Você está na página 1de 25

FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA

GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

SISTEMA CIRCULATÓRIO

O sistema circulatório, como diz o próprio nome, tem a função


primordial promover a circulação do sangue por todos nossos órgãos e tecidos.
Isso é muito importante, já que é o sangue que carrega os nutrientes e o O 2 que
são necessários à sobrevivência das células em todos os tecidos. Além disso o
sangue também é responsável por levar produtos de nosso metabolismo para
serem eliminados por via respiratória ou renal. Para isso temos vasos
sanguíneos que levam o sangue por todo o corpo, e uma bomba que
impulsiona o sangue para que ele possa circular pelos vasos. Vamos analisar
mais detalhadamente o sistema circulatório.

I. ANATOMIA DO SISTEMA CIRCULATÓRIO


Como já dissemos o sistema circulatório é composto por vasos
sanguíneos que levam o sangue por todos os tecidos e órgãos, e por uma
bomba, o coração, que impulsiona o sangue para que ele possa circular pelos
vasos. Podemos distinguir dois tipos de vasos sanguineos: as artérias e as
veias. As artérias são vasos calibrosos que tem a função de levar o sangue do
centro (coração) para a periferia (tecidos e órgãos). Quase sempre carregam
sangue arterial, mas algumas artérias levam sangue venoso. Já as veias são
vasos mais elásticos, que tem a função de levar o sangue da periferia (tecidos
e órgãos) para o centro (coração). Também quase sempre, carregam sangue
venoso, mas algumas veias levam sangue arterial.

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 1


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

Já o coração é uma bomba muscular dividida em 4 câmaras: 2


átrios e 2 ventrículos (ver figura 1 abaixo). A partir dele podemos distinguir
dois tipos de circulação:
A- Circulação pulmonar, que leva o sangue do coração ao pulmão e do
pulmão ao coração e;
B- Circulação sistêmica, que leva o sangue do coração ao corpo e do corpo ao
coração.
É importante dizer que as duas circulações ocorrem ao mesmo
tempo, assim se uma se torna mais lenta a outra necessariamente também se
tornará mais lenta, e vice versa. Com o aumento ou diminuição de sua força de
contração ou de sua frequência de batimentos, o coração é o responsável pela
regulação da velocidade das duas circulações. Por isso, devemos iniciar o
estudo do sistema circulatório, analisando a anatomia e a fisiologia do
coração.

II. CORAÇÃO
Vamos compreender a fisiologia cardíaca, mas primeiramente
vamos analisar a anatomia do coração e dos principais vasos que chegam e
saem dele.
1.1 –Anatomia do Coração:
O coração é uma bomba de impulsão e sucção, dividida
anatomicamente em 4 câmaras por onde o sangue é recebido e impulsionado:
duas menores, os átrios direito e esquerdo e duas maiores, os ventrículos
direito e esquerdo (figura 1). Os átrios funcionam como bombas de apoio; eles
não têm a capacidade de impulsionar sozinhos o sangue pelo corpo. Por isso,

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 2


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

quase todo o trabalho cardíaco é realizado pelos ventrículos, que são


chamados de bombas de potência, já que são eles que possuem a força
necessária para empurrar o sangue pelo organismo. Cerca de 75% da força do
coração é dada pelo ventrículo esquerdo, 20% pelo ventrículo direito e apenas
5% pelos átrios. Portanto, os átrios apenas auxiliam a função dos ventrículos.
O átrio direito recebe o sangue venoso de todo o corpo através
das veias cavas superior e inferior e o empurra ao ventrículo direito. Este por
sua vez impulsiona o sangue até os pulmões, através da artéria pulmonar,
onde ocorrem as trocas gasosas; o sangue recebe oxigênio e perde CO2 para os
alvéolos pulmonares. O sangue volta dos pulmões ao coração no átrio
esquerdo, através da veia ou tronco pulmonar, completando a circulação
pulmonar (figura 1). Depois ele é impulsionado ao ventrículo esquerdo, que
por sua vez o empurra por todo o corpo, pela artéria aorta. E, após passar por
todo o corpo, novamente o sangue retorna pelas veias cavas, completando a
circulação sistêmica. Como pode-se notar, o processo da circulação é cíclico,
pois ela começa e acaba no mesmo ponto, o coração. Note que a artéria
pulmonar leva sangue venoso, enquanto a veia pulmonar carrega sangue
arterial.
Na passagem do sangue dos átrios para os ventrículos e destes
para o tronco pulmonar e a artéria aorta existe a presença de valvas (conjunto
de válvulas), que tem a função de impedir o refluxo do sangue. Assim, por
exemplo, quando o sangue vai passar do átrio esquerdo para o ventrículo
esquerdo as válvulas se abrem e, assim que o sangue acaba de passar, as
válvulas se fecham e impedem que haja um retorno do sangue. Se não
houvesse esse trabalho, poderia ocorrer o refluxo do sangue, o que diminuiria

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 3


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

a quantidade de sangue para o ventrículo e assim também diminuiria a


quantidade de sangue a ser bombeada. O exemplo vale para todas as válvas. A
valva localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo recebe o nome
de valva bicúspide ou mitral ou simplesmente atrioventricular esquerda e a
localizada entre o átrio direito e o ventrículo direito é chamada de valva
tricúspide ou atrioventricular direita. Já as válvulas de saída dos ventrículos
recebem o nome de valva pulmonar, entre o ventrículo direito e o tronco
pulmonar e valva aórtica, entre o ventrículo esquerdo e a aorta.
O fechamento das valvas durante o ciclo de contração cardíaco
provoca um som característico, que pode ser percebido ou auscultado pelo
estetoscópio. Esse som pode ser exemplificado como “tum tum”. O primeiro
“tum” é chamado de primeira bulha cardíaca e corresponde ao fechamento
das valvas atrioventriculares esquerda e direita. O segundo “tum” é chamado
de segunda bulha cardíaca e corresponde ao fechamento das valvas pulmonar
e aórtica.

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 4


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

Figura 1 – anatomia do coração e principais vasos sanguíneos relacionados a


ele.

A bomba cardíaca sempre estará em dois estados: contraído,


quando está empurrando o sangue e relaxado, quando está recebendo o
sangue. A contração é chamada de sístole e o relaxamento de diástole. Esses
movimentos podem ser facilmente percebidos em um exame de
eletrocardiograma.

2.2 – Fisiologia da Fibra Muscular Cardíaca:

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 5


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

O coração é um músculo estriado com características especiais


que o diferem de um músculo estriado comum; por isso, ele é denominado de
músculo estriado cardíaco. O músculo cardíaco é o único completamente
autônomo de nosso corpo, porque ele pode promover sua auto excitação, ou
seja, ele mesmo gera seu potencial de ação e não depende do SNC para
contrair ou relaxar. Vamos ver como isso acontece:
2.1 Contração e Impulso Cardíaco:
Todo músculo para iniciar sua contração depende de um comando
do SNC. Esse comando vem através do nervo motor que liga-se ao músculo
através da placa motora ou junção neuromuscular. Vamos lembrar que a
sinapse nervo-músculo (junção neuromuscular) usa sempre a acetilcolina
como transmissor. Após a ligação do transmissor, abrem-se os canais de Na
que estavam fechados na membrana muscular, e isso permite a despolarização
da mesma e, portanto, o início e a propagação do potencial de ação. Este, por
sua vez, permite a saída de Ca das cisternas e sua entrada nas fibras
musculares o que permite o destampamento das cargas da actina e a atração
dela com a e miosina e, conseqüentemente, a contração muscular.
Já no músculo cardíaco, alguns canais de Na permanecem abertos
todo o tempo, ou seja, há uma certa permeabilidade ao Na na membrana do
músculo. Assim, o Na pode entrar de forma constante na célula cardíaca. Isso
gera uma pequena despolarização com oscilação constante do potencial de
repouso ao redor dos valores de -70 mV até -50 mV. Se a entrada de Na na
membrana permitir que se atinja o limiar do potencial de ação, que é de cerca
de -40 mV todos demais canais de Na se abrem permitindo a despolarização e
o potencial de ação Isso ocorre a todo momento, aleatoriamente, sem

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 6


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

necessitar da sinapse da placa motora. Desta forma, o músculo cardíaco não


depende da mensagem neuronal para ter o potencial de ação e contrair.
Além da maior permeabilidade ao Na, o potencial de ação no
músculo cardíaco apresenta uma outra diferença: junto com os canais de Na
ocorre a abertura de canais de Ca, próprios do músculo cardíaco, o que
provoca a entrada de Ca que estava no meio externo. O Ca também é um íon
carregado positivamente. A maior entrada de cargas positivas durante o
potencial de ação cardíaco gera uma despolarização mais forte e mais
duradoura e uma consequente repolarização mais demorada que no potencial
de ação comum. Tal fato explica porque a contração muscular do coração é
mais forte e potente que em um músculo comum, o que acaba sendo muito
importante no trabalho cardíaco.

2.2- Nodo SinoAtrial


Já foi descrito que o músculo cardíaco tem maior permeabilidade
ao Na, que permite que o potencial de ação ocorra a qualquer hora, sem
mensagem do SNC. Embora essa maior permeabilidade possa ser observada
em todo o músculo do coração, existe uma região localizada no alto do átrio
direito, onde a permeabilidade ao Na é máxima. Assim, normalmente é nessa
região que existe a maior probabilidade do potencial começar, já que é nessa
região que o Na mais entra na fibra cardíaca. Essa área é chamada de nodo
sinoatrial (NSA) e pode-se afirmar que é nessa área que sempre se inicia o
impulso cardíaco que vai determinar a sístole do coração. Assim, o NSA é
conhecido como marcapasso cardíaco, já que quanto mais ocorrer potenciais

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 7


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

nessa região mais o coração irá contrair; se ao contrario, ocorrerem menos


potenciais menos o coração irá contrair.
Para se ter uma idéia de como o NSA gera mais impulsos que o
resto do coração, se o coração batesse de acordo com os potenciais gerados
nas outras regiões dos átrios, nossa frequência seria de apenas 40 batidas por
minuto. Já se o coração batesse de acordo com os impulsos gerados nos
ventrículos, nossa frequência seria menor ainda, apenas 20 batidas por minuto.
Isso se deve a menor permeabilidade ao Na tanto nos átrios, quanto nos
ventrículos. O NSA gera cerca de 70 a 75 impulsos por minuto, que
corresponde a nossa frequência cardíaca média. A quantidade de canais de Na
abertos no NSA é modulado pela ação do SN Simpático. A noradrenalina
aumenta a quantidade de canais e assim aumenta a quantidade de impulsos e a
freqüência cardíaca. Já a ligação da acetilcolina (transmissor do SN
Parassimpático) na região do NSA induz a um aumento dos canais de K
abertos, o que diminui o número de potenciais de ação, já que o K esta ligado
a repolarização. Dessa forma o SN Parassimpático diminui a freqüência
cardíaca.

2.3- Condução do Impulso Cardíaco:


Além de gerar potenciais espontâneos, mais fortes e duradouros,
o músculo cardíaco apresenta-se todo entrelaçado formando uma rede muito
unida de fibras musculares. Quando um tecido humano apresenta uma
estrutura de rede ele é chamado de sincício (sistema de rede). O sistema
sincicial no coração garante que a condução do impulso cardíaco (potencial
de ação) de uma fibra muscular à outra seja até 5 vezes mais rápida que em

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 8


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

um músculo comum. Isso permite que o músculo cardíaco contraia todo ao


mesmo tempo, e com mais força, enquanto em um músculo esquelético
comum a contração é mais lenta e mais fraca.
A contração se inicia pelo NSA, como vimos e então rapidamente
se espalha pelo átrio direito e esquerdo. Ao chegar aos ventrículos, o impulso
cardíaco encontra um sistema altamente especializado na condução do
potencial, o chamado sistema de His-Purkinge. Esse sistema de Purkinge
permite a rápida propagação do impulso e a contração do ventrículo todo ao
mesmo tempo, permitindo a potencia do músculo ventricular..
Já que o impulso (potencial de ação) passa muito rapidamente de
uma fibra cardíaca a outra, pois elas estão muito unidas, o músculo cardíaco
precisa controlar essa velocidade de propagação do impulso. Isto porque o
trabalho cardíaco exige que primeiro o sangue passe dos átrios para os
ventrículos e depois esses o mandem para os pulmões e os outros tecidos.
Assim se os átrios e ventrículos se contraíssem ao mesmo tempo, não haveria
sangue suficiente nos ventrículos na hora da contração. Por isso o potencial de
ação é levemente atrasado quando passa dos átrios aos ventrículos e isso
garante que os átrios contraiam primeiro, se esvaziando e impulsionando o
sangue aos ventrículos, para que esses posteriormente impulsionem o sangue
fora do coração.
O responsável por esse atraso é o nodo átrio ventricular (NAV)
que tem exatamente a função de servir como uma pequena barreira ao impulso
cardíaco que foi originado no NSA. O NAV é a única região de conexão entre
as fibras atriais e as fibras do sistema His-Purkinge nos ventrículos. Como a
passagem do impulso pelo NAV se dá de forma mais lenta ocorre um pequeno

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 9


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

retardo necessário para que os átrios contraiam antes dos ventrículos e garante
um perfeito funcionamento das bombas cardíacas. Uma lesão nessa região não
permitiria a chegada do impulso ao sistema de His-Purkinge e, portanto, aos
ventrículos, o que levaria a uma grave insuficiência cardíaca.

2.4 – Ciclo Cardíaco


O processo de enchimento e esvaziamento dos átrios e ventrículos
constitue o ciclo cardíaco. Para melhor entendermos o ciclo cardíaco é
necessário se explicar o eletrocardiograma. Como sabemos a contração
cardíaca gera corrente elétrica (potencial de ação) e essa corrente pode ser
captada por eletrodos colocados sobre a pele. A sístole gera 5 ondas grandes
que mostram a sístole cardíaca (figura 2): onda P – despolarização
(contração) dos átrios, ondas Q, R e S – despolarização (contração) dos
ventrículos e finalmente a onda T – repolarização (relaxamento) dos
ventrículos. Qualquer alteração nessas ondas pode representar problemas
cardíacos, como, por exemplo, a fragmentação da onda R que representa uma
possível insuficiência cardíaca. A ausência das ondas grandes representa a
diástole durante o eletrocardiograma.
No ciclo cardíaco a onda P ocorre logo antes da contração dos
átrios, que provoca uma aumento de pressão nos átrios. Esse aumento de
pressão provoca a abertura das valvas atrioventriculares e passagem de sangue
para os ventrículos. Aproximadamente 0,16 s após a onda P, o impulso
elétrico já atravessou o nodo atrioventricular e chegou aos ventrículos
provocando as ondas Q, R, S, que caracterizam a sístole ventricular (figura 2).

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 10


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

A contração dos ventrículos leva ao fechamento das valvas


atrioventriculares pelo aumento de pressão intra-ventricular e
consequentemente a primeira bulha cardíaca, ao mesmo tempo que leva a
abertura das valvas aórtica e pulmonar para o esvaziamento dos ventrículos. A
contração dura cerca de 0,3 s, e então ocorre a onda T que precede o
relaxamento dos ventrículos. Com o relaxamento a pressão ventricular diminui
o que leva ao fechamento das valvas aórtica e pulmonar e à segunda bulha
cardíaca. Finalmente durante a diástole não se apresentam ondas grandes no
eletrocardiograma e a pressão do átrios permanece levemente mais elevada
que nos ventrículos o que leva a um pequeno escoamento do sangue dos átrios
aos ventrículos. Isso perdura até que outro potencial se origina no NSA o que
leva a onda P e ao recomeço do ciclo cardíaco.

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 11


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

Figura 2: observar as ondas P, Q, R, S e T no eletrocardiograma normal.

Vamos resumir o ciclo cardíaco em momentos:


1- Diástole: enchimento dos átrios, valvas fechadas, ausência ondas ECG
2- Sístole atrial: ↑ pressão atrial e abertura valvas atrioventriculares,
enchimento dos ventrículos (pressão ventricular próxima a ), onda P
3- Sístole Ventricular: onda Q,R,S, ↑ pressão ventricular e ↓ atrial, fechamento
das valvas atrioventriculares e abertura das pulmonar e aórtica (sangue para as
artérias), onda T, relaxamento ventricular e 1- Diástole: recomeço do ciclo.

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 12


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

2.5 – Lei do Coração


A lei do coração ou lei de Frank Starling diz que o coração não
deve armazenar sequer uma gota de sangue, ou seja, todo o sangue que chega
ao coração deve ser bombeado por ele. Dizemos que a quantidade de sangue
que chega ao coração é chamada de pré carga e a quantidade que sai de pós
carga. Assim, a lei do coração preconiza que a pós carga deva ser igual a pré
carga. Quando essa condição não é satisfeita, ou seja, a pos carga se torna
menor do que a pré carga, isso se constitui um grande indicativo de
insuficiência cardíaca.

III. HEMODINÂMICA
Hemodinâmica é o estudo dos fatores que influem na circulação
sanguínea. Par podermos melhor explicar esses fatores vamos entender
primeiro a histologia dos vasos sanguineos
3.1 – Histologia dos vasos sanguíneos
O sangue circula por dois tipos de vasos principais: artérias e
veias. Como já vimos as artérias levam o sangue do coração para todos os
tecidos e órgãos e, com exceção da artéria pulmonar, carregam sangue
oxigenado, ou arterial. Já as veias trazem sangue do corpo ao coração e, com
exceção da veia pulmonar, carregam sangue sem oxigênio, ou venoso. As
artérias se dividem em vasos menores, as arteríolas, e as veias se dividem em
vênulas. Ambas, arteríolas e vênulas se dividem em capilares arteriais e
venosos, quando chegam aos tecidos. Os capilares são vasos tão finos que
permitem a difusão de substâncias através de suas paredes, o que permite que

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 13


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

O2, CO2, glicose, minerais e nutrientes, entre outros, possam se difundir dos
capilares para o meio extracelular e os tecidos e vice versa.
A parede dos vasos sanguíneos é constituída por 3 camadas: a
túnica interna, a média e a externa. A interna é composta pelo endotélio e está
voltada para a luz do vaso; é na túnica interna que ocorrem as lesões que
podem levar a acumulo de placas de lipídeos e colesterol, as placas de
ateroma. Na túnica média temos um tecido elástico e uma lamina de músculo
liso. A camada muscular da túnica media é bem maior nas artérias que nas
veias. Essa camada muscular é responsável pela dilatação ou constrição dos
vasos, muito importante na regulação da pressão arterial e venosa. Finalmente
a túnica externa é composta por tecido colágeno e fibras elásticas e confere
proteção aos vasos.
Quando o sangue circula pelos vasos 3 fatores são fundamentais
para a análise da hemodinâmica de circulação do sangue: a pressão do vaso, o
fluxo sanguíneo e a resistência do vaso. Vamos agora comentar cada um.
3.2 Fluxo Sanguíneo
O fluxo corresponde a medida relativa à quantidade do sangue
que circula pelos vasos, assim ele pode ser medido como a quantidade de
sangue que passa pelo vaso em um determinado período de tempo. Mede-se o
fluxo em mililitros/ minuto. Ele é diretamente relacionado com o débito
cardíaco. Chamamos de débito cardíaco a quantidade de sangue que deixa o
coração em um minuto.
Dois fatores afetam diretamente o débito cardíaco: a frequência
cardíaca (número de vezes que o coração contrai por minuto) e a força de
contração do músculo cardíaco. Quanto maior a frequência ou a força com que

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 14


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

o coração contrai, obviamente maior será o débito cardíaco. Os valores médios


são de 72 batimentos por minuto para um débito de 5 litros por minuto. Mas
durante um exercício físico a frequência e o débito podem aumentar até
200/min e até 25 l/min. Obviamente a quantidade de sangue que sai do
coração está diretamente relacionada coma a quantidade de sangue que circula
pelos vasos. Por isso, logicamente, quanto maior o débito maior será o fluxo e
quanto menor o débito, menor o fluxo. É importante ressaltar que como o
fluxo é diretamente dependente do débito, quando o coração está em sístole
aumenta o fluxo e quando está em diástole o fluxo diminui, já que o sangue
não esta sendo bombeado.
O fluxo sanguíneo é quem determina diretamente a pressão nos
vasos, já que quanto mais sangue passar pelos vasos, maior será a pressão que
atuará na parede dos mesmos. Vamos agora definir os fatores que afetam a
pressão arterial e venosa.
3.3 – Pressão Arterial
Pode-se definir a pressão como a força que o sangue faz contra a
parede do vaso ao percorrer o mesmo e resistência como o atrito que o sangue
sofre quando passa por ele pelo vaso. A pressão pode ser venosa ou arterial,
dependendo do vaso em questão. Por ser a mais complexa, vamos inicialmente
estudar a pressão arterial e no final comentaremos as diferenças com a pressão
venosa.
A pressão arterial é medida ou aferida em valores de milímetros
de mercúrio (mm/Hg), mesma medida utilizada para se medir a pressão
atmosférica. Como já vimos o fluxo afeta diretamente a pressão, assim os
fatores que afetam o fluxo, como o débito cardíaco, a frequência cardíaca e a

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 15


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

força de contração do coração, também afetam a pressão arterial. E já que


dependem diretamente dos valores do fluxo sanguíneo, os valores de pressão
também variam se o coração está em sístole ou diástole.
Os valores normais de pressão estão em torno de 110 mm/Hg na
sístole e 70 mm/Hg na diástole. A pressão então é lida como 120/80 mm/Hg
ou, simplificando, 12/8. É muito importante que o nosso corpo regule os
valores de pressão, para que não ocorram problemas patológicos tais como a
pressão baixa demais (hipotensão), o que poderia diminuir a quantidade de
sangue nos tecidos, e também para que os valores de pressão não estejam altos
demais (hipertensão), pois isto poderia levar a um rompimento do vaso com
conseqüente hemorragia. Ambos quadros são assintomáticos e quando
apresentam sintomas, estes se mostram semelhantes nos 2 casos: náusea,
tontura, cansaço e cefaléia. Apenas o desmaio é um sintoma exclusivo da
hipotensão. Como os sintomas são semelhantes, isto pode levar a uma
confusão no diagnostico, oq eu ressalta a importância da aferição da pressão
arterial. Como veremos a seguir para a determinação da hipertensão é
principalmente levado em conta os valores de pressão diastólica.
Além de analisar os valores absolutos de pressão sistólica e
diastólica é também importante analisar a relação ou diferença entre elas. O
exercício físico e o stress podem aumentar os valores de pressão sistólica pois
aumentam o débito cardíaco e a constricção dos vasos, mas não aumentam os
valores da diastólica que é independente desses fatores. Assim podemos
observar valores como 160/90, 150/80, que caracterizam um aumento da
diferença das pressões que é normalmente de 30 a 40. Isso caracteriza o que
chamamos de pressão divergente e como vimos esse quadro não é

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 16


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

necessariamente patológico, já que os valores de pressão diastólica se mantém


e como vimos o estresse pode aumentar os valores de pressão sistólica.
Mas quando ocorre uma diminuição da diferença de pressão
temos um quadro chamado de pressão convergente. Nesse quadro os valores
podem ir a 90/70, 80/70 e assim por diante. Isso indica uma insuficiência
cardíaca, já que podemos notar que a sístole cardíaca não tem força para
provocar um aumento da pressão sistólica, ou seja, o trabalho do coração não
faz a diferença que deveria fazer. Pode-se afirmar que a pressão convergente
caracteriza um quadro patológico grave.
O nosso corpo possui vários mecanismos para o controle da
pressão arterial. Vamos agora analisar cada um deles:
A-) Controle Vaso Motor
Ao controlar o grau de contração dos vasos sanguineos podemos
diretamnete controlar a pressão arterial. Assim, ao se promover uma
vasoconstrição, aumentamos o tônus do vaso e aumentamos a pressão arterial;
já a vasodilatação permite uma diminuição direta da pressão arterial, já que o
sangue exerce menos pressão no espaço dilatado. Dois mecanismos são
essenciais no controle do grau de contração dos vasos: o controle neural e o
controle hormonal.
O SNC, através do SN Simpático, mantém sempre um certo grau
de contração das artérias. Isso é chamado de tônus do vaso e tem como função
manter valores mínimos adequados de pressão arterial, para que ocorra o fluxo
para todos os tecidos. A área do SNC responsável por ativar o simpático e
manter o tônus é chamada de centro vaso motor e está localizada no bulbo.

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 17


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

Essa área trabalha ininterruptamente e mantém sempre ativado o SN


Simpático e conseqüentemente o tônus vaso motor.
Quando os valores de pressão arterial ficam muito elevados,
algumas estruturas localizadas na artéria aorta e nas artérias carótidas são
estimuladas e mandam uma mensagem diretamente ao SNC, avisando que a
pressão arterial está elevada. Essas estruturas são chamadas de
barorreceptores. Assim que é avisado pelos barorreceptores, o SNC inibe o
centro vaso motor no bulbo; conseqüentemente isso leva a uma diminuição da
atuação do SN simpático e por fim a uma diminuição do tônus vaso motor.
Esse efeito em cascata leva a uma diminuição da pressão arterial, que era o
efeito desejado. Pode-se afirmar que sem o controle neural, nossa pressão
arterial poderia atingir valores tão elevados que teríamos hemorragias
constantes e fatais, ou valores tão baixos que comprometeriam a perfeita
circulação do sangue.
Já o controle hormonal sobre a pressão arterial se dá
através do chamado complexo renina-angiotensina. O angiotensinogênio é
uma proteína secretada principalmente pelo fígado que ao cair na corrente
sanguínea vai sofrer a ação de uma enzima secretada pelos rins, a renina. Essa
ação transforma o angiotensinogênio em angiotensina 1; essa por sua vez é
transformada pela ação da enzima conversora de angiotensina (ECA) em
angiotensina 2. Esta última tem efeito direto sobre o vaso sanguíneo,
provocando vasoconstricção, mecanismo semelhante ao descrito na ação do
SN Simpático. A vasoconstricção provocada pela angiotensina 2 provoca um
aumento imediato da pressão arterial.

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 18


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

B-) Controle Volemia Sanguínea:


Como vimos, a pressão arterial é proporcional ao fluxo sanguíneo
e este, por sua vez, está relacionado com a quantidade de sangue que passa
pelos vasos, ou seja, o volume sanguíneo determinado pelo débito cardíaco,
ou volemia. Quando ocorre um aumento do volume, aumenta o fluxo e por
conseqüência aumenta a pressão arterial. Como o sangue é basicamente
composto por água, pode-se dizer que para aumentar o volume de sangue, é
preciso aumentar o volume de água no sangue, o que leva a explicação de todo
o quadro descrito.
O controle do volume de água no sangue está relacionado com a
concentração de íons Na presentes no plasma. O Na sempre deve ter uma
concentração sanguínea constante, que é em média de 142 mEq/dl. Assim, ao
se aumentarem os níveis de Na no sangue, também se deve aumentar o
volume de água, para que a concentração iônica se mantenha constante.
Quando comemos algo muito salgado, imediatamente sentimos muita sede, o
que ilustra o que foi explicado acima. Logicamente a diminuição dos níveis de
Na leva também a uma diminuição do volume sanguíneo. Os rins trabalham
na excreção de Na e água.
Assim, ao se aumentar a diurese, excreta-se mais Na e água, o
que leva a uma queda da pressão arterial. Por isso, alguns dos medicamentos
mais usados até hoje no controle da pressão arterial são os diuréticos. Quando,
ao contrário, nossa pressão arterial está baixa, os rins excretam menos Na e
água na tentativa de elevar os níveis volemia e consequentemente de pressão.
Diante disso, é fácil concluir que sem o controle renal de excreção de Na e
água, não conseguiríamos manter níveis constantes de Na e água no sangue, o

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 19


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

que alteraria o volume sanguíneo e os valores ideais de pressão arterial. Esse


trabalho renal é diretamente influenciado por 2 hormônios como veremos a
seguir.
O hormônio antidiurético (ADH) é sintetizado e liberado pela
hipófise. Como o nome diz, o ADH tem a função de aumentar a reabsorção de
água e Na nos rins e, portanto, diminuir a diurese. Ele faz esse efeito por
aumentar a permeabilidade a água na alça de Henle e no túbulo distal nos
nefrons. Diminuindo a diurese, aumenta o volume de água no sangue e
logicamente isso leva a um aumento do volume sanguíneo. Esse aumento, por
sua vez, eleva os valores de pressão arterial. O álcool inibe o ADH, por isso
ele tem um efeito diurético, mas deve-se ressaltar que efeito é moderado, já
que o álcool produz um efeito vasoconstritor que por sua vez aumenta os
valores de pressão., normalmente, não consegue afetar o volume sanguíneo.
Outro hormônio que age de forma bastante semelhante é a
aldosterona, liberada pelas supra renais. Assim como o ADH, a aldosterona
tem efeito de diminuir a excreção de Na e água e conseqüentemente aumentar
o volume sanguíneo e a pressão arterial. Isso porque a aldosterona inibe a
bomba de Na/K nos nefrons e aumenta a reabsorção do Na e por conseguinte,
da água. É importante ressaltar que a aldosterona regula os níveis de Na e K
no sangue porque além de diminuir a excreção de Na ela aumenta a excreção
de K. Assim, a ausência da aldosterona aumenta a excreção do Na e diminui a
do K. É também importante notar, que embora o efeito seja semelhante, a
aldosterona é mais potente que o ADH, influenciando de maneira mais
marcante o controle da pressão arterial.

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 20


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

Podemos aqui comentar que todos os hormônios aqui citados,


angiotensina 2, ADH e aldosterona, atuam sempre no sentido de aumentar a
pressão arterial e, portanto, são secretados quando os níveis de pressão estão
mais baixos. Disso decorre o fato de que quadros de hipotensão não costumam
ter conseqüências mais graves e não requerem nenhum tratamento especifico.
Isso, porque toda vez que ocorre uma queda dos valores de pressão arterial, os
3 hormônios passam a atuar, o que normalmente restabelece os valores
normais de pressão.
Além do trabalho dos rins, o nosso corpo trabalha com 2 outros
mecanismos para controlar a volemia. O primeiro, já citado, é o controle da
sede; assim quando os níveis de Na plasmático aumentam também aumenta a
sede, o consumo de água para que se aumente a volemia. O mesmo vale para a
diminuição de Na que leva a diminuição da sede. Outro mecanismo é a troca
de água dos capilares com o espaço extra celular e os tecidos. Outra vez,
quando os níveis de Na plasmático aumentam, por osmose, ocorre a passagem
de água do meio extra celular e dos tecidos para o sangue. Já quando ocorre a
diminuição do Na há o processo inverso e a passagem de água do sangue para
o meio extra celular e os tecidos. Assim podemos afirmar que o aumento de
Na plasmático leva a uma desidratação de células e tecidos.
3.4 – Pressão Venosa
A pressão venosa apresenta valores muito mais baixos que os
valores de pressão arterial. A pressão venosa depende totalmente do trabalho
do coração, por isso não apresenta valores diferenciais entre a sístole e a
diástole. O nosso coração funciona como uma bomba a vácuo, “sugando” o
sangue de volta para os átrios. Assim, os valores de pressão dentro dos átrios

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 21


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

são negativos, em torno de -3 mmHg, e, ao contrário da arterial, ela se torna


mais baixa quanto mais próxima estiver do coração.
Enquanto os valores de pressão venosa nas veias da perna e pés
podem chegar a 90 mm/Hg, nos braços esses valores são de 40 mmHg. Já na
veia subclávia o valor é de 6 mmHg e deve cheguar a zero no encontro da veia
cava e o átrio direito. Isso se traduz como o efeito de bomba de vácuo no
coração, e é o que garante que o sangue retorne ao coração. Este trabalho é
extremamente complicado pois o coração precisa vencer o peso da gravidade
sobre o sangue nos vasos sanguineos, a chamada pressão hidrostática. Por isso
o valor da pressão venosa nos pés é o mais elevado, já que reflete o máximo
de pressão hidrostática em nosso corpo.
Para auxiliar este trabalho, as veias periféricas contam com um
sistema de válvulas, chamadas de bombas venosas, que impedem o que o
sangue reflua, o que acaba por empurrar o sangue sempre na direção do
coração. Mesmo assim, em diversas condições o sangue acaba “parando” nos
vasos, que leva a estase venosa, que provoca diversas complicações
circulatórias, especialmente nas pernas. Por isso é recomendado que em
situações onde se permanece longo tempo sem movimento nas pernas, como
em viagens de avião ou ônibus, que se exercite um pouco; isso impediria a
estase e a formação de trombos potencialmente perigosos.
A quantidade de sangue que volta ao coração, no átrio direito, por
minuto é chamada de retorno venoso. O valor do retorno venoso acaba por
determinar o valor do débito cardíaco. Assim, uma falha vascular venosa que
determine um baixo retorno venoso, acaba comprometendo muito a
capacidade de bombeamento do coração e do sistema circulatório. Portanto,

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 22


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

fatores como uma alta pressão no átrio direito, aumento de resistência do vaso,
falha na bomba venosa e até mesmo valores muito altos do peso do sangue
(relacionado a gravidade) podem diminuir em muito o retorno venoso e causar
processos de insuficiência cardíaca e circulatória bastante graves.
3.5 – Resistência
A resistência dos vasos pode ser definida como o atrito que sofre
o sangue ao passar pelos vasos sanguíneos. Vários fatores afetam a resistência,
mas o mais importante é o diâmetro do vaso. Quanto menor o diâmetro,
maior a resistência e, obviamente, quanto maior o diâmetro, menor a
resistência. Assim, pode-se dizer que a resistência na aorta, vaso de maior
diâmetro do corpo, é bastante baixa, enquanto nos capilares atinge valores
bastante altos. Vasoconstrição provoca aumento de resistência e vasodilatação
diminui o atrito. Lesões nas paredes dos vasos podem levar a processos
inflamatórios ou a formação de placas de ateroma pela adesão de colesterol, o
que pode diminuir significativamente o diâmetro do vaso e consequentemente
aumentar a resistência.
Vamos comentar rapidamente sobre a ateroesclerose. O colesterol
e os triacilgliceróis são moléculas apolares e portanto não se diluem no
sangue. Para serem carregadas pela circulação essas moléculas se ligam a
proteínas, formando as chamada lipoproteínas. Temos dois tipos principais de
lipoproteínas circulantes: o HDL e o LDL. O HDL tem maio peso de proteínas
(40%) e menor de triacilgliceróis (20%) e por isso é mais pesado, tem maior
densidade. Já o LDL tem maior porcentagem de triacilgliceróis (50%) e menos
de proteínas (15%) e por isso é mais leve, tem menor densidade, já que a
proteína é mais pesada que o lipídeo. Este ultimo, por ser mais leve, circula de

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 23


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

forma mais lenta e pode aderir a parede dos vasos, formando uma placa de
gordura chamada de placa de ateroma. Um vaso sanguíneo com placas de
ateroma sofre de ateroesclerose.
Para que isso ocorra é importante que tenha havida uma lesão nos
vasos, causada por um trauma ou pelo tabagismo. Só assim o LDL pode aderir
ao vaso. O HDL por ser mais pesado não adere e ainda “empurra” o LDL,
impedindo a formação da placa de ateroma. Por isso, alimentos que aumentem
o HDL, como azeite de oliva e óleos vegetais, são recomendados em pacientes
com dislipidemias. Esses vasos ateroescleróticos podem ficar bloqueados caso
ocorra qualquer ruptura na placa, pois isso inicia um processo de formação de
trombo plaquetário que pode bloquear totalmente o vaso, levando a uma
isquemia em algum tecido.
Outro fator importante para a resistência é a viscosidade
sanguínea; quanto mais viscoso o sangue, maior a dificuldade de passar pelos
vasos e, portanto maior a resistência. O principal fator que afeta a viscosidade
é a quantidade de células no sangue, especialmente as hemácias. É importante
notar que o número de hemácias aumenta normalmente com a idade por
diversas razões, como uma menor eficiência do baço, sendo portanto, normal
o aumento da resistência com a idade.
3.6 – Relações entre fatores de hemodinâmica.
As medidas de hemodinâmica, fluxo, pressão e resistência estão
bastante inter-relacionadas e uma afeta a outra, direta ou inversamente,
conforme podemos conferir na equação abaixo:

Fluxo Sanguíneo = Pressão Arterial

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 24


FAAM – FACULDADE DA AMAZONIA
GRADUAÇÃO PSICOLOGIA
FISIOLOGIA HUMANA

Resistência.

Pode-se afirmar que fluxo e pressão são medidas diretamente


proporcionais, enquanto pressão e resistência são medidas inversamente
proporcionais. Como pode ser deduzido pela fórmula apresentada, existe uma
regulação indireta entre os valores de pressão e resistência. Assim, se houver
um aumento da resistência, para se manter o mesmo fluxo, deve-se também
aumentar a pressão arterial. É importante se manter o fluxo, pois ele significa
a quantidade de sangue que chega aos tecidos.
Por isso, um aumento da viscosidade sanguínea ou uma
diminuição do diâmetro, como nos exemplos acima, leva a um aumento da
resistência que pode levar a um aumento da pressão, o que aumenta o risco de
problemas vasculares, como hemorragias. Daí pode -se entender que um
aumento dos níveis de colesterol, de viscosidade sanguinea, ou mesmo a
vasoconstrição em uma situação de stress pode levar indiretamente a um
aumento da pressão arterial e a acidentes vasculares.

Prof. MsC Dja Santos djasan@hotmail.com Pá gina 25

Você também pode gostar