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FACLIONS - DIREITO CIVIL IV PROFª

ELIETTE AMORIM

Aluno: Carlos Daniel Barros de Araújo

DIA 13/05/20 - ATIVIDADE DE FIXAÇÃO

ACERCA DO DIREITO DE PROPRIEDADE, RESPONDA AS QUESTÕES


ABAIXO:

1. Conforme previsão do art. 1275 do Código Civil, explique quais são as


formas de perda da propriedade?

R: Perde-se propriedade através de alienação, pela renúncia, por abandono,


por perecimento da coisa, por desapropriação.
Nos casos de alienação e renúncia, os efeitos da perda da propriedade imóvel
serão subordinados ao registro de título transmissível ou do ato renunciativo no
Registro de Imóvel.

2. Nos termos da previsão legal dos artigos 1.277 ao 1.281, explique o que se
entende por uso anormal da propriedade.

R: Dispõe o Código Civil, nos artigos 1277 a 1284, sobre o uso anormal da
propriedade que, nas lições de Pablo Stolze, é o uso que viola o princípio da
função social da propriedade.
Situado no capítulo que trata dos direitos de vizinhança, o uso anormal da
propriedade é aquele que perturba a saúde, a segurança e o sossego daqueles
que possuem propriedade vizinha.

Veja-se, assim, o que dispõe o artigo 1277, do CC:


Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer
cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos
que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha.
Parágrafo único. Proíbem-se as interferências considerando-se a natureza da
utilização, a localização do prédio, atendidas as normas que distribuem as
edificações em zonas, e os limites ordinários de tolerância dos moradores da
vizinhança.
Combate-se o uso anormal da propriedade com a ação de danos infecto (dano
iminente), prevista no artigo 1280, CC, que dispõe:
Art. 1.280. O proprietário ou o possuidor tem direito a exigir do dono do prédio
vizinho a demolição, ou a reparação deste, quando ameace ruína, bem como
que lhe preste caução pelo dano iminente.

3. Conforme a previsão legal da "passagem forçada", arts. 1.285,


explique e exemplifique a distinção entre o que passagem forçada e
servidão.

R: A propriedade, no direito Romano, era o mais absoluto dos direitos haja


vista que quem os possuía detinha os chamados três “jura”: jus utendi, jus
fruendi e jus abutendi, ou seja, podia usar, fruir e até mesmo destruir a coisa.

Contudo, em alguns casos, porções desses direitos escapavam das mãos do


verdadeiro proprietário, que em regra eram o jus utendi e o jus fruendi,
“repartindo-se entre este e outra pessoa, beneficiada pelo
desmembramento”. (CRETELLA JÚNIOR, 1998, p. 219) Por esse motivo,
foram classificados pela doutrina como “jura in re aliena”, ou direito sobre a
coisa alheia.

Define-se a servidão como direito real sobre imóvel sobre o qual se impõe um
ônus a determinado prédio em favor de outros. O direito é real uma vez que
segue o imóvel, aderindo à coisa, e toda vez que mudar o proprietário do
prédio serviente, haverá substituição do sujeito passivo.

Nas palavras de Arnold Wald, “a servidão é, pois, conceituada como direito


acessório do direito de propriedade, inseparável deste, e perpétuo, cuja função
econômica importa corrigir desigualdades existentes entre prédios”. (2002, p.
199)

Pode-se dizer que a finalidade da servidão é a de aumentar a utilidade do


prédio dominante, e isto implicará consequentemente em restrições ao prédio
serviente.

A natureza jurídica da servidão é a de “um direito real (CC, art. 1.225, III) de
gozo ou fruição sobre imóvel alheio, de caráter acessório, perpétuo, indivisível
e inalienável”. (DINIZ, Curso de direito civil brasileiro, 2002, p. 355) Mais
detalhadamente, pode-se dizer que servidão é direito:

– real: porque imposta à coisa e não ao dono, com a exigência da formalidade


(registro em Cartório)

– acessório: porção do direito de propriedade

– perpétuo: enquanto existirem os prédios

– indivisível: mesmo no caso de divisão do imóvel, passando a ter vários


titulares. A servidão permanecerá indivisível, pois ela se dá entre dois prédios e
não entre titulares.
– inalienável: não pode ser transferida a outro prédio. Poderá, todavia, ser
transferida a outras pessoas.

Doutrinariamente, podem ser classificadas, dividindo-se em contínuas,


descontínuas, aparentes, não aparentes e suas combinações.

Servidões contínuas “são as que dispensam atos humanos para que subsistam
e sejam exercidas, como a de energia elétrica, a de escoamento e a de
passagem de água”. (FARIAS; ROSENVALD, 2006, p. 572) Em geral, são
exercidas ininterruptamente.

Servidões descontínuas “são as que dependem, para seu exercício, de atos


permanentes do titular ou possuidor do prédio dominante, como a servidão de
passagem. ” (op. cit, p. 572) Segundo Carlos Roberto Gonçalves, “todas as
servidões que dependem de fato do homem são, necessariamente,
descontínuas, […].”(GONÇALVES, Direito civil brasileiro, 2006, p. 426)

O critério entre estas é a intervenção ou não-intervenção do homem.

As aparentes manifestam-se por obras exteriores, enquanto que as não


aparentes somente são percebidas quando de fato exercidas, como por
exemplo, na passagem de pedestres quando não há um caminho ou trajeto
demarcado. Assim, “só se podem constituir validamente mediante o seu
registro no cartório imobiliário, […].(ROSA, 2005, p. 227)
Essa classificação não é restrita ao âmbito didático-doutrinário do Direito. No
momento da sua efetiva aplicação é que se poderá observar a sua grande
importância, posto que nem todas as servidões possuem proteção possessória;
elas dependerão da classificação recebida, como por exemplo: aparentes e
contínuas e algumas descontínuas gozam de proteção, mas as não aparentes
não dispõem de defesa.

Destaque-se que as servidões poderão constituir-se por ato (contrato,


sentença, usucapião ou destinação do proprietário) ou fato humano, este
aplicável exclusivamente à servidão de trânsito.

Pela Súmula nº 415, do Supremo Tribunal Federal, a “servidão de trânsito não


titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela natureza das obras
realizadas, considera-se aparente, conferindo direito à proteção possessória”
Logo, sendo aparente, há que se concluir que poderão ser adquiridas pela
usucapião.

Quando se fala em servidão, sua interpretação é sempre restrita, por tratar-se


de limitação a um direito. Tal característica impede que o beneficiário amplie,
por qualquer modo, o jus in res aliena. Logo, criada para certo fim, não se pode
estendê-la a outro, exceto quando se tratar de servidão de trânsito: 1) com a
concordância expressa do proprietário dominante, e/ou 2) necessidade de
ampliação em razão de cultivo. Sempre com o direito de indenização pelo
excesso.
Por fim, sendo a servidão constituída por meio do registro, a primeira forma
apresentada de extinção, mas não a única, é o cancelamento.

Quanto às demais formas, dividem-se em peculiares e comuns.

As formas peculiares extintivas da servidão levam ao cancelamento do registro,


pelos meios judiciais, e não dependem da anuência do proprietário do prédio
dominante. São: a renúncia, a impossibilidade de seu exercício e o resgate.
As formas comuns, apenas exigem o cancelamento do registro, sendo: a
confusão, a supressão de obras na servidão aparente e desuso.

 Diferenças entre passagem forçada e servidão:

Para Arnold Wald, os pontos máximos de distinção entre as servidões e direito


de vizinhança estão na origem e na finalidade.

Enquanto as primeiras originam-se do ato voluntário de seus titulares, o


segundo deriva da lei expressa. Observa-se também que, a finalidade do
direito de vizinhança é preventiva, visa evitar o dano como também, que o
prédio fique sem destinação ou utilização econômica. Quanto à servidão não
visa a atender necessidades, mas a garantir uma comodidade ou uma maior
facilidade ao proprietário do prédio dominante.

Outras dessemelhanças podem ser elencadas.

A passagem forçada é direito de vizinhança, enquanto que a servidão é um


direito real sobre coisa alheia. A primeira decorre da lei e é uma limitação ao
direito de propriedade, sempre se configurando quando um prédio se encontrar
encravado, mesmo que o proprietário não a deseje; já a servidão limita o
domínio e decorre da vontade das partes, geralmente por meio de um contrato.

A servidão tem sua constituição com o registro no Cartório de Registro de


Imóveis, já a passagem forçada não exige qualquer tipo de registro, e caso
haja um registro será tida como servidão. Sua fonte mediata está na lei e no
interesse social.

Às servidões aparentes caberá ação de usucapião. À servidão de trânsito não


titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela natureza das obras
realizadas, considerar-se-á aparente, conferindo a esta o direito à proteção
possessória, em sendo assim poderá ser usucapida. Quanto ao direito de
vizinhança, não se adquire pela prescrição aquisitiva.

A partir do momento que a circunstância que caracterizava o encravamento


cessou, extinta será a passagem forçada, posto que não há mais a
necessidade impondo tal ônus. A servidão a princípio é perpétua.

Por fim, embora não haja impedimento quanto à gratuidade, dependendo de


simples acordo entre as partes, tanto a passagem forçada quanto a servidão
de passagem são direitos a título oneroso, com o propósito de ressarcir os
prejuízos, incômodos e limitações aos direitos do proprietário. Contudo, há que
se observar que enquanto na servidão atua como mera compensação; noutro
instituto o direito de passagem fica na dependência do pagamento de
indenização. Embora a lei não diga expressamente, o pagamento prévio é
condição imposta ao exercício da passagem.

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