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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS

CENTRO DE ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO – CEA


CURSO DE ADMINISTRAÇÃO COM HABILITAÇÃO EM
COMÉRCIO EXTERIOR

DIEGO MARTINELLI ANTUNES

ESTUDO SOBRE O MERCADO DE AÇÕES BRASILEIRO:


PERFIL DO INVESTIDOR

CAMPINAS - SP
2009
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS
CENTRO DE ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO – CEA
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO COM HABILITAÇÃO EM
COMÉRCIO EXTERIOR

DIEGO MARTINELLI ANTUNES

ESTUDO SOBRE O MERCADO DE AÇÕES BRASILEIRO:


PERFIL DO INVESTIDOR

Trabalho de Conclusão de Curso


desenvolvido no Curso de
Administração com Habilitação em
Comércio Exterior da Faculdade de
Administração da PUC-Campinas,
como requisito para obter o grau de
bacharel em Administração sob
orientação do Professor Francisco
Prisco Neto.

CAMPINAS - SP
2009
Dedico este trabalho, símbolo de mais uma etapa concluída em minha vida,
àqueles que estiveram comigo em todos os momentos dessa jornada:
Meus pais e melhores amigos, Daisy e Casão e, mesmo em pensamento, minha
avó, Maria Emília, que, com amor e dedicação, me guiaram desde os primeiros
passos até que pudesse almejar grandes vôos. Meus padrinhos, Fernando e Janete,
parte integrante da minha vida e da formação do meu caráter. Familiares e amigos-
irmãos, presentes nos momentos mais importantes da minha vida. Todos me
fortalecendo nas dificuldades e compartilhando felicidade nas vitórias que tenho tido
ao longo dos anos, além de outras tantas pessoas que passaram em minha vida,
cada qual com sua importância na formação do meu indivíduo.
"O que realmente importa não são os anos de vida,
mas a vida que se vive nestes anos."
Autor Desconhecido
Sumário

1. Introdução...............................................................................................................06

1.1. Caracterização da Organização..........................................................................07

1.1.1. Histórico............................................................................................................07
1.1.2. Missão, Direção e Sedes..................................................................................09

1.1.3. Oportunidade....................................................................................................09

1.1.4. Limite................................................................................................................09

1.2. Objetivos..............................................................................................................10

1.2.1. Objetivos Gerais...............................................................................................10

1.2.2. Objetivos Específicos.......................................................................................10

1.3. Justificativa..........................................................................................................10

1.3.1. Oportunidade de Trabalho................................................................................10

1.3.2. Viabilidade do Trabalho....................................................................................11

1.3.3. Importância.......................................................................................................11

2. Revisão da Literatura.............................................................................................12

2.1. Sistema Financeiro Nacional...............................................................................12

2.1.1. Subsistema Normativo.....................................................................................14

2.1.1.1. Conselho Monetário Nacional.......................................................................14

2.1.1.2. Banco Central do Brasil.................................................................................14

2.1.1.3. Comissão de Valores Mobiliários..................................................................15

2.1.1.4. Banco do Brasil.............................................................................................15

2.1.1.5. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social...........................15

2.1.1.6. Caixa Econômica Federal.............................................................................16

2.1.2. Subsistema de Intermediação..........................................................................16

2.1.2.1. Instituições Financeiras Bancárias................................................................16

2.1.2.2. Instituições Financeiras Não-Bancárias........................................................17

2.1.2.3. Instituições Auxiliares....................................................................................18

2.1.2.3.1. Bolsas de Valores.......................................................................................18


2.1.2.3.2. Clube de Investimento................................................................................18

2.1.2.4. Instituições Não-Financeiras.........................................................................19

2.2. Mercado de Capitais Brasileiro...........................................................................19

2.2.1. Mercado Primário.............................................................................................19

2.2.2. Mercado Secundário........................................................................................20

2.2.3. Tipos de Ações e de Acionistas.......................................................................21

2.2.3.1. Ações Ordinárias...........................................................................................22

2.2.3.2. Ações Preferenciais.......................................................................................22

2.2.3.3. Tipos de Acionistas e seus Objetivos............................................................23

2.3. Análise para Investimento em Ações..................................................................24

2.3.1. Análise Técnica................................................................................................24

2.3.2. Análise Fundamentalista..................................................................................25

3. Metodologia Científica............................................................................................27

3.1.Delineamento de Pesquisa..................................................................................27

3.2. População e Plano de Amostragem....................................................................27

3.3. Plano e Técnicas de Coleta de Dados................................................................28

3.4. Plano de Análise..................................................................................................28

3.5. Instrumento de Coleta de Dados.........................................................................28

4. Análise dos Dados Coletados................................................................................29

5. Considerações Finais.............................................................................................37
5.1. Resumo do Trabalho Realizado..........................................................................37
5.2. Conclusão do Trabalho Realizado......................................................................37

Referências Bibliográficas.........................................................................................40

Anexo.........................................................................................................................41
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1. Introdução

O trabalho que segue estuda o mercado de ações brasileiro, assim como


descreve de forma sucinta seu funcionamento, com foco especial aos investidores
pessoa física. O autor vê a participação deste público no mercado de ações como
em franco crescimento. Sendo assim, procura entender quem são estes
investidores, com qual objetivo e quais estratégias utilizam para se atuarem em tal
negócio, um ramo até então pouco difundido no mercado brasileiro.
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1.1. Caracterização da Organização

1.1.1 Histórico

Há registros da existência do mercado de ações com data de 1602, na


Holanda. Porém foi em 1845 que se iniciou tal prática no Brasil. Na época, foi
fundada a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). A cidade era referência
nacional, uma vez que era capital do país à época, sendo considerado o centro
político-econômico do país.

Com o passar dos anos, novas bolsas foram surgindo pelo país. Dentre elas a
Bolsa de Valores do Extremo Sul (BVES), Bolsa de Valores do Paraná (BVPR),
Bolsa de Valores Minas, Espírito Santo e Brasília (BOVMESB), Bolsa de Valores da
Bahia, Sergipe e Alagoas (BOVESBA), Bolsa de Valores Pernambuco e Paraíba
(BOVAPP), Bolsa de Valores Regional (BVRg), Bolsa de Valores de Santos (BVST),
Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), entre outras.

Dentre elas, a que mais chama a atenção é a Bovespa devido a sua


reconhecida credibilidade e trajetória de crescimento.

Fundada em 1890, a chamada Bolsa Livre era o embrião da bolsa como


conhecemos hoje. Na época, a Bolsa Livre teve vida curta, tendo suas atividades
encerradas no ano seguinte. Em 1895, é reaberta sob nome de Bolsa de Fundos
Públicos de São Paulo.

Em 1934 a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo muda de localização e de


nome, agora nomeada Bolsa Oficial de Valores de São Paulo, onde viveu com vigor
o período de industrialização no pós-guerra, atraindo grande número de empresas
privadas que se desenvolviam na época.

Com as reformas ocorridas no Sistema Financeiro Nacional na década de


1960, a Bolsa Oficial de Valores de São Paulo sofre alterações em suas
características, passando a ter caráter institucional, transformando-se em
associação civil sem fins lucrativos, enfim denominada Bolsa de Valores de São
Paulo – Bovespa.

Até então, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro era a principal bolsa do país,
a qual atraia o maior número de negócios, volume de movimentação e quantidade
8

de investidores. Porém, a partir da década de 1980 o cenário alterou-se, fazendo da


Bovespa a bolsa com maior atratividade no âmbito nacional. Este fato se deve às
diversas inovações e modernizações administrativas e tecnológicas promovidas pela
Bovespa, como o pioneirismo no registro eletrônico de negócios, introdução das
operações com opções sobre ações, implantação de terminais eletrônicos para
negociação, entre outros diferenciais até então inéditos no país.

As décadas de 1980 e 1990 ficaram marcadas pelo surgimento de algumas


inovações como a Bolsa Mercadorias & Futuros (BM&F), a Companhia Brasileira de
Liquidação e Custódia (CBLC), o after market, além da implantação do Mega Bolsa,
sistema altamente avançado de processamento de informações, e do Home Broker,
permitindo que as negociações fossem feitas eletronicamente de qualquer parte do
mundo.

O sistema Mega Bolsa foi fundamental para um processo que iria mudar o
mercado de ações do país. Em 2000, sob o slogan “Bovespa, A Bolsa do Brasil”,
houve a unificação do mercado nacional, que centralizou os negócios com ações na
bolsa paulista. Este fato ocorreu através de um acordo que integrou as bolsas de
valores de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas - Espírito Santo - Brasília, Extremo Sul,
Santos, Bahia - Sergipe - Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Paraná e a Bolsa
Regional, unindo todas as bolsas de valores em atividade à época. As bolsas
regionais mantiveram suas atividades de desenvolvimento do mercado e de
prestação de serviços as suas praças locais, porém deixaram de atuar diretamente
no mercado acionário.

Em 2007, a Bovespa se transformou em sociedade anônima, abrindo seu


capital sob denominação de Bovespa Holding S.A. Ainda neste mesmo ano, a Bolsa
de Mercadorias & Futuros (BM&F) teve o mesmo destino, pouco tempo depois do
ocorrido com a Bovespa, passando a se chamar BM&F S.A.

Em 2008, as duas empresas integram-se, formando a maior bolsa da América


Latina, segunda maior das Américas e terceira maior do mundo em valor de
mercado, passando a se chamar Bolsa de Valores, Mercadorias & Futuros – BM&F
Bovespa S.A, a Nova Bolsa Brasileira.
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1.1.2. Missão, Direção e Sedes

A missão da BM&F Bovespa é atuar na dinâmica macroeconômica de


crescimento do mercado latino-americano e posicionar o Brasil como centro
financeiro internacional de negociação de ações, commodities e outros instrumentos
financeiros, com excelência operacional e atitudes socialmente responsáveis.

O atual diretor presidente da BM&F Bovespa é Edemir Pinto, seguido pelo


diretor Amarílis Prado Sardenberg, responsável pela Diretoria Executiva de
Clearings, Depositária e de Risco, Carlos Kawall Leal Ferreira responsável pela
Diretoria Executiva Financeira e de Relações com Investidores, Cícero Augusto
Vieira Neto, responsável pela Diretoria Executiva de Operações e TI, Marta Alves,
responsável pela Diretoria Executiva De Produtos, Paulo de Sousa Oliveira Júnior,
responsável pela Diretoria Executiva de Desenvolvimento e Fomento de Negócios,
além de Arminio Fraga Neto, Presidente do Conselho de Administração, e Marcelo
Fernandez Trindade, Vice-Presidente do Conselho de Administração da BM&F
Bovespa.

A empresa possui sua sede principal na cidade de São Paulo - SP, possuindo
uma segunda sede nesta mesma cidade, além de sedes no Rio de Janeiro - RJ,
Porto Alegre - RS, Curitiba - PR, Fortaleza - CE e Recife - PE. Possui ainda duas
sedes no exterior, a primeira situada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, e
a segunda estabelecida em Xangai, na República Popular da China.

1.1.3. Oportunidade

O autor do presente trabalho vê com grande interesse o estudo da Bolsa de


Valores e de seus investidores, sendo oportuno aprofundar seus conhecimentos no
assunto, o que será de grande utilidade em sua vida profissional e pessoal.

1.1.4. Limite

O trabalho limita-se ao universo da Bolsa de Valores, Mercadorias & Futuros,


a BM&F Bovespa S.A.
10

1.2 Objetivos

1.2.1. Objetivos Gerais

O trabalho que segue visa entender os motivos pelos quais investidores que
até então limitados por seu perfil de renda ou pela falta de informação, estão
buscando o mercado de ações como opção de investimento, assim como verificar
quais as estratégias utilizadas por estes.

1.2.2. Objetivos Específicos

Para que o objetivo seja alcançado, o desenvolvimento das etapas abaixo se


torna necessário, buscando embasamento para que se alcance resultados
conclusivos.

• Pesquisa de campo com investidores;

• Verificar quem são, como e porque atuam no Mercado de Ações;

• Verificar se há um perfil determinado de investidor;

• Verificar as principais dificuldades encontradas para o sucesso no setor;

• Se possível, mostrar soluções para que outros investidores não passem pelas
mesmas dificuldades.

1.3. Justificativa

1.3.1. Oportunidade de Trabalho

O mercado de ações brasileiro é um setor que se encontra em fase de


expansão e popularização, porém possui ainda grande potencial de crescimento.
Sendo assim, é nítida a oportunidade de desmistificar este processo, mostrando
que, apesar de haver risco, há também grande possibilidade de lucro, desde que se
atue com o conhecimento e embasamento adequado.
11

1.3.2. Viabilidade do Trabalho

O trabalho se torna viável, uma vez que há dados bibliográficos suficientes


para sua realização, matérias e reportagens disponíveis para pesquisa, além de não
gerar nenhum tipo de ônus ao autor.

1.3.3. Importância

O autor julga de suma importância um estudo da situação do mercado de


ações no Brasil, já que muitos dos investidores que hoje atuam no setor o fazem
sem o mínimo de preparo. Assim sendo, este pode servir para pautar a inclusão de
investidores em tal mercado, sendo também de grande interesse pessoal do autor o
aprofundamento no assunto.
12

2. Revisão da Literatura

2.1. Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O Brasil possui um Sistema Financeiro que tem a finalidade garantir a


realização do fluxo de fundos econômicos entre tomadores, aqueles que não
possuem renda suficiente para suprir seu consumo, necessitando de crédito para
tanto, e poupadores, aqueles que, além de possuir renda suficiente para suprir seus
gastos com consumo, dispõe ainda de excedente.

Assaf Neto (2006, p.44), apresenta o Sistema Financeiro Nacional com uma
estrutura composta por diversos instrumentos e instituições financeiras, públicas ou
privadas, as quais pautam tais transações. A mais usual forma de segmentar o SFN
se baseia em dois subsistemas, representado graficamente na figura 1.

O subsistema normativo é responsável por garantir o funcionamento do


mercado, além de fiscalizar e regular suas atividades por meio de seus órgãos.
Dentre seus principais órgãos, encontramos o Conselho Monetário Nacional (CMN),
o Banco Central do Brasil (BACEN), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o
Banco do Brasil (BB), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) e a Caixa Econômica Federal (CEF).

Já no subsistema de intermediação, encontram-se as instituições financeiras


classificadas como bancárias ou monetárias e não-bancárias ou não-monetárias.

As instituições ditas como bancárias ou monetárias são aquelas onde é


permitida a criação de moeda a partir de depósitos á vista, as quais operam com
ativos financeiros monetários destes depósitos. São os bancos comerciais e
múltiplos.

Já as não-bancárias ou não-monetárias, não podem receber tais depósitos, o


que se traduz na não criação de moeda. Ao contrário das instituições bancárias,
estas utilizam de ativos não bancários, como debêntures, certificado de depósito
bancário (CDB), letras de câmbio ou ações. São as sociedades corretoras, de
arrendamento mercantil, financeiras ou bancos de investimento.
13

Figura 1. Estrutura do Sistema Financeiro Nacional

Fonte: ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. 7ª ed. São Paulo. Atlas, 2006, p.44
14

2.1.1. Subsistema Normativo

2.1.1.1. Conselho Monetário Nacional (CMN)

O Conselho Monetário Nacional se define, de acordo com Assaf Neto (2006,


p.45) como um órgão estritamente normativo, ao qual não é atribuída nenhuma
função executiva, ficando com a obrigação de pautar as ações de órgãos executivos,
formular políticas de moeda e de crédito, ditar diretrizes de política cambial,
regulamentar taxas de juros, zelar pela liquidez e pleno funcionamento de
instituições financeiras, a fim de prevenir e corrigir desequilíbrios econômicos,
sempre em defesa do interesse socioeconômico nacional.

Fazem parte do Conselho Monetário Nacional o Ministro da Fazenda, o


Ministro do Planejamento e, por fim, o Presidente do Banco Central do Brasil.

2.1.1.2. Banco Central do Brasil (BACEN)

Assaf Neto (2006, p.48), define o Banco Central do Brasil como órgão
executivo, ao qual cabe executar as políticas traçadas pelo Conselho Monetário
Nacional, além de atuar como o órgão fiscalizador do Sistema Financeiro Nacional,
ou seja, atua como banco disciplinador do mercado financeiro, a fim de promover o
controle das instituições financeiras e de suas operações, além de executar a
política monetária.

Santos (1999, p.26), trata o Banco Central do Brasil de BCB. Além de


concordar com Assaf Neto em sua definição anterior, nos mostra que o BCB é
administrado por uma Diretoria Colegiada, a qual é composta por até nove membros
nomeados pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal.

Santos (1999, p.28), acrescenta ao BCB o funcionamento do Comitê de


Política Monetária (COPOM), que tem como objetivo estabelecer a Taxa Básica de
Juros (SELIC).
15

2.1.1.3. Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

Assaf Neto (2006, p.48) atribui à Comissão de Valores Mobiliários o objetivo


básico de normatizar e controlar o mercado de valores mobiliários como ações,
debêntures e outros papéis emitidos por sociedades anônimas, sempre seguindo as
orientações normativas do Conselho Monetário Nacional, além das orientações
executivas do Ministério da Fazenda.

Cabe a Comissão de Valores Mobiliários promover medidas que incentivem o


acesso ao mercado acionário, estimulando o funcionamento da bolsa de valores,
além de assegurar a lisura destas operações, zelando e protegendo os investidores.

Sua administração cabe a um Presidente e outros quatro diretores, todos


estes nomeados diretamente pelo Presidente da República.

2.1.1.4. Banco do Brasil (BB)

De acordo com Assaf Neto (2006, p.48), o Banco do Brasil é uma sociedade
anônima de capital misto cujo controle acionário é exercido pela União.

A instituição já foi considerada uma autoridade monetária, quando atuava na


emissão de moeda no país por meio do acesso direto à conta movimento do
Tesouro Nacional. Por decisão do Conselho Monetário Nacional, esse privilégio foi
revogado, conservando ainda a função de principal órgão financeiro do Governo
Federal, com a função de executar sua política creditícia e financeira, atuando
também como um banco comercial, ao exercer as atividades próprias dessas
instituições, além de atuar como banco de investimento e desenvolvimento ao
operar com crédito de médio e longo prazo.

2.1.1.5. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social


(BNDES)

Assaf Neto (2006, p.49) nos mostra as atribuições do Banco Nacional de


Desenvolvimento Econômico e Social, definindo-o como um órgão público vinculado
ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. É o principal
instrumento de execução de financiamento de médio e longo prazo do Governo
16

Federal, a fim de reequipar e fomentar o setor industrial e social, além de outras


empresas consideradas de interesse nacional.

O BNDES utiliza de agentes financeiros, os quais recebem uma comissão


para que executem a intermediação entre o BNDES e o financiado, tornando-se co-
responsáveis pela liquidação da dívida.

O BNDES é composto pelo BNDESPAR e pelo Finame, e conta como fonte


de recursos o recolhimento do Programa de Integração Social (PIS), Programa de
Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), dotações orçamentárias da
União, recursos captados no exterior e recursos próprios provenientes do retorno
das aplicações efetuadas.

2.1.1.6. Caixa Econômica Federal (CEF)

A Caixa Econômica Federal é uma instituição financeira pública de cunho


social, ao qual atua como órgão auxiliador do Governo Federal na execução de sua
política creditícia, além de efetuar atividades como quaisquer bancos comerciais e
múltiplos.

Como a Caixa Econômica Federal tem como base a sua função social, é
principal agente do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), atuando no
financiamento da casa própria, principalmente no segmento de baixa renda, além de
administrar, com exclusividade, os serviços das loterias federais, sendo também o
principal arrecadador do FGTS, além de possuir o monopólio das operações de
penhor no Brasil.

2.1.2. Subsistema de Intermediação

2.1.2.1. Instituições Financeiras Bancárias

Para Assaf Neto (2006, p.51), as instituições financeiras bancárias são


constituídas basicamente pelos Bancos Comerciais, Bancos Múltiplos e Caixas
Econômicas.
17

Estas são instituições financeiras constituídas obrigatoriamente sob a forma


de sociedades anônimas, as quais executam operações de crédito
caracteristicamente de curto prazo como descontos de títulos, crédito pessoal,
crédito rural, adiantamentos sob caução de títulos comerciais, entre outros. Os
recursos dessas instituições são provenientes, principalmente, dos depósitos á vista
e a prazo, operações de redesconto bancário e assistência financeira e operações
de câmbio, a fim de atender às necessidades de recursos para capital de giro das
empresas.

2.1.2.2. Instituições Financeiras Não-Bancárias

Já as instituições classificadas como não bancárias, de acordo com Assaf


Neto (2006, p.52) são aquelas as quais não apresentam capacidade de emitir
moeda ou meios de pagamento, como os bancos comerciais.

Dentre os vários tipos de instituições não bancárias, podemos destacar


bancos de investimento, de desenvolvimento, sociedades de crédito direto ao
consumidor e de crédito imobiliário, além de sociedades de arrendamento mercantil.

Os bancos de investimento são os grandes municiadores de créditos de


médio e longo prazo, além da prestação de serviços como avais, fianças, custódias,
administração de carteiras de títulos e valores mobiliários, entre outros.

Já os bancos de desenvolvimento atuam no âmbito estadual, visando


promover o desenvolvimento econômico e social da região de atuação.

As sociedades de crédito, financiamento e investimento, conhecidas por


financeiras, dedicam-se ao financiamento de bens duráveis às pessoas físicas
através do denominado crédito direto ao consumidor (CDC).

As sociedades de crédito imobiliário dedicam-se ao financiamento de


operações imobiliárias, que envolvem a compra e a venda de bens imóveis.

Por fim, as sociedades de arrendamento mercantil têm por objetivo a


realização de operações de leasing de bens nacionais, adquiridos de terceiros e
destinados ao uso de empresas arrendatárias.
18

2.1.2.3. Instituições Auxiliares

2.1.2.3.1. Bolsas de Valores

Assaf Neto (2006, p.54) define as bolsas de valores como associações civis
sem finalidades lucrativas, cujos patrimônios são constituídos por títulos patrimoniais
adquiridos por seus membros, as sociedades corretoras.

Com objetivo social, as bolsas de valores devem manter em seu local de


funcionamento todas as condições para que os negócios se efetivem num mercado
livre e aberto, obedecendo a suas próprias regras e propiciando a continuidade das
operações e dos negócios realizados.

Sendo assim, as bolsas de valores têm por princípio proporcionar liquidez aos
títulos negociados, atuando por meio de pregões contínuos. Têm responsabilidade
pela fixação de um preço justo, formado por consenso de mercado mediante
mecanismos de oferta e procura.

Santos (1999, p. 203) ainda reitera que é de responsabilidade da bolsa de


valores o registro das operações, a divulgação rápida e detalhada das operações
realizadas, além da criação de mecanismos operacionais reguladores que garantam
o pleno atendimento aos interessados.

Santos (1999, p. 222) ainda explica a diferença básica entre o mercado à


vista e o mercado a termo. No mercado á vista, as operações são realizadas com
liquidação financeira imediata ou em curto prazo, normalmente sendo entregue no
terceiro dia útil seguinte ao dia da efetivação da operação, o chamado “D+3”. Já no
mercado a termo, comprador e vendedor firmam acordo onde ambos obrigam-se a
efetivar a negociação, por um preço pré-determinado, em data futura.

2.1.2.3.2. Clube de Investimento

Assaf Neto (2006, p.55), define Clube de Investimento como uma associação,
formada por investidores pessoa física, que tem por objetivo constituir uma carteira
diversificada de títulos e valores mobiliários, mediante a aplicação de recursos
financeiros próprios.
19

O clube procura dinamizar os investimentos em ações, a fim de ampliar a


participação e, conseqüentemente, ampliar o lucro de seus associados.

Todos os resultados financeiros alcançados em operações com títulos, como


lucros nas vendas e dividendos recebidos, devem ser reinvestidos, podendo o
membro ter acesso ao lucro mediante resgate parcial ou total de suas quotas.

2.1.2.4. Instituições Não-Financeiras

São aquelas que se enquadram no Sistema Financeiro Nacional, porém com


objetivo comercial e sem produção de moeda.

Como exemplo, Assaf Neto (2006, p. 55) fala sobre as sociedades de fomento
comercial (factoring). Estas são empresas comerciais (não-financeiras) que operam
por meio de aquisições de duplicatas ou cheques de forma similar a uma operação
de desconto bancário. A diferença fundamental é que o risco do título negociado
passa a ser de exclusiva competência da empresa de factoring, eximindo a empresa
cliente das responsabilidades de recebimento. Para isso, cobram juros, repassando
à empresa-cliente os resultados líquidos no ato da operação.

2.2. Mercado de Capitais Brasileiro

O Mercado de Capitais no Brasil pode ser dividido, de acordo com Pinheiro


(2002, p.97), em basicamente dois tipos de mercado: Primário e Secundário.

2.2.1. Mercado Primário

De acordo com Pinheiro (2002, p. 97), o Mercado Primário é o local


responsável pela negociação de venda (ou subscrição) de novas ações ao público,
caracterizando uma forma da empresa obter recursos no mercado para alavancar
seus empreendimentos, já que este é o momento que ocorre a primeira negociação
da ação, sendo o montante arrecadado diretamente destinado à empresa. Quando a
empresa ainda não possui suas ações em negociação no mercado é possível
recorrer a este tipo de financiamento, a chamada Abertura de Capital.

Esta venda pode ocorrer de duas formas: subscrição particular ou pública.

Ainda de acordo com Pinheiro (2002, p. 98) a subscrição particular ocorre


quando a compra das ações emitidas fica restrita aos antigos acionistas ou sócios.
20

Já quando o lançamento destas ações é feita de forma ampla e irrestrita a


novos acionistas é a chamada subscrição pública, ou ainda underwriting.

2.2.2. Mercado Secundário

Pinheiro (2002, p. 125) explica este mercado com a seguinte definição:

“Depois da compra de ações no mercado primário, o investidor desejará, ao fim de


um período, converter as aplicações realizadas novamente em dinheiro, vendendo
suas ações para um futuro comprador que não adquiriu as ações no momento da
emissão primária , porém deseja fazê-lo agora. Para realização da operação, o
vendedor deverá recorrer a um escritório credenciado a operar com valores, para que
realize uma operação denominada secundária.”

No momento em que o negócio é feito, um comprador assume a titularidade


da ação. O fator determinante para este investidor assumir esta titularidade é a
possibilidade de posteriormente, ao resgatar o valor investido, este possa se
desfazer das ações e reaver seu investimento inicial com lucro.

Partindo desta premissa, Pinheiro (2002, p. 126) conclui que a principal


função do mercado secundário é dar liquidez ao investidor, possibilitando que no
momento da operação de venda haja compradores assim como no sentido inverso
da negociata, com o objetivo de viabilizar o crescimento do Mercado Acionário e a
conseqüente capitalização das empresas via mercado de ações.

Ainda de acordo com Pinheiro (2002, p. 126) a diferença básica entre


mercado primário e secundário é que no primeiro há alocação de recursos na
empresa, enquanto o segundo, como há somente negociação entre investidores,
não faz nenhuma alteração financeira na empresa.
21

Figura 2. Fases da negociação com ações

Fonte: PINHEIRO, J.L. Mercado de Capitais - Fund. e Técnicas. 2ª ed. São Paulo. Atlas, 2002, p.126

2.2.3. Tipos de Ações e de Acionistas

Assaf Neto (2006, p. 58) diz:


“As ações constituem a menor parcela (fração) do capital social de uma sociedade
anônima. São valores caracteristicamente negociáveis e distribuídos aos subscritores
(acionistas) de acordo com a participação monetária efetivada.”

Já Gitman (2002, p. 502) afirma:


“Os verdadeiros proprietários de uma empresa são os acionistas comuns, ou seja,
aqueles que investem seu dinheiro na expectativa de retornos futuros.”

A partir destas afirmações, nota-se a importância do acionista em relação à


empresa. Partindo deste princípio, existem diferentes tipos de ações, cada uma com
características próprias, traduzindo-se em vantagens ou preferências específicas.
22

2.2.3.1. Ações Ordinárias

Assaf Neto (2006, p. 58) dá como principal característica as Ações Ordinárias


o direito ao voto, trazendo ao acionista a possibilidade de influencia na tomada de
decisão da sociedade, como eleição da diretoria, escolha de destinação de
resultados, alterações de estatuto, direito de opinar em outros assuntos de interesse
da companhia, além de, dependendo do estatuto, haver a possibilidade de receber
dividendos.

Gitman (2002, p. 502 e 503) além de mostrar tais características, explica a


possibilidade de recebimentos de dividendo como sendo o valor restante após terem
sido satisfeitas todas as outras reivindicações sobre o lucro e ativos da empresa. E,
já que há incerteza em relação aos dividendos, goza do direito ao voto na eleição de
diretores ou em outras eleições especiais.

2.2.3.2. Ações Preferenciais

Para Assaf Neto (2006, p. 58), ações preferenciais são aquelas cuja principal
característica é a preferência nos recebimentos dos dividendos, já que usufrui deste
direito antes dos acionistas ordinários, aos quais ficam dependendo de
disponibilidade de saldo. Estes têm também a preferência no reembolso do capital
em caso de liquidação da sociedade, além de algumas outras e vantagens e
preferências.

Já Gitman (2002, p. 507 e 511), além de citar tais vantagens em relação aos
acionistas preferenciais, nos posiciona em relação ao direito de subscrição, ou seja,
o privilégio deste tipo de acionista no momento em que novas ações são emitidas,
podendo manter a proporcionalidade nos lucros e ativos da empresa. Esta vantagem
torna-se importante para que o investidor evite a diluição de sua propriedade e lucro,
já que quando ações adicionais são emitidas, obviamente haverá maior número de
ações habilitadas a receber lucros e ativos da organização. Sendo assim, esta
possibilidade traz um declínio nos valores a serem pagos a cada ação, o que
afetaria diretamente o papel, trazendo efeitos negativos em seu preço de mercado.
23

2.2.3.3. Tipos de Acionistas e seus Objetivos

De acordo com Pinheiro (2002, p. 130), há basicamente três tipos de


acionistas: especuladores, investidores e gestores financeiros.

Especuladores são aqueles que se utilizam do mercado financeiro para


obtenção de lucro em curto prazo sem a preocupação específica com a empresa
vinculada à ação negociada. Para Pinheiro (2002, p. 130), são “apostadores” que
vêem na volatilidade do mercado oportunidade de ganho na compra e venda destes
papéis.

Já os investidores são aqueles que verificam com cautela a empresa em


questão através de análises fundamentalistas, uma vez que acreditam na obtenção
de lucros em longo prazo.

Por último, temos os gestores financeiros, aqueles que, com a necessidade


de realizar a gestão da empresa, utilizam de captação de recursos a baixo custo e
investimento de baixo risco, com prazos adequados a sua estratégia.

Independentemente do tipo de acionista em questão, Assaf Neto (2006, p. 59)


mostra que investidores procuram adquirir ações no mercado de capitais em busca
de vantagens trazidas pelos dividendos, bonificações, valorização do papel ou direito
de subscrição.

Assaf Neto (2006, p. 59), define dividendo como a remuneração formada por
parte dos resultados da empresa no exercício social sob forma de dinheiro. Todo
acionista preferencial tem direito a receber, no mínimo, o dividendo obrigatório fixado
em lei.

Já Gitman (2002, p. 505) confirma este direito, e afirma que os dividendos


podem ser pagos de outras formas além do dinheiro propriamente dito, como em
ações ou mercadorias. Diz ainda que a forma mais comum realmente é em dinheiro,
seguida pelas ações, chegando a outras menos comuns, como mercadorias.

De acordo com Assaf Neto (2006, p. 59), a bonificação se dá no momento da


emissão e distribuição gratuita aos acionistas de novas ações, emitidas uma vez do
aumento de capital por meio de incorporações de reservas, distribuídas em
quantidade proporcional a sua participação anterior.
24

Assaf Neto (2006, p. 59) nos chama a atenção à possibilidade dos


subscritores se beneficiarem pela valorização de suas ações no mercado, o que
dependerá do preço no momento da compra, da quantidade de ações adquiridas,
além, é claro, da conjuntura de mercado e do desempenho econômico-financeiro da
companhia.

Para Assaf Neto (2006, p. 59), como o acionista possui o direito de ser
previamente consultado em caso de aumento de capital, este fato pode gerar
remuneração ao investidor quando o preço de mercado apresenta valorização em
relação ao preço de lançamento, o chamado direito de subscrição.

Já Gitman (2002, p.507), reitera Assaf Neto, mostrando que este direito
assegura aos acionistas a manutenção de seu controle proporcional na instituição
neste momento de emissão de ações, além da já citada manobra para que se evite a
diluição de sua propriedade e lucro.

2.3. Análise para Investimento em Ações

De acordo com Sanvicente (1988, p.118), para que consigamos um bom


resultado no mercado acionário é necessário que se use estratégias propícias a
isso. Sendo assim, ele nos mostra duas escolas, as quais usam diferentes formas de
buscar resultados: Análise Técnica e Análise Fundamentalista.

2.3.1. Analise Técnica

Para Sanvicente (1988, p. 119), a análise técnica nada mais é que o estudo
do histórico de preços e volume de negociação das ações, podendo assim abrir a
possibilidade de uma possível previsão de seus futuros movimentos. Este tipo de
análise é conhecida também como análise gráfica, uma vez que esta ferramenta
visual é utilizado quase que ininterruptamente pelos seus analistas, conhecidos
como grafistas, sendo o principal objeto para estudo.

Sanvicente (1988, p. 119) diz:

“Nessa análise, não importam os lucros, dividendos e fatores como participação no


mercado, grau de endividamento ou índice de liquidez da empresa, como quer a
análise fundamentalista. O que importa são os fatores de procura e oferta internos ao
mercado, sendo crucial entender a ‘psicologia do mercado’.”
25

Segundo esta escola, a volatilidade dos preços dos ativos não é aleatória,
mas sim ligada diretamente às variações passadas. Segundo eles, as séries de
preços nos mostram padrões identificáveis, cabendo ao analista identificar e
interpretar tendências de mercado.

A premissa básica que pauta este tipo de análise é a Teoria Dow. A teoria
parte do princípio de que as ações seguem uma tendência de baixa ou de alta. Para
que se encontre tal tendência, basta analisar uma amostra representativa de pontos,
identificando através de uma evolução média qual será seu próximo movimento.
Esta teoria acredita também que o mercado memoriza níveis máximos e mínimos de
cotação, os quais podem vir a ser respeitados. O nível máximo é conhecido como
Resistência, ou seja, o mercado não tem sido capaz de avançar além deste nível, ao
passo que Suporte é o nível mínimo ao qual a queda de preços deve ser
interrompida. Acredita-se também que um alto volume de negócios rompendo estes
níveis indica forte tendência e direcionamento de mercado, valendo para qualquer
um dos extremos.

Para balizar esta teoria, os grafistas utilizam as chamadas Médias Móveis.


Esta média é calculada a partir da determinação de um período o qual será
analisado, calculando-se então a média de preços para o intervalo. Com este cálculo
realizado, período a período, a média será revista, abandonando a observação mais
antiga, tendo o acréscimo da nova observação. Os grafistas utilizam estas médias
de diversas maneiras, como por exemplo, um movimento ascendente e sustentado
de todas as médias é, evidentemente, uma indicação otimista.

2.3.2. Análise Fundamentalista

Em contrapartida a Análise Técnica, a qual desconsidera informações


que não sejam gráficas, a Análise Fundamentalista, de acordo com Sanvicente
(1988, p. 129), é a análise dos fundamentos do valor de um ativo, a partir de um
procedimento de conversão ou processamento de todas as informações relativas ao
ativo e que possa influenciar seu valor.

Sanvicente (1988, p.129) mostra ainda que geralmente são analisados níveis
futuros e previstos da atividade econômica nacional, setorial e da empresa, além de
considerações políticas que possam influenciar o comportamento de variáveis
26

econômicas, tanto a nível macroeconômico quanto a nível microeconômico,


afetando diretamente ou indiretamente a empresa e, conseqüentemente, alterando
seu grau de incerteza e taxa de retorno esperada, tanto positiva quanto
negativamente.
27

3. Metodologia Científica

3.1. Delineamento de Pesquisa

De acordo com Roesch (2005, p. 125), todo e qualquer tipo de projeto deve
ser abordado sob duas perspectivas: Quantitativa e Qualitativa.

Na pesquisa quantitativa é feita a coleta de dados numéricos, a fim de


agrupá-los de forma a alcançar uma conclusão estatística. São de suma importância
para projetos voltados a medição de relação entre variáveis e para que haja maior
credibilidade nos resultados é necessária a adoção de amostras maiores, com o
objetivo de fazer com que as conclusões venham a refletir a real situação da
população pesquisada de forma generalizada.

Já as pesquisas qualitativas não trabalham com dados generalizados.


Apresentam grande flexibilidade nos resultados, uma vez que o intuito deste tipo de
pesquisa é o entendimento específico do assunto abordado. Diferentemente da
anterior este tipo de pesquisa não possui necessidade de analisar grande número de
amostras, já que é focada no profundo entendimento e aprofundamento nas
questões levantadas pela população entrevistada.

Analisando tais disposições, o autor opta pela pesquisa qualitativa, uma vez
que esta melhor se adéqua as questões a serem levantadas, assim apresentando
melhores resultados ao final do trabalho.

3.2. População e Plano de Amostragem

A população investidora ou potencialmente investidora é de número quase


incalculável, entretanto, a partir de observações preliminares, a renda e a falta de
informação em relação ao assunto são limitadores para tais inversões. Sendo assim,
o autor opta por trabalhar com amostragem de cerca de 13 (treze) entrevistados,
uma vez que não se mostrou viável entrevistar um público maior. Os entrevistados
escolhidos deverão possuir perfil investidor. A quantidade de entrevistados se
mostrou suficiente para atender os objetivos propostos pelo autor.
28

3.3. Plano e Técnicas de Coleta de Dados

Para um melhor desempenho na coleta de dados junto aos entrevistados o


autor opta por entrevistas em profundidade, semi-estruturadas, com a utilização de
perguntas abertas e roteiro de entrevista previamente preparado de acordo com os
objetivos da pesquisa, podendo ser alterado no momento da entrevista, visando um
melhor desempenho na obtenção de resultados que possam vir a contribuir de forma
conclusiva para o desenvolvimento do trabalho.

3.4. Plano de Análise

Com o objetivo de facilitar a análise e posterior entendimento dos resultados,


o autor irá buscar peculiaridades semelhantes entre os entrevistados, na tentativa de
identificar um perfil para estes investidores, assim como identificar quais as formas
mais usuais utilizadas por estes no momento das decisões de investimento. Com
estes dados em mãos será possível apontar possíveis atitudes corriqueiras em
investidores de sucesso, assim como outras atitudes com efeitos negativos.

3.5. Instrumento de Coleta de Dados

O autor elaborou questionário (Anexo I), que foi aplicado em seu público alvo,
com o intuito de facilitar o agrupamento dos dados.
29

4. Análise dos Dados Coletados

Entre 01/10/2009 e 10/10/2009, o autor aplicou o questionário em referência


em uma população de 13 (treze) indivíduos, todos eles atendendo o requisito básico
de ser ou ter sido aplicador em mercado de ações, e obteve os resultados
graficamente representados a seguir.
Em relação ao sexo dos entrevistados:

• 100% dos participantes são do sexo Masculino.

Em relação ao Estado Civil dos entrevistados:

• 54% dos participantes são Casados;


• 38% dos participantes são Solteiros;
• 8% dos participantes são Divorciados.
30

Em relação a idade dos entrevistados, foi obtido os seguintes resultados:

• Nenhum dos participantes possui menos de 20 Anos;


• 38% dos participantes possuem idade entre 20 e 25 Anos;
• 15% dos participantes possuem idade entre 26 e 30 Anos;
• 15% dos participantes possuem idade entre 31 e 35 Anos;
• 15% dos participantes possuem idade entre 36 e 40 Anos;
• 8% dos participantes possuem idade entre 31 e 45 Anos;
• 8% dos participantes possuem idade acima de 45 Anos;

Em relação à Formação Acadêmica desta população:

• 46% dos participantes concluíram nível Superior;


• 31% dos participantes estão cursando nível Superior;
• 23% dos participantes possuem Pós Graduação.
31

Em relação à Área de Formação destes:

• 39% dos participantes possuem formação em Administração;


• 15% dos participantes possuem formação em Direito;
• 15% dos participantes possuem formação em Ciências da Computação;
• 15% dos participantes possuem formação em Tecnologia da Informação;
• 8% dos participantes possuem formação em Engenharia Ambiental;
• 8% dos participantes possuem formação em Engenharia Mecânica.

Em relação à Profissão dos entrevistados:

• 31% dos participantes declaram ser Bancários;


• 23% dos participantes declaram ser Administradores;
• 15% dos participantes declaram ser Empresários;
• 15% dos participantes declaram ser Engenheiros;
• 8% dos participantes declaram ser Advogados;
• 8% dos participantes declaram ser Corretores.
32

Em relação à Área de Atuação destes profissionais:

• 31% dos participantes atuam na Área Financeira;


• 15% dos participantes atuam em Engenharia;
• 15% dos participantes atuam em Tecnologia da Informação;
• 8% dos participantes atuam em Direito;
• 8% dos participantes atuam em Marketing;
• 8% dos participantes atuam no Ramo de Seguros.

Em relação ao Tempo em que operam no mercado e ações:

• 23% dos participantes atuam neste mercado há menos de 1 Ano;


• 31% dos participantes atuam neste mercado entre 1 e 2 Anos;
• 38% dos participantes atuam neste mercado entre 3 e 4 Anos;
• 8% dos participantes atuam neste mercado entre 5 e 6 Anos;
• Nenhum dos participantes atuam neste mercado há mais de 7 Anos.
33

Sobre o modo como obtiveram conhecimento para operar:

• 41% das respostas se referiram a Orientação de Outros Investidores;


• 32% das respostas se referiram a Estudo Próprio;
• 18% das respostas se referiram a Cursos Específicos sobre o assunto;
• 9% das respostas se referiram a Orientação Profissional.

Sobre o tempo esperado para retorno financeiro:

• 19% das respostas se referiram a retorno a Longo Prazo (Acima de 5 Anos);


• 19% das respostas se referiram a retorno a Médio Prazo (Entre 1 e 5 Anos);
• 25% das respostas se referiram a retorno a Curto Prazo (Até 1 Ano);
• 25% das respostas se referiram a retorno a Curtíssimo Prazo (Até 30 Dias);
• 12% das respostas se referiram a retorno no IntraDay.
34

Sobre a forma como operam no mercado de ações:

• 59% das respostas se referiram ao uso do Home Broker;


• 29% das respostas se referiram a contratação de Corretora;
• 12% das respostas se referiram a aplicação em Fundos de Investimentos.

Sobre o uso de Instrumentos de Proteção:

• 38% das respostas se referiram a Diversificação como meio de proteção;


• 19% das respostas se referiram a Renda Fixa como meio de proteção;
• 6% das respostas se referiram a Aluguel como meio de proteção;
• 6% das respostas se referiram a Opções como meio de proteção;
• Não houve referência ao uso de Hedge como meio de proteção;
• 31% das respostas se referiram a não utilização de instrumentos de proteção.
35

Relacionados alguns itens relevantes na tomada de decisão, os entrevistados


os classificaram por grau de importância através de pontuação obtendo os seguintes
resultados:

• Com 25% da pontuação, Volume de Negócios é o 1º item a ser considerado;


• Com 22% da pontuação, Desempenho Histórico é o 2º item a ser considerado;
• Com 18% da pontuação, Tradição é o 3º item a ser considerado;
• Com 15% da pontuação, Volatilidade é o 4º item a ser considerado;
• Com 14% da pontuação, Posicionamento é o 5º item a ser considerado;
• Com 6% da pontuação, Valor Unitário é o 6º item a ser considerado.

Sobre a forma de análise utilizada:

• 60% das respostas se referiram ao uso de Análise Gráfica;


• 27% das respostas se referiram ao uso de Análise Fundamentalista;
• 13% das respostas se referiram a não utilização de nenhuma delas.
36

Sobre o perfil em que o investidor entrevistado julga se enquadrar:

• 38% dos entrevistados julgar ser Conversadores;


• 62% dos entrevistados julgar ser Moderados;
• Nenhum dos entrevistados julgar ser Agressivos.

Além das perguntas acima, foram feitas perguntar abertas, as quais seguem
os resultados:

Indagados sobre o que o levou ao mercado de ações, todos, sem exceção,


responderam Rentabilidade como atrativo para este mercado.

Indagados sobre qual seria a maior dificuldade ao atuar no mercado de


ações, a imensa maioria apontou a falta de conhecimento profundo sobre o assunto
como principal dificuldade. Além desta, a falta de tempo hábil para operar com
qualidade e a instabilidade do mercado também foram respostas que se
destacaram.

Indagados sobre quais as orientações que os entrevistados dariam para


aqueles que ainda não operam no mercado de ações, a orientação a procura por
orientação e conhecimento antes de começar a operar no mercado foi unânime.
Algumas frases ilustram bem esta orientação: “Não se aventurar no mercado de
ações sem o devido preparo”, “Não operar sem conhecer bem o mercado”, “Antes
de operar, procurar informações ou cursos sobre o assunto”, “Buscar maior número
de informações possíveis”, “Conhecer sobre o assunto e manter-se atualizado o
máximo possível”, “Muito estudo e conhecimento do mercado”, “Procurar orientação
profissional para que te dêem apoio e suporte”.
37

5. Considerações Finais

5.1. Resumo do Trabalho Realizado

Inicialmente o autor buscou encontrar um assunto ao qual fosse relevante


para sua formação acadêmica, profissional e pessoal. Tarefa difícil, porém após
levantar algumas opções, o Mercado de Ações foi então escolhido. Após este passo,
era necessário definir o que neste mercado seria interessante estudar.

Há época, o mercado de ações era manchete em todos os jornais pelo seu


alto desempenho, o que atraia cada vez mais investidores para este mercado.

Sendo assim, autor viu grande oportunidade em estudar estes investidores,


de modo a definir este público como seu objeto de estudo.

A partir daí, iniciou-se a fase de pesquisa bibliográfica. Pesquisa feita com


base em vários livros sobre o assunto.

Concluído o levantamento dos autores, iniciou-se a revisão de bibliografia e o


aprofundando necessário em cada item levantado.

Finalizada esta etapa, foi dado seqüência no trabalho com a pesquisa de


campo, onde foi possível levantar dados importantes para a conclusão do trabalho.

Finalizando, foi feito um levantamento entre os dados pesquisados e os


objetivos propostos, sendo plenamente atendidos.

5.2. Conclusão do Trabalho Realizado

O objetivo geral de entender o motivo pelo qual os investidores buscam


o mercado de ações foi facilmente identificado, uma vez que todos, sem exceção,
indicaram a rentabilidade como o grande atrativo para este mercado, que vem
proporcionando rentabilidade superior à qualquer outro tipo de investimento
financeiro.

Em relação ao perfil do investidor levantado na amostra, foi possível notar que


este é, em sua imensa maioria do sexo masculino, casado, com idade na faixa dos
30 anos, normalmente com elevado grau de instrução, tendo, no mínimo, ensino
superior. As áreas de formação, profissão e área de atuação são diversificadas, o
38

que mostra a grande diversidade de profissionais aplicando seus recursos neste


mercado.

O interesse pelo mercado de ações não é muito antigo. Em sua imensa


maioria não ultrapassando 4 (quatro) anos de atuação no mercado, o que mostra
que há muitos investidores com pouca experiência.

A grande maioria dos entrevistados se intitula de perfil “Moderado” e nenhum


deles julga ter perfil “Agressivo”, porém eles mesmos se contradizem, uma vez que,
quando indagados sobre o tempo esperado para retorno do investimento, há
balanceamento nas respostas, existindo interesse tanto no retorno IntraDay, Curto,
Médio, quanto no Longo prazo, o que mostra que existem sim investidores
Agressivos, assim como Moderados e Conservadores.

Apesar de todos estes dados, o que mais chama a atenção é o baixo nível de
conhecimento dos investidores. Eles mesmos admitem que a falta de conhecimento
é a maior dificuldade para operar no mercado de ações. Mesmo com o baixo
conhecimento, a grande maioria opera diretamente no mercado acionário através do
Home Broker, sem orientação de uma corretora ou um profissional que poderiam
auxiliá-los.

A falta de conhecimento reflete também na baixa utilização de instrumentos


de proteção ao investimento, uma vez que a grande maioria deixa de usar
instrumentos realmente úteis como Aluguel, Opções ou Hedge, deixando seus
investimentos expostos a riscos evitáveis.

Os entrevistados dizem, em sua maioria, utilizar de análise gráfica como


principal forma de análise. Porém, não é possível determinar se o investidor
realmente possui conhecimento suficiente para análise tão minuciosa quanto
necessária neste processo.

O mais preocupante nesta constatação é o fato de a grande maioria dos


investidores iniciarem sua operação neste mercado através de orientação de outros
investidores. Este tipo de aprendizado não garante a qualidade do conhecimento,
uma vez que, como vimos, o investidor brasileiro tem pouca experiência neste
mercado, muitas vezes não possuindo conhecimento suficiente para garantir boa
39

rentabilidade para si mesmo, e acaba por ensinar o pouco que sabe ao novo
investidor, gerando uma corrente de conhecimento de baixa qualidade.

Diante disto, o autor entende que o mercado de ações realmente é um


mercado interessante para aqueles que aceitam assumir riscos calculáveis e
buscam maior rentabilidade, porém é extremamente necessária uma melhor
preparação dos investidores para que consigam melhores resultados.

A busca por orientação profissional seja ela por meio de consultoria, cursos
preparatórios, administração de fundos ou administração de carteira, é essencial
para que o investidor possa se preparar até que realmente se sinta preparado para,
por si só, investir neste mercado com maior segurança.

Diante do exposto, o autor julga ter atendido os objetivos propostos em


ralação ao perfil dos investidores do Mercado de Ações Brasileiro.
40

Referências Bibliográficas

• ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2006.

• GITMAN, Lawrence Jeffrey. Princípios de Administração Financeira. 7. ed. São


Paulo: Harbra, 2002.

• PINHEIRO, Juliano Pinheiro. Mercado de Capitais : Fundamentos e Técnicas.


2. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

• ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de Estágio e de Pesquisa em


Administração. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2005.

• SANVICENTE, A.Z.; MELLAGI FILHO, A. Mercado de Capitais e Estratégias de


Investimento. 1. ed. São Paulo: Atlas, 1988.

• SANTOS, José Evaristo. Mercado Financeiro Brasileiro - Instituições e


Instrumentos. 1. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
41

Anexo I - Questionário
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