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Major Oscar: os cem anos da graúna

Com tanto desrespeito à


história e à memória de
Cascavel, é óbvio que
ninguém está preparando
seja lá o que for para
homenagear o centenário
de nascimento de um dos
mais importantes líderes
cascavelenses de todos os
tempos: o major Oscar
Ramos Pereira.

Oscar, aspirante a oficial

Esse militar, orgulho para o Exército brasileiro, construiu a BR-


277, preocupou-se com o armazenamento de grãos ainda antes do
cooperativismo, projetou escolas e igrejas, além do nosso estádio
Ciro Nardi, hoje centro esportivo, e do campo do Tuiuti, que é a bola
da vez na “ginástica” do tradicional clube cascavelense para
sobreviver.
É impossível contar toda sua história de vida plena e produtiva em
poucas linhas, mas vamos lá. Nascido em 11 de abril de 1911, em
Fortaleza (CE), Oscar foi o primeiro da turma ao se formar no
Colégio Militar da cidade natal e, já aspirante a oficial da
Engenharia, em dezembro de 1932, integrou-se ao 1º Batalhão
Rodoviário do Paraná.
Depois de participar da construção da Escola Militar de Rezende
(RJ), atual Academia das Agulhas Negras, em 1940, foi lotado na
Comissão de Estradas de Rodagem Paraná-Santa Catarina,
encarregada de construir a futura BR-277, entre 1944 e 1969.
Foi aí que conheceu Cascavel, em 1952: vinha substituir o capitão
Dalmo Leme Pragana na chefia da 5ª Seção da CER-1.
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Logo se apaixonou
pela cidade: uma
criança nascendo.
Assim, a convite do
prefeito José Neves
Formighieri, dirigiu
os serviços
topográficos do novo
Município.

Trabalhando na construção de estradas

Na administração seguinte, de Helberto Schwarz, projetou a


construção da praça Getúlio Vargas. Na condição de chefe da CER-
1, determinou a terraplenagem do trecho urbano da atual BR-277,
hoje os canteiros e o centro do Calçadão da Avenida Brasil.
Determinou, ainda, a construção do telhado do Colégio Rio
Branco, do professor Antônio Cid (atual Marista), fez o projeto do
Hotel Americano (destinado aos aviadores) e os campos de futebol
do Estádio Ciro Nardi, Tuiuti Esporte Clube e Associação Atlética
Comercial.
O major Oscar era politicamente muito ativo, embora a ditadura
não lhe permitisse o voo de graúna que desejaria. Bem-humorado,
cronista e poeta, além de historiador, foi o primeiro escritor
cascavelense a publicar livros.
Uma de sua obras mais importantes é Rodovias Paranaenses
Construídas pelo Exército, sobre a contribuição dos militares ao
desenvolvimento do Paraná.
Extremamente dedicado a Cascavel, empenhou-se pela instalação
aqui de uma unidade do Exército (hoje há três). Foi responsável pela
instituição da Copasa (Companhia Paranaense de Silos e Armazéns),
da qual foi o primeiro gerente.
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Oscar Ramos Pereira


com a esposa Rosita,
a enteada Rose
Cichon e a pequenina
filha Sheila, que
agarra a calça da
farda do pai

Mesmo chamado a desempenhar tarefas na capital, ao se sentir


bastante enfermo quis retornar a Cascavel, em 1979. Morreu em 17
de fevereiro de 1982. Era casado com Rosa Costa Pereira, com
quem teve os filhos Oscar Júnior, médico, hoje no Pará, e Sheila
Pereira Sonda. Teve como enteados o odontólogo Bruno Costa
Cichon e sua irmã, Rose Maria Cichon Mansur.
Ah, deixa agora estragar a biografia do querido major Oscar: foi
ele, na condição de editor de jornal, uma de suas mil atividades,
quem publicou meu primeiro texto na imprensa, em 1968: “O
Chinês na Praça”, uma “profecia” sobre o futuro domínio da China
sobre o mundo.
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Alceu A. Sperança – escritor
alceusperanca@ig.com.br