Você está na página 1de 4

W O R K S H O P Encantando Vidas

Compromisso e Consistência
Outro mecanismo interno que temos é o que nos faz buscar ser consistente em nossas escolhas e
atitudes. Isso significa que a partir do momento que fazemos uma escolha inicial, nos comprometemos
com algo, ou tomamos um posicionamento, encontramos pressões internas e externas para
seguirmos nos comportando de maneira consistente adiante. Também é um mecanismo evolutivo
dado que é mais fácil e eficiente agir assim na maioria dos casos, afinal de contas desta maneira
reduzimos o processo de escolha ao momento inicial e depois seguimos a mesma lógica, poupando
a necessidade de avaliar a situação novamente outras vezes.

Isto faz com que depois de tomada a escolha inicial nós nos forcemos a acreditar que fizemos a
escolha correta mesmo que os sinais nos mostrem ao contrario. Tudo para não ter que passar pelo
processo de avaliação todo novamente.

Um exemplo interessante do mecanismo da consistência vem de um experimento onde um


pesquisador deixa seus pertences na areia e vai dar um mergulho no mar. Em uma situação ele pede
para a pessoa do lado olhar suas coisas e na outra não. Um outro pesquisador vem então e simula
que esta roubando os pertences. No caso das pessoas que disseram que “olhariam as coisas”, quase
a totalidade reage ao roubo denunciando o ladrão. No outro caso quase nenhuma pessoa toma
qualquer tipo de atitude. Tudo para ser coerente com o compromisso assumido perante a pessoa
que foi mergulhar.

Este é um mecanismo muito utilizado pela indústria da auto ajuda. Ao fazer com que as pessoas se
comprometam com algo conseguem controlar as atitudes das pessoas a partir dali. É importante
notar que existem maneiras de tornar esse comprometimento ainda maior. Se o compromisso é
assumido publicamente isto o torna mais forte. Se é registrado, por exemplo por escrito, mais forte
ainda. As pessoas então acabam fazendo promessas e compromissos de coisas que gostariam para
sua vida e num mecanismo típico de profecia autorrealizável alcançam seus objetivos. Mas não por
causa dos cursos de autoajuda, seus métodos ou seus gurus, e sim por causa de algo que sempre
tiveram dentro de si.

Outra técnica muito utilizada é fazer com que as pessoas tomem pequenas atitudes ou assumam
pequenos posicionamentos em relação a um assunto e depois trabalhar o mecanismo de consistência
para que isto aumente até que domine completamente o individuo. É o que acontece com a lavagem
cerebral de várias ceitas. É como fazem vários regimes políticos para cristalizar sua ideologia. “Start
small and build” (incremental learning).

O sapo na panela.

Como conclusão, vemos o quão é importante não assumirmos uma posição ou emitirmos uma
opinião quando não for imprescindível. Isso limita incrivelmente os caminhos que teremos adiante,
dado que é muito difícil lutar contra as forças internas resultantes desse mecanismo interno que
nos impedem de assumir que estávamos errados e temos agora uma nova opinião. Não se sinta mal
quando passar por isso, não se trata de orgulho bobo, é algo muito mais forte do que isso...

14
W O R K S H O P Encantando Vidas

Professor Stanley Milgram Experimentos | 2015 | Drama/Ficção histórica.

Autoridade

Um dos casos mais descritos e estudados em todos os tempos referentes a psicologia social é o da experiência realizada
pelo professor Stanley Milgram. Milgram criou um experimento para avaliar até que ponto as pessoas seriam capazes
de agir quando sob influência de alguma autoridade.

No experimento, supostamente um dos participante do estudo deveria ministrar doses variáveis de choques em um
outro participante para avaliar como o mecanismo de punição impacta o aprendizado. Desta maneira, cada vez que
fosse feita uma pergunta e a pessoa errasse a resposta um choque seria dado.

O suposto participante que recebia os choques era na verdade um ator que fazia parte dos experimentos. E os choques
não eram de verdade. Mas o participante que dava os choques não sabia disso. O professor responsável pelo estudo
ficava ao lado do participante e mandava aumentar o nível do choque a cada novo erro. Mais de 2/3 dos participantes
subiu o nível do choque até o último, mesmo vendo a pessoa que estava tomando os choques agonizando, beirando
a morte, simplesmente porque o professor os mandou seguir aumentando o nível dos choques. Uma experiência que
chocou o mundo.

Right Ear Drops x R Ear Drops.

Costumamos aceitar coisas que normalmente não aceitaríamos quando associamos algum tipo de autoridade a
pessoa que efetua a demanda. Basicamente, são três os fatores que nossa fazem associar autoridade a alguém: um
título, suas roupas e seus acessórios (como jóias ou até carros).

18
W O R K S H O P Encantando Vidas

Como funciona nosso processo de escolha


Basicamente o processo de escolha de uma pessoa segue os seguintes passos:

Definição de um objetivo

Avaliação das
opções disponíveis

Avaliação de como a opção


atende o objetivo definido

Escolha da opção

Usar o resultado da
escolha para avaliar
as próximas decisões

20
A principio o processo parece fácil e bem objetivo. No entanto na prática não funciona
bem assim. Vou focar nos dois primeiros passos, que são os que definem aquilo que
vamos escolher.

Já na primeira etapa encontramos um problema. Não raramente o objetivo que


escolhemos é algo que nunca experimentamos antes. Criamos então uma utilidade
esperada para o objetivo, que é a forma como acreditamos que iremos nos sentir
quando o atingirmos. A forma como efetivamente nos sentimos durante a conquista
do objetivo representa a utilidade experimentada. E depois de passado um tempo
do atingimento do objetivo a forma como lembraremos a sensação experimentada
ao atingi-lo será a utilidade lembrada. O ideal seria ter objetivos onde a utilidade
experimentada correspondesse a esperada, e esta fosse depois lembrada de maneira
fidedigna ao que aconteceu para nos ajudar nas próximas decisões. Mas raramente isso
acontece.

Estudos mostram que o que lembramos das experiências que passamos corresponde
quase inteiramente a uma de duas coisas. Aquilo que sentimos durante o pico da
experiência (para o bem ou para o mal) ou o que sentimos quando ela acabou. A
proporção das coisas boas que sentimos em relação as más, e a duração dos momentos
bons e ruins não tem quase influência alguma em relação a como lembramos estas
experiências, e portanto temos “resumos” delas que podem ser absolutamente
enganosos e nos levar a tomar péssimas decisões adiante.

Durante o segundo passo, que é o da avaliação das opções disponíveis, outra dificuldade.
Como para avaliá-las ficamos sujeitos às formas como elas nos são mostradas ficamos
reféns de todas as armas de influência (descritas anteriormente) utilizadas nas
propagandas e discursos enviesados. Além, é claro, da nossa experiência passada que
como acabamos de ver manda-nos mensagens distorcidas.

A solução não é simples. Mas saber que nosso processo psicológico de escolha funciona
dessa forma pode nos fazer refletir antes de tomar decisões e ver se não estamos sendo
levados por caminhos enganosos.

21

Você também pode gostar