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Estudo do Meio

O Meio pode ser entendido como um conjunto de elementos, fenómenos,


acontecimentos, fatores e ou processos de diversa índole que ocorrem no meio
envolvente e no qual a vida e a ação das pessoas têm lugar e adquirem
significado. O Meio desempenha um papel condicionante e determinante na
vida, experiência e atividade humanas, ao mesmo tempo que sofre
transformações contínuas como resultado dessa mesma atividade.

Nesta perspetiva, o conhecimento do Meio deverá partir da observação e


análise dos fenómenos, dos factos e das situações que permitam uma melhor
compreensão dos mesmos e que conduzam à intervenção crítica no Meio.
Intervir criticamente significa ser capaz de analisar e conhecer as condições e
as situações em que somos afetados pelo que acontece no Meio e significa
também intervir no sentido de o modificar, o que implica processos de
participação, defesa, respeito, etc.

Estudar o Meio pressupõe, então, a emergência de componentes emocionais,


afetivas e práticas de relação com ele, proporcionadas pela vivência de
experiências de aprendizagem que promovam o desenvolvimento de
competências específicas no âmbito da área disciplinar de Estudo do Meio que a
escola, enquanto espaço para a formalização do conhecimento, deve promover.

A partir das suas perceções, vivências e representações, o aluno é levado à


compreensão, à reelaboração, à tomada de decisões e à adoção de uma
linguagem progressivamente mais rigorosa e científica. Isto significa que os
alunos trazem para a escola um conjunto de ideias, preconceitos,
representações, disposições emocionais e afetivas e modos de ação próprios.
São esquemas de conhecimento rudimentares, subjetivos, incoerentes, pouco
maduros e incapazes de captar a complexidade do Meio tal como este se
apresenta à experiência humana. Estes esquemas, quando confrontados com
outros mais objetivos, socialmente partilhados e decorrentes do processo de
ensino, vão sofrendo ruturas que abalam a visão sincrética da realidade, a
perspetiva egocêntrica e as explicações mágicas e finalísticas que são próprias
do pensamento infantil, dando origem a um conhecimento cada vez mais
rigoroso e científico.

O conhecimento do Meio abarca todos os níveis do conhecimento humano:


desde a experiência sensorial direta até aos conceitos mais abstratos; desde a
comprovação pessoal até ao conhecido através do testemunho, da informação e
do ensino de outros; desde a apreensão global do Meio até à captação analítica
dos diversos elementos que o integram. A articulação dos vários, mas inter-
relacionados, modos de conhecimento constitui os eixos temático e pedagógico,
e até um recurso metodológico, desta área do conhecimento, que é, por
natureza, interdisciplinar. De natureza integradora, atendendo, apesar disso, a
aspetos distintos da realidade e do sujeito que aprende, esta área é muito
representativa do que, em geral, deve ser o conteúdo curricular e a experiência
a proporcionar no 1.º ciclo no Estudo do Meio, tendo em vista o sentido da
progressão educativa dos alunos. Esta progressão tem origem no subjetivo (o
experiencialmente vivido) e visa o objetivo (o socialmente partilhado) e parte
do mais global e indiferenciado para o particular e específico atendendo às
múltiplas componentes (1) que integram o Meio, não para desfazer a sua
unidade, mas para melhor a compreender e explicar.

Assim, e no 1.º ciclo, o professor deve proporcionar aos alunos oportunidades


de se envolverem em aprendizagens significativas (isto é, que partam do
experiencialmente vivido e do conhecimento pessoalmente estruturado) que
lhes permitam desenvolver capacidades instrumentais cada vez mais poderosas
para compreender, explicar e atuar sobre o Meio de modo consciente e criativo.

Neste sentido, o currículo de EM deve ser gerido de forma aberta e flexível.


Não se trata de pôr de lado o programa de EM, mas de o olhar na perspetiva do
desenvolvimento de competências a adquirir pelos alunos. Embora o programa
se apresente por blocos de conteúdos segundo uma ordem, o próprio
documento sugere que "os professores deverão recriar o programa, de modo a
atender aos diversificados pontos de partida e ritmos de aprendizagem dos
alunos, aos seus interesses e necessidades e às características do meio" (DEB,
1998:108), podendo "alterar a ordem dos conteúdos, associá-los a diferentes
formas, variar o seu grau de aprofundamento ou mesmo acrescentar outros"
(ibid).

Estas considerações remetem para abordagens centradas na definição de


problemas de interesse pessoal, social e local. Ora, entende-se que esta
abertura não deve ser posta em causa pela organização avulsa de conteúdos
em blocos compartimentados.

Nesta perspetiva e a título de exemplo, ao analisar o conteúdo do bloco 5 do


programa de Estudo do Meio, verifica-se que nele consta uma série de objetivos
a atingir através da realização de experiências em vários domínios do ensino
das ciências. O facto de este bloco surgir quase no final do programa e nele
estarem explícitas a manipulação de materiais e objetos não significa de modo
algum que a aprendizagem de forma experimental seja apenas proporcionada
neste bloco e que tenha lugar só no final do ano letivo. Cabe, então, ao
professor com os alunos contextualizar essas e outras experiências, fazendo-as
decorrer de problemas previamente levantados a pretexto do conhecimento do
Meio, pois "não é a realização de experiências em si mesmas mas o modo como
(...) são concebidas, o envolvimento dos alunos em todas as etapas (incluindo
a sua conceção) e as intenções por que a levam a cabo" (Martins e Veiga,
1999).
Contributos para o desenvolvimento das competências gerais
Tendo em conta que o presente documento visa contribuir para uma gestão
curricular mais consentânea com a definição de um perfil de competências
gerais, procurar-se-á identificar alguns contributos da área de Estudo do Meio
para o desenvolvimento dessas mesmas competências.
O carácter globalizador desta área não pode prescindir dos contributos
específicos das várias ciências que a integram (História, Geografia e Ciências
Físicas e Naturais, entre outras), tornando-se fulcral, por isso, a ação do
professor na gestão do processo de ensino-aprendizagem, nomeadamente na
organização dos conteúdos a abordar. A partir de temas e ou questões
geradoras decorrentes da observação da realidade que lhes é próxima, os
alunos problematizam e investigam, isto é, colocam hipóteses, pesquisam,
recolhem e tratam informação, analisam dados usando os meios e instrumentos
adequados para o efeito e encontram soluções que levam ou não à resposta
adequada ao problema. Neste tipo de experiência estão implicados saberes de
carácter disciplinar e não disciplinar que convém identificar previamente, de
preferência em conjunto com os alunos, formando, deste modo, uma teia onde,
para além dos conteúdos cognitivos, estão também identificados os conteúdos
procedimentais e atitudinais que se tem intenção de trabalhar.

Neste sentido, o desenvolvimento das competências essenciais do EM passa


pela inter-relação destas com as competências das outras áreas disciplinares e
não disciplinares e ainda com as competências gerais, isto é, implica:

In http://www.explicatorium.com/competencias/estudo-do-meio.html

Tarefa:
1- Ler o texto
2- Destacar três ideias principais
3- Apresentar para o grupo e debater

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