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EAD

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

Maria Conceição Mússio Bittencourt


UNIDADE 1 - PENSANDO A FILOSOFIA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar o significado de Filosofia


Filosofia é um corpo de conhecimento, a partir de um esforço que o ser
humano vem fazendo de compreender o seu mundo e dar-lhe um sentido, um
significado compreensivo.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Corpo de conhecimentos, em Filosofia, significa um conjunto coerente e


organizado de entendimentos sobre a realidade. Conhecimentos estes que
expressam o entendimento que se tem do mundo, a partir dos desejos, anseios e
aspirações. Assim, podemos dizer que a filosofia cria o ideário que norteia a vida

humana em todos os seus momentos e em todos os seus processos.


Neste sentido, a filosofia é uma força, é o sustentáculo de um modo de
agir. É uma arma na luta pela vida e pela emancipação humana. Em síntese, a
filosofia é uma forma de conhecimento que, interpretando o mundo, cria uma
concepção coerente e sistêmica que possibilita uma forma de ação efetiva. Esta
forma de compreender o mundo tanto é condicionada pelo meio histórico, como
também é seu condicionante, ao mesmo tempo, pois, é uma interpretação do
mundo e uma força de ação.
A filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema
acabado, fechado em si mesmo. A filosofia é uma maneira de pensar e é também
uma postura diante do mundo.
Antes de mais nada, filosofia é uma forma de observar a realidade que
procura pensar os acontecimentos além da sua aparência imediata. Ela pode se
voltar para qualquer objeto: pode pensar sobre a ciência, seus valores e seus
métodos; pode pensar sobre a religião, a arte; o próprio homem em sua vida
cotidiana. A filosofia é um jogo irreverente que parte do que existe, critica, coloca
em dúvida, faz perguntas inoportunas, abre a porta das possibilidades, faz
entrever outros mundos e outros modos de compreender a vida.

BUSCANDO CONHECIMENTO

A origem da filosofia e o saber científico


Quando surgiu entre os gregos por volta do século VI a.C., a filosofia
englobava tanto a indagação, filosofia propriamente dita, quanto aquilo que hoje
é chamado de conhecimento científico. O filósofo refletia e teorizava sobre todos
os assuntos, procurando responder não só ao porquê das coisas, mas, também,
ao como, ou seja, ao modo pelo qual elas acontecem ou “funcionam’’.
Euclides, Tales e Pitágoras foram filósofos que também se dedicaram ao
estudo da geometria. Aristóteles, por sua vez, investigou problemas físicos e
astronômicos, na medida em que esses problemas também interessavam à cultura
e à sociedade de sua época.
O saber científico surge a partir do século XVII, com o aperfeiçoamento do
método científico, baseado na observação, na experimentação e matematização
dos resultados. A ciência, tal qual a entendemos hoje, começou a se constituir,
como uma forma específica de abordagem do real que se destacava ou
desprendia da filosofia propriamente dita.
Afastando-se da filosofia, por se tornarem mais específicas, aparecem
pouco a pouco as ciências particulares, que investigam determinados aspectos da
realidade: a química, a transformação das substâncias; a astronomia, os corpos
celestes; a psicologia, os mecanismos do funcionamento da mente humana; a
sociologia, a organização social, etc.
As ciências estudam os fenômenos que pertencem a sua área específica e
pretendem mostrar como estes ocorrem e como se relacionam com outros
fenômenos. A posse do conhecimento sobre os fenômenos naturais e humanos
gera a possibilidade de prevê-los e controlá-los.
Por outro lado, a filosofia trata dessa mesma realidade, só que – em vez de
separá-la em conhecimentos particulares e estanques – considera-a no interior da
totalidade de fenômenos, ou seja, procura enxergar a realidade, a partir de uma
visão de conjunto. Qualquer que seja o problema, a reflexão filosófica considera
cada um, relacionando-o ao contexto dentro do qual ele se insere e
restabelecendo a integridade do universo humano.
Sob o ponto de vista filosófico, por exemplo, é impossível considerar os
problemas educacionais do Brasil somente a partir das estruturas físicas das
escolas, é necessário relacioná-los com os interesses das diversas classes sociais,
os interesses políticos, os interesses nacionais, etc.
UNIDADE 2 - PENSANDO FILOSOFIA NA ANTIGUIDADE

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar os principais pensadores da antiguidade.


A palavra Filosofia é de origem grega e significa amor à sabedoria. Ela
surge desde o momento em que o homem começou a refletir sobre o
funcionamento da vida e do universo, buscando uma solução para as grandes
questões da existência humana. Os pensadores, inseridos num contexto histórico
de sua época, buscaram diversos temas para reflexão. A Grécia Antiga é
conhecida como o berço dos pensadores, sendo que os sophos (sábios em grego)
buscaram formular, no século VI A.C., explicações racionais para tudo aquilo que
era explicado, até então, através da mitologia. Vamos conhecê-los?

ESTUDANDO E REFLETINDO

Os Pré-Socráticos
Podemos afirmar que foi a primeira corrente de pensamento surgida por
volta do século VI a.C. Os filósofos que viveram antes de Sócrates se
preocupavam com o universo e os fenômenos da natureza. Buscavam explicar
tudo através da razão e do conhecimento científico. Podemos citar, neste
contexto: os físicos – Thales de Mileto, Anaximandro e Heráclito.
Pitágoras desenvolve seu pensamento defendendo a ideia de que tudo
preexiste à alma, já que esta é imortal. Demócrito e Leucipo defendem a formação
de todas as coisas, a partir da existência dos átomos.
Os séculos V e IV a.C. foram de grande desenvolvimento cultural e
científico. O esplendor de cidades como Atenas e seu sistema político-
democrático proporcionou o terreno para o desenvolvimento do pensamento. É a
época dos sofistas e do grande pensador Sócrates.
Os Sofistas
Os sofistas defendiam uma educação, cujo objetivo máximo seria a
formação de um cidadão pleno, preparado para atuar politicamente para o
crescimento da cidade. Dentro desta proposta pedagógica, os jovens deveriam
ser preparados para falar bem (retórica), pensar e manifestar suas qualidades
artísticas.
Os sofistas ensinavam técnicas que auxiliavam as pessoas a defenderem
seu pensamento particular e suas próprias opiniões, através da persuasão. Foram
mestres da oratória e vendiam para os cidadãos suas habilidades com o discurso,
fundamental para a política. Assim, defendiam a opinião de quem lhes pagasse
bem. Acreditavam que a verdade vem do consenso entre os homens. Para eles, a
realidade sensível não é inteligível, a linguagem é arbitrária, as palavras traem os
pensamentos. Eles se opunham à filosofia pré-socrática, dizendo que os filósofos
ensinavam coisas contraditórias, repletas de erros e sem utilidades para as polis
(cidade).

BUSCANDO CONHECIMENTO

Os sofistas
Ceticismo- doutrina filosófica, segundo a qual a
substituíram a natureza, que verdade de todo conhecimento precisa ser
questionada, pois não existe verdade absoluta.
antes deles era o principal
objeto de reflexão dos filósofos, pela arte da persuasão. Por desprezarem as
discussões dos filósofos, foram considerados “céticos”. Sócrates rebelou-se contra
eles, dizendo que desrespeitavam a verdade e o amor à sabedoria. As
consequências do pensamento sofista são:
1- Criaram no meio filosófico o relativismo e o subjetivismo;
2- A abertura da filosofia para todas as pessoas das polis, pois antes a filosofia
era exercida somente por um grupo intelectual fechado, formado apenas
por nobres.
UNIDADE 3 - PENSANDO FILOSOFIA NA ANTIGUIDADE

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Propiciar conhecimentos a respeito de Sócrates.


Sócrates é um dos mais importantes filósofos atenienses e fundador da
atual filosofia ocidental (469 – 399 a.C).

ESTUDANDO E REFLETINDO

Detalhes sobre a vida de Sócrates derivam de três fontes contemporâneas:


os diálogos de Platão, as peças de Aristófanes e os diálogos de Xenofonte. Não há
evidência de que Sócrates tenha publicado alguma obra. Foi condenado à morte
e obrigado a suicidar-se, tomando veneno (cicuta). Aceitou sua condenação com
calma e “sabedoria”.
Sócrates casou-se com Xântipe que era bem mais jovem que ele e teve três
filhos. Seu amigo Criton criticou-o por ter abandonado seus filhos, quando ele se
recusou a tentar escapar antes de sua execução. Essa crítica evidencia que ele
parece não ter entendido a mensagem que Sócrates tentou passar sobre a morte.
Não se sabe ao certo qual foi trabalho de Sócrates, ou seja, se é que ele teve
outro além da filosofia. De acordo com algumas fontes, Sócrates aprendeu a
profissão de oleiro com seu pai.
Na obra de Xenofonte, Sócrates aparece declarando que se dedicava
àquilo que ele considerava a arte ou ocupação mais importante: Maiêutica, o
parto das ideias.

A maiêutica socrática funcionava a partir de dois momentos essenciais: um


primeiro em que Sócrates levava seus interlocutores a pôr em causa as suas
próprias concepções e teorias acerca de algum assunto; e um segundo momento,
em que conduzia os interlocutores a uma nova perspectiva acerca do tema em
abordagem.
Daí dizer que a maiêutica consistia num autêntico parto de ideias, pois,
mediante o questionamento dos seus interlocutores, Sócrates levava-os a colocar
em causa os seus “preconceitos” acerca de determinado assunto, conduzindo-os a
novas ideias sobre o tema em discussão.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Platão afirmou que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua
pobreza era prova de que não era um sofista. Desde a juventude, interessou-se
pela filosofia e conhecia o pensamento anterior e contemporâneo dos filósofos
gregos.
É lendário seu interesse pela conversa em locais públicos, onde fazia muitas
andanças, conversando nas praças, mercados e ginásios de sua cidade. Participou
do movimento de renovação da cultura e foi um educador popular, já que não
cobrava por suas preleções. Nunca trabalhou e só pensava no presente. Sócrates
é famoso por ter tido um soberbo auto-controle, não se deixando nem mesmo
embriagar pelo vinho como é contado no “Banquete”, de Platão. De início,
interessava-se pelos ensinamentos dos filósofos da natureza (pré-socráticos), mas,
depois, revoltou-se contra eles, pois eles haviam sido filósofos físicos, que
procuravam respostas nas causas exteriores e gerais da natureza.
Sócrates achava que existia algo mais digno para se estudar, a psyche, ou a
mente do homem. Por isso, sondou a alma humana em questões como a da
felicidade e da justiça dos atenienses. Estes lidavam com muita facilidade com a
vida e a morte, com a honra, o patriotismo e a moralidade. E em que se
baseavam? E o que entendiam de si próprios? Chegou, assim, a uma reflexão
sobre a alma considerada imortal, portanto, superior ao corpo. O verdadeiro
filósofo sabe que não sabe e ele se auto-denominava assim. As etapas do saber
seriam: ignorar sua ignorância, conhecer sua ignorância; ignorar seu saber e
conhecer seu saber. As opiniões não são verdades, pois não resistem ao diálogo
crítico. Conversar com Sócrates podia levar alguém a expor-se ao ridículo e ser
apanhado numa complexa linha de pensamento exposta através de palavras,
ficando totalmente envolvido ou perplexo.
É no diálogo Teeteto, de Platão, que Sócrates compara sua atividade à de
uma parteira, que, embora não desse à luz a um bebê, ajudava no parto. Ele diz
que ajudava as pessoas a parirem suas próprias ideias. Diz que Atenas era uma
égua preguiçosa, e ele um pequeno mosquito que lhe mordia os flancos para
provar que estava viva. Achava que a principal tarefa da existência humana era
aperfeiçoar seu espírito e acreditava ouvir uma voz interior, de natureza divina
que lhe apontava a verdade e como agir.
Sócrates foi convidado para o SENADO dos quinhentos e manifestou sua
convicção de liberdades, combatendo as medidas que considerava injustas. A
democracia estava se implantando em Atenas e Sócrates considerava que só os
homens mais sábios deviam governar o ESTADO, pois eles poderiam controlar
melhor seus impulsos violentos e anti-sociais. Assim, afastar-se-iam do
comportamento animal.
A reação do partido democrático de Atenas resultou em um júri de
cinquenta pessoas que o acusaram de negar os deuses do ESTADO e perverter a
juventude. Muitos jovens seguiam Sócrates e tornavam-se seus discípulos. Anito,
um líder democrático, tinha um filho que se tornou discípulo de Sócrates e ria dos
deuses do pai, voltando-se contra eles. Sócrates foi considerado, aos setenta anos,
líder espiritual do partido revoltoso. A verdadeira causa da morte de Sócrates é
política, ele ameaçava o partido democrático dominante. Foi condenado à morte
e teve de ingerir cicuta (uma planta venenosa). Podia ter fugido da prisão, pedido
clemência ou saído de Atenas, mas não quis. Quis cumprir as leis da cidade.
UNIDADE 4 - PENSANDO FILOSOFIA NA ANTIGUIDADE: PLATÃO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar os principais pressupostos filosóficos de Platão

“O filosofo grego previu um sistema de ensino que mobilizava

toda a sociedade para formar sábios e encontrar a virtude”.

Na história das ideias, o grego Platão (427 – 347 a.C.), foi o primeiro
pedagogo, não só por ter concebido um sistema educacional para o seu tempo,
mas, por tê-lo integrado a uma dimensão ética e política. O objetivo final da
educação, para o filósofo, era a formação do homem moral, vivendo em um
ESTADO justo.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Platão foi o segundo da tríade dos grandes filósofos clássicos, sucedendo


Sócrates e precedendo Aristóteles, seu discípulo. Como Sócrates, Platão rejeitava
a educação que se praticava na Grécia e que estava a cargo dos sofistas,
incumbidos de transmitir conhecimentos técnicos – sobretudo a oratória – aos
jovens da elite, para torná-los aptos a ocupar as funções públicas. Os sofistas
afirmavam que podiam defender, igualmente, teses contrárias, dependendo dos
interesses em jogo, Platão, diferentemente, pensava em termos de uma busca
continuada da virtude, da justiça e da verdade.
Para Platão, “toda virtude é conhecimento”. A busca da virtude deve
prosseguir pela vida inteira e não somente na juventude. Educar é tão importante
para uma ordem política baseada na justiça que, segundo Platão, deveria ser
tarefa de toda sociedade.
BUSCANDO CONHECIMENTO

Platão nasceu em uma família aristocrática de Atenas. Com cerca de 20


anos, aproximou-se de Sócrates por quem tinha grande admiração. Como a
maioria dos jovens de sua classe, quis entrar na política. Contudo, a oligarquia e a
democracia lhe desagradaram. Com a condenação de Sócrates à morte Platão
decidiu se afastar de Atenas e saiu em viagem pelo mundo.
Baseado na ideia de que os cidadãos que têm o espírito cultivado
fortalecem o ESTADO e que os melhores entre eles deveriam ser os governantes,
o filósofo defendia que toda educação era de responsabilidade estatal – um
princípio que só se difundiria no ocidente muitos séculos depois. Igualmente
avançada, quase visionária, era a defesa da mesma instrução para meninos e
meninas e de acesso universal ao ensino.
A educação, segundo a concepção platônica, visava a testar as aptidões
dos alunos para que apenas os mais inclinados ao conhecimento recebessem a
formação completa para ser governante. Essa era a finalidade do seu sistema
educacional, que pregava a renúncia do indivíduo em favor da comunidade. O
processo deveria ser longo, porque Platão acreditava que o talento e o gênio só
se revelam aos poucos.
Platão é considerado um dos primeiros idealizadores do totalitarismo. O
filósofo via no sistema democrático da Atenas do seu tempo uma estrutura que
concedia poder a pessoas despreparadas para governar. Quando Sócrates, que
ele considerava “o mais sábio e o mais justo dos homens” foi condenado à morte,
sob a acusação de corromper a juventude, Platão convenceu-se de uma vez por
todas que a democracia
“Como pode uma sociedade ser salva, ou ser
precisava ser substituída. O
forte, se não tiver à frente seus homens mais
poder deveria ser exercido sábios?” Platão

por uma espécie de


aristocracia, mas não constituída pelos mais ricos ou por uma nobreza hereditária.
Os governantes tinham de ser definidos pela sabedoria. Platão acreditava
que, por meio do conhecimento, seria possível controlar os instintos, a ganância e
a violência. O acesso aos valores da civilização, portanto, funcionaria como
antídoto para todo o mal cometido pelos seres humanos contra seus semelhantes.
Hoje, poucos concordam com isso, por causa das atrocidades cometidas pelos
regimes totalitários do século XX, que prosperaram até em países cultos e
desenvolvidos, como a Alemanha, por exemplo (os horrores do nazismo). Por
outro lado, não há educação consistente sem valores éticos.
A “Academia“ escola fundada por Platão, em 387 A.C., em Atenas,
caracterizou-se pelo ensinamento dialético, onde o saber era encontrado,
mediante um processo endógeno, ou seja, pela busca individual, através dos
constantes questionamentos. Sua escola rivalizava, assim, com sua
contemporânea, de Isócrates – em que o conhecimento consistia meramente na
assimilação daquele saber que já fora produzido (algo um tanto semelhante com
as escolas atuais).
O termo “Academia” ganhou, desde então, e até os dias atuais, a acepção
de local onde o saber não apenas é ensinado, mas produzido.
UNIDADE 5 - PENSANDO FILOSOFIA NA ANTIGUIDADE: ARISTÓTELES
– VIDA, PENSAMENTO, FILOSOFIA, TEOLOGIA E MORAL

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar, de forma sucinta, os principais conceitos aristotélicos.


Nesta unidade vamos conhecer um pouco os conceitos do grande filósofo:
Aristóteles.

ESTUDANDO E REFLETINDO
Iniciemos nosso estudo, a partir do PENSAMENTO: a gnosiologia. Para
Aristóteles, a filosofia é
Este grande filósofo grego, nasceu em Estagira,
essencialmente teorética: deve colônia grega da Trácia, em 384 a.C. Aos dezoito
anos, foi para Atenas e ingressou na academia
decifrar o enigma do universo, platônica, onde ficou por 20 anos, até a morte
do mestre. Neste período, estudou também
em face do qual a atitude filósofos pré-socráticos que lhe foram úteis na
construção do seu grande sistema. Foi
inicial do espírito é “assombro preceptor, por três anos de Alexandre, o Grande.
De volta à Atenas, em 335, Aristóteles fundou a
do mistério”. O seu problema
sua escola “O Liceu”, também chamada de
fundamental é o problema do peripatética, devido ao costume de dar lições,
em amena palestra, passeando nos caminhos do
ser, não o problema da vida. ginásio de Apolo. Esta escola seria a grande rival
e a verdadeira herdeira da velha e gloriosa
O objeto próprio da filosofia, Academia Platônica. Aristóteles foi,
essencialmente, um homem de cultura, de
em que está a solução do seu estudo, de pesquisa, de pensamento, que foi se
isolando da vida prática, social e política, para se
problema, são as essências
dedicar à investigação científica. A atividade
imutáveis e a razão última das literária de Aristóteles foi vasta e intensa, como a
sua cultura e seu gênio universal. A primeira
coisas, isto é, o universal e o edição completa das obras de Aristóteles é a de
Andrônico de Rodes, que assim classifica os seus
necessário, as formas e suas escritos:
1- Escritos lógicos.
relações. Entretanto, as formas 2- Escritos sobre física.
3- Escritos metafísicos.
são imanentes na experiência
4- Escritos morais e políticos.
nos indivíduos, de que 5- Escritos retóricos e poéticos.
constituem a essência. A filosofia aristotélica é, portanto, conceitual como a de
Platão, mas parte da experiência; é dedutiva, mas o ponto de partida da dedução
é tirado – mediante o intelecto – da experiência. No sentido estrito, a filosofia
aristotélica é dedução do particular pelo universal, explicação do condicionado,
mediante a condição, porquanto o primeiro elemento depende do segundo.
Segundo Aristóteles, os elementos primeiros do conhecimento – conceito e juízo
– devem ser tirados da experiência, da representação sensível, cuja verdade
mediata ele defende, porquanto os sentidos por si, nunca nos enganam.
No que diz respeito à Filosofia, partindo do problema acerca do valor
objetivo dos conceitos, Aristóteles constrói um sistema inteiramente original. Os
caracteres dessa grande síntese são:
1- Observação fiel da natureza – Platão, idealista, rejeitara a experiência como
fonte de conhecimento, certo? Aristóteles, mais positivo, toma sempre o
fato como ponto de partida de suas teorias, buscando na realidade um
apoio sólido às suas mais elevadas especulações metafísicas.
2- Rigor no método: depois de estudar as leis do pensamento, o processo
dedutivo e indutivo, aplica-os em todas suas obras, substituindo a
linguagem imaginosa e figurada de Platão por um estilo lapidar e conciso,
criando uma terminologia filosófica de precisão admirável. Pode-se
considerá-lo como o autor da metodologia e tecnologia científicas.
Geralmente, no estudo de uma questão, Aristóteles procede por partes:
a) começa a definir-lhe o objeto;
b) passa a enumerar-lhe as soluções históricas;
c) Propõe, depois, as dúvidas;
d) indica em seguida, a própria solução;
e) refuta, por último as sentenças contrárias.
3- Unidade de conjunto: sua vasta obra filosófica constitui um verdadeiro
sistema, uma síntese, onde todas as partes se compõem, se corresponde, se
confirmam.
BUSCANDO CONHECIMENTO

Sobre a questão da Teologia, Aristóteles considera que o objeto próprio da


teologia é o primeiro motor imóvel, ato puro, o pensamento do pensamento, isto
é, Deus, a que Aristóteles chega através de uma sólida demonstração baseada
sobre a imediata experiência, indiscutível, realidade do vir-a-ser, a passagem da
potência ao ato. Este vir-a-ser, passagem da potência ao ato requer, finalmente,
um não-vir-a-ser, motor imóvel, um motor já em ato, um ato puro (Deus), pois, de
outra forma, teria que ser movido, por sua vez. A necessidade deste primeiro
motor imóvel, não é absolutamente excluída pela eternidade do vir-a-ser, do
movimento do mundo. Deus é unicamente pensamento, atividade teorética,
enquanto qualquer outra atividade teria fim extrínseco, incompatível com o ser
perfeito, auto-suficiente (Deus). Se Deus é mera atividade teorética, tendo como
objetivo unicamente a própria perfeição, não conhece o mundo imperfeito, e
menos ainda opera sobre ele. Deus não atua sobre o mundo, voltando-se para ele
com o pensamento e a vontade; mas unicamente como fim último, como causa
final e, por consequência, e só assim, como causa eficiente e exemplar. De Deus
depende a ordem, a vida, a racionalidade do mundo; Ele, porém não é criador,
nem providência do mundo.
No que diz respeito à Moral, Aristóteles trata-a em três “éticas”. Consoante
sua doutrina metafísica, todo ser tende, necessariamente, à realização da sua
natureza; à atualização plena da sua forma; e nisso está o seu fim o seu bem, a
sua felicidade e, por consequência a sua lei. Visto ser a razão a essência
característica do homem, realiza ele sua natureza, vivendo racionalmente e sendo
disso consciente.O fim do homem é a felicidade, a que é necessária a virtude e a
esta é necessária à razão. A característica fundamental da moral aristotélica e,
portanto, o racionalismo visto ser a virtude, ação consciente, segundo a razão,
que exige o conhecimento absoluto, metafísico, da natureza e do universo,
natureza na qual o homem deve operar. As virtudes éticas, morais, não são mera
atividade racional, como as virtudes intelectuais, teoréticas; mas implicam um
elemento sentimental que deve ser governado pela razão, e não pode, todavia,
ser completamente resolvido na razão. A razão aristotélica governa, domina as
paixões, não as aniquila como queria o ascetismo platônico. A virtude ética não é,
pois, razão pura, mas uma aplicação da razão; não é unicamente ciência mas uma
“ação” com “ciência”.
UNIDADE 6 - ARISTÓTELES, RELIGIÃO, METAFÍSICA E PSICOLOGIA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Propiciar conhecimentos da Filosofia Antiga, enfocando os


pensamentos de Aristóteles.
Com Aristóteles
O termo teísmo designa uma doutrina que
afirma-se o teísmo do ato
afirma a existência de um Deus único e
puro. No entanto, este Deus, transcendente.

pelo seu efetivo isolamento


do mundo, que ele não conhece, não cria, não governa, não está em condições
de se tornar objeto de religião. E não fica nenhum outro objeto religioso.

ESTUDANDO E REFLETINDO

A Religião
Não obstante esta concepção filosófica da divindade, Aristóteles admite a
religião positiva do povo, até sem correção alguma. Explica e justifica a religião
positiva, tradicional, mítica, como obra política para moralizar o povo e como
fruto da tendência humana para as representações antropomórficas. Diz que a
religião não teria um fundamento racional da existência da divindade, mas que o
homem se teria facilmente elevado a ela através do espetáculo da ordem celeste.

A Metafisica
A metafísica aristotélica é “a ciência do ser como ser, ou dos princípios e
das causas do ser e de seus atributos essenciais”. Ela abrange ainda o ser imóvel e
incorpóreo, princípio dos movimentos e das formas do mundo, bem como o
mundo mutável e material, mas em seus aspectos universais e necessários.
Exporemos, portanto, antes de tudo, as questões gerais da metafísica, para depois
chegarmos àquela que foi chamada mais tarde, metafísica especial; tem esta
como objeto o mundo que vem-a-ser - natureza e homem – e culmina no que
pode vir-a-ser, isto é, Deus. Pode-se reduzir fundamentalmente a quatro as
questões gerais da metafísica aristotélica: 1) potência e ato; 2) matéria e forma;
particular e universal, e 4) movido e motor. A primeira e a última abraçam todo o
ser, a segunda e a terceira todo o ser em que está presente a matéria.
1- A doutrina da potência e do ato é fundamental na metafísica aristotélica:
potência significa possibilidade, capacidade de ser, não-ser atual; e ato
significa realidade, perfeição, ser efetivo. Todo ser, que não seja o Ser
perfeitíssimo, é, Sinolo- síntese de matéria e forma.

portanto, uma
síntese – um sinolo – de potência e de ato, em diversas proporções,
conforme o grau de perfeição, de realidade dos vários seres. Um ser
desenvolve-se, aperfeiçoa-se, passando da potência ao ato; esta passagem
da potência ao ato é atualização de uma possibilidade, de uma
potencialidade anterior.
2- Os elementos constitutivos da realidade são a forma e a matéria. A
realidade, porém, é composta de indivíduos, substâncias, que são uma
síntese – um sinolo – de matéria e forma. Por consequência, estes dois
princípios não são suficientes para explicar o surgir dos indivíduos e das
substâncias que não podem ser atuados – bem como a matéria não pode
ser atuada – a não ser por outro indivíduo, isto é, por uma substância em
ato. Daí a necessidade de um terceiro princípio, a causa eficiente, para
poder explicar a realidade das coisas, A causa eficiente, por sua vez, deve
operar para o indivíduo. Daí uma quarta causa, a causa final, que dirige a
causa eficiente para a atualização da matéria mediante a forma.
3- Mediante a doutrina da matéria e forma, Aristóteles explica o indivíduo, a
substância física, a única realidade efetiva no mundo, que é precisamente
síntese – sinolo – de matéria e de forma. A essência – igual em todos os
indivíduos de uma mesma espécie – deriva da forma; a individualidade,
pela qual toda substância é original e se diferencia de todas as demais,
depende da matéria. O individuo é, portanto, potência realizada, matéria
enformada, universal particularizado.
4- Da relação entre a potência e o ato, entre a matéria e a forma, surge o
movimento, a mudança, o vir-a-ser, a que é submetido tudo que tem
matéria, potência. A mudança é, portanto, a realização do possível. Esta
realização do possível, porém, pode ser levada a efeito unicamente por um
ser que já está em ato, que possui já o que a coisa movida deve vir-a-ser.

BUSCANDO CONHECIMENTO

A Psicologia
Objeto geral da psicologia aristotélica é o mundo animado, isto é, vivente,
que tem por princípio a alma e se distingue essencialmente do mundo inorgânico,
pois o ser vivo, diversamente do ser inorgânico, possui internamente o princípio
da sua atividade, que é precisamente a alma, forma do corpo. A característica
essencial e diferencial do ser inorgânico, que tem por princípio a alma vegetativa,
é a nutrição e a reprodução. A característica da vida animal, que tem por princípio
a alma sensitiva, é precisamente a sensibilidade e a locomoção. A característica da
vida do homem, que tem por princípio a alma racional, é o pensamento.
O conhecimento sensível, a sensação, pressupõe um fato físico, a saber, a
ação do objeto sensível sobre o órgão que sente, através do movimento, de um
meio. Mas o fato físico transforma-se num fato psíquico, isto é, na sensação
propriamente dita, em virtude da específica faculdade e atividade sensitivas da
alma.
Acima do conhecimento sensível está o conhecimento inteligível,
especificamente diverso do primeiro. Aristóteles aceita a essencial distinção
platônica entre sensação e pensamento, ainda que rejeite o inatismo platônico,
contrapondo-lhe a concepção do intelecto como tábula rasa, sem ideias inatas.
Objeto do sentido é o particular, o contingente, o mutável, o material. Objeto do
intelecto é o universal, o necessário, o imutável, o imaterial, as essências, as
formas das coisas e os princípios primeiros do ser, o ser absoluto. Por
consequência, a alma humana, conhecendo o imaterial, deve ser espiritual e,
como tal, deve ser imperecível.

Conclusões

É difícil aquilatar em sua justa medida o valor de Aristóteles. A influência


intelectual por ele até hoje exercida sobre o pensamento humano e à qual se não
pode comparar a de nenhum outro pensador dá-nos, porém, uma ideia da
envergadura de seu gênio excepcional. Criador da lógica, do primeiro tratado de
psicologia científica, primeiro escritor da história da filosofia, patriarca das ciências
naturais, metafísico, moralista, político, ele é o verdadeiro fundador da ciência
moderna e ainda hoje está presente, não somente nas nossas cogitações, mas
também na expressão dos sentimentos e das ideias da vida comum e habitual.
UNIDADE 7 - IDADE MÉDIA - FILOSOFIA E EDUCAÇÃO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar as características gerais da filosofia da educação na Idade


Média.
A Idade Média teve início na Europa, com as invasões dos bárbaros, no
século V, e consequente queda do Império Romano do ocidente. Estende-se até o
começo dos tempos modernos, cujo início pode ser a conquista de
Constantinopla ou o princípio da Reforma.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Idade Média, que abrange do século V até o século XV caracteriza-se por:


1-Estrutura política: prevaleceram as relações de vassalagem e suserania. O

suserano dava lotes de terra aos vassalos, que deveriam prestar-lhe ajuda
(trabalho), fidelidade e pagar impostos. Em troca, recebiam proteção e um lugar
no sistema de produção. Neste “sistema político feudal” os poderes jurídicos,
econômicos e políticos concentravam-se nas mãos dos senhores feudais.
2- Sociedade: era estática e hierarquizada e assim constituída: nobreza feudal
(senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes); O Clero tinha um
grande poder e era responsável pela proteção espiritual da sociedade, era isento
de impostos e arrecadava o “dízimo”; Servos: (camponeses) e pequenos artesãos.
3- Economia: baseava-se, principalmente, na agricultura e um pouco de
artesanato. A produção era baixa, porque as técnicas do trabalho agrícola eram
rudimentares (arados puxados por bois).
4- Educação e Cultura: só os filhos dos nobres estudavam; era marcada pela
influência da igreja e grande parte da população era analfabeta.
BUSCANDO CONHECIMENTO

A queda do Império Romano, com a avalanche dos bárbaros, arrasou


grande parte das conquistas culturais do mundo antigo. A Idade Média inicia-se
com a desorganização da vida política, econômica e social do ocidente, agora
transformado num mosaico de reinos bárbaros. Depois, vieram as guerras, a fome
e as grandes epidemias (peste bubônica). O cristianismo propaga-se por diversos
povos. A diminuição da atividade cultural transforma o homem comum num ser
dominado por crenças e superstições. O período medieval não foi, porém, a
“idade das trevas” como se acreditava. A filosofia clássica (grega) sobrevive
confinada nos mosteiros religiosos. O aristotelismo dissemina-se pelo Oriente
Bizantino, fazendo florescer os estudos filosóficos e as realizações científicas. No
Ocidente, fundam-se as primeiras universidades: ocorre a fusão dos elementos
culturais grego-romanos, cristãos e germânicos. As obras de Aristóteles são
traduzidas para o latim e difundidas por todo o Ocidente.
Apoiada em sua crescente influência religiosa, a Igreja passou a exercer
importante papel político na sociedade medieval. Desempenhou, por exemplo, a
função de órgão supranacional, conciliador das elites dominantes, contornando os
problemas da fragmentação política e das rivalidades internas da nobreza feudal.
Conquistou, também, vasta riqueza material numa época em que terra era a
principal base de riqueza. Assim, pôde estender seu manto de poder
“universalista” sobre diferentes regiões europeias. Sob a influência da Igreja, as
especulações se concentram em questões filosófico-teológicas, tentando conciliar
a fé e a razão.
Muitas formas de pensamento marcaram essa época, mas são três as
características que parecem ter sido comuns às várias tendências da filosofia
medieval:
1) a estreita relação entre filosofia e religião “a filosofia é serva da teologia”;
2) a influência de Aristóteles em todos os campos (lógica, ética, filosofia natural e
metafísica) como fator decisivo na formação do pensamento medieval;
3) a unidade de método, que é ao mesmo tempo, método de experimentação e
investigação.
A unidade do pensamento cristão se deu pela influência simultânea do
cristianismo e do aristotelismo: a fé e a razão – Cristo e Aristóteles. A revelação
cristã e a razão aristotélica agiram em conjunto para a visão do mundo do
homem medieval. O pensamento clássico encontrara um desenvolvimento e
amadurecimento, que seria impossível ignorá-lo. No entanto, fazia-se necessária
uma nova sistematização; elaborada a partir dos problemas já pensados na
filosofia pagã, conjugados com os agora propostos pelo Cristianismo.
O cristianismo transporta o cerne da filosofia do cosmos (natureza) para o
homem – da cosmocêntrica ou geocêntrica, como na filosofia grega
(principalmente a aristotélica) para a homocêntrica, descobrindo que o seu
verdadeiro problema é o homem. Assim, dois grandes temas irão nortear a
filosofia medieval: o homem e Deus.
A filosofia cristã comportou dois grandes períodos: a filosofia dos padres
da Igreja –“Patrística”; e a filosofia dos Doutores da Igreja – “Escolástica”.
O principal nome da Patrística foi Santo Agostinho e da Escolástica foi São
Tomas de Aquino, temas de nossas próximas unidades.
UNIDADE 8 - IDADE MÉDIA - FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: “SANTO
AGOSTINHO”

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Propiciar conhecimentos sobre as ideias filosóficas de Santo Agostinho.


Agostinho acreditava
Santo Agostinho nasceu em Tagaste, norte da
que o pensar racional fosse África, em 354, filho de mãe cristã (Santa Monica) e
compatível com a verdade pai pagão. Não foi batizado. Menospreza o
cristianismo até que, aos dezoito anos, enquanto
revelada por Deus e que, estuda em Cartago, ao ler o livro “Hortensio” de
Cícero, inicia uma busca angustiada da verdade.
portanto, a filosofia pudesse
Após alguns anos de adesão ao maquineísmo,
servir à teologia. liberta-se, mas não consegue encontrar uma nova
posição frente ao mundo e cede ao ceticismo
representado por Cícero e pela Nova Academia. Era
ESTUDANDO E REFLETINDO professor de Retórica em Cartago. Indo depois para
Milão, trava conhecimento com os escritos
platônicos e vem-lhe a ideia de que, além do mundo
Agostinho foi o principal corpóreo, há um mundo de ideias e compreende,
contrariamente ao pensamento dos Maquineus, que
representante dessa forma Deus, em particular, deve ser incorpóreo. E quando,
por influência de Ambrozio, bispo da cidade, trava
de pensar e, a síntese que
conhecimento de mais perto com a espiritualidade
ele realizou, ele mesmo do Cristianismo, passa por uma radical
transformação interna. Retira-se para Cassiciacco,
chamou filosofia cristã,
perto de Milão, retoma às reflexões sobre o mundo
sistematizando uma do pensamento, lança por escrito uma série de
obras, e faz-se batizar por Ambrózio, em 387.
concepção do mundo, do Depois, volta para Tagaste, sua terra natal, e funda
homem e de Deus, que, por em sua casa uma espécie de claustro. Emprega todo
o tempo na atividade de escritor, sobretudo nas
muito tempo, foi a doutrina discussões espirituais com os maquineus. Em 391,
ordena-se sacerdote e vem a ser bispo de Hipona
fundamental da Igreja
em 395. Depois da sua morte, quando ruiu o
Católica. Império Romano do Ocidente e dele não deixaram
os vândalos, senão ruínas, sua obra sobreviveu
Quando Agostinho se
imortal, perene fonte para o espírito filosófico e
converteu ao cristianismo, já religioso do Ocidente.
conhecia muito bem, principalmente através da leitura dos textos de Cicero, o
pensamento clássico. Também, para ele, o pensar filosófico busca resolver o
problema da felicidade: afirma que o homem não tem razão para filosofar, exceto
para atingir a felicidade. Entendia que a filosofia não sai em busca do
conhecimento da natureza do universo físico ou dos deuses, mas sim, do homem
à procura da felicidade.
Como o próprio Agostinho encontrou essa felicidade através da fé e da
intuição, e não pelo esforço intelectual, ele retoma o grande problema da
conciliação entre razão e a fé, entre a filosofia pagã e a fé cristã. Seu maior
empenho foi dar uma explicação racional aos dogmas cristãos.
Agostinho conhecia as ideias dos céticos da Nova Academia platônica que
ensinavam que se deve duvidar de tudo e que só se pode conhecer o que é
provável (probabilismo), sem absoluta certeza da verdade. Ele consegue vencer o
ceticismo, aprofundando-o: se duvido, no ato de duvidar tenho consciência de
mim mesmo, como aquele que duvida. Se eu me engano, eu sou, pois aquele que
não é, não pode ser enganado – não posso duvidar do meu próprio ser, tenho a
certeza de mim como existente. Atingindo a certeza da própria existência através
da dúvida, Agostinho antecipa Descartes, que formulou sua reflexão doze séculos
mais tarde: “penso, logo existo”.
Essa primeira certeza fundamentou sua teoria do conhecimento e revelou a
essência do homem: ser pensante em que o pensamento não se confunde com a
matéria. Seu modo de ver o homem como “uma alma que se serve de um corpo”,
foi herdado de Platão através do conhecimento da doutrina do neo-platônico,
Plotino. No entanto, os platônicos e neo-platônicos acreditavam que a alma, para
livrar-se das imperfeições, deveria destacar-se do corpo, que a faz prisioneira.
Agostinho ensina que a união da alma com o corpo, tendo sido criada por Deus,
não pode ser um mal; que a alma é hierarquicamente superior ao corpo e tende a
um fim que está além da ordem natural: tende a Deus, que é o seu princípio. Esse
conceito é também platônico: lembremo-nos de que Platão acreditava que a terra
não é o fim último da alma, senão que, após sua passagem pelo mundo natural,
deverá voltar ao mundo das Ideias.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Agostinho distingue dois tipos de conhecimento:


1- aquele que decorre dos órgãos dos sentidos que apreendem os objetos
exteriores – é mutável, temporal; portanto, não necessário (razão inferior);
2- o conhecimento das verdades imutáveis e eternas, portanto necessários (razão
superior).
Se considerarmos que o homem é tão mutável quanto as coisas que
nossos sentidos percebem, donde virá o conhecimento da verdade imutável e
necessária? Responde o filósofo: da iluminação divina. Outra vez encontramos
Platão – na alegoria da caverna, o homem pode conhecer a verdade, porque um
sol externo (ideia do Bem) ilumina o mundo das ideias.
Para Agostinho, então, conhecer a verdade é possível, porque as Ideias, as
verdades, estão presentes em nosso intelecto e Deus nos concede a graça de
iluminá-las, para que possamos conhecê-las. Conceito difícil de ser entendido,
aproxima-se dos conceitos platônicos da reminiscência e das ideias inatas; mas
esse filósofo cristão procura diferenciar os dois conceitos: as ideias não são inatas,
mas presentes em nós, como reflexos da verdade divina, como um presente que
Deus nos oferece.
Como o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, tem uma
presença da verdade que não é a Verdade absoluta que ele procura – esta
presença da verdade, que é, ao mesmo tempo, uma ausência da Verdade
absoluta, faz do homem um ser inquieto, à procura da luz infinita da Verdade
absoluta. Agostinho foi o filósofo da inquietação humana.
Como o pensamento humano descobriu a existência de Deus? De acordo
com Agostinho, nada há no homem e no mundo superior à mente, mas a mente
intui verdades imutáveis e absolutas, que são superiores a ela; portanto, existe a
Verdade imutável, absoluta, transcendente, que é Deus . Não podemos conhecer
Deus na sua essência e d’Ele só podemos falar por analogia com aquilo que
conhecemos. Novamente recorrendo a Platão, Agostinho, incorpora o mundo das
aparências e o mundo das ideias ao pensamento e à mística cristã.
Deus está fora do tempo, é sempre presente; o mundo foi criado junto
com o tempo e não no tempo – antes do mundo ser criado, não havia tempo.
Deus é eterno, presente, fora do tempo. Antes de Agostinho, Deus era visto como
um organizador do caos inicial. Bem diversa é a doutrina cristã do filósofo, para
quem Deus é o criador de todos os seres, a partir do nada, e como consequência,
do seu amor infinito.
Outro problema abordado por Agostinho foi o livre arbítrio: depois do
pecado original, o homem possuía o livre arbítrio, isto é, a possibilidade de
escolher entre o bem e o mal, e entre o mal maior e o mal menor. A vontade
pode afastar o homem de Deus, fazendo escolhas erradas, o que significa ir para
o não-ser. Eis o pecado, que não é necessário e deriva, unicamente da vontade do
homem, nunca de Deus.
Esse conceito de predestinação “apenas os predestinados à salvação
recebem a graça de Deus”, é exposto em sua obra Cidade de Deus; aqueles que
persistirem no pecado vivem na cidade dos homens, onde são sempre castigados;
os eleitos constroem a Cidade de Deus e viverão para sempre. Os fatos, como as
guerras, o dilúvio e os impérios opressores pertencem à cidade dos homens; a
Arca de Noé, Moises, os profetas e, principalmente, a vinda de Jesus ao mundo,
são manifestações da Cidade de Deus.
Agostinho escreveu a Cidade de Deus, enquanto assistia à destruição do
Império Romano. Deu uma resposta ao paganismo romano que acusava o
cristianismo de ter culpa nesse desastre - foi a mão de Deus que castigou os
pagãos da Cidade dos Homens, para dar lugar ao cristianismo da Cidade de Deus.
A capacidade de Agostinho de aprofundar e ampliar a relação entre a
filosofia antiga – principalmente Platônica e Neo-Platônica - e o cristianismo, fez
dele o fundador do platonismo cristão e o primeiro sistematizador da filosofia
cristã.
UNIDADE 9 - IDADE MÉDIA – FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: “SANTO
AGOSTINHO” E A PATRÍSTICA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar os fundamentos da Patrística

Durante a Idade Média a Igreja exerceu amplo domínio no plano cultural,


traçando um quadro intelectual em que a fé cristã era o pressuposto fundamental
de toda sabedoria humana. Essa fé consistia na crença irrestrita ou na adesão
incondicional às verdades reveladas por Deus aos homens: as Sagradas Escrituras.
Por outro lado, surgiram pensadores cristãos que defendiam o
conhecimento da filosofia grega, na medida em que sentiam a possibilidade de
utilizá-la como instrumento a serviço do cristianismo. Conciliado com a fé cristã, o
estudo da filosofia grega permitiria à igreja enfrentar os descrentes e demolir os
hereges com as armas racionais da argumentação lógica. O objetivo era
convencer os descrentes, tanto quanto possível, pela razão, para depois fazê-los
aceitar os mistérios divinos, até então, somente acessíveis pela fé.

ESTUDANDO E REFLETINDO

“A fé em busca de argumentos racionais a partir de uma matriz platônica”.


Desde que surgiu o cristianismo, tornou-se necessário explicar seus
ensinamentos às autoridades romanas e ao povo em geral. Mesmo com o
estabelecimento e a consolidação da doutrina cristã, a Igreja Católica sabia que
esses preceitos não podiam, simplesmente serem impostos pela força. Eles tinham
de ser apresentados de maneira convincente, mediante um trabalho de conquista
espiritual.
Foi assim que os primeiros padres da Igreja empenharam-se na elaboração
de inúmeros textos sobre a fé e a revelação cristãs. O conjunto desses textos ficou
conhecido como “patrística”, por terem sido escritos, principalmente, pelos
grandes padres da Igreja.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Uma das principais correntes da filosofia patrística, que se inspirava na


filosofia greco-romana e tentou munir a fé de argumentos racionais. Esse projeto
de conciliação entre o cristianismo e o pensamento pagão teve como principal
expoente o Padre Agostinho.
A Patrística, baseada em Platão, foi uma das primeiras formas de cultura e
educação na Idade Média. Foi uma das primeiras correntes a ensinar uma filosofia
que surgiu como forma de evitar heresias. Essa forma de combater as religiões
pagãs fez com que os padres tivessem que buscar argumentação nos
fundamentos filosóficos gregos “extraindo dela argumentação que justificasse a
interpretação pagã da nova religião/filosofia”. (MOSER, 2008, p. 58)
A Patrística, conforme Schineider (2007), auxilia a exposição racional da
doutrina religiosa, preocupando-se principalmente com a relação entre a fé e
ciência, com a vida moral, com a natureza de Deus e da alma.
Santo Agostinho une a filosofia e a religião, com isso, forma sua própria
filosofia, que se baseava em conhecimento, sabedoria e amizade. Agostinho
colaborou para o reconhecimento de que, paralelamente à conquista do domínio
dos conteúdos, o aluno seja orientado a relacionar esse conhecimento a uma
realidade maior (Deus), à formação de valores que prezem a integridade e a
verdade.
No século IV fundaram-se escolas junto às catedrais. Em seguida, vieram as
universidades, sendo que algumas delas são conhecidas até hoje (Oxford e
Cambridge). Mas em todas as faculdades da época a influência da Igreja era forte.
As aulas eram ministradas em latim e algumas das matérias de estudo eram:
teologia (filosofia), ciências, direito e medicina. As universidades tinham vários
privilégios, como: isenção de impostos, isenção do serviço militar, além do direito
de julgamento especial em foro acadêmico para seus membros. Essas vantagens
eram sempre garantidas pelo Imperador ou pelo Papa, que eram as maiores
autoridades da época.
“Compreender para crer, crer para compreender” (Santo Agostinho)
UNIDADE 10 - EDUCAÇÃO NA IDADE MÉDIA: A ESCOLÁSTICA E SÃO
TOMÁS DE AQUINO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar o conceito de Escolástica;


Propiciar conhecimentos sobre São Tomás de Aquino e sua visão de
Escolástica.
Escolástica representa o último período do pensamento cristão, que vai
do começo do século IX até o fim do século XVI, isto é, da construção do sacro
romano império bárbaro, ao fim da Idade Média, que assinalada, geralmente, com
a “descoberta da América” (1492).
São Tomás de Aquino desenvolveu o “Tomismo”, filosofia escolástica
adotada oficialmente pela Igreja Católica e que se caracteriza, sobretudo, pela
tentativa de conciliar o aristotelismo com o cristianismo, rompendo com todas as
doutrinas que não se harmonizavam com a filosofia aristotélica.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Este período do pensamento cristão se designa com o nome de


escolástica, porquanto era a filosofia ensinada nas escolas da época, pelos
mestres, por isso, escolásticos. As matérias ensinadas nas escolas medievais eram
representadas pelas chamadas artes liberais, divididas em trívio: gramática,
retórica e dialética; e quadrívio: aritmética, geometria, astronomia e música. A
escolástica surge, historicamente, do especial desenvolvimento da dialética.
Compatibilizar a fé e a razão continua a ser o problema central da filosofia
escolástica. O renascimento das atividades comerciais e a prosperidade dos
centros urbanos estimularam também o desenvolvimento cultural.
A invasão dos bárbaros, no séc. V, destruiu no Ocidente a civilização
romana e iniciou a Idade Média. Os bárbaros, que irromperam de todos os lados,
provocaram novas condições políticas e sociais adversas à conservação e ao
desenvolvimento da cultura intelectual. Por isso, os quatro primeiros séculos da
Idade Média são obscuros, um período de estagnação intelectual em que não
houve filosofia propriamente dita, mas houve a preocupação de salvar os restos
da cultura, que estava sendo arruinada pelas hordas dos visigodos, suevos,
ostrogodos, francos e, principalmente, vândalos.
O grande trabalho dos intelectuais dos primeiros séculos medievais,
portanto, não foi criador, mas compilador. E este trabalho se deve principalmente
aos monges, que recolheram em seus conventos muitos manuscritos antigos, que
encerravam as sabedorias dos séculos anteriores.
Aos poucos, os bárbaros, vencedores, acomodaram-se à nova situação
política e passaram a aceitar os usos e costumes dos povos vencidos,
convertendo-se ao Cristianismo. Com isso, houve um ressurgimento da cultura e,
gradativamente, as manifestações científicas e filosóficas apareceram,
predominando a então “Escolástica”, como principal corrente filosófica.
Inicia-se um período de florescimento intelectual, no século XIII, o século
clássico da Idade Média e um dos mais importantes da história da filosofia. A
filosofia escolástica cristã, mais o aristotelismo passaram a ser as grandes fontes
da Escolástica. É um período de esplendor em todas as manifestações humanas:
na arquitetura, na pintura, na literatura, nas ciências. É o século da introdução da
álgebra e dos algarismos arábicos no Ocidente e do emprego da bússola. É
também este o período de esplendor da Escolástica. Para isso, três foram os
fatores fundamentais: a fundação das Universidades, o estabelecimento das
ordens mendicantes dos dominicanos e dos franciscanos e o conhecimento da
obra filosófica de Aristóteles.
No início do século XIII, surgiu a Universidade de Paris, resultado da
reunião das quatro faculdades: de teologia, de artes (filosofia), de direito e de
medicina. Pouco depois, mais ou menos modeladas na de Paris, surgem as
Universidades de Oxford e Cambridge, na Inglaterra; Bolonha e Pádua, na Itália;
Salamanca, na Espanha; Colônia e Heidelberg, na Alemanha e Coimbra em
Portugal. Nessas universidades, grandes centros intelectuais que perduram até
hoje, mantiveram-se vivas as tradições platônicas e agostinianas, e cultivava-se o
aristotelismo.
Em princípios do século XIII, fundaram-se as duas grandes ordens
mendicantes: dos franciscanos e dos dominicanos. Após grandes polêmicas com
os seculares, conseguem estes padres algumas cátedras na Universidade de Paris
e acabam, depois, dominando o ambiente universitário. Dentre os maiores
filósofos franciscanos apareceram Alexandre de Halles, o primeiro mestre
franciscano, São Boaventura, Rogério Bacon, Duns Scoto e Guilherme de Occam.
Dentre os dominicanos: São Alberto Magno, São Tomaz de Aquino e mestre
Eckehart.
O conhecimento de Aristóteles foi o fator mais importante para o apogeu
da Escolástica do século XIII. Nos séculos anteriores, a única obra conhecida de
Aristóteles era o “Organon”. Em princípios do século XIII toda a enciclopédia
aristotélica foi divulgada. A princípio, passando por traduções imperfeitas,
oriundas do árabe ou hebraico, e foram proibidas pelas autoridades eclesiásticas
em 1215. Mais tarde, por volta de 1254, traduzidas diretamente do grego para o
latim, foram incorporadas pela Universidade de Paris.

São Tomás de Aquino – (1227 – 1274) nasceu em


BUSCANDO CONHECIMENTO um castelo próximo à cidade de Aquino, Itália,
de uma família nobre. Entrou cedo para a ordem
Dominicana. Não se sabe com precisão os
acontecimentos de sua vida. As universidades
O maior expoente da
surgem no século XII, e elas começam a ter forte
Escolástica foi São Tomás de Aquino. atuação e influência. Cria-se um ambiente
cultural, nas capitais, em que irão atuar Alberto
São Tomás é famoso por ter Magno e seu discípulo, São Tomás de Aquino.
Há uma miscigenação cultural, pois os Sábios da
cristianizado Aristóteles; à Arábia vem para a Europa. São Tomás de Aquino
entrou para a universidade de Nápoles, onde
semelhança do que fez Agostinho estudou filosofia. Sabia, falava e escrevia em
latim fluentemente.
com Platão, ele transformou o pensamento desse sábio num padrão aceitável
pela Igreja Católica. Apesar de Aristóteles não ter conhecido a revelação cristã,
como diz Tomás, e de sua obra ser original, autônoma e independente de
dogmas, ela está em harmonia com o saber contido na Bíblia.
Tomás de Aquino apresentou a solução definitiva do problema das
relações entre razão e a fé. Trata-se de duas ciências: a filosofia e a teologia; a
primeira funda-se no exercício da razão humana; a segunda, na revelação divina.
São duas ciências independentes, mas que apresentam um objeto material
comum: a existência de Deus, a essência da alma. A distinção entre essas ciências
deriva mais do objeto formal, pois a teologia estuda o dogma pelo método da
autoridade ou revelação, ao passo que a filosofia o considera por demonstração
científica, ou, pela razão.
Segundo São Tomas, a teologia e filosofia não se contradizem, ambas
procuram a verdade e esta é uma só: a revelação é critério da verdade. No caso
de uma contradição entre a razão e a revelação, o erro não será nunca da
teologia, mas deve ser atribuído à filosofia, pois foram nossas limitações
cognoscitivas racionais que se extraviaram e não conseguiram chegar à verdade.
A Teodiceia é a especulação filosófica, para provar a existência de Deus.
Tomás de Aquino sustenta que nada está na inteligência que não tenha estado
antes no sentido, razão pela qual não podemos ter de Deus, uma ideia clara e
distinta. A fim de provar sua existência, Tomás procede a posteriori, partindo não
da idéia de Deus, mas dos efeitos por ele produzidos. Assim, elege o mundo
sensível, como ponto de partida, cuja existência é dada pelos sentidos e utiliza a
metafísica aristotélica, revelando o seu gênio sintético, ao demonstrar a existência
de Deus, de cinco modos, que são as famosas cinco vias, que assim se resume:
1. “Movimento”- é o argumento aristotélico do primeiro motor. O movimento
existe e é uma evidência para os nossos sentidos; ora, tudo o que se move
é movido por outro motor; se esse motor por sua vez, é movido, precisará
de um motor que o mova, e, assim, indefinidamente, o que é impossível, se
não houver um primeiro motor imóvel, que move sem ser movido, que é
Deus.
2. “Concatenação das causas” - tudo está sujeito à lei de causa e efeito. Há,
pois, uma série de causas eficientes: causas e efeitos ao mesmo tempo; ora,
não é possível remontar indefinidamente na série das causas, logo, há uma
causa primeira, não causada, que é Deus.
3. “Contingência”- todos os seres que conhecemos são finitos e contingentes,
pois não tem em si próprio a razão de sua existência: são e deixam de ser;
ora, se são todos contingentes, em determinado tempo deixariam todos de
ser e nada existiria, o que é absurdo, logo, o seres contingentes implicam o
ser necessário, ou Deus.
4. “Graus de perfeição”– todas as perfeições admitem graus que se
aproximam mais ou menos das perfeições absolutas. Deve, pois, haver um
ente perfeito: é o ente supremo - Deus.
5. “Ordem universal” – todos os entes tendem para uma ordem, não por
acaso, mas por uma inteligência que os dirige; há, pois, um ente inteligente
que ordena a natureza e a impele para o seu fim. Esse ente inteligente é
Deus.
A doutrina Tomista admite que a alma, princípio espiritual, junta-se ao
corpo, princípio material, constituindo um composto substancial. No concernente
às propriedades da alma humana, admite o livre-arbítrio e considera a inteligência
como a faculdade mais perfeita de nossa alma.
Tomas de Aquino é considerado o maior gênio da Escolástica. Criou um
sistema filosófico sintético, coerente, fundamentado em Aristóteles, e reformulou
todo o pensamento cristão.
Desenvolvimento do conhecimento, durante a Idade Média, a Escolástica
conta com particularidades diversas que se afastam daquela errônea perspectiva
que a define como “a idade das trevas”. Contudo, a predominância dos valores
religiosos e as demais condições específicas fazem do período medieval, apenas
singular em relação aos demais períodos históricos. Nesse sentido, o expressivo
monopólio intelectual exercido pela Igreja vai estabelecer uma cultura de traço
fortemente teocêntrico. Os mais proeminentes filósofos que surgem nessa época
tiveram grande preocupação em discutir assuntos diretamente ligados ao
desenvolvimento e à compreensão das doutrinas cristãs. Já durante o século III,
Tertuliano apontava que o conhecimento não poderia ser válido se não estivesse
atrelado aos valores cristãos. Logo em seguida, outros clérigos defenderiam que
as verdades do pensamento dogmático cristão não poderiam estar subordinadas
à razão. Em contrapartida, existiam outros pensadores medievais que não
advogavam a favor dessa completa oposição entre fé e a razão. Um dos mais
expressivos representantes dessa conciliação foi Santo Agostinho, que defenderia
a busca de explicações racionais que justificassem as crenças. A ideia de
subordinação do homem em relação a Deus e da fé a razão acabaram tendo
grande predominância durante vários séculos do pensamento filosófico medieval.
Mais do que refletir interesses que legitimavam o poder religioso da época, o
negativismo impregnado no ideário de Santo Agostinho deve ser visto como uma
consequência próxima às conturbações, guerras e invasões que viriam marcar a
formação do mundo medieval.
Contudo, as transformações experimentadas na Baixa Idade Média viriam a
promover uma interessante
revisão da teologia
O ensino escolástico, na época medieval,
agostiniana. A chamada contribuiu para a manutenção do poder da
Igreja Católica em relação à formação, não só
filosofia escolástica apareceria
eclesiásticas, mas acabou simultaneamente, por
com o intuito de promover a gerir através das escolas monásticas e
catedralísticas a produção filosófica e literária da
harmonização entre os campos mentalidade medieval em suas relações sociais,
econômicas e culturais. A corrente patrística foi
da fé e da razão. Entre seus um uso da Igreja para se manter no poder,
através da educação; e a escolástica foi herdeira
principais representantes dessa herança de monopólio do poder. A
escolástica visava manter o poder que a
estava São Tomas de Aquino.
patrística tinha estabelecido. “A escolástica era
Talvez, influenciado pelos um tipo de vida intelectual e educativa, que
predominou, entre os séculos XI e XV,
rigores que organizavam a contribuindo para o estabelecimento das
universidades. Produziu um acervo literário
Igreja, preocupou-se em criar extenso. Tinha como premissa justificar a fé a
partir da razão, revigorando a religiosidade;
formas de conhecimento que exaltando a Igreja através dos argumentos
intelectuais”. Essa corrente teve três fases
não se apequenassem em
distintas, até sua queda, quando a igreja perdeu
relação a nenhum tipo de poder tanto para o estado quanto para o
protestantismo.
questionamento. Isso porque A Patrística e a Escolástica foram instrumentos
para monopolização do poder na Europa, mas
acreditava que nem todas as muito se deve a elas pelo seguinte fato: foram
elas que uniram, de certo modo e tempo, as
coisas a serem desvendadas ciências e a religião. Além disso, foi nessa época
que surgiram grandes faculdades e com isso
no mundo dependiam única e
pensadores que permeavam a fé em conjunto
exclusivamente da ação divina. com a razão.

Dessa maneira, o homem teria


papel ativo na produção do conhecimento.
Apesar dessa nova concepção, a filosofia escolástica não será promotora
de um distanciamento das questões religiosas e, muito menos, se afastou das
mesmas. Mesmo reconhecendo o valor positivo do livre-arbítrio do Homem, a
escolástica defende o papel central que a Igreja teria na definição dos caminhos e
atitudes que levariam o homem à salvação. Com isso, os escolásticos promoveram
o combate às heresias e preservaram as funções primordiais da Igreja.
UNIDADE 11 - FILOSOFIA MODERNA: O ADVENTO DO
RENASCIMENTO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Tecer considerações preliminares sobre a Filosofia Moderna.


Modernidade. Tempo de mudança. Recomeço. Renascimento. Ciências.
Descobertas. Desejo de conhecer o ser do homem. São estas as questões as
questões chaves de um dos períodos mais férteis da filosofia. Trata-se da Filosofia
Moderna, que corresponde ao pensamento desenvolvido da metade do século XV
ao final do século XVIII.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O que chamamos de mentalidade moderna advém das transformações


culturais, sociais, religiosas e econômicas que ocorreram na Europa, a partir da
metade do século XV ao final do século XVIII. Neste importante período da
história da humanidade, a teoria política e científica ganhou novos ares e as
transformações pelas quais passou o continente europeu, neste período, foram
marcadas por um movimento de novas elaborações filosóficas. Maquiavel,
Montaigne, Erasmo, More, Galileu, Descartes, Locke e Kant são alguns nomes
significativos para a Filosofia do período.
As perguntas sobre os fundamentos da realidade eram revestidos de
questionamentos sobre o que é o conhecer e o papel de que se passou a chamar
“sujeito moderno”. Do “cogito” cartesiano, aos princípios da experiência, passando
pelas novas invenções, temos um panorama de algumas questões da Idade
Moderna. Ao longo de todo século XVIII, desenvolveu-se a escola Iluminista com
suas críticas ao mundo do Antigo Regime. Montesquieu, Voltaire, Rousseau,
Diderot e outros elaboraram propostas consideradas revolucionárias para a
época.
A Idade Moderna é, marcadamente, caracterizada pelo fim do feudalismo e
o surgimento de um novo sistema econômico, o capitalismo. É um momento em
que ocorre o crescimento do comércio e a ascensão burguesa. A burguesia é
uma classe social surgida na Europa em fins da Idade Média, com o
desenvolvimento econômico e o aparecimento das cidades. Esta classe dominou a
vida política, social, econômica e intelectual. O capitalismo é um sistema
econômico e social baseado na propriedade privada dos meios de produção
visando o lucro. Surge o trabalho assalariado e o funcionamento do sistema de
preços. O mercantilismo, considerado a primeira etapa do capitalismo, foi
estabelecido como forma de fortalecimento das economias nacionais, levando a
um impulso da navegação e à chegada a novas regiões do planeta. São exemplos
de grande prodígio da navegação a chegada, em 1492, de Cristovão Colombo à
América, declarando-a colônia da Espanha, e também, a primeira viagem ao redor
do mundo, entre 1519 e 1522, comandada por Fernão de Magalhães. Outro
fenômeno significativo foi a formação de novos Estados Nacionais, o que levou à
discussão sobre as formas de governo, pois neste momento há na Europa a
centralização do poder através da monarquia absoluta, isto é, o absolutismo.
O movimento conhecido como reforma protestante quebrou a unidade
religiosa europeia, dividindo a Igreja Católica, rompendo com a concepção
passiva do homem, entregue unicamente aos desígnios divinos e reconheceu o
trabalho humano como fonte da graça divina e origem legítima da riqueza e da
felicidade. O homem pôde, afinal, pensar livremente e responsabilizar-se por seus
atos de forma autônoma. O homem na Idade Moderna contraria a
supervalorização da fé cristã, do teocentismo (Deus no centro) e passa a uma
tendência antropocêntrica (o homem como centro), valorizando a obra humana.
BUSCANDO CONHECIMENTO

A Filosofia Moderna é marcadamente laica, ou seja, não-religiosa, o que a


distancia em vários fatores da Filosofia Medieval.
A crença na razão humana e o questionamento aos dogmas do catolicismo
levaram o homem moderno ao desenvolvimento da ciência natural e à criação de
novos métodos científicos. Também não podemos deixar de citar a importância
da invenção da imprensa, que possibilitou a impressão dos textos clássicos gregos
e romanos, contribuindo decisivamente para a nova mentalidade moderna. Com a
imprensa, foi possível divulgar as descobertas científicas, filosóficas e artísticas por
toda Europa.

O início do progresso intelectual da época feudal data da


chamada Renascença Carolíngia do século IX. Foi um movimento
iniciado por Carlos Magno ao trazer para sua corte, os mais
notáveis eruditos que pode encontrar. O imperador foi levado
em parte pelo interesse na cultura, mas também pelo desejo de
encontrar padrões uniformes de ortodoxia que pudessem ser
impostos a todos os seus súditos. Felizmente parece ter
concedido, aos sábios que importou, uma parcela bem grande
dos seus estudos. Resultou daí uma renascença do intelecto que
ganhou suficiente impulso para se estender aos reinados de
vários sucessores.
BURNS, 1981, pg.369 a 370.
UNIDADE 12 - RENASCIMENTO CULTURAL: CONTEXTO HISTÓRICO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar as características do Renascimento.


As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o
comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa, a partir do
século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos
comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles
dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de
escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O Renascimento significou uma nova arte, o advento do pensamento

científico e uma nova literatura. Nele, estão presentes as seguintes características:


a- Antropocentrismo (o homem no centro): valorização do homem como
ser racional. Para os renascentistas, o homem era visto como a mais bela
e perfeita obra da natureza. Tem capacidade criadora e pode explicar os
fenômenos à sua volta.
b- Otimismo: os renascentistas acreditavam no progresso e na capacidade
do homem de resolver problemas. Por essa razão, apreciavam a beleza
do mundo e tentavam captá-la em suas obras de arte.
c- Racionalismo: tentativa de descobrir pela observação e pela experiência
as leis que governam o mundo. A razão humana é a base do
conhecimento. Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na
autoridade, na tradição e na inspiração de origem divina que marcou a
cultura medieval.
d- Humanismo: o humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os
textos antigos, principalmente, gregos e romanos. Foi dessa inspiração
clássica que nasceu a valorização do ser humano. Uma das
características desses humanistas era a não especialização. Seus
conhecimentos eram abrangentes
e- Hedonismo: valorização dos prazeres sensoriais. Esta visão se opunha à
idéia medieval de associar o pecado aos bens e prazeres materiais.
f- Individualismo: a afirmação do artista como criador individual da obra de
arte, deu-se no Renascimento. O artista renascentista assinava suas
obras, tornando-se famoso.
g- Inspiração na antiguidade clássica: os artistas renascentistas procuraram
imitar a estética dos antigos gregos e romanos. O próprio termo
Renascimento foi cunhado pelos contemporâneos do movimento, que
pretendiam estar fazendo renascer aquela cultura desaparecida dura a
“Idade Média”.
Para se lançar ao conhecimento do mundo e às coisas do homem, o
movimento renascentista elegia a razão como a principal forma pela qual o
conhecimento seria alcançado, tanto que concedeu grande importância à
matemática e às ciências da natureza.
O Renascimento apresentou um novo conjunto de temas e interesses aos
meios culturais e científicos da sua época, mas, ao contrário do que possa parecer,
não pode ser visto como uma radical ruptura com o meio medieval, pois a razão,
de acordo com o pensamento da renascença era uma manifestação do espírito
humano que colocava o indivíduo mais próximo de Deus. Ao exercer sua
capacidade de questionar o mundo, o homem, simplesmente dava vazão a um
dom concedido por Deus (neoplatonismo).
BUSCANDO CONHECIMENTO

Itália: O Berço do Renascimento


O Renascimento teve início e atingiu o seu maior brilho na Itália. Daí
irradiou-se para outras partes da Europa. O pioneirismo italiano se explica por
diversos fatores:
a) A vida urbana e as atividades comerciais sempre foram mais intensas na
Itália do que no resto da Europa, e o Renascimento está ligado à vida
urbana e à burguesia. Veneza e Gênova foram duas importantes cidades
portuárias italianas, ambas com uma poderosa classe de ricos mercadores.
b) a Itália foi o centro do Império Romano e, por isso tinha, mais presente a
memória da cultura clássica, e o Renascimento inspirou-se na cultura
greco-romana.
c) O contato com árabes e bizantinos, por meio do comércio, deu condições
para que os italianos tivessem acesso às obras clássicas preservadas por
esses povos. Quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, em
1453, vários sábios bizantinos fugiram para a Itália levando manuscritos e
obras de arte.
d) O grande acúmulo de riquezas obtidas no comércio com o Oriente,
formou uma poderosa classe de ricos mercadores, banqueiros e poderosos
senhores Esse grupo representava um mercado para as obras de arte,
estimulando a produção intelectual. Muitos pensadores, pintores,
escultores e arquitetos se tornaram protegidos dessa poderosa classe. À
essa prática de proteger artistas e pensadores deu-se o nome de
“mecenato”. Entre os principais mecenas podemos destacar os papas
Alexandre II, Julio II e Leão X. Também ricos mercadores e políticos foram
importantes mecenas, como, por exemplo, a família Medici.
Depois da Itália, o renascimento espalhou-se por toda a Europa, como se
pode verificar abaixo.
Países Baixos – As atividades comerciais e manufatureiras sempre estiveram
presentes com muita força nesta região, desde o final da Idade Média. Isto foi um
fato determinante para o desenvolvimento do Renascimento, de um mercado de
artes e artistas e do mecenato. Foi, na pintura, que o Renascimento flamengo se
manifestou mais claramente. Robert Camoin, Bruegel, Hubert e Van Eyck, entre
tantos outros, foram os que mais se destacaram. Mas, talvez, venha da literatura
seu intelectual mais conhecido, Erasmo de Rotterdam, em cuja obra principal
(Elogio da Loucura) criticou duramente a cultura medieval e a corrupção da Igreja
Católica.

Alemanha – A renascença alemã ocorreu por volta do sec. XVI e XVII. Esse período
teve um início particularmente fértil. Grandes mestres, pintores e gravadores,
influenciados pela Itália, embora preservassem sua originalidade germânica,
deram origem a uma arte de extraordinária densidade: Durer, de gênio universal,
Grunewald, Cranach, Burgkmair, Altdorfer. O sec. XVII foi menos rico. A tradução
da Bíblia por Lutero, no século XVI, fixou as bases da moderna língua alemã. A
Reforma e a contra-reforma inspiraram textos polêmicos, renovaram o lirismo
religioso, originaram uma tendência realista (Hans Sachs) e suscitaram uma arte e
literatura barrocas. Por volta de 1700, a literatura alemã sofreu uma marcante
influência francesa, que, mais tarde, foi substituída pela inglesa, fato que
determinaria a inclinação alemã para o teatro modelo shakespeariano e a
constituição de uma primeira modalidade de classicismo no romance e na poesia.
À margem do racionalismo, desenvolveu-se um movimento religioso e
sentimental, não tão de acordo com o pensamento renascentista.

França- O Renascimento francês foi menos vigoroso que o italiano e o flamengo.


Os monarcas, Luís XI e Francisco I, foram autênticos mecenas, financiando e
protegendo artistas e intelectuais. As realizações mais notáveis estão no campo da
literatura, com François Rabelais, criador dos personagens Gargântula e
Pantagruel, livros que renovaram a prosa e criticaram a Igreja e o universo
medieval.

Inglaterra- Aqui o Renascimento ocorreu tardiamente, no final do século XV,


coincidindo com a centralização do Estado Inglês. A música, a literatura e o teatro
tiveram um desenvolvimento significativo na Inglaterra renascentista. Surgiram
neste período vários tradutores das obras clássicas para o inglês. Um dos
humanistas ingleses mais criativos foi Thomas Morus, autor de Utopia (1516), em
que descreve as condições de vida de uma sociedade sem ricos e pobres, em uma
ilha imaginária. Por problemas religiosos, ele foi preso e executado por ordem de
Henrique VIII. O pensador e filósofo Francis Bacon começou a desenvolver o
método indutivo e experimental e ainda serve de referência para a compreensão
da ciência moderna. Talvez seja no teatro que tenha surgido o mais notável
homem de letras da Inglaterra: Willian Shakespeare. Considerado como um dois
maiores dramaturgos de todos os tempos. Apesar de algumas de suas obras
criticarem os valores do cavaleiro do mundo medieval, e a falta de um rei
poderoso, muitas vezes ele demonstrou aceitar a influência do imaginário popular
da Idade Média, composto por bruxas, fantasmas, fadas e faunos.

Portugal e Espanha- O renascimento na península ibérica foi influenciado pelas


artes mouras e pelo cristianismo. Destaques espanhóis: o pintor El Greco e o
escritor Miguel de Cervantes, autor de “Don Quixote de La Mancha”. Em Portugal,
foi o poeta Luis Vaz de Camões autor de “Os Lusíadas”, Gil Vicente, criador do
teatro nacional português, e no cenário político temos de destacar o Marques de
Pombal.
UNIDADE 13 - A EDUCAÇÃO NO RENASCIMENTO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Propiciar conhecimentos sobre a educação no Renascimento.


O renascimento veio
Heliocentrismo é uma teoria astronômica que
contrapor-se ao dogmatismo demonstra cientificamente que o Sol é o centro
do Sistema Solar. Foi o astrônomo grego
religioso da Idade Média Aristarco de Samos que apresentou pela
primeira vez, no século III a.C, esta teoria.
através do antropocentrismo, http://www.suapesquisa.com/o_que_e/heliocentr
ismo.htm
racionalismo, individualismo e
heliocentrismo. Porém, é impossível descrever o renascimento sem considerar os
acontecimentos e movimentos que o antecederam, focalizando a educação
escolar e suas origens.
Ao contrário do que se supõe, apenas os primeiros quatro séculos do
período medieval podem ser considerados de relativa estagnação na busca do

conhecimento científico. Nos anos restantes, foram lançadas as bases do


Renascimento. Nesse período, antes dos meados do século XV, até os próprios
padres descuidavam-se de seu aperfeiçoamento e atualização.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Evoluções da Educação no Período Renascentista


Foi o monge inglês Alcuino de York, diretor da escola instalada no Palácio
do Imperador, o encarregado de elaborar um projeto de desenvolvimento escolar.
O plano compreendia um programa de estudo das sete artes liberais: o trivium
(gramática, retórica e dialética) e o quadrivium (aritimética, geometria, astronomia
e musica). A partir do ano 787, foi decretada a reestruturação das escolas antigas
e a fundação de novas em todo o Império.
As novas escolas eram de três tipos: Monacais, nos mosteiros; catedrais,
nos bispados e palatinas, nos palácios.
Segundo BURNS os avanços da filosofia e da ciência no último período da
Idade Média teriam sido impossíveis sem o progresso educacional ocorrido entre
os séculos IX e XV, e o aparecimento das universidades, que representam a
realização mais importante da Idade Média.
No século XV, a expansão da educação deveu-se à invenção da imprensa
por Gutemberg em 1440: iniciava-se o Renascimento propriamente dito.
Um novo acontecimento veio então dinamizar o processo educacional: a
Reforma Protestante, capitaneada pelo monge católico Martinho Lutero. Lutero
era inconformado com algumas práticas da Igreja, como a venda de indulgências.
Sua revolta levou a cristandade a uma cisão definitiva. Segundo Aranha. apud
Moser:
Lutero defendia a educação universal e publica, solicitando às
autoridades oficiais que assumissem essa tarefa, por considerá-la
competência do Estado. [...] propôs jogos, exercícios físicos,
músicas, valorizou os conteúdos literários e recomendava o
estudo de História e das Matemáticas”.
ARANHA, apud MOSER, 2008, p. 98.

As inovações de Lutero na educação foram de tal ordem e importância que


passaram a ser copiadas pelas outras nações da época, sendo o sistema
educacional alemão considerado como modelo.
A reação católica à campanha da Reforma protestante, a partir dos padres
da Igreja, cristalizou-se de várias maneiras: a Inquisição foi restabelecida, criou-se
uma lista de livros proibidos aos fieis, fundaram-se seminários e foi criada a
Companhia de Jesus, também conhecida como a Ordem dos Jesuítas foi fundada
por Inácio de Loyola em 1534. Coube à mesma a tarefa de difundir a educação
católica na Europa e também no Brasil.
O método de ensino intitulado “Ratio Studiorium”, elaborado, no final do
século XVI, expandiu-se por toda a Europa e regiões do Novo Mundo (América),
em fase de ocupação. A Ratio Studiorium constava das regras e grade de ensino a
que todas as unidades educacionais dos jesuítas deveriam obedecer, em qualquer
parte do planeta em que estivessem situadas. O objetivo era unificar a educação
católica em métodos e conteúdos. O latim era ensinado até que os alunos
tivessem pleno domínio.
Com a didática, a exigência era grande, recomendando-se a repetição para
memorização. Para isso, os alunos contavam com os decuriões, que eram os
melhores alunos e ficavam responsáveis, cada um, por nove colegas. Aos sábados,
eram tomadas as lições da semana, donde se originou a palavra sabatina.
Os jesuítas tinham dois tipos de colégios, como o internato e o externato.
As férias eram curtas para que os alunos não tivessem oportunidade de desviar-se
dos ensinamentos recebidos. Os jesuítas tornaram-se famosos pelo empenho em
institucionalizar o colégio como local, por excelência, de formação religiosa,
intelectual e moral das crianças e jovens.

BUSCANDO CONHECIMENTO

O Renascimento foi gestado ao longo dos séculos finais do período


medieval, que, por sua vez, não foi aquela noite escura de mais de mil anos,
entendida por alguns historiadores. Durante este período, houve uma grande
evolução na forma e conteúdo de transmissão dos conhecimentos. O papel
desempenhado pelo surgimento da imprensa e a reforma, liderada por Lutero,
foram decisivos, tornando-se difícil eleger um dos fatores como fundamental.
Defende-se como fator mais importante, a reforma, já que a mesma mobilizou a
Igreja Católica, mas tanto a reforma, quanto o advento da imprensa, provocaram
um avanço inegável, que ainda hoje repercute na educação ocidental e mundial.
UNIDADE 14 - ILUMINISMO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Propiciar conhecimentos sobre o Iluminismo.


A revolução intelectual que se efetivou na Europa, especialmente na
França, no século XVIII, ficou conhecida como Iluminismo. Esse movimento
representou o auge das transformações culturais iniciadas no século XIV pelo
movimento renascentista. O antropocentrismo (teoria que considera o homem o
centro do universo) e o individualismo renascentista, ao incentivarem a
investigação científica, levaram à gradativa separação entre o campo da fé
(religião) e o da razão (ciência), determinando profundas transformações no
modo de pensar, sentir e agir das pessoas. Rejeitava a submissão cega à
autoridade e a crença na visão medieval teocêntrica.

ESTUDANDO E REFLETINDO
Para os iluministas, só através da razão o Homem poderia alcançar o
conhecimento, a convivência harmoniosa em sociedade, a liberdade individual e a
felicidade. A razão era o único guia da sabedoria capaz de esclarecer qualquer
problema, possibilitando ao homem a compreensão e o domínio da natureza. As
tendências que marcaram o Iluminismo foram: a valorização do culto da razão e
predominância da ciência; crença no aperfeiçoamento do homem e a liberdade
política, econômica e religiosa.
O Iluminismo foi a culminância de um processo que começou no
Renascimento, quando se usou a razão para se descobrir o mundo e que ganhou

aspecto essencialmente crítico no século XVIII. Esse espírito generalizou-se nos


clubes, cafés e salões literários.
A filosofia passou a considerar a razão indispensável ao estudo de
fenômenos naturais e socais. Até a crença devia ser racionalizada. Os iluministas
acreditavam que Deus está presente na natureza, portanto, no próprio homem,
que pode descobri-lo através da razão.
Os iluministas diziam que leis naturais regulavam as relações entre os
homens, tal como regulavam os fenômenos da natureza. Consideravam os
homens todos bons e iguais; e que as desigualdades seriam provocadas pelos
próprios homens, isto é, pela sociedade. Para corrigi-las, achavam necessário
mudar a sociedade, dando a todos liberdade de expressão e culto, e proteção
contra a escravidão, a injustiça, a opressão e as guerras.
O princípio organizador da sociedade deveria ser a busca da felicidade; ao
governo caberia garantir: direitos naturais, liberdade individual, a livre posse de
bens, tolerância para a expressão de ideias, igualdade perante a lei, justiça com
base na punição dos delitos. A forma política ideal variava: seria a monarquia
inglesa, segundo Montesquieu e Voltaire; ou a república fundada sobre a
moralidade e a virtude cívica, segundo Rousseau.
O Iluminismo fundamentou-se basicamente em duas correntes filosóficas:
O racionalismo e o empirismo.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Racionalismo é uma concepção filosófica que afirma a razão como única


faculdade a propiciar o conhecimento adequado da realidade. A razão, por
iluminar o real e perceber as conexões e relações que o constituem, é a
capacidade de apreender ou a ver as coisas em suas articulações, ou
interdependência em que se encontram umas com as outras.
A partir do pressuposto de que o pensamento coincide com o ser, a
filosofia ocidental, desde suas origens, percebe que há concordância entre a
estrutura da razão e a estrutura análoga do real, pois, caso houvesse total
desacordo entre a razão e a realidade, o real seria incognoscível e nada se poderia
dizer a respeito. O conhecimento, ao se distinguir da produção e da criação de
objetos, implica a possibilidade de reproduzir o real no pensamento, sem alterá-lo
ou modificá-lo.
Dois elementos marcariam o desenvolvimento da filosofia racionalista
clássica no século XVII. De um lado, a confiança na capacidade do pensamento
matemático, símbolo da autonomia da razão, para interpretar adequadamente o
mundo; de outro, a necessidade de conferir ao conhecimento racional uma
fundamentação metafísica que garantisse sua certeza. Ambas as questões
conformaram a ideia basilar do “Discurso sobre o método” (1637) de Descartes,
texto central do racionalismo.
Para Descartes, a realidade física coincide com o pensamento e pode ser
traduzida por fórmulas e equações matemáticas. Descartes estava convicto
também de que todo correspondem aos fundamentos racionais da realidade.
Empirismo: sob uma perspectiva contrária, os empiristas britânicos refutaram a
existência das ideias inatas e postularam que a mente é uma tábula rasa ou
página em branco, cujo material provém da experiência. A oposição entre
racionalismo e empirismo, no entanto, está longe de ser absoluta, pois filósofos
empiristas com John Locke e, com maior dose de ceticismo, David Hume, embora
insistissem em que todo conhecimento deve provir de uma “sensação”, não
negaram o papel da razão como organizadora dos dados dos sentidos. O
racionalismo cartesiano e o empirismo inglês desembocaram no Iluminismo do
século XVIII. A razão e a experiência de que resulta o conhecimento científico do
mundo e da sociedade, bem como a possibilidade de transformá-los, são
instâncias em nome das quais se passou a criticar todos os valores do mundo
medieval.
O iluminismo surgiu na França do século XVII e atingiu seu apogeu no
século XVIII. Os pensadores que defendiam estes ideais iluministas acreditavam
que o pensamento racional deveria ser levado adiante, substituindo as crenças
religiosas e o misticismo, que segundo eles, bloqueavam a evolução do homem.
O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que,
até então, eram justificadas somente pela fé. O seu apogeu, no século XVIII,
influenciou a “Revolução Francesa” através do seu lema: “Liberdade, Igualdade e
Fraternidade”. Também teve influência em outros movimentos, como a
independência das colônias Inglesas na América do Norte e na Inconfidência
Mineira.

O Iluminismo no Brasil
As ideias iluministas chegaram ao Brasil, no século XVIII. Muitos brasileiros
das classes mais altas da sociedade iam estudar em universidades da Europa e
entravam em contato com as teorias e pensamentos que desenvolviam em todo
território europeu. Ao retornarem ao país, após os estudos, essas pessoas
divulgavam as ideias do iluminismo, principalmente, nos centros urbanos.
Alguns inconfidentes usaram as propostas iluministas como base para
fundamentar a tentativa de independência do Brasil. As principais ideias
iluministas que influenciaram os inconfidentes foram:
- Fim do colonialismo;
- Fim do absolutismo;
- Substituição da monarquia pela República;
- Liberdade econômica (liberalismo);
- Liberdade religiosa, de pensamento e expressão.
Mesmo não obtendo o sucesso desejado, que seria a Independência do
Brasil, os inconfidentes conseguiram difundir as ideias do iluminismo entre as
camadas urbanas da sociedade brasileira. Os ideais iluministas foram de
fundamental importância na formação política do Brasil.
UNIDADE 15 - PEQUENOS DADOS DE GRANDES FILÓSOFOS

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Propiciar conhecimentos sobre alguns filósofos de destaque.


Nesta unidade, abordaremos alguns filósofos, cujas teorias influenciaram o
pensamento filosófico.

ESTUDANDO E REFLETINDO
A ordem cronológica evidencia alguns influentes e influenciados.
Para John Locke a busca
John Locke (1632 – 1704) – nasceu em Wrington,
do conhecimento deveria na Inglaterra, filho de comerciantes. Estudou,
inicialmente, na Westminster Scholl e depois em
ocorrer através de experiências Oxford. É considerado um dos líderes da
doutrina filosófica conhecida como Empirismo e
e não por deduções ou um dos ideólogos do liberalismo e do
iluminismo. Teve uma vida voltada para o
especulações. Afirmava que a
pensamento político e desenvolvimento
mente de uma pessoa ao intelectual. Estudou filosofia, medicina e ciências
naturais na Universidade de Oxford, tornando-se
nascer era uma tabula rasa, e também professor desta universidade, onde
lecionou grego, filosofia e retórica.
as experiências pelas quais
passava na vida é que iriam
formando seus conhecimentos e personalidade. Para ele, todos os seres humanos
nascem bom, iguais e independentes. A sociedade é a responsável pela formação
do indivíduo.
Locke criticou o direito divino dos reis, pois, para ele, a soberania não
reside no Estado, mas sim na população, e o Estado devia respeitar as leis naturais
e civis. Defendeu a separação
Frases de John Locke -
da Igreja, do Estado e a “Não se revolta um povo inteiro a não ser que a
opressão seja geral”.
liberdade religiosa. O poder “A leitura fornece conhecimento à mente. O
pensamento incorpora o que lemos”.
deveria ser divido em três: “Ações dos seres humanos são as melhores
interpretes de seu pensamento”.
executivo, legislativo e
judiciário. O poder legislativo, por representar o povo, era o mais importante.
Embora defendesse que todos os homens eram iguais, foi um defensor da
escravidão. Não relacionava a escravidão à raça, mas sim aos vencidos na guerra.
De acordo com Locke os inimigos e capturados na guerra poderiam ser mortos,
mas caso suas vidas fossem mantidas deveriam trocar a liberdade pela escravidão.
Durante sua trajetória,
ISAAC NEWTON – (1643 – 1727) cientista,
Newton descobriu várias leis químico, físico, mecânico e matemático,
trabalhou junto com Leibniz na elaboração do
da física, entre elas, a lei da cálculo infinitesimal

gravidade. Este cientista


inglês, que foi um dos principais precursores do iluminismo, criou o binômio de
Newton, fazendo outras descobertas importantes para a ciência. Quatro de suas
principais descobertas foram realizadas em sua casa, isto ocorreu no ano de 1665,
período em que a Universidade de Cambridge foi obrigada a fechar suas portas
por causa da peste que se alastrava por toda Europa. Na fazenda onde morava, o
jovem e brilhante estudante realizou descobertas que mudaram o rumo da
ciência, da física e da matemática. Além disso, escreveu, também, sobre química,
alquimia, cronologia e teologia.
Newton sempre esteve envolvido com questões filosóficas, religiosas e
teológicas e, também, com a alquimia. Suas obras mostravam claramente seu
conhecimento a respeito desses assuntos. Devido a sua modéstia, não foi fácil
convencê-lo a escrever o livro “Principia”, considerado uma das obras científicas
mais importantes do mundo.
Newton tinha um
temperamento tranquilo. Ele se Frases de Isaac Newton:
-“Se vi mais longe foi por estar de pé sobre
dedicava muito ao seu ombros de gigantes”.
-“O que sabemos e uma gota, o que ignoramos
trabalho e, muitas vezes, é um oceano”.
-“Eu consigo calcular o movimento dos corpos
deixava até de se alimentar e celestiais, mas não a loucura das pessoas”.
-“Nenhuma grande descoberta foi feita jamais
também de dormir por causa
sem um palpite ousado”.
disso. Além de todas as
descobertas que ele fez, acredita-se que ocorreram muitas outras que não foram
anotadas.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Filosofia Imaterialista:
GEORGE BERKELEY –(1685 – 1753) – nasceu no
Berkeley aceita o empirismo condado de Kilkenny, na Irlanda. Estudou no
Trinity College de Dublin. Lecionou hebraico,
de Locke, mas não admite a
grego, teologia e dedicou-se ao estudo
passagem dos sistemático da filosofia. Berkeley era ministro da
Igreja Anglicana e escreveu uma série de artigos
conhecimentos fornecidos contra os livres pensadores. Em 1713 torna-se
preceptor de jovens ingleses que desejavam
pela experiência para o conhecer a Itália. Permaneceu lá até 1721. Em
seguida atirou-se a polêmica religiosa,
conceito abstrato material. atribuindo todos os males de seu país à
incredulidade. Pensando em remedia-los
Por isso, e assumindo o mais
tornou-se missionário nas Bermudas, onde ficou
radical empirismo, Berkeley três anos.
 
afirma que uma substância
material não pode ser conhecida em si mesma. O que se conhece, na verdade,
resume-se às qualidades reveladas durante o processo perceptível. Assim, o que
existe realmente nada mais é do que um feixe de sensações e é por isso que ser é
ser percebido. Ele postula a existência de uma mente cósmica que seria universal
e superior à mente dos homens individuais. Deus é essa mente e tudo o mais seria
percebido por Ele.

Voltaire – (1694-1778) era o pseudônimo de Françoise Marie Arouet. Foi grande


filósofo iluminista. Fazia parte de Frases de Voltaire:
-“E difícil libertar os tolos das amarras que eles
uma família nobre francesa.
veneram”;
Estudou num colégio jesuíta da -“A leitura engrandece a alma”;
-“A guerra é o maior dos crimes, mas não existe
França, onde aprendeu latim e agressor que não disfarce seu crime com
pretexto de justiça”.
grego. -“O preconceito é uma opinião não submetida à
razão”.
Foi influenciado pelo
cientista Isaac Newton e pelo filosofo John Locke.
Seus Pensamentos e Ideias são:
- defendia as liberdades civis;
- criticou o Absolutismo
- criticou o poder da Igreja Católica e sua interferência na política;
- foi um defensor do livre comércio.

A herança do renascimento
Immanuel Kant (1724-1804)- Era filho de um
fez uma nova releitura da
pequeno artesão e passou toda a vida em
realidade saindo do Koningsber, Alemanha. A modernidade é

teocentrismo para o marcada pelo fator subjetivista do sujeito, do

antropocentrismo. Neste indivíduo.

contexto histórico, cultural e


filosófico se encontra inserido Kant. Compartilha dos ideais iluminista de sua
época, mas sua teoria do conhecimento, expressamente modernista considera o
dado da experiência extremamente importante, mas não descarta o dado
empírico, assim como não descarta a possibilidade racionalista, mas, as une,
sintetiza-as. Nascem então, os juízos sintéticos a priori e o idealismo
transcendental kantiano como síntese e superação do racionalismo e empirismo.
A teoria kantiana tem como objetivo a determinação de princípios que governam
o entendimento humano e os limites de sua aplicação.
Comte era apaixonado AUGUSTE COMTE –(1 798 a l857) – filósofo
francês, nasceu Montepellier, nove anos após o
pela cultura foi influenciado por início da Revolução Francesa. A sua assombrosa
inteligência foi logo reconhecida aos dezesseis
Aristóteles, Bacon, Descartes, anos de idade quando entra para a Escola
Politécnica.
Hume, Diderot, considerados
precursores do “Positivismo”. Lia Frases de Comte:
-“Amor por princípio, a ordem por base e
todos os livros que podia progresso por fim”;
-“O progresso é o desenvolvimento da ordem”;
comprar, com sacrifício até de -“Tudo é relativo, eis o único princípio absoluto”;
-“O homem resume nele todas as leis do mundo”.
sua alimentação. Logo depois,
deixou de ler e começou a meditar. Com dezenove anos descobre o princípio da
relatividade. Com vinte e quatro anos, após sessenta horas de meditação sem
dormir descobre a Lei dos Três Estados ou Lei da Inteligência, que lhe permitiu
criar a Sociologia – ele é o pai da Sociologia Positiva.
UNIDADE 16 - QUEM FOI O MARQUÊS DE POMBAL? ILUMINISTA?

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Propiciar conhecimentos a respeito do Marquês de Pombal


Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de
Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal, durante o reinado de
José I, o Reformador.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Visão geral das ideias político-econômicas de Pombal


O ambiente intelectual
Luís Antonio Verney (oratoriano)
em Portugal, no século XVIII, “Congregação do Oratório:- fundada por São
Felipe Neri, em 1565. É uma sociedade de vida
permitia debates intensos apostólica para clérigos seculares, sem votos de
pobreza e obediência, dedicando-se à educação
sobre questões fundamentais
e obras de caridade.
ligadas à filosofia e à
educação. A maior influência nesse processo de inovação educacional foi a do
oratoriano padre Luis Antonio Verney. Autor de “O verdadeiro método de
estudar”, que era um manual eclético de lógica, um método de gramática, um
livro sobre ortografia, um tratado de metafísica e continha dezenas de cartas
sobre todos os tipos de assunto. Publicado pela primeira vez em Nápoles,
postulava que a gramática deveria ser ensinada em português e não em latim. Foi
um firme adepto dos métodos experimentais e se opunha a um sistema de
debates baseado na autoridade, como na tradição escolástica.
A consequência mais imediata desse debate filosófico em Portugal foi
levantar a questão da influência da Companhia de Jesus (1534-l773). Isto se deu,
porque os jesuítas mantinham um quase monopólio da educação superior e eram,
do ponto de vista de seus oponentes, os principais defensores de uma tradição
escolástica morta e estéril, inadequada à idade da razão. Na verdade, os jesuítas
eram bem menos fechados às ideias modernas do que supunham os seus
opositores. O inventário dos livros da Universidade de Évora (controlada pelos
jesuítas juntamente com algumas faculdades da Universidade de Coimbra)
continha trabalhos de Bento Feijó, Descartes, Locke e Wolff. O Colégio dos
Jesuítas em Coimbra possuía o Verdadeiro método de Verney.
Em Portugal, os jesuítas tinham o direito exclusivo de ensinar latim e
filosofia no Colégio de Artes, a escola preparatória obrigatória para o ingresso nas
faculdades de teologia, leis canônicas, leis civis e medicina na Universidade de
Coimbra. A única outra universidade de Portugal, a de Évora, era uma instituição
jesuítica. No Brasil, os colégios jesuíticos eram as principais fontes para a
educação secundária.

Pombal nasceu em Lisboa no dia 13 de maio de


BUSCANDO CONHECIMENTO 1699. Estudou na Universidade de Coimbra. Em
1738, foi nomeado embaixador em Londres e,
A reforma educacional cinco anos depois, embaixador em Viena, cargo
que exerceu até 1748. Em 1750, o rei José
tornou-se prioridade, na década nomeou-o secretário de Estado (ministro) para
Assuntos Exteriores.
de 1760. A expulsão dos jesuítas
Quando um terremoto devastador destruiu
deixara Portugal despojado de Lisboa em 1755, Pombal organizou as forças de
auxílio e planejou a reconstrução da cidade.
professores, tanto no nível Impediu a fuga da população amotinada e
determinou a imediata inumação (queima) dos
secundário como no quarenta mil cadáveres espalhados pela cidade,
e por fim, reconstruiu e transformou a capital em
universitário. Os jesuítas haviam uma cidade moderna. Foi nomeado primeiro
ministro nesse mesmo ano. A partir de 1756, seu
dirigido, em Portugal, 34
poder foi quase absoluto e realizou um
faculdades e l7 residências programa político de acordo com os princípios
do Século das Luzes ou Iluminismo. Aboliu a
(colégios). No Brasil, possuíam escravidão, reorganizou o sistema educacional,
elaborou um novo código penal, introduziu
25 residências, 36 missões e 17 novos colonos nos domínios coloniais
portugueses e funda a Companhia das Índias
faculdades e seminários. Orientais. Além de reorganizar o Exército e
fortalecer a Marinha portuguesa, desenvolveu a
As reformas educacionais
agricultura, o comércio e as finanças, com base
de Pombal visavam a três nos princípios do mercantilismo. No entanto,
suas reformas suscitaram grande oposição, em
objetivos principais: trazer a particular dos jesuítas e da aristocracia.
educação para o controle do Estado, secularizar a educação e padronizar o
currículo. Já em 1758, foi introduzido o sistema diretivo, para substituir a
administração secular dos jesuítas. Os diretores deveriam ocupar os lugares dos
missionários e duas escolas públicas deveriam ser estabelecidas, em cada aldeia
indígena: uma para meninos; outra, para meninas. Aos meninos ensinar-se-ia ler,
escrever e contar, assim como a doutrina cristã, enquanto às meninas, em vez de
contar, aprenderiam a cuidar da casa, costurar, e executar outras tarefas. Os
diretores, diferente dos missionários, deveriam impor às crianças indígenas o uso
do português e proibir o uso da própria língua.
As reformas, no plano prático, enfrentaram problemas, expondo a grande
distância entre formulações legais e realidade. O ensino, do nível das primeiras
letras ao secundário, passou a ser ministrado sob a forma de aulas avulsas,
fragmentando o processo pedagógico. Faltaram professores, manuais e livros
sugeridos pelos novos métodos. Os recursos orçamentários foram insuficientes
para custear a educação pública, havendo atrasos nos salários dos mestres. A
Coroa, em determinadas ocasiões, chegou a delegar aos pais a responsabilidade
pelo pagamento dos mestres. Isso mostra como a educação tornada pública pela
lei, tornou-se, em grande parte privatizada.
UNIDADE 17 - A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO PERÍODO POMBALINO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Conhecer os ideais pombalinos e as reformas educacionais.


A partir do século XVI, a direção do ensino público português desloca-se
da Universidade de Coimbra para a Companhia de Jesus, que se responsabiliza
pelo controle do ensino público em Portugal e, posteriormente, no Brasil.
Praticamente, foram dois séculos de domínio do método educacional jesuítico,
que termina no século XVIII, com a Reforma de Pombal, quando passa a se
responsabilizar pela Coroa Portuguesa.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Marquês de Pombal e as reformas educacionais


Na administração de Pombal, há uma tentativa de atribuir à Companhia de
Jesus todos os males da educação na metrópole e na colônia, motivo pelo qual os
jesuítas são responsabilizados pela decadência cultural e educacional imperante
na sociedade portuguesa.
Carvalho (1978) chama a atenção para o fato de que esse processo,
denominado de anti-jesuítico, representava uma atitude presente em muitos
países europeus, não sendo exclusividade de Portugal. Nesse sentido, os jesuítas
representavam um obstáculo e uma fonte de resistência às tentativas de
implantação da nova filosofia iluminista que se difundia rapidamente por toda
Europa.
As principais medidas implantadas pelo marquês, por intermédio do Alvará,
de 28 de junho de 1759, foram:
 total destruição da organização da educação jesuítica e sua metodologia
de ensino, tanto no Brasil, quanto em Portugal;
 instituição de aulas de gramática latina, de grego e de retórica;
 criação do cargo de ‘diretor de estudos’ – pretendia-se que fosse um
órgão administrativo de orientação e fiscalização do ensino;
 introdução das aulas régias–aulas, isoladas que substituiu o curso
secundário de humanidades criado pelos jesuítas;
 realização de concurso para escolha de professores para ministrarem as
aulas régias; aprovação e instituição das aulas de comércio.
Inspirado nos ideais iluministas, Pombal empreende uma profunda reforma
educacional, ao menos formalmente. A metodologia eclesiástica dos jesuítas é
substituída pelo pensamento pedagógico da escola pública e laica. É o
surgimento do espirito moderno (iluminismo), que exigia um novo homem, só
possível através da educação.
Pelo Alvará de 5 de
Real Mesa Censória: criada para censurar os
abril de 1771, Pombal livros considerados perturbadores em
matéria religiosa. Em 1768, o presidente desta
transfere a direção do ensino mesa, o Arcebispo de Évora (inquisidor) escolheu
o confisco dos bens da Companhia de Jesus,
para, a “Real Mesa Censória”, para subsidiar as despesas desta instituição.
tirando o controle do ensino Secularização: processo pelo qual a religião
perde sua influencia sobre as variadas esferas da
dos jesuítas passando-o para vida social.

o controle do Estado. Após esse ato, foram criadas, no Brasil, 17 aulas de ler e
escrever e foi instituído um fundo financeiro para a manutenção dos estudos
reformados, denominado “subsídio financeiro”.
As implicações do desmantelamento da organização educacional jesuítica,
no Brasil, foram:
1) demora na implantação do novo projeto educacional;
2) tentativa da Coroa portuguesa e do governo colonial local de abrandar o
desenvolvimento da instrução pública brasileira visando reprimir a expansão do
espírito nacionalista que começava a aflorar entre a população;
3) tentativa de isentar o Estado de suas responsabilidades com a educação,
através de impostos (subsídio literário).
Com a aprovação desse Alvará, promoveu-se a substituição dos métodos
pedagógicos da Companhia de Jesus por uma nova metodologia, considerada
moderna, iluminista:- “O verdadeiro método de estudar”, de Luis Antonio Verney.
Verney apresenta propostas tais como:
 “secularização” do ensino;
 valorização da língua portuguesa; papel e importância do estudo do latim,
realizado por intermédio da língua portuguesa (uma das razões do estudo
do latim era a possibilidade de simplificar e abreviar a duração dos
estudos); redução do número de anos destinados aos estudos nos níveis
de ensino inferiores, visando a, fundamentalmente, aumentar o número de
ingressos nos cursos superiores;
 apresentação de um plano de estudos para todos os níveis de ensino, do
fundamental (que se inicia a partir dos sete anos de idade) até os níveis
superiores de ensino. Disciplinas que compõe sua proposta pedagógica
são, em sua maioria, literárias tais como: português, latim, retórica, poética
e filosofia (lógica, moral, ética, metafisica e teologia), direito (direito civil e
direito canônico), medicina (anatomia), grego, hebreu, francês, italiano,
anatomia, física (aritmética e geometria); proposta de escola pública e
gratuita para toda a população portuguesa, (incluindo as colônias), como
medida de reduzir o analfabetismo da sociedade portuguesa e considera
importante que as mulheres frequentem as escolas para adquirirem
conhecimentos necessários à administração do lar.

BUSCANDO CONHECIMENTO

É interessante perceber como o iluminismo implantou-se no Brasil. É


justamente através da política imperial de racionalização e padronização da
administração de Pombal que a educação passou para as mãos do Estado, mas
essa educação que passou a ser pública, não se faz para os interesses dos
cidadãos. Ela serviu aos interesses imediatos do Estado (Coroa Portuguesa), que,
para garantir seu status absolutista precisou manter-se forte e centralizado nas
mãos e sobre comando de uns poucos preparados para tais tarefas. Os interesses
foram públicos – no sentido de estatal –. Mas há um aspecto para o qual se deve
estar atento: iluminismo no contexto da colônia brasileira tratou-se, na verdade,
do engrandecimento do poder do Estado e não das liberdades individuais. Dessa
forma, entender o projeto iluminista pombalino, talvez, seja a chave para ajudar a
perceber a nossa tradição reformista, nas tentativas de construção de um sistema
nacional de educação realmente voltado aos interesses públicos, fato que até hoje
não se consolidou no Brasil.
UNIDADE 18 - A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: CÍRCULOS
HERMENÊUTICOS

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Entender a Filosofia da educação no Brasil e os Círculos hermenêuticos


Falar da filosofia da educação no Brasil não é tarefa simples porque são
poucos os estudos históricos
“CIRCULO HERMENÊUTICO”:- a comunicação
específicos e os estudos entre o autor de um discurso e o intérprete do
teóricos sistematizados sobre mesmo deve tomar a forma de um diálogo que
resulte na “fusão de horizontes” de suas
sua natureza. Os grandes existências. Por mais exaustiva que seja a
pesquisa que explora o contexto do texto, sua
círculos hermenêuticos da
compreensão não se esgota aí, pois segue se
filosofia da educação no Brasil: dando e renovando o diálogo com o texto.

a questão a ser colocada é a de


se saber como se pensou e se vem pensando, filosoficamente, no Brasil, a
educação.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Podem-se identificar quatro grandes perspectivas filosófico-educacionais,


sobre as quais abordamos abaixo.

1- A Tecnicidade Funcional da Educação: ciência e técnica, bases da


Pedagogia
No início da modernidade, ocorreu a revolução epistemológica, mediante
a qual os filósofos, então EPISTEMOLOGIA:- teoria do conhecimento,
estudo sobre o conhecimento do conhecimento
articulados com os cientistas, científico, ou seja, estudo dos mecanismos que
começam a desmontar o permitem chegar aos conhecimentos científicos.

edifício da metafísica. O novo edifício do conhecimento, que vai sendo construído


ao longo da modernidade tem seus alicerces lançados numa teoria do
conhecimento racionalista radical e empirista. Tal posicionamento implica a
rejeição de qualquer intervenção transcendental que esteja para além da própria
estrutura da razão natural humana. Responsável pela emergência e
desenvolvimento da ciência como modalidade fenomenística do conhecimento, o
racionalismo naturalista moderno transfigura a cosmovisão da cultura ocidental,
instaurando um processo avassalador de desencantamento e de dessacralização
do mundo natural e cultural.
Devido à repercussão dessas transformações na cultura brasileira,
também a educação passa a ser pensada à luz das novas categorias explicativas,
fornecidas pelas diversas ciências. Inicia-se a defesa da utilização dos recursos
técnicos-científico para condução dos processos pedagógicos.
A expressão desta nova perspectiva está contida na proposta dos
chamados Pioneiros da Educação, ao avançarem como alternativa à tradicional
educação jesuítica, o modelo da Escola Nova.
Pretendendo falar, a partir do universo científico, esses teóricos esclarecem
que a educação de que a sociedade brasileira precisa é aquela forjada sob as
luzes e com as ferramentas do conhecimento científico. Por sinal, considerada,
também, a única educação apropriada para a construção de uma sociedade laica
e justa, gerenciado por um aparelho estatal, que deve instituir-se, a partir de um
projeto político-iluminístico e juridicamente implementado. Só assim, livre de
erros, da ignorância e da ingerência do autoritarismo e do conservadorismo
clerical, poderá a sociedade brasileira adentrar os estágios de sua necessária
modernização.
Anísio Teixeira é o maior representante deste grupo e desta perspectiva.
Incorporando as ideias de John Dewey, vê a educação como processo
intrinsecamente ligado à vida: não é preparação para a vida, ela já é vida.

2- A Eticidade Formativa: A Educação como Construção do Sujeito


Caracteriza-se por uma prática do conhecimento, sob enfoque
hermenêutico, que busca o sentido total da educação, compreendendo-a como
processo de formação do humano no homem, mediante a transformação pessoal
do próprio sujeito. Essa corrente defende a valorização da autonomia subjetiva.
A educação é sempre
ANTROPOLOGIA:- ciência preocupada em
encarada como um estudar o homem e a humanidade de maneira
totalizante, ou seja, abrangendo todas as suas
investimento feito pelo dimensões.
sujeito, dos recursos da
exterioridade, com vistas ao desenvolvimento de sua interioridade subjetiva,
buscando agir com vistas a realizar-se, cada vez mais, como sujeito. O ético
predomina sobre o político, atuando o educacional, como mediação. Nesse
sentido, enfatiza mais os fundamentos antropológicos e éticos dos processos do
que suas mediações práticas ou suas implicações políticas. Pensadores brasileiros
que nelas se inspiram: Antônio Muniz Rezende, Hilton Japiassu, Odone José
Quadros, Paulo Reglus Freire e Moacir Gadotti.

BUSCANDO CONHECIMENTO

3- A educação como lugar de produção e cultivo da sensibilidade desejante:


priorizando a esteticidade no pedagógico
Caracteriza-se por uma incisiva crítica desconstrutiva dos modelos e
paradigmas de conhecimento, tanto do campo científico, como do campo
filosófico, questionando a própria validade e pertinência epistemológica do saber
fundado na razão.
Autores como Deleuze e Guattari são considerados pós-modernos, ou
pós-estruturalistas, no sentido de que vêm questionando o projeto iluminista da
modernidade.
As vertentes filosófico-educacionais de inspiração arqueogenealógica
privilegiam o estar no mundo. Sua preocupação gira em torno dos caminhos e
possibilidades do agir do sujeito, que busca ampliar seu território de autonomia,
frente aos múltiplos determinismos que o cercam.
Quando aborda os temas educacionais, o faz, exclusivamente, para
denunciar o caráter sistêmico, desumanizador e repressivo dos saberes e dos
aparelhos sociais envolvidos. ARQUEOGENEALÓGICO:- exercício que funda-se
numa proposta de ampliar o território de
Cotidiano, amor, reflexão até seus mais extintos fundamentos
desejo, relação pessoal, levando à origem e evolução das sociedades e
dos indivíduos.
intimidade, singularidade: a
revalorização do singular concreto contra a dominação do universal abstrato,
normativo, legislador: tais as referências da reflexão arqueogenealógica, que assim
se afasta do discurso universalizante das ciências humanas, acusadas de
racionalismo, de positivismo e de historicismo.

4- A educação como práxis construtora da história: a dimensão de


politicidade da prática pedagógica
Trata-se de uma nova tentativa de compreensão do papel da reflexão
filosófica, bem como da própria natureza do homem, da sociedade e da
educação. Cabe à Filosofia da Educação delinear uma visão da realidade humana,
mas ela não mais o faz, contemporaneamente, nem mais de uma perspectiva
essencialista, nem mais de uma perspectiva naturalista. Percebendo que o poder
da razão humana não pode atingir a intimidade do real, como pretendia a
metafísica; não se limita aos dados imediatos da fenomenalidade empírica, como
pretende a ciência, e muito menos ater-se à volatilidade das vivências puramente
estatizantes, os filósofos fizeram uma nova abordagem que, mantendo, de um
lado, a exigência de um olhar de totalidade, herdado da metafísica e, apoiando-se
nas aproximações histórico-antropológicas da ciência, faz do homem uma
imagem de um ser de relações, ser social e histórico, que se constitui através de
uma prática real e concreta. Vêem a educação como um processo inserido no
processo mais abrangente da existência humana dos educandos. Na filosofia da
educação de perfil praxista que se desenvolveu no Brasil nas últimas décadas,
Demerval Saviani teve papel relevante, pelos seus escritos, por demarcar o campo
epistemológico e temático da Filosofia da Educação, à luz da inspiração dialético-
marxista.
UNIDADE 19 - ANÍSIO TEIXEIRA – INFLUÊNCIAS NA EDUCAÇÃO
BRASILEIRA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar as influências de Anísio Teixeira na Educação Brasileira

“Numa democracia, nenhuma obra supera a de


educação. Haverá, talvez, outras aparentemente
mais urgentes ou imediatas, mas estas mesmas
pressupõem, se estivermos numa democracia, a
educação. Todas as demais funções do Estado
democrático pressupõem a educação. Somente
esta não é consequência da democracia, mas a
sua base, o seu fundamento, a condição mesmo
para sua existência” (Anísio Teixeira).

ESTUDANDO E REFLETINDO

Ao iniciar o seu trabalho no âmbito da educação, em 1924, Anísio Teixeira,


pôs em discussão três temas que, desde então, tornaram-se importantes no
processo de constituição do campo educacional brasileiro:
1) Mudança na referência estrangeira para o campo educacional deste país;
2) Defesa da democratização da educação;
3) A inclusão da ciência e da pesquisa científica na educação brasileira.

Influência Americana
Anísio Teixeira trouxe para o Brasil as ideias do pedagogo e filósofo
americano, John Dewey, e as introduziu em nossa educação, a partir da década de

trinta. A relação entre ensino e democracia também estava sendo discutida nos
Estados Unidos.
Dewey era um ferrenho defensor do direito de todas as classes sociais à
educação; definia a aprendizagem como um processo ativo e criou a expressão
“escola ativa” (todo o conhecimento autêntico vem da experiência). Essa foi uma
das bases do movimento da escola nova. Muitas dessas ideias estão no “Manifesto
dos Pioneiros da Educação Nova”.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Manifesto dos Pioneiros da Educação


No Brasil, as ideias da escola nova foram inseridas, em 1882, por Rui
Barbosa. O documento “Manifesto dos Pioneiros da Educação” foi publicado e
assinado, em março de 1932, por vinte e seis intelectuais brasileiros, como Anísio
Teixeira, Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Cecília Meireles, entre muitos
outros.
Os principais objetivos do manifesto foram:
1) Melhor definição, em âmbito nacional, dos fins e meios da educação, já que isso
não havia sido claramente definido nas reformas já empreendidas;
2) A superação do caráter discriminatório e antidemocrático do ensino brasileiro,
que destinava a escola profissional para os pobres e o ensino acadêmico para as
elites. Para isso, caberia ao Estado estabelecer um plano geral, orgânico, que
tornasse a escola acessível em todos os graus, para todos os cidadãos;
3) Necessidade de substituir a escola estabelecida por privilégios de classe pela
escola das capacidades. Para isso os princípios da educação ativa (escola nova)
seriam a base metodológica de ensino a serem aplicadas. As escolas deveriam ser
verdadeiras comunidades e não aparelhos rígidos e formais. Consideravam
fundamental a participação das famílias dos alunos na vida escolar.
No manifesto, mais do que a promoção da escola nova, estava em pauta a
defesa da escola pública, isto é, a proposta de construção de um amplo e
abrangente sistema nacional de educação pública, compreendendo, desde a
escola pré-primária (4 a 6 anos), escola primária (7 a l2 anos), escola secundária (
12 a 18 anos) e ensino superior.
A escola secundária deveria estar articulada com o ensino primário,
organizada de forma unificada, compreendendo três anos de cultura geral, mais
ramificações correspondentes às aptidões dos jovens (formação humanística e
profissional).
A universidade deveria ser gratuita, centrada na pesquisa e destinada à
formação das elites de pensadores, sábios, cientistas, técnicos e educadores.
À luz dessas verdades e sob a inspiração de novos ideais de educação, é
que se gerou, no Brasil, o movimento de reconstrução educacional, reagindo
contra o empirismo dominante. Pretendeu esse grupo de educadores, transferir
do terreno administrativo para os planos político-sociais a solução dos problemas
escolares.
Não foram ataques injustos que abalaram o prestígio das instituições
antigas; foram essas instituições, criações artificiais ou deformadas pelo egoísmo e
pela rotina, que tornaram inevitáveis os ataques contra elas.
De fato, porque os nossos métodos de educação haveriam de continuar a
ser tão prodigiosamente rotineiros, enquanto, no México, no Uruguai, na
Argentina e no Chile, para só falar na América espanhola, já se operavam
transformações profundas no aparelho educacional, reorganizado em bases e
finalidades lucidamente definidas? Porque os nossos programas se haviam ainda
de fixar nos quadros de segregação social, enquanto nossos meios de locomoção
e os processos de industrialização centuplicaram de eficácia, em pouco mais de
um quarto de século? Porque a escola havia de permanecer, entre nós, isolada do
ambiente, como uma instituição enquistada no meio social, sem influir sobre ele,
quando, por toda parte, rompendo a barreira das tradições, a ação educativa já
desbordava a escola, articulando-se com as outras instituições sociais, para
estender o seu raio de influência e de ação?
As ideias de Anísio Teixeira ainda hoje influenciam o ensino brasileiro,
mesmo tendo sido lançadas há mais de setenta anos. Na nova LDB (Lei de
Diretrizes e Bases de Educação Nacional), projeto de autoria do Senador Darcy
Ribeiro, a influência de Anísio fica explícita na criação dos CIEPS (quando Darcy
Ribeiro foi Secretário da Educação no Rio de Janeiro), inspirados na proposta da
“escola parque” (projeto instaurado por Anísio Teixeira, na Bahia, em 1950). Anos
depois, o governo federal copiou os CIEPS de Darcy/Anísio denominando-os
CIACS.
UNIDADE 20 - AS IDEIAS E PEDAGOGIA DE PAULO FREIRE

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar as ideias de Paulo Freire


Os preceitos de Paulo Freire podem ser sintetizados com: Uma educação
inclusiva que vai além de nossos tempos.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Segundo Edgar Pereira Coelho (1994), atualmente, há uma incidência muito


grande de estudos sobre Paulo Freire. Relata que, recentemente, aconteceu nos
Estados Unidos, Los Angeles, na UCLA, um congresso internacional, onde foram
abordados inúmeros temas sobre sua visão pedagógica. Em praticamente todas
as universidades brasileiras e nas mais importantes do mundo, há professores que

estão assumindo, cada vez mais, que mudaram suas didáticas e refizeram o seu
modo de pensar, a partir da leitura de Paulo Freire ou por terem convivido com
ele.
Paulo Freire era, sem dúvida, um cidadão do mundo, mas amava,
sobretudo, o Brasil. Após longos anos de exílio, ao retornar ao Brasil, afirmava
desejar reaprender com seus pais. Esse homem, que inquietou e inquieta milhares
de educadores do mundo inteiro, aliás, não só educadores, mas, principalmente,
os que utilizam a educação para domesticar as pessoas ou como mero jogo
político.
Edgar apresenta algumas ideias de Paulo Freire, que considera um motor
para quem queira ser educador neste país, ou onde quer que seja “ninguém
liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em
comunhão”. (Freire).
Esse mesmo estilo ele vai utilizar para falar do processo de aprendizagem,
acreditando que “ninguém ensina nada a ninguém”. A partir dessas ideias,
percebe-se que, na prática pedagógica, o mais interessante e eficaz é o círculo de
cultura, onde o educador passa a ser um animador, substituindo a “aula bancária”,
onde o professor é aquele que sabe e ensina, por aquele que aprende, ao ensinar,
pois é aprendendo o que se ensina, portanto, o mais importante é aprender.
Para ele “na medida em que você assume a posição ingênua do educando,
você supera essa posição com ele, e não sobre ele”. Essa postura na vida concreta,
leva-nos a lançar um novo olhar sobre os nossos alunos e, por falar em alunos,
Paulo Freire tinha uma preocupação que não fizessem de suas ideias uma religião.
Dizia que não queria ter discípulos, mas sim pessoas que, compreendendo o
sentido de seu compromisso com o oprimido e suas ideias, o reinventassem e
levassem adiante o seu legado, que acredito, diz Edgar Pereira Coelho, estar
germinando em muitas comunidades humanas. Paulo Freire tinha uma enorme
convicção de que somente o oprimido tem o germe da libertação, que pode
libertar o opressor. Veja as suas próprias palavras:

E essa luta somente tem sentido quando os oprimidos, ao


buscarem recuperar sua humanidade, que é uma forma de criá-
la, não se sentem idealistamente opressores, nem se tornam de
fato, opressores dos opressores, mas restauradores da
humanidade em ambos e ai está a grande tarefa humanista e
histórica dos oprimidos – libertar-se a si e aos opressores. Estes,
que oprimem, exploram e violentam, em razão de seu poder, não
podem ter, neste poder, a força de libertação dos oprimidos nem
de si mesmos. Só o poder que nasça da debilidade dos oprimidos
será suficientemente forte para libertar a ambos.
FREIRE, 1987, p. 58.

Na sua obra “Pedagogia do Oprimido”, o tema central diz respeito à ideia


de que deve existir um intercâmbio contínuo de saber entre educadores e
educandos, com o escopo de que os últimos não se limitem a repetir
mecanicamente o conhecimento transmitido pelos primeiros.
Por meio do diálogo entre professores e alunos, estabelecem-se
possibilidades comunicativas, em cujo cerne está a transformação do educando
em sujeito de sua própria história.
A “Pedagogia do Oprimido” revela que a educação conscientiza os
indivíduos sobre as diversas contradições e disparidades do mundo, de modo a
incutir-lhes a demanda por mudanças na realidade social.
Conhecer Paulo Freire e compreendê-lo, é assumir o seu legado, que é,
sem dúvida, a reconstrução do mundo que aí está, marcado pelos efeitos nefastos
do Neoliberalismo e da Globalização e em busca de um mundo mais solidário
com reais oportunidades de vida para todos e todas. Conhecê-lo, é não abrir mão
do constante e exigente dialogo que sempre foi um dos pilares de sua luta. É ser
simples, capaz de criar uma linguagem que nos aproxime e nos leve a entender o
mundo do oprimido, sem abrir mão da ciência, da lógica, da dialética, sem perder
a ternura da vida, conforme Pereira, 1987.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Vale a pena conhecer um pouco mais a vida de Paulo Freire


PAULO Reglus Neves Freires nasceu em 19 de Setembro de 1921, na cidade de

Recife. A crise econômica de 1929 produziu reflexos muito acentuados no Nordeste. Em

busca de melhores condições de vida, seu pai levou a família para a cidadezinha de
Jaboatão dos Guararapes, a 18 Km do Recife. Paulo Freire tinha 10 anos de idade. Ali

conheceu a dor, com a morte do pai, aos 13 anos, e o sofrimento ao assistir a mãe ter que

sustentar sozinha toda a família, convivendo com privações materiais e muitas


dificuldades financeiras.
No campo de futebol de Jaboatão, ele mantinha contato com a camada mais

pobre da cidade, jogando peladas com os meninos camponeses e filhos de operários que
moravam em morros e brincavam em córregos. Com eles, Paulo Freire descobriu uma

forma diferente de pensar e de se expressar – era a linguagem popular, à qual ele sempre
privilegiou usando-a mais tarde como educador.
Fez o primeiro ano de ginásio com 16 anos num colégio privado, em Recife. Mas
sua mãe não tinha condições de continuar pagando a mensalidade e, com esforço, ela

conseguiu uma bolsa de estudos no Colégio Oswaldo Cruz. Foi assim que Paulo Freire
conseguiu concluir seus estudos secundários.

Aos 22 anos, Paulo Freire ingressa na Faculdade de Direito do Recife. Naquela

época, o curso de direito era a única alternativa na área de ciências humanas. Nesse
período, conheceu a professora primária Elza Maia Costa Oliveira, cinco anos mais velha
do que ele, com quem se casou, em 1944, e teve cinco filhos. Ainda nessa época, o

mesmo Colégio Oswaldo Cruz que o acolheu como bolsista na adolescência contratou-o
como professor de língua portuguesa e, nessa atividade, descobriu a sua paixão pelo
ensino.

Sua “carreira” de advogado resumiu-se a uma única causa: “Tratava-se de cobrar


uma dívida. Depois de conversar com o devedor, um jovem dentista tímido e

amedrontado, deixei-o ir em paz. Ele ficou feliz por eu ser o advogado, e eu fiquei feliz
por deixar de sê-lo”
Em 1947, Paulo Freire assume o cargo de Diretor do Setor de Educação do SESI

(Serviço Social da Indústria) do Recife. Trabalhando inicialmente com analfabetos pobres,


começou a se envolver com o movimento “Teologia da Libertação”, uma vez que era
necessário que o pobre soubesse ler e escrever, para ter direito ao voto nas eleições
presidenciais. Assim, travou contato com a questão da educação de
adultos/trabalhadores e percebeu a necessidade de executar um trabalho direcionado à

alfabetização.

Estudando as relações entre alunos, mestres e pais de alunos do SESI, Paulo Freire
conheceu a realidade dos trabalhadores e as particularidades da sua linguagem.

Entendeu que educar era, sobretudo, discutir as condições materiais de vida do

trabalhador comum. Dedicou-se a estudar a linguagem do povo, consolidando seus


trabalhos em educação popular. Sua primeira experiência, como professor universitário,
foi na Escola de Serviço Social, lecionando Filosofia da Educação.

Doutorou-se em Filosofia e História da Educação, em 1959, com a tese “Educação


e Atualidade Brasileira”. No início dos anos 60, engajou-se nos movimentos de educação

popular, entre eles, a campanha “De pé no chão também se Aprende a Ler” e a


“Campanha de Alfabetização de Angicos (alfabetização de 300 trabalhadores rurais em
45 dias), ambas no Rio Grande do Norte, e coordenou o Programa Nacional de
Alfabetização do Governo Goulart.

Em 1964, com o golpe militar, Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em
seguida, passou por um breve exilio na Bolívia, trabalhou no Chile por cinco anos para o

Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização de

Agricultura e Alimentos da Organização das Nações Unidas. Em 1967, publicou seu


primeiro livro “Educação como prática da liberdade”. O livro foi bem recebido e Freire foi
convidado para ser professor visitante da Universidade de Harvard, em 1969. No ano

anterior, ele escrevera seu mais famoso livro “Pedagogia do Oprimido” que foi publicado
em várias línguas, como o espanhol, o inglês e o hebraico. Essa obra não foi publicada no
Brasil até 1974, quando o General Geisel tomou o controle do Brasil e iniciou um processo

de liberalização cultural. Depois de um ano em Cambridge, Freire mudou-se para


Genebra, na Suiça, para trabalhar como consultor educacional para o Conselho Mundial

de Igrejas. Durante este tempo, atuou como consultor em reforma educacional nas
colônias portuguesas da África, particularmente na Guiné Bissau e Moçambique. Em 1979,
Freire podia retornar ao Brasil, mas só voltou em 1980. Filiou-se ao Partido dos

Trabalhadores na cidade de São Paulo, e atuou como supervisor para o programa do


partido para alfabetização de adultos de 1980 até 1986.
Quando o PT foi bem sucedido nas eleições municipais de 1988, Freire foi
indicado Secretário de Educação de São Paulo. Em 1986, sua esposa Elza morreu e Freire
casou com Maria Araújo Freire, que também seguiu seu programa educacional. Em 1991,

o Instituto Paulo Freire foi fundado em São Paulo para estender e elaborar suas teorias

sobre educação popular.


Freire morreu de um ataque cardíaco em 2 de maio de 1997, às 6h53, no Hospital Albert

Einstein, em São Paulo, devido a complicações na operação de desobstrução de artérias.

PROJETO MEMÓRIA:- “PAULO FREIRE – biografia”


UNIDADE 21 - MOACIR GADOTTI: POR UM EDUCADOR BRASILEIRO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Conhecer os preceitos estabelecidos por Gadotti


Moacir Gadotti, professor, pesquisador, pedagogo brasileiro e discípulo de
Paulo Freire, têm contribuído de forma significativa para a educação. Seu
engajamento no concreto, trabalhando diretamente com a prática educativa,
garante-lhe a humildade científica de quem reconhece que uma teoria só se torna
real quando permeia uma prática concreta.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Para Gadotti, apenas a discussão não basta: é preciso viver a relação entre
teoria e práxis. Gadotti foi amigo pessoal e chefe de gabinete do Secretário da

Educação de São Paulo, Paulo Freire. Dessa amizade entre os dois educadores,
nasceu a esperança de que é possível acabar com a opressão, com a miséria, com
a intolerância e transformar o mundo num lugar mais justo para se viver.
Essa esperança, legado de Freire, pertence, segundo Gadotti, aos oprimidos
e aos que com eles lutam. Mudar é difícil, mas é possível e urgente. A escola pode
resgatar a solidariedade e conquistar a sua autonomia. Esse é o desafio.
Gadotti, como Paulo Freire, acredita que existe uma educação que visa à
reprodução da sociedade, através da domesticação e, no outro extremo, uma
educação de transformação, como prática da libertação.
Os dois modelos de educação são apenas abstrações pedagógicas, na
verdade, eles não existem, porque não existe uma sociedade que seja ou só
conservadora ou só libertadora. São apenas dois modelos opostos em direção aos
quais a educação pode caminhar. Pela educação, queremos mudar o mundo, a
começar pela sala de aula, pois as grandes transformações não se dão apenas
como resultantes de grandes gestos, mas de iniciativas cotidianas, simples e
persistentes. Não há excludência entre o projeto pessoal e o coletivo: ambos se
completam dialeticamente.
A educação não pode sozinha fazer a transformação da sociedade, mas
sem ela essa transformação não se efetiva. A educação deve estender-se além dos
muros da escola, possibilitando uma sociedade mais feliz, universalizando da
melhor forma possível, o patrimônio cultural. A dificuldade na teoria da educação
brasileira, não é tanto o seu conteúdo ideológico, é a ausência de vínculos com a
prática concreta, por isso, faz-se necessário a luta pela educação além dos muros
da escola.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Este educador defende a educação popular como prática educacional e


como teoria pedagógica. A educação popular, como concepção geral da
educação passou por diversos momentos epistemológico-educacionais e
organizativos: a busca da conscientização, nos anos 50 e 60; a defesa de uma
escola pública popular e comunitária, nos anos 70 e 80, até a escola cidadã dos
últimos anos. Sendo assim, para Gadotti, numa época de desencanto com os
modelos populares e socialistas, vale a pena retornar o debate da educação
popular como utopia latino-americana e mundial que superou, de um lado, o
otimismo pedagógico dos anos 50 e 60 e, de outro, o pessimismo pedagógico
dos anos 70 e 80, constituindo-se como alternativa real a uma educação que não
atende aos interesses da maioria da população.
No atual contexto brasileiro, que debate os parâmetros curriculares
nacionais, recoloca-se a necessidade de discutir a educação popular, evidenciando
sua potencialidade frente à concepção dominante de educação, que reforça, na
pratica, a exclusão social e a falta de solidariedade humana.
Na década de 50, a educação popular era entendida como educação de
base, como desenvolvimento comunitário. No final dos anos 50, já eram duas as
tendências da educação popular: a primeira entendida como educação
libertadora; a segunda, como educação funcional (profissional), isto é, o
treinamento de mão de obra mais produtiva, útil ao projeto de desenvolvimento
nacional dependente.
A concepção libertadora da educação na construção de um novo projeto
histórico fundamenta-se, na teoria do conhecimento, que parte da prática
concreta na construção do saber, e do educando como sujeito do conhecimento.
Compreende-se a alfabetização não apenas como um processo intelectual, mas
também como um projeto afetivo e social.
Gadotti considera que a pedagogia atual insiste na autonomia do aluno,
logo, o papel do professor não é o de guiar, mas sim de criar condições para o
aluno desenvolver seus desejos, colocando-se a serviço do grupo de trabalho. O
educador tem o dever de mostrar como suas ideias podem ser postas em pratica.
Não pode apenas apontar perspectivas. Suas ações devem estar impregnadas de
sua teoria. Nesse sentido, sua autoridade externa passa a ser interna,
proporcionando credibilidade ao grupo através da sua filosofia. Pela educação, o
homem é capaz de transformar-se num homem livre, consciente de sua herança
cultural, um sujeito histórico que transforma-se e transforma o mundo em que
vive.
UNIDADE 22 - DERMEVAL SAVIANI: PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar as ideias de Saviani


A educação brasileira deve ser analisada sob dois diferentes prismas: antes
e depois de Dermeval Saviani, tendo em vista o alcance da pedagogia histórico-
critica proposta por esse educador. O sentido básico da expressão Pedagogia
Histórico Critica é a articulação de uma proposta pedagógica que tenha o
compromisso, não apenas de manter a sociedade, mas de transformá-la, a partir
da compreensão dos condicionantes sociais.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O método preconizado por Saviani situa-se além dos métodos tradicionais

e novos e, conforme esse autor, “deriva de uma concepção que articula educação
e sociedade, e parte da constatação de que a sociedade em que vivemos é
dividida em classes com interesses opostos”.
Ao invés de passos, Saviani preferiu falar de momentos que caracterizam
esse método, sendo que esses momentos devem ser articulados em um
movimento único, cuja duração de cada um deles deve variar de acordo com as
situações especificas que envolvem a prática pedagógica.
O primeiro momento ou o ponto de partida do ensino é a prática social
que é comum a professores e alunos, embora do ponto de vista pedagógico,
professores e alunos possam apresentar diferentes níveis de conhecimento e
experiência desta prática social.
O segundo momento é a problematização, cujo objetivo é identificar que
questões precisam ser resolvidas dentro da prática social, e que conhecimentos é
preciso dominar para resolver estes problemas.
O terceiro momento é a instrumentalização, ou seja, apropriação dos
instrumentos teóricos e práticos necessários à solução dos problemas
identificados, que depende da transmissão dos conhecimentos do professor, para
que essa apropriação aconteça, já que esses instrumentos são produzidos
socialmente e preservados historicamente.
O quarto momento é a catarse, que é a efetiva incorporação dos
instrumentos culturais e a forma elaborada de entender a transformação social.
O quinto e último momento é a prática social, definida, agora, como ponto
de chegada, em que os alunos atingem uma compreensão que, supostamente, já
se encontrava o professor no ponto de partida.
A prática social, neste sentido, é alterada qualitativamente pela mediação
da ação pedagógica. Diante dessa transformação, Saviani se refere à educação
como sendo
uma atividade que supõe uma heterogeneidade real e uma
homogeneidade possível; uma desigualdade no ponto de partida
e uma igualdade no ponto de chegada.
SAVIANI, 1991, P. 105.

A partir das considerações e das ideias dominantes nos meios educacionais


de que a Pedagogia Nova prevalecia sobre a Tradicional, por ser aquela, cheia de
vícios, Saviani tentou justificar a teoria da Pedagogia Histórico-Crítica, forçando a
argumentação para o outro lado, ou seja, para o lado da Pedagogia Tradicional.
Utilizou para este fim a “Teoria de Curvatura da Vara”, que foi anteriormente
enunciada por Lênin, para se defender, quando foi criticado, por assumir posições
extremistas e radicais. Segundo esta teoria citada por Saviani, quando a vara está
torta, não basta colocá-la na posição correta para endireitá-la. É preciso curvá-la
para o lado oposto.
Saviani considera que a Pedagogia Nova é extremista, ao criticar a
Pedagogia Tradicional, e que há uma inversão de valores no senso comum, ao
definir a Pedagogia Tradicional como cheia de vícios e nenhuma virtude.
Ao analisar as contradições evidenciadas pela Escola Nova, Saviani tentou,
por meio de três teses, desmitificar o caráter progressista que esta corrente de
pensamento, já convertida em senso comum, pregava para a prática pedagógica.
Visava com essas teses, contestar a forma dominante de se conceber a educação
e justificar uma teoria crítica da educação (não reprodutivista) que permitisse
compreender a prática pedagógica brasileira e visualizar os aspectos, sobre os
quais uma teoria efetivamente critica deveria centrar-se.
Essas três teses, consideradas por Saviani, como indicação para desvelar a
verdade, historicamente, contextualizada, demonstram a falsidade daquilo que é
considerado verdadeiro e vice-versa.
A primeira tese afirma o caráter revolucionário da Pedagogia Tradicional, e
o caráter da Pedagogia Nova. Trata-se de uma tese filosófico-histórica. A segunda
afirma o caráter científico do método Tradicional, e o caráter pseudocientífico dos
métodos Novos, portanto, uma tese pedagógico-metodológica. A terceira tese,
especificamente política, preocupa-se em demonstrar que, quando menos se
falou em democracia no interior da escola, mais ela esteve articulada com a
construção de uma ordem democrática; e quando mais se falou em democracia
no interior da escola, menos ela foi democrática. Com essas teses, Saviani tentou
mostrar que, pela tendência dominante, a vara estava torta para o lado da
Pedagogia Nova e que era necessário esboçar uma teoria crítica da educação,
cuja perspectiva pedagógica correspondesse aos interesses da classe
trabalhadora. Englobasse uma proposta que abrisse espaços para as forças
populares e para que a escola fosse uma instituição que possibilitasse o acesso ao
saber elaborado, objetivo, produzido historicamente e que conduzisse professores
e alunos a uma prática social que vislumbrasse o consenso no ponto de chegada
e que fosse capaz de produzir transformações em favor de uma sociedade
igualitária.

ESTUDANDO E REFLETINDO
Com a apresentação da Pedagogia Histórico-Critica, Saviani almeja
encontrar o ponto correto da vara, ou seja, o ponto que não está curvo para o
lado da Pedagogia Nova, mas que também não está curvo para o lado da
Pedagogia tradicional. Está justamente nas teorias e métodos que valorizem e
fundamentem a prática educativa, no sentido de favorecer as transformações
sociais.
Para que uma teoria histórico-crítica da educação possa constituir-se em
pedagogia histórico-crítica, ela precisa assumir um posicionamento sobre o que é
educação e o que significa educar seres humanos. Segundo Saviani,
a Pedagogia Crítica implica clareza dos determinantes sociais da
educação, a compreensão do grau em que as contradições da
sociedade marcam a educação e, consequentemente, como é
preciso se posicionar diante dessas contradições e desenredar a
educação das visões ambíguas, para perceber claramente qual é
a direção que cabe imprimir à questão educacional.
SAVIANI, 1991, p. 125.

Partindo da concepção de natureza humana, proposta por Marx e Engels,


de que o homem necessita produzir continuamente sua existência e é pelo
trabalho que ele age sobre a natureza, adaptando-a as suas necessidades, Saviani
define a educação como um processo de trabalho não material (diferente do
trabalho material que visa à produção de bens materiais para subsistência), no
qual o produto não se separa do ato de produção.
Para o autor, o trabalho educativo é “o ato de produzir direta e
intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida
histórica e coletivamente pelo conjunto de homens”. A produção intencional da
humanidade implica a produção de ideias, conceitos, valores, hábitos, atitudes,
conhecimento, ou seja, a produção do saber ou a forma pelo qual o homem
apreende o mundo e é humanizado. Conforme Saviani “o que não é garantido
pela natureza deve ser produzido historicamente pelos homens”. Assim, o saber
objetivo é considerado matéria prima para a atividade educativa e deve ter
primazia sobre o mundo da natureza, ou seja, sobre o saber natural, espontâneo.
Saviani define a escola como “uma instituição cujo papel consiste na
socialização do saber elaborado, e não do saber espontâneo, do saber
sistematizado e não do saber fragmentado, da cultura erudita e não da cultura
popular”. O projeto pedagógico resultante da pedagogia Histórico-Crítica é
pautado, nessas reflexões, sobre o conceito de educação e de escola. A tarefa a
que se propõe essa Pedagogia em relação à educação escolar, de acordo com
Saviani, implica:
a) identificação das formas mais desenvolvidas em que se expressa o saber
objetivo produzido historicamente, reconhecendo as condições de sua produção
e compreendendo as suas principais manifestações, bem como as tendências
atuais de transformação;
b) conversão do saber objetivo em saber escolar de modo a torná-lo assimilável
pelos alunos no espaço e tempo escolares;
c) provimento dos meios necessários para que os alunos não apenas assimilem o
saber objetivo enquanto resultado, mas apreendam o processo de sua produção,
bem como as tendências de sua transformação.
UNIDADE 23 - O EDUCADOR COMO FILÓSOFO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Objetivos: Explicitar o significado de educador como filósofo.


A filosofia quer encontrar o significado mais profundo dos fenômenos. Não
basta saber como funcionam, mas o que significam na ordem geral do mundo
humano. A filosofia emite juízos de valor ao julgar cada fato, cada ação em
relação ao todo. Ela vai além do que é, para propor como poderia ser. É, portanto,
indispensável para a vida de todos nós, que desejamos ser seres humanos
completos, cidadãos livres e responsáveis por nossas escolhas. Para alcançar o
objetivo de formação do cidadão livre e responsável por suas escolhas, o
educador precisa filosofar. Como fazer isso? Este texto, usando ideias de Demerval
Saviani pretende ajudá-lo nessa tarefa.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Características do Pensamento Filosófico


Em primeiro lugar, é preciso estabelecer o que é reflexão. Refletir é pensar,
considerar cuidadosamente o que já foi pensado. Como um espelho que reflete a
nossa imagem, a reflexão do filósofo também deixa ver, revela, mostra, traduz os
valores envolvidos nas coisas, nos acontecimentos e nas ações humanas. Para
chegar a isso, segundo o filósofo e educador, Demerval Saviani, a reflexão
filosófica deve ser: radical, rigorosa e global.
Radicalidade: ou seja, chegar até a raiz dos acontecimentos, aos seus
fundamentos, a sua origem, não só cronológica, mas também, aos valores
originais que possibilitaram o fato. A reflexão filosófica é, portanto, uma reflexão
em profundidade.
Rigorosa: isto é, seguir um método adequado, com todo rigor, colocando em
questão as respostas mais superficiais, comuns à sabedoria popular e
generalizações científicas apressadas.
Contextualidade: a filosofia não considera os problemas, isoladamente, mas
dentro de um conjunto de fatos, fatores e valores que estão relacionados entre si.
A reflexão filosófica contextualiza os problemas, tanto verticalmente, dentro do
desenvolvimento histórico, quanto horizontalmente, relacionando-o a outros
aspectos da situação da época.
Assim, embora os sistemas filosóficos possam chegar a conclusões diversas,
dependendo das premissas de partida e da situação histórica dos próprios
pensadores, o processo de filosofar será sempre marcado por essas
características, resultando uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto. “Quem é
capaz de ver o “todo” é filósofo, quem não é capaz não o é “[ Platão-427-347
A.C.]
“Filosofar significa estar a caminho. As interrogações são mais importantes
que as respostas e cada resposta se transforma em nova interrogação” (Jaspers,
1977, p.14). A realidade é rebelde e não se deixa apanhar com facilidade em
nossas redes de compreensão. Nem sempre consideramos todos os dados
disponíveis ou escolhemos as informações capazes de nos conduzirem à raiz
mestra dos problemas. Não importa o esforço. É melhor seguir que estagnar. A
filosofia é imprescindível. Não há como negá-la: ela se impõe por si mesma.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Por que o educador deve filosofar?


A resposta vem do fato de que não há como educar fora do mundo.
Nenhum educador, nenhuma instituição educacional pode colocar-se à margem
do mundo, encarapitando-se numa torre de marfim. A educação, de qualquer
modo que a entendamos, sofrerá o impacto dos problemas da realidade em que
acontece, sob pena de não ser educação.
Que problemas exigem do educador uma reflexão filosófica? São muitos.
Já que a educação é o processo de tornar-se homem, é necessário refletir
sobre o homem para saber o “para onde” se deve orientar a educação. Esta
reflexão não pode ser unicamente teórica, abstrata, desencarnada. É preciso
considerar o espaço temporal em que ocorre o processo. Não importa apenas o
“tornar-se homem”, mas o “tornar-se homem hoje no Brasil”. Só desta forma
podemos estabelecer, com clareza, numa instituição educativa, o currículo,
planejamento e atividades que possam atingir um mínimo de coerência e
eficiência.
Que teoria de aprendizagem adotar? Que métodos e técnicas deve-se
utilizar? Considere que: não há métodos neutros; não há técnicas neutras. No bojo
de qualquer teoria, de qualquer método, de qualquer técnica está implícita uma
visão de homem e de mundo, uma filosofia.
O maior problema educacional brasileiro, sempre foi e ainda é, o
denunciado por Anísio Teixeira em sua obra “Valores proclamados e valores reais
na educação brasileira”. Tanto em nível de sistema, como de escola, proclamamos
belíssimos princípios filosófico-educacionais. Na prática, caminhamos ao sabor
das ideologias e novidades sem nos darmos conta da incoerência entre nossas
palavras e atos.
A segunda consequência do que antes dissemos é que também o
educando deve filosofar, refletir, buscando as raízes dos problemas – seus e de
seu tempo – de modo a formar uma visão do mundo e adquirir criticamente
princípios e valores que lhe orientem a vida.

Para saber mais, acesse o site lara1


Bibliografia Básica

GHIRALDELI, JR. P. Filosofia da educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.


SAVIANI, D. Pedagogia Histórico - Crítica: primeiras aproximações. Campinas: Autores

Associados, 1997.

SAVIANI, D. Escola e democracia. São Paulo: Cortez, 2000.

Bibliografia Complementar

ARANHA, M.L. A. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996.


GHIRALDELLI JR.. P. (Org.). Estilos em Filosofia da Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

LUCKESI, C. C. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994.

SEVERINO, A. J. Filosofia da Educação. São Paulo: FTD, 1994.


PERELMAN, C. & TYTECA, L.O. O tratado da argumentação. São Paulo, Martins Fontes,
2002.
POLO MATRIZ

Av. Ernani Lacerda de Oliveira, 100


Parque Santa Cândida
CEP: 13603-112 Araras / SP
(19) 3321-8000
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