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FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS

ESCOLA DE ECONOMIA DE SÃO PAULO

ANDRÉ DA CUNHA BASTOS

AGRICULTURA BRASILEIRA:
inovação induzida e a produtividade total dos fatores

SÃO PAULO
2008
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
ESCOLA DE ECONOMIA DE SÃO PAULO

ANDRÉ DA CUNHA BASTOS

AGRICULTURA BRASILEIRA:
inovação induzida e a produtividade total dos fatores

Monografia apresentada à Escola de


Economia de São Paulo da Fundação
Getulio Vargas como requisito para
conclusão do Curso de Graduação em
Ciências Econômicas.

Orientador: Prof. André de Souza


Portela

SÃO PAULO
2008
BASTOS, André da Cunha. Agricultura brasileira: inovação induzida e a
produtividade total dos fatores. 2008. 45f. Monografia (Graduação em
Economia) – Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas,
São Paulo, 2008.

Resumo: O trabalho analisa o setor agrícola da economia brasileira sob a


perspectiva da produtividade dos fatores envolvidos e da interação entre estes
e o desenvolvimento econômico.

Palavras-Chave: Agricultura, Produtividade Total dos Fatores, Desenvolvimento


Econômico.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 4

2. O PAPEL DA AGRICULTURA NO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 5

3. A AGRICULTURA BRASILEIRA 8

3.1 Década de 1970 11

3.2 Década de 1980 11

3.3 Década de 1990 12

3.4 Século XXI 13

4. INOVAÇÃO INDUZIDA 14

4.1 O conceito 14

4.2 Características da tecnologia nos fatores na produção agrícola 15

4.2.1 Capital 15

4.2.2 Terra 16

4.3 O modelo de inovação induzida 17

5. PRODUTIVIDADE NA AGRICULTURA BRASILEIRA 22

5.1 Produtividade Total dos Fatores 22

5.2 Modelo de Solow e o método da contabilidade do crescimento 22

5.3 Dados 24

5.4 Resultados 26

5.5 Conclusões 32

REFERÊNCIAS 34

ANEXOS 37
4

1 INTRODUÇÃO

O século XXI começou com uma grande retomada da agricultura como assunto
central no debate público, em nível global. A utilização da capacidade agrícola
mundial para colaborar com a geração de energia coloca às autoridades de cada
nação um trade-off, contrapondo esta possibilidade com a necessária produção de
alimentos, reforçada pelo aumento de consumo em nações em desenvolvimento que
abrem seus mercados, a exemplo da China.

Neste cenário, o Brasil torna-se personagem central, com sua grande área
disponível para agricultura (a maior na região de clima tropical), não podendo assim
se furtar ao papel de grande exportador de produtos primários, sejam estes voltados
para alimentação ou geração de energia. O setor agrícola também possui uma
capacidade pouco explorada de aumentar no nível de processamento agroindustrial,
aumentando o valor agregado aos bens exportados e gerando empregos.

Esta monografia apresenta a evolução da agricultura nacional nas últimas décadas a


partir dos fatores produtivos, analisando sua natureza e relação. Trata também de
estimar a produtividade total dos fatores (PTF) no período entre 1990 e 2006.

(...) período caracterizado pela intensificação do progresso


tecnológico na agropecuária brasileira. (...) Esta inovação foi levada a
cabo através do uso de insumos e equipamentos modernos. (Freitas,
Bacha, Fossatti; 2007; p.3)

Assim se organiza este trabalho: o capítulo seguinte demonstra a literatura sobre a


colaboração e mudanças na agricultura que influem no processo de
desenvolvimento econômico das nações; seguido de uma descrição da agricultura
brasileira nas últimas quatro décadas. O quarto capítulo apresenta a teoria de
inovação induzida, estudando a maneira com que se relacionam os fatores
produtivos. No quinto capítulo o foco é a evolução da produtividade, quando são
apresentados a teoria, os dados da agricultura nacional e os resultados para a
produtividade de total dos fatores. A sexta seção conclui os resultados do trabalho.
5

2 O PAPEL DA AGRICULTURA NO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

É essencial iniciar deixando clara a diferença entre crescimento econômico e


desenvolvimento econômico: dois conceitos tão diferentes quanto relacionados.
Segundo Sandroni (2005), o primeiro conceito diz respeito à evolução da capacidade
produtiva de uma economia (em função dos bens e serviços relativos a um período
de tempo), considerando também o avanço do tamanho da força de trabalho
produtiva, dos níveis de poupança e investimento, e do nível de tecnologia em uso.

O conceito de desenvolvimento econômico é muito mais amplo. Além de levar em


conta os níveis e evolução de renda, capital e trabalho, considera a situação da
qualidade de vida da população e a estrutura de funcionamento da economia.
Portanto, o resultado não é função somente de variáveis facilmente mensuráveis, o
que abre espaço para mais discussões e debates.

Apesar de não existir um consenso sobre o papel da agricultura no crescimento


econômico, observa-se uma série de características comuns aos processos de
desenvolvimento agrícola em diversos países. (Johnston; Mellor, 1961). Grande
parte destas relações permitem traçar paralelos e diferenças entre as nações
desenvolvidas e em desenvolvimento. Nestas, o setor agrícola trabalha participando
de uma grande parte da renda nacional, assim como a mão-de-obra está
concentrada nele.

Também, os fatores de produção estão plenamente dedicados à agricultura, porém,


a uma produtividade muito baixa. Desta maneira, o desenvolvimento econômico
pode levar concomitantemente à liberação dos fatores e ao aumento da produção.

No processo de desenvolvimento, verifica-se que a agricultura sofre uma grande e


clara redução de participação no produto total, que pode ser justificada
teoricamente, pelo avanço de um setor industrial e também empiricamente, quando
se confronta a taxa de participação do setor agrícola no Produto Interno Bruto (PIB)
destes países com aqueles já desenvolvidos.
6

Este declínio de participação é explicado também por duas características, comuns


ao processo de crecimentoe econômico. Uma delas é intrínseca à natureza do
consumo de alimentos. A elasticidade-renda da demanda para este gênero é
sempre menor que um e decrescente. Ou seja, a cada aumento na renda dos
consumidores, uma parcela menor do salário é gasta com alimentação, ainda que a
demanda do setor agrícola aumente no todo e até mesmo em termos per capita.

A segunda causa é a possibilidade de se manter ou aumentar a produção com uma


quantidade menor de trabalhadores, dados os aumentos na produtividade de todos
os fatores, liberando assim mão-de-obra para outros setores.

Também é certo que a agricultura contribui decisivamente com a formação de capital


dos setores modernos crescentes, seja em uma indústria voltada ao processamento
de alimentos e bens do campo ou uma indústria não relacionada diretamente.

Johnston e Mellor (1961) analisam todo o processo de alteração na dinâmica


agrícola e como esta contribui para o progresso econômico. São citados em seu
trabalho cinco caminhos pelo qual um setor agrícola que produz mais e de maneira
mais eficiente contribui para o crecimento da economia como um todo.

O primeiro fator é basicamente o cumprimento da missão da agricultura: prover


alimentos para a população. Uma nação que pretenda iniciar um período de
crescimento econômico deve estar preparada para produzir mais, frente à crescente
demanda dada pelo aumento da renda e da população.

Em seguida, citam a importância do setor agrícola no crescimento da renda


nacional. Isto pode se dar especialmente pelo comércio com outros países, e tem
especial importância nas primeiras fases do desenvolvimento econômico.

O terceiro fator é a capacidade que a agricultura possui de obter ganhos de


produtividade que permitam uma maior oferta de bens ainda que a mão-de-obra no
setor se reduza. Assim, libera-se pessoal para o trabalho em outros setores,
contribuindo também para que a oferta de trabalho no campo seja menor e os
salários dos trabalhadores rurais aumente.
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Em quarto lugar, a expansão da produção agrícola gera uma poupança que pode
ser bem aplicada na geração de capital em setores modernos e industrias
nascentes. Concluindo, o aumento da renda dos trabalhadores do campo serve
também para que haja demanda por produtos novos na economia, estes fabricados
exatamente por estes setores entrantes.

O que se tem por fim é um processo onde o crescimento do produto rural financia
direta ou indiretamente o surgimento de novos mercados e firmas, constituído por
um fluxo real de recursos financeiros e humanos para o novo setor.
8

3 A AGRICULTURA BRASILEIRA

O Brasil é um dos países maior área disponível para agricultura tropical. Hoje, o país
aproveita aproximadamente 60 milhões de hectares como área agrícola. É
importante lembrar também, que como em poucos locais no mundo, algumas
culturas podem gerar mais de uma safra por temporada.

Apesar de uma extensão considerável, o senso comum nos levar a imaginar uma
produção muito diferente do que se observa na realidade. O país não dispõe de
grande quantidade de solos ricos em nutrientes e as condições para o plantio não
são excelentes. A evidente vantagem comparativa que temos na produção de
alimentos (especialmente em termos de terras) e a necessidade de se aproveitá-la
geraram no Brasil uma série de esforços para superar as dificuldades. Muito se
desenvolveu para que dispuséssemos de insumos mais desenvolvidos, gerando
uma produção altamente intensiva em capital humano e tecnologia.

Um dos exemplos desta mudança foi o desenvolvimento da técnica de denominada


plantio direto, que busca realizar a produção agrícola sem que seja preciso revolver
o solo. A evolução desta técnica se baseia na possibilidade de se plantar sem que
se exponham os nutrientes do pobre solo. Em um país tropical, a incidência de
chuvas é alta, e a exposição do solo gerava grande perda de produtividade.

O plantio direto permite também um período menor entre a colheita e o início de um


novo plantio, fator essencial para regiões que podem produzir mais de uma safra por
ano. Outra vantagem relacionada é a capacidade de se plantar diferentes culturas
em seqüência. A base de dados e o tratamento estatístico deste trabalho se iniciam
na década de 1970, exatamente o período em que esta técnica começou a avançar
efetivamente sobre os campos brasileiros.

Na série de trabalhos organizada por Araújo e Schuh (1983), o quarto livro dedica
atenção em explicar como se deu o desenvolvimento da agricultura em países com
características diferentes quanto à escassez relativa dos fatores de produção. Os
primeiros capítulos relatam as diferenças sobre como se deu a busca pelo
crescimento nas contrastantes economias japonesa e norte-americana. A primeira é
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descrita como escassa em recursos naturais (terra) e abundante em mão-de-obra


(trabalho); a segunda é descrita como o exato oposto.

O quinto capítulo do trabalho, dedicado à economia brasileira tem um instigante


título: “Economia com abundância de recursos naturais e mão-de-obra”. Para
analisar a produtividade da agricultura é necessário e essencial entender como os
fatores são utilizados e como contribuem para o desenvolvimento.

Conforme tratado no capítulo anterior, a redução da participação do setor agrícola


no produto nacional é uma tendência comum ao desenvolvimento econômico
(Johnston; Mellor, 1961). Nos países que atingem o sucesso no progresso, ou seja,
onde se verifica a renda per capita mais elevada no campo e no setor urbano, a
agricultura teve sempre um papel relevante na geração de poupança (e
conseqüentemente no crescimento do estoque de capital) para financiar o
crescimento de outros setores não-primários.

Sabemos então que, apesar de o crescimento da produtividade gerar aumento na


produção agrícola, o seu impacto em outros setores é muito grande, fazendo reduzir
a participação da agricultura na renda total.

Esta tendência de decrescimento de participação esteve presente no


desenvolvimento da agricultura brasileira, especialmente no século XX, como pode
se observar no Gráfico 01.
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Gráfico 1 - Participação da Agricultura no PIB Brasileiro


Fonte: Suzigan (2000)

A participação da agricultura no Produto Interno Bruto (PIB) parece estabilizada ao


redor dos 10% desde os meados da década de 1970, conforme Suzigan (2000); e
mostram que, no período estudado, a agricultura cresceu a taxas menores que a
média da economia. A tendência se inverte exatamente neste período de
estabilização. Ainda que as taxas de crescimento da agricultura sejam menores do
que aquelas verificadas de 1901 a 1980, o setor passa a apresentar taxas mais altas
do que as do crescimento do PIB.

Esta intensa mudança que aconteceu teve impacto também sobre a participação da
mão-de-obra agrícola na população economicamente ativa (PEA). A partir de dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Castro (1978) salienta que
no biênio 1939/40 este nível estava em 65,9%, e em 1975/76 estava reduzido a
39,4%, pouco mais de 1/3 da PEA. Apesar da redução da mão-de-obra rural relativa
à população total, até a década de 1970 não houve diminuição em números
absolutos. Ou seja, o fator trabalho não pode ser considerado como escasso.

Dados apresentados em Barros et al. (1977) mostram que, neste mesmo período, a
área cultivada cresceu com taxa média superior a 3,0% ao ano, mostrando que a
terra também não é um fator escasso no país. Chegando à década de 1980, a oferta
de terra iria se ampliar ainda mais, com a expansão da fronteira agrícola na região
Centro-Oeste.
11

A área cultivada passou a diminuir ao fim da década de 1980. Porém, a produção


total não decaiu, tendo mantido sua tendência de crescimento, e deste modo
provando a elevação da produtividade da terra na agricultura brasileira.

3.1 Década de 1970

Na década de 1970, a produtividade dos fatores não cresceu a taxas desejáveis,


fazendo com que a produção tenha respondido principalmente aos aumentos na
área plantada. Até este momento, havia uma grande diferença nos resultados
apresentados por lavouras voltadas à exportação e daquelas voltadas ao
abastecimento da demanda interna (Barros, 1999). A principal razão do sucesso dos
produtos exportáveis se dava por contarem com uma demanda menos volátil, que
dependia muito menos da conjuntura econômica local do que aqueles produtos
voltados ao mercado doméstico (Mendonça de Barros; Graham, 1978).

O grande descolamento que havia entre os resultados destes dois grupos de


produtos era definitivamente nocivo ao mercado interno. A falta de continuidade das
políticas agrícolas e a competição por fatores geravam instabilidade na produção
local, conforme mostram Mendonça de Barros e Graham, 1978. Esta alta
variabilidade nos preços se convertia em risco para a produção doméstica, e trazia
também uma inflação interna, que contaminava toda a economia, dado o caráter
primário da produção agrícola na economia.

3.2 Década de 1980

A partir de 1980, o quadro inverte-se. As taxas de crescimento do produto na


agricultura passaram a ser maiores que as da economia como um todo. De início,
podem-se levantar algumas suspeitas sobre as razões desta tendência, quais sejam
o fraco desempenho da indústria e a crescente exposição ao mercado externo.
12

Barros (1999) salienta uma alteração significativa nos resultados apresentados pela
produção agrícola a partir da década de 1980. Nesta época, a produção de bens
agrícolas do mercado doméstico passa a apresentar uma dinâmica semelhante à do
mercado externo, principalmente quanto à produtividade da terra, diferentemente do
que se verificava nas décadas anteriores.

É de extrema importância lembrar que na década de 1980 as lavouras começam a


ganhar espaço no cerrado, no Centro-Oeste do país. A área cultivada com lavouras
anuais e permanentes cresceu 23% nos cinco anos entre 1983 e 1988. Ao se
analisar a agricultura brasileira, e em especial a desta região, deve se atentar para
não considerar a terra como um fator de oferta inelástica, ao menos neste período,
uma vez que se vivia um intenso processo de expansão da fronteira agrícola,
baseada essencialmente na evolução das técnicas de tratamento e correção do solo
para torná-lo agricultável.

3.3 Década de 1990

Durante a década de 1990 a evolução do produto se deu de maneira sistemática a


partir de 1993, e esteve diretamente relacionada à evolução no uso de fertilizantes,
como mostram os Gráficos 05 e 06 (ver Anexo).

A produtividade dos fatores capital, trabalho e terra foram crescentes no período,


com todas apresentando ganhos acima de 40%. A grande elevação no uso de
fertilizantes serviu ao mesmo tempo para impulsionar o crescimento do produto,
assim como para reduzir a sua produtividade parcial.

No ano de 1999 a produção da agricultura brasileira era quase 30% maior do que
aquela do começo da década, e o uso de fertilizantes havia aumentado quase 35%.
Nenhum dos outros fatores teve aumento maior que 10% no seu uso, com destaque
para a estabilização na quantidade de terra colhida, que havia crescido na década
anterior.
13

3.4 Século XXI

Nos anos entre 2000 e 2006 a produção física da agricultura nacional cresceu cerca
de 36%, e assim como na década de 1990, a maior evolução no uso de fatores
produtivos foi dada pelos fertilizantes, que acumulou a mesma variação do produto.
Os Gráficos 06 e 07, presentes no Anexo, apresentam a evolução no uso dos
fatores e na produtividade parcial de cada um.

Como se pode observar, trabalho e capital permanecem relativamente constantes,


enquanto a quantidade de terra volta a crescer, a uma média de 4,5% a.a., depois
de alguns anos estabilizada.

Sob o ponto de vista da produtividade dos fatores (ver Gráfico 06 no Anexo), o


destaque fica com o capital e o trabalho, cujo aumento no uso foi pequeno frente ao
produto. A partir de 1999, não houve evolução relevante na produtividade da terra,
enquanto os fertilizantes mantiveram sua tendência negativa.
14

4 INOVAÇÃO INDUZIDA

4.1 O conceito

O conceito de inovação induzida está diretamente ligado à produtividade dos fatores,


conceito central deste trabalho, e que será tratado mais detalhadamente no próximo
capítulo. De início, é essencial entender que os fatores de produção que apresentam
alta escassez relativa sofrem um aumento de preço maior quando do aumento da
demanda (devido à oferta menos elástica). Este se torna um forte incentivo para a
adoção de práticas que visem poupar no uso deste recurso.

No caso de dois fatores (A e B), onde o primeiro é relativamente mais escasso:


supondo um aumento da demanda por fatores de produção (ex: perspectiva de
aceleração do crescimento econômico) por parte dos produtores, o bem mais
escasso sofrerá um aumento maior no seu preço.

A apresentação de Hayami e Ruttan (1983) sobre a evolução do uso dos fatores


terra e trabalho nas economias americana e japonesa mostra exatamente esta
tendência. Na agricultura japonesa, onde o fator relativamente escasso é a terra, a
ênfase do desenvolvimento tecnológico se deu na área biológica, com o
desenvolvimento de produtos que visavam à capacidade de produzir mais por
hectare. Nos Estados Unidos, onde a terra não é tão escassa, a tecnologia evoluiu
no sentido de tornar o trabalho da mão-de-obra o mais eficiente possível, através de
tratores e maquinaria.

É importante salientar que esta relação do uso de maquinaria com a escassez


relativa do fator trabalho e de processos biológicos para o fator terra não é
totalmente pura. De fato, existem casos em que a maquinaria pode aumentar a
produtividade da terra e processos biológicos podem ajudar a economizar mão-de-
obra (ex.: sementes transgênicas que permitem colheita mecânica de variedades
que não antes não permitiam). Adota-se tal padrão teórico porque a história e a
prática mostram que tais associações são as mais comuns.
15

Nas próximas páginas será possível entender o papel da relação entre os fatores na
obtenção de níveis elevados de produção, maiores do que a variação no uso dos
fatores.

4.2 Características da tecnologia nos fatores na produção agrícola

4.2.1 Capital

Quanto ao desenvolvimento de tecnologia mecânica, é necessário lembrar que no


setor agrícola as máquinas têm um caráter muito diferente daquelas do setor
industrial. As condições na qual se dá a produção agrícola não são tão constantes
como o trabalho em uma fábrica, em termos espaciais e temporais. A maquinaria
deve ser capaz não só de realizar sua tarefa-alvo, como também deve dispor de
potência para se mover enquanto trabalha; muitas vezes em solo pesado.

A força mecânica agrícola é composta por uma estrutura fixa de mobilidade,


habitualmente motorizada, necessária e comum a todas as tarefas mecanizadas
(responsável por mover o trator) e de uma estrutura de trabalho (irrigadoras,
colheitadeiras, arados, semeadoras). Existe, portanto, um incentivo econômico para
o desenvolvimento de tratores multifuncionais, caracterizados por uma estrutura
única, na qual se acoplam diferentes ferramentas, específicas a cada operação.
Com o uso desta estrutura, reduzem-se os custos com a estrutura de mobilidade,
liberando recursos e aumentando a produtividade do capital, fator essencial ao
desenvolvimento.

Temporalmente, deve ser observado que apesar da repetição sazonal (anual ou


semestral) das safras, cada uma compreende um grande número de tarefas
diferentes, realizadas em por curto período de tempo (ex.: preparação da terra,
semeadura, irrigação, colheita, ensacamento).

Este grande número de tarefas diferentes exige também um grande número de


máquinas diferentes, que são usadas por um período curto de tempo em cada safra,
16

muitas vezes por um número reduzido de funcionários. Como conseqüência, cada


funcionário deve ser capaz de realizar um número maior de tarefas distintas, não
sendo possível a adoção de um alto nível de especialização dos trabalhadores,
como observado na indústria.

4.2.2 Terra

Na outra mão do desenvolvimento tecnológico na agricultura está um grupo de


práticas denominado processos biológicos, mas que é composto por um número
muito maior de atividades, incluindo também fatores químicos e físicos (Hayami e
Ruttan, 1983, p.13).

O essencial é entender que este conceito compreende todas as atividades que


buscam um aumento da produtividade da terra, ou seja, aumentar a produção a
cada unidade de área agricultável. Alguns exemplos são: o desenvolvimento de
técnicas de rotação de solos, sementes especiais, o uso de fertilizantes, alterações
no solo ou pesticidas, que podem ser utilizados de maneira individual ou conjunta.

O primeiro grande passo dos processos biológicos na agricultura moderna se deu


com a Revolução Verde, nome dado ao conjunto de inovações nas práticas
agrícolas desenvolvidas após a II Guerra Mundial, que veio a desencadear uma
grande alteração na estrutura de produção agrícola nas décadas de 1960 e 1970. A
utilização de sementes híbridas, fertilizantes e defensivos foram alguns dos
processos biológicos adotados (dentre outros de natureza distinta) nesta
transformação, que permitiu um grande aumento da produtividade nas culturas de
grãos, principalmente em países subdesenvolvidos, que passaram a participar mais
intensamente dos mercados agrícolas.

A demanda por fertilizantes no Brasil cresceu muito nas últimas décadas, e seu
mercado segue padrão de comportamento já observado em outros estudos:

O consumo de fertilizantes no Brasil aumentou 680% de 1970 a


2002, passando de 998 mil toneladas em 1970 para 7,77 milhões de
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toneladas em 2002. Constatou-se que, no longo prazo, a demanda


de fertilizantes é inelástica a variações no seu preço e no volume de
crédito rural e elástica em relação ao índice de preços recebidos
pelos agricultores. Esses valores são coerentes com a
essencialidade do produto para a agricultura brasileira e também são
coerentes com estimativas feitas para outros países. (Nicolella,
Dragone e Bacha; 2005; p.98)

Historicamente, grande parte dos esforços na área de processos biológicos se deu


pelo trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), fundada
em 1973 e hoje vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A
empresa possui hoje 38 centros de pesquisa, dentre eles o Embrapa Solos e o
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que organizam a pesquisa e
desenvolvem parte da tecnologia aplicada na agricultura brasileira.

4.3 O modelo de inovação induzida

Segundo Hayami e Ruttan (1988), o desafio para as teorias de desenvolvimento da


agricultura está em incorporar o mecanismo pelo qual uma sociedade faz as
escolhas de investimento tecnológico, que deve ser dirigido segundo as condições
de oferta relativa dos fatores. Ou seja, os modelos devem tratar os avanços técnicos
e científicos como um processo endógeno ao sistema econômico.

A seguir, será apresentado o modelo de inovações induzidas, que se presta a


analisar as escolhas das sociedades de uma maneira dinâmica e é capaz de tratar
dos incentivos ao progresso tecnológico dados pelos preços relativos dos fatores de
produção (que por sua vez são determinados por sua escassez relativa).

A inovação induzida é um conceito relacionado à hipótese levantada por John R.


Hicks (1932), que enfoca o progresso técnico como não-neutro. Segundo sua teoria,
uma mudança nos preços relativos dos fatores gera incentivos para o
desenvolvimento de inovações que visam a economia do fator que se torna
relativamente mais caro. Ou seja, mudanças na escassez relativa dos fatores
mudam os preços relativos destes, e assim, induzem o progresso inovatório, de
18

desenvolvimento de tecnologia. O fenômeno observado é a criação de incentivos a


partir de um efeito substituição.

Com este modelo, a inovação se dá a partir uma alocação de recursos sujeita às


mudanças na interação de oferta e demanda, ou seja, está diretamente ligado a um
padrão neoclássico de entendimento da economia.

Porém, a evidência empírica mostra que este efeito substituição não é capaz de
explicar todo o fluxo de inovações. No processo de incentivos para a inovação existe
também um impacto dado pela demanda geral. Aumentos na demanda por seu
produto (e um conseqüente aumento nas receitas) provocam nas empresas um
espírito inventivo, com o intuito de explorar mais ampla e eficientemente o mercado,
e que determina em parte a velocidade das inovações tecnológicas, noção
apresentada em Griliches (1957) e Schmookler (1966).

Estes dois efeitos são apoiados pela evidência empírica, mas apesar de
relacionados, não constituíam um modelo de trabalho propriamente dito até a
publicação do estudo de Hans Binswanger (1974), que com um grande rigor
microeconômico desenhou um modelo de inovação induzida que une estes dois
efeitos através da construção de uma função de produção de pesquisa.

Esta função possui também atributos clássicos, como a produtividade marginal


decrescente para o gasto (em pesquisa). A grande evolução está em considerar a
capacidade de um aumento na demanda do produto vendido por uma empresa
(elevação das receitas), em ampliar a capacidade de investimento em tecnologia (e
o retorno decorrente deste) sem que haja necessariamente uma alteração nos
preços relativos dos insumos da produção, fator que não era explorado por Hicks
(1932).

A função de produção de pesquisa pode ser retratada graficamente, através da


curva de possibilidades de inovação (CPI), de natureza convexa (ver Figuras 02 e
03), e que consiste da envoltória de isoquantas que representam todas as
tecnologias acessíveis a um dado nível de gasto em pesquisa.

A própria existência da curva de possibilidades de inovação (CPI) prescinde que a


produtividade marginal do gasto em pesquisa seja decrescente, e que em algum
19

momento o retorno para o gasto em pesquisa seja zero. Caso a CPI comportasse
uma função com retornos constantes, não haveria um ponto ótimo a ser definido,
uma vez que em todos os casos, o melhor que cada empresa poderia fazer seria
dedicar o máximo de recursos à produção de tecnologia. Assim, poderia produzir
infinitamente novas tecnologias, que reduziriam a demanda pelos fatores terra e
trabalho.

A CPI tem uma inclinação negativa, o que representa o trade-off entre os fatores
envolvidos em cada decisão de investimento em inovação. Desta maneira, a CPI
comporta a hipótese de substituição técnica, definida pela escassez relativa dos
fatores. As empresas podem (e devem) substituir a proporção de fatores que usam
na produção, de acordo com seus preços relativos (taxa marginal de substituição
técnica). Tal mudança acontece ao longo da curva de possibilidades de inovação.

A mesma CPI permite que se observe o efeito de demanda, com o deslocamento da


própria curva para dentro ou para fora. A liberação de recursos para investimento
em tecnologia com o aumento da demanda “aumenta o valor do produto marginal
dos recursos dedicados à pesquisa” (Hayami, 1988), e a empresa passa a dispor de
recursos para explorar tecnologias mais eficientes, e assim pode produzir a mesma
quantidade com uso de quantidade menor de fatores, trazendo a CPI para dentro.

O modelo fica completo com a introdução de uma restrição linear, com inclinação
igual ao preço relativo dos fatores. A inclinação desta reta é igual à taxa marginal de
substituição técnica, que corresponde ao preço relativo dos fatores terra e trabalho.

A cada momento, a empresa deve produzir utilizando os fatores na proporção


definida pelo ponto de tangência entre a curva de preços relativos e a curva de
possibilidades de inovação (CPI) vigente, como pode ser observado nas figuras
abaixo. A tangência representa o ponto ideal para a proporção de uso dos fatores.

A Figura 02 representa um modelo de mudança técnica induzida quanto ao processo


de desenvolvimento de tecnologia mecânica. A reta AA representa a relação de
preços relativos que existe entre os fatores relevantes, no caso a mão-de-obra e a
terra. Dada a curva de possibilidades de inovação em que nos situamos,
encontramos o nível de utilização (e a proporção) dos fatores ótimo no ponto X.
20

Vamos supor que por algum motivo, haja uma mudança nos preços relativos de AA
para BB. Ou seja, a mão-de-obra se tornou mais escassa, e assim, relativamente
mais cara, diga-se, pelo aumento da demanda de trabalho por outro setor da
economia, o que gerou êxodo rural.

Com a oferta de trabalho reduzida, o salário de todos os trabalhadores aumenta.


Frente ao novo preço do trabalho, os produtores rurais passam a ter um incentivo
para usar mais intensamente o fator terra, dado que existe a possibilidade de
continuar produzindo a mesma quantidade de produto com menos trabalho, fator
relativamente mais caro.

Existe, portanto, um incentivo para a criação de máquinas, tratores e todo tipo de


capital que sejam mais eficientes, ou seja, que permitam ao menos manter a
produtividade em cada unidade de área com o uso de uma quantidade menor de
funcionários.

O impacto do desenvolvimento tecnológico seria a alteração na curva de


possibilidades de inovação, trazendo-a para dentro, dado que é preciso uma
quantidade menor de fatores para a produção, que se supõe constante, dado que
estamos tratando apenas de uma alteração no preço relativo dos fatores (efeito
substituição).

Como pode se observar na Figura 02, a utilização ótima de fatores mudou para a o
ponto Y. Assim, está definida também uma nova proporção entre terra e trabalho.

O mesmo pode ser feito para demonstrar como se dá a inovação no campo dos
processos biológicos, reproduzida na Figura 03 induzida por uma alteração nos
preços relativos (da reta EE para FF) entre a terra e um grupo de implementos
denominado “fertilizantes”, representando todos os processos biológicos que servem
a aumentar a produtividade de cada unidade de área cultivada.

Supondo uma alteração no preço relativo entre a terra e os fertilizantes, dada por
uma valorização no preço e no aluguel das terras, pode-se mostrar o resultado dos
incentivos criados para a geração de inovação que ajude a economizar terra.
21

Com a alteração no preço relativo, torna-se mais interessante produzir utilizando


menos do fator escasso. Com isso empreenda-se um esforço de inovação para que
se produza fertilizantes mais eficientes, que permitam compensar a alteração no
preço relativo.

O desenvolvimento de tecnologia gera uma nova curva de possibilidade de


inovações (H), que junto com a nova relação de preços relativos dos fatores define
um ponto (Z) com uma nova proporção dos fatores, que inclui o uso mais intensivo
de fertilizantes.

Gráfico 02
Fonte: Hayami e Ruttan (1983)

Gráfico 03
Fonte: Hayami e Ruttan (1983)
22

5. PRODUTIVIDADE NA AGRICULTURA BRASILEIRA

5.1 Produtividade Total dos Fatores

As medidas de produtividade parcial se constroem a partir da relação da evolução


do produto frente à evolução da medida padrão de um insumo em particular (Bonelli;
Fonseca, 1998).

(...) existem evidências de que as medidas de produtividade parciais


são insuficientes (...) não captam o efeito interativo dos diversos
fatores envolvidos no processo produtivo. (Gasques e Conceição,
1997, p.7)

Deste modo, este trabalho buscará ampliar a análise frente a estas medidas de
eficiência, utilizando a metodologia da Produtividade Total dos Fatores, que se
diferencia daquela pela capacidade de captar e explicar uma parte da evolução do
produto que não é dada pela evolução no uso de um ou mais insumos em particular,
mas sim de todos os insumos essenciais empregados, de maneira integrada.

Os resultados são obtidos a partir da comparação da variação do produto total com


a variação individual dos fatores, ponderados. Deste modo, surge um resíduo, o qual
não se pode creditar a nenhum dos fatores envolvidos. Há diversos modos de
avaliar este resíduo, dentre os quais foi escolhido o método explicado a seguir.

5.2 Modelo de Solow e o método da contabilidade do crescimento

É impossível tratar o assunto da produtividade total dos fatores sem mencionar o


economista americano Robert Solow. Este foi o responsável por uma das teorias de
crescimento de maior impacto. De cunho neoclássico, sua teoria (sob o nome de “A
Contribution to the Theory of Economic Growth"), foi publicada em 1956.
23

Sua teoria de crescimento aparece na década de 1950 como uma evolução da teoria
desenvolvida por Domar (1957). Pela primeira vez aparece em estudo de
crescimento econômico a variável de crescimento da produtividade (tecnologia), de
modo independente da utilização de capital.

Por este motivo, a taxa de crescimento pode ser vista como determinada de maneira
exógena, e a economia tendo a tendência de convergir para ume estado
estacionário, onde os fatores de investimento (poupança per capita) se igualam com
a depreciação e crescimento populacional, assim definindo o produto per capita. Tal
estado estacionário só é alterado quando há modificações na taxa de progresso
tecnológico ou de força de trabalho.

Outro ponto chave do modelo é que o capital pode ser adaptado a retornos
decrescentes (Uma evolução frente ao modelo Harrod-Domar, que só previa
retornos constantes). Considerando tudo ao mais constante, a lei de retornos
decrescentes implica que a curva de produção não é linear, ou seja, há um ponto
onde um aumento de capital só será capaz de repor o capital depreciado.

Assim, pode-se explicar o modelo-base proposto pelo autor.

Função de Produção:

Y = f (K, L)

Y/L = f (K/L ,L/L) = f (k)

k = K,L ; y = Y/L

Identidade Poupança-Investimento

I = S = sY

Variação do Capital

∆K = sY – δK

∆K/L = s(y) - δ (k) (i)


24

∆(K/L) / K/L = [(∆K*L – ∆L*K) / L2] / K/L

= [(∆K/L)/(K/L)] – [(K*∆L/L2)/(K/L)]

= [∆K / K] – [∆L / L]F

= [∆K / K] – n

Onde: n = taxa crescimento popul. = taxa crescimento força de trabalho

= [∆k /k ]

∆K = [∆k /k] K + n K

∆K / L = ∆k + n(K/L)

∆K / L = ∆k + n k (ii)

Igualando (i) e (ii):

∆k + n k = s(y) - δ (k)

∆k = s(y) – (δ + n) k

Ou seja, o estoque de capital por trabalhador está em equilíbrio quando:

s(y) = (δ + n) k

a poupança bruta por trabalhador (crescimento do estoque de capital) iguala os


efeitos de redução do estoque de capital.

E o equilíbrio aparece no Gráfico 04:


25

Gráfico 04 – Equilíbrio estacionário no modelo de Solow

A existência deste fenômeno foi comprovada empiricamente, e indica que não é só o


aumento do estoque de capital que influencia o crescimento econômico. Foi desta
relação encontrada no modelo que podemos mensurar o efeito da inovação
(evolução da tecnologia) sobre o crescimento do produto per capita.

Neste trabalho, será utilizada uma função Cobb-Douglas Adaptada (incluído o fator
“A” para a tecnologia) e o trabalho adaptado ao capital humano, pelo coeficiente h,
que representa o numero de anos de estudo da população ativa :

Y = A( Leφh )α K β F γ T 1−α −β −γ

Derivada total:

∂Y ∂Y dA ∂Y dK ∂Y dL ∂Y dT ∂Y dF ∂Y dh
= + + + + + (i)
∂t ∂A dt ∂K dt ∂L dt ∂T dt ∂F dt ∂h dt

As derivadas parciais:
26

∂Y βY
= Aβ K β −1 ( Leφh )α F γ T 1−α −β −γ =
∂K K
∂Y αY
= AK β αLα −1eφhα F γ T 1−α − β −γ =
∂L L
∂Y γY
= AK β ( Le φh ) α γ F γ −1T 1−α − β −γ =
∂F F
∂Y (1 − α − β − γ )Y
= AK β ( Le φ h ) α F γ (1 − α − β − γ )T − (α + β + γ ) =
∂T T
∂Y Y
= K β ( Le φh ) α F γ T 1−α − β −γ =
∂A A
∂Y
= AK β φα ( Le φh ) α F γ T 1−α − β −γ = φα Y
∂h

E assim, substituindo-as em (i):

∂Y Y dA βY dK αY dL γY dF (1 − α − β − γ )Y dT dh
= + + + + + φαY
∂t A dt K dt L dt F dt T dt dt

E dividindo ambos os lado por Y, chegamos á taxa de variação da PTF, em


porcentual:

∂Y  dK dL dF dT 
∆PTF = ∂t −  β dt + α dt + φα dh + γ dt + (1 − α − β − γ ) dt 
Y  K L dt F T 
 

Onde podemos observar o desvio do crescimento total do produto ao crescimento


dos fatores, que é a parte a qual não se credita a qualquer dos fatores citados.

5.3 Dados

Os fatores de produção que são usados para esta estimação são: terra (T),
fertilizantes (F), mão-de-obra (L), capital humano (h) e capital físico (K), medidos
27

respectivamente nas unidades de hectares, toneladas de nutrientes, pessoas, anos


de estudo e unidades de tratores.

É importante salientar que a medição de cada uma destas variáveis releva a


existência de diferenças, tratando cada fator como um bem homogêneo em todas as
unidades produtivas da economia. Evidentemente existem tratores mais e menos
potentes, terras mais adequadas para a cultura de cada produto e demais diferenças
técnicas. Porém, em função da inexistência de dados muito detalhados, e uma vez
que são analisados dados globais da agricultura brasileira, cada grupo é tratado de
maneira homogênea, do qual se derivará uma produtividade média.

A literatura disponível em trabalhos semelhantes no Brasil já consolidou certas


práticas no tratamento de dados, que foram seguidas na medida do possível aqui, e
que estão descritos nesta seção.

Neste estudo, as principais fontes de dados são órgãos governamentais e setoriais


brasileiros, que realizam pesquisas regulares sobre os dados necessários à
estimação da produtividade total dos fatores.

Na estimação da PTF, a definição do período a ser tratado depende diretamente da


existência de dados organizados e disponíveis para todas as variáveis (Bonelli, R.;
Fonseca, R., 1998). Este estudo abrange o período de 1990 a 2006, contribuindo
assim com quatro anos de informação (2003 a 2006) que não foram encontradas em
trabalhos semelhantes.

Os níveis de produto total (Y) são medidos em toneladas e foram coletados


diretamente da tabela de quantidades por produto das safras, constantes da
Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), para a as lavouras temporárias e permanentes, medidos em toneladas,
exceto abacaxi e coco-da-baía, que são medidos em mil frutos e foram
transformados em toneladas a partir da suposição de que cada fruto pesa 1 (um) Kg.

No período de 1990 a 2000, alguns produtos estão com dados medidos em mil
frutos. A estimação das quantidades do ano 2000 foi feita através do uso da mesma
variação que houve na área colhida de cada produto entre 2000 e 2001. A partir
28

deste valor, se construiu as quantidades em toneladas entre 1990 e 2000 pela


variação porcentual ano a ano dos valores em mil frutos, por produto.

Os dados da quantidade de área colhida (fator terra) são coletados diretamente da


Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), por produto. A medição da área está disponível, com periodicidade anual.

A utilização de fertilizantes foi construída a partir da metodologia proposta em Barros


(1999). Os dados desta pesquisa possuem duas fontes distintas, de 1973 a 1986
fornecidos pelo IBGE e entre 1987 e 1995 pela Associação Nacional para a Difusão
de Adubos (ANDA). A base de dados disponível neste trabalho foi ampliada através
da variação porcentual do consumo aparente de matérias primas, com informações
da ANDA.

A fonte dos dados para pessoal ocupado em atividade rural é a Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE. Gasques e Conceição (1997) discorrem
sobre as dificuldades para a construção de um índice para o fator trabalho na
agricultura brasileira, pois a PNAD passou por uma intensa mudança metodológica
em 1992, quando passaram a ser computadas todas as pessoas que se localizavam
na agricultura, queiram trabalhando em atividade rural ou não.

Neste trabalho, utilizou-se o índice de mão-de-obra disponível em Gasques et al.


(2004), que compreende o período entre 1975 e 2002, já ajustado para as mudanças
na metodologia. Esta série foi ampliada de 2003 a 2007 pela variação anual do
pessoal ocupado em atividade agrícola, da Tabela 2273 da PNAD 1.

Freitas, Bacha e Fossatti (2007) disponibilizam dados da média de anos de estudo


dos trabalhadores maiores de 10 anos de idade, no setor agropecuário em cada
estado para os anos de 1970, 1980, 1991 e 2000; construídos a partir dos Censos
Demográficos do IBGE. Para construir a série anual da variável de capital humano

1
Tabela 2273 - Pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas no período de referência de 365 dias por
condição de atividade e de ocupação na semana de referência, sexo e ramos de atividade do trabalho principal
no período de referência de 365 dias.
29

(h) os valores foram interpolados através de uma taxa de crescimento exponencial


para cada unidade da federação. Para a construção do índice nacional, utilizou-se
uma ponderação a partir da população ocupada no campo, disponível nos Censos
Agropecuários do IBGE 2. Para os anos a partir de 2000, foi utilizada a série de
média de anos de estudo para pessoas com mais de 10 anos em residência rural,
disponíveis na PNAD dos anos 2004 e 2005.

A medida para o estoque de capital físico (maquinário agrícola) é tomada dos


Censos Agropecuários do IBGE, pelo número de tratores de roda utilizados na
agricultura nacional. Como tratado na seção 4.2.1 deste trabalho, é sabido que os
tratores de roda não são as únicas ferramentas de trabalho mecânico na economia.
Porém, devido à capacidade de realizar múltiplas tarefas e grande participação
destes no estoque de capital da agricultura moderna, acredita-se que sua medida
reflete bem as variações no uso de força mecânica. Barros (1999) e Bonelli e
Pessoa (1998) são exemplos do uso desta medida na estimação da PTF.

Comparando o estoque de tratores, dos Censos Agropecuários do IBGE entre os


anos de 1970 e 2005, com as quantidades de máquinas produzidas, disponibilizadas
no Anuário Estatístico da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (ANFAVEA) é possível perceber que o período de depreciação
aparente do estoque total de capital físico cresceu neste período, e especialmente a
partir de 1995.

A questão da depreciação é ponto fundamental na construção de séries temporais


para maquinaria, não só agrícola. É possível verificar o tempo de depreciação de um
estoque de capital somando a oferta destes dos períodos anteriores a um dado
ponto no tempo. Enquanto em 1985 o estoque de 665.280 máquinas equivalia à
oferta dos 21 anos anteriores, em 2006 os 788.053 veículos significavam mais de 28
anos de vendas. Este aumento no tempo de uso do capital indica que houve uma

2
A série de população ocupada por estado utilizou o mesmo tipo de interpolação para obter as quantidade para
os anos entre as pesquisas.
30

evolução na qualidade destes (que em si pode significar maior produtividade) e


afasta a hipótese de depreciação anual constante no estoque de máquinas
agrícolas, como tratada em Bonelli e Pessoa (1998).

5.4 Resultados

Para efeito de comparação com outros trabalhos, simularam-se também os


resultados para uma função de produção sem adição de capital humano. Os valores
dos coeficientes são os mesmos utilizados no trabalho de Barros (1999):

Tabela 01

ß 0.3
γ 0.1
α 0.4

O coeficiente para o retorno sobre o capital humano (Φ) é fixo e tem valor de 0,1449.
Este número é o resultado de Sachsida, Loureiro e Mendonça (2004) para a faixa de
média de quatro anos de estudo, utilizando dados da PNAD entre 1992 e 1999 e
utilizando a metodologia proposta em Heckman (1974) e Heckman (1979). No
trabalho, o coeficiente para o retorno de anos de estudo são obtidos a partir de uma
regressão contra o nível de salários para a economia brasileira como todo. Pela
teoria neoclássica, o nível de salários em equilíbrio é igual ao produto marginal do
trabalho, de modo que se permite o uso deste coeficiente para medir o retorno da
educação da mão-de-obra na produção.

Sabe-se que o estudo de Sachsida, Loureiro e Mendonça (2004) utiliza dados de


salários de trabalhadores de todos os setores da economia. Porém, foi o único
trabalho encontrado com um período que coincide com o aqui tratado, assim como
não se encontrou outros estudos com os resultados para o retorno da educação
exclusivamente no setor agrícola.
31

O resultado para o crescimento anual médio da PTF em diversos períodos está


disponível nas tabelas 02 e 03, abaixo. O índice de produtividade total dos fatores
encontrado neste trabalho (Anexos I e II) possui resultados bastante coincidentes
com os trabalhos de Barros (1999) e Bonelli e Fonseca (1998) para os períodos em
que coincidem os dados.

Os Anexos I e II são tabela construídas à semelhança daquelas encontradas nos


estudos com o qual os resultados são comparados. Respectivamente, mostram os
resultados para a função de produção sem adição do capital humano e com ele.
Apresentam anualmente os dados utilizados para estimação e os resultados, em
nível 1990=100, bem como as produtividades parciais dos fatores (relação produto-
fator) e a variação frente ao período anterior para todas as medidas.

Para o ano de 1995, os três estudos apontaram uma PTF entre 114 e 115 (adotando
uma base de 100 em 1990). Porém, todos divergem dos resultados de Gasques et
al. (2004), que indica um valor de PTF de aproximadamente 131 no ano de 1995
para a mesma base.
32

6. CONCLUSÕES

Podemos perceber que na década de 1990, houve uma variação da PTF muito
próxima à variação do produto. Os únicos fatores que mostraram significativas
variações foram o uso de fertilizantes e o capital humano (medido em anos de
estudo), ambos variando aproximadamente 45%.

A partir do ano 2000, a quantidade de terra utilizada voltou a crescer (20% em 6


anos); o uso de fertilizantes se intensificou ainda mais, aumentando 45% em três
anos (o crescimento 2000-2006 estabilizou-se em 36%, similar à evolução na
quantidade produzida). O capital humano evoluiu aproximadamente 25% em seis
anos, mantendo o crescimento da década anterior.

A evolução na produtividade total dos fatores no período estimado para a década de


2000 foi de 25%, inferior ao crescimento do produto, diferentemente da década
anterior. Ainda assim, os resultados são interessantes, uma vez que se obteve em
seis anos uma variação igual ou superior àquela dos dez anos entre 1990 e 2000.

Tabela 02 - Função de Produção sem capital humano:

Ganho Anual de PTF na agricultura


1990-2000 2.04%
1990-1996 2.71%
1996-2000 1.04%
1990-2005 2.23%
1996-2005 1.92%
2001-2005 1.68%

Tabela 03 - Função de Produção com capital humano:

Ganho Anual de PTF na agricultura


1990-2000 1.42%
1990-1996 2.14%
1996-2000 0.35%
1990-2005 1.52%
1996-2005 1.10%
2001-2005 0.76%
33

Conforme enfatiza a citação de Freitas, Bacha, Fossatti (2007) na introdução deste


trabalho, a inovação em fertilizantes e capital físico foi muito relevante. Os
fertilizantes, enquanto tiveram um aumento no uso acima de todos os outros fatores,
certamente colaboraram para o crescimento da produtividade da terra, notadamente
nas décadas de 1980 e 1990. Na década de 2000 surpreende o fato que não houve
fatores com tendência negativa na evolução da produtividade. A produtividade total
dos fatores no Brasil tem tendência é crescente para o caso de ambas a funções de
produção, e não mostra em nenhum momento uma redução em três anos
consecutivos, o que enfatiza que variações negativas não se tornaram tendência em
nenhum momento, tendo se atingido o nível da PTF anterior à oscilação sempre no
ano seguinte.
34

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37

ANEXOS
38

Gráfico 05 - Evolução do produto e do uso dos fatores na década de 1990


140

130
F

120 L
1990 = 100

T
110

K
100

90

80
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999
Y 100 100 105 99 113 118 117 124 127 127
F 100 93 95 100 117 121 113 131 128 133
L 100 99 100 100 100 100 98 99 98 99
T 100 100 100 92 102 101 91 94 93 97
K 100 100 100 101 104 105 103 102 101 101
39

Gráfico 06 - Evolução da Produtividade Parcial dos Fatores


180
T

160
K

F
140
1990=100

L
120

100

80

60
1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006
40

Gráfico 07 - Evolução do produto e do uso dos fatores 2000-2006


150

Y
140

F
130

L
120
2000 = 100

T
110

K
100

90

80
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Y 100 107 111 123 127 127 136
F 100 104 117 144 146 130 136
L 100 99 99 100 108 108 105
T 100 100 106 115 124 125 122
K 100 101 102 103 103 102 102
41

Gráfico 08 - Produtividade Total dos Fatores


(função de produção sem capital humano)

180

170

160

1990=100 150

140

130

120

110

100

90

80 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

PTF Barros 1999 100 108 106 107 113 114


PTF Bonelli e Fonseca 1998 100 105 110 111 113 115 119
PTF Gasques et al 2004 100 102 106 106 111 131 133 135 140 148 154 167 174
PTF Bastos 2008 100 101 106 100 110 115 117 122 127 125 122 130 132 140 137 139 151
42

Gráfico 09 - Impacto do capital humano na PTF


PTF sem capital humano
PTF com capital humano
160

150

140

130
1990=100

120

110

100

90

80 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

PTF sem capital humano 100 101 106 100 110 115 117 122 127 125 122 130 132 140 137 139 151
PTF com capital humano 100 101 105 98 108 111 114 117 121 118 115 122 122 128 124 125 134
43

Tabela 05 - Dados
Dados Taxas de Crescimento (%)
Ano Y F L T K h Y F L T K h
1990 100 100 100 100 100 100 - - - - - -
1991 100 93 99 100 100 105 0,0 -6,9 -1,3 0,3 0,1 4,5
1992 105 95 100 100 100 108 5,3 1,8 1,4 0,1 -0,2 3,6
1993 99 100 100 92 101 112 -6,4 5,1 -0,2 -8,1 1,1 3,6
1994 113 117 100 102 104 116 15,0 17,7 -0,3 10,1 3,3 3,7
1995 118 121 100 101 105 121 4,3 3,4 0,3 -1,1 0,5 3,7
1996 117 113 98 91 103 125 -1,2 -6,6 -1,4 -9,9 -1,8 3,7
1997 124 131 99 94 102 130 5,9 15,9 0,1 4,1 -1,0 3,8
1998 127 128 98 93 101 135 2,7 -2,5 -0,8 -1,7 -0,6 3,8
1999 127 133 99 97 101 140 0,2 4,3 1,1 4,7 -0,6 3,9
2000 126 145 98 99 101 145 -0,8 8,8 -0,9 2,4 0,1 3,9
2001 135 151 97 100 102 152 6,8 4,1 -0,8 0,3 0,6 4,7
2002 141 170 97 105 103 159 4,3 12,3 -0,2 5,6 1,2 4,7
2003 155 209 98 114 104 167 10,4 23,0 1,3 8,5 0,7 4,7
2004 160 212 106 123 104 175 3,1 1,7 7,5 7,5 0,6 4,7
2005 161 188 106 124 103 179 0,4 -11,3 0,5 1,0 -0,8 2,4
2006 172 197 103 121 103 187 6,8 4,5 -3,1 -2,4 -0,5 4,1
44

Tabela 06 - Produtividades sem capital humano


Índices de Produtividade Taxas de Crescimento (%) da Produtividade
Ano F L T K PTF F L T K PTF
1990 100 100 100 100 100 - - - - -
1991 108 101 100 100 101 7,5 1,4 -0,2 -0,0 1,2
1992 111 105 105 105 106 3,4 3,8 5,2 5,5 4,6
1993 99 99 107 98 100 -10,9 -6,3 1,8 -7,5 -5,6
1994 97 114 111 109 110 -2,3 15,3 4,4 11,3 10,3
1995 98 118 118 113 115 0,9 4,0 5,5 3,8 3,9
1996 103 119 129 113 117 5,8 0,2 9,7 0,5 2,5
1997 94 126 131 121 122 -8,6 5,8 1,8 7,0 3,8
1998 99 130 137 125 127 5,3 3,5 4,4 3,3 3,8
1999 96 129 131 126 125 -3,9 -0,9 -4,3 0,8 -1,4
2000 87 129 127 125 122 -8,8 0,1 -3,2 -1,0 -1,9
2001 89 139 135 133 130 2,6 7,7 6,5 6,2 6,5
2002 83 145 134 137 132 -7,2 4,5 -1,3 3,0 1,6
2003 74 158 136 150 140 -10,3 8,9 1,8 9,6 5,6
2004 75 152 130 154 137 1,3 -4,1 -4,1 2,5 -1,8
2005 85 151 130 155 139 13,2 -0,2 -0,7 1,2 1,3
2006 87 167 142 167 151 2,3 10,3 9,5 7,3 8,3
45

Tabela 06 - Produtividades com capital humano


Índices de Produtividade Taxas de Crescimento (%) da Produtividade
Ano F L T K PTF F L T K PTF
1990 100 100 100 100 100 - - - - -
1991 108 101 100 100 101 7,5 1,4 -0,2 0,0 0,6
1992 111 105 105 105 105 3,4 3,8 5,2 5,5 4,1
1993 99 99 107 98 98 -10,9 -6,3 1,8 -7,5 -6,1
1994 97 114 111 109 108 -2,3 15,3 4,4 11,3 9,8
1995 98 118 118 113 111 0,9 4,0 5,5 3,8 3,3
1996 103 119 129 113 114 5,8 0,2 9,7 0,5 1,9
1997 94 126 131 121 117 -8,6 5,8 1,8 7,0 3,2
1998 99 130 137 125 121 5,3 3,5 4,4 3,3 3,1
1999 96 129 131 126 118 -3,9 -0,9 -4,3 0,8 -2,1
2000 87 129 127 125 115 -8,8 0,1 -3,2 -1,0 -2,6
2001 89 139 135 133 122 2,6 7,7 6,5 6,2 5,6
2002 83 145 134 137 122 -7,2 4,5 -1,3 3,0 0,7
2003 74 158 136 150 128 -10,3 8,9 1,8 9,6 4,6
2004 75 152 130 154 124 1,3 -4,1 -4,1 2,5 -2,8
2005 85 151 130 155 125 13,2 -0,2 -0,7 1,2 0,8
2006 87 167 142 167 134 2,3 10,3 9,5 7,3 7,2