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EXMO(A). SR(A). DR(A).

JUIZ(A) DE DIREITO DA 14ª VARA DO SISTEMA DOS


JUIZADOS ESPECIAIS DA COMARCA DE SALVADOR – BA.

BANCO MÁXIMA S/A, com sede na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de
Janeiro, na Avenida Atlântica n.º 1.130, 12º andar, parte, Copacabana, inscrita no
CNPJ/MF sob o n.º 33.923.798/0001-00, neste ato, devidamente representada na forma
de seu Estatuto Social, por seus representantes legais infra-assinados, doravante
denominados, por conduto de seus advogados constituídos nos termos do instrumento de
mandato em anexo, que os qualifica e indica endereço profissional para fins de
comunicação, nos autos do processo nº 0044381-80.2020.8.05.0001, que lhe é movido
por GEORGE BISPO DE JESUS, vem à alta e percuciente presença de V. Exa. para,
com arrimo nos arts. 30 e 31 da Lei n.º 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais), e demais
disposições constantes no Código de Processo Civil, oferecer CONTESTAÇÃO,
fazendo-o nos seguintes e precisos termos:

1. DAS INTIMAÇÕES PROCESSUAIS FUTURAS.


Ab initio, requer o Demandado, com lastro no que prescreve o art. 272, § 5º, do CPC, que
todas as intimações futuras sejam feitas em nome da patrona GIOVANNA BASTOS
SAMPAIO CORREIA, inscrita na OAB/BA 42.468, CPF/MF n.º 027.900.745-00, sob
pena de nulidade.

2. PRELIMINARMENTE.
2.1. DA RETIFICAÇÃO DO POLO PASSIVO. CREDCESTA.
Primeiramente, requer desde já a exclusão do CREDCESTA do polo passivo da ação,
posto que esta empresa não possui personalidade jurídica.

O Banco Peticionante é a instituição licenciada para explorar a marca CREDCESTA,


sendo por isso o gestor do Programa CREDCESTA, uma linha de crédito pré-aprovada
que assegura, inclusive mediante o uso de um Cartão do Programa Credcesta, uma
margem de consignação em folha de pagamento de 30% (trinta por cento) da remuneração

Assinado eletronicamente por: GIOVANNA BASTOS SAMPAIO CORREIA;


Código de validação do documento: 73743272 a ser validado no sítio do PROJUDI - TJBA.
líquida dos beneficiários do Programa, nos termos do art. 2º do Decreto Estadual n.
18.353/2018.

Conquanto o endereço citado na petição inicial efetivamente pertença à sede de Programa


Credcesta – que não possui personalidade jurídica – em Salvador, o CNPJ de nº
33.900.000/0000-16, indicado na exordial, pertencente a terceiro estranho a lide.

Assim sendo, requer a retificação do polo passivo para que conste apenas o BANCO
MÁXIMA S/A. inscrito no CNPJ de nº 33.923.798/0001-00, qualificado na petição de
Evento 15, que é efetivamente a empresa que explora a marca CREDCESTA, que não
possui personalidade jurídica, substituindo-se, inclusive o CNPJ de nº 33.886.862/0001-
12, cadastrado equivocadamente como sendo do Banco Máxima S/A no sistema
PROJUDI.

2.2. DA INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA EM RAZÃO DA MATÉRIA.


Como é cediço, o procedimento sumário adotado pelos Juizados Especiais tem como sua
maior e mais importante característica e importância a resolução de conflitos de maneira
célere, sem, no entanto, comprometer a justa aplicação do direito e a segurança jurídica
dos cidadãos.

Para tal, entretanto, faz-se necessário que as demandas neles intentadas sejam possíveis
de resolução de maneira rápida e eficiente, o que explicitamente não se aplica ao caso em
tela.

E isso torna-se claramente perceptível pela simples leitura dos autos, onde a necessidade
da verificação dos juros aplicados tornará imprescindível a produção de perícia.

A parte Autora pretende com a presente ação, na verdade, a revisão das cláusulas do
referido contrato, como também dos juros e encargos contratados, questões que são
extremamente complexas, exigindo, inclusive, produção de prova pericial contábil,
hipótese que também afasta a competência desse Juizado.

De fato, para que se chegue à conclusão da correta aplicação dos referidos juros não
restam dúvidas ser esse meio de prova o mais apropriado para ser utilizado.

Ocorre que esse tipo de prova não é característico dos Juizados Especiais, pois, além de
ter que se pagar honorários de perito - não previstos na lei 9.099/95 -, acabaria por
comprometer a celeridade da prestação jurisdicional.

De outro lado, o não deferimento da perícia poderia acarretar a infringência ao princípio


constitucional consolidado na Carta Magna de 1988, que assegura ao réu a ampla defesa
e às partes o devido processo legal, conforme explicitamente previsto no Art. 5º, LV da
Constituição citada.

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Faz-se imperiosa, dessa forma, a extinção do feito, sob pena de desrespeito às
determinações legais. Vale transcrever os dispositivos legais e constitucionais que
clareiam a necessidade de que a demanda seja extinta sem o julgamento do mérito:

Neste sentido, dispõe o artigo 3º da Lei 9099/95:

“O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e


julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas:
I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo;
II - as enumeradas no artigo 275, inciso II do CPC;
III - a ação de despejo para uso próprio;
IV - as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente ao
fixado no inciso I desse artigo”.

Verifica-se, pois, de plano, que o objeto da presente demanda não se enquadra em


qualquer dos incisos acima relacionados.

A não extinção do processo sem o julgamento do mérito, se não decretada, desrespeitará


artigo constitucional que determina:

Art. 98: “A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados


criarão:

I - Juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos,


competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis
de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo,
mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses
previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes
de primeiro grau”.

Ademais, a continuidade do processo poderá acarretar prejuízos incalculáveis ao Banco


Acionado.

Senão, observe-se que ao Banco Contestante, em caso de derrota no primeiro grau de


jurisdição, só caberá recurso à Turma Recursal, quando se a demanda tivesse sido
intentada no órgão julgador competente, lhe caberia outros tipos de recurso, a exemplo
do Recurso Especial, Agravo de Instrumento etc.

Mais uma vez, a ampla defesa restaria prejudicada.

Além das evidências legais, o entendimento dos tribunais pátrios já caminhado pela
incompetência dos Juizados em casos complexos, conforme descrição abaixo:

RECURSO INOMINADO. OBRIGACIONAL. CONSUMIDOR. COMPRA A


PRAZO. ALEGAÇÃO DE ABUSIVIDADE NOS JUROS PACTUADOS.
INCONFORMIDADE COM A FORMA DE COBRANÇA, E COM
SUPOSTOS JUROS ABUSIVOS. CARÁTER REVISIONAL.
COMPLEXIDADE QUE TORNA INCOMPETENTE O JUIZADO ESPECIAL
CÍVEL PARA O JULGAMENTO DA CAUSA. 1. Narra a parte autora que

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autora adquiriu da ré uma máquina de lavar roupas, no valor de R$1.333,00,
ficando o produto, em razão dos encargos do financiamento, no valor total de
R$2.341,35. Relata que em setembro de 2016, comprou outra máquina, na
loja ré, no valor de R$ 1.682,00, cujo valor total, em razão dos encargos de
financiamento, montou a importância de R$2.523,40. Sustenta o abuso na
cobrança dos juros impostos. Menciona ainda que vem sendo cobrada pela
ré por garantia extendida , mas que nada contratou neste sentido. Pugna pela
declaração de inexistência do débito referente a garantia indevidamente
cobrada, perla exclusão de seu nome dos cadastros de devedores, bem como
pela condenação da demandada ao pagamento de indenização por danos
morais. 2. Sentença que julgou extinta a ação. 3. A impugnação consiste na
suposta abusividade decorrente dos encargos envolvendo o financiamento
realizado pela autora na compra de duas máquinas de lavar roupa na loja
demandada, com discussão de... juros e taxas referente à garantia estendida
cobradas, o que caracteriza o cunho revisional da demanda. 4. A modificação
pretendida pela demandante altera toda a base contratual, sendo necessária
análise de percentuais cobrados, com eventual restituição de quantias pagas,
necessitando de cálculo para o reembolso da diferença, se por acaso,
constatar-se a abusividade. 5. Diante deste contexto, e levando-se em conta
que nos Juizados Especiais, há necessidade de provimento líquido, o que não
se consegue alcançar na espécie, imperioso reconhecer-se a incompetência
destes Juizados para apreciar a matéria. 6. Sentença mantida por seus
próprios fundamentos, a teor do art. 46, da Lei 9.099/95. RECURSO
IMPROVIDO.
(TJ-RS - Recurso Cível: 71007780687 RS, Relator: Fabio Vieira Heerdt, Data
de Julgamento: 13/12/2018, Terceira Turma Recursal Cível, Data de
Publicação: Diário da Justiça do dia 17/12/2018)

1. INCOMPETÊNCIA. AÇÃO VISANDO REVISÃO DE TODO CONTRATO,


PARA RECONHECIMENTO DE JUROS REAIS EXTORSIVOS. 2.
JUIZADOS ESPECIAIS. CAUSA DE ALTA COMPLEXIDADE,
DEPENDENDO DE PROVA PERICIAL PARA ESTABELECER-SE O
PERCENTUAL DA EXCESSIVA ONEROSIDADE ALEGADA.
IMPOSSIBILIDADE DE SENTENÇA ILÍQUIDA. 3. EXTINÇÃO DO
PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO
(TJ-BA 879712005 BA, Relator: SARA SILVA DE BRITO, 3ª TURMA
RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS, Data de
Publicação: 10/01/2006)

Como se não bastasse todo o exposto, as Turmas Recursais reunidas deste Tribunal
aprovaram entendimento sumulado a seguir:

Súmula 01/2016: São complexas as ações em que se discute revisão de juros


remuneratórios e moratórios nos contratos de cartão de crédito e cheque
especial, em face da necessidade de cálculos específicos. (Aprovado por
maioria em 29/01/2016- Turmas Recursais Reunidas TJ/BA)

Dessa forma, requer seja declarada a incompetência absoluta desse MM. Juízo,
extinguindo-se o processo sem julgamento do mérito.

2.3. DA EXIBIÇÃO INCIDENTAL DE DOCUMENTOS. RITO INCOMPATÍVEL


COM O JUIZADO ESPECIAI.

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O Autor faz requerimento para que o Demandado apresente uma lista de documentos que
que elenca na sua exordial, sob pena de a ausência da apresentação ser considerada
ausência de prova do contrato e cobrança ilegal.

O requerimento é feito através de pleito de “Exibição Incidental de Documentos”, no


entanto este procedimento é incompatível com o rito do Juizado Especial, consoante se
pode observar do recente julgado abaixo colacionado:

EMENTA
NECESSIDADE DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS.
ALEGAÇÃO DA RÉ DE REPROVAÇÃO DE UMA DISCIPLINA E
DA AUTORA DE QUE TERIA REFEITO A
CADEIRA. DOCUMENTO QUE NÃO HÁ NOS AUTOS.
IMPROCEDÊNCIA PREJUDICIAL À AUTORA. NECESSIDADE
DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO, RITO INCOMPATÍVEL COM
O JUIZADO ESPECIAL. INCOMPETÊNCIA
DOS JUIZADOS ESPECIAIS PARA A APRECIAÇÃO DA
MATÉRIA. EXTINÇÃO DO FEITO DE OFÍCIO, POR MAIORIA.
RECURSO PREJUDICADO. (Recurso Cível Nº 71008254609, Quarta
Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Gisele Anne Vieira
de Azambuja, Julgado em 27/02/2019).

Desta forma, tendo em vista a incompatibilidade do pleito formulado com o rito do


Juizados Especiais, requer seja o processo extinto sem julgamento de mérito nos termos
do art. 51, inciso II , da Lei nº 9.099 /95.

Por fim, caso o entendimento deste M.M. Juízo não seja pela extinção, o que não se
espera, cumpre consignar que todos os documentos pertinentes e de posse do Demandante
relativos ao negócio jurídico celebrado entre as partes já fora colacionado aos autos no
evento 15 do Projudi, bem como a sua complementação acompanha a presente defesa.

3. BREVE NOTÍCIA DOS FATOS.


Alega a parte autora que celebrou um “empréstimo bancário” junto à parte ré, recebendo,
em sua conta, o valor de R$ 4.114,52 (quatro mil, cento e quatorze reais e cinquenta e
dois centavos). O valor teria sido creditado na sua conta da seguinte forma: R$ 394,78
(trezentos e noventa e quatro reais e setenta e oito centavos) em março de 2019, R$
1.819,32 (mil oitocentos e dezenove reais e trinta e dois centavos) em julho de 2019 e R$
1.900,42 (mil e novecentos reais e quarenta e dois centavos) em agosto de 2019. Os
valores seriam quitados através de descontos no contracheque do Autor.

Problematiza aduzindo que já teria pagado o valor de R$ 3.294,32 (três mil, duzentos e
noventa e quatro reais e trinta e dois centavos), mas as parcelas descontadas de seu
contracheque não amortizavam a dívida total, o que reputa indevido.

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Relata que, segundo cálculo realizado pelo CODECON, o seu valor devido ao
Demandado é de apenas R$1.090,18 (mil e noventa reais e dezoito centavos).

Por tais razões, requereu a parte Autora, a concessão de liminar para que fosse
determinada a suspensão dos descontos em folha de pagamento, ou, alternativamente, o
depósito dos valores em conta judicial com a consequentemente suspensão dos descontos
em contracheque. No mérito, requereu que fosse “declarada” a nulidade de cláusulas
contratuais que reputa abusivas, requereu também a condenação do Demandado ao
pagamento de indenização à título de danos morais no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil
reais) e, por fim, requereu a incidência de juros de mora e correção monetária sobre o
valor dos danos morais.

Passar-se-á, então, a demonstrar a realidade dos fatos, porquanto o Banco Contestante


tenha agido de forma lícita, como bem será demonstrado.

4. DO MÉRITO. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO.


Inicialmente, cumpre registrar que o serviço de saque (ao qual a parte Autora denomina
“empréstimo”) fora efetivamente contratado pela parte Demandante, servidora pública
estadual participante do Programa Credcesta, dado que esta autorizou a operação de
saque, disponível para os beneficiários de um Cartão Credcesta.

No particular, verifica-se que a parte Autora confessa ter efetivamente solicitado o


serviço, aduzindo que, no entanto, teria sido ludibriada, pois julgava que estaria
contratando um “empréstimo consignado”.

Deve-se ressaltar que, a parte Autora omitiu a informação de que não solicitou apenas
três serviço de saque, mas sim cinco através do call center do Demandado, tendo recebido
em sua conta, em verdade, o montante total de R$ 7.589,37 (sete mil, quinhentos e oitenta
e nove reais e trinta e sete centavos), conforme comprovante de TED em anexo. Tal
comportamento apenas reforça que a parte Autora foi devidamente cientificada dos
termos do serviço contratado, não apenas uma, mas diversas vezes.

Para melhor entendimento das contratações segue tabela abaixo:

Curiosamente, da ligação referente à primeira contratação (GEORGE BISPO DE


JESUS_20190118_1159_Jessica Alves de Jesus), ora acostada, infere-se que a atendente

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informa ao Autor todos os termos do serviço de saque, senão vejamos o quanto dito pela
atendente a partir do minuto 01:16:

Como o senhor entrou em contato agora, a Credcesta


disponibilizou agora um benefício para o senhor de um saque, o
senhor sabia disso? Isso. Foi aprovado agora um valor para o
senhor estar sacando de trezentos e noventa e quatro reais e
setenta e oito centavos. O senhor sacando este valor eu transfiro
para a sua conta do Banco do Brasil, como já “é” onze horas,
hoje não cai, cai na sua conta no próximo dia útil até as dezoito
horas. E o senhor só vai começar a pagar na folha de fevereiro
um valor aproximado de dezenove reais. A taxa de juros é de
4,97, mas já está incluído no valor da parcela, certo senhor
George? E o prazo máximo é em até sessenta meses, mas como é
um valor de trezentos e noventa e quatro e setenta e oito, a
qualquer momento o senhor pode entrar em contato conosco e
quitar o saque.

Ainda quanto a mesma ligação, é possível se verificar que ao final, porém antes de ser
finalizada a contratação do serviço, a auditora responsável, no minuto 04:06, informa que
o Regulamento de Contratação e o Termo de Adesão ao Credcesta estão disponíveis no
site do Credcesta e também no aplicativo para acesso diretamente no celular. Em seguida,
a tendente questiona se o Autor confirma que leu e que está de acordo com o Termo
e o Regulamento, tendo o Demandante respondido afirmativamente.

Nas ligações referentes as demais contratações os atendentes seguem este mesmo padrão
de atendimento, sempre informando todos os termos do serviço de saque, tendo o autor
confirmado para o auditor também nas demais contratações que leu e que estava de acordo
com o Termo e o Regulamento para validar a contratação do serviço.

Assim, destaca-se que em nenhum momento foi dito ao Autor que o benefício se tratava
de empréstimo consignado, ao revés disso, a todo momento foi passada a informação de
que se tratava de um serviço de saque.

Deve ser destacado, ainda, que os “encargos por atraso”, contra os quais a parte Autora
se insurge, integram o Custo Efetivo Total (CET) da operação, de 4,98% a.m. (quatro
ponto noventa e oito ao mês), o que não restou devidamente observado pela petição
inicial.

Com efeito, o serviço de saque em questão assemelha-se aos saques emergenciais


oferecidos pelos cartões de crédito de mercado. É dizer, ao realizar a operação, espera-se
que a quitação integral da dívida ocorra na próxima fatura; não havendo quitação, ocorre
um financiamento parcelado, de acordo com as regras pertinentes para os cartões
consignados em folha de pagamento.

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E, tratando-se de consignação em folha, não há como precisar o valor fixo, posto que será
considerada a margem para os servidores daquele mês, em atenção aos demais descontos
fixos, sempre respeitada a margem de consignação.

Assim, o valor que está sendo consignado encontra-se em perfeita conformidade com o
contratado, correspondendo ao financiamento do valor principal sacado (R$ 7.589,37),
somado ao valor da anuidade pelo uso do cartão.

Por fim, a parte Autora colacionou aos autos tabela do SGS do Banco Central do Brasil e
planilha de cálculos do CODECON que restam desde já impugnadas uma vez que
apresentam taxas de juros diferentes das previstas no negócio jurídico celebrado entre as
partes, não podendo, portanto, serem consideradas para o caso em comento.

Destarte, não há que se falar em ato ilícito, devendo a queixa ser julgada improcedente,
sendo pertinente aprofundar as explicações sobre as nuances do negócio jurídico em
debate nos termos abaixo.

4.1. DO PROGRAMA CREDCESTA.


O Programa Credcesta consiste em uma linha de crédito pré-aprovada que assegura,
inclusive mediante o uso de um Cartão do Programa Credcesta, uma margem de
consignação em folha de pagamento de 30% (trinta por cento) da remuneração líquida
dos beneficiários do Programa, nos termos do art. 2º do Decreto Estadual n.
18.353/2018.

O Credcesta, marca vinculada ao Programa Cesta do Povo tratada pelo Decreto n.


18.353/2018, editado pelo Governo do Estado da Bahia, da qual o Demandado é
licenciado, e com a autorização do licenciante, estabelece os Termos e Condições de Uso
e Privacidade (doc. em anexo), bem como as condições para utilização do site
institucional do Credcesta e aplicativo do Credcesta, de forma a esclarecer as obrigações
e responsabilidades de seus usuários – servidores públicos estaduais -, que poderão
acessar os serviços e conteúdos disponibilizados pelo Credcesta.

Insta salientar que os servidores que tiverem interesse em continuar a participar do


Programa Credcesta, deverão expressamente, por meio físico ou eletrônico, autorizar o
desconto em seu contracheque a título de ressarcimento de eventuais lançamentos,
conforme previsão do art. 5º do Decreto Estadual n. 18.353/2018.

O Decreto Estadual n. 18.353/2018 dispõe sobre o Programa de Apoio Institucional


relativo à consignação em folha de pagamento de créditos rotativos para aquisição de
bens e serviços por Servidores e empregados públicos da Administração direta e indireta
do Estado Programa Credcesta, sendo o seu art. 1º preciso ao prever:

“Art. 1º - O Programa de Apoio Institucional relativo à consignação em


folha de pagamento de créditos rotativos para aquisição de bens e serviços

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por servidores e empregados públicos da Administração direta e indireta do
Estado - Programa Credicesta – é gerido e operado pela empresa Baiana de
Alimentos S/A – EBAL com o objetivo de apoiar e facilitar a aquisição de
bens e serviços, a custo ou condições diferenciadas, mediante a consignação
dos compromissos financeiros respectivos na folha de pagamento do Estado
da Bahia.

Parágrafo único – São beneficiários do Programa Credicesta os servidores


e empregados públicos, ativos ou aposentados, e pensionistas da
Administração direta e indireta do Estado, nos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário.” (Grifou-se)

Preclaro Julgador, o parágrafo único, do art. 1º, do Decreto Estadual n. 18.353/2018,


é peremptório ao dispor que os servidores e empregados públicos, ativos ou aposentados,
e pensionistas, do Estado da Bahia, são beneficiários do Programa Credcesta. Este
programa, por seu turno, tem por escopo apoiar e facilitar a aquisição de bens e serviços
a custo ou condições diferenciadas.

Registre-se, mais uma vez, que o cartão Credcesta não pode ser entendido como um
simples cartão de crédito (comumente ofertados pelas instituições financeiras),
porquanto seja, na verdade, instrumento de materialização do Programa Credcesta
há muito instituído e criado pelo Estado da Bahia em benefício dos seus servidores
e empregados públicos.

Deve ser destacado, ainda, que a operação, por ser realizada virtualmente, não depende
da posse física do cartão, sendo necessário, apenas, a confirmação de que a parte é
beneficiária do Programa Credcesta e, portanto, titular de um cartão, como são todos os
servidores públicos do Estado da Bahia.

4.2. DA DISTINÇÃO ENTRE SERVIÇO DE SAQUE E SERVIÇO DE


EMPRÉSTIMO.
Mister distinguir, desde logo, o serviço de empréstimo consignado e o serviço de saque,
efetivamente prestado pelo Contestante, haja vista que os dois não se confundem.

O serviço de empréstimo distingue-se do saque ofertado pelo banco porquanto o


empréstimo possua parcelas fixas e pré-definidas, com análise de crédito em
procedimento distinto ao de saque.

No serviço de saque, de seu turno, é disponibilizada a possibilidade de levantar, em


espécie (em casas lotéricas) ou via transferência bancária, os limites disponibilizados
para o cartão Credcesta com esta finalidade, com pagamento por meio da margem
consignável disponibilizada pelo empregador ao Contestante e incidindo, pois, para
pagamento, os encargos e regras do próprio Cartão Credcesta.

O serviço de saque, denominado pela parte Acionante como “empréstimo consignado”,


conforme confessado, foi efetivamente contratado, definido nos Regulamentos de

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Utilização do Cartão de Crédito Consignado Credcesta como “retirada, dentro do
respectivo limite e sujeito à disponibilidade, de papel moeda ou crédito
EXCLUSIVAMENTE em conta corrente de titularidade do Titular ou em lojas
lotéricas, com incidência de Encargos, IOF e Tarifas”.

É dizer, através da autorização expressa do servidor público, aposentado ou da ativa, para


o crédito em conta de sua titularidade, é liberado certo valor, obtido com base em análise
do limite e com pagamento mediante a margem consignável do servidor. Confira-se
novamente o Regulamento:

7.2. SAQUE:
7.2.1. Desde que disponível tal funcionalidade, e ainda sujeita à análise e
aprovação de crédito pelo Emissor, o Titular poderá utilizar o Cartão para a
realização do Saque, dentro do seu respectivo limite e desde que haja Margem
Consignável para tanto.

Deve ser observado que o serviço de saque ofertado pelo Cartão Credcesta é uma
operação financeira similar aos saques emergenciais oferecidos pelos cartões de
crédito de mercado. É dizer, ao realizar a operação, espera-se que a quitação
integral da dívida ocorra na próxima fatura; não havendo quitação, ocorre um
financiamento parcelado, de acordo com as regras pertinentes para os cartões
consignados em folha de pagamento.

Ademais, os descontos realizados foram feitos dentro dos limites do contrato celebrado
entre as partes e da legislação aplicável, a saber, os Decretos Estaduais nº 18.353/2018
e nº 17.251/2016, que regula a realização de descontos em margem consignável dos
servidores públicos estaduais, inclusive aposentados.

No particular, verifica-se que a parte Autora confessa ter recebido os valores em sua conta
corrente, em que pese tenha passado a informação equivocada de que teria recebido o
montante total de R$ 4.114,52 (quatro mil, cento e quatorze reais e cinquenta e dois
centavos), quando em verdade recebeu o montante total de R$ 7.589,37 (sete mil,
quinhentos e oitenta e nove reais e trinta e sete centavos), por meio de comandos seguros
realizados por telefone.

Confira-se o Decreto nº 18.353/2018:

Art. 5º - O beneficiário interessado em participar do Programa Credicesta


deverá autorizar, por meio físico ou eletrônico, os descontos em seu
contracheque a título de ressarcimento de eventuais lançamentos, no parágrafo
único do art. 57 e no art. 58, ambos da Lei nº 6.677, de 26 de setembro de 1994.
Parágrafo único - As averbações de consignação em folha de pagamento,
relativas ao Programa Credicesta, autorizadas pelos beneficiários respectivos,
além de poderem ser autorizadas eletronicamente, a partir de comandos
seguros, poderão também se efetivar por mecanismos de telecomunicação,
gravação de voz ou por meios digitais que garantam o sigilo dos dados

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cadastrais, bem como a segurança e a comprovação da aceitação da operação
realizada pelo interessado.

Ou seja, a transação financeira, por força de lei – cujo desconhecimento não aproveita a
ninguém -, pode ser realizada sem a assinatura física de papéis. A via eletrônica do
contrato, de seu turno, conforme explicitado para a parte Autora, está disponível no site
https://portal.credcesta.com.br/ e pode ser consultado na loja física do Programa
Credcesta sempre que requerido pelo cliente.

Estes documentos são assinados eletronicamente pelo consumidor, a partir do momento


em que realiza o desbloqueio confirmando seus dados pessoais e utiliza as
funcionalidades do cartão. A assinatura eletrônica é um método de autenticação que
possibilita a identificação e a expressa manifestação de vontade do Titular e garante a
integridade da operação.

No caso em comento, a assinatura eletrônica concretiza-se pela validação positiva,


ativação do cartão, por meio de confirmações de três dados pessoais da parte Autora
escolhidos aleatoriamente pelo auditor. Perceba-se, inclusive, que a contratação, em
si, sequer é questionada pela parte Demandante, mesmo porque confessa, em sua
queixa, que solicitou serviços de saque.

Assinado eletronicamente por: GIOVANNA BASTOS SAMPAIO CORREIA;


Código de validação do documento: 73743272 a ser validado no sítio do PROJUDI - TJBA.
Deve ser salientado, ademais, que nos termos de adesão e regulamento não há menção
alguma a prazos ou valores fixos, conforme evidenciam trechos retirados do
“Regulamento”, cujo acesso foi disponibilizado à parte Autora:

Ao aderir a este Regulamento, o Titular, de forma irrevogável e irretratável:


(i) DECLARA que possui margem consignável disponível; (ii) SOLICITA e
AUTORIZA que o Averbador a reserve até o limite legal permitido,
descontando mensalmente dos vencimentos ou benefícios do Titular os
valores correspondentes à margem utilizada; [...] (iv) ou ainda SOLICITA e
AUTORIZA o Ajuste de Margem Consignável, a critério do Emissor, pelo
prazo máximo admitido neste instrumento, CONCORDANDO expressamente
que o Banco Máxima S/A assim solicite, e autorizando-lhe, ainda, a: (i)
reduzir o valor do desconto mensal, (ii) aumentar a quantidade de
prestações (no caso de existência de lançamentos parcelados) de forma a
prorrogar o pagamento do débito existente até a sua efetiva
liquidação, sendo certo que o valor do novo desconto será o valor máximo
da margem consignável após a respectiva redução. Neste caso, o número de
parcelas (no caso de existência de lançamentos parcelados) será aquela
necessária para a quitação do saldo devedor;

O serviço de saque, como dito, diferencia-se do empréstimo, máxime porque o valor


a ser pago mensalmente varia de acordo com a margem consignável disponível para
o cliente, cujo valor é disponibilizado pela Administração Estadual.

Caso o cliente opte sempre pelo pagamento do valor mínimo, é realizada uma
estimativa das parcelas, sendo ressalvado que podem ocorrer alterações em
decorrência das variações da margem consignável de cada servidor, mês a mês, vez
que a margem sofrem variações mensais, a depender dos demais descontos
compulsórios e facultativos realizados nos contracheques dos servidores.

Mensalmente, os clientes do Cartão Credcesta recebem uma fatura com todos os valores
devidos, sendo que o valor mínimo é consignado. É possível, entretanto, pagar um valor
superior ao consignado, o que diminuirá o tempo necessário para liquidar o débito e
ocasionará, por óbvio, a redução proporcional nos juros.

Todas as informações foram passadas no momento da contratação, tendo a parte


Requerente dado ciência e aquiescido com tal. A parte Autora queixa-se dos “encargos
por atraso” cobrados, mas uma simples operação aritmética permitiria perceber que a
soma dos valores da fatura referentes a “encargos por atraso” e “IOF encargos de
rolagem” são integrantes ao Custo Efetivo Total (CET) da operação, do qual a parte
Autora foi informada, como fazem prova as gravações anexas. Restam, por isso mesmo,
impugnadas as alegações de que estariam sendo cobrados valores indevidos.

Merece ser ressaltado, mais uma vez, que o serviço de saque deve ser preferencialmente
quitado de forma integral no mês subsequente; sendo realizado apenas o pagamento

Assinado eletronicamente por: GIOVANNA BASTOS SAMPAIO CORREIA;


Código de validação do documento: 73743272 a ser validado no sítio do PROJUDI - TJBA.
mínimo, é certo que incidirão as taxas atinentes ao crédito rotativo, aplicando-se as regras
de cartões de crédito consignados.

Portanto, as alegações da parte Requerente de que faria jus a indenização por danos
morais porque não teria sido informada dos termos do contrato e de que os descontos em
seu contracheque estariam sendo realizados acima do pactuado martirizam os princípios
da probidade, da boa-fé (art. 5º do NCPC) e da lealdade, devendo, por isso, ser
exemplarmente condenada por litigância de má-fé, nos termos dos arts. 80 e 81 do
NCPC, o que fica, desde já, requerido.

5. DA IMPOSSIBILIDADE DE REAJUSTE DA PARCELA NOS TERMOS EM


QUE REQUERIDO PELO AUTOR.
Conforme exaustivamente exposto, a parcela do serviço de saque Credcesta baseia-se na
margem consignável do servidor público, razão pela qual o desconto efetivado em
contracheque pode variar mês a mês.

Como já realçado, a parte Autora efetivamente contratou, reconhecendo, ademais, que


recebeu os valores em sua conta (o que restou também comprovado pela documentação
anexa); nada obstante, formula pedido no sentido de que seja “declarada” a nulidade de
cláusulas contratuais que reputa abusivas, com a consequente correção do valor devido.

Não há como se cogitar em readequação dos juros ao valor pretendido pela parte
Requerente, porquanto os juros cobrados sejam condizentes com a avença celebrada entre
as partes – qual seja, saque de limite de cartão de crédito rotativo. Ademais, trata-se de
um ato jurídico perfeito, celebrado sem qualquer vício de consentimento, conforme
exposto acima.

No momento da contratação não é fornecido um valor fixo aos consumidores, ao revés


do que quer fazer crer a parte Demandante. Ao contrário: o consumidor recebe a
informação de que será descontado o pagamento mínimo em seu contracheque, até o
limite da margem consignável disponibilizada pelo Estado da Bahia.

Ademais, não há como se cogitar em readequação das taxas de juros aos percentuais
pretendidos pela parte Autora à taxa média de juros da modalidade de empréstimo
consignado, porquanto os juros cobrados sejam condizentes com o quanto informado à
parte acionante e com a avença celebrada entre as partes – qual seja, saque de crédito
rotativo.

Com efeito, conforme já realçado nesta defesa, os serviços de saque de limites do cartão
de crédito e de empréstimo não são semelhantes entre si. Por tal razão, não se aplicam,
no caso em comento, as taxas de juros previstas para empréstimo consignado.

A orientação jurisprudencial obsequia a tese do Contestante; confira-se:

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EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO -
CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO - PRETENSÃO - TAXAS DE JUROS
DE EMPRÉSTIMO PESSOAL CONSIGNADO - IMPOSSIBILIDADE -
FATURAS - PREVISÃO DA TAXA DE JUROS - NECESSIDADE. 1 - Não
pode ser acolhida a pretensão da parte autora em substituir a taxa de juros
remuneratórios do cartão de crédito consignado pela taxa média prevista
para os contratos de empréstimo pessoal consignado, por se tratar de
negócios jurídicos em que os encargos sobre eles incidentes possuem
sistemática diversa de cálculo. 2 - As taxas de juros remuneratórios cobradas
pelas administradoras de cartão de crédito nos casos de parcelamento da
dívida ou saque de valor, devem estar previstas na fatura enviada
mensalmente ao consumidor. (TJ-MG - AC: 10000181130337001 MG,
Relator: Claret de Moraes, Data de Julgamento: 18/11/0018, Data de
Publicação: 04/12/2018)

Se comparado com as taxas do mercado para cartões de crédito, consignados ou


convencionais, perceber-se-á que as taxas praticadas pelo Cartão Credcesta se
encontram perfeitamente adequadas à média de mercado. Repise-se que acaso o
cliente decida quitar antecipadamente a fatura de seu Cartão Credcesta, será feito o
deságio dos juros proporcionalmente.

Não se pode olvidar, ademais, que a taxa de juros remuneratórios do cartão de crédito
consignado difere da taxa média prevista para os contratos de empréstimo pessoal
consignado, por se tratar de negócios jurídicos diversos em que os encargos sobre eles
incidentes possuem sistemática diversa de cálculo.

Quanto ao valor dos encargos de atraso, cumpre dizer que são contratualmente previstos,
conforme Regulamentos de Utilização do Cartão de Crédito Consignado Credcesta. Pede-
se vênia para transcrever novamente a definição do serviço: “retirada, dentro do
respectivo limite e sujeito à disponibilidade, de papel moeda ou crédito
EXCLUSIVAMENTE em conta corrente de titularidade do Titular ou em lojas
lotéricas, com incidência de Encargos, IOF e Tarifas” (grifou-se).

Merece ser ressaltado, mais uma vez, que o serviço de saque deve ser preferencialmente
quitado de forma integral no mês subsequente; sendo realizado apenas o pagamento
mínimo, é certo que incidirão as taxas atinentes ao crédito rotativo, aplicando-se as regras
de cartões de crédito consignados.

Por fim, não se pode deixar de registrar que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou
o entendimento, por meio da edição do Enunciado de Súmula 382, de que: “A
estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% (doze por cento) ao ano, por si
só, não indica abusividade”.

Como houve avença válida e em perfeita conformidade com o Sistema Financeiro


Nacional e Conselho Monetário Nacional, curial lembrar que o Código de Defesa do
Consumidor também não se aplica às matérias imanentes àqueles órgãos.

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Por outro lado, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, através da SÚMULA 596,
liquidou as controvérsias existentes em torno da matéria, manifestando o seguinte
entendimento:

SÚMULA 596 – As disposições do Decreto 22.626/33 não se aplicam ás


taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas
pôr instituições públicas e privadas que integram o Sistema Financeiro
Nacional.

É comezinho que o CDC só tem aplicabilidade no que concerne aos contratos bancários,
quando funciona como fiscalizador da lei, porém, limitação de juros, aplicação de taxas,
descontos, etc., são matérias da competência privativa do Conselho Monetário Nacional,
a teor da Lei 4.595/64, que não foi revogada por lei posterior, prevalecendo, portanto, a
disposição expressa de seu art. 4º. inc. IX, que estabelece que “...compete privativamente
ao Conselho Monetário Nacional, limitar as taxas de juros, descontos, comissões e
qualquer outra forma de remuneração de operações e serviços bancários...” até que
seja definida a regulamentação.

A verdade é que pretende a parte autora violar a boa-fé objetiva, o que é vedado pelo
ordenamento jurídico, em razão do venire contra factum proprium, que consiste na
adoção de comportamentos contraditórios. No caso em tela, a parte efetivamente
contratou consciente, e, após, propôs ação objetivando rever as condições
contratuais para adequar a seu interesse privado.

O STJ, por meio de decisão da sua Segunda Seção, quando do julgamento do REsp
728563, já pacificou o entendimento de que o desconto de prestação de operação de
crédito em folha de pagamento é legal, não podendo o cidadão tentar, unilateralmente,
modificar as condições do contrato firmado.

Restou provado nos autos que, a um, a taxa de juros foi informada à consumidora, não
havendo como se cogitar em ausência de pactuação; a dois, não há que se falar em
empréstimo consignado – posto que o Cartão Credcesta oferece apenas o serviço de saque
do limite do cartão –; e, a três, obedece os critérios legais.

Destarte, a presente queixa consiste numa reprovável tentativa da parte Autora de se


locupletar indevidamente, ou seja, de receber o valor disponibilizado em sua conta por
meio do serviço de saque de limite de cartão de crédito e não pagar, haja vista a alegação
lançada na inicial de que não teria recebido qualquer cópia do contrato.

Assim, uma vez demonstrada a legalidade da cobrança efetivada pela parte Acionada,
inclusive com a devida anuência da parte Requerente, exsurge incontroverso a
improcedência do pedido de limitação dos juros ou de devolução de valores.

Não seria demasiado assinalar que, no caso em apreço, a parte Acionante não
experimentou qualquer prejuízo, porquanto só esteja sendo cobrado em razão da avença

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firmada entre as partes, bem assim por ter ativado seu Cartão Credcesta e solicitado o
serviço de saque espontaneamente.

Assim, não se verifica a cobrança ilegal de qualquer taxa, diferentemente do quanto


sustentado na inicial, posto que autorizado pelo Conselho Monetário Nacional e pelo
próprio mercado financeiro.

Ora, se, como dito, apenas o valor mínimo da fatura Credcesta é pago por meio de
consignação em folha de pagamento, é certo que deverá incidir IOF sobre o saldo
remanescente, o que não foi observado pela parte Autora – em que pese estivesse ciente
de todas as taxas que deveria adimplir e do custo efetivo total (CET) do cartão.

Assim sendo, os pedidos realizados pela Autora não merecem trilhar outro caminho senão
o da improcedência, ante a argumentação lançada.

6. DA INOCORRÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO À OFERTA.


Como já demonstrado acima, o Cartão Credcesta não oferta o serviço de empréstimo
consignado, como quer fazer crer a parte Demandante, mas sim o serviço de saque
emergencial de limites. A distinção entre os serviços foi explicada em todas as
oportunidades nas quais o Acionante entrou em contato com o call center, estando,
ademais, disponível no aplicativo e no sítio virtual Credcesta.

Ademais, a própria carta de envio do Cartão Credcesta é explícita ao ofertar apenas o


serviço de saque, efetivamente contratado pelo Autor. Confira-se:

Para que não restem dúvidas, confira-se, agora, a tela inicial do site do Cartão Credcesta
(www.credcesta.com.br/):

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Não há que se falar, portanto, em descumprimento da avença celebrada entre as
partes, vez que, em nenhum momento, foi passada para o servidor a informação de
que este estaria contratado um “empréstimo consignado”, tendo ocorrido oferta
unicamente de serviço de saque dos limites do Cartão Credcesta.

Assim sendo, nota-se, sem suores, que os valores cobrados e descontados no


contracheque condizem com o pacto celebrado entre as partes, restando
peremptoriamente impugnadas as alegações autorais.

7. DO ALEGADO DESVIO PRODUTIVO.


O desvio produtivo pode ser entendido, resumidamente, como todo o tempo gasto pelo
Consumidor para a solução de problemas gerados por maus fornecedores/prestadores de
serviços.

No caso em apreço, o Demandante alega fazer jus a indenização por desvio produtivo sob
o argumento de que teria tido que realizar ligações e deslocamentos ao CODECON para
compreender o seu saldo devedor junto ao Demandado.

Ora, para a configuração do desvio produtivo deve-se observar a existência efetiva de um


defeito no produto ou na prestação do serviço, se esse defeito foi de fato gerado pelo
fornecedor e se houve uma dedicação temporal significativa por parte do consumidor para
a solução do problema.

Como já demonstrado ao longo da peça contestatória, os valores cobrados pelo


Demandado ao Demandante estão em total conformidade com o negócio jurídico
celebrado entre as partes, não havendo qualquer defeito na prestação do serviço
contratado, o que por si só já elide a possibilidade de configuração do desvio produtivo.

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Deste modo, se o Acionante decidiu realizar ligações e deslocamento ao CODECON para
solucionar problema inexistente o fez por sua própria liberalidade. Além disso, não era
necessária nenhuma ligação ou deslocamento ao CODECON para que o Demandante
pudesse entender o seu saldo devedor, bastando acessar o site ou o aplicativo do Credcesta
para ter acesso aos documentos do negócio jurídico que celebrou, onde constam todos os
termos do contrato firmado.

Ademais, cumpre chamar atenção de que o Demandante equivocadamente informa que


“o seu nome continua inscrito no cadastro de inadimplentes” quando em verdade o nome
do Autor jamais fora inscrito em qualquer cadastro desta natureza.

Assim, restou comprovado que o Demandante não deu causa ao alegado desvio produtivo
do consumidor vez que não há qualquer defeito na prestação do serviço que está sendo
prestado com regularidade e em consonância com o quanto contratado, não deixando de
observar os limites legais, não havendo, portanto, que se falar em qualquer indenização a
este título.

8. DOS ALEGADOS DANOS MORAIS.


Dano moral deve ser entendido como a dor, o vexame, sofrimento ou humilhação, que
fugindo à normalidade, interfira intensamente no psicológico do indivíduo, causando-lhe
aflições, angústia e desequilíbrio em seu bem-estar.

Conforme expressas disposições dos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil, para a
caracterização da responsabilidade civil necessário se fazem as presenças de três
requisitos, quais sejam, a prática de ato ilícito ou com abuso de direito (culpa ou dolo), o
dano propriamente dito (prejuízo material ou sofrimento moral) e o nexo causal entre o
ato praticado pelo Demandado ou pelos seus prepostos e o suposto dano sofrido pela
associada.

Nessa esteira de raciocínio, é de se observar que nem todo dano é ressarcível, mas
somente aqueles que preencherem os requisitos acima elencados, e necessários para a sua
configuração. Destaque-se que em nenhum momento o Suplicado praticou ato ilícito ou
qualquer outro ato que desse ensejo a um constrangimento que fosse por parte do
associado.

Ilação inexorável, portanto, ante a inexistência de qualquer ato ilícito, é de que não há no
caso in concreto o direito a indenização, mormente por não terem demonstrado, a Autora,
a existência de qualquer dano, ônus que lhes pertencia. O dano moral tem que ser real e
efetivo, não puramente eventual e hipotético, concessa venia.

Por tal motivo, como bem esmiuçado ao longo da peça contestatória, resta impugnado o
pedido de dano moral, notadamente porque o Contestante em nada contribuiu para que o
Suplicante sofresse danos nessa órbita.

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Ademais, cumpre esclarecer que o mero aborrecimento da parte Acionante não gera a
existência de dano moral, já que este não se confunde com o primeiro.

O mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora


da órbita do dano moral, porquanto, além de fazerem parte da normalidade do nosso dia-
a-dia, no trabalho, no trânsito, entre amigos e até no ambiente familiar, tais situações não
são intensas e duradouras, a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo.

A falsa cultura de que todo e qualquer aborrecimento será indenizável às barras da Justiça
em cifras elevadas, além de bastante prejudicial, por criar uma expectativa de direito que
concretamente não existe, banaliza o instituto do dano moral propagando atitudes
irresponsáveis cometidas por pessoas que tentam utilizar-se do Judiciário visando única
e tão somente o enriquecimento fácil e ilícito.

O nunca assaz festejado civilista Caio Mário da Silva Pereira ensina que o ressarcimento,
ainda que devido, deve ser moderadamente arbitrado:

“pois, se é certo, como visto acima, que a indenização, em termos gerais, não
pode ter o objetivo de provocar o enriquecimento ou proporcionar ao
ofendido, por mais forte razão deve ser eqüitativa a reparação do dano moral
para que não se converta o sofrimento em móvel de captação de lucro.” (in
“Responsabilidade Civil”, 5ª edição, Rio de Janeiro, Forense, 1994, pg.
318 – Grifou-se)

E arremata, com a autoridade que lhe empresta a sua sabedoria:

“À determinação do ‘prejuízo de afeição’ cumpre ter em vista o limite do


razoável, a fim de que não se enverede pelo rumo das pretensões absurdas.”
(Op. cit., 6ª edição, pg. 317/318, por Caio Mário da Silva Pereira)

Com efeito, o desvirtuamento das ações de indenização por danos morais vem sendo
salientado pela melhor doutrina, que tem combatido tais abusos, como retratado no
magistério do emérito Antônio Jeová Santos, ipsis litteris:

“Nota-se nos pretórios uma avalanche de demandas que pugnam pela


indenização de dano moral, sem que exista aquele substrato necessário para
ensejar o ressarcimento. Está-se vivendo uma experiência em que todo e
qualquer abespinhamento dá ensanchas a pedidos de indenização.

(...) Como fizeram Gabriel Stiglitz e Carlos Echevesti (Responsabilidade


Civil, p. 243), diferente do que ocorre com o dano material, a alteração
desvaliosa do bem estar psicofísico do indivíduo deve apresentar certa
magnitude para ser reconhecida como prejuízo moral.” (in “Dano Moral
Indenizável”, São Paulo, Lejus, 1997, pgs. 34/36)

Nesse sentido, o entendimento jurisprudencial não destoa, antes obsequia a tese do


Demandado acerca da inexistência dos requisitos necessários para caracterização da
responsabilidade civil. É que, ao contrário do que sustenta a parte autora, uma vez

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comprovada a contratação dos serviços, a realização dos descontos autorizados pelo
servidor, desde que dentro dos ditames da lei, consubstancia-se em exercício regular de
direito. Confira-se:

APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO


DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE DÍVIDA, REPETIÇÃO DE
INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CARTÃO DE
CRÉDITO CONSIGNADO. RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL.
DESCONTO AUTORIZADO PELO CONTRATANTE. REGULARIDADE NA
CONTRATAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. Restando comprovada a
regularidade na contratação efetuada entre as partes, não havendo a
comprovação da alegação de vício no consentimento do autor ao celebrar
contrato de empréstimo por cartão de crédito na sua modalidade consignada,
tendo o demandante se beneficiado do crédito fornecido pelo demandado,
mostra-se descabida a pretensão autoral, não havendo falar em declaração
de inexigibilidade de dívida, repetição do indébito ou indenização por danos
morais. APELO DESPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70078455607, Décima
Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ana Lúcia
Carvalho Pinto Vieira Rebout, Julgado em 06/12/2018).
(TJ-RS - AC: 70078455607 RS, Relator: Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira
Rebout, Data de Julgamento: 06/12/2018, Décima Segunda Câmara Cível,
Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 11/12/2018)

APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE


DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO CUMULADA COM
REPETIÇÃO DE INDÉBITO E DANOS MORAIS – EMPRÉSTIMO
ATRAVÉS DE CARTÃO DE CRÉDITO COM RESERVA DE MARGEM
CONSIGNÁVEL – RMC – CONTRATAÇÃO COMPROVADA E VÁLIDA –
DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO AUTORIZADO –
DEMONSTRAÇÃO DE SAQUES – DÉBITOS DEVIDOS – DESCABIMENTO
DE RESTITUIÇÃO – DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS –
PREQUESTIONAMENTO – RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO –
MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não há falar em
inexistência de débito, tampouco em repetição de indébito se houve prova da
contratação de empréstimo através de cartão de crédito com reserva de
margem consignável, além de ser demonstrada a manutenção da relação
cliente/banco. Descabe condenação ao pagamento de indenização por danos
morais nos casos em que não configurado ato ilícito.
(TJ-MS - APL: 08009219620188120029 MS 0800921-96.2018.8.12.0029,
Relator: Des. Marcelo Câmara Rasslan, Data de Julgamento: 20/03/2019, 1ª
Câmara Cível, Data de Publicação: 21/03/2019)

Por todo o exposto, não procede o pleito para o pagamento de indenização por danos
morais, máxime no montante requerido – a saber, R$ 15.000,00 (quinze mil reais) -, haja
vista que, conforme foi demonstrado, o Demandado jamais expôs a parte Autora a
situações constrangedoras, se respaldando sempre na legalidade e na licitude dos atos.

Por cautela, caso V. Exa. não compartilhe do entendimento esposado, roga sejam
observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade quando da fixação dos
danos morais, a fim de se evitar um enriquecimento sem causa da parte Autora – art. 884
do Código Civil.

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9. DA IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. DA
INAPLICABILIDADE DO CDC.
Por cautela, impende gizar que não se aplica, data venia, na hipótese dos autos a inversão
do ônus da prova em benefício da Demandante.

É que o art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, ao disciplinar a inversão do


ônus da prova em favor do Consumidor estabeleceu alguns elementos que devem ser
comprovados a fim de que possa o Magistrado deferir a inversão pretendida, quais sejam,
a verossimilhança da alegação da parte Autora e a demonstração da sua hipossuficiência
segundo as regras ordinárias de experiência.

Sobre os elementos ensejadores da inversão do ônus da prova e a necessidade do mesmo


ser expressamente declarada pelo Magistrado, colham-se os ensinamentos do sempiterno
Rizzato Nunes (In “Comentários ao Código de Defesa do Consumidor”, Ed. Saraiva,
2ª Ed, pgs. 130/133), que leciona:

“É fato que o vocábulo ‘verossímil’ é indeterminado, mas isso não impede


que da análise do caso concreto não se possa aferir verossimilhança. Para
sua avaliação não basta, é verdade, a boa redação da petição inicial ou
qualquer outra. Não se trata de bom uso da técnica de argumentação que
muitos profissionais têm. Isto é, não basta relatar fatos e conectá-los
logicamente ao direito, de modo a produzir uma boa peça exordial. (...) A
vulnerabilidade, como vimos, é conceito que afirma a fragilidade econômica
do consumidor, e também técnica. Mas hipossuficiência para fins de
inversão do ônus da prova, tem sentido de desconhecimento técnico e
informativo do produto e do serviço, de suas propriedades, de seu
funcionamento vital e/ou intrínseco, dos modos especiais de controle, dos
aspectos que podem ter gerado o acidente de consumo e o dano, das
características do vício, etc.”

E conclui:

“Mas acontece, que não é isso que determina o CDC: a inversão não é
automática! Como vimos antes, a inversão se dá por decisão do juiz diante
de alternativas postas pela norma: ele inverterá o ônus se for verossímil a
alegação ou se for hipossuficiente o consumidor.”

No caso sob enfoque, não se mostram presentes quaisquer dos elementos necessários à
inversão do ônus da prova. Impossível se cogitar na verossimilhança das alegações da
Autora, que se limitou a postular indenização por danos morais em razão de suposta
nulidade contratual e descontos em contracheque supostamente indevidos.

Igualmente ausente a hipossuficiência da parte Autora. É que, como cediço, a


hipossuficiência se relaciona com a dificuldade de produção de provas pelo consumidor
em face da verificação, no campo probatório, de alguns dos nuances da sua
vulnerabilidade, como a existência de documentos e informações, exclusivamente, em
poder do Réu.

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Não é o que se verifica na situação em apreço, vez que, jamais o Réu, mas somente a
parte Autora poderia carrear informações acerca da sua vinculação com o Estado da
Bahia, que lhe torna beneficiário do Programa Credcesta, a tornar impossível se falar em
dificuldade da parte Autora de produzir prova, não se podendo, consequentemente,
cogitar de hipossuficiência desta.

Ademais, as informações a respeito da remuneração e de outros descontos em


contracheque não são passadas para o Contestante, que recebe do Estado da Bahia
somente o valor de margem consignável mensalmente. Tratam-se de informações em
exclusivo poder de terceiro e da própria parte Autora, portanto.

Assim sendo, ante a ausência dos elementos indispensáveis a inversão do ônus da prova,
não há que se cogitar, pois, desde já integralmente refutado, em todos os seus termos, o
pedido formulado.

10. CONCLUSÃO.
Isto posto e tudo mais considerando, requer sejam acolhidas as preliminares aventadas,
ou, no mérito, seja a queixa julgada improcedente, nos termos da fundamentação supra,
bem assim por ser questão de direito e de Justiça!

Por cautela, caso V. Exa. não compartilhe do entendimento esposado, roga sejam
observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade quando da fixação dos
danos morais, fixando-os no valor de R$ 100,00 (cem reais).

Protesta, ao tempo que requer, pela a produção de provas de todo o gênero em Direito
admitidas, mormente o depoimento pessoal das partes, a ouvida de testemunhas, a juntada
de novos documentos, como prova e contraprova, e tudo mais que se revele necessário à
boa aplicação do Direito.

Por fim, caso de condenação roga seja observada a inteligência da Súmula 362 do STJ.

P. J e Deferimento,
Salvador (BA), 30 de abril de 2020.

Ivan Luiz Bastos, adv. Giovanna Bastos, adv.


OAB/BA 11.607 OAB/BA 42.468

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