Você está na página 1de 478

LUIZ DE MELLO

OPINIÕES SOBRE OS PINTORES


DOMINGOS E HORÁCIO TRIBUZI

(•.. )Bem diferente é o seu Os Pin-


tores. Neste, o contista torturado cede
lugar ao pesquisador paciente e só-
brio, que nos fala dos pintores Trlbuzi
e da Questão Tribuzi-Trubert,
reconstituindo sua curiosa h istória,
ao mesmo tempo que nos dá um qua-
dro precioso de São Luís na segunda
metade do século XIX, uma cidade
opulenta, voltada para a cultura fran-
cesa.
Ao ler o seu Os Pintores , não
pude deixar de p e nsar nesse outro
Tribuzi famoso - o poeta Bandeira
Tribuzi, cuja vida nos descreve Rossini
Corrêa, com muito talento.

Ren11to Caatelo BnuJco*


(São Paulo, 24/4/1990)

Recebi e agradeço o livro Os Pin-


tores Domingos e Horácio Tnõuzi, uma
valiosa contribuição à litera tura
maranhense. É um excelente traba-
lho de pesquisa que muito enrique-
cerá a história da pintura em nosso
Estado.

Joaé 8111Dey
(Brasília, 13/ 12/ 1994)

(... ) Dessa maneira, como um


dostoewskiano homem do subterrâ-
neo, nos porões reais de um espaço
onde praticamente vive a maior parte
de sua vida, Luiz de Mello resgata ati-
vidades de pintores e escultores do
século XIX, apresentando nomes e
obras, principalmente de alguns que
jamais foram sequer mencionados por
estudiosos das Artes Plásticas no
Maranhão.
Os nomes de Leon Righini, Do-
mingos Tribuzi, Desiré Trubert, Car-
doso Homem, Francisco Raimundo
Diniz, Joseph Dumas, Horácio Tribuzi,
João Bindseil, Francisco Peixoto Fran-
co de Sá, José Maria Bílio Júnior,
João Manoel da Cunha, Joaquim
Ferreira Barbosa e tantos outros que
nestas páginas aparecem, formam um
conjunto daquilo que, tecido quase
dia-a-dia, conforme relata o pesqui-
sador, baseado em periódicos da épo-
ca, constitui uma peça fundamental,
ou protocolo de intenções, da própria
história provincial de São Luís. (... )

N11uro Jl11cb11do

* Escritor piauiense falecido em 1995.


CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS
NO MARANHÃO (1842-1930)

PESQUISA HISTÓRICA
DO AUTOR:

Os pintores Domingos e Horácio Tribuzi (ensaio histórico). São Luís: SIOGE, 1989. (Prêmio Antônio
Lopes, do Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, 1987).

Meridiano oposto (contos). São Luís: SIOGE, 1990. Prêmjo Odylo Costa, filho, do Concurso Literário
e Artístico Cidade de São Luís, 1987.

Os segredos de Guímel (contos). São Luís: Plano Editorial SECMA, 1996. (Prêmio Odylo Costa, filho,
do Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, 1993).

Os terroristas e os outros (conto). Prêmio do Concurso de Contos da Universidade Federal do Maranhão,


1993.

Primórdios da telefonia em São Luís e Belém (pesqui sa histórica). São Luís: Edições AML, 1999.
Série Documentos Maranhenses, vol. 19. (Prêmio Antônio Lopes, do Concurso Literário e Artístico Cidade
de São Luís, 1997).

Pintores maranhenses do século XIX (pesquisa histórica). São Luís: Lithograf, 2002.

Edição de texto: O Maranhão histórico (ensaio histórico), de José Ribeiro do Amaral. São Luís:
Instituto Geia, 2003.
LUIZ DE MELLO

CRONOLOGIA DAS ARTES


, -
P' •STICAS NO MARANHAO
( 1842-1930)
#

PESQUISA HISTORICA

LITH©J!D
INDUSTRIA GIWICA ( (;[)HORA LT().A.

SÃO LUÍS
2004
Copyright© 2004 by Luiz de Mello
Impresso no Brasil

Gerência de Estado da Cultura


Coordenação de Ação e Difusão Cultural
Rua Portugal Nº 303 - Praia Grande
Fone: 232-3680
CEP: 6501 0-480 - São Luís (MA)

Digitação:
Armando Eugênio
e Lithograf

Revisão geral:
Luiz de Mello

Capa e projeto gráfico:


Lithograf

Fotos:
Francisco Campos

Capa :
Vista de São Luís do Maranhão (1863),
Óleos/ te la por Leon Righini

Impressão e acabamento:
Lithograf

Normalização:
Biblioteca Pública Benedito Leite

Permite-se o reprodução de textos, desde que sejam citados os fontes.

Mello, Luiz de
Cronologia das artes plásticas no Maranhão (1842- 1930); pesqui sa histórica/
Luiz de Mel lo. - São Luís: Lithograf, 2004.
4 78 p., il.

1. Artes plásticas - Maranhão, 1842-1930 - História. 1. Título.


CDD 730.098 121
AGRADECIMENTOS

Ao Dr. José Sarney,


Presidente do Senado Fede ral

A o Dr. José Reinaldo Tavares,


Governador do Estado do Maranhão

- que possibilitaram a publicação desta obra .


DEDICATÓRIA

À memória de

Bandeira Tribuzi
Nelson Werneck Sodré
Reis Perdigão
APRESENTAÇAO

De Que estás rindo? É a ti Que a história


se refere, apenas com o nome trocado.
Horácio
Sátiras 1

Compreender e produzir conhecimento sobre as origens da arte


maranhense passa obrigatoriamente pela obra do pesquisador Luiz de
Mello. Se A páscoa das gaivotas (de Carlos Cunha) , Arte do Maranhão:
1940-1990 (BEM) e A obra escultórica de Newton Sá (Raimundo Fortes)
pontuam quase solitários como fonte bibliográfica sobre o panorama
contemporâneo das artes plásticas do Maranhão, os trabalhos de Mello
já publicados - Pintores maranhenses do século XIX e Os pintores Do-
mingos e Horácio Tribuzi - o colocam como única fonte de referência
para o século 19 e início do século 20. Ou seja, responsável pela recupe-
ração dos primeiros registros e origem das expressões da pintura, escul-
tura, gravura e fotografia neste Estado .
N esta Cronologia das artes plásticas no Maranhão (1842-1930),
Mello não só apresenta uma compilação de registros que envolvem ·qua-
se 100 anos de trabalho plástico em São Luís e parte do interior do
Maranhão, como também, e aqui se revela uma destacada contribuição
do pesquisador, disponibiliza os indícios, as origens e a gênese da pintu-
ra, gravura, ilustração, escultura, fotografia , cenografia, arquitetura e
ornamentação. Indícios estes que, para qualquer interessado estão hoje
perdidos em acervos dispersos, bibliografia mínima e fontes primárias
de acesso proibitivo, apesar dos esforços particulares da eq uipe da Bibli-
oteca Pública Benedito Leite, instituição que ainda hoje guarda preciosa
coleção de periódicos.
Já é conhecida a máxima sobre a importância do passado para a
compreensão do presente. Nesse sentido, certamente, persistem ainda
em nossa historiografia das artes lacunas sobre a produção dos artistas
presentes na cidade desde sua fundação até o final do século 18. Porém,
ganha destaque a História revelada por Luiz de Mello de quando e como
se deu o início do ensino artístico no Maranhão. O mesmo ensino (com
suas escolas, ateliês e mestres) responsável pelo desenvolvimento das
artes maranhenses ao longo dos séculos XIX e XX, que se tornaram a
referência visual daquilo que deveria ser abolido, esquecido e não repe-
tido quando do surgimento das correntes modernas e contemporâneas
nas artes locais, na década de 40 do século passado. Surge a História da
Arte Maranhense, ou como registra More Bloch, a " H istó ria com o ciência
dos hom ens no tempo", não mais a história como ciência do passado.
Ao transcrever matérias e citações de periódicos, mesmo sem incluir
comentários ou informações complem entares que poderiam demonstrar a
opinião do autor sobre os fatos relatados, o livro nos chama a atenção: o
passado ainda é uma estrutura em progresso, nunca um dado rígido. Ao
revelar a presença do Teat ro Artur Azevedo, Monumentos, Instituições e
Logradouros ainda hoje presentes na paisagem e vida de nossa cidade, o
livro proclama que a História da Arte Maranhense, de forma ampla, não
começou com os modernos, na Movelaria Guanabara, de Pedro Paiva Filho.
Exata mente neste caminho de abolir as regras passadas em dire-
ção à m odernidade nas artes plásticas é q ue se desenvolveu um processo
paralelo, de esquecimento e abandono das origens da Histó ria da Arte
loca l. Luiz de Mello recupera para nossos dias o conhecimento não só dos
pintores e gravadores atuantes na cidade, como regi stra as primeiras ati-
vidades de pintoras mul heres (num momento da sociedade local a inda
fortemente marcada pela presença m asculina), os primeiros fotóg rafos, o
surgimento da arte pública e o registro de escolas e mestres de pintura e
escultura (com suas técnicas, temas e metodologias de ensino) .
O trabalho aborda , e aqui não poderia deixar de regist rar, por ser
área de interesse e atuação pessoal: o surgimento do e nsino arquitetô-
nico e de profissionais atuantes nas áreas de projeto, decoração cênica
e ornamentação. Estas informações confirmam o que antes d este t raba-
lho era apenas uma especulação: a presença da cultura artística italiana
em São Luís, responsável pela divulgação dos mode los historicistas da
arquitetura eclética.
Entendo como contribuição fina l deste trabalho o reconhecimento
que qualquer docume nto histórico (uma reportagem de jornal, uma ilus-
tração de revista e a própria obra de arte) não são vestíg ios com os quais
o pesquisador constrói a História . O d ocum e nto é um supo rte que permi-
te ao pesquisador a elabo ra ção de d iferentes perguntas, estas sim, as
que condicionam a análise, e levando o u d iminuindo a im portâ ncia do
documento, ou da obra de a rte, produzida num momento afastado.
Nenhum objeto tem movimento na sociedade humana exceto pela
significação que os homens lhe atribuem. São as q uestões propostas pelos
pesquisadores que condicionam os objetos e não o posto. Daí pode surgir
a riqueza da pesquisa e da produção do conheci mento. É isso que o traba-
lho Cronologia das arfes plásticas no Maranhão (1842-1930) permite, como
uma obra de referência q ue difici lmente perderá sua atualidade.

José Marcelo do Espírito Santo


Arqu iteto e professor de História da Arte d a
Universidade Federal do Maranhão-UFMA
~
~ CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

PRIMEIRO ANÚNCIO DO PINTOR 1845. - Vieira - Rayol- nº20- Pagou sele mil equinl1entos
DOMINGOS TRIBUZI réis. Maranhão, 10 de março de 1845. - Silva - Mendes.
(Do livro de Nomeações da Província do Maranhcio,
Domingos Tribuzi, romano, discípulo da Academia de São 1845, p. 1O. Acervo de Arquivo Público do Estado do
Lucas em Roma, onde seguiu o curso regular de desenho Maranhão).
linear, de figura, paisagem e pintura. estabelece cm sua casa,
nesta cidade, uma aula destas prendas. Sobre o preço se GOVERNO DA PROVÍNCIA
convencionará segundo o número das lições na semana. Tam- Expediente do dia 6 de março
bém se oferece a ir à casa de cada um dar lições particulares.
O artista Tribuzi tira relratos em pintura. miniatura e Ao inspetor da lnslrução Pública. - À vista do que
desenho de todos os tamanhos, e até tão pequenos que Vmc. expõe em seu ofício de 5 do corrente sob nº 50, tenho
servem para medalhas de pendurar ao pescoço das senho- a dizer-lhe que aprovo a Domingos Tribuzi por Ymc. pro-
ras e para alfinetes de peito, o que muito usado é na Euro- posto para substituto da cadeira de desenho do Liceu,
pa e mesmo em algumas províncias do Brasil. Ensina tam- visto achar-se licenciado o respcc1ivo professor, devendo
bém a bordar em renda. desenho linear, de fi gura e paisa- ele solicitar o seu título pela Secretaria desta Presidência.
gem, pi ntura e ornato; se propõe também a aperfeiçoar a (Publicador Maranhense, 26/3/1845, p. I ).
música de cantoria, com o método do célebre Rubini, tanto
no italiano como em português a todas aquelas senhoras DOMINGOS TRlBUZI dá Lições de desenho em sua casa,
que já tiverem adiantamento na cantoria, e a pronunciar e na qual tem algumas cabeças de gesso para por elas se apren-
entender a língua italiana, que é muito preciso e necessá- der a tirar retratos em relevo, também ensina a pintar a óleo e
rio para a boa cantoria. núniaturn e na mesma casa se acham todos os preparos ne-
Quem quiser utilizar-se do préstimo do anunciante pode cessários. (Publicador Maranhense, lº/ 10/1845, p. 4).
dirigir-se-lhe por meio de uma carta, ou procurá-lo em casa
das senhoras Meirellcs, Rua da Estrela, 47. (Jornal Mara - EDITAIS
nhense. 8/4/1842, p. 4).
Por ordem do Exmo. Sr. presidente da Província fica
ADVERTfiNCIA aberto o concurso, até o dia 20 do corrente, para provi-
mento definitivo da cadeira de desenho do Liceu desta
Não obstante ser-nos mister 300 assinaturas para co- cidade. Os opositores deverão, findo o prazo marcado,
brirmos as despesas infalíveis deste periódico, todavia com apresentar os seus requerimentos competen1emente do-
118, que são as que temos, estamos a publicá-lo, e a nossa cumentados a fim de se marcar o dia para o exame.
empresa terá o prometido curso, visto que dispostos esta- Secretaria do Governo do Maranhão, 4 de dezembro de
mos a todos os sacrifícios, contanto que o Maranhão co- 1846 - Dr. Carlos Fernando Ribeiro, secretário do Gover-
lha os resultados de uma publicação como esta. Despedi- no. (Publicador Maranhense, 5/12/1845, p. 4).
mos de nosso serviço o Sr. J. L. Joubert, nosso primeiro
litógrafo, porém nem nós perdemos com isso, nem os Srs. Nomeação de serventia vitaJícia da cadeira de desenho
assinantes, porquanto fo i por nós chamado o Sr. Domin- do Liceu desta cidade a Domingos Tribuzi.
gos Tribuzi. italiano de nacionalidade, um dos melhores O Dr. Joaquim Franco de Sá, Oficial da Imperial Ordem
retratistas que hoje temos. E tanl<l facilidade tem o artista da Rosa, Cavaleiro de Cristo, juiz de Direito da comarca de
que em poucas horas apresentou-nos o feliz resultado da Alcântara, deputado à Assembléia Geral Legislativa e pre-
estampa que adorna este número. Desnecessário é à vista sidente da Província do Maranhão por S. M. o Imperador a
dele tecermos elogios, porém a litografia será melhorada quem Deus guarde ( ...) Faço saber aos que este alvará
logo que nos cheguem o papel e 1inta próprios, que breve- virem, que atendendo a que o cidadão Domingos Tribuzi,
mente esperamos de Portugal. (Museu Maranhense, nº 3, opositor à cadeira de desenho do Liceu desta cidade, se
l 0 /8/ 1842, p. 24 ). acha compctentemente habilitado, hei por bem em confor-
midade da Lei Provincial nº 77, de 24 de julho de 1838,
NOMEAÇÃO DO PINTOR DOMINGOS TRIBUZI provê-lo na serventia vitalícia da mencionada cadeira, ha-
vendo o ordenado que legalmente lhe competir. Pelo que
Nomeação de substituto da cadeira de desenho civil mando a quem pertencer que lhe dando a respectiva posse
do Liceu desta cidade a Domingos Tribuzi. depois de prestar o juramento de estilo, o deixe servir e
O vice-presidente da província, atendendo a proposta exercitar. E para a firmeza Lhe mandei passar o presente
que lhe fo i presente do inspetor interino da Instrução Pú- alvará que lhe servirá de título, indo por mim assinado e
blica, há por bem nomear a Domi ngos Tribuzi para o lugar selado com o selo das Armas do Império. Dado na cidade
de substituto da cadeira de desenho civil do Liceu desta de São Luís do Maranhão em 22 de dezembro de 1846, 25º
cidade enquanto durar o impedimento do respectivo pro- da Independência e do Império. -Augusto César dos Reis
fessor proprietário, percebendo os vencimentos que lhe Rayol a fez. - E eu, Dr. Carlos Fernando Ribeiro, secretário
competirem. Palácio do Governo do Maranhão em 1O de do Governo, o fiz escrever e subscrevi. - Joaquim Franco
março de 1845. -Augusto César dos Reis Rayol -Ângelo de Sá. - Estava o selo - Alvará por que S. Exa. há por bem
Carlos Moniz - Eslava o selo. - Por despacho de 6 de prover o cidadão Domingos Tribuzi na serventia vitalícia
março de 1845. - Pagou quatro mil réis de emolumentos da cadeira de desenho do Liceu desta cidade. Para V. Exa.
que fi cam lançados à fo lha 20 do Livro de Emolumentos. ver. - Por despacho de 22 de dezembro de 1846. - Pagou
Secretaria do Governo do Maranhão em 16 de março de 42$600 réis em emolumentos que ficam lançados à folha nº
LUIZ DE MELLO

6 do livro respectivo. -Secretaria do Governo do Maranhão obras de retrós e desenho de figura. As pessoas que pre-
em 22dedezembrode 1846-Vieira-Rayol-nº21-selo tendem honrá-la com a sua confiança poderão dirigir-se à
- 7$400- PG - sete miJ e quatrocentos réis. Maranhão, 22 Rua do Sol, casa nº 2. (O Progresso, Jº/10/1847, p. 2).
de dezembro de 1846. - Freitas - Sousa. (Livro de Nomea-
ções da Província do Maranhão, 1846. Acervo do Arqui- MOVIMENTO DO PORTO
vo Público do Estado do Maranhão). Entradas no dia 14:

O EMBLEMA DA LIGA Brigue português Laia, de Lisboa, em 33 dias. Capitão


José de Abreu; consig. Antônio Joaquim de Araújo Gui-
Na noite do dia 28 de julho, em que o Sr. Franco de Sá marães; tripulação: 16 pessoas; carga: vinho, vinagre e
para se popularizar foi fazer ou pagar uma visita ao Clube vários gêneros; passageiros: Dr. Ayres de Vasconcellos
da Liga na igreja de Santana, dignando-se a petiscar com Cardoza Homem, José de Albuquerque Cardozo Homem,
o povo mesa lauta, que, segundo O Progresso, é virgem Manoel Ferreira Marques Tavares, Manoel José Fernan-
nos anais dos nossos meetings, tivemos a pachorra, ou des Bastos, Bento da Silva, Joaquim Maria Ribeiro Moniz,
mais acertadamente a curiosidade de ir ver a iluminação da Sebastião Gomes da Silva Belfort. (O Progresso, 17111/
Liga e dos Bem-te-vis. 1847,p. 3).
Nada nos despertou tanto a atenção como o quadro
colocado sobre o vestíbulo da predita igreja - simbolizan- EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES NO LICEU
do a Liga.
Este quadro, executado sob a direção da gente do gru- Pintura a óleo:
po dissidente, revelou as pretensões desse grupo que tanto 1° O quadro ao natural que representa a Fé,
forceja por preponderar na Província. Esperança e Caridade, por Augusto César de Carvalho
O quadro continha dois laços de fita amarela e azul- e Silva.
celeste. Nos arcos do laço da primeira fita estavam impres- Pinturas a aquarela (aguadas):
sos os nomes do partido Cabano e Bemtevi, e nas pontas 2º Ramalhete de dálias, saudades, rosas, amores-
as legendas - Liga Maranhense em uma; Correio Mara- perfeitos, por Augusto César de Oliveira e Silva.
nhense e Revista em outra. Idem de rosas e outras flores, por Antônio José de
A fita azul era mais larga e com o laço em superior Sampaio Albuquerque.
elevação que o da amarela, e continha os nomes d' O Pro-
Idem de ranúnculos roxos e brancos, por D. Maria
gresso e Publicador num laço por cima do outro, e em Emília Carmi1ú
letras maiúsculas a palavra Dissidentes, de maneira que
Desenhos a traço:
devendo ser a legenda - Liga Maranhense - que domi-
Figura acadêmica, por José Fernandes de Oliveira.
nasse o quadro, era tudo pelo contrário, transluzia na pin-
Idem, por Augusto César de Carvalho e Silva
tura o pensamento de que a Liga era uma burla, ou pretex-
Idem, por D. Narcisa Cândida Mendes
to pueril.
Desenhos a esfuminho:
Rematava por sobre o laço azul um capacete, gorro ou
Santa Cedlia, cópia de Rafael de Urbino, e o retrato
boné à Henrique VIII, certamente simbol izando a dedicada
de Catarina de Médicis, por José Martins Corrêa.
proteção do presidente à Liga Maranhense; e por baixo
Tatius e a Virgem, cópia de Rafael, por D. Maria
desse boné pendia uma espada romana designando talvez
Emília Caimini.
a força do protetor e suas tendências ...
O boné por cima do punho da espada pareceu-nos o Amor e Vênus, por D. Maria Emí]ja Carmini
chapéu de Gesler na ponta de uma lança na praça pública Desenhos a 2 crayons e papel de cor:
de AJtorf; mas o Sr. Franco de Sá não quer que o tenham Dois retratos, por José Fernandes de Oliveira
por um Gesler... porém, cuidado, o terreno em que S. Exa. A Castidade, por Vicente Vasconcelos Duarte
pisa é escorregadio, e a viagem não é longa. Santa Ágata , por Antônio José de Sampaio Almendra
Por este pequeno esboço, só quem for míope desco- Um retrato, por Severino Dias Carneiro
nhecen1 que os dissidentes querem ocupar na Liga as pri- Um retrato, por Joaquim Costa Barradas
meiras posições; darão, é de supor, ao grupo Jansen, o Desenhos de paisagens:
lugar imediato, ficando a Revista com o último assento, José Luiz dos Santos
pois que em uma das pontas da fita amarela estava acomo- D. Narcisa Cândida Mendes
dada, muito próxima do recorte da fita, que convém notar Odorico Launé da Silva
semelhava-se ao bifurcado de uma.forquilha. (O Observa- João Batista de Almeida Couceiro
dor, 3/8/1847, p.3). César Augusto Mar·ques
Francisco Júlio de Albuquerque
AVISO Henrique Itacolumin Lopes
Antônio Rodrigues Bayma
D. Maria Emília Carmini pretende abrir no dia 1ºde ou- Análio de Miranda
tubro próximo futuro a sua escola de ensino primário para Desenhos de ornato:
o sexo feminino, no qual se propõe ensinar a ler, escrever Manoel Antônio da Costa Cururuca
e contar nas espécies adequadas à natural compreensão João Antônio da Silva
das meninas - a marcar de diferentes formas e bordar de N. B. - A exposição constava de 94 quadros. (O Pro-
branco, de cadeia e passagem em fi ló, ponto de tapete, gresso, 10/12/1847, p.2).
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

AVISO Os marceneiros estudarão desenho de mobília, mar-


quesas, camas, berços, espelhos, toucadores e tudo o mais
O Colégio de Nossa Senhora dos Remédios convida a que tendo de ser entalhado, aberto ou liso depende essen-
todos os devotos e devotas para as istirem à festividade que cialmente dos princípios de desenho. Os serralheiros es-
ele faz em honra e glória de sua padroeira a Senhora dos tudarão desenho de grades, portões e todos os ornatos de
Remédios no domingo, 2 do próximo janeiro na igreja de Nos- fundição. E do mesmo modo se ensina desenho de qual-
sa Senhora da Anunciação e Remédios, pertencente ao Reco- quer outra arte como canteiro, torneiro, etc.
lhimento desta cidade. Constará de vésperas, que começarã0 Independentemente disto também ensina desenho de
cedo, de missa e sermão que principiará pelas 1Ohoras, e de fi gura, paisagem e arquitetura. O preço: 5$000.
Te Deum no fim da tarde do domingo, havendo missas reza- Os senhores que quiserem começar, dirijam-se a esta
das às 4, 5, 6 e 7 horas da manhã. Celebrar-se-á tudo com casa até o fLm do mês. (0 Progresso, 4/4/1848, p.3).
esplendor, que pennitem os recursos do estabelecimento. A
música é quase toda nova, composta pelos professores do IMAGEM
colégio, os Ilmos. Srs. Vicente Ferrer Lyra e D. Pedro Albarez,
e executada pelos melhores professores da cidade, no que
O pintor Francisco Luiz Marques tem para vender cm
tomam parte em diversos ramos alguns dos alunos da casa,
sua casa um santuário com a competente imagem do Se-
os quais merecem ser aplaudidos. Ora, corno os recursos or-
nhor crucificado, o qual vende muito em conta; quem o
dinários para esta solenidade são muito Limitados, convida-
pretender dirija-se à Rua da Cruz, casa nº 15. (O Progresso,
se também quem deseja promovem Culto Divino e se interes-
19/4/ 1848, p.4).
sa pela prosperidade do estabelecimento a enviar a um leilão
festival, que se há de fazer nesse dia junto da igreja, qualquer
PROFESSOR
j óia que sua devoção lhe ditar e concorrer a ela ou mandar
para estas valerem mais, ficando todos certos de que o pro-
Eduardo Costa recente mente chegado da cidade do
duto deste leilão é positivamente para ajudar a cobrir as des-
Porto, na barca Nova Aurora, propõe-se a ensinar as lín-
pesas da festa Por todo esse dia e noite, e principalmente no
guas francesa e inglesa e também desenho; quem quiser
dja e noite seguinte, 3 de janeiro, haverá exposição dos dese-
utilizar-se de seu préstimo dir ija-se à sua residência na Rua
nhos e escritas dos alunos do mesmo, pois que é esta oca-
sião mais própria para este fim. daPalmanº31.
Maranhão no Colégio de Nossa Senhora dos Remédi- Maranhão, 20 de maio de 1848. (O Progresso, 20151
os, 20 de dezembro de 1847, ano sétimo do colégio. 1848, p.4).
Por todo o colégio e seu diretor
D.F. Marques Perdigão AVISO
(0 Progresso, 24/121 1847, p.3).
Sendo este o último mês do ano letivo no Colégio de
AVISO Nossa Senhora dos Remédios, começarão no mesmo em
2 1 do corrente e seguintes dias úteis os exames dos alu-
O pintor Francisco Luiz Marques faz saber aos seus nos que se habi litaram nas diferentes aulas que este ano
fregueses que j á mudou a sua loja de pintura da Rua do Sol tiveram exercício no colégio, a saber: de latim, geografi a,
para a mesma casa onde morou seu pai o Sr. Rafael Fran- inglês, gramática da Língua Pátria, geometria, francês e
cisco Lujz Marques, na Rua do Sol nº 15, em cuja loja se faz instrução primária. - Findos os exames, terá lugar a distri-
algumas imagens e encarna-se toda a qualidade de santos, buição dos prêmios e far-se-á no colégio, durante os dias
pinta-se tabocas e aluga-se palanquins para batizados, de 30 do corrente, l 0 e 2 de julho desde de manhã até às 9
tudo por preços cômodos. O mesmo faz saber que aluga a horas da noite, exposição geral dos desenhos e escritas
metade da dita casa com os melhores cômodos. Quem pre- dos alunos. O diretor, em nome de todo o colégio, convida
tender alugá-la poderá vê-la a toda hora do dia, na mesma as pessoas inteligentes e que têm voto nas matérias para
casa acima dita. (O Progresso, 11 /311848, p.3). que tenham a bondade de assistir a fim de animarem e
premiarem com suas presenças os j ovens estudiosos, e de
AULA DE DESENHO APLICADO ÀS ARTES certo modo punirem os que deixaram de se habilitar.
Maranhão no Colégio de Nossa Senhora dos Remédi-
No dia l ºde maio abrirá José de Albuquerque Cardoso
os, 18 de julho de 1848. - Ano sétimo do colégio.
Homem na Rua Grande nº 26 uma aula de desenho com
O diretor e proprietário do colégio
todas as vantagens que um artista pode desejar, não só
pela utilidade que dela podem auferir, como também pelo D. F. Marques Perdigão (O Progresso, 20/611848, p.3).
preço e hora a que tem lugar- sendo o primeiro 3$000 rs.,
e a segunda das 7 às 9 da noite; e é bem conhecida por LEI N° 243 DE 16 DE OUTUBRO DE 1848
todos de quanta conveniência seja esta hora, por não rou-
bar ao artista o tempo de dia que ele tem de despender no Antônio Joaquim Álvares do Amaral, comendador da
seu estabelecimento. Ordem de Cristo, oficial da Imperial Ordem da Rosa, con-
Cada artista aprenderá o desenho que a sua arte exigir; decorado com a Medalha da Restauração da Bahia pela
assim os ourives estudarão desenho de baixela, cafeteiras, Independência e presidente da Província do Maranhão.
açucareiros, bandejas, salvas, paliteiros, bacias, jarros, cas-
tiçais, pentes, rosetas e tudo o mais que a arte de ourives Faço saber a todos os habitantes que a Assembléia Le-
pode trabalhar com primor e dei icadeza. gislativa Provincial decretou e eu sancionei a lei seguinte:
LUIZ OE MELLO

Art. l º - Haverá na Casa dos Educandos Artífices uma Do R elatório com que o Exmo. Sr. Antônio Joaquim
aula de escultura e desenho aplicado às artes e ofícios. Álvares do Amaral entregou a administração desta Pro-
Art. 2º - O professor desta aula, que deve ser freqüen- víncia ao Exmo. Sr. Herculano Ferreira Pena.
tada tanto pelos alunos internos, ou educandos artífices,
como pelos externos que a isso se propuserem, terá qui- EDUCANDOS ARTÍFICES
nhentos mil réis de ordenado anual e estará sujeito à mes-
(...) O edifício dos Educandos Artífices, que hoje per-
ma fiscalização dos professores do Liceu; servindo, po-
tence aos próprios provinciais, não tem a capacidade ne-
rém, de delegado da Instrução Pública no estabelecimento
cessária para semelhante estabelecimento, apesar de al-
o seu respectivo d iJetor.
guns casebres com que se tem aumentado a antiga casa.
Art.3° - Na falta do professor nacional próprio para
Mandei levantar uma planta para melhorar esta casa, dan-
explicar as matérias do programa do art. l º,poderá o presi- do-lhe ao mesmo tempo uma elegante perspectiva, e o major
dente da Província engajar para seme lhante fim professor engenheirn R odrigues Lopes apresentou prontamente toda
estrangeiJO, mas por tempo determinado que não exceda o a despesa em cerca de quatro contos de réis, e por falta de
prazo de três anos. dinheiro não fiz levar a efeito a obra. Realizei a compra de
Art.4° - Esta cadeira é temporária, e o seu professor instrumentos para a banda de música dos meninos edu-
será conservado somente enquanto convier ao serviço candos, que já vão adiantados, e deles se serviram pela
público. primeira vez no dia 2 de dezembro último. Neste mesmo dia
Art.5° - Fica de ora em diante fixado em sessenta o glorioso foi instalada naquela casa, e em minha presençl:l,
número dos educandos artífices. a cadeira de escultura e desenho mandada criar pela Lei nº
Art.6° - Ficam revogadas as disposições em contrário. 213, de 16 de outubro do ano passado, tendo sido em sua
Mando portanto a todas as autoridades a quem o co- conformidade engajado o professor por espaço de três
nhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cum- anos; mas não há ali os cômodos suficientes para este e
pram e façam cumpru tão inteiramente como nela se con- outros místeres, a fim de manter-se este estabelecimento
tém. O secretário desta Província a faça imprimir, publicar e de tanta utilidade pública com ordem e regularidade. (...)
correr. Palácio do Governo do Maranhão em dezesseis de (Publicador Maranhense, 6/2/1849, p.2).
outubro de mil oitocentos e quarenta e oito, vigésimo séti-
GOVERNO DA PROVÍNCIA
mo da Independência e do império.
Expediente do dia 17/3/1849
ANTÔNIO JOAQUIM ÁLVARES DO AMARAL
(..) - Ao diretor dos Educandos. - Em resposta ao ofí-
E stava o selo.
cio que Vmc. dirigiu-me com data de ontem sob o nº 24,
(Do Livro de Leis e Decretos da Provínc ia do
acompanhado de outro do professor de escultura e dese-
Maranhão, 1848). nho desse estabelecimento em que pede vários obetos
para a respectiva aula, tenho a comunicar-lhe que em tem-
ESTAMPAS po oportuno serão fornecidos os referidos obj etos. ( ...)
(Publicador Maranhense, 24/3/1849, p.l).
Estampas de São Raimundo Nonato, em ponto grande
e pequeno - Santa Filomena em ponto pequeno, coloridas DECLARAÇÃO
e em fumo - há na loja de Magalhães, na Rua Grande. (0
Progresso, 3/31849, p.4). Acaba de ser litografado na Corte um belo retrato do
exímio patriota, o finado desembargador Nunes Machado,
TRECHO DA REVISTA DO MARANHÃO o mais parecido que é possível.
Só lhe falta mobilidade e brilho, que tanto realçavam
(...) Veio a Laura de Pernambuco: - Corre u logo que aquela ardente fisionomia por onde refletia toda a pureza e
vinha a Companhia de Canto. Era mentira!... Que horror! magnanimidade de sua grande alma.
Abusarem assim das esperanças dos filarmônicos. É cruel. Nesta tipografia existe um retrato, que será franqueado aos
O teatro exultou com a verificação da inexatidão da notícia, patriotas que o quiserem ver. (O Progresso, 16/4/1849, p. 6).
porque se envergonhava de mostrar os trapos velhos do
AVISO
seu cenário e que os membros lhes estavam podres e a
cair. Consola-te, teatro, que não há companhias possíveis;
HENRIQUE Roberto Rodrigues, bacharel fonnado em Di-
vai sofrendo o teu mormo e reumatismo, porque o Tesouro
reito pela Universidade de Coimbra, sócio do Instituto Dra-
Provincial não tem dose nenhuma homeopática para te
mático da mesma cidade, advogado perante a Relação do
restituir a vida. Porto, e José d' Albuquerque Cardoso Homem, da Academia
O canto trouxe-nos a idéia da filarmônica, que ainda de Belas-Artes de Lisboa e professor de desenho e escultura
não foi avante em conseqüência de certa mesquinhez de aplicada às artes na Casa dos Educandos Artífices, abrirão
espirito e de rivalidade que entorpecem e hão de sempre uma escola em que ensinarão as seguintes matérias:
entorpecer tudo. ENSINO PRIMÁRIO ELEMENTAR- Leitura escrita,
O teatro nos fez lembrar que no domingo teve lugar a as quatro operações aritméticas em números inteiros, de-
instalação da Sociedade Homeopática Maranhense. Aqui cimais, quebrados e complexos. Princípios de moral e dou-
notamos o fato e faremos uma reflexão. (O Progresso, 121 trina cristã. Princípios de civilidade. Método de ensino: o
3/1 849, p.2). Mútuo.

14 <VQ)
~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930) ~~

ENSINO PRIMÁRlO SUPERIOR-Gramáúca teórica e 37, das 7 às 10 da manhã e das 2 às 5 horas da tarde cm
prática da língua portuguesa, caligrafia. Desenho linear. todos os dias, à exceção dos domingos. A aula acha-se
Aritmética: geometria, contabilidade mercantil. Método de dividida em três salas - a 1• para desenho linear e cópias
ensino: o Simultâneo. de estampas; a 2• para cópias de gesso e a 3• para as
ENSINOSECUNDÁRlO-As línguas francesa e ingle- pinturas de aquarelas e óleo. A aula de gesso é aberta pela
sa. Geografia. Filosofia racional e moral. Eloqüência. Dese- primeira vez nesta capital e propriamente destinada para o
nho e escultura. Método de ensino: o Simultâneo. aprendizado dos retratos. Os discípulos que souberem
Além do conhecido cuidado com que os anuncian- copiar estampas em cinco ou seis meses, que é o tempo
tes se entregam ao ensino das matérias que professam e necessário para o estudo das sombras, ficam habilitados a
que deve marcar toda a atenção das pessoas que quise- tirar quaisquer retratos. Os arranjos desta aula são os mais
rem instruir-se ou a seus filhos, a modicidade dos pre- perfeitos possíveis e mandados vir de propósito.
ços e o método de instrução devem atrair a atenção dos No próximo mês de outubro far-se-á na mesma aula a
estudiosos. exposição dos desenhos e pinturas dos alunos. Também
Trata-se com os anunciantes na Rua Grande nº 26. (O tiram-se retratos cm desenho, miniatura e pintura de quais-
Progresso, 25/5/1849, p.3) quer tamanhos, aprontam-se quadros a óleo para igrejas e
salas e retocam-se os velhos com perfeição. T iram-se re-
AVISO tratos a fumo por 12$ réis, bem parecidos, e ao contrário
grátis. (O Progresso, 12/9/1849, p.3)
O diretor do Colégio de Nossa Senhora dos Remédios
lembra ao público que, sendo este mês o último do ano (DA) Fala dirigida pelo Exmo. Sr. presidente da Provín-
letivo colegial, os exames no colégio hão de ter lugar no cia do Maranhão, Herculano Ferreira Pena, à Assembléia
dia 25 por diante. Estes são de latim, francês, inglês, geo- Legislativa Provincial, por ocasião de sua instalação no
metria, aritmética e álgebra; geografia, gramática da Lín- dia 14 de outubro de 1849:
gua Pátria e análise gramatical e de instrução primária, isto
é, de todas as aulas (não falando das prendas) que este INSTRUÇÃO PÜBLICA
ano tiveram exercício no colégio por haver alunos para
elas. Convida, pois, o diretor, e roga muito particularmente (...) O próprio Liceu não está bem estabelecido porque
aos senhores que têm voto nas sobreditas matérias, te- a parte inferior do Convento do Carmo onde ele se acha é,
nham a bondade de assistir aos exames que se farão com além de pouco asseada e indecente, tão acanhada que não
toda a publicidade possível, segundo o costume, para com oferece as indispensáveis acomodações para a aula de
a sua presença animarem os estudantes aplicados e brio- desenho, na qual apenas se podem admitir 18 alunos, quan-
sos. Findos os exames haverá no colégio a exposição dos do todos os anos mais de 60 desejam dedicar-se a esse
desenhos dos alunos do mesmo. Maranhão no Colégio de estudo, sendo certo que os mesmos 18 não se mostrem
Nossa Senhora dos Remédios, 8 de junho de 1849. tanto como seria possível por falta das condições indis-
O diretor e proprietário pensáveis a uma semelhante aula.
D. F. Marques Perdigão A aquisição de casas cômodas e providas de utensíli-
(O Progr esso, 13/6/1849, p.4) os necessários seria, pois, um grande impulso dado à ins-
trução, mas o Governo nada pode atualmente fazer por
ANÚNCIO falta de crédito.(...) (Publicador Maranhense, 24/10/1849.)

Domingos Tribuzi, lente de desenho do Liceu desta CASA DOS EDUCANDOS ARTÍFICES
cidade, dá lições grátis de desenho linear aplicado às artes
e ornato a todos os artistas brasileiros que quiserem com- (...) Acha-se completo o número de sessenta educan-
parecer à sua casa, R ua Grande nº 37, todos os domingos, dos fixado pela Lei P rovincia.I nº 243, de 16 de outubro de
a começar de 1º de agosto, desde as 7 até às 8 horas da 1848, cujos nomes constam do mapa nº 14. Todos e les
manhã. (O Progresso, 20nl1849, p.4). aprendem as primeiras letras e ofícios mecânicos, e alguns
a música e o desenho linear, distri buídos pela maneirn se-
GOVERNO DA PROVÍNCIA guinte: - oficina de espingardeiros, 18; dita de sapateiros,
Expediente do dia 17 14; de alfaiate, 17; de coronheiros e marceneiros, 14; aula
de música, 12; de desenho linear, 28.
( ...)-Ao diretor dos Educandos. -Atendendo ao que A escola de primeiras letras continua a ser regida pelo
Vmc. me representa cm seu ofício de 13 do corrente ob o professor interino Augusto Frederico Colin, cuja habilida-
nº 78, autorizo a mandar colocar a aula de desenho desse de e zelo bem se conhece pelo aproveitamento que apre-
estabelecimento na casa que se está construindo para a sentam seus discípulos, carecendo somente de uma con-
oficina de espingardeiros. ( ...) (Publicador Maranlie11se, signação mensal de 10$000 para compra de papel, penas,
2617/1849, p. 2). tinta, etc. Na de desenho, acha-se provido o súdito portu-
guês José de Albuquerque Cardoso Homem, cm virtude
DOMINGOS TRIBUZI ... de um contrato celebrado com o Governo da Província cm
27 de novembro de 1848 para dura r três anos, com o orde-
Da Academia de Belas-Artes do Colégio Apostólico nado de 500$000 réis, e conquanto se mostre e le desejoso
em Roma, professor do Liceu desta c idade, dá lições de de cumprir todas as obrigações a que se ligou, não tem
desenho por cômodo preço em sua casa na Rua Grande nº ainda podido começar o ensino de escultura por fal ta de

15 VQ)
LUIZ DE MELLO

modelos, ferramentas e algumas matérias-primas, para cuja Selada e publicada na Secretaria da Província do
compra pede o diretor a necessá.ria autorização; e a de Maranhão, em J3 de dezembro de 1849. - No impedimento
música tem prosperado a ponto de achar-se já formada do secretário. João Rufino Marques, oficial-maior.
uma banda, que começa a tocar nas festividades públicas Registrada à fl . 70 do Livro Segundo de Leis e Resolu-
e particulares com geral aplauso e satisfação dos habitan- ções da Assembléia Legislativa Provincial. Secretaria da
tes da Capital. Isto é devido em parte aos cuidados e esfor- Província do Maranhão, em 13 de dezembro de 1849.
ços do professor Sérgio Augusto Marinho, mal remunera- Roberto Augusto Colin
do com a gratificação de 360$000 réis que a Lei lhe arbi- (Coleção de Leis, Decretos e Resoluções da Província
trou; mas tratando de dar regulamento à dita aula, eu ten- do Maranhão - 1849).
ciono conceder-lhe uma parte dos vencimentos que tiver a
banda, como propõe o diretor, esperando que esta delibe- DOMINGOS TRIBUZI avisa ao público que no!> dias
ração seja por vós aprovada. ( ...) (Publicador Maranhen- 12, 13 e 14 do corrente estarão patentes os desenhos e
se, 27/10/1849,p.l). pinturas dos alunos da sua aula particular, na Rua Grande
nº 37, a qualquer hora do dia. (Publicador Maranhense,
LEI N" 264, DE 13 DE DEZEMBRO DE 1849 11 / 1/1850,p.4)

Honório Pereira de Azeredo Coutinho, presidente da LEILÃO


Província do Maranhão. Faço saber a todos os seus habi-
tantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou e João Batista de Castro e Silva, oficial da Imperial Or-
eu sancionei a lei seguinte: dem da Rosa e inspetor da Alfândega da Província do
Maranhão.
Art. 1° -O Governo da Província lica autorizado a man- Faço público que tendo o ajudante dos conferentes
dar para qualquer dos Estados da Europa, que entender da Alfândega, Francisco das Chagas Camboa, impugna-
mais conveniente, o jovem José Martins Ferrúra Corrêa, a do, cm despacho de Duchemin & Companhia, quatorze
fim de estudar escultura e desenho aplicado às artes e modelos para desenJ10 de figuras de gesso, a que deram
ofícios, mostrando-se para isso compctentemente habili- os despachantes o valor de 25$000 réis, estarão os mes-
tado perante o mesmo Governo. mos objetos em praça, à porta da Alfândega, a uma hora
Art. 2° - Durante o tempo de seus estudos, que não da tarde do dia 17 do corrente mês, para serem arremata-
excederá a três anos, vencerá o dito pensionista o subsí- dos por quem mais der acima de 25$000. O arrematante
dio anual de quatrocentos mil réis, em moeda forte, postos será obrigado aos direitos de 30% sobre a quantia de
arrematação.
no lugar onde ele for residir, bem como a quantia necessá-
Alfândega do Maranhão, 14 de janeiro de J850
ria para a sua ida e volta.
João Batista de Castro e Silva
Art. 3° - Além do que se acha determinado para os
(Publicador Maranhense, 16/1/1 850, p. 4).
estudantes pensionistas no artigo 5° da Lei de 5 de maio
de 1835 sob o nº l O, será mais obrigado o referido jovem,
ANÚNCIO
findos os seus estudos, a regressar para esta Província e
nela lecionar gratuitamente por espaço de três anos as
NA RUA GRANDE, casa nº 37, vende-se o seguinte:
ditas artes nas aulas para esse fim criadas no estabeleci-
pano preparado para pintar a óleo, pincéis sortidos, tintas
mento dos Educandos Artífices ou em qualquer outro lu-
de todas as cores, caixinhas completas para pintar a aqua-
gar que designar o Governo, não estando aquelas ainda rela, medalhas de ouro para retratos cm miniaturas, estam-
autorizadas por lei. pas finas, assim como um
Art. 4º - Ficam sem vigor as disposições em contrário. COSMORAMA
completo com dezesseis lentes, noventa e cinco vis-
Mando portanto a todas as autoridades, a quem o co- tas, sendo quinze em
nhecimento e execução da referida lei pe1tencer, que a cum- NEORAMA,
pram e façam cumprir tão inteiramente como nela se con- dez candeeiros de metal amarelo e seis de folha, arma-
tém. O secretário da Província a faça imprimir, publicar e ção competente e caixões para transportes por 400$000,
correr. Palácio do Governo do Maranhão, em treze de de- ou troca-se por um escravo ou escrava sem vícios. (O Pro-
zembro de miJ oitocentos e quarenta e nove, vigésimo oita- gresso, 14/5/1850. p.4).
vo da Independência e do Império.
AVISO
HONÓRIO PEREIRA DE AZEREDO COUTINHO
Estava o selo. O abaixo assinado, diretor e proprietário do Colégio de
Carta de Lei pela qual Vossa Excelência manda executar Nossa Senhora dos Remédios faz por meio público que os
o decreto da Assembléia Legislativa Provincial, autorizan- exames do primeiro semestre e cio ano letivo de 1850a 185 1
do o Governo a mandar para qualquer dos Estados da no seu colégio começarão na quarta-feira, 19 do corrente,
Europa o jovem José Martins Ferreira Corrêa, a fim de es- e continuarão nos dias úteis seguintes até se concluírem,
tudar escultura e desenho aplicado às artes e ofícios, como e que nos dias e noites de 25, 26 e 27 haverá no colégio
acima se declara. expo ição dos desenhos e escritas dos alunos do colégio
Para Vossa Excelência ver. para serem examinados por quem quiser. Roga-se a todas
Augusto Frederico Colina fez. as pessoas que têm voto nas matérias, hajam de assistir

16 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

para animarem com sua presença o escudantes beneméri- ANÚNCIOS


tos, e de algum modo corrigir os que não o são.
Colégio de Nossa Senhora dos Remédios, 15 de de- Despachou-se hoje para a loja nova de Domingos Tri-
zembro de 1850 buzi, na Rua Grande nº 5, vindos pela Barca A1111a, ricos
Domingos F. Marques Perdigão cortes de seda e de cassa de todas as cores e de Undos
(O Progresso, 17/12/1850, p.4) padrões, chapéus pretos e cinzentos da última moda, bo-
nés de palha da Itália para meninos e muitas outras fazen-
ANÚNCIO das próprias para a Festa dos Remédios.
Maranhão, 26 de agosto de 185 1. (Correio d'/\núncios,
O abaixo assinado. diretor do Colégio de Nossa Se- 29/8/ 1851, p.4).
nhora dos Remédios, anuncia que no dia 23 do corrente
começarão no seu colégio os exames do segundo semes- Palmatórias com mangas de vidro para piano, caixa de
tre do ano leti vo de 1850 a 185 1, os quais continuarão nos penas de aço e penas de ave, vidros com tintas a cores.
dias úteis seguintes até se concluírem. Estes são de latim, água de colônia e diversos cxtn1tos. vidros com pomadas,
de francês, de inglês, de geografia, de gramática da Língua ricos estojos para senhoras; caixas completas para dese-
Pátria e de instrução primária, isto é, de todas as aulas que nho e arquitetos, lápis a crayon e csfu minho, canetas, tintas
este ano tiveram exercício no colégio. Durante os djas dos e pincéis, marfim, papel, panos para pintar a óleo; um com-
exames estará aberta a aula de desenho e expostos os tra- pleto sortimento de luvas para homens e senhoras, chapé-
balhos dos alunos desta aula para serem examinados, as- us, bonés de palha e de pano, casimiras para calças, seda,
sim como as escritas de todos os alunos. chapéus para sol, bengalas e chicotes, ricos pares de pisto-
Findos os trabalhos, terá lugar a distribuição dos prê- las para algibeira acham-se à venda na loja de Domingos
mios, se alguns dos alunos forem julgados dignos deles. Tribuzi, Rua Grande, 5. (O Constit11cio11al, 4/1 1/ 185 1, p.4).
Portanto, cm nome de todo o colégio, o seu diretor
convida. roga e insta a todas as pessoas interessadas, e CRÔNICA TEATRAL
que tenham voto nas matérias, hajam de comparecer para SUMÁRIO
animarem com suas presenças os moços estudiosos, e de
algum modo punirem os que não o são, por não se terem Abertura do Teatro Siio Luiz; entusiasmo geral; o S1:
habilitado para exame, como os outros. Albuquerque e os seus trabalhos de arquitetura e escul-
Maranhão, no Colégio de Nossa Senhora dos Remédi- tura; ce116rio; debut da nova companhia dram6tica.
os, 20 de junho de 185 1
Chegou finalmente o dia 14 de março. tão ansiosamente
O diretor,
suspirado pelos amadores das Belas-Artes. que cm tomo
D.F.M. Perdigão
do edifício do teatro estacavam. sempre que passavam pela
(Correio d'A núncios, 20/6/1851, p. 4).
Rua do Sol, maldizendo do íntimo da alma a lentidão da obra,
a demora da chegada dos artistas mandados contratar cm
DOMINGOS TRIBUZI
Portugal, e por fim, a tardança do tempo em trazer-nos o dia
Avisa ao público de bom gosto desta capital que, do- 14, aniversário natalício da nossa amável lmperau·iz, marca-
mingo, 6 do corrente, abrirá na Rua Grande, casa nº 5, uma do para a primeira representação dramática.
loja francesa, onde se acharão à venda os objetos seguin- Chegou finalmente esse tão desejado dia! E o nosso
tes: pincéis para desenho, tintas fi nas de todas as cores, teatro, mais pomposo e mais belo depois de crismado com
crayons, lápis, papel, estojos para desenho, perfumarias o nome de São Luiz, abriu de par em par as suas portas, no
de todas as qualidades, cortes de casimiras, cortes de co- meio do geral aplauso de urna população sôfrega de o ver
letes de seda e de fustão, lenços para homem, ditos para ressurgir do pó a que o tinham desumanamente atirado. O
senhoras, espelhos, estojos para barba. chapéus para ho- concurso fo i o mais numeroso e o mais lúcido que se tem
mem, manteletc<; de seda para senhoras. fitas de todas as visto; os camarotes, a platéia, as varandas e as torrinhas
cores, luvas de camurça para homem, bonés de palha para estavam apinhadas; a satisfação era geral. Às 9 da manhã,
meninos, grinalda para senhoras, ramos de flores, chapéus- hora anunciada para o começo da venda dos bilhetes à
dc-sol para cnhoras, chicotes e bengalas para homem. platéia no salão do teatro, já não restava um só bilhete à
ce tinhas para senhoras e meninas, enfim tudo o que pode venda; e o povo que aíluía a comprá-los, retirava-sedes-
constituir a toalete de uma senhora e de um cavalheiro de contente, resmungando contra u diretori a.~ o mais é que
tom. (Publicador Maran/Jense. Sn/1851, p. 4). com muita razão.
Continuará este entusiasmo sempre assim? - Duvida-
Quinzenas furta-cores, vende-se na Rua Grande, casa mos. Daqui a alguns meses, no fim do 1° tri mestre, principi-
nº 5, por22$000, 24$000 e 26$000 cada urna. (Publicador arão talvez as dificuldades financeiras, por falta de concor-
Maranhense, l 9n/1851, p.4) rência. Entretanto, muito convinha sustentar este único di-
vertimento que temos no Maranhão, e por esta fomia dar
Ricas peças de cassas e chapéus-de-sol furta-cores uma distração ao espírito público. por demais preocupado
grandes e pequenos, do último gosto, franjas e requifes com os negócios políticos que até agora hão sido, quase
para mantclctcs de diferentes gostos e cores, acham-se à exclusivamente, a sua ocupação e o seu único recreio.
venda na loja nova de Domingos Tribuzi, Rua Grande, casa Urna poesia recitada pelo ator Júlio dos Santos Pereira
nº 5. por preços bastante cômodos. (Publicador Mara- (cm lugar do Sr. Pinto, não sabemos por quê), Paula, ou a
11he11se. l l/9/ l 85 l, p. 4.) esposa virtuosa, drama cm 5 Atos, e urna ária cantada pelo

~ 17 CV'@
LUIZ DE MELLO

Sr. L isboa; tal foi o espetáculo designado para a instalação bela e engraçada Baderna, que fez por muito tempo as
do teatro. del ícias do Rio de Janeiro no Teatro de São Pedro
Mas antes de tratarmos dele e da nova Companhia d' Aldntara, há coisa de um ano, personifica perfeitamen-
Lírico-Dramática, d iremos algumas palavras sobre a obra te esta alegoria. À beleza e harmonia dos contornos, reu-
do teatro, que sofreu uma completa transformação, a pon- nia uma delicadeza admirável no todo, que fazia lembrar as
to de parecer outro edifício. ligeiras sílfides dos poetas da moderna escola romântica.
O Sr. Albuquerque, sem contestação, muito fez para que Ao lado direito vêem-se a Música e Melpomene, a musa
ele melhorasse, tanto pelo que diz respeito à sua arquitetu- da Tragédia. - Esta última está em posição tão acanhada e
ra, como à sua decoração e ornamentos. Reconhecendo os contrafeita que parece aleijada.
seus serviços, não podemos deixar, como maranhense, e Desejáramos que em lugar destas quatro figuras, tão
maranhense muito amigo do progresso de sua ten-a, de dar- pequenas e acanhadas que se confundem e desapru·ecem
lhe os mais cordiais e sinceros agradecimentos. no meio das grinaldas, laçarias e mais ornamentos do arco,
Os engenheiros, arquitetos e outros artistas que por houvesse somente duas, porém de mais largas dimensões,
aqui costumam aparecer, de ordinário falam muito dos seus de maneira a parecerem, a alguma distância, do tamanho
títulos, das suas habi litações, e narram muitos casos so- natural. Assim, as figuras resultavam mais, e melhor se
bre as diversas obras de que têm sido encarregados sem- harmo1úzavam com a grandeza do arco.
pre, já se sabe, com próspero resultado; mas por fim, nada As carrancas e grinaldas bronzeadas que enfeitam os
aqui fazem, ou, antes, até estragam tudo quanto lhes acon- camru·otes parecem-nos grosseiras e pesadas; devia haver
tece cair debaixo das mãos. Não deixam monumentos da nestes ornamentos mais simplicidade e del icadeza.
sua passagem senão para atestar sua inépcia, sua igno- A separação dos camarotes, na nossa opinião, devia
rância e muitas vezes até o sórdido espírito de ganância. O ser feita por meio das colunas redondas e delgadas, em
Sr. major engenheiro João Vitor Vieira da Silva, não há mui- substituição às grossas, prosaicas e irregu lares escoras
to demoliu uma grande parte do paredão do Cais da Sagra- que ainda ali se conservam. Por falta de dinheiro, dizem,
ção, obra de um dos tais artistas, cuja construção, além de não se fez essa e outras mudanças aconselhadas pela teo-
defeituosa, era fals ificada com giz no lugar de cal. O Sr. ria das artes e do bom gosto. Mas não faltou dinheiro para
Albuquerque, folgamos de o dizer, não pertence ao núme- desmanchar-se a calçada da Travessa do Sineiro, que as-
ro desses ganhadores; pelo que até agora tem feito, mos- sim corno estava servia perfeitamente, para tomar-se a cal-
tra não só bastante talento, como boa vontade, desinte- çar de novo, por mero luxo, de pedra branca.
resse e amor ao trabalho. A platéia melhorou consideravelmente com a obra que
A obra do teatro corrobora o nosso dito. Entretanto,
sofreu; os bancos estão bastante espaçosos, de sorte que
alguns pequenos defeitos lhe notamos, filhos uns da pou-
o espectador está ali muito à vontade. Esta medida no
ca prática de trabalhos desta ordem, outros do erro de se
nosso país tornava-se uma verdadeira necessidade, em
mandar reedificar urna obra considerável, consignando pe-
razão do grande calor que sempre se experimenta em oca-
quenas somas que fo ram aumentadas, à proporção que a
siões de grande concurso.
obra progredia, o que acanha todos os planos e burla os
As grades dos camarotes pintadas de vermeU10 têm
mais bem concebidos projetos; de sorte que em uma coisa
merecido geral adversão. Com efeito, não se podia ter pior
aparecem largueza e abu ndância, e em outras mesquinha-
gosto. Preferíamos vê-las bronzeadas, brancas, douradas,
ria e penúria.
ou mesmo pretas, à essa desagradável cor, que parece sal-
Não somos profissionais; não entendemos de regras e
picar de sangue os vestidos das senhoras.
de arte. Sirva esta ingênua confissão para descul par os
Quanto à iluminação, asseio e regularidade, não tem o
nossos erros sobre a opinião que temos de admitir a res-
nosso teatro presentemente que invejar os melhores do
peito da obra, pelo lado artístico.
A fachada parece-nos um tanto enfeitada demais; a re- Império. O lustre é o melhor que aqui temos tido, e derran1a
produção de pequenos frontões sobre os arcos de todas as bastante luz sobre os camarotes, platéia, torrinhas e va-
janelas dá ao edifíc io um aspecto pesado e pretensioso. As randas.
portas tinham já o defeito de ser pequenas: levantou-se o As cenas são em geral pintadas. A da primeira sala, que
frontão; cruTegou-se a fachada de imensas molduras, pi las- apareceu no monólogo e no 2º Ato, é até de bom gosto. Na
tras, etc: - o edifício ficou maior com a obra que sofreu, e as vista de bosque, que serviu igualmente para jardim, nota-
portas se tomaram, portanto, ainda mais pequenas em rela- mos abuso da cor amarela, especialmente nos bastidores;
ção com ele. Parece-nos também que tendo-se levru1tado o as árvores têm a maior parte das suas folhas desta cor -
frontão do edifício, deviam levar o telhado ao seu nível; sob não alaranjada, bronzeada ou pálida, como a que o sol,
pena de semelhar-se a edifício de cena, ou a bastidor de quando nasce, ou quando declina para o ocaso, derrama
vista de praça, que só representa fechada. sobre a natureza - mas viva, alegre, brilhante como a das
As decorações plásticas do interior estão traçadas com flores. O horizonte, as nuvens e o céu estão representados
algum gosto, mas pouco perfeitas. No arco do proscênio com bastante arte.
avultam as principais; e foi onde o artista mais se esmerou; Passemos agora a tratai· do pessoal e da representação.
delas trataremos com especialidade. Difícil coisa nos parece o em itir um juízo seguro sobre
Ao lado esquerdo estão Terphiscore, a musa da Dan- uma companhia que estréia. E não querendo nós aventu-
ça, e Tália, a da Comédia. A primeira é uma elegante figura; rar urna opinião, para depois termos de a modificar, já por
foi muito bem escoUúda; mas nolamos-U1e as pernas, os não have1mos bem apreciado o talento a1tístico deste ou
pés e os braços um tanto grossos demais. Esta musa deve daquele ator, já por não termos dado o devido desconto a
ser mais ligeira, mais esbelta, em razão do seu emprego. A eventualidades que não se puderam remover, linútru·-nos-

<Vê) 18 <Vê)
~
~ CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

emos, por agora, a fazer de passagem breves observações não de especuladores que vivem a ü rar proveito do teatro.
sobre a nova companhia, e a indicar a lguns defeitos que Ela e a polícia são duas autoridades que devem marchar de
pudemos notar na sua primeira representação, aguardan- acordo sobre a boa ordem dos espetáculos.
do a continuação dos seus trabalhos para melhor formar o Quanto aos artistas será me lhor não prevenir desde j á
nosso j uízo. o público contra e les, e esperar que se mostrem nas comé-
O Sr. Pinto é, sem, contestação, o primeiro ator da com- dias e óperas cômicas para que foram especialmente con-
panhia a todos os respeitos: logo ao entrar em cena mos- tratados. Pessoa competente assegura-nos que a Sra. Mi ró
trou que era professor na sua arte, e desempenhou o me- e os Srs. Ribeiro e Assunção desempenham satisfatoria-
lhor possível o seu papel, aliás bem difícil em alguns luga- mente as suas partes na ópera que se ensaia para quinta-
res. Deste artista muito se pode esperar; o seu talento fei rn - O Beijo. Se forem pateados antes de serem ouvidos.
revelou-se nesta primeira representação. O Sr. Assunção, como por aí corre, não poderão contar com o necessário
a uma bela presença e natural desembaraço, reúne o entu- desembaraço.
siasmo de que se deixa possuir ao representar o seu papel, As obras do Sr. Albuquerque também foram criticadas,
e uma excelente mímica. Mas a sua voz pareceu-nos um mas é certo que ele foi estrondosamente vitoriado pelos
tanto áspera e às ve.tes dissonante. Ao Srs. Lisboa e Ri- espectadores, e ao que parece, mesmo as grades encarna-
beiro falla a mímica, o movimento; o primeiro é por demais das agradaram. (O Progresso. 24/3/1 852, p.2).
frio. e o segundo. a lém de frio é distraído. O Sr. Júlio tem o
defeito contrário aos destes atores: é exageradamente vivo TRECHO DO FOLHETIM DE TÍMON
e estouvado na cena. O Sr. Coimbra, que já é nosso conhe-
cido antigo, melhora consideravelmente, e esperamos em ( ... )O dia 14 de março amanheceu claro e sereno; e o
breve ver nele um excelente ator. sol rutilando e ferindo o úmido e diáfano vapor que da
Quanto às damas, só podemos lamentar a sua incapaci- terra exalava, bem como os orvalhos com que a chuva
dade. A Sra. Miró assassinou completamente o papel de borrifara telhas e calçadas, produzia urna donosa vista, tal
Paula, dessa pobre esposa virtuosa, tão belo, tão interes- como a beleza de Camões. maltratada nos brincos amoro-
sante. Sua voz é um exu·emo débil, desagradável e como que sos, rindo e chorando a um tempo, ostentava o o lhar radi-
abafada; nenhum transporte, nenhuma mímica. E com estas ante, mas toldado e orvalhado pelas lágrimas. Era o aniver-
qualidades arrogou-se a fazer um papel tão dificultoso e que sário de uma princesa adorada pela sua inefüvel bondade;
para ser bem representado demanda uma capacidade supe- e no dúplice agouro da formosura do d ia, e das recorda-
rior! Esperamos impacientes ouvi-la cantar; e contamos que ções que ele trazia, achavam os heróis maranhenses no-
compensará por este lado a sua insuficiência no drama, onde, vos incentivos ao seu generoso ardor. A cólera e o entusi-
entretanto, pode ser aproveitada. atentas as pequenas for- asmo, porém, subiram de ponto quando se soube q ue o
ças do teatro, em papéis menos importantes do que aquele vaso das iniqüidades fora cheio com a sacn1ega cmpalma-
que infelizmente escolheu para o seu debut. A Sra. EmJ1ia - ção dos bilhetes de platéia; um grito unfmime se levantou
coitada ! - essa é a mesma desenxabida, sensaborona e de- de todos os ângulos da c idade, e ficou assentado de pedra
sengonçada atriz da Sociedade Aliança. Há na sua voz. no e cal que se desse uma tremenda pateada à companhia, à
seu andar, em todos os seus movimentos um tal abandono, comissão e a ludo mais que ti vesse ressaibos de tirania,
uma tal negligência que provocam o sono. fraude e incapacidade. E a polícia cá de fora ia feita nesta
O Sr. Lisboa agradou geralmente na ária. A sua voz é generosa conspiração, na pessoa de um dos seus mais
pura, suave e hannoniosa. Damos-lhe de conselho, porém, zelosos agentes, ressentida, dizem, de umas certas usur-
que decore a música, vista-se em caráter e dê a seu canto a pações que a polícia interior fizera de alguns dos seus
expressão da mímica, que é muito importante ao teatro e mais sagrados direitos.
agrada muito mais. À hora aprazada, a popu lação erg ueu-se como um só
Finalizaremos aqui. Em outros artigos ocupar-nos-emo homem.(!) e precipitou-se em ondas naquele santuário do
mais pelo miúdo da companhia, apresentando-a no seus prazer que a mais inqualificável perversidade traçava con-
J1versos trabalhos. (O Progresso, 20/3/1852, p. l ). verter em antro de torturas. Os Lri unviros passeavam pe-
los corredores e salões, um horrivelmente barbado, e os
NOTÍCIAS DIVERSAS outros dois miseravelmente desbarbados, mas todos e les
de torva e medonha caiadura, agitados, e lançando ao povo
A imprensa desta cidade nestes últimos dias tem-se olhares truculentos cm que se traduzia o pensamento de
ocupado qua e exclusivamente do Teatro São Luiz, tal era T ibério: Oderi11r dum metua/lf.
a ansiedade do público por estes espetáculos, de que há Sem fazer cabedal do seu ódio impotente, corTi açodado
muito nos achávamos privados. O Observador. O Argos e ao meu camarote, e quando vou a debruçar-me sobre as
o Folhetim do no. so jornal criticaram a companhia e o grades para dar o sinal da peleja ao povo impaciente ... Eter-
material da casa muito d iversamente; e O Observador le- nos deuses! Um soberbo lustre, vertendo torTcntes de luz
vou a sua crítica a ponto de tratar com demasiado rigor a por mil bocas ou canudos, inunda a sala e as galerias, reílete
comissão administrativa. no ouro, no bronze, nas sedas, nas pérolas, nos d iamantes,
Achamos úti l a crítica aos artistas, quando se li mita a no o lho ardente das belas, ofonde, deslumbra, ofusca e cega
notar os defeitos para serem corrigidos, sem apená-los de os nossos! Longe idéias vãs de ódio, guerra e combates !
maneira tal que os acanhe e desespere; e quanto à admi- Um surdo murmúrio de admiração e gozo se levanta de to-
nistrnção, é preciso ter em vista que é composta de cida- dos os ângulos do edifício, atulhado de alto a baixo, platéia,
dãos que estão servindo ao público gracuiwmente. leva- frisas, camarotes, torrinhas, varandas- de mil cabeças e de
dos unicamente do desejo de melhorar a arte entre nós, e um duplicado número de ouvidos alentos e de olhos ace-

19 <:/Q)
LUIZ DE MELLO
~
~

sos! Aturdido eu mesmo, e quase fulminado, fechei invo- na imperial em toda a majestade do seu venerável aspec-
luntário os meus, e quando os abri de novo, pareceu-me to? Ah! Tímon, prostrado, rendido e transformado, estava
que dançava a sala, e toda a armação superior, ao som da outro inteiramente e como se envelhecera nos hábitos de
ruidosa orquestra, como devem dançar nas campinas de- um cortesão, ergueu-se, e quase de um salto pôs-se no
sertas do oceano, e ao formidável concerto das ondas, os salão, onde o mesmo luxo e bom gosto que vira na sala do
vastos salões dos gigantescos vapores modernos! espetáculo, o surpreenderia agradavelmente se ainda a
Balançado motemente desse jeito, e mais recobrado já surpresa pudesse ter lugar naquela noite memorável. Uma
do pasmo e estupefação do primeiro momento, pus-me a multidão alegre, ruidosa e descuidada se cruzava em to-
notar e a considerar um por um os mil prodígios que o fan- dos os sentidos, cortando, girando e circulando a sala, e
tástico recinto oferecia à minha vista enfeada e surpresa. O só Deus sabe que sentimentos me saltaram quando dei
leitor os poderá apreciar, sabendo que com haver Timo11 com os olhos nos triunviros, túmidos de orgulho e rindo à
conido as sete partidas do mundo, nunca contudo vira coi- socapa de verem em que tinha disparado o arrojo de tan-
sa alguma que pudesse emparelhar com o nosso teatro! tos Sansões, ainda há pouco furiosos e resolutos a enter-
Fundo branco em geral, nos tetos e nas caixas dos rar-se com eles nas ruínas do edifício! Desviei-me pronta-
camarotes, e fundo azul-celeste nas pilastras do arco do mente e penetrei no augusto camarim, arredando com o
proscênio, mas tudo soberbamente esmaltado e matizado mais profundo acatamento o reposteiro de riquíssima casi-
com molduras de ouro, festões e carrancas de bronze, ara- mira primorosamente bordado.
bescos e baixos-relevos que suspendem, alegram e encan- O interior daquele rrumoso tabernáculo concentra e re-
tam. Nas pilastras se vêem as musas da dança e do canto, sume todo o luxo esparso pelas mais partes do edilício; um
do drama trágico e do drama mofador, acompanhadas de aveludado tapete amacia o pavimento; as paredes, forra-
emblemas e atributos, e no meio de uma admjrável profu- das de finíssimo papel dourado; o teto branco com moldu-
são de ílores e frutos, que o capricho inteUgente da arte ras de ouro, deixa ver no centro um belo florão, onde o
derramou com largas mãos, do bojo talvez de uma cornu- ouro brilha igualmente.
cópia que também alj se enxerga. Que magnífica cortina de O califa contemplava a platéia, naturalmente satisfeito
cetim verde nos recata os mistérios da cena, com sua rica da pública fe lic idade, e quando, ao voltar-se, deu com os
barra de ouro, e como está gentilmente meio atTegaçada olhos cm mim, um amável sorriso pairou-lhe nos lábios,
por laços e cordões do mesmo luzente metal que a temi como para adoçar o entono da majestade. - "Comendador
cria! Defronte, a grande tribuna, igualmente recatada, des- dos crentes (lhe disse Tímon, adiantando-se respeitoso, e
dobra às vistas já fatigadas de tantos esplendores, o seu curvando-se quase a tocar as pontas das suas chinelas
largo manto de veludo carmezim. escarlates) pennitiu Alá que no glorioso reinado de Vossa
Tudo isto, porém, seria nada, se este esplêndido edffí- Grandeza o império próspero e ílorente visse a tantos e tão
cio não palpitasse e respirasse no bulício e animação das pasmosos melhoran1entos, como a regeneração do Carna-
centenas de espectadores que o enchem e atulham do fun- val, pela introdução das máscaras, e a abe1tura e remoça-
do à sumidade. Ali está, sem mais nem menos, a princesa mento deste templo, ainda há pouco fechado sob sete se-
Calimacki, embaixatriz da Sublime Porta, que tanto relevo los, fétido, sórdido e imundo. O povo se d iverte, senhor, e
dera cm Paris aos bailes do Eliscu; no camarote imediato, a para que o faça, não é mister que Vossa Grandeza o mande,
branca e delicada Amina, desta feita antes encantadora e sob pena de ter a cabeça cortada, como usava o magnífico
feiticeira que encantada; mais avante a majestosa Juno e a Paxá que com o seu urso brilha no drama do espirituoso
volumosa Ceres, um tanto crestada e trigueirinha, porque Scribe: basta um leve e gracioso aceno, e eis os risos, os
tendo adotado o sistema de agricultura brasileiro, andou jogos e folguedos que brotam como as ílorcs, em perene
talvez a presidir à queima dos roçados; do lado oposto, e primavera. Deixai que se evaporem cm ríspidos e agros
frente a frente, a cruel Tormenta com seu olllar duro e abra- queixumes esses espíritos tristonhos que em tudo acham
sador; e Força-dos-Corações, lânguida e voluptuosa, mas que notar e repreender, e à própria alegria seriam capazes
não menos perigosa que a terrível companheira. Lá ades- de vestir de luto e dó, emprestando-lhe a desconsolação e
cubro também, a graciosa Hebe vertendo dos graciosos desabrimento de que andam eternamente saturados. En-
lábios o riso e a mocidade. S6 não sabia que a amável quanto eles cumprem assim o seu mísero fadário, cantem
copeira dos deuses se tinha deixado atar pelo hjmjneu àque- os fiéis afortunados o harmonioso e pátrio sabiá, e a pal-
le reforçado Tramontano que lhe fica ao lado. meira airosa que lhe serve de pouso; invadam, passeiem,
Estava ali também sublime e dino logrem e até admirem o templo, e deslizando a existência
repimpado ora num, ora noutro camarote, o nosso re- no meio desta dourada paz, esqueçam tudo, e monnente
verendo e impreterível padre Camilo, que nunca faltou nas esses excomungados artigos do fundo da má morte, que
grandes ocasiões. seriam a nossa perdição, se aqui não viéssemos achar a
Era a Grécia, em suma, o Maranhão, o Olimpo e o Orien- salvação. Ah! Talvez não tardem alguns momentos, e ve-
te em peso que se tinham dado rendez-vous para aquele nham dançar com seus vertiginosos rodopios, pôr a coroa
templo das musas e das artes; eram deusas, belezas e buris e remate a tanto prazer." -O cali fa sorriu-se, mas notando
de toda a casta; e eu seria tentado a julgar-me no meio de com aquela alta perspicácia que o caracteriza os olhares
alguma das mil e uma noites, se bem firme em meu concei- expressivos que eu lançava aos ângulos desguarnecidos
to o entendimento não visse que ao contrário era uma do camarim:
noite só que valia como mil. Não vês aqui, ilisse, as afamadas tortas de queijo e os
Pelas sagradas barbas do profeta! Pois não é que o deliciosos pães-de-ló de macaxcira com que o pasteleiro
glorioso califa Aaron-el-Raschid acaba de assomar à tribu- imperial, o príncipe Breddedin Hassan. costuma a fazer
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

vergar os nossos bufês e aparadores. porque a pressa por de Carlos Magno, segundo fielmente refere o erudito Wie-
uma parte, e a sua e nfermidade por outra, não permitiram land. E a prova de que foi esta a verdadeira causa do prodí-
que se aprontasse este confortável ingrediente do grande gio e não outra, está em que mal o triunviro supramenciona-
festim. - Porém, acrescentou com bondade, aqui tens em do soube da folia, e atinando com a origem dela, arrancou o
desconto um copo de água fresca e pura do soberbo e condão da boca do educando; paia logo, e com não menos
caudaloso Eufrates. - Tímon o sorveu de um trago, com rapidez se dispersou toda a festival comitiva, esgueirando-
não menos avidez que reconhecimento, e apartou-se, fa- se cada um, inerte, encolhido e cabisbaixo. como quem fora
zendo mil reverências e zumbaias, mais a modo orienta! apanhado onde não supunha, ou acordava de uma embria-
que a grego, e tanto mais satisfeito e esperançado, que o guez de ópio ou champanhe.
califa cm sua presença deu as mais terminantes ordens Restabelecida por esta forma a verdade histórica, con-
para que da verba de eventuais e tirasse o necessário tinuo a narração das minhas variadas impressões nesta
para fazer-se e distribuir-se doces e confeitarias pelo povo. longa e prodigiosa noite.
Debruçado outra vez às grades de ferro do meu cama- No fim do espetáculo, cuja descrição e panegírico guar-
rote, como esquecido de tudo quanto me arrastara àquele do para escrever lá para as calendas gregas, depois de
lugar, por então só vi a multidão alegre e fascinada, sem mais bem informado, e de dormir um pouco sobre o caso,
que o som de não sei quantas trombetas e timbales, e os no fim digo, apareceu o ator Lisboa para cantar uma ária
rufos de duas caixas de guerra da orquestra fossem caba- do Átila de Verdi.
zes a despertar nela do profundo letargo cm que jaziam os Neste ponto me é forçoso fazer duas pequenas digres-
sentimentos belicosos com que para ali entrara. Longe dis- sões. O que pensará o respeitável público se cu lhe disser
so, estava de tão boa feição, que erguido o pano, o dito que o nosso amigo João Augusto, enganado pelas aparênci-
mais sensaborão, os menores trejeitos e esgarcs e quais- as falazes do anúncio triunvirdl, porfiou comigo que era Ti-
quer desastradas cambalhotas dos sereníssimos atores mon quem ia cantar, a convite do califa, e por ser dia de Anos?
que por sobrenome não percam, desafiavam e arrancavam Pois sucedeu tal qual lhe conto, e já agora estou bem capaci-
explosões enormes de palmas e aplausos, a cujo ruído Ti- tado de que o tal anúncio trazia com efeito água no bico...
mon, o pobre Timon, meio desperto, meio dormido, só li- A outra digressão resolve-se numa apologia toda pes-
nha força para suspirar e dizer no seu foro interior: Ó soal. Por ocasião do meu folhetim dos Remédios, muitos
atenienses, ó povo espirituoso e sem igual! invejosos do grande mérito da rainha do canto. cuidaram
Em um dos intervalos, sem saber-se como, nem como de rebaixá-lo, assoalhando que Timon não tinha voto na
não, armou-se com a rapidez do raio uma numerosa quadri- matéria, pois a respeito de música entendiu tanto como de
lha no salão. Os que se impacientaram com este inopinado lagar de azeite. ·
acontecimento, (e segundo pude colher de verídicas e de- Calúnia despejada e conhecida por tal! O Maranhão
sapaixonadas informações, foram quase todos os que todo sabe muito bem que freqüentei com grande aprovei-
não conseguiram entrar na quadri lha) se derramaram de- tamento a escola de cantochão do reverendo Joaquim Fran-
pois cá por fora em mil conjeturas sobre a genuína causa cisco, e quando não fosse assim, Timon podia amar a mú-
dele, sendo que dos meus confrades folhctinistas, uns o sica, como qualquer outro adora o sol fulgurante, sem en-
atribue m à falta de juízo, e outros a gosto mau e pior. Nada tender de astronomia, e como todos amam o perfume e
disso; e a razão de todas estas aéreas chocalhices é que matiz das flores, o murmúrio da fonte, o sorriso das belas e
poucos são os que escrevem a história com o critério e a gentileza travessura da infância, ~cm pretensões científi-
sisudez que ela requer, e Timon usa. É o caso. Estará o cas ou artísticas de qualquer espécie.
respeitável público lembrado que a pedido meu, e para a Pois bem, o S r. Lisboa apareceu e cantou ao fim, e foi
vindoura festa dos Remédios, encomendou o Sr. comenda- também frencticameme aplaudido, como o fora logo no
dor Porto para o Oriente o famoso como de Oberon; entre- princípio o Sr. Albuquerque, o apurado escultor e arquiteto
tanto, havia todo o mundo, engolfado nas distrações e sas- a quem devemos as primorosas decorações internas e exter-
nas do teatro. E ambos mereciam sê-lo, di-lo Tirnon, dizcrn-
t0s da atualidade, perdido inteiramente de vista este impor-
tante negócio; mas o Sr. Gamboa que não deixa passar no mais os folhetinistas e di-lo o público todo inteiro.
contrabando ou camarão pela malha, e que. para não ser Já narrei as maravilhas que criou a inteligência e a mão
abelhudo, já levou para o seu tabaco, confiou-me debaixo finne e delicada do Sr. Albuquerque, ajudado pelos seus
de segredo que a encomenda veio no iate do príncipe Laba- discípulos, O!> educandos Lobato, Moraes Rego, Diniz e
noff, cm um rico estojo, e dentro de um baú de Moscou dos Gonçalves da Silva, que como órfãos amparados da Pro-
mais ordinários para não desafiar suspeitas. Parece que na \'Íncia. bem era que se houvessem ta111bé111 chamados à
lida e barafunda dos últimos aprestos do teatro, um dos cena e vitoriados; do Sr. Li boa direi agora que com vo1.
triunviros (não farei ao público a injúria de supor que seja firme, cheia e sonora fez agradavelmente despertar a quem
necessário nomear-lhe para que o conheça) o esqueceu ali jazia sopitado sob as inertes papoulas de Morfcu. Bravo,
por acaso; e eis senão quando. tendo de tocar a banda de meu caro, macte animo: - e andar assim para diante, para
música dos educando naquele intervalo, um dos meninos, nos compensar cm parte, ao menos a famosa peça e loora-
- b

descuidado e sem malícia, cm vez do seu. embocou aquele çao que sofremos nos coros rezados.
inusitado instrumento. Agora o verão: salta o califa com Não permite a justiça que Timon se retire sem fazer
toda a sua corte para o meio da sala, e saltam com ele, como honrosa menção aos Srs. Brandão e Gregório, que pinta-
tocados de súbita vertigem, velhos e moços, donas e don- ram as decorações cênicas: havia sobretudo uma sala de
zelas, todos com juvenil despejo e animados de inaudito
Es1a frase iem por si a au1oridade do Dr. Mor:1es Sannento. que a
furor dançante, tal como aconteceu em Bagdá, no tempo empregou cm corrcspond.'.:ncia olicial.
LUIZ DE MELLO

madeira-cetim cor-de-rosa que me encheu as medidas e crear-nos a todos, inclusive os mesmos que tão desabrida e
me enganou muito mais q ue o cetim verde da grande corti- injustamente os maltratam. De um dos membros sabemos
na de boca. A tout seigneur, tout honnew: ( ... )(Publica- até que adiantou da sua algibeira uns poucos de ré is, sem
dor Maranhense, 25/3/1852, pp. 1-2). juro ou compensação alguma, e qualquer destes serviços
custam um pouco mais que escrever meia dúzia de frases
ABERTURA DO TEATRO sonoras ou mesmo dissonantes.
Mais tenco pois, Sr. T[mon, e mais caterva de folheti-
A abertura do nosso teatro público foi causa de abrir-se nistas e artiguistas. Esperemos um pouco, que talvez sem
também a veia dos folhetin istas de quase todos os jornais muita tardança venhamos todos a ficar sofrivelmente sa-
desta capital; e pois que o Publicador não pôde negar suas tisfeitos. (Publicador Maranhense, 25/3/1852, p.2).
colunas a um desses folhetins, bem é que diga algumas
palavras de sua própria conta, já porque o assunto vale a SOBRE O PAI DO PINTOR
pena, já para que não carregue com a responsabilidade alheia JOÃO MANOEL DA CUNHA
com a própria, por uma quase tácita aquiescência.
O leitor desprevenido poderia ser induzido a erros gra- lê-se no folhetim do Brás-Tisana nº 167, de 17 de
víssimos pelos folhetins fantasmagóricos de Timon, onde janeiro, o seguinte:
se encontram mais o ceticismo que a misantropia e os capri- No dia 11 do corrente faleceu em Lisboa o Sr. Jacinto
chos e devaneios de uma imaginação desregrada que a pura José da Cunha*, que deixou ao Asilo de Mendicidade
singela verdade. Não há, por exemplo, o pano de boca de uma morada de casas no valor de 6:000$000 rs. e 960 rs.
cetim verde de que ele fala, nem sala de madeira-cetim cor- a cada um dos 20 asilados que o acompanhassem à se-
de-rosa; são, sim, excelentes pinturas dos hábeis cenógra- pultura dos Prazeres.
fos, os senhores Gregório e Brandão. Menos se encontram
nas decorações rutifício ou lavor algum de bronze; tudo é de COMUNICADO DE CARDOSO HOMEM
gesso ou coisa semelhante a que o Sr. José de Albuquerque
Cardoso Homem, com os seus bem aproveitados discípu- Antes de entrarmos na arena franca e leal que nos ofe-
los, deu a cor e as aparências do perene metal, com a mesma rece o folhetim d'O Progresso nº 23, apressamo-nos em
habilidade e primor com que se houve em tudo mais. agradecer cordialmente o juízo favorável com que nos ob-
O teatro, dizem, está, mais do que cumpria, sobrecan-e- sequia o autor do artigo. Aceitando a sua ingênua confis-
gado de decorações e ornatos, e nem sempre harmonizam são e acreditando mesmo nas suas intenções sinceras e
os diversos estilos de arquitetura que ali se notam, o gó- cavalhciras, não podemos nos esqui var ao indecUnável
tico, o coríntio e o composto, ou composito; mas convém dever de dizer duas palavras, na parte que nos toca, como
advertir que o distinto professor, achando um velho edifí- diretor da au la de escultura e desenho aplicado às artes na
cio, e as mesmas reparações já adiantadas, teve a mão Casa dos Educandos Artífices. Faremos por difundir na
exposição das nossas idéias aquela clareza e precisão que
forçada; e seu talento embaraçado e preso, não foi livre de
julgamos essencial para a exata percepção das artes.
guiá-lo ao melhor e mais belo.
Acha o folhetinista a fachada enfeitada demais, e en-
Pelo que toca à companhia, ficou, é certo, mu ito aquém
das esperanças do público. Não diremos nada mais por tende que a reprodução de pequenos frontões sobre to-
dos os arcos das janelas dá ao edifício um aspecto pesado
enquanto, aguardando que passe por novas provas para
que possa ser mais bem apreciada. e pretensioso. Esta opinião é um pouco exagerada, visto
que são assim construídos todos os monumentos de ar-
A direção, composta dos Srs. doutores Antônio Rego,
! quiterura, quando neles entra a ordem coríntia e composi-
Antônio Joaquim Tavares e comendador Domingos da Sil-
ra. 1\Jém de todos esses frontões, algumas molduras e or-
va Porto, tem sido alvo de acusações de diversa natureza.
natos mais Lhes faltam para adornar a maior parte desses
Não duvidamos que com mais alguma desconfiança, e
ru·cos, como os papos de rolas com folhagens, os quartos
menos boa fé, se tivesse podido contratar uma companhia
redondos com ovais e lanças, as baratas e me ios redondos
melhor; a comissão, como o público, parece que também foi
com ovais e pérolas, etc. etc. - não porque não se pudes-
lograda, em parte ao menos. Por outro lado, bem se podiam
sem execucar, mas por motivos que não vem apelo referir.
escusar alg umas disposições regulamentares que contrari-
Citaremos em nossa prova a colunata do Louvre, o
am os hábitos da nossa população e os estilos da terrn. Mas
Palácio do Conde de Cbiericatí na Itália, quase todas as
por causa disto, certo não merecem que O Observador os
obras de André Paládio, e finalmente os edifícios espalha-
acusasse ele dolo, má-fé e miséria, de mangação, vexame e
dos pelas diferentes nações da Europa e que servem de
despotismo para com o público, a quem diz que impingiram
tipo na arte de arquitetura, que estão decorados com o que
gato por lebre; e é menos tolerável ai nda que Ttmon fanta-
o autor chama de pesado e pretensioso. Assim, se en-a-
sie uma vasta e odiosa conspiração entre os diretores e os
mos, foi com a mira nos modelos de arqu itetura a quem
mais sanhudos déspotas do Velho e Novo Mundo. Em tudo
respeitamos e reconhecemos como Mestres e entendidos.
isto há uma exageração tal que passa a ser zombru·ia. Longe
E quanto ao pensamento do Folhetinista, que reputa
de merecer ta ntos baJdões, ao contrário, tudo bem pondera-
como defeito a elevação do frontão acima do teUrndo, per-
do, sobejam os serviços da comissão para que antes lhe
votemos louvores e gratidão. Sem nenhum interesse, antes
* Foi antigo e honrado negoc iante matriculado nesta praça do
com quebra e abru1dono dos seus, os dignos membros se Maranhão de onde saiu no ano de 1813; faleceu na idade de 58
têm laboriosamente dedicado a desempenhar as obrigações anos. Exis1e aqui um sobrinho do falecido de nome João Manoel
que espontaneamente tomaran1, a fim de divertir-nos e re- da Cunha desde 1819. (O Globo, 27/3/1852, p. 2).
~
~ CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

mita-nos que lhe digamos que se pudéssemos enumerar Quanto a Melpomcne, musa da Tragédia, diz o folheti -
todos os frontões conhecidos o faríamos só para mostrar- nista que está em posição tão acanhada e contrafeita que
lhe que o maior número é daqueles que se destacam para parece aJcijada; isto, porém, é devido aos princípios da
cima, ou para o lado de telhados e terraços. Miguel Ânge- arte. Se em escullurn não nos fosse lícito podermos à von-
lo, na sua obra intitulada Temp/i Vaticani - lsroria Tabula tade modi licar a 2º dimensão, não haveria baixo-relevo; - e
18 Discriprix scenographica Basilisoe 8 Miclwela e Ân- para que seja perfeito, é necessário que, quanto diz respei-
gelo Benarota clelinima - nos dá um destes exemplos: ali to à espessura. seja diminuído de um, dois ou três quartos
se encontra o frontão a uma enorme distância cm largura mais; além de que o artista abate sempre no baixo-relevo
do resto do edifício. Na igreja de São Jorge cm Veneza, na razão direta do alto-relevo. Parece-nos que o folhetinis-
executada por André Paládio, vê-se o frontão superior ao ta falando nesta figura, refere-se especialmente à coxa da
telhado numa distância de seis pés. Note-se que, além de perna esquerda, da qual não viu toda a sua saliência; en-
serem estas obras feitas por grandes homens, não tiveram tretanto está ela com a ham1onia que é indispensável na
e les de lutar senão com as diliculdades da .u1e. porque construção daquele baixo-relevo.
para a sua consln.lção. desde os alicerces, não se poupava Mclpomene. tal qual está representada. vestida com
dinheiro, enquanto que nós fomos decorar a fachada de uma roupa ao mesmo tempo que rica pelo seu grupado. é
um edifício que a lém de ter as suas paredes construídas de também modesta porque quase todo o seu corpo está ve-
péssimo material, eram as divisões de portas e janelas tão lado; os seus membros estão cm um estado de repouso
irregulares nas suas dic;tâncias que não achamos sequer extremo; a perna esquerda apoiada sobre uma pedra. de
duas iguais. modo que a coxa fica encoberta à vista do espectador pe-
Estac; e outras dificuldades causaram-nos grandes em- los princípios já expcnclidos. Esta musa final mente está cm
baraços para redutirmos a antiga fachada ao que atual- uma posição nobre, parecendo ter concentradas todas as
mente se vê, consln.lindo-a com duas ordens regulares e a suas faculdades intelectuais em um grande e sublime pen-
parte inferior em estilo rústico, como se usa cm todos os samento; sustenta ligeiramente o punhal em uma das mãos,
edifícios deste gênero. e na outra a máscara. De todas as figuras é esta a mais
Levando o Folhetinista o escalpelo da análise ao arco perfeita, sendo executada pelo aluno mais adiantado da
do proscênio, nota-nos que a Terpsichore. a musa da Dan- nossa aula - Francisco Raimundo Dini::..
ça, tem as pernas, os pés e os braços um tanto grossos • Note-se-nos mais que, em lugar de 4 figuras pequenas e
demais, e que a bela e engraçada Baderna. que fez por 1 acanhadas "que se confundem e desaparecem no meio das
muito tempo as delícias do Rio de Janeiro, no Teatro São grinaldas, laçarias etc. houvesse somente duas, porém de
Pedro de Alcântara há coisa de um ano, personifica petfei- mais largas dimensões, de maneira a aparecerem à alguma
1ame111e esta alegoria. distância, do tamanho natural" - e desta maneira acredita o
Esta musa, ta l qual está no dito arco, tem 30 módulos folhetinista que as liguras harmonizariam mais com a gran-
de alto, sua cabeça 4, a espessura do braço esquerdo na deza cio arco? As liguras em questão têm 5 palmos de alto e
direção do bíceps braquial 1 módulo e 9 minutos; e isto descansam sobre uma pilastra com 25 palmos de altura. fora
devido à lei geral da contração dos músculos, que diminu- o pedestal. Estas estátuas fazem parte de um arabesco de
indo em extensão aumentam em espessura; e demais está gosto clássico, e po11anto com os mais ornatos que as cer-
ela de acordo com os modelos antigos, tomando para ter- cam, certa harmonia e composição agradável que achamos
mo de comparação a Vênus de Médicis. que é a nossa escusado descrever. No gênero do arabesco não podem as
Baderna cm Belas-Artes. O antebraço visto a três quartos figuras ser maiores, e pela nossa prute achamo-las boas e
tem l 1 minutos dt:: espessura junto às articulações da mão; proporcionadas com esta mesma altura; alguns artistas têm
o braço tem de comprimento 4 módulos e 5 minutos e os 7 colocado mais figuras do que nós.
que restam ficam encobertos pela roupa. O braço direito As colunas prismáticas que sustentam a igreja de Be-
segue c m tudo as mesmas leis excetuando-se que o ante- lé m, em Lisboa, nos fornecem disto uma prova, pois que as
braço junto à sua inserção com o braço é mais grosso um figuras que tem não excedem a palmo e meio; entanto que
minuto. sendo isto devido à contração do músculo flexor a sua altura há de passar de 80 palmos. O artista que as fez,
superficial e outros. Tem a perna na sua parte mais delga- pensou seguramente como nós - quis apresentar uma har-
da, próximo à extremidade da tíbia, 1 módulo e 2 minutos; e monia geral no todo do arabesco, sem curar que as figuras
o seu pé, de largura 1 módulo e 6 minutos. Esta perna não tinham dimensões tais que o espectador lhes possa ver
admira que pareça grossa, porque achando-se a figura sus- minuciosamente cada uma de suas partes. E demais, se
tentada só nos dedos deste pé. por mais delicada que seja, houvéssemos de seguir este princípio nas decorações, não
deve empregar uma grande força no te rcípitc curural, ~ seria fácil achar sempre pedra para fazer as estátuas de
assim aumentar a grossura da perna. Ora, tendo uma perna certos edifícios. De que tamanho não deveriam ser, por
no estado normal 2 módulos e 1 minuto - tal é a de Vê nus exemplo, as estátuas que estão nos minaretes e agulhetas
de Médicis - quando contraída terá 2 módulos e 3 minu- da Catedral de Milão? E quando mesmo nos respondes-
tos, o que é perfeitamente concorde com os princípios de sem a isto, o que duvidamos, de que grossura não deveri-
anatomia aplicada a esta arte. Quando para fazermos esta am ser os minaretcs e agulhetas para sustentar tão grande
análise tomamos as medidas no modelo, que se pode veri- peso? Vê portanto o ilustre Cronista que nas figuras em-
ficarem nossa casa, assim como o mais que citamos. folga- pregadas na decoração, nunca tem o artista cm vista que
mos de achar com muita exatidão, e nem outra coisa espe- se vejam as partes mais minuciosas, mas sim empregar
rávamos do nosso aplicado e inteligente aluno José Fran- todo o seu esmero na harmonia ele posição, colocação de
cisco Gonçalves da Silva. braços e mais membro , etc. É assim que na composição

<.:/N 23 <:../(>)
LUIZ DE MELLO

de um edifício, cuja vista não pode ser abrangida senão de ANÚNCIO


uma grande distância, só cura o artista, decorando-o com
estátuas, formar um pensamento que se harmonize com o Para a loja de Domingos Tribuzi, Rua Grande nº 5, che-
seu fim, sem que seja necessário ver os oll1os, nariz e boca garam pelo brigue-escuna Octawa as seguintes fazendas:
daquelas figuras. E tanto isto é verdade que na escultura Sedas brancas para vestidos de senhoras, grinaldas
antiga acaba-se de introduzir uma escola nova, cujo prin- brancas, ricos alfinetes, ramos de fl ores sortidos, so1ti-
cípio é não acabarem-se as estátuas que foram feitas para mento de luvas para homens e senhoras, lisas e enfeitadas
serem apreciadas à distância. - O trabalho que aqui dimj- de pelica branca, amarela e preta, e de camurça amarela,
nui, aumenta no vigor que se dá à posição das fi guras. próprias para militar; chitas e cassas francesas, cetim de
Quanto às carrancas e grinaldas que enfeitam os cama- cor branca e azul-rosa, chapéus de cabeça para homem do
rotes, acha o folhetinista também que são grosseiras e melhor possível, ricas espingardas com caixa e tudo mais
pesadas e que devia haver nestes ornamentos mais sim- necessário para a caça; pistolas de algibeira, soltas e em
plicidade e delicadeza. caixinl1as de l e 2 canos, ditas de coldres, candeeiros mui-
Na composição dos festões estão as fl ores e fo lhas to bonitos e da última moda para sala iluminada a gás;
grnpadas com abundância, como se usa neste gênero de vidros de cristal; jogos de dominó, pomadas, cosméticos,
decoração, sem que nada falte à sua delicadeza, confo rme extratos de cheiros, de musse de mel inglês, patchouli,
os princípios acima postos. penas de aço o mais superior possível em caixi nhas de
Parece-nos que não podíamos empregar naquele lugar, metal e de papel e outras miudezas - tudo por preço cômo-
além das carrancas, decoração mais própria, atenta a muti- do. (Publicador Maranhense, 30/411 852, p.4).
lação que há nas curvas que sustentam os camarotes -
que deveriam ser, como bem nota o foll1etinista, sustenta- RUA GRANDE Nº 5
dos por colunas delgadas e graciosas.
Não temos, porém, culpa alguma dessa falta. A loja de Domingos T1ibuzi tem para vender lindos
Nota mais o folhetinista: - quanto às grades verme- cortes de gaze de seda de cores, luvas ele pelica e de sedas
lhas, que têm merecido geral adversão e que as p referia de cores para homens e senhoras e meninas, romeiros,
ver exclusivamente p retas à essa desagradável cor, que
capinhas e lenços de malha com franjas, adereços, pulsei-
parece salpicar de sangue os vestidos das senhoras.
ras e ricas cadeiras de ouro, cordas para violão, tudo che-
Seja-nos permitido divergir neste ponto de sua opi-
gado no último navio vindo da França. (0 Constitucional,
nião, porque nem o nosso pensamento fo i de fazer chamar
7/9/1852, p.4).
a atenção pública com essa cor que nos pareceu boa; nem
tampouco trazer à memória (como alguém disse) os nefas-
PARA BAILES
tos tempos do terror e da guilhotina!
Além de termos visto, depois da abertura do teatro,
A loja de Donúngos Tribuzi tem para vender sapatos de
aprovada essa cor, lembraremos que as cores simpáticas
cetim branco e de polimento para senhoras, coites de gaze
neste caso e em geral, confo1me ensinam os mestres no
colorido, são o encarnado no branco e o verde no verme- dos mais 1icos que há no mercado, brancos e de cores, plu-
lho - e pelo lado útil füemos uso de um verniz inventado mas e flores, e um rico sortimento de perfumarias, lenços de
na Alemanha com tanta vantagem para evitar a oxidação pescoço para homem, etc., tudo chegado da França por via
do ferro que tendo sido introduzido em toda a Europa - fo i de Pernambuco. (O Constitucional, 25/9/1852, p.4).
também aplicado em Portugal, concedendo o governo o
privilégio de 10 anos ao seu introdutor. Para a loja de Domingos Tribuzi chegaram ultimamente da
Protestamos de novo que não temos em vista, com França pistolas de algibeira que com a simples espoleta levam
esta resposta, ofender as susceptibilidades de quem quer a 4Q passos a bala que se acha metida dentro da mesma espo-
que seja, mas sim dar uma explicação a que pela nossa leta, e armas de fogo de 1 e 2 canos, água de colônia de
posição artística somos fo rçados. primeira qualidade de Rossignol, em garrafas com rolhas de
José de Albuquerque Cardozo Homem vidro, grandes e pequenos, extratos em vidros dourados, cos-
(0 Progresso, 3/4/1 852, p.3). méticos e pomadas de todas as qualidades, penas de aço em
caixas de metal, cortes de colete preto de cetim e gorgorão
NOTf CIAS DIVERSAS bordados, flores e grinaldas brancas e de cores, chapéus-de-
sol de todas as qualidades e cosméticos. Na mesma casa
O Sr. Albuquerque, lente da aula de escultura e dese- vende-se um toucador e um guarda-roupa com pouco uso.
nJ10 aplicado às a1tes, eslabelecida na Casa dos Educan- (Publicador Maranhe11se, 20/211853, p.4).
dos Artífices, dá explicações em um comunicado, inserto
n' O Progresso de 3 do corrente a respeito das obras do NOVIDADES
teatro, a que presidiu.
É uma defesa ou uma resposta cavalheiresca à crítica A loja de Domingos Tribuzi tem um rico so1t imento de
do folhetinista do mesmo jornal. chapéus para homens; chapéus de seda, tanto pretos como
O Sr. Albuquerque, segundo nos parece, consegue uma brancos, ditos de massa, cinzentos e ditos pretos de mola;
vitória tão completa na sua defesa, como na boa direção todo esse sortimento é o melhor e o de mais bom gosto
das obras, que merece a aprovação de todos, não excetu- que aqu i tem vindo; e vende-se tudo mais em conta do que
ando o próprio folhetinista, que não fez mais que manifes- em outra qualquer parte. Também vende-se bons candeei-
tar a sua opinião de uma maneira bem honrosa para o artis- ros, tanto com gás francês, como sem ele. (O Constitucio-
ta e seus discípulos. (O Globo, 7/4/1 852, p. 3). nal, 7/5/1853, p.4).

24 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)
-- -- --- - - - - ------ ----------
LOJA DE DOMINGOS TRIBUZI brancas, lenços e gravaras pretas, casimira preta, filó bran-
RUA GRANDE N° 5 co e preto, chapéus de mola e de pêlo. (O Observad0t; 16/
4/1854,p.4).
Tem chegado no último navio vindo da França: chapéus
de pêlo de seda preta de primeira qualidade para homem, PRIMEIRO ANÚNCIO DO
chitas e riscados de muito bom gosto, flauta de bomba de PINTOR BÍLIO JÚNIOR
4 a 5 chaves, annas para caça em caixas com todos os
pertences, de um e de dois canos, pistolas de golaes e de O abaixo assinado tendo se dedicado ao desenho e
algibeiras; botões de ouro para camisas e correntes de pintura e ao mesmo tempo dado à luz alguns frutos de sua
ouro para relógios; flores e grinaldas, chapéus de senho- dedicação, anuncia pois, ao respeitável público, que está
ras para passeio a cavalo e perfumarias de todas as quali-
pronto a retratar tanto a fumo como a miniatura e a ó leo as
dades. (Publicador Mara11/ie11se, 51411853. p.4).
pessoas que se quiserem utilizar do seu serviço e arte.
José Maria BílioJúnior(O Observador, 19/4/ 1854, p. 4).
AVISOS
(Do) Relatório com que o Exmo. Sr. vice-presidente da
MANOEL MARINHO DE SAMPAJO declara que dei-
Província, Manoel de Souza Pinto de Magalhães, entre-
xou de ser caixeiro do Sr. Domingos Tribuzi.
Maranhão, 30 de abril de 1853. gou a Presidência ao Exmo. Sr. presidente Dr. Eduardo
Olímpio Machado:
DOMINGOS TRJB UZI avisa ao respeitável público que
Manoel Marinho de Sampaio deixou de ser seu caixeiro CASA DOS EDUCANDOS
desde o dia 30 de abril deste ano.
Maranhão, 2 de maio de 1853. (O Cons1i111ciona/, 7/5/ (...) Acha-se vago o lugar de diretor deste estabeleci-
1853,p.3). mento, por haver sido aposentado José Antônio Falcão,
que o exercia, e o diretor interino Antônio José Pereira
À loja de Domingos T ribuzi chegaram cosméticos no- Maya tem desempenhado os seus deveres com muita inte-
vos, chapéus para sol de seda, ditos de cabeça fita larga ligência e zelo.(...)
que se vende por seis mil réis cada um, ricos cortes de gaze ( ...) O professor de escultura e desenho José de
de seda, chapéus de palhinha para senhoras e abertos da Albuquerque Cardoso Homem tem deixado de comparecer
última moda; ditos pretos para luto do novo gosto. chitas a ela desde o dia 18 de agosto do ano passado, com gra-
e riscadinhos franceses, perfumarias e água de colônia de víssimo atraso de 16 alunos que a freqüentavam com mui-
primeira qualidade e Rossignol, e pistolas de algibeira que to aproveitamento.
com a simples e!'poleta leva a bala a 40 passos; cetim da O ensino de geometria e aritmética aplicada às Artes
China muito bom, e malinhas com necessários para barba, acha-se também interrompido desde novembro do ano pró-
próprios para viajantes. (O Constitucional, 4/6/1853, p.4). ximo passado, por não ter comparecido à respectiva au la o
professor Dr. Raimundo Teixeira Mendes. ( ...) (Puólicador
Para a loja de Domingos Tribuzi, na Rua Grande nº 5, Mara11he11se, 14/8/1854, p. l ).
acaba de chegar um rico sortimento de redes de cores fei-
tas pelos índios do Rio Negro, lindos chapéus de seda de GOVERNO DA PROVÍNCIA
cores e pretos para senhoras, vindos da França, ditos Expediente d os dias 5, 6 e 7 d e dezembro d e 1854
modernos de pêlo para homem, bonés de palha da Itália
para meninos, de dois mil e quinhentos a três mil réis, e de ( ...) Pelo seu ofício de ontem, sob o número 121 , fico
pano por dois mil réis: espelhos com caixilhos dourados
inteirado de haver no d ia 27 de novembro último expi rado
de diversos tamanhos para sala; ricos cortes de vestidos
o contrato do professor de escultura e desenho desse es-
de chita com barra para senhoras; pistolas de vento para
tabelecimento, José de Albuquerque Cardoso Homem.
coldres, ditas de pólvora de um e dois canos para algibei-
Deus guarde a Vmc. Palácio do Governo do Maranhão,
ras. (O Co11stit11cio11a/, 3/1/1854, p.4).
5 de dezembro de 1854. - Eduardo Olímpio Machado. - Sr.
NOVIDADE diretor da Casa dos Educandos. (... ) (Publicador Mara-
nhense, 201111855, p. 1).
As célebres e sempre apreciadas pistolas de coldres e
de alcance e as espingardas com as quais se pode atirar EDITAIS
com o socorro da pólvora pela novidade de seu maquinis-
mo e que podem alcançar para mais de duzentos passos, S. Exa. o Sr. presidente da Província manda fazer públi-
podendo-se dar vinte tiros por minuto, tendo de compri- co que se acha aberto o concurso para provimento da
mento 4 palmos, e cujo estrondo apenas ouve-se, fei tas cadeira de escultura e desenho aplicado às a11es e ofícios
com a maior perfeição - acabam ultimameme de chegar da Casa dos Educandos. e convida aos que se acham ha-
para a loja de Domingos T ribuzi, Rua Grande nº 5. (Publi- bilitados para o exercício da mesma cadeira que apresen-
cador Maranhense, 9/2/ 1854, p.4). tem seus requerimentos dentro do prazo de trinta d ias con-
tados desta data.
BARATO E BOM Secretaria da Província do Maranhão, 20 de dezembro
de 1854
Na Rua Grande, casa nº 5, loja de Domingos T ribuzi, há Luiz Antônio Vieira da Silva, secretário da Província.
sarja preta, lustrim preto, luvas de seda e pelica pretas e ( ... )(Publ icador Maranhense, 3/211 855, p. 3).
~
LUIZ DE MELLO ~

ANÚNCIO CASA DOS EDUCANDOS

BELAS-ARTES ( ...)Existem atualmente na Casa dos Educandos as se-


DESENHO aplicado às artes e ofícios. guintes aulas:
ESCULTURA em pedra, metal, madeira, gesso, argila e Primeira -de primeiras letras.
cera. Segunda - de escuitura e desenho aplicado às artes.
PINTURA a óleo, afresco e aquarelas. Terceira - de geometria e mecânica aplicada às artes e
GEOMETRIA teórica e prática, com aplicações. noções gerais de aritmética e álgeb;a.
O abaixo assinado wma sob sua responsabilidade a Quarta - de música e instrumentos de corda.
explicação (por princípios e regras de arte) e execução não Quinta - de música e instrumenros bélicos.
só das matérias acima anunciadas, como dos conhecimen- A primeira destas aulas é freqüentada por 137 alunos;
tos necessários ao artista que se disponha a operar cienti- a segunda por 8; a terceira por 6; a quarta por l O; e a quinta
ficamente os seus trabalhos, reu1úndo, além disso, vários por28.
processos práticos sobre dourados, vernizes, etc., e apro- Tendo instado no meu anterior relatório pela aprova-
veita esta ocasião para oferecer-se ao público, propondo- ção da aula de geometria e mecânica aplicada à<; artes e de
se mais a ensinar as línguas noções gerais de aritmética e álgebra, que o Dr. Raimundo
LATINA, FRANCESA E INGLESA. Teixeira Mendes se incumbiu de reger gratuitamente, as-
Francisco Raimundo Diniz - Rua dos Remédios nº 30 sim como pela c1iação da de desenho linear e topográfico.
(O Observador, 5/3/l855, p.3). cuja regência pode ser cometida ao lente daquela, ou ao da
aula de escultura e desenho mediante um aumento de gra-
DOMINGOS TR IBUZJ - Rua Grande, casa nº 5, tem à tificação, o faço agora de novo, por ser o conhecimento de
venda espingardas e pistolas de pressão que com a sim- tais matérias indispensável para o complemento da educa-
ples espoleta deitam a bala na distância de 200 passos as ção industrial e artística que se dá no estabelecimento; e
espingardas, e 60 ditos as pistolas; também tem um relógio espero que, no interesse do progresso do mesmo, aten-
com três personagens, com a fisionomia de macacos, os dais na presente sessão a esta incontestável necessidade.
(...) (Publicador Maranhense, 221511855, p.1 ).
quais tocam rabeca e fazem muitos outros movimentos
que provocam o riso, obra neste gênero muito superior, e
FAL~NCIA
outro com 1Opeças de música, todas de muito bom gosto,
com 17 figuras móveis que dançam, tudo próprio para se
O Sr. Domingos Tribuzi entregou-se aos credores,
carregar, assim mais um cosmorama com as vistas das ba-
alcançado em perto de 14:000$000. (O Progresso, 18/8/
talhas de Alma, Sebastopol, Tomada de Bumarsund, Omer
1855, p. 4).
Pachá, Lord Raglan, St. Arnaud, etc. etc. - Estas vistas e
retratos foram tirados ao natural com a máquina de da-
LEI Nº 385, DE 18 DE JULHO DE 1855
guerrotipo e depois copiadas em litografia com toda a per-
feição.( ... ) (Publicador Maranhense, 10/311855, p. 4). Eduardo Olímpio Machado, presidente da Província
do Maranhão. Faço saber a todos os seus habitantes que
GOVERNO DA PROVÍNCIA a Assembléia Legislativa Provincial decretou e eu sancio-
Expediente dos dias 10, 12, 13, 14, 15, 16 nei a lei seguinte:
e 17 de fevereiro de 1855: Alt. 1° - Fica c1iada na Casa dos Educandos Artífices
desta Província uma cadeira de mecânica, desenho e es-
(...)Tenho presente o ofício que me dirigiu Vmc. em culçura aplicada às artes, ficando convertida nesta a que
data ele 29 de janeiro próximo passado, pelo qual fico na atualmente existe.
inteligência de haver Vme. conferido posse e juramento no An. 2º - As noções e práticas de aritmética, álgebra e
dia 27 do mesmo mês aos agrimensores Francisco Porta, geometria, necessárias, como preliminares da mecânica,
primeiro-tenente de artilharia José Caetano de Andrade serão ensinadas pelo mesmo lente desta cadeira.
Camisão e José d' Albuquerque Cardoso Homem: e no An. 3º - As lições de desenho constarão de prática de
mesmo dia 29 aos escreventes Manoel Cândido Rocha de desenho linear, de aritmética e noções teóricas de pers-
Andrade, Luiz Raimundo Ewerton e Antônio Tomás Frei- pectiva.
tas dos Reis. An. 4° - O professor terá o mesmo ordenado que qual-
Também fico inteirado de ter imediatamente levantado quer dos lentes do Liceu.
a planta desta vila, que terá de remeter-me brevemente An. 5° - Ficam revogadas as disposições em contrário.
com os necessários esclarecimentos. Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o
Deus guarde a Vme. - Palácio do Governo do Maranhão, conhecimento e execução da refe1ida lei pertencer, que a
15 de fevereiro de 1855. - Eduardo Olímpio Machado. -Sr. cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se
Dr. Epifânio Cândido de Souza Pitanga, inspetor-geral das contém. O secretário da Província a faça imprimir, publicar
Medições das Terras Públicas. (Publicador Mara11hense, e correr. Palácio do Governo da Província do Maranhão em
20/311855, p. 2). dezoito de julho de mil oitocentos e cinqüenta e cinco,
trigésimo quarto da Independência e do lmpério.
(Do) Relatório do Exmo. presidente da Província do
Maranhão, Eduardo Olímpio Machado na abertura da As- EDUARDO OLÍMPIO MACHADO
sembléia Legislativa Provincial, no dia 3 de maio de 1855: Estava o selo.
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

Carta de lcí pela qual V. Exa. manda executar o decreto Dr. Luiz Muniz Barreto como pelo Sr. alferes João Batista
da Asscmbléía Legislativa Provincial criando na Casa dos Orsi Júnior, e extremamente penhorados pela afabilidade e
Educandos Artífices uma cadeira de mecânica, esculrura e cavalheirismo com que foram acolhidos por estes senho-
desenho aplícado às artes, como acima se declara. res, apressam-se em fazê-lo público por este meio, teste-
Para V. Exa. ver. munhando-lhes ao mesmo tempo a sua sincera gratidão.
Roberto Augusto Colin a fez O C. José Maria Ramonda e sua senhora
(Da Coleção de Leis, Decretos e Resoluções da Pro- Adcle Rosscti Rebussini
víncia do Maranhão, 1855). Angclina Remorini
Justina Gallo
AVISO Tancrcdi Remorini
José d'Hipólito
Domingos Tríbuzi de 1ºde janeiro cm díantc princípia- Inocêncio Smoltz
rá a dar lições de desenho cm casas particulares, não só César Savio
desenl10 de figuras como paisagens, ornatos e flores, tan- Luiz Leão Righini
to a óleo cm pano como em fumo e aquarela em papel e Francisco Fastiolo
miniatura cm marfim. (O Observador, 51li1856, p.4). Luiz Cantarelli
Aquile Remorini
GOVERNO DA PROVÍNCIA João Rivoira
Expediente dos dias 27 e 28/11/1855 Teresa Vietti
(Diário do Maranhão, 19/3/1856, p.3).
(...) 1° Seção - Tendo resolvido autorizar a despesa
com o engajamento do cidadão Francisco Raimundo Di- NOTÍCIAS DIVERSAS
niz, do súdito francês Bouqueton e dos seis serventes que
se tornam precisos para o nivelamento e plano da estrada Por falta de tempo não podemos dar hoje notícia cir-
do Camínho Grande; a fim de se proceder com toda a exa- cunstanciada da estréia de nossa Companhia Lírica, o
tídão ao orçamento da despesa com os consertos da dita que faremos cm um dos nossos próximos números. Mas
estrada, tudo conforme Vmc. propõe no seu ofício de on- de passagem diremos que foi completo o seu triunfo,
tem, assim lhe comunico para seu conllecimento.
cabendo dele grande parte ao Sr. Ramonda, pela maestria
Deus guarde a Vmc. - Palácio do Governo do Maranllão, com que se houve no desempenho da espinhosa tarefa
28 de novembro de 1855. - José Joaquim Teixeira Vieira
de que se encarregou. O Sr. Ramonda trazendo-nos artis-
Bel ford. - Sr. Dr. administrador-geral das Obras Públicas.
tas de mérito tão transcendente, como são os que com-
( ... )(Publicador Maranhe11se, 14/1/1856, p.2).
põem a sua companhia, pa~sou muito além das raias do
que era de esperar e para desejar e o Maranhão agradeci-
COMPANHIA LÍRICA ITALIANA
do conservará sempre do Sr. Ramonda a mais gra"ta lem-
brança pelo serviço que lhe prestou, proporcionando-
Chegou na Laura, entrada ontem de Pernambuco, com
seís días de viagem, a Companhia Lírica. vindos todos de lhe ocasião de poder apreciar o belo das artes irmãs, a
perfeita saúde, o que podemos afiançar de vía segura. não música e a pintura, por meio de artistas tão distintos. A
se verificando, por conscguínte, a notícia que ontem cor- utilidade que disto deverá forçosamente colher a nossa
reu de estarem alguns atacados de disenteria. São ao todo sociedade, servirá de glorioso padrão à memória do Sr.
17 pessoas, e a falta dos que faleceram está já preenchida Ramonda nesta Província.
por artistas de renome. O público acolhendo artistas como acolheu, com repe-
O cólera cm Pernambuco continuava aínda com inten- tidos bravos e sinais do maior entusiasmo e aprovação,
'>idade, sendo a maior parte das vítimas pessoas de cor. deu assim prova manifesta do bem que cada um desempe-
Também unham aparecido bastantes casos funestos de nhou a sua parte. No fim do espetáculo foram todos cha-
febre amarela. (Diário do Mara11/zão, 3/3/1856, p.4). mados fora e juntamente o Sr. empresário, sendo nessa
ocasião de novo estrondosamente todos vitoriados.
MOVIMENTO DO PORTO Merecem aqui também menção honrosa, conquanto
ENTRADAS NO DIA 11: ainda o façamos mais de espaço, os Srs. Righini e Smoltz,
aquele como cenógrafo e este maestro e diretor de música,
BRIGU E-ESCUNA nacional Laura, de Pernambuco, cabendo-lhes grande parte da glória e aplausos que nessa
com 5 dias. capitão Manoel da Si lva Santos, tripulação: 11 noite tiveram os artistas. O Sr. Smoltz com a sua varinha
pessoas. proprietário: José Ferreira dos Santos & Cia.. car- mágica fez-nos gozar a parte instrumental da ópera, de tal
ga: diverso~ gêneros; passageiros: a Companhia Lírica com maneira como nunca vimos no Maranhão. A orquestra por
16 pessoas.( ...). (Diário do Maranhão, 14/3/1856, p.3). isso tornou-se também credora dos elogios do público.
A 111ise e11 scene correspondeu perfeitamente ao mereci-
A PEDIDO mento dos artistas, sendo o vestuário mais rico e apropria-
do que se podia apresentar, não já em um teatro de ordem
Os abaixo assinados diretor-empresário e artistas da inferior como o nosso, mas sim nos de primeira classe. De
Companhia Lírica declaram que durante todo o tempo que tanto efeito e tão custoso é raro encontrar-se nos primeiros
estiveram de quarentena no Lazareto da Ponta d' Areia fo- palcos do mundo. Parece que nessa noite andaram todos à
ram ali tratados da maneira mais obsequiosa tanto pelo Sr. porfia. para saber quem melhor agradaria ao público, não

<?./N 27 ~
LUIZ DE MELLO

devendo esquecer-se dos coros que saíram como era para não estendesse a todo o jornalismo a sua censura, por-
desejar. (Diário do Maranhão 22/4/1856, p.3). quanto o nosso folhetinista teceu-lhes os devidos elogi-
os, como se vê dos seguintes trechos que passamos a
CORRESPONDfiNCIA descrever:
O Sr. Righini , cenógrafo de reconhecido mérito, con-
Sr. redator correu grandemente pru·a o brilhantismo da representação
Sendo eu um dos diletantes da bela Companhia Italia- da Gema de Verd.i - com as vistas que apresentou, as quais
na, peço-lhes que publique o juízo que dela fo rma a reda- são tão perfeitamente executadas que se nos afiguram re-
ção do Estandarte, por ser ele conforme ao do jornalismo alidades.
em geral, e nem era de esperar que outro formasse essa O Sr. Inocêncio Smoltz, insigne maestro, tem se esfor-
folha que conta entre seus redatores pessoas que já goza- çado extraordinariamente por harmonizar a música instru-
ram na Europa do sublime da arte do divino Belini. mental com a vocal, e os seus esforços vêm sendo coroa-
Lê-se no Estandarte de domingo: dos dos maiores resultados.
"Temos assistido a duas representações da ópera É digna de altos elogios a paciência deste grande e tão
Gema. de Verdi, música de Donizetti, com que começou a modesto compositor, pois, não encontrru1do aqui coristas
deleitar-nos a Companhia Lírica Italiana, de que é empre- nem músicos por virtude da desavença infel.izmente en-
sário o Sr. José Maria Ramonda. contrada entre alguns dos da antiga orquestra com o Sr.
"A Companhia do Sr. Ramonda, que tanto tem agrada- Ramonda, tem conseguido não só apresentar coros sofrí-
do ao público desta cidade, pode, ao nosso ver, cantar em veis, como também uma boa orquestra.
qualquer das maiores e mais adiantadas cidades da Euro- Muito desejávamos, em bem da nossa única e tão beia
pa e colher os merecidos louros. Nem só são ótimos canto- d istração, ver terminada aquela desavença.
res todos os artistas que a compõem, senão também exce- É d igno de ver-se, repetimo-lo, com quanta paciência o
Sr. Smoltz ensina, de dia, a cada um dos jovens educan-
lentes mímicos.
dos, principalmente a respectiva prute musical, para reuni-
"A companhia é boa em tudo, e os nossos jornais que
los à noite, em ensaios gerais.
já tiveram ocasião de emitir os seus juízos sobre ela, se-
Honra, pois, a este ilustre mestre, a quem deveremos o
gundo suas consciências, têm todavia individualizado al-
benefício de contar entre nós, para o futuro, um bom nú-
guns artistas, cometido faltas que repararemos.
mero de músicos maranhenses. Honra, pois, a todos esses
"Logo no 1° Ato, a vista da sala gótica tinha nos dado
estrru1geiros que, deixando os cômodos e as delícias da
uma idéia admirável do pincel do Sr. Luiz Righini; porém a
pátria, vêm plantar na nossa terra o bom gosto e estilo da
vista do último Ato que figura o interior do castelo, olhan-
música. O Diletante. (Diário do Maranhão, 2/511856, p.2).
do para o povoado com a capela ao longe, tudo iluminado
pela pálida luz do luar deleitou-nos. Essa decoração sem
NOTÍCIAS DIVERSAS
uma sombra sequer de imperfeição, com exato acordo nas
disposições e nas cores deu-lhe o título de hábil pintor
Tivemos no dom.ingo no nosso teatro a primeira repre-
cenógrafo e competente o juízo que havíamos desde o sentação da ópera Elixir de Amor, do maestro Donizetti.
começo formado de seu del icado pincel e de seus conheci- Os senhores Ramonda, Remorini, d' Hipólito e a senhora
mentos da arte. Angiolini Remorini nos papéis de Dulcamara, Nemorino,
"Mais que todos é digno dos maiores encômios o ilus- Belcore e Dina trabalharam como sempre, o melhor que se
tre maestro Smoltz; a sua fronte proeminente, seus olhos podia desejar, deixando a todos completamente satisfei-
brilhantes e vivos tinham-nos revelado o homem de talen- tos.
to superior. Faltava-nos ouvir o grande m ilagre - de redu- O Sr. Ramonda recebeu constantemente do público,
zir a nossa orquestra a coisa que tivesse jeito - para então pela exce.lência do seu trabalho, manifestos sinais de apro-
aquilatá-lo. Foi um verdadeiro milagre: só muito conheci- vação, com especialidade no dueto do 4º Ato com Dina,
mento da música, um o uvido muito apurado e delicado, onde ambos como que à porfia trabalharam para dos es-
grande amor à rute é que poderiam arregimentar os nossos pectadores merecer os estrondosos aplausos que recebe-
artistas, a maior parte principiantes e quase todos sem ter ram. De alguém que em Paris ouviu o grande Lablache no
gosto, sem nunca terem sabido o que era uma orquestra papel de Dulcamara, e que é na matéria entendido como
regular e metódica, o forte e o piano, essas coisas desco- poucos, ouvimos que o Sr. Ramonda aqui nada discrepara
nhecidas entre eles. Aqui se começava um pedaço de mú- de tão grande mestre; dizer isto é dizer o mais que é possí-
sica, em um tom assim ia até o fim. As gradações, o expres- vel em seu abono.
sivo das paixões que o compositor ideara, ficavam no pa- A Sra. Remorini, que no papel de Dina deixou-nos a
pel da música. Tirando quatro ou seis músicas, nada mais todos extasiados, também compreendeu a sua parte e com
tínhamos, e no entanto com o pouco e esse pouco fracio- tal arte a executou. A Sra. Angiolina vai conquistando cada
nado por mal entendidas sizanias, conseguiu o Sr. Smoltz vez mais as simpatias públicas e o merece, porque com os
compor uma sofrível orquestra que deixou compreender dotes que tem, era muito para admirar que assim não fosse.
perfeitamente o que será uma boa orquestra, e isto em tão Os Srs. Remorini e d'Hipólito houveram-se como sem-
pouco tempo!" pre, ótimos cantores e artistas muito distintos. Receberam
Da redação por isso, e como das outras vezes também, os aplausos
• que lhe e ram devidos .
Se a redação do Estandarte houvesse dado atenção Deu-nos nessa noite também o hábil pincel do Sr. Ri-
ao nosso folhet im de quarta-feira (24 do corrente), talvez ghini uma excelente decoração, pintada com todo o primor

<.:,/@ 28
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

de arte, produzindo completa ilusão. A vista da aldeia na NOTfCIAS DIVERSAS


Biscaia onde se passa a ação da ópera; o Sr. Righini vai COMPANHIA LÍRICA
nos dando a cada dia provas bem patentes do talento q ue
possui. Foi anteontem à cena, pela segunda vez, a Norma, e
O concurso esteve numeroso e brilhante, e nem é de desforraram-se nessa noite os artistas do mau efeito que
esperar que o nosso teatro deixe de ser concon-ido, estan- por incômodo de alguns produziu a ópera na primeira re-
do nele trabalhando atualmente artistas de tão subido me- presentação. O dueto do 4° Ato la mia mano... o das duas
recimento. Fa7cmos votos para que o Sr. empresário repit:l damas no 3º e o de Pollcon e Adalgisa no 1° cantaram-no o
breve o mesmo espetáculo, pois estamos certos de que Sr. Re morini e as senhoras Rebussini e Remorini tão bem e
será igual senão maior a concorrência, tão satisfeitos saí- de tal modo que a todos agradou sua execução. Todavia,
ram os que à primeira representação assistiram. não podemos deixar de confessar que ao Sr. Tancredi cou-
Esta ópera foi ensaiada, levada à cena e perfeitamente beram as honras dessa noite, o qual dentre todos foi o que
executada cm cinco dias, fazendo-se também neste curto
mais se distinguiu já na beleza e força de voz, já na parte
espaço de tempo cenário e vestuário novos! Poucos em- dramática onde como no canto prima sempre este artista.
presários poderão fazer destes milagres. (Diário do
A Sra. Rcmorini andou bem no papel deAdalgisa, agra-
Maranhão, 13/5/1856, p.2).
dou e foi muito aplaudida.
A nova cena, pintada pelo Sr. Righini, que por falta de
TRANSCRIÇÃO PARCIAL DO
tempo não apareceu na primeira apresentação, agradou
FOLHETIM O ELIXIR
também e foi aplaudida.
A concorrência foi g rande nesta noite. e saíram todos
( ...)A ação do Elixir passa-se em Biscaia. Ao pincel do
Sr. Righini somos devedores de mais uma vista primorosa. satisfeitos. (Diârio do Maranhão, 31611856, p.3).
Não é a ponte levadiça, não é a sala feudal do Castelo de
Vergi, nem os panes de razcs, nem os retratos dos altivos DESENHO E PINTURA
barões, nem o troféu glorioso, nem a capela gótica, nem o
clar;io transparente da lua, nem o refulgir das estrelas que TRJBUZJ continua a dar lições de desenho e pintura
enamora os nossos o lhos absortos. Não: a vista é outra. em sua casa e cm casas particulares. (Publicador Mara-
Aqui um arco, uma espécie de ponte, e o musgo a enverdc- 11he11se' 7m1856, p.4).
cer nas pedras, e mais embaixo as águas munnurando, cor-
rendo, espadanando-se cm toalhas de alvíssima espuma; AVISO
acolá, as casas, o templo, o monte e as árvores sombrias,
verdes, espessas, frondosas. Ergue-se o pano e o ilustre Mr. Righini roga àquelas pessoas que por acaso tive-
compositor Smoltz em pé, diante da cadeira estofada, com rem encontrado desde o Hotel Maranhcnsc até o Teatro
a varinha mág ica na mão, anima, entusiasma, e letriza a or- São Luiz um risco de uma decoração a cores. perdido entre
questra.(...) (Diário do Maranluio. 16/5/ 1856, p.l). 9.30 e 10 horas, queiram ter a bondade de o remeter ao
escritório do referido teatro. Maranhão, 4 de julho de 1856.
COMPANIDA LÍRICA (Publicador Maranhe11.,·e, 7/7/1856, p.4).

Assistimos domingo à primeira representação da Nor- (Do) Re latório com que o Ex mo. Sr. comendador Antô-
ma. Não arriscamos por ora o nosso juízo a respeito da nio Cândido da Cruz Machado abriu a Assembléia Legisla-
execução da ópera, deixando para fazê-lo quando for pela tiva Provincial no dia 9 de junho de 1856:
segunda vez à cena porque notamos nessa noite em alguns
artistas o que quer que era de incômodo ou de menos boa ESTIVA
disposição de espírito que lhes to lheu os meios que lhes
permite dispor o subido talento que possuem, e de que não
( ...)Os antigos lançaram uma estiva sobre o tijuco do
equívocas pro' ·1s nos têm dado em outras ocasiões.
manga!, cobriram-na de lama, que se solidificou por ficar
A mise e11 scene foi perfeita, rigorosa e com toda a
acima do nível das grandes marés, e construíram ponte::;
pompa que exige a ópera. Vestuário rico e apropriado. todo
de fazenda fina e de prl.!ço, decorações novas, pintadas de um lanço sobre os igarapés. Estas construções estão
por pincel de mestre e da mais completa ilusão, deram ao inteiramente arruinadas, a passagem impraticável, a estra-
espetáculo todo o realce que o faria com certeza sobressa- da convertida cm tortuosas e intransitáve is veredas, as
ir cm muitas das principais cidades civilizadas. O Sr. Righi- rampas destruídas e enterradas. porquanto, variando as
ni, cenógrafo de cujo pincel saíram as decorações, foi no marés de 14 a 2 1 pés de altura, e trazendo consigo grande
fim do l º Ato chamado à cena e muito aplaudido, lançan- quantidade de argila c m suspensão, que depositam nos
do-lhe o público nessa ocasião muitas flores. mangais, têm-nas coberto de tijucos, de maneira tal que
Ao Sr. empresário cabe com certeza toda a glória de elas são hoje perigosos atoleiros. A vantagem da recons-
assim subir à cena no nosso teatro um espetáculo tão rico trução dessa estrada foi reconhecida pela Assembléia Le-
e profundamente montado, não se poupando a despesas e gislativa Provincial quando decretou a Lei nº 56, ele 23 de
fadigas, só com a mira de agradar ao público. fazendo por maio de 1838. de cuja execução infelizmente não se tratou.
amor dele muito mais do que aquilo a que está pelo seu O Ex.mo. Sr. vice-presidente, que me precedeu na admi-
contrato obrigado. Honra portanto lhe seja fei ta, e desde nistração, em virtude cio art. 21 da Lei nº 367, de 24 de julho
já receba de nós os agradecimentos que merece. (Diârio de 1854, a 16 de novembro último autorizou o administra-
do Maranhcio, 27 /5/1856, p.3). dor-geral elas Obras Públicas a engajar o desenhista
LUIZ DE MELLO

Francisco Raimundo Diniz e o francês Luiz Bouqueton para lidades estas que é raro encontrar reunidas no mesmo indi-
tirar a planta desta estrada, a fun de que se procedesse ao víduo, andam nela a par, e uma faz sobressair a outra, exci-
orçamento das despesas necessárias com os seus repa- tando a admiração e o entusiasmo no espectador.
ros. Bouqueton levantou a planta dos igarapés do Arma- Depois do ato a que nos referimos, a Sra. Rebussini foi
zém da Pólvora e do Batatã, e o nivelamento da estrada até acompanhada à tasa, ao sair do teatro, por um numerosís-
o Cutim; Diniz a planta de toda ela; o orçamento, porém, simo séquito, composto de quase toda a platéia, que a foi
ainda não me foi presente. A despesa feita com estes tra- vitoriando com fervorosos vivas, dados ao som de uma
balhos prehminares impo11ou em 1:600$000 réis. (...). (Pu- banda de música fornecida pelos empregados do Tesouro
blicador Maranhense, 1217/1856, p. J ). Provincial e pelo diretor da Casa cios Educandos Artífices.
A insigne artista, que é uma senhora civil e delicada, a
GOVERNO DA PROVÍNCIA todos ofereceu doces e champanha e rendeu mil agradeci-
Expediente do dia 14 de julho de 1856 mentos, penhorada de gratidão e cheia de júbilo.
A ovação, pois, da rainha da cena maranhcnsc foi tão
3ª Seção - Palácio da Presidência da Província do completa corno merecida, e folgamos de ver em nossa terra
Maranhão, 14 de julho de 1856 assim compreendido e honrado o verdadeiro mérito artísti-
limo. Sr. - Havendo declarado de nenhum efeito a no- co. (PublicadorMaranhense, 181711856, p.l).
meação de Luiz Carlos Bouqueton para agrimensor da Jns-
petoria das Medições das Terras Públicas, assim lbe faço CRÔNICA SOBRE O PINTOR LEON RIGHINI
constar para seu conhecimento.
Deus guarde a V. S.3 -Antônio Cândido da Cruz Ma- Cuidar do bem e esplendor presente e futuro da Pátria,
chado. - Sr. inspetor da Tesouraria de Fazenda. abrindo à talentosa mocidade um caminho vasto e seguro,
Idêntico ao delegado interino do diretor-geral das Ter- para que em épocas ainda que remotas, ela, ou sua des-
ras Públicas. (Publicador Maranhense, 17/7I1856, p.2). cendência veja e saiba o quanto por ela trabalhamos, é um
dever a que conscienciosamente está ligado todo aquele
COROAÇÃO DE ADELE REBUSSINI que se ufana de possuir o nome de brasileiro.
Alguns anos há que não me valho da imprensa e até
Acha-se à exposição na loja do senhor Duchemin a resolvido estava a não mais recorrer a esse celeste invento
coroa e outros b1indes que os amantes do mérito têm de de Gutemberg, não só pelos anos que já me pesam, e com
oferecer na quinta-feira 17 do corrente, por ocasião da ré- eles o aborrecimento elas vicissitudes da vida, como ainda
cita dessa noite, à senhora Adele Rebussini, prima-dona
mais pelas enfermidades que sofro, que quase me hão se-
da Companhia Lírica Italiana. A coroa e alguns dos brindes
gregado da sociedade; todavia o amor às artes que desde
foram fei tos pelo distinto artista nosso comprovinciano o
o arrebol da infância me acompanha, neste mesmo estado
Sr.José Ribeiro do Amaral.
me atua, fazendo que recorra aos prelos para apresentar à
Maranhão, 15 de julho de 1856. (Publicador Mara-
ilustrada administração provincial urna lembrança que, acei-
nhense, 1717/1856, p.4).
ta e posta em prática, muitos doces e sazonados frutos
oferecerá ao Maranhão.
MARANHÃO, 18 DE JULHO DE 1856
Se, porém, malgrado meu, não for recebida, ficar-me-á
o desconsolo de vê-la abortar, e tranqüila a consciência,
A senhora Rebussini, prima-dona absoluta da Compa-
como desempenhei o dever de bom cidadão. não terei que
nhia Lírica Italiana do Maranhão, foi ontem, 17 do corren-
argüir-me.
te, coroada em cena com urna primorosa coroa de ouro e
Felizmente temos entre nós um pintor cenógrafo - o Sr.
brilhantes, e vitoriada no meio dos mais entusiásticos bra-
vos e estrondosos aplausos de uma multidão de especta- ' Righini - vindo na Companhia Lírica Italiana do contrato
dores que pejavam o Teatro São Luiz e não se fartavam de do Sr. Ramonda. As decorações do Teatro São Luiz, que já
significar-lhe a sua extrema satisfação. A coroação teve hão sido patentes ao público desta capital, provam que o Sr.
lugar na cavatina da ópera Leonora, por ela cantada de- Righini é não já um mestre consumado, senão que um habi-
pois da representação da Sonâmbula, chovendo então da líssimo rutista e tão digno de nossa estima como de uma
platéia e camarotes um dilúvio de flores sobre o palco. muito importante e proveitosa aquisição, parecendo-me que
A oferta, feita à Sra. Rebussini por alguns de seus ad- o ensejo é o mais azado para dar o Governo um impulso ao
miradores, constou da coroa sobredita, obra do nosso hábil progresso material e intelectual da Província que tão sabi-
artista o Sr. Amaral, com dois adereços de ouro, fabricados damente lbe foi confiada; lance mão desse insigne artista e
no exterior, avaliado tudo em cerca de um conto de réis e estabeleça uma escola de pintura deste gênero, onde a nos-
levado à cena em uma salva de prata por duas meninas, sa mocidade, cujo talento assaz se revela, te61ica e pratica-
uma das quais lhe pôs a coroa na cabeça. mente aprenda uma arte tão necessária.
Esta honra tem sido por vezes barateada entre nós a Só assim teremos entre nós hábeis cenógrafos.
atores secundários, mas a Sra. Rebussini a merece verdadei- É que o Sr. Righini por qualquer eventual idade pode
ramente porque é a cantora e ao mesmo tempo a atriz mais retirar-se desta Província e mesmo do Império.
distinta que tem pisado o nosso palco cênico, ou ela expri- E que se isto acontecer, possuindo nós um belo teatro,
me o delírio da paixão e os terrores do remorso na Gema, ou e no qual infalivelmente outras empresas substituirão a do
o furor do ciúme e o sublime da devoção na Nonna, ou a Sr. Rarnonda, terão os empresários de empregar curiosos
singeleza de uma alma cândida e a estupefação de uma situ- ou borradores na pintura das decorações - o que já agora
ação incompreensível na Sonâmbula. Canto e mímica, qua- não satisfará por nenhum modo ao público, que quanto

30 <V'@
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

mais acostumado é a ver o bom, mais exigente se torna - e uns longes, uma morta-color dos sentimentos de admira-
para no futuro aguçar-lhe esses desejos, aí estão as deco- ção que nos inspirou, sirvam ao menos de lenitivo das
rações maravilhosas do pincel do Sr. Righirú que bem lem- saudades que deve ter de sua pátria querida e - quem
bradas nos fazem as que outrora (em 1817) teve o Teatro sabe? - de urna carinhosa família a quem muito ame!
União - do famoso pincel do Sr. Schiopeta. Seguro de nossa admiração, resta-lhe, ao Sr. Righini, o
Difícil será a qualquer empresário o contratar um cenó- granjear-nos a g ratidão que é o mais, senão difícil. Ades-
grafo, por os não haver senão na Europa, e só com muito trando cm sua arte a nossa esperançosa mocidade, a quem
custo e muito dispêndio poder-se-á obter outro que corra para desenvolver-lhe o gosto e o talento só faltavam as
parelhas com o atual; e de mais qualquer empresário des- lições de um profissional tal como o Sr. Righini, sobre ter
sas dificuldades se prevalecerá para impingir-nos gato por certa a nossa gratidão, erguerá para si um padrão de g lória
lebre, como diz o adágio. que o tempo respeitará. Isto nós o dizemos convencidos
Ora, além da escola, enquanto não houver rapazes ha- de que serão o uvidas as nossas súplicas pelo Governo,
bilidosos na cenografia, pode o Governo engajar o Sr. Ri- sem cujo impulso nada pode fazer o Sr. Righini nesta parte.
ghini por três ou quatro anos, tempo necessário para um Justus
aprendizado, e para que a escola produza os desejados (Publicador Mara11he11se, 2 11711 856, p.2).
efeitos, atenta a grande habilidade de nossa mocidade e
de muitos gênios que aí definham à míngua de sábios pro- O DIA 28 DE ruLHO
fessores e de uma prática regular. (Texto parcial)
E é certo que sem escolas não se apresentariam os
grandes gênios de Miguel Ângelo, Rafael, Rubens, Ghigi, Este dia para nós tão me morável e glorioso, por ser o
Murilo e outros. aniversário da adesão desta Província à causa da Inde-
Disto urna viva prova ternos na capital do Império, o Sr. pendência do Império, foi este ano festejado com a maior
Porto Alegre, quanta honra não faz à sua pátria - o Brasil! sole nidade possível. Ao Te Deum que à tarde se celebrou
Além do que vai dito, convém lembrar aos menos en- na Catedral, em Ação de Graças, concorreu todo o funcio-
tendidos que a pintura cenográfica não diz somente res- nalismo público no maior luzimento, vindo depois assistir
peito a teatros, ela é aproveitada muitas vezes nos tem- à continência da Guarda Nacional a primeira autoridade ela
plos, palácios e edifícios quer públicos, quer particulares. Província.
conforme a ficção que se lhes quer dar. À noite no teatro representou a Companhia Lírica pela
Quanto vimos de escrever não passam de umas pe- primeira vez a Lúcia de lammermor, precedendo a ópera a
quenas lembranças que nos sugeriu o pendor para as ar- exposição da efígie de S. M. I. o Sr. D. Pedro II, e o Hino
tes, no intuito de assegurar no futuro mais um ramo de Nacional cantado por toda a companhia. Jamais aqui vi-
vida e existência aos filhos da terra que nos viu nascer, mos a cena para este fim tão ricamente preparada como
visto que nem o comércio e nem a lavoura será a herança este ano, esmerando-se nisso o empresário como ainda
de nos\ os filhos e netos, por isso desde já só devem anto- ninguém, apresentando cm um grande e rico quadro dou-
lhar a aurora das artes. rado a imperial efígie que foi por todos admirada, já pela
Uma esperança temos: serão lidas e apreciadas estas perfeita semelhança e já pela excelência da pintura; pode-
linhas e talve1. que levada a efe ito a nossa lembrança pelo mos asseverar que a obra é do pincel do Sr. José Maria
ilustre Governo do digno presidente que temos, e que tão Rarnonda. Cobria o estrado, sobre o qual estava o quadro,
incansável se mostra no engrandecimento da Província, um rico tapete de veludo fino, e o palco outro não tão
cujos destinos lhe foram confiados. coadjuvando-o a As- impo rtante, mas de fazenda apropriada.
sembléia que é composta de marnnhenses tão esclareci- Os cantores apresentaram-se todos vestidos de gala,
dos e que a bem de mnranhenses tudo farão. de preto com gravatas e luvas brancas os homens, e de
Um alvitre ainda: a aula de escultura criada na Casa cetim branco, com fitas verdes e amarelas na cintura as
dos Educando. Artífices, e que nenhum resultado tem dado, damas. No fim do hino entoou o Sr. presidente vivas à
pode muito pro,·eitosarncnte ser substüuída pela de pin- Constituição, à Família Imperial e à Presidência; e em se-
tum cenográfica (admitindo-se externos na aula para que o guida o Sr. Job à S . Exa. o Sr. presidente da Província.
favor . eja geral e mais de pronto correspondido), com a A este ato seguiu-se pouco depois a representação da
qual o Gon:rno não pouco melhorará esse estabelecimen- ópera, que nessa noite foi, como já disse, a Ltícia de Lam-
to que é uma das futuras esperanças do Maranhão. mennor, pela primeira vez. A muito poucas representações
Se contra o que é de esperar não conseguirmos o prin- temos assistido, já não aqui, mas cm teallos de primeira
cipal fim a que com estas linhas atirávamos, resta-nos ain- ordem que tanto nos satisfizeram como esta. Graças ao
da a satisfaç,lo de havcnnos de nossa parte feito o que a empresário, que nada poupou para que fosse a ópera à
nós tocava, e a não menor de termos por este meio dado cena com o luxo e ostentação que demandava, correspon-
um público testemunho de nossa admiração ao talento do deu o espetáculo à solenidade do dia, e ainda excedeu ao
artista amestrado e prov~itoso que com o risco da precio- que a respeito dela se esperava, conquanto estivessem
sa vida veio através do Mediterrâneo e Atlântico mostrar- pm·a isso todos prevenidos.
ºº" para quanto são o pincel e as tintas quando maneja- A Sra. Rebussini, o Sr. Tancrcdi Remorini e o Sr. Hjpó-
da..'> habilmente. lito de empenharam nessa noite os seus papéis como ain-
Estas expressões que (somos o primeiro a rcconhccê- da não o haviam feito até agora, e pelo que foram muitas
lo) estão muito aquém do mérito do insigne artista, e que vezes freneticamente aplaudidos. O final do 1ºAto e a ária
para falar na linguagem da arte, são apenas umas sombras, do tenor no último Ato mereceram do público maiores de-
~
LUIZ DE MELLO ~

monstrações de aplausos, e na verdade em ambas estas D. Pedro rr. Soubemos depois que cursara a Academia de
cenas, tanto a Sra. Rebussini corno o Sr. Remorini houve- Belas-Artes do seu país natal, e que ali obtivera prêmios
ram-se como perfeitos mestres, mostrando-se muitíssimos honrosos. (Di6rio do Maranhão, 4/8/1856, p. I).
superiores ao crédito que já gozavam.
Pe lo que pertence à mise en scene, ainda não vimos em ATENÇÃO
teatro algum esta ópera tão rica e apropriadamente monta-
da como aqui. Tanto o vestuário como as decorações nada Temos em mãos o Trovatore, jornal italiano, do qual
deixaram a desejar, quer em riqueza como em perfeição, traduzimos o seguinte :
sendo todos os vestidos, ainda mesmo os das coristas, de
veludo ou seda, bordados a ouro e prata fina, e quanto aos NOTÍCIAS DO BRASIL
dois que apresentou no 2º Ato a protagonista, um vestido
encarnado e guarnecido com linda e riquíssima bordadu ra "Acho-me entre bárbaros, cujos costumes todos os
de ouro fin o e outro de blonde, achamo-los de um valor dias mais me convencem, da grande imprudência que co-
muito superior às necessidades do primeiro Teatro do Mun- meti ao abandonar a Europa. Aqui a natureza é riquíssima,
do, e capazes de aparecerem em qualquer salão dos de mas este Dom da Providência é uma desgraça para os seus
maior luxo. O vestuário do Sr. Hipóhto, quer no l º,quer no habitantes, que são extremamente preguiçosos. O passa-
2° Ato, tornaram-se também distintos; o primeiro em beleza dio ordinário do homem solteiro é caríssimo, de sorte que
e propriedade, e mais na riqueza e custo do recamo. As um artista com a maior economia não passa com menos de
decorações nada deixaram também a desejar, e até nos pa- dois mil réis (seis francos) por dia. O nosso empresário
receu que o Sr. Righini se esmerou mais desta vez que das (Cavalheiro D. José Ramonda) com muita destreza nos
outras, como que à porfia para q ue também da sua parte enganou e induziu a aceitar os nossos contratos. Uma
nada faltasse ao excelente efeito que produziu o espetácu- camisa lavada e engomada custa meio franco, e o calor é
lo. Ao empresário devemos tudo isto; honra portanto lhe tão forte que me ob1iga a vestir pelo menos três por dia. O
seja fe ita, que por demais a tem de nós merecido.( ...) (Diá- vinho, quando muito barato, custa lrês francos (mil réis) a
rio do Maranhão, 30/7/ 1856, p. 3). gan·afa. Com 500 francos por mês não se economiza um
real. A nossa viagem de Gênova a Pernambuco foi de 46
A COMPANHIA LÍRICA ITALIANA dias. Aqu i se começou a falar em teatro, depois de muitos
NO DIA 28 DE ruLHO dias, e de muito falar foi à cena O Trovador, porém sem
coros. Se visses a orquestra! O melhor violino tocava com
O dia 28 de julho, aniversário da proclamação da fnde- quatro dedos, faltando-lhe um da mão esquerda! Se esti-
pendência nesta Província, foi solenizado entre nós este véssemos em uma cidade da Itália, nenhum de nós teria
ano com muita pompa e esplendor, notando-se no Te Deum saído vivo do teatro! Durante a nossa estada em Pernambu-
celebrado na Catedral, pelas 4 horas da tarde, e no Teatro
co, sofremos muitos desgostos e incômodos por haverem
São Luiz à noite, uma concorrência como poucas temos
adoecido alguns da companhia e morrido outros de febre
visto.
amarela. O primeiro que adoeceu, Ricard (mestre de músi-
No teau·o, de que pretendemos ocupar-nos, a Compa-
ca), foi acometido da febre amarela, de que faleceu, em
nhia Lírica Ital iana levou à cena a Lúcia de Lamennoor,
conseqüência de uma indigestão. A mesma sorte teve o
mas antes disso cantou o Hino Nacional perante a efígie
tenorTernavasio. Este foi vitima da grande avidez de comer
de S. M. Imperial, pintada pelo Sr. cavalheiro Ramonda, e
frutas. Depois de sua morte e ncontrou-se-lhe o baú cheio
muito ao natural , segundo o juízo dos entendedores. (0
de mangas, a mais perigosa e excelente fruta do Brasil. O
Observador, 31n/l856, p. I).
bajxo Tomba também morreu por excesso de comida. Este
não só comia muita fruta, senão que bebia desproposita-
FOLHETIM DO DIÁRIO DE
damente, no que obrigava a mulher a acompanhá-lo. De
1º DE AGOSTO DE 1856
CRÔNICA TEATRAL manhã, bebia meia garrafa de conhaque, e depois do almo-
(Texto parcial) ço o resto. O mesmo fazia a mulher, a despeito de quais-
quer admoestações, pelo que em poucos d ias deixaram
( ...)Nessa noite parece que todos se tinham combina- ambos de existir. Morreram todos aq ueles que tiveram vida
do para tornar o espetáculo digno do dia e da concepção desregrada, e os restantes pagaram mais ou menos o tribu-
de Donizetti . As partes secundárias, os coros, as orques- to devido ao clima do país, porém salvaram-se, e à hora em
tras, tudo andou perfeitamente e mereceu aplausos. que escrevo, a Rebussini, Smoltz, Remorini e todos os
A mise en scene fo i rigorosamente feita com todo o outros por que m tive receios, gozam perfeita saúde. Quan-
primor. Os costumes luxuosos e de época, e alguns supe- do começarem os espetáculos daqui te darei notícias."
riores aos dos grandes teatros, como o vestido de blonde É o trecho de uma carta escrita (segundo somos infor-
de seda da prima-dona, são provas exuberantes do esmero mados) por um artista da nossa Compan hia Lírica à reda-
do Sr. Ramonda. ção da supradüa folha.
As decorações revelam, ainda mais do que as das ou- Com o fun verdadeiro de desacreditar o digno empre-
tras óperas, o merecimento artístico do Sr. Righini. A vista sário do nosso teatro, o Sr. Cavalheiro Ramonda, de quem
do castelo iluminado e do cemitério é igual, senão mais é inimigo pessoal, de torná-lo odioso aos artistas euro-
bela do que a feita por Bragaldi no Teatro Lírico do Rio. peus e destarte impossibifüá-lo de ali prover-se dos que
Não sabia de mais uma qualidade do Sr. cavalheiro Ra- para o futuro sejam necessários para o cumprimento do
monda: é um bom pintor, como o provou pelo retrato do Sr. seu contrato, o autor da correspondência com a mais re-

32 <:/Q)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

volLante ingratidão agride de uma maneira brulal o país Maranhão, 2 1 de agosto de 1856
que com tanta benignidade o acolhe, apresentando-nos Adclc Rebussini
aos seus concidadãos como um povo bárbaro! Angiol ina Remorini
Não é Lalvez o autor desta correspondência o primeiro Tancredi Remorini
artista que vive à custa do Brasil, e diz dos brasileiros tudo Savio Cesarc
quanto lhe vem à cabeça, e nem será também o primeiro
que se retirará desta terra amaldiçoada para depois voltar e A abaixo assinada, a11ista da Companhia Lírica, contra-
continuar a viver! tada para esta Província, declara, em satisfação ao respei-
Não pretendemos descer a uma análise minuciosa de tável ptíblico, não ler direta nem indiretamente contribuí-
cada um dos tópicos da correspondência que nos ocupa, do para o comunicado exnrado no Publicador Maranlien-
para notar-lhe todas as inexatidões. Tivemos somente em se de 19 do corrente, sob o nº 188.
vista fazer sentir ao autor dela, que, apesar de bárbaros, os Maranhão, 2 1 de agosto de 1856
brasileiros sabem do que se passa na Itália. O resto fica ao Giustina Gal lo
bom critério dos nossos concidadãos com quem este Sr. (Publicador Maranhense, 2 1/8/1856, p.2).
convive.
Maranhão, 12 de agosto de 1856. (Publicador Mara - CARTA DO PINTOR LEON RIGHINI
nhe11se, 19/8/ 1856, p.2).
SR.REDATOR
ATENÇÃO Consta-me que pessoas bem informadas apontam-me
como autor da correspondência anônima escrita para o
Os abaixo assinados artistas engajados na Companhia jornal italiano li Trovarore, que apareceu vertida para o
Lírica declaram formalmente não serem os autores da cor- português no Publicador Ma ra11/ie11se nº 188. Essa cor-
respondência inserida no Publicador Mara11hense de respondência ofende o povo brasileiro, apelidando-o de
ontem transcrita do jornal italiano li Tro1•atore. bárbaro; e eu que em Pernambuco fui , e no Maranhão hei
Maranhão, 20 de agosto de 1856 sido, pública e particularmente bem recebido e obsequi a-
Giuseppe lppolito do - cu que a todos tenho, por palavras e obras, marúfcs-
Luigi Cantarelli tado tanto quanto posso a minha gratidão - cu que sem-
(Publicador Mara11he11se, 201811856, p.3) pre abonei a índole civilizada eo gênio hospitaleiro e fran -
co dos brasilei ros, sinto profundamente que alguém creia
COMUNICADO que o meu espírito abrigue o modo de pensar da corres-
pondência. o qual sendo injusto, e por isso absolutamente
Pede-se ao empresário e à Companhia Lírica Italiana, à mal cabido, seria outrossim, em relação a mim, demasiado
exceção das senhoras, uma explicação acerca do comuni- traiçoeiro e baixo, e me cobriria, provado que fosse meu.
cado exarado na 8ª coluna do nº l 88 do Publicador Mara- de pejo e de vergonha.
11he11se, a fim de que os maranhenses possam conhecer o O tempo, Sr. redator, patenteará a verdade com que ora
Cavalheiro, autor da ca11a cujo trecho se acha estampado falo, enu·ctanto direi mais, cm defesa do meu caráter, que fe liz-
no mesmo comunicado; ao con!J"ário resolveremos o que mente posso mostrar, a quem queira ver, a correspondência
for justo. que tenho alimentado com minha família, residente em Turim,
Agosto, 20 de 1856 e com alguns amigos de vfüfas partes da llália, correspondên-
O Maranhense cia que abunda cm expres ões que por si sós são bastantes
(Diário do Maranhão. 21/8/1856, p. 4). para me justificarem completamente de tão infundada acusa-
ção. Espero, Sr. redator, que V. S.ª dará publicação a esta mi-
DECLARAÇÃO nha cordial satisfação, com o que muito penhorará o
De V. s.• Attº Vr° e Cr°
Os abaixo a~sinados, artistas da Companhia Lírica ILal i- J. LeãoRighini
ana, sob a empresa do Sr. José Maria Ramonda, sumamente Maranhão, 2 1 de agosto de 1856 (Publicador Mara-
11he11se, 22/8/1856. p.3).
penalizados pela ofensa imerecida e irrogada aos brasilei-
ros, com especialidade aos filhos desta Província e de Per-
COMPANHIA LÍRICA ITALIANA
nambuco, em uma correspondência publicada no jornal l i
Trovatore de Turim e aqui transcrita no Publicador Mara-
O empresário do Teatro São Luiz do Maranhão declara
nhe11se de 19 do corrente, declaram, sob sua palavra de
fom1almente ter autorizado o Sr. Mº Inocêncio Smoltz para
honra, que nenhuma parte tiveram cm semelhante publica-
rescindir todos os contratos dos artistas componentes da
ção, por ser tão feio proceder não só incompatível com a sua
Companhia Lírica, depois da representação do dia 7 de
educação e brio, como com o sentimento de gratidão que setembro próximo.
professam aos habitantes tanto desta Província como da de
Maran11ão, 22 de agosto de 1856
Pernambuco, pelos benefícios e obséquios aqui e lá recebi- O empresário
dos, sendo de mais tudo quanto refere semelhante corres- José Maria Ramonda
pondência é uma manifesta falta de verdade P. S. - Todas as antecipações recebidas serão declara-
Esperam portanto os abaixo assinados que com esta das satisfeitas no ato da rescisão do contrato.
declaração facilmente se reabilitem no conceito dos mara- José Maria Ramonda, empresário.
nhcnses, cuja estima altamente apreciam. (Publicador Mara11he11se, 231811856, p.3).
LUIZ DE MELLO

PUBLICAÇÃO A PEDIDO cedia a todos os artistas a liberdade depois do dia 7 do


corrente. A este procedimento, muitíssimo industrial de
Estamos em crise teatral. Os artistas dão satisfações SUh parte, respondi com a carta que o Sr. Ramonda rece-
ao público, que os pateia, pela insolente rnissi va à redação beu, e que abaixo vai transcrita.
do Trovatore, e a empresa, corno um protesto solene às Os poucos amigos da empresa dizem que de toda a
covardes acusações de que é alvo na imprensa italiana, questão entre os artistas e o Sr. Ramonda, é este último
propõe as rescisões dos contratos, e pôs em termos tão que tem razão, e que é mais fáciJ guiar cem mil soldados do
hábeis que o teatro, ou terá de fechar-se depois do dia 7 de que dirigir uma dúzia de artistas de teatro, porque são to-
setembro, ou então ficarão esmagados os detratores do dos miseráveis, intrigantes, canalhas, debochados, joga-
empresário. dores, impostores e alcoviteiros ... Mas, tende a bondade,
Estão portando decididas todas as dúvidas. Espera- meus senhores, de dizer-me o que era e o que é ainda hoje
mos ansiosamente o resultado desta balbúrdia teatral em mesmo o Sr. Cavalheiro José Maria Ramonda?
que o Sr. Cavalheiro Ramonda, para salvar o seu nome de Mais de um ouvido, e os meus sobre todos, estão ain-
uma nódoa até certo ponto moral, não duvida sacrificar da debaixo da harmoniosa influência da sua voz, quando
interesses de adiantamentos pecuniários feitos a todos os julgou ele cantar no Elixir de Amor - vendendo suas poma-
artistas da Companhia Lírica. Assim, porém, procede o das. O seu renome, que do Rio de Janeiro chegou até nós e
homem de honra para quem, como o Sr. Ramonda, o di- in altrisiti o apresenta como um... não me recordo precisa-
nheiro nada mais é do que um meio de obter as coisas. mente, mas o teau·o serve para alguma coisa e o Sr. Ramonda
(Publicador Maranhense, 25/8/J 856, p.3). será um canalha, um miserável, um debochado, um impos-
tor, um intrigante?... Pensai bem no que dissestes, senho-
BELAS-ARTES res, e vereis se é assim que se ganha o reino do Céu.
Entretanto os seus mesmos apologistas lhe fizeram jus-
Tribuzi continua a dar lições de desenho e pintura em tiça, proclamando-o sublime no seu papel de Dulcamare, e
sua casa e em casas particulares. (Publicador Maranhen- achando que a sua cabeleira e os seus vestidos iam de acor-
se, 15/10/1856,p.4). do com o seu caráter natural; e a companhia declara-se li-
sonjeada de estar uma vez, ao menos, com estes senhores.
Ora, seja-me permitido fazer uma observação.
ARTIGO DE LEON RIGHINI
CORRESPOND~NCIA
Por que o Sr. Dulcamare, isto é, perdão, o Sr. Ramon-
da, artista e pintor escolhido já uma vez por um governo,
para pintar no primeiro teatro do mundo, - "Idi cui por-
SR. REDATOR - É bem a meu pesar que o incomodo,
tenti infinit sou noti all'Universo" - por que, digo, ele pin-
pretendendo ocupar parte do seu muito acreditado jornal, a
tor, ele artista seria melhor que todos os outros artistas e
fim de expender núnhas idéias acerca dos escândalos prati-
os outros pi11tores?
cados pelo Sr. Ran10nda, que mel11or podia empregar o seu
Os dignos coristas do escritório responderiam: - "É
tempo, sem que desse ao muito honr'.tdo púbUco desta capi-
porque ele é empresário". - Que seja Deus louvado, e
tal motivos de descontentamento nem de odiosidade.
bebendo um copo da minha cerveja, à saúde dos sete sábi-
Chegado a esta cidade entreguei-me ao trabalho, por-
os, tomarei forças para continuar com o meu propósito.
que era para isso que tinha vindo. Apresentei os riscos
Tende a bondade de dizer-me, senhores, quem fez pa-
das decorações, que tinha de pintar, ao Sr. empresário, e
tear a prima-dona, obrigando-a a cantar doente como esta-
observei que não ficara ele muito satisfeito por serem dis-
va? Quem tem atassalhado a reputação artística e privada
pendiosos, o que hoje já não me admfra, visto que a sua
da companhia, não poupando nem mesmo as damas, que
corda sensível é o dinheiro, contanto que seja bastante,
en;i todo o caso, em atenção à fraqueza do seu sexo, para a
não lhe importanJo quais os meios de adquirir. Entretanto,
própria defesa, deviam ser respeitadas, e que ainda persis~
todas as vezes que me preparava para novas pinturas, não te na continuação de tanta imprudência? Aquele mesmo
cessava o Sr. Cavalheiro de repetir: - lembre-se que para que devia reconhecer por dever seu, e p róprio interesse,
este público e este país tudo é demais. que da sustentação da companhia em sua força moral de-
Por minha parte, naturalmente, procurava merecer a pendia a dignidade de toda a sociedade e o bem-estar da
atenção do público, buscando apresentar o melhor possí- sua empresa futura.
vel, porque, enfim a todo o mundo, e a um artista principal- Quem foi que aqui publicou essas linhas fatais do Tro-
mente é permitido ter um pouco de amor próprio; porém, o vatore, pelas quais a companhia inteira foi pateada por
Sr. Ramonda respondeu sempre farçolamente às minhas este mesmo público que dias antes a aplaudia e coroava?
reflexões, procurando desanimar-me em meu dever para Tende paciência, meus senhores, quem a publicou não
com o público, ao qual entretanto nunca faltei. Um dia fui eu; e entretanto o acusado não escapou à raiva do seu
entre nós houve uma disputa, e estando eu já cansado da juiz; mas como não fosse eu que heroicamente saísse do
minha posição, dirigi ao Sr. Cavalheiro uma carta que o teatro escoltado por oito baionetas, nem igualmente outro
público encontrará transcrita mais embaixo. Tudo isto pas- qualquer artista da companhia fosse mimoseado com pe-
sou-se antes de começar eu a trabalhar nas decorações da dradas no Largo do Carmo, digo que armas do povo, mão
ópera Norma. - Ora, o Sr. Ramonda aproveitou-se desta de Deus, e faço como Pilatos, rogando pela conversão do
carta, a qual nada tinha de comum com os últimos aconte- pecador.
cimentos, para impor-me a ruptura do meu contrato no dia Eu gostaria que estes senhores, tão sapientes como
15 do mês p. p. sem recordar-se de que havia eu assinado são, me instruíssem sobre um fenômeno no qual certamen-
a sua declaração, publicada nos jornais, pela qual nos con- te o clima exerce sua influência.

34 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

À chegada da companJúa, as damas eram anjos, o maes- peso ainda mais insofrível, como o de suportar as malcria-
tro um serafim, o tenor um brilhante de cem mil quilates (teste- ções de um tal empresário.
munha o inocente Sr. Brandão) e quanto a mim, não me recor- Conheço perfeitamente que com o meu pouco ou me-
do do meu peso real, mas então já, sem contradição, o mais díocre talento, não tenho necessidade da távola redonda
pesado de todos, ou o que mais valia era o empresário, por- desse cavalheiro, e que poderei viver como o fazia antes
que crês meses antes tinha sido declarado o mais oneroso. de alistar-me, por ignorar, debaixo das sua afamadas ar-
Ora, vêde que singular mutação! Depois do que disse- mas e bandeiras; tanto mais que não tenho razão nenhuma
ra, o nosso caro cavalheiro a seus satélites, todos os ar- para desprezar da bondade e alta estima com que o público
tistas de canto, o maestro inclusive, haviam-se tornado sempre me julgou, e devo confessar as esperanças que
um bando de cães cndcfluxados. E o pintor? nutro sobre ele como também sobre a sua justiça que ser-
O pintor nada tem de que se queixar. escutai. virá de consolo contra os espinJ10s com que o Sr. Ramon-
Homens que pesam tanto quanto valem, e outros que não da continua a coroar os seus artistas.
valem o que pesam, depois de terem esgotado na Europa Aproveito a ocasião para testemunhar o meu reconhe-
seus gostos artísticos, pretendem que todas as decorações cimento pelas honras com que fui recebido, e cheio deste
que pintei fossem humildes esforços de um medíocre talento, dever bebo um grogue à minha custa e tomo de novo a
que nem mesmo tinha conhecimento de arquitetura, nem de pena para termjnar a tarefa a que me impus: assim seja.
perspectiva, e no entanto o público as apreciava sempre. Eis-me aqui, senhores, e pois que vos achais reunidos
Seria, porventura, a influência sobre o meu espírito, cm conselho no escritório do Sr. Ramonda, onde, graças
desses entendedores qÚc me vinham enjoar durante o meu ao Tesouro Público, nada falta para escrever, e mesmo onde
trabalho, ou a inteligência sublime que pintou o retrato de há um pouco de champanhe de tempos a tempos, eu vos
S. M. o Imperador, sem consultar o ponto de vista da cena, rogo que tomeis a pena e verifiqueis as contas que tenho
que guiaram o meu pincel na minha última decoração da a honra de apresentar-vos.
Gema, e na sala de armas e no túmulo da Lúcia - ou no Seis meses do meu ordenado a 480 francos
Bosque da Norma? Confesso que se assim foi, não notei por mês; 280 francos que cm moeda do País, à razão
cm mim mudança alguma. de 350 rs. ao franco, devia importar em ........... 1:008$CXXl.
No entanto, o Sr. Ramonda vendeu a sua pomada dizen-
do que pela primeira vez me arriscava eu a pintar para um Recebi três meses ao câmbio fantástico
teatro. Quanto a isto, pcrguntar-Lhe-ei se todos os grandes de 320 rs .............................................................. 450$800
mestres não começaram desse modo. Todavia, sempre U1e Recebi três meses ao câmbio convencionado
direi que mentiu descaradamente! E dado o caso que assim de 350 rs.............................................................. 504$(XX)
fosse, admitindo a sua asnática asserção, não seria uma Soma: .................................................................. 954$800
glória para mim o receber tantos aplausos cm um debw? Tivcdeprejuízo .................................................... ~
De onde, pois, proveio a conduta cheia de bondade ..•.••......... •..•..•..•.......•.........................•....•....•.... 1:008$CXX)
que teve o público para comigo? É porque sempre alguma
coisa mereci, e o Sr. Cavalheiro não pode dizer outro tanto. Paguei ao Sr. Ramonda 380 francos ao câmbio
O Sr. Ramonda procurando desacreditar-me, nem se de 350 rs .............................................................. 133$(X)()
lembrava que se tornava réu de penas policiais, que em Mais cm moeda do País ........................................ 69$920
outro país, menos bondoso e indulgente, não lhe perdoa- Despesas de tintas, pincéis e cola ........... ........... 229$CXX)
riam, enganando o governo em seus contratos, pois que 431$920
trazia consigo um homem incapaz de preencher as obriga- Para ..................................................................... 954$8(X)
ções de um pintor cenógrafo. Mas o Brasil, que é a mesma Saldo a meu favor durante seis meses de
docilidade personificada, deixa que um Sr. Ramonda pre- trabalho ............................................................... 522$880
gue quantos carapetõcs lhe apraz e lhe vai dando azos a Durante seis meses pintei .14 decorações completas e
novas pomadas. três repregas; o Sr. Ramonda recebeu da Província para
deixar 12 decorações, 1:200$; em vez de 12, deixa 14 que lhe
Um outro pintor deve vir com o Sr. Ramonda, segundo
serão pagas duas como extraordinárias, e fora da letra do
ouço dizer, e ao destruir o meu trabalho, baldo de todos os
seu contrato. vejamos o resultado:
preceitos de pintura teatral julgará a questão.
Mas voltemos às maneiras políticas e cavaJheiras do
Pagou o Sr. Ramonda ao pintor vindo da Itália ... 954$800
Sr. Ramonda.
Pagou mais a um ajudante ................................... 180$CXX)
Um artigo que me dizia respeito deixou de ser publica-
do no Diário do Maranhão, sem outro fim mais do que T0tal: ··········· ····················································· l: 134$800
Recebeu da Província ....................................... 1:200$CXX)
tirar toda a iníluência, a lembrança de um amigo que pre-
Ainda ganhou ................................................ O:CXX>5$200
tendia proteger-me: ao redator daquele jornal agradeço a
afora as 2 decorações e repregas que deixou de mais, e
pane da glória que lhe coube desse negócio, e em nome de que dizem lhe serão pagas como extraordi nárias.
toda a companhia o lisonjeio pelos seus bons ofícios, as- Quem jamais fez um tal negócio?
segurando-Lhe ao mesmo tempo que, sem conhecer o ver-
"E viva a especulação,
dadeiro motivo, muito divertiu a toda a canalha teatral.
São progressos da nação."
Mas voltemos à questão de Cícero pro domo suo. . Seja-me permitido observar que ainda mal restabeleci-
Eu, pois, que havia desejado, aceitei alegre a rescisão do, depois de 10 dias de febre amarela, fui para o meu
do meu contrato. e se bem que longe. como estou, do meu trabalho sem escutar os conselhos do limo. Sr. Dr. Maya,
país, por pouco que possa suportar o peso do meu traba- que me tratou, e a quem consagro eterno reconhecimento,
lho, considero-me feliz por me haver libcnado de outro e que enquanto o Sr. Ramonda dormia o doce sono da sua

~ 35
LUIZ DE MELLO

inocência, trabalhava eu três noites seguidas, sem o dever cio está feito, segundo ele diz, gaba-se do golpe de Estado
fazer, pois que com isso arriscava a minha vida. Não quero que deu com tanta imprudência, pavoneando-se que só
recordar outras vezes que pratiquei o mesmo, porque com um gênio industrioso como o seu podia levar a efeito.
saúde jamais me faltam forças e vontade para o trabalho. Tenho retardado a publicação destas linhas para não
Jamais esquecerei o quanto devo à Exma. Sra. EJru1ia ser acusado de querer impedir acontecimentos inteiramen-
Ramonda, pelos assíduos cuidados que me prodigalizou te indiferentes para mim, e agora que estão realizados, que
durante a minha enfermidade, aos quais devo certamente o contrato está assinado, com espanto de todo o Maranhão,
uma parte de minha conservação, e ao Sr. Ramonda, o po- o que fará o Sr. Cavalheiro?
der eu pintar as decorações a que era ele obrigado pelo Deus o sabe, e vós também, meus senhores, se o vos-
seu contrato com o Governo. so amigo for bastante sincero para iniciar-vos nos seus
Alguns senhores que se constituíram administradores tenebrosos mistérios; e quanto a mim, não o sei, e creio
de bolsas alheias, disseram que a maior parre dos artistas que o Sr. redator também não o sabe.
comeram pelo espaço de três meses à custa do Sr. empre- frá ele à Europa? Veremos, e que o bom Netuno lhe seja
sário - tais homens podem dizer o que muito bem lhes propício. O que muito me diverte é ver como este senhor
parecer, isso para mim é inteiramente indiferente, porque tem maneiras e sabe arranjar-se para viajar à custa dos
como nada lhes devo, e tendo pago a minha dívida ao Sr. outros, e assim mostrar aos povos suas magnificências e
Ramonda, até o último vintém, creio que comi e bebi do seu grande poder no Mundo.
que era meu, como sempre o fiz e sem jamais rebaixar a Veremos se a Itália mudará de aspecto à sua chegada.
minha dignidade de homem de honra. Ao que parece, supõe ele que ferindo a terra com uma
Quem disser outro tanto, é porque pode. patada sua, surgirão das trevas milhares de miseráveis pri-
Entretanto julgo-me no direito de notar que a compa- mas-donas, tenores, maestros, e que todos estáticos na
nhia demorou-se em Gênova 22 dias à sua custa, esperan- contemplação do seu soniso redentor, magnetizados pela
do o momento da sua partida, e que enquanto aqui a espe- sua sapientíssima eloqüência, se deixarão empilhar uns
ravam ansiosos, foi ela conduzida a Pernambuco, onde fui sobre os outros em um navio, para irem morrer de febre
condenado, por conveniência do Cavalheiro, ao repouso amarela, ou serem vítimas, como nós, do seu orgulho, da
por dois meses e meio, sem ordenado, sem ter parte no sua vaidade e da sua imprudência.
benefício que ali foi dado à companhia, e isto porque eu Que vá, e que volte, o Profeta o espera, e o Maranhão
não trabalhava. Por tanta consolação prometeu-se-me uma o admirará de novo. Porém, eu creio um dever meu preve-
decoração a pintar, que me seria paga à pa1te; mas como j á ni-lo de que os meus bons amigos, da Europa, terão co-
então eu conhecia o quanto valiam as palavras deste Sr. nhecimento deste libelo, e à sua chegada os jornais o
Cavalheiro, resignei-me a assistir os moribundos, a orar terão publicado em suas colunas, a fim de que, em consci -
pelos mo1tos e a rogar a Deus pela conservação daquele ência, seja prevenido, a canalha teatral, para que não
que economizava 1.200 francos dos meus ordenados. venha, tão longe do país natal, tragar o fel da amargura
Sei perfeitamente que para destIUir convicções de cer- com que mimoseia os seus contratados o Sr. Cavalheiro
tas inteligências, não bastam mil razões, porque a força do José Maria Ramonda, empresário do Teatro do Maranhão.
entusiasmo enfraquece o bom senso. Não me ocuparei em Desejaria antes enganar-me, mas como aq ui me asseguram
indagar as causas de tanta amizade e dedicação; todos es- que JUMENTO VELHO NÃO APRENDE LÍNGUA-de-
ses senhores estão no seu direito, mas permita-se-me tam- sespero de transformação possível.
bém que use do meu, aconselhando-os a que empreguem Fiat vo!untas Dei. E que o público julgue com a sua
toda a educação que os distingue, quando falarem de indi- costumada imparcialidade.
víduos a quem não tiverem a honra de conhecer a fundo. Convento de Santo Antônio, 17 de setembro de 1856
Concluirei dizendo que se todo o povo teatral é intri- J. Leon Righini,
gante e canalha, como dizeis, meus senhores, o que será felizmente, ex-pintor da empresa.
o vosso amigo? E além disso é um péssimo companheiro, Sr. diretor. - Rogo-lhe que me participe por escrito o
visto que toda a tempestade foi por ele excitada, provo- dia em que pretende levar à cena a ópera Norma - para
cando uns contra os outros, o público contra todos e aco- saber se o meu trabalho está de conformidade com o tem-
bertando-se sempre com o esfarrapado manto de sua pro- po que me concede para a prontidão das decorações.
sopopéia Dulcamaresca. Com bastante desgosto digo-lhe, que como o Sr. pre-
Como empresário, ig ualmente não o posso lisonjear. tende esforços superiores às minhas faculdades, pode
Os artistas os mais consumados da companhia protes- quando quiser ver-se livre de mim, sendo este o último
tam que jamais viram tanto ruído, tanta trapaça, tanta con- favor que me fará, e do qual lhe ficará obrigado o seu
tradição, nem um misto mais bizarro de ignorância e de pintor contratado.
pretensão, de prodigalidade e mesquin11aria, de toleima e J. Leon Righini
de ftnura, e enquanto a mim, comparo-o com um desses Senhor. - Eu me considero muito feliz por me desemba-
caracteres que só Hauffman podia rever nos seus contos raçar de todos os meus deveres para convosco, e para
fantásticos, não duvidando, certamente, que muito longe melhor me livrar, para o futuro, de ligar-me com pessoas
estavam da natureza. que se vos assemelhem. Se as minhas esperanças foram
E com efeito, ei-lo, que sem temer sacrificar seus con- malogradas ao sair do meu país, mesmo à custa de haver
tratados, desfez a companhia, por assim lhe convir, e Deus eu pago bem caro esta lição, julgo-me contente por ter
louvado, aos artistas também . Ambicioso e ávido de di- aprendido a conhecer uma certa qualidade de homens com
nheiro, rompe um contrato com o Governo, para melhor os quais, Deus louvado, jamais me unirei, e declaro-me
fabricar outro, e fanfarrão como é, agora que o seu negó- reconhecido pelos conhecimentos adquiridos.
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

Quanto ao dinheiro de que me falais, não vos inquie- Maranhão, 25 de outubro de 1856
teis; para pagar-vos a quantia de que vos sou devedor, José Maria Ramonda,
deixo-vos os 30 rs. que de menos recebi em cada franco empresário do Teatro Nacional de São Luiz.
dos meus ordenados durante três meses. (Publicador Maranhense, 2811011 856, p.3).
De mais deixo-vos o resto do meu ordenado do mês
vencido- 98$369 rs., com o qual rogo-vos que vos paguei (Da) Notícia necrológica de Maria Joaquina Marques,
de 95$870 rs. que vos devo, segundo as contas que me esposa do médico César Marques.
enviastes.
Isto vos provará que mesmo miserável como me ten- ( ...)Foram ao caixão o Exmo. Sr. comendador Antônio
des apelidado afoitamente pelas esquinas, posso, sem co- Cândido da Cruz Machado, presidente da Província, o Ex mo.
rar, erguer a cabeça e merecer alguma coisa pelo meu traba- Sr. comendador José Joaquim Teixeira Vieira Belfort, um
lho. Resta-me a satisfação de uma íntima convicção: a de dos vice-presidentes, o Dr. Luiz Antônio Vieira da Silva,
não ser tão miserável, que me rebaixe a apanhar os vossos secretário da Província, o major José Domingues do Cou-
favores. to, comandante interino do 5° Batalhão de Infantaria, o
Maranhão, Convento de Santo Antônio, 13 de setem- cirurgião-mor de brigada João Diogo Duarte e o segundo-
bro de 1856 cirurgião tenente Dr. José Coelho Moreira de Souza; os
J. Leon Righini três primeiros com suas condecorações honoríficas, e os
(0 Progresso, 18/1011856). três últimos com seus unifom1es militares. A finada foi en-
volta em hábito da Virgem Santíssima do Monte Carmelo,
CORRESPOND~NCIA acompanhada do vigário e cruz, capelães, e foi sepultada
em uma catacumba privativa da fan1ília, sita no Cemitério
Sr. Redator. -Não é pata responder ao Sr. Righini, feliz- da Irmandade da Santa Cruz do Senhor Bom Jesus dos
mente ex-pintor da Companhia Lírica, senão para restabe- Passos. Ao préstito. além de muito concorrido por pesso-
lecer a verdade das contas por ele apresentadas no núme- as de primeira classe da terra, adicionou-se-lhe a música
ro 84 do Progresso, que tomo a liberdade de recorrer à sua do 5° Batalhão de Infantaria.
acreditada folha pedindo-lhe, Sr. redator, a bondade de Antes que ao corpo da ilustre finada se dessem os
inserir as parcelas que naturalmente deviam escapar ao Sr. vestidos mortuários, seu inconsolável esposo lhe man-
Righin.i na ocasião de fonnular a dita conta. dou tirar o retrato, obra est~i que muito honra o lápis do
1) 500 francos de passagem na polaca sarda Maria Elisa, nosso habilíssimo comprovinciano o Sr. José Maria Bílio,
de Gênova a Pernambuco, ao câmbio fantástico cujo gênio vive como que amortecido neste canto do Nor-
de 320 rs ............................................................. 160$(XX) te do Brasi l.
2) Sessenta dias de comedorias e ho pedagem no Depois do trabalho do artista cortaram-se à ilustre fi -
Hotel Francisco, em Pernambuco, desde o dia 30 nada algumas de suas delicadas e ondeantes madeixas,
de dezembro p. p. até 27 de fevereiro do corrente das quais, parte tem de ser re111etida à sua farru1ia, na Bahia,
ano a 3$00 diários ............................................... 180$CXX) e pane ficar como um sagrado tesouro depositado em po-
3) Passagem de Pernambuco a esta cidade 110 der do inconsolável esposo e da filha.
brigue escuna Laura ............................................ 80$CXX) A Exma. Sra. D. Joaquina Marques ainda que torturada
4) Nove dias de estada no lazareto da Ponta pelos cruéis padecimentos de sua enfcnnidadc, não perdeu,
d' Areia .................................................................. 27$0'.X) depois do seu passamento, aqueles perfeitos traços de be-
5) Três dias de sustento e hospedagem nesta leza com que a dotou a natureza, e que mais realçados foram
cidade ..................................................................... 9$0'.X) pelas suas virtudes.(... ) (O Observador, 20/J 111 856, p.3).
6) Transporte de sua bagagem ............................... 8$(XX)
7) Um mês de ordenado de mais ao ajudante do NOMEAÇÕES
pintor ................................................................... 30$(XXJ
8) Três meses de um servente a 1$000 réis O Sr. Jacinto Raimundo Lopes foi nomeado professor
diários .................................................................. 90$CXX) de primeiras letras da povoação de Arari, durante o impe-
9) Três meses de outro servente a 500 réis dimento do respectivo proprietário, e o Sr. Francisco Rai-
diários .................................................................. 45$0'.X) mundo Diniz, desenhista da Repartição de Obras Públicas.
1O) Cento e vinte francos de perda sobre uma letra (O Observador, 20111/1856, p.2).
de câmbio a favor do abaixo assinado e aceita pelo
dito Sr., e não pagos, ao câmbio LITOGRAFIA (FRlEDRICH HAGEDORN)
de 350 ........................................................................ 42.S(XX)
11) Branqueamento de 14 cenas a 4$000 .............. 56$0'.X) Em casa dos negociantes Fournier, Rodorf & Cia. ven-
Conta dada pelo Sr. Righini na supradita folha 1:134$800 dem-se por 2$000 rs. três excelentes vistas desenhadas
Total .... ..... ....... ... ... ... .... .... ... .... ... ..... .. .... .... ...... 1:801 $800 pelo Sr. Hagcdorn, litografadas em Paris, e representando
Deduzida a quantia que recebi da Província ... 1:200$(XX) a Sé, o Largo de Palácio e a entrada da ban-a. (Diário do
Tive de prejuízo com o Sr. Righini ...................... 601$(XX) Maranhão, 28/l I/ 1856, p. 3).
À vista da inexatidão da conta organizada pelo Sr. Rí-
ghini poderá o público sensato ajuizar do resto de todo TRIBUZl e alguns de seus discípulos propõem-se a
esse aranzel a que deixo de responder, porque se acha aprontar, por cômodos preços, pinturas de casas ou orna-
assinado por um homem que, na ocasião em que o fez, não tos de figuras e paisagens. (Publicador Mara11he11se, 11 /
tinha imputação moral. 121 1856, p.4).

~ 37 <2./Q)
LUIZ DE MELLO

PARTE MARÍTIMA NOTÍCIAS DIVERSAS


ENTRADA - DIA 25 EMPRESA LÍRICA

Paquete a vapor S. Salvador - do Pará, em 70 horas. Tem havido estes dias o ensaio da ópera Ernani, uma
Comandante: o primeiro-tenente Antônio Marcelino da das obras-prima~ de Verdi, e nessa ópera haverá a estréia
Ponte Ribeiro; tripulação: 32 pessoas; passageiros: Se- da Sra. Adelaide Larumbe, e depois a Condessa Maffei
bastião Marcos de Oliveira Santos - José Dumas -Antô- estreará na ópera Norma. Agora aproveitamos a ocasião
nio Correia Ficiga - José Maria Muniz Vidigal - João Iná- de apresentar o elenco da Empresa Lírica Ramonda, se-
cio Coelho. (Diário do Maranhão, 27/4/1857, p.3). gundo as suas categorias, o qual saiu no Diário com algu-
mas inexatidões. Eis o elenco: primeiras damas absolutas:
PRIMEIRO ANÚNCIO DO PINTOR Condessa Maffei e Adelaide Larumbe; primeiro tenor ab-
JOSEPH DUMAS, REDIGIDO EM FRANC~S soluto: Clemente Escanavino; primeiro baixo cantante: For-
tunato Della Costa; dama comprimária: Luísa La11.1mbe y Oria;
Joseph Dumas retratiste à l'huile, arrivé depuis quel- segunda dama: Justina Gallo; primeiro barítono absoluto:
ques jours dans cette ville ete pretendant s'y fixer pour José Hipólito; primeiro bufo cômico: João Bergamaschi; te-
quelque temps, previent les personnes qui voudraient lais- nor comprimário: Vincenzo Vannineti; segundo tenor: João
ser à leur fam ile le souvenir fidele de leur éfigie, qu' ils Fasciolo; ponto: Domingos Tribuzi; mestres diretores: Ino-
pourront d'adresser alui en toute securite d'etre reprodu- cêncio Smoltz e Alberto Frenchel; mestre dos coros: João
ites le plus fidelement possible. Fasciolo; primeira bailarina absoluta da escola francesa: Vir-
S'ad resser à !'hotel de Maranhão. (Diário d o gínia Romagnoli; primeiro bailarino absoluto da mesma es-
Maranhão, 29/4/1857, p.4). cola: José Cardella; primeira bailarina da escola italiana: Jo-
sefina Manzini; primeira rabeca dos bailes: Luiz Scandelari;
SEGUNDO ANÚNCIO DO PINTOR pintores cenógrafos: Luiz Monticelli e João Venere. (Diário
JOSÉ DUMAS, REDIGIDO EM PORTUG~S do Maranhão, 25/5/1857, p. 3).

JOSÉ DUMAS, retratista a óleo, chegado há pouco a


TEATRO
esta cidade, resolvendo demorar-se nela algum tempo, pre-
vine as pessoas que quiserem doar à sua família a lembran-
Quinta-feira, 4 de junho, estréia a nova Companhia Lí-
ça fiel de sua efígie, que poderão dirigir-se a ele com a
rica Italiana, da empresa Ramonda, com a representação
segurança de serem reproduzidas com a mais escrupulosa
de Hernani, ópera em 4Atos, música do maestro Verdi; as
exatidão - a falar com ele no Hotel Maranhense. (Diário
decorações são novas, pintadas expressamente pelos ce-
do Maranhão, 30/4/1857, p. 4).
nógrafos Monticelli e Venere, segundo consta. (Observa-
RIO DE JANEIRO dor, 311511857, p. 4).

Grande panorama da cidade, baía e arrebaldes do Rio RETRATISTA


de Janeiro, dividido em dez estampas finas de grande for-
mato e coloridas pelos melhores artistas de Paris. Acha-se atualmente na nossa cidade Mr. José Dumas,
Esta coleção de estampas é a únjca das publicadas até ótimo pintor retratista. Na loja do Sr. Júlio Duchemin po-
hoje que dá um conhecimento completo da Capital do Im- dem as pessoas entendidas avaliar um belo retrato do fale-
pério e de seus sítios mais pitorescos. cido Dr. Barreto, pai do Sr. Dr. José Maria Barreto. Nesse
Vende-se por 120$000 rs. em casa de Duchemin & Com- retrato, que o Sr. Dumas tirou de um daguerrotipo, não
panhia. (Diário do Maranhão, 1°1511857, p.4). sabemos o que mais devemos avaliar, se a correção no
desenho, a fidelidade na expressão ou o mimo do colorido.
ANÚNCIO (Diário do Maranhão, 3/6/1857, p. 3).

À venda na Livraria de Monteiro & Irmão, os seguin- GOVERNO DA PROVÍNCIA


tes objetos chegados ultimamente de Paris, no navio Paul Expediente
Hubert:
A Descida da Cruz, de marfim, o mais fino, bem-acaba- Ilmo. e Exmo. Sr. - Consulta V. Exa. o meu parecer sobre
do e magnífico desenho de Rubens; a matéria do requerimento de José Maria Bllio, acompa-
A Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mar- nhado do ofício do juiz municipal substituto do termo de
fim, quadro de Rafael; Icatu, de que faz menção o ofício de V. Sa. de 12 do coffen-
O Calvário, magnífico quadro de Rubens; te, e atendendo ao que se expõe nesses papéis, entendo
São João, de marfim, o mais bem-feito, delicado e bem- não ter lugar contar-se salários de advogado onde não os
acabado, com peanha e redoma de vidro; há. É certo que nos juízos, onde não existem advogados,
O Menino Jesus, de dito, obra a mais bem-feita e deli- ou os que existem são impedidos, podem as próprias par-
cada e que tem até hoje aparecido; tes assinar seus articulados, alegações e cotas, mas tam-
Nossa Senhora da Conceição, de dito, obra primorosa bém nesta hipótese não têm lugar os salários, por ninguém
e bem-acabada; se pagar do próprio serviço que a si faz; também nesses
Crucifixo de marfim, obra primorosa, bem-acabada. (Di- juízos, onde há falta de advogados, as partes podem cons-
ário do Maranhão, 12/5/1 857, p. 4). tituir seus procuradores, que por termo nos autos se sujei-

<VQ) 38 <VQ)
CRONOLOGIA DAS ARTES PlÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

tam às responsabilidades respectivas, e é ceno que esses NOTÍCIAS DIVERSAS


procuradores ajustam com seus constituintes uma gratifi- EMPRESA LÍRICA
cação pró-labore; mas nem mesmo a estes se deverá con-
tar os salários dos advogados, por não o autorizar o regu- No domingo foi levada à cena a ópera de Rossini, O
lamento das custas judiciárias, mandado observar pelo Barbeiro de Sevilha. Houve uma enchente completa, e o
decreto nº 1.569, de 3 de março de 1855. Devolvo todos os público muito aplaudiu a boa execução da ópera, a fide li-
papéis, ficando assim respondido o citado ofício de V. E xa. dade e a riqueza dos vestuários, e a linda vista da Praça de
Deus guarde a V. Exa.-Maranhão, 27 de maio de 1857. Sevilha, na qual, como sempre, os senhores VenereeMon-
- limo. e Exmo. Sr. Dr. Benvenuto Augusto de Magalhães ticelli não desmentem ser os filhos mimosos da arte. Na
Taques, presidente desta Província. - Joaquim Vieira da última decoração da Emani, o público arrebatado não se
Silva e Souza, presidente da Relação. fartou de admirar o transparente c larão da lua, as águas
Segunda Seção - Palácio da Presidência da Provínc ia
prateadas a c intilar no lago e a formosa arcaria a descobrir
do Maranhão, 29 de maio de 1857.
ao longe a re lva mais ou menos escura, o arvoredo mais ou
Com o parecer junto por cópia do conselheiro presi-
menos frondoso, e na Praça de Sevilha, num gênero quase
dente da Relação, a quem ouvi, respondo ao seu ofício de
prosaico, o pincel valente e mimoso também ilude e fasci-
7 do corrente acerca de contagem de custas aos que, não
na os olhos absortos, e manifesta-se o belo ideal na praça,
sendo advogados, fazem papéis que a estes penencem.
no correr das casas, na rua, na Giralda e na fonnosura do
Deus g uarde a Vmc. - Benvenuto Augusto de Maga-
lhães Taques. - Sr. Raimundo Ferreira de Carvalho, juiz céu límpido e azulado. Como dissemos, a ópera foi muito
municipal e de órfãos substitutos do termo de Icatu. ( Pu- bem desempenhada, e os Srs. Della Costa, Bergamaschi,
blicador Mara11he11se, 3/6/1857. p. 2). Ramonda e Scanavini colheram muitos aplausos. Muito nos
agradou o Sr. Dclla Costa na ária da calúnia, e no canto e na
GOVERNO DA PROVÍNCIA mímica traduziu muito bem a hipocrisia rasteira e vilã dos
Expediente do dia 29 de maio modernos tartufos. A Sra. Angiolina Remorini, na ária da
velhice enamorada, na smania, no piz:.icore, no soletico
3ª Seção - Palácio da Presidê ncia da Província do inexplicáveis, por mais de uma vez nos fez lembraro dragão
Maranhão, 29 de maio de 1857. fonnal, o espelho de desenganos do nosso querido Nicolau
Haja Vmc. de mandar pagar a Bingham & Companhia, à Tolentino, e a de D. Eugênia de Albcno Nota no Fi/6sofo
vista da conta junta, a quantia de setecentos e noventa e Celibe. A Sra. Maffei também foi muito aplaudida, e na ária
oito mil réis, importância de 95 peças de estopa fina, com- da inutile precauúone cantou com uma frescura e um mimo
pradas por autorização desta Presidência para doze deco- admiráveis. Fervidos aplausos cobriram a voz da gentil ar-
rações que o empresário do Teatro São Luiz tem obrigação tista no final da ária, e os ramos de ílores juncaram o palco.
de deixar, segundo o seu contrato. (Diário do Maranhão, 7ntl857, p.2).
Deus guarde a Vmc. - Benvenuto Augusto de Maga-
lhães Taques. - Sr. Luiz Miguel Quadros, inspetor do Te- NOTÍCIAS DIVERSAS
souro Público Provincial. (Publicador Maranhense, 3161
1857, p. 2).
Teatro Lírico

Do anúncio da primeira representação da ópera Er-


(Da crítica sobre a ópera O Barbeiro de Sevilha:)
nani:
( ...) Quanto ao cenário, temos já a respeito dos Srs.
( ...)A 1ª, 3", 4• e 5ª decorações são novas - pintadas
Venere e Monticelli dito por vezes tudo quanto merecem
expressamente pelos cenógrafos Monticelli e Venere. ( Pu-
tão distintos artistas, foi pintado eom tanto esmero e per-
blicador Marmzhense, 31611857, p.4).
feição, e tanto que receberam os seus autores disso as
mais c laras provas sendo pelo público chamados fora e
Do anúncio da 3ª récita da ópera Ernani:
aplaudidos. A cenas de praça e de sala nada de ixaram a
( ... ) O cenário do bailado é novo, pintado expressa-
desejar, e foram no nosso entender pintadas ambas po r
mente pelos cenógrafos Monticelli e Venere. (Publicador
Maranhense, 9/6/ 1857. p.4). pincel de mestre.(...)(Diário do Maranhão, 11 nt 1857, p.2).

ANÚNCIO ANÚNCIOS

JOSÉ DUMAS, retratista, avisa que mudou sua resi- Os artistas Venere e Mo nticelli , pintores cenógrafos
dência para a Rua da Paz n.º 7, por baixo da casa do Dr. do Teatro São Luiz, animados pelo benigno e lisonjeiro
Paulo Saulnier de Pierrelevée, e oferece o seu préstimo ao acolhimento que do obsequiosv público desta cidade têm
re peitável público. (Di6rio do Maranhão, 19161 1857, p.4). tido os seus trabalhos, propõem-se a ensinar desenho e
pintura e dar riscos e traços de edifícios; as pessoas que
ANÚNCIO se dignarem utilizar do seu préstimo, em tudo quanto for
concernente à arte que exercem, poderão procurá-los a
Mr. José Dumas, retratista, precisa alugar um moleque qualquer hora do dia, no teatro ou em sua casa, na Rua da
para o serviço de casa. Quem o quiser alugar dirija-se ao Estrela, que os acharão sempre prontos e animados da
anunciante na Rua da Paz, casa nº 7. (Diário do Maranhão, melhor vontade a servi-las mediante um módico prêmio
22/6/1857, p. 4). dos seus serviços. (Diári(l do Maranhão, L6n/1 857, p.3).

39 Q./Q)
LUIZ DE MELLO

TEATRO nunca suficientemente louvados cenógrafos Venere e


MonticeUi! Podemos afiançar, porque já em algumas das
Somos infom1ados por pessoa idônea que os Srs. Mon- grandes capitais do mundo o vimos perfeitamente desem-
tice!Ji e Venere estão pintando uma vista para o 3º Ato do penhado, q11e o Nab11co, tal qual foi no Maranhão repre-
Torquato Tasso, em obséquio ao seu amigo Sr. Hipólito sentado, pode bem. e m aparato e propriedade de cenário e
para seu benefício. (Diário do Maranhão, 3 l n/l 857, p.2). vestuário. colocar-se a par, se não avantajar-se, num des-
ses teatros de primeira ordem a que nos referimos. Cremos
AS DECORAÇÕES DE BEATRIZ DE TENDA que raríssimos empresários haverá que, como o Sr. Ra-
monda, tanto caprichem em que nos teatros sob sua dire-
Para meu gosto é a ópera que tem sido levada à cena ção representem os espetáculos com o vigor e aparato que
com mais luxo, propriedade, e onde todos os atores entra- demandam à custa dos maiores sacrifícios e nele tanto
ram perfeitamente. No enta nto, não tenho por fim neste mais para louvar-se, por isso que não recua ante as maio-
pequeno artigo tratar da ópera, mas apenas chamar a aten- res dificuldades em uma terra como esta, balda completa-
ção do público para as belas vistas pintadas pelos insig- mente de recursos.
nes cenógrafos Venere e Monticelli. Mas se a te rra não pode pela maior parte das vezes
A primeira vista do salão, iluminado, é arrebatadora e fornecer-lhe os meios de que carece e lhe sugere a seu
e ngana tanto ao espectador, que parece que os globos de ânimo extremado a bem do esplendor do nosso teatro, de-
luz do segundo pano são separados deste, quando nele para-se-lhe ao menos a providência como em compensa-
pintados. A vista de jardim é maravilhosa: o repuxo dos ção de alguns dos seus artistas escriturados que em mere-
leões, o pequeno lago com suas águas escuras e imóveis cimento e dedicação no cumprimento dos seus deveres
são de um efeito surpreendente. Ninguém é capaz de dizer excedam a quantos louvores se lhes possam dar ( ...) des-
que a última vista é cm um pano só! ... Quem suporá que tarte com os imensos reconhecimentos de que dispõem
aquelas colunas, o lampião suspenso do teto - que tudo para o brilhante êxito dos espetáculos líricos que no nos-
aquilo é sobre uma mesma tela! so teatro muitas vezes têm-se aplaudido. É um deles o
insigne maestro Inocêncio Smoltz, cujo talento no exercí-
Já vi a Beatriz em vários teatros; ouvia-a por melhores
cio de sua profissão não recua ante os maiores embaraços
cantores, mas a mise en scene, mas as decorações não
e que encarregando-se do ímprobo trabalho da instrumen-
eran1 superiores às do nosso teatro, primeiro no B rasil onde
tação desta ópera, o completou em menos de quinze dias,
se tem representado esta linda partitura de Bellini.
tão perfeita como a própria do autor, e para nós ainda me-
Diletantes, aplaudis os insignes cenógrafos que o Sr.
lhor porque foi escrita para as coristas dos professores da
Ramonda trouxe na sua companhia, que há poucos corno
nossa orquestra, devendo por isso ter ainda melhor resul-
eles na sua sublime arte.
tado, como realmente teve.
Um arrista.
A probidade e exatidão no cumprimento das obriga-
(A Imprensa, 19/8/ 1857, p.3).
ções de que se encarrega, da parte do empresário Ramon-
da, ao talento e amor da arte dos senhores Smoltz, Venere
PUBLICAÇÃO PEDIDA
e Monticelli se deve principalmente o brilhante êxito do
espetáculo de 7 de setembro, não devendo tampouco dei-
A César o que é de César
xar de mencionar-se a boa execução dos artistas cantan-
tes, que da sua parte muito fizeram, distinguindo-se entre
Pedimos licença ao Sr. - UmArtista -para declarar-lhe
todos os Srs. José d'Hipo lito (Nabuco), Dalla Costa (Za-
que está completamente enganado quando afirma pela im-
carias) e Maffe i (Abigail). (Publicador Maranhense, 5191
prensa que o nosso teatro fo i o primeiro que, entre nós, 1357, p. 3).
apresentou em cena a Beatriz de Tenda. Já tivemos por
muitas noites o prazer de ouvir essa linda partitura de Be-
llini em um outro teatro do Brasil, e estamos prontos para
RETRATOS
repetir os nomes dos atores que desempenharam as diver-
sas partes do drama. Os artistas J. L. Righini e José Dumas têm a honra de
O Me11mô11ico. anunciar ao respeitável público maranhense que na Rua
(A imprensa, 26/8/1857, p. 4). da Paz nº 7 acham-se prontos a tirar retratos fotográficos
em papel, em vidro a fumo, e coloridos, o mais barato pos-
TEATRO LÍRICO sível. Na mesma casa tiram-se retratos a óleo, e as sessões
para os retratos fotográficos serão duas vezes por sema-
Seria uma grande injustiça, uma verdadeira falta de gra- na, nas quintas e nos domingos. (Diário do Maranhão, 71
tidão ao atual empresário do nosso teatro, Sr. José Maria 9/ 1857,p.4).
Ramonda, se porventura deixássemos passar sem men-
ção, e menção muito honrosa, o espetáculo por ele prepa- TEATRO NACIONAL DE SÃO LUIZ
rado para o memorável e glorioso 7 de setembro, a ópera COMPANHIA LÍRICA ITALIANA
Nabuco, do imortal Verdi, pela maneira com que foi monta- Empresa Ramonda
do, quer pelo que pertence à execução na parte dos artis- Sábado, 7 de novembro
tas cantantes, quer e principalmente no que respeita à mise
en sce11e, já quanto à riqueza e propriedade do vestuário e Representação extraordinária em benefício da t• baila-
já quanto à perfeição das decorações, pelos insignes e rina absoluta

CVQ) 40 CVQ)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

VIRGINIA ROMAGNOU realizar seu casamento na cidade de Alcântara, nesta Pro-


Logo que principiar a tocar a orquestra aparecerá um víncia, com a presença do respectivo pároco ou de outro
novo pano de boca, pintado pelos insignes cenógrafos qualquer sacerdote ainda mesmo depois do sol-posto cm
Venere e Monticelli, em obséquio particularmente à bene- qualquer igreja ou oratório daquela cidade, levantando-se
ficiada, representando urna bela vista desta cidade. para esse efeito o competente altar; portanto
P. V. Exa. e Revdº.
ÓPERA Sr. bispo diocesano se digne oferecer aos suplicantes
1ROVAOOR como pedem. - Et ora bint ad Do111i1111111.
Finalizando com o célebre dueto do 3º Ato. (Documento custodiado pelo Arquivo da Arquidioce-
No fim do 1º Ato terá lugar um novo passo a dois, a se de São Lufs-11/12/1857.)
caráter, composto pela beneficiada.
LF.S DEBARDEURS COMUNICADO
No fim do 2º Ato a beneficiada dançará o passo a
caráter Vai ter lugar no sábado, 12 do corrente, o benefício dos
AINGLF.SA nossos comprovincianos, coristas da Companhia Lírica
Em seguida a Sra. Maffci em obséquio a mesma cantará no nosso teatro, o qual brevemente só nos apresentará um
a cavatina da ópera espaço vazio e silencioso, onde tão cedo não folgarão os
TRAVTATA nossos ouvidos com as gratas inspirações de Bcllini , Do-
Música do célebre M. Verdi. nizetti e Verdi. É muito de esperar da justiça e dos brios dos
No fim do 3° Ato a beneficiada dançará o passo a amigos de tão agradável divertimento, que coadjuvem com
caráter a sua generosa e costumada proteção a este grupo de
GITANA artistas maranhenses que com tanta habilidade se têm pres-
Com uma nova vista pintada pelo bem conhecido ce- tado na representação das óperas !(ricas, cujos coros in-
nógrafo o Sr. Venere, em obséquio à mesma. contestavelmente constituem uma parte principal de tais
A beneficiada, penhorada extremosamente pelas tan- composições.
tas provas de benignidade e simpatia que o público mara- Fazemos, pois, sinceros votos pela fortuna dos bencli-
nhense lhe tem compartido, espera neste dia ver coroados ciados no dia 12.
os seus esforços, de que desde já ficará sumamente agra- Um maranhense
decida. (P11blicadorMara11hense, 7/12/1857, p. 3).
Principiará às 8 horas. (Dicírio do Maranhão, 6/11/
1857,p.4). ANÚNCIO

Petição de casamento de Domingos Tribuzi e Custó- Na casa cios Srs. Fournicr Rodorf & Companhia, no
dia Maria Gaspar Largo de Palácio, acham-se à venda vistas litograf:!das do
Jurando o suplicante ser solteiro, se lhe passe provi- Largo de Pal:ício e da Sé do Maranhão- superiores charu-
são na forma pedida caucionando ao juízo pelos banhos tos da Bahia, sendo Cata-Flores, Forma de Havana e De-
desta cidade. Paço Episcopal do Maranhão, 11 de dezem- putados, todos de ótima qualidade, vinho de Bordeaux
bro de 1857. -Mons. Sabino. fino e legítimo, cm garrafas e quartolas. (Diário do
Domingos Tribuzi, natural de Frascati, concisa a Roma Maranhão, 17/1211857, p.4).
na Itália, filho legítimo de Giuseppe Tribuzi e D. Caetana
Borzi, acha-se contratado para casar com D. Custódia Ma- GOVERNO DA PROVÍNCIA
ria Gaspar, natural da freguesia de São José do Preá, nesta Expediente do dia 11/1/1858
Província e Bispado, filha legítima de Francisco Antônio
das Chagas e D. Francisca Xavier Frazão, já falecidos, e (...) O presidente da Província resolve conceder ao
viúva de Manoel Antônio Gaspar, scndú ambos os contra- tenente-coronel Fernando Luiz Ferreira a exoneração, que
entes paroquianos da freguesia de Nossa Senhora da Con- pediu, do cargo de professor de geometria, mecânica e
ceição desta cidade; como porém veio ele de sua pátria, de desenho aplicado às artes da Casa dos Educandos Artí-
maior idade, para a capital da Bahia e daí para a de Pernam- fices.
buco, tendo residido em cada uma daquelas cidades o es- Fizeram-se as devidas comunicações.
paço de três anos, passando-se depois para a desta Pro-
víncia onde reside há 16 anos e desejando assedar-se da O presidente da Província resolve nomear o Dr. João
vida pecaminosa cm que, por fragilidade, tem pennanecido Nunes de Campos para o cargo de professor de geometria,
com a contraente há onze anos, com a qual não tem impe- mecânica e desenho aplicado às artes da Casa dos Edu-
dimento algum canônico, recorre à Igreja de Jesus Cristo, candos Artífices.
que é mãe de piedade, implorando a V. Exa. Revdma. a Fizeram-se as devidas comunicações. (Dicírio do
graça de absolvê-los misericordiarnentc da censura em que Maranhão, 1611/1858, p.l).
têm incorrido, dispensando-os ao mesmo tempo de ba-
nhos corridos ante e post-matrimonium não só desta ca- DEMISSÃO
pital como das localidades cm que se demorou o contraen-
te, bem como de toda e qualquer forn1a de processo e à Foi concedida a demissão, que pediu o tenente-coronel
vista dos documentos juntos permitir-lhes que possam Fernando Luiz Ferreira, do cargo de professor de geometria,
LUIZ DE MELLO

mecânica e desenho aplicado às Artes da Casa dos Edu- Quem quiser pode dirigir-se à casa dos abaixo assina-
candos Artífices, sendo nomeado para o mesmo cargo o dos das 4 às 6 horas da tarde, Rua da Paz.
Dr. João Nunes de Campos. (O Obsetvador, 231li1858, p.4). Giovani Venere
Luigi Monticelli
BELAS-ARTES (Publicador Maranhense, 11/3/1858, p.3).
DESENHO, MINIATURA E PINTURA
NOVA CASA DE ARMADOR

DOMINGOS TRIBUZI continua a lecionar em casas Antônio José da Silva Sá avisa que abriu o seu estabe-
particulares e em sua casa, Beco do Sineiro. (Publicador lecimento de armador na Rua da Paz, casa nº - defronte da
Maranhense, 25/1/1858, p.4). casa em que mora o limo. Sr. Dr. Antônio Henriques Leal,
aonde poderá ser procurado a qualquer hora do dia ou da
GOVERNO DA PROVÍNCIA noite, para enterros, festas de igrejas, Passos &, prome-
Expediente do dia 3/2/1858 tendo desde já fazer tudo mais em conta que outro qual-
quer, e com bastante asseio e prontidão, pois que para
(...)Ao inspetor do Tesouro Público Provincial. -Apro- este fim tem feito novas armações.
vo a escolha que Vmc. fez de José d' Albuquerque Cardo- Maranhão, 20 de março de 1858 (Publicador Mara-
so Homem para feitor e mestre das obras do Farol de Itaco- nhense, 231411858, p.3).
lomi com a gratificação mensal de réis l 00$000, e fico cien-
te das providências que tem tomado para que não faltem (Do) relatório presidencial do Dr. Francisco Xavier Paes
os materiais e operários precisos à dita obra. O que comu- Barreto passando a administração da Província ao vice-
nico a V me. em resposta ao seu ofício de 1º do corrente.
presidente João Pedro Dias Vieira:
(Diário do Maranhão, 10/2/1858, p.1).
TEATRO SÃO LUIZ
GOVERNO DA PROVÍNCIA
Expediente do dia 12/2/1858
O teto deste edifício precisa ser feito de novo. Quase
Ofícios
toda a madeira e ferragem necessárias para esse fim acham-
se prontas. Esperava que passasse a estação invernosa
(...)Ao inspetor do Tesouro Público Provincial: -Man-
para dar começo a esses trabalhos, que são urgentes.
de Vmc. pagar ao retratista José Dumas a quantia de
l 00$000 réis, importância do retrato do falecido presidente Com a quantia de 4:400$000 réis votada na Lei de Orça-
desta Província Eduardo Olímpio Machado, que se desti- mento para aquisição de um lustre pertencente ao ex-em-
na ao Asilo Santa Teresa. ( ... ).(Diário do Maranhão, 29121 presário José Maria Ramonda, não só foi comprado o refe-
1858,p.1). rido lustre, como todos os utensílios e objetos de decora-
ção que o mesmo Ramonda possuía naquele teatro, avali-
AVISO AOS SENHORES ARTISTAS ados em l :880$000 réis. (...) (Diário do Maranhão, 26141
1858, p.l).
Os abaixo assinados, pintores, tendo por algum tempo
de demorar-se nesta capital, deliberaram abrir uma aula de AVISOS
qualquer ramo de desenho elementar, aplicado às artes de
pintura, de marceneiro, de pedreiro, de carpinteiro e de José Maria Ramonda, Virgínia Romagnolli e sua mãe
serralheiro. Todos aqueles que pertencerem a estas clas- 1etiram-se para fora da Prov.íncia. (Publicador Maranhen-
ses podem dirigir-se à Rua da Paz, casa térrea do Sr. Dr. se, 3/5/1858, p.4).
Lobato, aonde encontrarão os abaixo assinados, das 4 às
6 horas da tarde de todos os dias não santificados, com AVISOS
que, mediante um módico preço, segundo um número de
discípulos, poderão colher a instrução no gênero de pin- O curador fiscal da massa falida de José Maria Ramon-
tura respectivo às suas classes, que é tão preciso. Tam- da previne ao Sr. Dr. chefe de polícia que o mesmo Sr.
bém se encarregam de qualquer gênero de lavor, de pintu- Ramonda não pode se retirar para fora desta Província sem
ra, decorações, desenho, principiando do dia 8 de março que se verifiquem os títulos dos credores e se libere sobre
vindouro. a comodata como é de lei, e que ainda não teve lugar.
Giovani Venere Maranhão, 4 de maio de 1858
Luigi Monticelli Manoel Gonçalves da Silva
(Publicador Maranhense, 26/211858, p.4) (Publicador Maranhense, 41511858, p.4).

ANÚNCIO ESMOLA AO ESTRANGEIRO

Não aparecendo até agora bastante número de discí- Consta-nos que o Sr. Venere se acha afetado de uma
pulos, o ensinamento de desenho elementar para os artis- doença incurável no nosso clima - e por conselho dos
tas, anunciado nesta folha, foi transferido para o dia 15 médicos deve retirar-se para a sua pátria; a falta de meios,
deste mês. A aula ficará aberta das 7 às 9 horas da noite. porém, embarga-lhe a viagem.

<V'@ 42 <V'@
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

Essa generosidade que nos caracteriza, não menos que MORTALIDADE


o dever de caridade, aconselham que paguemos hoje ao
infeliz artista as horas de prazer que já nos fez gozar nes- Cadáveres sepultados no Cemitério da Santa Casa de
sas magníficas e perfeitíssimas pinturas que enriquecem a Misericórdia:
cena maranhense. Co ntribuamos todos para o seu benefí-
cio -é uma boa obra, é um modo belo e cligno de premiar o Junho, l º - Luiz Monticelli, 28 anos, Turim, febre ama-
talento desventurado - como só o sabe e costuma fazer rela. (Publicador Mara11he11se, 2161 1858, p.3).
um povo civilizado.
Justus (A Imprensa, 5/5/1858, p.2). REVISTA NOTICIOSA
FALECIMENTO
ATENÇÃO
No dia 3 1 do passado faleceu o pintor cenógrafo Mon-
Nesta tipografia se diz quem prontifica pedras para se- ticelli, vítima da febre amarela. Seu belo pincel, que com
pulcro, ou qualquer memória de mármore ou outras pedras tanta perfeição reproduzia as mais ricas paisagens da Eu-
com a maior perfeição possível; bem como inscrever nas ropa, nunca será esquecido dos maranhenses amantes elas
mesmas, letras de todas as fonnas e caracteres que forem Belas-Artes. (A Imprensa, 2/6/ 1858, p.4).
do gosto de quem os encomendar. Afiança-se desde já
que estas obras devem ser preferíve is às que vêm de Lis- RELAÇÃO DAS PESSOAS QUE FORAM
boa ou outros países, não só pela perfeição e primor de SEPULTADAS NOS CEMITÉRIOS PÚBLICOS
obra, como também por ser muito mais barato, livres de
direito da Alfândega e isentas de risco de viagem ou qual- ( ... ) Junho - lºa3:
quer avaria, por serem fe itas nesta capital, à vontade das
pessoas que de tais objetos precisarem. (Publicador Ma- Luiz Monticelli, 28 anos, Turim, febre amarela. (A Im -
ra11he11se, 17/5/1858, p.3). prensa, 5/6/1858, p.4).

ANÚNCIO DE DOMINGOS TRIBUZI LEILÃO

Na Travessa do Sineiro nº 4 vende-se a obra completa Quinta-feira, 17 do corre nte, no Teatro São Luiz desta
dos quadros de Rafael de Urbino em 4 vol., costumes dos cidade, por autorização do meritíssimo juiz do Comércio,
povos antigos cm 3 vol., Manual do Museu Francês, re- de todos os bens pertencentes ao falido empresário José
presentando quadros de diversos autores em 10 vol., ob- Maria Ramonda. Principiará às 4 horas da tarde. (Publicn-
jetos tirados das tragédias de Sófocles, desenhados e gra- dor Maranhense, 161611858, p.4).
vados por Giancomellecm 5 cadernos; Tratado das Cinco
Ordens da Arquitetura, 1 volume; 11 retratos dos chefes AVISO DO PINTOR FRANC~S JOSÉ DUMAS
da Revolução Francesa em 1793. tirados em gesso, e mais
uma porção de estampas coloridas e a fumo, que tudo se José Dumas, pintor retratista, faz público que tendo de
venderá em conta por se acharem com algum uso. (Publi- se retirar do Império, deseja desfazer-se por preço cômodo
cador Maranhense, 18/5/ 1858, p.4). de uma excelente máquina para tirar retratos de fotogralia,
e de todos os seus pertences, assim como de dois tratados
AV1SOS de fotografias dos melhores que existem. - Rua da Paz nº 7,
por baixo da casa do Dr. Paulo Saulnier de Pierrelevée.
Jeovani Venere, súdito sardo, retira-se para Pernambu- (Publicador Maranhense, 28/6/1 858, p.3).
co. (Publicador \.fara11he11se, 2215/ 1858, p.4).
GOVERNO DA PROVÍNCIA
João Venere, súdito sardo, retira-se para Pernambuco. Expediente do dia 13 de jull10 de 1858
(Publicador Maranhense, 25/511858, p.4).
( ... ) Ao inspetor do Tesouro Provincial - Mande Ymc.
REGISTRO DO PORTO pagar a José Francisco Vieira Braga, por conta do crédito
SAÍDAS - DIA 31 de que trata o§ 7 do art. 22 da Lei nº 440, de 6 de setembro
de 1856, a quantia de 30$ ré is, importância do retoque que
Paquete a vapor Tocantins, comandante primeiro-te- fez no retrato do falecido Dr. Eduardo Olímpio Machado,
nente Pedro Hipó lito Duarte; passageiros para o Ceará - que tem de ser colocado no Asilo de Santa Teresa. (...)
Coriolano Martins Correia, A. Harismendi. - Pernambuco: (Publicador Maranhe11se, 17n/1858, p.2).
preso de justiça Manoel Ferreira de Souza, sua mulher,
dois filhos e dois praças que o escoltam, Virgínia Romag- UMA LEMBRANÇA
nolli, Giudita Romagnolli, José Manoel da Costa Ferreira,
Antônio Bernardino da Costa Ferreira, Giovanni Venere, 3 Seria bom que na Casa dos Educandos se aplicasse
escravos a entregar. Bahia: José Maria Ramonda ( ...) (Pu- assiduamente dez ou doze jovens ao estudo do desenho
blicador Maranhense, 1°/6/ 1858, p.4). linear a fim de poderem ser aproveitados para a fundi ção.

~ 43 <?../@
LUIZ DE MELLO

Sem o desenho linear não se pode ser bom operário o Teatro São Luiz e muitas outras casas particulares, repre-
fundidor, ferreiro e caldeireiro. Ora, com a criação desse sentando todo este complexo, acompanhado dos sons fes-
importante estabelecimento carecemos de bons oficiais na- tivais dos sinos e das músicas de outros bailes particula-
cionais para ir substituindo os estrangeiros que em parte res que houve na noite de 28, a verdadeira alegria de um
pouco se demoram em geral entre nós, e em parte serão triunfo público.
talvez ceifados infel izmente pela febre amarela, que não os Na noite de 29 esteve também ricamente iluminado, a
poupa. (A Imprensa, l 7n/l 858, p.2). expensas do respectivo encarregado, Sr. capitão Inácio
José Ferreira, o Jardim, que estava pejado de senhoras e
AVISO cavalheiros, tocando as bandas de música do 5º Batalhão
e dos Educandos Artífices várias peças.
José Dumas pretende sair esta semana para Nova York. Ao chegar o Exmo. Sr. vice-presidente deram-se vivas
(Publicador Maranhense, 201711 858, p.4). ao motivo do festejo, e pouco depois reuniu-se a banda de
música do 3° Batalhão da Guarda Nacional, e em seguida
MOVIMENTO DO PORTO percorreram com o povo ali reunido as principais ruas da
capital com muitos vivas e foguetes.
Saídas - Dia 26: Entretanto um outro grupo de cidadãos passeava com
Nova York - Iate Americano Maria, capitão W. Landi- música e um pendão iluminado com a inscrição - 28 de
se, tripulação: 8 pessoas; consignado a M. P. G Caldas; Julho - e ao passar pela porta do Dr. Vale de Carvalho,
passageiro: José Dumas; carga: vários gêneros. (A Impren- recitou este senhor de sua janela uma belíssima poesia em
sa, 2817/1858, p.4). que transluzia o verdadeiro sentimento patriótico e entusi-
ástico, de que se achava então freneticamente dominado
GAZETILHA todo o povo da cidade de São Luís.
Muito estimaremos que não arrefeçam os ânimos dos
Há muitos anos que não víamos tão festejado o dia 28 nossos concidadãos cm solenizar sempre o grande dia, do
de julho, o primeiro dia político da nossa Província.. qual a Província data sua liberdade do jugo colonial. (O
Este ano, porém, como maranhenses ficamos plena- Observador, 5/8/1858, p.2).
mente satisfeitos pela maneira entusiástica como foi recor-
dado esse grande fato da nossa história política. GOVERNO DA PROvíNCIA
Na manhã de 28 teve lugar na Catedral solene Te Deum Expediente do dia 6 de agosto de 1858
por música vocal e instrumental, ao qual, exceto o Exmo.
Sr. Bispo, por achar-se incomodado, assistiu o Exmo. Sr.
(.. .)Ao inspetor do Tesouro Provincial. - Em resposta
vice-presidente da Província, a Câmara Municipal, o clero
ao seu ofício de 5 do corrente, declaro a Vmc. que o orde-
secular e regular, os cônsules estrangeiros, os emprega-
nado de Domingos Tribuli, que está regendo interinamen-
dos públicos gerais e provinciais, os magistrados de pri-
te a aula de mecânica aplicada às artes da Casa dos Edu-
meira e segunda instância, os oficiais de mar e terra e mui-
candos, deve ser deduzido da verba pela qual são pagos
tos outros cidadãos grados, formando em alas no recinto
os empregados daquele estabelecimento, e, para socorrer
da igreja o corpo de educandos artífices.
o déficit resultante desse excesso de despesa, oportuna-
Na praça do Palácio do Governo estava formada em
mente será aberto um crédito suplementar. (...). (Publica -
grande parada toda a legião do termo da capital, a qual,
dor Maranltense, 11 /8/1858, p.2).
findo o ato religioso, deu as descargas do estilo e fez a
marcha de continência em volta do campo.
GOVERNO DA PROvíNCIA
As fortalezas e os vasos de guerra embandeirados sal-
Expediente do dia 1218/1858
vardIJl.
Nas noites de 27 e 28 houve brilhante iluminação na
frente do quartel, promovida pelos oficiais do 5º de Fuzilei- ( ...)Ao diretor do Asilo Santa Teresa. - Transmito a V.
ros da Guarda Nacional, tendo no alto do frontispício em Sa. o retrato do falecido Dr. Eduardo Olímpio Machado,
bela e grande pintura a efígie de S. M. I. que foi descoberta que, cm virtude da Lei Provincial nº 422, de 14 de agosto de
e saudada na primeira noite à chegada do Sr. vice-presi- 1856, tem de ser colocado no Asilo de Santa Teresa (...)
dente, que deu vivas análogos ao festejo, acompanhados (Publicador Marcmltense, 17/811858, p. I ).
pelo povo ali reunido e por duas bandas de música, além
de grande número de foguetes em girândolas. CATEDRAL
Na noite de 28 houve esplêndido baile no Clube Mara-
nhense, ern honra à solenidade do dia, estando à porta do Tendo de se proceder à pintura e limpeza do dourado
edifício, brilhantemente iluminado, uma guarda de honra da Santa Igreja Catedral desta cidade, e também a alguns
com bandeira e música; e à hora competente deram-se vi- dourados novos, pelo presente se convidam os senhores
vas e saudou-se o retrato imperial colocado na sala princi- artistas que se queiram encarregar destas obras, para vi-
pal ; achava-se ali reunido o belo sexo com toda a sua gra- rem examinar a natureza delas e as condições com que
ça e dona ire, assim como um extraordinário número de ca- devem ser feitas.
valheiros distintos cm todas as ordens públicas e oficiais. Maranhão, 16 de agosto de 1858
O cônego tesoureiro-mor,
Nas noites de 27, 28 e 29 esteve iluminado o Palácio do Eleutério Marques da Silva Rosa
Governo e a Câmara Municipal, o Paço Episcopal, o hotel, (Publicador Maranliense, 23/8/ L858, p.4).
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)
---------------------- --- -------
MARANHÃO, 9 DE SETEMBRO DE 1858 EXONERAÇÃO

Há tempos não se celebra na Província o dia 7 de se- Foi concedida a exoneração que pediu o Dr. João Nu-
tembro, aniversário da proclamação da Independência do nes de Campos dos cargos de administrador das Obras
Brasil, com tanto entusiasmo como o foi este ano. Públicas e de professor de mecânica aplicada às artes da
No dia 6 à noite houve uma brilhante iluminação no Casa dos Educandos. (0 Observador, 29/9/1858, p.2).
Jardim da Praça da Assembléia, feita pela Sociedade Vinte e
Oito de Julho, para onde se dirigiram em grande número os CORRESPOND~NCIA DO OBSERVADOR
membros da mesma e de onde, com a banda de música dos
Educandos cm frente, a efígie da Liberdade no centro em um Recife, 9 de setembro
quadro transparente, carregado por cidadãos distintos que
se revezavam de quando em quando, seguiram para o Quar- Analisando a estréia da Companhia lírica de Mari-
tel do Campo de Ourique, onde havia também uma brilhante nangeli, no Recife. a 181811858, escreveu o correspon-
e vistosa iluminação, feita pela oficialidade do 5º Batalhão dente sobre o pintor Giova11i Venere:
de Fuzileiros, a tomar a música daquele batalhão, que frater- (...)O pintor cenógrafo é também um artista de mereci-
nizou com a dos Educandos, e com as quais saíram a percor- mento, posto que, a meu ver, um pouco menos perfeito do
rer as principais ruas da cidade, dirigindo-se à casa em que que o Sr. Righini, bem conhecido do público do Maranhão.
habita S. Exa. o Sr. vice-presidente da Provmcia, diante da Uma vista de sala, que me afinnaram ser obra do Sr. Venere,
qual deram vivas análogos ao objeto do dia que foram cor- não revela o estilo particular e característico de alguma
respondidos por S. Exa.; depois a casa de morada do Eitmo. das escolas italianas, é um misto de todas elas, que não
Sr. bispo diocesano, onde deram vivas, que foram também exprime uma idéia; isto pelo lado científico. Quanto à pa11e
correspondidos por S. Exa. Reverendíssima; em seguida a puramente material, nada tenho a dizer senão cm louvor do
casa do Sr. Dr. chefe de polícia e de muitos cidadãos not<i- Sr. Venere.(...)
vcis, onde se repetiram os mesmos vivas. J.C.
Houve um discurso patriótico recitado pelo Sr. Fran- (O Observador, 911O/1858, p.2).
cisco Marciano de Cerqueira, alferes do 5° Batalhão de
Fuzileiros, e uma poesia também patriótica recitada pelo Sr. CONTRATO
Dr. Raimundo Alexandre Vale.
O cortejo dirigiu-se por último ao Hotel Mamnhense, que Foi contratado para servir por seis meses de lente de
se achava brilhantemente iluminado à custa de seu proprict<i- desenho aplicado às artes e ofícios da Casa dos Educan-
rio, e onde houve uma ceia lauta para as duas bandas de dos, o súdito português José d' Albuquerque Cardoso Ho-
música militares, que se prestaram a acompanhá-lo grátis. mem. (0 Observador, 19/10/1858, p.2).
Quase toda a cidade se achava igualmente iluminada.
É de notar que cm uma reunião, que se compôs de mais QUADROS PARA SALA
de duas mil pessoas, segundo ouvimos calcular, e em que
se notavam cidadãos de todas as classes, não houve o Lindos e finíssimos quadros com moldura dourada, de
menor dito ofensivo, antes reinou muita ordem no meio do magníficos desenhos, vendem-se por preço quase de gra-
regozijo público. ça na Livraria do Frias, no Canto do Vira-Mundo. (Publi-
No dia 7 pelas 9 horas da manhã houve grande parada cador Maranhense, 4112/1 858, p.4).
da Guarda Nacional no Largo de Palácio e solene Te Deum
na Catedral em que oficiou o Eltmo. Sr. bispo diocesano, e a CHAFARIZES
que assistiram S. Exa. o Sr. vice-presidente da Província, os
cônsules das nações estrangeiras, diversos magistrados, Acabam de chegar ao nosso porto os seis chafarizes,
os chefes e empregados das repartições públicas, a oficiali- tubos e ferragens para a caixa d'água do Largo do Quartel,
dade da Guarda Nacional, Marinha, Exército e não pequena encomendados pela Companhia Ani 1, a qual também agora
concorrência de cidadãos, formando alas dentro do templo contratou com o engenheiro Raimundo Teixeira Mendes
o Corpo dos Educandos Artífices, como é costume. todas as obras do encanamento desde o sítio do Castro
À noite houve baile no Clube Maranhensc, que tam- até à cidade, com exclusão da caixa d'água e custo dos
bém esteve muito concorrido. (Publicador Maranliense, chafarizes. pela soma de oitenta e um contos de réis, obri-
9/911858, p.2). gando-se o dito engenheiro a dar tudo concluído até 6 de
junho de 1860. (O Observador, 1O/1 211 858, p.4).
J. L. RIGIIlNI
AVISO
Morador na Praça da Alegria, casa 11 , avisa ao respei- BELAS-ARTES
tável público que ele desde as 9 horas da manhã até às 3 da
tarde em todos os dias, salvo às quartas-feiras, tira retra- DOMINGOS TRlBUZI de janeiro em diante abre cm
tos de cristalorofta os mais perfeitos. tendo para isto rece- sua casa na Rua Grande, sobrado nº 38, um curso regular
bido da Europa um belo sortimento de quadro e caixas em de desenho, onde ensinará desenho linear à vista, geomé-
todo o gênero. Estes retratos têm sobre os outros a grande trico aplicado às a11es, de ornato, de paisagem, de pers-
vantagem de nunca se deteriorarem. Os preços variam de pectiva e de figura, para o que tem todos os trabalhos
6$ a 30 rs., conforme os caixilhos, tamanhos, cores etc. necessários, bustos e figuras de gesso dos melhores au-
(Jornal do Comércio, .15/9/ 1858, p.3). tores, antigos e modernos, um perfeito manequim para

<:./Q) 45
~
LUIZ DE MELLO ~

copiar ao natural roupas e panos. Do meado do ano em recebido da Europa um belo sortimento de quadros e cai-
diante os discípulos mais adianLados poderão ir copiando xas em todo o gênero. Estes retratos têm sobre os outros a
nus - a que se chama estudo de academia que é o último grande vantagem de nunca se deteriorarem. Os preços
do desenho de figura. Também ensina a pintar a óleo, em variam de 6$ a 30 rs. conforme os caixilhos, tamanhos,
miniatura e a aquarela das 6 às 8 horas da manhã, e das 2 às cores etc. (Jornal do Comércio, 19/2/ 1859, p.4).
4 horas da tarde, e empresta traslados para aqueles que
quiserem trabalhar em sua casa e virem só passar suas HOMENS ILUSTRES
1ições na aula.
As pessoas que se quiserem utilizar do seu préstimo, o Comendador Eusébio, Marquês de Olinda, Visconde
podem procurar na mesma casa todos os dias desde as 6 de Uruguai, Visconde de Abaeté, Visconde de Ilaboraí,
às 1Oda manhã, e das 2 às 4 horas da tarde para se ajusta- Visconde de Caravelas, Marquês de Abrantes, Visconde
rem. (O Progresso, 17/12/1858, p.4). de Sapucaí, Marquês de Caxias, Conde de Santa Cruz,
Conde de lrajá, Mont' Alverne, Cândido Batista, Antônio
ANÚNCIOS Carlos, José Boni fácio e outros. No Bazar Novo, Rua do
RUA DA CRUZ, 21 Sol, vende-se os retratos a 2$000; com a biografia 3$000.
(A Moderação, 251311 859, p.3).
Francisco Luiz Marques faz ciente que apronta ima-
gens de madeira, doura toda e qualquer obra de madeira, ÓBITOS - DIA 1º:
tanto a dourada de água como a mordente, conserta palan-
quins e encarrega-se, por empreitada, de pintura de casas: (...) Francisco Raimundo Diniz, 24 anos, Maranhão -
o que tudo faz com perfeição e por preço cômodo. As catarro pulmonar. (O Globo, 5/4/1859, p.2).
pessoas que se quiserem utilizar do serviço do anunciante
poderão procurá-lo em sua residência a qualquer hora do UM PROJETO GRANDIOSO
dia. (O Século, 17/1 2/1858, p.4).
Um nosso comprovinciano, homem bastante engenho-
COMPANHIA LÍRICA so e bem artista quase que por natureza, propõe-se a feste-
jar o nosso grande dia provincial com uma iluminação nova
No Cruzeiro do Sul chegou a Companhia Lírica do Sr. e arrojada, coisa muito para maravilhar.
José Marinangeli. O elenco da companhia é o seguinte: Tantos títulos temjá o Sr. Veríssimo que o tomam reco-
Prima-dona soprano: Margarida Sachero mendável, que ocioso será aqui citar tantas e tão variadas
Dila meia-soprano: Paulina Gianclli
obras deste gênero que tem levado a cabo com aplauso
Dita contralto: Ercilia Patrese
geral, lembrando tão-somente a sua célebre pirâmide lumi-
Primeiro tenor: Melchior Sachero
nosa, que pelo seu bem-acabado, novidade de idéia e arro-
Primeiro barítono: Henrico Comia Mari
jado da empresa, deixou-lhe um nome.
Primeiro baixo profundo: CesarGiannelli
Para levar ao fi m o seu atual projeto - do Pal6cio Lu-
Baixo bufo: Leopoldo Torricelli
minoso-, que carece de muitos fundos, cumpria que to-
Pintor cenógrafo: Giovanni Venere
dos os bons maranhenses se empenhassem seriamente
Regente da orquestra e ensaiador: Gualtiero SanelJi
Dez coristas de ambos os sexos, um alfaiate e um ma- em auxiliá-lo, angariando subscrições e falando aos remis-
quinista mestre de coros. so e indiferentes; e à Sociedade Vinte e Oito de Julho, que
Além deste pessoal, que exigiu o contrato feito com a concorresse com avultada soma para este festejo, que se-
Província, o Sr. Marinangelli escriturou para agradar ao ria Lambém o seu.
público duas dan ...arinas, as senhoras Virgínia e Catarina Chamamos, pois, a atenção pública para o projeto do
Romagnolli, uma já conhecida e aplaudida no nosso tea- Sr. Veríssimo Ricardo Vieira, que abaixo transcrevemos.
tro. Um mara11he11se patriota.
Temos à vista jornais de Pernambuco, e por eles vemos
que foi muito aplaudida a Companhia Lírica do Sr. Mari- PROJETO
nangell i. Brevemente a companhia vai estrear no nosso
teatro, e a Lucrécia Bórgia é a primeira ópera que vai à De iluminação monstro, para o dia 28 de julho de
cena, segundo nos consta. (O Globo, 7/1/1859, p.3). 1859, em demonstração de público regozijo pelo aniver-
sário da Emancipação Po/(tica da Província e sua Ade-
(DA) Lista Geral dos cidadãos residentes no município são à Independência do Império.
da capiLal do Maranhão, que foram julgados aptos para
jurados no corrente ano de 1859: (... ) Nº 106: Domingos MAGN'ÍFICO PALÁCIO LUMINOSO
Tribuzi. (Publicador Maranhense, 14/2/1859, p.3).
Nesta obra de trabalhosa execução, simulando um so-
J. L. RIGHINI berbo e majestoso PALÁCIO DE CRISTAL- será interna e
externamente iluminado, sem que se divisem os focos don-
Morador na Praça da Alegria, casa nº l l, avisa ao res- de e difunde a luz para os diferentes pontos dela.
peitável público que ele desde as 9 horas da manhã até às Apresentará interiormente um vasto salão, luxuosamen-
3 da tarde em todos os dias, salvo as quartas-feiras, tira te adornado, no qual a sociedade elegante poderá dar pom-
retratos de crisLalotofia os mais perfei tos, tendo para isto posos saraus nas três noites de duração do festejo.
CRONOLOGIA DAS ARTES PlÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

Colocado na Praça da Alegria, por ser esta a mais regu- NECROLÓGIO.


larmente quadrada e sem declive sensível , se levantará
sobre um tablado de 8 palmos de altura, de sobre o qual No dia 31 de março findo faleceu vítima de uma afecção
avultará o corpo do edifício de configuração oitavada, com pulmonar o Sr. Francisco Raimundo Diniz, natural desta
quatro grandes frontarias voltadas para as embocaduras capital.
das quatro ruas que dão para a referida praça. e quatro Jovem dotado de não pequena capacidade intelectual,
menores, abrangendo as primeiras uma extensão de 45 posto que sem bens de fortuna, ainda assim graças aos
palmos, as segundas de 15, com a elevação de 50 palmos; cuidados de sua desvelada educação cursou aulas de Hu-
e rematará com uma balaustrada cm tomo, sobre que as- manidades no Liceu desta cidade, onde conseguiu oco-
sentarão diversos emblemas alegóricos a fatos nacionais. nhecimento das línguas latina, francesa e inglesa, e assim
Entrar-se-á para o edifício por escadaria a esse fim mais o estudo de geometria e de desenho. Aplicando-se
adequadas, mediando de uma entrada a outra diametral- depois ao estudo da mecânica freqüentou no estabeleci-
mente oposta a distância de 70 palmos, e apresentará no mento dos Educandos o desenho linear e a pintura afresco
seu todo um perímetro de 240. e aquarela, bem como a escultura cm cera, gesso. pedra e
O abaixo assinado, autor da obra, tem em sua casa, Rua
gravura; o professor Albuquerque Cardoso fazia-lhe dis-
da Palma nº 19, franco a todos aqueles que quiserem ver e
tinção ao seu talento particular, visto que com grande inte-
melhor aj uizar dela, o seu desenJ10 e planta, e dará as expli-
ligência e capacidade artística teve não pequena parte nos
cações que lhe forem exigidas.
trabalhos de baixo-relevo e escultura, nas decorações do
Sendo não pequena a soma precisa pa.ra levar a efeito
proscênio e de outros lugares do nosso teatro.
este trabalho, a coleta das contribuições, a que se tem de
Assim, pois, sendo devidamente apreciado pelos cx-
proceder, será encarregada a diversas pessoas conheci-
administradores das Obras Públicas provinciais, os Srs.
das nesta capital, as quais se prestam a coadjuvar o autor,
Drs. Teixeira Mendes e Campos, foi por eles empregado
cujos nomes serão publicados nos jornais, e por si sós são
em várias comissões de estatísticas, medições e alinha-
uma forte garantia das somas por seu intermédio arrecada-
mentos, até que sendo criado por lei provincial o lugar de
das, fazendo-se a restituição delas, dado o caso de não se
desenhista naquela repartição, foi o Sr. Diniz para ele pro-
realizar a obra, o que não espera o autor, que já teve a
satisfação de levar a efeito a PIRÂMIDE LUMlNOSA - posto e logo nomeado pelo Governo da Província. No exer-
que em 28 de julho de 1845 foi levantada na mesma praça cício deste emprego, mau grado a terrível enfermidade que
em que se projeta erigir em 1859 o grandioso palácio, que então cruelmente o assaltava, cumpriu sempre qualquer
constitui o objeto do presente programa. comissão, de que fora encarregado, já desenhando plan-
O abaixo assinado, tendo concebido um plano de ilu- tas para diversas matrizes, faróis e outras obras do interior
minação até hoje não visto entre nós, ensaiado apenas em da Província, já empregando-se no nivelamento do Cami-
1845, e desejoso <lc que o seu pensamento seja reduzido à nho Grande e na limpeza e aplainamento da Estrada da
prática em uma ocasião tão solene, como a que nos recor- Estiva, sendo que nós, que escrevemos este pequeno es-
da o amanhecer da lu.t e da liberdade, que derrui e aniquila boço de sua vida, vimos a planta para uma alfândega desta
no solo maranhense o poderio externo, franqueando-nos capital, que, a nosso ver, nada deixava a desejar.
acesso entre os povos livres, invoca a proteção de todos A moléstia, porém, traiçoeiramente o corroía, e a vida
aqueles a quem não é indiferente a prosperidade e engran- se lhe escapava, minada lentamente pelas dores e aflições
decimento da Província, porque a felicidade de um povo que o agitavam.
não é, no século XIX, um fato isolado, que se limita e R esignado, porém, e amado sempre de sua família, ex-
concentra nele só, como fonte estagnada, cujas águas não pirou ainda na flor dos anos, pois que começara a viver
vão com seu frescor fertilizar as veias vizinhas; mas esta- desde o ano de 1833.
belece uma artéria benéfica, que se dilata a todos os povos Desceu à sepultura no 1° deste mês, em cuja ocasião
com quem nutre mútuas relações Je recíprocos interesses, recitou seu dedicado amigo e colega, Sr. Isidoro Juvêncio
os quais t.endem a fraternizar as nações no andamento da Silva Barreiros, a seguinte alocução, que compungiu
contínuo e ascendente da civilização do Mundo. profundamente a todos que se achavam presentes.
Animado por este pensar generoso e civilizador da épo-
ca, que é um poderoso agente do progresso e que impele o UMA LÁGRIMA
homem para a perfectibilidade de que é suscetível sua na-
tureza, como a lei de gravitação atrai os corpos para um vertida à borda da sepultura do Sr. Francisco Raimun-
centro; contando com o sentimento patriótico dos filhos do Diniz, no dia 1° do corrente, pelo seu nmigo Isidoro
do Maranhão, o abaixo assinado tem suma confiança de Juvêncio da Silva Barreiros.
que o seu projeto descerá da região da imaginação ao po· Bem triste e solene é o momento em que à beira do
sitivismo do fato, e deste modo rememorando o ato políti- túmulo vimos endereçar ao amigo morto o extremo adeus,
co que pôs termo à tutela e pupilagem da Província, pague
e aceitar com o coração comprimido pela dor essa separa-
também, em comum com os habitantes desta gentil e graci-
ção que seqüestra o homem vivo do que dorme o sono
osa cidade, sua quota de veneração, de reconhecimento e eterno.
sagrado respeito a esses esforçados varões, que nos dei-
Esta passagem dolorosa, porém, da vida à morte, que
xaram cm legado as franquias de um povo livre e todo u.n
contrasta as duas existências do Homem, fecunda em me-
cortejo de bens variados, que delas procedem.
ditações para o filósofo, e que faz estremecer de susto o
Maranhão, 6 de outubro de 1858
Veríssimo Ricardo Vieira
Por falta de espaço nl'io foi passivei publicar-se este artigo há
(A Imprensa, 16/4/1859, p.2). mai s tempo. A Redação.

~ 47 ~
LUIZ DE MELLO

materialista e o incrédulo no seu ceticismo esterilizador, é Sim, nós o contaremos; filhos do povo, prezan1os a
suavizada pela religião, que nos aponta o céu como termo Ciência, e quando essa vem de Deus, nós a respeitamos!. ..
da felicidade humana. Nossa fraca pena serve somente para descantar o que as
É esta idéia consoladora, que transparece como raio lu- mais bem aparadas cumprir não queiram.
minoso por entre a nuvem de tristeza que neste momento - Foi no dia 31 de março, pelas duas horas da tarde,
nos envolve a alma e que nos diz eloqüentemente que o que a morte desapiedada nos arrancou para sempre nosso
apertado âmbito da sepultura não encerra o homem todo. prezado amigo Francisco Raimundo D iniz. Foi nesse dia
Entretanto cumpre que vertamos sobre a lousa sepulcral do que tanta habilidade, tanta esperança, ainda não bem de-
amigo uma lágrima de saudade; que lamentemos sua prema- sabrochadas, para sempre se perderam! E Deus recebeu
tura perda, na idade em que a existência é também cheia de em seu seio uma alma que sem malícia está gozando da sua
vigor e matizada de risonhas esperanças. É não só um tribu- infinita bondade.
to que pregamos à amizade, como um sinal de admiração e Depois de um existir de dores motivadas pelo cruel
apreço ao seu talento artístico, que por sem dúvida viria a sofrimento de uma tísica pulmonar, que não obstante os
ser de grande glória para a terra onde nascera, se uma honi- esforços da ciência médica, nada a pôde conter no seu
vel enfermidade não o arrebatasse tão cedo de entre nós. caminhar progressivo, este jovem, de quem seu pai tudo
Pranteamos o bom filho, extremoso e dedicado àq uele esperava, deixou de existir na idade de 25 anos! ...
que lbe deu o ser, que por ele se sacrifica; que acode pres- Entre nós viu ele a primeira obra de Deus; foi no
suroso ao gemido da angústia paterna e o ampara no seu Maranhão que seus olhos se descerraram e que ele admirou
infortúnio. a criação do sexto dia!. .. E logo depois dos vagidos da in-
O amigo, pois, ornado de sublimes virtudes que espe- fância, quando pôde um pouco discriminar, ou por outra,
rançavam para a Pátria um cidadão importante e útil; o talen- compreender, foi entre nós que principiou os seus estudos,
to viçoso, que se antolhava um futuro brilhante na esfera e desde logo revelou um talento pouco vulgar!. .. Seu pai, a
das artes; o filho exemplar, bendito de Deus, que já o deve quem faleceram os meios, não pôde, como desejava, ajudar
ter galardoado, e de todos os que o conheceram, vai à terra a natureza, que tão pródiga se mostrava, mandando-o estu-
ocultar-se para sempre, e só nos fica a sua lembrança cara e dar em qualquer das academfas as Ciências mais profundas.
inextinguível saudade. (A Imprensa, 16/4/J 859, p.3). Mas ele não adormeceu, e como conhecesse e usasse
dos idiomas de Victor Hugo, Larnartine, Shakespeare, Pope,
UMA JUSTA RECORDAÇÃO etc., fo i bebendo nessas limpas fontes aquilo que consigo
mesmo aprender não podia, e em pouco tempo se tomou
Ainda bem não se haviam secado as lágrimas que por um excelente discípulo de Rafael, Rubens, Murilo, Ghigi,
ocasião da prematura morte de um distinto maranhense, etc. Compreendeu-os e com a prática mostrou quanto es-
de um juiz íntegro, de um jurisconsulto profundo - foram tava além de muitas capacidades cuja sapiência ainda é um
tão justamente derran1adas, eis a Parca nos arrebata um mistério ...
outro maranhense, na flor da mocidade, cujos talentos pro- Porém, como não tivesse bombásticos artigos para
fissionais ficam revelados nas diversas obras por ele fei- anunciar a sua boa vinda, nem ocasião de penetrar os
tas, e seu nome imortalizado no bem-acabado delas. umbrais dessas reuniões aristocráticas, não era então apre-
Este jovem, sem que tivesse deixado a sua terra natal ciado ... Porque assim como a borboleta procura a flor para
para ir colher nos países mais cultos do mundo os segre- do seu cálice extrair o néctar, assim os grandes o procura-
dos da arte, se fez um escultor, que na pedra, como se vam para dele a inteligência usufruir! ... Com pesar o dize-
argila fosse, deixava aparecer o desenho com as mais bem mos, mas é a verdade.
traçadas linhas que a arte tem dispensado ao cinzel!. .. Vi- Morreste! Teu nome muitas e muitas vezes será lem-
mos uma pedra por ele preparada, a qual cobre os restos brado, e aqueles que em momentos críticos te procuraram,
mortais da fiJha do limo. Sr. Dr. Frederico José Corrêa, colo- com pesar saberão que do livro dos vivos foste riscado!
cada na igreja de São João, e por ela se pode julgar do Porém nós, admirando a tua inteligência superior, as
grande talento deste nosso digno comprovinciano, e, além tuas virtudes cívicas, e chorando o teu passamento, bem
desta, outras muitas existem, que seria um nunca acabar a diremos a Deus, porque nos consola a esperança de que
sua enumeração. na mansão celestial descansas em paz.
Por ele foram tiradas as plantas do Caminho Grande e E concluindo diremos como o Dr. Marques Rodrigues,
Estiva, e tanto na Catedral como no teatro existem diver- quando a respeito do D r. Carvalho diz n' O Globo:
sos primores de arte, obra de seu gênio excepcional. "Que o que de melhor se possa fazer depois do passa-
Pode-se dizer ainda mais do seu talento... Era um enge- mento de qualquer indivíduo é orar pela sua alma, é certo,
nheiro... que, com a prática e teoria que tinha, muitas e por isso para nós não valem nem considerações de família
muitas vezes dispensava aos doutos o que eles não ti- nem riquezas. Qualquer que seja a posição ou considera-
nham podido com trabalho e despesas adquirir!. ... É por- ção do indivíduo que a morte feriu, lastimemo-lo.
que a natureza sempre quer mostrar ao homem que a Ciên- "A majestade, o nobre, o titular, o grande e o pequeno,
cia vem de Deus; porque Deus mostra que d 'Ele e só d' Ele o rico e o pobre, aq ueles em custosos mausoléus, e estes
éa Ciência... na vala comum, são todos pasto dos vermes.
E todavia esta pobre florzinha feneceu com o exalar de "A mo1te nivela tudo. Destrói esperanças, extingue vin-
seu perfume como se do deserto fosse, e tantos e tantos ganças, ódios e malquerenças, mas a virtude não. Pode ela
menestréis, cujas liras sempre estão afinadas para canta- fazer desaparecer dentre os vivos, esposos, pais, filhos e
rem altas e ressonantes virtudes, emudeceram-se, e não irmãos, mas nunca, jamais fazer aqueles que os amaram
houve um que contasse o fato! esquecer suas virtudes."

<VQ) 48 <VQ)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

Acrescentaremos que a inteligência depois da virtude isto é, por concurso entre pretendentes de iguais habilita-
deve ser admirada por sua excelência, e respeitada como ções ou preferindo as habilitações acadêmicas às habilita-
um santuário. ções nenhumas. Justiça era pedir também a S. Exa. que se
Ao Sr. Ângelo Custódio Diniz, pai de nosso amigo, informasse do Sr. Francisco Sotero dos Reis que presidiu
damos-lhe os pêsames e pedimos que aceite como um lcni- como delegado da Presidência da Província aos exames de
tivo às suas penas estas tão toscas e mal traçadas linhas, quatro discípulos desse fidalgo a quem alude A Modera -
filhas de uma vontade que se acha além das nossas forças ção papel; justiça era pedir ao Sr. diretor dos Educandos
e que só o de cjo de ver o mérito de nosso patrício aprcci· que atestasse da assiduidade desse fidalgo durante os
ado, foi que nos levou a ser tão audazes. dois anos do curso que lecionou; justiça era publicar qual-
quer atestado que desse o mesmo diretor contra esse fi-
J.M.A.S. dalgo; justiça era não excluir ninguém de qualquer direito
SãoLuís,6 deabrilde 1859. que tivesse, a pretexto de ser ou não fidalgo; justiça é não
(0 Século, 18/4/1859, pp. 2-3). confundir desenho aplicado à mecânica com mecânica
acompanhada de desenho. Se A Moderação papel não
COMUNICADO sabe conhecer esta diferença, não se meta a conselheiro
da Presidência, ou peça simplesmente que se proceda na
Tendo brevemente lugar no Teatro São Luiz um benefí- forma da lei sem contemplação com fidalgos, mas também
cio cm favor dos coristas, pintor, maquinista e alfaiate da sem anátema contra os fidalgos.
Companhia Lírica, é com a maior boa vontade que nos Fernando Luiz Ferreira
incumbimos da benéfica tarefa de cm poucas, mas ingênu- (Publicador Maranhe11se, 24/5/1859, p.3).
as palavras, intercedermos à beneficência pública pores-
tes pobres beneÍlciados, cujas privações e sorte infeliz, PUBLICAÇÕES PEDIDAS
segundo somos cabalmente informados, compungem sem
dúvida os corações humanos e sensíveis. Apareceu no Publicador Maranhense de 24 do cor-
Não vêdcs caminhando pelas ruas desta cidade um rente um artigo do Sr. Fernando Luiz Ferreira, ao quaJ pon-
pobre velho, com passos vagarosos, aspecto modesto e do de parte a hiperbólica epígrafe, vamos responder no
respeitável. palavras humildes e benévolas. com a fronte que nos diz respeito. Diz o Sr. Ferreira, corrigindo a Mode-
vergada para a terra, como cedendo ao peso de suas con- raçiio, que a cadeira de que se trata não é de desenho
cepções artísticas do seu provado talento, e ao mesmo aplicado à mecânica, mas sim de mecânica aplicada às ar-
tempo como se meditasse continuamente na sua infelici- tes e desenho, e nisto estou discorde com a Moderação e
dade e escassez de recursos? Esse pobre velho é o insigne com o Sr. Ferreira, porque a cadeira de que se faJa na Casa
pintor cenógrafo Venere, que no entretanto acha-se cm dos Educandos, é de mecânica, desenho e escultura apli-
circunstâncias dignas de lamentarem-se!. .. cados às artes, julga o autor do artigo do Publicador que
Convidamos, pois, de parte destes infelizes, a todos os eu poderei ensinar desenho, mas não mecânica, e eu supo-
amadores do teatro, e em geral as almas beneÍtcentes, que nho que o Sr. Ferreira poderá ensinar desenho, porém não
se dignem de honrar com sua presença o espetáculo de pode ensinar escultura aplicada às artes, pondera o mes-
quarta-feira, que deve produzir um escasso recurso a cada mo senhor que A Moderação é injusta por me julgar digno
um destes artistas desfavorecidos da fortuna. (Publica- da cadeira que estou regendo, e reílexiona que seria injus-
dor Maranhense, 17/5/1859, p.2). tiça prover a cadeira na forma do regulamento, isto é, por
concurso entre pretendentes de iguais habilitações ou pre-
PROFANAÇÃO ferindo as habilitações acadêmicas às habilitações nenhu-
mas. Estou de acordo com o Sr. Ferreira que a cadeira vá a
A moderação e ajustiça foram profanadas num artigo concurso, porém, nisto não faz S. S. inovação alguma, por-
de fundo da gazeta A Moderação nº 11, de terça-feira, 17 que por vezes pedi eu ao Exmo. Sr. presidente Paranaguá o
do corrente ri-lo: concurso, e apelo para o testemunho do Sr. comendador
"Lembramo~ a S. Exa. o Dr. Barreto a nomeação efetiva Belfo11 que estava presente uma das vezes e ouviu este
do Sr. José d' Albuquerque Cardoso Homem na cadeira de meu pedido, ao qual S. Exa. respondeu que na Casa dos
desenho linear aplicado às artes e mecânica. que existe na Educandos não e ra uso o concurso, e que ele daria a quem
Casa dos Educandos. A ele unicamente se deve o adianta- fosse de justiça, visto ser atribuição da Presidência.
mento que se tem notado nos artífices que se hão dedica- Se o Sr. Ferreira, que hoje pede o concurso, o tivesse
do a esse estudo, e não a certo fidalgo que a pretende. pedido ao Sr. presidente, estou certo de que seria mais feliz
Ouça S. Exa. ao respectivo diretor, e verifique por si mes- do que eu; e por que não pediu o concurso então? É por-
mo, que estamos certos não desprezará nossa lembrança." que contava com a nomeação sem ele. E por que o pede
agora? É provável que seja para ver se me retira da concor-
Primeiramente a cadeira de que se trata não é de dese- rência, fazendo escudo dos seus documentos acadêmi-
nho aplicado à mecânica, é de mecânica aplicada às artes e cos. Se tal é, está S.S muito enganado, não tenho carta de
desenho; o Sr. Albuquerque pode ensinar desenho, mas academia alguma nem curso completo, porém não será por
não mecânica, e é injustiça invc11er o sentido dos termos isso que rejeite o concurso ou qualquer outra prova anís-
para advogar uma causa por mais justa que ela seja, quan- tica, pelo contrário, muito estimo e a desejo. Se me faltam
to mais que a causa d'A Moderação gazeta ou a do Sr. documentos que provem previamente o meu saber destes
Albuquerque não é justa. Justiça seria pedir ao Exmo. Sr. que revelam todas as capacidades, não me faltam contudo
Barreto que provesse a cadeira na fom1a do regulamento, alguns conhecimentos, com os quais possa provar mais
LUIZ DE MELLO

uma vez que há homens, muito embora sem diploma, que dos os alunos Virgílio Marciano Ribeiro, Raimundo Antô-
não são tanto para desprezar como pensa o Sr. Ferreira na nio de Amorim, José Januário Ribeiro e Odorico Mendes
sua profanação. dos Santos, e julgados ótimos os três primeiros e bom o
O Sr. Ferreira entende ser de justiça, e eu também, que quarto. E para constar se lavrou este termo que vai por mim
S. Exa. se informe do Sr. Sotero dos Reis, diretor dos Edu- subscrito - escrivão - Basílio Hescketh - Francisco Sotero
candos a seu respeito. Se o Sr. vice-presidente se der a dos Reis -Antônio José Fen-eira Maya, Fernando Luiz Fer-
este trabalho, verá que o Sr. Ferreira não ensina as matéri- reira, João Nepomuceno Xavier de Brito, Alexandre José
as que tinha por obrigação ensinar, suposto ter dado dis- Rodrigues, Felipe Benício de Oliveira Condurú.
cípulos prontos e j ulgar-se academicamente habilitado. Aos 14 dias do mês de dezembro de l 857 na Casa dos
Maranhão, 26 de maio de 1859 Educandos Artífices, em presença do diretor, do comissário
José de Albuquerque Cardoso Homem do Exmo. Sr. presidente da Província, o Sr. Francisco Sotero
(A Imprensa, 28/5/J 859, p.2). dos Reis, do lente da cadeira de mecânica e desenho aplica-
do às artes, Fernando Luiz Ferreira, dos examinadores no-
CAXIAS meados, os Srs. Dr. Tibério César de Lemos e João Nepomu-
ceno Xavier de Brito, foram examinados os alunos da mes-
O Sr. Gregório da Rocha Pereira, que pela segunda vez ma cadeira Vugilio Marciano Pereira, José Januário Ribeiro e
se acha entre nós, dotado de um gênio verdadeiramente Raimundo Antônio de Amorim, em princípios gerais de me-
artístico, esforçou-se por fazer surgir do pó do esqueci- cânica, na paite relativa ao equilíbrio e movimento Uiúforme
mento o nosso teatro, não se poupando para tal fim a fadi- dos corpos sólidos e desenho, tudo aplicado às artes; e
gas e incômodos. No dia 27 Jevou ele à cena a sua primeira julgados ótimo o primeiro e bons os dois últimos. E para
representação, a qual esteve bastante concorrida, dando constar se lavrou este tenno que vai subscrito por mimes-
assim o ilustrado público caxiense uma prova irrefragável crivão do estabelecimento. - Basílio Hescketh - Francisco
de que sabe apreciar os artistas de mérito. Sotero dos Reis - Antônio José Pereira Maya, Fernando
Luiz Ferreira, Tibério César de Lemos, João Nepomuceno
Cumpre-nos fazer aqui uma pequena reflexão. A Socie-
Xavier de Brito. - Nada mais continham os ditos termos aos
dade Harmonia tem em cofre cento e tantos mil réis; enten-
quais me reporto. Secretaria da Casa dos Educandos Artífi-
demos ser esta uma boa ocasião de empregá-los na pintu-
ces do Maranhão, 27 de maio de 1859. - O amanuenseedu-
ra de algumas vistas e um bom pano de boca, de que muito
cando Vtrgilio Marciano Pereira -Antônio José Pereira Maya,
necessita o mesmo teatro; supomos que a sociedade não
diretor. - Estava o selo do estabelecimento.
negará o seu assentimento e temos fé que o Sr. Rocha
limo. Sr. Capitão Antônio José Pereira Maya. - Rogo-
Pereira se prestará gratuitamente, com sua pessoa, para
lhe que me faça o obséquio de responder ao pé desta, a fim
tão justo quão louvável fim. de que seja publicada pela imprensa: l º - Se nos dois anos
- O cosmorama que o mesmo Sr. Rocha Pereira há ex- de 1856 e 1857 fui assíduo e pontual em dar aula no estabe-
posto à vista do público, nas casas de sua residência, tem lecimento dos Educandos Aitífices de que V. S.º é digno
satisfeito completamente, tanto pelo asseio e beleza das diretor; 2º - se quando se tratava dos exames de mecânica
vistas, como pelo afável acolhimento que a todos tributa. eu manifestei a V. S.3 antes de feitas as nomeações dos exa-
Da imprensa Caxiense minadores o desejo de que um deles fosse o Sr. Dr. Teixeira
(Publicador Maranhense, 28/5/1859, p.3). Mendes, ou o Sr. Dr. Campos, que então se achava nesta
cidade; 3° - se os meus discípulos de mecânica fizeram cada
COMUNICADO um uma longa coleção de desenhos de órgãos mecânicos
até máquinas de vapor completas; 4° - se eles copiavam
À Moderação papel, saúde e paz. Ao público, porém, :naterialmente esses desenhos ou se davam explicações dos
o seguinte: usos, inclusive os movimentos das diversas espécies de
limo. e Exmo. Sr. - Fernando Luiz Ferreira precisa, a máquinas a vapor. - Espero que V. S.ª terá a bondade de
bem do seu direito, que o diretor da Casa dos Educandos responder a todos estes quesitos, artigo por artigo, favor
Artífices lhe mande passar por certidão o teor dos termos pelo qual Lhe ficará obrigado o seu atento venerador Fer-
dos exames que fizeram os alunos da aula de que o supli- nando Luiz Ferreira. - Maranhão, 28 de maio de 1859.
cante foi diretor naquele estabelecimento. Pede a V. Exa. Sr. Resposta. - Satisfazendo ao que V. exige de mim, em
vice-presidente da Província em exercício se digne mandar , sua carta supra, respondo: ao lº quesito, que sempre V. foi
que o dito diretor dê ao suplicante a certidão requerida. E. assíduo e pontual no cumprimento de seus deveres du-
R. M. - Maranhão, 27 de maio de 1859. - Despacho - rante o tempo em que aqui regeu a cadeira de mecânica e
Passe - Palácio do Governo do Maranhão, 27 de maio de desenho; ao 2° que é verdade ter V. mostrado desejos de
1859 - Barreto. -Certidão. -Os termos de que faz menção que fossem exami11adores de seus alunos os Srs. Drs. Cam-
o suplicante na petição retro são do teor seguinte: Aos 13 pos, ou Teixeira Mendes, para o que me pediu em uma
dias do mês de dezembro de 1856 na Casa dos Educandos ocasião dos exames, que visse se eu obtinha isso; ao 3º e
Artífices, em presença do almoxarife por comissão do dire- 4°, que existe no arquivo da aula do estabelecimento uma
tor, do comissário do Ex mo. Sr. presidente da Província, o coleção de desenhos, entre eles máquinas de vapor com-
Sr. Francisco Sotero dos Reis, do lente da cadeira de geo- pletas feitas pelos discípulos de V., e que davam as expli-
metria e mecânica aplicada às artes, e noções gerais de cações dos usos e movimentos das diversas espécies de
aritmética e álgebra, dos examinadores nomeados os Srs. máquinas a vapor, por ocasião de fazerem os mesmos de-
João Nepomuceno Xavier de Brito, Alexandre José Rodri- senhos, como oculannente observei. Por esta forma julgo
gues e Felipe Benicio de Oliveira Condurú foram examina- ter cumprido os seus desejos. De V. atento venerador.

50 <VQ)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

Antônio José Pereira Maya. - S. C. 28 de maio de 1859. A PROFANAÇÃO DO PUBLICADOR


(Publicador Maranhense, 30/5/1859, pp. 2-3).
Não temos nenhuma relação de amizade com o Sr. José
COMUNICADO de Albuquerque Cardoso homem, e por isso quando nos
di rigimos a S. Exa. o Sr. vice-presidente no número 11 des-
Umo. e Ex mo. Sr. - Fem~mdo Luiz Ferreira precisa, a bem se jornal pedindo um ato de justiça, qual o da nomeação
do seu direito, que pela Secretaria da Presidência da Provín- efetiva do Sr. Albuquerque, não tivemos cm vista senão o
cia se lhe dê certidão do teor da informação que deu o Dr. interesse público, como entendemos ser perfeito o conhe-
José da Silva Maya como inspetor da lnstrução Pública. cimento dos educandos na matéria que se lhes lecionarem.
sobre uma petição em que o suplicante pedia ser provido na E ninguém dirá que o Sr. Albuquerque não tem satisfeito e
cadeira de mecânica da Casa dos Educandos Artífices. - cm tão pouco tempo. Apelamos para os trabalhos dos seus
Peço a V Exa. Sr. vice-presidente em exercício se digne man- discípulos apresentados na última exposição, alguns dos
dar que se dê ao suplicante a certidão requerida. E.R.M. - quais foram premiados com louvor.
Maranhão, l7 de maio de 1859. - Fernando Luiz Ferreira. - A nós se nos disse que apesar dos serviços do Sr.
Passe-se, não havendo inconveniente. - Palácio do Gover- Albuquerque e da excelente informação do digno diretor,
no do Maranhão, 27 de maio de 1859. - Barreto. um fidal go pretendia esbulhá-lo da cadeira que tão digna-
Certidão. - A informação que pede o suplicante por mente ocupa, para se encaixar nela. Não nos podíamos
certidão e do teor seguinte: Secretaria da Instrução Públi- então persuadir que esse fidalgo fosse o limo. Sr. tenente-
ca do Maranhão, 13 de janeiro de 1859. - llmo. e Ex mo. Sr. eoronel refonnado do Corpo de Engenheiros Fernando Luiz
- Devolvo a V. Exa. o requerimento do tenente-coronel Ferreira, não só porque S.S. não é fidalgo, como porque
reformado do Corpo de Engenheiros Fernando Luiz Ferrei- não nos passava pela lembrança que se quisesse encaixar
ra com o qual requer a V. Exa. se digne nomeá-lo professor novamente no lugar do qual pediu demissão; cremos que
de mecânica e desenho aplicado às artes da Casa dos Edu- este passo de S.S. foi voluntário, por não poder com tan-
candos Artífices; em cumprimento ao respeitável despa- tas tarefas públicas, apesar de julgar-se com habilitações

cho de V. Exa., proferido no mesmo requerimento cabe-me para bem desempenhar tais funções. Mudou porém hoje
informar que pelo regulamento da Presidência de 17 de de parecer, desejando duplicar de alimentos pelos cofres
públicos, não se contentando com o emprego que tem;
setembro de 1855, baixado para a execução da Lei Provin-
tudo para nó e nada para os outros: sofra muito embora a
cial nº 395 de 18 de julho do mesmo ano. que criou a cadei-
Província e os educandos com essas acumulações.
ra de mecânica e desenl10 aplicado às artes da Casa dos
Confessamos o nosso engano porque a cadeira de que
Educandos, foi o ensino desta cadeira considerado um
se trata não é como dissemos - de desenho aplicado às
curso de dois anos, no primeiro dos quais se deve ensinar
artes e rnecâ11ica - este nosso equívoco merece, porém,
aritmética até a regra de três inclusive; álgebra até a solu-
desculpa. mas que o e11te11dedor errasse, é o que admira,
ção das equações do 2° grau; - geometria plana com apli-
porque não é também de - mecânica aplicada às artes e
cação à agrimensão; - teoria de desenho pcrspectivo line-
desenho - e sim de escultura, desenho e mecânica. Não
ar - conhecimento das 6 ordens de arquitetura; no 2º: me-
aceitamos, pois, a correção.
cânica teórica e aplicada em todas as suas partes, estatís-
Se o Sr. Fernando Luiz Ferreira não tomasse a carapuça
ticas ou princípios gerais do equilíbrio dos sólidos fluí-
que não lhe fo i talhada, nos pouparia agora a este traba-
dos, em virtude do que acho que só o suplicante ou outra
lho, e a outros em que vamos e ntrar como o da leitura de
pessoa que tenha estudos matemáticos poderá reger esta todas as correspondências que com S.S. teve o Sr. Joa-
cadeira, que é destinada, como se acaba de ver, para dar quim Luiz S imões Urio, para nos auxiliarmos de mais algu-
idéias úteis a todas as Artes, e não àqueles que apenas ma metralha contra a guerra, com a qual nos ameaçara S.S.
possam, como o atual professor interino, dar lições de uma aceitando a nuvem por fumo, ainda que só recorrêssemos
só arte, como a escultura, que é o que pode exclusivamen- ao auxílio estranho depois de esgotado o nosso.
te ensinar o dito professor interino. Mesmo o desenho, Sim, se o Sr. Fernando não tivesse encaixado em sua
pelo regulamento depende dos conhecimentos de geome- mente um maquinismo de fumaça, não teria a vaidade de
tria, e não de uma s imples cópia de outros desenhos, como se considerar fidalgo; e se o é, nós o ignoramos, por isso
ensinam aqueles que não têm conhecimento de geometria. bom será publicar os seus brasões, ao que pouco peso
Quanto ao contrato que por V. Exa. me foi remetido por damos, porquanto conhecemos muitos fidalgos criados
cópia, parece-me não ob tara nomeação do suplicante, se da noite para o dia, até mesmo titulares barões e viscondes
V. Exa. assim o houver por bem, porquanto o suplicante se que foram vaqueiros, e que ainda hoje são boiadeiros. Fi-
presta servir gratuitamente até a expiração do mesmo con- dalgos no Maranhão, quá-quá-quá!
trato, a fim de que o curso da cadeira tenha começo do dia Tornamos a pedir a S. Exa. em benefício público a no-
7 de janeiro. como manda o Regulamento de 7 de março de meação efetiva do Sr. Albuquerque, por ser um ato de jus-
1855, sem prejuízo do professor interino atual. - Deus guar- tiça. Se o Sr. Albuquerque tem ou não merecimento acadê-
de V. Exa. - limo. e Exmº Sr. Dr. João Lustosa da Cunha mico é o que ignoramos; a verdade é que ele está habilita-
Paranaguá, digno presidente da Província. - José da Silva díssimo para o ensino de escultura, desenho e mecânica,
Maya, inspetor da Instrução Pública. cujas prova<; não recusa dar em concurso severo onde os
Secretaria do Governo do Maranhão, 28 de maio de examinadores não se levem unicamente pelo merecimellto
1859, no impedjmento do secretário Augusto César dos acadêmico, e sim pelo merecimento real. O simples fato de
Reis Rayol - oficial-maior. (Publicador Maranhense, 3 1/ ter-se assentado o Sr. Fernando nos bancos de uma aca-
511859, p.3). de mia não prova que tenha conhecimento real e supe rior
LUIZ DE MELLO

ao Sr. Albuquerque, que não o teme. E tanto assim que já mais imorais. Esperamos que o Sr. comendador Lisboa es-
requereu uma ocasião o concurso. clareça isto pela imprensa. (A Moderação, 16/611859, p.3).
Somos francos, por isso dizemos que apesar dos co-
nhecimentos acadêmicos apregoados pelo Sr. Fernando, (Da) Lista de alunos faltosos do Liceu Maranhense em
não goza S.S. de nomeada, e até se diz particularmente que maio de 1859:
não é lá essas coisas em engenharia, e que não passa de ( ...) Geografia: João Duarte Pe ixoto Franco de Sá, 7;
um bom cidadão. Francisco Peixoto Franco de Sá, 7).
Não nos consta de suas obras na Província ou fora (Publicador Maranhense, 161611 859, p.2).
dela, digne-se de nos apontá-las. O homem que é sábio e
fidalgo não alardeia tanto como S.S. de seus merecimentos PROTEÇÃO
- deixa que os outros o avaliem.
Ouça S. Exa. o digno diretor e se convencerá que o Sr. Alguém procura ver se consegue dividir em duas a
Albuquerque, a bem dos mesmos educandos, deve ser cadeira de escultura, desenho e mecânica do estabeleci-
preferido a esse fidalgo a que aludimos, e ao fidalgo novo mento dos Educandos. A ser exato, esperamos que S. Exa.
a quem ora respondemos. oponha-se a isso; também esperamos que S. Exa. não pro-
Ficamos na estocada, pois que a fidalguia nova do longue o concurso da mesma cadeira, quando não queira
nosso profundo engenheiro deve produzir muito e muito. nomear logo definitivamente o Sr. Albuquerque, que com
(A Moderação, 1° /611859, p.2). muito aproveitamento a tem regido. S. Exa. assim proce-
dendo pratica um ato de reconhecida justiça e não deve
VICE-CONSULADO DA SARDENHA temer nenhuma censura, e quando apareça terá por si a
maioria desapaixonada do jornalismo e dos bomens bem
Por este Vice-Consulado se faz público que terça-feira, intencionados. (A Moderação, 161611859, p. I).
7 do corrente mês, pelas dez horas da manhã, nas casas de
le ilões do corretor Manoel José Gomes se procederá à ar- LEILÃO
rematação em hasta pública dos bens pertencidos ao fale- VICE-CONSULADO DA SARDENHA
cido súdito de sua majestade sarda Luigi Monticelli, e que
se compõem dos objetos seguintes: um relógio de prata, Por este Vice-Consulado se faz público que o leilão do
sem vidro; uma cadeia de ouro para o dito, uma dita falsa espólio do falecido Luigi Monticelli, anunciado para sex-
para o mesmo, dois alfinetes de peito, uma mala de couro ta-feira, 17 do corrente, fica transferido para terça-feira, 21
para viagem, uma dita de dito de mão, um estojo de cartas, do mesmo mês.
um dito de barba, um baú pequeno, um candeeiro de metal Vice-Consulado sardo no Maranhão,
de dois bicos, um par de castiçais com mangas, um armário 18 de junho de 1859.
de pinho, duas caixinhas com compassos, duas ditas com Fernando Mendes de Almeida, vice-cônsul.
tintas de miniatura, uma marquesa de cedro, com colchão; (A Imprensa, 18/6/1859, p.4).
uma banquinha também de cedro, uma dita de pinho, uma
barriquinha com tintas, quatro caixas com ditas, quarenta DESENHO E PINTURA
e três pincéis de diferentes tamanhos, uma escova de pin-
tar, duas réguas de cedro, três talheres ordinários, uma DOMINGOS TRIBUZI avisa ao respeitável público que
escova de fato, vinte e nove caixinhas de louça para tinta, do dia 1° de julho em diante abrirá em sua casa (Beco do
uma medida, uma raspadeira, um jarro de louça, um álbum Sineiro nº 4) uma aula de desenho e pintura dos seguintes
em branco, cento e nove estampas em quarto, dezesseis ramos: desenho linear à vista e geométrico aplicado às
ditas de ditas, trinta e seis ditas encadernadas em um volu- artes e aos ofícios; dito de figuras, paisagens, ornamen-
me, cinqüenta e três ditas em uma coleção, vinte seis ditas tos, miniaturas em marfim e pintura a aquarela e a ó leo.
em dita, quarenta e três ditas em ditas, cinqüenta e oito Nesta aula encontram-se todos os arranjos necessários
ditas em um volume, quarenta e três ditas de ornatos, qua- como também um completo sortimento de traslados pró-
renta esboços, uma partitura e parte de orquestra de um prios para todas as artes.
bail ito, uma carteira de algibeira, uma declaração de dívida Para maior cômodo das pessoas que quiserem, haverá
de Vicente Vaninete, da quantia de dezessete mil novecen- lições tanto de dia como à noite. As mensalidades regulam
tos e setenta réis (l 7 .970), uma dita de José Maria Ramon- pelo número das lições de 1.000 a 6.000 rs. Informações dá
da, da quantia de trezentos e setenta e seis quatrocentos e o anunciante todos os dias das 6 às 9 horas da manhã.
setenta e seis réis (376.476), e toda mais roupa do falecido. Maranhão, 21 de junho de 1859. (Jornal do Comércio,
Vice-Consulado sardo em Maranhão, 3 de junho de 25/6/1859, p.4).
1859.
Fernando Mendes de Almeida, vice-cônsul. VICE-CONSULADO SARDO NO MARANHÃO
(Publicador Maranhense, 61611859, p.4).
Por este Vice-Consulado se faz público que o le ilão do
A QUEM TOCA espólio do falecido Luigi Monticelli terá lugar amanhã 5 do
corrente, pelas 10 horas da manhã na casa de leilões do
Por imoral se mandou retirar do Largo de São João a corretor Manoel José Gomes.
figura de Vênus saindo do banho; no entretanto o Sr. co- Vice-Consulado sardo no Maranhão, 2 de julho de 1859.
mendador I .is boa afinna como ouvimos dizer que na Cate- Fernando Mendes de Almeida, vice-cônsul.
dral do Santo Padre existem muitos figuras nuas que são (Publicador Maranhense, 41711859, p.3).
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

Na Travessa do Sineiro nº 4 vende-se um excelente Toda a população da capital, acorde num só voto, num
piano inglês e dois realejos com figuras - tudo em bom só sentimento - o amor da Pátria - como um só homem,
estado. (Publicador Maranhense, 27nll 859, p.4). levantou-se nesse dia faustoso para celebrar alegre o seu
primeiro dia proviJ1cial.
LEI N" 537, DE 30 DE JULHO DE 1859 Desde 5 horas da madrugada repicaram todas as torres
ao toque da alvorada, subiram ao ar inúmeras girândolas
O doutor José Maria Barreto, segundo vice-presidente de foguetes de todas as direções da capital, e duas bandas
da Província do Maranhão. Faço saber a todos os seus de música percorreram as principais ruas da cidade, e toda
habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decre- esta demonstração de terra, unida às salvas dos fortes e
tou e eu sancionei a lei seguinte: navios de guerra, que, com os mercantes surtos no pono
Art. 1° - Fica o Governo da Província autorizado a mandar amanheceram embandeirados em arco, anunciavam ao
remover para a Praça da Alegria o chafariz de ferro que a povo que era chegado o seu dia - o seu dia de regozijo - o
Companhia Anil colocou no Largo de São João desta cidade. dia de:: sua liberdade!
Art. 2º - Ficam revogadas as disposições em contrário. Às seis horas da manhã foi lançado do estaleiro da
Mando portanto a todas as autoridades, a quem o co- Companhia de Navegação Fluvial a Vapor a barca de rebo-
nhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cum- que Vime e Oito de Julho, a qual rebocada pelo vapor
pram e façam cumprir, tão inteiramente como nela se con- Pindaré, da mesma companhia, empavesada de bandei-
tém. O secretário do Governo a faça imprimir, publicar e ras, levando a seu bordo grande número dos respectivos
correr. Palácio do Governo do Maranhão em trinta de julho acionistas e muitos outros entusiastas, com uma banda de
de mil oitocentos e c inqüenta e nove, trigésimo oitavo da música percorreu o litoral da capital, desde o Igarapé da
Independência e do fmpério. Jansen até o porto da Madre de Deus, dando todos muitos
vivas análogos, sendo colocada nos mesmos estaleiros a
quilha do vapor ltapecuru.
JOSÉ MARIA BARRETO
Às 9 e meia desceu do Campo de Ourique para a Praça
do Palácio do Governo uma brigada, composta dos três
Estava o selo.
batalhões da 1ªLegião da Guarda Nacional, do 5º Batalhão
Carta de lei pela qual Vossa Excelência manda exe-
de Infantaria com as respectivas músicas, de 4 peças de
cutar o decreto da Assembléia Legislativa Provincial,
artilharia de posição e do Corpo de Educandos Artífices,
autoriumdo o Governo da Província a remover para a
comandada pelo tenente-coronel Varella, comandante su-
Praça da Alegria o chafari-::. de ferro que a Companhia
perior interino.
Anil colocou no Largo de São João desta cidade, como
Às 1Ohoras apresentaram-se no Palácio do Governo e
acima se declara.
no do Exmo. Sr. bispo duas comi«sões por parte da Asso-
Para Vossa Excelência ver. ciação Tipográfica Maranhense, e outras duas enviadas
Américo Vcspúcio dos Reis a fez. pela heróica Sociedade Vinte e Oito de Julho, todas com o
Selada e publicada na Secretaria do Governo do fim de dirigirem à primeira autoridade da Província e ao
Maranhão em 30 de julho de 1859. Pastor Espiritual suas felicidades pelo motivo, que era
No impedimento do secretário. Augusto César dos Reis objeto dos grandes festejos do dia, sendo todas digna-
Rayol, oficial maior. (Coleção de Leis, Decretos e Resolu- mente recebidas.
ções da Província do Maranhão - 1859). Às 11 horas apresentou-se o Exmo. Sr. vice-presidente
da Província com o Ex mo. e Revmo. Sr. bispo diocesano na
(DA) Lei 531 - de 30nt1859 Catedral, acompanhados de um grande estado, todo com-
posto de pessoas distintas. para assistirem ao solene Te
Orça a Receita e fixa a Despesa para o ano financeiro De11m, o qual foi celebrado pelo Ex mo. prelado, presentes a
de 1860- J 86 1-(... )Disposições gerais: Câmara Municipal, o clero secular e regular, os oficiais ge-
nerais. superiores e subalternos de mar e terra. cônsules das
( ...)Art. 29 - Ficasem efeitooan. lºda Lei nº395. de 18 nações estrangeiras. magistrados, empregados públicos
de julho de 1855, e restituído ao seu antigo vigor o art. 1° gerais e provinciais e muitos outros cidadãos distintos, for-
da Lei nº 243 de 16 de outubro de 1848, que criou o lugar de mando cm alas na espaçosa igreja o Corpo de Educandos.
professor de escultura e desenho aplicado às artes e ofíci- Findo este ato religioso, seguiram todos ao Palácio do
os da Casa dos Educandos Anífices, continuando o res- Governo. onde houve cortejo à efígie augusta de S.M.I.
pectivo professor a vencer o ordenado de 800$000 rs. (...). estando aos lados da mesma o Ex mo. Sr. bispo e o Ex mo. Sr.
(Coleçcio de Leis, Decretos e Resoluções da Província do marechal-de-campo, inspetor do 3° Distrito Militar, depois
Maranhão - 1859). do qual deu toda a parada as descargas de fuzilaria e arti-
lharia, e fez por último a marcha de continência.
MARANHÃO, 4 DE AGOSTO DE 1859 À noite houve iluminação em toda a cidade, sendo que
muito brilhou uma bela coroa refulgente de luzes variadas
A nossa bela cidade de São Luís do Maranhão acaba sobre o mirante das casas do Sr. Augusto Marques, farma-
de presenciar um dos maiores festejos públicos que se tc.m cêutico no Largo do Carmo.
feito, de tempos a esta parte, por ocasião de solenizar-se o Porém, no quartel do Campo de Ourique era onde esta-
dia 28 de julho, 36° aniversário da aderência desta Provín- va em verdade uma vistosa perspectiva - porque além de
cia à Independênc ia do Impé rio, proclamada pelo Sr. D. achar-se iluminado com cores variadas todo o quadrado
Pedro 1 nas margens do Rio lpiranga. interno, bem como o portão de trás, a fachada exterior apre-

VQ) 53 CV'@
LUIZ DE MELLO

sentava-se num gosto particular, porque se via um grande dade pátria, e do qual data o sermos contados no mapa
portão todo iluminado em transparente com a bandeira e das nações livres. (O Observador, 11/8/1859, p.1).
mais símbolos brasileiros, com excelentes poesias análo-
gas ao dia, sendo todo este festejo promovido exclusiva- OFICINA FOTOGRÁFICA
mente pelos oficiais do 5º de Infantaria e do Corpo de J. L. RIGHINI
Polícia, que não se poupando à despesa deram aí mesmo
um brilhante baile, a que assistiu o Exmo. Sr. vice-presi- Tira retratos pelo sistema mais moderno e acreditado,
dente, um grande número de senhoras distintas e não pe- ornados de 1icas caixinhas e caixilhos, por preços cômo-
queno concurso de cavalheiros das principais classes, dos - garantindo-se o esmero no u·abalho.
havendo profusão de doces e bebidas finas, e muito gosto PRAÇADAALEGRIA Nº li
em todo o mais serviço, subindo ao ar em ocasião própria Das 10 horas da manhã às 3 da tarde - nos dias de
dois belíssimos aerostáticos e tocando por intervalos a terça, quinta, sábado e domingo. (Jornal elo Comércio,
1
banda de música dos Educandos. 13/8/1859, p.4).
Em conseqência da copiosa chuva, que caiu logo ao
anoitecer, não pôde a Sociedade Vinte e Oito de Julho exe- QUADROS
cutar o seu programa de passeata in totum, pelo mau esta-
do em que ficaram as ruas determinadas; todavia, saiu ela João d ' Oliveira Santos & Sobrinho receberam de Ham-
às 10 horas do Paço da Câmara Municipal, em muito boa ' burgo os seguintes quadros pintados a óleo, em ponto
ordem, com um numeroso acomp anhamento e duas ban- grande, que vendem por preços cômodos:
das de música a percorrer um g iro possível. Passando em UmEcccHomo
frente do Paço Episcopal, aí deu vivas análogos ao dia e ao Um Jesus Cristo no Jardim das Oliveiras
Exrno. Sr. bispo, que, aparecendo à janela se dignou cumpri- Um Jesus Cristo abençoando
mentá-los com claras demonstrações de alegria, e lançar sua Uma Madona, por Murilo
bênção paternal a todos aqueles seus filhos transportados Uma saudação inglesa
de um santo entusiasmo; continuando a passeata até a resi- Um convite para a fuga
dência do Exmo. Sr. vice-presidente, foram por ele digna- Assunção, por Murilo
mente respondidas as saudações que lhe foram feitas com Uma Nuestra Seiiora de Guadalupe
vivas e entusiásticos análogos ao dia, e passando em frente O Outono
ao quartel foi uma comissão de seu seio, presidida pelo A Tarde
respectivo presidente, Sr. Dr. Jorge Júnior, recebida por ou- Um pedido para casamento
tra de oficiais que a introduziu na sala grande, onde se acha- Casamento.
va sob um rico dossel a augusta efígie do monarca brasilei- (Jornal do Comércio, 71911 859, p.3).
ro, e aí recitou o mesmo presidente um eloqüente discurso
em que, comemorando o motivo do festejo, confraternizou CASA DOS EDUCANDOS
alegremente com a classe militar.
Um outro membro da mesma comissão, Sr. Jorge Sobri- Está por p rover-se efetivamente a cadeira de escultura
nho, recitou depois uma bela poesia; em seguida foram a e desenho aplicado às Artes e ofícios - restabelecida pelo
comissão e alguns outros senhores levados à mesa, onde art. 29 da Lei nº 531 de 30 de julho deste ano, que derrogou
lhes foram oferecidos doces, e à despedida foram sauda- o art. 1° da de nº 395, pondo em vigor o art. l º da de nº 243
dos pelo alferes Godinho, que recitou um belo discurso. de 16 de outubro de 1848. Na dita cadeira está servindo
Na noite de 29 teve lugar um outro baile no Palácio do gratuitamente o Sr. José d ' Albuquerque Cardoso Homem,
Governo, promovido pelos oficiais da Guarda Nacional e e anteriormente já ne la esteve como engajado. É um ato de
muitos cidadãos, achando-se presentes o Exmo. Sr. vice- reconhecida justiça a sua efetividade nesse ensino, teóri-
presidente, o Exmo. Sr. bispo e mais alguns membros do ca e praticamente.
clero, além de um luzido e escolhido concurso de senhoras Consta-nos porém que o Sr. Tribuzi, lente de desenho
e cavalheiros distintos, que ouviram entusiasmados uma no Liceu, quer reunir os dois ordenados; isto é o menos.
bela poesia recitada pelo Sr. Augusto Rayol, reinando a Perguntamos, contudo, ao Sr. Tri buzi se entende alguma
melhor ordem possível na profusão do serviço, e tocando coisa de escultura? Naquele estabelecimento , meu senhor,
a espaços as bandas de música. não se quer retratos, e sim quem teórica e praticamente
Na noite de 30 houve enfim urna belíssima iluminação ensine aos educandos - escultura e desenho aplicado às
no jardim da Praça da Assembléia, a expensas do Sr. vice- artes. (A Moderação, 1411O/1859, p.2).
presidente e do capitão lnácio José Ferreira, diretor encar-
regado do mesmo, no qual tocaram as bandas de música, e NOMEAÇÃO
a par de muitos foguetes foram lançados dois balões, con-
correndo a todos estes atos, que vimos de referir, um extra- Por portaria de 19 do corrente foi nomeado efeti vamen-
ordinário número de povo. te o Sr. José d ' Albuquerque Cardoso Homem para a cadei-
E deste modo tivemos o sumo prazer de ver festejado o ra de escultura e desenho aplicado às artes e ofícios do
dia, que nos recordará eternamente esse alto feito de nos- estabelecimento dos Educandos. Foi um ato acertado e da
sos pais, e para cuja glorificação concorremos da nossa mais reconhecida justiça, esse q ue praticou S. Excelência .
paiie, quando nos for possível, conjurando os nossos amá- Amantes, como somos, dos progressos dos dig nos
veis comprovincianos para que jamais arrefeçanJ nesse pro- pupilos da Província, não podemos deixar de agradecer a
nunciamento justo e santo em prol do dia da nossa lfüer- S. Exa. tão boa escolha . (A Moderação, 21110/1859, p.2).

54 <2./Q)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

NOMEAÇÃO GOVERNO DA PROVÍNCIA


Expediente do dia 18 de novembro de 1859
Foi engajado para a cadeira de desenho aplicado às
artes, da Casa dos Educandos, o Sr. José d' Albuquerque O presidente da Província, atendendo ao estado pou-
Cardoso Homem. (A Imprensa, 22/10/1859, p.2). co lisonjeiro dos cofres provinciais, e visto que o cidadão
José d' Albuquerque Cardoso Homem, nomeado por por-
(DO) RELATÓRIO COM QUE O EXMO. SR. DR. JOSÉ taria de 19 de outubro último para o lugar de professor da
MARlA BARRETO, VJCE-PRESIDENTEDA PROVÍNCIA. aula de escultura e desenho aplicado às artes e ofícios da
PASSOU AADMINISTRAÇÃO DA MESMA AO EXMO. Casa dos Educandos Artífices, ainda não solic itou o com-
SR. DR. JOÃO DA Síl...VEIRADE SOUSA. NO DIA 26 DO petente título, resolve julgar de nenhum efeito a dita porta-
PASSADO. ria, conservando-se vago o lugar até que as circunstânci-
as do Tesouro permitam o seu aproveitamento.
CASA DOS EDUCANDOS Co municou-se ao Dr. inspetor da Instrução Pública e
ao diretor da Casa dos Educandos.
(...) Continua este importante e proveitoso estabeleci- (Publicador Mara11he11se, 23/ 11 / l 859, p. I ).
mento a apresentar resultados satisfatórios.
Acham-se nele recolhidos 100 educandos de núme- EXONERAÇÕES
ro, 37 extraordinários e 8 aprendizes destinados à Escola
Agrícola. Foram exonerados: José d' Albuquerque Cardoso Ho-
Ex istem criadas e providas as cadeiras de primeiras le- mem, do lugar de professor de escultura e desenho da
tras, de música e instrumentos de corda, e acha-se vaga a Casa dos Educandos Artílices; Lúcio Francisco Carneiro
de escultura e desenho aplicado às artes e ofícios, por ter- Junqueira, Teófilo de Oliveira Condurú e Antônio Augus-
to Rodrigues de adjuntos das escolas das primeiras letras
se concluído em 9 de julho o prazo do contrato feito com
das freguesias da Vitória, Conceição e São João, desta
José d' Albuquerque Cardoso Homem, que a ocupava.
capital. (A Imprensa, 23/ 11/1859, p.2).
Esta cadeira criada pela Lei Provincial nº 243 de 16 de
outubro de 1848, foi convertida cm aula mecânica, dese-
EDUCANDOS
nho e escultura aplicada às artes pela de nº 395 de 18 de
julho de 1855; mas pelo art. 29 da Lei nº 531 de 30 de julho
Teve lugar no domingo, 11 do corrente, a festividade
do corrente ano, acaba de ser restituída a seu inteiro vigor
anual, na Casa dos Educandos Artílices, conforme o pro-
a sobredita Lei nº 243. (... )(Publicador Mara11lze11se, 251
grama anunciado nos diversos jomais desta cidade.
1011859,p. 1).
Fomos testemunhas ocular de quanto se passou no
referido dia, naquele importar.te estabelecimento, e por isso
OBRAS PÚBLICAS
não nos podemos furtar ao desejo de fazer urna resumida,
porém verdadeira exposição.
Entendemos que o teatro não precisa de um conserto
Ao romper da aurora, algumas girândolas de foguetes
radical e já basta de consumir-se dinheiro com as suas
e ataques de escolhidas peças de música, executadas pela
obras. que montam a perto de cem contos de réis, depois banda do estabelecimento anunciaram que a festa de N. S.
que é propriedade da Província. da Conceição, orago da Casa dos Educandos, tinha de ser
Se, porém, estamos enganados, não se perca este belo celebrada com devoção e costumada pompa.
edifício, faça-se a obra. E se S. Exa. não a quiser pôr em Comparecendo pelas 7:30 da manhã o Sr. presidente da
arrematação, entregue a sua direção ao insigne arquiteto Prov(ncia, Dr. João S il veira de Sousa e sendo recebido
José d' Albuquerque Cardoso Homem com alguma gratifi- com as formalidades do estilo, achando-se formado o Cor-
cação equivalente, atendendo que ele já prestou bons ser- po dos Educandos, que fez a S. Exa. as devidas continên-
viços gratuito a esse edifício. cias, tocando a banda de música o Hino Nacional e subin-
Todo o risco de arquitetura interna e externa que hoje do aos ares girândolas de foguetes, teve lugar a missa na
existe nele e sua escultura, isto é, a de decoração, é de sua capela ali estabelecida, que se achava decorada com a ne-
execução e de alguns de seus discípulos, sem que custas- cessária decência.
se à Província um real todo esse serviço. (A Moderaçlio, Terrninada a cerimônia religiosa, fez S. Exa. a visita ao
2/1 111 859,p. I). estabelecimento, examinando minuciosamente todos os
aposentos e manifestando sua satisfação pelo asseio e
GOVERNO DA PROvfNCIA boa ordem e m que tudo se achava; encaminhando-se de-
Expedie nte d o d ia 19 de outubro de 1859 pois para a sala dos exames, no pavimento superior, pas-
sou em revista todos os objetos da exposição e em segui-
O presidente da Província, atendendo aos merecimen- da fez a distribuição dos prêmios a 48 educandos que este
tos de José de Albuquerque Cardoso Homem, resolve no- ano se distinguiram por suas capacidades moral, intelec-
meá-lo para o lugar de professor da aula de escultura e tual e industrial, colocando no peito dos premiados a res-
desenho aplicado às artes e ofícios da Casa dos Educa.i- pectiva insígnia, concluindo esta cerimônia com um belo
dos Artífices. discurso, que foi respondido por um dos educandos.
Co municou-se ao inspetor da [nstrução Pública e ao Aos referidos atos assistiram as principais autorida-
diretor da Casa dos Educandos. (Publicador Maranhen- des da capital, corpo consular, o fi ciais generais, titulares,
se, 311111859, p.l). oficial idade de diferentes corpos, negociantes e muitas

~ 55 ~
LUIZ DE MELLO

outras pessoas gradas, bem como grande número de se- FALTAS DOS ALUNOS DO
nhoras. LICEU MARANHENSE
Às 10 horas retirou-se S. Exa. depois de receber as PERTENCENTES AO ~ DE FEVEREIRO DE 1860
devidas continências.
Pelas 4 horas da tarde foi pelo Ex mo. Sr. presidente da Inglês:
Província visitado de novo o estabelecimento, bem como Joaquim Ferreira Martins 9, Brandino Brasilino Bello
por grande número de pessoas distintas e parte da popu- 13, Alfredo Adalberto Saldanha 3, Sócrates Alexandrino
lação da capital. da Costa Leite 4, Pedro da Cunha Pavalid de Menezes 4,
Em um e legante coreto achava-se a banda de música Francisco Peixoto Franco de Sá 10, Frederico Augusto
do estabelecimento tocando escolhidas peças, e subindo Cordeiro 1, João Augusto Ferreira Rosa 1, Júlio César Go-
por diversas vezes aos ares girândolas de foguetes . Toda mes de Castro 5, Pedro Nolasco Frazão ( ...)" (Publicador
a praça do estabelecimento se achava embandeirada. Maranhense, 19/3/1860, p.2).
Os visitantes percorriam todos os aposentos e exami-
navam com o maior interesse os objetos em exposição, DECLARAÇÃO
que se achavam colocados em um espaçoso salão do pa-
vimento térreo. Francisco Peixoto Franco de Sá faz público que haven-
Ao entrar da noite, fez-se patente a bela iluminação do pessoalmente participado ao Sr. secretário do Liceu.
que compreendeu lodo o edifício, tanto no interior como que não voltaria a e le por não estar sujeito ao arbítrio e
exterionnente. injustiça com que foi, por ordem do Sr. diretor, riscado da
Às 8 horas cm ponto teve lugar, no mais espaçoso matrícula seu innãoJoão Duarte Peixoto Franco de Sáa fim
salão do estabelecimento, o concerto de música, cabendo de que fosse ele também eliminado, foi informado que leva-
a execução das e~colhidas peças aos educandos, dirigi- da essa participação ao conhecimento do diretor, este não a
dos pelo ex-educando Lcocádio Ferreira de Souza. atual admitira e ordenara que se lhe contassem faltas até preen-
mestre da banda militar. Agradou geralmente a execução cher o número das que são necessárias para perder o ano, o
como manifestaram os aplausos dos visitantes. que foi executado tão fielmente que havendo decorridos
Findo o concerto. S. Exa. o Sr. Dr. Silveira de Souza seis dias de aulas depois do dia 19 de fevereiro em que se
dignou-se aceitar um delicado copo d' água, que pelo dig- retirou, são-lhe contadas dez até o último do referido mês na
no diretor foi oferecido. S. Exa. retirou-se pelas lO horas. relação publicada no Publicador Maranhense, nº 65.
sendo saudado por alg umas girândolas de foguetes. Conheça, pois, o respeitável público mais esse capri-
O asseio, boa ordem e suntuosidade do festejo que cho a fim de nodoar-se a conduta de um estudante, só
teve lugar no referido dia 11 no estabelecimento dos Edu- porque se sentira de uma injustiça feita a seu irmão, e de-
candos Artífices é obra do digno e incansável diretor, que sejou evitar que algum dia sofra igual.
possuído do desejo de agradar ao público e dele receber
toda a proteção cm favor daqueles que foram confiados a Maranhão, 19 de março de 1860
seus cuidados, aos quais ama como se fossem seus filhos, Francisco Peixoto Franco de Sá
não hesitou cm despender do seu bolso o indispensável (0 Século, 29/3/ 1860, p. 3).
para ocorrer a tão avultadas despesas.
Quem tiver pleno conhecimento dos sentimentos que ÓPERA D. PASCOAL
possui o Sr. Antônio José Pere ira Maya, se convencerá
que suas aspirações encaminham-se unicamente ao bem- Sexta-feira, 25 do corrente, representou-se no Teatro
estar daqueles que a Província adotou como filhos e en- São Luiz a ópera D. Pascoal. A enchente foi completa e a
carregou-lhes de sua educação. O Sr. Maya não quer outra ópera bem desempenhada, pois é esta a mais própria para
recompensa além da manifestação pública, de que desem- o pessoal da companhia. Notamos neste espetáculo não
penha com inte ira fidelidade os importantes deveres do só o cenário velho e impróprio, como a miséria da mobília
cargo que lhe foi confiado. (0 Século, 17/1211859, p. 1). de D. Pascoal. (Jornal do Comércio, 30/3/1860, p. 3).

AVISOS ANÚNCIO

José Leon Righini , súdito sardo, retira-se para Pernam- Domingos Tribuzi tira retratos a óleo por 50$ a 100$000;
buco num dos próximos vapores. Maranhão, 20 de dezem- em miniatura por 40$ a 100$000; em desenho por 20$ a
bro de 1859. (Jornal do Comércio, 24/12/1859, p.4). 30$000 - estes com caixilhos, retoca todos e quaisquer
retratos ou quadros, dá o verniz chamado romano nos qua-
José Leon Righini , súdito sardo, retira-se para Pernam- dros a ó leo, novos e velhos, por 5$000 réis cada um; com
buco no prime iro vapor. este excelente verniz os retratos duram séculos. Beco do
Maranhão, 2 1 de dezembro de 1859. (O Globo, 28/12/ Sineiro nº 4. (Publicador Maranhense, 4/5/1860, p. 4).
1859,p.4).
OFERECIMENTO LOUVÁVEL
(DA) Re lação dos c idadãos que foram excl uídos este
ano da lista geral da qualificação da freguesia de Nossa O Sr. Domingos Tribuzi, distinto professor de desenho
Senhora da Conceição. do Liceu, querendo abrilhantar mais a exposição que na
Do quarteirão nº 7, cio 3° distrito:
( ...) José d' Albuquerque Cardoso Homem(...) (A Mo- • Folha rasgada. A lirta. assinada p01 João Batista de Almeida
deração, 20121 1860, p. 1). Couceiro, secretário da lnstruçiío Pública, está incompleta.
~
RIY. CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

Casa dos Educandos pretende fazer em dezembro o seu AO BELO SEXO


incansável diretor, acaba de oferecer-se para ensinar gra-
tuitamente daqui até ao fim do ano todos os ramos de Um escritor notável há tempos disse: '"Dai mais brilho
Belas-Artes aos educandos que lhe forem apresentados. às cores, tom ai mais límpido o céu, o sol mais fulgente, a
É por certo muito digno de louvor o Sr. Domingos Tri- lua mais prateada. e tirai a isto tudo a mulher, e vereis que
buzi. (Publicador Mara11he11se, 31711860, p. 2). fica esta cena - Um jardim sem flores!
Por estas e muitas outras razões, desejando abrilhan-
EXPOSIÇÃO tar o mais que for possível a Exposição Industrial - que
pela primeira vez pretendo fazer nesta casa em dezembro, é
Publicamos hoje um convite do Sr. capitão Antônio que submissa e respeitosamente me dirijo ao Belo Sexo
José Pereira Maya, incansável e inteligente diretor dos composto de todas as senhoras de todas as idades e cate-
Educandos, a todos os artistas para concorrerem a uma gorias para que honrem esta festa com qualquer artefato
exposição que deve ter lugar em dezembro no estabelec i- de suas mimosas mãos.
mento confiado à sua direção. Com isto muita obra preciosa aparecerá à luL, muito
Esta idéia, que tem merecido o melhor acolhimento de mérito escondido como a violeta brilhará, os educandos
todos, poderia ser ainda mais prove itosa se fi casse. àque- se encherão de nobre entusiasmo lendo o nome de tanta
les que mais se distinguissem, uma medalha ou outro qual- moça linda e virtuosa ao lado dos seus, e eu, apesar de
quer sinal em prêmio. Isto seria muito fácil, fazendo-se uma velho ficarei também cheio de nobre o rgulho por ver que
escolha de uma comissão composta de pessoas entendi- ainda uma vez não foi desprezado quem tem recebido tan-
das e imparciais, que ela sificassem as obras apresenta- tas provas de afeição e consideração da porção mais en-
das. (Jornal do Comércio, 4nll860, p. 2). cantadora da grande família maranhense, que de vez c m
quando honra esta casa com sua bela presença.
ATENÇÃO Antônio José Pereira Maya
(Jornal do Comércio, l 4n/1860, p. 2).
Desejando muito concorrer com o pouco, que sou ou
valho, para animar as ru1es e ofícios de qualquer espécie
MOVIMENTO DE PASSAGEIROS
que sejam, resolvi, depois de obter a necessária licença do
Saídos no vapor Oyapock e m 2 1:
Exmo. Sr. presidente da Província, reunir neste estabeleci-
Para o Pará: João Venere, Francisco Alves de Pinho,
mento e expor às vistas dos curiosos e entendidos vários
Antônio de Faria e C osta, José Sérgio R. Boaventura,
objetos manufaturados nas diferentes oficinas desta cida-
Manoel Henriques do Couto Pinho. (Jornal do Comércio,
de. A exposição nas salas deste estabelecimento, francas a
2sn11 860, p. 2).
todos, dará ocasião de serem apreciados esses objetos, e
devidamente aquilatado o mérito de seus autores, cujo nome
A PLANTA DE SÃO LUÍS DO MARANHÃO
estará ligado à obra que fizerem. Assim serão conhecidos os
seus autores; a crítica verdadeira os animará à perfeição; o
Muito temos estranhado que a importante obra do Sr.
elogio os guiará cheios de prazer a novos e mpenhos, pelos
J. Veiga não merecesse alguns elogios, que fossem como
quais, além de cercar seus nomes de glória. esta vai toda um voto de gratidão oferecido ao seu autor!
refletir-se em honra de nossa terra. Com antecedência, pois, A planta da cidade de São Luís do Maranhão, feita e
previno a todos os senhores mestres de ofícios e artes, ou mandada litografar na Ing laterra pe lo Sr. J. Veiga, está tão
curiosos, que vão preparando suas amostras. e que cada perfeita que as coisas mais inúteis, como os chafarizes e o
indivíduo tem dois lugares à sua disposição. pelourinho não escaparam da nota, o que admira, por ter
Em tempo an unciarei o dia d::i entrega desses objetos, sido feito esse importante trabalho por um simples curio-
e por todos os j ornais marcarei o dia lembrado como aque- so, que tão perfeitamente o acabou.
le que tem de despontar no horizonte mais uma centelha Os engenhe iros que enchem esta cidade de planos,
de progresso para as artes e ofícios. etc., não satisfariam talvez, tão bem como o Sr. Veiga, que
Confiado na bondade de todos os senhores artistas. não possui um título de mestre-de-obras, de arquiteto de
estou certo de que todos concorrer;io para essa festa indus- estradas, de pontes e calçadas.
trial e a1tística, e cu cheio de verdadeiro prazer almejo mais Se o Governo necessitasse de uma planta igual à que
essa ocasião, que tenho de mostrar aos maranhenses, de tirou o Sr. Ve iga, por quantos contos de ré is não andaria
que sou grato aos seus obséquios. busco corresponder a essa obra? Que de patacoadas não se veriam por essas
eles, educando seus filhos indigentes, que são meus, e pro- ruas e praças? O rebuliço seria completo; réguas, tirali-
movendo o melhoramento desta terra tão hospitaleira. nhas, compassos, bandeirolas e canudos que tais, para
Antônio José Pereira Maya, inculcar ao Governo e ao público que o trabalho viria a ser
diretor do estabelecimento dos Educandos Artífices perfeito e de mão de me!)trc!. .. Crédulos todos, na necessi-
(Jornal do Comércio, 417I1860, p. 3). dade de tais aparelhos, lastimariam a pouca paga que teri-
am os engenhe iros que moviam com tanta ferramenta do
AVISO ofício, e certamente dariam ao encarregado da planta mais
uma gratificação... salutar e merecida!
João Venere, súdito sardo, vai ao Pará, o que faz públi- O Sr. Veiga mediu, calculou e fez a planta sem que o
co em conformidade da lei. - Maranhão, 10 de julho de público visse imposturas, pois só soube desse trabalho
1860. (Publicador Mara11'1e11se, 11 n/ 1860, p. 4). quando o viu litografado.
LUIZ OE MELLO

Sem auxíl io dos dinheiros públicos. tiveram os mara- Depois passei a analisar as escritas que estavam sobre
11henses, e o público em geral, uma importante obra que uma banca e admirei-me quando vi caracteres de letras belos.
bem pode facilitar a outras empresas, iguais a essa da Rua Dentre todas as escritas. por mim vic;tas. tiveram prefe-
da Inveja com a da Cascata. rência as da Sra. Libânia dos Reis, da Exma. filha do Sr.
Receba o Sr. Veiga os louvores de que é credor do Moura, a da Exma fil ha do Dr. Barreto e da Exma. filh a do
público maranhense, pe lo serviço importante que a ele fez Sr. Ziegler, mestre de piano naquele e~tabe lec i mento.
jus, sem esgotar os cofres da Província desses dinhe iros Acabando de fa1er a análic;e sobre a escritas, voltei à
ajuntados com novos tributos e impostos onerosos co m sala da exposição e ali encontrei as S ras. Libânia e a li lha
que se acha sobrecarregado este infeliz povo. (Jornal do do Sr. Moura sentada<; a um piano, onde princ ipiaram a
Comércio, 1°/811860, p. 3) executar uma linda peça tocada a quatro mãos, e admire i a
maneira por que aquelas duas joven<; colegiais a tocaram.
AULA DE DESENHO guardando sempre ham1onia e compasso necessários, o
que é difícil numa execução desta ordem. Já nós não preci-
Das 7 às 9 horas da noite, três vezes por semana, Beco samos de ouvi r a~ italianas.
do Sineiro nº 4. Mensalidades: 3$000. D. Tribuzi. Durante Ol> intervalos, a banda de música dos educan-
Na mesma casa aluga-se um preto, pintor de casas. dos, que se achava postada em ala no corredor do colégio,
(Jornal do Comércio, 1°/8/1860, p. 3). tocava escolhidas peças.
Enfun, tudo ali só respirava alegria. Se eu não estives-
PLANTAS OU MAPAS st: hoje no Maranhão, não creria que nele houvesc;e um
e-;tabelecimento tão bem dirigido e que e m pouco te mpo
Litografados da cidade do Maranhão, vendem-se a apresentasse ao público tão satisfatórios resul tados.
2$000 cada um cm casa de J. Veiga ou no escritório dos Srs. Queiram, pois, as Sras. Abranehes aceitar meus verda-
Moon & Cia. (Jornal do Comércio, 4/8/1 860, p. 3). deiros parabén!>. por terem sabido dirigir e curar tão digna-
mente da educação daquelas que lhe são confiadas, e a
COLÉGIO NOSSA SENHORA DA GLÓRIA estas fe licito por terem encontrado tão sábias diretoras.
Meu desejo não foi ofender nem incensar a pessoa
As diretoras avisam que no dia 15 de agosto do cor- alguma, por isso que me limito somente a narrar aquilo que
rente, dia da padroeira do mesmo colégio, com a evocação observei e minhas idéias puderam colher.
de Nossa Senhora da Glória estará este estabelecimento Queira, Sr. redator, dar publicidade ele seu constante
franco desde as 4 horas da tarde até às JOda noite a toda., leitor.
as pessoas decente mente vestidas que o queiram visitar; Maranhão, 16 de agosto de 1860
assim como estarão patentes todos os trabalhos elabora- O apreciador do mérito
dos pelas aJunas do mesmo colégio. (Jomal do comércio, 18/8/1860, p.2)
Maranhão, 8 de agosto de 1860 (Jornal do Comércw,
8/8/ 1860, p. 3). EXPOSIÇÃO

SR. REDATOR A dos Educandos Artílices aproxima-se, e por isso lem-


bramos aos comprometidos a não se esquecerem de envi-
Com excessivo prazer lanço mão da pena para demons- ar para ali sua especialidades de arte. Consta-nos que o
trar ao público qual a vantagem que te m o Maranhão de Sr. Salvador Romero, o primeiro e mais hábil marceneiro, e
possuir um estabelecimento de educação feminina, como ao qua l muito lhe deve a Provínc ia pelo ap0rfciçoamento
o Colégio Nossa Senhora da Gló1ia, confiado aos c uida- que tem aparecido neste ofício, prepara para essa exposi-
dos das Exmas. Sras. Abranches e esta belecido num dos ção uma obra de grande primor. Estrangeiros, como o Sr.
prédios da Rua Grande desta cidade, o que por mim foi Salvador, são de grande vantagem para o País.
observado quando ontem tive a honra de visitá-lo. Esperamo" que todos os artistas não se e queçam de
Logo que ali cheguei, admirei-me de ver aquele estabe- o imitar. (Publicador Maranhense. 5/11/1860. p. 3).
lecimento magnilicamente ornado e bastante concotTido,
não só pelas Sras. diretoras e colegiais c m cujos semblan- MONUMENTO A CAMÕES
tes só se divisavam um grande júbilo, como pelos numero-
sos espectadores q ue, como eu, foram apreciar o talento Vai-se fechar a subscrição que o Gabinete Português
das belas maranhenses. de Leitura promove para este monumento. As pessoas que
Apenas entrei na primeira sala. deparei com uma longa ainda não estiverem inscritas e desejarem concorrer para
exposição de vários traba lhos elabo rados pelas jovens co- esta obra, queiram dirigir-se ao Gabinete até o dia !O do
legiais, como lenços de labirinto, quadros bordados a ouro corrente.
e a matiz, sapatos e gorros de muito gosto e simetricamen- Maranhão, 5 de novembro de 1860. (Publicador Ma -
te executados, assim como diferentes qualidades de pon- ranhense, 7/11/1 860, p. 4.)
tos de marca.
Todos quantos viram tais trabaJhos não puderam dei- SUBSCRIÇÃO
xar de render os devidos elogios a suas autoras, pois real-
mente confesso que eles foram perfe ita mente executados Os Srs. Antônio Telles de Berredo e Isidoro Juvêncio
e acrescentare i mais que as obras vindas do estrangeiro da S ilva Barreiros entregaram ao presidente do Gabinete
não lhes são superioras. Português de Le itura 56$000 rs. que assinaram alguns bra-

VQ) 58 VQ)
CRONOLOGIA DAS ARTES PlÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

sileiros para auxílio ao monumento do grande poeta Luiz educandos Raimundo João Carneiro e Joaquim Zeferino
de Camões. (Publicador Mara11he11se, 12/11/1860, p. 3). Correia.
À noite estará o estabelecimento simples mente ilu-
INSTRUÇÃO PÚBLICA minado.
Uma girândola de foguetes e urna passeata de música
(Da) relação dos alunos do Liceu Maranhense que cm redor do estabelecimento anunciarão que estarão fin-
foram examinados e plenamente aprovados no ano letivo das a festa e exposição.
de 1860. A. J. P. Maya - diretor.
Matérias: Filosofia, Latim Superior, Francês, Geogra- (Publicador Maranhense, 13/J 2/ l 860, p. 4).
lia, Retórica e Inglês:(...) Horácio Tribuzi - Proliro Tribuzi
(... )(Publicador Maranhense, 20/l 1/1860, p. 3). EXPOSIÇÃO

MORTALIDADE Previne-se ao respeitável público que a exposição no


estabelecimento dos Educandos, anunciada para o dia 23,
Cadáveres sepultados no Cemitério da Santa Casa: estender-se-á até o dia 25, sendo no 1ºdia das 4 às 8 horas
Novembro- 27: (...) Martiliano, escravo de Donúngos da noite; no 2° somenlc à tarde e no 3º finalmente das 4 às
Tribuzi, 24 anos, maranhense; tísica pulmonar.(...) (Publi- 9 da noite.
cador Mara11he11se, 30/11/1860, p. 3). A. J. P. Maya
(Publicador Maranhense, l 9/ 12/ 1860, p. 3).
EXPOSIÇÃO DOS EDUCANDOS
EXPOSIÇÃO
No dia 23 do corrente terá lugar esta festa indusrrial.
Sabemos que muitos artistas nacionais e algumas senho- Teve ontem lugar a grande festa dos Educandos, con-
ras pretendem enviar para tal evento trabalhos muito deli- ferindo S. Exa. o Sr. presidente da Província, depois da
cados. nússa, as medalhas e prêmios monetários aos diversos edu-
Na Europa esses objetos costumam ser doados aos candos que mais se distinguiram este ano por suas capaci-
asilos ou casas de educação que fazem a exposição como dades moral, intelectual e industrial.
esmola e constitui mesmo um de seus maiores rendimen- Em outra ocasião daremos notícia circunstanciada das
centenas de objetos que estão em exposição, quase to-
tos. Lembramos, pois, as nossas pamcias para que ofer-
dos externos, pois que muito poucos pertencem ao esta-
tem à Casa dos Educandos os objetos por ela trabalha-
belecimento, e sentimos que nele ainda não exista o que
dos, a fim de serem vendidos em benefício da mesma casa.
se torna necessário à lavoura, como sejam ferreiros, ta-
A caridade é um dos mais belos predicados do sexo
noeiros. etc. etc.
amável, e quando se apela para este nobre sentimento, é
Acima talvez de quatro nú! pessoas visitaram ontem o
sempre ele o primeiro em acudir ao apelo. (A Imprensa, 81
estabelecimento, que hoje e amanhã continua franco aos
12/1860, p.4).
visitantes.
(Publicador Maranhense, 24112/ 1860, p. 3).
CASA DOS EDUCANDOS ARTÍFICES
FESTA E EXPOSIÇÃO SÃO LUÍS, 27 DE DEZEMBRO DE 1860
Domingo, 23 de dezembro corrente terá lugar a festa A lei ascendente do progresso é inevitável. Ashaverus
do orago deste estabelecimento - Nossa Senhora da Con- não pára nem descansa, vai sempre para diante fazendo
ceição. conquistas.
Às 7 horas- missa, com música e assistência de S. Exa. Manifcsla-se por todas as formas, em todos os senti-
o Sr. presidente da Província. dos, servindo-se dos esforços do homem, e ainda do aca-
Depois da missa, S. Exa. visitará toào o estabelecimen- so. A imprensa, o vapor e a eletricidade são seus veícu-
to, e na sala dos exames, no edifício alto, distribuirá prêmi- los, e a luz que dele emana chega a todos os povos, a uns
os aos educandos que durante este ano se distinguiram mais cedo, a outros seródio, mas sempre vem a cspancar-
por suas capacidades moral, intelectual e industrial. lhe as trevas.
Das 7 às 9 horas da manhã, e das 4 às 8 da noite o O Brasil, novo ainda, e sem preconceitos de séculos,
estabelecimento estará franco a todas as pessoas decen- rt!<:ebe e aplaude todas essas conquistas, e se as afeiçoa
tes que o quiserem honrar com suas visitas; fora destas conforme suas forças e seu acanhado desenvolvimento.
horas ncio é permitido o ingresso de pessoa alguma, por Um dia livre, a imprensa não achou linútes que lhe embar-
assim o exigir o serviço e ordem da Casa. gassem; o poderoso invento de James Watt veio logo em
Os objetos da exposição, tanto os manufaturados na seguida, depois os carric; de ferro e o telégrafo elétrico.
Casa como os que os artistas e curiosos tiverem de enviar As artes e ofícios é que ainda vão atrasados, a indús-
à mesma exposição, estarão patentes nos diferentes sa- tria ainda mais do que eles, e a agricultura apenas balbucia
lões do estabelecimento. o seu primeiro verbo mal compreendido. Mas se os com-
Previne-se que não se poderá fumar nas salas da ex- pararmos ao que eram em 1823, ficaremos surpresos do
posição. caminho vencido.
Durante a tarde as bandas de música executarão belas Tenhamos fé, concorramos todos com os nossos es-
e variadas peças, e entre estas, duas da composição dos forços, este com a palavra, aquele com a pena, aquele ou-

59 ~
~
LUIZ DE MELLO ~

Lro com o trabalho; lancemos mão de todos os estímulos indiferente, o entusiasmo contagioso da multidão, a ilumi-
que nos países adiantados se põe cm práLica - os prêmios, nação de todas as casarias e do pátio, as escolhidas peças
os concursos, as exposições - que rapidamente consegui- de música tocadas pelos educandos, tudo convidava para
remos o aperfeiçoamento. que se fosse ali apreciar a nascente exposição e animar
A nossa Província parece que de todas as suas irmãs é com o aplauso as tentativas dos nossos artistas.
a que está destinada a apontar-lhes o caminho do progres- Pede a delicadeza que demos a primazia aos produtos
so- foi primeiro quem fez o vapor navegar seus rios, esta- de arte do sexo gentil ; mas como descrevê-los, como aqui-
beleceu uma instituição provincial de crédito, um arreme- latá-los? O sexo é tão susccptível, perdoe-nos mesmo que
do de escola agrícola e hoje um esboço de exposição. o digamos, é de um amor próprio tão esquisito e irascÍ\cl
O nosso solo é fértil, a semente nele lançada há dois que não nos achamos com ânimo de dar preferência a este
anos pelo administrador da Casa dos Educandos não será ou àquele objeto, e ainda menos de declinar os nomes das
perdida - germinará e virá ainda a ser árvore frondosa e nossas patrícias. que vieram conlinnar o juízo que fomrn-
produtiva. mos do seu talento superior, do delicado fato que lhe pro-
Esse ensaio de exposição, onde se acham misturados digalizou a natureza.
objetos heterogêneos e pertcnccnlcs a ramos que no futu- Bordados a ouro, a cabelo, sobre espelho, a veludo,
ro formarão outras tantas ex posições, é um pensamento tapeçarias, rendas, labirintos deliciosos, desenhos, tudo
grandioso que veio acrescentar ao Sr. Antônio José Pere i- mereceu da concorrência um sinal de aprovação, porque
ra Maya mais títu los ao nosso reconhecimento. tudo estava feito com beleza e perfeição.
O amor próprio é uma das grandes molas das nossas As artes e indústrias tiveram espécimes excelentes.
ações, e quando não excede os limites marcados pela mo- As paisagens do Sr. Righini, principalmente a Camboa
déstia, pela razão e pelo bom senso - quando não é exces- do Mato. são de um pincel de mestre que sabe copiar a
sivo e acompanhado pela inveja, é um nobre vício, mesmo nossa natureza luxuriante em todas as suas gradações e
necessário para o engrandecimento de um povo. As expo- cambiantes cores.
sições, os prêmios e os concursos nascem daí. É um meio A miscelânea do Sr. Borba, apesar de ser conhecida,
de estabelecer uma bem entendida rivalidade entre homens tem muito mérito porque revela um artista da natureza. Sem
de urna mesma arte ou indústria; é um incentivo que, esti- estudos de desenho, ne le só há vocação e nada mais. A
mulando e favoneando o amor próprio, obriga ao aperfei- pauta, as notas do Tesouro, principalmente uma suja e
çoamento. emendada. estão bem imitadas que enganam.
As exposições têm feito milagres em todos os países, e Os desenhos de alguns educandos, as obras de can-
a Humanidade muito lhe deve; ali se comparam os objetos, teiro, prometem muito.
cada um que tem conseguido melhorá-los, dar-lhes uma O retrato do Sr. diretor pelo nosso comprovinciano o
nova fonna, mais cômoda ou econômica, ou descobrir um Sr. João Manoel da Cunha revela um talento que carece
invento útil, encontra esse poderoso veículo de publicida- apenas de mais cultivo para ser completo.
de e de análise. As fotografias do Sr. Neves & Cia., alguns quadros a
No tempo em que a força era um direito, cumpria que os crayon e miniaturas também merecem ser vistos.
homens aperfeiçoassem os seus recursos físicos. O tor- A tipografia foi representada nesta festa por um qua-
ne io, então, era o meio de cada um manifestar os seus dro de notas de banco impressas pelo Sr. Frias, que são
dotes; o aplauso era o prêmio do vencedor; a vitória o modelos de paciência, asseio e nitidez.
estímulo aos lidadores. A indústria fabril deu provas de si cabais. Os sabonetes
Chegou a nós também o dia de termos o nosso torneio da fábrica dos Srs. Fernandes Silva & Irmãos fazem ciúmes
artístico e industrial e o dia 23 marcaní uma época mara- ao fino sabonete europeu e revelam que e ntre nós muito se
nhense. Aplaudamos pois a idéia do educador da mocida- pode conseguir, e só o que falta é animação e procura.
de artesã, e a auxiliemos, nós todos, para que progrida, O Sr. Pontes apresentou um piano de sua fabricação
que a nós mesmos reverterão os proventos que daí virão. muito engenhoso, e onde se podia admirar tanto as vozes
Nos salões da Casa dos Educandos Artífices, destina- agradáveis do instrumento como o trabalho de marcenaria.
dos para a Exposição, acharam-se reunidos no dia 23, pro- Já que falamos em objetos de marcenaria, não pode-
duções de Belas-Artes, de indústria, de ofícios - pinturas, mos deixar de mencionar um guarda-ro upa do Sr. Miguel
bordados, móveis e outros artefatos. Todos concorreram Arcângelo de Lima, a secretária do Sr. Romero e sobretudo
com os seus talentos, e viam-se de mistura os lavores e os a obra de talha do Sr. Agostinho F. Alves. Era um quadro
desenhos das delicadas e mimosas mãos das filhas das de madeira tendo. e talhado a baixo-relevo. dois anjos sus-
principais famflias com os trabalhos das mãos calosas e pendendo uma coroa sobre a cabeça de um busto de Ca-
rijas do simples operário, como que para provar que na mões. A expressão, a vida das figuras, as bem-acabadas
imaginação e nas artes todos fraternizam, a igualdade é linhas, relevos e florões, o verniz, prometem desse jovem
perfeita - não há grandes ne m pequenos, ricos ou pobres; português um futuro artista de muito mérito.
a distinção é outra - mais ou menos perfe ita, mais o u me- Antes de passar a outros objetos, cumpre fazer especi-
nos hábil. O tale nto e a imaginação são a bitola por onde al menção das cuias do Sr. Fernando Antônio da Silva. As
se a ferem os artistas e os homens de Letras e Ciências. artes são cosmopolitas, mas perdoe-se-nos o sermos nes-
Era para ver a alegria e o alvoroço de espírito que te ponto muito bairristas, pois merecem.
dominavam a extraordinária concorrência que durante esse A cuia é puramente brasileira e de uso comum nosso e
e os dois dias subseqüentes freqüentou o estabelecimen- no Pará. De todos os utensílios dos aborígenes é o único
to dos nossos órtãos da Província; os gabos, os comen- que nos resta, e que nos restará talvez sempre pela sua
tos, as reflexões justas do fino apreciador, o juízo banal do utilidade. Taça, copo, prato e cabaz a um tempo, serve para

~ 60 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

os mínimos místeres da vida doméstica e tem entrada e solícito diretor, que aos educandos maiores deve procurar
morada em todas as mesas maranhenses, em umas como aplicar os ofícios mais raros e necessários à nossa lavoura.
objeto de luxo, em ouLras como único utensílio para a co- Continue, pois, o Sr. Antônio José Pereira Maya o seu
mida e para a bebida. pensamento. Operário do progresso, encontrar-nos-á sem-
Era até pouco indústria especial dos índios do Pará, e o pre pronto a auxiliá-lo com palavras de ânimo e louvor.
Sr. Fernando A. da Silva veio, porém, mosLrar que podía- A sua idéia, que hoje parece coisa comum e de recreio
mos adotá-la com mais perfeição. Hábil marceneiro aban- para os que procuram apenas distrações, é de um futu ro
donou a capital, e indo morar na Maioba, aí seu gênio prometedor e lisonjeiro. Cumpre não desanimar nem enti-
inventivo cm vez de plantar uma indústria, fez uma desco- biar. (A Imprensa, 271121 1860, p. l).
berta, a de um verniz preparado com a jutacica. elástico,
brilhantíssimo e que nada perde imerso o objeto na água EDUCANDOS
ou exposto à umidade por muito tempo, e é por esse lado
que apreciamos mais a sua indústria. Ma.is firme e própria No dia 23 do corrente teve lugar pela manhã a distribui-
para o nosso país do que todos esses outros vernizes, é ção dos prêmios aos educandos que mais se distinguiram
de grande vantagem e auxílio aos marceneiros, pintores de pelas suas aptidões industriais, intelectuais e morais. S.
sege, encadernadores, etc. Exa. foi quem presidiu este ato.
E ntre as cuias expostas pelo Sr. Fernando havia uma À noite, e nos dois dias que se lhe seguiram, fez a
com a sua finna na parte interna, e pintada de azul ondeado Exposição Industrial e Artística nos salões do estabeleci-
por dentro, e por fora à imitação de tartaruga. A cercadura mento. O concurso foi cxLraordi nário cm todo o tempo q ue
e os quatro ílorões q ue vinham terminar no centro, pela durou a exposição ele que tratamos cm artigo especial.
parte externa, são de grande perfeição e enganam tanto Na primeira noite houve um pequeno fogo de artifício,
que se crê embutidos, e não envernizados. Tão belo espé- e cm todas as noites boa iluminação em todo o edifício.(/\
cime dá a conhecer no Sr. Fernando um artista. Imprensa, 27/12/1860, p.4).
A tanoaria teve o seu representante no Sr. Marques
Freitas. Os dois barris que expôs dão-lhe crédito.
BELAS-ARTES
O jardim, bules, cafeteiras, fôrmas de pastéis são as
provas de quanto o Sr. Caetano Antônio dos Santos é
Domingos Tribuzi continua a dar lições em casas parti-
perfeito na funjlaria.
culares, de desenho para bordar, recamar de llorcs, paisa-
Algumas obras de sapateiro e alfaiate dos próprios edu-
gem, ornamentos e figuras, pintura a óleo, miniatura e aqua-
candos, e outros muitos artefatos de artistas particulares,
relas, lecionando uma vez por semana e dando ele mesmo
que deixamos de mencionar para não cansar o leitor, paten-
caneta, lápis, papel, pincéis e tintas. O prêmio por um dis-
teiam a habilidade dos nossos industriais e artistas a quem
cípulo: 8$000; por dois na mesma casa 12$000. Pode ser
não falta natureza, mas aperfeiçoamento, estímulo e exem-
procurado a qualquer hora. Beco do Sineiro nº 4. (Jomal
plares que lhes sirvam de modelo. Em parte a exposição do
do Comércio, 31/12/1860, p. 4).
diretor dos Educandos veio suprir essa lacuna que havia. O
primeiro passo está dado, cumpre agora não esmorecer.
Agora tratemos do Sr. Antônio José Pereira Maya. JUSTIÇA A TODOS
Olímpio Machado, que tinha entre outras qualidades o
dom de conhecer de um relance os homens, e que sabia Muitas são as descrições que ~e hão feito da Exposi-
aproveitá-los, foi buscar o alferes do tempo de Franco de ção na Casa dos Educandos.
Sá, e entregou-lhe a difícil missão de dirigir a Casa dos Sendo a primeira que houve entre nós. e não havendo
Educandos Artífices, de onde havia saído voluntariamen- muüas pessoas que tenham conhecimentos especiais dos
te Falcão. vários ramos de Belru.-Artes, de que ali havia boas amos-
Difícil , repetimos, e espinhosa era a empresa. Falcão tras, não é de admirar que tenham aparecido experimentos
criara uma reputação como primeiro diretor do estabeleci- de um ou outro trabalho digno de elogios.
mento, e entregou-o ao Sr. Maya. acreditado e cheio de Entre eles é para notar-se o baixo-relevo, tão raro entre
simpatias. nós, representando o busto do imortal Camões, o Príncipe
- O Sr. Maya, cm vez de encontrar a animação geral, dos Poetas de seu tempo e o Cantor das glórias lusitanas,
para dar-lhe incentivo, achou uma certa imprensa, que (sem- feito pelo Sr. Agostinho Ferreira Alves, que não deve de-
pre e nxerga o indivíduo através da idéia) o recebeu com sanimar. antes progredir na carreira apenas encetada, mas
ataques violentos e injuriosos antes de vê-lo na obra. O Sr. sob tão bons auspícios. Outros o imitem. e cm breve o que
Maya não desacoroçou: tinha consciência de si, e espera- principiou por distração será mais um ramo de indústria,
va que seus atos viessem desmentir seus gratuitos adver- um meio de vida útil e agradável.
sários. Dentro em pouco o tempo veio fazer-lhe justiça. e Em desenho a esfuminho ou a fumo aí apareceu um qua-
hoje não há quem não louve o diretor do asilo da infância dro histórico, que traz à reminiscência uma das épocas anti-
desvalida. gas da heróica Roma. Representa os Três Horácios abraça-
-O seu coração devia d ilatar-se ele prazer ao ler a apro- dos entre si e tão unidos como se fossem um só homem,
vação no rosto de toda a população que durante estes tfês despertado~ pelo mesmo sentimento, guiados pela mesma
dias freqüentou com solicitude a Casa dos Educandos. idéia, e no momento de prestarem o juramento solene.
Em 1858 tivemos a ocasião de fa7.cr alguns reparos acer- Idéia e execução soberbas; a expressão do rosto, a
ca da educação industrial dos educandos; não reproduzire- posição dos heróis, o delineamento do todo. o bem-acaba-
mos agora o que já dissemos, apenas aconselharemos ao do de cada uma de suas partes, o vigor que se nota nos
LUIZ DE MELLO

diversos órgãos externos e sobretudo o sombreado bem do por muitas girândolas de foguetes e toques executados
distribuído e bem espalhado sem cortes, mas como nuvem pela banda de música do respectivo estabelecimento que
carregada que pouco a pouco vai perdendo sua intensida- estava aberta a Festa fndustrial. O pátio e jardins acha-
de até confundir sua cor com o branco do horizonte, reve- vam-se enfeitados por bandeiras, e em frente da principal
lam o talento de seu autor, a inclinação natural para tal arte, varanda da exposição tremulavam os pavilhões nacional,
e se continuar com gosto e perseverança será um dia um português, francês e inglês. O estabelecimento foi fran-
excelente professor. queado geralmente ao público.
É hoje um menino, ainda entregue ao descuido de seus Às 7 horas da manhã foi S. Exa. o Sr. presidente da
poucos anos, e chama-se Horácio Tribuzi. Província doutor João Silveira de Sousa recebido pelo
Este nome despertou a lembrança de seu pai, Sr. Do- Corpo dos Educandos, tendo em sua frente o seu digno
mingos Tribuzi, professor de desenho do Liceu, que nesse diretor.
dia, nessa festa industrial, e até mesmo depois, quando A missa, celebrada na capela do estabelecimento a gran-
leu os elogios feitos aos Srs. Bílio, Cunha, às Sras. Freitas, de instrumental foi assistida pelo Exmo. Sr. presidente,
às diretoras dos colégios Nossa Senhora da Glória e da corpo consular, membros do Tribunal da Relação, oficiali-
Soledade, se encheria de grande prazer e nobre orgulho dade da Guarda Nacional, Exército e Marinha, bem como
por ver que todos estes adoradores da arte, que ele ensina por um número de senhoras e cavalheiros distintos.
com talento e gosto, foram seus discípulos que muito apro- S. Exa. depois de visitar as salas da exposição dirigiu-
veitaram de suas lições. se ao edifício alto e aí, na sala dos exames, distiibuiu os
Exceto os lindos quadros do Sr. Righini, todos os mais prêmios destinados aos educandos que mais se distingui-
eram de discípulos do Sr. Tribuzi. rnm por suas capacidades moral, intelectual e industrial (e
Dirigindo estas palavras, nascidas da abundância do co- pelo diretor foram dadas algumas doações pecuniárias, em
ração, a todos que concorreram com seus artefatos para esse moeda de prata, do seu bolsinho) seguindo-se uma alocu-
Templo das Artes erguido pelo gênio criador do incansável
ção por S. Exa. análoga ao objeto, que foi respondida pelo
Sr. capitão Maya, não fazemos mais do que - dar a César o
pequeno educando Américo Marcelino Guedes de uma
que é de César. (Publicador Maranhense, 3/1/186 1, p. 2).
maneira bem satisfatória.
S. Exa. retirou-se pelas 10 horas, recebendo as conti-
COMUNICADO
nências feitas pelo Corpo de Educandos.
Na tarde desse dia, como pela manhã, se achavam colo-
No Publicador de ontem, e sob a epígrafe de Justiça a
cados nos dois extremos do estabelecimento as bandas de
todos - se lê o seguinte período:
música dos Educandos e do 5° Batalhão de infantaria, as
Exceto os lindos quadros do Sr. Righini, wdos os mais
quais com suas belas e variadas peças muito concorriam
eram de discípulos do Sr. Tribuzi.
Como se trata de fazer justiça a todos e dar a César o para deleitar aos cavalheiros e às belas e formosas mara-
nhenses que de momento a momento chegavam para apre-
que é de César, somos obrigados a declarar que alguns
desenhos enviados à exposição, pelo Colégjo Nossa Se- ciar a primeira exposição que teve lugar nesta Província.
nhora da Soledade, bem como um avulso assinado pela Às 6 e 30 horas já se achava o estabelecimento interior
Exma. Sra. D. M. L. Rego, foram feitos sob a direção do Sr. e exteriormente iluminado, e ao lado direito do salão princi-
J. Venere, professor de desenho no dito colégio. pal da exposição via-se uma bela iluminação transparente,
Fazendo essa declaração, não tivemos em vista ofender contendo no centro o busto de S. M. o Imperador.
suscetibilidades, e tão-somente lembrar o nome de um bom Às 7 horas uma girândola de foguetes anunciava a
velho que existe entre nós, pouco favorecido da fortun a. chegada do Ex mo. Sr. presidente da Província, o qual acom-
Maranhão, 4 de janeiro de 1861. panhado do diretor visitou os salões da exposição, reti-
M rando-se às 9:30 completamente satisfeito, depois de ter
(Publicador Maranhense, 4/111861, p. 2). ardido um pequeno fogo de vistas, oferecido pelo Sr. Cos-
ta Rodrigues.
GIOVANI VENERE S. Exa. se dignou aceitar um simples copo d'água, ten-
do tido o prazer de ser acompanhado por muitas senhoras
Pedimos por obséquio ao redator do comunicado apa- que rivalizavam em beleza e distinção.
recido nesta folha do dia 4 do corrente, assinado M - de No dia 24, pelas 4 horas da tarde já estava o estabeleci-
nos declarar onde mora o Sr. J. Venere, ou de nos dizer os mento aberto e franco ao público. Foi visitado pelo impor-
dias em que leciona no Colégio Nossa Senhora da Soleda- tante Colégio Nossa Senhora da Soledade, sendo todas as
de, porque disse no comunicado que o Sr. Venere mora alunas recebidas pelo diretor e seus educandos; a concor-
entre nós e que leciona no dito colégio. Temos uma enco- rência foi numerosa e esteve franca a exposição nesse dia
menda de muito interesse a fazer-lhe. até às 7 horas da noite.
Maranhão, 7 de janeiro de 1861 . (Publicador Mara- No dia 25, o último da exposição, já às 3 horas da tarde
nhense, 811/1861, p. 2). o belo sexo começava a visitar o estabelecimento, ainda
em maior número do que nos dias anteriores. Era belo e
A EXPOSIÇÃO DA CASA DOS encantador ouvir-se os sons harmoniosos das bandas de
EDUCANDOS ARTÍFICES música, sentir-se o perfume que exalava dos variados tou-
cadores das jovens e encantadoras maranhenses; ver-se
Ao despontar da aurora do dia 23 de dezembro de 1860 o arvoredo prateado pelos reflexos da lua que nesse dia
foi no estabelecimento dos Educandos Artífices anuncia- apresentou-se inteiramente fascinadora, passeando feiti-

62 <?/(;)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

ceira e gentil em lindo céu de anil entornando na alma de ção o belo e importante piano, feito pelo habilíssimo Sr.
todos saudosas recordações, como que para dar mais bri- Francisco Ferreira Pontes, com dois teclados para serem
lhantismo ao primeiro passo dado para o probrresso das tocados por duas pessoas ao mesmo tempo; o guarda-rou-
Belas-Artes; enfim, tudo respirava prazer, tudo era com- pa fabricado com oito qualidades de madeiras, pelo Sr. Mi-
pleta alegria. Às 5 horas da tarde o diretor, com o Corpo guel Arcanjo de Lima; a secretária feita pelo Sr. Salvador
dos Educandos formado cm alas, recebeu as jovens edu- Gabriel Romero e a mesa do Sr. Luiz José da Cunha; os
candas do Asilo Santa Teresa, esperando-as no princípio chapéus do Sr. Genúniano; as casacas dos Srs. Soares e
da Rua da Concórdia; dirigiram-se ao estabelecimento e Manoel A1vcs Ribeiro eram traballlos primorosos; bem como
depois de fazerem oração na capela visitaram todo o edifí- o jardim, bules, etc. do Sr. Caetano Antônio dos Santos. Os
cio e salas da exposição, convidando-as depois o diretor trabalhos de tanoeiro e ferreiro estavam bem-feitos, bem
para um simples copo d' água, que o aceitaram. assim a coluna ou pirâmide de barro branco, feita por uma
Poesias e outros impressos interessantes foram distri- menor de .12 anos. A miscelânea do Sr. Borba estava curiosa.
buídos por alguns apreciadores das Belas-Artes. O diretor e seria de temer-se a habilidade dele, se não fosse honrado.
de momento a momento recebia felicitações de seus ami- O Sr. Frias apresentou ótimos trabalhos de sua tipogra-
gos e de muitos espectadores; mostrava a maior satisfa- fia. As amostras de sabão da fábrica dos Srs. Fernandes
ção. O comportamento dos educandos durante a festivi- Silva & Irmão não tinham inveja aos das fábricas da Europa.
dade chamou a maior atenção do público. O Sr. Maya mui- O porta-licores, feito de papel, imitava a fina porcelana; fi-
to deve ao Maranhão, porém este também lhe deve alguma nalmente, entre os produtos propriamente nacionais, distin-
coisa, porque a educação da mocidade, pobre e desvalida, guiam-se as cuias do Sr. Fernando Antônio da Silva pelo
oriunda de várias famflias, dotada de inclinações diversas bom gosto dos desenhos e brilhantismo do polido.
que não foram aproveitadas ou desprezadas no berço, é Um aparelho de prata, que lá se achava, serviu de críti-
coisa muito difíci l, própria só de um gênio criador, de uma ca e parece que foi mandado à exposição por especulação.
inclinação e gosto particular, como tem tido o Sr. Maya, Em um salão separado estavam expostos os objetos
que além do prazer que sente por ver-se rodeado de tantos manufaturados pelos educandos, sendo dignos de espe-
meninos que o estimam e respeitam como se fosse seu cial menção os desenhos do educando Raimundo Antô-
próprio pai, presta à Pátria um serviço valioso e tão impor- nio de Amorim; o busto esculpido cm pedra, feito pelo
tante que nem temos frases para avaliá-lo, conquanto seja educando Raimundo João Carneiro, alfaiate que nunca
bem numerosa a língua portuguesa. aprendeu escultura; o toucador feito pelo educando Feli-
Passemos agora à análise dos principais objetos da pe Tiago Pereira e alg uns chinelos abertos a canivete.
exposição que nos mereceu atenção. Sentimos dizê-lo, mas é preciso saber-se que nesta festa
O ramo bordado sobre papel a rctrós, e sem avesso, industrial, toda de proveito para esta Província, não apare-
feito pela Sra. Libânia dos Reis era, sem dúvida, um ótimo ceu um só objeto, por mais pequeno e insignilicante, que
trabalho de primor e perfeição. O buquê de flores de papel, revelasse a existência da Fundição da Companhia Fluvial de
feito por uma senhora pernambucana, mereceu a aprova- Vapores, muito bem mantida pelos cofres da Província.
ção de todos. Foram dignos de muita atenção todos os Está dado o primeiro passo, foi feita pela primeira vez
bordados a ouro. O cão feito pela jovem D. Aurora Pinhei- uma exposição, cm um momento levantou-se um Templo
ro, em ponto de tapete em relevo, era obra superior e digna das Artes, suas portas franqueadas, e quem lá mandou um
de ver-se. Todos os trabalhos enviados à exposição pelo trabalho seu, foi bem recebido e bem agasalhado, e nessa
Colégio de Nossa Senhora da Soledadc, de que são direto- concorrência de muitas inteligências, de muitas aptidões,
ras as Exmas. senhoras Carmini, tiveram as honras da pri- muito se ganha, muito se lucra.
mazia, nos objetos de agulha, bem como os do Colégio Quem outrora falasse em uma exposição no Maranhão,
Nossa Senhora da Glória e os do Asilo Santa Teresa esta- seria considerado louco ou utopista; hoje vê-se o impos-
vam bons. Digno de toda a atenção fo i um quadro que sível realizado pela força de vontade do incansável Sr. ca-
continha um túmulo, feito de cabelo, por uma menina de pitão Antônio José Pereira Maya, muito digno diretor dos
nome Josefina. Uma toallla de labirinto feita no Ceará era Educandos Artífices. (O Século, l 8/ 1/1861, p. 2).
obra sublime. Os bordados sobre espelho, aveludado, ta-
peçarias, rendas, flores e pássaros, tudo mereceu dos visi- AGRADECIMENTO
tantes sinal de aprovação. Todos os quadros a óleo do Sr.
Righini eram soberbos e perfeitos. Os muitos traballlos do O abaixo assinado, diretor da Casa dos Educandos Ar-
Sr. Domingos Tribuzi e de seus discípulos, ta1110 a óleo tífices, possuído do mais vivo reconhecimento, faltaria ao
como a crayon, estavam ótimos, sobressaindo-se os que seu dever se deixasse de dirigir-se às dignas jovens e ca-
representavam Os Três Horácios. - O retrato a óleo do valheiros para ai:,rradecer-lhcs a prontidão e boa vontade
diretor do estabelecimento, feito pelo Sr. Cunha, estava com que corresponderam ao convite que o mesmo abaixo
muito parecido, bem como o do finado major Fimúno Bra- assinado teve a honra de fazer-lhes, de concorrerem com
ga, feito pelo Sr. Bilio. Os quadros do Salvador Mendi, qualquer obra de primor para a Exposição Geral que teve
também feitos pelo Sr. Cu1lha, e o retrato do Exmo. Sr. Para- lugar nos dias 23, 24 e 25 de dezembro findo, nos salões do
naguá, arual ministro da Justiça, feito pela senhora D. Gi..i- referido estabelecimento.
lhermina Freitas, eram objetos dignos de ver-se. A escultu- O abaixo assinado tem a satisfação de declarar que os
ra em madeira, feita pelo Sr. Agostinho Ferreira Alves, re- objetos que figuraram na dita exposição mereceram amai-
vela muita habilidade e gosto. Os retratos a fotografia dos or atenção dos visitantes, não só pelo esmero e perfeição
Srs. Neves estavam bons. Foram dignos de especial aten- com que foram prontificados, como por sua raridade, ofe-
~
~ LUIZ DE MELLO

recendo-se a todos os respeitos inteira semelhança com e em Pernambuco é de costume qualquer artista quando
os que são trazidos ao mercado desta Provínc ia, manufa- executa uma obra, que tenha tal ou qual novidade, ou mes-
turados em países estrangeiros. mo raridade, o expô-la à vista do público em qualquer casa
Pede o mesmo abaixo assinado desculpa de não diri- de negócio onde todos podem entrar, ver, criticar ou lou-
g ir-se pessoalmente, como desejava, a cada uma das pes- var sem vexame e longe das vistas do autor.
soas que tiveram a bondade de enviar objetos para a expo- Dito isto colhe o artista bastante proveito, porque sa-
sição, por não lhe permitir o seu mau estado de saúde. bendo de todos os juízos com que lhe aquilataram o méri-
Maranhão, lO de janeiro de 186 1 to, pode corrigir-se, e um dia fazer brilhante figura entre os
Antônio José Pereira Maya seus companheiros de arte ou profissão.
(A Moderação, 19/1/1861 , p.4). Convidamos, pois, os nossos artistas a seguirem tão
útil exemplo, e oferecemos as nossas pág inas para anunci-
BELAS-ARTES ar onde existem esses trabalhos, e o faremos de boa vonta-
de. (Publicador Maranhense, 30/1/1861, p. 2).
Temos entre nós vários estabelecimentos de educação
primária ou secundária, mais ou menos bem montados, PEQUENAS EXPOSIÇÕES
mais ou menos úte is.
Estuda-se e aprofunda-se o conhecimento de línguas Felizmente o que ontem escrevemos sob este título
vivas e mortas e de ciências. não foram vozes perdidas no deserto, pelo contrário, acha-
Infelizmente são ou de todas ou por demais esqueci- ram eco em mais de um coração estatístico.
das as artes plásticas - isto é, aquelas que se revelam nas Já hoje se vêem dois belos quadros representando os
formas e que brilham nas cores. Três Horácios e o Senhor da Cana Verde na loja de li vros
É sem dúvida para sentir-se que a profissão, que tanto do Sr. Monteiro no Largo do Carmo, e na botica dos Srs.
celebrizou Grão-Vasco, Cláudio, Coelho, Sequeira, Miguel Marques & Filho um trabalho do Sr. Amâncio José da Pai-
Ângelo, Rafael e outros, não tenha culto verdadeiramente xão Cearense.
popular entre nós. Examinamos este quadro, que é uma lâmina de cobre
Possuem os nossos concidadãos muito gosto, sobra- bem polido, onde se vê aberto a buril o nome do Sr. Carlos
lhes inteligência, têm habilidade, mas falta-lhes tudo fal - Henrique da Rocha, no centro as três letras iniciais domes-
tando-lhes a vontade para empreender estudo tão provei- mo nome enlaçadas, e por último a assinatura do artista.
toso, tão útil, tão agradável de ter constância para vencer De todas as espécies de gravura, a mais difícil é por
as dificuldades que são inerentes no princípio de toda sem dúvida a do buri l, e parece que só por isto é até hoje
profissão. tão estimada, como o foi em 1640 quando em Florença o
Necessitarão de modelos? Não: há muitos belos quadros ourives Maso Finiguerra a descobriu.
de mestres para copiar-se, e há muitas produções de outras Julgamos também que foi por essa dificuldade que o
escolas para nelas estudar-se a variedade dos estilos. Sr. Amâncio a escolheu como um meio de mostrar a sua
Faltarão idéias? Também não: o pintor, o escultor e o habilidade, e na verdade é este trabalho muito digno de
gravador têm aqui, como em parte alguma, mais objetos todos os elogios.
para inspirar-se. A riqueza dos nossos bosques, o cintilar Lembramos que alguns educandos fossem entregues
das nossas estrelas, a pompa da vegetação da natureza, a ao Sr. Amâncio para aprenderem esta arte, e convém muito
beleza de nossos rios, a raridade de muitos edifícios anti- que já sejam adestrados no desenho, porque a gravura é
gos, e muitas paisagens lindas a mais não poder ser, e fundada, como a arq uitetura e a pintura, nesse princípio, e
sobretudo a história do nosso Brasil, cujo nome só, se- sem este preliminar conhecimento não pode um artista gra-
gundo diz Freynet, recorda tudo quanto a natureza tem de vador imitar ou inventar com gosto, perfeição e acerto.
mais belo e fecundo, aí estão feiticeiras, desfolhando en- É pena, porém, que o Sr. Amâncio também padeça da-
cantos e convidando os pincéis e os buris. quela moléstia crônica, própria de todos os bons artistas,
Há muito que aproveitar e nada que perder. como já falamos uma vez, isto é - "promete muito e falta
Faltarão mestres? Não: aí está o decano dos nossos muito."
desenhistas e retratistas, Sr. professor Domingos Tribuzi, Sabemos que o Sr. Amâncio é estimado por muitos mé-
que, inteligente, incansável e amante da profissão que abra- dicos, e pedimos a e les que o curem radicalmente de tal
çou por gosto e que cultiva com entusiasmo, a anunciar mal , com o que prestam grande serviço aos seus numero-
cursos 11oturnos. sos fregueses, que por mais que sofram faltas, não podem
É uma novidade muito útil, porque pem1ite aos diferen- ficar mal com e le, pelas desculpas que dá com arte e jeito.
tes artistas e aos caixeiros o estudo de vários ramos de É pena por certo que ele padeça tanto, porém, e m breve
desenho, o que além de enriquecer a inteligência é mais um esperaremos vê-lo completamente restabelecido para con-
meio de vida, que em dias de adversidade pode ser de tinuar a trabalhar em sua profissão, na qual já ocupa um
suma vantagem, muito principalmente quando ninguém lugar muiro distinto, e lhe desejamos isto tudo de coração
sabe o futuro que Deus lhe destina. (Publicador Mara- porque lhe devotamos verdadeira e sincera amizade. (Pu-
nhense, 28/1/1861 , p. 3). blicador Mara11/ie11se, 3 1/1/186 1, p. 2).

PEQUENAS EXPOSIÇÕES COMUNICADO

Os bons exemplos que dão as outras Províncias de- Domingos Tribuzi avisa ao respeitável público e a seus
vem ser aproveitados por nós. Na Bahia, no Rio de Janeiro discípu los que mudou a sua residência para a Rua do Sol
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

nº 33 e que no dia 14 do corrente vai abrirnovamente a aula de de meus desejos que concorreram centenas de pessoas
desenl10 das 7 às 9 horas da noite, numa excelente sala. Os com tantos objetos manufaturados unicamente na Provín-
novos discípulos farão o obséquio de deixar seuc; nomes na cia, que necessário me foi preparar mais um salão destina-
sobrcdita casa para se arranjar os preparos necessários. do aos objetos estranhos aos dos educandos. A concor-
Maranhão, 8 de fevereiro de 1861. (Publicador Mara- rência que teve o estabelecimento durante os três dias da
nhense, 20/2/1861, p. 4). exposição foi espantosa, e o bom acolhimento que teve a
minha idéia faz-me esperar que este ano se torne ainda
BELAS-ARTES maior a concorrência de objetos. Enfim, Ex mo. Sr., para não
tomar-me prolixo a respeito deste artigo, limito-me a trans-
O abaixo assinado continua a lecionar em casas parti- crever nele as expressões de que se serviu o Ex mo. Sr. Dr.
culares desenho e pintura, dando a seus discípulos todos João Silveira de Sousa, no <;eu relatório quando entregou
os pertences necessários, como sejam - lápis, papel, cane- a presidência da Província: - "Em dezembro passado o
tas, pincéis e tintas. O prêmio mensal é c.le 8$000 réis, sen- diretor conseguiu fazer ali (110 estabelecime11to) um en-
do um discípulo, e 12$000 réis para dois, etc. etc. Também saio de exposição industrial, lembrança esta muito provei-
emprestará todos os traslados necessários. tosa e que muito agradou ao público." - Não devo, porém,
Domingos Tribuzi, Maranhão, 26 de fevereiro de 186 1. deixar de declarar que sendo as despesas de ta is exposi-
(PublicadorMaranhense, 11/3/1861. p. 3). ções feitas à custa do meu ordenado, não é ele suficiente
para que com elas continue cu a dispender a quantia de
(DO) Relatório do Sr. João Silveira de Souza, ao passar 400 a 500$000 réis; motivo por que impetro de V. Exa. haja
a administração da Província ao Sr. Pedro Leão Veloso, de expor à Assembléia Provincial a necessidade dessa ver-
presidente da mesma: ba. para que continuando as exposições, atinja a Província
a apresentar para o futuro uma exposição condigna do
CASA DOS EDUCANDOS ARTÍFICES país a que pertence, onde concorram todos os artistas,
agricultores e mesmo curiosos com seus trabalhos e in-
Em dezembro passado o diretor conseguiu fazer ali um dústrias."(... ) (A lmpre11sa, l 3nt l 861, p. 2).
ensaio de exposição industrial, lembrança esta muito pro-
veitosa e que agradou ao público. EXPOSIÇÃO
Foram por esse tempo examinados e aprovados 17 alu-
nos c.las aulas e 20 das oficinas; foram premiado, por capa- Amanhã o colégio de meninas Nossa Senhora da Sole-
cidade moral 26; por capacidade intelectual 9; e por capa- dade expõe os trabalhos das suas alunas. É de supor que
cidade industrial 13. seja grande o número dos visitantes, porque este acredita-
O rendimenh> peculiar da Casa, isto é, das oficinas e díssimo estabelecimento de instrução adquire a cada dia
bandas de música, tem diminuído consideravelmente há mais simpatia do público. (A Imprensa, 3/8/1861, p. 3).
meses a esta parte, em conseqüência não só da despedida
dos melhores oficiais, como pela falta de trabalho. COLÉGIO NOSSA SENHORA DA SOLEDADE
De 1° de julho do ano passado ao último de fevereiro
do corrente ano a Receita Geral do estabelecimento fo i de Ontem teve lugar neste colégio a exposição anual.
réis 16:850$020, e a Despesa montou a réis 17:065$871, A concorrência foi extraordinária, e os trabalhos ex-
havendo um déficit de réis 207$851. postos, elaborados pelas alunas e alguns dos professores
Permita-me aqui V. Exa. que lhe recomende o referido foram dignamente e laborados, sobressaindo-se em todas
diretor, que se faz digno da atenção do Governo por sua as classes os trabalhos da aluna Sra. Maria Luísa Muniz.
dedicação em favor desta tão proveitnsa instituição. (... ) havendo muitas outras que são dignas de menção, mas
(Publi cador Mara11hense, 18/4/1861, p. 2). que nos é impossível enumerar. (Publicador Maranhe11 -
se, 5/8/1861, p. 2).
TRECHO DO RELATÓRIO DO DIRETOR DA
CASA DOS EDUCANDOS ARTÍFICES PUBLICAÇÕES PEDIDAS

&POSIÇÃO Para nós era fora de toda a dúvida que o colégio de


(...) Há quatro anos que, unicamente para estímulo dos meninas, sob a invocação de Nossa Senhora da Soledadc,
jovens educandos por mim di1igidos, tenho apresentado dirigido pelas senhoras Carmini, estava a".'ima de todo o
anualmente ao público os trabalhos da Casa por eles ma- elogio, porém ainda assim excedeu a nossa expectativa,
nufaturados, e, satisfeito pelos resultados obtidos de tais quando nos dias 3 e 4 do corrente se abriu a exposição do
exposições, não só pelo interesse mostrado pelo público mesmo colégio. A grande quantidade de objetos primoro-
que nos dias da festa do estabelecimento freqüenta a Casa, samente e laborados é de uma prova incontroversa do de-
como também pelo zelo e apurado gosto que os educan- senvolvimento que torna a mocidade desta boa terra; de
dos mostram em aperfeiçoar-se nos seus trabalhos, mor- pessoas de fora da Província ouvimos nós dizer que nas
mente naqueles que sabem que têm de ser expostos de- Províncias do Sul do Império não existem colégios mais
pois da distribuição do prêmios marcados por lei; encóra- bem montados.
jado pelo feliz resultado que tenho obtido daquelas pe- Era extraordinária a concorrência, no primeiro dia, de
quenas exposições, resolvi, ano passado, convidar os ar- pessoas de todas as classes da sociedade que iam adm irar
tistas e o público em geral para que concorressem à expo- os objetos de ane muito bem-dispostos nos salões do
sição com seus trabalhos, sendo tão feliz no cumprimento estabelecimento, feitos pelas alunas. Mencionaremos de
LUIZ DE MELLO

passagem alguns que prenderam nossa atenção - um len- As alunas na manhã desse dia tendo ido ouvir missa
ço de bordado branco, um quadro a matiz e froco, um ramo na capela dos Educandos, ao passarem pela frente da casa
de ouro, uma relojoaria, feitos pelas delicadas mãos da do vice-cônsul dos Estados Pontifícios, foram cobertas de
Exma. Sra. D. M. L. M .; as coroas do Brasil e Portugal, flores pelas senhoras e cavalheiros que ali se achavam.
outro ramo de ouro e um cão, pela Exma. Sra. D. Z. A. da S. A conco1Tência ao estabelecimento à tarde e à noite fo i
P.; uma paisagem a froco, uma almofada, pela Exma. Sra. D. extraordinária. (A Imprensa, 17/8/1861,p. 3).
A. A. C.; uma pegadeira e uma carteira, pelas Ex.mas. Sras.
Aguiar; um pavão e um leão, pela Exma. Sra. D. E. Vilhena, COLÉGIO NOSSA SENHORA DA GLÓRIA
e muitos outros bordados a froco e bordado branco, por
diferentes alunas, tudo digno de se admirar; havia além O dia 15 do corrente, 16º aniversário deste estabeleci-
d isso espécimes das Exmas. diretoras, como bordados em mento de e levada educação feminina, sob a direção das
papel a matiz, em espelho a froco, obra de vidri lho, con- três Exmas. Sras. Abranches, foi de grande festividade na
chas, ponto de croché, etc. nossa capital para todas aquelas pessoas que têm em su-
Consta-nos que depois da missa, que se celebra na bido apreço instituições desta ordem; custou, porém já
capela do colégio em todos os dias santificados, compare- temos dois colégios na nossa Província, sem invejar o de
cerá a comissão do j úri que tinha de distribuir os prêmios, qualquer outra, nem mesmo os da Europa. Em qualquer
composta das Ex mas. Sras. D. Maria Fernandes Silva e D. deles encontram os pais para as suas filhas perfe ito co-
Margarida P. Costa, tendo faltado algumas senhoras con- nhecimento da moral, das letras e das artes.
vidadas para o mesmo fim, por motivos justificados, e dos Às 7 horas da manhã, guiadas pelas Ex mas. diretoras e
llmos. Srs. Fernando Luiz Ferreira, Manoel Antônio dos pelos respectivos professores, entraram no estabelecimen-
Santos e Jorge M. de Lemos e Sá, a qual depois de ter to dos Educandos Artífices 122 alunas, todas uniforrniza-
examinado rudo, deu o seu veredicto para a distribuição das, isto é, vestidas de branco e com laço azul. O Sr. tenen-
dos prêmios. te-coronel Maya, diretor dos Educandos, polido e cava-
Colégios desta ordem, aos quais desejamos longa du- lheiro como é, com o corpo doce nte foi encontrar o cortejo
ração, merecem toda a solicitude de seu público ilustrado. na entrada com a banda de música, e em alas conduziu
Maranhão, 6 de agosto de 186 1. esse buquê até a entrada do templo, em cuja ocasião dois
X jovens educandos lançavam flores sobre as colegiais.
(A Imprensa, 7/8/186 J, p. 3).
Findo o sacrifício da missa celebrada pelo revdo. cône-
go magistral Dr. Manoel Tavares da Silva, o diretor fran-
COLÉGIO NOSSA SENHORA DA GLÓRIA queou todo o alojamento do estabelecimento que foi visi-
tado pelo Colégio Nossa Senhora da Glória; o que feito, e
As diretoras avisam ao responsável público que no
formando no pátio em frente à capela os briosos educan-
dia 15 de agosto corrente terá lugar no seu colégio uma
dos e m alas, as colegiais e diretoras, receberam elas uma
exposição - das 4 horas da tarde às 1Oda noite, de todos
alocução da literária Sociedade Ateneu Maranhense, re-
os novos trabalhos elaborados pelas alunas do mesmo
presentada por uma comissão de nove membros, com os
colégio; e terão ingresso todas as p essoas que se apre-
seus distintivos, da qual foi relator o sócio orador Antônio
sentarem decentemente vestidas.
Bernardino Jorge Sobrinho.
As diretoras - D. Amância Leonor de Castro Abran-
No regresso, os educandos fizeram as mesmas honras
ches e suas irmãs.
que haviam dispensado na recepção, acompanhando as
(A Imprensa, 14/8/1861, p. 3).
colegiais até o seu edifício o tenente-coronel Maya e a co-
missão do Ateneu, conduzindo aquele e o relator desta as
RARID AD E
Exmas. diretoras de braço. Louvamos e muito a preferência
O Sr. John Wetson, engenheiro americano, encontrou do templo que dá o Colégio Nossa Senhora da Glória para o
e trouxe do Pindaré um tronco de jenipapeiro, digna rarida- ato religioso de sua festividade. É a prova mais solene da
de da natureza. É a fi gura de uma mulher em meio-corpo nossa civilização, a maior honra e a confissão mais plena
tendo as pernas cruzadas, faltando-lhe apenas o pé em que se pode fazer da moralidade dos órfãos da Província.
uma das pernas, o outro mostrando estas de sapato raso. Às 4 horas da tarde teve começo a visitação da exposi-
A parte dos pés era a raiz da árvore. ção dos trabalhos do ano que foram muitos e perfeitos.
Consta-nos que o Sr. Wetson tenc iona remeter esta Centenas de familias conconeram à exposição, que esteve
raridade da natureza para o Museu do Rio de Janeiro, ou franca até às 10 horas da noite, continuando a ter visitan-
para a América. Em sua casa no Largo do Carmo pode ser tes no dia seguinte. Aí uns avaliavam a contabilidade e
v.ista por que m quiser essa obra da natureza. (Publicador verificavam as provas de análise gramatical, da tradução
Maranhense, 17/8/1 86 1,p. 2). do francês, etc.; outros, os belos desenhos de figuras e
paisagens, a fumo e a colorido; estes, as diferentes peças
EXPOSIÇÃO bordadas a linha, a matiz, a ouro, e muitos outros trabalhos
de agulha em ponto de marca, de tapete; aquele apreciava
Teve lugar no dia anunc iado (15) a exposição dos tra- a execução de uma bela peça a piano, e todos fin almente
balhos anuais das alunas do Colégio Nossa Senhora da tributavam encômios às diretoras, aos professores e às
Glória. Esses trabaJhos, pelo seu bem-acabado, sustenta- alunas pelos dedicados anos aos estudos.
ram dignamente a reputação e estima merecidas de que As colegiais Aurora de Carvalh o Cantanhede, Maria
goza o estabelecimento . José BalTeto, Raquel Ziegler, Emília Moura, Adele Canta-

66 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

nhede, Águida Barreto, Joaquina de Figueiredo dos Reis e EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA


Silva, Claudina Ferreira da Silva Saltar, Inocência Ferreira e
Rosa Abranchcs são as mais adiantadas: muitas outras A exposição ngrícola na capilal de Pernambuco terá lugar
como Micaela de Almeida, Filomena Gonçalves, Maria de no dia 7 de novembro próximo futuro. As pessoas que quise-
Sousa Mendes, Palmira Zieglcr, Petronília Teixeira, Elvira rem concorrer para a mesma exposição com quaisquer produ-
Jansen Ferreira, Engrácia Correia Teixeira, Alvina Mendes, tos agrícolas naturais, artigos manufaturados ou de Belas-
Joana Pinho, Joana Troça, Rosa Guimarães, Francisca Fur- Artes, são convidadas a examinar as distinções que para o
tado, Amélia Matildes Gonçalves e Rosa de Moraes apre- mesmo fim mandou observar o Governo Imperial, as quais se
sentaram especialidades de verdadeiro primor. acham no escritório de José Francisco Arteiro, na Rua do
Damos às dignas diretoras os nossos emboras pela Trapiche. (Publicador Mara11/re11se, 12/JO/ 1861, p. 4).
justa ovação que receberam do público. (Publicador Ma-
ra11he11se, 19/8/1861, p. 3). FRAGMENTOS DE UM OPÚSCULO
A LEI DE ORÇAMENTO PROVINCIAL
BELAS-ARTES
( ...) Com o restabelecimento da cadeira de desenho e
PINTURA SOBRE CHAMALOTE ou seda, podendo- escultura da Casa dos Educandos, que foi suprimida por
sc fazer qualquer trabalho para almofadas, porta-relógios, economia, não sendo ela de primeira necessidade naquele
sapatos fingindo tapetes, etc. As pessoas que examinaram estabelecimento, vni gastar-se a quantia de 800$000 réis.
na Exposição do Colégio Nossa Se11hora da Glória o pri- Para o conserto do teatro público, aplicou-se a verba
meiro trabalho nesta cidade, são testemunhas do fato en- de 30:000$000 rs., que, sendo insuficiente para a obra, é
cantador deste ramo de pintura, hoje muito usado na Itália e mais que bastante para onerar o Tesouro. (...). (Ordem e
na França. Domingos e Horácio Tribuzi continuam a ensinar Progresso, 2411011861, p. 2).
em casas particulares, podendo ser procurados na Rua do
Sol nº 33. (Publicador Mara11/re11se, 5/9/1861, p. 4). COLÉGIO EPISCOPAL
NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS
ESTÁTUAS DE CERES E FLORA EM 28 DE ABRIL DE 1861

Vendem-se a dinheiro duas primorosas estátuas de Já de tempos, mesmo antes do meu digno e ilustrado
Ceres e Flora, feitas de chumbo, da altura de 5 palmos, com antecessor o Sr. Dr. Urbano, estava como que a extinguir-
os seus competentes pedestais de mármore branco e ver- se a aula de desenho deste colégio, extinção que se teria
melho, de igual nltura, muito próprias para jardins. Podem realizado, não fora a constância do perito professor dela, o
ser vistns na Rua do Alecrim nº 1O. (Publicador Mara - Sr. Domingos Tribuzi; atendendo, porém, esta diretoria às
nlrense, l 41911861 , p. 3). vantagens que de um ensino tão nobre emanam para as
mais artes liberais, e mecânica, levantou a situação 9a dita
(DA) Lei nº 609, de 21/9/1861 aula, montando-a devidamente e em salão apropriado, onde
Capítulo IV recebem lições os pcnsionistns, meio-pensionistas e ex-
Disposições gerais ternos deste colégio; - e bem assim se franqueia a qual-
quer pessoa pequena ou adulta que queira aprender o de-
(...) Art. 37 - Fica criada no estabelecimento dos Edu- senho sob as 1içõcs do Sr. Tribuzi neste colégio, que em tal
candos Artífices a cadeira de desenho e esculrura aplicada caso poderá entender-se com o respectivo diretor.
às artes, cabendo ao professor o ordenado de 800$000 Para melhor regularidade e unifom1idade, nenhum apren-
réis. ( ... )(Publicador Mara11he11SP, 251911861, p. 1). diz comprará os materiais para o ensino, e esses serão
administrados pelo dito professor, entrando os aprendizes
VISTA DE SÃO LUÍS DO MARANHÃO com cota muito menos do que se fosse por si comprá-los,
em vista especialmente dos precedentes, no que finalmen-
te se tomará ao mesmo tempo uma lição de economia.
Consta esta vista bem desenhada e litografada de 3
O diretor - José Ricardo de Souza Neves. (Publicador
estampas grandes, custando a coleção 1$800 réis. Acha-
Maranlrense, 30/10/186 1, p. 3).
se à venda na livraria de Carlos Seidl & Companhia, Rua
Formosa nº 8. ( Publicador Maranlrense, 251911861, p. 3).
CASA DOS EDUCANDOS ARTÍFICES
EXPOSIÇÃO
RETRATOS
Não tendo esta Província, por falta de tempo, concorri-
O Sr. capilão do porto anunciou que tem à venda vári-
do com coisa alguma para a exposição que em virtude das
os retratos do Sr. Joaquim João Inácio. Esses retratos vie-
ordens do Governo Imperial deve ter lugar na Província de
ram para serem distribuídos gratuitamente pelos eleitores
Pernambuco e outras, no corrente mês, e desejando con-
do primeiro distrito, mas (lempora 11111/antur!) hoje quem
correr quanto cm si couber p~m1 o progresso das Artes e
quiser um ministro da Marinha em bom estado, papel cetim
Ofícios, pretende, com autorização do Sr. presidente da
e doré sur tranche é dirigir-se ao Sr. Barbosa de Almeida,
Província, fazer no mês próximo vindouro (nos dias 15, 16
que os vende pelo diminuto preço de 240 rs! O valor de
e 17) uma exposição de todos os objetos manufaturados
duas libras de carne barata do Sr. Jacarandá! Faz coma.
nas oficinas deste estabelecimento e nas desta cidade,
(Ordem e Progresso, 1O/ 1O/186 1, p. 2).
cujo programa será anunciado oportunamente.
LUIZ DE MELLO

O mesmo abaixo assinado ainda desta vez vem rogar a e o dia marcado para esta festa industrial, em parte também
todos os artistas e curiosos o favor de remeterem com ao desgosto que lavra na sociedade pelos vexames e perse-
antecedência (até o dia 12 de dezembro) aqueles objetos guições por que estão pass3Jldo nesta atualidade de lama e
raros e de primor que têm de figurar na exposição. de crimes tantos cidadãos prestimosos e importantes.
Aos importantes colégios de educação, de um e outro Ainda assim, o tenente-coronel Maya, diretor da Casa
sexo, e a todos os senhores pede o abaixo assinado a dos Educandos, fez os maiores esforços para levar por
graça de enviarem para a exposição quaisquer artefatos de di3Jlte, em tão pouco tempo, esse arremedo das exposi-
primor. Todos os objetos recebidos levarão um rótulo con- ções industriais de outros países, que foi o primeiro a lem-
tendo o nome do autor, a fim de ser aquilatado o mérito, brar e tentar no Brasil.
devendo ser fielmente restituídos depois da exposição. Entre os objetos expostos, além dos diversos lavores
Antônio José Pereira Maya, diretor dos Educandos (A do Colégio de Nossa Senhora da Soledade, que já são bem
Imprensa, 9/11/1861, p.4) conhecidos do público, que não há muitos meses os apre-
ciou, eram para notar-se um quadro de madeira represen-
EXPOSIÇÃO tando em baixo-relevo São João batizando Cristo, do Sr.
Agostinho, uma banca ele embutidos de variadíssimas ma-
Luzida e muito concorrida esteve a festa dos Educan-
deiras, primorosamente feita pelo Sr. Zanini, um quadro a
dos nos dias de domingo, segunda e terça-feira.
óleo pelo Sr. Cunha, uma aparadeira, pelo Sr. Lima, etc.
Conquanto a exposição do ano passado estivesse mais
Pela manhã compareceu o Sr. Primo de Aguiar, que,
brilhante, e fossem em maior número os objetos nela
como presidente da Província, tinha de conferir os prêmi-
apresentados, todavia agora não se podia esperar mais do
os aos educandos que mais se haviam distinguido duran-
que foi feito pelo digno administrador, porquanto não há
te o ano pela sua morosidade ou progressos intelectuais e
trinta dias que foi decidido houvesse exposição este ano, e
industriais.
em tão curto prazo bem pouco se poderia fazer. Os trabalhos
S. Exa. não pediu à sua minguada roda que compare-
dos educandos, que se achavam expostos na primeira sala,
cesse para fazer-lhe cauda. Em falta dela, esteve completa-
eram dignos de especial atenção, sobretudo as obras de
mente isolado, sem que nenhum dos espectadores se che-
sapateiro e alguns couros de veados surrados e preparados
gasse a ele, que tão corrido eslava de si que nem ler um
no estabelecimento, do modo o mais perfeito possível.
O esmerado zelo do Sr. tenente-coronel Maya fez com ridiculíssimo discurso escri10 o pôde fazer, e ainda menos
que de ano para ano se vá notando na Casa dos Educan- distribuir os prêmios.
dos melhoramentos muito sensívei e bem extraordinári- Com muita graça o nosso colega da Ordem e Progres-
os. No dia 15 houve a distribuição dos prêmios aos alunos so descreve esta cena ridícula:
mais adiantados, e em todos os dias reinou a mais perfeita "O discurso de S. Exa. é a notícia ela mo11e do Neves; e
ordem e animação. a declaração de ser o trabalho também riqueza, coisa que
Alguns traba"1os de agulha feitos pelas alunas do Co- até então era sabida só pelo ilustre discursador. Por oca-
légio Nossa Se11hora da Soledade, e um belo quadro do Sr. sião de distribuir os prêmios aos alunos, S. Exa. esteve tão
Righini representando a vista de uma fonte em Alcântara, atrapalhado que conferia a medalha destinada a distinguir
eram os objetos mais dignos de atenção entre os artefatos o que dera provas de tocar bem clarineta a educando que
não pertencentes aos educandos. merecia o prêmio de moralidade, e dava ao da clarineta o
Já que o Maranhão não concorreu à Grande Exposição prêmio devido à moralidade; sem dúvida porque a clarine-
de Pernambuco (por desleixo, incúria e inaptidão do nosso ta, sendo quase um clarim, este sendo da Monarquia, é o
presidente) foi justo que tivéssemos, ainda que pequena, mais legí1imo representante da moralidade pública. Enfim
a nossa exposição, para que se visse que temos produtos S. Exa. esteve ridicularmente apalermado e prestou-se ao
iguais a muitos dos que figuraram na Exposição de Per- dcsfnite, ao som da banda de música que tocava o hino.
nambuco, e que se não mandamos coisa alguma para ela, Quem te mandou largar as navalhas, ó digno ri vai do Bexi-
deve-se ir procurar a razão, não na carência dos objetos, ga?" (O Progresso, 21/ 12/ 186 I, p.4).
mas sim ... nas navalhas do presidente da Província.
O digno administrador dos Educandos pode estar sa- EXPOSIÇÃO
tisfeito com a festa no seu estabelecimento; com ela por
mais uma vez veio confinnar o conceito que todos fazem Nos dias 15, 16 e 17 do corrente esteve abet1a, no esta-
de seu zelo e esforço. (A Imprensa, 18/12/1861, p. 2). belecimenlo dos Educandos A11ífices desta Província, a
exposição não só dos produtos manufaturados pelos pró-
EXPOSIÇÃO DOS EDUCANDOS prios educandos, como também dos que foram oferecidos
por quase todos os artistas da capital e pelos colégios
A festa industrial dessa mocidade desvalida, que a Pro- Nossa Senhora da Soledacle e da Glória.
víncia como mãe solicita tem adotado, é sempre um aconte- Logo ao amanhecer do dia 15 foi anunciada a abertura
cimento recebido com prazer pela população desta capital. de tão nobre festejo por girândolas de foguetes e pela
Este ano, não houve tanta animação, nem o concurso banda de música do estabelecimento que tocou variadas e
foi tão copioso e variado como nos anteriores. Foi isso bonitas peças. O pátio e o jardim do edifício estavam to-
devido, em grande parte, ao pouco 1empo que mediou en- dos enfeitados e embandeirados, tremulando em frente do
tre a resolução definitiva de fazer-se a exposição, porquan- salão principal da exposição os pavilhões nacional, portu-
to só em novembro é que a Presidência resolveu permiti-la, guês, francês e inglês.

~ 68 <VN
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

Pelas 7 e 30 da manhã apresentou-se S. Exa. o Sr. presi- Raimundo João Carneiro, que nunca aprendeu o desenho
dente da Província, Dr. Francisco Primo de Souza Aguiar nem a escultura; duas mesas de diferentes madeiras da
com seus ajudantes, sendo recebido pelo Corpo de Edu- Província, começadas por um estrangeiro e concluídas por
candos que fom1ou cm linha à entrada do estabelecimento. um educando, sendo a maior delas de um trabalho muito
-S. Exa., depois de ter ouvido a missa respectiva, celebrada apurado; e finalmente diversas obras de alfaiate feitas com
a grande instrumental, percorreu os salões da exposição, bastante asseio e gosto.
acompanhado por grande número de pessoas gradas da O Sr. Sérgio Antônio Vieira também apresentou uma
sociedade, inclusive muitas senhoras. Dirigindo-se ao edifí- amostra de vinagre extraído da banana.
cio superior, aí na sala dos exames, dignou-se distribuir os
Posto que esta exposição fosse preparada no curto
prêmios destinados aos educandos que no corrente ano
espaço de trinta dias, sendo por isso impossível apresen-
mais se distinguiram por suas capacidades moral, intelectu-
tar-se maior número de trabalhos feitos com gosto e per-
al e industrial - e pronunciou nessa ocasião uma alocução
feição; todavia não foi ela inferior à dos demais anos, sem
análoga a tão solene ato, a que respondeu de maneira satis-
dúvida, devido ao incans;ívcl zelo do mui digno diretor
fatória um pequeno educando. Às dez horas da manhã S.
dos Educandos, o Sr. tenente-coronel Antônio José Perei-
Exa. retirou-se, recebendo as continências devidas.
ra Maya, que com justiça foi durante aquele ato felicitado
Das três horas da tarde cm diante foi o estabelecimen-
pelos seus amigos e por muitos dos espectadores.
to novamente franqu eado ao público e a concorrência con-
tinuou até às 20.30. Durante este tempo tocavam alterna- O exemplar compo11amcnto dos educandos em todo o
festejo foi mais uma prova exuberante do quanto o seu diretor
damente as bandas de música dos Educandos e do 5º Ba-
talhão de Infantaria. se tem esforçado para que no futuro esses moços se tomem
cidadãos morigcrados e reconhecidos à Província, que lhes
As colegiais de Nossa Senl1ora da Soledade e de Nossa
facultou os meios de poderem obter uma posição decente na
Senhora da Glória, as educandas do Asilo Santo Teresa e as
sociedade. (Publicador Marcmhe11se, 26/12/1861, p.2).
alunas do Colégio Nossa Senhora dos Remédios também
concorreram a visitar o estabelecimento e a exposição.
PUBLICAÇÃO PEDIDA
Os trabalhos que na exposição mais atraíram a atenção
do público, pelo primor de arte. foram os seguintes: - um
Acha-se enfim colocado na Escola Agrícola. em um
quadro esculpido cm cedro, representando São João bati-
zando a Jesus Cristo, pelo Sr. Agostinho Ferreira Alves; quadro dourado e com molduras, o muito parecido retrato
do Exmo. Sr. conselheiro João Lustosa da Cunha Parana-
uma secretária e uma cômoda fabricadas na oficina do Sr.
guá - estampado cm tela e a óleo, o qual mandaram os
Miguel Arcanjo de Lima; diversos bordados a ouro, a ma-
tiz e a froco, lindas almofadas também bordadas a matiz, lavradores e negociantes desta Província tirar com o pro-
tapetes em relevo, lenços bordados, charuteiras de camur- duto de uma subscrição que entre si promoveram, e ofere-
ça bordadas, tudo preparado nos colégios Nossa Senhora ceram ao dito estabelecimento em memória do seu digno e
da Solcdade e Nossa Senhora da Glória, que são dirigidos, ilustrado fundador, cx istind.:> o retrato há muito em.poder
aquele pelas Exmas. Sras. Cmmini, e este pelas Exmas. Sras. da Com issão Diretora por falta de um lugar próprio em que
Abranchcs; uma almofada bordada a froco, cm cetim bran- fosse ele exposto.
co, pela filha do Sr. A. X. da Silva Leite; dois quadros a Publicamos esta notícia cm satisfação aos senhores
óleo do Sr. Righini, representando uma vista d!! capital e subscritores, particularmente àqueles que ignoram os mo-
outra de Alcântara; dois ditos também a óleo, dos Srs. tivos de uma tal falta, e pela qual se incomodava
Bílio e Cunha; dito fei tos a froco e a matiz sobre fundo de Um dos interessados.
cera, pelas Sras. Serra Lima e Aurora Pinheiro. ditos a fumo (A lmpre11sa, 26/12/186 1, p. 3).
e coloridos pelo Sr. Tribuzi e :.eus discípulos; um retrato
de marfim, cm miniatura, e um quadro representando a ca- BELAS-ARTES
beça de um tun;o fonnado por um grupo de mulheres, do
Sr. F. P. Franco de Sá; retratos fotografados pelo Sr. J. do Os abaixo as~inados continuam a ensinar cm casas
Reis Rayol e pelos Srs. Neve~ & Companhia: chapéus à paniculares desenho linear, ditos para bordados matiza-
Garibaldi para senhoras, pelo Sr. E. R. D. Bastos; um dito dos e picado:., ditos de figura de paisagem e ornamentos,
para homem apresentado pelo Sr. Geminiano Antunes Ri- e a pintar sobre papel. pano. seda e marli m. Lecionam igual-
beiro, o qual é tão perfeito como os fabricados na Europa; mente em sua casa, Rua do Sol nº 33, nas quintas-feiras
um álbum de veludo e duas encadernações preparadas das 8.30 às 1Ohoras da manhã, e nas quartas-feiras e sába-
pelo Sr. A. J. de Aguiar Magalhães; uma colher de pau feita dos das 7.30 às 9 da noite.
no Pará por um índio, com corrente e chave da mesma Mensalidade da aula nas quintas-feiras: 2$000
matéria, e as Armas Imperiais debuchadas em relevo num Dita de dita nas quartas-feiras e sábados: 4$000
ovo de galinha, pelo Sr. A. de B. e V. S. Todo o material para o desenho será fornecido grátis.
Também mereceram a atenção pública pela sua perfei- O ensino de entalhar e escultura aplicnda às artes ne-
ção os seguintes objetos manufaturados pelos educa11- cessárias será dado cm horas convencionais.
dos, e que se achavam em um salão separado: - um guar-
da-roupa feito pelo educando carpina Felipe Tiago Perei- Maranhão, 2 de janeiro de 1862
ra; chinelos abertos a canivete; couros de veados surra- Domingos Tribuzi
dos, que pela sua maciez assemelhavam-se a veludo; dois Horácio Tribuzi
trabalhos de desenho e escultura do educando alfaiate ( Publicador Maranhens.t, 11/ 1/ 1862, p. 3).
LUIZ DE MELLO

IRMANDADE DE SANTA MARIA DO assim como quadros para retratos. O mesmo encarrega-se,
SOCORRO, ERETA NO CONVENTO DE NOSSA por empreitada, de pintura de casas, o que tudo promete
SENHORA DAS MERC~S fazer com perfeição e por preço mais cômodo que qualquer
outro. (Pubiicador Maranhense, 23/6/1862, p. 4).
A Mesa Administrativa da irmandade de Nossa Se-
nhora do Socorro faz público que no dia 4 do próximo mês GESSO PARA MOLDURAS
de maio do corrente ano terá lugar a festa da mesma santa,
na igreja em que é ereta a sua irmandade, constando de Em casa de José Francisco Arteiro há para vender al-
véspera, missa solene com sermão, e procissão à tarde, a gumas barricas com gesso para moldar imagens. (Publica-
qual percorrerá as ruas de costume. dor Maranhense, 26/6/1862, p. 4).
A mesma mesa roga a todos os devotos de Santa Maria
do Socorro hajam de - não só concorrerem com alguma jóia ANÚNCIOS
para o leilão, que terá lugar no mesmo dia, como também RUA DE NAZARÉ
com amigos, os quais tomarão o ato mais solene e brilhante.
Aos senhores irmãos recomenda-se que não deixem Na loja de Diogo Manoel de Souza tem bandejas finas
com ricas pinturas, de 8 a 32 polegadas de comprimento.
de comparecer revestidos com suas opas.
(Publicador Maranhense, 2217/1862, p. 4).
Maranhão, 4 de abril de 1862
AOS PINTORES
O secretário da innandade, José Maria Bílio Júnior (Pu-
blicador Maranhense, 11/411862, p. 3). Muito bons pincéis vendem-se
na
UMA PROVA DE RESPEITO E CONSIDERAÇÃO Farmácia Imperial
no
Foi hoje inaugurado, em lugar de honra na sala do Re- Largo do Carmo
colhimento de Nossa Senhora da Anunciação e Remédios, em Maranhão.
o venerando retrato de S. Exa. o Sr. arcebispo D. Manoel (Publicador Maranhense, 23/7/1862, p. 3).
Joaquim da Silveira. Por essa ocasião a Revma. Superiora,
donatária do retrato, a Exma. Sra. D. Mariana de Azevedo TÚMULO
Sacramento, mandou celebrar uma missa votiva pela con-
servação dos preciosos dias e saúde de S. Exa. Revma., e Concluiu-se ontem a colocação no Cemitério dos Pas-
para que Deus o preserve dos males da presente vida e o sos de um túmulo para depósito dos restos mortais do
tome digno dos louvores dos seus diocesanos baianos, falecido José Ferreira da Silva, do Sr. Agostinho Coelho
como ainda é e sempre será dos maranhenses. Fragoso e seus descendentes.
Este procedimento da Exma. Sra. Superiora do Recolhi- O mausoléu é de mármore de cós, de bela aparência e
mento é o testemunho mais solene e cordial de sua grati- estilo gótico em forma de capela, tendo em seu interior um
dão para com S. Exa. Revma., pelos imensos benefícios carneiro com cinco jazigos de cada lado. Foi fei to em Lis-
feitos ao Recolhimento durante o seu governo, e pelos boa pelo escultor Cesani, e colocado aqui pelo escultor
que de lá mesmo continua a prodigalizar a bem da orfanda- Francisco de Oliveira.
de aí asilada; e recorda igualmente, aos maranhenses, es- É a primeira obra deste gênero que temos, e por isso me-
rece ser vista. (Publicador Maranhense, 13110/1862, p. 2).
ses nove anos de episcopado, cuja saudosa e grata memó-
ria jamais será riscada dos corações verdadeiramente re-
ANÚNCIO
conhecidos.
São Luís, 24 de abril de 1862 Francisco Peixoto Franco de Sá ensina desenho em
Da Coalição casas particulares. Pode ser procurado na Rua da Madre
(O Eclesi6stico, 24/4/1862, p. 118). Deus nº 72t (Pu~licador Maranhense, 23112/1862, p. 3).

MOVIMENTO DE PASSAGEIROS MOVIMENTO DE PASSAGEIROS

Entrados no vapor Apa, em 30 de abril: Entrados no vapor Caxias - dia 5:

Do Pará - M. José Pinheiro, J. Inácio Coelho, G. Vene- De Caxias - Tenente Pedro Luís Manoel de Jesus,
re, J. Stephi, M. Morichelli, M. José Fernandes. (Publica- cabo, 13 soldados, 1 espingardeiro, 10 recrutas e 3 meno-
dor Maranhense, l º/5/ 1862, p. 2). res, Francisco de Brito Pereira e l escravo, Jácome Ulisses
e ~ua inn.ã, José Antônio Pinheiro, João Bendical e l es-
ESCULTOR crava, l dita a entregar, Domingos f>esidério Marinho. (Pu-
RUA DA CRUZ, 2 blicador Maranhente, 91111861: p. 3).

O escultor Francisco Luiz Marques faz saber ao respei- UM ALUNO DISTINTO


tável público que faz imagens de madeira, encarna-as e dou-
ra com a maior perfeição, conserta palanquins, entalha flo- Da correspondência de Lisboa para o Correio Mer-
rões de madeira para tetos de sala, dando-os já dourados, cantil do Rio extraímos o seguinte:
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

Tem estado exposto ao exame p1íblico, 11a livraria de SAÍDA DE CARDOSO HOMEM
S ilva Júnior, no Rocio, um primoroso trabalho feito a MOVIMENTO DE PASSAGEIROS
pe11a por um aluno do colégio denominado Ginásio Go-
di11ho, o Sr. João José lopes, de idade de 16 anos, natu- Saídos no vapor Oyapock em 12:
ral de Caxias, Proví11cia do Maranhão. Para o Rio: José de Albuquerque Cardoso Homem, Dr.
Esta obra delicada é 11ma cópia feita à pena com tin- Antônio C. de Berredo e 1 criado, conselheiro Francisco
ta da China do magnífico q11adro do grande Rafael de José Furtado e L criado, D. Maria Laurentina, Manoel da
Urbino, a Família Sagrada. (Publicador Mara11hense, 16/ Costa Sampaio, Dr. Viriato B. Duarte e sua senhora, Luísa
1/1 863, p.2). C. da Conceição e 1 filho, Dr. Simplício de Souza Mendes e
1 criado, 6 escravos a entregar. (Publicador Maranhense,
PRETA PARA ALUGAR l4/4/ 1863, p. 3).

Domingos Tribuzi precisa alugar uma preta escrava, RETRATOS A ÓLEO


idosa, que saiba cozinhar, gomar e tratar de uma casa de JOÃO BINDSEIL
famíl ia; precisa-se também de um moleque. Quem os tiver e
quiser alugar dirija-se à Rua do Sol, casa nº 33. (Publica- retratista a óleo da escola alemã, há pouco chegado a
dor Maranhense, 19/ 1/1 863, p. 3). esta capital, oferece a este ilustrado público os seus servi-
ços; promete no desempenho da sua arte empregar todo o
BELAS ARTES zelo, para satisfazer a quem o honrar com encomendas.
O mesmo abriu a sua oficina na casa de morada do
Domingos e Horácio Tribuzi continuam a lecionar de- Ex mo. Sr. Manoel Pereira Brito Meireles, Rua da Estrela nº
senho e pintura, em casa particular e na sua - Rua do Sol 66. (Pub/icadorMara11/ze11se, 17/4/1863, p. 3).
nº 33. (O Constitucional, 21/2/1863, p. 3).
QUADROS
MOVIMENTO DE PASSAGEIROS
Vimos em uma loja de fazendas na Rua Grande nº 7
quatro quadros de estampas coloridas, que nos pareceram
Saídos no vapor Cr11zeiro do Sul - em 8 para o Pará: -
de muito bom gosto. A exatidão e a graça dos contornos e
D. Helena P. de Barros Azevedo e 1 filha, D. Cândida de
subcontornos, o lustro dos corpos acetinados e o ar imen-
Almeida Torres e 1 filh a, Alberto Nadler, José João de Cas-
so que os destaca, os perfeitos escorços de alguns deles,
tro, João Venere, alferes Benedito Ferreira Sandes. (Publi-
tudo nos faz crer que aqueles quadros conquanto tenham
cador Maranhense, 91311863, p. 3).
dois palmos, talvez, de largura. são obras fotográficas, ha-
bilmente coloridas. (O Artista, 18/4/1863, p. 4).
BELAS-ARTES
O SR. BINDSEIL
Domingos Tribuzi avisa a seus discípulos cm particu-
lar e em geral aos amantes de. desenho e pintura que ele
Acha-se entre nós o Sr. Bindseil, notável pintor ale-
acaba de receber da França as tão afamadas caixas de tinta
mão, que se dedica aos trabalhos especiais de retratista e
para aquarela da casa de Monrocq Fréres de Paris, conten-
pintura histórica.
do cada uma 2 1 tintas, 5 pincéis, 4 pratinhos de louça,
O Sr. Bindsei1 está há muitos anos no Brasil, tendo
caneta, lápis; o melhor método de pintura de aquarela com- residido a princípio em Pernambuco, onde criou escola e
posto de 85 páginas, 8 Lraslados coloridos finíssimos, 3 deixou discípulos, e depois no Ceará e no Piauí, para as
ditos em fumo, papel necessário numa pasta, e que tudo se matrizes de cujas capitais preparou quadros históricos de
acha dentro de lindas caixas de nogueira com fechadura, e valor.
vende pelo módico preço de 22$000 as maiores, e as meno- O Sr. Bindseil toma-se notável pela sua inteligência e
res por 11$000 cada uma. sentimento das cores, pela semelhança dos seus retratos,
O mesmo tem também à venda em sua residência, na e é por certo digno da atenção e proteção dos nossos
Rua do Sol nº 33, riquíssimos modelo. , ao preço de 3$000, compatriotas.
2$000, 1$000e500 rs. cada um; papel para desenho, cane- Os artistas da ordem do Sr. Bindseil devem ser sempre
tas, csfuminhos, pincéis avulsos, métodos completos de muito apreciados. (A Coa lição, 21511863, p. 3.)
desenho de fi guras, paisagens, ornamentos, pássaros, bor-
boletas, o que tudo vende por preços razoáveis. RETRATOS
(P11b/icador Maranhense, 16/3/1863, p. 4). RUA DE SÃO JOÃO N° 46

NOVO ALTAR João Manoel da Cunha, retratista a óleo e desenhista,


anuncia ao respeitável público que sempre se encontrará a
Convidamos os amadores para apreciarem o belo aJ ~ar qualquer hora do dia cm sua oficin a, pronto a satisfazer
e nicho que se está erguendo no convento Nossa Senhora com brevidade e exatidão os trabalhos de seu gênero que
das Mercês para Santa Maria do Socorro. lhe forem encomendados. Também dá lições das matérias
É um ótimo trabalho de escultura que muita honra faz que ficam ditas, tanto em sua casa como nas de seus alu-
ao seu autor, tornando-se digna de elogios a respectiva nos; e tudo por módicos preços. (Publicador Maran.hen-
irmandade. (Publicador Maranhense, 17/3/1863, p. 3). se, 19/5/1863,p.3).
LUIZ OE MELLO

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL Art. 2° -Aos pensionistas acima mencionados se abo-


nará para despesas de viagens a quantia de um conto de
A Comissão de Instrução Pública apreciando devida- réis, sendo quinhentos mil réis para cada um; ficando eles
mente a petição do cidadão Domingos Tribuzi em que pede obrigados, depois de concluírem seus estudos, a servir na
que esta Assembléia aproveite o grande gosto e vocação Província por espaço de três anos.
que há manifestado seu fi lho de nome Horácio Tribuzi pelo Art. 3° - Ficam revogadas as disposições em contrário.
desenho e pintura mandando-o estudar na Itália, é de opi- Mando portanto a todas as autoridades a quem o co-
nião favorável ao peticionário. nhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cum-
1° - porque é geralmente reconhecida a necessidade pram e façam cumprir tão inteiramente como nela se con-
de promover-se o estudo e desenvolvimento das Belas- tém. O secretário do Governo a faça imprimir, publicar e
Artes cm nossa Província; correr. Palácio do Governo do Maranhão, em sete de julho
2° - porque só no estrangeiro se encontram os gran- de mil novecentos e sessenta e três, quadragésimo segun-
des mestres, os modelos e tudo o que pode tomar um do da Independência e do Império.
artista completo; Ambrósio Leitão da Cunha
3° - porque o jovem Horácio Tribuzi oferece garantias Estava o selo.
de aproveitamento; Carta de lei pela qual Vossa Excelência manda exe-
4° - finalmente porque os serviços gratuitos sabidos e cutar o decreto da Assembléia Legislativa Provincial,
atestados que a esta Província há prestado o peticionário a11tori:;ando o presidente da Província a mandar estu-
lhe dão direito a esta retribuição. dar na Europa os jovens Horácio Tríbuzí e Joaquim Bel-
Portanto, a Assembléia Legislativa Provincial fort Sabi110, como acima se declara.
Decreta: Para Vossa Excelência ver.
Art. 1º - Fica a Presidência autorizada a mandar estudar Roberto Augusto Coli11 a fez.
desenho e pintura na Itália, ou em outro país, o jovem Horá- (Coleção de Leis, Decretos e Resoluções da Província
cio Tribuzi com o subsídio anual de novecentos mil réis. do Maranhão, 1863).
Art. 2º- Ficam revogadas as disposições em contrário.
Sala das Comissões da Assembléia Legislativa Provin- GOVERNO DA PROVÍNCIA
cial do Maranhão, 27 de maio de 1863 Expediente do dia 4 de agosto de 1863
José Belanníno H. da Cunha
A. O. Comes de Castro ( ...)Ao inspetor do Tesouro Público Provincial. - Ten-
José Mariano Comes Ruas do resolvido dar execução à Lei Provincial nº 666, de 7 de
(Publicador Maranhense, 30/5/ 1863, p. 2). julho último que autoriza esta Presidência a mandar estu-
dar os jovens Horácio Tribuzi e Joaquim Belfort Sabino,
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL aquele desenho e pintura na Itália, e este na Inglaterra
20ª Sessão em 27/5/1863 teórica e praticamente as artes mecânicas, que dizem res-
peito à profissão de engenheiro prático, percebendo cada
( ...) Teve segunda leitura o parecer da Comissão de um deles um conto de réis anualmente por espaço de três
Instrução Pública sobre a petição de Horácio Tribuzi. - É anos; haja Vmc. de admitir os pais dos ditos menores, me-
julgada objeto de deliberação e vai a imprimir. (Publicador diante fiança idônea, a assinar termo para o cumprimento
Maranhense, 12/6/1863, p. 1). do disposto na última parte do artigo 2º da referida lei,
depois do que lhe mandará Vmc. fazer o abono da quantia
VISTAS DO MARANHÃO decretada para as despesas de viagem. Para ter lugar o
recebimento da pensão anual, deverão apresentar trimes-
Três estampas litografodas na França. tralmente nessa repartição atestados, devidamente reco-
Vende-se por 2$000 rs. nhecidos pelos cônsules brasileiros naqueles países, de
na sua freqüência e aproveitamento nas matérias indicadas.
Livraria de Carlos Seidl ( ... )(Publicador Maranhense, 7/8/ 1863, p. 1)
Rua de Nazaré nº 36
(A Coaliçcio, 20/6/1863, p. 4) (O anúncio abaixo indica cm que trecho da Travessa
do Sineiro residiu o pintor Domingos Tribuzi, antes de
LEI Nº 666, DE 7 DE JULHO DE 1863 mudar-se para a Rua do Sol).

Ambrósio Leitão da Cunha, presidente da Província TUDO É BOM, BEM-FEITO E BARATO


do Maranhão. Faço saber a todos os seus habitantes que
a Assembléia Legislativa Provincial decretou e eu sancio- Excelentes doces secos, fin os e sortidos, também de
nei a lei seguinte: calda de todas as qualidades, e comidas para fora - na
Art. 1° - Fica o presidente da Província autorizado a casa nº 1Oda Travessa do Sineiro (calçada que desce para
mandar estudar na Europa os jovens Horácio Tribuzi e a praça do novo mercado) mora José Martins de Lemos.
Joaquim Belfort Sabino, aquele desenho e pintura na Itália Continua a encarregar-se de almoço e jantar diários para
e este na Inglaterra teórica e praticamente as artes mecâni- fora, e mesmo assinantes para comerem na dita casa em
cas que dizem respeito à profissão de engenheiro prático. mesa redonda.
percebendo cada um deles um conto de réis anual, por Prepara-se qualquer peça para jantares grandes, comi-
espaço de três anos. das para sítios, e assim mais presuntos de fiambre, arroz

<?./Q) 72 <?./Q)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

doce, creme, pastelão, pão-de-16 e de manteiga, pudins de tem provas e as dá de que mais úti l e simpática ainda não
pão, de batatas e de laranjas, torta de queijo, pastéis de se consolidou na Província. (A Coa lição, 10/9/ 1863, p. 2).
nata - tudo com muito asseio, prontidão e cômodo preço.
(Publicador Maranhense, l 3/8/ 1863, p. 4). ASSOCIAÇÃO TIPOGRÁFICA

GOVERNO DA PROVÍNCIA Como é costume festejou no dia 8, a expensas de seus


Expediente do dia 29 de agosto de 18 63 sócios, a Associação Tipogdfica a posse de seus novos
empregados, cm sessão magna. A esta sessão estiveram
( ...)Ao inspetor do Tesouro Público Provincial. - Res- presentes, além de quase todos os sócios efeti vos e hono-
pondendo ao seu ofício nº 144, de 24 do corrente, tenho a rários, o Exmo. Sr. presidente da Provfncia, S. Exa. o Sr.
d izer-Lhe q ue, visto não ter sido sancionada a Lei de Orça- bispo diocesano, comissões das sociedades li terárias e
mento Novíssima, que consignava fundos para o paga- beneficentes e grande número de pessoas gradas.
mento do subsídio anual e para as despesas de viagem À entrada da casa onde te ve lugar a sessão, estava
dos jovens Horácio Tribuzi e Joaquim Belfort Sabino, que uma iluminação arranjada com o maior gosto e esmero, no
mandei estudar na Europa, na conformidade da Lei 666, de centro da qual se via o retrato de Gutemberg, trabalho do Sr.
7 de julho últi mo, devem ser feitas essas despesas como João Belfort, e por ele oferecido à Sociedade. Era também
Vmc. indica, por conta dos 3:300$ réis de que trata o pará- digno da admiração de todos um quadro feito pelo Sr. José
grafo 5° do artigo 18 da Lei 630, de 5 de dezembro do ano Martins Arfas, cm transparente com ricas bordaduras, no
passado.( ...) (Publicador Mara11he11se, 2/9/ 1863, p. I ). qual se lia o nome de Gutemberg. Este quadro foi também
oferecido pelo seu autor à Associação Tipográlica.
ASSOCIAÇÃO TIPOGRÁFICA MARANHENSE Depois dos d iscursos proferidos pelo presidente ho-
norário, que presidiu a sessão, o Dr. Antônio Henriques
Teve ontem lugar a sessão solene da Associação Ti- Leal, pelos relatores das comissões e alguns sócios, foi
pográfica, na casa do presidente da sociedade José Maria oferecido aos convidados um copo dágua muito bem ser-
Corrêa de Frias. O concurso numeroso de cavalheiros de
vido, durante o qual se fizeram brindes análogos ao feste-
todas as c lasses e hierarquias, a presença dos Exmos. Srs.
jo e ouà·os. (O Paiz, 11/9/ 1863, p. 3).
presidente da Província e reverendíssimo Sr. bispo dioce-
sano, bem claro indicam o grau de interesse que desperta
GOVERNO DA PROVÍNCIA
essa associação tão simpática e que tão bem conduzida e
Expediente do dia 12 de setembro de 1863
encaminhada se tem avantajado no desenvolvimento prá-
Despachos- Dia 12:
tico dos fi ns a que tão nobremente se propõe.
Depois de aberta a sessão. na sala para esse fim adere-
D. Antônia Peixoto Franco de Sá. - Fica expedida ordem
çada, e lidos alguns discursos por parte das comissões de
para que ao filho da suplicante seja abomda para as despe-
diversas associações e de alguns senhores sócios hono-
sas de viagem, ajuda de custo igual à que foi marcada a
rários e efetivos, o Dr. Henriques Leal, presidente honorá-
oulTOS pensionistas pelo art. 2° da Lei Provincial nº 666, de 7
rio, disse algumas palavras sobre o motivo da festa, desfo-
de julho último. (Publicador Maranhense, 161911863, p. 1).
lhando tristes saudades sobre o túmulo do Sr. João Lis-
boa, nome caro às letras pátrias e sempre presente na me-
mória dos que tratam de assuntos literários. GOVERNO DA PROVÍNCIA
Empossada a nova mesa e proferida, pelo Sr. presiden- Expediente cio dia 16/9/1863
te, uma interessante alocução, foi oferecido um opíparo
copo dágun aos circunstantes. ( ...)Ao inspetor do Tesouro Público Provincial. - Em
As salas preparadas com capricho e bem ornadas, os solução ao seu ofício datado de ontem, nº 156, declaro a
aparelhos tipográficos todos enfeitados e cobertos de flo- Vmc. que a quantia de quinhentos mil réis que mandei
res, davam à festividade um ar risonho, e cada vez corro- adiantar ao pensionista João Duarte Peixoto Franco de Sá,
borava a idéia que o público forma de tão úti l associação, para despesas de viagem, deve ser levada à conta do sub-
na qual o trabalho é considc1ado uma festa, a caridade e a sídio que lhe foi especialmente marcado pelo parágrafo 5º
união, uma tarefa espontânea. do artigo 18 da Lei Provincial nº 630, que rege o atual exer-
O serviço da mesa estava excelente, e nessa ocasião cício, visto que nela o legislador compreende desde logo
foram proferidos alguns brindes pelos senhores presiden- as despesas de viagem consideradas pela Lei n" 624, de 27
te da Província, reverendíssimo bispo diocesano e alguns de setembro de 186 l , com referência à de nº 1O, de 5 de
outros senhores sócios e convidados. maio de 1835.
Um trabalho artístico e muito bem-acabado chamou a Dado o caso de que a quantia de três contos e trezen-
atenção de todos, na sala onde achavam-!.e os prelos e tos mil réis, votada no art. 18, parágrafo 5° da dita Lei de
mais instrumentos tipográficos. Era um delicado transpa- Orçamento, não comporta as despesas que por ela mandei
rente caprichosamente aberto a canivete e apresentando fazer com o pensionista Ricardo Ernesto Ferreira de Carva-
arabescos e bordaduras as mais graciosas e originais tio lho, que se acha estudando agricultura cm Grignon, em
centro do qual se lia o nome do imortal Gutemberg. conseqüência de não ter sido consignado no atual exercí-
Esse bonito trabalho foi pelo seu babilidoso autor, Sr. cio crédito especial para seu pagamento, assim como com
José Martins Arêas, oferecido à Associação Tipográfica. os pensionistas Horácio Tribuzi e Joaquim Bclfort Sabino,
Bem haja a Associação Tipográfica Maranhense, que que ultimamente mandei estudar, em virtude da Lei nº 666,
longe de ver o seu conceito desmaiar entre nós, cada dia de 7 de julho do coHente ano, o primeiro - desenho e

<VQ) 73 <VQ)
LUIZ DE MELLO

pintura na Itália, e o segundo na inglaterra, teórica e prati- Este nosso comprovinciano, cujos trabalhos são sem-
camente as artes mecânicas que dizem respeito à profissão pre muito bem-acabados, vive quase ignorado, aprontan-
de engenheiro prático, em razão de não ter sido sanciona- do um ou outro serviço que se lhe encomenda, ao passo
da a Lei do Orçamento Novíssima, que Lhes consignava que qualquer tratJaJho deste gênero em geral manda-se vir
crédito, deverá Vmc. oportunamente comunicar-me qual o de fora por preço elevado, e às vezes não superior pelo
pagamento de todas as pensões, porque então, se a ne- lado artístico. (O Paiz, 31/ l O/1863, p. 3).
cessidade se der antes da abertura da Assembléia Legisla-
tiva Provincial, tomarei o alvitre lembrado por Vmc., em ANÚNCIO
seu ofício de 24 de agosto passado, de considerar como
crédito suplementar a quantia autorizada na Lei nº 666, O imaginário Francisco Luiz Marques avisa ao respei-
com os subsídios aos ditos pensionistas Tribuzi e Belfon. tável público que tem exposta na sua casa, Rua da Cruz nº
Por esta ocasião declaro mais a Vmc. que ao pensionis- 21 , a imagem do venerando e glorioso Senhor Bom Jesus
ta Franco de Sá deverá, além da quantia que já mandei dos Passos, de Parnaíba, a qual pode ser vista pelas pes-
adiantar-lhe para despesas de viagem, ser-lhe abonada a soas que quiserem. (O Paiz, 3/ 11 / 1863, p. 3).
pensão para três meses mediante a devida fia nça e aten-
dendo à sua falta de recursos, como me representou. (Pu - MOVIMENTO DE PASSAGEIROS
blicador Mara11he11se, 21/9/1863, p. I). Saídos no vapor Camocim em 5:

EMBARQUE DE HORÁCIO TRIBUZI ( ...)Para o Ceará: João Bindseil, quatro presos de justi-
MOVIMENTO DE PASSAGEIROS ça. (Publicador Maranhense, 6111/1863, p. 3).

Saídos no vapor Tocantins em 20: BELAS-ARTES


Para o Pará: José Alves de Sousa Paraíso, Isidoro José
Gomes, Pedro Gonçalves Pereira, Raimundo Rosa Rodri- Na livraria do Sr. Carlos Seidl está exposto à venda um
gues, Basílio Antônio da Silva, Raimundo Brito Pereira, Dr. quadro do Sr. Righini, representando uma bela paisagem
João José Vieira, Romão José de Mello, Pulquéria Maria da de um regato cercado de frondosas árvores e entre essas
Silva, Antônio Barbalho, Horácio Tribuzi, Artur Short. (Pu- dois paus-d'arco em roxo e amarelo íloridos. É um quadro
blicador Maranhense, 211911 863, p. 3). muito pitoresco e desenhado com muita perfeição. (O Paiz,
16/211864, p. 2).
RETRATOS
RUA DE SÃO JOÃO N° 46 MOVIMENTO DE PASSAGEIROS
Entrados no vapor Pn"ncesa em 25:
João Cunha, retratista a óleo e desenhista, anuncia ao
respeitável público que sempre se encontrará pronto e apto Do Pará: - João Venere, L. Sucgin, Cincinato A. dos
a fazer os trabalhos de sua arte que lhe forem encomenda- Santos, Jane Fletcher e 1 filha, Manoel J. P. T. de Mello e
dos. - Também dá lições das matérias que ficam ditas, Albuquerque e 1 criado, Marcolino P. Gomes, Manoel J.
tanto em sua casa como na de seus alunos. Gomes, Lourenço A. Dias, Manoel V. dos Santos. (Publi-
(Publicador Mara11/ie11se, 10/10/1863, p. 4). cador Mara11hense, 261211864, p. 2).

ATENÇÃO MOVIMENTO DE PASSAGEIROS


Saídos no vapor Princesa cm 26:
Grande quadro representando o Conselho e sentenças
pronunciadas pelos pérfidos judeus contra Nosso Senhor Para Pernambuco: ( ...) (último da lista): João Venere.
Jesus Cristo, quadro muito interessante para se ver a sen- (Publicador Maranhense, 29/211864, p. 2).
tença que cada um dos judeus deu, julgando o Nosso
Salvador-vende-se na Livraria do Largo de Palácio nº20. CAXIAS
(Publicador Maranhense, 1411011863, p. 3).
De carta que recebemos dessa cidade colhemos as se-
AVISO guintes noticias:
(...)No dia 22 o Sr. Luiz Belli deu um concerto, seguido
João Bindseil, cidadão alemão, retira-se desta Provín- de baile, no clube do Sr. José da Costa Pinheiro de Brito.
cia. (Publicador Maranhense, 31110/1863, p. 3). Consta-nos que estava muito concorrido e todos retira-
ram-se satisfeitos.
ESTATUÁRIO O Sr. Antônio Fernandes Guimarães, moço muito hábil
e curioso, acaba de fazer um modelo de madeira de uma
Visitamos ontem a oficina do Sr. Francisco Luiz Mar- ponte para o nosso Rio Jlapecuru. O Dr. Torquato, a quem
ques, na Rua da Cruz nº 21, e aí vimos entre outros traba- foi apresentado, diz ser o referido modelo praticável, e além
U1os uma imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos que disso pouco dispendioso. Está um trabalho interessante e
veio de Parnaíba para aqui ser encarnada. O trabalho está seria louvável que Vme. chamasse a atenção do Governo e
feito com tal perfeição que, a não saber-se, d ir-se-ia vinda da futura Assembléia Provincial para a necessidade que
do estrangeiro. há de haver aqui uma ponte. (O Paiz, 12/3/1864, p. 2).

~ 74 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

AVISO Liga do Progresso, jornal do Piauí, é que tivemos noticias


mais completas a seu respeito, e é com o maior júbilo que
Fortunato Ory, tendo de fazer uma viagem ao Rio de as transmitimos aos nossos leitores.
Janeiro, vende a sua máquina de tirar retratos, com uma Em oito meses de estudo apresentou ele, em 1862, uma
porção de preparos químicos, quadros, caixinhas, etc., por cópia do célebre quadro de Rafael, a Sagrada Família,
preço razoável. Quem a pretender pode dirigir-se à sua loja que mereceu da Revolução de Setembro, Jornal do Co-
no Largo do Carmo para tratar do ajuste. (Publicador Ma- mércio, O Português, Opinião, Doze de Agosto e de ou-
ranhense. 15/3/J864, p. 4). tros periódicos portugueses entusiásticos elogios. Eis o
que a esse respeito disse ~ Revolução de Setembro:
UMA RETRATISTA OBRA DE ARTE
Vimos hoje uma obra desenhada por um aluno do
Veio-nos recomendada do Pará a americana Jane Fle- colégio denominado Ginásw Godi11lzo, estabelecido na
tcher, insigne retratista fotográfica, que vem por alguns São Pedro de Alcântara, e que é mais um tíwlo de glória
dias exercer entre nós a sua profissão. para aquele estabelecimento e para o cavalheiro que o
Desnecessário é recomendá-la à proteção do púbJico, dirige. Essa obra delicada é uma cópia feita a bico de
por ser geralmente sabido e conhecido o gênio hospitalei- pena, com tinta da China, do magnífico quadro do imor-
ro dos maranhenses, mom1ente para com os bons artistas, tal Rafael de Urbino - A Famt1ia Sagrada - . É tal a
em cujos números se acha sem contestação a Sra. Fletcher. perfeição deste trabalho que não se pode dizer afoira-
Já vimos, entre outros trabalhos, o retrato tirado por meme que a fotografia não era mais fiel na sua cópia.
ela, do nosso prestimoso amigo e distinto advogado do Não há ali um traço incerto, uma sombra diíbia, um pon-
Pará, Sr. Álvaro Pinto de Pontes e Souza, e nesse cartão to em que a pena se afastasse do lugar que a arte lhe
achamos perfeitamente estampadas as suas feições. marcou.
Ao belo sexo, pois, recomendamos a insigne retratista O aluno mostra que foi iniciado pelo professor nos
e esperamos que ela ao retirar-se deixe e leve saudosas mais delicados segredos na arte de desenhar e) pena, arte
recordações. (Publicador Mara11he11se, 18/3/1864, p. 2). difícil e delicada e que poucos a cultivam com vantagem.
Tem-se consumado o elogio do professor e do aluno,
RETRATOS dizendo-se que este estuda esta classe de desenho há
apenas oito meses, e que contll 16 anos de idade. É natu-
De SS. MM. FF. D. Pedro V, D. Luiz 1, D. Maria Pia, D. ral do Maranhão e chama-se Jotío Lopes de Can 1alho...
João Duque de Borja e o Duque de Saldanha, tudo em O Jornal do Comércio, de Lisboa, concluiu do seguin-
quadros dourados para ornar salas, como também em pon- te modo a sua notícia a respeito do heio quadro do Sr. João
to pequeno para áJbuns. Lopes de Carvalho:
Binóculos de madrepérola, tartaruga, marfim, chagrim. ... Conservou o desenhador, com a maior fidelidade a
etc. com excelentes vidros, vendem-se na livraria, papela- beleza do desenho, a expresstío das sete figuras do qua-
ria e oficina de encadernador de Carlos Seidl, Rua de Naza- dro. O claro-escuro, a disposição do grupo, as roupa-
ré, 36. (Publicador Maranhense, 19/3/1864, p. 4). gens e todos os acessórios estão reproduzidos com rara
correção. As roupas e o fu ndo são a traço, as cores a
DOMINGOS TRIB UZl precisa alugar uma cozinheira e pontinho. A figura de São José, que se vê no fundo, con-
lavadeira e um moleque para todo o serviço. Rua do Sol nº templando a Sagrada Fam ília, é um primor de arte. É
33. (Pub/icadorMaranhe11se, 28/3/ 1864, p. 3). bela a expressão, meiga e suavemente jubilosa da Vir-
gem, e não menos bela a do menino que se lhe vai lançar
ANÚNCIO nos braços. O traço é firme e igual, acomodando-se a
Mme. Fletcher todas as exigências do claro-escuro, a pominho ninguém
Retratista fotográfica dirá que é feito de ponto de pena. Enfim, é um primor de
arte que. honrando o seu jovem autor, dá glória ao Sr.
Tira retratos e cópias com toda a perfeição, Godinho, seu mestre.
e também apronta c:utões de visita e medalhas. O Sr. Godinho encarregou o hábil fotógrafo, o S1:
A anunciante tendo de seguir para a América no pri- Silvério, de fotografar o quadro.
meiro navio que daqui seguir, oferece seus serviços às Esse importante quadro esteve exposto por muitos
senhoras e cavalheiros que deles se quiserem utilizar. dias em Lisboa, e durante o tempo em qur permaneceu
para o que estará sempre pronta todos os dias das 8 às 2 em exposição, era admirndo pelo que havia de mais no-
horas da tarde, em casa de sua residência, tável lá.
Largo de Palácio, casa nº 15, fronteira à casa do Sr. João Lopes de Carvalho rejeitou a qua111ia de oito-
Dr. Antônio Marcelino Nunes Gonçalves. cemos mil réis pelo seu maravilhoso trabalho; reserva-o
(Publicador Maranhense, 1°/4/1864, p. 4). para ir oferecê-lo a S. M. o Imperador D. Pedro li, esse
protetor das artes e ent11siasta sincero deis glórias do seu
UM CÉLEBRE DESENHISTA Brasil.

De há muito que ouvíamos falar no nosso comprovin- A Liga, ao terminar o seu anigo acerca do distinto ar-
ciano João Lopes de Carvalho, filho de Caxias e que em tista, diz:
tenros anos já se vai fazendo conhecido por seus talentos, A Província do Maranhão, que se desvanece de ter
principalmente no desenho a pena; mas só agora, e pela sido o berço de Joãc Duarte Lisboa Serra. de Antônio

<VQ) 75 <VQ)
LUIZ DE MELLO

Joaquim Franco de Sá, de Jocío Francisco Lisboa, de Sirvam estas linhas de resposta ao Veritas, do Publi-
Antônio Gonçalves Dias, de Manoel Odorico Mendes, de cador Maranlzense de 25 do corrente.
Joaquim Gomes de Souza e de tantos outros engenhos Satirev.
raros - poetas, literatos e matemáticos - não será menor (O Paiz, 28/411 864, p. 3).
ufanar-se, como a Itália, em poder, um dia, e a par dos
Sadoletto, Bembo, Guichardim, Paulo Jove, Tasso ou C OMISSÃO IMPORTANTE
Galileu, citar o nome de algum Rafael ou de algum Mi-
guel Ângelo. Veio do Rio de Janeiro encarregado pelo Ministério da
Conc/u(mos dizendo que o gênio deve ser insaciável Marinha para examinar as obras do dique e estudar os
de aplausos; novo Sfsifo, não deve ele jamais descansar. melhoramentos de que precisa o nosso porto o Dr. André
É assim que se tornam imortais os grandes homens. (Pu- Pinto Rebouças, primeiro-tenente do Corpo de Engenhei-
ros.
blicador Mara11he11se, 6141 1864, pp. 1-2).
É de esperar que esta comissão tenha o melhor resulta-
do, pois o Dr. André Rebouças é um dos talentos mais
TRECHO DO TEXTO DO CORRESPONDENTE A
e levados que te m fi gurado na escola central; o seu nome
RESPEITO DA COMPANHIA DRAMÁTICA DE
ocupa um lugar distinto entre os de Gomes de Souza, Vila-
DUARTE COIMBRA
Nova (Manoel), Machado, Lócio, Sobrazil , Monteiro de
Barros e outros.
(...) O repe11ório da empresa é escolhido e variadíssi-
Além dos estudos teóricos em que foi o mais distinto
mo, e para melhor brilhantismo e luxo das representações
do seu tempo escolar, o Dr. Rebouças adquiriu extensos
acha-se contratado um habilíssimo cenógrafo italiano, que
conhecimentos práticos durante dois anos que esteve na
já tem retocado o pano de boca, reguladores e muitas vis-
Europa. (O Paiz, 24/5/1864, p. 2).
tas do teatro, e que continua a retocar outras e a pintar
algumas novas de que tanto necessita o teatro. (...) (Publi- MOVIMENTO DE PASS AGEIROS
cador Mara11/ze11se, 22141 1864, p. 2). Entr a d os

Pensionista - O pensionista desta Província, Sr. Horá- No vapor Cruzeiro do Sul - hoje:
cio Tribuzi,já deu começo a seus trabalhos, e, folgamos de Do Rio: - Francisco A11tô11io das Neves, Alexandre
dizê-lo, com grande apreço de seu professor, como do ates- José de Almeida, 1 soldado. (...). (Publicador Maranhen -
tado deste ao Governo, que corre impresso. (Porto Livre, se, 20/611864, p. 3).
23/4/1864, p. 3).
FROCOS PARA BORDAR
TE ATRO S ANTA ISABEL
Na Rua da Paz, casa nº 7 1 se diz quem vende frocos de
Sobre o debut da Companhia Dramática na comédia seda de todas as cores, próprios para bordar, a 320 réis o
Luxo e Vaidade, diz a Revista d iária do Diário de Pernam- mac inho. À pessoa que comprar de seis macinhos para
buco de 9 do corrente: cima far-se-á abatimento no preço. (O Paiz, 21/6/1864, p. 3)
(...) Quanto à execução, diremos que o drama correu
bem da parte de todos os artistas que à porfia se esforça- C uias pintadas, de gostos inteiramente novos, ven-
ram por desenvolver o pensamento do autor, primando dem-se no Largo do Carmo nº 19, casa de azulejo. (O Paiz,
entre eles as senhoras Maria Pontes, Camila e Bernardina, 2 1/6/1864, p. 3).
e os senhores Tomás, Lisboa e Maurício.
Dona Maria Pontes é artista de mérito e que sabe com- RETRATOS A ÓLEO
preender o seu papel, colocando-o na altura do persona-
gem que representa. João Cunha, retratista a óleo, mudou sua residência
para a Rua das Violas nº 53, onde está pronto para receber
Dona Bemardina, apesar de novel na carreira, tem ta-
os trabalhos de sua arte que lhe forem recomendados. Tam-
lento e deve-o bem patentear nos seguintes espetáculos,
bém leciona desenho cm casas particulares e na sua; pro-
quando lhe houverem passado os receios do público.
mete tudo isto fazer por preços cômodos. (O Paiz, 28161
A Sra. Camila e os Srs. Tomás e Lisboa são conhecidos
1864,p. 3).
do público, e por isso diremos apenas q ue se conservam
sempre os mesmos, digno do seu apreço e estima.
FRANCISCO ANTÔNIO NERY
O cenário novo do 2° e 4° Atos agradou-nos pelo gos-
to e delicado do trabalho, que bem denota a hábil mão que Pintor histórico e retratista, ex-pensionista do Gover-
o executou, e quão útil foi para o teatro a aquisição do Sr. no de S ua Majestade o Imperador cm Roma
Venere, que dentro em pouco levantará do pó, dignas de tem a honra de declarar ao respeitável público desta
serem mostradas ao público, todas as vistas que se julga- capital que ele se d ispõe a aceitar em seu estúdio no
vam inutilizadas, pelo desleixo e nenhum zelo que lhes HOTEL DA BOA VISTA
tinham cm outros tempos. não só aqueles que se quiserem utilizar ao seu présti-
Felicitamos, pois, à empresa, não só pela companhia mo como pintor, retratista, etc. mas ainda como professor
que nos trouxe, como ainda por esse artista que fará renas- de desenho histórico, e de lecionar também o mesmo dese-
cer o nosso palco com o seu pincel. nho histórico em algum colégio, Liceu, ou mesmo casa

~ 76 <:./n)
~
RlY. CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

particular de algum dos Srs. desta capital. (0 Paiz, 25161 pessoas. Houve também cortejo ao retrato de S. M. o lm-
1864, p.3). pcrador, essa usança velha e anacrônica que há muito de-
veria ter acabado. (O Paiz, 30n/1864, p. 3).
INSTITUTO DE HUMANIDADES
REVISTA CONTEMPORÂNEA
A festa colegial da distribuição de prêmios neste colé-
gio, que noticiamos no número passado. foi feita no dia 3 O nº 4 do 5° ano, recebido pelo último paquete, contém,
com todo o brilhantismo e geral satisfação dos que à noite além de outros artigos, um esboço crílico do Dr. Antônio
a presenciaram e dos alunos do estabelecimento. Gonçalves Dias, por M. Pinheiro Chagas, e o retrato do
De manhã houve missa cantada à grande instrumental. mesmo, gravado por um professor da Academia Real das
À tarde, às 16.30, S. Exa. Revma. administrou o Sacramento Belas-Artes de Lisboa. (O Paiz, 10/9/ 1864, p. 2).
do Cristo a alguns alunos do colégio e a outras pessoas.
Em seguida foram distribuídos pelo Exmo. Sr. bispo os prê- CORRESPOND1lNCIA D' O PAIZ
mios aos alunos que mais se distinguiram nas diferences
aulas. Pernambuco, 30 de agosto de 1864
Este ato, que sempre enche a alma de uma doce alegria, Tenninou o conserto do Teatro Santa Isabel. O Diário diz:
e produz o mais benéfico resultado, despertando no cora- "Acham-se concluídos os reparos e pintura do Teatro
ção dos meninos sentimentos de nobre estímulo, foi pre- Santa Isabel, que haviam sido contratados com o atual
cedido de um discurso do lente de retórica e filosofia do empresário dramático A. S. Duarte Coimbra, e é forçoso
colégio, o Sr. Dr. Gentil Homem de Almeida Braga confessar que eles melhoraram muito o material do cdifício
Finda a distribuição dos prêmios, o Sr. Dr. Pedro Nunes que, além do pouco asseio, ameaçava ruína no fon·o do
Leal, digno diretor do instituto, ofereceu ao numeroso con- teto do salão nobre; melhoramentos estes que foram exe-
curso de senhoras e cavalheiros um primoro o copo d' água, cutados sem lucro para o arrematante, mas com verdadeiro
durante o qual se fizeram brindes análogos ao fim daquela gosto e dedicação. Hoje, graças a esses reparos, já se pode
reunião. entrar no teatro e percoITê-lo todo, sem que se lamente o
O estabelecimento oferecia um aspecto alegre e estava pouco apreço que se dava a tão importante edifício.
aberto todo para ser percorrido pelas pessoas que quises- "Além da pintura externa e da lavagem do mármore e
sem. No palco da entrada uma banda de música militar
fachada do edifício, substituíram-se diversas traves dosa-
tocava peças escolhidas. No primeiro salão estavam três
lão, que estavam carcomidas, fez-se um novo estuque e
quadros contendo um, os nomes dos alunos premiados,
guarneceu-se o salão decentemente, e fi nalmente proce-
cm número de 7; 0utro os nomes dos que foram examina-
deu-se à pintura interna de todo o edifício, desde a sala de
dos, que são 70 internos, 24 semi-internos e 33 externos.
espetáculos até aos camarins, desde o andar téITco até a
Um destes quadros, o que tinha os nomes dos premia-
quarta ordem, presidindo a tudo o melhor gosto pos ível.
dos, é um trabalho delicado à pena feito pelo Sr. Francisco
Peixoto Franco de Sá, já muito conhecido por seu talento, "Nas pinturas sobressai a bela e suntuosa barra da sala
professor de desenho do colégio. de espera do teatro, devida ao hábil pincel do nosso com-
Os alunos premiados foram os Srs.: provinciano o Sr. João Nicolau de Paula, que muito o honra.
"Ao pesado e esquisito estuque do salão nobre substi-
Medalhas de ouro tuiu um outro de novo modelo e de gosto delicado, dividido
Luiz Cardoso de Moura cm três partes, havendo no centro de cada uma delas um
Trajano Borges de Abreu Marques emblema, de onde descem os lustres, aumentados agora.
"Ainda aí no salão se procedeu a um melhoramento, e
Medalhas de prata foi a abertura de um óculo, no lugar do nicho, guarnecido
Antônio Vice:nte Ribeiro Guimarães por uma grade de ferro com vinte e uma estrelas, simboli-
Ildefonso Enoque de Berredo zando as Províncias do Brasil, a fim de dar claridade ao
Antônio Eduardo de Berrcdo camarim da Presidência.
Boaventura José de Castro "Achando-se mal colocada a iluminação da sala de es-
José de Carvalho Lobão (O Paiz, 5nt l 864, p. 2). petáculos, procedeu-se a transferência dela para um ele-
gante lustre cm meio do teatro, pouco abaixo da antiga ilu-
FESTEJOS NACIONAIS minação, com 30 luzes que, reunidas às 90 desta, perfazem
120 e são suficientes para darem a luz necessária. Nenhum
Fizeram-se ontem os festejos que anunciamos. A ilumi- obstáculo tem a sofrerem os espectadores dos camarotes,
nação da Praça do Mercado esteve animada e muito con- com essa mudança. porque se acha o lustre colocado de
corrida, e ainda mais realçaria se o retrato de S. M. o Impe- forma que não toma a vi!'>ta a nenhuma das ordens.
rador fosse, não tão imperfeito e mal parecido, que estava "O teto da sala de espetáculos também teve um peque-
longe de despertar essa veneração que todos devemos a no reparo, que produz bom efeito. e foi a pintura das faixas
tão augusta efígie. .. que cercam os camarotes e a clarabóia.
A praça apresentava um aspecto vistoso e festivo des- "A tudo isso se reuniu a execução de três novas vistas
de pela manhã. pintadas pelo distinto cenógrafo o Sr. Venere, entre as quais
Os festejos oficiais correram 03 fonna do costume. A uma sala rica, de belo efeito.
parada, composta dos três batalhões da Guarda Nacional "Tenninando seu contmto, ainda que com prejuízo, o Sr.
e dos dois de Li nha desta cidade, teve grande número de Coimbra provou que não foi o amor de entesourar que 0

~ 77 ~
~
LUIZ DE MELLO ~
atraiu para uma tal obra, mas sim a afeição que Lhe merece o será ouvido, pois não há quem não tenha lido, ou não
Teatro Santa Isabel, e mais ainda poder oferecer, àqueles que saiba alguma das poesias do mavioso cantor.
aí vão assistir aos espetáculos, uma casa digna de estar. Não haja tgoísmo nesta nobre manifestação, não quei-
Felicitamo-lo pela conclusão de seus trabalhos." (O ramos nós ser os que contribuam para honrar a memória
Paiz, 10/9/l864, p. 3). do primeiro poeta brasileiro. A glória do seu nome não nos
pertence exclusivamente, é de todo o Brasil.
BELAS-ARTES Não é cedo. É agora a ocasião oportuna para se levar
avante tão grande pensamento. Trabalhe-se enquanto a
O Sr. José Ricardo deS. Neves, cujo zelo pelo melhora- indiferença e o esquecimento não vierem ocupar o lugar
mento do seu estabelecimento, o Colégio Nossa Senhora da dor, que a perda do nosso imortal comprovinciano tem
dos Remédios, a cada dia desenvolve-se mais, vai abrir trazido a todo o País.
para os seus alunos que queiram, e para os artistas de Não imitemos a geração coeva da Camões, não legue-
ofícios mecânicos, uma aula de desenho aplicado às artes. mos aos nossos vindouros esta dívida de gratidão da Pá-
Por uma módica mensaljdade poderão ali os artistas, tria para que sobre nós não caia a justa condenação que
principalmente os que principiarem o ofício, adquirir oco- os portugueses deste século fazem aos contemporâneos
nhecimento do desenho necessário para a sua profissão. do seu grande épico.
É digna de louvor esta deliberação do Sr. Neves, pois, A Pátria honrando a memória dos seus filhos que maior
mais que S. S., com esta aula tem o público a lucrar. glória lhe trouxeram, honra também a si. O monumento que
O Sr. Neves, animado pela prosperidade em que vai lhes ergue é também o monumento da sua gratidão e do
vendo marchar o seu colégio, redobra de esforços para seu patriotismo. (0 Paiz, 12/11/1864, p. 2).
torná-lo cada vez melhor. Cumpre que o público também o
proteja. (O Paiz, 17/9/1864, p. 2). MONUMENTO A GONÇALVES DIAS

MONUMENTO A GONÇALVES DIAS Ontem a convite do Sr. Antônio Henriques Leal reuni-
ram-se algumas pessoas em sua casa para tratar dos meios
Alguns amigos do ilustre poeta que a Pátria hoje chora de agenciar uma subscrição popular para levantar-se um
lembram-se de levantar um monumento. São eles os se- monumento a Gonçalves Dias.
nhores Francisco Sotero dos Reis, Dr. Antônio Rego e Dr. Deliberaram nomear comissões em todas as classes
Antônio Henriques Leal. para que elas agenciem as subscrições.
Grandiosa como é, tão nobre idéia não pode deixar de É de esperar que nenhuma das pessoas lembradas se
ser acolhida com vivo entusiasmo por todos que sentirem recuse a aceitar uma tarefa tão nobre, e que todas concor-
pulsar-lhes um coração maranhense, por todos os brasilei- ram com as suas dádivas, sejam quais forem .
ros, por todos enfim que forem amantes do que é grande e A espórtula do rico ou do pobre, avultada ou não, será
sublime. tida em igual conta.
Gonçalves Dias era do Maranhão porque Deus deu-nos Nascido do povo, cantor dos seus costumes mais ínti-
a ventura de dar-lhe o berço sob o nosso céu, à sombra das mos, é justo também que o povo concorra pressuroso a
nossas florestas; mas a sua pátria, a pátria do seu estro dar-lhe a prova mais elevada do apreço em que tem a sua
divino, é a pátria dos gênios, é o Mundo; os seus compatri- memória.
otas são todos que têm a alma sensível, capaz de se como- Como se sabe, Gonçalves Dias não tem brasões em
ver contemplando esses entes privilegiados, a quem a Pro- sua família; os seus únicos brasões, mas esses são imorre-
vidência concede a melhor centelha do fogo celeste. douros, são os seus imortais Cantos. É pois ao filho do
Erguem-se monumentos ao guerreiro ilustre que sou- povo, grande poeta popular, que o povo vai erigir um mo-
be sustentar os brios da Pátria no campo da batalha. numento.
Erguem-se ao conquistador, que nadando em sangue Além das subscrições abertas aqui, em Caxias, berço
para lisonjear a louca vaidade da Nação, foi plantar os do poeta, e em toda a restante Provú1cia, dirigiram-se iguais
marcos do País algumas milhas mais distantes. pedidos para todas as capitais do Império e para a Corte
Erguem-se ao navegador famigerado que devassando onde ele tinha amigos dedicados, e há um número infinito
os mares levou a luz e a civi lização aos povos mergulha- de admiradores do seu grande talento.
dos nas trevas da selvageria. No escritório deste jornal está aberta uma subscrição.
Erguem-se a todos que trabalharam em prol da Huma- (O Paiz, 15/11/1864,p. 2).
nidade, e cujos nomes cercam a veneração das gerações
que se vão sucedendo. COLÉGIO EPISCOPAL
Por que há de o poeta ficar em esquecimento, o poeta NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS
que em cada coração tem um monumento?
Por que esse brado de entusiasmo, esse preito que Fechar-se-á o ponto neste estabelecimento no dia 15 do
todos lhe rendem não há de ser traduzido em bronze ou coITente, e a l 6, pelas 9.30 da manhã principiarão os exames
mármore, para que nos séculos futuros se saiba que a ge- gerais do 2º semestre do coITente ano letivo de 1864.
ração que o viu nascer o soube honrar como merecia? Sinto prazer todas as vezes que presto à sociedade
Erga-se o Maranhão todo, e venha depor a sua dádiva qualquer utilidade; assim é que, observando vocação e
para que seja levantado um monumento em honra do seu habilidade para o desenho no aluno externo de latim e
grande poeta, do primeiro dos seus filhos. Apele para todo francês José Benedito CoITêa de Faria, convidei-o por in-
o País, que de todos os ângulos do únpério o seu apelo termédio de seu tio, alferes Ricardo Fatia, para gratuita-

~ 78
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

mente receber na respectiva aula aquele ensino; e não foi realmente admirável que em tal idade e com dez meses
debalde, porque em dez meses de aprendizagem o jovem incompletos de estudos já trabalhe ele com tanta perfei-
aluno, de quem trato, apresenta um Lrabalho capaz de ser ção. (0 Paiz, 27/12/1864, p. 2).
presente ao público, pelo que será francamente exposto
na sala de desenho deste colégio de 16 a 20 do corrente, TRIBUTO À MEMÓRIA DE GONÇALVES DIAS
para quem quiser ver uma raridade neste gênero em rela-
ção ao tempo de aprendizagem. Dois artistas flumi nenses - os Srs. Pedro Américo de
O diretor, Figueiredo e Mello e Victor Meirelles de Lima propõem-se
José Ricardo de Souza Neves - este a tirar um retrato a óleo do poeta para oferecê-lo à
(OPaiz, 15/12/1864,p.2}. nossa Municipalidade, e aquele o projeto da estátua do
poeta para assim poupar essa despesa à comissão encar-
BELAS-ARTES regada de e levar esse monumento ao gênio maranhense.
São tão louváveis essas ofertas por sua espontaneida-
Não só por mim, se não por meu mano o Sr. capitão de, que todo o encarecimento feito fica aquém do quanto
Antônio Juliano Corrêa de Faria, que se acha ausente na valem. (Publicador Maranhense, 30/3/1 865, p. 2).
Corte do Império, venho às colunas deste jornal dar um
público testemunho de gratidão ao Sr. capitão José Ricar- DE UM RELATÓRIO DE ANDRÉ REBOUÇAS
do de Souza Neves, diretor do Colégio Episcopal Nossa SOBRE O PORTO DE SÃO LUÍS:
Senhora dos Remédios, pelo chamamento de atenção que
fez n'O Paiz de 15 deste mês, dos progressos que tem ( ...) Quanto às observações da escala de marés do
manifestado na aula de desenho meu sobrinho José Bene- dique foram elas feitas alternadamente por dois dos em-
dito Corrêa de Faria, no curto espaço de dez meses, fazen- pregados mais inteligentes que af encontrei.
do exposição de um de seus últimos quadros durante os Além desses observadores constantes, o meu ajudan-
dias de exames; e tanto mais é o meu reconhecimento,
te Sr. J. L Righini registrava também as alturas das ma-
rés sempre que se achava e111 casa, donde se via, por uma
quando esse resultado vem sem dúvida alguma dos des-
feliz coincidência, a escala de marés, estabelecida no
velos e incansável atividade de S.S. dispensados a seus
dique.
colegiais sem distinção alguma, o que já é um título assaz
(Exposição swnáría dos est11dos feitos sobre o Porto
recomendável para tranqüilizar o pai de família que em es-
do Maranhão. pelo engenheiro André Rebouças - Rio de
tabelecimento desta ordem deposita a educação do filho,
Janeiro, 24 de março de 1865, p. 57, s/ed.). (Seção de
na espernnça de recebê-la tal como qui era dar-lhe pesso-
Obras Raras da Biblioteca Pública Benedito Leite).
almente se imperiosas circunstâncias não se opusessem.
A solicitude, o afã com que se emprega S. S. no regime
RETRATOS CURIOSOS
doméstico dos que lhe estão confiados, o arranjo metódi-
co do seu estabelecimento e o que é mais, a escrupulosi-
Tendo feito entrega à Biblioteca Pública dos retratos
dade na escolha dos lentes que lecionam as diversas ma-
dos bispos e missionários que estiveram no Brasil, princi-
térias nas aulas de humanidades, tudo confirma o concei-
palmente nesta Provínc ia, e que foram a ela oferecidos
to que o público devota ao digno Sr. diretor, adquirido
pela viúva do nosso amigo Gonçalves Dias, em cumpri-
pelos muitos fatos de merecimento incontestáveis.
mento de uma de suas últimas vontades, julgamos satisfa-
Receba pois S.S. estas singelas expressões que cordi-
zer à curiosidade daqueles que se dedicam a estudos his-
almente lhe endereço, pela deferência do muito com que tóricos, publicando aqui os rótuJos que traziam esses qua-
me obriga a ser seu tributário. dros pintados a óleo e bem conservados quanto às tintas.
Maranhão, 17 de dezembro de 1864 1- 0 Ex mo. Revmo. Sr. D. Frei Antônio de S. Maria, filho
R. A. Corrêa de Faria desta Santa Província. provincial, Bispo do Maranhão, dos
(O Paiz, 20/ 12/1864, p. 2). ponti fiei ais da Capela Real e de Mirnnda. Faleceu em 1688.
II - O Ex mo. e Revmo. Sr. D. Frei Manoel de S. lnês,
PROMOÇÕES Carmclita Descalço, Bispo de Ângela e Arcebispo da Bahia.
11 1- Frei José do Menino Jesus, indigno Carmelita Des-
Sobre propostas dos respeitáveis tenentes-coronéis calço, nascido na Vila de Jacobina na América, Bispo do
comandantes foram nomeados por S. Exa. o Sr. presidente Maranhão cm 1780; tendo de idade 45 anos não comple-
da Província para os batalhões nº 1 do serviço ativo e nº l tos; transferido depois para o Bispado de Viseu em 1783.
da reserva da Guarda Nacional os oficiais seguintes: Ao Santo novcniado, os Remédios de Lisboa oferece esse
Batalhão nº 1 da Reserva: seu verdadeiro retrato em devida demonstração de seu
Para alferes porta-bandeira, vago por ter sido privado grande afeto e reconhecimento.
do posto Francisco José Brandão de Souza - o guarda IV - O Exmo. e Revmo. Sr. D. Frei Cipriano de São José,
Domingos T ribuzi. ( ...)(0 Paíz, 20/12/1864, p. 3). natural de Lisboa, filho da Província d' Arrabida, lente de
Filosofia e Teologia, pregador da S.A.R., Visitador da Pro-
B ELAS-ARTES víncia de Santo Antônio dos Algarves e d' Arrabida, co-
missário, delegado do Seminário de Bacarris e Bispo eleito
Vimos os trabalhos de desenhos feitos pelo aluno do de Miranda porS. M. Fidelíssima em 20dcjunhode 1769.
Colégio Episcopal Nossa Senhora dos Remédios, José V - D. Frei Diogo de Jesus Jardim, da Ordem do Patriar-
Benedito Corrêa de Farias, menino de poucos anos, e é ca S. Jerônimo, Bispo l l º.

<VQ) 79 <VQ)
LUIZ DE MELLO

VI - Vera efigios Exmi. ae Remi D. D. Fr. Antoni Ab. SARAU E LEILÃO PATRIÓTICO
Exílio, Episcopi Fluminensis et olim Angolenais Ex Abbatis
Hujus Collegii Dominae nostrae ab Stella, etEjus benefac- No dia 23 do passado teve lugar, no Colégio Nossa
toris Armo 1775. Senhora da Glória, o sarau e leilão, antes anunciados, que
VII - O Ilmo. e Revmo. D. Francisco de S. Hieronimo, fizeram as diretoras e alunas de trabalhos seus de agulha,
insigne em letras e virtudes, cônego desta Comarca. De- em benefício das famílias dos maranhenses que sucumbi-
pois de ser duas vezes geral dela, foi vinte anos Bispo do ram na luta contra os selvagens do Paraguai. Foi grande e
Rio de Janeiro, onde faleceu em março de 1721, tendo 73 luzida a concorrência, quer dos brasileiros, quer dos es-
trangeiros, que assim, com seu filantrópico e patriótico
anos de idade.
comparecimento asselaram tão solene ato. Entre os obj e-
VHI - O Padre Fr. Manoel do Nascimento, filho desta
tos leiloados sobressaía um quadro, desenho do Sr. Fran-
Santa Província, sendo eleito Bispo do Pará, renunciou.
cisco Peixoto Franco de Sá, representando o jovem segun-
Faleceu em 1704.
do-tenente ELIÉZER TAVARES (maranhense) no solene
IX - O Padre Fr. Cristóvão de S. José, füho desta Santa
momento em que com brio, valor e sangue frio entusiasma-
Província, Missionário incansável na conversão dos gen-
va os seus marinheiros na heró ica tomada de Paysandu.
tios, pelos seus trabalhos e conhecida Santidade reduziu
A bandeira que nesse colégio se preparava para ser ofe-
muitos ao grêmio da Igreja. Faleceu em 1643.
recida ao 2º Batalhão Expedicionário da Guarda Nacional,
X - O Padre Fr. José de S. Maria, filho desta Santa Pro-
primorosamente acabada, foi ali apresentada, nada exigin-
víncia, Missionário de 42 anos de idade, foi morto pela fé de
do-se por tal trabalho. Ainda louvores mil a essas dignas
Jesus Cristo às mãos dos gentios na llba de Joannes, Esta- senhoras e meninas que tão bem sabem compreender e de-
do do Grão-Pará; seu corpo, ficando no meio do sertão, sempenhar cívicas vutudes. (Porto Livre, 9/511 865, p. 3).
exposto à voracidade dos Brutos, passados seis meses foi
achado inteiro, ileso e sem com1pção. Faleceu em 1701. ESTAMPARIA FINÍSSIMA
XI - O Padre Boaventura de S . Antônio, filho desta
Santa Província, Missionário de singular espírito na con- Na Praia do Caju acham-se, de passagem para o Pará,
versão das almas e inteligências das línguas dos gentios os Srs. italianos - Francisco Citaro e Nicola Conde - que
no Maranhão. Fez com que um mouro, que estava pertinaz vendem quadros da mais bela estamparia, dignos, sem
na sua seita, se batizasse. Morreu na missão em que esta- dúvida, de serem apreciados e possuídos. (Porto Livre,
va em 1697. 17/5/1865, p.4).
XII - O Padre Fr. Boaventura de S. Antônio, fiU10 desta
Santa Província, Missionário de grande espíri to e santida- ANIVERSÁRIO NATALÍCIO
de, como também na inteligência das línguas dos gentios e
sua conversão; pelos seus trabalhos e pregações reduziu e Festejou-se anteontem o aniversário natalício de S. M.
batizou povoações inteiras no Maranhão. Faleceu em 1697. o Sr. Dr. Luizl.Aesse respeito lê-se o seguinte n' O Paiz de
XIII - O Padre Fr. Manoel dos Anjos, filho desta Santa hoje:
Província, Missionário de conhecida virtude. Morreu vin- Anteontem amanheceram os fortes, os navios surtos
do do Maranhão, e sendo lançado ao mar ficou em pé, e no porto e alguns consulados embandeirados em honra
assim o viram os do navio até o perderem de vista. Faleceu ao dia natalício de S. M. o S r. Dr. Luiz L À noite, muitas
em 1641. casas de súditos portugueses e algumas de brasileiros
XIV - O V. Padre Fr. Antônio das C hagas, po1tuguês, estiveram iluminadas.
chamado O Devoto da Virgem Santíssima, filho desta Pro- O teatro estava decorado com bandeiras de diversas
víncia d' A rrabida, nela foi o primeiro que introduziu can- nações, vendo-se na janela do centro a brasileira, tendo a
tar-se a ladairlha aos sábados; residiu muitos anos na Er- seus lados a portuguesa e a italiana. Às 6 horas da manhã,
mida da Serrn do Convento de S. Genoveva donde vinha a ao meio-dia e à noite nos intervalos do espetáculo, uma
matinas todas as noites, gastando o mais do tempo em banda de música tocou no salão tén-eo do edifício. Assis-
louvores e colóquios com a Vugem Santíssima. Teve espí- tiram ao espetáculo os Srs. presidente da Provínc ia, chefe
de polícia e quase todos os cônsules estrangeiros. Os ca-
ri to profético. Resplandeceu em milagres. Faleceu em 2 de
marotes e a platéia reuniram um concurso numeroso de
agosto de 1648, tendo de idade 90 anos.
brasileiros e estrangeiros. O Símbolo da Fraternidade, de
XV - O Mr. Padre Fr. Manoel dos Anjos, filho desta
que fa lava o anúncio do teatro, diante do qual deviam ser
Província, varão de conhecida virtude, o qual morreu vin-
tocados os hinos brasileiro e po1tuguês - eram duas figu-
do do Brasil, e sendo lançado ao mar, ficou em pé e assim
ras representando o Brasil e Portugal. A primeira, um índio
o viram os do navio até o perderem de vista.
e mpunhando o estandarte nacional; e a segunda, um guer-
XVI - O Padre Fr. Martinho da Conceição, filho desta reiro velho com o estanda1te português. Estas figuras es-
Santa Província, Missionário de 33 anos de idade, foi mor- tavam de pé sobre o estrado, em amplexo paternal, dando
to pela fé de Jesus Cristo às mãos dos gentios na Ilha de o índio a direita ao guerrei ro. Tocados os hinos, o Sr. Jorge
Joanes, Estado do Grão-Pará. Seu corpo ficando exposto à Sobrinho leu de um camarote um discurso apropriado, e o
voracidade dos Brutos no meio do sertão, passados seis Sr. Esu·eJa urna poesia, e levantaram-se vivas ao Tmperador
meses foi achado inteiro, ileso e sem coffupção. do Brasil, ao Rei de Portugal, a ambas as nações, aos mara-
Faleceu em 170 l. nhenses, ao Sr. presidente da Província e ao Sr. cônsul de
(Publicador Maranhense, 22/3/1865, pp. 1-2). S. Majestade Fidelíssima.

80 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

Em um dos inlervalos o insigne violinisla Muniz Barre- É de esperar que todos os cidadãos que estiverem no
to executou uma composição de Alard, dedicada a D. Luiz. caso de contribuir para tão importante fim se prestem a coad-
Esleve sublime. juvar a Comjssão. (Publicador Maranhense, 26/l/ 1866, p. 2).
Dona Manoela recitou também com sumo gosto a bela
poesia de Camões, Palmeirim. DOM LNGOS TRIBUZI precisa alugar uma escrava que
Consta-nos que a boa vontade do Sr. empresário do sruba cozinhar e majs serviços de uma casa de pequena
teatro enconlrou no Dr. Loureiro, cônsul de Portugal, um fanu1ja. Paga-se bom jornal, agradando. Maranhão, 28 de
valioso auxiliar, para festejar este anjversário, para o que fevereiro de 1866. (Publicador Mara11'1e11se, 61311866, p. 3).
os brasileiros concorreram, pois todos somos gratos ao Sr.
D. Luiz pelos serviços que há pouco prestou ao Brasil no EXPOSIÇÃO
desenlace da nossa questão com a Inglaterra. (Publica-
dor Maranhense, 3 1/10/ 1865, p. 3). Na loja dos Srs. João Luiz da Si lva & Companhia- O
Barateiro - no Largo do Carmo, estão expostos alguns
EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA INDUSTRIAL trabalhos dos senhores Tribuzi e Cunha. São paisagens
de diversos países que os seus autores expuseram para
A Comissão Diretora da Exposição Agrícola, Industrial serem vendidas. (O Paiz, l 2/4/ 1866, p. 3).
e de Obras de Arte elegeu cm sessão de ontem para seu
presidente o Sr. Luiz Miguel Quadros, inspetor do Tesou- HORÁCIO TRIBUZI
ro Público Provincial. Passou depois a tratar de nomear
Comissões Parciais cm diversas localidades do interior. a O nome deste esperançoso mancebo que a expensas
fim de auxiliá-la na aqui ição de objetos para a exposição. da Província aprende pintura em Roma, já é conhecido
Como é sabido, os objetos majs dignos de apreço que nesta cidade por seus 1rabalhos e pelo muito que dele se
se apresentarem na nossa exposição serão remetidos para deve esperar. Não perdemos, porém, ocasião de fazê-lo
a Exposição Nacional, que será aberta em agosto na Corte, mais conhecido, sempre que para isso se nos ofereça al-
para daí serem remetidos para a Grande Exposição Interna- gum ensejo.
cional de Paris. Assim, pois, devemos todos caprichar em Agora tivemos conhecimento de um documento que
tomar esta nossa Festa do Trabalho digna da Província, e nos apressamos a registrar nas páginas do nosso jornal,
verdadeira exibição de sua riqueza natural, do seu adianta- com aquele prazer que sentimos quando podemos falar de
mento industrial e da boa intenção que têm os maranhen- algum maranhense digno de menção. O que se vai ler é um
ses para as artes liberais. atestado do seu professor, reconhecido pelo nosso minis-
tro em Roma.
Com o concurso de todos, brasileiros e estrangeiros,
por pouco que cada um faça, estamos certos que no certa- "Eu abruxo assinado atesto que o jovem Horácio Tri-
me industrial que se vai dar cnlTe as diversas Províncias buzi, brasi leiro, cont inua a estudar incessantemente a pin-
do Brasil, não será a do Maranhão a inferior em produtos tura sob a minha direção, e como sempre tem patenteado
quer agrícolas, quer industriais, quer puramente de artes. muita inclinação a este ramo das Belas-Artes, o que prova
no quadro representando o Comércio, que está acaban-
Os nossos lavradores, os nossos fabricantes, os nos-
do, obra de sua invenção; não duvido assegurar que o
sos artistas que desde já se preparem e caprichem em con-
Brasil nele terá um notável artista.
correr com o produto de seus trabalhos à Exposição Pro-
vincial que terá lugar cm julho deste ano. O tempo é breve;
Roma, 28 de fevereiro de 1866
mas com boa vontade tudo se consegue, o ponto é querer.
Roberto Bompiani, assessor do ministro das Belas-
(Publicador Mara11he11se, 13/1/1866, p. 2).
Artes
Reconheço verdadeira a assinatura retro. - Legação
EXPOSIÇÃO
Imperial do Brasil junto à Santa Sé - José Bernardo de
Figueiredo."
Para comporem a Com1:.o,;ão Diretora do serviço da ex-
A prova de seu aproveitamento temos já no seu qua-
posição que deve ter lugar este ano nesta capital, de Pro-
dro Justiça, ofertado pelo jovem pintor à Província, e que
dutos Agrícolas, Industriais e de Obras de Arte - foram
se acha na sala das sessões do Júri, e noutro~ Lrabalhos de
nomeados os seguintes senhores:
menos vulto que vieram ao mesmo tempo com esse qua-
Dr. Antônio Rego
dro. Novos frutos de sua aplicação estão para chegar, des-
Desembargador Manoel Teixeira Pinto
tacando-se entre eles o quadro de sua invenção represen-
Dr. Antônio Henriques Leal
tando o Comércio, que ele oferece à Casa da Praça desta
Negociante Luiz da Serra Pinlo
cidade. O Sr. H. Tribuzi nestas duas ofertas mostra a deli-
Dr. Antônio Marques Rodrigues.
cadeza de seus sentimt:ntos e quanto é nobre a sua grati-
Foi marcado o dia 18 de julho próximo para a abertura
dão: o seu primeiro trabalho de maior reconhecimento ar-
da exposição, que durará até o dia 28 do mesmo mês. ...
tístico foi para a Província; e do segundo, e primeiro de
S. Exa. acaba de dirigir-se às câmaras municipais, aos
sua invenção, faz presente ao comércio de sua terra natal
delegados e subdelegados de polícia, recomendando-lhes
como a classe que mais diretamente representa a grandeza
que auxiliem a Comissão para que a exposição tenl1a lugar
e prosperidade dela. Toda a remessa, que está a chegar,
de modo que ateste a riqueza da Província e o seu desen-
saiu de Roma para o Havre em 5 do mês passado, e consta
volvimento industrial. destes trabalhos:
LUIZ DE MELLO

l quadro grande representando o Comércio; ORÇAMENTO PARA O ANO


3 retratos em ponto grande representando Miguel Ân- FINANCEIRO DE 1867-1868
gelo, Galileu e Rubens;
2 quadros representando o Verão e o Estio; Capítulo 2º - Parágrafo 6º:
1 representando Diana saindo do banho; ( ...)Com os pensionistas na Europa, inclusive 1:400 rs.
l representando dois meninos Corregio (aquarelas); do subsídio ao pensionista Horácio Tribuzi ... 4 :900$000
Muitos outros estudos de figuras e paisagens a óleo e (...)Capítulo 3º - Parágrafo 6:
aquarelas. (...)Com o pagamento a Domingos Tribuzi do aumento
concedido a seu filho Horácio Tribuzi, em virtude do pará-
Lemos uma carta do distinto jovem, em que ele, na
grafo 7º da Lei nº 722, de 25 de julho de 1864, relativamente
intimidade de filho, diz a seu respeitável pai o seguinte:
ao tempo decorrido de 18 de janeiro a 30 de junho de 1865.
"O ano p. p. remeti ao honrado corpo do comércio da Exercício de 1864 a 1865 ... 181$720 (...) (PublicadorMara-
nossa terra o primeiro fruto de minha invenção, que é um nhense, 91611866, p. 1).
g rande quadro representando o Comércio.
"O meu plano (que já fo i visto) deste trabalho me deu A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
uma grande honra, pois fui por ele admitido ao prêmio dos DECRETA
pintores notáveis como sócio da Academia dos Queriti,
lugar este ansiosamente procurado por muitos e alcança- Art. 1° - Fica o presidente da Província autorizado a
do por poucos. mandar estudar desenho e pintura nas escolas da Europa o
"Estou trabalhando com muito afinco, tanto para dar cidadão Francisco Peixoto Franco de Sá, o qual ficará perce-
gostos ao meu bom pai, como para corresponder às des- bendo um conto de réis anual por espaço de três anos.
pesas que a Província está fazendo com a minha educa- Art. 2° - Ao mesmo se abonará para despesas de via-
ção, pelo que sempre lhe serei muito agradecido. gem a quantia de qu inhentos miJ réis, ficando ele obriga-
do, depois de concluir seus estudos, a servir na Província
"As despesas vão crescendo à medida que vão tam-
por espaço de três anos.
bém se aumentando nos novos estudos.
Art. 3º - Ficam revogadas as disposições em contrário.
"Os movimentos de tropas têm trazido escassez de tudo
Antônio Teixeira Belfort Roxo
no mercado, pelo que aumentou tudo de preço, e só com Dr. Antônio Henriques Leal
muita dificuldade vou passando com a mesada que tenho. Joaquim Serra
Talvez meu pai me possa obter da Assembléia mais Antônio R. Tavares Bc lfort (Publicador Maranhense,
algum dinheiro, pois já vi a lista dos deputados provinci- 11/6/1866, p. l ).
ais, e entre eles achei muitos amigos de meu pai, e todos eu
conheço como interessados pelo bem da nossa Pátria.'' ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
(Final da carta). S essão de 4/6/ 1866
Será possível que seja negado, a quem tanto trabalha e Presidência do Dr. Henriques Leal
estuda, o que tão pouco pede?
Horácio Tribuzi bem merece da Província porque, como (...)Foi lido e aprovado, sem debate, o parecer da Co-
ele mesmo diz, trabalha incessantemente para correspon- missão de Fazenda e Orçamento relativo ao conteúdo do
requerimento de Domingos Tribuzi pedindo para se lhe
der às despesas que consigo faz o Tesouro. O seu pedido
votar no Orçamento Provincial a quantia de 181 $720 réis. -
é digno de ser atendido, e pelo que parece não terá na
À Comissão de Orçamento. (Publicador Maranhense, 12/
Assembléia Provincial um só voto contra. (Publicador Ma- 6/1866, p. 2).
ranhense, 281511866, p. 2).
ASSEMBLÉIA PROVINCIAL
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
SESSÃO DO DIA 28 DE MAIO DE 1866 Ordem do dia: - 2• discussão do que autoriza o Gover-
no da Província a mandar o cidadão Francisco Peixoto Fran·
PRESIDÊNCIA DO EXMO. co de Sá estudar pintura na Europa. (Publicador Mara-
SR. DR. HENRIQUES LEAL nhense, 14/6/1866, p. 2).
EXPEDIENTE:
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
(...)Foi Lido um requerimento de Domingos Tribuzi, pai
Matéria adiada da ordem do dia de hoje:
do pensionista Horácio Tribuzi, que está em Roma, pedin-
3ª d iscussão do projeto auto1izando o Govemo a man-
do que se vote desde já fundos para o pagamento dos
dar à Europa o cidadão Francisco Peixoto Franco de Sá es-
dois trimestres de j aneiro a junho de 1865, na importância tudar pintura. (Publicador Maranhense, 16/611866, p. 2).
de duzentos mil réis. -À Comissão de Orçamento.
(...)Foi lido e aprovado sem debate um parecer da Co-
missão de Petições em sentido favorável à pretensão do ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
pensionista Horácio T ri buzi, pedindo durante mais dois ORDEM DO DIA
anos a quantia necessária para se aplicar, em Roma e Paris,
com os mais notáveis pintores. (Publicador Maranhense, Foram aprovados sem debate em 1ª discussão para
8/6/1866, p. 1). passarem à 2ª os seguintes projetos:
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

( ... ) O que autoriza o Governo a mandar à Europa o vem os expositores remeter quanto antes os artefatos que
cidadão Francisco Peixoto Franco de Sá estudar pintura. pretendem expor.
(.. .)(Publicador Maranhense, 161611866, p. 2). Ainda espera a Comissão por obras de marcenaria, charu-
tar"ia, funil aria, de lavor. etc., para abri lhantar a exposição.
LEI Nº 769, DE 27 DE JUNHO DE 1866 Para estimular os expositores, e convencê-los pelo exem-
plo, começamos hoje a publicar pelas classes os objetos
Lafayctc Rodrigues Pereira, presidente da Província que já se acham classificados e arrumados pela Comissão,
do Maranhão. Faço saber a todos os seus habitantes que deixando para o seguinte o das outras.
a As embléia Legislativa Provincial decretou e eu sancio- 1ªClasse- Mármore, pedra em forma de rama. alabastro,
nei a lei seguinte: tronco de palmeira petrificado. duas pequenas pedras em
Art. 1° - Fica o presidente da Província autorizado a fom1a de ramo, pedra com cristais naturalmente lapidados,
mandar estudar desenho e pintura nas escolas da Europa pedra com uma camada cristalizada, pedra de amolar, pedra
o cidadão Francisco Peixoto Franco de Sá, o qual ficará de raio ou machado dos indígenas, objetos estes procedi-
percebendo para este fün um conto de réis anual por espa-
dos dos morros da Chapada e expostos por Antônio Luiz
ço de três anos.
Soares; embira branca petrificada, da margem do Rio Mu-
Art. 2º - Ao mesmo se abonará para despesas de via-
nim, expositor: Pedro Xavier de Lima Marques; 2 pedras de
gem a quantia de quinhentos mil réis, ficando este obriga-
ferro ou machados indígenas, expostos por Sérgio Antônio
do, depois de concluir seus estudos, a permanecer na Pro-
Vieira; andractites ou carvão de pedra, de Cururupu; exposi-
víncia por espaço de três anos.
Art. 3º - Ficam revogadas as disposições em contrário. tor: Antônio José Pires Lima; conchas de ostras e outras, de
Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o Cururupu; expositor: João Marcelino da Silvcira.
conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a 21 Classe - Essência concentrada de caroba, de Caxias,
cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se fabrican te e expositor Manoel Maria da Silva: tinta extraí-
contém. O secretário do Governo a faça imprimir, publicar e da do carrapicho namorado e a planta cabacinha, capim
correr. Palácio do Governo do Maranhão, em vinte e sete contra impingem, cipreste, contra-erva, para tudo, vege-
de junho de mil oitocentos e sessenta e seis, quadragési- tais de Cururupu expostos por João Marcelino da Silveira;
mo quinto da Independência e do Império. leite de guanandi, raízes de ipecacuanha, chá da terra, hor-
telã brava de Cururupu, expositor: Antônio Manoel de
LAFAYETE RODRIGUES PEREIRA Carvalho e Oliveira; extrato de macucu, dito de guanani,
de Cumrupu, expositor: Antônio José Pires Lima; capim
Estava o selo. agreste. almccega de mapá, lei1e de mapa, de Barreirinhas,
Carta de lei pela qual Vossa Excelência manda executar expositor: Francisco Xavier Cuiabá; casca de pau doce. de
o decreto da Assembléia Legislativa Provincial, autorizan- Gurnpi; expositor: Altino Lélis de Moracs Rego; maniva
do o presidente da Província a mandar estudar desenho e de veado, paratudo, malícia, malvaísca de Arari , expositor:
pintura, na Europa, o cidadão Francisco Peixoto Franco Antônio Luiz Soares; raios e ramos de paparaúba, de Via-
de Sá, como acima se declara. na, expositor: Manoel Lopes de Magalhães; almecega, lei-
Para Vossa Excelência ver. te de maparanium, de Monção, expositor: José Barbosa
Roberto Augusto Colin a fez. Lopes; licor de erva-cidreira, de São Vicente de Férrer, ex-
Selada e publicada na Secretaria do Governo do positor: Dr. Pompeu Ascenso de Sá; cipó-chumbo, da llha,
Maranhão, cm 27 de j unho de 1866. exposto pela Comissão; folhas de pariri, resina de pariri, de
Ovídio da Gama Lobo (Coleção de leis. Decretos e Cururupu, expostas por Antônio José Lima.
Resoluções da Provtncia do Maranlriio - 1866). 3ª Classe - Tapioca de forno, puba, vinho de mucá,
dito de jenipapo, vinagre de cana de Curumpu, expositor:
ASSEMBLÉIA PROVINCIAL
Antônio José Pires Lima; tapioca de forno, tapioca de sol,
Sessão do dia 26 de junho de 1866 farinha seca, farinha d' água, tapioca de ar~mlla, arroz bran-
co pilado, açúcar l" sorte, dito cristalizado, dito refinado,
Presidência do Exmo. Sr. Dr. Henriques Leal
mal cristalizado, doce de goiaba, dito de bacuri, dito de ca-
Expediente:
juf, dito de mangaba, vinho de caju, agunrdrnte de cana,
dito de mandioca (tiquira), dita de jenipapo, vinagre de cana,
( ...) Um requerimento de Domingos Tribuzi, tutor de
seu filho Horácio Tribuzi, pensionista da Província estu- vinho de ananás, azeite de gergelim, dito de dendê, exposi-
dando cm Roma pedindo para entrar com prestações de tor o comendador José Joaquim T. V. Belfort; tapioca de
20$000 réis mensais da quantia que porventura receber da forno, dita de araruta, aguardente 38º graus C, de Cumrupu,
casa comercial com que negociar câmbios da Europa: - À expositor: Antônio Correia de Mendonça Bitencourt, vinho
Comissão de Orçamento. (... ) (Publicador Maranhense, de caju, rotafiá de rucum, dito de caju, dito de manga, dito de
1_2n1 1s66. p. 1). .,,. jacama, dito de jenipapo, vinagre ele caju, tucupi, azeite de
tucum, azeite de gergelim, do Cutim, expositor: Sérgio Antô-
EXPOSIÇÃO PROVINCIAL ruo Vieira; creme de ouro, dito de rosa. da capital; expositor:
Francisco dos Santos Franco de Sá; restilo de 25º graus C,
Foi transferida a abertura da exposição desta Província de Cururupu, de D. Maria Barbosa Faria Lisboa, aguardente
para o dia 25 do corrente, tendo ela lugar, como já noticia- de cajueiro bravo, dite de cajá, de Viana, expostos por
mos, nos salões da Casa dos Educando , para onde de- Manoel Lopes de Magalhães.

~ 83 <2./Q)
LUIZ DE MELLO

5• Classe -Algodão de pluma, de Itapecuru, azeite de Parágrafo Lº - Entrarem com bengala ou guarda-chu-
mamona, azeite de coco babaçu, baunilha, fumo em molho, va;
azeite de castanha, expositor: comendador José Joaquim Parágrafo 2° -- Fumarem nas salas;
T. V. Belfort; algodão em pluma, algodão de vorágica, algo- Parágrafo 3º - Tocarem nos objetos expostos;
dão de máquina, de Cururupu, expositora: D. Maria Barbo- Art. 4° - São os visitantes responsáveis pelos danos
sa de Faria Lisboa; algodão de fibra longa, fumo picado, que causarem nos obj etos expostos.
de Cururupu, expostos por Antônio José Pires Lima, fibras Maranhão, 24dejulhode L866
de e mbiras de pé de anta, ditas de guarani, ditas de cheiro- Luiz Miguel Quadros, presidente
sas, ditas de pente de macaco, ditas de estorra, ditas de Antônio Rego
croatá, azeite de andiroba, fruta de andiroba, mel de abelha Antônio Marques Rodrigues
uruçá, dito de tiúba, dito de cachorro, dito de mosquito, Raimundo Jansen Serra Lima
azeite de coco babaçu, resina de Jutaí (Julacica), breu bru- D r. Antônio Henriques Leal
to, breu purificado, de Cururupu, expositor: João Marceli- (Publicador Maranlzense, 2417/1866, p. 1).
no da S ilveira; embira tamari, linho de tucum, de Cururupu,
expositor: Antônio Manoel de Carvalho e Oliveira; azeite EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA
de mamona, de Cururupu, expositor: Antônio Corrêa de
Me ndonça Bitencourt; castanha de andiroba, massa da Em outro lugar publicamos o anú ncio da Comissão Di-
dita, azeite de andiroba, d iversos sabões de andiroba, do retora. convidando a população desta capital a concorrer
Munim, expositores: Antônio Pereira Martins & lnnãos; com a sua presença à nossa exposição.
isca produzida por casa de certa espécie de formiga, cerol Foram classificados mais os seguintes objecos:
natural, resina jutacica, cerol de maçoranina, de Monção, 2• Classe: - Gengibre queimosa, da Ilha, óleo de cupa-
expositor: José Barbosa Lopes. íba, do Gurupi, expostos pela Comissão.
Amanhã continuaremos com a publicação, convidan- 3ª Classe: - 12 vidros com farinha d'água de São Mi-
do no entanto a todos aqueles que tenham objetos a ex- guel, 1 dito com sementes de gergclim, 1 dito comjunça, 1
por, que iram remetê-los o quanto antes ao diretor da Casa dito com arroz indígena, arroz em vagem, semences de men-
dos Educandos. Temos argilas, tauás, giz, pedras e tantos doí, espigas de miU10, sementes de carrapato, expostos
outros produtos naturais da 1• classe, produtos da 2ª, 3ª e
pela Comissão, tapioca de milho, maizena, vinho de caju,
5ª c lasses, que tornam digno de reparo o pouco que há por
dito de goiaba e aguardente de palmito, de ltapecuru-Mi-
ora exposto. (Publicador Mara11/te11se, 20171 1866, p. 2).
rim, exposiror: Dr. Antônio César de Berredo; vinho de
ananás, vinho de jenipapo, de Alcântara, expositor: Marco
EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA E INDUSTRIAL
Aurélio dos Reis; óleo de buriti, da Ilha, expositor: Joa-
DO MARANHÃO
quim José Vieira; aguardente de cana, de Itapecuru-Mirim,
expositor: Alexandre Henriques Leal.
A comissão diretora da Exposição Agrícola e Industrial
5º Classe: -Óleo de rícino, dito aromatizado, da capital,
do Maranhão convida os habitantes desta capital para
expositor: Joaquim José Vieira; óleo de castanha do Pará,
visitarem a exposição, do dia 25 até 29 do corrente, na Casa
da capital, expositor: comendador José Joaquim T. V. Bel-
dos Educandos.
fort; álcool retificado, de ltapecuru-Mirim, expositor: Ale-
No dia 25, pelas 7 horas da manhã, efetuar-se-á a aber-
tura na capela dos Educandos e da solenidade religiosa do xandre Henriques Leal; mumutina ou extrato de mucuru.
benzimento da exposição. Latajuba verdadeira, de Cururupu, exposicor: Antônio José
· A sala da exposição estará aberta e franca ao público, Pires Lima; casca taquipé. de Cururupu, expositor: João
no dia 25, desde pela manhã até às 9 horas da noite, e nos Marcelino da Silveira: 4 amostras de madeira, de Penalva,
dias subseqüentes das 5 horas da tarde até às 8 da noite, expositor: Manoel João Vieira; 47 amostras de madeira, do
tocando durante esse tempo a banda de música dos Edu- Guru pi, expositor: tenente-corone l Allino Lélis de Moraes
candos peças escolhidas. Rego; gengibre amarela, da Ilha, exposta pela Comissão.
Maranhão, 22 de julho de 1866. (Publicador Mara - 9ª c lasse: - Uma máquina para di versos usos agríco-
11/tense, 2317/1866, p. 3). las, de Cax ias, exposta por Antônio Fernandes Guimarães.
12" Classe: - Uma pistola, do Alto Pindaré, exposta por
REGULAMENTO João Francisco Ribeiro.
22ª Classe: - Um lenço de labirinto, de Viana, ex.posto
Chamamos a atenção pública para o seguinte regula- por D. Joana B atista Travassos, coleirinho e manguitos de
mento hoje expedido pela Comissão Diretora da Exposição: labirinto, de Guimarães, expostos por D. Maria Firmina dos
Art. 1º - Não será permitida a entrada de pessoa algu- Reis; tapeçaria, bordados, da capital, exposicor: Colégio
ma na sala da exposição sem que apresente bilhete de pas- de D. Rosa Laura Parga Nina.
se, que receberá no po1tão do edifício . 26º C lasse: - Livros e m branco e impressos (encader-
Art. 2º - Os visitantes que não se portarem convenien- nados) da capital, expostos por Carlos Scidl; livros im-
temente dentro da sala da exposição serão advertidos ou pressos, da capital, expostos por Belannino de Matos; li-
mandados retirar pelos guardas. vros impressos, da capital, expostos por José Maria de
Art. 3° - É permitido aos visitantes observarem dentro Frias; um impresso, da capital, exposto por José Maria de
da sala da exposição o chapéu na cabeça; porém expressa- Frias; um impre so, da capital, exposto por José Matias
mente proibido: Alves Serrão; uma carteira exposta por Carlos Seidl.

84 <:/Q)
1
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

27ª Classe: - Uma prova caligráfica, de Viana, exposta De fato, o que era, o que foi e o que é Gonçalves Dias?
por D. Joana Ba1is1a Travassos. Um poeta é um passarinho de gaiola, e o mundo não
33ª Classe: - Tijolos de diversos feitios, da Ilha, expos- marcha por cantigas.
tos por Francisco dos Santos Franco de Sá; potes, bilhas, O que é a Exposição Nacional? Uma sensaboria sem
fogareiros e outros objetos de louça da Ilha, expostos pela 1om nem som; uma gaveta de retalhos, sem novidades nem
Comissão. atrativos!
34ª Classe: - Um chapéu de pêlo para homem, da capi- Boa dúvida!
tal, exposto por Geminiano Antunes Ribeiro & Cia., dois Pois vale lá a pena que o Maranhão passe do que é,
ramos de asas de besouro, cestos, balaios, abanos, vas- desde que tivemos a dita de ser governados pelos capi-
souras, cuias de diversas procedências, expostos pela Co- tães-generais, de saudosíssima memória?
missão; cuias da Ilha, expostas pelo comendador José Jo- Coro enorme, vozeria estrídula e desafinada, sois im-
aquim T. V. Belfort. potente para garro1ear as idéias boas e para destruir o
Belas-Artes - Dois grandes quadros expostos por De- sublime edifício do futuro que, por força, há de ser gerado
siré Trubert; uma miniatura, por Francisco Pcixo10 Franco do presente!
de Sá; paisagens do Sr. Righini, expostas pelo comenda- Mau grado a mofa dos parvos, a indiferença dos ajui-
dor José Joaquim T. V. Belfort. (Publicador Mara11he11se, zados e a preguiça dos indiferenlcs, o dia de amanhã terá
24nl 1866, p. 1). de raiar e aparecer.
Nuvens, cerrações e geadas podem tomá-lo menos es-
EXPOSIÇÃO plêndido, mas ninguém pode encr.ivar a roda do progres-
so, porque ele não conhece a soberania do plus ultra das
O abaixo assinado, tendo obtido permissão da ilustra- colunas de Hércules.
da Comisão, exporá na Casa da Praça, no mesmo dia em A estátua do poeta há de ser erigida, assim como foi
que for exposto o quadro que o seu filho Horácio Tribuzi realizada a Exposição Provincial.
ofereceu ao comércio de sua Província, uma coleção de Menos rica do que deveria ser, como está, contudo
desenhos das suas discípulas mais adiantadas. não desonra a Província que se vê nela representada.
Maranhão, 23 de julho de 1866 A má vontade foi csbrurnr e quebrar-se de encontro às
Domingos Tribuzi instâncias dos que ainda acreditam que o sim vale muito
( Publicador Mara11hense, 25nl 1866, p. 3). mais do que o 1Uio.
Aí está, em uma das salas dos Educandos, franca ao
PRAÇA DO COMÉRCIO exame e análise dos curiosos, a Exposição Maranhense,
graças aos esforços de muitos entusiastas.
Tendo o llmo. Sr. Horácio Tribuzi, atualmente cm Roma, Para os que imaginam que uma exposição é um museu,
oferecido ao corpo do comércio desta Província um qua- jardim de plantas, ou casa de magia branca, a desilusão
dro de sua composição, representando o Comércio, e de- deve ser furiosa e horripilante; para os que esperam maca-
sejando a Comissão da Praça dar um solene testemunho cos verdes, lobisomens e ovos de ouro, aquelas pratelei-
do alto preço em que toma tão delicada oferta, por ordem ras hão de parecer escandalosamente burguesas e sem
da mesma Comissão faço público que o dito quadro estará cerimônias. Mas, para os que sabem de que é que se trata,
exposto no gabinete da Casa da Praça no dia 28 do corren- e o que se prete nde conseguir com estas fes1as do Traba-
te, das 7 horas da manhã às 6 da tarde, para ser visto por lho, o resultado será muito aplaudido, o cometimcn10 será
todas as pessoas que o desejarem apreciar. julgado bem-sucedido.
Sala das sessões da Comissão da Praça do Comércio Pelo primeiro ensaio, e com tanta celeridade, não será
do Maranhão, 23 de julho de 1866. possível fazer mais.
João Marqu1:. da Silva, segundo secretário. (Publica- Se o mui lo que falta advoga ainda mais a riqueza desta
dor Maranhense, 2Sn/l866, p. 3). terra, o quanto figura na Exposição já basta para bem reco-
mendá-la.
FOLHETIM Nas diferentes classes notar-se-ão graves lacunas, mas,
A EXPOSIÇÃO PROVINCIAL a par delas, serão igualmente notadas as amostras de mui-
1a preciosidade metalúrgica, agrícola e industrial!
A classe dos homens sérios é uma das coisas mais Quando se trata de promover a emigração espontânea,
engraçadas, entre as coisas sérias. não há voz mais alta, em prol de tão santa cruzada, do que
O homem grave, positivo e que não come caraminho- essa que sai desses centros prenhcs de esperanças que se
las, nem se eleva por bugigangas, é uma raridade muito chamam Templos da lndlÍstria.
comum, uma trivialidade mui10 exótica. Queremos que o europeu trabalhador saiba com que
Esta bendita criatura faz beiço a tudo quanto cheira à ma1érias-primas pode contar do outro lado do oceano, que
poesia, porque não é coisa ú1il, e encolhe os ombros a julgue do atraso de algumas indús1rias e estimulem-se com
quanta utilidade vai por este mundo, porque é inútil e fora- o desejo de vir aperfeiçoá-las e consolidar o seu futuro.
dc propósitos a tanta gente, abençoada raça! Por isso, toda matéria com aplicação na indústria é dio-
b
Não há muito tempo que se 1achava de puerilidade a na de ser mostrada; por isso, toda indústria, ainda embrio-
ereção de um monumento ao poeta Gonçalves Dias; agora nária, é bem-vinda à grande revis1a.
cstrugem gargalhadas sérias, porque se trata de fazer a Gritem embora os pragucntos, os descrentes e os em-
exposição dos produtos agrícolas, industriais e artísticos perrados que tais objetos são de somenos trabalho, que
da Província! tais produtos são por demais vulgares, deixemo-los nesse

~ 85 ~
LUIZ DE MELLO

estéril declamar, porque não se quer outra coisa além da- Frias e José Matias, e igualmente são primorosas as enca-
quilo que eles condenam. dernações saídas da oficina do Sr. Carlos Seidl.
A sociedade já não admite párias; ela só repele os par- Ainda uma vez asseguramos que a Exposição Provin-
vos e os preguiçosos, e por isso, quem trabalha e quem cial correspondeu à expectativa dos que confiaram naco-
sente na fronte o fogo da inteligência, venha sem medo missão encarregada de promovê-la, e, portanto, vão a ela
com os seus artefatos, que eles serão julgados relativa- grande parte das saudações, a que tem direito, pelos seus
mente, e por eles será aguçada a curiosidade dos que po- serviços e boa vontade.
dem trazer o melhoramento e a perfeição. Mais algum esforço, mais alguma antecedência nas Or-
Na 1•classe dos objetos expostos figuram amostras de dens do Governo Imperial, e a mesma impavidez ante o
mármore, de alabastro e de cristais, carvão de pedra, calcá- esmorecimento, galhofas e o egoísmo dos homens sérios,
rio e muitos produtos que ornam as nossas pautas comer- que teremos feito os mais produtivos serviços em bem da
ciais, corno objetos importados do estrangeiro. grande causa da emigração e do aperfeiçoamento da nos-
Na 2ª classe, tantas e tão variadas substâncias medica- sa lavoura, comércio e indústria.
mentosas, umas a reclamar a análise profunda dos homens PJETRO DECASTELLAMARE'
da Ciência, outras à espera da concorrência dos fabrican- (O Paiz, 28n/1866, p. 1).
tes para serem elevadas ao melhoramento a que já chega-
ram em outras partes, onde talvez elas menos abundem. EXPOSIÇÃO PROVINCIAL
Na 3ª Classe encontram-se vinhos delicadíssimos e de
frutos, vulgares entre nós, mas nem por isso desestima- Encerrou-se ontem a Exposição Provincial.
dos e incapazes de serem convertidos em ótimos ingredi- Foi sempre muito concorrida. Ontem, sobretudo, hou-
entes para o preparo de licores que disputam competência ve imensa afluência: o pátio interno dos Educandos e a
com os mais saborosos que do estrangeiro recebemos. sala de exibição estiveram até mais de 9 horas apinhados
de famíl ias e cavalheiros distintos.
Tapiocas, massas, doces e açúcar preparados com es-
A música e o excelente luar tornavam mais agradável e
mero e grande aperfeiçoamento.
animada essa bela festa do Trabalho.
Entre os produtos agrícolas figuram amostras de dife-
Embora imperfeita, embora não dê uma idéia exata das
rentes espécies de algodão, resinas perfumosas, breu, fi-
riquezas naturais e dos produtos desta Província, a nossa
bras e filamentos de várias qualidades de linho; sabão,
exposição não nos desvaira e não nos deve esmorecer. Corno
cera e mel silvestre de quatro qualidades, óleos, gengibre,
ensaio, como ptimeira tentativa, e à vista do pouco tempo que
arroz, farinha, madeiras de construção civil e naval, de tin-
houve para prepará-la, não se podia esperar que fosse com-
turaria e de marcenaria.
pleta, e o que se conseguiu prova bem os zelos e os esforços
Se a seção destinada aos produtos da indústria fabril
da Comissão encarregada de organizá-la. Nunca são plena-
não tem um representante qualificado, a seção de Belas-
mente satisfatórios os resultados dos primeiros tentames, e
Artes e de Máquinas tem grande razão para ser especi-
nunca foi isso razão para não se persistir na esperança de
alizada.
melhor êxito. (Publicador Maranhense, 30n/ J866, p. 2).
A máquina apresentada pelo Sr. Antônio Fernandes
Guimarães, de Caxias, é digna de uma menção honrosa.
Seu autor, sem os conhecimentos técnicos e sem os re-
(DA) LEI 793, DE 13 DE JULHO DE 1866
cursos de oficinas e instrumentos próptios, indica raras habi-
DESPESA
lidades e grande disposição para esse gênero de trabalho.
A máquina, simplíssima na forma, destina-se a serrar ma- (...)Cap.Irl
deiras, moer cana, descaroçar o algodão, etc. etc., sem com- Créditos suplementares
plicação de máquinas e com enorme economia de braços. Art. 20 parágrafo 6º - Com o pagamento a Domingos
Na parte puramente artística, a Exposição Maranhen- Tribuzi do aumento concedido a seu filho Horácio Tribuzi
se, além dos belos trabalhos de dois distintos estrangei- em virtude do parágrafo 7º do art. 14 da Lei nº 722, de 25 de
ros, mostra com orgulho os quadros do maranbense Horá- julho de 1864, relativamente ao tempo decorrido de 18 de
cio Tribuzi. São realmente belíssimas as marinhas do Sr. janeiro a 30 de junho de 1865, exercício de 1864 a 1865: -
Trubert e as paisagens do Sr. Righini, e para e las chama- 181$720( ...). (PublicadorMaranhense, lº/8/1866, p. 1).
mos a atenção dos amadores.
Mas todas as nossas expressões são poucas para elo-
giar os quadros do jovem maranhense Horácio Tribuz i. RETRATO DO POETA GONÇALVES DIAS
A delicadeza e finura do colorido; a expressão das fisi-
onomias; a limpidez e transparência das águas, a sobrieda- Despachou-se ontem da nossa Alfândega um belo e
de de ornatos, tudo isso são motivos para felicitarmos o primoroso retrato do eminente poeta Gonçalves Dias, pin-
artista, que nos mandou aquelas belíssimas cópias de Ru- tado a óleo por um dos principais artistas franceses.
bens e de outros pintores célebres. É oferecido à Câmara Municipal de Caxias pelo Sr. João
A miniatura do talentoso Sr. Franco de Sá é também Gonçalves Dias, irmão do poeta.
trabalho muito bem-acabado e muito d igno de aprovação. Além de muito parecida a fisionomia de Gonçalves Dias.
A arte tipográfica, que em nenhuma Província do Impé- soube o pintor trasladar para a tela os traços denunciado-
rio se acha mais adiantada do que no Maranhão, está per- res do raro e grande talento do mavioso cantor brasileiro.
feitamente representada nos trabalhos tão nítidos e ele-
gantes do Sr. Belarmino de Matos, nas impressões do Sr. • Pseudônimo do poeta Joaquim Serra.

86 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

Consta-nos que vai ser exposto pelo Sr. Dr. Henriques RETRATO DE GONÇALVES DIAS
Leal, encarregado desta Comissão, antes que siga o seu
destino e tê-Jo-ia fei to hoje, aniversário natalício do poeta, Estará amanhã à noite exposto francamente ao públi-
se não fosse tão curto o prazo. (Publicador Maranhe11se, co, no salão superior do teatro, o belo retrato do primeiro
10/8/1866, p. l). poeta lírico brasileiro, Gonçalves Dias.
O Sr. Vicente P. d'Olivcira ofereceu-se para expor esse
FOTOGRAFIAS quadro de um dos célebres artistas franceses, antes que
seguisse para Caxias, no vapor de 22 do corrente.
Acham-se à venda na casa do Sr. Carlos SeidJ fotografi- A variedade do espetáculo de amanhã, a exposição do
as de Gonçalves Dias, próprias para álbuns, tiradas em Paris retrato de Gonçalves Dias, tudo chama a concorrência ao
por Ken, um dos mais acreditados fotógrafos, e segundo nosso teatro, que pelos esforços do empresário em agra-
uma de Dresdcn que o poeta achava muito semelhante. São dar ao público, e pela excelente companhia que com sacri-
dignas de figurar nos álbuns dos apreciadores do ilustre fício mantém, merecia outro auxílio por parte dos amado-
caxiense. (Publicador Maranhense, 10/8/1866, p. 1). res. (Publicador Mara11he11se, 18/8/ 1866, p. 2).

FOTOGRAFIAS DE GONÇALVES DIAS MONUMENTO DO POETA GONÇALVES DIAS

Estão à venda na loja de Carlos Seidl as mais parecidas O espetáculo do dia 3 de maio, dado pelo empresário
e belas fotografias do poeta Dias. do Teatro São Luiz. Sr. Vicente Pontes de Oliveira, para
Por 1$000 réis julga o anunciante que ninguém deixará com o produto auxiliar as despesas da ereção do monu-
de ter cm seus álbuns a verdadeira efígie do primeiro poeta mento do poeta Gonçalves Dias, rendeu, líquidamente, réis
brasileiro. (Publicador Mara11he11se, 13/8/ 1866, p. 4). 1: 168$240, como se pode verificar pela relação publicada
em outra pane deste jornal.
GOVERNO DA PROVÍNCIA A Comissão no dia l 7 fez entrada desta quantia no
Expediente do dia 5/7/1866 Banco do Maranhão.
O dinheiro já adquirido para ereção desse monumento
(...) -Ao presidente da Comissão Diretora da Exposi- eleva-se, descontado o selo, à quantia de 6:320$063. (Pu-
blicador Maranhense, 19/8/1866, p. 1).
ção da Província, Luiz Miguel Quadros. -Comunico a Vmc.,
para a devida inteligência, que acabo de nomear o cidadão
GOVERNO DA PROVÍNCIA
Joaquim Maria Serra Sobrinho para representante por esta
Expediente do dia 1° de agosto de 1866
Província à Exposição Nacional de Produtos Agrícolas,
lndustriais e de Obras de Arte que este ano deve ter lugar
na Corte. (...) A Mr. Desiré Trubert - Acuso o recebimento do
ofício que dirigiu Ymc. a esta Presidência em data de 18 de
Ao cidadão Joaquim Maria Serra Sobrinho. -Em virtu-
julho último, e no qual manifesta o desejo de oferecer a S.
de do disposto no art. 5° das rnstruções de 14 de outubro
M. o Imperador os dois quadros a óleo por Yrnc. feitos e
do ano passado, de que lhe envio um exemplar, acabo de
que figuram na exposição desta Província.
nomear a Vmc. para representante, por esta Província, à
Em resposta, cabe-me declarar-lhe que, anuindo ao seu
Exposição Nacional de Produtos Agrícolas, Industriais e
pedido, tenho dado as providências necessárias a fim de
de Obras de Arte que este ano deve ter lugar na Corte.
que sejam os ditos quadros oportunamente remetidos ao
Fazendo-lhe esta comunicação, espero que Vmc. acei-
Ex mo. Sr. ministro e secret~rio de Estado dos Negócios de
tará o encargo Agricultura, Comércio e Obras Públicas, a fim de terem o
Previno-o de que foram nomeados para a Comissão destino que Vmc. deseja dar-lhes. (Publicador Maranhen-
Diretora da Exposição nesta Província os cidadãos Luiz se. 22/8/1866, p. 1).
Miguel Quadros, como presidente, Dr. Antônio Henriques
Leal, Dr. Antônio Marques Rodrigues, Dr. Antônio Rego e ENTALHADOR MARANHENSE
tenente-coronel Raimundo Jansen Serra Lima, bem como
de que para a abertura da mesma exposição foi marcado o Lê-se n'O Paiz de hoje:
dia 18 do corrente e para o encerramento o dia 28 domes- Na oficina de marcenaria do S1: Salvador Romero,
mo mês. Largo de Palácio. h6 alguns rrabalhos de ralha dignos
Ao tenente-coronel Raimundo Jansen Serra de Lima. - de serem visros, obra do Sr. Joaquim Ferreira Barbosa,
Comunico a Vmc. que nesta data o tenho nomeado para jovem maranhense que o S1: Salvador mandou aprender
membro da Comissão Diretora da Exposição de Produtos a enrolhar no Porro. Já falamos dos progressos desse
Agrícolas, Industriais e de Obras de Arte, em substituição mancebo que hoje se confirmam por documemos irrecu-
ao negociante Luiz de Serra Pinto, a quem acabo de conce! sáveis, que seio os rrabalhos que apresenta.
der dispensa de fazer parte da mesma comissão. - Nós tributamos os devidos elogios tanto ao Sr. Salva-
Espero que Vmc. não só aceitará esse encargo, como dor como ao seu protegido; a este porque aproveitando-se
de bom grado se esforçará para que a mesma exposição se dos objetos que recebe vai-se tornando um artista de mere-
efetue nesta capital no dia marcado, de modo que ateste a cimento, e àquele porque, não obstante ser estrangeiro, con-
natural riqueza da Província e o seu desenvolvimento in- corre com seus esforç0s cm benefício de um filho do
dustrial. (Publicador Maranhense, 13/8/1866, p. l). Maranhão. (Publicador Marrmhensc, 3011O/ l866, p. 2).

<?./Q) 87 <?./Q)
LUIZ DE MELLO

O RETRATO DE GONÇALVE S DIAS nhia Fluvial dos Vapores, em nome do jovem artista mara-
nhense· . ( ...)(Publicador Maranhense, 12/ 12/1866, p. 2).
O Paiz, dando inteiro crédito às palavras de certos
noveleiros, fez ultimamente uma grave censura à Câmara EXPOSIÇÃO NACIONAL
Municipal desta cidade, pela fria recepção que julga fizera
esta corporação, ao receber o retrato do distinto poeta Relatório que enviou à Presidência o Sr. Joaquim Maria
brasileiro que lhe foi oferecido por um de seus innãos. Serra Sobrinho, na qualidade de representante desta Pro-
À vista disto julgamos conveniente dizer duas pala- víncia à Exposição Nacional.
vras a este respeito, para restituir a verdade dos fatos alta- limo. e Exmo. Sr. - Distinguido com a honrosa comis-
mente adulterados. são de representar a Província do Maranhão perante o júri
O presidente da Câmara Municipal, apenas soube que gera l da Expos ição Nacional, venho submeter à considera-
o retrato havia chegado, ordenou que fosse conduzido ção de V. Exa. um breve sumário dos trabalJ1os que me
para o Paço da Câmara, onde foi esperá-lo a fim de desig- foram incumbidos, hoje que se acha encerrada a Exposi-
nar-se a sala onde devia ser colocado, e na qual esteve em ção Nacional.
exposição por espaço de cinco dias. V. Exa. desculpará as muitas lacunas que encontrar
É verdade que não houve esses aparatos de foguetes neste relatório, e, com a ilustração que lhe é própria, supri-
e músicas, que só servem para chamar a concorrência de las-á todas as vezes que assim for mister.
moleques, e que se tomam desnecessários àqueles que Aberta a Exposição Nacional, na Corte do Império, a
sabem apreciar o verdadeiro mérito. Província do Maranhão não foi a última entre as que con-
A Câmara Munic ipal de Caxias, que deu a uma de suas tribuíram para o brilhantismo da festividade industrial.
praças públicas o nome do Cantor dos Timbiras, para per- Confesso, poré m, com pesar, que malgrado os inaudi-
tos esforços da muito d igna Comissão Provincial ; ma lgra-
petuá-lo na memória de todos; que se prestou a promover
do as reiteradas providências do honrado administrador
uma subscrição para o monumento que se pretende levan-
da Província, esta não entrou para o Palácio da Exposição
tar à sua memória, não merece por certo uma tal censura.
adornada de todas as suas galas e pompas naturais; antes
O Amigo da Verdade
notando-se-lhe mais de uma falta, mais de um grave senão.
(A Imprensa Caxiense, Caxias, 1°/1 111866, p. 3).
Os que sabem que a Província do Maranhão sustenta
paralelismo com as mais adiantadas de suas irmãs, no to-
OFERTA
cante ao desenvolvimento e perfeição de certas indústri-
as, não poderiam, entretanto, afirmar esta verdade, visi-
Os assinantes da Casa da Praça, tendo em atenção o
tando as salas da Exposição Nacional e vendo as diferen-
precioso quadro representando o Comércio, de composi-
tes figuras que faziam as Províncias do Império.
ção do Sr. Horácio Tribuzi, resolveram oferecer a este artis-
A ignorância e m que está a massa geral da população do
ta dez ações da Companhia de Navegação a Vapor, no que seja uma exposição, ignorância muito atendível porque
valor de cem mil réis cada uma, em sinal de agradecimento. se trata de uma coisa nova e sem precedentes no Pais, a
(Publicador Maranhense, 6/1 1/1866, p. 2). celeridade das remessas, e, mais que tudo, a difíci l locomo-
ção dos objetos, deram em resultado a omissão, que foi
MOVIMENTO DO PORTO notada, de muitos produtos naturais e manufaturados.
Todavia, tal corno se achava a nossa exposição, ela se
Saídos no vapor Gurupi, hoje 10: recomendava por muitos títulos e foi recebida pela Comissão
Para o Pará: José L. Piguini, João Victor da Piedade e 4 Central com sinceras provas de apreço e de consideração.
fi lhos. (Publicador Maranhense, J 0/ 12/ 1866, p. 3). Quem visitasse o Palácio da Exposição durante os d ias
da pública concorrência, aplaudiria a soberba festa que
PRAÇA DO COMÉRCIO realizávamos em nosso país, e que o acreditava tão valio-
(Do) Re latório da Comissão da Praça samente para com o estrangeiro.
O belíssimo edi fíc io, a disposição e abundância dos
(...) Em conseqüência do aumento do número dos assi- objetos, a amamentação e decoração das diferentes salas
nantes, tivemos na nossa caixa um ativo superior ao dos e parques laterais, era tudo de uma magnilicência digna do
outros anos, aumento que devemos atribuir pela maior parte assunto.
ao zelo do nosso digno tesoureiro o Sr. José da Cunha As repetidas e demoradas visitas do augusto chefe da
Santos. Porém não foi suficiente esta receita para fazer Nação, o desvelo com que ele interrogava miudamente
face a certas despesas extraordinárias, como a colocação sobre as coisas das diversas Províncias, interessando-se
de um mastro na frente desta casa para levantar-se a ban- até pelas menores e menos acabadas; unido isso ao zelo
deira nacional nos dias festivos e de gala, a completa mu- da muito ilustre Comissão Diretora, foram motores do gran-
dança do assoalho da nossa sala de deliberações que se de alvoroço e sofreg uidão com que o povo se tomava tão
achava num péssimo estado, e enfim um donativo ao Sr. pressuroso em examinar as riquezas que o País oferecia às
Horácio Tribuzi, para agradecer-lhe um quadro por ele exe- vistas naquele suntuoso palácio.
cutado em Roma, e que se acha às nossas vistas e nos foi Com exceção de algumas poucas Províncias que. por
remetido por intennédio do seu pai o Sr. Domingos Tribuzi. circunstâncias imprevistas não puderam comparecer à reu-
Deliberamos e ntão pedir aos assinantes novos subsídios, nião, todas as mais ali se achavam, embora não pudessem
e pudemos obter a quantia de réis 1:500$000, da qual se
empregou 1:052$620 para compra de dez ações da Campa- • Rela16rio assinado por l. A111ra11.

<?../@ 88 <?../@
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

ser devidamente comparadas pela ordem seguida na arru- Notava-se, porém, a ausência de mui1as coisas que
mação dos produtos expostos. nesse gênero deveríamos ter mandado, avu ltando entre
O sistema de arrumar por objetos similares não me pa- outras a ausência de amostras do cobre da Chapada, do
rece tão vantajoso como o de fazê-los por Províncias. Não ouro de Maracaçumé e dos produtos de ferro fundido e
só o visitante pode fazer um melhor estudo de cada uma batido, saídos da excelente Casa de Fundição que tem a
delas, como também a emulação obriga cada Província a Província.
querer sobrelevar-se. Nada obstante o apreço cm que foram tidas, sobretudo
Tivemos prova com o sucedido acerca dos objetos de as petrificações de madeira, nessa c lasse a Província não
Pernambuco e do Ceará, que, por chegarem tarde, foram teve prêmio algum, por ser vedado, pelo regulamento da
expostos isoladamente e caracterizavam muito melhor as Exposição, a distribuição deste aos produtos dessa clas-
duas Províncias. se, exceto àqueles que tivessem passado por qualquer
Se algum defeito houve a notar na Exposição Nacional, operação ou fabrico humano.
ainda foi ele devido à errada opinião que muita gente for- Tomo a lamentar que a fundição maranhense perdes-
ma do que seja essa festividade, procurando mais enrique- se essa ocasião de ser devidamente apreciada, dando os
cê-la com objetos caprichosos e de fantasia, fabricados bons documentos de sua perfe ição, de modo a distin-
propositadamente para aquele fim; muitos sem cotação no gu ir-sc entre as casas seme lhantes que concorreram à
mercado, e alguns inteiramente desconhecidos nele, por Exposição Nacional.
não serem de indústria certa e cu ltivada no País. As petrificações fora m julgadas dignas de fi gurar na
Via-se desde a quinquilharia mais insignificante até o Exposição de Paris.
objeto de mais valor e magnificência. sendo que, quase Na segunda saJa, destinada às farinhas, féculas, mas-
nenhum ramo de arte, indústria ou ofício deixou de figurar sas, aguardentes, licores, vinhos, vinagres, fumo cm folha
como adiantado entre nós. e preparado, tínhamos magníficas coleções de licores e
Ora, no meu entender, os objetos de uso comum, os vinhos, e bem assim algumas amostras de farinhas e tapi-
produtos de economia diuturna e que formam o grosso do ocas. mas o fumo do Maranhão, tão apreciado e bem repu-
nosso cabedal industriaJ, esses, unidos aos que esponta- tado, não foi presente à Exposição, e mais de uma interro-
neamente nos outorgou a natureza, deveriam ser os que, gação acerca dessa ausência teve de ser feita, sem que eu
de preferência, senão exclusivamente. figurassem nas ex- achasse resposta procedente e razoável.
posições, a fim de poder-se graduar o valor econômico de Nessa seção a Província obteve algumas menções hon-
cada um desses objetos, comparando-os com os do mer- rosas, e foram escolhidas trinta e oi10 garrafas de diferentes
cado estrangeiro, estudando-se o modo de barareá-los, licores e outras bebidas fennemadas, bem como doze vidros
aperfeiçoando-os. de farinhas para serem presentes à Exposição lntemacionaJ.
Mandar à Exposição um trabalho que é o resultado de Na terceira sala, onde foram expostos os cafés e açú-
muitas semanas e meses de um curioso, que significará, car, nós apenas figuramos como expositores deste último
quando muito, a paciência deste, porque é o fruto de mui- gênero. As amostras, além de escnssas, chegaram deterio-
tas horas de lazer, não creio que, com razão, produto seme- radas e estavam pouco dignas de serem tomadas em con-
1hante possa ocupar um lugar nas salas destinadas aos sideração.
objetos que exprimam o grau de adiantamento civil, indus- Na quarra sala, destinada aos ó leos, resinas, matérias
trial e econômico de um país. iluminantcs e colorantes, conservas, doces e produtos agrí-
Porventura o nosso país pode suprir a importação? colas com aplicação na indústria, o Maranhão exibiu di-
Possui e le, de fom1a a abastecer o mercado, tudo aquilo versas amostras de azeite, resinas e doces de frutas, e
que ofereceu aos visitantes da Exposição? Que país civili- nessa classe a Província foi contemplada com uma meda-
zado é esse que produz tudo quanto con<;ome, e que glória lha de bronze e diferentes menções honrosas.
haveria nessa clausura de relações econômicas com as Entre as amostras de objetos pertencentes a esta clas-
demais nações, quando, da livre pem1uta dos produtos é se, quatorze das melhores foram consideradas dignas da
que se deriva o adiantamento de cada uma? Exposição Universal.
Mas, quem examinasse a nossa exposição acreditaria Passo c m silêncio a exposição de redes, panos tecidos
que estávamos no caso de dispensar o concurso dos fa- no País, obras de passamanes, rendas, bordados e traba-
bricantes estrangeiros, visto termos cm casa todos os ob- lhos de fotografia. O mesmo quanto às salas destinadas
jetos precisos à vida, desde o mais necessário até o mais aos produtos de marcenaria, ourivesaria e obras de sapa-
supérfluo. teiro, alfaiate e entalhador.
Deixo, porém, de parte esse reparo, que apenas pode- Entretanto não posso deixru- de ponderar que, em to-
ria provar que a Exposição Nacional esteve abundante até das essas c lasses, o Maranhão teria obtido grande núme-
daquelas coisas que poderiam deixar de ter ingresso nela, ro de prêmios, porque os produtos das demais Províncias,
e que, se aí se achavam, era como prova de aptidão artísti- que foram contemplados, não se avantajaram àqueles que
ca e industrial de indivíduos curiosos. ,. em nossa Província é costume fazer-se.
Lançarei agora uma rápida vista sobre o que diz respei- No salão de pinturas a óleo e objetos de impressão e
to exclusivamente ao Maranhão. encadernação, estivemos perfeitamente representados. As
Na primeira saJa, destinada ao objetos metalúrgicos e coleções tipográficas e os dois belíssimos quadros do Sr.
mineralógicos, havia aJgumas coleções de grés, caJcário. Dcsiré Trubert mereceram gerais aplausos.
crista l de rocha, antracites e petrificações pertencentes a Nesta ocasião vi aiuda mais uma vez conlinnado o alto
esta Província. conceito cm que são tidos os trabalhos tipográficos do

89 ~
LUIZ DE MELLO

Maranhão, que correram parelhas com os melhores da Cor- Apr~sentação de projetos, requerimentos e indicações.
te. Nesta seção a Província obteve diferentes medalhas de (...)Vai à mesa, é lido e sem debate aprovado o seguin-
prata e de bronze, e todas as suas impressões foram julga- te requerimento:
das dignas de ir para Paris. Requeiro que os quadros oferecidos a esta Assem-
Nas salas das máquinas apenas tínhamos um grande bléia pelo cidadão Horácio Tribuzi sejam enviados ao Ins-
modelo vindo de Caxias, que deu ao seu autor o direito a tituto Literário para os ter guardado no salão da Biblioteca
uma menção honrosa. Pública a seu cargo. - S. R. - Joaquim Serra. (... )(Publica-
O algodão, que, se não dá, como o café, o terço da dor Maranhense, 1517/1867, p. 1).
renda do Estado, foi, todavia, o digno êmulo dele na Expo-
sição; o algodão maranhense, tão bem cotado e reputado DA RECEITA PROVINCIAL PARA O ANO
nos mercados estrangeiros, teve, entretanto, bem fracas FINANCEIRO DE 1867-1868:
amostras, e essas em diminuta quantidade, salvo a amos-
tra enviada pelo comendador Teixeira Belfort. ( ...) § 6º - Com os pensionistas na Europa, inclusive
Mais pela honrosa tradição do que pela prova palpá- 1:000$000 ao pensionista Francisco Peixoto Franco de
vel fo i que o júri da Exposição teve de avaliar desse nosso Sá............ .3:800$000(...).
importante produto. (Publicador Maranhense, 1917/1867, p. 2).
Todos os expo itorcs desse gênero tiveram menção
honrosa, e as Províncias algodoeiras foram cobertas de ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
grandes louvores e das mais sinceras animações. (DA) LEI DE ORÇAMENTO PARA O ANO
Serão remetidas para a Exposição 1ntemacional as me- FINANCEIRO DE 1867 - 1868:
lhores amostras do nosso algodão, não podendo ir uma só
cm capulho, por isso que a remessa, que fez a Província, (... )Art.19-§ 17 - Aditivoaoartigo 19-Auxílioao
fo i toda de algodão descaroçado. pensionista Horácio Tribuzi, que se acha em Paris.. ..
As painas e fibras têxteis também foram em pequenas 300$000. S. R. - Henriques Leal, Bayma e Sotero Júnior.(...)
quantidades; essas poucas, porém, bem como dezenove (Publicador Maranhense, 20/7/1867, p. 2).
amostras de madeiras do Maranhão, serão igualmente re-
metidas a Paris. (DA) LEIN 831,DE 12n/1867
Nos muitos dias em que foram discutidos, comparados
e prem iados os objetos expostos pela Província do Franklin Américo de Menezes D6ria sancionou e eu
Maranhão, com a minha fraca voz sempre interessei-me decretei a seguinte lei:
pelas causas que me foram confiadas, entrando com âni-
mo calmo e juízo reto na avaliação dos demais produtos,
(...)Capítulo ílI (...) DESPESA
submetidos ao meu exame.
Terminando esta imperfeita resenha, não posso deixar
Art. 8 - Com diferentes subsídios: réis 148: 488$833
de mencionar com grande reconhecimento as muitas aten-
§ 6º-Com os pensionistas, inclusive 1:000$000 réis ao
ções e deUcadezas de que foi rodeado o representante da
pensionista Francisco Peixoto Franco de Sá, 700$000 ao
Província do Maranhão pela ilustrada Comissão Diretora e
pensionista Fábio Hostílio de Moraes Rego e 700$000 ao
sobretudo pelo seu muito digno presidente o Exmo. Sr.
estudante de medicina Manoel Jerônimo Guedes Alconfo-
conselheiro José Ildefonso de Souza Ramos.
rado Júnior.. ...... .5:200$000
Exmo. Sr. - Sentindo que as minhas habilitações não
permitissem que eu fizesse tanto quanto podia fazer um (...)Capítulo UI:
outro filho mais distinto da minha Província, resta-me a
consolação de ter cumprido o meu dever com boa vontade § 19 - Com o auxílio ao pensionista de pintura Horácio
e a consciência descansada. Tribuzi, que se acha cm Paris ......... 300$000 (...). (Publica-
Aproveito a ocasião para renovar a V. Exa. os protes- dor Maranhense, 22/7/1867, p. 1).
tos de minha estima e consideração.
Deus guarde a V. Exa. - li mo. e Exmo. Sr. Dr. Antônio GOVERNO DA PROVÍNCIA
Alves de Souza Carvalho, D. presidente do Maranhão. Expediente do dia 2417/1867
Paraíba, 23 de janeiro de 1867 Ofícios :
Joaquim Maria Serra Sobrinho
(Publicador Mara11hense, 27/2/1867, p. 2). Ao Exmo. Sr. presidente de Pernambuco. - Constando
que na Alfândega dessa cidade existe uma caixa marca
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL ATC 1800, remetida por E. Pousin & Cia., de Bordeaux,
Sessão do dia 17 de junho de 1867 contendo diversos quadros oferecidos à Assembléia Le-
gislativa desta Província por Horácio Tribuzi, que se acha
Expediente na Europa como pensionista estudando pintura, tenho
dado as providências necessárias para que seja despa-
(...)Foi lido um ofício de Domingos Tribuzi, comuni- chada a dita caixa.
cando que seu filho Horácio Tribuzi oferecera a esta As- E podendo acontecer que se venham a danificar os
sembléia quatro retratos dos ilustres maranhenses Gon- quadros se for aí aberta a caixa que os contém, rogo a V.
çalves Dias, Odorico Mendes, João Francisco Lisboa e Exa. que se sirva de expedir suas ordens, para que seja ela
Joaquim Gomes de Souza: - a arquivar. remetida fechada à Alfândega desta Província.(...)

<2./Q) 90 <2./Q)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

(Idem) Ao inspetor do Tesouro Público Provincial. -Exis- Foi portador de notícias importantes sobre o teatro da
tindo em Pernambuco uma caixa remetida de Roma pelo pen- guerra.
sionista desta Província Horácio Tribuzi, com diversos qua- AJérn das que se contêm no suplemento que hoje dis-
dros por ele oferecidos à Assembléia Provincial, como consta tribuímos, encontrarão os leitores outras mais minuciosas
da carta junta, que devolverá, nesta data me dirijo ao Ex mo. na correspondência de Buenos Aires para o Jornal do
presidente daquela Província, pedindo-lhe que faça remeter Comércio, a qual hoje transcrevemos. (Publicador Ma-
para a Alf"andega desta cidade, sem que seja ela ali aberta, ra11he11se, 14/911867, p. 2).
para não sofrerem avarias os mesmos quadros.
E porque tenham os negociantes daquela praça Scha- OFERTA À ASSEMBLÉIA PROVINCIAL
pheitlin & Cia. feito algumas despesas com a mesma caixa,
mande Vrnc. indenizá-los da respectiva importância, com Chegaram no vapor Cruzeiro do Sul e foram entre-
exclusão dos direitos que serão aqui pagos. (Publicador gues na repartição da Alfândega por ordem da Presidên-
Mara11he11se, 3/8/1867, p. 1). cia ao Sr. primeiro secretário da Assembléia Legislativa
Provincial os quadros que de Roma oferecera à mesma
ARTISTA ESPERANÇOSO Assembléia o Sr. Horácio Tribuzi, contendo os retratos
tirados a óleo dos distintos maranhenses Manoel Odori-
Com este título lê-se no Comércio do Porto o seguinte co Mendes, João Francisco Lisboa, Antônio Gonçalves
artigo que com satisfação hoje transcrevemos, por tratar Dias e Dr. Joaquim Gomes de Souza.
ele de um jovem maranhense de tanta esperança para as Esta oferta do Sr. Horácio Tribuzi é não só uma prova
artes, entre nós como que abandonadas: de gratidão para com a Província, como de apreço à memó-
O Sr. Joaquim Ferreira Barbosa, natural do ria desses seus comprovincianos, de reconhecida ilustra-
ção e mérito.
Maranhão, escultor em madeira. rrabalhando debaixo
Para garantir a perfeição do trabalho, cremos que basta
da direção do Sr. Zeferino José Pinto, mestre emalhador
citar o nome de seu autor. (Publicador Mara11hense, 16/9/
das obras da Associação Comercial, acaba de concluir
1867, p. 2).
um trabalho que, sendo destinado a mostrar a seus pa-
rentes o seu aproveitamento, prova que efetivamente tem
SECRETARIA DO GOVERNO
cultivado com grande va11tagem, debaixo da direção
Expediente do dia 14/9/1867
daquele hábil artista, a vocação que revela para a escul-
tura em madeira.
Ao Dr. Felipe Franco de Sá, primeiro secretário da As-
Consiste o trabalho de que falamos 11um vaso de mog-
sembléia Legislativa Provincial. - Dcordern de S. Exa. o Sr.
110 coroado de 11111 ramo de flores de diversas espécies,
presidente da Província, declaro a V. Sa., em resposta ao
forma11do o todo uma só peça. Folhagem, pétalas, ftla-
ofício que V. Sa. se serviu dirigir-me cm data de 23 de julho
me11tos e botões. tudo se acha tão delicadamente traba-
último, sob o nº 28, que já se acha na Alfândega urna caixa,
lhado que à primeira vista nüo parecem de madeira, mas
vinda de Pernambuco no vapor Cruzeiro do Sul, com a
de outra qualquer matéria mais tratável.
marca ATC nº l .800, contendo os quadros oferecidos à
Examinando mi11uciosamente, descobrir-se-á numa 011
Assembléia Legislativa Provincial por Horácio Tribuzi, que
noutra parte indício de pouca firmeza de mão, porém o
se acha como pensionista estudando pintura na Europa.
conjunto é não só de agradável desenho. mas de execu-
(Publicador Maranhense, 18/9/ 1867, p. 1).
ção bastante esmerada e prova, como dissemos, que o
jovem escultor possui uma esperançosa vocação, vanta-
GOVERNO DA PROVÍNCIA
josamente desenvolvida pela prática q11e está exercendo
Expediente do dia 16/9/1867
com o hábil artista Sr. Zeferino.
-As pessoa.' que quiserem admirar este delicado tra-
Ao inspetor da Alfândega.- Tendo vindo de Pernam-
balho podem dirigir-se à oficina do Sr. Salvador Romero, buco no vapor Cruzeiro do Sul uma caixa com a marca
que se deixa possuir de sumo prazer, sempre que vê bem ATC nº 1800. rem~tida por E. Pousio & Companhia, de
recebidas as obras de entalhação de seu digno protegido. Bordeaux, com diversos quadros oferecidos por Horácio
(Publicador Maranhense, 6/811867, p. 3). Tribuzi à Assembléia Legislativa Provincial, mande Vmc.
despachá-la e entregá-la a Domingos Tribuz1 encarregado
GOVERNO DA PROVÍNCIA de recebê-la. (P11blicador Mara11hense, l 91911867, p. l ).
Expediente do dia 16/8/1867
GOVERNO DA PROVÍNCIA
Ao inspetor da Tesouraria de Fazenda. - Comunico a Expediente do dia 21/9/1867
V. Sa., para seu conhecimento, que o alferes Luiz Gaspar
Tribuzi apresentou-se hoje a esta Presidência, vindo da Ao Ex mo. Sr. presidente da Província de Pernambuco. -
Corte, para onde tinha marchado fazendo parte de um co11- Em resposta ao ofício de V. Exa. de 2 do corrente, tenho a
tingente de guardas nacionais destinado ao serviço de dizer-lhe que a caixa contendo diversos quadros oferecidos
guerra. (...) (Publicador Maranhense, 2 1/8/1867, p. 1). à Assembléia Legislativa desta Província por Horácio Tri-
buzi, que está na Europa como pensionista estudando pin-
CRUZEIRO DO SUL tura, não veio no vapor Cruzeiro do Sul, como me participa
V. Exa., pelo que espero ~e servirá de expedir as convenien-
Hoje pela manhã entrou no nosso porto o paquete Cm- tes ordens, para que seja ela remetida na primeira oportuni-
zeiro do Sul, procedente do Rio e portos de escalas. dade. (... )-(Publicador Mara11he11se, 261911867, p. l ).
LUIZ DE MELLO

GOVERNO DA PROVÍNCIA '"Recehi a bordo do paquete Cruzeiro do Sul uma caixa


Expediente do dia 25/1011867 ATC, nº 1800, para ser entregue ao Ex mo. Sr. presidente da
Província do Maranhão. - Augusto César Layné - piloto.
O presidente da Província, atendendo ao que lhe re- - Pernambuco, 9 de setembro de 1867.
presentou o alferes porta-bandeira do Batalhão nº 1 da "Notado à fl. 2 do Manifesto 777.
Reserva da Guarda Nacional do município da capital Do- "Alfândega, 9 de setembro de 1867 (assinado)
mingos Tribuzi, que fo i julgado incapaz de todo o serviço Silva Pereira - o ajudante do inspetor
da mesma Guarda Nacional pela junta de saúde que o ins- Conforme (assinado) Faustino José dos Santos" (Pu-
pecionou, resolve, de conformidade com o art. 69 da Lei blicador Maranhe11se, 16111/1867, p. 2).
602, de 19 de setembro de l 850, conceder-lhe a reforma no
mesmo posto de alferes. (...) (Publicador Maranhense, LEMBRANÇA
31/ 10/1867,p. l).
Como seja esperado amanhã o Cruzeiro do Sul, acha-
GOVERNO DA PROVÍNCIA mos de suma conveniência que se verifique o extravio da
Despachos do dia 25/10/1867 caixa nº 1800, marca ATC, com os quadros remetidos pelo
Sr. Horácio Tribuzi à Assembléia da Província. Está verifi-
Foram despachadas as pelições de: cado que a Alfândega de Pernambuco o remeteu à Presi-
(...)Domingos Tribuzi (alferes)- Passe-se. dência no dia 9 de setembro, e que aqui não foi o caixote
O mesmo- Lavre-se portaria, reformando o suplicante entregue, nem por engano no Pará, segundo somos infor-
em vista das razões alegadas e dos documentos juntos. mados.
( ... )(Publicador Maranhense, 31110/1867, p. 1). Cumpre, pois, desvencilhar esta questão, antes de o
Cruzeiro partir para o Pará.
GOVERNO DA PROVÍNCIA Não são bagatelas que se deixem cair em esquecimen-
Desp achos do dia 28/10/1867 to. (Publicador Maranhense, 13/1211 867, p. 3).

Foram despachadas as petições de: (...) GOVERNO DA PROVÍNCIA


Domingos Tribuzi. -Ao Tesouro Provincial para fazer Expediente do dia 14/12/1867
o pagamento requerido. (Publicador Maranliense, 4/11/
1867, p. 1). Ao comandante do vapor Cruzeiro do Sul. - Repre-
sentando o primeiro secretário da Assembléia Legislativa
OS QUADROS DE HORÁCIO TRIBUZI Provincial sobre o fato de não ter sido por Vmc. entregue
nesta capital nem por engano na da Província do Pará uma
Lê-se n'O Paiz de hoje: "Os retratos dos quatro ilus- caixa com a marca ATC, sob nº 1800, embarcada pela Alfân-
tres maranhenses Gonçalves Dias, Odorico Mendes, Go- dega de Pernambuco a bordo do vapor do seu comando,
mes de Souza e João Lisboa, que o distinto pintor Horácio em 9 de setembro último, convém que Vmc. in forme o que
Tribuzi oferecera à nossa Assembléia Legislativa Provin- ocorreu sobre o assunto. (Publicador Mara11!tense, 19/
cial, e que estavam na Alfândega de Pernambuco, segui- 12/1867,p. 1).
ram dali no Cruzeiro do Sul, a 9 de setembro, como se vê
das cópias dos documentos infra-transcritos, e no entan- GOVERNO DA PROVÍNCIA
to não foram entregues aqui! Expediente do dia 16/12/1867
Pedimos, pois, a S. Exa. o Sr. presidente da Província
que dê providências a tim de que se verifique se porventu- Ao agente da Companhia Brasileira de Paquetes a Vapor.
ra foram desembarcados no Pará, ou onde foram, para que - Tendo-me o comandante do vapor Cruzeiro do Sul presta-
sejam restituídos à Província, e ao mesmo tempo deplora- do a informação constante do ofício junto por cópia, relativa-
mos que haja tanto descuido e pouco zelo em alguns co- mente a um caixão que com a marca ATC, sob nº 1800, foi
mandantes de vapores que, se fossem punidos por esta e embarcado no dito vapor na Alfândega de Pernambuco, com
outras fa lhas, talvez não se dessem elas com freqüência. destino a esta cidade, e que entretanto não foi aqui entregue
nem tampouco no Pará por engano, cumpre que Vme. à vista
"À Tesouraria de Fazenda, respondendo já ter sido do dito ofício diJigencie descobrir onde pára o dito caixão.
remetida para o Maranhão a caixa com quadros da Europa (Publicador Maran!tense, 20/ l 2/l 867, p. 1).
para a Assembléia Legislativa daquela Província.
"Em cumprimento da recomendação contida na porta- GOVERNO DA PROVÍNCIA
ria dessa Tesouraria, de ontem datada, tenho a dizer a V. Expediente do dia 19/12/1 867
Sa. que já seguiu para o seu destino a caixa de que ela
trata, acompanhada por ofício desta Alfâ ndega de 6 do AoExmo. Sr. presidente da Província de Pernambuco. -
corrente, dirigido à do Maranhão. Remetendo a V. Exa., nas cópias juntas, os ofícios que me
"Do recibo junto verá V. Sa. que a referida caixa foi dirigiram o agente da Companhia Brasileira de Paquetes a
recebida pelo piloto do paquete nacional Cruzeiro do Sul, Vapor e o comandante do vapor Cruzeiro do Sul, rogo a V.
que saiu daqui no dia 9 do corrente. Exa. que se sirva de me informar acerca do que tiver aí ocor-
"limo. Sr. inspetor da Tesouraria de Fazenda (assinado) rido relativamente ao embarque de um caixão com a marca
Antônio Eulálio Montei ro" ATC nº 1800, contendo diversos quadros oferecidos à As-
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

sembléia Legislativa Provincial por Horácio Tribuzi, visto Na sala do Sr. Amâncio· estão expostos a Lucrécia e
não haver aqui noúcia do dito caixão, não obstante ter V. Tarqutnio, cópia do quadro de Guido Cagnacci; o retrato
Exa. expedido as ordens requisitadas por esta Presidência, de Rafael, cópia de um outro pintado pelo próprio mestre
confom1e participou cm seu ofício de 2 de setembro do cor- no primeiro período de sua vida artística em que tinha ain-
rente ano. (Publicador Maranhense, 24/12/1867, p. l). da muito vivas as lembranças do modo de pintar de Peru-
gino; o retrato do papa Pio IX, original, e algumas paisa-
OS QUADROS DE HORÁCIO TRIBUZI gens originais também.
O grande quadro da Lucrécia é o que mais tem atraído a
Depois de todas as diligências empregadas para odes- atenção. Bem que Guido Cagnacci não esteja ao nível dos
cobrimento dos retratos a óleo dos maranhenses Odorico grandes mestres da pintura italiana, todavia este seu qua-
Mendes, Gonçalves Dias, Gomes de Souza e João Lisboa, dro é de muito merecimento pelo vigor da figura de Tarquí-
remetidos de Paris pelo Sr. Horácio Tribuzi, foram eles en- nio. Sente-se na cópia muita beleza do que se deve encon-
viados do Ceará, em cuja Alfândega se achavam, ao Sr. trar no quadro original; há brilho no colorido, vida nas for-
Domingos Tribuzi, pelo vapor Camocim. (Publicador Ma- mas e correção no desenho. A lubricidade violenta de Sexto
ranhense, 1511/1868, p. 2). como que se lhe encarna no sombrio da cabeça, no desgre-
1thado dos cabelos, no frouxo aperto dos lábios, na curva-
GOVERNO DA PROVÍNCIA tura voraz do corpo sobre a fraca mu lher, que em vão resis-
Expediente do dia 22/111868 tir-lhe procura, na expressão belamente nua das mãos, uma
das quais maneja perpendicularmente o ferro infame, e a
Ao presidente da Província de Pernambuco. - Acu- outra estreita com uma cena expressão convulsa o braço
sando o recebimento do ofício que V. Exa. se serviu dirigir- recurvado da vítima, fraca demais para poder conseguir o
me em data de 4 do corrente, cabe-me declarar a V. Exa. que triunfo do pudor ofendido. A nosso ver a ligura de Sexto é
a caixa marca ATC, nº 1800. remetida de Paris por Horácio superior já no desenho, já no colorido à de Lucrécia, que,
Tribuzi, no paquete francês Esrremadure, com destino a entretanto, surpreende o e pírito do observador no belo da
esta Província, já aqui chegou, tendo procedido a demora cabeça alourada, que como se esmaga no travesseiro, na
de haverem-na desembarcado na Província do Ceará, de elevação do seio de rosa, na perfeição do esforço da mão
onde foi agora enviada. (Publicador Mara11he11se, 25111 que se espalma no corpo do :igrcssor, na que lhe aperta o
1868.p. 1). braço já como que sem bastante resistência, no ondulado
do ventre e na encarnação arredondada das pernas.
OS QUADROS DO SR. HORÁCIO TRIBUZI Sem analisar o rigor histórico do quadro, que não o
tem, porque, além do vestuário anacrônico, pôs Cagnacci
O Sr. Horácio Tribuzi, nosso comprovinciano e pensio- à porta do quano de dormir de Lucrécia uma figura de
nista da Província na Europa, onde cultiva o belo talento guarda, que observa a cena, diremos que a tela atrai gran-
artístico de que é tão felizmente dotado, remeteu ultimamen- demente a atenção do observador e o leva a reconhecer o
re alguns quadros que são frutos do seu traball10 e progres- merecimento da concepção e ela execução. Pode-se talvez
sos no ano passado. Alguns destes quadros acham-se ex- notar a excessiva palidez das duas figuras, a qual parece
postos na sala de tn1balho do Sr. Amâncio, ourives na Rua resultado do rigor da cópia, por ser o original antigo e
Grande, e ali têm sido vistos por grande número de pessoas. achar-se naturalmente alterado pelo tempo no colorido.
O jovem Tribuzi, durante os três ou quatro anos de sua fato este que já se observa no lugar onde a cena se passa.
estada na Europa, tem remetido para esta cidade traballios A acreditar no pintor, havia ali dentro muita luz solar para
seus em número de poderem já formar uma agradável gale- dar o realce, que dá, aos vultos que formam o quadro.
ria. Entre os de que já temos conhecimento contam-se A O retrato de Rafael é delicadamente belo; aquela fisio-
Justiça, grande quadro, cópia de Rafael, e que está coloca- nomia de moça bonita. os cabelos que num frouxo torcido
do no salão do Júri; o Comerc:io, grande quadro original. lhe pendem sobre as espáduas e o dorso; o ... ino deste,
que se acha posto na Casa da Praça; os retratos de Canova. que se entrevê na descida da capa e nos intervalos das
Miguel Ângelo, Rubens e Galileu, que pertencem à coleção madeixa ; a serenidade risonha do olhar, o arredondado
do Dr. Marques Rodrigues; algumas outras telas de meno- defeituoso do queixo, o retraído também defeituoso da
boca, tudo ali se vê sob a expressão infantil do grande
res proporções e consideradas estudos, que se acbam em
mestre, que naquele tempo unia 3 mocidade da vida a inde-
poder de vários amadores; os retratos de Gonçalves Dias,
cisão do modo de pintar.
Odorico Mendes, Gomes de Souza e João Lisboa, que vie-
O retrato do Papa Pio IX revela a grande aptidão do
ram para a Assembléia Legislativa Provincial; Lucrécia e
jovem Tribuzi para este gênero de trabalho; o desenho é
Tarqutnio e o retrato de Rafael, que vêm aumentar a coleção
correto e a vida senil do chefe da Cristandade ali está na
do Dr. Marques Rodrigues; o retrato de S. Santidade o Papa
tela a comprovar o talento do retratista. O retrato de S.
Pio IX, oferecido ao nosso prelado diocesano, e algumas
Santidade ganha mais cm ser visto de peito que de longe;
paisagens, entre as quais das que vimos sobressai a que
à maior distância nota-se-lhe na fisionomia um esbranqui-
representa uma cena da Campina de Roma. çado de jaspe que não é natural, mas que desaparece com
Esta enumeração, que talvez esteja incompleta, faz por a aproximação do observador. A que seja isto devido, não
si só prova bastante da aplicação do jovem Tribuzi, e os
quadros comprovam o juízo que todos aqui formam do
belo talento do esperançoso pintor. • Amâncio da Pai xão Ccarcmc. pai do poeta Catulo.

~ 93 ~
LUIZ DE MELLO

o sabemos; talvez que o hábito de copiar quadros antigos de réis para pagamento do débito que contraiu e pelas
tenha levado o jovem Sr. Tribuzi a palidejar instintivamen- despesas extraordinárias que fez com seus estudos na
te os seus trabalhos. No vestuário o colorido, se não é tão Europa, uma vez que se prove ser real o dito débito.
brilhante como o de Tarquínio, é rico e profundo. Um fato Art. 2º - Ficam revogadas as disposições em contrário.
digno de observação é o luxo de vida e de verdade que o Manoel Justino Maya
Sr. Tribuzí exibe na expressão do olhar dos seus retratos. Carlos Jansen Pereira
Das paisagens que vimos, só uma nos atraiu a aten- Antônio da Costa Araújo
ção, e é a que representa a Campina de Roma, se bem que (PublicadorMaranhense, 9/6/1868, p. 1).
no quadro não se encontre o morno e triste da cena em
toda a sua nudez. Há, porém, alguma coisa disto, e uma ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
certa beleza na figura severa e exageradamente atenta do Sessão de 5 de junho de 1868
camponês, que enche a tela, sobressaindo pelo colorido
vivo de pequenas proporções. Se não nos enganamos, o Presidência do Exmo. Sr. Padre Guimarães
talento de Horácio Tribuzi não é de paisagista; na pintura Expediente
histórica é que este nosso esperançoso comprovinciano
há de encontrar a sua trípode de grande trabalhador. ( ...)Foi lido um parecer da Comissão de Petições auto-
E como se ache ele agora na França, desejamos que o rizando o presidente da Província a conceder ao estudante
seu espírito o leve a querer conquistar as palmas que ln- Horácio Tribuzi a quantia de três contos de réis para paga-
gres, Horácio, Vemet e Meissoniuer têm ganho, enrique- mento do débito que contraiu pelas despesas extraordiná-
cendo a galeria não muito vasta da pintura francesa. Se as rias que fez com seus estudos na Europa. - A imprimir.
coincidências dão lugar a um voto, desejamos que o Sr. (Publicador Maranhense, 17/6/1868, p. 1).
Tribuzi, que é Horácio como o célebre autor da Tomada de
Smala, se laureie de modo tão distinto e obtenha igual ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
reputação à daquele pintor contemporâneo. Sessão do dia 22dejunho de 1868
Flávio Reimar' Presidência do Exmo. Sr. Padre Guimarães
(Publicador Maranliense, 9/2/1868, p. 2).
EXPEDIENTE
CÓPIA DO PASSAPORTE DO PINTOR Ordem do Dia:
FRANC~S DESIRÉ TRUBERT
( ...) - Entra em 3º discussão o projeto que concede ao
Fl. 92v- pensionista da Província a quantia de 3 contos de réis para
Nº 250 - O Dr. chefe de policia do Maranhão Mathias pagamento das despesas extraordinárias que fez com seus
Antônio da Fonseca Morato concede passaporte a Desiré estudos na Europa.
Trubert, cidadão francês, natural da França, solteiro, artis- O Sr. Segismundo: -A Província está em uma situação
ta, idade 22 anos, estatura 57 e 7 (?) polegadas, cabelos deplorável quanto a finanças, e esta situação torna-se mais
castanhos, olhos azuis, nariz afilado, boca regular, barba grave.
pouca, cor branca, para a França, com escala em Pernam- O Sr. Justino Maya: - Desnecessário é falar mais nela.
buco, no vapor Paraná. Anunciou sua saída na forma da O Sr. Segismundo: - Pois eu acho muito necessário
lei. -Assinatura do passaporte- D. Trubert. - Válido por para justificar a emenda que vou apresentar.
dois meses. Secretaria de Policia do Maranhão, 16 de maio O Sr. Lago: - Para quê? Não se quer economia!
de 1868. Mathias Antônio da Fonseca Morato. O Sr. Segismundo: - Sou o primeiro a reconhecer os
(Livro de Registros de Passaportes - julho a setembro merecimentos do peticionário, que submeteu à considera-
de 1866-1869. Acervo do Arquivo Público do Estado do ção desta Assembléia o requerimento que deu origem ao
Maranhão). projeto em discussão.
Se eu fosse levado unicamente pelo merecimento des-
ASSEMBLÉIA PROVINCIAL se peticionário, não duvidaria um só momento em conce-
der o que ele pede; mas é um favor propriamente dito o que
A Comissão de Petições tendo examinado a matéria da esse peticionário requer a esta Assembléia; e um favor a
petição que a esta Assembléia foi presente pelo professor quem já nos mereceu um grande favor é o que vamos con-
Domingos Tribuzi, na qual solicita se consigne a quantia de ceder se, porventura, atendermos à sua pretensão.
3 contos de réis para pagamento das despesas extraordiná-
O pensionista Horácio Tribuzi já é auxiliado pelos co-
rias que tem feito seu filho Horácio Tribuzi com os estudos
fres da Província com um conto e quatrocentos mil réis
de desenho e pintura na Europa, e considerando que é de
anualmente. Esta quantia não é uma quantia avultada ern
justiça o que alega o suplicante, é de parecer que se vote a
relação ao total das rendas públicas, mas é uma quantia
dita quantia que será aplicada ao fim indicado, e por isso
avultada para o resultado que tiraremos da sua aplicação,
oferece à consideração da Casa o seguinte projeto:
e é uma quantia suficiente para prover as necessidades de
Art. l º - Fica o Governo da Província autorizado a con-
um estudante na Europa.
ceder ao estudante Horácio Tribuzi a quantia de 3 contos
Não querendo, todavia, colocar o Sr. Horácio Tribuzi
em condições difíceis, eu achei um meio de harmonizar os
• Pseudônimo do poeta Gentil Homem de Almeida Braga. interesses da Província com os do peticionário.
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

A pintura é uma arte muito rendosa, isto é incontestável; veis da capacidade do pensionista Horácio Tribuzi estão
sem grande dificuldade o Sr. Horácio Tribuzí em breve tempo por toda a parte - na sala cm que se reúne o Tribunal do
se habilitará a pagar à Província a quantia de que hoje precisa. Júri, na ante-sala desta Assembléia, e por assim dizer no
Se são verdades estas e incontestáveis, não vejo motivo al- espírito de todos.
gum para que rejeiteis a emenda que passo a ler. (lê). O Sr. Segismundo: - Como artista, concordo.
Julgo bastante modificada a minha emenda. O Sr. Moraes Rego: - E do que mais se está tratando?
- É lida, apoiada, e entra cm discussão a seguinte emenda: Pois a um artista como esse é que o nobre deputado se
"Ao art. 1º: Depois dns palavras - 3:000$000 - diga-se: lembra de impor o ônus que nunca sobrecarregou a outro
por empréstimo que pagará em três prestações, sendo a 1ª pensionista da Província? É inqualificável!
no prazo de três anos a contar da data do recebimento; a 2ª Não há dúvida, Sr. presidente, que a pintura, especial-
no fim de quatro anos; e a 3ª no fim de cinco. - S. R. - mente na escala cm que Tribuli a exercerá ou exerce, é
Segismundo." muito rendosa, porém não c m São Luís, onde ele pretende
O Sr. Moraes Rego (Joüo da Marta) - Tenho quase residir brevemente cm proveito de nossa mocidade.
certeza de que alguns dos nobres deputados hão de falar E de resto, para que lançar-se pcias logo no começo da
depois de mim e sustentarão exuberante mente a proce- vida de um artista notável, quando esta Casa tem sido tão
dência do projeto em discussão, portanto eu me limitarei benigna para com tantos moços que têm estado fora da
em fazer simples considerações para demonstrar que con- Província, à custa de seus cofres?
quanto a emenda do nobre deputado, o Sr. Segismundo, É coisa inacreditável! Longe de animarmos as artes,
seja a expressão de sua boa fé ... teremos, a ser aprovada a emenda do nobre deputado, de
O Sr. Segismundo: - Muito obrigado. estabelecer, cruelmente, um embaraço ao pensionista, que
O Sr. Moraes Rego: - ... todavia não está no caso de estudando a fundo a matéria a que se comprometeu para
ser aprovada por esta respeitável Assembléia em face de conosco, tem dado a melhor conta de si, quer em relação
razões especiais que atuam no espírito da maioria da Casa ao aproveitamento e quer a respeito da gratidão que tem
que, certamente, não se há de tomar excêntrica e injusta consagrado à terra de seu nascimento.
tratando o pensionista da Província, por assim dizer, o pri- Assim considerando, como já o declarei, a emenda do
meiro que... nobre deputado um testemunho de sua boa fé, de seu
O Sr. Segismundo: - Temos, também, outros muito dis- espírito investigador, e la certamente está de acordo com
tintos. os seus sentimentos econômicos, porém...
O Sr. Moraes Rego: - Não contesto, porém, mais dis- O Sr. Segismundo: -Se cu não apresentasse a cmend~
tinto do que esse, a fé que não temos. teria sido incoerente.
O Sr. Justino Maya: -Apoiado. O Sr. Moraes Rego: - É justamente o que estou confes-
O Sr. Moraes Rego: - Direi, Sr. presidente, sem o menor sando, e confessando faço o panegírico dessa coerência;
receio de ser contrariado, que Horácio Tribuzi faz honra à todavia acho inaceitável a emenda pelas valiosas razões
sua terra, faz honra ao Maranhão e faz honra a todo o que já expus.
lmpério. Acresce, Sr. presidente, que a dívida pecuniária con-
Talvez não seja e le o único brasileiro apontado na França traída por Domingos Tribuzi para educar e aperfeiçoar o
como artista superior. espírito de tão distinto filho está provadissima, não só
Quando cm Paris alguém é assim qualificado, já se pode pela exposição de sua bem elaborada petição, base do pro-
ufanar de ser muita coisa para si e para o seu país. jeto, corno pela ciência plena do fato ou sua notoriedade.
Quem aí se distingue pelo primeiro artista de uma na- O peticionário vive sobrecarregado de grande familia,
ção, é porque esse indivíduo tem verdadeiro mérito; é por- e os seus rendimentos sao pequenos para acudir a tanto
que exibiu uma prova cloqücnússima d~ seu aproveita- empenho.
mento no estudo a que se entregou. Alguns Srs. deputados: - Apoiado.
Alguns Srs. deputados: - Apoiado. O Sr. Moraes Rego: -(Depois de examinar uns papéis)
O Sr. Moraes Rego: - Portanto, é extraordinário que a - Eu não prestei muita atenção a este ponto da petição,
Assembléia Provincial do Maranhão não tendo até o pre- mas creio que existe aqui, entre outros documentos. um
sente estabelecido contra nenhum de seus pensionistas firmado por certo negociante que, por assim <lizer. te m be-
uma condição tão onerosa como essa consignada na emen- neficiado mais o distinto artista maranhen e Jo que a pró-
da do nobre deputado, a lance agora a respeito de Horácio pria Assembléia que o mandou estudar em Paris...
Tribuzi! O Sr. Justino Maya: - Ao menos este negociante é
Que bela recompensa ao reconhecido merecimento do quem tem adiantado o dinheiro precioso.
jovem artista que longe da Pátria está sendo louvado! O Sr. Moraes Rego: - E não é pouco.
O Sr. Segismundo: - Não digo que venha a pagar a Conseqüentemente limitando-me a estas breves pala-
subvenção de l :400$000 réis anuais que tem rido da Pro:, vras ou reflex ões, não posso entretanto deixar de manifes-
víncia, mas sim a quantia de 3 :000$ réis de despesas extra- tar que sinto profundamente não poder acompanhar o no-
ordinárias que fez. bre deputado dando o meu voto à emenda que ofereço.
O Sr. Moraes Rego: - Pois quando Horácio Tribuzi Acho que o projeto não exprime outra coisa além do
tem, pelo seu pincel, engrandecido a Província ... pagamento de uma dívida sagrada contraída pela Provín-
O Sr. Segismundo: - Nunca é bom exagerar-se. cia para com o artista mara!1hcnsc Horácio Tribuzi, que tão
O Sr. Moraes Rego: - Exagerar? Quem, eu? Onde está a bom nome tem sabido manter e tão subida reputação ad-
exageração? Os documentos comprobatórios e irrefutá- quirir na majestosa capital ela civilizada Europa.

~ 95
LUIZ DE MELLO

Alguns Srs. deputados: - Muito bem. Quando o comércio de braços abertos recebe o artista
O Sr. Jansen Matos: - Vou fazer algumas observações Horácio Tribuzi, que temos educado, permitam-me a pe-
a favor do projeto, e creio que por isto não serei tachado quena digressão, dá-lhe um& prova de não pequena consi-
de incoerente. deração, será justo que nós, os que mais se têm empenha-
Não me esqueço de que a economia é necessária, po- do pelo seu progresso e desenvolvimento, sejamos os úni-
rém sei também que ela deve ser bem entendida, porque do cos, depois de alguns sacrifícios, a não atender a uma
contrário havíamos de organizar uma receita que teria de justa reclamação que faz?
ficar sem aplicação, por falta de despesas. Por certo que não...
O Sr. Segismundo: -(Dá um aparte) O Sr. Moraes Rego: -Apoiado.
O Sr. Jansen Matos: - O meu nobre colega, que acaba O Sr. Jansen Matos: - ... e por certo que não, porque
de honrar-me com um aparte, opina que o projeto em dis- seria isto falta ainda mais com a atenção devida ao mérito,
c ussão não deve ser aprovado pela maneira por que será negar o nosso apoio a um compromisso que contraímos.
concebido, e por isso oferece à consideração da Casa uma A emenda do meu nobre colega, o Sr. Dr. Segismundo,
emenda que o vai alterar, lembrando que deve ser conside- é bem inconveniente, e, se a suc inta exposição que lenho
rada como empréstimo a quantia de 3:000$000 rs. que o feito não é bastante para que autorize sua rejeição, eu lem-
mesmo projeto concede ao pensionista Horácio Tribuzi. bro à Casa mais o seguinte: a pintura é uma arte importan-
Acho, Sr. Presidente, que esta emenda não deve ser te, ninguém o nega; porém que lucros pode dar e la na
apoiada visto como envolve uma injustiça palpitante. Província do Maranhão?
Nenhum de nós desconhece que o pensionista H. Tri- Bem poucos.
buzi foi a expensas da Província estudar pintura e desenho E se assim é, admitida a emenda a que me refiro, o que
em Roma, e que tendo dado provas de sua capacidade e sucederá?
vocação, concluídos ali os seus estudos, esta Assembléia, É que o pensionista Horácio Tribuzi, o nerado desde o
não quero saber se com razão ou sem ela, determinou ao princípio de sua carreira com uma dívida de 3:000$000 rs.,
mesmo pensionista que seguisse para Paris, a fim de me- está longe de procurar a terra natal, há de dirigir-se para
outras panes onde melhores conveniências possa obter.
lhor aperfeiçoar-se naquelas artes.
E isto será consentâneo? Estará de acordo com as nos-
E com efeito assim o fez; mas tendo Horácio Tribuzi
sas intenções?
chegado a Paris no tempo da Exposição Universal, e so-
Decerto que não, porque o nosso fim foi educann os
frendo consideravelmente diminuição no seu subsídio pela
um artista para possuí-lo, foi prepararmos um mestre para
baixa do câmbio, fez algumas despesas que excederam ao
ser útil à nossa terra. (Apoiados) .
valor de suas posses, porém despesas de que não podia
Acho, pois, por mais este motivo que o projeto deve
prescindir sem grave detrimento.
passar, e se quando votamos verbas para auxiliar o estudo
Principiou, pois, Horácio Tribuzi a reclamar de seu pai
de alguns na Faculdade de Direito, na de Medicina, em
algumas remessas de dinhe iro, com que pudesse fazer face
Teologia, fora do País, tendo nós grande número de ba-
aos seus gastos. O Sr. Domingos Tribuzi, homem pobre, charéis e de médicos e seminários apropriados, não temos
porém extremamente desvelado pe la educação desse fi- o menor receio de prejudicar as rendas provinc iais ...
lho, as suas mais justas esperanças (apoiados) vendo que O Sr. Padre Carvalho: - Peço a palavra.
não devia desampará-lo e confiando na proteção desta O Sr. Jansen Matos: - ... creio que agora não deve ele
Assemblé ia, sob cuja guarda está colocado o seu fururo, existir, quando tratamos de proteger um artista de tanto
resolveu-se a contrair nesta capital alguns débitos que, merecimento como é o pensionista Horácio Tribuzi, que
evidentemente provados, tocam a quantia de 3:000$000 rs. tem sabido compensar os nossos sacrifícios.
Nestas circunstâncias, Sr. presidente, pergunto eu, será Atenda, lembro novamente, a Casa que este moço se-
de justiça que se aceite a emenda a que me refiro, ou antes, guiu para Paris, onde contraiu débitos, cujo pagamento
o projeto sem a menor alteração? hoje reclama porque assim determinamos, e que não nos é
Prefiro a segunda parte. O pensionista Horácio Tribu- airoso negar o pagamento de uma dívida que autorizamos.
zi, se seguiu para Paris, depois de concluídos em Roma os O Sr. Rfüeiro da Cunha: - E que a Província tem o dever
seus estudos, se ali se viu obrigado a fazer despesas extra- de pagar.
ordinárias, foi porque esta Assembléia isto autorizou, e O Sr. Jansen Matos: - Sem dúvida. São estes os moti-
assim, Sr. presidente, não pode ele ser responsável, como vos que me levaram a votar a favor do projeto e a votar
o será se aceita a emenda do meu nobre colega o Sr. Dr. contra a emenda também cm discussão.
Segismundo, pelo pagamento dessas despesas, compre- (Continua)
endida a viagem que fez. Suponho que o contrário será (Publicador Maranhe11se, 8nll 868, p. 3).
uma perfeita falta de eqüidade.
Depois, em que prejudica o aumentar-se a nossa des- ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL
pesa com mais uma verba equivalente àquela quantia, quan- Sessão do dia 22 de junho de 1868
do é certo que para o futuro, e não está longe, os serviços Presidência do Exmo. Sr. Padre Guimarães
do pensionista Horácio Tribuzi hão de ser para a Província
de grande utilidade? (Continuação)
Em nada absolutamente. O Sr. Segismundo: - Principiarei por agradecer ao no-
E se assim é, Sr. Presidente, creio por mais esta razão bre deputado que me sucedeu a maneira por que se mos-
que não devemos ter escrúpulos em aceitar o projeto como trou convencido de que só a minha consciência me levara
esrá concebido, rejeitando a emenda. a apresentar a emenda cm discussão.

<V(!) 96 <V(!)
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

Um dos argumentos do nobre deputado, que falou em Senhores, antes de sermos agradecidos ao Sr. Horácio
2º lugar, foi o seguinte: a Província é mãe e como tal deve Tribuzi, ele devia ser grato à Província do Maranhão.
proteger a seus filhos. O Sr. Moraes Rego: - E o tem sido.
O Sr. Jansen Mattos: - Não foi isso o que eu disse. O Sr. Segismundo: - Quem o está contestando?
O Sr. Segismundo: - Disse-o em outros tennos, mas o O Sr. Jansen Mallos: - Logo, o argumento não serve.
pensamento foi este. O Sr. Segismundo: - Deixem-me dizer duas palavras
Não contesto que a Província deve proteção a seus mais, e depois contestem-me se o Sr. Horácio Tribuzi devia
filhos, penso mesmo que deve uma maior proteção aos ser grato à Província do Maranhão, para que esta lhe fosse
seus filhos d islintos ... depois, não vejo nem um motivo que nos leve simples-
O Sr. Jansen Mattos: - Isto, sim, admito. mente por gratidão a fazer aquilo para o que a Província
O Sr. Segismundo: - Mas, o que contesto é que a Pro- não tem forças.
víncia se deva sacrificar, ou sacrificar os outros filhos em A gratidão é uma virtude sublime; o ingrato merece
favor de um só. todo o desprezo da sociedade; por este lado, não posso
O Sr. Jansen Manos: - Isto é o que resta provar. deixar de tributar, desta tribuna, louvores ao Sr. Horácio
O Sr. Segismundo: - A Província não vai despender Tribuzi, mas o Sr. Tribuzi não se devia sacrificar ainda para
toda a sua Receita com o Sr. Horácio Tribuzi; mas os cofres mostrar a sua gratidão. O Sr. Horácio Tribuzi, sem dispor de
da Província estão esgotados, e desde que lançamos mão muitos recursos, devia primeiramente habilitar-se para mais
da criação de impostos para satisfazer as necessidades da tarde mostrar essa sua gratidão cm muito maior escala; nada
Província; desde que ela tiver lançado mão, assim, da cria- com isso perderia e não seria obrigado a fazer as despesas
ção de impostos, e for despender uma quanúa com um que fez com os quadros que ofereceu à Província.
único filho, com o qual já despende bastante, ela sacrifica- Mas, desde que ele fez essas despesas extraordinárias
rá a todos os outros. para mostrar uma gratidão precoce, quando ainda suas
O nobre orador, que falou cm 3° lugar, disse que as forças não lhe pcnnitiam que a mostrasse, cu penso que
economias devem ser bem entendidas, isto é uma verdade, não procedeu muito e m regra.
entende que não se deve poupar quando a despesa traz Viesse o Sr. Horácio Tribuzi primeiramente para a Pro-
um resultado. É isto o que significa o que disse o nobre víncia do Maranhão perfeitamente habilitado, tendo-se es-
deputado em outros termos. forçado por poupar a sua mãe (a Província do Maran11ão),
O Sr. Segismundo: - Mas eu não quero que e deixe de de qualquer sacrifíc io, por isso que foi muito generosa
concorrer para esse resultado que deseja o nobre deputa- com e le; e depois de habilitado pagasse essa generosida-
do; pe lo contrário, a minha e menda manifesta uma inten- de, mostrasse, então, o seu coração agradecido. Quando
ção inteiramente oposta a esse seu pensamento. Eu pro- lhe mandou esses quadros. c m que falaste, era ainda muüo
pus que se entregasse como empréstimo ao Sr. Horácio cedo para fazê-lo.
Tribuzi a quantia de que precisava; mas que não se desse, O comércio retri buiu a oferta que lhe fez o Sr. Horácio
porque a Província não tem para dar; e la necessita de pe- Tribuzi de um quadro para colocá-lo na sua praça.
dir, e quando se pede não é ocasião de dar. Senhores, o comérc io nada tinha fe ito ao pensionista
O Sr. Jansen Mattos: - Nem sempre é assim. Horácio Tribuzi; um comerc iante isolado tem-lhe feito ulti-
O Sr. Segismundo: - O nobre deputado, que falou em mamente concessões, favores mesmo, e desde o momento
3º lugar, ainda argumentou deste modo: a Assembléia man- em que se mostra dedicação a uma corporação, essa cor-
dou que o Sr. Horácio Tribuzi fosse à França aperfeiçoar- poração poderosa como é no caso presente a comercial.
se, logo deve satisfazer as suas despeSdS cm Paris. deve mostrar-se reconhec ida.
Eu não quisera dizer à Casa que as disposições desse O argumento, portanto, du 1econhecimento do corpo
~ênero, decretadas pela Assembléia, nunca são filhas de do comércio não tem nenhuma paridade com o da Assem-
iniciativas desta Casa. bléia Provincial.
O Sr. Ribeiro da Cunha: - Sim, mas o pensionista não O Sr. Janscn Matlos: - E ninguém estabeleceu paridade.
tem nada com isso. O Sr. Segismundo: - Não estabeleceu-se paridade en-
O Sr. Segismundo: - V. Exa., porém, me permitirá que tre o comércio e a Província, mas e tabeleceu-se paridade
faça uma reflexão: estou convencido de que a Assembléia entre a gr:nidão que deve o comércio ao Sr. Horácio Tribu-
só mandou o Sr. Horácio Tribuzi à França por pedido dele zi, e a gratidão que deve existir da nossa parte.
ou de representante seu. O Sr. Janscn Mattos: - 1àmbém não.
V. Exa. e a Casa sabem que a Itália é o país Rei da O Sr. Segismundo: - Isto é o que contesto.
Pintura, e que portanto não é prec iso ir um estudante da Ainda disse o nobre deputado que quando se mandam
Itália à França para aperfeiçoar-se em semelhante arte. formar bacharéis até c m Teologia, quando se mandam mo-
O Sr. Moraes Rego: - É o gênio italiano que foi aperfei- ços fom1arem-se e m Direito e cm Medic ina, não se deve
çoar-se na França. deixar de conco1Ter para que se instruam artistas da ordem
O Sr. Jansen Mattos: - Neste ponto vai mal o nobre dó Sr. Horácio Tribuzi.
orador. Senhores, se eu chegar a convencer-me de que um só
O Sr. Segismundo: - O nobre deputado, a quem me dos pensionistas da Província não merece um apoio tão
refi ro, sustentou ainda a sua argumentação dizendo que o solene corno o que ela tem prestado, desde já afirmo que
Sr. Horácio Tribuzi tem feito oferecimentos importantes à retirarei imediatamente o meu voto para que não se conti-
Província de obras que têm concorrido para a sua educa- nue a dar-lhe esse mesmo apoio. Mas se são igualmente
ção, servindo-se disto para mostrar que devemos estar distintos esses moços que têm um auxílio pecuniário da
agradecidos a ele, e que por isso o devemos auxiliar. Província, e que estudam nessas academias ...
LUIZ DE MELLO

O Sr. Padre Carvalho: - Do que muilo precisamos. ar-se em seus estudos. Ele não procurou por si mesmo a
O Sr. Segismundo: - ... não vejo motivo para que se escola francesa.
negue a uns o que se entende dever dar a outro. A pintura é O Sr. Segismundo: - Nunca ouvi dizer que os pintores
uma arte admirável, mas as Ciências Médicas e as Ciências italianos fossem à França aperfeiçoar-se.
Teológicas são incontestavelmente muito mais proveitosas. O Sr. Padre Carvalho: - Propriamente dito não foi aper-
O Sr. Padre Carvalho: - Mas temos tanta gente no Bra- feiçoar-se, mas sim dedicar-se a um gênero especial.
sil que se dedica às Ciências Sociais e Jurídicas, bem como O Sr. Horácio Tribuzi pediu para estudar pintura nas
à medicina! galerias do Louvre; e, com efeito, foi estudar pintura especi-
O Sr. Segismundo: - O nobre deputado que me acaba al e arquitetura, ramo este que não tinha estudado em Roma.
de interromper, ainda há pouco disse que temos mais ne- Portanto, se a Casa o mandou à França, autorizou-o a
cessidade de artistas do que de bacharéis em Direito, dou- fazer essas despesas, e como hoje dizer não se pague? É
tores em Medicina e doutores em Teologia. isto um absurdo completo.
O Sr. Padre Carvalho: - Eu não disse que temos mais Que o estudo da pintura é uma necessidade, e necessi-
necessidade de artistas do que de teólogos. dade para a Província do Maranhão, não há dúvida. O
O Sr. Moraes Rego: -É uma verdade. V Exa. não deter- nobre deputado não chame pintores a esses borradores
minou isso. de casas ou de portas. (risadas)
O Sr. Segismundo: - Eu explicarei: tendo-se estabeleci- O Sr. Segismundo: - V. Exa. está gracejando.
do a comparação entre a necessidade de pintores e a ne- O Sr. Padre Carvalho: - Avanço esta proposição por-
cessidade de médicos, teólogos e bacharéis em Direito... que o nobre deputado disse que não havia necessidade
O Sr. Padre Carvalho: - Quando me provar que existem de pintura para o Maranhão.
academias no Brasil para ensinar Teologia, eu admitirei O Sr. Segismundo: - Não disse taJ.
que não há necessidade de mandar moços à Europa a fim O Sr. Padre Cru·valho: - Temos necessidade de pintura e
de estudarem essa ciência. arquitetura para os nossos estabelecimentos públicos, para
O Sr. Segismundo: - Não seria possível eu provar se- as nossas casas particulares. A arquitetura, já não digo no
melhante coisa; se eu tivesse tal pretensão mostrruia gran- Maranhão, mas mesmo no Brasil ainda está por ser.
de ignorância das coisas do nosso país. De mais, o Sr. Horácio Tribuzi não virá somente pintar
esses quadros, talvez venha montar uma escola de pintura
de um gênero novo, que nos seja de grande utilidade.
(Trocam-se diversos apartes).
O Sr. Segismundo: - Quando a Escola Agrícola não
teve discípulos, quanto mais a de pintura.
Desde que atendermos aos resultados benéficos que
O Sr. Moraes Rego: - Não tem a menor paridade seme-
tem o País colhido dessa brilhante fa lange que anualmente
lhante comparação.
sai das nossas academias, desde que atendermos a que a
O Sr. Padre Carvalho: - Quanto a dizer o nobre deputa-
ilustração literária é a mais proveitosa...
do que nós temos anistas suficientes, eu observarei que
O Sr. Padre Carvalho: - Ninguém contestou isso.
assim não acontece, porque a classe de artistas no nosso
O Sr. Segismundo: - ... e desde que atendermos a que
país é muitíssimo menor do que a daqueles que se dedicam
artistas, daqueles que podem trazer-nos benefícios, nós às diversas ciências.
os temos, ainda que em pequeno número, a proposição do Um moço de mediana fortuna não se aplica às artes e
nobre deputado a quem respondo é um erro. ofícios, dedica-se a ser bacharel em Direito, a ser doutor
O Sr. Moraes Rego: - Daqueles? De quem se trata? em Medicina...
Não temos nenhum outro. O Sr. Segismundo: -E em Teologia?
O Sr. Segismundo: -Não sabe de quem se trata? Agora O Sr. Padre Carvalho: - Não senJ1or, felizmente somos
estou quase que dispensado de dizer mais coisa alguma; tirados da mediana classe para baixo, não somos tirados
apenas aventurarei uma proposição: a pintura é uma arte da classe dos magnatas. (risadas)
úti 1, mas a pintura na escala em que a exerce o Sr. Horácio Portanto, entendo que devemos auxiliar o artista de
Tribuzi não é ainda indispensável à Província do Maranhão. que se trata, e principalmente os artistas do Brasil. - Eu
Tenho concluído. darei o meu voto a todo artista brasileiro que aqui venha
O Sr. Padre Carvalho: -Se não fosse o modo por que o pedir meios para aperfeiçoar-se na Europa.
nobre deputado o Sr. primeiro secretário concluiu o seu O Sr. Segismundo: - Votando pela emenda, não nega o
discurso, eu não pediria a palavra, mesmo porque estou auxilio.
convencido da utilidade do projeto; e, em segundo lugar, O Sr. Padre Carvalho: - Nem me lembrava que havia
porque à vista da maneira por que falaram à Casa, o nobre emenda.
deputado Sr. Moraes Rego e o meu ilustre colega o Sr. O Sr. Segismundo: - Pois a discussão versa sobre ela.
primeiro secretário, estou certo de que levaram a convic- O Sr. Padre Carvalho: - Não senhor, lembrava-me so-
ção ao ânimo de todos os Srs. deputados, que é de justiça mente do projeto.
o projeto, não o podemos negar. O Sr. Jansen Mattos: (dá um aparte).
O Sr. Segismundo: - Principalmente quando se aumen- O Sr. Padre Carvalho: - Disse o nobre deputado que
tam os impostos! temos na nossa Província artífices suficientes e com a ins-
O Sr. Padre Carvalho: - Se não queríamos pagar a dívi- trução necessária! Realmente é admirável ouvir semelhan-
da contraída, não deveríamos dar causa a ela. Parece-me te proposição!
que estou lembrado de que nesta Casa se mandou o ano Como eu já disse, a maior parte dos artistas (se se po-
passado o Sr. Horácio Tribuzi à França, a fim de aperfeiço- dem chamar artistas) nem ao menos sabem ler; na sua mai-

~ 98
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

or parte ou são, ou foram escravos. Como é, pois, que um O Sr. Segismundo: - Eu digo que parece, e não pode-
indivíduo que nem ao menos sabe ler, se pode aperfeiçoar mos seguir o mesmo caminho porque cu quero urna coisa
na sua arte? Já se vê que não é isso possível. e V. Exa. queroutra.
Mas não foi este o motivo por que pedi a palavra, visto O Sr. Padre Carvalho: - Dou-lhe a liberdade de dizer
como estou convencido da utilidade do projeto e da justi- tudo quanto quiser.
ça do peticionário. O Sr. Segismundo: - Não preciso de licença sua.
Refiro-me agora ao nobre deputado o Sr. primeiro se- O Sr. Padre Carvalho: - Já vimos que para todas as
cretário: disse o meu nobre colega, na conclusão do seu classes da sociedade há academias que conferem um títu-
discurso - que não se devia negar a quantia de que se lo a quem as freqüenta; há um resul tado do trabalho, e
trata ao Sr. Horácio Tribuzi, porque ele era o pensionista dando-se nessa academia um pergaminho, ao fim de certo
que mais serviços tinha prestado à Província. tempo cada um dos indivíduos pode dizer - eu sou doutor,
Não nego isto. Disse mais o nobre deputado que quan- sou bacharel. etc.
do se dava dinheiro para diversos moços estudarem Direi- Vejamos se acontece o mesmo com os padres.
to, Medicina e Teologia, era admirável que não se desse a O Governo limitou-se, de 1854 para cá, a criar insignifi-
quantia reclamada ao peticionário que é artista. cantes seminários onde há um curso incompleto de huma-
Admira-me a paridade que o nobre deputado quer es- nidades, consistindo o ensino do seguinte: francês, latim,
tabelecer a comparação que faz entre os moços que estu- retórica e fil osofia. No Seminário desta Província todas as
dam Direito e Medicina com os de Teologia; e darei a razão. mais cadeiras são pagas à custa do próprio Seminário, au-
O Governo tem criado academias, e não menos de duas,
xiliado pela Província e com sacri fício do virtuoso bispo,
para o ensino das ciências sociais e jurídicas. Cada uma que em tão boa hora veio reger esta Diocese.
O Sr. Segismundo: - E para que mais, se temos o Liceu?
delas gasta perto de 100:000$ réis, para os jovens que as
frcqiientam estudarem Direito. O Sr. Padre Carvalho: - Hoje, diz o nobre deputado, há
tanta coisa! - entretanto amanhã vem dizer: - o clero ma-
O Sr. Segismundo: - Não apoiado.
ranhense é um clero estúpido, é um clero ignorante !
O Sr. Padre Carvalho: - Sabemos que as famílias abas-
(Trocam-se diversos apartes)
tadas do País mandam de ordinário os seus fi lhos estuda-
O Sr. Segismundo: - Custo muito a empregar essas
rem ciências sociais e j urídicas. Portanto é uma excentrici-
expressões; o nobre deputado formou um cavalo de bata-
dade, é uma verdadeira superfluidade dizer a um moço
lha tão grande e perdeu a calma porque eu disse que temos
pobre: - Tome dinheiro e vá estudar Direito na Academia
padres, entretanto cu o ouvi com toda a moderação quan-
de Pernambuco ou de São Paulo.
do fa lou a respeito dos bacharéis e dos doutores.
O Sr. Segismundo: -(dá um aparte).
O Sr. Padre Carvalho: - Vou Ih•;! provar que não há
O Sr. Padre Carvalho: - Eu não nego que esses moços
comarca que não tenha juiz de Direito, juiz municipal e o
P<>dem ser muito mais úteis ao País, mas o que acontece é
competente promotor; entretanto há muitas freguesias que
a necessidade de dar dinheiro a um moço pobre, a fim de
não têm párocos.
mandá-lo estudar Direito, porque as classes mais abasta-
Como eu ia dizendo, a maneira por que estão organizan-
das do País já se dedicam a este ramo.
do os nossos seminários, não é a maneira por que eles devi-
Já existem duas academias médicas freq"ientadas por
am estar; apenas há um insigne curso de Humanidades.
muitos alunos, com as quais gasta o Governo mais de
O que quero fazer sentir é que ao padre não há emula-
200:000$ réis.
ção de adquirir um título, não há por assim dizer um marco
Um Sr. deputado: - dá um aparte. miliário no fi m de seus trabalhos escolares.
O Sr. Padre Carvalho: - Pouco mais ou menos a despe- O Sr. Segismundo: - Então o título de padre não é bas-
sa anda por essa quantia, isto é, com ordenados de lentes, tante para excitar a emulação?
laboratórios, biblioteca, etc. etc. O Sr. Padre Carvalho: -Apelo para a Casa: ser padre é
Grande parte também de moços abastados estudam ou título? Padre já sou cu, entretanto não tenho um pergami-
dedicam-se a essa ciência. nho, nem o meu País me proporciona lugar onde o vá bus-
Ainda o Governo criou para outro ramo dos conheci- car, sem que seja preciso deixar a Pátria.
mentos humanos que vêm a ser a engenharia e as ciências O Sr. Segismundo: - O nobre deputado não acode ao
exatas, uma escola preparatória na Praia Vermelha, a Escola chamado de "padre"?
Militar, uma Escola Central e um curso da Arma de infantaria O Sr. Padre Carvalho: - Chame-me o que o nobre depu-
n~ ~io Grande do Sul, com o ftm especial de instruir os tado quiser, só assim posso responder aos seus apartes.
militares até o curso superior onde podem er doutorados. O Sr. Segismundo: - Pois eu lhe re~ponderia de outra
. Assim, pois, os que se dedicam às ciências sociais e forma.
Jurídicas, à medicina e às matemáticas, todos podem ter um O Sr. Padre Carvalho: - Portanto, criando-se academi-
grau, ou um pergaminho. as para todos os conhecimentos burnanos, não temos ne-
Ainda o Governo Central não se limitou a isso; criou nhuma para as Ciências Teológicas. O que sucede? Aque-
L~ma Academia de Belas-Artes, gasta com lentes uma quan- le que quer estudar a fund o, vai beber a ciência nas acade-
tia bem importante, de sorte que até os artistas têm uma mias estrangeiras.
academia. Agora vejamos o que se dá com os padres. É por isso que esta Casa mandou dois moços à Europa
O Sr. Segismundo: - Temos muitos seminários e pare- a fi m de form arem-se em cânones. Um desses moços é o
ce-me que temos muitos padres. padre Cunha, maranhense dist:!rno, que se não fosse o ato
O Sr. Padre Carvalho: - Isto é modo de argumentar? Eu desta Assembléia não teríamos Lido o prazer e orgulho de
venho por aqui e o nobre deputado vai por acolá! ver esse padre obter, cm virtude de seu talento e ilustra-

<Vé) 99 <Vé)
LUIZ DE MELLO

ção, uma das primeiras freguesias da capital do Império. Já O muito digno Sr. bispo do Pará tanto se tem convenci-
vê o nobre deputado a ulilidade dos estudos teológicos. do da necessidade de ilustrar o clero, que à custa da Mitra
O Sr. Segismundo: - Nunca a desconheci. tem mandado para a Europa mui toe; moços formarem-se em
O Sr. Padre Carvalho: - Temos ainda um outro moço, o Teologia.
Sr. Mourão, o qual tem aproveitado muito. O Sr. Marta Ferreira: - Lá está cm Toulousse um filho
O Sr. Segismundo: -Apoiado. desta Província estudando à custa ela Mitra ela Diocese do
O Sr. Padre Carvalho: - Se esses moços tivessem uma Pará.
academia no País, decerto não procurariam as academias O Sr. Segismundo: - Da Mitra do Pará?
estrangeiras. O Sr. Maua Ferreira: - Sim senhor, é um moço de Caro-
O Sr. Moraes Rego: - São Jerônimo nunca se deixou lina, Francisco Pinheiro de Queirós.
levar por essas vãs idéias. O Sr. Padre Carvalho: - No Seminário de Toulousse,
Bordeaux, Orleans, S. Sulpício (na França), Louvrain (na
Não se pode negar que o padre deve ser muito ilustra-
Bélgica), Seminário Americano, Colégio Romano, Acade-
do, e que se aprendendo minguadamente apenas latim,
mia de S. Apolinário (em Roma) existem muitos moços fi-
francês, retórica, filosofia e princípios de teologia moral
lhos do Pará que foram estudar à custa da Mitra, e parece-
em muito pequena escala, a educação do padre é incom-
me que também com o produto de uma subscrição promo-
pleta, porque não se pode jogar com a ciência teológica
vida entre os fiéis. De modo que cu não tenho medo de
sem saber o grego e o hebraico, para a boa e autêntica errar, se disser aos nobres deputados, que talvez seja mui-
interpretação dos livros santos, e os escritos dos primei- to breve, o clero do Pará é o mais ilustrado do Brasil.
ros padres da Igreja. Não se pode negar, em verdade, que o clero brasileiro,
Ensinam-se também os princípios de Teologia Dogmá- em geral, não tem a suficiente ilustração. E como se há de
tica, e também muito resumidamente do Direito Canônico, querer um clero honesto, filho da religião cristã, se ele não
História Sagrada, mas tudo isso sem um curso regular por- tem a verdadeira ciência? Como se há de querer um clero
que, como acabei de dizer, para saber Teologia Dogmática que proceda como os antigos padres da Igreja, como os
e Direito Canônico a fundo, é preciso saber o grego e o antigos religiosos que vieram para o Brasil, os quais se de-
hebraico, bem como outras ciências que àque las se lfgam. sapegavam de todos os prazeres mundanos, se ele não tem
Não se pode dizer, portanto, que semelhantes estudos essa intenção sól ida que o coloque acima das coisas terre-
sejam suficientes para dar ao padre a ciência verdadeira a nas; se os princípios bebidos nos nossos seminários não
fim de ser o sal da terra e a luz do mundo, na frase do são bastantes para os grandes fins que temos em vista?
Evangelho. Portanto, se esta Casa tem mandado dois ou três moços
Agora, esses moços que freqüentam esses seminári- estudarem Teologia na Europa, foi para ilustrarem o clero ma-
os, necessariamente precisariam de um título que os inci- ranhcnsc, necessidade esta que se tem reconhecido de há
tassem à emulação, e vejamos se o Governo diz: - pode-se muito. Assim, pois, a comparação entre os pensionistas da
dar um título ou um pergaminho. Província que estudam Direito e Medicina, com os poucos
Freqüenta um moço de 6 a 7 anos o Seminário; qual o que têm ido esrudarTeologia, de modo algum vem ao caso.,
título que se lhe dá, que diferença há entre o que estudou O Sr. Segismundo: - Eu não fiz tal comparação.
muito e o que nada aproveita? Nenhuma, porque ambos O Sr. Padre Carvalho: - Não me refiro ao nobre deputa-
do. Termino declarando que voto a favor do projeto e con-
dizem: - sou padre.
tra a emenda.
O Sr. Segismundo: - Dá um aparte.
(Falta um discurso do Sr. deputado Dr. Segismundo)
O Sr. Padre Carvalho: - O nobre deputado não gosta
O Sr. Jansen Matos fez mais algumas considerações
de seu título de bacharel formado em Direito?
sustentando o projeto em discussão e mostrando a incon-
O Sr. Segismundo: -Aprecio-o muito; mas a que vem
veniência da emenda. Ponderou por último que, tendo a
isto? Assembléia passada autorizado ao pensionista Horácio
O Sr. Padre Carvalho: - Gosta. E por quê? Porque o Tribuzi que fosse aperfeiçoar-se em seus estudos na Fran-
distingue dos leigos, porque dá uma presunção de ciên- ça, não devia hoje escusar-se ao pagamento das dívidas
cia, porque enfim é o resultado de afanosos trabalhos, de que por este motivo aquele pensionista contraiu. O con-
muitas vigílias e às vezes mesmo de bem dolorosos sacri- trário, disse o mesmo Sr. deputado, seria uma injustiça que
fícios, de tempo e dinheiro, porque nem todos somos fa- não devia nascer de uma Assembléia já por seus atos mui-
vorecidos dos bens da fortuna. to recomendada na opinião sensata.
Naquele tempo não havia academias pelo modo que - Não havendo mais quem pedisse a palavra, e não
hoje existem, mas S. Jerônimo foi doutor da Igreja porque estando presente número suficiente de deputados para se
estudou nesses antigos conventos, verdadeiros mananci- poder votar, o Sr. presidente declarou a discussão adiada,
ais da cíência. mandou proceder à chamada e marcou para a ordem do dia
O Sr. Moraes Rego: - Perdoe-me! Ele foi formado em seguinte. (Publicador Mara11hense, 1017/1868, p. 2).
uma academia?
O Sr. Padre Carvalho: - Foi formado em uma espécie de (DO) ORÇAMENTO PROVINCIAL PARA
academia, isto é, colegiado de sábios teólogos. O ANO FINANCEIRO DE 1869-1870:
O Sr. Moraes Rego: - Está bem.
O Sr. Padre Carvalho: - Temos S. Tomás e outros com o Despesa
título de doutores da Igreja, mas era pela ciência de que
dispunham e parece-me que obtinham tírulos em uma espé- ( ...) Art. 39: Fica o Governo da Província autorizado a
cie de colegiado, o que estava nesses tempos muito em uso. despender a quantia de 1:500$000 réis, inclusive viagens

~ 100 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

de ida, com o pensionista Francisco Peixoto Franco de Sá; tação de entusiasmo por parte do povo maranhense, e a ele
e de 3:000$000 réis, desde já, com o pensionista Horácio próprio se ainda existisse concederíamos todas as homena-
Tribuzi. ( ... )(Publicador Mara11he11se, 24n/l 868, p. 2). gens possíveis, porém, quanto a um seu descendente en-
tendemos que a distinção de ser conduzido no mesmo carro
FOLHETIM que representava o Gênio da Nação, foi um excesso de en-
O DIA 28 DE JULHO tusiasmo que podia se limitar unicamente ao cumprimento
dos diretores ao Sr. Bazola, pela maneira frenética porque já
Esta data memorável enriquece uma das páginas de havian1 feito; pois se fôssemos carregar em triunfo todos os
ouro do livro da História Maranhense. descendentes doe; heróis da Independência do Maranhão,
A liberdade de um povo é um fato tão importante no que como o Sr. Bazola são dignos de maior consideração,
mundo político, que o grande movimento das gerações estamos convencidos de que nem todos os carros do Sr.
que se sucedem jamais conseguirá riscar da memória o dia Porto chegariam para comportar semelhante carregamento.
em que ele se opera. É por isso que o dia 28 de Julho Assim continuou a passeata o seu giro até o teatro,
inflama sempre em nossos corações esse fogo alimentado onde se recolheu às 3 horas da madrugada, depois da su-
pela lembrança respeitável de nossos avós. bida de outro balão e do toque do Hino Nacional corres-
O entusiasmo, com que foi este ano solenizado este pondido com vivas demonstrações de entusiasmo.
grande dia, ofereceu-nos matéria para o presente folhetim; Às 5 horas da madrugada, os repiques dos sinos de
e conquanto estejam todos os festejos no domínio do pú- quase todas as igrejas e grande número de girândolas de
blico, julgamos conveniente apreciá-los com alguma mi- foguetes deram sinal de que iam principiar os festejos da
nuciosidade. Sociedade da Vitória.
À meia-noite de 27 do corrente uma salva de 21 tiros, A essa hora, o Largo dos Remédios começou a encher-
d~da no Largo de São João, despertou os habitantes desta se de um crescido número de senhoras, cavalheiros, cole-
cidade que aguardavam a passeata dos Patriotas Anôni- giais e de pessoas de todas as classes. As bandas de mú-
mos, que estava anunciada para essa hora. sica que estavam no largo, cm coretos próprios, tocavam
Com efeito, em seguida, uma girândola de foguetes, alternadamente.
acompanhada da ascensão de um balão, solto ao som do Teve lugar a celebração da missa anunciada, e depois a
Hino Nacional, anunciou em frente ao teatro que dali par- Exma. Sra. Henriqueta Aguiar recitou no largo, com toda a
tia o grupo entusiasta.
graça. cadência e entusiasmo possível, uma bela poesia.
Entre duas alas de archotes conduzidos especialmente
Em seguida o Sr. Davi Freire recitou outra poesia, e o
por pessoas conceituadas, empregados públicos, negoci-
Dr. Tolentino proferiu um discurso.
antes e alguns oficiais da Guarda Nacional, marchava um
A poesia assinada pelas iniciais J. f. de C. é de um
carro conduzindo um índio de pé, empunl1ando o estan-
estilo elevado e encerra belíssimos pensamentos, porém,
~arte brasileiro. Sobre os ombros de quatro maranhenses
com algumas ligeiras correções no gosto da metrificação
'ªuma grande coluna alegórica de 4 faces, em cujos trans-
parentes via-se o retrato de S. M. o Imperador e as legen- ficaria mais perfeita.
das de lndependêncic1 ou Morte! - Viva o Dia 28 de Julho O Sr. Davi é por excelência o homem dos regozijos popu-
de 1823! - Vivam os Heróis da Independência! - Viva a lares; ninguém promove, organiza e dirige estes negócios
Constituiçüo do Império!, e alguns versos análogos. corno ele, mas será bom que nunca mais se encatTegue da
Um grande número de cidadãos de todas as classes parte oratória, não só porque mesmo ... como porque é preci-
acompanhava este grupo, em cujos rostos se divisava o so não ser egoísta e deixar aJguma coisa para os outros.
entusiasmo e regozijo de que se achavam possuídos. Pode ter muito gosto para a música, mas não deve cantar!
O discurso do Dr. Tolentino fez furor! S. S. sabe coleci-
Assim percorriam quase todas as ruas da cidade. Al-
gumas casas estavam iluminadas de onde os moradores onar palavras bonitas, mas por isso mesmo que possui
atiravam flores sobre o povo, e ou~ras iam-se iluminando à grande provisão delas, é pouco escrnpuloso na maneira
proporção que pa savam. de empregá-las, além de qu.! alguns pontos do seu discur-
O Sr. Carlos Henriques da Rocha audou de sua janela so não vinham ao caso, e outros jamais haverá tempo em
ª passeata com os vivas ao dia 28 de Julho e à Indepen- que possam vir!
Às 4 horas da tarde marcada para a reunião dos convi-
d~ncia do Brasil, os quais foram retribuídos pelo povo ao
consul dos Estados Pontifícios e de todas as nações ami- dados, chegou S. Exa. Revdma. o Sr. bispo diocesano, e
gas do Brasil. infelizmente os senhores membros da Vitória jantaram tão
Ao passar pela casa do Sr. Bazola, que estava preparada tarde que$. Exa. não foi recebido senão por outros convi-
para uma bela iluminação, os diretores dirigiram-se àquele dados e alguns oficiais que já se achavam na igreja. E nem
senhor e foram cumprimentá-lo pelos relevantes serviços ao menos um repique nos sinoc;!
prestados por seu falecido pai à causa da Liberdade do .Mais tarde apresentou-se o Exmo. Sr. vice-presidente
Maranhão. O Sr. Bazola agradeceu e deu vivas análogos. da Província, e, então, !>im, repicou!
Em seguida foi pelos diretores convidado a tomar as- Depois de celebrado um solene Te Deum, partiu a pas-
sento no carro onde ia o Gênio do Brasil, o que ele aceitou. seata às 5 horas da tarde, com grande número de pessoas
Sem, todavia, fazermos uma censura aos senhores di- de todas as classes e as bandas de música militares.
retores por um ato de puro patriotismo, julgamos poder Na frente iam os membros da Sociedade Vitória, trajan-
fazer uma pequena observação a respeito. do roupa branca e chapéu de palha ornado de fitas de
Os serviços relevantes prestados pelo distjnto pai do cores nacionais. Reinava muito cnn1siasmo e satisfação.
Sr. Bazola sem dúvida que dão direito a uma justa manifes- Um grupo de bandeiras brasileiras ele todos os tamanhos,
LUIZ DE MELLO

gostos e feitios completava o séquito que marchava com a satisfação, e as nossas consciências tranqüilas por ter-
melhor ordem possível. mos pago o tributo anual de veneração devido à memória
Depois de percorrerem quase todas as ruas principais de nossos antepassados.
desta cidade, por onde foram mimoseados com flores que César Banezi
lhes atiravam das janelas, regressaram às 7 horas da noite (Publicador Maranhense, 30/7/l868, p. l).
ao Largo dos Remédios, que já então se achava brilhante-
mente iluminado ao gosto chinês. Todas as casas particu- (Do) Relatório de Manoel Jansen Peneira, ex-primeiro
lares pareciam animadas do mesmo entusiasmo, e o largo vice-presidente, apresentado ao Exmo. Sr. primeiro vice-
estava bastante concorrido. presidente desembargador Manoel Cerqueira Pinto, que
Depois de algumas peças de música, subiu aos ares tomou posse no dia l ºde agosto de 1868:
um bonito balão de cores. (...) No dia 29 de julho último recebi da Assembléia
Assim foram se passando as horas, enquanto o povo Provincial onze projetos de lei, que ainda não estão sanci-
passeava, gritava, conversava e analisava o que via. onados, sendo eles os seguintes:
Por nossa parte sofremos tantos encontrões e pisade- 1º - O que orça a Receita e Despesa ProvinciaL
las que, se não fossem compensadas por outros tantos 2º-0 que altera a Lei nº 519, que divide a freguesia de
sorrisos de algumas nossas conhecidas, não poderíamos Nossa Senhora da Conceição da cidade de Viana da de
suportar. São José de Penalva.
Às 10 horas um novo balão Já se foi pelos ares, e desta 3º - O que orça a Receita e Despesa da Santa Casa de
vez era enesgado. Misericórdia.
Estamos na época das nesgas, e não há remédio senão 4° - O que autoriza o Governo da Província a conceder
aturar tudo quanto for de forma enesgada ! ao estudante Horácio Tribuzi 3:000$000 rs. para pagamen-
A moda atual das senhoras é horrível, porém, encerra uma to do débito que contraiu em virtude das despesas extra-
medida econômica, o que parece um absurdo. No dia seguin- ordinárias que fez com seus estudos na Europa. ( ...)
te ao da festa, o Largo dos Remédios não únha uma só palma . ( ...) Deixei de sancionar estes projetos por ter sido, à
ou folhas; as caudas dos vestidos haviam conduzido tudo vista da minha exoneração, insuficiente o tempo que tive
para outros lugares, e bem assim a poeira, elevando-se em para examiná-los, e assim dar ou negar minha sanção.(...)
nuvens aos ares, foi depositar-se nas regiões dos coques, Manoel Jansen Ferreira
verdadeiros aparadores de tudo quanto é extravagante. (Publicador Maranhense, l 1/8/1868, p. 2).
Eis aqui, pois, uma moda que por trazer tão bons resulta-
dos à Limpeza das praças pode autorizar a extinção dos empre-
FESTEJOS
gos de fiscais da Câmara, o que já é uma boa economia.
Às 10:30 horas tivemos, não uma chuva de ouro, como
Em conseqüência da faustíssima notícia da tomada de
estava anunciado, porém, de água que não vinha no pro-
Humaitá, que nos foi trazida pelo vapor Guaporé, expedi-
grama. Foi então um alvoroço completo: uma cadeira caía,
do expressamente para esse fim, e que consta do suple-
um homem pisava a cauda enesgada de uma senhora; ou-
mento que ontem foi distribuído, fizeram-se nesta capital
tra senhora arrebentava o elástico de uma pulseira de con-
os mais entusiásticos festejos.
tas, a fita de um suivez noi prendia no botão da casaca de
Logo que eptrou o vapor embandeirado, S. Exa. o Sr.
um sujeito, e até mesmo o nosso chapéu-de-chuva enfiou
vice-presidente da Província foi a Palácio, de onde depois
uma das talas pelo coque adentro de uma senhora que o
de dar vivas à Nação Brasileira, os quais foram calorosa-
trazia bem no centro da cabeça, e agora vejam: puxa daqui,
mente correspondidos pela imensa multidão que se acha-
puxa dacolá, afinal, ao mesmo tempo que o nosso chapéu
va reunida no largo, saiu com ela em passeata percorrendo
quebrava uma das talas, caía a nossos pés uma grande
diversas ruas da cidade.
rodilha de pano preto, ficando a senhora descocada!
À tarde, a Sociedade dos Quarenta Lusos também saiu
Afinal a chuva não continuou e seguiu-se outro balão.
em passeata que terminou à noite, e logo em seguida outra
Quando o povo estava disposto para reti rar-se, eis que
passeata se organizou, que deu o seu giro pelas principais
rompe o fogo de vista e aparecem três bo1litos transparen-
ruas.
tes representando duas coroas nacionais e um caboclo
Em todas estas numerosas reuniões do povo reinou sem-
pisando uns destroços de guerra e empunhando a bandei-
pre a maior ordem e hannonia, transparecendo em todos os
ra brasileira.
semblantes o regozijo produzido por tão agradável notícia.
Estes quadros foram feitos pelo hábiJ e modesto mara-
As fortalezas salvaram às horas de costume.
nhense João Manoel da Cunha Júnior, a quem felicitamos
S. Exa. mandou fechar todas as repartições públicas
pela perfeição e feliz imaginação de seu quadro da Liber-
por três dias. O s estabelecimentos comerciais também se
dade do Brasil.
Passado que foi um quarto de hora tivemos outra se- têm conservados fechados, e consta-nos que ainda se
gunda chuva, porém, desta vez era (diz que) de ouro, e estão preparando importantes festejos.
Jogo em seguida outra de tabocas de foguetes que foi de (Publicador Maranhense, 17/8/1868, p. 2).
todas três a que mais receio tivemos de nos causar alguma
constipação! SOCJEDADEDA VITÓRIA
Às 11 horas tocou a debandar, e assim finalizaram os
festejos do grande dia desta Província, deixando o cora- E sta sociedade que se tem distinguido pelo seu patrio-
ção de todos os maranhenses cheio de uma verdadeirn tismo e pelo brilho de suas festas em honra das glórias

<V<!) 102 <V<!)

J
CRONOLOGIA DAS ARTES PlÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

pátrias, saiu anteontem à tarde em passeata acompanhada RETRATO DE S.M. O IMPERADOR


de três bandas de música, do Corpo de Educandos Artífi-
ces, de um grande número de pessoas disti ntas e de imen- O Sr. Horácio Tribuzi, o pensionista da Província de
sa multidão. Além desse numeroso acompanhamento, con- quem tanto nos ocupamos na sessão da Assembléia Pro-
seguiu a Sociedade da Vitória que a ela se incorporassem vincial do ano passado, acaba de concluir um retrato de S.
muitas senhoras, as quais vestidas de branco, trazendo M. o Imperador, por ele oferecido à sala de sessões da
fa ixa auriverde e empunhando uma bandeira nacional per- mesma Assembléia.
correram em carros as mesmas ruas por que seguiu a pas- Este trabalho pode ser visto do dia 6 em diante em casa
seata, mostrando em seu entusiasmo que o amor à Pátria do Sr. Domingos Tribuzi.
não é um privilégio do sexo masculino. É mais do quanto o Sr. Horácio Tribuzi é grato à Provín-
Foi belo o espetáculo que ofereceram nessa ocasião as cia que o tem auxiliado cm seus estudos. (A Atualidade, 51
~ossas palrícias, tomando assim tão ativa pai1e no regozi- 6/1869,p.2).
JO de que todos estamos possuídos.
A passeata da Sociedade da Vitória foi uma das maio- (Do) Relatório lido pelo Exmo. Sr. Dr. José Silva Maya,
res e mais bem dirigidas que têm havido nesta cidade. (Pu - vice-presidente da Província, perante a Assembléia Legis-
blicador Maranhense, 19/8/1 868, p. 2). lativa ProvinciaJ por ocasião de sua instalação no dia 1º do
corrente:
PASSEATA DA GUARDA NACIONAL
INSTRUÇÃO PÚBLICA
Ontem à noite a Guarda Nacional da capital fez uma
grande passeata em nada inferior à da Sociedade da Vitória (...) Por não haver ainda assumido o exercício do ma-
de que acima tratamos. gistério na vi la de Imperatriz o professor Joaquim GonçaJ-
Nela também tomaram parte as senhoras, com a dife- ves Lima, ultimamente provido vitaliciamcntc na respecti-
rença apenas de que iam a pé. va cadeira, nomeei para regê-la interinamente o padre Do-
Três bandas de música, muitos foguetes, repetidos vi- mingos Elias da Costa Moracs. Para o de Carolina, por ter
vas, sempre calorosamente correspondidos, tudo deu a o professor João da Mata Ferreira de vir tomar assento na
essa passeata o mesmo entusiasmo da do anterior. Assembléia Legislativa Provincial, nomeei o cidadão Deo-
~louve também ontem à noite, no Quartel cio Campo ele cleciano Augusto Maranhão. Para o de desenho da Casa
0d unque, uma linda iluminação, na qual a boa disposição cios Educandos, por se achar no gozo de licença o profes-
sor Domingos Tribuzi, nomeei o cidadão Horácio Tribuzi.
dos ornatos ainda mais fez realçar o bom gosto e proprie-
adc com que foram escolhidos. (... )(Publicador Mara11he11se, 81611869, p. 1).
Tomou-se notável nessa iluminação um excelente re-
RETRATO DE S. M. O IMPERADOR
trato de S. M. o Imperador, oferecido à Guarda Nacional
Delo seu autor, o Sr. João Manoel da Cunha Júnior, e que
O Sr. Horácio Tribuzi acaba de oferecer à nossa Assem-
nos afirmaram ter sido pintado de 1 hora às 5 horas da
tarde· (Publº1cador Mara11he11se, 191811868, p. 2). bléia Legislativa Provincial um retrato a óleo de S. M. o
Imperador, de tamanho naturaJ, trabalho que, apesar de exe-
cutado em poucos dias, honra ao jovem e talentoso artista e
HORÁCIO TRIBUZI justifica mais a brilhante reputação de que ele goza.
Copiado de urna fotografia tirada há bem pouco tempo, o
. No vapor Jerome, que ontem entrou cm nosso porto, retrato é de uma extrema semelhança, e não só por esta cir-
VC10 O' ·
M insigne maranhensc Horácio Tribuzi. (Publicador cunstância como por sua perfeição pode ser considerado o
aranltense, 161211869, p. 2). melhor de todos os retratos do Imperador que aqui existem.
Fora para desejar que o Governo encomendasse ao Sr.
AVISO Tribuzi um retrato igual para a saJa do dosscl em PaJácio,
Ho , · na quaJ devendo estar uma efígie perfeita de S. Majestade
pi rac10 Tribuzi, tendo chegado da Europa, onde com- em conseqüência dos atos solenes do cortejo que aJi tem
b ctou os seus estudos de pintura, acha-se residindo na
~u ·1 d s
lugar, existe um mau retrato, imperfeitíssimo, e que pela
h • 0 · oi, casa 45, onde pode ser procurado a quaJquer grande dessemelhança que tem do original, lança o que
ora do dia pelas pessoas que quiserem utilizar-se dos quer que seja de ridículo sobre tão importante solenidade.
Se us se .
IOO$ e rviços. O anunciante tira retratos a óleo por 60~. Felicitando o Sr. Tribuzi por mais essa prova do seu
Çõe 150$, segundo as proporções dos mesmos. Dá li- merecimento artístico, não podemos deixar de louvar o sen-
12$s de de~enho e pintura em casas particulares à razão de timento de gratidão que com aquele ato ele manifesta para
e· l11cnsa1s; e de 1º de março em diante abrirá aula em sua com a corporação, a quem deve a cultura e aperfeiçoamen-
asa, onde 1 . . .. to que conseguiu dar a seu notável talento. (Publicador
ra ec1onará as mesmas matérias nas qu111tas-fe1-
< Se do111·1 . .
p ngos, mediante a paga de 7$ mensais. Mnran!tense, 13/6/1869, p. 2).
ret ropôe-se mais a pintar quadros para igrejas e salas e a
tudOcar os que estiverem deteriorados e finalmente a fazer O SR. HORÁCIO TRIBUZI
0
quanto for possível à sua arte.
ra ;aranhão, 23 de fevereiro de 1869. (Publicador Ma- Todo o Maranhão conhece o Sr. Horácio Tribuzi, como
11 ense, 24/2/1869, p. 3). pensionista da Província cm Roma, onde foi aprender a

<?./@ 103 <?./@


LUIZ DE MELLO

arte da pintura, mas infelizmente o ser pensionista da Pro- tada por Tarqufnio, copiado em Roma na Galeria de Guido
víncia não constitui por si só um mérito, porquanto de Cagnacci, ao natural, oferecido ao Dr. Marques Rodrigues;
todo o Brasil tem ido grande número de moços à Europa, retratos de Rafael, Miguel Ângelo, Rubens, Canova, Gali-
para estudar a expensas do Estado, e têm regressado igno- leu, também encomendados pelo Dr. Marques Rodrigues,
rantes como foram, e de mais, fofos e ridículos. Repetidos em meio-busto, ao natural, copiados em Roma; O Verão e
exemplos disso têm feito considerar como para os auxílios O Estio , que se acham em casa do negociante João Luís da
dados a jovens que aliás podiam ser julgados esperanço- Silva; Diana saindo do banho, em ponto pequeno, que
sos para irem buscar na Europa as ciências e as artes. está em casa do autor; diversos grupos de anjos, uma
Quanto mais que em regra geral não são os esperançosos paisagem de Roma e outros pequenos trabalhos, como
a quem o patronato indigita para gozarem desse benefício. retratos já feitos nesta cidade, depois de seu regresso.
À volta desses escolhidos é que se pode saber se hou- Esta multidão de trabalhos, feitos em tão pouco tempo,
ve mérito na escolha. É o caso a respeito do Sr. Horácio denotam duas coisas: que o Sr. Horácio Tribuzi é um man-
Tribuzi: resta saber, pelos seus trabalhos artísticos, se nele cebo incansável e dedicado à sua arte; que está senhor do
foi bem empregada a proteção da Província. seu pincel, que é o mesmo que dizer: o gênio preside ao
Ao ver os primeiros quadros com que nos seus pou- seu trabalho.
cos anos de tirocínio mimoseou a Província o Sr. Horácio Agora mesmo acaba ele de esboçar um quadro - O
Tribuzi, d ir-se-ia que em Roma a arte da pintura está redu- roubo de Amymone.
zida a um certo número de regras, mediante as quais todos O imenso relevo das fi guras, a perfeita horizontalidade
podem ser bons pintores, mas sabe-se que isso não é as- do mar, a encantadora animação das ondas, a vivacidade e
sim, a pintura foi incluída no número das artes liberais - vigor dos tritões que nadam levando às costas a prenda
porque depende, mais que de tudo, do talento da pessoa querida, fazem o devido elogio ao Sr. Horácio Tribuzi.
que a cultiva. Corno retratista, o Sr. Tribuzi é também insigne: veja-se
Os amadores da arte distinguem os produtos do gênio entre outros o retrato de seu venerando paj Sr. Domingos
que se manifesta por traços francos, exatos e engraçados, Tribuzi; além de perfeitamente semelhante, está delicarnente
onde a natureza parece ter movimento, e por um colorido acabado.
atrevido e misterioso que põe a adivinhar com que cores Acabamos de ver também o retrato do fa lecido Sr. Bes-
foi feito. Distinguem, dizemos, os primores do macio, e sa, no estado de cadáver. É vê-lo e reconhecê-lo imediata-
bem-acabado embora, mas obra morta, monótona pela re- mente, o que é bem difícil nesse gênero de retratos.
gu laridade das tintas e das cores que não arrebatam o Parece-nos ser tempo de criar no Maranhão uma aula
espírito. Estas, são susceptíveis de aprender-se por meio de pintura. Em todo o Brasil só há uma Academia de Belas-
de regras fi xas, por pouco talento que se tenha; mas aque- Artes, que não tem sido freqüentada pelos provincianos.
las não; a natureza e a inteligência do pintor têm nelas a A mocidade maranhense em geral tem aptidões para esta
melhor parte. Tais são os quadros que temos visto do Sr. arte, e pode-se quase garantir que cada discípulo dela será
Horácio Tribuzi: revelam a verdadeira vocação que para o um pretendente de menos aos empregos públicos. (O Ar-
futuro nos pode dar obras-primas de subido mérito. tista, 4nl1869, pp.1-2).
E o Sr. Horácio Tribuzi, posto à testa do ensino de sua
arte na sua Província, quantos talentos não fará desabro- FESTEJOS
char entre a nossa mocidade, que só espera ver para com-
preender e imitar! I-íoje às 5 horas da tarde haverá uma grande passeata
Entremos cm consideração de outra ordem, para mos- fei ta pelo corpo do comércio. Acompanham-na três ban-
trar que o Sr. Horácio Tribuzi tem sido cavalheiro com a das de música, e a ela vai incorporada a numerosa Socie-
Província, atenuando, o que não era obrigado a fazer, os dade dos Caixeiros. Reúne-se e dissolve-se na Praça do
sacrifícios que com ele foram feitos. Comércio.
Mais da metade do que recebeu tem ele retribuído es- Em um avulso que foi distribuído está o programa des-
pontaneamente. sa passeata, que promete ser digna do assunto que a pro-
Aí estão patentes aos olhos de todos três grandes voca, e da imponante corporação que a vai realizar.
quadros, que bem podem ser reputados em um conto de Segue-se amanhã a passeata feita pela patriótica Guarda
réis cada um: o da Justiça, ao natural, copiado em Roma no Nacional, a quem tão de peno toca o acontecimento que
Vaticano, de Rafael de Urbino, cuja cópia oferecida pelo Sr. nos enche de júbilo, porque para ele concorrerão em grande
Tribuzi à Província acha-se colocada na sala do júri; o parte os seus companheiros, tanto oficiais como praças.
Comércio, ao naturaJ, invenção sua, oferecida por ele e FiJialmente na segunda-feira a passeata da Sociedade
colocado na Casa da Praça; o retrato de S. M. o Imperador, Vinte e Oito de Julho.
colocado na sala das sessões da Assembléia Legislativa A Câmara Municipal manda celebrar amanhã às 4 ho-
Provincial. Além disso, quatro retratos estimados no valor ras da tarde na igreja Catedral, com toda a pompa, um sole-
de cem mil réis cada um, de quatro notabi lidades mara- ne Te Dewn em ação de graças pela feliz e gloriosa termina-
nhenses: Gonçalves Dias, Lisboa, Odorico Mendes e Go- ção da guerra. A mesma corporação faz também amanhã na
mes de Souza. Enfim o da Deposição da Cruz, no valor de frente do edifício do Paço Municipal uma grande ilumina-
quinhentos mil réis. copiado de Rafael em Roma, em aqua- ção que se repetirá nas noites de segunda e terça-feira.
rela, existente no Palácio Episcopal, e o retrato do Papa Pio Pelos quadros. que tivemos ocasião de ver, dos nos-
IX, no mesmo Palácio. sos mais distintos generais, pelos ornatos, colunas, etc.
Além destes trabalhos tem o Sr. Horácio Tribuzi muitos que têm de figurar na iluminação, conclu ímos que será ela
outros de encomendas particulares, como Lucrécia assai- grandiosa e do mais belo efeito.
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

A Câmara Municipal convidou a todos os seus municí- foram recebidos os discursos proferidos pelos Srs. Drs.
pes para acompanhá-la cm sua demonstração de regozijo, Almeida Oliveira, Coqueiro e Martiniano, os quais iremos
iluminando suas casas durante aqueles três dias. (Publi- publicando nos seguintes números.
cador Mara11/ie11se, 16/4/1870, p. 2). Pelo que toca a dedicação, ela se manifestou também
de modo inequívoco: queremos falar do oferecimento que
A ELE, DÉSPOTA DO MUNDO! fi zeram dos seus serviços os senhores Francisco Peixoto
Franco de Sá e Dr. Manoel Janscn Pereira, aquele para
Magalhães & Companhia vendem por pouco dinheiro reger a aula de desenho linear e aplicado às artes, e este a
um heróico quadro onde se acha, no centro, o valoroso de mecânica industrial. A Sociedade acolheu com vivo re-
soldado Chko Diabo atravessando com uma lança o mons- conhecimento estes oferecimentos, e decidiu que se con-
tro mais bárbaro dos tempos modemos- Solano Lopez. (O signasse na ata da instalação um voto de louvor a esses
Monitor, 21/4/ 1870, p. 2). dois distintos sócios, voto que a imprensa não podia dei-
xar de consignar também.
TRABALHOS DE CABELOS Assim, pois, a idéia que a Sociedade Onze de Agosto
pretende levar a efeito é simpfüica ao nosso povo, e de
. Vimos novos trabalhos de cabelos do Sr. Ory filho , que reconhecida utilidade para ele; muito, porém, vai do modo
ainda mais provam a sua habilidade. de realizá-la. É preciso not:tr de mais que esse mesmo povo
São quatro quadros de gostos diferentes, mas todos que acolhe as boas idéias com pronta benevolência se
perfeitamente bem-acabados. (0 Paiz, 12/5/1870, p. 2). acha como que descrente das empresas que se tem queri-
do realizar entre nós em vista do seu nenhum resultado.
ASSEMBLÉIA PROVINCIAL Compenetrem-se, porém, os sócios desta grande ver-
Sessão do dia 7 de julho de 1870 dade, e é que tudo começa pequeno para crescer, verdade
que se observa com freqüência na natureza, e que aquelas
(...) Petição de Domingos Tribuzi pedindo à Assembléia, empresas não têm querido reconhecer.
por empréstimo, a quantia de três contos de réis para paga- Suponhamos que a Sociedade Onze de Agosto é uma
mento de despesas feitaS com seu filho Horácio Tribuzi, linda menina que acaba de nascer; sobrecarregá-la de enfei-
quando esteve estudando pintura em Roma. - À Comissão tes quando a gcntilc1a consiste na harmonia e boa disposi-
de Petições. (Publicador Maranhense, 1217/2870, p. 2). ção das formas; arroxear-lhe os pulsos com pesados brace-
letes; fazer pender-lhe do delicado pescoço um colar em
ASSEMBLÉIA PROVINCIAL feição de dourada, e dos tenro~ dedinhos grossos anéis, é
Sessão de 8 de julho por ce1to querer sufocá-la debaixo desses ricos adornos, e
Expediente: antes que os membros adquiram a força precisa para sus-
tentá-los. Assim começar com ostcntaçJo esta Sociedade é
Um requerimento de Domingos Tribuzi, em que pede a matá-la antes de produzir os bcnélicos resultados que dela
q~antia de três contos de réis, como compensação das
se espera; é dm·-lhc iguarias assaz pesadas para o estômago
*~eren.ças de cfünbios das moradas de seu fr~ho Horácio que por ora só pode suportar ligeiros alimentos.
nbuz1, que fora estudar pintura em Roma. - A Comissão Somos de opinião que a Sociedade Onze de Agosto
de pe t"1çoes.
- (Publicador Maranlzense, l 3n/1870, p. J).
deve ter principalmente cm vista cortar todas as despesas
desnecessárias e dispensáveis; não receie que se fine à
TRABALHO EM GESSO míngua de alimentos, não. Podem, é verdade, ser estes
parcos, mas de boa qualidade; cuide-se de tomar as medi-
Recebemos um trabalho cm gesso feito pelo artista por- das que para o futuro podem dar grandes resultados. e
tugu_ês Antônio Basílio Monteiro. para os quais. sim, a parcimônia é condenável. Assim é
d E um medalhão oblongo de pequeno formato conten- que tendo de instituir-se cursos noturnos e sendo de gran-
o em relevo as fi guras do Rei D. Luiz de Portugal e sua
de e extraordinária importância os de química e física, que
esposa em corpo inteiro.
não podem ser feitos ~cm os competentes aparelhos, apli-
Não deixa de ter mérito artístico e revela habilitações
que-se todas as economias que se puder fazer em mandá-
{ue melhor se poderão manifestarem a sunto mais amplo. los buscar na Europa, e uma vez nesta capital, a primeira
Publicador Mara11he11se, 2 1/7/ 1870, p. 2).
talvez do Norte que os tenha de possuir, só por si darão
avultada importância ?\ nossa b~la instituição. (Publica-
MARANHÃO, 17 DE AGOSTO DE 1870
dor Mara11/ze11se, 17/8/1870, p. 3).
S ~nstalou-se anteontem, no salão da Escola Nonnal, a
GOVERNO DA PROvfNCIA
ociedade Onze de Agosto, o que não pôde ter lugar na- ·
Expediente do dia 21/9/1870
queJa data pelo moti vo anteriormente anunciado.
_ Concorreram ao ato cerca de cem pessoas sem distin-
O vice-presidente da Província, visto que o cidadão
Çao alguma de classe ou cor política e foloamos de o dizer,
tod . Horácio Tribuzi, candidato ao lugar de substituto da ca-
_ as bem-dispostas a abraçar com' entusiasmo
"' ·
e ded1ca-
deira de desenho do LiCl'U desta cidade, foi plenamente
Çao a idéia que, servindo de luminoso norte àquela socie-
aprovado no exame público por que passou, resolve no-
dade, e convenientemente desenvolvida, pode vir a ser
Para o povo maranhense um abundante manancial de meá-lo para o lugar de substituto da referida cadeira de
benef1c1os.
· Em entusiasmo se revelou pelo modo com que desenho. (Publicador Mnra11/ze11se, 61 1O/1 870, p. 1)
LUIZ DE MELLO

ASSEMBLÉIA PROVINCIAL xoto Franco de Sá é pedir ao público que compareça à


Sessão de 8 de julho de 1870 Casa da Câmara. (Publicador Maranhense, 5/1/1871, p. 2).

À Comissão de Petições GOVERNO DA PROVÍNCIA


Um requerimento de Domingos Tribuzi, solicitando a
quantia de 3:000$000 rs. por empréstimo, para pagamento Despachos - Dia 21 de janeiro
de despesas feitas com seu filho Horácio Tribuzi, quando
esteve estudando pintura em Roma, como pensionista da (...)D. Tribuzi- Prove o suplicante a sua incapacidade
Província. -À mesma Comissão. (Publicador Maranhen- por atestações passadas pelos Drs. Santos Jacinto, Cor-
se, 4/1111870, p. l). reia Leal e Hall. (Publicador Maranhense, 24/1/1871, p. 2).

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROVINCIAL CÂMARA MUNICIPAL


Sessão de 14 de julho de 1870 Sessão em 31/12/1870
Expediente:
Reunidos os Srs. vereadores: capitão Joaquim Ribeiro,
( ... )Um requerimento de Horácio Tribuzi peilindo que tenente-coronel Alves Júnior, alferes Davi Freire, Jorge de
se consigne fundos na Lei de Orçamento para pagamento Carvalho e AJ ves Monteiro, o Sr. presidente abre a sessão.
de seus ordenados como substituto da cadeira de dese- Lida a ata da sessão é aprovada.
nho do Liceu. - À Comissão de Petições.
(Publicador Maranhense, 26/1111870, p. 1). Expediente

(DO) Relatório apresentado pelo Ex mo. Sr. Dr. José da ( ...) Um ofício dos empregados da Câmara, oferecendo
Silva Maya, primeiro vice-presidente da Província, ao pas- à mesma o retrato do Exmo. Sr. Dr. José da Silva Maya, para
sar a administração da mesma ao Exmo. Sr. Dr. Augusto ser colocado na sua secretaria. - Foi aceito com especial
Olímpio Gomes de Castro. agrado, resolvendo a Câmara que fosse o retrato colocado
( ...) Para os lugares de substitutos das cadei.r as de filo- no lugar pedido.
sofia e desenho do Liceu foram nomeados, mediante con- A requerimento do Sr. vereador Davi Freire, é este ofí-
curso, o padre Raimundo AJves Fonseca e Horácio Tribu- cio transcrito na presente ata: - rJmos. Senhores. - Os
zi. (Publicador Maranhense, 611211870, p. 1). empregados da Câmara Municipal da capital do Maranhão
abaixo assinados, desejando dar uma prova do quanto são
JUSTA HOMENAGEM reconhecidos ao seu amigo o muito digno presidente desta
Câmara o Exmo. Sr. Dr. José da Silva Maya, vêm hoje ofere-
Em sinal de apreço aos longos e relevantes serviços cer à mesma Câmara o seu retrato para que seja ele colocado
prestados pelo Exmo. Sr. Dr. José da Silva Maya à Munici- na sua secretaria. Deus guarde a V. S.ª - São Luís do
palidade da Capital, resolveram os respectivos emprega- Maranhão, 3 1 de dezembro de l 870. - Ilmos. Srs. presidente
dos mandar tirar o seu retrato a óleo, a fim de ser colocado e mais vereadores da Câmara Municipal da capital do
na secretaria da Câmara, para cujo fun obtiveram na sessão Maranhão (assinados) - Afonso Henrique de AJbuquerque
de anteontem a necessária licença. e Mello, Antônio José da Silva Sá, José Joaquin1 Pereira,
Foi incumbido do trabalho o Sr. Francisco Peixoto Fran- AnLônio Joaquim Tnvares, Antônio Joaquim da Silva Rosa,
co de Sá, que o executou de modo satisfatório e revelador Pedro Alexandrino Marques de Figueiredo, Tibério César
do seu talento. de Lemos, Américo José de Souza, Antônio Gonçalves da
O Sr. Sá é uma vocação decidida para a pintura. Mais Cruz, Manoel João Correia Viann, Joaquim Mariano Mar-
ainda. - Dotado de inteligência não vulgar, e de uma von- ques, Augusto José Vidigal. Alexandrino de Sena Pereira,
tade fume, tem conseguido por si só e à força de incessan- Luiz Rai mundo de Azevedo, Arcelino Sérgio Nunes, Fran-
te aplicação e de estudo sobre trabalhos dos grandes mes- cisco de Assis Ribeiro do Amaral, Isidoro Gentil Rabelo,
tres, apurar o seu gosto artístico e educar o seu delicado José Cânilido Leão, Francisco Xavier de Carvalho e Silvério
pincel. Lopes Ferrerra. (Publicador Maranhense, 111211871, p. 1).
Apesar do muito que tem conseguido por si, como o
prova esse retrato, jamais perca de vista o Sr. Sá a conve- COLÉGIO DE SANTANA
niência de ir à Europa ver trabalhar os melhores artistas e
de trabalhar diante deles. No sábado próximo passado tiveram lugar os e:>..ames
Os senhores empregados da Câmara Municipal com o deste colégio que em tempo competente deixaram de ser
ato que praticaram deram um público testemunho de ele- feitos por moléstia da maior parte das meninas.
vada consideração que lhes merece o Exmo. Sr. Dr. Maya, Mais uma vez proporcionou-se-lhe ocasião de apresen-
e firmaram um documento bem significativo do mé1ito des- tar crescido número de meninas muito bem preparadas, e
te cidadão. Honrando-o, honraram-se com tão louvável outras, as quais fizeram exame de classes, muito adiantadas.
procedimento. (Publicador Maranhense, 2111187 1, p. 2). As examinandas em geral revelaram inteligência, apli-
cação, aproveitamento, ordem e método no estudo, segu-
O RETRATO DO EXMO. SR. DR. MAYA rança de respostas, certeza de pensamento, o que tudo
depõe, e muito, a favor daquelas dedicadas senhoras que
O melhor elogio que se pode tecer ao excelente traba- com tanta caridade, com zelo e trabalho o dirigem, prestan-
lho do delicado pincel do inteligente pintor Francisco Pei- do assim à Pátria relevante serviço, pois preparam meni-

<VQ) 106 <VQ)


CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 - 1930)

nas que um dia serão mães de família, e portanto as futuras co desta cidade. Pode ser procurado na Rua de Nazaré nº 14,
regeneradoras da sociedade maranhensc. das 6 às 9 horas da manhã e das 11 às 4 horas da tarde.
A experiência mostrou-lhes que as exposições anuais, Maranhão, 31 de maio de 187 l. (Publicador Mara11/ie11-
longe de trazerem só vantagens, acarretavam inconveni- se, 31 /5/1871, p. 2).
em~s, e por isso no presente ano não a fizeram, já porque
muitos pais das alunas não quiseram que suas filhas tra- VIAGEM DE FRANCISCO P. FRANCO DE SÁ
~:.hassem para elas, e já porque prejudicam o estudo tute- Passageiros saídos para Lisboa no vapor Bragt111ça
io, acarretam grandes despesas, e como que animavam Dia27:
as ·
_meninas só a estes trabalhos de bordados e lavores que
da? muito na vista, e que conquanto sejam úteis e agradá- Delfim da Silva Guimarães, sua senhora e 3 fi lhos, José
veis, não são dos mais necessários a uma mãe de família. Antônio Rodrigues de Moura, sua senhora e 1 filho, Fran-
Noutro lugar deste jornal vai a lista das examinandas. cisco de Sá Viana e 1 filho. Dr. João Francisco Corrêa Leal,
Ainda uma vez felicitamos as Exmas. Sras. Franco de Sá João Pedro Ribeiro, 1 filho e 1 criada, Manoel Gonçalves
e 1hes pedimos que não esmoreçam em sua árdua tarefa, e Fontes Júnior, Joaquim Ovídio Marques Viana, João da
que nessa gloriosa carreira continuem elas a colher novos Silva Araújo, José Maria de Macedo, Félix Parcor, Francis-
frutos que hão de sempre fazer lembrados os seus nomes e co Peixoto Franco de Sá, José Gomes da Silva Gaioso, João
dos
. se us ·incansáveis
· professores, especialmente o Sr. Fran- da Costa Rodrigues, Antônio Pereira Ramos d'Almeida,
ci~c~ Peixoto, que de dia para dia mais conquista a estima Luiz Antônio Monteiro.
pu~ltca já com o seu hábil e delicado pincel, e já ensinando (Publicador Maranhense, 28/611871, p. 3).
ad lmgua portuguesa e apresentando tao - belos resultados
e suas fadigas. (Publicador Maranhense, 1º/3/1871, p. 2). COLÉGIO DE SANTANA

DOMINGOS TRlB UZJ continua a ensinar desenho em Chamamos a atenção dos leitores e especialmente dos
~~a casa_nas quintas-feiras e domingos, das 7 às 9 horas pais de família para o anúncio publicado hoje neste jornal
manha. (Publicador Maranhense, 10/3/1871, p. 3). pelas dignas e zelosas diretoras daquele colégio.
A retirada do Sr. Francisco Peixoto Franco de Sá cau-
COLÉGIO DE SANTA TERESA sou em verdade sensível falta àquele estabelecimento.
Acabam porém suas infatigáveis diretoras de providenci-
d Neste colégio, outrora asilo, pretende o Sr. bispo man- ar de modo que o ensino não venha a sofrer com a ausên-
Mar colocar o retrato do Dr. Maya defronte do do Dr. Olímpio cia daquele talentoso maranhensc.
d ac_h~do, este como fundador, e aquele como promotor Pensamos que as reformas ultimamente introduzidas
as ultimas alterações que se fizeram neste estabelecimen- no colégio U1c vão ser de grande proveito, sendo urna
to. (Publicador Maranhense, 5/4/ 1871, p. 2). garantia disto a aptidão profissional dos novos professo-
res, Srs. Alexandre Rodrigues e padre Felon.
ESCRITÓRIO DE ENGENHARIA A medida de ser diária a aula de português é de mani-
JOSÉ GAUNE festa util idade e é por certo reclamada pelo ensino regular
Engenheiro civil e acurado da língua pátria. (Publicador Mara11he11se, 121
7/187 1,p. 2).
tru ~ncarrega-se de planos e estudo de quaisquer cons-
l Çoes e fábricas; encomendas de máquinas a vapor fixas COLÉGIO DE SANTANA
e ocomóvcis; engenhos de cana com os últimos aperfei- AOS SENHORES PAIS DE FAMÍLIA
çoamentos·
d · prensas portáleis
· para algodão; rnáqurnas
· para
ç esc_aroçar algodão; alambiques de moto-contínuo; po- Tendo-se retirado para a Europa o Sr. Francisco Peixo-
0~ 1 ~stantâneos; serrarias fixas e locomóveis e todas as to Franco de Sá, professor das aulas de gramática po11u-
maquinas para todas as artes e ofícios. guesa, geografia, língua francesa e desenho deste colé-
Encontrar-se-ão desenhos de todas estas máquinas gio, o substituímos durante o seu impedimento pelos se-
no seu escritório. guintes senhores professores:
Sr. Alexandre José Rodrigues, professor aposentado,
RUAOOSOL,36 na aula de 3º grau da português, que compreende análise
~ Maranhão, 30 de março de 1871 gramatical, elementos de geografia, de aritmética. de His-
( ub/icador Maranhense, 11141187 1, p. 3). tória Sagrada e do Brasil, redação de cartas fami liares, sis-
tema métrico decimal de J><!SOS e medidas e escrita ditada.
CASAMENTO Esta aula, que funciona três dias, na semana, passou a
funcionar diariamente por assim convir ao maior adianta-
S
easou-se hoJe. o Sr. João Manoel da Cunha com a Exma.. mento das alunas.
;ª· Belarn1ina Salustiana da Cunha. (Publicador Mara-
n tense, 13/5/1871, p. 2).
O Revdo. Sr. padre Felon na aula de geografia.
A substituição da aula de desenho será anunciada opor-
tunamente.
RETRATISTA A ÓLEO Maranhão, 12 de julho de 187 1. -As diretoras, Ana do
Santiago Franco de Sá, Maria da Conceição Franco de Sá,
~arlos Hefricter, retratista a óleo, tendo chegado a esta Augusta Finnina Franco de Sá. (Publicador Mara11he11se,
capital n0 dºia 25 do corrente oferece seus serviços ao pu'blº1- 1217/1871, p. 3).

e/c!) 107 e/c!)


LUIZ DE MELLO a ,
>

MONUMENTO A GONÇALVES DIAS Maranhão, 2 de abril de 1872. (Publicador Maranhen-


se, 6/4/1872, p. 4).
Lê-se no Jornal do Comércio, de Lisboa:
Veio esta tarde para a oficina de escultura do Sr. Germa- FESTA DE SÃO BE..m3DITO
no José Salles, na Rua do Arsenal, o modelo da estátua do
notável escritor brasileiro Antônio Gonçalves Dias. A copiosa chuva que caiu quase toda a noite e conti-
O modelo foi feito na outra grande oficina do Sr. Salles, nuou até às 7 horas da manhã, afugentou a concorrência,
no Aterro da Boa Vista. assistindo aos batizados e missas da manhã pequeno nú-
Ainda não vimos a estátua, mas temos sobre ela boas mero de famílias e alguns cavalheiros. S. Exa. o Dr. Castro,
informações. (Publicador Maranhense, 14/9/ 1871, p. 2). presidente da Província, fez-se representar por seu aju-
dante-de-ordens, não podendo comparecer pessoalmente
FESTA POPULAR DO TRABALHO por incomodado, e aí estiveram também os Srs. inspetor da
Tesouraria, capitão do porto e outros c idadãos grados.
Mandou S. Exa. que a banda de música dos Educan- Depois dos batizados feitos pelos vigários das fregue-
dos Artífices toque na Casa da Câmara nos dias 1O, 11 e 12 sias a que pertenciam os alforriados , passaram quase to-
do corrente, do me io-dia às 2 da tarde, e das 4 às 6, por das as pessoas presentes à sala em que estava colocado o
ocasião da Festa Popular do Trabalho, que deve ter al i retrato do Dr. Antônio Marq ues Rodrigues coberto por
lugar nos dias acima mencionados. (Publicador Mara- uma cortina. A sala estava perfeitamente decorada, toda
nhense, 411 2/ 1871, p. 2). atapetada e coberta de flores.
Duas filas de im1ãos de São Benedito, com as suas
opas, estavam ao lado do retrato; ao centro delas, à dis-
GOVERNO DA PROVÍNCIA
tância conveniente, as crianças libertadas e o j uiz Joaquim
Expediente do dia 4 de dezembro de 1871
Marques Rodrigues; à roda da sala, e m cadeiras, as se-
nhoras presentes, enchendo o restante espaço os cava-
( .. .) Ao d iretor da Casa dos Educandos Artífices. - Dê
lheiros q ue, apesar do mau tempo, aí concorreram. No cor-
Vmc. suas ordens para que a banda de música desse esta-
redor contíguo à sala estava postada a banda de música
belecimento tog ue na Casa da Câmara Municipal desta
dos Educandos.
capital nos dias 1O, 11 e 12 do corrente, do meio-dia às 2
Os Drs. Antônio Teixeira Belfort Roxo e Gentil Homem
horas da tarde, e das 4 às 6 horas, por ocasião da Festa
de Almeida B raga, cunhàdo e concunhado do Dr. Mar-
Popular do Trabalho, que deve ter ali lugar nos referidos
ques Rodrigues, bastante comovidos levantaram a cortina
dias. (...) (Publicador Maranhense, 7/12/1 87 1, p. 1).
gue cobria o retrato, e ao verem as fe ições simpáticas, tão
expressivas na tela, daquele que, ainda vivo, já não per-
FESTA POPULAR DO TRABALHO tence ao número dos vivos, a comoção se apossou de
todas as pessoas presentes e as lágrimas brilharam nos
Resolveram os encarregados desta festa prolongar ama- olhos dos seus amigos que são muitos e sinceros.
nhã, até às 9 horas da noite, a mesma exposição. (Publica- O juiz fez a distribuição das cartas de liberdade às cri-
dor Maranhense, l l/12/187 1, p. 2). anças, cujos nomes noutro lugar publicamos, e em segui-
doi leram discursos os Srs. Alexandre José de Almeida por
COLOCAÇÃO DE RETRATO parte da irmandade e Dr. Gentil Braga, relatando ambos os
serviços prestados à irmandade, à humanidade e à socie-
Domingo, 7 do corrente, depois do batizado dos ino- dade em geral pelo Dr. Marques Rodrigues.
centes alforriados pela Irmandade de São Benedito, terá Foi um ato imponente, mas triste e muito triste, especi-
lugar no consistório da mesma irmandade, no convento de almente para aqueles que tiveram a felicidade de tratar com
Santo Antônio, a colocação do retrato do seu benfeitor, o o Dr. Marques Rodrigues, quando, original perfeito desse
benemérito e infeliz Dr. Antônio Marques Rodrigues. retrato, e pondo no pensamento o triste estado a que hoje
A irmandade mandando fazer o retrato deste distinto está red uzido, sem que urna esperança possa alimentar
brasileiro e colocando-o, com licença do ordinário, na sala aqueles que o estremecem.
de suas reuniões, patenteia quanto é grata, e tem que sê- Foi sob tão tristes impressões que terminou pelas 8.30
lo, ao homem que criou para a mesma irmandade a grande horas a festa da manhã.
glória de ter libertado tantos inocentes cativos, o que ain- Sentimos não poder publicar os dois discursos de que
da maior se torna por ter sido ela a iniciadora de uma idéia não nos foi possível obter cópias. (Publicador Maranhen-
que mais tarde tanto se generalizou. (Publicador Mara- se, 8/4/1872, p. 2).
nhense, 5/4/1872, p. 3).
DISCURSO LIDO POR OCASIÃO DE
DESENHO E PINTURA COLOCAR-SE O RETRATO DO DR. ANTÔNIO
MARQUES RODRIGUES NO CONSISTÓRIO DA
Domingos Tribuzi continua a ensiJ1ar desenho e pintu- IRMANDADE DE SÃO BENEDITO, NO
ra em casas particulares, e nas quintas-feiras e domingos CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO
em sua casa, das 7 às 9 da manhã.
O mesmo recebeu da Alemanha um novo método de Senhores. - Como representante da Irmandade do Glo-
desenho linear para as artes, fácil para a compreensão de rioso São Benedito venho neste momento dirigir-vos al-
qualquer artista, e muitos modelos de marinha. gumas palavras em referência ao tributo de gratidão que a

~ 108 ~
CRONOLOGIA DAS ARTES PLÁSTICAS NO MARANHÃO (1842 1930)

irmandade rende ao nosso distinto irmão o Dr. Antônio AULA DE DESENHO


Marques Rodrigues, mandando colocar o retrato deste ilus-
tre filantropo neste salão, lugar onde a mesma im1andade O Sr. Tribuzi expõe hoje à concorrência pública a sua
celebra as suas sessões. nula de desenho, n:i Rua do Sol, e continu:i a lecionar esta
Em 1867, sendo juiz da festividade o Dr. Antônio Mar- especialidade nas terças e sextas-feiras das 7 às 8.30 da
~ues Rodrigues, por sua iniciativa e esforços resolveu a noite. (Publicador Mara11he11se. 301511872, p. 3).
irmandade solenizar a festa do santo protecor dos cati vos
comª rnanumíssão de crianças do sexo feminino para cujo BELAS-ARTES
fim se obtiveram esmolas.
Era a primeira vez que entre nós se levantava a humru1i- Domingos Tribuzi, professor de desenho do Liceu, terá
tária i~éia de solução pacífica e gradual do problema da abena à concorrência do respeitável público, e especial-
emancipação e o resultado obtido correspondido, ainda mente das pessoas do comércio, a sua aula de desenho no
~ue em modestas proporções, ao zelo desenvolvido pelo dia 30 do corrente, das 6 da manhã às 8 da noite, e principi-
1
ustre iniciador da idéia. ará a lecionar no dia 3 de junho.
~ . Naquele ano a procissão do sru1to protetor dos cativos Nas terças e sextas-feiras, das 7 às 8.30 da noite, será o
01 acompanhada de 15 crianças libertas, isto é, de outras curso de desenho linear de máquinas, marinha, ornamen-
tanta-; fo ntes de iamíbas
e . . to, fi gura e paisagem, pintura :i aqu:irela em marfim.
no futuro ela nossa sociedade.
Estarão à vista na sala alguns traslados dos primeiros
No ano seguinte e no mesmo dia foi a festa soleni1,ada
com ma·is do dobro das manumissões efetuadas no ano professores da Europa, bustos em relevo de tamanho na-
anterior• e a proc1ssao . - do sa1110 protetor dos cativos abri- tural, para se aprender a rctrat:ir baixos-relevos e todos os
11 arranjos necessários. Coruinua a ensinar cm casas parti-
diantou-se com o acompanhamento de 36 crianças libcrta- culares em qualquer dia da semana, nas quintas e domin-
as da escravidão.
De cntao - para cá o mesmo fato se tem reproduzido gos das 7 às 8.30 da manhã, cm sua cas:i e nos colégios
Nossa Scnl1ora da Glória, Nossa Senhora de Nazaré, Santa
anualmente, sub.111do o numero , das crianças manumeticlas Isabel e Sem inário de Nossa Senhora das Mcrcês. (Publi-
ª 160• in e1u1c
• 1as as que no dia de hoje receberam as suas
cador Maranhense, 301511872, p. 4).
Cartas de liberdade.
A semente cm tão boa hora lançada ao seio da socieda- GALERIA DA INFÂNCIA
d e pelo Dr A ~ ·
· 11101110 Marques Rodrigues ocrminou pronta-
mente e tem clado de s1. os mais º frutos.
. proveitosos Amigos sinceros das glóri:is e incremento deste espe-
Ao iniciador de tão fecunda e humanitária idéia justo rançoso país é sempre com prazer que registramos nas
era render-se a dev1.cla homenagem mandando a 1rmanda-
. ' páginas deste jornal os :itos tendentes à glória e distinção
de coloc '
_ ar o retrato no lugar de sua sessões. de seus filhos.
, Este retrato será para todo o sempre o mais expressivo Neste pressuposto não passaremos em silêncio a inau-
s11nbol0 d ' guração da Galeria da Infância, que no dia 4 do corrente
çã e um grande benefício e a mais bela demonstra-
.0 do sentimento reJjgioso que emana pu1issimo das su- teve lugar no Colégio Imaculada Conceição,
bl tmes e d. · · O ato foi simples e familiar na aparência, mas grandio-
iv111as doutnnas do cristianismo.
. Este retrato será sempre olhado com respeito pela so- so na significação e quiçá nas conscqi.iências.
ciedade , h Viam-se os retratos de Sotero, Dias, Lisboa e Odorico
.
e nan rnaran ensc e com eternos aoradccimentos pelas
as rtben:idas e pelos descendentes
Çc
º que as rcprcsen- Mendes ornados de modestas flores, mas preparados por
1arcm no futuro. mãos infantis escolares.
O padre Fonseca, tomando a palavra, mostrou o alc~111-
~ ~evemos todos fazer votos cm ordem a que a perma- ce e fins da instituição, e acabou convidando os aluno~ a
nenc1a do
te lu ar .retrato _do Dr: Antônio Marques Rodrigues nes- aumcntru·cm o número daqueles quadros. trabalhando para
g •sirva de mccnuvo constante à propaoanda pacífi- se equipararem aos originais. por seus conhecimentos. mo-
ca de e . º
manc1pação lenta e gradual
ral idade e patriotismo.
no Não posso terminar sem rende; aqui publicamente em Depois for:im os alunos tomando a pafavr:i e bem inte-
~e ~a mesa da Jnnandade do Glorioso São Benedito o
rn ais Stnce ressante era ouvirem-se os nomes dos 1iteratos mar.mhen-
.b
ra d ro ln uto de gratidão ao zelo e auxfüos do vene- ses pronunciados por lábios infantis.
tidn o Sr Jo
· aqu1m · Marques Rodrigues, que depois d:i par- Estes e outros fatos atestam que a nossa época n5o é
de ~::a a ~uropa, onde se tem conservado desde o ano a da ingratidão para com os grandes homens.
tró . 8: m_uno nos tem coadju vado na realização da filan- Encerrou o ato o delegado literário que dirigindo ani-
m:i•ca idéia da libertação de crianças, já por meio de es- madas palavras aos alunos, mostrou-lhes o futuro e lou-
de as que tem dado e já pelas que tem obtido de pessoas vor a ganhar n:is lide literárias. (Publicador Mam11he11-
M fa m1T_1a e de suas relações e conhecimentos.
sua se, IOnll 872, p. 3).
AI _aranhao, 6 de abri l de 1872 - Alexandre José de
llleida (Publicador Mara11he11se, 91411872, p. 2). EXPOSIÇÃO

ESTÁTUA DE GONÇALVES DIAS Por ato de ontem foi nomeada pela Presidência uma
Comissão, a fim de promover por sua pane os meios ne-
Acaba de chegar no brioue Angélica vindo de Lisboa cessários para que esta Província possa figurar dignamen-
eºm23d" . º ,
tas de viagem. (Publicador Mara11he11se, 28/4/1872). te na Festa Industrial que terá lugar, sucessivamente, ncs-

CV'@ 109 ~
~
~ LUIZ DE MHLO

ta capital e na Corte em dezembro próximo vindouro, sen- A FESTA DOS EDUCANDOS


do depois os produtos remetidos para Viena d' Áustria a
fim de também ali figurarem na Exposição Universal. No domingo, às 7 horas da manhã, teve lugar no esta-
Fazem parte desta Comissão os seguintes senhores: belecimento dos Educandos a distribuição dos prêmios
Dr. José da Silva Maya, Dr. César Augusto Marques, aos alunos que mais provas deram de aproveitamento nos
Dr. Gentil Homem de Almeida Braga, Dr. José Gaune, Ma- estudos e nos místeres a que se dedicam.
noel Silvestre da Silva Couto, coronel Raimundo Jansen No vasto salão das oficinas foi que se preparou o lugar
Serra Lima e Antônio Ennes de Souza. (Publicador Mara- para a cerimônia, adornando-o com simplicidade e bom
nhense, 6/811872, p. 3). gosto.
Ao centro do salão formaram um trono e sobre ele es-
COMPANHIA ANIL tava o retrato do monarca, em frente deste uma mesa, e
sobre ela, numa salva de prata, as medalhas que se haviam
(...) Para fiscal desta companhia, por parte do Governo, de distribuir.
foi nomeado o Dr. Gaune, sem remuneração dos cofres O inspetor interino da Instrução Pública, comendador Lo-
públicos. (Publicador Maranhense, 13/8/1 872, p. 2). pes, fez a distribuição dos prêmios, lendo no fim uma alocu-
ção que foi agradecida por um dos educandos premiados.
O estabelecimento estava na melhor ordem e asseio
EXPOSIÇÃO exemplares, e à noite esteve todo iluminado e então bas-
tante concorrido.
Fomos ver no dia 7 do corrente a exposição de dese-
nhos do Sr. Domingos Tribuzi. É um estabelecimento modelo e do qual muito se deve
É digna, na verdade, de minucioso exame a sua galeria orgulhar o Maranhão, que tem tido a felicidade de ver à
composta de 126 quadros que apresenta em bonitos e difíceis testa dessa casa administradores da qualidade do Sr. coro-
trabalhos, alguns dos quais de pessoas de bem tenra idade. nel Serra Lima. que é para com aquelas 300 crianças um
Quase todos estão bem-acabados, em proporção do verdadeiro pai, não só de carinhos estéreis, mas bom edu-
adiantamento do discípulo. cador empenhado num futuro delas.
Os trabalhos do Sr. Aluísio Azevedo e das Sras. Lopes
Ferreira se destacam pela perfeição dos traços e pela gran- EXPOSIÇÃO
deza das formas , que os tomam mais difíceis.
A cópia do busto do Sr. Ambrósio Paré, de cujo autor A Festa Popular do Trabalho juntou-<;e este ano à pe-
não nos lembramos, também se toma recomendável. pois quena Exposição dos Educandos e fez-se neste estabele-
neste trabalho o discípulo tem de apanhar as sombras na- cimento.
turais do busto de gesso. Foi-lhe destinado um bom salão cujo topo estava cerca-
No meio de ludo isto não sabemos o que mais admirar: do pelo retrato do filantropo ex-presidente e senador João
- se o trabalho artístico da exposição, se as maneiras aten- Antônio de Miranda, benemérito fundador daquela casa.
ciosas, fino trato e pachorra à toda prova do expositor. Terminada a cerimônia de distribuição dos prêmios,
O Sr. Tribuzi é geralmente estimado por estas qualida- abriu-se a exposição.
des que o caracterizam. (Publicador Maranhense, 10191 O Sr. Almeida Oliveira, presidente da Comissão respec-
1872, pp.2-3). tiva, declarou inaugurada a festa e fez um bonito improvi-
so, encarecendo a utilidade do trabalho e que é preciso
FF.sTAPOPULARDOTRABALHO DO MARANHÃO trabalhar sempre, porque o trabalho regenera o homem.
O Sr. Davi Freire leu cm seguida a ata da última sessão
Nos dias 15, 16 e 17 do corrente, das 6 horas da manhã desta utilitária sociedade e depoi. distribuiu uma poesia
às 1O horas da noite, achar-se-á aberta ao público a 2ª análoga ao assunto da festa, mandada estampar por um
Exposição da Festa Popular do Trabalho desta Província, dos membros da Comissão, e impressa na úpografia deste
no estabelecimento dos Educandos Artífices. jornal como espécime tipográfico, cuja poesia publicamos
Os objetos expostos, que não forem por seus donos no fim desta notícia.
oferecidos para o bazar, . erão cuidadosamente guardados Se de manhã a concorrência foi limitada, à tarde mal se
e restituídos logo depois de findo o júri. podiam ver os objetos. por estarem sempre rodeados de
A Comissão espera toda a concorrência do público espectadores as bancadas em que eles estavam expostos,
para esta instiwição que por certo traz grande animação às e o salão perenemente cheio, lrnnsitando-se nele com difi-
artes e à indústria da Província. culdade.
As pessoas que remeterem produtos para a exposição e Se a indústria nacional não se manifesta ainda nas nos-
bazar, podem fazê-lo diretamente ao Umo. Sr. coronel Raimun- sas exposições de Província. sendo como mero luxo ou
do Jansen Serra Lima, no estabelecimento dos Educandos ou curiosidade, se o fim econômico é desprezado pela maioria
à Farmácia dos Srs. Pinheiro & Ferreira, Largo do Carmo. dos expositores, a lavoura, fonte principal da riqueza pú-
É expressamente proibido tocar nos objetos expostos, blica.pode-se dizer que lá não figura, senão como resulta-
podendo as pessoas que desejarem explicações sobre os do ainda de alguma ind1ístria particular.
mesmos, pedi-las aos membros da Comissão. É por isso que o algodão lá não aparece, e nem o açú-
Maranhão. 4 de dezembro de 1872 car ou outro produto de importante e valiosa exportação.
Martiniano Mendes Pereira, servindo de sccrelário. Dos gêneros de consumo, lá se vê uma amostra de
(Publicador Mara11Jze11se, 12/ 12/ 1872, p. 4 ). farinha de mandioca, uma saquinha de feijões brancos (fa-
CRONOLOGIA DAS ARTES PIÁSTICAS NO MARANHÃO (18 42 1930)

vas), quando neste gênero há uma grande variedade; outra É para notnrque pelo menos na Seção de Armeiros não
~e café etc. e isto mesmo desacompanhado de quaisquer esti vesse presente o mestre da oficina ou o educando fa-
informações. O arroz que apareceu na exposição, foi a in- bricante para mostrar e explicar a vantagem da arma ou
dústria e não a lavoura que lá o pôs. a Fábrica Ceres para aí armas expostas. bem como a respeito dos móveis. quem os
0
mandou como amostra dos seus aperfeiçoados produtos. abrisse e mostrasse, porque sendo proibido tocar nos ob-
O único lavrador que não falha às exposições é o Sr. jetos expostos, o que é justo, o visitante limita-se a olhar
Sérgio Vieira. para uma pistola, por exemplo, sem ficar sabendo mais do
Na indústria temos a notar as três Fábricas de Chapéus - que ser uma pistola que está vendo.
Viúva de Geminiano Antunes Ribeiro & Cia, Bernardino de Nessa seção estavam expostos alguns ensaios de gra-
Sena Castro e Emmanocl Bluhm que ali se fizeram perfeita- vura que não podem ser considerados mais que como me-
mente representar. A primeira expôs chapéus de pêlo e peças ros ensaios, e nem se pode esperar outra coisa, atento ao
de unifonnes militares; a última chapéus de pêlo, de rururi e pouco tempo que tem de criada a aula respec1iva, à pouca
bonés de pano; e a segunda, a sua exposição pode-se dizer idade dos alunos e mais que tudo ao material mecânico
completamente nacional, porque a matéria-prima dos cha- nela empregado, pois o tórculo de madeira é dos da primi-
péus que expôs, o tururi, é criada nos palmares do Brasil. tiva, e muito carece ser substituído por um de ferro que
pode custar de 200 a 300 réis.
As fannácias Pinheiro & Ferreira, e Ferreira & Cia. ex-
puseram diversos preparados. Não deixa de se recomendar a indústria desta casa
pelo desenvolvimento que vai tendo com o aumento das
Os produtos da saboaria de Manoel Pereira Mar1ins, oficinas ultimamente criadas. As peles ali surradas, dizem
constantes de sabão de várias qualidades e sabonetes,
os entendidos que são muito bem preparadas.
estavam acompanhados dos respectivos preços e as amos- Ressente-se o estabelecimento, e muito, da falta de má-
tras numeradas e por classes. É uma bonita ex ibição. quinas que só poderá adquirir quando lhe for concedido
O conserveiro da Padaria Francesa expôs um bonito empregar os lucros da sua indústria cm benefício da mesma
sonimento de doces, fnitas cristalizadas, amêndoas e açú- indústria, lucros que hoje são recolhidos ao Tesouro.
car Ca.ndf, trabalhos todos muito perfeitos. O resto da exposição, cm geral, constava de produtos
Os chocolates de várias qualidades e já muito conheci- de Belas-Artes e outros próprios de museus.
dos e acreditados de José Antônio Ferreira Ribeiro ocupa- Nas primeiras figu ravam com distinção os trabalhos
vam também lugar distinto. fotográficos dos Srs. Cerqueira e Vigicr que rivalizavam em
. As obras de Carvalho & Companhia, na forma e na perfeição.
Ptntura muito se aproximam às estranoeiras· falta-lhes, Alguns objetos dignos de menção nos terão escapado
~é ~ '
c r m, o que se chama bem-acabado·' falta . que os fabri- aqui mencionar, ou por não tem1os neles reparado, devido
antes hão de ir remediando e aperfeiçoando cada vez mais à dificuldade que a concorrência opunha a tudo que fosse
~eus produtos, pois não lhes falta nem dedicação nem visto com atenção, ou porque se nos tenham riscado da
tntelig~ · F.
encia. 1zcram no entanto bonita exposição. memória.
. A marcenaria, além dos educandos, só tinha um expo- A maneira do nosso ver a respeito de alguns objetos
expostos e que francamente acabamos de manifestar. pode
cS!lor,. Miguel Arcanio ~
de Lima com um costureiro de bara-
uUttara e cedro. Como toda as obras do Sr. Lima, é esta não agradar a um ou a outro expositor; ela tem. porém,
ma obra bem-acabada, de bom gosto, tanto no fabrico como base a verdade e como fim a correção do defeito ou
corno no b. . . . defeitos apontados.
rém c_o~ _inado das veias da 1:iade1ra. Nota-s~, po-
O louvor sem critério tem tanto de prejudicial ao produ-
' nas d1v1socs que formam os diversos comparumen-
to · to e ao produtor, como de benéfica a crítica conscienciosa.
'" ~ interiores que, talvez por pressa, não estão as junções
•e nas C<) É esta a Segunda Exposição ou Festa Popular do Tra-
, m a mesma perfe1.çao -
do resto da obra.
balho. Apesar da indiferença dos mais interessados, con-
E esta a ocasião própria para se dizer quanto censurá-
vel é · · tinue a digna Comissão a empregar seus esforços como
~A a indiferença dos nossos artistas, pois que tendo no até aqui; não desanime, que há de por fim ver coroados os
•v1aranhfo
_ ' marcenanas . 1mpo1tantes
. e sempre trabalhan do,
nao tenham para expor, nao - um móvel especial, . mas qual- seus desejos de um resultado tão útil ao País. que de mais
quer daq 1 . . compensará os desgostos e contrariedades por que tenha
~ ue es que comumente fabricam - uma cadeira, passado na propagação de uma idéia tão fecunda. Cheios
comoda ·1: •
a . ou so1.i etc., pois é por esses que melhor se pode de patriotismo, os membros desta Comissiio não almejam
preciar o estado da indústria da Província. recompensa senão a da utilidade geral que possa provir da
lJ Duas peças piramidais ocupavam o centro da casa. combinação de seus esforços, e essa hão de tê-la.
ma continha garrafas de licores e outras bebidas alcoóli- A Casa dos Educandos apresentou à Exposição os se-
cas e r
C inta de escrever do fabricante Joaquim Isaías da guintes objetos:
_ruz. A outra, do já conhecido fabricante Domingos Perdi- l - guarda-vestidos, 1;
gao, mostrava os seus produtos de licorista e conserveiro 2 - guarda-casaca, l;
cada vez . .
. mais aperfeiçoados e mais variados, tanto em 3 - secretária, 1;
qualidade .. 4 - parador, 2;
N c_omo no acond1c1onamento.
a Seçao dos Educandos viam-se alournas amostras 5-cômoda, 1
decalçad ai º . obras
. e serralheiro,
d ' o, guns traballlos de armeiro 6 -cost11reiro, 1
b~ marcenaria e alfaiate, constantes da relação adiante pu- 7 - vaquetas preparadas, 4
~cad~, em conterem indicação de preço ou de outra qual- 8 - pares de botinas, 9
q er circunstância. 9 - candeeiro de parede, 1

<V'C) 111 <V'C)


LUIZ DE MELLO

10 - máquina de fazer bife, 1 OS LAVRADORES NA EXPOSIÇÃO


11 - dita de preparar café, 1
12 - bidê, 1 Tratando deste objeto dissemos que o Sr. Sérg io Vieira
13 - pistolas, 2 era o lavrador que não falhava às exposições; cumpre,
14 - bacamarte, 1 porém, acrescentar que o Sr. Raimundo Vale também é um
15 - brida de metal, 1 dos que compreende quanto vale ao lavrador, à lavoura e
16 - terçado, 1 ao País a exposição, e por isso concorre sempre a e las com
17 - pares de estribos, 2 algum produto da sua lavoura.
18 - cabeção de brida, 1 A propósito da exposição, a Comissão da Festa Popular
19-tiralinhas, 1 do Trabalho, na noite de terça-feira fez o que deveria ser
20- graminho, 1 feito logo no primeiro dia: constituiu o bazar no próprio
2 1 - pares de esporas, 2 recinto da exposição, e assim conseguiu vender alguns ob-
22- corta-capim, 1 j etos cujo produto tem por fim ajudar o custeio da exposi-
23-escri vaninha de metal , 1 ção. Alguns expositores também venderam aí parte dos seus
24 - pedras com trabalhos de esculrura, 1O produtos, e mais isso se generalizará e as exposições toma-
25 - pastas de escrita, 2 r'<lo o verdadeiro caráter que devem ter, quando a estes atos
26 - livros encadernados, 4 deixar de ser imposto um cerimonial desnecessário, quando
27 - quadros de desenho linear, 12 eles forem verdadeiras Festas Populares do Trabalho.
28 - ditos de dito de aquarela, 4 Não se poupa a djgna Comissão a trabaJhos e sacrifícios
29 - dito com trabalhos de gravura, 8 para que as exposições tenham o incremento desejado; são,
31 - di to com cópias de düa, 7 porém, grandes os obstáculos que se lhe opõem, filhos quase
32 - pares de calças de casimira, 4 todos dos nossos hábitos e dos nossos cosrumes.
33 - coletes de dito, 4 Continue, porém, a esforçar-se, seja persistente, e se o
segundo ano j á foi melhor que o primeiro, o de 1873 deve
34 - fraqu e de dito, 1