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SEMANA 37 (EXTENSIVO) | SEMANA 17 (SEMIEXTENSIVO)

FUVEST, UFRGS & PARTICULARES SUBJETIVAS

TEXTO 1

A cultura do estupro, por sua vez, faz parte de um sistema maior, o patriarcado. E é esse sistema maior que reforça a cultura do estupro. O sistema
patriarcal consiste na estrutura de pensamento que insiste no modelo de interação baseado na dominação dos homens sobre as mulheres. Nesse sistema de
pensamento, o dominador/homem crê ser superior à dominada/mulher. A crença deriva dos discursos de validação da hierarquia histórica e culturalmente
estabelecida, tal como o discurso, por exemplo, que define a mulher, dentre outros, como objeto do prazer masculino. Com esses discursos de validação da
hierarquia o dominador procura justificar as atrocidades cometidas pelos homens às mulheres.
Vânia dos Santos Silva. Patriarcado e a cultura do estupro no Brasil. Disponível em: https://diplomatique.org.br/cultura-do-estupro-no-brasil/ [Adaptado].
[Adaptado].

TEXTO 2

Costuma dizer-se que a civilização e a sifilização andam juntas. O Brasil, entretanto, parece ter-se sifilizado antes de se haver civilizado. [...] A contaminação da
sífilis em massa ocorreria nas senzalas, mas não que o negro já viesse contaminado. Foram os senhores das casas-grandes que contaminaram as negras das
senzalas. Por muito tempo, dominou no Brasil a crença de que para um sifilítico não há melhor depurativo que uma negrinha virgem.
Gilberto Freyre. Casa Grande & Senzala. São Paulo: Global, 2011. p. 207-208. [Adaptado]

TEXTO 3

Será mais fácil que os pássaros emudeçam na Primavera ou as cigarras no Verão, ou que o cão de Mênalo fuja diante das lebres do que uma mulher resistir
carinhosa solicitude de um homem. Aquela que tens como mais difícil de alcançar, também cederá. O amor furtivo agrada tanto ao homem quanto mulher. Só
que o homem não sabe dissimular e a mulher esconde muito melhor os seus desejos. Ora, se o se o forte não tomar a dianteira, a mulher vencida tomará para
si esse papel. Nos prados verdejantes, a fêmea chama o touro com os seus mugidos é sempre a fêmea quem, com os seus relinchos, chama o garanhão de
duros cascos. Entre nós, homens, a paixão é mais comedida, o desejo, menos furioso; o ardor do homem respeita as leis.
Ovídio. A arte de amar. São Paulo: Martin Claret, 2005. [Adaptado]

TEXTO 4

Pela lógica do estupro, a mulher é sempre “caça”, “presa”. Pela lógica do estupro, pensa-se mais no “erro” da vítima do que no “erro” do criminoso. É como se a
vítima fosse culpada por não ter escapado, por não ter corrido mais rápido, por não ter desaparecido antes. Ou por ter “parecido” mulher demais. No Brasil e em
muitos outros países, como na Índia – para dar o exemplo do país mais estuprador do mundo – a lógica do estupro faz com que mulheres precisem camuflar-se para
sobreviver. Mas mesmo assim, bem protegidas, elas serão estupradas. Mesmo com burcas, porque, como a moça desejada por Gervais, o estuprador pensará como
Gervais e lançará sobre ela sua condenação. Melhor não parecer mulher demais, reza a lógica do estupro, mas acrescente-se que na lógica do estupro, ao mesmo
tempo, faz-se a apologia da mulher objetificada pela indústria cultural da pornografia, na publicidade, no cinema, na moda, nas revistas e em programas de televisão
do chamado “universo feminino”, uma das armadilhas mais bem sucedidas na invenção do “ideal feminino”. Na lógica do estupro, a ambiguidade reina: ser mulher
tem dois pesos e duas medidas que sempre são ditadas segundo a lógica do estupro típica da sociedade masculinista, machista, em resumo: patriarcal.
Márcia Tiburi. Lógica do Estupro. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2014/04/logica-do-estupro/ [Adaptado].

TEXTO 5

O que fazer com um camarada que estuprou uma moça e matou? Tá bom, tá com vontade sexual, estupra, mas não mata.
Frase proferida por Paulo Maluf, então candidato à presidência da República, em 1989. Disponível em: https://acervo.oglobo.globo.com/frases/o-que-
fazer-com-um-camarada-que-estuprou-uma-moca-matou-ta-bom-ta-com-vontade-sexual-estupra-mas-nao-mata-19388303. [Três anos depois, foi
eleito prefeito de São Paulo e depois foi eleito deputado federal por mais dois mandatos]

TEXTO 6

Ela não merece [ser estuprada] porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se
fosse, não iria estuprar, porque não merece.
Frase proferida pelo então deputado federal Jair Messias Bolsonaro em 2014 à deputada federal Maria do Rosário. [Quatro anos depois ele foi eleito
presidente da República]

Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação em prosa, na qual você
exponha seu ponto de vista sobre o tema: O PATRIARCADO E A CULTURA DO ESTUPRO NO BRASIL

Instruções:
1) A dissertação deve ser redigida de acordo com a norma padrão da língua portuguesa.
2) Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível e não ultrapasse o espaço de 30 linhas da folha de redação.
3 ) Dê título a sua redação.