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O método científico

Após termos distinguido o conhecimento vulgar do


conhecimento científico, no que diz respeito às suas
características gerais, vamos agora debruçar-nos sobre os
métodos a que a ciência recorre, as suas características e
pressupostos em que assenta.
O método científico
Em termos gerais, um
método é uma forma de
proceder e, neste caso
particular, um processo racional
para chegar ao conhecimento.
Neste sentido, termos de aceitar
que não existe um método
científico válido para todas as
ciências e aplicável em todas as
situações, mas vários métodos.
Analisaremos em seguida
algumas propostas
metodológicas a seguir pelos
cientistas no momento de
conhecer os fenómenos.
O método científico
Iremos começar por analisar o método desenvolvido
por um dos “pais” da ciência moderna, Galileu Galilei. Galileu
desenvolveu o método científico cujos princípios são ainda
usados atualmente. Baseado na análise lógica/matemática
dos problemas e recorrendo à experiência para verificar as
suas hipóteses, o método de Galileu perdurou durante
séculos como o método científico por excelência. Em
suma, o método de Galileu é composto por quatro etapas:

1. Observação
2. Formulação da Hipótese Galileu Galilei
(1564-1642)
3. Experimentação
4. Elaboração de Resultados
Observação
A aplicação do método tem início com a observação. Os
cientistas observam um fenómeno imprevisto, interessante ou
enigmático, para o qual não têm explicação, ou constatam um
facto que põe em causa as teorias estabelecidas. Empenham-se
então numa observação sistemática da natureza. Para esse
efeito podem utilizar vários objectos como microscópios,
telescópios, etc.
Formulação da hipótese
Posteriormente, os cientistas apresentam uma hipótese
explicativa, que constitua uma resposta para os problemas
colocados pela observação. A hipótese é elaborada a partir dos
dados observados e do conhecimento científico disponível. A
hipótese tem de ser formulada de tal modo que dela seja
possível deduzir consequências testáveis.
Experimentação
Uma vez elaborada a hipótese e dela deduzidas
consequências testáveis, os cientistas concebem a sua
experimentação. Isso implica a construção de
dispositivos experimentais, o desenvolvimento de técnicas
laboratoriais, e a produção dos instrumentos de
observação e de medição adequados.
Elaboração de resultados
Por fim, elaboram-se os resultados. Se a hipótese for
confirmada pelos resultados empíricos, pode adquirir o estatuto
de teoria. Caso contrário, os cientistas revêem todos os
procedimentos empíricos e lógicos utilizados. Finalmente,
retomam a análise dos dados iniciais, reunidos durante a fase
de observação.
Descoberta e justificação das teorias
científicas
A construção de uma teoria científica compreende duas
etapas distintas: a sua descoberta e a sua justificação.

A descoberta da teoria é o modo como um cientista ou


um grupo de cientistas chega à teoria. Para compreender
como uma certa teoria foi descoberta, temos de conhecer
tanto a época histórica como os indivíduos envolvidos.
Trata-se de uma etapa onde a criatividade e
imaginação desempenham um papel fundamental.
Descoberta e justificação das teorias
científicas
A justificação da teoria é o
modo como um cientista ou um
grupo de cientistas testa a
teoria. Para compreender como
uma teoria é justificada, temos
de estudar os procedimentos
empíricos e lógicos utilizados no
teste da teoria e a relevância da
evidência que apoia a teoria.
Trata-se de uma etapa
epistemológica onde o
raciocínio lógico e o cálculo
são fundamentais.
Descoberta e justificação das teorias
científicas
A descoberta e a justificação das teorias científicas são
assim processos independentes.
Do ponto de vista da filosofia da ciência, o que nos vai
interessar é mais o problema da justificação das teorias
científicas e não o problema da descoberta, uma vez que este,
pertence ao âmbito da história da filosofia.
Queremos assim saber, como opera a ciência e quais
as condições que têm de estar satisfeitas para poder afirmar
que algo está «cientificamente comprovado».
As limitações do indutivismo
É frequente atribuir à indução o principal papel na
descoberta e na justificação de teorias científicas. Mas será
que a indução tem de facto o papel principal na
descoberta e justificação das teorias científicas?

As teorias científicas mais interessantes e explicativas são,


quase sempre, teorias acerca de entidades inobserváveis.
(Física Quântica por exemplo). Ora, mas se todas as
hipóteses fossem formuladas por indução, a partir dos
dados observáveis, não haveria hipóteses acerca de
entidades inobserváveis.
As limitações do indutivismo
O carácter inobservável das entidades referidas nas
teorias científicas mais explicativas, e a exactidão e
complexidade matemática de muitas leis científicas,
mostram que a indução não pode desempenhar um papel
relevante na descoberta das teorias científicas.

Dessa forma, podemos concluir que o processo de


descoberta depende mais da imaginação e da
criatividade dos cientistas do que depende do raciocínio
indutivo.

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