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Grand angle avec Edgar Morin:


Réconcilier l'éthique et l'économie
O século XXI começou em Seattle Propos recueillis par Henri Gib ier,
2002
Edgar Morin
Le Monde, Dez., 1999 Réforme: Le défi de la globalité
Edgar Morin, 2002
Enfim, um debate, enfim um início. Uma polêmica moderada opunha até novembro
Le consensus et le conflit
os soberanistas integrais aos mundialistas técno-econômico-mercantis. O novo Edgar Morin, 2002
debate se situa além desta oposição congelada. O que aconteceu em Seattle é a
tomada de consciência de que o controle da mundialização só pode se efetuar ao O pensamento complexo de Edgar
nível mundial. Ela comporta portanto um outro tipo de mundialização que aquela Morin e sua Ecologia da ação
Angélica Sátiro, 2002
do mercado. Ela incorpora o soberanismo, mas o ultrapassa.
Para Touraine e Morin, país deve
Eu me surpreendi muitas vezes pelo fato de que nada restou da tradição evitar confronto sobre Alca
internacionalista do socialismo, encrustrado no europeismo para os socais – Napoleão Sab óia, 2002
democratas, ou convertido num recuo nacionalista na fase moribunda do
L'enseignement de la
comunismo. compréhension base de la culture
de la paix
Havia também embriões de cidadania terrestre a partir da tomada de consicéncia Edgar Morin , 2002
dos perigos expostos pela biosfera, a partir de movimentos como Médicos sem
Préface pour "Comprendre le
fronteiras, Anistia Internacional, Greenpace, Survival International e de inúmeras
Phénomène: Café-Philo" - Direction
ONG. Jannis Joulountas
Edgar Morin, 2000
Havia ainda a contra-ofensiva, já mundializante, em torno da taxa Jobim,
sustentada pelos grupos Attac. Existiam também resistências locais e dispersas às O século XXI começou em Seattle
Edgar Morin, 1999
ONG, à super industrialização da agricultura. A deflagração da fome.
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Existiam as múltiplas resistências à homogeinização unicamente o mental e cultural,


mas se efetuando pelo recuo sobre o local ou o nacional.
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Existia também a consciência crescente de que o mercado mundia tinha
necessidade de controles e de regulamentações e que sua extensão correspondia
a uma nova explosáo do capitalismo no mundo. Existia também aqui e lá, ainda vivo
entre um pequeno número de intelectuais, um espírito universalista e humanista,
que começou a se enraizar e a se concretizar numa consciência proriamente
planetária ou terrena.

Ora, tudo isso, que estava disperso, foi repentinamente reunido. O encontro de um
“bigodudo” ruralista français, justamente reconhecido como a encarnação de
Asterix, e da conferência mundial de Seattle foi o elemento catalítico. Foi
constituído de maneira quase espotânea, a partir de associações, de ONG, de
experiências locais, uma internacional civil fora dos partidos políticos.

Certamente, o movimento foi rapidamente mobilizado por trotskistas, libertários,


comunistas e como de costume, os futuros conflitos et núcleos entre estes
sectários correm o risco de deformá-lo e de destruí-lo. Mas agora, de si próprio ,ele
encontrou e proclamou uma sentença admirável que exprime de maneira bastante
concisa o enredo do debate: “O mundo não é uma mercadoria”. A fórmula nada
mais faz do que revelar a verdade da profecia de Marx denunciando a
mercantilização progressiava de todas as coisa, aí subentendidos os vivos e os
humanos. Ela denuncia implicitamente a lógica do cálculo que, reinando nos
espíritos dos tecnocratas e economistas, está cego aos seres, às paixões, aos
sentimentos, às infelicidades e as felicidades humanas. Ela proclama enfim nossa
necessidade de responsabilidade sobre o mundo.

Efetivamente, as tomadas de consciência fragmentárias se juntaram em Seattle e


se mundializaram. De fato, a mundialização técnico-econômica do decenio dos
anos 90 foi uma nova etapa de um processo iniciado no século XVI pela conquistas
das Américas, perseguido pela colonização do planeta pelo Ocidente europeu e
que, após as descolonizações, sofreu a hegemonia técnico-econômica dos Estados
Unidos.

Como eu comentei anteriormente, este processo foi acompanhado e contestado


por uma segunda mundialização sempre minoritária, aprecendo com o
reconhecimento dos direitos humanos aos Índios da Ámérica ( Bartolomeu de las
Casas) e da legetimidade das civilizações náo europeias ( de Montaigne a
Voltaire).

Esta segunda mundialização se prolongou através da difusão das id[eias


humanistas e universalistas, elas próprias propulsionadas pela Revolução francesa
depois pelas idéias internacionalistas e as prijmeiras aspiraçõesa do mundo aos
Estados Unidos( (Victor Hugo).

Na segunda metade do século XX, apesar da decomposição e da degenerescência


dos internacionalismos, apesar efervescentes nacionalistas e dos fanatismos
religiosos, verificamos o desenvolvimento dos múltiplos ramos de uma cidadania
terrena, prel[udia de uma tomada de consciência de uma “Terra –Pátria”, diante do
enraizmento nos espíritos sem contudo suprimir as virtudes das diferentes e
múltiplas pátrias nacionais. Trata-se de agora em diante de religar não somente da
maneira técnico-econômica, mas sobretudo de maneira intelectual, moral e afetiva,
os framentos dispersos do genêro humano.

Seattle, que devia consagrar o irresistível progresso da mundialização técnico-


econômica, viu o nascimento de um novo movimento em escala e amplitude
mundiais. Este novo movimento associa um soberanismo de enraizamento, de
cultura e de civilização ( que ainda que reconhecendo o Estado Nacional, não é de
modo algum o estatismo nacionalista) a uma autêntica consciência dos problemas
mundiais assim como uma nova vontade de agir de agora em diante no nível da
associação de todos aqueles que sentem ameçadaos pela hegemonia do
quantitativo, da rentabilidade, do lucro, da maximisação.

Isso, longe de excluir os Estados –Unidos num anti-americanismo limitado, permite


associar sues fazendeiros e consumidores aos fazendeiros e consumidores da
Europa. Além do mais existe, como insiste José Bové, a inclusão no movimento dos
problemas e necessidades dos outros continentes: a enorme massa humana do
mundo dito “Em via de desenvolvimento”, que só encontra sua capacidade
exportadora no baixo custo de uma mão de obra privada de direitos sindicais; o
mundo africano empobrecido pelas monoculturas importadas do Ocidente, que
destruiu as agriculturas de subsistência e lançou nos “bidonvilles” ( *aglomerações
de habitações sem as mínimas condições de higiene onde vive a população mais
pobre) urbanos os rurais desenraizados. O movimento da segunda mundialização
deve se responsabilizar de todos os “Terrestres”. O problema de três ou quatro
parceiros com interesses divergentes náo pode ser resolvido de imediato, mas os
compromissos e um encaminhamento podem já ser projetados pelo novo
movimento.

Um mundo novo sai do nevoeiro de dezembro de 1999.

Por um lado, podemos ver a hidro formada pela conjunção dos desenvolvimentos
da ciência, das técnicas, do capitalismo, já com uma convergência formidável na
indústria genética. Esses desenvolvimentos, animados pela pesquisa do lucro, da
maximização, da rentabilidade, obedecendo a uma lógica calculadora e
determinista que é aquela da fabricação e do uso das máquinas artificiais, lógica
que se expande em todos os setores da vida humana.
O inimigo não é o solitário capitalismo, que de resto é necessário à economia
concorrencial. Além disso, o a hidro contem em si própria os elementos benéficos
que podem modificar o curso dos acontecimentos. Assim sendo, as inúmeras
disciplinas científicas se reagrupam e desenvolvem um conhecimento complexo, ao
contrário do curso simplificador e redutor do século precendente. Os setores
científicos cada vez mais importantes, tendo a ecologia como cabeça, esclarecem a
Segunda mundização enquanto que outros setores estão cada vez mais integrados
na economia do lucro.

As técnicas, incluindo-se as técnicas de informação/computação/comunicação


como a Internet, levam consigo tanto virtualidades emancipadoras quanto
virtualidades escravizadoras. De resto, é a mundialização das comunicações que
permitiu a formação e a mobilização de uma contestação planetária em Seattle.
Mas é uma obediência cega à lóigca artificial e àqual do lucro que constitui o
grande perigo civilizacional, e mais ainda uma ameaça global sobre o gênero
humano: a arma nuclear, a manipulação genética, a degradação ecológica são
todas as três filhas do desenvolvimento da tríade ciência/ técnica/ indústria.

E nós assistimos os efeitos desses desenvolvimentos em cadeia.

Primeira cadeia se fechando em si mesma em círculo vicioso: agricultura intensiva.,


OGM, rentabilidade FORCENÉE na agricultura e na economia, degradação das
qualidades dos alimentos, degradação da qualidade da vida, homogeinização dos
gêneros da vida, degradação dos meios naturais, dos meios urbanos, da biosfera e
da sociosfera, diversidades biológicas culturais, do político ao econômico,
precarização do trabalho e destruição das garantias sociais, perda da visão dos
problemas fundamentais e dos problemas globais ( os quais , para a maioria, de
agora em diante coincidem).

Uma outra cadeia pode formar um círculo virtuosos ligando agricultura biológica à
agricultura racional, pesquisa do melhor e não do mais, das qualidades no lugar
das quantidades, predominância do ser sobre o ter, o gozo da aspiração da
plenitude da vida, desejo de salvaguardar as diversidades biológicas e culturais,
esforços para regenerar a biosfera, civilizar as cidades, revitalizar os campos. Tudo
isso devendo convergir na formalização de uma política de civilização levando em
conta todos esses aspectos, na tomada de consciência dos problemas globais e
fundamentais para o gênero humano, ou seja os cidadãos da Terra que deve se
tornar pátria.

Efetivamente, o enraizamento e o alargamento de um patriotismo terestre formarão


a alma da Segunda mundialização que quererá e poderá talvez domesticar a
primeira e civilizar a Tera.

A situação é fuondamentalmente ocmpelxa. Nós dissemos que a primeira


mundialização comporta as contra - correntes positivas nascidas do excesso do
desenvolvimento das correntes negativas. A batalha não é somente entre a
conferência oficial da primeira mundialização e a expressão do mesmo modo que
as pressões da Segunda. Existem batalhas no seio da conferência oficial entre
Europa e Estados Unidos, Sul e Norte, nações munidas e nações desmunidas. A
segunda mundialização deve manter uma aliança complexa entre as soberanias
nacionais e a nova soberania internacional da Terra Pátria. Parasitada pelas
nostalgias domarxismo, ele ameaça o desmembramento. Ela comporta ainda muitas
simplificações, certamente, e que simplificação devastadora no cálculo e a redução
à economia no outro campo!

As frentes são entrecruzadas e se sobrepõe umas às outras. São essas


complexidades que precisam ser pensadas, afrontar e não iludir, a fim de libertar
uma estrada (caminho).

Eis aí. Não é a luta final. É a luta inicial do século futuro que desenha seu rosto: à
escala humana, à escala planetária.

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