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DIREITO ADMINISTRATIVO

INFORMATIVOS 2015 A 2018

Até Info 661, STJ e Info 963, STF

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

1. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS

Tema: Publicidade
[Informativo 782, STF] Divulgação de vencimentos dos servidores públicos com relação nominal. É
legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração Pública, dos nomes
de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. (STF.
Plenário. ARE 652777/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 23/4/2015) (repercussão geral)

Tema: Devido processo legal


Em caso de irregularidades do Estado-membro em convênio federal, a União somente poderá
inscrever o ente no SIAFI, no CADIN e no CAUC após o término do processo de prestação de
contas especial, observados os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório O
cadastro restritivo não deve ser feito de forma unilateral e sem acesso à ampla defesa e ao
contraditório. Isso porque, muitas vezes, a inscrição pode ter, além de motivação meramente
financeira, razões políticas. Assim, ao poder central (União) é possível suspender imediatamente o
repasse de verbas ou a execução de convênios, mas o cadastro deve ser feito nos termos da lei, ou
seja, mediante a verificação da veracidade das irregularidades apontadas. Isso porque o cadastro
tem consequências, como a impossibilidade da repartição constitucional de verbas das receitas
voluntárias. A tomada de contas especial, procedimento por meio do qual se alcança o
reconhecimento definitivo das irregularidades, com a devida observância do contraditório e da
ampla defesa, tem suas regras definidas em lei. Ao final, é possível tornar o dano ao erário dívida
líquida e certa, e a decisão tem eficácia de título executivo extrajudicial. STF. Plenário. ACO 2892
AgR/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
11/9/2019 (Info 951).

[Informativo 825, STF] Observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa antes
da inclusão de entes federativos nos cadastros federais de inadimplência. A União, antes de incluir
Estados-membros ou Municípios nos cadastros federais de inadimplência (exs: CAUC, SIAF)
deverá observar o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. (STF. Plenário. ACO
1995/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 26/3/2015) IMPORTANTE! Confirmação do Info. 779, STF

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Tema: Intranscendência subjetiva
PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA SUBJETIVA DAS SANÇÕES
Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do município em cadastros
restritivos fundada em irregularidades na gestão anterior quando, na gestão sucessora, são tomadas
as providências cabíveis à reparação dos danos eventualmente cometidos. STJ. 1ª Seção. Aprovada
em 09/05/2018, DJe 14/05/2018.

[Informativo 825, STF] Princípio da intranscendência e atos praticados pelas gestões anteriores.
Segundo a posição que prevalece no STF, se a irregularidade no convênio foi praticada pelo gestor
anterior e a gestão atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para ressarcir o erário e
corrigir as falhas (exs: apresentou todos os documentos ao órgão fiscalizador, ajuizou ações de
ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o ente (Estado ou Município) não poderá ser
incluído nos cadastros de inadimplentes da União. Assim, segundo esta acepção, o princípio da
intranscendência subjetiva das sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por
atos de gestão praticados por administrações anteriores. Segundo o Min. Luiz Fux, “não se pode
inviabilizar a administração de quem foi eleito democraticamente e não foi responsável diretamente
pelas dificuldades financeiras que acarretaram a inscrição combatida”. Penso que seja a posição que
prevalece no STF. A própria AGU admite esta tese: Súmula 46-AGU: Será liberada da restrição
decorrente da inscrição do município no SIAFI ou CADIN a prefeitura administrada pelo prefeito
que sucedeu o administrador faltoso, quando tomadas todas as providências objetivando o
ressarcimento ao erário.Vale ressaltar, no entanto, que o Min. Marco Aurélio recentemente
manifestou-se contrariamente à tese afirmando que: A inscrição do nome do Estado-Membro em
cadastro federal de inadimplentes em face de ações e/ou omissões de gestões anteriores não
configura ofensa ao princípio da intranscendência. Vigora, no âmbito da Administração Pública, o
princípio da impessoalidade, previsto no artigo 37 da CF/88. A relação jurídica envolve a União e o
ente federal, e não a União e certo Governador ou outro agente. O governo se alterna
periodicamente nos termos da soberania popular, mas o Estado é permanente. A mudança de
comando político não exonera o Estado das obrigações assumidas. No caso concreto (ACO
732/AP), o STF julgou o pedido de forma favorável ao Estado porque a União não havia respeitado
o devido processo legal. Dessa forma, esta argumentação do Min. Marco Aurélio não foi adotada
pela Turma como razão de decidir. Por isso, penso que a posição do referido Ministro é minoritária
e, em concursos públicos, acredito que ainda se deve adotar o entendimento no sentido de que é
possível aplicar o princípio da intranscendência para esta situação. (STF. 1a Turma. ACO 732/AP, Rel.
Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016) (Info 825). (STF. 1a Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel.
Min. Luiz Fux, j. 23/6/2015) (Info 791) IMPORTANTE!

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[Informativo 791, STF] Princípio da instranscendência subjetiva na inscrição de unidade
federativa em cadastro de inadimplentes. O Estado de Pernambuco celebrou convênio com a União
por meio do qual recebeu determinadas verbas para realizar projetos de interesse público no Estado,
assumindo o compromisso de prestar contas da utilização de tais valores perante a União e o TCU.
Ocorre que o Estado não prestou contas corretamente, o que fez com que a União o inserisse no
CAUC. Ao julgar uma ação proposta pelo Estado-membro contra a União, o STF exarou duas
importantes conclusões: 1) Viola o princípio do devido processo legal a inscrição de unidade
federativa em cadastros de inadimplentes antes de iniciada e julgada tomada de contas especial pelo
Tribunal de Contas da União. Em casos como esse, mostra-se necessária a tomada de contas
especial e sua respectiva conclusão, a fim de reconhecer que houve realmente irregularidades. Só a
partir disso é possível a inscrição do ente nos cadastros de restrição ao crédito organizados e
mantidos pela União. 2) O princípio da intranscendência subjetiva impede que sanções e restrições
superem a dimensão estritamente pessoal do infrator e atinjam pessoas que não tenham sido as
causadoras do ato ilícito. Assim, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções proíbe a
aplicação de sanções às administrações atuais por atos de gestão praticados por administrações
anteriores. A inscrição do Estado de Pernambuco no CAUC ocorreu em razão do descumprimento
de convênio celebrado por gestão anterior, ou seja, na época de outro Governador. Ademais, ficou
demonstrado que os novos gestores estavam tomando as providências necessárias para sanar as
irregularidades verificadas. Logo, deve-se aplicar, no caso concreto, o princípio da intranscendência
subjetiva das sanções, impedindo que a Administração atual seja punida com a restrição na
celebração de novos convênios ou recebimento de repasses federais. (STF. 1a Turma. AC 2614/PE, AC
781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, j. 23/6/2015)

2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA Decreto não pode extinguir colegiado previsto em lei É


proibida a extinção, por ato unilateralmente editado pelo chefe do Poder Executivo, de colegiado
cuja existência encontre menção em lei em sentido formal, ainda que ausente a expressa referência
“sobre a competência ou a composição”. Caso concreto: o Presidente da República editou o Decreto
nº 9.759/2019 extinguindo uma série de colegiados existentes na Administração Pública federal. O
art. 1º, § 2º deste Decreto previu que ficariam extintos os colegiados que sejam mencionados em lei,
mas sem que esta tenha definido a competência ou a composição. O STF, em medida cautelar,
declarou a inconstitucionalidade dessa previsão, considerando que a extinção desses colegiados
mencionados em lei somente poderia ocorrer também mediante lei (e não por decreto). STF.
Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 e 13/6/2019 (Info 944).

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Tema: Fundações

A fundação instituída pelo Estado pode estar sujeita ao regime público ou privado, a depender do
estatuto da fundação e das atividades por ela prestadas Importante!!! A qualificação de uma
fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado depende: i) do estatuto
de sua criação ou autorização e ii) das atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo
econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como objetos de dada fundação, ainda que
essa seja instituída ou mantida pelo poder público, podem se submeter ao regime jurídico de direito
privado. STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019
(repercussão geral) (Info 946).

A estabilidade especial do art. 19 do ADCT não se aplica para empregados das fundações públicas
de direito privado (abrange apenas os servidores das pessoas jurídicas de direito público)
Importante!!! A estabilidade especial do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT) não se estende aos empregados das fundações públicas de direito privado, aplicando-se tão
somente aos servidores das pessoas jurídicas de direito público. O termo “fundações públicas”,
utilizado pelo art. 19 do ADCT, deve ser compreendido como fundações autárquicas, sujeitas ao
regime jurídico de direito público. Ex: empregados da Fundação Padre Anchieta não gozam dessa
estabilidade do art. 19 do ADCT em razão de se tratar de uma fundação pública de direito privado.
STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral)
(Info 946).

Tema: Empresas públicas

A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige


autorização legislativa e licitação Importante!!! A alienação do controle acionário de empresas
públicas e sociedades de economia mista exige autorização legislativa e licitação. Por outro lado,
não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de suas subsidiárias e controladas.
Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que siga
procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da CF/88,
respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade. STF. Plenário. ADI 5624 MC-
Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019 (Info 943)

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[Informativo 919, STF] Os Correios têm o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de
seus empregados Importante!!! A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever
jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados. STF. Plenário. RE 589998
ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/10/2018 (repercussão geral)

[Informativo 910, STF] É possível aplicar o regime de precatórios às empresas públicas? Não se
submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de direito
privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem
monopólio e com finalidade de lucro. STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de
Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018

Tema: Agências reguladoras

[Informativo 889, STF] É constitucional a previsão de que a ANVISA pode proibir produtos e
insumos em caso de violação da legislação ou de risco iminente à saúde, inclusive cigarros com
sabor e aroma É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem que compete à
ANVISA: III - estabelecer normas, propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as
ações de vigilância sanitária; XV - proibir a fabricação, a importação, o armazenamento, a
distribuição e a comercialização de produtos e insumos, em caso de violação da legislação
pertinente ou de risco iminente à saúde; Entendeu-se que tais normas consagram o poder normativo
desta agência reguladora, sendo importante instrumento para a implementação das diretrizes,
finalidades, objetivos e princípios expressos na Constituição e na legislação setorial. Além disso, o
STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC 14/2002- ANVISA, que
proíbe a comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta parte do dispositivo não
possui eficácia erga omnes e efeito vinculante. Significa dizer que, provavelmente, as empresas
continuarão ingressando com ações judiciais, em 1ª instância, alegando que a Resolução é
inconstitucional e pedindo a liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e
Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a Resolução e
autorizar a venda. Existem, inclusive, algumas decisões nesse sentido e que continuam valendo.
STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 1º/2/2018

Tema: IBGE
[Informativo 617, STJ] Sigilo das informações coletadas pelo IBGE O IBGE está legalmente
impedido de fornecer a quem quer que seja as informações individualizadas que coleta, no
desempenho de suas atribuições, para que sirvam de prova em quaisquer outros procedimentos
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administrativos. STJ. 1ª Turma. REsp 1.353.602-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho,
julgado em 30/11/2017 (Info 617).

Tema: Conselhos profissionais

[Informativo 612, STJ] Carros dos conselhos profissionais não podem ser registrados como
veículos oficiais Os conselhos de fiscalização profissional não possuem autorização para registrar os
veículos de sua propriedade como oficiais. STJ. 1ª Turma. AREsp 1.029.385-SP, Rel. Min. Gurgel
de Faria, julgado em 05/12/2017

[Informativo 612, STJ] Conselho de Contabilidade, no exercício de fiscalização, pode requisitar


dos contadores os livros e fichas contábeis de seus clientes O ato do Conselho de Contabilidade que
requisita dos contadores e dos técnicos os livros e fichas contábeis de seus clientes, a fim de
promover a fiscalização da atividade contábil dos profissionais nele inscritos, não importa em
ofensa aos princípios da privacidade e do sigilo profissional. STJ. 1ª Turma. REsp 1.420.396-PR,
Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 19/09/2017

[Informativo 611, STJ] Quem pode ser responsável técnico em drogarias É facultado aos técnicos
de farmácia, regularmente inscritos no Conselho Regional de Farmácia, a assunção de
responsabilidade técnica por drogaria, independentemente do preenchimento dos requisitos
previstos nos arts. 15, § 3º, da Lei nº 5.991/73, c/c o art. 28 do Decreto nº 74.170/74, entendimento
que deve ser aplicado até a entrada em vigor da Lei nº 13.021/2014. Obs: após a Lei nº 13.021/2014
apenas farmacêuticos habilitados na forma da lei poderão atuar como responsáveis técnicos por
farmácias com manipulação e drogarias. STJ. 1ª Seção. REsp 1.243.994-MG, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 14/6/2017 (recurso repetitivo) (Info 611)

[Informativo 607, STJ] Técnico de futebol não precisa ser inscrito no Conselho Regional de
Educação Física O exercício da profissão de técnico ou treinador profissional de futebol não se
restringe aos profissionais graduados em Educação Física, não havendo obrigatoriedade legal de
registro junto ao respectivo Conselho Regional. STJ. 2ª Turma. REsp 1.650.759-SP, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 6/4/2017

[Informativo 603, STJ] Suspensão ou cancelamento do registro do profissional que atrasar


anuidades Segundo o art. 8º da Lei nº 12.514/2011, para que os Conselhos Profissionais ajuízem
execução fiscal cobrando anuidades em atraso, é necessário que o total da quantia executada seja

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de, no mínimo, quatro vezes o valor da anuidade. Mesmo sem poder executar a dívida, o Conselho
Profissional poderá adotar uma outra sanção contra o inadimplente: poderá suspender ou cancelar
seu registro profissional. Assim, o fato de os conselhos não poderem executar dívidas inferiores a
quatro vezes o valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente, não impede que
seja feita a suspensão ou o cancelamento do registro do profissional que deixar de efetuar o
pagamento das anuidades. Isso está previsto no art. 8º, parágrafo único, da Lei nº 12.514/2011. No
caso específico dos Engenheiros e Arquitetos, o cancelamento do registro somente pode acontecer
desde que o atraso seja de, no mínimo, duas anuidades consecutivas (art. 64 da Lei nº 5.194/66).
STJ. 2ª Turma. REsp 1.659.989-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/4/2017

[Informativo 602, STJ] Lojas que vendam animais vivos e medicamentos veterinários não precisam
se inscrever no Conselho Regional de Medicina Veterinária Não estão sujeitas a registro perante o
respectivo Conselho Regional de Medicina Veterinária, nem à contratação de profissionais nele
inscritos como responsáveis técnicos, as pessoas jurídicas que explorem as atividades de
comercialização de animais vivos e a venda de medicamentos veterinários, pois não são atividades
reservadas à atuação privativa do médico veterinário. STJ. 1ª Seção. REsp 1.338.942-SP, Rel. Min.
Og Fernandes, julgado em 26/4/2017 (recurso repetitivo)

[Informativo 861, STF] Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de precatórios
Importante!!! Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de
Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de precatórios. STF.
Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em
19/4/2017 (repercussão geral)

[Informativo 842, STF] A Lei nº 12.514/2011, que trata sobre as contribuições (anuidades) devidas
aos Conselhos Profissionais, é constitucional. Sob o ponto de vista formal, esta Lei, apesar de ser
fruto de uma MP que originalmente dispunha sobre outro assunto, não pode ser declarada
inconstitucional porque foi editada antes de o STF declarar ilegítima a prática do “contrabando
legislativo” (ADI 5127/DF). Ainda quanto ao aspecto formal, esta Lei não trata sobre normas gerais
de Direito Tributário, motivo pelo qual não precisava ser veiculada por lei complementar. Sob o
ponto de vista material, a Lei respeitou os princípios da capacidade contributiva, da vedação ao
confisco e da legalidade. STF. Plenário. ADI 4697/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
06/10/2016

[Informativo 586, STJ] Inscrição na OAB de graduado em curso de Direito não reconhecido pelo
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MEC. A inscrição como advogado, nos quadros da OAB, de quem apresente diploma ou certidão de
graduação em Direito "obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada" (art.
8o, II, do Estatuto da Advocacia) não pode ser impedida pelo fato de o curso de Direito não ter sido
reconhecido pelo MEC. (STJ. 1a Turma. REsp 1.288.991-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 14/6/2016)

[Súmula 561, STJ] Os conselhos regionais de Farmácia possuem atribuição para fiscalizar e
autuar as farmácias e drogarias quanto ao cumprimento da exigência de manter profissional
legalmente habilitado (farmacêutico) durante todo o período de funcionamento dos respectivos
estabelecimentos. (STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015)

[Informativo 557, STJ] Termo inicial do prazo prescricional para punição de professional liberal
por infração disciplinar. Qual é o prazo prescricional que o Conselho profissional possui para punir
o profissional liberal a ele vinculado e a partir de quando é contado? 5 anos. Esse prazo começa a
ser contado, não da data em que a infração disciplinar ocorrer, mas sim do dia em que o Conselho
Profissional tiver conhecimento do respectivo fato (art. 1o da Lei 6.838/80). (STJ. 1a Turma. REsp
1.263.157-PE, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 5/3/2015)

[Informativo 554, STJ] Inscrição de profissionais no Conselho Regional de Educação Física. Não é
obrigatória a inscrição, nos Conselhos de Educação Física, dos professores e mestres de dança, ioga
e artes marciais (karatê, judô, tae-kwon-do, kickboxing, jiu-jitsu, capoeira e outros) para o exercício
de suas atividades profissionais. (STJ. 2a Turma. REsp 1.450.564-SE, Rel. Min. Og Fernandes, j. 16/12/2014)

Tema: Sociedades de economia mista

[Informativo 920, STF] PRECATÓRIOS É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades


de economia mista? Importante!!! É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia
mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF.
Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858). É
inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade de economia
mista prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de
débitos trabalhistas. Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não concorrencial
está sujeita ao regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer
constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade
orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º,
III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info
920).

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[Informativo 888, STF] PRECATÓRIOS É possível aplicar o regime de precatórios às empresas
públicas e sociedades de economia mista? As empresas públicas e sociedades de economia mista
não têm direito à prerrogativa de execução via precatório. STF. 1ª Turma. RE 851711 AgR/DF, Rel.
Min. Marco Aurélio, julgado em 12/12/2017 (Info 888). Em regra, as empresas estatais estão
submetidas ao regime das pessoas jurídicas de direito privado (execução comum). No entanto, é
possível sim aplicar o regime de precatórios para empresas públicas e sociedades de economia mista
que prestem serviços públicos e que não concorram com a iniciativa privada. Assim, é aplicável o
regime dos precatórios às empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviço
público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. STF. 1ª Turma. RE 627242 AgR, Rel.
Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 02/05/2017. STF. Plenário.
ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017

[Informativo 858, STF] PRECATÓRIOS É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades


de economia mista? Importante!!! Atenção! Advocacia Pública É aplicável o regime dos
precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de
natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
23/3/2017

[Informativo 812, STF] É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia


mista? As sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de atuação própria do
Estado e de natureza não concorrencial submetem-se ao regime de precatório. O caso concreto no
qual o STF decidiu isso envolvia uma sociedade de economia mista prestadora de serviços de
abastecimento de água e saneamento que prestava serviço público primário e em regime de
exclusividade. O STF entendeu que a atuação desta sociedade de economia mista correspondia à
própria atuação do Estado, já que ela não tinha objetivo de lucro e o capital social era
majoritariamente estatal. Logo, diante disso, o STF reconheceu que ela teria direito ao
processamento da execução por meio de precatório. (STF. 2ª Turma. RE 852302 AgR/AL, Rel. Min. Dias
Toffoli, j. 15/12/2015)

3. ENTIDADES PARAESTATAIS

Tema: Serviços sociais autônomos


Serviços sociais autônomos não devem figurar no polo passivo de ação proposta pelo contribuinte
discutindo a exigibilidade das contribuições sociais As entidades dos serviços sociais autônomos
não possuem legitimidade passiva nas ações judiciais em que se discute a relação jurídico-tributária

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entre o contribuinte e a União e a repetição de indébito das contribuições sociais recolhidas. Os
serviços sociais são meros destinatários de subvenção econômica e, como pessoas jurídicas de
direito privado, não participam diretamente da relação jurídico-tributária entre contribuinte e ente
federado. O direito que tais entidades possuem à receita decorrente da subvenção não gera interesse
jurídico a ponto de justificar a ocorrência de litisconsórcio com a União. O interesse dos serviços
sociais autônomos nesta lide é reflexo e meramente econômico. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.619.954-
SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/04/2019 (Info 646).

Tema: Organizações sociais


[Informativo 781, STF] Constitucionalidade da Lei 9.637/98. Organizações sociais são pessoas
jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, prestadoras de atividades de interesse público e
que, por terem preenchido determinados requisitos previstos na Lei 9.637/98, recebem a
qualificação de “organização social”. A pessoa jurídica, depois de obter esse título de “organização
social”, poderá celebrar com o Poder Público um instrumento chamado de “contrato de gestão” por
meio do qual receberá incentivos públicos para continuar realizando suas atividades. Foi ajuizada
uma ADI contra diversos dispositivos da Lei 9.637/98 e também contra o art. 24, XXIV, da Lei
8.666/93, que prevê a dispensa de licitação nas contratações de organizações sociais. O Plenário do
STF não declarou os dispositivos inconstitucionais, mas deu interpretação conforme a Constituição
para deixar explícitas as seguintes conclusões: a) o procedimento de qualificação das organizações
sociais deve ser conduzido de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios
do “caput” do art. 37 da CF, e de acordo com parâmetros fixados em abstrato segundo o disposto no
art. 20 da Lei 9.637/98; b) a celebração do contrato de gestão deve ser conduzida de forma pública,
objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF; c) as hipóteses de
dispensa de licitação para contratações (Lei 8.666/1993, art. 24, XXIV) e outorga de permissão de
uso de bem público (Lei 9.637/1998, art. 12, § 3o) são válidas, mas devem ser conduzidas de forma
pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF; d) a
seleção de pessoal pelas organizações sociais deve ser conduzida de forma pública, objetiva e
impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF, e nos termos do
regulamento próprio a ser editado por cada entidade; e e) qualquer interpretação que restrinja o
controle, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União, da aplicação de verbas
públicas deve ser afastada. (STF. Plenário. ADI 1923/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz
Fux, j. 15 e 16/4/2015) IMPORTANTE!

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4. PODER DE POLÍCIA

O termo “bombeiro civil” pode ser utilizado pelos profissionais de empresas privadas atuantes no
ramo Profissionais de empresas privadas que exerçam atividade de prevenção e combate ao
incêndio podem adotar a nomenclatura “bombeiro civil”. O art. 2º da Lei nº 11.901/2009 dispõe que
são “bombeiros civis” os empregados contratados tanto por empresas públicas quanto privadas que
exerçam atividade de prevenção e combate ao incêndio. A Lei nº 12.664/2012 não revogou a Lei nº
11.901/2009, mas apenas proibiu o uso de uniformes que possuam insígnias, distintivos e emblemas
representativos das instituições públicas. STJ. 1ª Turma. REsp 1.549.433-DF, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 09/04/2019 (Info 648).

Agência de turismo que faça câmbio é equiparada a instituição financeira e está sujeita à
fiscalização do BACEN Atenção! Concursos federais A agência de turismo devidamente
credenciada para efetuar operações de câmbio é equiparada a instituição financeira e subordina-se à
regular intervenção fiscalizatória do Banco Central. Consideram-se instituições financeiras as
pessoas jurídicas públicas ou privadas que tenham como atividade principal ou acessória a coleta,
intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou
estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros (art. 17 da Lei nº 4.595/64). STJ. 1ª
Turma. REsp 1.434.625-CE, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 09/04/2019 (Info 647). Obs: esse
mesmo entendimento pode ser aplicado para a seara dos crimes contra o Sistema Financeiro
Nacional (art. 1º, I, da Lei nº 7.492/86): STJ. 5ª Turma. RHC 9.281/PR, Rel. Min. Gilson Dipp, DJe
30/10/2000.

Tema: Atribuição

[Informativo 596, STJ] Empresas brasileiras poderão desenvolver atividades de segurança


privada, ainda que tenham sócios estrangeiros A Lei nº 7.102/83 estabelece normas para
constituição e funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de
transporte de valores. O art. 11 dessa Lei prevê que “a propriedade e a administração das empresas
especializadas que vierem a se constituir são vedadas a estrangeiros.” Esse art. 11 deve ser
interpretado segundo a Constituição Federal que, desde a EC 6/95, proíbe, em regra, que a lei faça
discriminação entre “empresa brasileira de capital nacional” e “empresa brasileira de capital
estrangeiro”. Em outras palavras, para o texto constitucional atual, em regra, desde que uma
empresa seja brasileira (constituída no Brasil e sujeita às leis brasileiras), a origem do seu capital é
irrelevante. Diante disso, a interpretação atual do art. 11 deve ser a seguinte: • Empresas

11
constituídas no exterior são proibidas de atuar no setor de segurança privada. • Todavia, empresas
que sejam constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País são
consideradas “empresas brasileiras” (art. 1.126 do Código Civil), sendo irrelevante que tenham na
sua composição societária, direta ou indiretamente, participação ou controle pelo capital
estrangeiro. • Logo, “empresas brasileiras” poderão praticar atividades de segurança privada no país
ainda que tenham sócios estrangeiros. A restrição veiculada pelo art. 11 da Lei nº 7.102/83, de
acordo com a CF/88, não impede a participação de capital estrangeiro nas sociedades nacionais
(empresas brasileiras) que prestam serviço de segurança privada. STJ. 1ª Seção. MS 19.088-DF,
Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14/12/2016

[Informativo 595, STJ] Não cabe ao Banco Central fiscalizar o Serasa O Banco Central tem o
dever de exercer o controle do crédito e fiscalizar a atividade das instituições financeiras. O Serasa
não é uma instituição financeira, considerando que não exerce coleta, intermediação nem aplicação
de recursos financeiros, nem a custódia de valor de propriedade de terceiros, seja como atividade
principal ou acessória. Logo, não é da atribuição do Banco Central a fiscalização das atividades do
Serasa. STJ. 4ª Turma. REsp 1.178.768-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 1/12/2016

[Informativo 777, STF] Atribuição para classificar como medicamento produto importado. Se a
ANVISA classificou determinado produto importado como "cosmético", a autoridade aduaneira não
poderá alterar essa classificação para defini-lo como "medicamento". Incumbe à ANVISA
regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública (art.
8o da Lei no 9.782/99). Assim, é da Agência a atribuição de definir o que é medicamento e o que é
cosmético. (STJ. 1a Turma. REsp 1.555.004-SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 16/2/2016)
IMPORTANTE!

[Informativo 557, STJ] Incompetência do INMETRO para fiscalizar balanças gratuitamente


disponibilizadas por farmácias. O Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade
Industrial (INMETRO) não é competente para fiscalizar as balanças de pesagem corporal
disponibilizadas gratuitamente aos clientes nas farmácias. (STJ. 1a Turma. REsp 1.384.205-SC, Rel. Min.
Sérgio Kukina, j. 5/3/2015)

[Informativo 554, STJ] Compete aos Conselhos Regionais de Farmácia fiscalizar se as drogarias e
farmácias funcionam com a presença constante de um farmacêutico. As farmácias e drogarias
deverão, obrigatoriamente, ter em seu estabelecimento, durante todo o período de funcionamento,
um farmacêutico inscrito no Conselho Regional de Farmácia. A competência para fiscalizar essa
exigência é dos Conselhos Regionais de Farmácia. A Vigilância Sanitária não fiscaliza a presença

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do farmacêutico no estabelecimento. Sua atuação fica restrita ao licenciamento do estabelecimento
e à fiscalização do cumprimento de padrões sanitários. Em suma, o STJ definiu a seguinte tese: “Os
Conselhos Regionais de Farmácia possuem competência para fiscalização e autuação das farmácias
e drogarias, quanto ao cumprimento da exigência de manterem profissional legalmente habilitado
(farmacêutico) durante todo o período de funcionamento dos respectivos estabelecimentos, sob pena
de esses incorrerem em infração passível de multa, nos termos do art. 24 da Lei 3.820/1960, c/c o
art. 15 da Lei 5.991/1973.” (STJ. 1a Seção. REsp 1.382.751-MG, Rel. Min. Og Fernandes, Primeira Seção,
julgado em 12/11/2014) (recurso repetitivo)

Tema: Trânsito

CTB pode exigir a quitação do pagamento dos tributos, encargos e multas como condição para que
o veículo possa circular Resolução do CONTRAN não pode estabelecer penalidades, devendo as
sanções ser previstas em lei em sentido formal e material CTB pode exigir a quitação do pagamento
dos tributos, encargos e multas como condição para que o veículo possa circular O CTB prevê que
só poderá ser expedido novo certificado de registro de veículo e novo certificado de licenciamento
anual se ficar comprovado o pagamento dos débitos relativos a tributos, encargos e multas
vinculadas ao veículo, independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas (arts. 124,
VIII, 128, e 131, § 2º). Tais dispositivos são constitucionais e não limitam o direito de propriedade.
Além disso, não se constituem em sanções políticas. STF. Plenário. ADI 2998/DF, rel. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/04/2019 (Info 937). Resolução do
CONTRAN não pode estabelecer penalidades, devendo as sanções ser previstas em lei em sentido
formal e material O art. 161 do CTB prevê que: Art. 161. Constitui infração de trânsito a
inobservância de qualquer preceito deste Código, da legislação complementar ou das resoluções do
CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e medidas administrativas indicadas em cada
artigo, além das punições previstas no Capítulo XIX. Parágrafo único. As infrações cometidas em
relação às resoluções do CONTRAN terão suas penalidades e medidas administrativas definidas nas
próprias resoluções. O STF conferiu interpretação conforme a Constituição, para declarar
inconstitucional a possibilidade do estabelecimento de sanção por parte do CONTRAN, como se
órgão legislativo fosse, visto que as penalidades têm de estar previstas em lei em sentido formal e
material. Além disso, o Tribunal declarou a nulidade da expressão “ou das Resoluções do Contran”
presente neste artigo. STF. Plenário. ADI 2998/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 10/04/2019 (Info 937).

[Informativo 612, STJ] Qual infração de trânsito pratica o condutor que se recusa a fazer o teste do

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"bafômetro" e/ou os exames clínicos? A sanção do art. 277, § 3º, do CTB dispensa demonstração da
embriaguez por outros meios de prova, uma vez que a infração reprimida não é a de embriaguez ao
volante, prevista no art. 165, mas a de recusa em se submeter aos procedimentos do caput do art.
277, de natureza instrumental e formal, consumada com o comportamento contrário ao comando
legal. STJ. 2ª Turma. REsp 1.677.380-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 10/10/2017
(Info 612). Obs: a conclusão acima exposta foi acolhida pelo legislador que, por meio da Lei nº
13.281/2016, acrescentou uma infração administrativa exclusivamente para o condutor que se
recusar a se submeter ao teste de etilômetro e/ou exames clínicos. Logo, atualmente, tais situações
se enquadram no novo art. 165-A ao CTB, que tem a seguinte redação: Art. 165-A. Recusar-se a ser
submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de
álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida pelo art. 277.

[Informativo 586, STJ] Aplicação de multa por excesso de velocidade pelo DNIT. O Departamento
Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) tem competência para autuar e aplicar sanções por
excesso de velocidade em rodovias e estradas federais. A competência da Polícia Rodoviária
Federal para aplicar multas de trânsito nas rodovias federais não é exclusiva. Se analisarmos o art.
82, § 3o da Lei no 10.233/2001 combinado com o art. 21, VI, da Lei no 9.503/97, veremos que o
DNIT detém competência para aplicar multa por excesso de velocidade. ( STJ. 1a Turma. REsp
1.583.822-RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, j. 23/6/2016) (Info 586). (STJ. 2a Turma. REsp 1592969/RS, Rel. Min.
Herman Benjamin, j. 05/05/2016). IMPORTANTE!

[Informativo 793, STF] Poder de polícia de trânsito e guardas municipais . As guardas municipais,
desde que autorizadas por lei municipal, têm competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de
infração de trânsito e impor multas. O STF definiu a tese de que é constitucional a atribuição às
guardas municipais do exercício do poder de polícia de trânsito, inclusive para a imposição de
sanções administrativas legalmente previstas (ex: multas de trânsito). (STF. Plenário.RE 658570/MG, rel.
orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j. 6/8/2015) IMPORTANTE!

[Informativo 561, STJ] Responsabilidade por infração relacionada à condução e à propriedade e


regularidade de veículo. Devem ser impostas tanto ao condutor quanto ao proprietário do veículo as
penalidades de multa e de registro de pontos aplicadas em decorrência da infração de trânsito
consistente em conduzir veículo que não esteja registrado e devidamente licenciado (art. 230, V, do
CTB). (STJ. 2a Turma. REsp 1.524.626-SP, Rel. Min. Humberto Martins, j. 5/5/2015)

Tema: Fiscalização
[Informativo 620, STJ] É obrigatória a prévia fiscalização do camarão in natura, ainda que na

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condição de matéria prima, antes do beneficiamento em outros Estados da Federação, podendo tal
atividade ser realizada no próprio estabelecimento rural onde se desenvolve a carcinicultura. STJ. 1ª
Turma. REsp 1.536.399-PI, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 08/02/2018

5. ATO ADMINISTRATIVO

Mesmo depois de terem-se passado mais de 5 anos, a Administração Pública pode anular a anistia
política concedida quando se comprovar a ausência de perseguição política, desde que respeitado o
devido processo legal e assegurada a não devolução das verbas já recebidas Importante!!! No
exercício do seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos de concessão de
anistia a cabos da Aeronáutica com fundamento na Portaria 1.104/1964, quando se comprovar a
ausência de ato com motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em
procedimento administrativo, o devido processo legal e a não devolução das verbas já recebidas.
Ex: 2003, João, ex-militar da Aeronáutica, recebeu anistia política, concedida por meio de portaria
do Ministro da Justiça. Em 2006, a AGU emitiu nota técnica fazendo alguns questionamentos sobre
a forma indevida pela qual estavam sendo concedidas anistias políticas, dentre elas a que foi
outorgada a João. Em 2011, o Ministro da Justiça determinou que fossem revistas as concessões de
anistia de inúmeros militares, inclusive a de João. Em 2012, foi aberto processo administrativo para
examinar a situação de João e, ao final, determinou-se a anulação da anistia política. Mesmo tendo-
se passado mais de 5 anos, a anulação do ato foi possível, seja por força da parte final do art. 54 da
Lei nº 9.784/99, seja porque o prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando
o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. STF. Plenário. RE 817338/DF, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 16/10/2019 (repercussão geral – Tema 839) (Info 956).

O Poder Judiciário não pode fazer a revisão judicial do mérito da decisão administrativa proferida
pelo CADE O Poder Judiciário não pode fazer a revisão judicial do mérito da decisão
administrativa proferida pelo CADE. A expertise técnica e a capacidade institucional do CADE em
questões de regulação econômica exige que o Poder Judiciário tenha uma postura deferente (postura
de respeito) ao mérito das decisões proferidas pela Autarquia. A análise jurisdicional deve se limitar
ao exame da legalidade ou abusividade do ato administrativo. O CADE é quem detém competência
legalmente outorgada para verificar se a conduta de agentes econômicos gera efetivo prejuízo à
livre concorrência. As sanções antitruste, aplicadas pelo CADE por força de ilicitude da conduta
empresarial, dependem das consequências ou repercussões negativas no mercado analisado, sendo
certo que a identificação de tais efeitos anticompetitivos reclama acentuada expertise. STF. 1ª
Turma. RE 1083955/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/5/2019 (Info 942).

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MP que confere status de Ministro de Estado ao chefe da Secretaria-Geral da Presidência da
República não é inconstitucional por desvio de finalidade Não é inconstitucional medida provisória
que, ao tratar sobre os órgãos vinculados à Presidência da República, confere status de Ministro de
Estado ao chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ainda que seu titular a ser
nomeado, venha a ter foro por prerrogativa de função no STF. Não há desvio de finalidade na
edição deste ato. A norma, ao estabelecer a organização básica dos Ministérios e demais órgãos
ligados à Presidência da República, é matéria que está no âmbito decisório do chefe do Poder
Executivo da União. Não se sustenta, do ponto de vista jurídico, o argumento de que a criação da
Secretaria-Geral com status de Ministério de Estado implicaria burla aos postulados constitucionais
de moralidade e probidade na Administração, porque a criação ou extinção de ministérios e órgãos
da Presidência também está no campo de decisão do chefe do Poder Executivo. A nomeação de
determinada pessoa para o cargo de Ministro de Estado é um ato subsequente e que, em princípio,
está na alçada político-administrativa do Presidente da República (art. 84), desde que presentes os
requisitos do art. 87 da CF/88. STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI
5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935).

Tema: Revogação
[Informativo 597, STJ] Portaria interministerial produzida, em conjunto, por dois Ministérios não
pode ser revogada por portaria posterior editada por apenas uma das Pastas A portaria
interministerial editada pelos Ministérios da Educação e do Planejamento demanda a manifestação
das duas Pastas para a sua revogação. Ex: o art. 7º do Decreto 6.253/2007 determinou que os
Ministérios da Educação e da Fazenda deveriam editar um ato conjunto definindo os valores, por
aluno, para fins de aplicação dos recursos do FUNDEB. Atendendo a este comando, em março de
2009, os Ministros da Educação e da Fazenda editaram a Portaria interministerial 221/2009
estipulando tais valores. Ocorre que alguns meses depois, o Ministro da Educação editou, sozinho,
ou seja, sem o Ministro da Fazenda, a Portaria 788/2009 revogando a Portaria interministerial
221/2009 e definindo novos valores por aluno para recebimento dos recursos do FUNDEB. O STJ
concluiu que esta segunda portaria não teve o condão de revogar a primeira. A regulamentação do
valor por aluno do FUNDEB exige um ato administrativo complexo que, para a sua formação,
impõe a manifestação de dois ou mais órgãos para dar existência ao ato (no caso, portaria
interministerial). Por simetria, somente seria possível a revogação do ato administrativo anterior por
autoridade/órgão competente para produzi-lo. Em suma, o primeiro ato somente poderia ser
revogado por outra portaria interministerial das duas Pastas. STJ. 1ª Seção. MS 14.731/DF, Rel.

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Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/12/2016

Tema: Anulação
Súmula 633-STJ É possível a aplicação, por analogia integrativa, do prazo decadencial de 5 anos
previsto na Lei do processo administrativo federal para Estados e Municípios que não tiverem leis
sobre o tema Súmula 633-STJ: A Lei nº 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo
decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal,
pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e
específica que regule a matéria. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/06/2019, DJe 17/06/2019

[Informativo 839, STF] Autotutela. Recebimento de auxílio-moradia com má-fé e inexistência de


decadência Servidor que recebeu auxílio-moradia apresentando declaração falsa de que havia se
mudado para outra cidade terá que ressarcir o erário e devolver os valores recebidos mesmo que já
se tenha passado mais de 5 anos desde a data em que o pagamento foi autorizado. STF. 1ª Turma.
MS 32.569/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em
13/09/2016

[Informativo 833, STF] Autotutela: anulação de anistia e prazo decadencial. A Administração


Pública não pode, depois de terem se passado mais de 5 anos, anular a anistia política concedida
mesmo que, antes de completar este prazo, a AGU tenha emitido nota questionando os critérios
adotados na concessão. A nota emitida pela AGU teve efeito similar ao de um parecer e, por isso,
não impediu o fluxo do prazo decadencial, não podendo ser classificada como "exercício do direito
de anular", para os fins do § 2o do art. 54 da Lei no 9.784/99. Vale ressaltar que, no caso concreto,
não ficou demonstrada má-fé do interessado. Além disso, não houve flagrante inconstitucionalidade
na concessão de anistia, mas sim nova interpretação da Administração Pública quanto ao efetivo
enquadramento como anistiado político. (STF. 1a Turma. RMS 31841/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 2/8/16)

Tema: Competência
[Informativo 562, STJ] Incompetência do Poder Judiciário para autorizar funcionamento de rádio
educativa. O Poder Judiciário não tem competência para autorizar, ainda que a título precário, a
prestação de serviço de radiodifusão com finalidade exclusivamente educativa. O art. 223 da CF/88
atribui competência ao Poder Executivo para outorgar e renovar concessão, permissão e
autorização, bem como fiscalizar o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens. O
funcionamento das rádios educativas, mesmo que a título precário, está definido na legislação
infraconstitucional, em portaria do Ministério das Comunicações e em portaria interministerial do

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Ministério das Comunicações e do Ministério da Educação, exigindo prévia outorga do poder
concedente, a qual não pode ser suprida por autorização judicial. (STJ. 2a Turma. REsp 1.353.341-PE, Rel.
Min. Humberto Martins, j. 12/5/2015)

6. PROCESSO ADMINISTRATIVO

Tema: Processo administrativo disciplinar

Cabe recurso hierárquico próprio ao Presidente da República contra penalidade disciplinar aplicada
por delegação com base no Decreto 3.035/99 O art. 141, I, da Lei nº 8.112/90 prevê que as
penalidades disciplinares de demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade de servidores
públicos ligados ao Poder Executivo federal devem ser aplicadas pelo Presidente da República. Por
meio do Decreto nº 3.035/99, o Presidente da República delegou aos Ministros de Estado e ao
Advogado-Geral da União a atribuição para aplicar tais penalidades. Assim, o Advogado-Geral da
União, com base no Decreto nº 3.035/99, possui competência para, em processo administrativo
disciplinar, aplicar pena de demissão a Procurador da Fazenda Nacional, que é membro integrantes
da carreira da AGU. Vale ressaltar, contudo, que cabe recurso hierárquico próprio ao Presidente da
República contra a aplicação dessa penalidade. STJ. 1ª Seção. MS 17.449-DF, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 14/08/2019 (Info 657)

Se a infração disciplinar praticada for, em tese, também crime, o prazo prescricional do processo
administrativo será aquele que for previsto no art. 109 do CP, esteja ou não esse fato sendo apurado
na esfera penal Importante!!! Mudança de entendimento! Atualize o Info 502-STJ O prazo
prescricional previsto na lei penal se aplica às infrações disciplinares também capituladas como
crime independentemente da apuração criminal da conduta do servidor. Para se aplicar a regra do §
2º do art. 142 da Lei nº 8.112/90 não se exige que o fato esteja sendo apurado na esfera penal (não
se exige que tenha havido oferecimento de denúncia ou instauração de inquérito policial). Se a
infração disciplinar praticada for, em tese, também crime, deve ser aplicado o prazo prescricional
previsto na legislação penal independentemente de qualquer outra exigência. STJ. 1ª Seção. MS
20.857-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, julgado em
22/05/2019 (Info 651).

Súmula 635-STJ Termo inicial e causa de interrupção do prazo prescricional das infrações
administrativas Súmula 635-STJ: Os prazos prescricionais previstos no art. 142 da Lei nº
8.112/1990 iniciamse na data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento

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administrativo toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de instauração
válido - sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar - e voltam a fluir por inteiro, após
decorridos 140 dias desde a interrupção. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/06/2019, DJe 17/06/2019.

Súmula 611-STJ: Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância,
é permitida a instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima,
em face do poder-dever de autotutela imposto à Administração. STJ. 1ª Seção. Aprovada em
09/05/2018, DJe 14/05/2018.

[Informativo 613, STJ] É possível PAD contra servidor público federal que pratica ilegalidade
durante sua gestão em fundação privada de apoio à Universidade Federal Atenção! Concursos
federais É legal a instauração de procedimento disciplinar, julgamento e sanção, nos moldes da Lei
nº 8.112/90, em face de servidor público que pratica atos ilícitos na gestão de fundação privada de
apoio à instituição federal de ensino superior. STJ. 1ª Seção. MS 21.669-DF, Rel. Min. Gurgel de
Faria, julgado em 23/08/2017

[Informativo 610, STJ] Validade da prova emprestada Súmula 591-STJ: É permitida a “prova
emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo
competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/09/2017,
DJe 18/09/2017.

[Informativo 610, STJ] Excesso de prazo para conclusão Súmula 592-STJ: O excesso de prazo para
a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de
prejuízo à defesa. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017.

[Informativo 602, STJ] Aplicação de crime continuado no PAD Há fatos ilícitos administrativos
que, se cometidos de forma continuada pelo servidor público, não se sujeitam à sanção com
aumento do quantum sancionatório previsto no art. 71, caput, do CP. STJ. 1ª Seção. REsp
1.471.760-GO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/2/2017

[Informativo 597, STJ] Competência para instaurar e julgar PAD relacionado com servidor cedido
Importante!!! A instauração de processo disciplinar contra servidor efetivo cedido deve ocorrer,
preferencialmente, no órgão em que tenha sido praticada a suposta irregularidade. Por outro
lado, o julgamento e a eventual aplicação de sanção só podem ocorrer no órgão ao qual o servidor
efetivo estiver vinculado. Ex: João é servidor efetivo (técnico judiciário) do TJDFT e foi cedido
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para um cargo em comissão no STJ. Quando ainda estava prestando serviços no STJ, João praticou
uma infração disciplinar. A Instauração do PAD deverá ser feita preferencialmente pelo STJ. Por
outro lado, o julgamento do servidor e aplicação da sanção deverão ser realizados obrigatoriamente
pelo TJDFT. STJ. Corte Especial. MS 21.991-DF, Rel. Min. Humberto Martins, Rel. para acórdão
Min. João Otávio de Noronha, julgado em 16/11/2016

[Informativos 849, STF] A Súmula Vinculante 5 continua válida. O STF rejeitou proposta da OAB
que pretendia o cancelamento do verbete. Após a edição da SV 5, não houve mudança na
legislação, na jurisprudência ou na percepção da sociedade a justificar a revisão ou o cancelamento
do enunciado. A súmula vinculante deve ter certo grau de estabilidade, somente devendo ser
cancelada ou revista em caso de superveniência de fatos suficientemente relevantes. Assim, a falta
de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a CF. STF.
Plenário. PSV 58/DF, julgado em 30/11/2016

[Informativos 834, STF] Inexistência de impedimento de que os membros da comissão do primeiro


PAD, que foi anulado, participem da segunda comissão. Respeitados todos os aspectos processuais
relativos à suspeição e impedimento dos membros da Comissão Processante previstos pelas Leis
8.112/90 e 9.784/99, não há qualquer impedimento ou prejuízo material na convocação dos mesmos
servidores que anteriormente tenham integrado Comissão Processante, cujo relatório conclusivo foi
posteriormente anulado (por cerceamento de defesa), para comporem a segunda Comissão de
Inquérito. Assim, não há qualquer impeditivo legal de que a comissão de inquérito em processo
administrativo disciplinar seja formada pelos mesmos membros de comissão anterior que havia sido
anulada. (STF. 1a Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j.
9/8/2016) (STJ. 1a Seção. MS 16.192/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 10/04/2013) IMPORTANTE!

[Informativos 834, STF] Desnecessidade de intimação do servidor após o relatório final. Não é
obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações finais após o relatório final de
processo administrativo disciplinar. Inexiste previsão na Lei no 8.112/1990 de intimação do
acusado após a elaboração do relatório final da comissão processante. (STF. 1a Turma. RMS
28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j. 9/8/2016) (Info
834). (STJ. 1a Seção. MS 18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, j. 8/5/2013)

[Informativos 834, STF] Empréstimo das interceptações telefônicas do processo criminal para o
PAD. A prova colhida mediante autorização judicial e para fins de investigação ou processo
criminal pode ser utilizada para instruir procedimento administrativo punitivo. Assim, é possível
que as provas provenientes de interceptações telefônicas autorizadas judicialmente em processo

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criminal sejam emprestadas para o processo administrativo disciplinar. (STF. 1a Turma. RMS 28774/DF,
rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j. 9/8/2016)

[Informativos 834, STF] Ausência de transcrição integral de dados obtidos por meio de
interceptação telefônica não gera nulidade. Mesmo em matéria penal, a jurisprudência do STF e do
STJ é no sentido de que não é necessária a degravação integral das escutas, sendo bastante que dos
autos constem excertos suficientes a embasar o oferecimento da denúncia. O servidor processado,
que também é réu no processo criminal, tem acesso à integralidade das interceptações e, se entender
necessário, pode juntar no processo administrativo os eventuais trechos que considera pertinentes ao
deslinde da controvérsia. O acusado em processo administrativo disciplinar não possui direito
subjetivo ao deferimento de todas as provas requeridas nos autos, ainda mais quando consideradas
impertinentes ou meramente protelatórias pela comissão processante (art. 156, §1o, Lei n. 8.112/90)
(STF. 1a Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j. 9/8/2016)

Tema: Tribunal de Contas da União

[Informativo 581, STJ] Prazo para o TCU exigir comprovação de regular aplicação de verbas
federais por meio de tomada de contas especial. É de cinco anos o prazo para o TCU, por meio de
tomada de contas especial (Lei no 8.443/92), exigir do ex-gestor público municipal a comprovação
da regular aplicação de verbas federais repassadas ao respectivo Município. (STJ. 1a Turma. REsp
1.480.350-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 5/4/2016)

7. LICITAÇÃO

Correios podem ser contratados sem licitação, com fundamento no art. 24, VIII, da Lei 8.666/93,
para a prestação de serviços de logística Importante!!! A Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos (ECT), empresa pública federal, pode ser contratada sem licitação, com fundamento no
art. 24, VIII, da Lei nº 8.666/93, para a prestação de serviços de logística: Art. 24 (...) VIII - para a
aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos ou serviços prestados
por órgão ou entidade que integre a Administração Pública e que tenha sido criado para esse fim
específico em data anterior à vigência desta Lei, desde que o preço contratado seja compatível com
o praticado no mercado; A ECT preenche todos os requisitos legais necessários à possibilidade de
sua contratação direta, haja vista integrar a Administração e ter sido criada em data anterior à da Lei
nº 8.666/93 para prestação de serviços postais, dentre os quais se incluem os serviços de logística

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integrada. STF. 2ª Turma. MS 34939/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/3/2019 (Info
934).

Flexibilização da Lei 8.666/93 no “Minha Casa, Minha Vida” Importante!!! As regras gerais
previstas na Lei nº 8.666/93 podem ser flexibilizadas no Programa Minha Casa Minha Vida, por
força do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 10.188/2001, desde que se observem os princípios gerais
da administração pública. STJ. 2ª Turma. REsp 1.687.381-DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado
em 17/04/2018 (Info 624).

Tema: Participação
[Informativo 631, STJ] Empresa em recuperação judicial pode participar de licitação, desde que
demonstre a sua viabilidade econômica Importante!!! Sociedade empresária em recuperação judicial
pode participar de licitação, desde que demonstre, na fase de habilitação, a sua viabilidade
econômica. STJ. 1ª Turma. AREsp 309.867-ES, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/06/2018

[Informativo 615, STJ] CADASTRO NACIONAL DE EMPRESAS INIDÔNEAS E SUSPENSAS


Mera divulgação do nome da empresa punida no CEIS da CGU não gera dano A divulgação do
Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas - CEIS pela CGU tem mero caráter
informativo, não sendo determinante para que os entes federativos impeçam a participação, em
licitações, das empresas ali constantes. STJ. 1ª Seção. MS 21.750-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes
Maia Filho, julgado em 25/10/2017

[Informativo 602, STJ] Proibição do art. 9º, III, da Lei 8.666/93 permanece mesmo que o servidor
esteja licenciado Se um servidor público for sócio ou funcionário de uma empresa, ela não poderá
participar de licitações realizadas pelo órgão ou entidade ao qual estiver vinculado este servidor
público (art. 9º, III, da Lei nº 8.666/93). O fato de o servidor estar licenciado do cargo não afasta a
referida proibição, considerando que, mesmo de licença, ele não deixa possuir vínculo com a
Administração Pública. Assim, o fato de o servidor estar licenciado não afasta o entendimento
segundo o qual não pode participar de procedimento licitatório a empresa que possuir em seu
quadro de pessoal servidor ou dirigente do órgão contratante ou responsável pela licitação. STJ. 2ª
Turma. REsp 1.607.715-AL, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 7/3/2017

Tema: Pregão
[Informativo 561, STJ] Termo inicial da punição revista no art. 7 o da Lei n. 10.520/2002 (Lei do
Pregão). O pregão é uma modalidade de licitação disciplinada pela Lei 10.520/2002. O art. 7o da

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Lei prevê que o licitante que for convocado dentro do prazo de validade de sua proposta e não
celebrar o contrato, deixar de entregar a documentação, apresentar documentação falsa, retardar a
execução do que contratado, não mantiver a proposta, falhar ou fraudar na execução do contrato,
comportar-se de modo inidôneo ou cometer fraude fiscal, ficará impedido de licitar e contratar com
a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios pelo prazo de até 5 anos. Esse prazo de 5 anos (ou
menos) de punição começa a ser contado quando? Inicia-se com a publicação da decisão no Diário
Oficial ou somente no dia em que é feito o registro negativo sobre a empresa no SICAF? Isso é
importante porque a inserção dessa informação no SICAF pode demorar um tempo para acontecer.
Qual é, portanto, o termo inicial da sanção? A data da publicação no Diário Oficial. O termo inicial
para efeito de contagem e detração (abatimento) da penalidade prevista no art. 7o da Lei
10.520/2002, aplicada por órgão federal, coincide com a data em que foi publicada a decisão
administrativa no Diário Oficial da União – e não com a do registro no SICAF . (STJ. 1a Seção. MS
20.784-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/ acord. Min. Arnaldo Esteves Lima, j. em 9/4/2015)

Tema: Competência legislativa


[Informativo 780, STF] É constitucional lei estadual que determina que a Administração Pública
irá, preferencialmente, utilizar softwares livres. O Governo do Rio Grande do Sul editou uma lei
estadual determinando que a administração pública do Estado, assim como os órgãos autônomos e
empresas sob o controle do Estado utilizarão preferencialmente em seus sistemas e equipamentos de
informática programas abertos, livres de restrições proprietárias quanto à sua cessão, alteração e
distribuição (softwares livres). Determinado partido político ajuizou uma ADI contra essa lei
afirmando que ela teria inconstitucionalidades materiais e formais. O STF julgou improcedente a
ADI e afirmou que a lei é constitucional. A preferência pelo software livre, longe de afrontar os
princípios constitucionais da impessoalidade, da eficiência e da economicidade, promove e prestigia
esses postulados, além de viabilizar a autonomia tecnológica do País. Não houve violação à
competência da União para legislar sobre licitações e contratos porque a competência da União para
legislar sobre licitações e contratos fica restrita às normas gerais, podendo os Estados complementar
as normas gerais federais. A referida lei também não viola o art. 61, II, “b”, da CF/88 porque a
competência para legislar sobre “licitação” não é de iniciativa reservada ao chefe do Poder
Executivo, podendo ser apresentada por um parlamentar, como foi o caso dessa lei. (STF. Plenário.
ADI 3059/RS, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, j. 9/4/2015)

Tema: Ressarcimento ao erário

[Informativo 557, STJ] Impossibilidade de condenação de ressarcimento ao erário fundada em


lesão presumida. Determinado contrato administrativo foi celebrado, tendo havido, no entanto,
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irregularidades formais no procedimento de licitação. A empresa contratada cumpriu exatamente os
serviços previstos no contrato e recebeu por isso. Neste caso, o STJ entendeu que até seria possível
a declaração de nulidade de contrato administrativo, mas não se poderia condenar a empresa a
ressarcir o erário se não houve comprovação real de lesão aos cofres públicos. Para o STJ, eventual
violação à boa-fé e aos valores éticos esperados nas práticas administrativas não configura, por si
só, elemento suficiente para ensejar a presunção de lesão ao patrimônio público, uma vez que a
responsabilidade dos agentes em face de conduta praticada em detrimento do patrimônio público
exige a comprovação e a quantificação do dano. Adotar entendimento em sentido contrário
acarretaria evidente enriquecimento sem causa do ente público, que usufruiu dos serviços prestados
em razão do contrato firmado durante o período de sua vigência. (STJ. 1a Turma. REsp 1.447.237-MG,
Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 16/12/2014) IMPORTANTE!

8. CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

[Informativo 616, STJ] Contratos de franquia dos Correios celebrados sem licitação Apenas
concursos federais! Os contratos das Agências de Correios Franqueadas em vigor em 27 de
novembro de 2007 que não sejam precedidos de licitação possuem eficácia até que as novas
avenças sejam firmadas, ainda que descumprido o prazo estabelecido pelo art. 7º, parágrafo único,
da Lei nº 11.668/2008. STJ. 1ª Turma. AREsp 613.239-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
em 07/11/2017

Tema: Responsabilidade por encargos trabalhistas


[Informativo 862, STF] O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do
contratado não transfere automaticamente ao Poder Público a responsabilidade pelo seu
pagamento Importante!!! O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do
contratado não transfere automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu
pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93.
Obs: a tese acima foi a fixada pelo STF. No entanto, penso que é importante um esclarecimento
revelado durante os debates: é possível sim, excepcionalmente, que a Administração Pública
responda pelas dívidas trabalhistas contraídas pela empresa contratada e que não foram pagas, desde
que o ex-empregado reclamante comprove, com elementos concretos de prova, que houve efetiva
falha do Poder Público na fiscalização do contrato. STF. Plená rio. RE 760931/DF, rel. orig. Min.
Rosá Weber, red. p/ o ác. Min. Luiz Fux, julgádo em 26/4/2017 (repercussá o gerál)

Tema: Certidões

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[Informativo 838, STF] É inconstitucional lei estadual que exige nova certidão negativa não
prevista na Lei 8.666/93 Importante!!! É inconstitucional lei estadual que exija Certidão negativa de
Violação aos Direitos do Consumidor dos interessados em participar de licitações e em celebrar
contratos com órgãos e entidades estaduais. Esta lei é inconstitucional porque compete
privativamente à União legislar sobre normas gerais de licitação e contratos (art. 22, XXVII, da
CF/88). STF. Plenário. ADI 3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 8/9/2016

Tema: Concessão

[Informativo 631, STJ] Concessionária de energia elétrica não pode cobrar a multa do art. 4º,
parágrafo único do DL 2.432/88 dos órgãos públicos usuários do serviço A concessionária de
fornecimento de energia elétrica não pode exigir de órgão público, usuário do serviço, multa por
inadimplemento no pagamento de fatura, fundamentada no parágrafo único do art. 4º do Decreto-
Lei nº 2.432/88. A multa prevista no parágrafo único do art. 4º do DL 2.432/88 refere-se aos
contratos de compra e venda de energia elétrica entre concessionárias de serviço público de energia
elétrica, não sendo aplicada para as relações entre a concessionária e os usuários do seu serviço, ou
seja, não é uma multa a ser cobrada dos clientes (usuários finais). STJ. 1ª Turma. REsp 1.396.808-
AM, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/08/2018

[Informativo 885, STF] A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de
concessão Importante!!! A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de
concessão de usina hidrelétrica. A União possui a faculdade de prorrogar ou não o contrato de
concessão, tendo em vista o interesse público, não se podendo invocar direito líquido e certo a tal
prorrogação. Dessa forma, a prorrogação do contrato administrativo insere-se no campo da
discricionariedade. A Lei nº 12.783/2013 subordinou a prorrogação dos contratos de concessão de
geração, transmissão e distribuição de energia elétrica à aceitação expressa de determinadas
condições. Se estas são recusadas pela concessionária, a Administração Pública não é obrigada a
renovar a concessão. A Lei nº 12.783/2013 pode ser aplicada para a renovação de contratos ocorrida
após a sua vigência mesmo que a assinatura do pacto original tenha ocorrido antes da sua edição.
STF. 2ª Turma. RMS 34203/DF e AC 3980/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 21/11/2017

[Informativo 605, STJ] Decisão que suspende reajuste das tarifas de transporte público urbano
viola a ordem pública A interferência judicial para invalidar a estipulação das tarifas de transporte
público urbano viola a ordem pública, mormente nos casos em que houver, por parte da Fazenda
estadual, esclarecimento de que a metodologia adotada para fixação dos preços era técnica.
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Segundo a “doutrina Chenery”, o Poder Judiciário não pode anular um ato político adotado pela
Administração Pública sob o argumento de que ele não se valeu de metodologia técnica. Isso
porque, em temas envolvendo questões técnicas e complexas, os Tribunais não gozam de expertise
para concluir se os critérios adotados pela Administração são corretos ou não. Assim, as escolhas
políticas dos órgãos governamentais, desde que não sejam revestidas de reconhecida ilegalidade,
não podem ser invalidadas pelo Poder Judiciário. STJ. Corte Especial.AgInt no AgInt na SLS
2.240-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 7/6/2017

[Informativo 554, STJ] Possibilidade de cobrança de valores pela concessionária de rodovia no


caso de instalação de postes e cabos aéreos. Concessionária de rodovia pode cobrar de
concessionária de energia elétrica pelo uso de faixa de domínio de rodovia para a instalação de
postes e passagem de cabos aéreos efetivada com o intuito de ampliar a rede de energia, na hipótese
em que o contrato de concessão da rodovia preveja a possibilidade de obtenção de receita
alternativa decorrente de atividades vinculadas à exploração de faixas marginais. (STJ. 1a Seção.
EREsp 985.695-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, j. 26/11/2014)

Tema: Competência para julgamento


[Informativo 571, STJ] Ação de consignação em pagamento proposta pela União para afastar
eventual responsabilização trabalhista subsidiária. A Justiça do Trabalho é competente para
processar e julgar ação de consignação em pagamento movida pela União contra sociedade
empresária por ela contratada para a prestação de serviços terceirizados, caso a demanda tenha sido
proposta com o intuito de evitar futura responsabilização trabalhista subsidiária da Administração
nos termos da Súmula 331 do TST. (STJ. 2a Seção. CC 136.739-RS, Rel. Min. Raul Araújo, j. 23/9/2015)

Tema: Convênio administrativo

[Informativo 577, STF] Principio da intranscendência e entidade integrante de consórcio público


com pendência no CAUC. Se um consórcio público celebrou convênio com a União por meio do
qual estão previstos repasses federais, o fato de um dos entes integrantes do consórcio possuir
pendência inscrita no CAUC não pode impedir que o consórcio receba os valores prometidos. Isso
porque o consórcio público é uma pessoa jurídica distinta dos entes federativos que o integram e,
segundo o princípio da intranscendência das sanções, as punições impostas não podem superar a
dimensão estritamente pessoal do infrator, ou seja, não podem prejudicar outras pessoas jurídicas
que não sejam aquelas que praticaram o ato. Assim, o fato de ente integrante de consórcio público
possuir pendência no Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias (CAUC)

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não impede que o consórcio faça jus, após a celebração de convênio, à transferência voluntária a
que se refere o art. 25 da LC 101/2000. (STJ. 2a Turma. REsp 1.463.921-PR, Rel. Min. Humberto Martins, j.
10/11/2015) IMPORTANTE!

9. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

Tema: Prescrição
[Informativo 824, STF] Constitucionalidade do art. 1o-C, da Lei 9.494/97. A fixação do prazo
prescricional de 5 anos para os pedidos de indenização por danos causados por agentes de pessoas
jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços
públicos, constante do art. 1º-C da Lei 9.494/97, é constitucional. (STF. Plenário. ADI 2418/DF, Rel. Min.
Teori Zavascki, j. 4/5/2016)

Tema: Legitimidade
A vítima somente poderá ajuizar a ação de indenização contra o Estado; se este for condenado,
poderá acionar o servidor que causou o dano em caso de dolo ou culpa; o ofendido não poderá
propor a demanda diretamente contra o agente público Importante!!! A teor do disposto no art. 37, §
6º, da Constituição Federal, a ação por danos causados por agente público deve ser ajuizada contra
o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, sendo parte ilegítima
para a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo
ou culpa. STF. Plenário. RE 1027633/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/8/2019
(repercussão geral) (Info 947).

[Informativo 563, STJ] Ilegitimidade passiva da União em demanda que envolve erro médico
ocorrido em hospital do SUS. A União não tem legitimidade passiva em ação de indenização por
danos decorrentes de erro médico ocorrido em hospital da rede privada durante atendimento
custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Lei 8.080/90, a responsabilidade
pela fiscalização dos hospitais credenciados ao SUS é do Município, a quem compete responder em
tais casos. (STJ. 1a Seção. EREsp 1.388.822-RN, Rel. Min. Og Fernandes, j. 13/5/2015) IMPORTANTE!

Tema: Termo inicial


[Informativo 556, STJ] Termo inicial da prescrição da pretensão indenizatória decorrente de
tortura e morte de preso. Determinada pessoa foi presa e torturada por policiais. Foi instaurado
inquérito policial para apurar o ocorrido. Qual será o termo de início da prescrição da ação de
indenização por danos morais? • Se tiver sido ajuizada ação penal contra os autores do crime: o
termo inicial da prescrição será o trânsito em julgado da sentença penal. • Se o inquérito policial
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tiver sido arquivado (não foi ajuizada ação penal): o termo inicial da prescrição da ação de
indenização é a data do arquivamento do IP. (STJ. 2a Turma. REsp 1.443.038-MS, Rel. Ministro Humberto
Martins, j. 12/2/2015) IMPORTANTE!

Tema: Anistia

O acórdão concessivo do MS que determina o pagamento retroativo dos valores devidos a anistiado
político deve incluir também os juros de mora e correção monetária Não é necessário o ajuizamento
de ação autônoma para o pagamento dos consectários legais inerentes à reparação econômica
devida a anistiado político e reconhecida por meio de Portaria do Ministro da Justiça, a teor do
disposto no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e no art. 6º, § 6º, da
Lei 10.559/2002. STF. 1ª Turma. RMS 36182/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/5/2019
(Info 940). É devida a incidência de correção monetária e juros moratórios em ação mandamental
para pagamento de retroativos devidos àqueles declarados anistiados políticos, independentemente
de decisão expressa nesse sentido. STJ. 1ª Seção. AgInt no MS 24.212-DF, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 26/06/2019 (Info 652). Os juros de mora e a correção monetária constituem
consectários legais da condenação, de modo que incidem independentemente de expresso
pronunciamento judicial. STF. Plenário. RE 553710 ED, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
01/08/2018.

O acórdão concessivo do MS que determina o pagamento retroativo dos valores devidos a anistiado
político deve incluir também os juros de mora e correção monetária Não é necessário o ajuizamento
de ação autônoma para o pagamento dos consectários legais inerentes à reparação econômica
devida a anistiado político e reconhecida por meio de Portaria do Ministro da Justiça, a teor do
disposto no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e no art. 6º, § 6º, da
Lei 10.559/2002. STF. 1ª Turma. RMS 36182/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/5/2019
(Info 940).

Súmula 624-STJ: É possível cumular a indenização do dano moral com a reparação econômica da
Lei nº 10.559/2002 (Lei da Anistia Política). STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe
17/12/2018

Tema: Hipóteses

A União não tem responsabilidade pelos prejuízos supostamente causados à indústria de brinquedos

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nacional pela redução do imposto de importação de brinquedos na década de 1990 O Ministério da
Fazenda editou a Portaria nº 492/1994, reduzindo de 30% para 20% a alíquota do imposto de
importação dos brinquedos em geral. Com a redução da alíquota, houve a entrada de um enorme
volume de brinquedos importados no Brasil, oriundos especialmente da China, sendo estes bem
mais baratos que os nacionais. Como resultado, várias indústrias de brinquedos no Brasil foram à
falência e, mesmo as que permaneceram, sofreram grandes prejuízos. Uma famosa indústria de
brinquedos ingressou com ação contra a União afirmando que a Portaria, apesar de ser um ato lícito,
gerou prejuízos e que, portanto, o Poder Público deveria ser condenado a indenizá-la. O STJ não
concordou com o pedido. Não se verifica o dever do Estado de indenizar eventuais prejuízos
financeiros do setor privado decorrentes da alteração de política econômico-tributária no caso de o
ente público não ter se comprometido, formal e previamente, por meio de determinado
planejamento específico. A referida Portaria tinha finalidade extrafiscal e a possibilidade de
alteração das alíquotas do imposto de importação decorre do próprio ordenamento jurídico, não
havendo que se falar em quebra do princípio da confiança. O impacto econômico-financeiro sobre a
produção e a comercialização de mercadorias pelas sociedades empresárias causado pela alteração
da alíquota de tributos decorre do risco da atividade próprio da álea econômica de cada ramo
produtivo. Não havia direito subjetivo da indústria quanto à manutenção da alíquota do imposto de
importação. STJ. 1ª Turma. REsp 1.492.832-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 04/09/2018
(Info 634). STF. 1ª Turma. ARE 1175599 AgR/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 10/12/2019
(Info 963).

O Estado responde, objetivamente, pelos danos causados por notários e registradores Importante!!!
O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício
de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos
casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa. O Estado possui responsabilidade
civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários e oficiais de registro, no exercício de
serviço público por delegação, causem a terceiros. STF. Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 27/2/2019 (repercussão geral) (Info 932).

Concessionária de rodovia não responde civilmente por roubo e sequestro Importante!!!


Concessionária de rodovia não responde por roubo e sequestro ocorridos nas dependências de
estabelecimento por ela mantido para a utilização de usuários. A segurança que a concessionária
deve fornecer aos usuários diz respeito ao bom estado de conservação e sinalização da rodovia. Não
tem, contudo, como a concessionária garantir segurança privada ao longo da estrada, mesmo que
seja em postos de pedágio ou de atendimento ao usuário. O roubo com emprego de arma de fogo é
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considerado um fato de terceiro equiparável a força maior, que exclui o dever de indenizar. Trata-se
de fato inevitável e irresistível e, assim, gera uma impossibilidade absoluta de não ocorrência do
dano. STJ. 3ª Turma. REsp 1.749.941-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 04/12/2018 (Info
640). Cuidado. O STF já reconheceu a responsabilidade civil da concessionária que administra a
rodovia por FURTO ocorrido em seu pátio: STF. 1ª Turma. RE 598356/SP, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901).

União não tem o dever de indenizar indústrias nacionais prejudicadas com a redução das alíquotas
do imposto de importação Importante!!! O Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 492/1994,
reduzindo de 30% para 20% a alíquota do imposto de importação dos brinquedos em geral. Com a
redução da alíquota, houve a entrada de um enorme volume de brinquedos importados no Brasil,
oriundos especialmente da China, sendo estes bem mais baratos que os nacionais. Como resultado,
várias indústrias de brinquedos no Brasil foram à falência e, mesmo as que permaneceram, sofreram
grandes prejuízos. Uma famosa indústria de brinquedos ingressou com ação contra a União
afirmando que a Portaria, apesar de ser um ato lícito, gerou prejuízos e que, portanto, o Poder
Público deveria ser condenado a indenizá-la. O STJ não concordou com o pedido. Não se verifica o
dever do Estado de indenizar eventuais prejuízos financeiros do setor privado decorrentes da
alteração de política econômico-tributária no caso de o ente público não ter se comprometido,
formal e previamente, por meio de determinado planejamento específico. A referida Portaria tinha
finalidade extrafiscal e a possibilidade de alteração das alíquotas do imposto de importação decorre
do próprio ordenamento jurídico, não havendo que se falar em quebra do princípio da confiança. O
impacto econômico-financeiro sobre a produção e a comercialização de mercadorias pelas
sociedades empresárias causado pela alteração da alíquota de tributos decorre do risco da atividade
próprio da álea econômica de cada ramo produtivo. Não havia direito subjetivo da indústria quanto
à manutenção da alíquota do imposto de importação. STJ. 1ª Turma. REsp 1.492.832-DF, Rel. Min.
Gurgel de Faria, julgado em 04/09/2018 (Info 634).
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-634-STJ.pdf

[Informativo 917, STF] Pagamento dos valores retroativos a anistiados políticos 1 - Reconhecido o
direito à anistia política, a falta de cumprimento de requisição ou determinação de providências por
parte da União, por intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos artigos 12, parágrafo 4º,
e 18, caput, parágrafo único, da Lei 10.559 de 2002, caracteriza ilegalidade e violação de direito
líquido e certo. 2 - Havendo rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das indenizações
devidas aos anistiados políticos, e não demonstrada a ausência de disponibilidade de caixa, a União
há de promover o pagamento do valor ao anistiado no prazo de 60 dias. 3 - Na ausência ou na

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insuficiência de disponibilidade orçamentária no exercício em curso, cumpre à União promover sua
previsão no projeto de lei orçamentária imediatamente seguinte. STF. Plenário. RE 553710/DF, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2016 (repercussão geral) (Info 847). STF. 1ª Turma. RMS
28201/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 25/9/2018

[Informativo 901, STF] A pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público possui
responsabilidade civil em razão de dano decorrente de crime de furto praticado em suas
dependências, nos termos do art. 37, § 6º, da CF/88. Caso concreto: o caminhão de uma empresa
transportadora foi parado na balança de pesagem na Rodovia Anhanguera (SP), quando se constatou
excesso de peso. Os agentes da concessionária determinaram que o condutor estacionasse o veículo
no pátio da concessionária e, em seguida, conduziram-no até o escritório para ser autuado.
Aproximadamente 10 minutos depois, ao retornar da autuação para o caminhão, o condutor
observou que o veículo havia sido furtado. O STF condenou a Dersa – Desenvolvimento
Rodoviário S/A, empresa concessionária responsável pela rodovia a indenizar a transportadora. O
Supremo reconheceu a responsabilidade civil da prestadora de serviço público, ao considerar que
houve omissão no dever de vigilância e falha na prestação e organização do serviço. STF. 1ª Turma.
RE 598356/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018

[Informativo 854, STF] Estado deve indenizar preso que se encontre em situação degradante
Importante!!! Uma pessoa que está presa em uma unidade prisional que apresenta péssimas
condições, como superlotação e falta de condições mínimas de saúde e de higiene possui o direito
de ser indenizada pelo Estado diante desta violação de seus direitos? SIM. Considerando que é
dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de
humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, §
6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados
aos detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais de encarceramento. STF.
Plenário. RE 580252/MS, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 16/2/2017 (repercussão geral)

[Informativo 847, STF] Pagamento dos valores retroativos a anistiados políticos 1 - Reconhecido o
direito à anistia política, a falta de cumprimento de requisição ou determinação de providências por
parte da União, por intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos artigos 12, parágrafo 4º,
e 18, caput, parágrafo único, da Lei 10.559 de 2002, caracteriza ilegalidade e violação de direito
líquido e certo. 2 - Havendo rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das indenizações
devidas aos anistiados políticos, e não demonstrada a ausência de disponibilidade de caixa, a União
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há de promover o pagamento do valor ao anistiado no prazo de 60 dias. 3 - Na ausência ou na
insuficiência de disponibilidade orçamentária no exercício em curso, cumpre à União promover sua
previsão no projeto de lei orçamentária imediatamente seguinte. STF. Plenário. RE 553710/DF, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2016

[Informativo 581, STJ] Indenização por danos morais a anistiado político. O anistiado político que
obteve, na via administrativa, a reparação econômica prevista na Lei no 10.559/2002 (Lei de
Anistia) não está impedido de pleitear, na esfera judicial, indenização por danos morais pelo mesmo
episódio político. Inexiste vedação para a acumulação da reparação econômica com indenização por
danos morais, porquanto se tratam de verbas indenizatórias com fundamentos e finalidades
diversas: aquela visa à recomposição patrimonial (danos emergentes e lucros cessantes), ao passo
que esta tem por escopo a tutela da integridade moral, expressão dos direitos da personalidade. Nas
hipóteses de condenação imposta à Fazenda Pública, como regra geral, a atualização monetária e a
compensação da mora devem observar os critérios previstos no art. 1 o-F Lei 9.494/97, com a
redação da Lei 11.960/2009. (STJ. 1a Turma. REsp 1.485.260-PR, Rel. Min. Sérgio Kukina, j. em 5/4/2016)

[Informativo 819, STF] Responsabilidade civil do Estado em caso de morte de detento. Em caso de
inobservância de seu dever específico de proteção previsto no art. 5o, inciso XLIX, da CF/88, o
Estado é responsável pela morte de detento.(STF. Plenário. RE 841526/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
30/3/2016) (repercussão geral)

[Informativo 773, STF] Inconstitucionalidade de lei estadual que preveja pensão para cônjuges de
todos os falecidos por crimes hediondos. É inconstitucional lei estadual (distrital) que preveja o
pagamento de pensão especial a ser concedida pelo Governo do Estado (Distrito Federal) em
benefício dos cônjuges de pessoas vítimas de crimes hediondos, independentemente de o autor do
crime ser ou não agente do Estado. Tal lei amplia, de modo desmesurado (irrazoável), a
responsabilidade civil do Estado prevista no art. 37, § 6o, da CF/88. (STF. Plenário. ADI 1358/DF, Rel.
Min. Gilmar Mendes, j. 4/2/2015)

[Informativo 553, STJ] Existência de cadáver em decomposição em reservatório de água. Foi


encontrado um cadáver humano em decomposição em um dos reservatórios de água que abastece
uma cidade. Determinado consumidor ajuizou ação de indenização contra a empresa pública
concessionária do serviço de água e o STJ entendeu que ela deveria ser condenada a reparar os
danos morais sofridos pelo cliente. Ficou configurada a responsabilidade subjetiva por omissão da
concessionária decorrente de falha do dever de efetiva vigilância do reservatório de água. Além
disso, restou caracterizada a falha na prestação do serviço, indenizável por dano moral, quando a
Companhia não garantiu a qualidade da água distribuída à população.O dano moral, no caso, é in re
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ipsa, ou seja, o resultado danoso é presumido. (STJ. 2a Turma. REsp 1.492.710-MG, Rel. Min. Humberto
Martins, j. 16/12/2014)

10. BENS PÚBLICOS

Tema: Regularização fundiária


[Informativo 882, STF] ADI proposta contra a Lei nº 11.952/2009 A Lei nº 11.952/2009 trata sobre
a regularização fundiária das ocupações incidentes em terras situadas em áreas da União, no âmbito
da Amazônia Legal. O STF deu intepretação conforme ao art. 4º, § 2º da Lei para dizer que é
inconstitucional qualquer interpretação que permita a regularização fundiária das terras ocupadas
por quilombolas e outras comunidades tradicionais da Amazônia Legal em nome de terceiros ou de
forma a descaracterizar o modo de apropriação da terra por esses grupos. Em outras palavras, os
quilombolas e outras comunidades tradicionais não podem perder suas terras em caso de
regularização fundiária. O STF também deu intepretação conforme ao art. 13 da Lei para afastar
quaisquer interpretações que concluam pela desnecessidade de fiscalização dos imóveis rurais até
quatro módulos fiscais, devendo o ente federal utilizar-se de todos os meios referidos em suas
informações para assegurar a devida proteção ambiental e a concretização dos propósitos da norma
para, somente então, ser possível a dispensa da vistoria prévia, como condição para a inclusão da
propriedade no programa de regularização fundiária de imóveis rurais de domínio público na
Amazônia Legal. Em outras palavras, a União deve utilizar-se de todos os meios para assegurar a
devida proteção ambiental e a concretização dos propósitos da norma, para somente então ser
possível a dispensa da vistoria prévia como condição para inclusão da propriedade no programa de
regularização fundiária de imóveis rurais de domínio público na Amazônia Legal. STF. Plenário.
ADI 4269/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 18/10/2017

Tema: Terras devolutas


[Informativo 873, STF] Não se pode caracterizar as terras ocupadas pelos indígenas como
devolutas As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União (art. 20, XI, da
CF/88) e, portanto, não podem ser consideradas como terras devolutas de domínio do Estado-
membro. STF. Plenário. ACO 362/MT e ACO 366/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em
16/8/2017

Tema: Terrenos de marinha


[Informativo 862, STF] Continuam pertencendo à União os terrenos de marinha situados em ilha
costeira que seja sede de Município Importante!!! A EC 46/2005 não interferiu na propriedade da

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União, nos moldes do art. 20, VII, da Constituição Federal, sobre os terrenos de marinha e seus
acrescidos situados em ilhas costeiras sede de Municípios. STF. Plenário. RE 636199/ES, Rel. Min.
Rosa Weber, julgado em 27/4/2017 (repercussão geral)

[Informativo 589, STJ] Nulidade de contrato de compra e venda de imóvel localizado em terreno de
marinha sem pagamento de laudêmio É nulo o contrato firmado entre particulares de compra e
venda de imóvel de propriedade da União quando ausentes o prévio recolhimento do laudêmio e a
certidão da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), ainda que o pacto tenha sido registrado no
Cartório competente. Antes de o ocupante vender o domínio útil do imóvel situado em terreno de
marinha, ele deverá obter autorização da União, por meio da SPU, pagando o laudêmio e cumprindo
outras formalidades exigidas. Somente assim esta alienação será possível de ser feita validamente.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.590.022-MA, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 9/8/2016

SERVIÇOS PÚBLICOS

Tema: Interrupção
[Informativo 598, STJ] É válida a interrupção do serviço público por razões de ordem técnica se
houve prévio aviso por meio de rádio Em regra, o serviço público deverá ser prestado de forma
contínua, ou seja, sem interrupções (princípio da continuidade do serviço público).
Excepcionalmente, será possível a interrupção do serviço público nas seguintes hipóteses previstas
no art. 6º, § 3º da Lei n.º 8.987/95: a) Em caso de emergência (mesmo sem aviso prévio); b) Por
razões de ordem técnica ou de segurança das instalações, desde que o usuário seja previamente
avisado; c) Por causa de inadimplemento do usuário, desde que ele seja previamente avisado. Se a
concessionária de energia elétrica divulga, por meio de aviso nas emissoras de rádio do Município,
que haverá, daqui a alguns dias, a interrupção do fornecimento de energia elétrica por algumas
horas em virtude de razões de ordem técnica, este aviso atende a exigência da Lei nº 8.987/95?
SIM. A divulgação da suspensão no fornecimento de serviço de energia elétrica por meio de
emissoras de rádio, dias antes da interrupção, satisfaz a exigência de aviso prévio, prevista no art.
6º, § 3º, da Lei nº 8.987/95. STJ. 1ª Turma. REsp 1.270.339-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado
em 15/12/2016

SERVIDOR PÚBLICO

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11. SERVIDOR PÚBLICO

É inconstitucional o pagamento de subsídio mensal e vitalício a ex-Governadores de Estado, assim,


como o pagamento de pensão às viúvas dos ex-ocupantes deste cargo; contudo, as pessoas
beneficiadas com o pagamento não terão que devolver as quantias recebidas Importante!!! Algumas
Constituições estaduais preveem que a pessoa que tiver exercido o cargo de Governador do Estado
fará jus, após deixar o mandato, a um subsídio mensal e vitalício. Alguns chamam isso de
representação, outros de pensão vitalícia e outros de pensão civil. A previsão desse pagamento é
compatível com a CF/88? NÃO. A instituição de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex-
governadores corresponde à concessão de benesse que não se compatibiliza com a Constituição
Federal (notadamente com o princípio republicano e o princípio da igualdade, consectário daquele),
por configurar tratamento diferenciado e privilegiado sem fundamento jurídico razoável, em favor
de quem não exerce função pública ou presta qualquer serviço à administração. Os ex-
Governadores (ou as viúvas) que foram beneficiados com esse “subsídio” ou com a “pensão” dela
decorrente terão que devolver as quantias que receberam antes do STF declarar inconstitucional a
previsão da Constituição Estadual? NÃO. Não é necessária a devolução dos valores percebidos até
o julgamento da ação. Isso por conta dos princípios da boa-fé, da segurança jurídica e, ainda, da
dignidade da pessoa humana. STF. Plenário. ADI 4545/PR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em
5/12/2019 (Info 962).

REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A contribuição previdenciária paga pelo


servidor não deve incidir sobre parcelas que não são incorporadas à sua aposentadoria Em
adequação ao entendimento do STF, não incide contribuição previdenciária sobre verba não
incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como terço de férias, serviços
extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade. STJ. 1ª Turma. EDcl no AgInt no
REsp 1.659.435-SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 03/09/2019 (Info 656). Não
incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do
servidor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional
de insalubridade. STF. Plenário. RE 593068/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/10/2018
(repercussão geral – Tema 163) (Info 919)

Revisão anual de vencimentos não é obrigatória, mas chefe do Executivo deve justificar
Importante!!! O não encaminhamento de projeto de lei de revisão anual dos vencimentos dos
servidores públicos, previsto no inciso X do art. 37 da CF/88, não gera direito subjetivo a
indenização. Deve o Poder Executivo, no entanto, se pronunciar, de forma fundamentada, acerca

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das razões pelas quais não propôs a revisão. STF. Plenário. RE 565089 /SP, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/9/2019 (repercussão geral – Tema 19)
(Info 953).

Lei estadual pode prever o pagamento de gratificação para servidores mesmo que estes já recebam
subsídio caso essa gratificação sirva para remunerar atividades que extrapolem aquelas que são
normais do cargo Importante!!! O § 4º do art. 39 da CF/88 prevê que os servidores remunerados
pelo regime de subsídio recebem “parcela única” mensal, sendo “vedado o acréscimo de qualquer
gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória”.
Vale ressaltar, no entanto, que o art. 39, § 4º, da CF/88 não estabelece uma vedação absoluta ao
pagamento de outras verbas além do subsídio. O modelo de remuneração por subsídio tem por
objetivo evitar que atividades “normais” exercidas pelo servidor público, ou seja, atividades que são
inerentes ao cargo que ele ocupa (e que já são remuneradas pelo subsídio) sejam também
remuneradas com o acréscimo de outras parcelas adicionais. Dito de outra forma: o subsídio
remunera o servidor pelas atividades que ele realiza e que são inerentes ao seu cargo, ou seja, as
atividades “normais” de seu cargo. O art. 39, § 4º proíbe que este servidor receba outras verbas
(além do subsídio) para exercer essas atividades “normais”. Contudo, o art. 39, § 4º, não proíbe que
o servidor receba: a) valores que não ostentam caráter remuneratório, como os de natureza
indenizatória; e b) valores pagos como retribuição por eventual execução de encargos especiais não
incluídos no plexo das atribuições normais e típicas do cargo considerado. O que o art. 39, § 4º, da
CF/88 impede é a acumulação do subsídio com outras verbas destinadas a retribuir o exercício de
atividades próprias e ordinárias do cargo. Justamente por isso, é constitucional lei estadual que
preveja o pagamento de gratificação para servidores que já recebem pelo regime de subsídio quando
eles realizarem atividades que extrapolam as funções próprias e normais do cargo. Essas atividades,
a serem retribuídas por esta parcela própria, detêm conteúdo ocupacional estranho às atribuições
ordinárias do cargo e, portanto, podem ser remuneradas por gratificação além da parcela única do
subsídio, sem que isso afronte o art. 39, § 4º, da CF/88. Essa gratificação somente seria
inconstitucional se ficasse demonstrado que estaria havendo um duplo pagamento pelo exercício
das mesmas funções normais do cargo. STF. Plenário. ADI 4941/AL, rel. orig. Min. Teori Zavascki,
red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado 14/8/2019 (Info 947).

Na falta de lei específica que regulamente a aposentadoria especial dos servidores públicos
portadores de deficiência (art. 40, § 4º, I, da CF/88), deve ser aplicada a LC 142/2013, que trata
sobre a aposentadoria especial de pessoas com deficiência no RGPS Importante!!! O art. 40, § 4º, I,
da CF/88 prevê que o servidor público com deficiência possui direito à aposentadoria com

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requisitos e critérios diferenciados (aposentadoria especial). Ocorre que o dispositivo constitucional
exige que uma lei complementar regulamente essa aposentadoria, sendo, portanto, uma norma
constitucional de eficácia limitada. Até o presente momento, não foi editada essa lei complementar,
havendo, portanto, uma omissão inconstitucional. Diante disso, a LC nº 142/2013, que
regulamentou a aposentadoria especial de pessoas com deficiência no Regime Geral de Previdência
Social, deve ser aplicada aos pedidos de aposentadoria de servidores públicos com deficiência, por
se tratar de diploma mais adequado para suprir a omissão na regulamentação do art. 40, § 4º, I, da
CF/1988. Assim, o servidor público com deficiência possui o direito de ver analisado o
requerimento de aposentadoria especial apresentado com base no art. 40, § 4º, I, da CF/88
utilizando-se das normas da LC 142/2013. STF. 1ª Turma. MI 6818/DF e MI 6988/RR, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgados em 13/8/2019 (Info 947)

Possibilidade de acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal ultrapasse 60h A acumulação
de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se
sujeita ao limite de 60 horas semanais. Isso porque não existe esse requisito na Constituição
Federal. O único requisito estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no
exercício das funções, cujo cumprimento deverá ser aferido pela Administração Pública. STF. 1ª
Turma. RE 1176440/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 9/4/2019 (Info 937). STF. 2ª
Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018. STJ. 1ª Seção.
REsp 1.767.955-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 27/03/2019 (Info 646).

Ainda que a hora-aula do professor não seja de 60 minutos, mas sim de 50 ou 45 minutos, esses 10
ou 15 minutos que sobram como intervalo são considerados como atividades de interação com os
educandos (e não como atividades extraclasse) O art. 4º da Lei nº 11.738/2008 estabelece que os
professores deverão cumprir sua jornada de trabalho da seguinte forma: • 2/3 da carga horária é para
atividades de sala de aula; e • 1/3 da carga horária pode ser utilizado para atividades extraclasse (ex:
preparação das aulas, reuniões pedagógicas, reuniões com os pais etc.). Em alguns Estados, a hora-
aula do professor não é de 60 minutos, mas sim de 50 minutos (se diurna) ou 45 minutos (se
noturna). Esses 10 ou 15 minutos que sobram como intervalo são considerados como atividades de
interação com os educandos (e não como atividades extraclasse). Assim, o cômputo dos 10 ou 15
minutos que faltam para que a “hora-aula” complete efetivamente uma “hora de relógio” não pode
ser considerado como tempo de atividade extraclasse dos profissionais do magistério. STJ. 2ª
Turma. REsp 1.569.560-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Rel. Ac. Min. Og Fernandes, julgado em
21/06/2018 (Info 644).

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Não há que se falar em prescrição de fundo de direito nas ações em que se busca a concessão do
benefício de pensão por morte Importante!!! Não ocorre a prescrição do fundo de direito no pedido
de concessão de pensão por morte, estando prescritas apenas as prestações vencidas no quinquênio
que precedeu à propositura da ação. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.269.726-MG, Rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, julgado em 13/03/2019 (Info 644).

Teto remuneratório de Procuradores Municipais é o subsídio de Desembargador de TJ Importante!!!


A expressão "Procuradores", contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição da
República, compreende os procuradores municipais, uma vez que estes se inserem nas funções
essenciais à Justiça, estando, portanto, submetidos ao teto de 90,25% (noventa inteiros e vinte e
cinco centésimos por cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros do STF. STF. Plenário.
RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932).

A Indenização por Trabalho em Localidade Estratégica somente podia ser paga após a
regulamentação da Lei nº 12.855/2013 pelo Poder Executivo A Lei nº 12.855/2013, que instituiu a
Indenização por Trabalho em Localidade Estratégica, é norma de eficácia condicionada à prévia
regulamentação, para definição das localidades consideradas estratégicas, para fins de pagamento
da referida vantagem. STJ. 1ª Seção. REsp 1.617.086-PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado
em 28/11/2018 (recurso repetitivo) (Info 641).

Não devolução dos valores recebidos de boa-fé por servidor público por força de decisão liminar
revogada Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de boa-fé por servidor
público, percebidos a título precário no período em que liminar produziu efeitos. É desnecessária a
devolução dos valores recebidos por liminar revogada, em razão de mudança de jurisprudência.
Também é descabida a restituição de valores recebidos indevidamente, circunstâncias em que o
servidor público atuou de boa-fé. STF. 1ª Turma. MS 32.185/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 13/11/2018 (Info 923). https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-923-
STF.pdf

Os substitutos interinos dos cartórios extrajudiciais devem receber limitado ao teto do


funcionalismo público (art. 37, XI, da CF/88) Incide o teto remuneratório constitucional aos
substitutos interinos de serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS 29.039/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923).
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-923-STF.pdf

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O aumento de 45% concedido aos militares pela Lei nº 8.237/91 não foi uma revisão geral da
remuneração, não podendo ser estendida para os servidores públicos civis Não é possível a extensão
a servidores públicos civis da majoração de vencimentos, no percentual de 45%, concedida a
servidores militares, a título de reestruturação de cargos, com base na Lei nº 8.237/91 e no princípio
da isonomia dos índices revisionais disciplinados na redação original do art. 37, X, da Constituição
Federal. O reajuste de vencimentos concedido aos integrantes das Forças Armadas, à base de 45%,
pela Lei nº 8.237/91, não configurou um aumento geral na remuneração dos servidores militares
que autorizasse, com fundamento no art. 37, X, da CF/88, a extensão aos servidores civis. STF. 2ª
Turma. RE 229637/ SP, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em
6/11/2018 (Info 922). https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-922-STF.pdf

Servidor que fazia faculdade particular e é removido, de ofício, para outra cidade tem direito a
matrícula em universidade pública, se não existir instituição privada congênere no destino
Importante!!! É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de transferência ex officio
de servidor, a matrícula em instituição pública, se inexistir instituição congênere à de origem. Ex:
Paulo é servidor público federal, lotado em Recife (PE), onde faz faculdade de Medicina em uma
universidade particular. Ele é transferido, de ofício, para Rio Branco (AC). Suponhamos,
hipoteticamente, que, em Rio Branco, as universidades privadas lá existentes não possuem o curso
de medicina. Neste caso, Paulo teria direito a uma vaga no curso de Medicina da universidade
pública. Fundamento legal: art. 1º da Lei nº 9.536/97. STF. Plenário. RE 601580/RS, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 19/9/2018 (repercussão geral) (Info 916).

São imprescritíveis as ações de reintegração em cargo público quando o afastamento se deu em


razão de perseguição política praticada na época da ditadura militar Importante!!! São
imprescritíveis as ações de reintegração em cargo público quando o afastamento se deu em razão de
atos de exceção praticados durante o regime militar. Ex: João era servidor da ALE/PR. Em 1963,
João foi demitido em razão de perseguição política perpetrada na época da ditadura militar. Em
2011, João ajuizou ação ordinária contra o Estado do Paraná pedindo a sua reintegração ao cargo.
Esta pretensão é considerada imprescritível considerando que envolve a efetivação da dignidade da
pessoa humana. Vale ressaltar, contudo, que a imprescritibilidade da ação que visa reparar danos
provocados pelos atos de exceção não implica no afastamento da prescrição quinquenal sobre as
parcelas eventualmente devidas ao autor. Não se deve confundir imprescritibilidade da ação de
reintegração com imprescritibilidade dos efeitos patrimoniais e funcionais dela decorrentes, sob
pena de prestigiar a inércia do Autor, o qual poderia ter buscado seu direito desde a publicação da
Constituição da República. Em outras palavras, o recebimento dos “atrasados” ficará restrito aos
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últimos 5 anos contados do pedido. STJ. 1ª Turma. REsp 1.565.166-PR, Rel. Min. Regina Helena
Costa, julgado em 26/06/2018 (Info 630).

STF decide modular os efeitos de decisão que mandou afastar Delegados de Polícia do cargo por
ofensa à regra do concurso público Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e
organizando a Polícia Civil do Estado do Amazonas. Nesta Lei foi previsto que, na estrutura da
Polícia Civil, haveria cargos de Delegado de Polícia e de Comissário de Polícia. Ainda em 2001, foi
realizado um concurso público, com provas específicas para cada um desses cargos, e os aprovados
nomeados e empossados. Contudo, em 2004, houve duas leis modificando o cargo de Comissário de
Polícia. • a primeira delas afirmou que Comissário de Polícia seria autoridade policial, juntamente
com o Delegado de Polícia, equiparando a remuneração dos dois cargos. • a segunda lei,
transformando o cargo de "Comissário de Polícia" em "Delegado de Polícia". Essas duas leis foram
impugnadas por meio de ADI. Em 2015, o STF decidiu que elas são INCONSTITUCIONAIS
porque representaram burla à exigência do concurso público. As referidas leis fizeram uma espécie
de ASCENSÃO FUNCIONAL dos Comissários de Polícia porque transformaram os ocupantes
desses cargos em Delegados de Polícia sem que eles tivessem feito concurso público para tanto. No
caso concreto, os Ministros entenderam que, quando o cargo de Comissário de Polícia foi criado,
ele possuía diferenças substanciais em relação ao de Delegado de Polícia, o que impediria a
transformação, mesmo sob o argumento de ser medida de racionalização administrativa. Foram
opostos embargos de declaração contra a decisão. Em 2018, o STF acolheu os embargos e aceitou
modular os efeitos da decisão proferida na ADI 3415. Além disso, o Tribunal determinou ao Estado
do Amazonas que promova, no prazo máximo de 18 meses, a contar da publicação da ata de
julgamento (07/08/2018), a abertura de concurso público para o cargo de Delegado de Polícia. O
Ministro Relator Alexandre de Moraes afirmou que mais de 70 delegacias de polícia ficariam sem
delegados e que a população amazonense é que sofreria as consequências. Além disso, na decisão
dos embargos, os Ministros esclareceram que são plenamente válidos os atos praticados nos cargos
de Delegado de Polícia que serão afastados. STF. Plenário. ADI 3415 ED-segundos/AM, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2018 (Info 909).

ACUMULAÇÃO DE CARGOS Auditor Fiscal do Trabalho não pode acumular seu cargo com
outro da área de saúde O Auditor Fiscal do Trabalho, com especialidade em medicina do trabalho,
não pode cumular o exercício do seu cargo com outro da área de saúde. STJ. 1ª Turma. REsp
1.460.331-CE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em
10/04/2018 (Info 625).

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FGTS Aplica-se a TR para contas vinculadas ao FGTS Importante!!! A remuneração das contas
vinculadas ao FGTS tem disciplina própria, ditada por lei, que estabelece a TR como forma de
atualização monetária, sendo vedado, portanto, ao Poder Judiciário substituir o mencionado índice.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.614.874-SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 11/04/2018 (recurso
repetitivo) (Info 625).

Tema: Legitimidade
[Informativo 606, STJ] União não deve figurar na ação proposta pedindo a implementação do piso
nacional do magistério Os dispositivos do art. 4º, caput, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 11.738/2008 não
amparam a tese de que a União é parte legítima, perante terceiros particulares, em demandas que
visam à sua responsabilização pela implementação do piso nacional do magistério, afigurando-se
correta a decisão que a exclui da lide e declara a incompetência da Justiça Federal para processar e
julgar o feito ou, em sendo a única parte na lide, que decreta a extinção da demanda sem resolução
do mérito. STJ. 1ª Seção. REsp 1.559.965-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 14/6/2017
(recurso repetitivo)

Tema: Agentes políticos


[Informativo 866, STF] Exercentes de mandato eletivo que não forem vinculados a regime próprio
deverão pagar contribuição previdenciária ao RGPS Incide contribuição previdenciária sobre os
rendimentos pagos aos exercentes de mandato eletivo, decorrentes da prestação de serviços à União,
aos Estados e ao Distrito Federal ou aos Municípios, após o advento da Lei nº 10.887/2004, desde
que não vinculados a regime próprio de previdência. STF. Plenário. RE 626837/GO, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 25/5/2017 (repercussão geral)

Tema: Abono de permanência

[Informativo 600, STJ] O valor do abono de permanência deverá ser levado em consideração na
conversão da licença-prêmio em pecúnia O abono de permanência insere-se no conceito de
remuneração do cargo efetivo, de forma a compor a base de cálculo da licença-prêmio não gozada.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.514.673-RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 7/3/2017

[Informativo 859, STF] Magistrado que estava recebendo abono de permanência e foi promovido
terá direito de continuar percebendo o benefício A ocupação de novo cargo dentro da estrutura do
Poder Judiciário, pelo titular do abono de permanência, não implica a cessação do benefício. Ex:
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determinada pessoa ocupa o cargo de Desembargador do Trabalho e está recebendo abono de
permanência; se ela for promovida ao cargo de Ministro do TST, terá direito de continuar recebendo
o abono, não sendo necessário completar cinco anos no cargo de Ministro para requerer o benefício.
STF. 1ª Turma. MS 33424/DF e MS 33456/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/3/2017

Tema: Estabilidade
[Informativo 840, STF] Inconstitucionalidade de norma estadual que amplie as hipóteses do art. 19
do ADCT da CF/88 O art. 19 do ADCT da CF/88 previu que os servidores públicos que estavam em
exercício há pelo menos 5 anos quando a Constituição Federal foi promulgada, deveriam ser
considerados estáveis, mesmo não tendo sido admitidos por meio de concurso público. Desse modo,
quem ingressou no serviço público, sem concurso, até 05/10/1983 e assim permaneceu, de forma
continuada, tornou-se estável com a edição da CF/88. É inconstitucional Constituição estadual ou
lei estadual que amplie a abrangência do art. 19 do ADCT e preveja estabilidade para servidores
públicos admitidos sem concurso público mesmo após 05/10/1983 (5 anos antes da CF/88). STF.
Plenário. ADI 1241/RN, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2016

Tema: Greve
[Informativo 906, STF] Constitucionalidade de Decreto estadual que regulamenta as providências
a serem adotadas em caso de greve O Governador da Bahia editou um decreto prevendo que, em
caso de greve, deverão ser adotas as seguintes providências: a) convocação dos grevistas a
reassumirem seus cargos; b) instauração de processo administrativo disciplinar; c) desconto em
folha de pagamento dos dias de greve; d) contratação temporária de servidores; e) exoneração dos
ocupantes de cargo de provimento temporário e de função gratificada que participarem da greve. O
STF decidiu que este Decreto é constitucional. Trata-se de decreto autônomo que disciplina as
consequências — estritamente administrativas — do ato de greve dos servidores públicos e as
providências a serem adotadas pelos agentes públicos no sentido de dar continuidade aos serviços
públicos. A norma impugnada apenas prevê a instauração de processo administrativo para se apurar
a participação do servidor na greve e as condições em que ela se deu, bem como o não pagamento
dos dias de paralisação, o que está em consonância com a orientação fixada pelo STF no julgamento
do MI 708. É possível a contratação temporária excepcional (art. 37, IX, da CF/88) prevista no
decreto porque o Poder Público tem o dever constitucional de prestar serviços essenciais que não
podem ser interrompidos, e que a contratação, no caso, é limitada ao período de duração da greve e
apenas para garantir a continuidade dos serviços. STF. Plenário. ADI 1306/BA, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 13/6/2017

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[Informativo 871, STF] Compete à Justiça Comum (estadual ou federal) decidir se a greve
realizada por servidor público é ou não abusiva A justiça comum, federal ou estadual, é
competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas da Administração
pública direta, autarquias e fundações públicas. STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz
Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral)

[Informativo 860, STF] Policiais são proibidos de fazer greve Importante!!! O exercício do direito
de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores
públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do Poder
Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos
termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. STF. Plenário. ARE
654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
5/4/2017 (repercussão geral)

[Informativo 849, STF] O desconto dos dias parados pode ser feito de forma parcelada
Importante!!! Não se mostra razoável a possibilidade de desconto em parcela única sobre a
remuneração do servidor público dos dias parados e não compensados provenientes do exercício do
direito de greve. STJ. 2ª Turma. RMS 49.339-SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em
6/10/2016

[Informativo 845, STF] Administração Pública deve descontar os dias não trabalhados por
servidor público em greve Importante!!! A administração pública deve proceder ao desconto dos
dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em
virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre. É permitida a compensação em caso de
acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por
conduta ilícita do Poder Público. STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
27/10/2016 (repercussão geral)

[Informativo 563, STJ] Possibilidade de desconto dos dias paradas da remuneração dos grevistas.
Deve ser suspensa a execução da decisão liminar (art. 25, § 3o, da Lei 8.038/1990) proibitiva de
desconto salarial dos dias de paralisação decorrentes de greve dos professores do Estado de São
Paulo, movimento paredista que durava mais de 60 dias até a análise do pedido de suspensão de
segurança, sem êxito nas tentativas de acordo e sem notícia de decisão judicial sobre as relações
obrigacionais entre grevistas e o Estado, e que, além disso, já havia levado ao dispêndio de vultosos
recursos na contratação de professores substitutos, como forma de impedir a iminente interrupção
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da prestação do serviço público educacional do Estado. (STJ. Corte Especial. AgRg na SS 2.784-SP, Rel.
Min. Francisco Falcão, j. 3/6/2015)

Tema: Nepotismo
O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a cargos públicos de natureza política, como são os
cargos de Secretário Estadual e Municipal Importante!!! O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a
cargos públicos de natureza política, como são os cargos de Secretário Estadual e Municipal.
Mesmo em caso de cargos políticos, será possível considerar a nomeação indevida nas hipóteses de:
• nepotismo cruzado; • fraude à lei e • inequívoca falta de razoabilidade da indicação, por manifesta
ausência de qualificação técnica ou por inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 29033
AgR/RJ, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/9/2019 (Info 952).

[Informativo 914, STF] A nomeação da esposa do prefeito como Secretária Municipal não
configura, por si só, nepotismo e ato de improbidade administrativa Importante!!! A nomeação do
cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo público de natureza
política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339
AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info
914). Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para cargos públicos de natureza política, como,
por exemplo, Secretário Municipal. Assim, a jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a
regra sumulada e garantido a permanência de parentes de autoridades públicas em cargos políticos,
sob o fundamento de que tal prática não configura nepotismo. Exceção: poderá ficar caracterizado o
nepotismo mesmo em se tratando de cargo político caso fique demonstrada a inequívoca falta de
razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de qualificação técnica ou inidoneidade moral
do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/05/2018.

[Informativo 815, STF] Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de assessor
de controle externo do Tribunal de Contas mesmo que seu tio (parente em linha colateral de 3o
grau) já exerça o cargo de assessor-chefe de gabinete de determinado Conselheiro, especialmente
pelo fato de que o cargo do referido tio não tem qualquer poder legal de nomeação do sobrinho. A
incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 não decorre diretamente
da existência de relação de parentesco entre pessoa designada e agente político ou servidor público,
mas de presunção de que a escolha para ocupar cargo de direção, chefia ou assessoramento tenha
sido direcionado à pessoa com relação de parentesco com quem tenha potencial de interferir no
processo de seleção. (STF. 2a Turma. Rcl 18564/SP, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, j. 23/2/2016)

[Informativo 786, STF] Norma que impede nepotismo no serviço público não alcança servidores de
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provimento efetivo. A Constituição do Estado do Espírito Santo prevê, em seu art. 32, VI, que é
“vedado ao servidor público servir sob a direção imediata de cônjuge ou parente até segundo grau
civil”.Foi proposta uma ADI contra esta norma.O STF julgou a norma constitucional, mas decidiu
dar interpretação conforme à Constituição, no sentido de o dispositivo ser válido somente quando
incidir sobre os cargos de provimento em comissão, função gratificada, cargos de direção e
assessoramento. Em outras palavras, o STF afirmou que essa vedação não pode alcançar os
servidores admitidos mediante prévia aprovação em concurso público, ocupantes de cargo de
provimento efetivo, haja vista que isso poderia inibir o próprio provimento desses cargos, violando,
dessa forma, o art. 37, I e II, da CF/88, que garante o livre acesso aos cargos, funções e empregos
públicos aos aprovados em concurso público. (STF. Plenário. ADI 524/ES, rel. orig. Min. Sepúlveda Pertence,
red. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski, j. 20/5/2015)

Tema: Acumulação de cargo

É possível a acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal ultrapasse 60h Importante!!! A
acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da
CF/88, não se sujeita ao limite de 60 horas semanais previsto em norma infraconstitucional, pois
inexiste tal requisito na Constituição Federal. O único requisito estabelecido para a acumulação é a
compatibilidade de horários no exercício das funções, cujo cumprimento deverá ser aferido pela
administração pública. STF. 1ª Turma. RE 1176440/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 9/4/2019 (Info 937). STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 29/06/2018. STJ. 1ª Seção. REsp 1767955/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
27/03/2019.

[Informativo 632, STJ] Possibilidade de acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal
ultrapasse 60h Tema polêmico! A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde,
prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se sujeita ao limite de 60 horas semanais previsto em norma
infraconstitucional, pois inexiste tal requisito na Constituição Federal. O único requisito
estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no exercício das funções, cujo
cumprimento deverá ser aferido pela administração pública. STF. 1ª Turma. RE 1.094.802 AgR,
Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/5/2018. STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel.
Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018. STJ. 2ª Turma. REsp 1.746.784-PE, Rel. Min.
Og Fernandes, julgado em 23/08/2018 (Info 632).

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[Informativo 862, STF] Se a pessoa acumular licitamente dois cargos públicos ela poderá receber
acima do teto Importante!!! Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos,
empregos e funções, a incidência do art. 37, XI, da Constituição Federal pressupõe consideração de
cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao
somatório dos ganhos do agente público. Ex: se determinado Ministro do STF for também professor
da UnB, ele irá receber seu subsídio integral como Ministro e mais a remuneração decorrente do
magistério. Nesse caso, o teto seria considerado especificamente para cada cargo, sendo permitido
que ele receba acima do limite previsto no art. 37, XI da CF se considerarmos seus ganhos globais.
STF. Plenário. RE 612975/MT e RE 602043/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 26 e
27/4/2017 (repercussão geral)

[Informativo 576, STJ] Impossibilidade de acumulação de cargos públicos se a jornada semanal


for superior a 60h semanais. Não é possível a acumulação de dois cargos públicos quando a soma
da carga horaria referente aos dois cargos ultrapassar o limite máximo de 60 horas semanais. Assim,
é vedada a acumulação de um cargo de professor com outro técnico ou científico quando a jornada
de trabalho semanal ultrapassar o limite máximo de 60 horas semanais. (STJ. 2a Turma. REsp 1.565.429-
SE, Rel. Min. Herman Benhamin, j. 24/11/2015) IMPORTANTE!

[Informativo 575, STJ] Acumulação de cargo de tradutor de LIBRAS com de professor. É possível a
acumulação de um cargo de professor com outro de interprete e tradutor da Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS). (STJ. 2a Turma. REsp 1.569.547-RN, Rel. Min. Humberto Martins, j. 15/12/2015).
IMPORTANTE!

[Informativo 553, STJ] Inaplicabilidade do direito à recondução do art. 29, I, da Lei 8.122/90 a
servidor público estadual. Se a legislação estadual não prevê a recondução, é possível aplicar a Lei
8.112/90 por analogia? NÃO. Não é possível a aplicação, por analogia, do instituto da recondução
previsto no art. 29, I, da Lei 8.112/1990 a servidor público estadual na hipótese em que o
ordenamento jurídico do estado for omisso acerca desse direito. Segundo a jurisprudência do STJ,
somente é possível aplicar, por analogia, a Lei 8.112/90, aos servidores públicos estaduais e
municipais se houver omissão, na legislação estadual ou municipal, sobre direito de cunho
constitucional e que seja autoaplicável e desde que tal situação não gera o aumento de gastos. Ex:
aplicação, por analogia, das regras da Lei 8.112/90 sobre licença para acompanhamento de cônjuge
a determinado servidor estadual cuja legislação não prevê esse afastamento (RMS 34.630⁄AC, Rel.
Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 18/10/2011). Nesse exemplo, o STJ
reconheceu que a analogia se justificava para proteção da unidade família, valor protegido
constitucionalmente (art. 226 da CF/88). No caso da recondução, contudo, não é possível a analogia

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porque esse direito não tem cunho constitucional. (STJ. 2a Turma. RMS 46.438-MG, Rel. Min. Humberto
Martins, j. 16/12/2014) IMPORTANTE!

Tema: Aposentadoria

[Informativo 908, STF] Funpresp e data limite para adesão ao regime de previdência complementar
O art. 3º, § 7º, da Lei nº 12.618/2012 e o art. 92 da Lei nº 13.328/2016 previram que os servidores
titulares de cargos efetivos da União (inclusive magistrados, membro do MP e do TCU) poderiam
aderir, até o dia 29/07/2018, aos planos de benefícios administrados por entidades fechadas de
previdência complementar. Duas associações de magistrados ingressaram com ação requerendo a
prorrogação deste prazo. O STF, contudo, negou o pedido. O deferimento do pleito representaria
indevida manipulação de opção político-normativa do Parlamento. Ao STF, à semelhança do que
ocorre com as demais Cortes Constitucionais, cabe exercer o papel de legislador negativo. É sua a
relevante função de extirpar do ordenamento jurídico normas incompatíveis com a Lei Maior,
devendo, exatamente por esse motivo, atuar com parcimônia. Não há, sob o ângulo material ou
formal, qualquer traço de incompatibilidade direta com a Constituição Federal. STF. Plenário. ADI
4885 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/6/2018

[Informativo 907, STF] Guardas municipais não têm direito à aposentadoria especial Importante!!!
Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do beneficiário são mais
favoráveis que os estabelecidos normalmente para as demais pessoas. A CF/88 prevê que os
servidores que exerçam atividades de risco têm direito à aposentadoria especial, segundo requisitos
e condições previstas em lei complementar (art. 40, § 4º, II, “b”). Diante da ausência de legislação
específica, não cabe ao Poder Judiciário garantir aposentadoria especial (art. 40, § 4º, II, da CF/88)
às guardas municipais. A aposentadoria especial não pode ser estendida aos guardas civis, uma vez
que suas atividades precípuas não são inequivocamente perigosas e, ainda, pelo fato de não
integrarem o conjunto de órgãos de segurança pública relacionados no art. 144, I a V, da CF/88.
STF. Plenário. MI 6515/DF, MI 6770/DF, MI 6773/DF, MI 6780/DF, MI 6874/DF, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgados em 20/6/2018

Tema: Remuneração e teto remuneratório

É possível o pagamento de terço de férias e de décimo terceiro salário aos Vereadores, mas desde
que isso esteja previsto em lei municipal Importante!!! O STF decidiu que o art. 39, § 4º, da

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Constituição Federal não é incompatível com o pagamento de terço de férias e décimo terceiro
salário (Tema 484 da Repercussão Geral). Assim, os Vereadores, mesmo recebendo sua
remuneração por meio de subsídio (parcela única), podem ter direito ao pagamento de terço de
férias e de décimo terceiro salário. Vale ressaltar, no entanto, que o pagamento de décimo terceiro e
do terço constitucional de férias aos agentes políticos com mandato eletivo não é um dever, mas sim
uma opção, que depende do legislador infraconstitucional. Assim, a definição sobre a adequação de
percepção dessas verbas está inserida no espaço de liberdade de conformação do legislador
infraconstitucional. Em outras palavras, o legislador municipal decide se irá ou não conceder tais
verbas aos Vereadores. Se não houver lei concedendo, eles não terão direito. Desse modo, é
possível o pagamento de terço de férias e de décimo terceiro salário aos Vereadores, mas desde que
a percepção de tais verbas esteja prevista em lei municipal. STF. 1ª Turma. Rcl 32483 AgR/SP, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 3/9/2019 (Info 950

[Informativo 907, STF] Inconstitucionalidade de norma que equipara remuneração de servidores


públicos A Constituição do Estado do Ceará previa que deveria ser assegurado “aos servidores da
administração pública direta, das autarquias e das fundações, isonomia de vencimentos para cargos
de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou
ao local de trabalho.” O STF decidiu que é inconstitucional a expressão “das autarquias e das
fundações”. Isso porque a equiparação remuneratória entre servidores, a teor da redação originária
do art. 39, § 1º, da CF/88, restringiu-se aos servidores da administração direta, não mencionando os
entes da administração indireta, como o faz a norma impugnada. Além disso, o dispositivo estadual
não foi recepcionado, em sua integralidade, pela redação atual do art. 39 da Constituição Federal, na
forma EC 19/1998. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018

[Informativo 907, STF] Constitucionalidade de norma da CE que assegura equiparação salarial para
professores com igual titulação, respeitando-se o grau de ensino em que estiverem atuando A
Constituição do Estado do Ceará prevê que deverá ser assegurada isonomia salarial para docentes
em exercício, com titulação idêntica, respeitando-se o grau de ensino em que estiverem atuando. O
STF decidiu que essa regra é constitucional e que não ofende o art. 37, XIII, da CF/88. Isso porque
não há, no caso, equiparação salarial de carreiras distintas, considerando que se trata
especificamente da carreira de magistério público e de docentes com titulação idêntica. STF.
Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018

[Informativo 907, STF] Inconstitucionalidade de normas da Constituição Estadual que tratam

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sobre remuneração e direitos dos servidores públicos sem que existam previsões semelhantes na
CF/88 São inconstitucionais os arts. 154, § 2º; 167, XII e XIII, §§ 1º e 2º; e 174, da Constituição do
Estado do Ceará, e os arts. 27 e 28 do seu ADCT. Tais dispositivos tratam de remuneração e
direitos de servidores públicos, que, por não encontrarem similares na CF/88, somente poderiam ser
veiculados por meio de lei de iniciativa do Chefe do Poder Executivo. São previsões específicas que
não tratam da organização e estruturação do Estado-membro ou de seus órgãos, mas que versam
sobre o regime jurídico de servidores públicos. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 20/6/2018

[Informativo 907, STF] Não é compatível com a CF/88 a norma de CE que estabelece que o
servidor público inativo deverá receber obrigatoriamente a mais do que percebia na ativa A
Constituição do Estado do Ceará previa que o servidor, ao se aposentar, deveria receber, como
proventos, o valor pecuniário correspondente ao padrão de vencimento imediatamente superior ao
da sua classe funcional, e, se já ocupasse o ultimo escalão, faria jus a uma gratificação adicional de
20% sobre a sua remuneração. O STF decidiu que essa previsão não era considerada materialmente
inconstitucional à época da edição da Carta, uma vez que a superação da remuneração em atividade
era tolerada na redação original da CF. Porém, essa regra não foi recepcionada pela EC 20/98 que
proibiu a superação do patamar remuneratório da atividade e a impossibilidade de incorporação da
remuneração do cargo em comissão para fins de aposentadoria (art. 40, §§ 2º e 3º, da CF/88). STF.
Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018

VPNI: incorporação pelo subsídio e incidência do teto O direito à percepção de VPNI não impede a
sua eventual absorção pelo subsídio e, do mesmo modo, não inviabiliza a aplicação do teto
constitucional, que inclui a vantagem de caráter pessoal no cômputo da remuneração do servidor
para observância do teto. STJ. 1ª Turma. RMS 33.744-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
em 05/04/2018 (Info 624).

Termo inicial do adicional de insalubridade Atenção! Concursos federais O termo inicial do


adicional de insalubridade a que faz jus o servidor público é a data do laudo pericial. STJ. 1ª Seção.
PUIL 413-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 11/04/2018

[Informativo 886, STF] Decisão que concede a gratificação de 13,23% viola a SV 37 A decisão
judicial que concede a servidor público a gratificação de 13,23% prevista na Lei nº 10.698/2003
afronta a súmula vinculante 37, mesmo que o julgador fundamente sua decisão no art. 37, X, da
CF/88 e no art. 6º da Lei nº 13.317/2016. Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
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legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia. STF. 1ª
Turma. Rcl 25927 AgR/SE e Rcl 24965 AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgados em 31/10/2017 (Info 884). STF. 1ª Turma. Rcl 24965 AgR/SE, rel.
orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/11/2017 (Info
886).

[Informativo 884, STF] Decisão que concede a gratificação de 13,23% viola a SV 37 A decisão
judicial que concede a servidor público a gratificação de 13,32% prevista na Lei nº 10.698/2003
afronta a súmula vinculante 37, mesmo que o julgador fundamente sua decisão no art. 37, X, da
CF/88 e no art. 6º da Lei nº 13.317/2016. STF. 1ª Turma. Rcl 25927 AgR/SE e Rcl 24965 AgR/SE,
rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 31/10/2017

[Informativo 598, STJ] URV e 11,98% O término da incorporação dos 11,98%, ou do índice obtido
em cada caso, oriundo das perdas salariais resultantes da conversão de cruzeiro real em URV, na
remuneração do servidor, deve ocorrer no momento em que a carreira passa por uma restruturação
remuneratória. STJ. 3ª Seção. EREsp 900.311-RN, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 22/2/2017

[Informativo 852, STF] Regime de subsídio e pagamento de 13º e férias a Prefeito e Vice-Prefeito
O art. 39, § 4º, da Constituição Federal não é incompatível com o pagamento de terço de férias e
décimo terceiro salário. STF. Plenário. RE 650898/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/2/2017 (repercussão geral)

[Informativo 594, STJ] Piso salarial nacional para os professores da educação básica e reflexos na
carreira e nas demais verbas recebidas por tais profissionais A Lei nº 11.738/2008, em seu art. 2º,
§ 1º, ordena que o vencimento inicial das carreiras do magistério público da educação básica deve
corresponder ao piso salarial profissional nacional, sendo vedada a fixação do vencimento básico
em valor inferior, não havendo determinação de incidência automática em toda a carreira e reflexo
imediato sobre as demais vantagens e gratificações, o que somente ocorrerá se estas determinações
estiverem previstas nas legislações locais. STJ. 1ª Seção. REsp 1.426.210-RS, Rel. Min. Gurgel de
Faria, julgado em 23/11/2016 (recurso repetitivo)

[Informativo 828, STF] A questão dos 12,23% e as súmulas vinculantes 10 e 37. O art. 1o da Lei no
10.698/2003 concedeu reajuste aos servidores públicos federais de todos os Poderes, porém em
percentuais diferentes. A diferença entre o maior e o menor reajuste foi de 13,23%.Os servidores
que receberam o menor percentual alegaram que o mencionado art. 1o representou uma revisão

50
geral anual, tendo, no entanto, violado o art. 37, X, da CF/88, considerando que foi feita com
índices diferentes, o que não é permitido por esse dispositivo constitucional. Diante disso, pediram
que fosse concedida a incorporação dos 13,23% em sua remuneração. A 1a Turma do TRF1 (órgão
fracionário do Tribunal) concedeu a incorporação pedida.Para o STF, esta decisão violou as
súmulas vinculantes 10 e 37.A 1a Turma do TRF1, mesmo sem dizer isso expressamente, fez um
controle de constitucionalidade do art. 1o da Lei no 10.698/2003 concluindo que este dispositivo
incidiu em inconstitucionalidade por omissão parcial. No entanto, como se trata de órgão
fracionário do TRF, houve violação ao art. 97 da CF/88 e da SV 10: "Viola a cláusula de reserva de
plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare
expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta a sua
incidência no todo ou em parte."Além disso, houve violação da SV 37: "Não cabe ao Poder
Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob
fundamento de isonomia. (STF. 2a Turma. Rcl 14872, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 31/5/2016)

[Informativo 579, STJ] Restituição à Administração pública de proventos depositados a servidor


público falecido. Os herdeiros devem restituir os proventos que, por erro operacional da
Administração Pública, continuaram sendo depositados em conta de servidor público após o seu
falecimento. (STJ. 2a Turma. AgRg no Resp 1.387.971-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 15/3/2016)
IMPORTANTE!

[Súmula vinculante 51, STF] O reajuste de 28,86%, concedido aos servidores militares pelas Leis
8.622/1993 e 8.627/1993, estende-se aos servidores civis do Poder Executivo, observadas as
eventuais compensações decorrentes dos reajustes diferenciados concedidos pelos mesmos
diplomas legais. (STF. Plenário. Aprovada em 17/06/2015)

[Informativo 819, STF] Revogação de lei que concedeu aumento sem que tenham se iniciado seus
efeitos financeiros. Lei estadual de 2007 fixou aumento na remuneração dos servidores públicos
estaduais. A Lei entrou em vigor na data de sua publicação, mas estabeleceu que os efeitos
financeiros desse aumento seriam contados somente a partir do primeiro dia do ano seguinte.
Ocorre que, antes que chegasse a data prevista como início do reajuste, a referida Lei foi revogada
por uma outra. O STF entendeu que esta Lei revogadora é inconstitucional por violar o direito
adquirido (art. 5o, XXXVI, da CF/88) e o princípio da irredutibilidade dos vencimentos (art. 37,
XV).A Lei que concedeu o reajuste entrou em vigor na data de sua publicação. Apenas os efeitos
financeiros é que foram postergados para o dia 1o/1/2008. No momento em que a Lei entrou em
vigor, os servidores passaram a ter direito adquirido ao reajuste, ainda que os efeitos financeiros
somente fossem em data futura. (STF. Plenário. ADI 4013/TO, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 31/3/2016)
51
[Súmula vinculante 55, STF] O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores
inativos. (STF. Plenário. Aprovada em 17/03/2016, DJe 28/03/2016)

[Informativo 809, STF] Adicional por tempo de serviço e direito adquirido. Não há garantia à
continuidade de recebimento de adicional por tempo de serviço em percentual superior àquele
previsto em legislação posterior sob o fundamento de direito adquirido. (STF. Plenário. MS 22423/RS,
rel. orig. Min. Eros Grau, red. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, j. 26/11/2015)

[Informativo 569, STJ] Fixação de limitação temporal para o recebimento de nova ajuda de custa.
A fixação de limitação temporal para o recebimento da indenização prevista no art. 51, I, da Lei
8.112/1990, por meio de normas infralegais, não ofende o princípio da legalidade. (STJ. 1a Seção. REsp
1.257.655-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 8/10/2014) (recurso repetitivo)

[Informativo 808, STF] As vantagens pessoais do servidor público também devem respeitar o teto,
mesmo que sejam anteriores à EC 41/2003. Alguns servidores continuavam tentando excluir do teto
as vantagens pessoas que haviam adquirido antes da EC 41/2003 (que implementou, na pratica, o
teto do funcionalismo). Argumentavam que a garantia da irredutibilidade de vencimentos,
modalidade qualificada de direito adquirido, impediria que as vantagens percebidas antes da
vigência da EC 41/2003 fossem por ela alcançadas. O STF acolheu este argumento? As vantagens
pessoas anteriores à EC 41/2003 estão fora do teto? NÃO. Computam-se para efeito de observância
do teto remuneratório do artigo 37, XI, da Constituição da República, também os valores percebidos
anteriormente à vigência da EC 41/2003 a titulo de vantagens pessoais pelo servidor público,
dispensada a restituição de valores eventualmente recebidos em excesso e de boa-fé até o dia
18/11/2015. (STF. Plenário. RE 606358/SP, Rel. Min. Rosa Weber, j. 18/11/2015) (repercussão geral)
IMPORTANTE!

[Súmula 560, STJ] Auxílio-reclusão previsto para servidores públicos federais (art. 229 da Lei
8.112/90). O art. 229 da Lei 8.112/90 prevê a concessão de auxílio-reclusão para os dependentes
dos servidores públicos federais que estiverem presos.Ao contrário do auxílio-reclusão do RGPS,
previsto no art. 201, IV, da CF/88, o auxílio-reclusão da Lei 8.112/90 não exige que o servidor
público preso seja enquadrado como pessoa de baixa renda. O art. 13 da EC 20/98 traz uma regra
para que o segurado seja considerado de “baixa renda” para fins de pagamento do auxílio-reclusão.
Essa regra, contudo, somente vale para servidores públicos que forem vinculados ao RGPS. Assim,
para a concessão do auxílio-reclusão da Lei 8.112/90 não se aplica aos servidores públicos
estatutários ocupantes de cargos efetivos a exigência de baixa renda prevista no art. 13 da EC 20/98.
Assim, conclui-se que o art. 13 da EC 20/98 não afeta a situação jurídica dos servidores ocupantes

52
de cargo público de provimento efetivo, mas apenas dos servidores vinculados ao RGPS, isto é,
empregados públicos, contratados temporariamente e ocupantes de cargos exclusivamente em
comissão. (STJ. 2a Turma. AgRg no REsp 1.510.425-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, j. 16/4/2015)

[Informativo 789, STF] Oficiais de justiça não têm direito à aposentadoria especial. Aposentadoria
especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do beneficiário são mais favoráveis que os
estabelecidos normalmente para as demais pessoas.A CF/88 prevê que os servidores que exerçam
atividades de risco têm direito à aposentadoria especial, segundo requisitos e condições previstas
em lei complementar (art. 40, § 4o, II, “b”). O sindicato dos Oficiais de Justiça ajuizou, no STF,
mandado de injunção coletivo alegando que os oficiais de justiça exercem atividades de risco, nos
termos do art. 40, § 4o, II, da CF/88 e que, apesar disso, até agora, não foi editada uma lei
complementar nacional prevendo aposentadoria especial para eles. Argumentou, então, que estaria
havendo omissão legislativa. O STF concordou com o pedido formulado?NÃO. Os Oficiais de
Justiça, no exercício de suas funções, até sofrem, eventualmente, exposição a situações de risco,
mas isso, por si só, não confere a eles o direito subjetivo à aposentadoria especial. Os Oficiais de
Justiça podem até, a depender do caso concreto, estar sujeitos a situações de risco, notadamente
quando no exercício de suas funções em áreas dominadas pela criminalidade, ou em locais
marcados por conflitos fundiários. No entanto, o STF entendeu que esse risco é contingente
(eventual), e não inerente ao serviço. Não se pode dizer que as funções dos Oficiais de Justiça são
perigosas (isso não está na sua essência). Elas podem ser eventualmente perigosas. Se uma
atividade é eventualmente perigosa, o legislador pode prever que os servidores que a desempenham
tenham direito à aposentadoria especial com base no art. 40, § 4o, II, da CF/88. Se o legislador não
fizer isso, não haverá omissão de sua parte porque o texto constitucional não exige. Ex: Oficiais de
Justiça. Reconhecer ou não o direito à aposentadoria especial é uma escolha da discricionariedade
legislativa. Se uma atividade é perigosa por sua própria natureza, o legislador tem o dever de prever
que os servidores que a desempenham terão direito à aposentadoria especial com base no art. 40, §
4o, II, da CF/88. Se o legislador não fizer isso, haverá omissão inconstitucional de sua parte porque
o texto da CF/88 exige. Aqui não existe discricionariedade, mas sim um dever do legislador. Ex:
carreira policial. (STF. Plenário. MI 833/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j.
11/6/2015) IMPORTANTE!

[Súmula vinculante 42, STF] É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de


servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.

[Informativo 774, STF] É inconstitucional lei estadual que fixa teto remuneratório para servidores
do Poder Judiciário. Lei do Estado da Bahia fixava um teto remuneratório exclusivo para os
53
servidores do Poder Judiciário.O STF entendeu que essa lei é inconstitucional. O teto para o
funcionalismo estadual somente pode ser fixado por meio de emenda à Constituição estadual, não
sendo permitido mediante lei estadual.Além disso, a Constituição do Estado da Bahia adotou
subteto único (§ 12o do art. 37 da CF/88) e a lei viola a sistemática escolhida porque fixou um teto
apenas para os servidores do Poder Judiciário, excluindo-o para os demais Poderes. (STF. Plenário.
ADI 4900/DF, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j. 11/2/2015)

Tema: Desligamento
[Informativo 819, STF] Praça que pediu seu desligamento das Forças Armadas pouco antes de se
tornar oficial deverá indenizar as despesas feitas pela União com a sua preparação e formação. O
art. 116, II, da Lei no 6.880/80 (Estatuto dos Militares) prevê que, se o oficial tiver menos que 5
anos de oficialato e pedir seu desligamento das Forças Armadas, ele deverá indenizar as despesas
feitas pela União com a sua preparação e formação.Se o praça, logo após completar o período de
Escola Naval, e poucos dias antes de se tornar oficial, pede o seu desligamento das Forças Armadas,
deverá pagar à União a indenização de que trata o art. 116, II, da Lei no 6.880/80 (Estatuto dos
Militares). É certo que o inciso II do art. 116 faz referência expressa ao oficialato, mas isso não
impede que se reconheça o dever do ex-militar de indenizar a União, com base no princípio que
veda o enriquecimento ilícito. Neste caso, a situação em tela evidencia que o ex-militar se utilizou
de comportamento estratégico com o objetivo de evitar o pagamento da indenização, em desrespeito
aos investimentos realizados às custas do erário. (STF. 1a Turma. RMS 27072/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j.
29/3/2016)

Tema: Previdência

Inconstitucionalidade das sanções decorrentes da negativa de expedição de CRP Ao editar o art. 7º


da Lei nº 9.717/98 e o Decreto nº 3.788/2001, a União extravasou a competência legislativa para a
edição de normas gerais sobre previdência social. A União extrapolou os limites de sua
competência legislativa na edição da Lei nº 9.717/98, ao impor sanções decorrentes da negativa de
expedição de Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). STF. 1ª Turma. ACO 3134 TP-
AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, red. p/ ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/12/2018 (Info
928).

[Informativo 919, STF] A contribuição previdenciária paga pelo servidor não deve incidir sobre
parcelas que não são incorporadas à sua aposentadoria Não incide contribuição previdenciária sobre
verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como terço de
férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade. STF. Plenário. RE

54
593068/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/10/2018 (repercussão geral)

[Informativo 618, STJ] Acordo de divisão da pensão por morte não altera a ordem legal de
beneficiários, mas autoriza desconto pela entidade de previdência O acordo de partilha de pensão
por morte, homologado judicialmente, não altera a ordem legal do pensionamento, podendo,
todavia, impor ao órgão de previdência a obrigação de depositar parcela do benefício em favor do
acordante que não figura como beneficiário perante a autarquia previdenciária. STJ. 2ª Turma. RMS
45.817-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, julgado em 26/09/2017

[Informativo 847, STF] Carteira de Previdência estadual para serventuários, notários e


registradores Na década de 70, o Estado de São Paulo criou uma Carteira de Previdência para
beneficiar serventuários, notários e registradores das serventias extrajudiciais do Estado. Vale
ressaltar que parte das receitas era oriunda de valores repassados pelos cofres públicos. Com a atual
redação da CF/88, em especial após a EC 20/98, este regime de Previdência deixou de ter suporte
na Constituição, não se identificando com nenhum dos modelos nela previstos. Esta Carteira não
pode ser considerada regime próprio (art. 40 da CF/88) porque os notários e registradores não são
servidores públicos. Também não pode ser tida como previdência privada por força da vedação
contida no art. 202, § 3º. Diante disso, foi lícita a decisão do Estado de São Paulo de extinguir esta
Carteira. Contudo, é inconstitucional os dispositivos contidos na lei prevendo que o Estado não irá
mais ser responsável pelo pagamento de qualquer benefício ou pensão decorrente desta carteira (art.
3º, caput e § 1º da Lei nº 14.507/2002). Ante o exposto, o STF decidiu: a) declarar a
inconstitucionalidade do caput e do § 1º do art. 3º da Lei nº 14.016/2010; b) conferir interpretação
conforme à Constituição ao restante do diploma impugnado, proclamando que as regras da Lei nº
14.016/2010 não se aplicam a quem, na data da publicação da lei, já estava em gozo de benefício ou
tinha cumprido, com base no regime anterior, os requisitos necessários à concessão; e c) quanto aos
que não implementaram todos os requisitos, conferir interpretação conforme para garantir-lhes a
faculdade da contagem de tempo de contribuição para efeito de aposentadoria pelo RGPS, nos
termos do art. 201, § 9º, da CF/88, ficando o Estado responsável pelas decorrências financeiras da
compensação referida. STF. Plenário. ADI 4420/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Teori Zavascki, julgado em 16/11/2016

[Informativo 781, STF] Remunerações acima do teto constitucional e base de cálculo para
incidência do IR e da contribuição previdenciária. Existem determinados servidores, especialmente
aposentados, que, por terem vantagens pessoais incorporadas em seus vencimentos (ex: quintos),
“no papel”, deveriam receber mais do que o teto. Ex: João, Desembargador aposentado, incorporou
55
diversas gratificações pessoais ao longo de sua carreira. Assim, a remuneração bruta de João é de
R$ 50 mil, mas ele só receberá, de fato, até o valor do teto, devendo ser ressaltado que a quantia que
superar o limite constitucional não lhe será paga. O valor que, no momento do pagamento, é
descontado da remuneração total do servidor por estar superando o teto constitucional é chamado de
“abate-teto”. O servidor público, antes de receber sua remuneração líquida, é obrigado a pagar
imposto de renda e contribuição previdenciária. Esse valor já é descontado na folha pela entidade
pagadora. Assim, o Tribunal de Justiça, antes de pagar a remuneração de um Desembargador, já
desconta os valores que ele deverá pagar de IR e contribuição previdenciária. As alíquotas do IR e
da contribuição previdenciária incidem sobre o valor da remuneração do servidor público. Ex: valor
do IR = 27,5% multiplicado pela remuneração do servidor. Em termos tributários, podemos dizer
que a base de cálculo do IR e da contribuição previdenciária é a remuneração do servidor. Se o
servidor tem uma remuneração “no papel” superior ao teto, o imposto de renda e a contribuição
previdenciária incidirão sobre essa remuneração total ou sobre a remuneração total menos o abate-
teto? Em outras palavras, a remuneração de João é 50 mil; ocorre que o teto do funcionalismo é 33
mil; João pagará IR e CP sobre 50 mil ou sobre 33 mil? Sobre os 33 mil. A base de cálculo para se
cobrar o IR e a contribuição previdenciária é o valor da remuneração do servidor depois de ser
excluída a quantia que exceder o teto. Como o recurso extraordinário foi julgado sob a sistemática
de repercussão geral, o STF definiu, em uma frase, a tese que será aplicada em todos os demais
casos idênticos. A tese firmada foi a seguinte: “Subtraído o montante que exceder o teto e subteto
previsto no artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, tem-se o valor que vale como base para o
Imposto de Renda e para a contribuição previdenciária”. (STF. Plenário. RE 675978/SP, Rel. Min. Cármen
Lúcia, j. 15/4/2015) (repercussão geral)

[Informativo 777, STF] Lei estadual não pode incluir os titulares de serventias extrajudiciais no
regime próprio de Previdência Social. Duas Leis estaduais incluíram no regime próprio de
Previdência Social os titulares de serventias extrajudiciais (notários e registradores). Tais leis foram
declaradas inconstitucionais. Os titulares de serventias notariais e registrais exercem atividade
estatal, entretanto não são titulares de cargo público efetivo, tampouco ocupam cargo público. Não
são servidores públicos. Logo, a eles não se aplica o regime próprio de Previdência Social previsto
para os servidores públicos (art. 40 da CF/88). Desse modo, a lei estadual não poderia tê-los
incluído no regime próprio de previdência social. As leis estaduais acima desviaram-se do modelo
previsto na CF/88 e usurparam a competência da União para legislar sobre o tema. (STF. Plenário. ADI
4639/GO e ADI 4641/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 11/3/2015)

[Informativo 776, STF] Lei estadual não pode conceder isenção de contribuição previdenciária
para todos os servidores aposentados e pensionistas que tiverem doença incapacitante. O Estado-

56
membro pode tratar sobre o regime próprio de previdência social de seus servidores por meio de lei,
não sendo necessário que tal regulamentação seja feita na Constituição estadual.As normas
estaduais, contudo, deverão observar as regras da CF/88, em especial aquelas previstas no art. 40.
Determinada lei estadual previu que os servidores públicos aposentados e pensionistas que fossem
portadores de doenças incapacitantes não iriam pagar contribuição previdenciária (seriam isentos).
O STF afirmou que essa regra estadual está em confronto com o § 21 do art. 40 da CF/88,
considerando que a Carta Federal previu que os servidores públicos aposentados e pensionistas que
sejam portadores de doenças incapacitantes devem pagar contribuição previdenciária se o valor dos
proventos por eles recebidos superar o dobro do teto do RGPS (dobro do maior valor de
aposentadoria do INSS). Assim, a norma da lei estadual deve receber interpretação conforme para
que respeite essa previsão do art. 40, §21 da CF/88. (STF. Plenário. ADI 3477/RN, rel. orig. Min. Cezar
Peluso, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, j. 4/3/2015)

Tema: Requisição
[Informativo 575, STJ] Inexistência de obrigatoriedade de a Administração Pública atender a
requisição de servidores formulada pela DPU. O art. 4º da Lei nº 9.020/95 estabeleceu o seguinte:
Art. 4º O Defensor Público-Geral da União poderá requisitar servidores de órgãos e entidades da
Administração Federal, assegurados ao requisitado todos os direitos e vantagens a que faz jus no
órgão de origem, inclusive promoção. Parágrafo único. A requisição de que trata este artigo é
irrecusável e cessará até noventa dias após a constituição do Quadro Permanente de Pessoal de
apoio da Defensoria Pública da União. Esta obrigatoriedade trazida pelo dispositivo acima já se
encerrou. A Administração Pública Federal não está mais obrigada a atender toda e qualquer
requisição de servidor público efetuada pelo Defensor Público-Geral da União na forma do art. 4º
da Lei nº 9.020/95. (STJ. 1a Seção. MS 17.500-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 9/12/2015)

Tema: Concurso público

Não é ilegal a terceirização de serviços jurídicos pela Caixa Econômica Federal Importante!!! A
Caixa Econômica Federal, embora vinculada como empresa pública ao Estado, executa uma
atividade econômica em ambiente de concorrência. A terceirização pela Caixa Econômica Federal
dos serviços jurídicos não se revela ilegal, considerando que esses serviços não estão relacionados
com a atividade-fim da empresa. STJ. 2ª Turma. REsp 1.318.740-PR, Rel. Min. Herman Benjamin,
Rel. Acd. Min. Og Fernandes, julgado em 16/10/2018 (Info 659).

No MP/SP existia a figura do estágio em prorrogação, ou seja, um estágio exercido por bacharéis
em Direito; aqueles que exerceram esse estágio podem computar esse tempo como atividade
57
jurídica para fins de pontuação em concurso público A atividade denominada estágio em
prorrogação do Ministério Público do Estado de São Paulo deve ser considerada privativa de
bacharel em Direito para fins de atribuição de pontos pelo exercício de atividade jurídica na prova
de títulos em concurso público. STJ. 1ª Turma. RMS 54.554-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado
em 01/10/2019 (Info 658).

Não se anula prova prática de taquígrafo pelo simples fato de o edital prever que o ditado seria feito
com velocidade crescente e, no dia do teste, o ditado ter sido feito de forma decrescente Em
concurso para taquígrafo, não se anula prova prática de registro taquigráfico pelo simples fato de o
edital prever que o ditado seria feito com velocidade variável e crescente e, no dia do teste, o ditado
ter sido realizado de forma decrescente. Não se evidencia que isso, em princípio, gere quebra de
isonomia entre os candidatos, além de não haver prejuízo, aplicando-se o princípio pas de nullité
sans grief. STF. 2ª Turma. RMS 36305/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17/9/2019 (Info
952).

A candidata que está amamentando (lactante) na época do curso de formação para o cargo de agente
penitenciário tem direito de fazer o curso em um período posterior Importante!!! É constitucional a
remarcação de curso de formação para o cargo de agente penitenciário feminino de candidata que
esteja lactante à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do
concurso público. STJ. 1ª Turma. RMS 52.622-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
26/03/2019 (Info 645).

É inconstitucional dispositivo legal que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no


concurso tomar posse e entrar em exercício, de imediato, na classe final da carreira É
inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso público
ingressar imediatamente no último padrão da classe mais elevada da carreira. Essa disposição
afronta os princípios da igualdade e da impessoalidade, os quais regem o concurso público. Por essa
razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei nº 8.691/93. STF. Plenário.
ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/2/2019 (Info 932).

A candidata que esteja gestante no dia do teste físico possui o direito de fazer a prova em uma nova
data no futuro Importante!!! Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos testes físicos
em concursos públicos? REGRA: NÃO. Os candidatos em concurso público NÃO têm direito à
prova de segunda chamada nos testes de aptidão física em razão de circunstâncias pessoais, ainda
que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo se houver previsão no edital permitindo essa

58
possibilidade. STF. Plenário. RE 630733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2013
(repercussão geral) (Info 706). EXCEÇÃO: as candidatas gestantes possuem. É constitucional a
remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua realização,
independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE
1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral) (Info 924).
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-924-STF.pdf

[Informativo 630, STJ] Surgimento de novas vagas + necessidade do provimento + inexistência de


restrição orçamentária = direito subjetivo à nomeação O candidato aprovado em concurso público
fora do número de vagas tem direito subjetivo à nomeação caso surjam novas vagas durante o prazo
de validade do certame, haja manifestação inequívoca da administração sobre a necessidade de seu
provimento e não tenha restrição orçamentária. STJ. 1ª Seção. MS 22.813-DF, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 13/06/2018

[Informativo 911, STF] Não se pode cassar a aposentadoria do servidor que ingressou no serviço
público por força de provimento judicial precário e se aposentou durante o processo, antes da
decisão ser reformada Em regra, não produzem fato consumado a posse e o exercício em cargo
público decorrentes de decisão judicial tomada à base de cognição não-exauriente. Em outras
palavras, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram o cargo público
por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. Trata-se do entendimento firmado
no RE 608482/RN (Tema 476). A situação é diferente, contudo, se a pessoa, após permanecer
vários anos no cargo, conseguiu a concessão de aposentadoria. Neste caso, em razão do elevado
grau de estabilidade da situação jurídica, o princípio da proteção da confiança legítima incide com
maior intensidade. Trata-se de uma excepcionalidade que autoriza a distinção (distinguish) quanto
ao leading case do RE 608482/RN (Tema 476). STF. 1ª Turma. RE 740029 AgR/DF, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 14/8/2018 (Info 911). Quando o exercício do cargo foi amparado
por decisões judiciais precárias e o servidor se aposentou, antes do julgamento final do mandado de
segurança, por tempo de contribuição durante esse exercício e após legítima contribuição ao
sistema, a denegação posterior da segurança que inicialmente permitira ao servidor prosseguir no
certame não pode ocasionar a cassação da aposentadoria. STJ. 1ª Seção. MS 20.558-DF, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 (Info 600).

[Informativo 617, STJ] A nomeação tardia de candidato aprovado em concurso não gera direito à
indenização, ainda que a demora tenha origem em erro reconhecido pela própria Administração
Pública Importante!!! O STF, em sede de repercussão geral, fixou a seguinte tese: Na hipótese de
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posse em cargo público determinada por decisão judicial, o servidor não faz jus à indenização, sob
fundamento de que deveria ter sido investido em momento anterior, salvo situação de arbitrariedade
flagrante. STF. Plenário. RE 724347/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, julgado em 26/2/2015 (repercussão geral) (Info 775). Esse entendimento do STF
aplica-se mesmo que o erro tenha sido reconhecido administrativamente pelo Poder Público (e não
por decisão judicial). Assim, a nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público não
gera direito à indenização, ainda que a demora tenha origem em erro reconhecido pela própria
Administração Pública. STJ. 1ª Turma. REsp 1.238.344-MG, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em
30/11/2017

[Informativo 612, STJ] O candidato aprovado fora do número de vagas, mas que fique dentro do
número de vagas em virtude da desistência de alguém melhor colocado, passa a ter direito
subjetivo de ser nomeado Importante!!! A desistência de candidatos melhor classificados em
concurso público convola a mera expectativa em direito líquido e certo, garantindo a nomeação dos
candidatos que passarem a constar dentro do número de vagas previstas no edital. STJ. 1ª Turma.
RMS 53.506-DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 26/09/2017 (Info 612). STJ. 2ª
Turma. RMS 52.251/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05/09/2017. STF. 1ª
Turma. ARE 1058317 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 01/12/2017.

[Informativo 608, STJ] É válida a alteração na ordem de aplicação das provas do teste físico desde
que anunciada com antecedência A simples alteração na ordem de aplicação das provas de teste
físico em concurso público, desde que anunciada com antecedência e aplicada igualmente a todos,
não viola direito líquido e certo dos candidatos inscritos. Ex: o edital inicial dizia que, no dia da
prova de esforço físico, o teste de equilíbrio seria o primeiro e a corrida o último; depois foi
publicado um novo edital alterando a ordem. STJ. 1ª Turma. RMS 36.064-MT, Rel. Min. Sérgio
Kukina, julgado em 13/6/2017

[Informativo 603, STJ] O grave erro no enunciado – reconhecido pela própria banca examinadora
– constitui flagrante ilegalidade apta a ensejar a nulidade da questão Importante!!! O STF, em
recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, firmou a seguinte tese: "Não compete ao
Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas
dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas" (RE 632.853). Do voto condutor do mencionado
acórdão, percebe-se que a tese nele constante buscou esclarecer que o Poder Judiciário não pode
avaliar as respostas dadas pelo candidato e as notas a eles atribuídas se for necessário apreciar o
conteúdo das questões ou os critérios utilizados na correção, exceto se flagrante a ilegalidade. Ao

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analisar uma prova para o cargo de assessor do MPRS, o STJ decidiu anular uma das questões
discursivas pelo fato de que ela possuía um grave erro no enunciado, o que prejudicou o candidato
na elaboração de sua resposta. No enunciado da questão constou a expressão “permissão de saída”,
mas na verdade o examinador queria saber sobre a “saída temporária”, tanto que a resposta padrão
do gabarito envolvia este segundo instituto. Houve, portanto, uma troca dos conceitos. A própria
comissão examinadora reconheceu que houve o erro no enunciado, mas afirmou que isso não
atrapalhou os candidatos e, por isso, manteve as notas. O STJ, contudo, não concordou com isso e
anulou a questão. Se a própria banca examinadora reconhece o erro na formulação da questão, não
se pode fechar os olhos para tal constatação ao simplório argumento de que referido erro não
influiria na análise do enunciado pelo candidato. Vale ressaltar que o STJ afirmou que esta anulação
não contraria o que decidiu o STF no julgamento do RE 632.853 por duas razões: 1) o candidato
não está buscando que o Poder Judiciário reexamine o conteúdo da questão ou o critério de correção
para decidir se a resposta dada por ele está ou não correta. Em outras palavras, não se quer que
recorrija a prova. O que o impetrante pretende é que seja reconhecido que o enunciado da questão
apresenta um erro grave insuperável. 2) o STF decidiu que, em regra, não é possível a anulação de
questões de concurso, salvo se houver ilegalidade a permitir a atuação do Poder Judiciário. Em
outras palavras, existe uma “exceção” à tese fixada no RE 632.853. E, no presente caso, estamos
diante de uma flagrante ilegalidade da banca examinadora. STJ. 2ª Turma. RMS 49.896-RS, Rel.
Min. Og Fernandes, julgado em 20/4/2017

[Informativo 603, STJ] O espelho de prova, com a motivação da avaliação do candidato, deve ser
apresentado antes ou durante a divulgação do resultado, sob pena de nulidade Importante!!! A
banca examinadora do certame, por ocasião da divulgação dos resultados das provas, deve
demonstrar, de forma clara e transparente, que os critérios de avaliação previstos no edital foram
devidamente considerados, sob pena de nulidade da avaliação. As informações constantes dos
espelhos de provas subjetivas representam a motivação do ato administrativo, consistente na
atribuição de nota ao candidato. Essa motivação deve ser apresentada anteriormente ou
concomitante à prática do ato administrativo, pois caso se permita a motivação posterior, isso pode
dar ensejo para que se fabriquem, forjem ou criem motivações. Não é legítima a conduta da banca
examinadora de divulgar o espelho de provas com a motivação das notas após ser contestada na via
judicial ou administrativa. Destaque-se também que não há fundamentação válida se a banca apenas
divulga critérios muito subjetivos e a nota global dos candidatos, desacompanhados do padrão de
resposta e das notas atribuídas para cada um dos critérios adotados. STJ. 2ª Turma. RMS 49.896-
RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/4/2017

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[Informativo 868, STF] Constitucionalidade do sistema de cotas raciais em concursos públicos
Além da autodeclaração, é possível que a Administração Pública adote critérios de
heteroidentificação para analisar se o candidato se enquadra nos parâmetros da cota
Importante!!! Constitucionalidade do sistema de cotas raciais em concursos públicos A Lei nº
12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos realizados
no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas
públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. O STF declarou que essa Lei
é constitucional e fixou a seguinte tese de julgamento: "É constitucional a reserva de 20% das vagas
oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no
âmbito da administração pública direta e indireta.” Além da autodeclaração, é possível que a
Administração Pública adote critérios de heteroidentificação para analisar se o candidato se
enquadra nos parâmetros da cota A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das
vagas em concursos públicos da administração pública federal, direta e indireta. Segundo o art. 2º
da Lei, poderão concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem
pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado
pelo IBGE. Trata-se do chamado critério da autodeclaração. O STF afirmou que este critério é
constitucional. Entretanto, é possível também que a Administração Pública adote um controle
heterônomo, sobretudo quando existirem fundadas razões para acreditar que houve abuso na
autodeclaração. Assim, é legítima a utilização de critérios subsidiários de heteroidentificação dos
candidatos que se declararam pretos ou pardos. A finalidade é combater condutas fraudulentas e
garantir que os objetivos da política de cotas sejam efetivamente alcançados. Vale ressaltar que tais
critérios deverão respeitar a dignidade da pessoa humana e assegurar o contraditório e a ampla
defesa. Exemplos desse controle heterônomo: exigência de autodeclaração presencial perante a
comissão do concurso; exigência de apresentação de fotos pelos candidatos; formação de comissões
com composição plural para entrevista dos candidatos em momento posterior à autodeclaração.
Essa conclusão do STF foi resumida na seguinte tese de julgamento: "É legítima a utilização, além
da autodeclaração, de critérios subsidiários de heteroidentificação, desde que respeitada a dignidade
da pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa". STF. Plenário. ADC 41/DF, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017

[Informativo 868, STF] A nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não
gera direito à promoção retroativa Importante!!! A nomeação tardia de candidatos aprovados em
concurso público, por meio de ato judicial, à qual atribuída eficácia retroativa, não gera direito às
promoções ou progressões funcionais que alcançariam se houvesse ocorrido, a tempo e modo, a

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nomeação. STF. Plenário. RE 629392 RG/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/6/2017
(repercussão geral)

[Informativo 600, STJ] Ação questionando critérios do psicotécnico previstos no edital deve ser
proposta contra a entidade que promoveu o concurso (e não contra a instituição contratada)
Importante!!! Em ação ordinária na qual se discute a eliminação de candidato em concurso público
– em razão da subjetividade dos critérios de avaliação de exame psicotécnico previstos no edital – a
legitimidade passiva será da entidade responsável pela elaboração do certame. Ex: o Estado do ES
abriu concurso para agente penitenciário. O CESPE foi contratado para realizar as provas. João
inscreveu-se no certame e foi aprovado nas provas teóricas, tendo sido, contudo, reprovado no
exame psicotécnico. Diante disso, João quer ajuizar ação ordinária questionando os critérios de
avaliação do exame psicotécnico previstos no edital sob o argumento de que eles eram subjetivos.
Essa ação terá que ser proposta contra o Estado do ES (e não contra o CESPE). STJ. 1ª Turma.
REsp 1.425.594-ES, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 7/3/2017

[Informativo 841, STF] Inconstitucionalidade de permuta de serventia sem concurso público após a
CF/88 O art. 236, § 3º, da CF é uma norma constitucional autoaplicável. Logo, mesmo antes da
edição da Lei nº 8.935/94, ela já tinha plena eficácia e o concurso público era obrigatório como
condição não apenas para ingresso na atividade notarial e de registro, como também nos casos de
remoção ou permuta. As normas estaduais que admitem a remoção na atividade notarial e de
registro independentemente de prévio concurso público são incompatíveis com o art. 236, § 3º, da
Constituição, razão pela qual não foram por essa recepcionadas. O prazo decadencial de 5 anos, de
que trata o art. 54 da Lei nº 9.784/99, não se aplica à revisão de atos de delegação de serventias
extrajudiciais editados após a CF/88, sem o atendimento das exigências prescritas no seu art. 236.
Assim, se uma pessoa assumiu uma serventia notarial ou registral sem concurso público após a
CF/88, este ato poderá ser anulado mesmo que já se tenham passado mais de 5 anos. A decisão que
anula o ato de investidura em serventia notarial e registral sem concurso público não viola o direito
adquirido nem a segurança jurídica. STF. 1ª Turma. MS 29415/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 27/09/2016

[Informativo 835, STF] Restrição a candidatos com tatuagem. Editais de concurso público não
podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo situações excepcionais em razão de
conteúdo que viole valores constitucionais. (STF. Plenário. RE 898450/SP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 17/8/2016)
(repercussão geral)

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[Informativo 834, STF] Surgimento de vaga durante o período de validade do concurso e abertura
de novo certame logo depois do primeiro concurso expirar. Determinado candidato foi aprovado
fora do número de vagas. Todos os aprovados dentro do número de vagas foram nomeados e
empossados. Durante o prazo de validade do concurso, um servidor se aposentou, mas não houve
autorização do Ministério do Planejamento para que o órgão federal fizesse o provimento desta
vaga. Um mês após o fim do prazo de validade do concurso, a Administração Pública abriu novo
concurso para este cargo. O STF entendeu que este candidato não possui direito líquido e certo à
nomeação porque: foi aprovado fora do número de vagas previsto no edital; e o prazo de validade
do concurso em que ele foi aprovado expirou antes da abertura do novo certame; realmente surgiu
uma vaga decorrente da aposentadoria, mas não houve manifestação do órgão competente se havia
disponibilidade orçamentária para que este cargo fosse imediatamente provido. O mero surgimento
de vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo não gera direito subjetivo à nomeação
do candidato aprovado fora do número de vagas, cabendo a ele demonstrar, de forma inequívoca,
que houve preterição arbitrária e imotivada por parte da administração pública. No caso concreto, o
STF entendeu que isso não ficou comprovado. Assim, para o Tribunal, a situação não se enquadra
nas hipóteses previstas no RE 837311/PI. (STF. 1a Turma. RMS 31478/DF, red. p/ o acórdão Min. Edson
Fachin, j. 9/8/2016 )

[Informativo 576, STJ] Formação exigida em edital de concurso ao cargo de perito datiloscopista
de polícia civil estadual. É legal a clausula de edital que prescreva que as atividades do cargo de
perito datiloscopista são de nível médio, desde que, à época da publicação do edital do concurso
para o referido cargo, haja previsão legislativa estadual nesse sentido. (STJ. 1a Turma. AgRg no RMS
32.892-RO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 17/12/2015)

[Informativo 576, STJ] Posse em cargo público por menor de idade. Ainda que o requisito da idade
mínima de 18 anos conste em lei e no edital de concurso público, é possível que o candidato menor
de idade aprovado no concurso tome posse no cargo de auxiliar de biblioteca no caso em que ele,
possuindo 17 anos e 10 meses na data de sua posse, já havia sido emancipado voluntariamente por
seus pais há 4 meses. (STJ. 2a Turma. REsp 1.462.659-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 1o/12/2015)

[Informativo 567, STJ] Aprovado fora do número de vagas e desistência dos que estavam na sua
frente. Situação 1: o candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital de concurso
público tem direito subjetivo à nomeação quando o candidato imediatamente anterior na ordem de
classificação, aprovado dentro do número de vagas, for convocado e manifestar desistência. Ex:
eram 10 vagas e João passou em 11o lugar; ocorre que o 10o colocado foi convocado e desistiu de
assumir; João tem direito subjetivo de ser nomeado. Em suma, tem direito subjetivo à nomeação o

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candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital, mas que passe a figurar entre as
vagas em decorrência da desistência de candidatos classificados em colocação superior.
Situação 2: o candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital de concurso público
tem direito subjetivo à nomeação quando o candidato imediatamente anterior na ordem de
classificação, embora aprovado fora do número de vagas, for convocado para vaga surgida
posteriormente e manifestar desistência. Ex: João fez um concurso público para o cargo de
Procurador do Estado, cujo edital previa 10 vagas, tendo sido aprovado e, na classificação final,
ficou em 12o lugar. Os 10 candidatos aprovados nas primeiras posições foram nomeados e
empossados. Um ano depois, é aprovada uma lei criando uma nova vaga para o cargo de Procurador
do Estado. Pedro, o candidato aprovado em 11o lugar no concurso, foi convocado para tomar posse
no cargo, mas, por ter outros interesses, acabou desistindo de assumir. (STJ. 1a Turma. AgRg no ROMS
48.266-TO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18/8/2015) (STJ. 1a Turma. AgRg noRMS 41.031-PR, Rel.
Min. Benedito Gonçalves, j. 18/8/2015)

[Informativo 811, STF] Surgimento de novas vagas e discussão sobre direito subjetivo à nomeação.
O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo, durante o prazo
de validade do certame anterior, não gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos
aprovados fora das vagas previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e
imotivada por parte da administração, caracterizada por comportamento tácito ou expresso do Poder
Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de
validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. Assim, o direito subjetivo à
nomeação do candidato aprovado em concurso público exsurge nas seguintes hipóteses: a) quando a
aprovação ocorrer dentro do número de vagas dentro do edital;b) quando houver preterição na
nomeação por não observância da ordem de classificação; ec) quando surgirem novas vagas, ou for
aberto novo concurso durante a validade do certame anterior, e ocorrer a preterição de candidatos de
forma arbitrária e imotivada por parte da administração nos termos acima.( STF. Plenário. RE 837311/PI,
Rel. Min. Luiz Fux, j. 09/12/2015) (repercussão geral) IMPORTANTE!

[Informativo 808, STF] Teoria do fato consumado: inaplicabilidade em concurso público. O


candidato que toma posse em concurso público por força de decisão judicial precária assume o risco
de posterior reforma desse julgado que, em razão do efeito ex tunc, inviabiliza a aplicação da teoria
do fato consumado em tais hipóteses. A posse ou o exercício em cargo público por força de decisão
judicial de caráter provisório não implica a manutenção, em definitivo, do candidato que não atende
a exigência de prévia aprovação em concurso público (art. 37, II, da CF/88), valor constitucional
que prepondera sobre o interesse individual do candidato, que não pode invocar, na hipótese, o

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principio da proteção da confiança legitima, pois conhece a precariedade da medida judicial. Em
suma, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram o cargo público por
força de decisão judicial provisória posteriormente revista. (STF. 1a Turma. RMS 31538/DS, rel. orig. Min.
Luiz Fuxa, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, j. 17/11/2015). Confirmação do Informativo 753, STF
IMPORTANTE!

[Informativo 753, STF] Teoria do fato consumado inaplicabilidade para candidatos aprovados em
concurso público por força de decisão judicial precária. A posse ou o exercício em cargo público
por força de decisão judicial de caráter provisório não implica a manutenção, em definitivo, do
candidato que não atende a exigência de previa aprovação em concurso público (art. 37, II, CF),
valor constitucional que prepondera sobre o interesse individual do candidato, que não pode
invocar, na hipótese, o principio da proteção da confiança legitima, pois conhece a precariedade da
medida judicial. Em suma, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram
o cargo público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. (STF. Plenário. RE
608482/RN, REl. Min. Teori Zavascki, j. 7/8/2014) (repercussão geral) IMPORTANTE!

[Súmula 552, STJ] O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com deficiência
para o fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos. (STJ. Aprovada em 04/11/2015)

[Informativo 800, STF] É inconstitucional lei estadual que transforma cargo de Comissário de
Polícia em Delegado de Polícia. Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e
organizando a Polícia Civil de determinado Estado. Nesta Lei foi previsto que, na estrutura da
Polícia Civil, haveria cargos de Delegado de Polícia e de Comissário de Polícia. Ainda em 2001, foi
realizado um concurso público, com provas específicas para cada um desses cargos, e os aprovados
nomeados e empossados. Contudo, em 2004, houve duas leis modificando o cargo de Comissário de
Polícia. • a primeira delas afirmou que Comissário de Polícia seria autoridade policial, juntamente
com o Delegado de Polícia, equiparando a remuneração dos dois cargos. • a segunda lei,
transformando o cargo de "Comissário de Polícia" em "Delegado de Polícia". Essas duas leis foram
impugnadas por meio de ADI e o STF decidiu que elas são INCONSTITUCIONAIS porque
representaram burla à exigência do concurso público.As referidas leis fizeram uma espécie de
ASCENSÃO FUNCIONAL dos Comissários de Polícia porque transformaram os ocupantes desses
cargos em Delegados de Polícia sem que eles tivessem feito concurso público para tanto. No caso
concreto, os Ministros entenderam que, quando o cargo de Comissário de Polícia foi criado, ele
possuía diferenças substanciais em relação ao de Delegado de Polícia, o que impediria a
transformação mesmo sob o argumento de ser medida de racionalização administrativa. (STF.
Plenário. ADI 3415/AM, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 24/9/2015)

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[Informativo 791, STJ] Momento para comprovação do limite de idade. O limite de idade, quando
regularmente fixado em lei e no edital de determinado concurso público, há de ser comprovado no
momento da inscrição no certame. (STF. 1a Turma. ARE 840.592/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 23/6/2015)

[Informativo 782, STF] Controle de questões de concurso pelo Poder Judiciário. É possível que o
Poder Judiciário anule questão objetiva de concurso público que foi elaborada de maneira
equivocada? É possível que seja alterada a pontuação dada ao candidato na questão sob o
argumento de que a correção feita pela banca foi inadequada? Regra: NÃO. Os critérios adotados
por banca examinadora de concurso público não podem ser revistos pelo Poder Judiciário. Não é
possível controle jurisdicional sobre o ato administrativo que corrige questões de concurso público.
Não compete ao Poder Judiciário substituir a banca examinadora para reexaminar o conteúdo das
questões e os critérios de correção utilizados. Exceção: apenas em casos de flagrante ilegalidade ou
inconstitucionalidade, a Justiça poderá ingressar no mérito administrativo para rever critérios de
correção e de avaliação impostos pela banca examinadora. (STF. Plenário. RE 632853/CE, Rel. Min.
Gilmar Mendes, j. 23/4/2015) (repercussão geral)

[Informativo 780, STF] É inconstitucional lei estadual que cria Serviço de Interesse Militar
Voluntário Estadual. O Estado de Goiás editou uma lei criando algo que ele chamou de Serviço de
Interesse Militar Voluntário Estadual (SIMVE). Esse SIMVE funcionaria, em linhas gerais, da
seguinte forma: as pessoas poderiam se alistar para trabalhar “voluntariamente” como soldado na
Polícia Militar ou no Corpo de Bombeiros Militar. Haveria uma espécie de seleção (menos rigorosa
que um concurso público) e, se a pessoa fosse escolhida, ela receberia, como contraprestação pelo
trabalho desempenhado, um subsídio e atuaria como se fosse um soldado. Esse contrato seria por
um prazo determinado. O STF entendeu que esse SIMVE é formal e materialmente
inconstitucional. O SIMVE viola a regra do concurso público (art. 37, II, da CF/88). Além disso, o
STF afirmou ainda que a Lei estadual possui um vício formal, já que trata sobre prestação
voluntária de serviços na PM e Corpo de Bombeiros de forma diametralmente oposta ao que diz a
Lei federal 10.029/2000. (STF. Plenário. ADI 5163/GO, rel. Min. Luiz Fux, j. 26/3/2015)

[Súmula vinculante 44, STF] Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de
candidato a cargo público. (STF. Plenário. Aprovada em 08/04/2015)

[Súmula vinculante 43, STF] É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao
servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em
cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido. (STF. Aprovada em 08/04/2015)

[Informativo 779, STF] Constitucionalidade de art. 19-A da Lei 8.036/90. É nula a contratação de
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pessoal pela Administração Pública sem a observância de prévia aprovação em concurso público,
razão pela qual não gera quaisquer efeitos jurídicos válidos em relação aos empregados
eventualmente contratados, ressalvados os direitos à percepção dos salários referentes ao período
trabalhado e, nos termos do art. 19-A da Lei 8.036/90, ao levantamento dos depósitos efetuados no
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS. Neste julgado, o STF declarou que o art. 19-A
da Lei 8.036/90 é CONSTITUCIONAL. (STF. Plenário. ADI 3127/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 26/3/2015)

[Informativo 778, STF] Questão da prova objetiva que exige do candidato saber quantas
afirmações estão corretas. Determinada candidata impetrou mandado de segurança questionando
três questões da prova objetiva do concurso para Procurador da República. As questões impugnadas
foram formuladas da seguinte forma: eram apresentadas quatro afirmações; após essas assertivas,
existiam quatro alternativas; a letra “A” dizia: “apenas uma está correta”; letra “B”: “duas estão
corretas”; letra “C”: “três estão corretas”; letra “D”: “todas estão corretas”. Segundo a autora, essa
forma de questão objetiva estaria em desacordo com as Resoluções do CNMP e do CNJ sobre
concursos públicos.O STF concordou com a tese da impetrante? Essa forma de questão objetiva
violou a resolução do CNMP? NÃO. Apesar de as referidas questões apresentarem realmente uma
estrutura objetiva diversa das demais perguntas normalmente feitas em prova objetiva, isso não
significa qualquer nulidade, sendo apenas uma forma de dificultar o nível da prova igualmente a
todos os candidatos e condizente com o objetivo de um concurso destinado a medir conhecimentos
de vários tipos, ou seja, não só jurídicos, mas também lógicos e gramaticais. Ademais, entendeu-se
que não se poderia invocar a Resolução 57/2009 do CNJ porque, embora o CNJ e o CNMP
possuam estruturas semelhantes e mesma origem constitucional, são órgãos autônomos, de forma
que o CNMP disciplinou o tema na forma que entendeu melhor e não vedou esse tipo de questão.
(STF. 1a Turma. MS 31323 AgR/DF, Rel. Min. Rosa Weber, j. 17/3/2015)

[Informativo 777, STF] Critério de desempate em concursos de remoção de serventias notariais e


registrais. A lei estadual do Estado “X” prevê que, em caso de empate entre os candidatos em
concurso de remoção para serventias notariais e registrais, o primeiro critério de desempate é o
maior tempo de serviço público. Ocorre que a Lei Federal 10.741/2003 (Estatuto do Idoso)
determina que o primeiro critério de desempate em concurso público será a idade, dando-se
preferência ao de idade mais elevada (art. 27, parágrafo único). Qual das duas legislações deverá
prevalecer no caso?A legislação estadual. O Estatuto do Idoso, por ser lei geral, não se aplica como
critério de desempate, no concurso público de remoção para outorga de delegação notarial e de
registro, quando existir lei estadual específica que regule o certame e traga regras aplicáveis em
caso de empate. Desse modo, em nosso exemplo, a vaga deve ficar com o candidato que tiver maior
tempo de serviço público (e não necessariamente com o mais idoso). (STF. 1a Turma. MS 33046/PR, Rel.

68
Min. Luiz Fux, j. 10/3/2015) IMPORTANTE!

[Informativo 775, STF] Posse em cargo público por determinação judicial e dever de indenizar.
O candidato que teve postergada a assunção em cargo por conta de ato ilegal da Administração tem
direito a receber a remuneração retroativa? Regra: NÃO. Não cabe indenização a servidor
empossado por decisão judicial sob o argumento de que houve demora na nomeação. Dito de outro
modo, a nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não gera direito à
indenização.Exceção: será devida indenização se ficar demonstrado, no caso concreto, que o
servidor não foi nomeado logo por conta de uma situação de arbitrariedade flagrante. Nas exatas
palavras do STF: “Na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o
servidor não faz jus à indenização, sob fundamento de que deveria ter sido investido em momento
anterior, salvo situação de arbitrariedade flagrante.” (STF. Plenário. RE 724347/DF, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, j. 26/2/2015) (repercussão geral) IMPORTANTE!

Tema: Servidores temporários

[Informativo 868, STF] É constitucional a quarentena para recontratação de servidores


temporários prevista no art. 9º, III, da Lei 8.745/93 No âmbito da administração pública federal, é
vedada a contratação temporária do mesmo servidor antes de decorridos 24 meses do encerramento
do contrato anterior. Tal regra está prevista no art. 9º, III, da Lei nº 8.745/93: Art. 9º O pessoal
contratado nos termos desta Lei não poderá: III - ser novamente contratado, com fundamento nesta
Lei, antes de decorridos 24 (vinte e quatro) meses do encerramento de seu contrato anterior, salvo
nas hipóteses dos incisos I e IX do art. 2º desta Lei, mediante prévia autorização, conforme
determina o art. 5º desta Lei. O STF, ao analisar um caso concreto envolvendo a contratação
temporária de professores, decidiu que essa regra é constitucional e fixou a seguinte tese: “É
compatível com a Constituição Federal a previsão legal que exija o transcurso de 24 (vinte e quatro)
meses, contados do término do contrato, antes de nova admissão de professor temporário
anteriormente contratado.” STF. Plenário. RE 635648/CE, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
14/6/2017 (repercussão geral)

[Informativo 858, STF] Lei de contratação temporária não pode prever hipóteses genéricas nem a
prorrogação indefinida dos contratos São inconstitucionais, por violarem o art. 37, IX, da CF/88, a
autorização legislativa genérica para contratação temporária e a permissão de prorrogação
indefinida do prazo de contratações temporárias. STF. Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 23/3/2017

69
[Informativo 829, STF] Lei que prevê hipóteses genéricas de contratação temporária é
inconstitucional. Lei que autoriza contratação temporária para projetos educacionais ordinários é
inconstitucional. A LC 22/2000, do Estado do Ceará, autoriza a contratação de professores, por
tempo determinado, para atender necessidade temporária de excepcional interesse público nas
escolas estaduais. O art. 3o da referida Lei prevê diversas hipóteses nas quais é possível a referida
contratação. O STF afirmou que, em tese, é possível a contratação temporária por excepcional
interesse público (art. 37, IX, da CF/88) mesmo para atividades permanentes da Administração
(como é o caso de professores). No entanto, o legislador tem o ônus de especificar, em cada
circunstância, os traços de emergencialidade que a justificam. As alíneas "a, b, c, d, e" preveem a
contratação temporária caso o titular se afaste para gozar de licenças ou para fazer cursos de
capacitação. O STF reputou que tais hipóteses são constitucionais já que elas descrevem situações
que são alheias ao controle da Administração Pública, ou seja, hipóteses que estão fora do controle
do Poder Público e que, se este não tomasse nenhuma atitude, poderia resultar em desaparelhamento
transitório do corpo docente. Logo, para tais situações está demonstrada a emergencialidade. A
alínea "f" previa que poderia haver a contratação temporária para suprir "outros afastamentos que
repercutam em carência de natureza temporária". O STF entendeu que esta situação é extremamente
genérica, de forma que não cumpre o art. 37, IX, da CF/88. O parágrafo único do art. 3 o autoriza a
contratação temporária para que a Administração Pública pudesse implementar "projetos
educacionais, com vista à erradicação do analfabetismo, correção do fluxo escolar e qualificação da
população cearense". O STF entendeu que esta previsão também é inconstitucional porque estes são
objetivos corriqueiros (normais, ordinários) da política educacional. Desse modo, esse tipo de ação
não pode ser implementado por meio de contratos episódicos (temporários), já que não constitui
contingência especial a ser atendida. (STF. Plenário. ADI 3721/CE, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 9/6/2016)

[Informativo 807, STF] Competência da Justiça comum. A justiça comum é competente para
processar e julgar causas em que se discuta a validade de vínculo jurídico-administrativo entre o
poder público e servidores temporários. Dito de outra forma: a Justiça competente para julgar
litígios envolvendo servidores temporários (art. 37, IX, da CF/88) e a Administração Pública é a
JUSTIÇA COMUM (estadual ou federal).A competência NÃO é da Justiça do Trabalho, ainda que
o autor da ação alegue que houve desvirtuamento do vínculo e mesmo que ele formule os seus
pedidos baseados na CLT ou na lei do FGTS. (STF. Plenário. Rcl 4351 MC-AgR/PE, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 11/11/2015) IMPORTANTE!

[Súmula 560, STJ] Contratação temporária de servidor publico para atividades de caráter

70
permanente. O art. 37, IX, da CF/88 autoriza que a Administração Pública contrate pessoas, sem
concurso público, tanto para o desempenho de atividades de caráter eventual, temporário ou
excepcional, como também para o desempenho das funções de caráter regular e permanente, desde
que indispensáveis ao atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público.
Esse é o entendimento do STF (Plenário. ADI 3247/MA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 26/3/2014. Info
740). O STJ adotou essa mesma conclusão. No caso concreto, o Ministério da Saúde autorizou a
contratação de 200 profissionais para a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. O
sindicato dos servidores públicos impetrou MS contra este ato alegando que os servidores estavam
sendo contratados para a análise de processos administrativos do órgão, o que não é uma atividade
temporária, mas sim permanente e, portanto, não se enquadraria no art. 37, IX, da CF/88, devendo
ser desempenhada por servidores estatutários da autarquia. O MS foi julgado improcedente.
Segundo decidiu o STJ, admite-se a contratação por tempo determinado para atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX, da CF/88) ainda que para o exercício de
atividades permanentes do órgão ou entidade. No caso concreto, as contratações temporárias se
fazem necessárias em decorrência do crescente número de demandas e do enorme passivo de
procedimentos administrativos que estão parados junto à ANS. Ademais, o quadro de pessoal da
agência já está completo, inexistindo, portanto, cargos vagos para a realização de concurso público.
(STJ. 1a Seção. MS 20.335-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 22/4/2015)

[Informativo 559, STJ] Acumulação de aposentadoria de emprego público com remuneração de


“cargo” temporário. Maria é empregada pública federal aposentada. Como se aposentou cedo e
ainda está cheia de vitalidade, ela decide que deseja continuar trabalhando e, por isso, se inscreve
no processo seletivo aberto pelo Ministério do Meio Ambiente para contratar servidores
temporários. A empregada pública aposentada poderá ser contratada e receber, ao mesmo tempo, os
proventos da aposentadoria e também a remuneração proveniente do serviço temporário? SIM. É
possível a acumulação de proventos de aposentadoria de emprego público com remuneração
proveniente de exercício de “cargo” temporário.O § 3o do art. 118 da Lei 8.112/90 proíbe apenas a
acumulação de proventos de aposentadoria com remuneração de cargo ou emprego público efetivo.
Os servidores temporários contratados sob o regime do art. 37, IX, não estão vinculados a um cargo
ou emprego público, exercendo apenas uma função administrativa temporária (função autônoma,
justamente por não estar vinculada a cargo ou emprego). Além disso, ainda que se considere que
isso é um “cargo” público, não se trata de cargo público efetivo já que as pessoas são selecionas
mediante processo seletivo simplificado e irão exercer essa função por um prazo determinado, não
possuindo direito à estabilidade.Em suma, não é cargo; mas mesmo que fosse, não seria cargo
efetivo. Ademais, a aposentadoria da interessada se deu pelo Regime Geral de Previdência Social –

71
RGPS (ela era empregada pública), não se lhe aplicando, portanto, o disposto no § 10 do art. 37 da
CF/88, segundo o qual “É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria
decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função
pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os
cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração”. Isso porque a
aposentadoria dos empregados públicos, concedida no regime do RGPS, é disciplinada não pelo art.
40 da CF/88, mas sim pelo art. 201. Logo, não se pode atribuir interpretação extensiva em prejuízo
do empregado público aposentado pelo RGPS. (STJ. 2a Turma. REsp 1.298.503-DF, Rel. Min. Humberto
Martins, j. 7/4/2015) IMPORTANTE!

Tema: Exoneração e remoção

[Informativo 617, STJ] Inexistência de direito à remoção para acompanhamento de cônjuge que foi
removido a pedido (art. 36 da Lei 8.112/90) Importante!!! Pacificou!!! Pedro e Soraia, casados
entre si, são servidores públicos federais lotados em Recife. É aberta uma vaga em Salvador para o
cargo de Pedro. Este concorre no concurso de remoção e consegue ser removido para a capital
baiana. Soraia terá direito de ser removida junto com Pedro, com fulcro no art. 36, parágrafo único,
III, “a”? O servidor que é transferido de localidade a pedido, após concorrer em concurso de
remoção, gera para seu cônjuge o direito subjetivo de também ser transferido para acompanhá-lo,
independentemente do interesse da Administração? NÃO. O servidor público federal somente tem
direito à remoção prevista no art. 36, parágrafo único, III, "a", da Lei nº 8.112/90, na hipótese em
que o cônjuge/companheiro, também servidor, tenha sido deslocado de ofício, para atender ao
interesse da Administração (nos moldes do inciso I do mesmo dispositivo legal). STJ. 1ª Seção.
EREsp 1.247.360-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/11/2017

[Informativo 598, STJ] Não se aplica a teoria do fato consumado para remoção realizada fora das
hipóteses legais Atenção! Advocacia Pública A “teoria do fato consumado" não pode ser aplicada
para consolidar remoção de servidor público destinada a acompanhamento de cônjuge, em hipótese
que não se adequa à legalidade estrita, ainda que tal situação haja perdurado por vários anos em
virtude de decisão liminar não confirmada por ocasião do julgamento de mérito. Em outras
palavras, se a pessoa consegue uma decisão provisória garantindo a ela a remoção e,
posteriormente, esta decisão é revogada, esta remoção terá que ser desfeita mesmo que já tenha se
passado muitos anos. Não se aplica a "Teoria do Fato Consumado" em relação a atos praticados
sob contestação das pessoas envolvidas, que o reputam irregular e manifestam a existência da
irregularidade nas vias adequadas, ainda que, pela demora no transcurso do procedimento
destinado à apuração da legalidade do ato, este gere efeitos no mundo concreto. Verificada ou
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confirmada a ilegalidade, o ato deve ser desfeito, preservando-se apenas aquilo que, pela
consolidação fática irreversível, não puder ser restituído ao status quo ante. Se a Administração
Pública, mesmo após a decisão liminar, continuou questionando no processo a legalidade da
remoção do servidor/autor, não se pode aplicar a teoria do fato consumado, devendo o ato ser
desfeito, salvo se tivesse havido uma consolidação fática irreversível (ou seja, se não fosse mais
possível voltar ao "status quo ante"). STJ. Corte Especial. EREsp 1.157.628-RJ, Rel. Min. Raul
Araújo, julgado em 7/12/2016

[Informativo 810, STF] Declaração de inconstitucionalidade de lei que efetuou transposição e


exoneração de servidores. No julgamento da ADI 3819, o STF declarou inconstitucional lei
estadual, posterior à CF/88, que transformou ocupantes de determinado cargo público em
Defensores Públicos. Entendeu-se que houve violação ao principio do concurso público. Os
servidores foram, então, exonerados pelo Governador do Estado, mas conseguiram ser reintegrados
por decisão do STJ, que entendeu que, antes da exoneração, deveria a eles ser garantido devido
processo legal, com contraditório e ampla defesa. O STF, em reclamação, cassou essa decisão do
STJ por entende que ela contrariou a autoridade da decisão proferida pelo STF no julgamento da
ADI 3.819/MG. (STF. 2a Turma. Rcl 16950/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 1o/12/2015)

Tema: Infrações
[Informativo 576, STJ] Monitoramento de e-mail corporativo de servidor público. As informações
obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de servidor público não configuram prova ilícita
quando relacionadas com aspectos “não pessoais” de interesse da Administração Pública e da
própria coletividade, especialmente quando exista nas disposições normativas acerca do seu uso,
expressa menção da sua destinação somente para assuntos e matérias afetas ao serviço, bem como
advertência sobre monitoramento e acesso ao conteúdo das comunicações dos usuários para cumprir
disposições legais ou instruir procedimento administrativo. (STJ. 2a Turma. RMS 48.665-SP, Rel. Min. Og
Fernandes, j. 15/9/2015) IMPORTANTE!

[Informativo 564, STJ] O art. 170 da Lei 8.112/1990 é inconstitucional. O art. 170 da Lei n.
8.112/90 prevê que, mesmo estando prescrita a infração disciplinar, é possível que a prática dessa
conduta fique registrada nos assentos funcionais do servidor.O STF e STJ entendem que esse art.
170 é INCONSTITUCIONAL por violar os princípios da presunção de inocência e da
razoabilidade. (STF. Plenário. MS 23262/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 23/4/2014) (Info 743). (STJ. 1a Seção. MS
21.598-DF, Rel. Min. Og Fernandes, j. 10/6/2015) IMPORTANTE!

[Informativo 559, STJ] Possibilidade de execução imediata de penalidade imposta em PAD.

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Determinado servidor público federal recebeu pena de demissão em processo administrativo
disciplinar contra si instaurado. O servidor interpôs recurso administrativo com a decisão proferida.
Ocorre que, antes mesmo de ser julgado o recurso, a Administração Pública já cessou o pagamento
da remuneração do servidor e o afastou das funções. É possível que a sanção aplicada seja desde
logo executada mesmo que ainda esteja pendente recurso interposto no âmbito administrativo? SIM.
É possível o cumprimento imediato da penalidade imposta ao servidor logo após o julgamento do
PAD e antes do julgamento do recurso administrativo cabível.Não há qualquer ilegalidade na
imediata execução de penalidade administrativa imposta em PAD a servidor público, ainda que a
decisão não tenha transitado em julgado administrativamente. (STJ. 1a Seção. MS 19.488-DF, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, j. 25/3/2015) IMPORTANTE!

Tema: Férias
[Informativo 566, STJ] Férias gozadas em período coincidente com o da licença à gestante. A Lei
n. 8.112/90 não assegura à servidora pública o direito de usufruir, em momento posterior, os dias de
férias já gozados em período coincidente com o da licença à gestante. Ao contrário do que afirma a
servidora, houve sim o gozo das férias, ainda que ao mesmo tempo em que ela fazia jus à licença-
maternidade, visto que a referida licença não é causa interruptiva das férias. (STJ. 2a Turma. AgRg no
RMS 39.563-PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 6/8/2015)

Tema: Pensão por morte


[Informativo 824, STF] Condição de companheira pode ser provada mesmo sem sentença judicial.
Não constitui requisito legal para a concessão de pensão por morte à companheira que a união
estável seja declarada judicialmente, mesmo que vigente formalmente o casamento. Assim, é
possível o reconhecimento de união estável de pessoa casada que esteja comprovadamente separada
judicialmente ou de fato, para fins de concessão de pensão por morte, sem necessidade de decisão
judicial neste sentido. (STF. 1ª Turma. MS 33008/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 3/5/2016)

[Informativo 786, STF] Paridade e integralidade. Os pensionistas de servidor falecido


posteriormente à EC 41/2003 terão direito à paridade e à integralidade? PARIDADE: Em regra, eles
não têm direito à paridade com servidores em atividade;Exceção: terão direito à paridade caso se
enquadrem na regra de transição prevista no art. 3o da EC 47/2005. INTEGRALIDADE: Os
pensionistas de servidor falecido posteriormente à EC 41/2003 não possuem direito à integralidade
(CF, art. 40, § 7o, I), não havendo regra de transição para isso. A tese firmada pelo STF em sede de
repercussão geral foi a seguinte: “Os pensionistas de servidor falecido posteriormente à Emenda
Constitucional 41/2003 têm direito à paridade com servidores em atividade (artigo 7o EC 41/2003),
caso se enquadrem na regra de transição prevista no artigo 3o da EC 47/2005. Não têm, contudo,
direito à integralidade (artigo 40, parágrafo 7o, inciso I, CF).” (STF. Plenário. RE 603580/RJ, Rel. Min.

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Ricardo Lewandowski, j. 20/5/2015) (repercussão geral)

[Informativo 785, STF] Adoção de descendente maior com o único objetivo de deixar pensão por
morte. Não é legítima a adoção de descendente maior de idade, sem a constatação de suporte moral
ou econômico, com o fim de induzir o deferimento de benefício previdenciário.No caso concreto,
militar reformado do Exército, antes de falecer, adotou sua própria neta, que na época tinha 41 anos
de idade e era professora do ensino público estadual. Quando faleceu, a neta habilitou-se para
receber a pensão por morte como dependente do militar. O Exército fez a concessão inicial do
benefício, mas o TCU negou registro à pensão. O STF considerou que a decisão do TCU foi correta
porque a adoção não tinha suporte moral nem econômico e tinha sido feita com o objetivo de
induzir o deferimento do benefício previdenciário. Logo, não foi legítima, tendo sido praticada com
simulação e fraude à lei. (STF. 1a Turma. MS 31383/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 12/5/2015)

[Informativo 553, STJ] Pessoa designada que receberá a pensão não precisa ter sido inscrita nos
assentos funcionais do servidor. Para fins de concessão da pensão por morte de servidor público
federal, a designação do beneficiário nos assentos funcionais do servidor é prescindível se a vontade
do instituidor em eleger o dependente como beneficiário da pensão houver sido comprovada por
outros meios idôneos. (STJ. 2a Turma. REsp 1.486.261-SE, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 20/11/2014)

Tema: Aposentadoria e pensão

[Informativo 600, STJ] Não se pode cassar a aposentadoria do servidor que ingressou no serviço
público por força de provimento judicial precário e se aposentou durante o processo, antes da
decisão ser reformada Importante!!! Se o candidato tomou posse por força de decisão judicial
precária e esta, posteriormente, é revogada, ele perderá o cargo, mesmo que já o esteja ocupando há
muitos anos. Não se aplica, ao caso, a teoria do fato consumado. Nesse sentido: STF. Plenário. RE
608482/RN, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 7/8/2014 (repercussão geral) (Info 753). A
situação será diferente se ele se aposentou antes do processo chegar ao fim. Imagine que o
candidato tomou posse no cargo por força de decisão judicial precária. Passaram-se vários anos e
ele, após cumprir todos os requisitos, aposentou neste cargo por tempo de contribuição. Após a
aposentadoria, a decisão que o amparou foi reformada. Neste caso, não haverá a cassação de sua
aposentadoria. Nas palavras do STJ: quando o exercício do cargo foi amparado por decisões
judiciais precárias e o servidor se aposentou, antes do julgamento final de mandado de segurança,
por tempo de contribuição durante esse exercício e após legítima contribuição ao sistema, a
denegação posterior da segurança que inicialmente permitira ao servidor prosseguir no certame não
pode ocasionar a cassação da aposentadoria. STJ. 1ª Seção. MS 20.558-DF, Rel. Min. Herman

75
Benjamin, julgado em 22/2/2017

[Informativo 860, STF] EC 70/2012 produz efeitos financeiros somente a partir da data de sua
promulgação Os efeitos financeiros das revisões de aposentadoria concedida com base no art. 6º-A
da EC 41/2003, introduzido pela EC 70/2012, somente se produzirão a partir da data de sua
promulgação (30/3/2012). STF. Plenário. RE 924456/RJ, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017

[Informativo 859, STF] PENSÃO O art. 11 da EC 20/98 não proibiu a percepção de pensão civil
com pensão militar A CF/67 e a CF/88 (antes da EC 20/98) não proibiam que o militar reformado
voltasse ao serviço público e, posteriormente, se aposentasse no cargo civil, acumulando os dois
proventos. Ex: João foi reformado como Sargento do Exército em 1980. Voltou ao serviço público e
se aposentou como servidor da ABIN (órgão público federal), concedida em 1995. Essa acumulação
de proventos é possível. O art. 11 da EC 20/98 proibiu, expressamente, a concessão de mais de uma
aposentadoria pelo regime de previdência dos servidores civis. No entanto, este dispositivo não
vedou a cumulação de aposentadoria de servidor público com proventos de militar. Sendo possível
a cumulação de proventos, é também permitido que o dependente acumule as duas pensões. Ex: Em
1996, João faleceu e Maria, sua esposa, passou a receber duas pensões por morte, uma decorrente
de cada vínculo acima explicado. STF. 2ª Turma. MS 25097/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 28/3/2017

[Informativo 596, STJ] É constitucional o art. 2º, parágrafo único, da LC 152/2015, que prevê
regra especial de transição para a idade da aposentadoria compulsória dos servidores do Serviço
Exterior Brasileiro Não viola o princípio da isonomia o implemento de regra de transição de
aposentadoria dos servidores integrantes do Serviço Exterior Brasileiro (Lei nº 11.440/2006), como
está previsto no parágrafo único do art. 2º da LC 152/2015, considerando-se as peculiaridades da
carreira, as necessidades do Estado e a ordem constitucional vigente. STJ. 1ª Seção. MS 22.394-DF,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 9/11/2016

[Informativo 854, STF] Não se aplica a aposentadoria compulsória para titulares de serventias
judiciais não estatizadas não ocupantes de cargo público e que não recebam remuneração dos
cofres públicos Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF aos
titulares de serventias judiciais não estatizadas, desde que não sejam ocupantes de cargo público
efetivo e não recebam remuneração proveniente dos cofres públicos. STF. Plenário. RE 647827/PR,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/2/2017 (repercussão geral)

76
[Informativo 853, STF] Aproveitamento do tempo trabalhado como aluno-aprendiz O servidor que
trabalhou como "aluno-aprendiz" pode utilizar este período como tempo de serviço para fins de
aposentadoria? Sim, no entanto, para isso é necessário que ele apresente certidão do
estabelecimento de ensino frequentado. Tal documento deve atestar a condição de aluno-aprendiz e
o recebimento de retribuição pelos serviços executados, consubstanciada em auxílios materiais
diversos. Com a edição da Lei nº 3.353/59, passou-se a exigir, para a contagem do tempo
mencionado, a demonstração de que a mão de obra foi remunerada com o pagamento de
encomendas. O elemento essencial à caracterização do tempo de serviço como aluno-aprendiz não é
a percepção de vantagem direta ou indireta, mas a efetiva execução do ofício para o qual recebia
instrução, mediante encomendas de terceiros. Como consequência, a declaração emitida por
instituição de ensino profissionalizante somente comprova o período de trabalho caso registre
expressamente a participação do educando nas atividades laborativas desenvolvidas para atender
aos pedidos feitos às escolas. STF. 1ª Turma. MS 31518/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
7/2/2017

[Informativo 853, STF] Juiz Federal que completou os requisitos para se aposentar quando ainda
vigorava o art. 192, I, da Lei 8.112/90 tem direito de se aposentar com proventos de
Desembargador A redação originária do art. 192, I, da Lei nº 8.112/90 previa que o servidor
público federal, ao se aposentar, deveria receber, como proventos, a remuneração da classe superior
a que pertencia. Esse art. 192 foi revogado em 1997 pela Lei nº 9.527. Determinado Juiz Federal
completou os requisitos para se aposentar em 1994. No entanto, optou por continuar trabalhando até
2010, quando pediu a aposentadoria. O STF entendeu que, como ele preencheu os requisitos para se
aposentar em 1994, ou seja, antes da Lei nº 9.527/97, ele teria direito à regra prevista no art. 192, I,
da Lei nº 8.112/90. Logo, ele, ao se aposentar como Juiz Federal, tem direito de receber os
proventos como se fosse Desembargador Federal (classe imediatamente superior àquela em que ele
se encontrava posicionado). STF. 1ª Turma. MS 32726/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/
o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2017

[Informativo 851, STF] Aposentadoria compulsória não se aplica a cargos comissionados


Importante!!! Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à
regra da aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge apenas os
ocupantes de cargo de provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer idade limite para fins de
nomeação a cargo em comissão. Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional, não há
óbice constitucional a que o servidor efetivo, aposentado compulsoriamente, permaneça no cargo
77
comissionado que já desempenhava ou a que seja nomeado para cargo de livre nomeação e
exoneração, uma vez que não se trata de continuidade ou criação de vínculo efetivo com a
Administração. STF. Plenário. RE 786540/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2016
(repercussão geral)

[Informativo 781, STF] Aposentadoria dos policiais civis e militares. Foi ajuizada ação direta de
inconstitucionalidade por omissão contra o Governador e Assembleia Legislativa do Estado de São
Paulo afirmando que eles estavam sendo omissos porque ainda não haviam editado lei
complementar estadual prevendo critérios diferenciados para aposentadoria de policiais civis e
militares do sexo feminino nos termos do art. 40, §§ 1o e 4o, da CF/88. O STF julgou a ação
improcedente por dois motivos: Quanto às policiais civis, o pleito formulado na ação já foi atendido
com a edição, pelo Congresso Nacional, da Lei Complementar federal 144/2014, de abrangência
nacional, que deu à policial civil o direito de se aposentar voluntariamente, com proventos integrais,
independentemente de idade, após 25 anos de contribuição, desde que conte pelo menos 15 anos de
exercício em cargo de natureza estritamente policial. Quanto às policiais militares, o STF entendeu
que não se aplica a regra de aposentadoria especial do art. 40, § 4o, da CF/88, porque os militares
não podem ser considerados, atualmente, como servidores públicos, sendo a eles aplicável um
regime jurídico próprio disciplinado pelo art. 142, § 3o, X (e não pelo art. 40, § 4o). Não havendo
determinação constitucional expressa, a decisão de conceder aposentadoria com critérios facilitados
para policiais militares mulheres é uma escolha discricionária de cada Estado-membro. (STF. Plenário.
ADO 28/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 16/4/2015)

[Informativo 780, STF] Inconstitucionalidade de subsídio vitalício a ex-governador. Algumas


Constituições estaduais preveem que a pessoa que tiver exercido o cargo de Governador do Estado
fará jus, após deixar o mandato, a um subsídio mensal e vitalício. Alguns chamam isso de
representação, outros de pensão vitalícia e outros de pensão civil. A previsão desse pagamento é
compatível com a CF/88? NÃO. Essa regra fere o princípio da isonomia. Não há uma justificativa
razoável para que seja prevista genericamente a concessão da “pensão” para ex-governadores,
configurando um tratamento privilegiado sem haver fundamento legítimo. (STF. Plenário. ADI 4552
MC/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 9/4/2015)

[Informativo 557, STJ] Aposentadoria por invalidez com proventos proporcionais se a doença não
estiver prevista no art. 186 da lei 8.112/1990. A CF/88 prevê, em seu art. 40, § 1o, I, a
possibilidade de os servidores públicos serem aposentados caso se tornem total e permanentemente
incapazes para o trabalho. Trata-se da chamada aposentadoria por invalidez. Em regra, a
aposentadoria por invalidez será paga com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.

78
Excepcionalmente, ela será devida com proventos integrais se essa invalidez for decorrente de
acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, especificada
em lei. Assim, a concessão de aposentadoria por invalidez com proventos integrais exige que a
doença incapacitante esteja prevista em rol taxativo da legislação de regência. O art. 41, § 1o, I, da
CF/88 é bastante claro ao exigir que a lei defina as doenças e moléstias que ensejam aposentadoria
por invalidez com proventos integrais. Logo, esse rol legal deve ser tido como exaustivo (taxativo).
Com base no entendimento acima exposto, o STJ tem decidido que serão PROPORCIONAIS (e não
integrais) os proventos de aposentadoria de servidor público federal diagnosticado com doença
grave, contagiosa ou incurável que não esteja prevista no art. 186, § 1o, da Lei n. 8.112⁄1990 nem
indicada em lei. (STJ. 2a Turma. REsp 1.324.671-SP, Rel. Min. Humberto Martins, j. 3/3/2015) (STF. Plenário. RE
656860/MT, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 21/8/2014) (Info 755)

Tema: Jornada de trabalho


[Informativo 869, STF] Jornada de trabalho diferenciada para servidores médicos e dentistas A
jornada de trabalho do MÉDICO servidor público é de 4 horas diárias e de 20 horas semanais, nos
termos da Lei nº 12.702/2012. A jornada de trabalho do ODONTÓLOGO servidor público é de 6
horas diárias e de 30 horas semanais, nos termos do DL 2.140/84. Essas regras acima explicadas
não se aplicam no caso de médicos e odontólogos que ocupem cargo em comissão ou função de
confiança, considerando que, neste caso, terão que cumprir a jornada normal de trabalho. STF. 2ª
Turma. MS 33853/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/6/2017

[Informativo 581, STJ] Jornada de trabalho diferenciada para servidores da União que trabalhem
com substâncias radioativas. Independentemente da categoria profissional, todos os servidores da
União, civis e militares, e os empregados de entidades paraestatais de natureza autárquica que
operam, de forma habitual, diretamente com raios X e substâncias radioativas, próximo às fontes de
irradiação, têm o direito à redução da duração máxima da jornada de trabalho de 40 para 24 horas
semanais prevista no art. 1o da Lei n. 1.234/50.Vale ressaltar que a Lei n. 1.234/50 não foi revogada
pela Lei n. 8.112/90, pois esta mesma excepciona as hipóteses estabelecidas em leis especiais. (STJ.
2a Turma. AgInt no REsp 1.569.119-SP, Rel. Min. Humberto Martins, j. 7/4/2016)

INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

12. DESAPROPRIAÇÃO

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O prazo prescricional no caso de ação de desapropriação indireta é, em regra, de 10 anos;
excepcionalmente, será de 15 anos caso de comprove que não foram feitas obras ou serviços
públicos no local Importante!!! Qual é o prazo da ação de desapropriação indireta? Regra: 10 anos
(art. 1.238, parágrafo único, do CC/2002). Exceção: o prazo será de 15 anos se ficar comprovada a
inexistência de obras ou serviços públicos no local. Em regra, portanto, o prazo prescricional das
ações indenizatórias por desapropriação indireta é de 10 anos porque existe uma presunção relativa
de que o Poder Público realizou obras ou serviços públicos no local. Admite-se, excepcionalmente,
o prazo prescricional de 15 anos, caso a parte interessada comprove, concreta e devidamente, que
não foram feitas obras ou serviços no local, afastando a presunção legal. STJ. 1ª Seção. EREsp
1.575.846-SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 26/06/2019 (Info 658). Obs: a súmula 119 do
STJ está superada (Súmula 119-STJ: A ação de desapropriação indireta prescreve em vinte anos).

[Informativo 625, STJ] Não cabimento de restituição pelo expropriado dos honorários periciais Nas
ações de desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária descabe a restituição, pelo
expropriado sucumbente, de honorários periciais aos assistentes técnicos do INCRA e do MPF. STJ.
1ª Turma. REsp 1.306.051-MA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 08/05/2018

[Informativo 902, STF] Análise da constitucionalidade da MP 2.183-56/2001, que alterou o DL


3.365/41 O DL 3.365/41 dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. Veja o que diz o art.
15-A, que foi incluído pela MP 2.183-56/2001: “Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na
desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de
reforma agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado na
sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis por cento ao ano
sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo
de juros compostos. § 1º Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de
renda comprovadamente sofrida pelo proprietário. § 2º Não serão devidos juros compensatórios
quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência na exploração iguais a zero. § 3º
O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indenização por
apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a
indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público, em especial aqueles destinados à
proteção ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença. § 4º Nas ações referidas no
§ 3º, não será o Poder Público onerado por juros compensatórios relativos a período anterior à
aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação.” O STF analisou a
constitucionalidade do art. 15-A do DL 3.365/41 e chegou às seguintes conclusões: 1) em relação
ao “caput” do art. 15-A do DL 3.365/41: 1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de

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juros compensatórios no patamar fixo de 6% ao ano para remuneração do proprietário pela imissão
provisória do ente público na posse de seu bem; 1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo
“até”; 1.c) deu interpretação conforme a Constituição ao “caput” do art. 15-A, de maneira a incidir
juros compensatórios sobre a diferença entre 80% do preço ofertado em juízo pelo ente público e o
valor do bem fixado na sentença; 2) declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que
condiciona o pagamento dos juros compensatórios à comprovação da “perda da renda
comprovadamente sofrida pelo proprietário”; 3) declarou a constitucionalidade do § 2º do art. 15-A,
afastando o pagamento de juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da
terra e de eficiência iguais a zero; 4) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A, estendendo
as regras e restrições de pagamento dos juros compensatórios à desapropriação indireta. 5) declarou
a inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A; 6) declarou a constitucionalidade da estipulação de
parâmetros mínimo (0,5%) e máximo (5%) para a concessão de honorários advocatícios e a
inconstitucionalidade da expressão “não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e
cinquenta e um mil reais)” prevista no § 1º do art. 27. STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 17/5/2018

[Informativo 606, STJ] Ente desapropriante não responde por tributos anteriores à desapropriação
O ente desapropriante não responde por tributos incidentes sobre o imóvel desapropriado nas
hipóteses em que o período de ocorrência dos fatos geradores é anterior ao ato de aquisição
originária da propriedade. STJ. 2ª Turma. REsp 1.668.058-ES, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
julgado em 8/6/2017

[Informativo 596, STJ] Desistência da desapropriação É possível que o expropriante desista da


ação de desapropriação? SIM, é possível a desistência da desapropriação a qualquer tempo, mesmo
após o trânsito em julgado, desde que: a) ainda não tenha havido o pagamento integral do preço
(pois nessa hipótese já terá se consolidado a transferência da propriedade do expropriado para o
expropriante); e b) o imóvel possa ser devolvido sem que ele tenha sido alterado de forma
substancial (que impeça sua utilização como antes era possível). É ônus do expropriado provar a
existência de fato impeditivo do direito de desistência da desapropriação. STJ. 2ª Turma. REsp
1.368.773-MS, Rel. Min. Og Fernandes, Rel. para acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em
6/12/2016

[Informativo 817, STF] Desconsideração das conclusões do laudo pericial com base em outras
provas. A preferência do julgador por determinada prova insere-se no livre convencimento
motivado e não cabe compelir o magistrado a colher com primazia determinada prova em
81
detrimento de outras pretendidas pelas partes se, pela base do conjunto probatório tiver se
convencido da verdade dos fatos. (STF. Plenário. RE 567708/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o
acórdão Min. Cármen Lúcia, j. 8/3/2016)

[Informativo 556, STJ] Indenização por desapropriação e prova de apenas parte da propriedade
do imóvel. Se, em procedimento de desapropriação por interesse social, ficar constatado que a área
medida do bem é maior do que a escriturada no Registro de Imóveis, o expropriado receberá
indenização correspondente à área registrada, ficando a diferença depositada em Juízo até que,
posteriormente, se complemente o registro ou se defina a titularidade para o pagamento a quem de
direito. A indenização devida deverá considerar a área efetivamente desapropriada, ainda que o
tamanho real seja maior do que o constante da escritura, a fim de não se configurar enriquecimento
sem causa em favor do ente expropriante. (STJ. 2a Turma. REsp 1.466.747-PE, Rel. Min. Humberto Martins, j.
24/2/2015 ). (STJ. 2a Turma. REsp 1.286.886-MT, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 6/5/2014).

13. 1 EXPROPRIAÇÃO

[Informativo 851, STF] Possibilidade de o proprietário afastar a sanção do art. 243 da CF/88 se
provar que não teve culpa Importante!!! A expropriação prevista no art. 243 da Constituição
Federal pode ser afastada, desde que o proprietário comprove que não incorreu em culpa, ainda que
in vigilando ou in eligendo. STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
14/12/2016 (repercussão geral)

14. 2 SERVIDÃO ADMINISTRATIVA

[Informativo 814, STJ] Compartilhamento de infraestrutura por concessionárias de serviços


públicos O compartilhamento de infraestrutura de estação rádio base de telefonia celular por
prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse coletivo caracteriza servidão
administrativa, não ensejando direito à indenização ao locador da área utilizada para instalação dos
equipamentos. O direito de uso previsto no art. 73 da Lei nº 9.472/97 constitui-se como servidão
administrativa instituída pela lei em benefício das prestadoras de serviços de telecomunicações de
interesse coletivo, constituindo-se direito real, de natureza pública, a ser exercido sobre bem de
propriedade alheia, para fins de utilidade pública, instituído com base em lei específica. Ex: João
possui um terreno na beira da estrada. Ele celebrou contrato de locação com a Embratel permitindo
que a empresa instalasse, em seu imóvel, uma torre e uma antena de telecomunicações. Alguns
meses depois, a Embratel permitiu que a TIM compartilhasse de sua infraestrutura. João ajuizou
ação de indenização alegando que o contrato de locação proíbe que a locatária faça a sublocação do

82
imóvel para outra empresa. Ele não terá direito à indenização. STJ. 4ª Turma. REsp 1.309.158-RJ,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/09/2017

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

15. CONTROLE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS

[Informativo 609, STJ] Judiciário pode determinar que Estado implemente plantão em Delegacia
de Atendimento ao adolescente infrator A decisão judicial que impõe à Administração Pública o
restabelecimento do plantão de 24 horas em Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e à
Juventude não constitui abuso de poder, tampouco extrapola o controle do mérito administrativo
pelo Poder Judiciário. STJ. 1ª Turma.REsp 1.612.931-MS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho,
julgado em 20/6/2017

16. FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO

Tema: Associação de Municípios


[Informativo 610, STF] Associação de Municípios não pode ajuizar ação para tutelar direitos dos
Municípios Atenção! Advocacia Pública Associação de Municípios e Prefeitos não possui
legitimidade ativa para tutelar em juízo direitos e interesses das pessoas jurídicas de direito público.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.503.007-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14/6/2017

Tema: Ministério Público


[Informativo 831, STF] Ilegitimidade ativa do MP para impetrar MS questionando decisão
administrativa que reconheceu a prescrição em processo administrativo. O Procurador-Geral da
República não possui legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança com o objetivo de
questionar decisão que reconheça a prescrição da pretensão punitiva em processo administrativo
disciplinar. A legitimidade para impetrar mandado de segurança pressupõe a titularidade do direito
pretensamente lesado ou ameaçado de lesão por ato de autoridade pública.O PGR não tem
legitimidade para a impetração, pois não é o titular do direito líquido e certo que afirmara ultrajado.
Para a impetração do MS não basta a demonstração do simples interesse ou atuação como custos
legis, uma vez que os direitos à ordem democrática e à ordem jurídica não são de titularidade do
MP, mas de toda a sociedade. (STF. 2a Turma. MS 33736/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 21/6/2016)

Tema: Honorários
[Informativo 585, STJ] Retenção de honorários advocatícios contratuais sobre a diferença de
83
valores de repasse ao FUNDEF. No caso em que Município obtenha êxito em ação judicial
destinada à complementação de repasses efetuados pela União ao Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), será legítima
a retenção de parte das referidas verbas complementares para o pagamento de honorários
advocatícios contratuais (art. 22, §4o, da Lei no 8.906/94). (STJ. 2a Turma. REsp 1.604.440-PE, Rel. Min.
Humberto Martins, j. 14/6/2016)

Tema: Personalidade jurídica


[Súmula 525, STJ] A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas
personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos
institucionais. (STJ. 1a Seção. Aprovada em 22/04/2015, DJe 27/4/2015)

17. AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINSITARTIVA

Súmula 634-STJ As regras de prescrição em improbidade administrativa aplicáveis aos particulares


que participam do ato ímprobo são as mesmas do agente público também envolvido Súmula 634-
STJ: Ao particular aplica-se o mesmo regime prescricional previsto na Lei de Improbidade
Administrativa para o agente público. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 12/06/2019, DJe 17/06/2019.

[Informativo 910, STF] Imprescritibilidade do ressarcimento nas ações de improbidade


administrativa Importante!!! São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na
prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa. STF. Plenário. RE
852475/SP, Rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão Min. Edson Fachin, julgado em
08/08/2018 (repercussão geral) (Info 910)

[Informativo 901, STF] Ação de improbidade administrativa: ministro de estado e foro competente
Importante!!! Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos
a duplo regime sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos
de improbidade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de
responsabilidade. O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em
relação às infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa

[Informativo 609, STJ] MP pode instaurar inquérito civil para apurar ato de improbidade
praticado por magistrado e solicitar seu depoimento pessoal Importante!!! É possível a abertura de
inquérito civil pelo Ministério Público objetivando a apuração de ato ímprobo atribuído a

84
magistrado mesmo que já exista concomitante procedimento disciplinar na Corregedoria do
Tribunal acerca dos mesmos fatos, não havendo usurpação das atribuições da Corregedoria pelo
órgão ministerial investigante. A mera solicitação para que o juiz preste depoimento pessoal nos
autos de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público para apuração de suposta conduta
ímproba não viola o disposto no art. 33, IV, da LC nº 35/79 (LOMAN). STJ. 1ª Turma. RMS
37.151-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Sérgio Kukina, julgado
em 7/3/2017

Tema: Reexame necessário


[Informativo 607, STJ] Aplica-se às ações de improbidade administrativa o reexame necessário
previsto no art. 19 da lei da ação popular Importante!!! A sentença que concluir pela carência ou
pela improcedência de ação de improbidade administrativa está sujeita ao reexame necessário, com
base na aplicação subsidiária do CPC e por aplicação analógica da primeira parte do art. 19 da Lei
nº 4.717/65. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.220.667-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
24/5/2017

Tema: Competência
[Informativo 559, STJ] Competência para julgar ação de improbidade proposta por Município
contra ex-prefeito que não prestou contas de convênio federal. Determinado Município ajuizou
Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa contra o ex- prefeito da cidade, sob o argumento
de que este, enquanto prefeito, firmou convênio com órgão/entidade federal e recebeu recursos para
aplicar em favor da população e, no entanto, não prestou contas no prazo devido, o que fez com o
que o Município fosse incluído no cadastro negativo da União, estando, portanto, impossibilitado de
receber novos recursos federais. Esta ação de improbidade administrativa deverá ser julgada pela
Justiça Federal ou Estadual? Regra: compete à Justiça Estadual (e não à Justiça Federal) processar e
julgar ação civil pública de improbidade administrativa na qual se apure irregularidades na
prestação de contas, por ex-prefeito, relacionadas a verbas federais transferidas mediante convênio e
incorporadas ao patrimônio municipal. Exceção: será de competência da Justiça Federal se a União,
autarquia federal, fundação federal ou empresa pública federal manifestar expressamente interesse
de intervir na causa porque, neste caso, a situação se amoldará no art. 109, I, da CF/88. (STJ. 1a
Seção. CC 131.323-TO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 25/3/2015) IMPORTANTE!

Tema: Recursos cabíveis


[Informativo 574, STJ] Recurso cabível contra a decisão do juiz que rejeita a inicial contra apenas
alguns réus. Recursos cabíveis contra a: 1) APELAÇÃO. 2) decisão que recebe a inicial da ação de

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improbidade: cabe AGRAVO DE INSTRUMENTO. 3) decisão que recebe a inicial contra alguns
réus e rejeita para os demais: AGRAVO DE INSTRUMENTO (Obs: caso o autor da ação de
improbidade interponha apelação em vez do AI, será possível receber o recurso, com base no
princípio da fungibilidade, desde que não haja má-fé e tenha sido interposto no prazo do recurso
correto). Segundo decidiu o STJ, pode ser conhecida a apelação que, sem má-fé e em prazo
compatível com o previsto para o agravo de instrumento, foi interposta contra decisão que, em juízo
prévio de admissibilidade em ação de improbidade administrativa, reconheceu a ilegitimidade
passiva ad causam de alguns dos réus. (STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.305.905-DF, Rel. Min. Humberto
Martins, j. 13/10/2015)

Tema: Hipóteses de improbidade

[Informativo 580, STJ] Desnecessidade de lesão ao património público em ato de improbidade


administrativa que importa enriquecimento ilícito. Ainda que não haja dano ao erário, é possível a
condenação por ato de improbidade administrativa que importe enriquecimento ilícito (art. 9º da Lei
n. 8.429/1992), excluindo-se, contudo, a possibilidade de aplicação da pena de ressarcimento ao
erário. Isso porque, comprovada a ilegalidade na conduta do agente, bem como a presença do dolo
indispensável à configuração do ato de improbidade administrativa, a ausência de dano ao
patrimônio público exclui tão-somente a possibilidade de condenação na pena de ressarcimento ao
erário. As demais penalidades são, em tese, compatíveis com os atos de improbidade tipificados no
art. 9º da LIA. (REsp 1.412.214-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Benedito
Gonçalves, j. 8/3/2016, DJe 28/3/2016)

[Informativo 577, STF] Caracterização de tortura como ato de improbidade administrativa. A


tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui ato de improbidade
administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. (STJ. 1a Seção. REsp 1.177.910-
SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, j. 26/8/2015) IMPORTANTE!

[Informativo 573, STJ] Improbidade administrativa e conduta direcionada a particular. Não


ensejam o reconhecimento de ato de improbidade administrativa eventuais abusos perpetrados por
agentes públicos durante abordagem policial, caso o ofendido pela conduta seja particular que não
estava no exercício de função pública. (STJ. 1a Turma. REsp 1.558.038-PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia
Filho, j. 27/10/2015)

Tema: Prescrição

[Informativo 571, STJ] O prazo prescricional em ação de improbidade administrativa movida contra

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prefeito reeleito só se inicia após o término do segundo mandato, ainda que tenha havido
descontinuidade entre o primeiro e o segundo mandato em razão da anulação de pleito eleitoral,
com posse provisória do Presidente da Câmara, por determinação da Justiça Eleitoral, antes da
reeleição do prefeito em novas eleições convocadas. (STJ. 2a Turma. REsp 1.414.757-RN, Rel. Min.
Humberto Martins, j. 6/10/2015)

Tema: Estagiário

[Informativo 568, STJ] Estagiário de serviço público está sujeito à Lei de Improbidade. O
estagiário que atua no serviço público, ainda que transitoriamente, remunerado ou não, está sujeito a
responsabilização por ato de improbidade administrativa. Isso porque o conceito de agente público
para fins de improbidade abrange não apenas os servidores públicos, mas todo aquele que exerce,
ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou
qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função na
Administração Pública. Além disso, é possível aplicar a lei de improbidade mesmo para quem não é
agente público, mas induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie
sob qualquer forma, direta ou indireta. É o caso do chamado "terceiro", definido pelo art. 3o da Lei
no 8.429/92. (STJ. 2a Turma. REsp 1.352.035-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 18/8/2015)

Tema: Sanção

[Informativo 581, STJ] Inaplicabilidade das sanções por ato de improbidade administrativa abaixo
do mínimo legal. No caso de condenação pela prática de ato de improbidade administrativa que
atenta contra os princípios da administração pública, as penalidades de suspensão dos direitos
políticos e de proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos
fiscais ou creditícios não podem ser fixadas abaixo de 3 anos, considerando que este é o mínimo
previsto no art. 12, III, da Lei no 8.429/92. Não existe autorização na lei para estipular sanções
abaixo desse patamar. (STJ. 2a Turma. REsp 1.582.014-CE, Rel. Min. Humberto Martins, j. 7/4/2016)

[Informativo 576, STJ] Aplicação de multa eleitoral e sanção por ato de improbidade
administrativa. A condenação pela Justiça Eleitoral ao pagamento de multa por infringência às
disposições contidas na Lei n. 9.504/1997 (Lei das Eleições) não impede a imposição de nenhuma
das sanções previstas na Lei n. 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), inclusive da multa
civil, pelo ato de improbidade decorrente da mesma conduta. (STJ. 2a Turma. AgRg no AREsp 606.352-SP,
Rel. Min. Assussete Magalhães, j. 15/12/2015)

[Informativo 560, STJ] Aplicação da pena de perda da função pública a membro do MP em ação
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de improbidade administrativa. O membro do Ministério Público pode ser processado e condenado
por ato de improbidade administrativa? SIM. É pacífico o entendimento de que o Promotor de
Justiça (ou Procurador da República) pode ser processado e condenado por ato de improbidade
administrativa, com fundamento na Lei 8.429/92. Mesmo gozando de vitaliciedade e a Lei prevendo
uma série de condições para a perda do cargo, o membro do MP, se for réu em uma ação de
improbidade administrativa, poderá ser condenado à perda da função pública? O membro do MP
pode ser réu em uma ação de improbidade de que trata a Lei 8.429/92 e, ao final, ser condenado à
perda do cargo mesmo sem ser adotado o procedimento da Lei 8.625/93 e da LC 75/93? SIM. O
STJ decidiu que é possível, no âmbito de ação civil pública de improbidade administrativa, a
condenação de membro do Ministério Público à pena de perda da função pública prevista no art. 12
da Lei 8.429/92. A Lei 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do MP) e a LC 75/93 preveem uma série
de regras para que possa ser ajuizada ação civil pública de perda do cargo contra o membro do MP.
Tais disposições impedem que o membro do MP perca o cargo em ação de improbidade? NÃO.
Segundo o STJ, o fato de essas leis preverem a garantia da vitaliciedade aos membros do MP e a
necessidade de ação judicial para a aplicação da pena de demissão não significa que elas proíbam
que o membro do MP possa perder o cargo em razão de sentença proferida na ação civil pública por
ato de improbidade administrativa. Essas leis tratam dos casos em que houve um procedimento
administrativo no âmbito do MP para apuração de fatos imputados contra o Promotor/Procurador e,
sendo verificada qualquer das situações previstas nos incisos do § 1o do art. 38, deverá obter-se
autorização do Conselho Superior para o ajuizamento de ação civil específica. Desse modo, tais leis
não cuidam de improbidade administrativa e, portanto, nada interferem nas disposições da Lei
8.429/92. Em outras palavras, existem as ações previstas na LC 75/93 e na Lei 8.625/93, mas estas
não excluem (não impedem) que o membro do MP também seja processado e condenado pela Lei
8.429/92. Os dois sistemas convivem harmonicamente. Um não exclui o outro. Se o membro do MP
praticou um ato de improbidade administrativa, ele poderá ser réu em uma ação civil e perder o
cargo? Essa ação deverá ser proposta segundo o rito da lei da carreira (LC 75/93 / Lei 8.625/93) ou
poderá ser proposta nos termos da Lei 8.429/92? SIM. O membro do MP que praticou ato de
improbidade administrativa poderá ser réu em uma ação civil e perder o cargo. Existem duas
hipóteses possíveis:• Instaurar o processo administrativo de que trata a lei da carreira (LC 75/93:
MPU / Lei 8.625/93: MPE) e, ao final, o PGR ou o PGJ ajuizar ação civil de perda do cargo contra
o membro do MP. Ser proposta ação de improbidade administrativa, nos termos da Lei 8.429/92.
Neste caso, não existe legitimidade exclusiva do PGR ou PGJ. A ação poderá ser proposta até
mesmo por um Promotor de Justiça (no caso do MPE) ou Procurador da República (MPF) que atue
em 1a instância. (STJ. 1a Turma. REsp 1.191.613-MG, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 19/3/2015)
IMPORTANTE!

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18. ERÁRIO PÚBLICO

Tema: Ressarcimento ao erário


[Informativo 830, STF] Prazo prescricional da ação de ressarcimento ao erário. O STF decidiu que
"é prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil." (RE
669069/MG). Em embargos de declaração opostos contra esta decisão, o STF afirmou que: a) O
conceito de ilícito civil deve ser buscado pelo método de exclusão: não se consideram ilícitos civis
aqueles que decorram de infrações ao direito público, como os de natureza penal, os decorrentes de
atos de improbidade e assim por diante. b) As questões relacionadas com o início do prazo
prescricional não foram examinadas no recurso extraordinário porque estão relacionadas com
matéria infraconstitucional, que devem ser decididas segundo a interpretação da legislação
ordinária. c) Não deveria haver modulação dos efeitos, considerando que na jurisprudência do STF
não havia julgados afirmando que as pretensões de ilícito civil seriam imprescritíveis. Logo, o
acórdão do STF não frustrou a expectativa legítima da Administração Pública. (STF. Plenário. RE
669069/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 3/2/2016) (repercussão geral) (STF. Plenário. RE 669069 ED/MG, Rel. Min.
Teori Zavascki, j. 16/6/2016)

[Informativo 584, STJ] Possibilidade de dupla condenação ao ressarcimento ao erário pelo menos.
Não configura bis in idem a coexistência de título executivo extrajudicial (acórdão do TCU) e
sentença condenatória em ação civil pública de improbidade administrativa que determinam o
ressarcimento ao erário e se referem ao mesmo fato, desde que seja observada a dedução do valor
da obrigação que primeiramente foi executada no momento da execução do título remanescente.
(STJ. 1a Turma. REsp 1.413.674-SE, Rel. Min. Olindo Menezes (Des. Convocado do TRF 1a Região), Rel. para o
acórdão Min. Benedito Gonçalves, j. 17/5/2016)

[Informativo 813, STF] Prazo prescricional da ação de ressarcimento ao erário. É prescritível a


ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil. Dito de outro modo, se o
Poder Público sofreu um dano ao erário decorrente de um ilícito civil e deseja ser ressarcido, ele
deverá ajuizar a ação no prazo prescricional previsto em lei. Vale ressaltar, entretanto, que essa tese
não alcança prejuízos que decorram de ato de improbidade administrativa que, até o momento,
continuam sendo considerados imprescritíveis (art. 37, § 5º). (STF. Plenário. RE 669069/MG, Rel. Min.
Teori Zavascki, j. 3/2/2016) (repercussão geral) IMPORTANTE!

19. DIREITO EDUCACIONAL

Aluno que conclui as matérias do ensino médio em escola técnica tem direito ao certificado de
conclusão do ensino médio, ainda que opte por não fazer o estágio profissionalizante A emissão do
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certificado de conclusão do ensino médio, realizado de forma integrada com o técnico, ao estudante
aprovado nas disciplinas regulares independe do estágio profissionalizante. Caso concreto: João fez
o ensino médio em instituto federal de educação. Ocorre que optou por não concluir o estágio
profissionalizante. A única consequência negativa para ele vai ser não ter direito ao certificado
técnico-profissional. No entanto, não há nada que o impeça de ter direito ao certificado de
conclusão do ensino médio, considerando que efetivamente estudou e foi aprovado nas respectivas
matérias. STJ. 1ª Turma. REsp 1.681.607-PE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em
20/09/2018 (Info 634) https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2018/12/Info-634-STJ.pdf

Tema: FUNDEF

É vedada a retenção de honorários advocatícios contratuais sobre crédito relativo a diferenças do


FUNDEF Mudança de entendimento! Atualize o Info 585-STJ Importante!!! É vedada a retenção de
honorários advocatícios contratuais sobre crédito relativo a diferenças do FUNDEF. Os valores
relacionados ao FUNDEF, hoje FUNDEB, encontram-se constitucional e legalmente vinculados ao
custeio da educação básica e à valorização do seu magistério, sendo vedada a sua utilização em
despesa diversa, tais como honorários advocatícios contratuais. Ex: determinado Município do
interior do Estado ingressou com ação contra a União com o objetivo de conseguir o repasse
integral de verbas do FUNDEF. Como o Município não possuía procuradores municipais
concursados, foi contratado um escritório de advocacia privado para patrocinar a causa. No contrato
assinado com os advogados ficou combinado que, se o Município vencesse a demanda, pagaria 20%
do valor da causa ao escritório. O pedido foi julgado procedente e transitou em julgado. O
Município requereu, então, que 20% do valor da condenação (verbas do FUNDEF a serem pagas
pela União) fosse separado para pagamento dos honorários contratuais dos advogados que atuaram
na causa, nos termos do art. 22, § 4º da Lei nº 8.906/94. Esse pedido não deve ser acolhido. Não é
possível a aplicação do art. 22, § 4º, da Lei nº 8.906/1994 nas execuções contra a União em que se
persigam quantias devidas ao FUNDEF/FUNDEB, devendo o advogado credor buscar a satisfação
de seu crédito por outros meios. STJ. 1ª Seção. REsp 1.703.697-PE, Rel. Min. Og Fernandes,
julgado em 10/10/2018 (Info 643).

[Informativo 876, STF] União deverá indenizar Estados prejudicados com o cálculo incorreto do
VMNA O valor da complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do
Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) deve ser calculado com base no valor
mínimo nacional por aluno extraído da média nacional. A complementação ao Fundef realizada a
partir do valor mínimo anual por aluno fixada em desacordo com a média nacional impõe à União o

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dever de suplementação de recursos, mantida a vinculação constitucional a ações de
desenvolvimento e manutenção do ensino. Em outras palavras, os Estados prejudicados com o
cálculo incorreto do valor mínimo nacional por aluno deverão ser indenizados por conta do
montante pago a menor a título de complementação pela União no período de vigência do
FUNDEF, isto é, nos exercícios financeiros de 1998 a 2007. Essa indenização abrange apenas os
danos materiais, não sendo devidos danos morais coletivos por conta desse repasse a menor. STF.
Plenário. ACO 648/BA, ACO 660/AM, ACO 669/SE e ACO 700/RN, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgados em 6/9/2017 (Info 876).

Tema: Autonomia universitária


[Informativo 840, STF] Inconstitucionalidade de lei que preveja plantão criminal para escritório
de prática jurídica da Universidade estadual É inconstitucional lei estadual que preveja que o
escritório de prática jurídica da Universidade Estadual deverá manter plantão criminal nos finais de
semana e feriados para atender pessoas hipossuficientes que sejam presas em flagrante. Esta lei
viola a autonomia administrativa, financeira, didática e científica assegurada às universidades no
art. 207 da CF/88 (inconstitucionalidade material). Além disso, contém vício de iniciativa
(inconstitucionalidade formal), na medida em que foi usurpada a iniciativa privativa do Governador.
STF. Plenário. ADI 3792/RN, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2016

Tema: Transferência
[Informativo 571, STJ] Posse de membro do MP no cargo de Desembargador Federal e direito à
transferência universitária de dependente. O filho de membro do Ministério Público do Trabalho
tem, em razão da mudança de domicílio de seu pai para tomar posse no cargo de Desembargador
Federal do Trabalho, direito a ser transferido para instituição de ensino superior congênere, nos
termos do art. 49 da Lei no 9.394/96, c/c art. 1o da Lei no 9.536/97. (STJ. 2a Turma. REsp 1.536.723-RS,
Rel. Min. Humberto Martins, j. 13/10/2015)

Tema: Revalidação de diploma


[Informativo 570, STJ] Revalidação no Brasil de diplomas de universidades da América Latina e
Caribe. O Decreto no 80.419/77 – que incorporou a Convenção Regional sobre o Reconhecimento
de Estudos, Títulos e Diplomas de Ensino Superior na América Latina e no Caribe – não foi
revogado pelo Decreto no 3.007⁄99. Desse modo, essa Convenção ainda está em vigor.No entanto, o
referido Decreto no 80.419/77 não traz norma específica que vede o procedimento adotado pelas
Universidade brasileiras de revalidação dos diplomas estrangeiros. Esse processo de revalidação
obrigatória tem respaldo nos arts. 48 e 53, V, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira.
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Em outras palavras, o Decreto no 80.419/77 não dispensou o processo de revalidação nem impôs
que a universidades brasileiras fizessem uma "revalidação automática" dos diplomas estrangeiros
expedidos nos países signatários. (STJ. 1a Seção. REsp 1.215.550-PE, Rel. Min. Og Fernandes, j. 23/9/2015)

DIREITO URBANÍSTICO

O art. 40 da Lei 6.766/79 prevê um poder-dever do Município de regularizar os loteamentos


irregulares ou clandestinos Importante!!! Atenção! PGM Existe o poder-dever do Município de
regularizar loteamentos clandestinos ou irregulares. Esse poder-dever, contudo, fica restrito à
realização das obras essenciais a serem implantadas em conformidade com a legislação urbanística
local (art. 40, caput e § 5º, da Lei nº 6.799/79). Após fazer a regularização, o Município tem
também o poder-dever de cobrar dos responsáveis (ex: loteador) os custos que teve para realizar a
sua atuação saneadora. STJ. 1ª Seção. REsp 1.164.893-SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
23/11/2016 (Info 651).

DIREITO MARÍTIMO

Não é válida a norma contida em Decreto prevendo que a autoridade pública deverá fixar, de forma
ordinária e permanente, o preço dos serviços de praticagem Não é válido o disposto no art. 1º, II, do
Decreto nº 7.860/2012, que estabelece a intervenção da autoridade pública na atividade de
praticagem para promover, de forma ordinária e permanente, a fixação dos preços máximos a serem
pagos na contratação dos serviços em cada zona portuária. STJ. 2ª Turma. REsp 1.662.196-RJ, Rel.
Min. Og Fernandes, julgado em 19/09/2017 (Info 612).

ROYALTIES Pontos de entrega de gás canalizado e pagamento de royalties A Lei nº 12.734/2012,


que alterou os arts. 48, § 3º, e 49, § 7º, da Lei nº 9.478/1997 e passou a considerar os pontos de
entrega de gás canalizado (city gates) como instalações de embarque e desembarque, para fins de
pagamento de royalties aos municípios afetados por tais operações, não tem eficácia retroativa. STJ.
1ª Turma. REsp 1.452.798-RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel de
Faria, julgado em 19/04/2018 (Info 625).

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TEMA: ACORDO DE LENIÊNCIA
[Informativo 913, STF] ACORDO DE LENIÊNCIA E COMPARTILHAMENTO DE PROVAS É
possível o compartilhamento das provas obtidas no acordo de leniência, desde que sejam
respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos aderentes É possível o
compartilhamento, para outros órgãos e autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de
leniência, desde que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos aderentes.
Assim, por exemplo, se uma empresa celebra acordo de leniência com o MPF aceitando fornecer
provas contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas para as sanções que foram ajustadas no
acordo. No entanto, nada impede que tais provas sejam fornecidas (compartilhadas) para os órgãos
de apuração para que sejam propostas medidas contra as outras pessoas envolvidas nos ilícitos e que
não fizeram parte do acordo. STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
21/8/2018

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