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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA VARA _ DA JUSTIÇA

COMUM DA COMARCA DE GOIÂNIA - GOIÁS

MARIA ANTÔNIA, brasileira, viúva, CPF: 123.456.789-00, RG: 1234 SSP/GO, profissão:
aposentada, residente e domiciliado na Rua Bresegas, n.20, Lt.02, Q.4, CEP: 74000-000,
Goiânia-GO)., por meio de seu advogado que esta subscreve (procuração em anexo), com
endereço profissional à Av. Frei Serafim, n° 34, CEP 45734-839, nesta Comarca, onde recebe
intimações, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, propor AÇÃO DE DANOS MORAIS
COMINADO COM DANOS MATERIAIS E ANULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO.

Inicialmente, destaco que o correto é fazer o pedido de prioridade de tramitação ao idoso logo
na petição inicial.

Os fundamentos legais para a prioridade de trâmite processual concedida aos idosos


encontram-se no art. 1.048 do Novo CPC e no artigo 71 do Estatuto do Idoso.

Com fundamento no artigo 319 do Código de Processo Civil,

em face de JOÃO BARCHELLOS brasileiro, solteiro, CPF: 123.456.789-01, RG: 1234 SSP/GO,
profissão: autônomo, residente e domiciliado na Rua Açaí, n.20, Lt.02, Q.4, CEP: 74000-020,
Goiânia-GO)., pelos motivos de fato e de Direito a seguir expostos:

I. DOS FATOS

A Requerente e seu falecido marido, adquiriu através de Instrumento Particular de


Compromisso de Compra e Venda (doc. Anexo), um imóvel no valor de R$ 200.000 (duzentos
mil reais) em 17 de março de 2019, com a seguinte descrição: Lote 52 da Quadra 13 na Rua
ABC do Loteamento JARDIM DO PÂNTANO, na cidade de Trindade – Goiás, tendo área de
250,00 m² e medindo 10,00 m de frente, 10,00 m de fundos, 25,00 m do lado esquerdo, 25,00
m do lado direito e 0,00 m de chanfrado.

Pouco tempo depois o esposo da Requerente veio a óbito no dia 10/07/2019, deixando
assim bens a inventariar, inclusive o imóvel em questão.

Devido a confiança exagerada na pessoa do Requerido (João Barchello), sendo o mesmo


neto da Requerente, auxiliou em todo procedimento de inventário, não imaginando assim
que seria a Requerente induzida a erro.

Após todo procedimento do inventário, o Requerido auxiliou a Requerente nos demais


atos, pertinentes aos imóveis inventariados.

Na data de 21/11/2019, a Requerente acompanhada do Requerido, com


escritura pública de inventário se dirigiram até a imobiliária, para realizar um termo de aditivo
do contrato inicial (doc. Anexo) do imóvel descrito acima, passando assim somente para o
nome da Requerente.
Após esses fatos os boletos de pagamento não chegavam para a Requerente, mas a mesma
continuou pagando as prestações do lote, só que por meio do Requerido, que todo mês recebe
o dinheiro para pagar as parcelas em questão.

Entretanto, para total surpresa da Requerente, ao contatar com a imobiliária para pedir
um carnê de pagamento, foi informada que o lote não está em seu nome e sim de seu neto
JOÃO BARCHELLOS.

NETO então Requerido da presente ação.

Destaca-se que a Requerente foi induzida a erro, uma vez que tinha ciência de que estava
regularizando seu imóvel junto a imobiliária, mas ao mesmo tempo foi passado para o
Requerido, mediante fraude. Insta demostrar tamanha má-fé do Requerido, pois o termo de
aditivo e de transferência foram feitos no mesmo dia, ficando assim demonstrado de forma
concreta que a Requerente não tinha conhecimento desse fato, sendo pega de surpresa após
descobrir tal falcatrua.

Diante dos fatos, está configurado que a Requerente foi induzida a erro, cujo defeito enseja
a sua anulabilidade.

A Requerente é pessoa idosa (72 anos de idade), e tem grande facilidade em ser induzida,
além de ter pouco estudo e grande confiança nas pessoas.

Valor das parcelas pagas pela Requerente - R$ 150.000 (cento e cinquenta mil reais).

II. DO DIREITO

Trata-se de uma ação de danos morais cominado com danos materiais e anulação do
negócio jurídico A esse respeito os artigos citados abaixo do Código Civil, afirmam que:

 Art. 186. CC Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.

 Art. 927. CC Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem,
fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a
atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua
natureza, risco para os direitos de outrem.

 Art. 171 CC. Além dos casos expressamente declarados na lei, é


anulável o negócio jurídico:
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude
contra credores.

 Art. 138 CC. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as


declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser
percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias
do negócio.

Doutrinas

CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, ( in Instituições de Direito Civil, Vol. I, 10ª Ed.,
1987, págs. 350 a359), discorrendo sobre a Teoria dos Defeitos dos
Negócios Jurídicos,

"O mais elementar dos vícios do consentimento é o erro. Quando o agente, por
desconhecimento ou falso conhecimento das circunstâncias, age de um modo que
não seria a sua vontade, se conhecesse a verdadeira situação, diz-se que procede
erro. "No negócio jurídico inquinado de erro há uma vontade declarada,
porém defeituosa."

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Na mesma obra, o Ilustre Prof. Caio Mário: "Para que torne então defeituoso o
ato negocial, e, pois, anulável, o erro há de ser, primeiro a sua causa
determinante, e, segundo, alcançar a declaração de vontade na sua substância .
.." E, acrescenta mais adiante, "Causa determinante do ato, conduz a elaboração
psíquica do agente e influência na sua deliberação de maneira imediata, falseando
a vontade volitiva."

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JURISPRUDÊNCIA.

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO JURÍDICO. VÍCIO DE


CONSENTIMENTO. DOLO CONFIGURADO. NEGÓCIO ANULÁVEL.

1- Se o negócio jurídico for realizado com vício de consentimento (dolo,


erro, coação), as condições em que foi realizado justificam a sua anulação.
2- Pelos fatos constantes dos autos, a venda do referido imóvel para LEANDRO
MARQUES

SIQUEIRA, um mês após a morte de PAULO MARCOLINO, por um preço abaixo


do aval iado (fls. 161); a outorga de uma procuração à NEILTO, 2 (dois) meses
depois da venda, sugerem a ocorrência de simulação. 2- Ainda, mostra-se diante
dos fatos narrados e das provas, que os apelantes, por se tratarem de
pessoas simples, que não sabem ler, mas apenas assinar o nome, conforme
depoimento pessoal do autor às fls 160, foram induzidas a pactuarem o negócio
jurídico,

COMPROMISSO PARTICULAR DE OBRIGAÇÕES RECÍPROCAS


SOBRE TRANSAÇÃO FINANCEIRO e a PROCURAÇÃO de fls. 30), que se tornou
lesivo aos autores ao ponto de dispor de seu único imóvel, verificando-se, destarte,
a ocorrência de vício de consentimento, dolo. APELO CONHECIDO E
PROVIDO. (TJGO, APELACAO CIVEL 27599- 82.2010.8.09.0018, Rel . DES.
NORIVAL SANTOME, 6A CAMARA CIVEL, julgado em 27/05/2014, DJe 1556 de
04/06/2014)

É notável Exa., com base nos artigos, doutrinas e jurisprudência apresentados


que houve dano moral, material e que o negócio jurídico deve ser anulado e
que o requerido agiu de má fé, aproveitando pelo fato de que a autora é
analfabeta funcional e ficou bastante abalada com ocorrido, pensando que até
viria a óbito... Deste modo, deve ser condenado pelos danos causados ao meu
cliente.

III. DOS PEDIDOS

Por todo o exposto, requer a Vossa Excelência: Nos moldes do Art. 319, §
1º, requer que sejam realizadas as diligências necessárias para a obtenção de
dados que possibilitem a citação do réu, gerando ofícios para intimação da
Receita Federal, do Tribunal Eleitoral e empresas privadas de telefonia, para
fornecimento do endereço para citação.

a) Citação da parte ré para responder a demanda;

b) Condenação da parte ré em honorários sucumbenciais;

c) Condenação da parte ré no pagamento das custas e despesas


processuais;

d) Condenação da parte ré em R$ 19.000 (dezenove mil reais) em danos


morais;
e) O ressarcimento das parcelas pagas pela requerente no valor de R$
150.000 (cento e cinquenta mil reais);

f) Requer a elaboração de todos os meios de provas possíveis;

g) A parte autora abre mão da audiência de conciliação e mediação.

Dar-se a causa o valor de R$ 169,000 (cento e sessenta e nove mil


reais).

Termos em que,

Pede deferimento.

Carlos Daniel Barros de Araújo

OAB – 346543/GO