paralelo recalca em
uma tubulação de aço. Suponhamos que ocorra uma
interrupção no fornecimento de energia elétrica. Admitamos
também que não haja válvulas de retenção, mas apenas
válvulas de controle.

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Exemplo:
 Dados:
 Comprimento da linha de recalque: l = 950 m (3116 ft)
 Diâmetro do tubo: D = 0,60 m (24”)
 Espessura do tubo: e = 4,76 mm (3/16”)
 Descarga no momento do desligamento: Q = 0,283 m³/s (10
ft³/s) para duas bombas em funcionamento
 Velocidade de escoamento: 2 m/s (6,56 ft/s)
 Altura estática de elevação: he = 80 m (262,4 ft)
 Potência de cada motor: N = 200 hp
 PD² de cada bomba = 7,1638 kg.m² (170 lb.ft²)
 Rotações por minuto: 1760 rpm
 Rendimento total: η = 0,78

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Solução:
 D/e = 0,60 / 0,00476 = 126
 Com D/e calculamos a celeridade – eq. ou gráfico abaixo
considerando a tubulação fixa nas duas extremidades:

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C1 = −µ
4
C1 = 1 − µ 2
C = 3300 ft/s
µ
C1 = 1 −
2

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Solução:
 Cálculo do período da tubulação:
L 3116
T =2 =2 = 1,9 s
C 3300

 Constante da tubulação: C.V0 3300.6,56


2ρ = = = 2,56
g.he 32,2.262,4

 Módulo volumétrico do líquido (para duas bombas):


91600.H.Q 91600 x 262,4 x10
K1 = = = 0,293
(PR ).η.n
2 2
2 x170 x 0,78 x1760 2

K1xT = 0,293 x1,9 = 0,557 2 ρ = 2,56

Entrada nos gráficos de Parmakian


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a) Subpressão na boca de saída da bomba:
K1xT = 0,557 2 ρ = 2,56

93 0,93 x 80 = 74,4 m

Pressão resultante:

= 80 – 74,4
= 5,6 m

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b) Subpressão na metade da tubulação:
K1xT = 0,557 2 ρ = 2,56
0,63 x 80 = 50,4 m

Pressão resultante:
63
= 80 – 50,4
= 29,6 m

24
c) Sobrepressão na bomba:
K1xT = 0,557 2 ρ = 2,56
0,42 x 80 = 33,6 m

42 Pressão resultante:

= 80 + 33,6
= 113,6 m

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d) Sobrepressão no meio do encanamento:
K1xT = 0,557 2 ρ = 2,56
0,22 x 80 = 17,6 m

22 Pressão resultante:

= 80 + 17,6
= 97,6 m

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Se houvesse válvula de retenção:
 A válvula fecharia no momento da onda de retorno,
desprezando as perdas de carga, a sobrepressão na válvula
teria o mesmo valor absoluto que a depressão calculada no
momento da onda de retorno, isto é, 74,4 metros, assim na
válvula a pressão total seria:

= 80 + 74,4
= 154,4 m

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Efeito do número de bombas:
 Quando ocorre uma falha em uma das bombas numa
instalação em paralelo, o efeito é menor do que seria se
houvesse apenas uma bomba para atender toda a descarga.

 Se houver uma interrupção de fornecimento de energia de


todas as bombas simultaneamente, quanto menor o número
de bombas, menor a variação de pressão.

 Falha em apenas uma bomba, resulta em menor efeito do


que a falha em conjunto.

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Exercício:
 Dados:
 3 bombas em paralelo
 Comprimento da linha de recalque: l = 1182 m
 Diâmetro do tubo: D = 0,90 m
 Descarga no momento do desligamento: Q = 0,954 m³/s para
três bombas em funcionamento
 Velocidade de escoamento: 1,8 m/s
 Altura estática de elevação: he = 66 m
 PD² de cada bomba = 32,440 kg.m²
 Rotações por minuto: 1760 rpm
 Rendimento total: η = 0,857
 C = 900 m/s

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