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A Vésica Piscis

"Duas aves unidas, mesmo tendo quatro asas não voam.


anômimo

Nesta palestra vamos considerar aspectos metafísicos


inerentes à origem deste universo. Para isso
iniciaremos analisando o tradicional símbolo conhecido
pelo nome de “A Vésica Piscis”[1]. Trata-se de um
símbolo que pode ser considerado como um arquétipo
de todas as formas de existência do Mundo Imanente –
Mundo Creado. Trata-se de um desenho simbólico
representado por um ovóide vertical, com dois vértices
em suas extremidades, assemelhando-se a dois
parênteses que se cruzam lembrando um desenho
esquemático de um peixe e também a de uma bolsa de
ar que os peixes têm no abdome e destinada a facilitar
a flutuação.

A Vesica Piscis é um modelo básico da própria criação, por isso entre


todos os símbolos ele é o mais significativo. A Vesica Piscis é o símbolo
que constitui a base da Geometria Sagrada e de inúmeros outros
símbolos. Trata-se de um desenho representativo da manifestação do
próprio universo; uma forma que resulta da interseção de dois círculos.

O universo tem como origem um ponto adimensional. Representemo-lo


graficamente pela ilustração 1. Já estudamos que a manifestação do
ponto implica em sair de uma condição virtual, imperceptível, para
uma perceptiva. Isso explica o movimento gerando o desenvolvimento,
o ponto adimensional, virtual, passando a uma condição capaz de ser
percebida. Isso implica na existência de uma expansão que
inexoravelmente requer movimento. Assim a nova condição pode ser
representada pela ilustração 2 (Unicidade), a Consciência Cósmica.

Nesse ponto tem início aquilo que chamamos de Princípios Universais.


Há um movimento expansivo surgindo concomitantemente uma
delimitação – limite. Aquele ponto expandido passa a ter um limite e
então podemos representá-lo por um circulo. Ele ainda é uno, e como
tal ainda não pode ser detectado, ou seja, ser percebido em
decorrência da natureza analógica da mente. Só se percebe aquilo que
pode ser comparado e isso só é possível, no caso em estudo, quando
ocorre um desdobramento (o um se manifeste como dois –
descontinuidade. Em manifestação a descontinuidade passa a ser
representada por dois círculos (ilustração 9). O circulo se
divide[2] surgindo o dois, e então já se pode falar de percepção.

A mente é analógica, por isso é que somente com o advento do


segundo circulo pode haver percepção. Havendo percepção há mundo;
mundo é fruto de um somatório de percepções. Assim podemos dizer
que a criação surge da união de dois círculos. A ilustração 4 mostra
isso, o mundo gerado pela interseção de dois círculos de existência.
Como na unicidade não há mente, por ser esta apenas uma expansão
oriunda da consciência, e sem mente não há percepção, logo não há
manifestação de existência no Um. A mente, em essência, é uma
manifestação da consciência, isso quer dizer que o dois é uma
manifestação do próprio Um. Só se tem ciência daquilo que se
polariza, a mente é analógica; a existência é o Um, mas a
manifestação é o Dois. Já estudamos que tudo aquilo que existir
na fase um é imanifestável. Sendo assim, a necessidade de
manifestação implica na duplicidade (multiplicidade), isso é, na
necessidade de descontinuidade. Disso resulta que o surgimento do
Universo implicou na duplicação do Um - fig. 3.

Ocorrida a descontinuidade surge a possibilidade de existência de N


universos. Indaga-se: quanto? – Impossível se saber. Não se sabe
quantas duplicações ocorreram ou estão ocorrendo, e nem as
variedades de interseção, conforme a área.

Uma análise importante: Se os dois círculos não se interseccionassem


eles ficariam separados por toda a eternidade sem interação
recíproca, separados por um nada absoluto, por um mar de
inexistência. Não se sabe quantas situações assim existem. Se a
duplicação ocorresse de forma total então não haveria interação entre
os universos (círculos). Tudo quanto existe mantém certo grau de
interação, indicando, portanto, que o deslocamento deve ser
considerado como parcial. Só com separações parciais é que pode
haver universos creado. Isso é o que ocorre no modelo que
compartilhamos apenas. Por isso podemos afirmar que no caso do
nosso universo creado o afastamento – descontinuidade – não foi
total.

Em termos de mundos podemos considerar a existência (real ou


ilusória) : o Mundo Transcendente e o Mundo Imanente em cada
descontinuidade parcial estabelecida.

Nas ilustrações 4, 5 e 7 podemos ver a área de intersecção, área de


interação, portanto universo creado.

A Cabala afirma que o Creador tentou muitos modelos de universos


até chegar ao modelo que vivenciamos. Isso é muito criticado por
algumas filosofias doutrinárias menos elevadas, sob a alegação de que
como onisciente Deus não poderia criar esse mundo por tentativas,
como se se tratasse de um jogo de erros e acerto, Mas, num nível
metafísico mais elevado sabemos que em vez de creação existe
manifestação, assim todos os modelos preexistem.

Num modelo em que os dois círculos coincidissem isso seria o mesmo


que a preservação do Um, não haveria descontinuidade, ou seja, não
haveria criação alguma, não existiria o triangulo da manifestabilidade.
O afastamento dos dois círculos gera a “vesica piscis” (Ilustrações).

O que resulta da intersecção parcial desses dois círculos é idêntico,


não faz diferença se ele é real ou ilusório. Foi assim para os que
crêem que o universo é uma realidade física, e também é assim para
os que aceitam a hipótese da ilusão. Afirmamos, a zona de intersecção
é a creação, não interessando se diz respeito a uma realidade ou a
uma ilusão. Para quem aceita a ilusão do universo então podemos
dizer que é assim que a ilusão se forma, e para quem aceita a
realidade do universo também foi assim que aconteceu.

Na prática, o desenvolvimento da creação é como se pode observar


pelas ondas formadas e interagindo a partir de uma pedrinha atirada
em uma superfície liquida (ilustração 4).

Do deslocamento parcial dos dois mundos resulta a formação daquilo


que chamam de Vesica Piscis. O nome deriva da forma resultante
referente à zona de interação. Bexiga de peixe por sua forma. A
vesica simboliza a união do deus e da deusa, a vagina da deusa mãe
(natureza), um símbolo de Jesus Cristo, o começo da criação e outros
mais. É um símbolo básico que dá origem a muitos outros.

Ilustração 5

Ilustração 6

Ilustração 7

Ilustrações 9, 10 e 11

Ilustração 12

Como podemos ver, a forma da Vesica Piscis resulta da intersecção de


dois círculos a partir dos quais são gerados dois triángulos (Ilust. 7)
equiláteros; um, de vértice superior; e o outro, de vértice inferior. Se
entrecruzar esses dois triángulos o gráfico resultante será o
hexagrama (Estrêla de David).

Perguntam da razão desse universo ser trino e do porquê da


importancia que os místicos e metafísicos dão ao número 3. Ai está a
resposta, a criação resulta de um desdobramento do círculo e a
primeira coisa a ser gerada é exatamente uma trindade representada
graficamente por um triângulo. Também se pode ver como a partir da
curva se gera a reta. Vê-se que na origen não existe reta mas ela
nasce a partir da Vesica Piscis.

Vejamos o que acontecería se o afastamento dos círculos ultrapasse o


diámetro, ou seja, os circulos ultrapassassem a metade, isto é, eles
não correspondessem ao diámetro – Fig. 9. Evidentemente haveria
surgimento dos triangulos, porém eles não seriam equiláteros, e
sendo assim não contituiriam um sistema equilibrado. Não haveria
simetría e, logo deixaia de existir harmonia. Tudo nele seria irregular.
Nesse caso, conforme mostra figura 10, a creação seria trina porém o
triângulo não seria equilátero, regular, o equilibro entre os lados seria
rompido (triângulo obtusângulo). Podemos divagar muito analizando
uma situação assim. Por exemplo, transportando para a Trindade
Religiosa, então as tres “Pessoas da Tindade” seriam despoporcionais,
uma maior do que as outras. Em todos os sentidos o equilibrio não se
faria presente já paratair da própria Trindade.

O mesmo acontecería se o deslocamento fosse menor do que o


diámetro longitudinal.

Vemos que seja ampliando, ou dininuindo, o afastamento os círculos,


o mesmo irá acontecendo com o triangulo, chegando ao ponto dele
desaparecer. Essa condição equivale à volta ao Um. Se o processo de
descontinuidade ultrapassar o limite em que não mais haja intesecção,
então, nesse caso os dois círculos seriam independentes – universos
independentes – sem qualquer ligação ente eles. O intervalo seria um
estado totalmente vazio, um nada absoluto, portanto não haveria
nenhuma forma de retorno á origem e nem de interação.

Aquilo que diz a Cabala sobre universos criados e destruidos pelo


Creador prende-se a isso. Deus não cria universos, Ele os manifesta a
partir de Si próprio. Manifesta um incomensuvável número de mundos
possíveis, contudo somente um deles é viável para as formas de
existência que conhecemos, ou presumimos. Miríades de universos
devem existir, mas que não são aptos para qualquer das formas de
existência que conhecemos. O que vivemos, como um todo, ele é
harmônico, mas outros são simplesmente caóticos.

A vesica ainda mostra que se chega ao infinito tanto ampliando,


quanto diminuindo o distanciamento dos círculos, e quando ocorre a
coincidencia o universo está desfeito e a condiçao então é a de
Infinito.

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Os Sete Dons do Mago

"O homem comum fala, o sábio escuta


o tolo discute."
Provérbio Japonês

As pessoas que estudam as religiões orientais


e outros ramos difundidos no Ocidente
desenvolvem uma tendência quase mórbida
pela aquisição de dons, que vão desde
manifestações psíquicas simples até um nível
bem profundo como aquilo que em Sânscrito
é denominado de Siddhis. A pessoa que
apresenta tais poderes é considerada
um Mago.

A palavra Mago deriva dos termos


Sânscritos: Magh, Mah, ou Maha que pode ser
traduzido por “grande”.

Na Pérsia os magos eram homens de


conhecimentos incomuns que se dedicavam
ao serviço da Divindade; eram sacerdotes do
fogo, “adoradores” do fogo.

Na Antiguidade, Mago era um titulo honorifico, mas que ao longo


do tempo foi decaindo e se tornando distante do seu significado
original. Inicialmente era sinônimo de valores honoráveis,
contudo, lentamente foi se tornando um termo indicativo para
impostor, farsante, charlatão, chegando ao ponto do Catolicismo
afirmar ser pessoa que vende a alma ao diabo. A despeito disso
no Cristianismo Primordial não fosse assim; veja-se que no Novo
Testamento consta que Jesus quando nasceu recebeu a visita de
três reis magos, que eram sacerdotes, astrólogos, seguidores e
praticantes de ritos do fogo da Babilônia.

Sempre os verdadeiros magos dispunham de certos poderes, ou


seja, de capacidades incomuns que um autêntico mago tem que
ter ao menos sete deles, hoje conhecidos pelo nome de Os Sete
Dons do Mago. Em decorrência de o mago ser uma pessoa dotada
de certas capacidades envolvendo dons incomuns o Catolicismo a
condena.

No Ocidente os dons mais comuns de um Mago, são em número


de sete: Vidência – Premonição – Telepatia – Telecinesia –
Teleplastia – Astromância e Anastasis.

 Vidência – (Clarividência): Capacidade de ver as coisas


invisíveis para os outros, independentemente de espaço e
tempo. Inclui também a clariaudiência;
 Premonição: Capacidade de prever o futuro, de
profetizar;
 Telepatia: Capacidade de se comunicar mentalmente à
distância;
 Telecinesia: Capacidade de mover objetos materiais sem
neles tocar;
 Teleplastia: Capacidade de produzir materializações, de
plasmar e exteriorizar as idéias;
 Astromância: (Geomância): Capacidade de utilizar
energias telúricas e dos astros e para finalidades mágicas;
 Anástasis: Capacidade de sair do corpo. Desdobramento
e “Viagem Astral”.

Vale salientar que esses poderes apenas ocorrem em nível de


mundo imanente. O mago pode dominá-los sem que seja um ser
liberto.

Além desses dons, certos iogues em algumas encarnações


desenvolveram outras qualidades ainda mais sensacionais, sendo
as mais conhecidas apresentadas em número de oito, conhecidos
como Siddhis:

 Animâ – Poder de diminuir seu corpo até ao nível de um


átomo,
 Mahima – Poder de no espaço (inverso de Animâ);
 Laghimâ – Poder de se tornar leve quanto um floco de
algodão (anular a gravidade);
 Garimâ – Poder de se tornar pesado, até mais do que a
própria terra;
 Prâpti – Poder de chegar a qualquer lugar que desejar,
até mesmo à Lua;
 Prâkâmya – Poder de realizar todos os seus desejos:
 Ichatva – Poder de crear;
 Vaziltva – Poder de dominar tudo (Dominium).

A maioria das pessoas põe dúvida se isso pode ser verdade, se


tais poderes podem existir, mas na vida de Grandes Mestres
temos visto. Atualmente Sai Baba, por exemplo tem mostrado a
maioria desses poderes. Na historia há muitos casos, sendo mais
citados alguns apresentados por Jesus. Ele podia se tornar leve e
caminhar sobre as água citado nos Evangelhos Canônicos, ou se
mostrar pequenino, ou imenso, atingindo as nuvens, como é
citado por João descrito nos Evangelhos

Evidentemente tudo isso exige muita energia, por isso somente


pessoas especiais são capazes de demonstrar tais capacidades.

Embora os 7 Dons e os 8 Siddhis sejam manifestações


espetaculares, ainda assim Iniciados de elevado nível não dão
muito valor a eles por saberem se tratar de artifícios da mente,
de algo que só ocorre no Mundo de Maya. O Hermetismo endossa
essa afirmação, mesmo considerando poderes admiráveis ainda
assim não tenham capacidade de libertar o ser do jugo do mundo
da ilusão. Revendo o filme Matrix embora sensacionais, as lutas
encetadas por Neal nada significava no sentido de eliminar o
mundo virtual em que ele se encontrava. Somente com a
abertura de um portal feita pelos seus companheiro que estavam
num plano superior é que ele saia daquele ilusão. Coisa similar
acontece no ser vivenciando o mundo hodierno, por ser capaz de
feitos sensacionais ainda assim ele não se liberta. Nenhuma
pratica marcial podia tirar Neal do cenário, da mesma forma
nenhuma capacidade extra-sensórias é capaz de fazer o mesmo
com um ser que vive no Mundo Imanente.

Os poderes do Mago e os Siddhis podem ser muito valiosos para


muitas finalidades no mundo, mas apenas em nível de Imanência,
e não como meio de libertação. Por isso é que o Hermetismo diz
ser preferível usar o tempo em exercícios direcionados à energia.
Não fazer como muitas pessoas fazem, levam uma vida inteira
para o desenvolverem imensa número de dons que no final em
nada contribuem para a consecução do objetivo maior que é a
libertação final. A V?O?H?diz ser muito mais produtivo o
desenvolvimento da capacidade de administrar a energia, de
ampliar o poder energético pessoal, pois tendo bastante energia a
pessoa pode apresentar todos os dons sem que tenha que passar
anos a fio efetivando treinamentos exaustivos, para que
detenham capacidades que têm valor muito relativo desde que
funcionam apenas em nível de Imanência e que o ser precisa é
meios de se libertar da escravidão do Mundo de Maya.

Nenhum dos Dons, ou dos Siddhis libertam o ser. Muitas


doutrinas os têm como objetivos importantes, mas que na
verdade, embora sensacionais, indicam poderes, mas mesmo
assim é algo que ocorre em nível de imanência. Em nível de
libertação são como demonstrações esportivas, ginásticas ao nível
da mente, tal como a ginástica o é ao nível do corpo.

Praticantes de algumas doutrinas levam anos para através da


meditação, ou de outros exercícios, entrar em estado de Samadi
ou equivalentes. Na verdade isso é muito gratificante, mas algo
que só dura momentos, que logo a pessoa volta ao mundo
habitual sem trazer nada capaz de libertá-lo da ilusão de mundo.
Estados elevados de mente são muito efêmeros, a pessoa volta
ao mundo habitual sem que haja sofrido grandes transformações,
muitas vezes até mesmo qualquer acréscimo de conhecimentos.
Também sem sequer se vê, na quase totalidade das vezes,
transformação alguma, nem mesmo ampliação do poder pessoal.

Se poderia dizer que nem mesmo o nível Prâkâmya que dá ao ser


a capacidade de realizar todos os seus desejos, realiza o grande
salto da libertação. O que consegue realizar são feitos próprios do
mundo habitual, coisas limitadas ao Mundo Imanente, ele não
chega ao nível da libertação. Pode concretizar desejos dentro do
mundo, mas não o poder de sair dele.

Ichatva representa a capacidade de criar, mas não de criar


mundos e sim de coisas pertencentes ao mundo, nada, além
disso. Ichatva não leva o ser a criar realidades distintas, a
transmutar o mundo, como pode fazer o ser que haja adquirido
um imenso poder pessoal, que tenha domínio sobre a energia o
que o pode tornar um ser liberto.

A Libertação ocorre pela transmutação da realidade, o ser só se


liberta quando ele atinge a capacidade de gerar sua realidade
própria.
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A Energia - "Moeda Universal"

"A gente todos os arruma os cabelos:


por quão o coração?"
Anônimo

Não existe sequer um processo que ocorra no


Cosmos em nele que não esteja envolvido
algum aspecto de manifestação de energia.
Por isso podemos dizer que ela é a coisa,
talvez a única, que motiva todos os propósitos
da existência, quer se trate do lado físico, quer
psíquico, emocional, ou abstrato. Por tudo
isso, podemos compará-la a uma forma de
“moeda universal” com a qual tudo pode ser
adquirido no Cosmos, pois que nele tudo é
elaborado a partir da energia. No mundo da
ilusão tudo pode ser conseguido desde que
haja suficiente índice energético. Na verdade é
a energia o que dá suporte às manifestações
do universo.

Como já estudamos, a energia é um dos sete aspectos de Deus,


portanto ela é uma meta a ser conquistada, mesmo que ela seja
algo inerente à própria natureza dos seres. A volta à unicidade
passa pela reintegração à energia, aliás, que nunca esteve
separada. Antes da reintegração ao Todo a eliminação da ilusão
de separatividade tem que ser desfeita. Se formos Deus, um dos
nossos aspectos é da energia – Energia é um dos 7 aspectos de
Deus – e, na medida em que os grilhões da mente vão sendo
eliminados se chega ao momento em que o ser, antes de se
sentir como o Ser se sentirá integrado ao todo energético do
universo, por ser parte de Sua natureza.

Na ilusão do Mundo Imanente – Mundo de Maya - Deus se


apresenta como se existissem em sete aspectos – níveis – de
manifestação, sendo a energia um deles. Assim, o ser humano
que vivencia o nível da matéria densa, para chegar à Unicidade
tem que passar por todos os demais níveis até que a ilusão haja
sido desfeita.

Como no Absoluto não tem como existir níveis, eles não são mais
do que meras ilusões, pois no “E” não existem níveis, desde que
nele só existe a unicidade. Deus, portanto, não tem níveis, a
mente é quem os cria dentro do contexto do existir o Mundo
Imanente. Podemos dizer que de baixo para cima existem níveis
– formas de o limitado entender o ilimitado – mas não de cima
para baixo. O Todo pode “ver” as partes, mas a “parte” não pode
ver o Todo, e por isso é que o ser humano percebe Deus como
algo acima, fracionado e separado dele, mas Deus – o Ser – vê
os seres como partes de si mesmo, ou melhor, como Ele mesmo.

A energia constitui um dos níveis aparentes de Deus, se trata de


uma etapa a ser vencida no processo da eliminação da ilusão da
existência como seres, pois que, na verdade, o ser tem que
sentir a energia não como algo separado de si, mas sim como
algo de si. Para tanto é muito importante o ser buscar a energia
até que um dia se sinta integrado à ela e não como algo a ser
incorporado a si.

Como a integração da condição de Ser depende da Mente, e


sendo esta limitada, então o ser busca formas de conseguir a
energia como se fosse parcelada, não importando de que modo o
faça, donde ele tira as parcelas. Na verdade seria ótimo se ele
buscasse se sentir a própria energia, mas na prática o que ele
busca é exatamente o inverso, integrar a energia a si,
configurando assim um processo egoístico, individualista, e o
modo como isso é feito, em vez de unificar ele diversifica; em
vez de unir, separa, mesmo que tudo isso seja altamente
ilusório.

Tudo no mundo, direta ou indiretamente, gira em torno de


interação de energia, pois no fundo é isso o que interessa não só
aos seres humanos, mas a todas as expressões de existência no
Cosmos. Essa busca de energia, em síntese, é a busca do retorno
ao estado energético da manifestação do Ser, mas no geral é
uma luta de conquista.

Buscar energia é buscar a volta à condição de Ser, movido pela


força de integração Cósmica, destruição da ilusão de
divisibilidade, mas acontece que isso é feito de forma errada,
pois o ser não busca sentir a energia como sendo parte de si –
energia em si –, mas incorporar a energia vindo de fora, como se
ela não fosse apenas um aspecto de sua própria natureza.

As religiões quase não falam da energia em nível Cósmico, elas


não falam do porquê das chamadas e tentações, das possessões
e de tudo o mais que compõe o corpo doutrinário delas, baseado
em pecados, culpas e condenações.

Todas as religiões falam das maldades de satanás ou


equivalentes, das maquinações maquiavélicas dele visando
conquistar as pessoas, mas não indagam o porquê dele ter tanto
interesse nisso. Por que ele deseja conquistar as almas, o que ele
vai fazer com elas? Que utilidade elas têm para o maligno? Não é
fácil se entender no que um espírito pode ser útil ao demônio. O
que uma alma tem a oferecer ao senhor dos infernos? As
religiões não dizem porque ele estimula ódios, maldades e um
tanto de aberrações de sentimentos dos mais distintos tipos.
Segundo o pensamento religioso no final de tudo isso restaria
uma incomensurável legião de almas condenadas pela
eternidade. Mas pergunta-se: para que isso? Que finalidade tem?
- Num sentido oposto, o mesmo se pode dizer de Deus
dualístico; o que Ele ganha com a conquista das almas, o que
fará com elas, que utilidades elas têm para Ele? - Uma
incomensurável legião de almas sem qualquer utilidade que
possamos entender. Seria somente para ficarem por toda a
eternidade simplesmente cantando hinos de louvores? E nisso
onde fica o tédio? Ou seria para mostrar a satanás que venceu,
ou vice versa. Como aceitar um deus de disputa, um deus
atuando em competição com outro poder? Onde então a
Perfeição Divina?

Não é assim a maneira como o unista entende, não é assim o


pensamento unistico quando ensina que no final – se é que
existe final – tudo volta à Unicidade, ao Um que é o próprio
Deus. Nem sequer afirma que existe volta ao Um e sim que
existe a ilusão de separação que precisa ser eliminada.

Não existe luta de conquista encetada pelo satanás ou por Deus,


o que existe é a dissipação dos véus que envolvem a mente
fazendo com que cada um ser esqueça Quem ele na essência.

Os sete níveis de Deus conforme a mente humanizada entende,


um deles é o da energia, daquilo que estrutura tudo quanto
existe, e que é sentido ilusoriamente como concretitude ou como
abstração.

Tudo no universo visa conquistas, ou transferências de energia,


mas isso não é uma determinação de Deus, e sim uma forma de
Sua manifestação, algo como um bulício no seio da própria
energia. Ela é una, não existem duas, mas mente divisionária
aparentemente divide a energia, fazendo com que ela se pareça
múltipla e assim a mente joga com partes, faz com que pareça
haver uma integração, interferências energéticas e coisas assim.
Faz com que num nível superior – nível mental – existam corpos
energéticos independentes, quando na realidade tudo são
manifestações desse aspecto de Deus. Não negamos que existam
interações energéticas e tudo o que a ciência preconiza, mas o
Unismo diz que isso é apenas um jogo de partes mentalmente
criadas, desde que diante de um universo mental, isso quer dizer
que tudo aquilo que é percebível ou entendível pela mente
humana fracionada, se trata apenas de aparências quando é
“visto” do “É”.

Temos que convir, ainda estamos distantes de nos sentirmos


integrados ao Um, estamos integrados a um nível de percepção
em que a energia parece ser algo distinto, algo que existe fora e
nos levando a pensar que ela é uma coisa exterior ao contexto
da natureza do ser, a algo distinto da nossa natureza divina
intrínseca.

Nenhum aspecto de Deus está parado quando em manifestação,


tudo se movimenta porque o movimento é um dos esteios da
ilusão do existir fora da Unicidade. Assim podemos dizer que a
energia se movimenta, que nela existe um inconcebível bulício,
mas isso faz parte do perceber fracionadamente, pois se nos
fosse dado perceber em totalidade a energia não teria
movimento algum. Todas as interações de energia são
movimentos, que são reais dentro dos limites da Imanência,
portanto, condições de percepção criadas pela Mente. Mas
acontece que o ser, limitado, vê em tudo quanto existe em geral,
e na energia em particular, um estado de descontinuidade em
que uma parte vive querendo se apossar da outra, formalizando
a luta tremenda do existir no descontinuo.

A condição de existir como descontinuidade faz com que a


pessoa se sinta separada da energia, porque ela ainda se sente
separada de Deus. Se formos seres que se sentem separados um
dos outros, e também da energia, e como energia é o
combustível de todas as atividades, então se entende porque a
vida se resume a uma luta de conquista de energia, ou seja, a
uma peleja de captação energética, um adquirir energia, e o que
é pior fazer isso de uma forma egoística, mantendo viva a idéia
se separação da pessoa com o “É”.

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Drenagem de Energia

"O sábio nunca diz tudo que pensa,


porém sempre pensa em tudo o que diz."
Aristóteles

No universo ocorre uma perene drenagem


de energia entre todas as expressões de
existência, quer se tratem de seres vivos,
de seres materiais, seres orgânicos ou
inorgânicos, enfim, todas as formas de
existência que compõem o Mundo
Imanente existem em interações
energéticas. Sempre uma forma está
intercambiando energia com outras, e
nesse intercâmbio há uma verdadeira
competição predatória que determina
perdas valiosas de energia, sendo isso mais
acentuado nas pessoas por se tratarem de
seres emocionais por excelência.

Há muitas formas de efetivação de perdas


energéticas e, por certo, a mais comum e
intensa é aquela que se processa através
de emoções. Mesmo que essa não seja a
Gerar e Reciclar energia, é o comum de
todos Os seres vivos única forma de perda de energia sutil,
contudo ela é a mais expressiva em se
tratando dos seres emocionais.

Emoção é uma reação que a pessoa deve manter sob controle,


por se tratar da causa maior da perda de energia, e o curioso é
que tanto faz ser positiva quanto negativa. Explosões emocionais
mesmo que positivas devem ser controlada. Isso decorre do fato
de que negativo ou positivo, no final, se trata apenas de
conceituações, pois as leis da natureza não obedecem a critérios
estabelecidos pelas pessoas. Por isso, quer se trate de uma
explosão de júbilo quer de rancor ou tristeza, no fim é o mesmo
no tocante à descarga de energia. Por ser assim, para ter
emoções a pessoa deve antes saber o que fazer para não emitir
energia perdulariamente. Em anfiteatros, em campos de jogos,
quadras esportivas, e coisas assim o volume de energia emitido é
muito grande para deleite dos vampiros energéticos. Isso não
quer dizer que a pessoa não possa vibrar com esportes, etc. Ela
pode sim, desde que primeiro se liberte do véu de emoções, sem
envolvimento passional.

Os sugadores de energia sabendo disso estimulam as pessoas a


terem emoções fortes de quaisquer tipos. Podemos comparar com
a maneira como um criador de gado age para estimular a
produção.

As religiões dizem que o demônio estimula ira, revoltas,


vinganças, crimes, etc. Isso é verdade, mas se for indagado a
elas do porquê as hostes demoníacas terem interesse nisso elas
não sabem o que responder. Afinal elas desconhecem a luta de
conquista de energia que ocorre em todo o Universo.

Qualquer atividade física ou mental envolve emissão de


gradientes de energia, e entre elas podemos afirmar que a
emoção deve ser considerada a mais importante de todas. Em
qualquer emoção há emissão de energia. De um modo geral
emissão de energia ocorre nas atividades de qualquer ser. Em
alguns ela é muito insignificante e noutras ocorre o oposto, como
acontece com referência ao ser humano precisamente por ter ele
grande tendência a ter emoções. Um animal com raiva emite
muita energia, mas ele não é tão tendente a ter raiva e outras
emoções como acontece no ser humano.

O homem, por ser muito emocional é o que dentre todos os seres


biológicos tende a ejetar mais energia. Isso responde o porquê
das religiões dizerem, mas sem explicarem, a razão de satanás –
o tentador – só se interessar conquistar seres humanos. O
Demônio não tenta animais. Ele age à semelhança do que faz um
criador de gado, que procura selecionar em dar mais atenção as
espécies mais produtivas, e nesse processo a quase totalidade
dos animais não tem qualquer interesse por animais de baixa
produtividade. O mesmo acontece com os seres diabólicos,
praticamente só lhes interessa o ser humano por ser susceptível
às emoções e, conseqüentemente, à capacidade de emissão de
energia sutil.

Em nível de orgasmo o fator emoção conta muito, ele é mais


produtivo de energia do que o dos animais, exatamente porque
no ser humano a emissão é muito ampliada em função do lado
emocional em jogo, o que não acontece com o orgasmo de outros
seres vivos.

Por tudo isso vale citar o cuidado que se deve ter no tocante às
emoções. Emoção é uma reação que a pessoa deve manter sob
controle, por se tratar da maior causa de perda de energia sutil.
Curioso nisso tudo é que tanto faz a emoção ser positiva quanto
negativa. Explosões de emoções mesmo que sendo positivas deve
ser controlada. Isso decorre do fato de que negativo ou positivo
no final se trata apenas de conceituações pessoais, e as leis da
natureza não obedecem aos critérios estabelecidos pelas pessoas.

Tanto uma explosão de júbilo quanto de rancor ou de tristeza, no


final, é o mesmo no tocante à descarga de energia. Por ser assim,
para ter emoções a pessoa deve antes saber o que fazer para não
emitir energia perdulariamente. Em anfiteatros, campos de jogos,
quadras esportivas, e coisas assim o volume de energia emitido é
muito grande, por isso os vampiros energéticos se banqueteiam.
Isso não quer dizer que a pessoa não possa vibrar com esportes,
etc., mas, primeiro ele tem que fazer isso sem envolvimento
passional.

Os sugadores que sabem disso estimulam o ser a ter emoções


fortes de quaisquer tipos. Agem da maneira como um criador de
gado que estimula para obter mais leite, de muitas formas ele
estimula seus animais de criação visando maior produtividade.

As religiões dizem que o demônio estimula iras, revoltas,


vinganças, crimes, guerras, etc. Isso é verdade, mas se lhes for
indagado o porquê as hostes demoníacas terem interesse nisso,
embora elas não tenham respostas para tal indagação. Na
verdade isso faz parte da luta pela energia. Não estimulam
somente emoções negativas como as citadas, mas também
outras, aparentemente inocentes, mas nas quais afloram
emoções.

Nessa palestra mostramos porque os seres infernais têm


interesse em tomar energia dos outros seres deste plano, em
especial dos humanos. O que lhes interessa é a energia sutil.
Energia é poder, quanto mais energia um ser a tenha mais
poderoso ele se torna.

Mesmo se tratando de atividades sociais, e até religiosas, elas são


estimuladas pelos sugadores desde que elas geram emoções e
conseqüentemente haja emissão de energia sutil.

Não vamos nos estender na citação de todas as atividades em


que emoções estão em jogo, de um modo geral podemos dizer
que tudo aquilo que as religiões dizem ser contrário a Deus,
pecados e coisas assim deve ser disciplinados visando o não
envolvimento emocional.

Os esportes em vez de dar satisfação às pessoas acabam


desencadeando sentimentos e mesmo manifestações passionais, e
aí que se aloja o perigo. O homem de conhecimento pode
participar de disputas esportivas, porque ele não se envolve
passionalmente, não se identifica com elas, a maneira dele é
muito diferente da maneira de uma pessoa comum. Em comícios,
shows programas de televisão e muito mais acabam despertando
emoções e daí emissão de energia sutil que será vampirizada
absorvida. Por ser assim é natural que os sugadores demoníacos
demonstrem tanto interesse em atividades sociais e esportivas.
Eles não incentivam apenas vindictas e guerras, também qualquer
outra seja de que gênero for, desde que envolva emoções.
Atividade considerada esportiva como brigas de galo, briga de
cães, e de outros animais são de interesse dos sugadores porque
nela o próprio animal acaba sentindo emoção e mais que eles os
assistentes também.

O mesmo pode ser dito até mesmo de jogos de salão, jogos com
cartas, ou pedras, com ou sem envolvimento de dinheiro, pois
também são meios de exacerbação emocional. Nenhuma
atividade social ou esportiva é vedada ao ser humano, mas para
isso é preciso saber controlar o lado emocional.

Dizem que Deus tem interesse em salvar as almas, mas para


que? - Na verdade é o mesmo processo em ação, fazer com que a
energia se junte e assim contribua para a reunificação –
destruição da ilusão de separatividade. Na verdade aqui a
finalidade não é somar energia, mas sim a manifestação de um
dos seus aspectos, a energia. A energia é um dos aspectos mais
elevados de Deus em manifestação, isso quer dizer que a
salvação se pode considerar como uma volta à condição de
unicidade, uma etapa da volta à unicidade.

A pessoa agindo com emoções, especialmente as negativas, por


certo se torna vitima de perda de energia, vitima das
conseqüências da espoliação energética, por isso o homem de
conhecimento – o iniciado – procura o viver correto, em
harmonia, em alinhamento perfeito, situando-se na “coluna do
meio” das três colunas representadas no Templo de Salomão.

Os sugadores de todas as categorias que existem no universo


nem sempre sabem disso, mas naturalmente se sentem bem no
sugamento porque sente a o poder pessoal crescer.

O jogo universal pela energia é o mais importante, e talvez o


único que realmente importa, todo o mais são conseqüências,
desdobramentos. Há algumas doutrinas que diz da possibilidade
de poder ocorrer um esgotamento energético de tal porte que
leva à inviabilização da individualidade de um ser, isso quer dizer,
o ser acaba por perder a própria capacidade de agir e de
perceber, e sem percepção não há o existir, seria a extinção
do ser. Se tudo depende de trocas energéticas, então se energia
de um ser escapar além de certo limite, evidentemente, ele deixa
de agir individualmente. É por isso que as religiões falam de
“condenação eterna”, mas isso não é decorrente de atos morais
cometidos. Ocorre quando a pessoa é exaurida de energia além
de certo limite, o que não mais possibilita a manutenção da
individualidade. Não havendo energia não há percepção e não
havendo percepção também não há o existir como
individualidade. Não há possibilidade de manter uma
individualidade sem que haja percepção.

Dentro da roda de encarnações é importante o poder pessoal, isso


é, ter energia. O Nagualismo, e o Hermetismo primam em fazer a
pessoa se dar conta da importância a energia, do poder pessoal,
sem o que o próprio processo de reencarnações pode ser
eliminado.
Deixamos ao critério do leitor, a resposta para a indagação do
como a energia acumulada pelo lado satânico volta à Deus. Volta
porque ela nunca saiu Dele, ela faz parte da Sua própria natureza
suprema. Não respondemos diretamente, pois o discípulo do
Hermetismo deve saber muito bem que nisso está envolvida a
polaridade, mostrando que a energia em manifestação pode estar
em um ou em outro pólo mesmo sendo a mesma.

A manifestação da energia, em essência, é uma manifestação de


Deus na Imanência, portanto faz parte da ilusão, não importando,
portanto, o lado que esteja. Lados não são mais que aparências.
Entendo a energia como parte da Unicidade então tudo aquilo que
dela se origina simplesmente se trata de uma coisa só: É apenas
aspecto da energia divina.

A energia incorporada pelo lado negativo crescendo


progressivamente acaba representando uma volta à origem, a
volta de satanás à origem divina, uma reversão de polaridade. Ele
busca a energia visando uma ampliação de seu poder, mas como
só existe Um Poder e a energia sendo um aspecto Dele, então
voltar à energia é o mesmo que voltar ao Um[1].

Todas as normas ensinadas pelas religiões no sentido da


bondade, do amor, e das condenações por inúmeros fatores são
importantes, pois todas as situações ditas pecaminosas,
criminosas, e outras sempre envolvem perda de energia, e isso
equivale a alimentar sugadores infernais ao preço do
depauperamento pessoal. Isso, num sentido figurado é “dar a
alma para o diabo”, como é afirmado por algumas religiões. Todo
o manancial de pecados, no final tem coerência com os ensinos
iniciáticos elevados apenas que neles o alvo é sugamento de
energia.

O amor é um somatório de energia, porém sem explicação, uma


espoliação tende a esgotar a vitima, enquanto o lado do amor é a
união de energia, um somar energia, que é um passo para a
unificação.

A drenagem de energia se faz por inúmeras vias e os seres


vampirescos induzem aos humanos muitas formas que promovem
a emissão de energia. Assim é o que acontece em extermínios de
vida biológica, tais como destruição de florestas, por exemplo. As
árvores não reagem emocionalmente, portanto não adianta forças
satânicas as tentarem, porém ocorre a perda de energia a partir
das células destruídas. Uma floresta destruída equivale a uma
colossal emissão de energia vital. O mesmo acontece com
revoluções e guerras, ou outras formas de perdas maciças de vida
que passam a servir de abastecimento energético para os
sugadores.

O mesmo pode ser dito até mesmo com referência a muitos


“esportes” tais como brigas de galos, brigas de cães, e coisas
assim. São meios de emissão de energia sutil.

O homem vive sendo estimulado à prática de esportes destrutivos


de vida, tais como caçadas, touradas, etc. Evidentemente tudo
representa práticas extremamente violadoras da harmonia
energética da natureza, e por isso o homem de conhecimento –
iniciado – nunca se envolve com elas.

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A Libertação de o Ser

"Não confunda jamais conhecimento com sabedoria.


Um o ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida."
Sandra Carey

Em decorrência da importância
fundamental da pessoa não apenas
saber, mas se direcionar para a origem
una, muitas vezes temos escrito muitos
temas direcionados ao entendimento de
que aquilo que vivenciamos como um
mundo real, na verdade ele não passa de
uma ilusão, quando muito de uma
realidade virtual, ou seja, um holograma.

Uma coisa as religiões têm em comum, a


afirmativa de que o ser vive confinado a
um lugar, ou condição da qual ele precisa
se salvar. Nesse sentido cada religião
prega sobre os meios de como isso pode
ser feito. Algumas dizem que se isso
depende da purificação, o que não é
verdade. Temos estudado que a
A liberdade não se encontra em um estado purificação é uma condição muito
de Ter, mas em um estado de Ser... relativa, algo que diz respeito a
observância de meros códigos
conceituais.

A VOH[1] dá importância apenas relativa à purificação porque de


forma alguma apenas basta para promover o retorno dos seres ao
estado de Ser. Para as religiões pureza é sinônimo de infringência
das leis e mandamentos da religião aceita. Para elas puro se torna
aquele que obedece aos mandamentos ditados pela sua religião
ou pelo seu próprio entendimento ou sentimento. A VOH dedica
uma das câmaras ao estudo dos códigos, visando esclarecer sobre
uma das condições que mais fortemente acorrenta o ser à ilusão
de mundo real; a corrente dos códigos instituídos. O estado de
pureza não indica que a pessoa já esteja ciente de tudo quanto
há, e menos ainda que ela já sinta ser o mundo não uma
realidade objetiva, mas sim uma imagem virtual, que em
conjunto os orientais chamam de Mundo de Maya. A VOH procura
mostrar que o ser tem que voltar ao estado do Ser, para isso tem
que se libertar da ilusão pelo entendimento de que o Mundo é
Mental, mas que mesmo sendo uma manifestação virtual, ainda
assim, ele constitui um presídio.

Um ser puro pode nem ao menos se dá conta de que ainda não


está liberto, que vivencia apenas uma condição inerente
ao mundo de ilusão. Quando se torna um ser cientificado ele já
sabe que vive numa ilusão, e que pode sair dela, mas mesmo
assim ele pode não querer sair dela, por sentir a importância de
assumir uma missão salvadora para outros seres presos à ilusão.
Isso acontece, por exemplo, com Jesus e por muitos outros
Grandes Mestres Cientificados. Eles, estando cientificados, são
obviamente sabedores de que o mundo é uma ilusão, mas sabem
que miríades de seres são escravos de tal ilusão, e que lhes cabe
ensinar como abandoná-la e deixar de serem escravos. Assim
decidem pelo não sair assumindo então a missão de salvador
tendo como base o ensino dos passos essenciais a fim de
chegarem mais facilmente à libertação. O querer é soberano, por
isso, mesmo ciente da ilusão do mundo, o ser, mesmo
cientificado, pode ainda não querer para si a libertação plena, ou
seja a volta ao estado de Ser.

Enquanto as religiões pregam em torno da purificação, as Ordens


o fazem em torno da cientificação e o Hermetismo da libertação.
Libertação significa eliminação da ilusão de mundo real. Religiões
e Ordens equilibram e esclarecem os seres, mas não livra os
prisioneiros da ilusão. Por sua vez, o Hermetismo e certas
Doutrinas Védicas procuram ensinar como o aprisionador “castelo
da ilusão” pode ser eliminado, e o ser se tornar verdadeiramente
liberto. As religiões se atêm muito à purificação, as ordens à
cientificação, mas nem umas nem as outras efetivam a libertação,
pois mesmo atingindo o grau de pureza e de cientificação o
espírito ainda continua preso ao mundo gerado pela sua
percepção.

Podemos usar como analogia uma sala de projeção


cinematográfica comparando-a com este mundo. Numa sala de
projeção cinematográfica um cenário real está sendo projetado,
mas o mesmo filme também pode simultaneamente estar em um
incontável número de outros cinemas. Para o expectador aquela
sala parece única, pois suas percepções estão ativas somente
nela. Para um expectador que ignora que aquela sala é apenas
um local de projeção de um cenário externo. Contudo as cenas
reais não estão ali e sim noutro lugar e em outro momento. Uma
criança pode até acreditar que aquilo que percebe é uma
realidade tangível. O expectador pode até ignorar que realmente
haja outras salas projetando simultaneamente o mesmo filme e
até a mesma cena. Consideremos então que pode ocorrer que
mesmo se aquela sala for desligada as outras continuarão sem
prejuízo algum, sem diferença alguma, efetivando a mesma
projeção, pois em verdade tudo não é mais do que imagens
irreais, nada realmente está ocorrendo ali como evento real e sim
apenas uma projeção virtual de algo exterior. Um expectador que
não esteja ciente – cientificado – disso ele ignora que mesmo se o
projetor de sua sala for desligado – desativado – ainda assim nas
demais salas tudo continua sem qualquer modificação.
A vida nesse mundo acontece de forma semelhante, tudo o que
percebemos não faz parte dele, são meramente imagens
projetadas, e também nós não estamos realmente nele, apenas
nele está o nosso ponto de focalização do que estamos
percebendo.

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Projeções de Purucha

"Todas as flores do futuro


estão nas sementes de hoje."
Provérbio Chinês

Toda manifestação cósmica que compõem o Mundo Imanente – Mundo Creado –


tem natureza sétupla. Já estudamos que a Consciência se manifesta em 7
desdobramentos que compõem Prakriti para estruturar tudo aquilo que a
Consciência necessita pra se manifestar – os espelhos da criação.

Figura 1

A existência no mais alto nível que se pode conceber, corresponde


à Consciência. O que existe antes é impossível se ter a mínima
idéia, por isso usa-se o termo Inefável para designá-
la. Inefável etimologicamente significa aquilo que de nenhuma
forma é passível de ser definido. Disso advém que somente a partir
da Consciência é que se pode rastrear, ou melhor, estabelecer um
modelo de manifestação. A partir da Consciência tudo quanto existe
se manifesta compreendendo àquilo que recebe o nome de Mente.
Tudo o que se percebe provém dela, mas como é impossível
detectá-la como um todo, então é feita parcialmente, e a isso
atribuído o nome de Mente.

No processo da creação se destacam duas condições, uma


chamada pelos Orientais de Prakriti, e a outra de Purucha.
Prakriti encerra tudo aquilo que vai formar as estruturas nas quais
a Consciência de se manifestará. Compreende os elementos
presentes no universo e que serve de “espelhos” para a
manifestação se processar. Embora os gregos citassem apenas
quatro elementos constitutivos do mundo, o Hermetismo afirma a
existência de 7 níveis, ou seja, Terra (matéria), Ar, Água, Fogo,
Energia, Akasha e Luz Primordial que podem ser considerados
como o próprio Poder Creador, a partir do qual tudo deriva. Os sete
elementos são chamados de “elementos imanentes”, qualidades
objetivas da creação, fontes de tudo o que pode vir a ter
características concretizável, se manifestar de alguma forma.

Purucha representa o lado subjetivo, que não se apresenta como


algo concretizável por si mesmo, ou seja, que requer alguma forma
objetiva oriunda de Prakriti. Purucha compreende aquilo passível de
só ser concretizável através de algo que possa servir de “espelho”.
Tomemos como exemplo a beleza. Ela não pode se manifestar
sozinha, para isso há a necessidade de alguma coisa para Le servir
como “espelho”. Assim ocorre com qualquer manifestação
de Purucha que compreende o lado abstrato de tudo quanto há.
Qualquer expressão de existência no Imanente é fruto, portanto,
da união de Puruccha dá origem ao lado objetivo.

Assim, tal como acontece com relação à Prakrit,


também Purucha envolve sete níveis.

O Poder Creador – Luz Primordial – é o mais alto nível de


expressão da existência e sempre presente tanto em Prakriti com o
nome de Luz Primordial, quanto em Purucha como Poder. É o
primeiro algo, e ponto de união entre Purucha e Prakriti. É o elo
entre as duas vertentes, afinal tudo vem do Um.

Muitas formas de linguagem podem ser usadas para denominar os


níveis de manifestação de Purucha, mas como o Supremo
Ser também é chamado pelo nome de Grande Arquiteto do
Universo, então preferimos usar linguagem de Arquitetura para
descrever as etapas do desenvolvimento e concretização do nosso
mundo.

Para a realização (quer seja considerado um aspecto concreto ou


ilusório) o Grande Arquiteto do Universo – GADU – sentiu a
necessidade de concretizar a existência como esse mundo habitual.

Em uma creação qualquer, primeiro é preciso ter poder. Em


arquitetura o poder para a realização de algo representa o material
de construção, e o trabalho. Sem isso o arquiteto nem ao menos
pode dar início à obra. Mas, não basta o PODER, também é preciso
ele SENTIR a necessidade de realização e a seguir QUERER realizá-
la. A partir daí ele primeiramente arquiteta aquilo que vem
construir – ARQUITETAR – segundo a finalidade para aquilo que
pretende realizar. Essa é a etapa que o arquiteto procura atender à
funcionabilidade da obra, procura “ver” tudo quanto diz respeito à
execução e à funcionabilidade da obra. Salientemos que incontável
número de projetos de arquitetura pode ser efetivado, por isso é
mister que seja levada em consideração a finalidade da obra. Em
atendimento a isso o arquiteto escolhe o melhor projeto –
IDEALIZAÇÃO – optando por aquele que melhor venha atender ao
projeto. Assim vem o PROJETAR da obra, etapa que já não diz
respeito propriamente à escolha e sim ao estabelecimento da
consecução daquilo que foi idealizado. Feito o projeto resta à
concretização do projeto – CONCRETIZAR.

Diz o Principio Hermético: “Assim como é em cima é também em


baixo”. Portanto aquilo que acontece no plano material é uma
recíproca do mesmo que acontece no nível mais elevado.

Assim podemos mencionar as etapas da creação: PODER, SENTIR,


QUERER, ARQUITETAR, IDEALIZAR, PROJETAR, e CONCRETIZAR.

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A Libertação Final

"Quanto mais brilhante você é,.


tão mais você tem a aprender."
Don Herold

O grande drama da existência resulta de


O Ser haver “deixado” a condição de Ser
Consciência (ilimitada) para a condição de ser
mente (limitada); deixando vivenciar o Mundo
Transcendente para vivenciar o Imanente.
Essa é a condição da existência dos seres, e é
reverter esse processo que ele por tempo
incomensurável tenta fazer para voltar à
condição primordial. Todo o processo
existencial humano consiste na reversão do
processo. Visando isso existem as religiões
(Religião = religare = religar) considerando
para isso a purificação; as Ordens e Doutrinas,
a cientificação; o Hermetismo e algumas
Doutrinas e Filosofias Orientais, a libertação.

O Hermetismo não considera a purificação, e


nem mesmo a cientificação, como
fundamentais, na volta à origem, pois mesmo
A liberdade é um estado de espírito estando puro e cientificado o ser ainda pode
consciente... permanecer de alguma forma e por algumas
razões no mundo da ilusão.
Para tornar claro esse tema, vamos voltar ao exemplo que demos
na palestra anterior no qual citamos um expectador e algumas
salas de exibição cinematográfica. Consideremos agora que o
expectador não estivesse fisicamente na sala. Mesmo assim ele
poderia acompanhar o filme desde que houvesse um detetor
registrando as cenas em uma as salas e as transmitindo para ele.
Nesse caso, se a projeção na tela cessasse, ou seja, se a sala da
qual estivesse sendo feita a transmissão fosse desativada, mesmo
assim ele poderia continuar assistindo o filme desde que passasse
a focalizar uma das outras salas ativas. Assim, para ele o
espetáculo continuaria a se apresentar como se nada houvesse
acontecido. Num caso assim, diante de uma cena desagradável,
ou desinteressante, nem seria preciso desativar a sala, bastaria
deter a focalização por algum tempo e só reativada no momento
conveniente, ou transferir o foco de captação para outra sala.

O Hermetismo há milênios afirma que a natureza do Universo é


mental, que tudo aquilo que consideramos como o tal não é mais
do que uma ilusão acarretada pela mente (O mesmo dizem as
Doutrinas Védicas). O mundo não existe como uma realidade,
mas sim como uma imagem virtual que hoje podemos chamar de
holográfica.

Como metáfora para facilitar a compreensão sobre a natureza do


mundo perceptivo, ele pode ser comparado com um cinema. Nele,
as cenas projetadas não são realidades; podemos dizer que a
projeção não é real e sim apenas imagens refletidas na tela. Mas,
segundo o Primeiro Princípio Hermético, isso é verdade, aquilo
que é tudo como mundo é meramente uma sucessão de imagens
projetadas. Indo mais longe se pode afirmar que não somente as
cenas não são reais, que o drama encenado não faz parte da sala
de projeção, mas também que nem mesmo o expectador está
nela, ele detecta os acontecimentos mediante um meio de
captação. Isso equivale a estar presente, desde que está
captando toda a peça que está sendo encenada, mas sem que ele
esteja na sala. Assim nem os acontecimentos e nem o espectador
fazem parte do ambiente, isso é, sejam reais.

O expectador capta o que está ocorrendo na tela de projeção sem


que necessariamente esteja fisicamente na sala. O mesmo pode
ser atribuído a este mundo, o ser capta através da mente o que
está ocorrendo e compondo um determinado mundo através do
ponto focal de sua percepção. Como o mundo para a mente é
constituído pelo que ele percebe então, como ele só o faz a
respeito de um mundo, então acredita ser o único existente. O
expectador do cinema estando percebendo somente uma tela ele
crê ser aquela projeção a única existente.

O mundo para uma pessoa compõe-se apenas do que ela estiver


percebendo e dos registros de memória que possam ser usados
como associação mental. Apagando-se a memória, a única
realidade passa a ser apenas o que estiver sendo percebido; não
havendo memória não há associação de idéias; sem memória não
há lembranças que possam ser invocadas e que mostrem que há
algo mais além do que é percebido. Na metáfora do cinema, para
um hipotético expectador sem memória nada mais existe alem do
que ele detecta. No caso do mundo hodierno, como não temos
memória de outros mundos, lembranças de vivências, etc., então
para nós só existe ele e não outros.

O mundo é onde está a percepção, e no caso, como a percepção


está na sala logo o ser acredita que aquilo é tudo e sem suspeitar
que o que ele está percebendo pode ser uma retransmissão e que
nesse caso nem a cena e nem ele são realidades, ele não está na
sala do cinema; nem são reais nem as imagens e nem ele
mesmo.

Num cinema o filme pode ser interrompido e nesse caso cessa a


percepção, tudo caba, a cena apaga na tela. Mas como o
expectador está fora da sala naturalmente ele pode focalizar outra
sala onde o mesmo filme esteja sendo projetado.

Este mundo não é real, ele é um cenário em que nenhum drama


real está ocorrendo, apenas existe uma projeção holográfica. A
percepção pessoal é quem detecta tudo. No campo universal
acontece o mesmo, o mundo em que vivenciamos é apenas como
se fosse uma “sala de projeção”, tudo o que nele ocorre não é
real e nem tem origem nele. Mesmo os seres realmente não estão
nele, são apenas detectores do que está ocorrendo nele. Nem as
cenas são reais e nem os detectores, a cena está no “Eterno
Agora”, e assim também o Ser.

Uma pessoa num cinema pode se libertar de assistir aquilo que


não lhe interessar, para isso basta mudar o foco de percepção.
Nada se acaba, apenas deixa de ser percebido ali; nada acaba
porque nada realmente está lá. Nada acaba se uma cena termina
bruscamente. Se um projetor for desligado, outro ativo em outra
sala poderá ser captado, bastando ocorrer o deslocamento da
percepção do observador; ele pode sair e ir para outra sala, ou
sintonizá-la de alguma forma, mas para isso é preciso dispor de
suficiente energia para se deslocar.

Num cinema toda cena atormentadora pode ser desligada. O


expectador pode selecionar apenas cenas que lhes interessem,
que lhes sejam prazerosas e afastar as desprazerosas. O mesmo
acontece no existir no mundo, a pessoa pode deslocar seu foco de
percepção, sair de um ponto e se situar em outro, sair do
desagradável e se colocar no agradável. Se as percepções em um
mundo não forem.

Pergunta-se porque essa mudança de condição não é prática


comum, por que o ser não se liberta e continua por eras e eras
preso a um mundo que não lhe é prazeroso. Podemos dizer que
há duas condições básicas que limitam o processo: Ignorância
sobre a natureza do mental do mundo, e carência de energia. A
resposta está no elemento energia. A quase totalidade da
humanidade não consegue modificar o mundo (mudar a
projeção), ou mesmo transferir sua percepção para outro nível (
sair de um cinema para o outro) por carência de energia, por não
ter suficiente poder pessoal.

Temos falado numa “guerra cósmica” que tem como objetivo a


energia. A energia é um dos níveis de Deus que dinamiza todo o
universo. Sem ela a pessoa não pode haver a libertação do jugo
da existência da ilusão de existir em um mundo imanente. Um ser
não tem como voltar à condição de Ser se não dominar a arte de
perceber, e para isso necessita de imenso poder pessoal.

Tudo o que dissemos mostra porque a energia é o que conta


dentro da creação. Daí a grande importância que é dada à
energia, ela é tudo na consecução ou transformação de qualquer
ato no mundo. É a carência de energia quem faz com que a
pessoa fique presa ao Mundo da Imanência.

Já podemos sentir que as práticas místicas mais importantes são


as que dizem respeito à energia. Também porque a consideramos
a “moeda universal” pois em tudo quanto ocorre no universo ela é
a causa básica.

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A Libertação Suprema

"A vida é a infância da nossa Imortalidade."


Goethe

Um degrau acima da libertação final situa-


se a libertação suprema que significa o
retorno até o nível Divino.

Tudo quanto existe passível de ser


detectado são meras criações mentais, isso
é o que está explícito no Primeiro Principio
Hermético.

Deus existe como Consciência e se


manifesta como Mente. O Mundo Imanente
pode ser considerado como uma criação
daquilo que usam chamar de Mente
Cósmica. Nos temas precedentes tentamos
mostrar como o ser pode se libertar dessa
condição limitante e voltar à natureza
de Ser. Se o universo é uma creação
O Ego não conhece a liberdade... mental, então qualquer coisa, ou
componentes dele, pode ser “criado” e
vivenciado.

Em temas anteriores usamos uma metáfora para facilitar o


entendimento sobre a natureza holográfica do mundo, consistindo
de uma sala de cinema. Nela aquilo que está sendo projetado não
é a realidade, mas a pessoa só se dá conta disso porque registros
de memória são evocados. Sem memória a pessoa não tem como
saber se uma cena é uma realidade ou uma ilusão. Para afirmar
ser uma ilusão é preciso que ela evoque conhecimentos, que são
lembranças – memória – para poder avaliar a realidade das
cenas. Sem memória a pessoa nem sequer saberia que existem
ilusões, pois em tal condição tudo o que ela percebe não tem
como saber se tratar de uma ilusão. Diante de uma percepção a
única coisa que permite a pessoa saber se tratar de uma ilusão ou
realidade é a analise mental daquilo que é observado. Sem
memória não há referencial para se avaliar a natureza da
realidade de algo.

A pessoa que tem conhecimento das implicações do Primeiro


Princípio sabe que a realidade é algo que pode ser gerado. O
mundo é aquilo que se percebe e se entende, por isso mudando o
foco de percepção a realidade muda também. Quando o ser
entende isso ele está a um passo de poder gerar sua própria
realidade, qualquer que seja ela, qualquer uma que bem desejar,
bastando ter suficiente capacidade de concentração mental e
especialmente de energia. Por exemplo, diante de uma situação
desprazerosa ela pode simplesmente desligar aquele mundo,
aquela cena, e sintonizar outra que lhe seja prazerosa. Desativar
o projetor daquela cena e ativar o de outra. Para isso é bastante
que ele tenha suficiente domínio da arte de concentração mental,
de visualização e especialmente disponha de um elevado
gradiente de energia.

O “volume” de energia requerido para a efetivação de acentuada


mudança de realidade é muito grande. Mudar apenas algumas
características de um determinado mundo é exeqüível a muitas
pessoas, mas mudar a totalidade dele é algo que requer um limiar
energético inconcebivelmente elevado, e incomparavelmente
maior é preciso para anular e libertar o ser da condição de
imanência. Isso é a meta final e suprema de todo ser, é à volta à
condição de Ser.

Mesmo que ainda não seja capaz de mudar um mundo em


totalidade ainda assim uma pessoa pode afastar de si tudo aquilo
que por algum motivo não lhe convier. Quando esse limiar é
atingido então se trata de um ser liberto, liberto porque nada
mais o pode atingir, não pode mais ser vítima de qualquer ilusão
ou vicissitude. A pessoa comum é atingida porque não sabe, e
nem pode ainda, fugir de uma vicissitude, ele vive preso por
grilhões, vezes tremendamente poderosos, mas muitas outras por
elos simples, mas o prende inexoravelmente por não saber como
eliminá-lo por falta de conhecimento – cientificação –, ou de
energia.

A possibilidade absoluta de mudar realidades só é dada ao Ser,


o ser, contudo, pode fazer mudanças o suficiente para se
posicionar fora de qualquer problema, ele não sofre, está liberto
de reencarnações, pode vivenciar somente condições prazerosas.
Na linguagem das religiões pode-se dizer que em tal nível o ser
“vive no céu”, embora ainda não haja atingido a União definitiva,
ou seja Vicência sua condição de Deus. Pode transformar as
condições infernais em celestiais. Por isso se diz que a libertação é
um estado celestial e viver no mundo imanente é um estado
infernal.

Pensem num ser capaz de mudar as “realidades” a seu bel-


prazer. Para ele não existe impossibilidades, não existe dor,
sofrimento, coisa alguma a não ser aquilo que ele queira. Nessa
condição ele pode ser considerado um verdadeiro Creador, o
próprio Deus. “E vós sois Deus” – disse Jesus.

Não é fácil a pessoa acreditar no que afirmamos nos três


derradeiros temas, mas a essa conclusão que se chega se
examinando o Unismo; não tem outra forma. Se tudo
é Um então o caminho é um só. No Unismo não cabe a existência
de seres independentemente da do Ser único.

Acima do nível dos seres libertos resta o Absoluto – Inefável – o


Nada, o repouso eterno, um nível sem espaço, sem tempo, sem
divisibilidade, sem movimento, sem qualquer possibilidade de
percepção. É um nível em que não há dependência alguma, nem
mesmo de qualquer lei, desde que as leis são criadas por ele.

Trata-e da libertação suprema, daquilo que chamam de volta à


unicidade.

Para um Ser liberto não existe limite, qualquer limite é ditado


pelo seu querer, isso acontece em decorrência dele poder mudar
qualquer realidade que se lhe apresente. O ser liberto pode mudar
todas as possibilidades, e se hipoteticamente ele mudar tudo
quanto há então para ele não existe o mundo imanente, pois esse
pode ser transformado. Ao nível da Unicidade não existe
descontinuidades, tudo é homogêneo.

O Poder de criar as próprias realidades depende do poder pessoal,


ou seja, da energia que o ser seja capaz de mobilizar. Para se
salvar das injunções ele precisa crear, mas só o faz se tiver
energia, portanto temos que admitir que energia seja a única
fonte de salvação, de libertação. Como no mundo imanente tudo
se manifesta em polaridades, então podemos dizer que a
recíproca é verdadeira, a energia também é a fonte de todo o mal.

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Hermetismo e Exercícios Místicos

"Quem quer colher mel, primeiro deve


aprender a suportar picadas."
Algumas religiões, especialmente as orientais,
e também as Ordens Iniciáticas, dão muito
valor a exercícios visando ampliar e a fazer
nascer certas capacidades individuais. Por
outro lado, o Hermetismo não se liga ao
treinamento dos discípulos nesse sentido, e
existe há uma razão para isso, a qual
procuraremos esclarecer nessa palestra.

A Doutrina Hermética, pela condição de


ser unista, e mais ainda por ter como base
o Princípio Mental – Universo Mental –, se
distancia muito de todos os outros sistemas
em muitos sentidos, especialmente no tocante
à importância de exercícios no sentido de
liberação espiritual. Certos exercícios, com
certeza, auxiliam muito a pessoa se equilibrar
na vida, ter mais saúde, mais equilíbrio
emocional, ter menos ansiedade e angústia,
portanto condições próprias do Mundo
O conhecimento deve servir de meio Imanente, porém que não leva o ser a sair
para a concientização; ele em si, não dele, ou seja, auxiliar a agir em um estado
é a conscientização... ilusório.

Isso para o Hermetismo fica em segundo plano, primeiramente ele


deve aprender o como sair da condição de mundo ilusório, como
deixar de ser um prisioneiro da imanência. Por isso o Hermetismo
não propõe muitos exercícios, como o fazem outras doutrinas, a
não ser aqueles que dizem respeito à captação e administração da
energia.

Em conseqüência de a Purificação ser apenas decorrente da


observância de códigos, e códigos serem necessários apenas para
manutenção da ordem e respeito a algumas leis naturais, mas que
diretamente nada auxilia na libertação das cadeias da vida no
Mundo Imanente, e não mais que isso, então o Hermetismo pode
até incentivar a purificação como uma fórmula visando à
preservação da ordem, mas não propriamente como algo que
influa na libertação dos seres que vivem presos nas agruras do
viver num mundo de ilusão – Imanência.

A meta principal do Hermetismo visa à libertação dos seres


condicionados ao existir no Mundo Imanente, ao viver num plano
que é apenas um artifício da mente, uma ilusão, mas que ele crê
ser verdadeiro. O objetivo do Hermetismo é libertar o ser do
mundo da ilusão, da ilusão do viver no dia a dia, e não de
estabelecer condições de uma vida mais amena, diminuir
reencarnações, etc. Isso é importante, mas o objetivo maior é a
libertação da pessoa da prisão em que vive no Mundo de Maya, e
para isso exercícios místicos pouco falem. Por exemplo, que valor
desenvolver dons como a telepatia, como ela contribui para
o ser voltar ao Ser?

Comumente a quase totalidade das religiões procura desenvolver


seus programas doutrinários considerando o mundo como uma
realidade, o que não acontece com os altos níveis de ensinamentos
do Hermetismo que mostra como o mundo habitual é um artifício
da Mente, ou seja, uma ilusão. Essa é a razão que leva os estudos
da VOH a dar pouca ênfase às condições da Imanência,
preocupando-se mais em fazer o discípulo chegar à certeza do que
o Primeiro Principio Hermético e por meio dele voltar à Unicidade.

A Purificação, e mesmo Cientificação, não são tão importantes


quanto faz parecer a quase totalidade das religiões. Esta apenas
pode ajudar a pessoa a entender que o mundo é uma ilusão e
assim ela querer se libertar dele, mas nenhuma dessas duas
condições pode ser considerada libertadora. A Purificação chega a
ser irrelevante, e mesmo a Cientificação tem importância muito
relativa, vale até onde ela facilitar o ser a voltar à origem.

Nenhuma forma de purificação liberta e nem mesmo


a cientificação o faz. O valor da cientificação é maior do que o
da purificação, porque enquanto esta apenas promove uma
acomodação – descanso do peregrino – na trilha da libertação, a
aquela faz o ser entender sua própria natureza e o que o espírito
precisa fazer para um dia se tornar um ser liberto. Na verdade
a cientificação vai bem mais alto do que a purificação, pois leva
o ser ao conhecimento da verdade e isso pode se tornar uma
forma de libertação. O próprio Jesus disse: “Conhece a verdade e
ela te libertará”. Entenda que é através do conhecimento da
verdade que a pessoa pode mais facilmente chegar à libertação.

A libertação depende principalmente daquele nível de Deus


– Energia. A Cientificação leva o ser a se inteirar do papel
fundamental da energia em todos os processos cósmicos, bem
como no da libertação. Ela auxilia a pessoa a seguir o rumo em
busca do objetivo principal, a libertação do “cativeiro”
da Imanência.

Treinamentos diversos, entre os quais a prática da Ioga, auxilia,


mas não são fundamentais na libertação do ser. São deveras úteis
em diversos sentidos no tocante ao desenvolvimento espiritual,
mas existem muitos outros meios que são mais efetivos. Tudo se
resume à energia, muitas práticas auxiliam no administrá-la, mas,
com bem menos esforço, se pode chegar a idênticos resultados.
Uma prática meditativa, por exemplo, pode fazer a pessoa se
sentir em comunhão com o Superior, vivenciar estados mentais
maviosos, mas tão logo o exercício cessa a pessoa volta ao plano
vivencial comum, sem que tenha ocorrido qualquer aumento da
energia pessoal, sem incremento de conhecimento sobre a
natureza do mundo e a sua própria, e, em termos de energia ficar
sujeito até, em certas ocasiões a diminuí-la em decorrência do
desgaste inerente ao processo. E mesmo quando o método
promove incremento de energia, de nada serve isso se a pessoa
não souber como usá-la, e especialmente como não a perdes.

Mais do que o uso de exercícios místicos a conduta de vida e o


método de agir são mais primordiais. Exercícios místicos, sem
dúvidas são importantes na administração e captação da energia,
mas estão distante de muitas práticas de vida, como o saber se
alimentar, e bem especialmente como conduzir seus processos
mentais.
Tudo no universo é movido por energia, e a libertação não fica de
fora. Sem energia o ser não tem como sair da ilusão em que vive,
não tem meios para a libertação, por isso, no tocante à libertação
espiritual a VOH, em primeiro plano, dá ênfase a
ensinamentos sobre a natureza do ser e do universo, e em
especial de como adquirir energia – ter o Máximo de poder pessoal
possível – e não a perder inutilmente. Põe em primeiro plano
ensinamentos que permitem o aprendizado em torno da captação
e administração da energia e não aqueles que apenas geram
estados sensoriais – criadores de sidis.

Havendo bastante energia as qualidades potenciais do campo


místico se manifestam espontaneamente. Há pessoas que desde
criança demonstram poderes – Os Sete Poderes do Mago – sem
que para isso haja praticado exercícios místicos. A fonte
abastecedora de energia deles não depende de exercícios e
treinamentos especiais, mas sim de um dom adquirido pelo
método de vida muitas vezes em outras encarnações.

É melhor que o tempo desprendido para desenvolvimento de


estados mentais incomuns seja usado na aquisição de
conhecimentos do como adquirir, e administrar a energia, do que
para a obtenção de capacidades psíquicas. Não vale muito ter
muito treinamento místico e não ter energia para a efetivação dos
processos conquistados. A Ioga propõe uma série de exercícios
que visam captação de Prana – energia sutil – e nesse caso está
em uníssono com o Hermetismo. Contudo, mesmo assim o
Hermetismo não usa exercício de Ioga e de muitos outros sistemas
porque sabe que muito mais fácil é captar energia
independentemente de exercícios. Noventa por cento da energia
que a pessoa capta ela é dispersa inutilmente. Não adianta a
pessoa saber captar e não saber administrar.

Muitas doutrinas primam em exercícios de captação de energia,


mas nem ao menos citam a existência de muitos meios de perda;
nem mesmo falam da existência de predadores de energia que
vivem vampirizando as pessoas. Para os vampiros é até muito bom
que a pessoa pratique exercícios de captação, pois assim ela fica
mais rica naquilo que eles desejam (engordar a criação para servir
de alimento).

O estudo da Quarta Câmara Hermética é direcionado ao estudo da


energia, com ênfase especial para a aquisição, distribuição,
perdas, etc. Muitos discípulos cobram dos instrutores a falta de
exercícios no estudo do Hermetismo e a resposta é que embora
sejam importantes para a pessoa viver melhor dentro do mundo
imanente, contudo nenhum exercício é capaz de libertar o ser, pois
não existe possibilidade de libertação sem que haja energia
suficiente.

Um exercício místico pode fazer a pessoa “viajar” mentalmente por


outros planos incomuns, mas não possibilita deslocamentos físicos
e nem o exercício de ações neles. Pelos exercícios místicos pode
ocorrer viagem, mas se não houver suficiente energia ela apenas
será de nível mental, mas não de nível mais profundo, como
aqueles que se consegue através de sonhos lúcidos. Por meio de
práticas místicas a pessoa pode despertar. Os Sete Dons do Mago
(Vidência, Premonição, Telepatia, Telecinesia, Teleplastia,
Astromância e Anástase), mas nada será efetivado se não houver
energia suficiente para a ativação do processo, especialmente
da Anástase, capacidade de sair do corpo físico e agir fora dele.
Exercícios podem facilitar essas capacidade, mas apenas em nível
de percepção e não a nível físico.

De tudo, o mais importante que existe é a pessoa ter capacidade


de criar suas realidades, embora isso somente seja conferido a
quem tiver um grande poder pessoal, um manancial imenso de
energia. Para isso, mais do que exercícios meditativos, por
exemplo, valem aquelas práticas do Nagualismo em geral –
métodos dos feiticeiros – e conduta administrativa da proposta
pelo Hermetismo de nível superior.

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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.

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