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HIDROLOGIA

Prof. Anderson Alves


HID - 2020/01

AULA 5
EVAPOTRANSPIRAÇÃO
INFILTRAÇÃO
CURVA DE PERMANÊNCIA
ESCOAMENTO
EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO

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EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO

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EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO
EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO
EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO
EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO
EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO
EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO

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EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO

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EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO

LISIMETRIA
É um processo direto para determinar a ETo, através de aparatos denominados lisímetros.
Um dos lisímetros mais baratos e fáceis de construir é o de percolação que consiste de um tanque
enterrado no qual é colocado solo, do mesmo tipo do meio circundante e nele cultivado grama
batatais, tanto dentro do lisímetro como no meio circundante.

 (P ou I ) − D 
ETo =   − Arm
 S 
em que:

(P ou I) : precipitação ou irrigação no período, em litros;


D: drenagem da água coletada no período, em litros;
S: área do lisímetro, em m2;
Arm : variação no armazenamento de água dentro do
lisímetro, entre um período e outro, em mm.

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EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO
LISIMETRIA - EXERCÍCIO

Durante uma semana choveu 15 mm aferidos no pluviômetro e, foram aplicados 25 litros via irrigação
a um lisímetro de percolação com 1,24 m de diâmetro, cujo o volume é de 500litros. Sabendo-se
que o teor de água na semana anterior era de 0,28 cm³/cm³ e agora é de 0,3cm³/cm³, e ainda, que a
drenagem foi de 5 litros. Calcule a ETo diária média da semana.

Seja “S” (área do lisímetro), temos:

S= (1,24 m÷2)²= 1,21 m² para um volume de 0,5 m³ logo :


h(altura) = vol/área= 0,5/1,21 =0,414m ou 414 mm
 = 0,3 – 0,28 = 0,02cm³/cm³
Arm = .h = 0,02 x 414mm = 8,28mm  (I ou P ) − D 
ETo =   − Arm
Assim:  S 

ETo = [(25,0 l – 8 ,0 l)/1,21m² ]+ 15mm – 8,28 mm


ETo (semana) = 20,77mm
ETo (diária) = 20,77÷7 = 2,97mm/dia
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INFILTRAÇÃO

 Infiltração é a passagem de água da superfície para o interior do solo.


 Portanto, é um processo que depende fundamentalmente da água
disponível para infiltrar, da natureza do solo, do estado da sua
superfície e das quantidades de água e ar, inicialmente presentes no
seu interior.
 Percolação: é o processo de movimento da água dentro do solo

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Processo de Infiltração

 À medida que a água infiltra pela superfície, as camadas superiores do


solo vão se umedecendo de cima para baixo, alterando gradativamente
o perfil de umidade. Enquanto há aporte de água, o perfil de umidade
tende à saturação em toda a profundidade, sendo a superfície,
naturalmente, o primeiro nível a saturar.

 Quando o aporte de água à superfície cessa, isto é, deixa de haver


infiltração, a umidade no interior do solo se redistribui, evoluindo
para um perfil de umidade inverso, com menores teores de
umidade próximo à superfície e maiores nas camadas mais
profundas.

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Infiltração e percolação

Precipitação

Solo não
saturado

Fase inicial quando a


chuva alimenta o solo

Solo
saturado Lençol fase final depois da
freático chuva ter terminado

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Capacidade de Infiltração e
Infiltração real

 Capacidade de infiltração é a capacidade que tem o solo para


penetração de água no solo. A infiltração que pode ocorrer se
houver precipitação maior ou igual a esta taxa;

 Infiltração real : é a infiltração que realmente ocorre em cada


intervalo de tempo, quando existe alimentação suficiente por
parte da precipitação.
 Quando P (precipitação) > Ic (capacidade de infiltração), a Ir
(infiltração real) = Ic
 Quando P < Ic, Ir = P
P > Ic , Ir = Ic
P < Ic , Ir = P

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Capacidade de Infiltração

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EXEMPLO

Períodos em que P > Ic 21


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Equações básicas - Darcy

K = percolação (mm/h) depende da


=
condutividade hidráulica

O potencial mátrico geralmente é expresso


como a altura de água equivalente que exerce V = 0,52mm/h . (0,32 / 1,20m)
a mesma tensão da sucção mátrica. Esta
equação é válida para solo saturado q = 0,139mm/m
Equações básicas - Darcy

Condutividade Hidráulica x umidade

 Condutividade Hidráulica
em função da umidade: K
maior em solo arenoso
quando saturado que em
solo argiloso devido ao
tamanho dos diâmetros ou
poros que conduzem o
fluxo, mesmo com umidade
de saturação menor

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Condutividade hidráulica e potencial mátrico

Distinguem-se dois tipos de força mátrica:

a) as forças capilares, responsáveis pela retenção da água nos microporos dos


agregados e;

b) as forças de adsorção, responsáveis pela retenção da água nas superfícies das


partículas do solo. 25
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Equações básicas - Horton

A equação de Horton somente é válida para P > I

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Equações básicas - Horton
Parâmetros (método a ser aplicado)

f = fc + (f0 - fc )-kt

 f = capacidade de infiltração (igual a taxa real de infiltração) no


tempo t (mm/h);
 f0 = capacidade de infiltração no tempo t = 0
 fc = capacidade de infiltração mínima, ou taxa mínima de
infiltração
 k = constante característica do solo (constante de Horton)
 t = tempo
*A equação de Horton somente é válida para P > I

Ex:
f = 17,84 + (38,00 – 17,84)-0,31t
f = 17,84+20,16-0,31t 28
Equações Empíricas

 Deduzidas com base em experimentos de testes de infiltração no solo;

 Relacionando infiltração com sua ocorrência no tempo;

 Parâmetros empíricos que nem sempre possuem explicações físicas;

 Vantagem de facilidade de aplicação;

 Representam sempre um ponto específico, mas não representam um áreas

 Tipo: Horton, (Green e Ampt e Philip)

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Conclusões
 Infiltração é um processo que ocorre na camada superior do solo

 Tem analisado e equacionado dentro de um visão pontual;

 Para uma bacia hidrográfica ou uma área maior tem importante variabilidade
espacial

 O uso de uma equação de infiltração numa superfície como uma bacia


apresenta grandes incertezas

 Outra fonte importante de incertezas está relacionado com a determinação dos


parâmetros que variam no tempo e no espaço.

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VALORES MÉDIOS VALORES CORRIGIDOS VALORES CORRIGIDOS
(condição II) CONDIÇÃO I CONDIÇÃO III
100 100 100
95 87 98
90 76 96
85 70 94
80 63 91
75 57 88
70 51 85
65 45 82
60 40 78
55 35 74
50 31 70
45 26 65
40 22 60
35 18 55
30 15 50
25 12 43
20 9 37
15 6 30
10 4 22
5 2 13 36
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Precipitação (75) – PeFe (7,2) = 67,8mm Precipitação (75) – PeFe (23,6) = 51,8mm

Coeficiente de escoamento = Deflúvio / P


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Interceptação Conceitos
 Este processo interfere no Q = P - ET
balanço hídrico da bacia
hidrográfica, funcionando Q (vazão) = P (precipitação – ET
como um reservatório que (evapotranspiração)
armazena uma parcela da •Equação para um período longo
precipitação para consumo.
A tendência é de que a •Para a mesma precipitação a
interceptação reduza a vazão altera em função da
vazão média e a variação evapotranspiração.
da vazão ao longo do ano,
retardando e reduzindo o •A vegetação aumenta a ET
pico das cheias freqüentes. devido a Interceptação. Quando
é retirada aumenta.
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Interceptação vegetal
 A interceptação vegetal depende de vários fatores:
características da precipitação e condições climáticas,
tipo e densidade da vegetação e período do ano.

 As características principais da precipitação são a intensidade,


o volume precipitado e a chuva antecedente.

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Relação interceptação e total precipitado

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A curva de permanência

 O que é isto?
 Histograma de freqüência de vazões
 Curva de permanência
Exemplo: Análise estatística de dados

Número Nome Altura (cm)


1 Pedro Cabral 185
2 Charles Darwin 174
3 Leonardo da Vinci 173
4 Getúlio Vargas 161
5 Oscar Schmidt 205
6 Chico Mendes 169
7 Seu Creysson 168
...
N Elvis Presley 180
Exemplo: Análise estatística de dados

Intervalo Contagem
(cm) Histograma
<150 0
150 a 155 3
155 a 160 10

Contagem
160 a 165 43
165 a 170 120
170 a 175 134
175 a 180 76
180 a 185 23
altura
185 a 190 16
190 a 195 13
195 a 200 6
200 a 205 1
Exemplo: Análise estatística de dados

Intervalo (cm) Contagem Contagem Acumulada


<150 0 0
150 a 155 3 3
155 a 160 10 13
160 a 165 43 56
165 a 170 120 176
170 a 175 134 310
175 a 180 76 386
180 a 185 23 409
185 a 190 16 425
190 a 195 13 438
195 a 200 6 444
200 a 205 1 445
Exemplo: Análise estatística de dados
Intervalo (cm) Contagem Contagem Acumulada Acumulada relativa
<150 0 0 0/445 = 0,00
150 a 155 3 3 3/445 = 0,01
155 a 160 10 13 13/445 = 0,03
160 a 165 43 56 56 /445 = 0,13
165 a 170 120 176 176 /445 = 0,40
170 a 175 134 310 310 /445 = 0,70
175 a 180 76 386 386 /445 = 0,87
180 a 185 23 409 409 /445 = 0,92
185 a 190 16 425 425 /445 = 0,96
190 a 195 13 438 438 /445 = 0,98
195 a 200 6 444 444 /445 = 1,0
200 a 205 1 445 445 /445 = 1,0
Exemplo: Análise estatística de dados
Intervalo (cm) Acumulada relativa Probabilidade de uma pessoa
ser menor
<150 0,00 0%
150 a 155 0,01 1%
155 a 160 0,03 3%
160 a 165 0,13 13 %
165 a 170 0,40 40 %
170 a 175 0,70 70 %
175 a 180 0,87 87 %
180 a 185 0,92 92 %
185 a 190 0,96 96 %
190 a 195 0,98 98 %
195 a 200 1,00 100 %
200 a 205 1,00 100 %
Exemplo: Análise estatística de dados
Intervalo Acumulada Probabilidade de uma pessoa
(cm) relativa ser menor
<150 0,00 0%
150 a 155 0,01 1%
100 %
155 a 160 0,03 3%
160 a 165 0,13 13 %

Probabilidade
165 a 170 0,40 40 %
170 a 175 0,70 70 %
175 a 180 0,87 87 %
180 a 185 0,92 92 %
Altura
185 a 190 0,96 96 %
190 a 195 0,98 98 %
195 a 200 1,00 100 %
200 a 205 1,00 100 %

Se uma pessoa for escolhida aleatoriamente da


população, a chance de que esta pessoa seja menor
do que 195 cm é de 98 %.
Transformar hidrograma em histograma

Vazão
Contagem

Cada dia é um ponto amostral. O período completo é a amostra


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Curva de permanência de vazões

Q90 = 40 m3/s

A vazão deste rio é superior a 40 m3/s em 90 % do tempo.


Importância da curva de permanência

 Algumas vazões da curva de


permanência (por exemplo a Q90) são
utilizadas como referências na legislação
ambiental e de recursos hídricos.
 As ações e legislações existentes, nos Sistemas
Estaduais de Gestão de Recursos Hídricos,
apresentam critérios de estabelecimento de uma
“vazão ecológica”, que visa evitar que o rio seque
pelo excesso de uso.
 Nesta forma de proceder, escolhe-se uma vazão
de referência (baseada na curva de permanência
de vazões ou num ajuste de probabilidade de
ocorrência de vazões mínimas, Q90 ou Q7,10, por
exemplo) e arbitra-se um percentual máximo
desta vazão que pode ser outorgado. O restante
da vazão de referência é considerado como
sendo a “vazão ecológica”.
Exercício
 Uma usina hidrelétrica foi construída no
rio Correntoso, conforme o arranjo da
figura abaixo. Observe que a água do rio
é desviada em uma curva, sendo que a
vazão turbinada segue o caminho A
enquanto o restante da vazão do rio (se
houver) segue o caminho B, pela curva. A
usina foi dimensionada para turbinar a
vazão exatamente igual à Q95. Por
questões ambientais o IBAMA está
exigindo que seja mantida uma vazão
não inferior a 20 m3/s na curva do rio que
fica entre a barragem e a usina.
Considerando que para manter a vazão
ambiental na curva do rio é necessário,
por vezes, interromper a geração de
energia elétrica, isto é, a manutenção da
vazão ambiental tem prioridade sobre a
geração de energia, qual é a
porcentagem de tempo em que a usina
vai operar nessas novas condições,
considerando válida a curva de
permanência da figura que segue?
EXERCÍCIO
A bacia hidrográfica do rio Catolé, região Sudeste da Bahia, recebe
precipitações médias anuais de 1.800 mm. No município de Itapetinga há um
local em que são medidas as vazões deste rio e uma análise de uma série de
dados diários ao longo de 11 anos revela que a vazão média do rio é de 43,1
m³/s. Considerando que a área da bacia neste local é de 1.604 Km², qual é a
evapotranspiração média anual nesta bacia? Qual é o coeficiente de
escoamento de longo prazo?

O balanço hídrico de uma bacia é dado pela equação: ΔV =( P – E – Q ).Δt

onde V é o volume acumulado na bacia, t é o tempo, P é a precipitação, E a


evapotranspiração e Q o escoamento.
Numa média de longo prazo podemos desconsiderar a variação de volume (ΔV). Assim, a
equação de balanço simplificada fica: P = Q + E

Onde P é a precipitação (mm/ano); Q é a vazão (ou escoamento) em mm/ano; e E é a


evapotranspiração (mm/ano).

A vazão de 43,1 m³/s é equivalente a um volume anual de:


Volume anual = 43,1 m³/s x 86400 s/dia x 365 dia/ano = 1.359,2 milhões de m³/ano
Este volume corresponde a uma lâmina (altura) dada por
EXERCÍCIO

Portanto, a evapotranspiração da bacia é dada por:

E = P – Q = 1800 – 847 = 953 mm/ano

O coeficiente de escoamento de longo prazo é dado pela razão entre o escoamento Q e


a chuva P em valores médios anuais.

C = 847/1800 = 0,47

Ou seja, em média 47% da chuva é transformada em vazão nesta bacia.

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