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HISTÓRIA

HISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO

Angélica Cristina de Freitas Sabbadin


Reformulação: Andréa Wolff
UNIDADE 1 – HISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO - A CONSOLIDAÇÃO DA
INDEPENDÊNCIA EM 1822

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

A consolidação da “Independência” ocorreu em poucos anos, mas foi

marcada por conflitos militares relativamente graves. Os brasileiros que eram

favoráveis à Independência reuniram forças para lutar contras as tropas


portuguesas que estavam no Brasil desde 1808. Os conflitos mais importantes

ocorreram no Sul do país e na Bahia, onde movimentos separatistas e conflitos com


os portugueses causaram algumas disputas violentas.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Aclamação de Dom Pedro I no campo de Santana. Litografia de Jean-Batiste


Debret

Em 9 de dezembro de 1821, emissários chegaram de Portugal com ordens

para que D. Pedro voltasse imediatamente à Corte, determinando ainda o


fechamento de tribunais e departamentos administrativos, o que resultaria na

demissão de aproximadamente 2000 pessoas que viviam da burocracia no Reino


do Brasil. Os magistrados ameaçados em seus empregos se tornaram exaltados
patriotas favoráveis à independência, influenciando através de seu prestígio pessoas

na imprensa e em cargos políticos que dependiam de seus favores.


A partir de então, jornais se pronunciaram, cartas e abaixo-assinados

chegaram de diversos pontos do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais pedindo
a permanência de D. Pedro no Brasil. O príncipe regente chegou a rascunhar um

discurso de despedida aos brasileiros, mas em 9 de janeiro de 1822, depois de


receber um manifesto com 8000 assinaturas para que desobedecesse às ordens de

Portugal, protagonizou o "Dia do Fico". Mesmo depois deste episódio, boa parte

dos brasileiros desejava continuar mantendo a ligação com Portugal, contanto que
fosse em condição de igualdade. Em 28 de agosto de 1822 chegaram de Lisboa

mais ordens para que D. Pedro demitisse todos seus ministros e colocasse no lugar
homens escolhidos pelas Cortes Portuguesas. Estas ordens, entregues no Rio de

Janeiro, foram enviadas por mensageiro para o príncipe, que se encontrava numa
viagem de Santos para São Paulo e, recebendo-as em 7 de setembro de 1822 às

margens do rio Ipiranga, causaram a decisão da proclamação da independência.


Antes de confirmar um rompimento político definitivo com Portugal, D.

Pedro escreve a seu pai (o rei português D. João VI) sondando a situação política
na Europa. Aconselhado pelo ministro José Bonifácio, realiza viagem por Minas
Gerais e São Paulo para perceber pessoalmente a posição das lideranças locais com
relação à independência.

Convencido de que teria apoio interno,Dom Pedro convoca a primeira


Assembleia Constituinte Brasileira. Os portugueses, no entanto, não aceitam a

convocação da Assembleia Constituinte Brasileira e exigem a volta imediata do


príncipe, ameaçando o envio de tropas. Depois de declarar que as tropas

portuguesas que desembarcassem no Brasil seriam consideradas inimigas, o


governo brasileiro emite um Manifesto às Nações Amigas, escrito por José

Bonifácio. Com a assinatura deste manifesto, D. Pedro confirma o rompimento com


as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura “a independência do Brasil, mas como
reino irmão de Portugal”.Em 12 de outubro de 1822 (dia de seu aniversário) ele é
aclamado “Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil” e coroado em 01 de dezembro

de 1822.

Óleo sobre tela "Coroação de Dom Pedro I" - Jean-Baptiste Debret (1828)

A independência não foi reconhecida imediatamente por todas as regiões

do Brasil. Nas províncias do Grão-Pará, Maranhão, Piauí e principalmente na Bahia


e Cisplatina (atual Uruguai), os governos locais permaneciam leais a Portugal. O

processo de emancipação do Brasil não foi violento como o dos vizinhos da

América espanhola ou a independência dos Estados Unidos da América, mas não


quer dizer que tenha sido pacífico.
Militares e civis portugueses pegaram em armas para evitar a independência
do Brasil, em lealdade à Coroa Portuguesa e ao rei D. João VI, enquanto outros

portugueses perceberam como mais vantajoso unirem-se aos que defendiam a


libertação, até mesmo porque o soberano do Império do Brasil pertencia à casa

portuguesa dos Bragança. Havia ainda um reduzido número de brasileiros,


geralmente ligados aos magistrados portugueses da alta cúpula da administração,

que defendendo seus privilégios financeiros ou políticos eram solidários à Coroa


Portuguesa.

Esta guerra caracterizou-se por ameaças, combates com reduzido número


de mortes e cercos às cidades onde os portugueses resistiram até se renderem
devido à fome ou doenças. Além de um rápido confronto naval próximo a Salvador,
apenas as batalhas de Pirajá (Bahia) e Jenipapo (Piauí) movimentaram grandes

exércitos.
Logo após a independência, o governo brasileiro tinha à disposição um

reduzido efetivo no exército e não possuía marinha, uma vez que considerável parte
das tropas terrestres e os melhores navios de guerra que se encontravam no Brasil

eram compostos por portugueses. Através do ministro José Bonifácio, o Brasil


adotou providências para eliminar a resistência portuguesa, comprando armas e

navios, recrutando tropas nacionais e contratando mercenários estrangeiros. A

estratégia de Dom Pedro era isolar as guarnições portuguesas e forçá-las, uma a


uma, a retornar para Portugal.

Essas tropas reconquistariam a Bahia, enquanto a marinha portuguesa


bloqueava o Rio de Janeiro. A Bahia serviria como base para reforços vindos da

Europa e, depois de assumir o controle das províncias do norte, iniciariam


campanha para a reconquista da região sudeste e sul.

O Preço da Liberdade.

As nações geralmente pagam com sangue sua libertação, através de


revoluções ou guerras civis. O Brasil pagou sua independência com dinheiro
mesmo.
Depois de vencer as resistências internas e manter a coesão do território, era

necessário o reconhecimento das nações estrangeiras para futuros acordos


econômicos, políticos e militares.

Os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer a independência do


Brasil, em 26 de maio de 1824. Depois o México e a Argentina, em 1825.

Portugal não aceitava a independência brasileira, e as nações europeias


também não, devido a acordos diplomáticos com Portugal. Através de negociações

mediadas pelos britânicos, os portugueses reconheceriam a independência se o


Brasil pagasse a dívida de 2 milhões de libras que Portugal tinha com a Inglaterra.
Para pagar a indenização para Portugal, o Brasil pediu um empréstimo à Inglaterra.
D. João VI reconheceu a contragosto a independência do Brasil em 29 de agosto

de 1825, obtendo como parte do acordo o título de “Imperador Titular do Brasil”,


que não lhe dava, porém, qualquer direito sobre o antigo reino.

Depois do reconhecimento da independência pelos portugueses, veio o


reconhecimento oficial da Inglaterra em 1826 e das demais nações europeias em

seguida, firmando o Império do Brasil no cenário internacional.


O Brasil só romperia os vínculos com Portugal, consolidando um governo

independente, com a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Site: A história do Brasil logo após a independência


http://hid0141.blogspot.com.br/2012/05/historia-do-brasil-logo-apos.html
Revista de História

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/dias-tragicos
Matéria: Museu exibe mitos e verdades da independência do Brasil
http://g1.globo.com/bomdiabrasil/MUSEU+EXIBE+MITOS+E+VERDADES
Vídeo: Matéria da série "É muita História".
https://www.youtube.com/watch?v=YpyoZC0zDhI
UNIDADE 2 - A CONSTITUIÇÃO DE 1824

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Feita a independência, agora o Brasil responderia como “Império do Brasil”.


Nesta unidade, iremos estudar como o Brasil se organizou no período imperial, a

coroação de Dom Pedro I e, principalmente, o que ficou estabelecido pela primeira


Constituição brasileira.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil em 7 de setembro de

1822 e em dezembro era coroado o imperador do Brasil, dando início ao que


chamamos de Primeiro Reinado.

Boris Fausto (2008) destaca ainda que o Brasil teria que acertar alguns
detalhes a respeito de sua independência, como expulsar definitivamente as tropas

portuguesas do solo brasileiro, episódio que aconteceu em 2 de julho de 1823 e


garantir o reconhecimento de Portugal em relação à sua independência. O país
ibérico reconheceu a independência da ex-colônia depois de assinado um tratado
em que o Brasil pagaria dois milhões de libras esterlinas e assumia não anexar

nenhuma colônia portuguesa ao seu território. Em agosto de 1825, o caso era


resolvido, o Brasil reconhecido independente e os brasileiros contraíam sua primeira

grande dívida, ao emprestar da Inglaterra o valor exigido pelos portugueses.


Organizada a independência e o império, era necessária a primeira

Constituição do Brasil, a fim de sistematizar o conjunto de leis, próprio do recente


país independente.

As eleições para a Assembleia Constituinte, que eram previstas desde antes


da independência, aconteceram logo após o fato consumado. Mas, segundo Fausto
(2008), não demorou para que começassem as divergências e obstáculos para a

elaboração do documento:
A maioria dos constituintes adotava uma postura

liberal moderada, consistente em defender uma


monarquia constitucional que garantisse os

direitos individuais e estabelecesse limites ao


poder do monarca.

Logo surgiram desavenças entre a Assembleia e


Dom Pedro, apoiado a principio por seu ministro
José Bonifácio. Elas giraram em torno do campo
de atribuições do Poder Executivo (no caso, o
imperador) e do Legislativo (...). Os constituintes
queriam que o imperador não tivesse o poder de
dissolver a futura Câmara dos Deputados (...).
Queriam também que ele não tivesse o poder de
veto absoluto, ou seja, o direito de negar
validade a qualquer lei aprovada pelo Legislativo
(p.148)

Na “queda de braço” entre Dom Pedro e a Constituinte prevaleceu à força


do imperador. Com o apoio dos militares, Dom Pedro dissolveu a Assembleia e em

25 de março de 1824, a primeira Constituição do Brasil foi outorgada pelo


imperador.

Afirmamos outorgada porque ela foi imposta ou como ressalta Fausto (2008)
a primeira Constituição Brasileira nascia de cima para baixo, imposta pelo rei ao
“povo”, (p. 149). Dom Pedro convocou um grupo de sua confiança para que esse
assegurasse a Constituição que ele queria. Mary Del Priore e Venancio (2010)

descrevem o episódio:
Um ano após ser convocada, a Assembleia
Constituinte foi dissolvida e, em seu lugar, o
imperador designou um grupo para redigir
uma Constituição “digna dele”, ou seja, que lhe
garantisse poderes semelhantes aos dos reis
absolutistas (p.165)
Fonte:http://www.passeiweb.com/saiba_mais/fatos_historicos/brasil_america/const

ituicao_1824

A Constituição era clara em relação às relações que deveriam ser


estabelecidas no império. Primeiro devemos considerar a questão dos escravos que

foram totalmente excluídos de qualquer direito. Nem escravos, muito menos


libertos tinham direito a se candidatar ou ao voto. Esses dois pontos, aliás, eram

objetivos, ou seja, pessoas que não tivessem determinada renda, ou que não
possuíssem determinados elementos ligados a status e posses, eram excluídas dos

diretos de candidatura e voto.


O Capítulo VI do Titulo 3º da Constituição de 1824 expõe os direitos ao qual

nos referimos:

CAPITULO VI.
Das Eleições.

Art. 90. As nomeações dos Deputados, e Senadores para a Assembléa Geral, e dos
Membros dos Conselhos Geraes das Provincias, serão feitas por Eleições indirectas,

elegendo a massa dos Cidadãos activos em Assembléas Parochiaes os Eleitores de


Provincia, e estes os Representantes da Nação, e Provincia.
Art. 91. Têm voto nestas Eleições primarias

I. Os Cidadãos Brazileiros, que estão no gozo de seus direitos politicos.


II. Os Estrangeiros naturalisados.

Art. 92. São excluidos de votar nas Assembléas Parochiaes.


I. Os menores de vinte e cinco annos, nos quaes se não comprehendem os

casados, e Officiaes Militares, que forem maiores de vinte e um annos, os Bachares


Formados, e Clerigos de Ordens Sacras.

II. Os filhos familias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se

servirem Officios publicos.


III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os Guardalivros, e

primeiros caixeiros das casas de commercio, os Criados da Casa Imperial, que não
forem de galão branco, e os administradores das fazendas ruraes, e fabricas.

IV. Os Religiosos, e quaesquer, que vivam em Communidade claustral.


V. Os que não tiverem de renda liquida annual cem mil réis por bens de raiz,

industria, commercio, ou Empregos.


Art. 93. Os que não podem votar nas Assembléas Primarias de Parochia, não podem

ser Membros, nem votar na nomeação de alguma Autoridade electiva Nacional, ou


local.
Art. 94. Podem ser Eleitores, e votar na eleição dos Deputados, Senadores, e
Membros dos Conselhos de Provincia todos, os que podem votar na Assembléa

Parochial. Exceptuam-se
I. Os que não tiverem de renda liquida annual duzentos mil réis por bens de

raiz, industria, commercio, ou emprego.


II. Os Libertos.

III. Os criminosos pronunciados em queréla, ou devassa.


Art. 95. Todos os que podem ser Eleitores, abeis para serem nomeados Deputados.

Exceptuam-se
I. Os que não tiverem quatrocentos mil réis de renda liquida, na fórma dos
Arts. 92 e 94.
II. Os Estrangeiros naturalisados.

III. Os que não professarem a Religião do Estado.


Art. 96. Os Cidadãos Brazileiros em qualquer parte, que existam, são elegiveis em

cada Districto Eleitoral para Deputados, ou Senadores, ainda quando ahi não sejam
nascidos, residentes ou domiciliados.

Art. 97. Uma Lei regulamentar marcará o modo pratico das Eleições, e o numero
dos Deputados relativamente á população do Imperio.

Fonte: CONSTITUICÃO POLITICA DO IMPERIO DO BRAZIL (DE 25 DE MARÇO DE

1824). Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao24.htm

A Constituição ainda reservaria outros aspectos discutíveis para a


organização da política Brasileira. O Artigo 10 propunha que o Brasil seguiria a

divisão dos poderes sugerida pelo francês Montesquieu, porém com uma
importante mudança: os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) seriam

“inspecionados” pelo quarto poder, o Moderador, exercido pelo Imperador:

Art. 10. Os Poderes Politicos reconhecidos pela Constituição do Império do Brazil


são quatro: o Poder Legislativo, o Poder Moderador, o Poder Executivo, e o Poder

Judicial

Dom Pedro havia se inspirado nas ideias de Benjamim Constant, que


defendia a criação do poder Moderador, para que esse moderasse as disputas mais

sérias. Para o francês, os ministros do rei cuidariam do Poder Executivo e o monarca


do Moderador. No entanto, o imperador do Brasil não adotou por inteiro todas as

ideias de Constant e o Executivo e o Moderador, além de não estarem separados,


na prática, eram representados pela mesma pessoa: Dom Pedro I.

Diante de inúmeros abusos e casos de extrema exclusão da população, a


constituição de 1824 foi imposta ao povo e seguida pelo mesmo. O imperador
expressava sua determinação em ser absoluto no Brasil e a ex-colônia

experimentava o sabor de ter como herói da independência o filho do antigo

BUSCANDO CONHECIMENTO

Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de março de 1824).


Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao24.htm

Filhas da Constituição.
Disponível em:http://www.revistadehistoria.com.br/secao/educacao/filhas-da-

constituicao
Liberdade com Restrições.

Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/liberdade-com-


restricoes

A Primeira Constituição do Brasil – Eduardo Bueno.


Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=2VinyJpJhJI
UNIDADE 03 - D. PEDRO I

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Principal responsável pela Independência do Brasil, D. Pedro foi o primeiro


imperador do país e 27° rei de Portugal, com o título de Pedro 4º. Filho do então

monarca D. João 6°, que na época governava Portugal, Brasil e Algarves, e da rainha
Carlota Joaquina de Bourbon, Pedro viveu em Portugal até os 9 anos, quando teve

que vir juntamente com a família real para o Brasil por ocasião da invasão dos
franceses a Portugal, em 1807.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Dom Pedro I (1798-1834) nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 12 de outubro

de 1798. Filho de Dom João VI e de Dona Carlota Joaquina de Bourbon. Passou seus
primeiros anos no Palácio de Queluz, cercado de governantas e professores. Entre

seus mestres estavam Dr. José Monteiro da Rocha, ex-jesuíta, e frei Antônio de
Nossa Senhora da Salete. Sabia falar latim, francês e inglês.
No dia 29 de novembro de 1807, com a ameaça da invasão de Portugal pelas
tropas de Napoleão, a família real embarca para o Brasil, instalando-se no Rio de

Janeiro, em março de 1808, na Quinta da Boa Vista. Pedro era um menino com
apenas 9 anos, rebelde, fugia do castelo para brincar com os garotos pobres do

porto. Frei Antônio de Arrábida tornou-se seu principal mestre e confessor. Tinha
aulas de pintura e música, aprendeu a compor e tocar pequenas peças. Dedicava-

se também à equitação. Avesso aos estudos preferia a vida ao ar livre no palácio de


São Cristóvão e na fazenda Santa Cruz.

Em março de 1816, com a morte de sua avó Dona Maria I, Dom João é
aclamado Rei de Portugal e Dom Pedro torna-se Príncipe Real e herdeiro direto do
trono, em virtude da morte do seu irmão mais velho, Antônio. Depois de várias
negociações diplomáticas, estava a caminho do Brasil a Arquiduquesa Carolina

Josefa Leopoldina, filha do imperador da Áustria. Foi escolhida para esposa de Dom
Pedro. Casam-se no dia 5 de novembro de 1817.

Com fama de aventureiro e boêmio, teve 13 filhos reconhecidos e mais cinco


naturais: sete com a primeira esposa, Dona Leopoldina, da qual enviuvou em 1826;

uma filha com a segunda esposa, a duquesa alemã Amélia Augusta; cinco com a
amante brasileira Domitila de Castro, a marquesa de Santos; um com uma irmã de

Domitila, Maria Benedita Bonfim, baronesa de Sorocaba; um com a uruguaia Maria

del Carmen García; um com cada francesa Noémi Thierry e Clémence Saisset e um
com uma monja portuguesa Ana Augusta.

Em 1820 Portugal passava por grave crise política e social. A Revolução


Liberal do Porto se espalhou por todo pais. A constituição era a palavra de ordem.

Estava em jogo o destino do Reino Unido. A família real retorna à Europa em 26 de


abril de 1821, ficando D. Pedro como Príncipe Regente do Brasil. A corte de Lisboa

despachou então um decreto exigindo que o Príncipe retornasse a Portugal e que


o Brasil voltasse à condição de colônia.

O decreto vindo da corte provocou grande desagrado popular. Um abaixo-


assinado com oito mil assinaturas foi levado a D. Pedro, solicitando sua
permanência no Brasil. No dia 9 de janeiro de 1822, cedendo às pressões Dom
Pedro declara: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou

pronto. Diga ao povo que fico". O dia do Fico era mais um rompimento com
Portugal. A atitude de Dom Pedro desagradou a Corte Portuguesa, que suspendeu

o pagamento de seus rendimentos. José Bonifácio foi escolhido para chefiar seu
novo ministério.

Com a popularidade cada vez mais em alta, quando viajava de Santos para
a capital paulista, recebeu uma correspondência de Portugal, comunicando que

fora rebaixado da condição de regente a mero delegado das cortes de Lisboa.


Descontente, ali mesmo, em 7 de setembro de 1822, junto ao riacho do Ipiranga, o
herdeiro de D. João VI, resolveu romper definitivamente contra a autoridade

paterna e declarou: "Independência ou morte! Estamos separados de Portugal!".


De volta ao Rio de Janeiro, Dom Pedro foi proclamado Imperador

Constitucional do Brasil. A cerimônia teve lugar no Campo de Santana, hoje praça


da República. No dia 1 de dezembro, recebeu a Coroa Imperial. Em 1823, a

Assembleia Constituinte iniciou suas atividades. Dos noventa deputados, muitos


não compareciam. A redação da Carta Magna era lenta. Insatisfeito, Dom Pedro

dissolve a Constituinte, manda prender os irmãos Bonifácio e cria um Conselho de

Estado para redigir a Constituição, que foi promulgada no dia 25 de março de 1824.
Em meio a dificuldades financeiras e várias e desgastantes rebeliões

localizadas, instalou a Câmara e o Senado vitalício em 1826, porém um fato


provocou desconforto geral e o seu declínio político no Brasil. Com a morte de D.

João VI, em 1826, decidiu contrariar as restrições da constituição brasileira, que ele
próprio aprovara, e assumir, como herdeiro do trono português, o poder em Lisboa

como Pedro IV, 27º rei de Portugal.


Foi a Portugal e, constitucionalmente não podendo ficar com as duas coroas,

instalou no trono a filha primogênita, Maria da Glória, como Maria II, de sete anos,
e nomeou regente seu irmão, Dom Miguel. Porém sua indecisão entre o Brasil e
Portugal contribuiu para minar a popularidade e, somando-se a isto o fracasso
militar na Guerra da Cisplatina (1825-1827).

Os constantes atritos com a assembleia, o seu relacionamento extraconjugal


(1822-1829) com Domitila de Castro Canto e Melo, a quem fez Viscondessa e depois

Marquesa de Santos, o constante declínio de seu prestígio e a crise provocada pela


dissolução do gabinete, após quase nove anos como Imperador do Brasil, abdicou

do trono, no dia 7 de abril de 1831, em favor de seu filho Pedro, então com cinco
anos de idade.
Pedro I compondo o Hino Nacional (hoje Hino da Independência), em 1822.

Artista: Augusto Braga.

Voltando a Portugal, com o título de Duque de Bragança, assumiu a


liderança da luta para restituir à filha Maria da Glória o trono português, que havia

sido usurpado pelo irmão, Dom Miguel, travando uma guerra civil que durou mais
de dois anos. Inicialmente criou uma força expedicionária nos Açores (1832), invadiu

Portugal, derrotou o irmão e restaurou o absolutismo.


Sabe-se, ainda, que o Imperador teve formação musical bastante esmerada,

tendo sido aluno de mestres como o Padre José Maurício Nunes Garcia, Marcos
Portugal e Sigismund Neukomm. Tocava clarineta, fagote e violoncelo. Dele se

conhece uma Abertura, executada no Teatro Italiano de Paris (1832), um Credo, um


Te Deum, o Hino da Carta, adotado posteriormente como Hino Nacional Português

(até 1910), e o Hino da Independência do Brasil.

Efígie na cédula de um Conto de Réis, emitida em 1923 pelo governo brasileiro.


Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel

Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon,


morreu de tuberculose, no palácio de Queluz, no dia 27 de setembro de 1834. Foi

sepultado no Panteão de São Vicente de Fora, como simples general e não como
rei, como determinava seu testamento. No sesquicentenário da independência do

Brasil, em 1972, seus restos mortais foram trazidos para a cripta do monumento do
Ipiranga, em São Paulo.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Site: D. Pedro I
http://educacao.uol.com.br/biografias/d-pedro-1.jhtm

Dom Pedro I - História


https://www.youtube.com/watch?v=izppKQj35Zg

Dicionário do Brasil Imperial – Ronaldo Vainfas – RJ Edit. Objetiva – p322


Livro: Guia politicamente incorreto da história do Brasil – Leandro Narloch

2ª Ed. SP – LEYA - 2011


UNIDADE 04 - PRIMEIRO REINADO 1822 – 1831 E A ABDICAÇÃO DE D.
PEDRO I

Fonte: http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/constituicao-1824.htm

“Usando do direito que a Constituição me concede,


declaro que hei muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado
e prezado filho o Senhor D. Pedro de Alcântara. – Boa Vista, sete de abril de mil
oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império”.
Pedro “

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

O primeiro reinado do Brasil é o nome dado ao período em que D. Pedro I


governou o Brasil como Imperador, entre 1822 e 1831, ano de sua abdicação. O

primeiro reinado compreende o período entre 7 de setembro de 1822, data em que


D. Pedro I proclamou a independência do Brasil, e 7 de abril de 1831, quando

abdicou do trono brasileiro.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O Primeiro Reinado é a fase da História do Brasil que corresponde ao


governo de D. Pedro I. Tem início em 7 de setembro de 1822, com a Independência
do Brasil e termina em 7 de abril de 1831, com a abdicação de D. Pedro I.

O governo de D. Pedro I enfrentou muitas dificuldades para consolidar a


independência, pois no Primeiro Reinado ocorrem muitas revoltas regionais,

oposições políticas internas.


Em algumas províncias do Norte e Nordeste do Brasil, militares e políticos,

ligados a Portugal, não queriam reconhecer o novo governo de D. Pedro I. Nestas


regiões ocorreram muitos protestos e reações políticas. Nas províncias do Grão-

Pará, Maranhão, Piauí e Bahia ocorreram conflitos armados entre tropas locais e

oficiais.
Nove anos após a Independência do Brasil, o governo de D.Pedro I estava

extremamente desgastado. O descontentamento popular com a situação social do


país era grande. O autoritarismo do imperador deixava grande parte da elite política

descontente. A derrota na Guerra da Cisplatina só gerou prejuízos financeiros e


sofrimento para as famílias dos soldados mortos. Além disso, as revoltas e

movimentos sociais de oposição foram desgastando, aos poucos, o governo


imperial.

O Poder Moderador não agradava muita gente no império brasileiro e a


figura do imperador também já não atraía muitos fãs. Uma série de fatores
contribuiu para que a impopularidade do imperador aumentasse cada vez mais. O
primeiro motivo se refere à região da Cisplatina, que fora anexada ao território

brasileiro por Dom João e que não desejava continuar a pertencer ao agora, império
brasileiro. Boris Fausto (2008) destaca que:

(...) em 1825, uma rebelião regional proclamou a


separação do Brasil e a incorporação às
Províncias Unidas do Rio da Prata – futura
Argentina. Este fato precipitou a guerra entre o
Brasil e Buenos Aires, a partir de dezembro de
1825. A guerra foi um desastre para os brasileiros
(p.154)
Segundo o autor, o Brasil perdeu a guerra que resultou em uma catástrofe
financeira para as duas partes envolvidas (p.155). A paz só foi estabelecida depois
que a Inglaterra, defendendo seus interesses comerciais, interveio e mediou o fim

do conflito. Depois da guerra, a região da Cisplatina tornou-se o que conhecemos


hoje como Uruguai, um país independente. No entanto, embora o fim do conflito

tenha selado a livre navegação do Prata, fato importante para o Brasil, a situação
brasileira era delicada, pois os gastos militares provocaram o início de um sério

problema financeiro. Sem falar na questão social, uma vez que muitos dos que
participaram dos combates foram compelidos a isso à força.

O Banco do Brasil agravara ainda mais a questão econômica. Dom João

iniciara a falência do banco quando antes de partir para Portugal “limpou os cofres”
de ouro. Boris Fausto (2008) indica que Dom Pedro para tentar salvar a economia

recorreu à emissão de grande quantidade de moedas de cobre, dando origens a


falsificações e ao aumento do custo de vida, sobretudo nos centros urbanos (p.155),
o que acentuou ainda mais a crise econômica e provocou, em 1829, o fechamento
do Banco do Brasil.

Outro fator a ser destacado é a questão política. O cenário político brasileiro


estava dividido: de um lado estavam os absolutistas, defensores da ordem e da

propriedade e da figura forte e centralizada do imperador e, do outro, estavam os


liberais que também defendiam a ordem e a propriedade, mas que eram adeptos
das novidades e defendiam a liberdade constitucional. Enquanto os portugueses e
absolutistas se apegavam à figura do imperador, muitos integrantes da elite

começavam a apoiar os liberais, uma vez que, em 1826, Dom João morrera e, como
Dom Pedro era o herdeiro do trono, acreditava-se que ele pudesse fazer o Brasil

voltar aos tempos de Reino Unido de Portugal e Algarves.


O Exército, importante ferramenta nas mãos de um governante, também

começa a manifestar sua insatisfação. Os oficiais de mais destaque estavam


descontentes devido às derrotas militares e os soldados da base eram geralmente

pessoas advindas das camadas mais pobres da população que, além de quase não
possuírem direitos de acordo com a Constituição de Dom Pedro, sofriam com as
péssimas condições de vida em tempos de crise. Del Priore e Venancio (2010)
afirmam que o imperador tornava-se cada vez mais impopular e que o Exército,

ampliado às pressas em razão das lutas contra as tropas portuguesas e grupos


separatistas, foge ao controle das autoridades (p.166).
O episódio conhecido historicamente como a “noite das garrafadas”
evidencia a impopularidade do imperador junto aos brasileiros. Em março de 1831,

ele voltava de uma viagem a Minas e, para representar seu apoio a ele, os
portugueses planejaram uma festa para a sua recepção. Em meio a uma séria crise

econômica, os portugueses esbanjavam dinheiro fazendo festas para o imperador.

Esse pensamento movimentou um grupo de brasileiros que começou a atacar as


casas dos portugueses; estes responderam atirando garrafas e cacos de vidros. Os

tumultos se estenderam por cinco dias, e a situação do imperador no Brasil ficava


cada vez mais complicada.

Era uma questão de tempo a renúncia do imperador dadas as condições em


que ele se encontrava:

√ Crise econômica,
√ Falta de apoio dos militares, da elite e da população;

√ Derrota na guerra contra os argentinos;


√ Imposição da Constituição;
√ Revoltas populares Brasil afora;
√... E a possibilidade de perder o trono de Portugal.

Todos esses fatores levaram Dom Pedro I, o imperador do Brasil e


responsável pela sua independência, a abdicar do trono em 7 de abril de 1831. O

processo é descrito por Mary Del Priore e Venancio (2010):


No início da década de 1830, o clima é de guerra
civil. Rio de Janeiro, Ceará, Bahia, Pernambuco e
Alagoas é palco de levantes armados em que
fazendeiros, tropas, pequenos proprietários,
índios e escravos se ombreiam, ora contra a
centralização do poder, ora como expressão de
revolta diante da pobreza e da escravidão. É
nesse contexto que Dom Pedro I, a 7 de abril de
1831, renuncia ao trono brasileiro. Junto ao medo
de ser deposto, havia outro motivo para o gesto:
em 1826, com a morte de Dom João VI, o
Imperador tornou-se o virtual sucessor da Coroa
portuguesa. Ciente do risco que a ameaça da
restauração representava, como munição para
movimentos separatistas, D. Pedro renuncia ao
trono lusitano em nome da filha, sob o título de
D. Maria II. Tal gesto, porém, não é acatado por
seu irmão, D. Miguel, lançando Portugal em uma
guerra de sucessão dinástica até 1834, na qual,
entre os combatentes, estava D. Pedro I – Aliás,
D. Pedro IV para os portugueses (p.167)

O fato é que Dom Pedro I corria o risco de, além de perder o trono do Brasil,

perder também o trono de Portugal, já que seu irmão deu um golpe contra sua
filha Maria da Glória. Diante dessa situação, Dom Pedro não hesitou em abdicar o

trono brasileiro em favor de seu filho Pedro de Alcântara, de apenas cinco anos de
idade.

A partir desse momento, inicia-se na história brasileira o período regencial,


enquanto “Pedrinho” não se tornava Dom Pedro II.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Líbero Badaró.

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1069720

Hino ao 7 de abril – Projeto Música Brasilis.


http://www.youtube.com/watch?v=v53ZWQ4BsY0

Brasil Império - Parte 1.

http://www.youtube.com/watch?v=BuSrhijIiO8
UNIDADE 05 - A REGÊNCIA 1831-1840

O Imperador Pedro II aos 12 anos de idade vestindo o uniforme imperial de


gala,1838.

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

A partir da data da abdicação de Dom Pedro I, a esperança era a de que

finalmente o Brasil seria governado por um BRASILEIRO. No entanto, o filho do


Imperador tinha apenas cinco anos e até atingir a idade adulta o Brasil seria

governado por regentes.


Nesta unidade, estudaremos o período regencial e o golpe que deu o poder

a Dom Pedro II, com apenas 14 anos.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Os artigos 121 e 122 da Constituição eram bem claros quanto à sucessão do


trono em caso de impossibilidade do imperador governar: seu descendente

deveria ter a idade de pelo menos dezoito anos para assumir.

Art. 121. O Imperador é menor até á idade de dezoito annos completos.


Art. 122. Durante a sua menoridade, o Imperio será governado por uma Regencia,

a qual pertencerá na Parente mais chegado do Imperador, segundo a ordem da


Successão, e que seja maior de vinte e cinco annos.

Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao24.htm

Boris Fausto (2008) explica o que é e como se organizou a Regência, a que

o artigo 122 se referia:


O período posterior à abdicação de Dom Pedro
I é chamado de Regência porque nele o país foi
regido por figuras políticas em nome do
Imperador até a maioridade antecipada deste,
1840. A princípio os regentes eram três,
passando a ser apenas um, a partir de 1834
(p.161)

Durante dois meses o governo teve a sua frente às figuras de Nicolau Pereira

de Campos Vergueiro, José Joaquim Carneiro de Campos e Francisco de Lima e


Silva. Porém em 17 de junho de 1831 foi eleita a Regência Trina Permanente que

governaria o país de 1831 a 1835. Os representantes eram: Francisco Lima e Silva,


João Bráulio Muniz e José da Costa Carvalho.

Boris Fausto (2008) destaca que esse período foi um dos mais tumultuados
da história do Brasil. Disputas políticas, problemas com as forças armadas, revoltas

populares foram alguns dos elementos que fizeram parte do cenário político
nacional da época. A política continuava movimentada tendo de um lado os liberais

moderados que, segundo Fausto (2008), se organizavam de acordo com a tradição


maçônica na Sociedade Defensora da Liberdade e Independência Nacional (p.162).
Os adeptos dessa corrente eram principalmente de Minas, São Paulo e Rio
de Janeiro e destacavam-se sendo proprietários de terras e escravos. Em oposição

aos liberais estavam os exaltados, que defendiam o federalismo (mais autonomia


para as províncias) e alguns sonhavam com a República.
O período regencial foi marcado ainda por uma série de reformas que

pretendiam organizar a sociedade brasileira de outra forma. Em 1832, por exemplo,


foram decretadas algumas mudanças nas normas de aplicação do Código Criminal.

Os juízes de paz passaram a ter mais liberdade para agir, podendo prender
e julgar pessoas acusadas de cometer pequenas infrações (FAUSTO, 2008, p.163).
O Poder Moderador também foi atingido pelas mudanças, já que, em agosto
de 1834, uma lei chamada de Ato Adicional, fez alterações na Constituição de 1824

e determinou que o Poder Moderador não poderia ser exercido durante a Regência

(FAUSTO, 2008, p.163). Boris Fausto ainda destaca uma série de mudanças
referentes aos impostos que acabaram facilitando a vida dos grandes proprietários

e políticos regionais, que usaram a distribuição dos tributos como forma de


conseguir votos:

Legislou-se sobre a repartição de rendas


entre o governo central, as províncias e os
municípios. Atribui-se às Assembleias
Provinciais competência para fixa as
despesas municipais e das províncias e
para lançar os impostos necessários ao
atendimento dessas despesas, contanto
que não prejudicassem as rendas a serem
arrecadadas pelo governo central. Essa
fórmula vaga de repartição de impostos
permitiu às províncias a obtenção de
recursos próprios, à custa do
enfraquecimento do governo central.
Uma das atribuições mais importantes
dadas às Assembleias Provinciais foi a de
nomear e demitir funcionários públicos.
Desse modo, colocava-se nas mãos dos
políticos regionais uma arma significativa,
tanto para obter votos em troca de
favores como para perseguir inimigos
(p.163)

Outro segmento que passou por mudanças foi o Exército. Considerado mal
organizado pelos regentes, o Exército ainda não remunerava bem o que provocava
a insatisfação de muitas pessoas e ainda preocupava as autoridades devido à

possibilidade de rebeliões. Por isso em agosto de 1831 foi criada a Guarda Nacional,
em substituição das antigas milícias. (...) a ideia consistia em organizar um corpo
armado de cidadãos confiáveis, capaz de reduzir tanto os excessos do governo
centralizado como as ameaças das “classes perigosas” (FAUSTO, 2008, p. 164).
A Guarda Nacional era responsável por manter a ordem na província em que
fosse formada, fazendo com que surgisse para o cenário nacional a figura do

coronel.

O Ato Adicional de 1834 estabeleceu que, a partir de 1835, as eleições


deveriam ser feitas para a instituição de uma Regência Única.

O padre Feijó venceu as eleições, mas em setembro de 1837 renunciou


quando não conseguiu controlar os movimentos populares. Fausto (2008) defende

que Feijó renunciou porque sofrera pressões do Congresso, sendo acusado de não
conseguir empregar suficiente energia na repressão aos farrapos (p.171). Nas
eleições seguintes, venceu o antigo senhor de engenho de Pernambuco Pedro de
Araújo Lima.

Para muitos, a vitória de Araújo simbolizava um regresso nos avanços que o


Brasil já havia conquistado, uma vez que ele representava uma corrente
conservadora que desejava regressar à centralização política ao reforço da
autoridade (p.171).
Os liberais não demoraram a se organizar e conseguiram, através de uma
interpretação arranjada do Ato Adicional, a antecipação da maioridade de Pedro

de Alcântara.
O príncipe completaria 18 anos apenas em 1843, mas em julho de 1840 o

jovem de apenas catorze anos subia ao trono e tornava-se dom Pedro II. Para os
liberais a coroação do jovem e inexperiente imperador significava a possibilidade

de manipular sua figura e consequentemente a política brasileira e, como os


conservadores não ofereceram muita resistência, não foi difícil apresentar o projeto
de antecipação da maioridade na Câmara. Além disso, o movimento ganhou apoio
da imprensa e de alguns populares. Era uma realidade o imperador assumir o trono

com apenas catorze anos, no que ficou conhecido historicamente como Golpe da
Maioridade.

Logo que assumiu, Dom Pedro II revogou as medidas estabelecidas no


período anterior e, como destaca Del Priore e Venâncio (2010), o novo imperador

assumiu o governo
Revigorando os dispositivos da
Constituição de 1824 através do Poder
Moderador, abolindo inovações
regenciais (...) e subordinando a
autoridade policial ao Ministério da
Justiça. O sistema político que emergiu
das lutas dos primeiros vinte anos da
independência apresentava, por isso
mesmo, um forte sabor centralizador: o
imperador reinava, governava e
administrava (p.178)

Foi assim que Dom Pedro II assumiu o poder e inaugurou o período que

conhecemos como Segundo Reinado. Um cenário de Revoltas populares, disputas


políticas, ascensão dos coronéis e grandes proprietários de terra, apoiados em uma

economia que ainda tinha como base a escravidão.

BUSCANDO CONHECIMENTO
O império do Chocolate.

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/leituras/o-imperio-do-chocolate

O rei invisível.
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/perspectiva/um-rei-invisivel

Golpe da Maioridade – Eduardo Bueno.

http://www.youtube.com/watch?v=XWBFb0ivbOA
Brasil Império – Parte 2.

http://www.youtube.com/watch?v=s5NQNpOJURY&feature=related
UNIDADE 06 - REVOLTAS NO PERÍODO REGENCIAL: CABANADA.
SABINADA, BALAIAD

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Desde a independência e até mesmo antes dela, os movimentos sociais

agitavam todos os cantos do Brasil. Durante o império, as Revoltas foram mais

acentuadas e cada uma com a sua particularidade contribuiu de alguma forma para
as mudanças no plano político do império.

Nesta unidade estudaremos as revoltas da Cabanada; Sabinada, e Balaiada.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O período Regencial provocou a ira de grande parte da população que


protagonizou uma série de levantes e rebeliões, que só foram acalmadas, porém

nem todas definitivamente abafadas.


Com a coroação de Dom Pedro II. Boris Fausto (2008) destaca que o povo e

as tropas foram os grandes responsáveis pelas manifestações dos primeiros anos


do império. Cada revolta possuía um caráter, uma ideologia e uma maneira própria

de reivindicar seus direitos, no entanto todas eram movidas por algum tipo de
insatisfação.

CABANADA – Pernambuco e Alagoas (1832-1835)

Júlio José Chiavenato (1988) afirma que a Cabanada é um dos movimentos


mais ricos da História, pois tudo nela é contradição (p. 54). Ele relata que o discurso
era de defesa à monarquia e à volta de Dom Pedro I e ainda a preservação dos
grandes latifúndios, mas na prática assaltavam fazendas, matavam os proprietários,

saqueavam os engenhos, ocupavam as terras e libertavam os escravos.


Segundo Chiavenato (1988), os “cabanos”, como eram chamados em alusão

às cabanas onde ficavam nas matas, foram à luta. O autor se refere ao movimento
e ao grupo como:

Sertanejos e índios, mulatos e negros, fazendo


da mata seu esconderijo, comandam ações
guerrilheiras de grande ousadia, eliminando as
tropas do governo a facadas e pauladas. Não
tem generais, seus comandantes são escolhidos
no momento da luta (p.54) 22

Os cabanos vão à luta e enfrentam as tropas em Recife, tomam quartéis e


soltam presos, no entanto, logo são reprimidos. As elites e as tropas não precisam

mais que três dias para matar mais de trezentos cabanos e reprimir o movimento.
A partir de então, o interior de Pernambuco começa a ser palco de intermináveis

insurreições (rebeliões).
Os cabanos querem mostrar suas inquietações, não aceitam injustiças e

lutam por melhores condições. Eles formam comunidades, escondem-se nas matas
e fazem com que o império gaste uma fortuna para tentar vencê-los. Chiavenato

(1988) defende que o império não consegue vencer o povo, porque esse é
consciente. Para ele, quando o povo se liberta, e principalmente se este povo é
negro, índio ou mulato, ele tem que ser selvagem por desobedecer às normas
“civilizadas”da sociedade que o oprime (p.56).
Ainda destaca que muitos senhores chamavam os cabanos de homens-feras
capazes de incendiar propriedades e de assassinar cruelmente. O movimento foi

derrotado, mas não deixa de ser um importante exemplo da força que a união do
povo tem. Chiavenato (1988) destaca o duro fim do movimento:

Esmagado o movimento, mortos centenas de


“homens-feras”, a Cabanada surge como uma
das principais lutas pela terra no Brasil. Seu maior
líder Vicente Ferreira de Paula, só foi preso em
abril de 1850. (...) Esse “homem-fera” foi
torturado pelos “civilizados” que o capturaram.
(p.58)

A Cabanada, embora não atraísse um grande número de estudos, revela a


importância da reação de um grupo diante de uma situação. Os cabanos

precisavam externar suas inquietações e usaram a revolta para fazer isso; eles
lutavam pela terra, por isso invadiam propriedades a fim de ocupá-las. Chiavenato

(1988) considera uma contradição pessoas que querem terra, invadir as

propriedades de outros, sendo que a qualquer momento eles podem estar nessa
situação; no entanto, o movimento não tem menor, nem maior importância por

essa causa. Para ele, aqueles “homens-feras” descobriram que podiam criar uma
sociedade livre de injustiças, com igualdade para todos (p.58). 23

SABINADA - Bahia (1837-1838)

Os baianos insatisfeitos pelo fato de que a independência não mudara muita


coisa no cenário político brasileiro, declararam fidelidade ao rei-menino; os sabinos

defendiam a proclamação da república com a intenção de se separar do governo


central. O movimento prometia ainda liberdade para todos os cativos nacionais

(nascidos no Brasil) que pegassem em armas pelo movimento.


A revolta possui esse nome em referência ao seu líder Sabino Barroso,

médico que cumprira prisão no Rio Grande do Sul, por ter assassinado o político
conservador Ribeiro Moreira, no ano de 1834. Na prisão, Sabino conheceu Bento

Gonçalves, líder da Revolução Farroupilha, e levou para a Bahia as ideias de


libertação.

A Sabinada obtém a vitória em 7 de novembro de 1837, com a adesão de


parte das tropas do governo. As autoridades imperiais fogem de Salvador e é

proclamada a república. Os sabinos não conseguem, porém, convencer o interior


da Bahia, especialmente o Recôncavo, a aderir ao movimento. São os grandes

senhores do Recôncavo que ajudam o governo imperial a sufocar a insurreição. O


Império contra-ataca e vence em 15 de março de 1838. (p.41)
O autor ainda relata que o número de mortos passou de mil e o de feridos

de três mil. O comandante da ação, Crisóstomo Calado, incendiou Salvador,


principalmente as casas dos defensores da república. Somente três líderes foram

condenados à morte e o povo envolvido julgado pelos senhores rurais. Sabino


Barroso, o líder que deu nome ao movimento, foi condenado à prisão.

A questão é que a Sabinada não possuiu a mesma força que outras revoltas
e nem a mesma intensidade quanto à participação popular, porém sua repressão

foi digna de um movimento muito maior. Para Chiavenato (1988), os sabinos eram

letrados, pessoas envolvidas com o mundo das ideias, que falavam melhor do que
agiam.

BALAIADA - Maranhão (1838 e 1840)

Entre 1838 e 1841 o Maranhão passava por uma crise econômica peculiar, a
região na época era muito conhecida por ser uma das principais responsáveis pela

exportação de algodão no Brasil. Na política havia uma disputa entre os liberais


(bem-te-vis) e os conservadores (cabanos). A Balaiada nasce da disputa de poder

entre eles e pela alta pobreza na região.


Os liberais divulgam uma campanha para retirar o total controle das eleições
dos prefeitos, das mãos dos conservadores. Com essa campanha, a disputa se torna
intensa e envolve muitos escravos e pobres que também tinham interesse em

mudar a sua atual situação de pobreza. Nesse momento os ânimos já estavam


tensos e não precisou de muito para se iniciar a revolta.

O ponto de partida para a Balaiada foi a detenção de um irmão de um dos


liberais, Raimundo Gomes; que indignado com tal ato invadiu a cadeia pública do

povoado e libertou seu irmão em dezembro de 1838, mas para ele isso ainda não
era o suficiente. Cosme Bento, ex-escravo e o próprio Balaio (Manuel Francisco dos

Anjos Ferreira) o apoiou para espalhar a revolta e o direito dos liberais pelo
Maranhão.
O movimento cresceu adquirindo cada vez mais adeptos da classe

populares. Algumas vitórias foram realizadas pelos balaios, como a tomada de


Caxias e a organização de uma Junta Provisória. Preocupado com isso, o governo

formou um grupo com a finalidade de dissolver essa crescente força. Esse grupo
formado pela elite tinha como comandante o Coronel Luis Alves de Lima e Silva,

nomeado Presidente da Província.


Em uma das batalhas o comandante dos balaios, Raimundo Gomes, rendeu-

se; após a sua morte o ex-escravo Cosme, um dos principais chefes dos balaios,

assumiu a liderança do movimento. Os líderes balaios, aos poucos, foram mortos


em batalha ou capturados. Consequentemente a força foi diminuindo até que, em

1840, boas partes dos balaios se renderam diante da anistia concedida pelo
governo. Em 1841, o líder Cosme Bento foi capturado e enforcado. Era o fim da

revolta. Com o resultado da opressão ao movimento e sua diluição, Lima e Silva é


designado como Barão de Caxias.

BUSCANDO CONHECIMENTO

A sabinada. Disponível em:


http://www.youtube.com/watch?v=taErYFxN1FY&feature=relmfu

Dicionário das batalhas brasileiras.


Hernâni Donato. 2 ed. [S.l.]: IBRASA, 1996. 593 páginas p. p.112.

Livro: Cabanagem, o povo no poder


CHIAVENATO, Júlio José.. São Paulo: Brasiliense, 1984.
UNIDADE 07 - REVOLTAS PRAEIRAS E REVOLUÇÃO FARROUPILHA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

A Revolução Praieira teve início em 1848, em Pernambuco, e foi a última


revolta contra a monarquia e contra os donos de propriedades rurais

Dentre as revoltas que ocorreram durante o Período Regencial, a Revolta


Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos) foi a mais longa. Ocorrida entre 1835 e 1845,

a revolta levou as províncias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina a


proclamarem duas repúblicas independentes do governo imperial.

ESTUDANDO E REFLETINDO

REVOLTA PRAIEIRA

A Revolução Praieira foi uma revolta de caráter liberal e federalista ocorrida


na província de Pernambuco entre os anos de 1848 e 1850. Dentre as várias revoltas

ocorridas durante o Brasil Império, esta foi a última. Ganhou o nome de praieira,
pois a sede do jornal comandado pelos liberais revoltosos (chamados de praieiros)
localizava-se na rua da Praia.
Em 1848 o Senado brasileiro era dominado por senadores do Partido

Conservador. Os senadores conservadores vetaram a indicação, para uma cadeira


do Senado, do liberal pernambucano Antônio Chinchorro da Gama.

Este veto provocou uma revolta em determinado grupo de políticos liberais


de Pernambuco. Os pernambucanos também estavam insatisfeitos com a falta de

autonomia política das províncias e concentração de poder nas mãos da monarquia


Os políticos liberais revoltosos ganharam o apoio de várias camadas da

população, principalmente dos mais pobres, que viviam oprimidos e sofriam com
as péssimas condições sociais. Os praieiros chegaram a tomar a cidade de Olinda.
Em 1 de janeiro de 1849, divulgam o Manifesto ao Mundo. Neste documento,

os praieiros reivindicavam:
- Independência dos poderes e fim do poder Moderador (exclusivo do monarca);

- Voto livre e Universal;


- Nacionalização do comércio de varejo;

- Liberdade de imprensa;
- Reforma do Poder Judiciário;

- Federalismo;

- Fim da lei do juro convencional;


- Fim do sistema de recrutamento militar como existia naquela época.

A rebelião foi derrotada pelas forças oficiais no começo de 1850. Muitos


revoltosos foram mortos durante os combates com as forças oficiais. Os líderes e

demais participantes foram presos e julgados, embora tenham sido anistiados no


ano seguinte.

REVOLTA FARROUPILHA

Guilherme Litran, Carga de cavalaria Farroupilha,acervo do Museu Júlio de

Castilhos.

Dentre as revoltas que ocorreram durante o Período Regencial, a Revolta


Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos) foi a mais longa. Ocorrida entre 1835 e 1845,
a revolta levou as províncias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina a

proclamarem duas repúblicas independentes do governo imperial.


A origem do conflito estava na insatisfação dos proprietários rurais gaúchos

que administravam a produção de charque (carne-seca), gado e couro, e foram


obrigados a pagar um imposto de 25% sobre essas mercadorias. Por outro lado, as

mesmas mercadorias que eram produzidas na Argentina e no Uruguai pagavam


uma taxa de impostos muito menor, de 4%.

Essa situação indignou os estancieiros, os criadores gaúchos de gado. Mas

não eram apenas os impostos que incomodavam os gaúchos. Eles pretendiam


também conquistar maior autonomia política para as províncias, o que garantiu um

apoio popular. A revolta teve início em 1835, quando as tropas lideradas pelo rico
estancieiro Bento Gonçalves tiraram do poder o presidente da província, nomeado

pelo governo central. Ao ocupar Porto Alegre, os rebeldes proclamaram a


República de Piratini, ou República Rio-grandense.

O caráter republicano ajuda o leitor a entender por que a revolta ganhou o


nome de Revolta Farroupilha. Farroupilha, ou farrapos, era o nome dado aos liberais

radicais republicanos que se identificavam com os sans-culottes da Revolução


Francesa. Os sans-culottes eram revolucionários populares que se distinguiam da
elite por suas roupas, calças longas e de tecidos de baixa qualidade. Daí o
surgimento dos termos farrapos e farroupilhas.

O ideal republicano atraiu outras pessoas na luta contra o governo central


do Império. Um deles era o italiano Giuseppe Garibaldi, que havia fugido da Itália

por motivos políticos. Em conjunto com David Canabarro, Garibaldi liderou a


invasão de Laguna, em Santa Catarina, e proclamaram a República Juliana, em julho

de 1839. O objetivo era formar uma confederação entre as duas repúblicas.


Entretanto, o governo central do Império não aceitava que essas províncias

se separassem do Brasil. Inicialmente foram tentados acordos diplomáticos para pôr


fim à revolta. Mas as medidas não tiveram sucesso. O resulto foi uma guerra que
durou dez anos.
Um dos canhões usados pelos Farroupilhas. Permaneceu até 1926 no fundo do

riacho Santa Isabel, em Camaquã, quando foi recuperado junto com outros e
passou ao acervo do Museu Júlio de Castilhos

A Revolta Farroupilha somente teve fim em 1845, já no reinado de D. Pedro

II, quando as tropas lideradas por Luís Alves de Lima e Silva, o Barão de Caxias,
conseguiram vencer o movimento. O principal meio utilizado pelo Barão de Caxias

para conter a revolta foi explorar as diferenças entre moderados e radicais.

Aproximando-se dos moderados, o Barão de Caxias conseguiu isolar os radicais.


O governo central tentou também conter a revolta com o aumento do

imposto do charque estrangeiro em 25%. O governo adotou tal medida por não
ter uma força militar forte o suficiente para acabar rapidamente com a revolta.

Em 1845, as duas partes em conflito assinaram o Convênio de Ponche Verde,


que estabeleceu o fim do conflito, sem punir os revoltosos. Parte dos farrapos foi

incorporada ao exército imperial, sendo que os escravos que lutaram ao lado dos
farrapos foram libertos e as terras confiscadas durante a revolução foram devolvidas
a seus donos.
Giuseppe Garibaldi e sua mulher brasileira, Anita Garibaldi, foram para

Montevidéu, no Uruguai. De lá, os dois dirigiram-se para a Itália, onde cumpriram


um papel de destaque nas lutas pela Unificação Italiana.
BUSCANDO CONHECIMENTO

Site: História Brasileira

http://www.historiabrasileira.com/brasil-imperio/revolta-praieira/

Livro: História Global: Brasil e geral – Gilberto Cotrim

Livro: Memórias de Garibaldi – Alexandre Dumas

Site: Só História

http://www.sohistoria.com.br/ef2/revolucaofarroupilha/p2.php

Livro: “A Casa das Sete Mulheres” - de Letícia Wierzchowski

Livro: “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo

Cinema: O Tempo e o Vento - dirigido por Jayme Monjardim

Cinema: Netto Perde Sua Alma - Tabajara Ruas e Beto Sousa

DVD : A Casa das Sete Mulheres, minissérie – Rede Globo

Site: Cadernos de História - Memorial do RS - Elma Sant’Ana


http://www.memorial.rs.gov.br/cadernos/bentogaribaldi.pdf

Site: Memorias historicas brazileiras (1500-1837)

https://archive.org/details/memoriashistoric02vieiuoft
UNIDADE 8 - CAXIAS E OSÓRIO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Nesta unidade conheceremos sobre dois militares que foram destaques no


Brasil Império, são eles o carioca Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias e o

gaúcho, Manuel Luís Osório, General Osório, primeiro e único barão, visconde e
marquês do Herval.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Caxias

Duque de Caxias – O pacificador

Duque de Caxias foi nomeado Patrono do Exército. Recebeu o título de


Barão de Caxias. Foi nomeado comandante das Armas da Corte. Recebeu o título

de conde e foi escolhido para o Senado por D. Pedro II. Recebeu o título de
marquês. Com 66 anos recebeu o título de duque. No dia 25 de agosto, dia do seu

nascimento, é comemorado o dia do soldado.


Luís Alves de Lima e Silva, nasceu na Fazenda de São Paulo, Vila de Porto de

Estrela, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro.


Em 22 de novembro de 1808, assentou praça como cadete no 1º Regimento

de Infantaria, ingressando, posteriormente, na Academia Real Militar.


Tenente integrou o recém-criado Batalhão do Imperador, como Ajudante,

com ele recebendo o batismo de fogo, em 3 de maio de 1823, nas lutas pela
independência na Bahia, quando pôde revelar excepcionais qualidades de iniciativa,

comando, inteligência e bravura.

Como Capitão, participou, ainda com o Batalhão do Imperador, da


Campanha da Cisplatina.Em 02 Dezembro de 1839, já Coronel, passou a encarnar a

auréola de Pacificador e Símbolo da Nacionalidade, ao ser nomeado Presidente da


Província do Maranhão e Comandante-Geral das Forças em Operações, para

debelar a "Balaiada", após o que recebeu o título de Barão de Caxias e a promoção


a Brigadeiro.

Também pacificou São Paulo e Minas Gerais, em 1842, razão por que foi
promovido a Marechal de Campo graduado.

Em fins de 1842, foi nomeado Presidente e Comandante-em-chefe do


Exército em operações no Rio Grande do Sul, para combater a Revolução
Farroupilha, que já durava oito anos, e ao término da qual foi efetivado como
Marechal de Campo, eleito Senador pelo Rio Grande do Sul e distinguido com o

título de Conde.
Em 1851, é novamente nomeado Presidente e Comandante-em-Chefe do

Exército do Sul, desta feita para lutar contra Oribe, no Uruguai, e, logo a seguir,
contra Rosas, na Argentina. Vitorioso mais uma vez, foi promovido a Tenente-

General e elevado à dignidade de Marquês.


Em 16 Junho 1855, foi Ministro da Guerra e, em 1856, Presidente do Conselho

de Ministros, ambos pela primeira vez.Em 1866, foi nomeado Comandante-em-


Chefe das Forças do Império em operações contra as tropas do ditador Lopez, do
Paraguai, sendo efetivado no posto de Marechal de Exército, assumindo, em 10
Fevereiro de 1867, o Comando-Geral das forças em operações, em substituição ao

General Mitre, da Argentina.


Segue-se uma série de retumbantes vitórias, em Itororó, Avaí e Lomas

Valentinas, a rendição de Angustura e a entrada em Assunção, quando considerou


encerrada a gloriosa Campanha por ele comandada. "Pelos relevantes serviços na

Guerra do Paraguai", o Imperador lhe concedeu o título de Duque.


Caxias foi Ministro da Guerra e Presidente do Conselho de Ministros por mais

duas vezes, a última de 1875 a 1878. Faleceu na Fazenda Santa Mônica, nas

proximidades do Município de Vassouras - RJ, sendo o seu corpo conduzido para


o Rio e enterrado no Cemitério do Catumbi.

Osório

Manuel Luís Osório, primeiro e único barão, visconde e marquês do Herval

" As ideias são como as epidemias: alastram-se. "


Manuel Osório

Manuel Luís Osório, Gal. Osório, gaúcho, militar foi um dos mais importantes

membros do Exército imperial, participa da Guerra da Cisplatina (1825-1828), da


Revolta dos Farrapos (1835-1845) e da Guerra do Paraguai (1865-1870). Nasceu na

vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio, hoje Osório (RS)


Ingressou no Exército aos 14 anos e com 17 anos incompletos já era alferes.

Participou de todas as batalhas ocorridas no sul do continente, desde a batalha de


Sarandi, na guerra da província Cisplatina, em 1825, na qual já se distinguiu por

habilidade e bravura.
Lutou ainda em Passo do Rosário (1828), na Revolução Farroupilha (1835-

1845) e na batalha de Monte Caseros (1852), contra o ditador argentino Juan Manuel
Rosas.

Em 1856, tornou-se general e, nove anos depois, marechal-de-campo,


depois de ter organizado, no Rio Grande do Sul, o Exército brasileiro que participou

da guerra do Paraguai (1865-1870). Comandou as tropas brasileiras que invadiram

esse país, em 16 de abril de 1866.


Em maio, planejou a estratégia que permitiu ao Brasil vencer a batalha de

Tuiuti, a maior do conflito. Foi agraciado com o título de barão e depois marquês
do Erval.

De julho desse ano a julho do ano seguinte, ficou no Rio Grande do Sul,
reunindo novos contingentes para o Exército. Voltou ao campo de batalha em 1868

e mais uma vez demonstrou competência, conquistando a fortaleza de Humaitá e


vencendo a batalha de Avaí.

Conta - se que Osório era um homem simples, nada aristocrático, que se


dava bem com os soldados e, assim como eles, estava sempre pronto para entrar
em ação.
Sete anos depois do fim da guerra, foi chamado pelo imperador a ocupar

uma cadeira no senado e promovido ao posto de marechal de exército. Em 1878,


foi nomeado ministro da guerra, com a ascensão do Partido Liberal ao poder.

Permaneceu no cargo até a morte.


Contam os historiadores da época que, certa vez, despachando juntamente

com outros ministros diante do imperador, percebeu que Dom Pedro II


cochilava, sem dar atenção ao que eles diziam. Aborrecido, Osório deixou cair

estrondosamente seu sabre ao chão. Abruptamente despertado, o imperador o


admoestou:
- "Acredito que o senhor não deixava cair suas armas quando estava no
Paraguai, marechal".
- "Não, majestade", respondeu Osório, "mesmo porque lá nós não
cochilávamos em serviço..."

BUSCANDO CONHECIMENTO

Duque de Caxias - História

http://www.youtube.com/watch?v=qgbf41d9-dA

Patrono do Exército Brasileiro


http://www.exército.gov.br

Marechal Luiz Alves de Lima e Silva - BIOGRAFIA

http://www.eb.mil.br/biografia

Duque de Caxias
http://educacao.uol.com.br/biografias/duque-de-caxias.jhtm

Livro: ( Cel.).Osório: símbolo de um povo, síntese de uma época. – J. B. Magalhões

- Livraria AGIR Editoral.

Marques do Herval
http://www.esa.ensino.eb.br/cursos/cavalaria/patrono.asp

Eterno general

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/retrato/eterno-general
UNIDADE 09 - SEGUNDO REINADO 1840-1889

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

O segundo reinado é o período da História Brasileira que tem início com a


declaração de maioridade (ou golpe da maioridade) de D. Pedro II, em 1840, e seu

término com a Proclamação da República, em 1889.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Dom Pedro II (Foto: reprodução)

O segundo reinado é um período da história do Brasil que compreende 49


anos, do final do período regencial (1831-1840) à proclamação da República do

Brasil (1889). Iniciou em 23 de julho de 1840, com a declaração de maioridade de D.


Pedro II, e teve o seu término em 15 de novembro de 1889, quando a monarquia

constitucional parlamentarista vigente foi derrubada pela proclamação da república


brasileira.
É historicamente incorreto referir-se a este período como "segundo império",

já que o Brasil teve um único período imperial contínuo, dividido em primeiro e


segundo reinados.

O segundo reinado foi uma época de grande progresso cultural e de grande


significância para o Brasil, com o crescimento e a consolidação da nação brasileira

como um país independente, e como importante membro entre as nações


americanas. Denota-se nesta época a solidificação do exército e da marinha,

culminando na Guerra do Paraguai em 1870, e mudanças profundas na situação

social, como a gradativa libertação dos escravos negros e o incentivo de imigração


para a força de trabalho brasileira.

Bandeira imperial do Brasil.

O regime monárquico novamente consolidou-se com a ascensão de D.


Pedro II, personalidade principal deste período. O prestígio internacional que o

Brasil alcançou nessa época, mesmo comparado com determinados países da


Europa de então, e seu progressivo desenvolvimento social e econômico, foram em
grande parte devidos à firmeza com que D. Pedro II conduziu o país.
O grupo político dos liberais moderados dividiu-se por volta de 1837 nas alas

regressista e progressista, formando, a partir de 1840, dois partidos políticos. O


Partido Conservador, constituído pelos regressistas e apelidado de Saquarema e o

Partido Liberal, formado pelos progressistas e chamado de Luzia.


Luzias e Saquaremas dominaram o cenário político do Segundo Reinado. Os

conservadores defendiam um governo imperial forte e centralizado, enquanto os


liberais lutavam por uma descentralização, concedendo certa autonomia às
províncias. No entanto, quando conquistavam o poder, liberais e conservadores não

apresentavam atitudes muito diferentes.


D. Pedro II formou seu primeiro gabinete com a maioria dos políticos do

Partido Liberal que lutaram por sua maioridade. O retorno dos liberais ao governo
atiçou a rivalidade com os conservadores, acendendo uma disputa violenta entre

os dois.
Na primeira eleição para a Câmara dos Deputados, os liberais contrataram

capangas que distribuíram “cacetadas”, ameaçaram de morte seus adversários

políticos e fraudaram a apuração dos votos. Este episódio ficou conhecido como
“Eleições do Cacete”.

D. Pedro II substituiu o ministério liberal, em 1841, por um de maioria


saquarema. Os conservadores obtiveram, assim, mais força para exigir que o

imperador anulasse o resultado das eleições e foram atendidos. Os liberais de São


Paulo e Minas Gerais promoveram a Revolta Liberal de 1842, contra a centralização

promovida pelos saquaremas. As tropas imperiais dominaram a revolta e


prenderam seus líderes que foram anistiados em 1844, quando retornaram ao

poder.
Em 1847, teve início no Brasil o parlamentarismo. Criou-se o cargo de
presidente do Conselho de Ministros que era nomeado pelo imperador. O eleito
montava o gabinete ministerial, que, em seguida, era submetido à Câmara dos

Deputados para obter o voto de confiança. Se aprovado, o gabinete começava a


governar o país; se rejeitado, cabia ao imperador demiti-lo ou dissolver a Câmara,

convocando novas eleições. Ao todo foram 36 gabinetes: 21 liberais e 15


conservadores. Todavia, os conservadores, por serem mais alinhados aos interesses

do imperador, permaneceram dez anos a mais no poder.


A segunda metade do século XIX foi marcada por uma incipiente

modernização brasileira, graças basicamente à economia cafeeira, ao fim do tráfico


negreiro e ao incentivo da indústria.
Entre as principais transformações do período e seu impacto

socioeconômico, podemos destacar a expansão cafeeira que transformou o café no


principal produto da economia brasileira; o deslocamento do centro econômico do

país do nordeste para o sudeste; a substituição da mão de obra escrava pela


assalariada imigrante; a aplicação de recursos provenientes da exportação do café

na industrialização do país e o surgimento de novos serviços públicos nas principais


cidades.

Em 1844, foi decretada a Tarifa Alves Branco. O imposto sobre importação,

que era de apenas 15%, elevou-se para 30%. Para produtos semelhantes aos
fabricados no Brasil a tarifa chegava a 60%, forçando o consumidor brasileiro a

procurar similares nacionais.


Todas essas mudanças na economia ampliaram o mercado interno do país,

mas não beneficiaram igualmente todas as regiões do Brasil, ocorrendo,


principalmente, na região sudeste.

Importantes conflitos marcaram as relações internacionais do Brasil durante


o Segundo Reinado. Entre eles, destacaram-se a Questão Christie, na qual Brasil e

Inglaterra romperam relações diplomáticas entre 1863 e 1865 devido,


principalmente, à política britânica em relação à escravidão no Brasil e a dois
incidentes relacionados com bens e militares ingleses.
A Questão Platina, gerada pela intervenção brasileira na região do rio da

Prata, mais especificamente em assuntos internos argentinos e uruguaios, para


garantir seus interesses. E a Guerra do Paraguai, um conflito em que Brasil, Uruguai

e Argentina aliaram-se contra o Paraguai, no mais longo e sangrento episódio


bélico ocorrido na América do Sul.

Dom Pedro II realizou parcerias com a Elite Agrária do País, classe de grande
influência no século XIX. Tendo-os como aliados, os favores começaram a

prevalecer. O Imperador dava toda condição e estrutura para que essa Elite
continuasse produzindo cada vez mais e em troca recebia todo apoio político
necessário para se consolidar no poder. Dessa maneira, em pouco tempo, o

Segundo Reinado conseguiu fazer do Brasil um País estável e próspero.


Em relação à Economia o Café se transformou e se consolidou como o

principal produto brasileiro para exportação, provocando um grande crescimento


econômico. Inicialmente produzido no Vale do Paraíba, São Paulo, e região

Fluminense, se expandiu rapidamente por se tornar um produto de grande


aceitação mundial.

Nasce assim uma nova Elite, agora concentrada no Sudeste, a Elite Cafeeira,

que se tornaram mais ricos que os antigos Senhores de Engenhos produtores de


açúcar.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Segundo Reinado - Dom Pedro II

https://www.youtube.com/watch?v=RsS4xkNk7O4

No Compasso da História Ep 5 - Segundo Reinado


https://www.youtube.com/watch?v=XiRh0UawelA

Casa Imperial do Brasil

http://www.monarquia.org.br/

Museu Imperial
http://www.museuimperial.gov.br/

Segundo Reinado

http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/segundo-reinado.htm
UNIDADE 10 - A ECONOMIA CAFEEIRA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

O café foi o produto que impulsionou a economia brasileira desde o início


do século XIX até a década de 1930. Concentrado a princípio no Vale do Paraíba

(entre Rio de Janeiro e São Paulo) e depois nas zonas de terra roxa do interior de
São Paulo e do Paraná.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O grão do café foi o principal produto de exportação do país durante quase

100 anos. Foi introduzida por Francisco de Melo Palheta ainda no século XVIII, a
partir de sementes contrabandeadas da Guiana Francesa.

Ao longo do século XIX, o café ganhou importância nas exportações


brasileiras e se tornou o esteio da economia nacional. A partir de 1870, a produção

cafeeira adquiriu caráter capitalista e modificou as relações sociais no Brasil.


A economia brasileira, no século XVIII, atravessava um período de

dificuldades provocadas pelo declínio da economia açucareira e da mineração.


A produção de café, iniciada em meio a essa crise, representou a

recuperação econômica e a inserção do Brasil no mercado mundial, nos moldes


capitalistas.
Introduzida no Brasil no início do século XVIII, a cafeicultura ocupou

inicialmente as províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. No século XIX, a


produção chegou à província de São Paulo, primeiro no vale do Paraíba e, depois,

na região denominada Oeste Paulista.


O vale do Paraíba fluminense e paulista viveu um período de opulência, em

que os escravocratas e grandes proprietários de terras, que haviam recebido ou


comprado títulos de nobreza do governo imperial, eram denominados "barões do

café”. Cercavam-se de luxo, vivendo em imensas fazendas ornamentadas com

objetos importados da Europa.

A economia cafeeira proporcionou o enriquecimento dos latifundiários e a


formação de fazendas como a da foto acima

O mercado mundial do café se ampliava, na medida em que o produto


deixava de ser um artigo de luxo para se incorporar à cultura e ao consumo

cotidiano das populações em diversos lugares do mundo. A participação do café


brasileiro no mercado mundial elevou-se de 20% na década de 1820 para mais de

50%, entre 1880 e 1889.


O vale do Paraíba, no entanto, deixou de ser a principal região produtora.

Embora o clima fosse favorável e a localização geográfica facilitasse o escoamento


da produção - graças aos portos da baía de Guanabara e aos portos do litoral sul

(Parati, Angra dos Reis etc.) o cultivo extensivo e predatório causou o esgotamento
do solo.

A partir de 1870, o declínio da cafeicultura no vale do Paraíba acentuou-se,


e a produção se expandiu para o Oeste Paulista, inicialmente em tomo de Campinas

e Ribeirão Preto, e depois, gradativamente, avançando para o Paraná. No Oeste


Paulista, o solo de terra roxa era mais fértil que o do vale do Paraíba. A topografia
também era mais favorável, permitindo o cultivo em grandes extensões contínuas

de terra, em lugar das encostas de montes do vale do Paraíba.


Estruturada a princípio na grande propriedade agroexportadora e na mão

de obra escrava, a economia cafeeira, a partir da segunda metade do século XIX,


passou a adotar progressivamente o trabalho livre. O tráfico negreiro foi extinto em

1850, e a expansão da lavoura cafeeira no Oeste Paulista aumentava a necessidade


de mão de obra. Com o objetivo de atrair imigrantes para o Brasil, o governo lançou

campanhas na Europa, distribuindo folhetos que prometiam terra e fartura.

Os imigrantes europeus, como portugueses, alemães, espanhóis, suíços e


italianos, começaram a chegar em grandes levas, alterando as relações de trabalho

no Brasil. Ao mesmo tempo, a produção se modernizava e o transporte ferroviário


substituía o transporte do produto em tropas de burros, permitindo o escoamento

da produção do Oeste Paulista pelo porto de Santos.


O comércio exterior se dinamizou, com a exportação crescente de café e a

importação de produtos franceses e ingleses para atender aos novos núcleos


urbanos, estimulando o desenvolvimento do sistema bancário.

A expansão da cafeicultura brasileira deu-se no contexto da Segunda


Revolução Industrial, desencadeada sobretudo na Inglaterra. Interessados em
expandir seus mercados, os investidores ingleses aplicaram vultosos recursos no
Brasil.

A influência da Inglaterra na economia brasileira vinha desde os tempos


coloniais, e se ampliou quando a família real transferiu-se para o Brasil em 1808. No

século XIX, o capital inglês tomou-se ainda mais presente na economia brasileira,
especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, com investimentos na construção

de ferrovias, portos e no transporte urbano. A feição dos centros urbanos se


modificou, contando com mais estabelecimentos comerciais, bancos, iluminação,

telégrafos, um novo traçado das ruas e, já no final do século XIX, a presença de


bondes elétricos, em substituição aos de tração animal.
A modernização, contudo, produziu contrastes sociais: as mansões dos

barões do café e as melhorias urbanas conviviam com a proliferação dos cortiços.


Um dos grandes empresários brasileiros que se destacaram no processo de

modernização do Brasil foi Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá, depois


visconde de Mauá.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Revista de História
http://www.fundasantos.org.br/news.php?extend.676

Livro: O livro de Ouro da História do Brasil – Mary Del Priorel, RJ, Ediouro, 2001

Economia Cafeeira

http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/economia-cafeeira.htm

Museu do Café – Bolsa do Café


http://www.museudocafe.com.br/palacio/palacioConstrucao.asp
UNIDADE 11 - GUERRA DO PARAGUAI

Compilação de imagens da Guerra do Paraguai.

Em 1865 – ao arrebentar a guerra que Francisco Solano Lopes, o presidente do


Paraguai, na América do Sul suscitara sem maior motivo do que os ditames da
ambição pessoal; quando muito a invocar o vão pretexto da manutenção do
equilíbrio internacional – o Brasil, obrigado a defender honra e direitos, dispôs se,
denodadamente, para a luta. A fim de reagir contra o inimigo, em todos os pontos
onde podia enfrentá-lo, o plano da invasão do Paraguai setentrional acudiu
naturalmente a todos os espíritos; preparou-se uma expedição para este fim.
(Visconde de
Taunay)

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE


A Guerra do Paraguai promovida por Brasil, Argentina e Uruguai contra o
Paraguai marcou a história brasileira devido aos impactos que o episódio

provocou na política e na economia do país.


Nesta unidade, estudaremos como foi o decorrer da guerra e sua

importância para o desfecho do fim do império no Brasil.

ESTUDANDO E REFLETINDO

A Guerra do Paraguai se configura como um dos assuntos que exemplificam

a importância do estudo da História. Isso porque existem várias versões e pontos


de vista sobre o assunto, além de uma variedade de motivos para o começo do

conflito.
De imediato, devemos começar salientando que a guerra envolveu Brasil,

Argentina e Uruguai, de um lado, e o Paraguai do outro. Fatores econômicos,


políticos e até sociais podem nos ajudar a entender o porquê dessa disputa na

América. Começamos pelo fato de que o Paraguai, como ressalta Fausto (2008), era
um país de pequenos proprietários, independente, que não possuía necessidade de
se aliar ao mercado externo, ao contrário do Brasil e Argentina e tinha, na época da
guerra, Solano Lopez como governante, o chamado ditador pelos brasileiros. A

primeira teoria defende que Brasil e Argentina provocaram a guerra com o


Paraguai, influenciados pela Inglaterra, que via no pequeno país um obstáculo para

a prática de seus interesses. Fausto (2008) expressa que:

Esses dois países teriam sido manipulados


pela Inglaterra para destruir uma
pequena nação, cujo caminho não lhe
convinha. Além disso, os ingleses
estariam interessados em controlar o
comércio de algodão paraguaio, matéria-
prima fundamental para a indústria têxtil
britânica. (209)

Outra questão a ser analisada é a de que o Brasil possuía interesses como a


livre navegação, interesses esses que às vezes esbarravam nas intenções

paraguaias, por exemplo. Boris Fausto (2008) destaca que, após a libertação da
América do Sul das mãos de Portugal e Espanha, começou uma luta entre os países

para assumirem a posição de país dominante no continente. O autor destaca ainda

que Brasil e Paraguai ora possuíam algumas ideias em comum, ora não
concordavam em alguns pontos. Ele afirma que:

As divergências diziam respeito a


questões de fronteiras e à insistência
brasileira na garantia de livre navegação
pelo Rio Paraguai, principal via de acesso
a Mato Grosso. (p. 211)

O governo brasileiro sempre interferiu na política e até na economia do


Uruguai, principalmente por intermédio do Barão de Mauá. Outra divergência entre

Brasil e Paraguai estava na questão uruguaia, já que os dois países apoiavam grupos
opostos para o comando do pequeno país. Esse apoio, aliado aos interesses
econômicos brasileiros, a ameaça do surgimento de uma potência americana e ao
financiamento da Inglaterra levaram à eclosão da Guerra do Paraguai.

Em setembro de 1864, o governo do Império do Brasil invadiu o Uruguai, na


tentativa de colocar os colorados, o grupo que apoiava, no poder. Essa atitude

deixou o presidente do Paraguai, que defendia a situação uruguaia, em alerta.


López, temendo ser o próximo a ter que enfrentar o império brasileiro, resolveu agir

antes e atacou o Brasil. Fausto (2008) descreve como se deu o fato:

Provavelmente, López considerou que o


expansionismo brasileiro e o argentino
estavam em marcha e acabariam por
sufocar o Paraguai. Decidiu então tomar
a iniciativa. Em 11 de novembro de 1864,
uma canhoneira paraguaia aprisionou no
rio Paraguai o navio brasileiro Marquês
de Olinda seguindo-se a esse fato o
rompimento das relações diplomáticas
entre os dois países (p.212)

O Paraguai ainda pediu acesso para passar pelo território argentino e


recebeu uma resposta negativa. Brasil, Argentina e Uruguai se uniram contra o

Paraguai, assinaram o Tratado da Tríplice Aliança e partiram para a ofensiva.

Embora a economia dos três países fosse superior à do Paraguai, militarmente os


três países não tinham organização suficiente para acabar com a guerra em poucos

anos. A Tríplice Aliança enviou cerca de 25 mil soldados para os combates,


enquanto os paraguaios contavam com cerca de 64 mil homens bem preparados.

Esses dados foram responsáveis por fazer a guerra estender-se por cinco anos.
Um fato importante a ser lembrado é que, nessa época, o Exército Brasileiro

ainda não possuía uma organização sólida e segundo Boris (2008) a Guerra do
Paraguai foi de extrema importância para que o Brasil pudesse recrutar homens e

começar, às vezes sem sucesso, a preparar seus soldados. O historiador ainda


destaca que senhores de escravos cederam cativos para lutar como soldados. Uma
lei de 1866 concedeu a liberdade aos escravos da Nação” que servissem no Exército.
(p.213)

Sobre a duração da guerra e a resistência do Paraguai diante de três países,


Mary Del Priore e Renato Venancio (2010) afirmam que:

O que de fato surpreendeu a todos foi a


capacidade do Paraguai em suportar
quase seis anos de ataques sucessivos.
Em grande parte isso foi possível graças
da quase totalidade de sua população
civil, dando origem como afirmamos, ao
mais sangrento capítulo da história sul-
americana. (p.192)
A guerra tinha sido planejada para durar seis meses e acabou durando seis
anos e, embora o Paraguai tenha sido bravo no sentido de lutar por tanto tempo,

as tropas brasileiras conseguiram vencer e a guerra chegou ao seu fim em 1º de


março de 1870, quando os soldados brasileiros mataram Solano López.

Decretado o fim da guerra, temos que analisar dois pontos do pós-guerra.


O primeiro é a destruição do Paraguai, que perdeu grande parte da sua população,

parte de seu território e ainda a chance de se modernizar. Fausto (2008) afirma que

no país sobreviveram apenas velhos, mulheres e crianças. Outra questão é o


endividamento do Brasil com a Inglaterra, uma vez que para financiar o conflito o

Brasil fez altos empréstimos junto aos britânicos.


Porém a consequência de maior impacto se acomoda no Exército Brasileiro.

Fausto (2008) defende que esse segmento saiu mais fortalecido do conflito com sua
própria cara, coisa que até então não tinha. Del Priore e Venâncio (2010) destacam

que as más condições do Exército Brasileiro maltratavam os soldados e depois da


guerra os oficiais passaram a acreditar que o seu maior inimigo eram os políticos

que não valorizavam o seu trabalho. Diante desse cenário, o Brasil vai abrigar um
grande número de militares insatisfeitos que passam a defender a República como
a melhor forma de governo.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Documentário: Guerra do Brasil – toda a verdade sobre a Guerra do Paraguai.


Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=IX0yseacpjE

Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=rP-Uruy4-lA
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=l0X6cRnsyo0

Todos contra o Paraguai: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-


revista/todos-contra-o-paraguai
Guerra do Paraguai: O massacre dos meninos:
http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/guerra-paraguai-massacre-

meninos-477796.shtml
UNIDADE 12 - DOM PEDRO II

Assinatura de D. Pedro II

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Dom Pedro II assumiu em o império 1840 e ficou até 1889. Foram quase
cinquenta anos à frente de um dos maiores e mais poderosos países da América.

Nesta unidade, estudaremos quem foi o Imperador Pedro de Alcântara João


Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel

Gabriel Rafael Gonzaga conhecido como Dom Pedro II.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Dom Pedro II nasceu no Palácio da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, Brasil,

no dia 02 de dezembro de 1825. Filho do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz


Dona Maria Leopoldina.

Pedro II aos 10 meses de idade, 1826


Ficou órfão de mãe com apenas um ano de idade. Com nove anos perdeu

também seu pai. Era o sétimo filho, mas tornou-se herdeiro do trono brasileiro, com
a morte de seus irmãos mais velhos. Dom Pedro II foi o segundo e último Imperador

do Brasil.
Ao deixar o país, o Imperador Pedro I selecionou três pessoas para cuidarem

de seu filho e das filhas remanescentes. A primeira foi José Bonifácio de Andrada,
seu amigo e líder influente da independência brasileira, nomeado tutor. A segunda

foi Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (Condessa de Belmonte), que

detinha o cargo de aia desde o nascimento de Pedro II. Quando bebê, Pedro II a
chamava de "dadama", pois não pronunciava corretamente a palavra "dama".

Considerava-a sua mãe de criação, e continuaria a chamá-la por afeto de "dadama"


mesmo já adulto. A terceira pessoa escolhida foi Rafael, um veterano negro da

Guerra da Cisplatina. Rafael era um empregado do paço em quem Pedro I possuía


profunda confiança, e pediu que olhasse por seu filho—pedido que levaria a termo

pelo resto de sua vida.


D. Pedro II tornou-se príncipe regente aos seis anos de idade, quando seu

pai abdicou do trono. Durante a menoridade, Dom Pedro II teve aulas com diversos
mestres ilustres, escolhidos por seu tutor José Bonifácio. Estudou caligrafia,
literatura, francês, inglês, alemão, geografia, ciências naturais, pintura, música,
dança, esgrima e equitação.
O Imperador Pedro II aos 12 anos de idade vestindo o uniforme imperial de gala,

1838
Aos 15 anos foi declarado maior e coroado Imperador do Brasil. O ato ficou

conhecido como o Golpe da Maioridade. Os primeiros anos de reinado de Dom


Pedro II foram de aprendizado político. Aplicava-se inteiramente aos negócios de

Estado, exercia à risca a Constituição.


No dia 3 de setembro de 1843, Dom Pedro II esperava no porto, sua esposa

Teresa Cristina de Bourbon. O casamento era um arranjo político com Francisco I,

rei das Duas Sicílias. Ao vê-la pessoalmente o Imperador aparentou estar


claramente decepcionado. A pintura que havia recebido era claramente uma

idealização; a Teresa Cristina apesar de não ser feia, também não era bonita. Ele fez
pouco para esconder sua desilusão. O casamento de Pedro II e Teresa Cristina

começou mal. Com maturidade, paciência, e o nascimento de seu primeiro filho,


Afonso, o relacionamento melhorou. Mais tarde Teresa Cristina teve outros três

filhos: Isabel, em 1846; Leopoldina, em 1847; e por último, Pedro, em 1848. Contudo,
ambos os meninos morreram na infância, o que devastou o Imperador. Além de

sofrer como pai, sua visão do futuro do Império mudou completamente. Apesar de
sua afeição por suas filhas, ele não acreditava que a Princesa Isabel, apesar de sua
herdeira, teria qualquer chance real de prosperar no trono.
Em 1850, Dom Pedro II ainda não completara 25 anos, mas seu império já

estava consolidado. Ele normalmente acordava as sete da manhã e não dormia


antes das duas da madrugada do dia seguinte. Seu dia inteiro era reservado aos

negócios de Estado e o pouco tempo livre disponível era gasto lendo e


estudando.

Na década de 70, Dom Pedro II viajou duas vezes à Europa, deixando sua
filha a Princesa Isabel como Regente. Em uma viagem a Lisboa, visitou sua madrasta,

Amélia de Leuchtenberg, que não via há quarenta anos. O encontro foi


emocionante e Dom Pedro escreveu no seu diário: "Eu chorei de felicidade e
também de dor por ver minha mãe tão afetuosa para comigo, mas também por vê-

la tão idosa e doente"


Sua filha mais nova, a princesa Leopoldina, contraiu tifo e morreu com então

com 23 anos em Viena, deixando quatros netos para D. Pedro II.


Em 1886, Dom Pedro adoece e parte novamente para a Europa. No dia 13

de maio de 1888, com a Regência da Princesa Isabel, é assinado o decreto que


acaba com a escravidão no Brasil.

Em seguida ele visitou a Espanha, a Grã-Bretanha, a Bélgica, a Alemanha,

Áustria, Itália, Egito, Grécia, Suíça e França. Sua impressão sobre a viagem foi de um
tempo de "alívio e liberdade". Viajando com o nome de "Pedro de Alcântara",

insistia em ser tratado informalmente e em parar apenas em hotéis. Passava seus


dias em passeios e encontrando com cientistas e outros intelectuais com quem

partilhava interesses.
No dia 15 de novembro de 1889, o governo imperial foi derrubado. Estava

proclamada a República no Brasil. No dia o governo provisório, deu 24 horas para


Dom Pedro deixar o país. Chegando a Lisboa no dia 7 de dezembro, seguiu para o

Porto, onde a imperatriz morreu no dia 28 do mesmo mês. Pedro, com 66 anos,
segue sozinho para Paris, onde fica hospedado no Hotel Bedford, onde passava o
dia lendo e estudando.

A última fotografia da família imperial no Brasil, 1889


Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier

de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança, morre no dia 5 de


dezembro de 1891, em consequência de uma pneumonia. Seus restos mortais são

transladados para Lisboa, e depositados no convento de São Vicente de Fora, juntos


aos da esposa. Quando revogada a lei do banimento em 1920, os despojos dos

imperadores foram trazidos para o Brasil e depositados na catedral do Rio de


Janeiro em 1921. Em 1925, foram transferidos para Petrópolis

“Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e
mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do
futuro.”
D. Pedro II

BUSCANDO CONHECIMENTO

O rei invisível. Disponível em:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/perspectiva/um-rei-invisivel

Golpe da Maioridade – Eduardo Bueno. Disponível em:


http://www.youtube.com/watch?v=XWBFb0ivbOA

Brasil Império – Parte 2. Disponível em:


http://www.youtube.com/watch?v=s5NQNpOJURY&feature=related

D. Pedro II do Brasil . Disponível em:


http://www.youtube.com/watch?v=ksVmM6qigcs

Imperador cidadão BARMAN, Roderick J.. São Paulo: 2010.


UNIDADE 13 - ECONOMIA E SOCIEDADE DE DOM PEDRO II

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Dom Pedro II assumiu em o império 1840 e ficou até 1889. Foram quase
cinquenta anos à frente de um dos maiores e mais poderosos países da

América.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O cenário político brasileiro, depois de sua coroação, passou a figurar com

dois partidos: O Liberal e o Conservador. Os liberais, responsáveis pelo Golpe da


Maioridade, receberam indicações para os ministérios, enquanto a Câmara

continuava a ser composta por conservadores.


Os dois grupos disputavam poderes e utilizavam todos os mecanismos

possíveis para conquistar e manter poder e apoios.


Boris Fausto (2008) promove uma discussão em seu livro A História do Brasil,

em que questiona se os dois partidos realmente tinham propostas diferentes, ou se


suas disputas eram pessoais e eles usavam o aparelho estatal para medir forças. É

claro que existiam diferenças. O autor destaca, por exemplo, que enquanto os
conservadores extraíam sua maior força da Bahia e Pernambuco, os liberais eram
mais fortes em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul (p.182). Ele ainda
destaca que:

O Partido Conservador representava uma


coalizão de proprietários rurais e
burocratas do governo a que se juntou
um setor de grandes comerciantes
preocupados com agitações urbanas. O
Partido Liberal reunia, principalmente,
proprietários rurais e profissionais liberais
(p.182)
O fato é que, embora possuíssem suas diferenciações, os dois grupos tinham

alguns pontos em comum, como parte de sua composição, que se baseava em um


significativo número de grandes proprietários. Fausto (2008) lembra que

Conservadores e Liberais

Utilizavam-se dos mesmos recursos para


lograr vitórias eleitorais, concedendo
favores aos amigos e empregando
violência com relação aos indecisos e aos
adversários (p.181).

Esses fatores, principalmente aqueles em que os dois grupos usavam os


mesmos meios para defender seus interesses, denunciam que os dois grupos

possuíam, na realidade, um bom número de semelhanças.


O governo de Dom Pedro II continuou tendo como base da economia a

escravidão, embora a Inglaterra pressionasse para que isso acabasse mesmo que o
café tivesse despontado como a menina dos olhos da economia brasileira no

período imperial.
Boris Fausto (2008) defende que a grande propriedade se impôs na

Economia brasileira. O sistema de plantation, ou seja, a monocultura, utilizando a


mão de obra escrava foi a base para a produção em larga escala destinada

principalmente à exportação. O Vale do Paraíba, região que se estende do Rio a


São Paulo, ofereceu território fértil para o início de um rico ciclo cafeeiro no Brasil.

Prevalecia no Brasil a lei do mais forte, isto é, quem tinha mais condições de explorar
a terra aproveitava, expandia seu território e lucrava com a produção, Segundo

Fausto (2008):
Para implantar uma fazenda de café, o
fazendeiro tinha de fazer investimentos
significativos, que incluíam a derrubada
da mata, o preparo da terra, o plantio, as
instalações e a compra de escravos. Além
disso, se o cafeeiro é uma planta perene
– ou seja, o plantio não deve ser renovado
a curto prazo – as primeiras colheitas só
ocorrem após quatro anos. (p.187)

O mercado interno brasileiro não consumia, principalmente porque a


produção do café era feita em larga escala. Portanto, o Brasil dependia do mercado

externo. Os Estados Unidos tornaram-se o principal consumidor do café brasileiro,


além da Alemanha e Escandinávia. Porém, mesmo que a produção fosse tão

volumosa, as técnicas para o trabalho nos cafezais ainda eram simples e o sistema

de transporte era precário:


Antes da construção das ferrovias, o
transporte era feito por tropas de burros,
a carga de uma guia chamada de
arreador e de tropeiros escravos. Essas
tropas percorriam várias vezes por ano os
caminhos que iam dom vale do Paraíba
ao Rio de Janeiro. Na ida, carregavam a
produção da fazenda e na volta traziam
ferramentas e mantimentos, como
bacalhau, carne-seca e toucinho.
(FAUSTO, 2008, p.188)

Depois do Vale do Paraíba, o café se expandiu para o interior do Estado de


São Paulo, o chamado Oeste Paulista. Fausto (2008) destaca que essa região não
corresponde rigorosamente ao oeste geográfico. Ela abrange a área que vai de
Campinas a Rio Claro, São Carlos, Araraquara, Catanduva na linha férrea da

Companhia Paulista; e de Campinas para Pirassununga, Casa Branca, Ribeirão Preto,


na Estrada de Ferro Mojiana. (p.200)
Trecho da Serra da SP Railway, em foto da primeira metade do século XX

O capital inglês ajudou em grande parte para o desenvolvimento da região


já que era necessária a construção de estradas de ferro para o transporte do café.

Em 1868, foi construída a estrada de ferro que ligava Santos a Jundiaí por uma
companhia inglesa, a São Paulo Railway Co. Limited (SPR). A empresa não se

interessou por estender as estradas até Rio Claro e, então, os próprios fazendeiros
financiaram a construção da estrada de ferro, Boris Fausto ( 2008) enaltece o fato,

dizendo: A Companhia Paulista de Estradas de Ferro surgiu como uma empresa


formada com capitais brasileiros ligados aos negócios do café (p.201).
Fausto (2008) destaca como um dos fatores que facilitaram a expansão e o
desenvolvimento da produção cafeeira no Oeste Paulista, as condições climáticas

favoráveis para o plantio e o solo fértil, já que as terras paulistas eram uma terra
roxa, de alta produtividade, onde o rendimento cafeeiro podia chegar a trinta anos,
enquanto em outras terras não além de um quarto de século (p.202).
Outros fatores, como tecnologia com o emprego do arado e o uso de mão

de obra imigrante são destacados pelo autor como positivos para o bom momento
que o café teve em terras paulistas.

O autor defende que a economia do Oeste Paulista deu origem a uma nova
classe que se costuma denominar burguesia do café (p.203). A grande produção e
os altos lucros que a exportação rendia aos fazendeiros possibilitaram uma
acumulação de capitais nas mãos dos mesmos, que mais tarde seriam a base para

o desenvolvimento da indústria no Estado. O fato é que os fazendeiros ostentavam


uma vida luxuosa à base dos ganhos que obtinham com o café. Além disso, a

economia brasileira, durante o Segundo Reinado, se apoiou totalmente no café, o


que gerou riqueza para quem trabalhasse no ramo e, em alguns momentos,

proteção até mesmo do governo imperial, impedindo que qualquer problema


viesse a acontecer com o café.

A realidade é que inúmeras cidades se desenvolveram a partir do mercado

cafeeiro, um grande número de pessoas enriqueceu a partir do seu comércio e o


Brasil viveu durante muitos anos das possibilidades que o café lhe oferecia,

caracterizando-se por ser um país completamente agrário.


Em meio a esse contexto de supervalorização da agricultura, devido à

importância do café, surgiu a figura de Irineu Evangelista de Sousa, o famoso Barão


de Mauá.

Em meio a disputas políticas, expansão do café, trabalho escravo


sustentando a economia, enriquecimento dos fazendeiros paulistas e projetos para

a modernização do país, rebeliões controladas pelo governo imperial e o desafio


de manter a unidade territorial do Brasil, Dom Pedro II reinava e comandava todos
os segmentos da sociedade, conseguindo se manter a par dos acontecimentos e
garantindo a sua posição de imperador do Brasil. No entanto, a cara do Brasil

começava a mudar.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Segundo Reinado
http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/segundo-reinado.htm

História da São Paulo Railway


http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0102n.htm

Revista: A presença de Ingleses nas finanças brasileiras no Brasil Império


http://www.revistadehistoria.com.br/secao/livros/a-presenca-inglesa-nas-financas-
e-no-comercio-no-brasil-imperial-os-casos-da-sociedade-bancaria-maua-
macgregor-cia-1854-1866-e-da-firma-inglesa-samuel-philips-cia-1808-1840
UNIDADE 14 - BARÃO DE MAUÁ

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Irineu Evangelista de Sousa foi um notável empresário, industrial, banqueiro,


político e diplomata brasileiro, um símbolo dos empreendedores do país no século

19.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Comerciante, industrial e banqueiro no Segundo Império (1831-1889).

No dia 28 de dezembro de 1813, na localidade da Vila de Nossa Senhora do


Arroio Grande, na época distrito de Jaraguão, então Capitania de São Pedro do Rio

Grande do Sul, atual Rio Grande do Sul, nascia o segundo filho do casal João
Evangelista de Ávila e Sousa e Mariana de Jesus Batista de Carvalho, que viera a se

chamar Irineu Evangelista de Sousa, o futuro Visconde de Mauá.


Quando completou os cinco anos de idade, no ano de 1818, seu pai veio a

falecer. Anos mais tarde, mais especificamente em 1821, sua mãe veio a se casar
novamente com João Jesus, que de alguma forma deixou bem claro que não

desejava manter nenhuma espécie de relacionamento com os filhos do primeiro


casamento da viúva.
Irineu, com oito anos, foi entregue a seu Tio Manuel José de Carvalho, que

ficou responsável por manter sua guarda, levando-o para morar no interior de São
Paulo, onde viera a ser alfabetizado.

Quando completou nove anos de idade passou a morar com outro tio que
era comandante de embarcação da marinha mercante, José Batista de Carvalho,

que fazia em seu navio o transporte de couros e charque do Rio Grande do Sul para
o Rio de Janeiro, na época capital do Império Brasileiro.

Ainda aos nove anos de idade Irineu começou a trabalhar na Praça do

Comércio, um estabelecimento comercial localizado no Rio de Janeiro onde ele


ocupava o cargo de caixeiro do armazém, trabalhando em um turno que iniciava

as sete da manhã e só encerrava às dez da noite, assim ele poderia se manter já


que morava e se alimentava por lá.

Dois anos depois ele trocou de trabalho, indo para o comércio de Antônio
Pereira de Almeida, um português que vendo em Irineu um rapaz de confiança

acabou por promovê-lo no ano de 1828 a guarda-livros, porém quando aconteceu


a crise no Primeiro Reinado, que durou do ano de 1822 a 1831, o comerciante veio

a falência, mas teve todas as suas dívidas liquidadas por Irineu, que graças a esse
feito foi recomendado pelo ex patrão para trabalhar na empresa de importação do
escocês Richard Carruthers, no ano de 1830.
Foi lá que ele aprendeu as técnicas que precisaria para obter sucesso na vida

profissional, como inglês, contabilidade e mais algumas práticas na arte do


comércio.

Com apenas 23 anos, Mauá deixou de ser mensageiro em uma empresa


importadora inglesa e tornou-se sócio da companhia. Empreendedor, Irineu

defendia em meio a aristocratas que o Brasil precisava abandonar o seu caráter


agrário e desenvolver a indústria. Dedicou a sua vida a trabalhar para inovar. Fausto

(2008) relata que ele:


montou uma fundição de ferro, aplicou
seus capitais na construção de ferrovias,
navios e no serviço de gás da capital do
império, sendo ainda importante
banqueiro (p.198).

Mauá atuava como importante figura na política e na economia brasileira e


isso fez com que ele colecionasse um número considerável de inimigos, o que

facilitou com que ele perdesse alguns favores governamentais, até que uma série
de investimentos arriscados, além de crises econômicas, o levou à falência.

Família
No ano de 1839 ele mandou buscar sua mãe, que já estava viúva novamente,

e sua única irmã para que viessem morar com ele no Rio de Janeiro, junto elas
trouxeram sua sobrinha, Maria Joaquina de Sousa Machado, carinhosamente

chamada de May, a qual ele viria a se apaixonar e casar futuramente, no ano de


1841. Dessa união eles tiveram dezoito filhos, porém apenas onze chegaram a

nascer com vida, desses apenas sete chegaram a atingir a maioridade, e apenas
cinco deles sobreviveram após o falecimento do pai. A explicação que se dava para

a morte da maioria desses filhos era o fato da proximidade de parentesco entre


eles, que poderia ter acarretado em diversos problemas genéticos.

Industrialização

Em 1840 Irineu viajou à Inglaterra a negócio e lá conheceu a fundo as


fábricas, fundições de ferro e o mundo dos empreendedores capitalistas, o que lhe

despertou um certo interesse em trazer aquela tecnologia para o Brasil, já


começando a trilhar o caminho da industrialização para o país.

No Brasil ele adquiriu uma fundição localizada na Ponta da Areia, em Niterói,


Rio de Janeiro, no ano de 1846, onde veio a transformar em um estaleiro de

construções navais logo em seguida, dando início à indústria naval brasileira. Em


1847 o Estabelecimento de Fundição e Companhia Estaleiro da Ponta da Areia já

aumentava em quatro vezes mais o seu patrimônio, e tornou-se o maior


empreendimento industrial do Brasil, contando com um número superior a mil

operários. Mais de setenta e dois navios foram produzidos em onze anos.


Aos quarenta anos de idade ele se dividia entre as atividades de industrial e

banqueiro, e sua fortuna já estava em um montante inacreditável, crescendo cada


vez mais.

“O melhor programa econômico de governo é não atrapalhar aqueles que


produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem”

Barão de Mauá (1813-1889)

Entre suas principais contribuições para a sociedade como empresário

podemos destacar:

• Fundação da Companhia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro;


• Companhias de navegação de bonde;

• Construção de estradas de ferro.

Em 30 de abril de 1854, quando inaugurou o trecho da estrada de Ferro de


Petrópolis ele recebeu do imperador Pedro II o título de Barão de Mauá, em

reconhecimento pelo seu excelente trabalho.


O então Barão de Mauá também se arriscou no campo político, vindo a se

tornar deputado pelo Rio Grande do Sul em diversas legislaturas, porém, no ano de
1873, renunciou para poder ter mais tempo para cuidar de seus negócios, que vinha
sofrendo uma certa ameaça desde a crise de 1864.
Em 1874 recebeu o título de Visconde de Mauá, o que foi muito bem

merecido, tendo em vista sua grande contribuição para o crescimento industrial


nacional

Em 21 de outubro de 1889 veio a falecer em Petrópolis, no Rio de Janeiro,


quando estava com 75 anos de idade.

BUSCANDO CONHECIMENTO

O Barão de Mauá e sua estrada-de-ferro


http://noticias.terra.com.br/educacao/historia/o-barao-de-maua-e-sua-estrada-

de-ferro,4a1fa96138533410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

Livro: Visconde de Mauá – autobiografia - Autor: Souza, Irineu Evangelista de


Editora: Topbooks

Barão de Mauá

http://www.suapesquisa.com/quemfoi/barao_de_maua.htm

Filme: Mauá - O Imperador e o Rei -direção de Sérgio Rezende

Revista Veja:
http://veja.abril.com.br/historia/republica/memoria-visconde-de-maua.shtml
UNIDADE 15 - PRINCESA ISABEL

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Princesa Isabel (1846-1921) foi regente do Império no Brasil. Filha de D. Pedro


II assinou a Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea, que acabou com a escravidão no Brasil.

Segunda filha do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina, nasceu no


Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Às 6:26 horas da tarde do dia 29 de julho de 1846 nascia a Princesa Isabel.

Segunda filha do Imperador D.Pedro II, assistida pelo Dr. Cândido Borges Monteiro,
no Paço de São Cristóvão, Rio de Janeiro. Batizada na capela Imperial no dia 15 de

novembro daquele ano pelo Bispo Capelão-Mor. Conde de Irajá.


Recebeu o pomposo nome Isabel Cristina Leopoldina Augusta. Isabel, por

causa da avó materna, Rainha de Nápoles; Cristina, que lembraria sua mãe, a
Imperatriz Dona Tereza Cristina; Leopoldina em homenagem a sua avó paterna, a
primeira Imperatriz do Brasil e Augusta como premonição do futuro que a
aguardava. A esses nomes acrescentaram-lhe os tradicionais dos príncipes de

Bragança: Micaela, Gabriela, Rafaela Gonzaga.


Com a morte de seu irmão mais velho, o Príncipe Dom Afonso, tornava-se,

aos onze meses de idade, herdeira do trono e sucessora de seu pai. Neste mesmo
ano de 1847 nasceria a 13 de julho a sua companheira de toda a mocidade, a

Princesa Leopoldina, sua irmã.


Em 1848 nasceu o seu segundo irmão varão, o Príncipe Dom Pedro, que veio

a falecer dois anos depois. Para herdar o trono fundado por Dom Pedro I, restava
uma frágil princesa de quatro anos de idade que seria daí em diante, a Princesa
Imperial. O reconhecido oficial como sucessora de seu pai teve lugar a 10 de agosto
de 1850 , quando a Assembleia-Geral, reunida no Paço do Senado às 11 horas da

manhã, proclamou-a Herdeira do Trono na forma dos Artigos 116 e 117 da


Constituição do 1mpério.

A 29 de julho de 1860 completava D. Isabel seus 14 anos e, de acordo com o


Artigo 106 da Constituição, deveria prestar o juramento por esta determinada de

"manter a religião católica apostólica a romana”, observar a Constituição política da


nação brasileira e ser obediente às leis e ao imperador.

A fim de prepará-la para o papel que lhe estava reservado, começou Dom

Pedro II a preocupar-se com a formação da futura Imperatriz. Desde cedo, porém,


o Imperador iniciou entendimentos para dar às filhas uma preceptora.

Por indicação da Princesa de Joinville a escolhida foi D. Luisa Margarida


Portugal de Barros, filha do diplomata Domingo Borges de Barros. Visconde de

Pedra Branca, casada com o fidalgo francês Visconde de Barral. A futura Condessa
de Barral iniciou suas funções em setembro de 1865.

Para a instrução da Princesa Isabel e da sua irmã diversos mestres foram


então designados. Lendo seus programas de estudo, tão repletos de aulas e

obrigações, pode-se imaginar que a Princesa Isabel teve uma infância diferente das
crianças de seu tempo. Contudo, teve certamente suas horas de brincadeiras,
principalmente em Petrópolis. Em São Cristóvão, para amenizar o ambiente tão
carregado de estudos e deveres, pequenas peças teatrais eram levadas à cena e as

princesas desempenhavam os principais papéis na companhia dos amigos de


infância.

Em todos os tempos e lugares os casamentos de príncipes são motivo para


as mais desencontradas opiniões e comentários. Era natural que o governo e o povo

dessem a maior importância ao casamento da Princesa Isabel, dedicando-lhe toda


a atenção. Cabia ao ministério movimentar a máquina diplomática para localizar

um Príncipe Consorte. Depois de enorme correspondência trocada com a nobreza


europeia é a própria Princesa quem escolhe o seu Príncipe, Luís Gastão de Orléans,
o Conde d’Eu.
Princesa Isabel
Em 18 de setembro de 1864 o príncipe francês pede a mão da herdeira do

Império do Brasil. O casamento teve lugar na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, a


15 de outubro daquele ano. No mesmo dia os noivos partem para a lua de mel em

Petrópolis, e em 10 de janeiro de 1865 seguem viagem para a Europa onde a


Princesa conheceu então os pais de seu marido.

Com o fim da Guerra do Paraguai o casal faz nova viagem à Europa, desta
vez para visitar a Princesa Leopoldina que se encontrava doente, sofrendo de tifo,

a única irmã da Princesa Isabel veio a falecer em 7 de fevereiro de 1871.


Neste mesmo ano. D. Pedro II faz sua primeira viagem à Europa. Deixando,

pela primeira vez, a Princesa Isabel como Regente do Império. Neste ínterim, é
assinada a 28 de setembro a Lei do Ventre Livre.

A ausência de filhos do casal preocupava a todos. Engravidara a Princesa


durante a sua terceira viagem à Europa, mas somente no 6 mês de gravidez

ponderou sobre a dificuldade de retornar ao Brasil para que aqui nascesse o seu
herdeiro, como regia o Contrato Matrimonial. Embarcando dois meses depois, após

uma viagem penosa, nascia-lhe morta uma menina aos 28 de julho de 1874, no
Paço Isabel.

Finalmente em 15 de outubro de 1875, quando comemoravam onze anos de


casados, nascia no Palácio Princesa Isabel, em Petrópolis, o herdeiro, recebendo o
nome de Pedro de Alcântara, e o título de Grão-Pará, que competia ao primogênito

do Príncipe Imperial. No Palácio Imperial de Petrópolis, em 26 de janeiro de 1878,


nascia o segundo filho da Princesa, Dom Luís Maria e a 9 de agosto de 1881, em

função de uma demorada viagem à Europa, nascia o terceiro filho, Dom Antônio,
no Palácio alugado da Rua de La Faisanderie, 27, Passy, Paris.

A 30 de junho de 1887. com a partida do Imperador para a Europa, em


tratamento de saúde, começava a 3ª Regência e a 3ª fase política da vida da

Princesa. Com coragem e desapego ao cargo, em 13 de maio de 1888, domingo,

desceu de Petrópolis para o Rio de Janeiro. O marido, Conde D Eu lhe advertiu:


"Não assine, Isabel, pode ser o fim da Monarquia". Respondeu-lhe: "É agora, ou

nunca!"
Usou uma pena de ouro, especialmente confeccionada para a importante

ocasião. Em frente ao Paço, a multidão se aglomerava para saudar Sua Alteza. Após
sancionar a lei, o jornalista José do Patrocínio, adentrou o recinto e colocou-se, aos

pés da princesa, em prantos.


O Barão de Cotegipe ao cumprimentar a princesa, disse: "Vossa Alteza

libertou uma raça, mas perdeu o trono." A princesa não se intimidou, respondendo:
"Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos do Brasil." Em
setembro recebeu do Papa a "Rosa de Ouro", como reconhecimento pela Abolição
da Escravatura. A única personalidade brasileira a receber tal condecoração.

Com a Proclamação da República, embarca a Família Imperial para o exílio


na Europa. A velhice transcorreu tranquila e calma para a Princesa Isabel. Rodeada

do marido - que amava e que a amava - e dos filhos (dois dos quais levados pelas
consequências da Primeira Guerra Mundial) e por seus netos, que passaram a

constituir o seu encantamento. Nos últimos anos, com dificuldade para se


locomover, era empurrada numa grande cadeira de rodas pelos corredores e salões

do castelo d’Eu, e a 14 de novembro de 1921, fechava para sempre "aqueles Olhos


cheios de lembranças do Brasil".
Castelo D'Eu, onde a princesa Isabel passou os últimos anos de vida

BUSCANDO CONHECIMENTO

Princesa Isabel em Petrópolis

http://www.museuimperial.gov.br/exposicoes-encerradas/313-princesa-isabel-em-
petropolis.html

Revista Isto é – Princesa Isabel

http://www.istoe.com.br/reportagens/267071_SANTA+PRINCESA+ISABEL+

Vídeo Princesa Isabel - De Lá Pra Cá

Livro: “O Castelo de Papel” – A Princesa Isabel e o Conde D’Eu sob a ótica de Mary
del Priore
UNIDADE 16 - ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NO BRASIL

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Durante quase trezentos anos, os escravos foram os pés, as mãos, os braços,


a fonte de riqueza do seu senhor. Mas em 13 de maio de 1888 essa condição não

seria mais aceita oficialmente. No entanto, até que ponto a liberdade foi
conquistada? O que era a liberdade para aquelas pessoas que não tinham sequer

família aqui no Brasil?

ESTUDANDO E REFLETINDO

O processo de abolição da escravidão no Brasil envolveu uma variedade de


segmentos da sociedade, sendo que o ato da assinatura da lei não mudou

totalmente a história dos negros.


Desde 1850, já vinham sendo estabelecidas leis que de alguma forma

mostravam que o Brasil caminhava para a libertação. Nesse ano era decretada a Lei
Eusébio de Queiroz que proibia a entrada de negros vindos da África. A lei dificultou
o tráfico e, embora não tenha acabado com o mesmo, provocou um fenômeno no
Brasil: o sudeste que precisava da mão de obra para a lavoura do café começou a

comprar escravos do Nordeste, que já não dependia exclusivamente dos negros.


Os liberais defendiam o fim da escravidão, uma vez que percebiam que a

economia não cresce se não existir mercado consumidor e para isso é necessário
que os trabalhadores recebam dinheiro, salário, para realizar o consumo. A partir

de 1871, com a Lei do Ventre Livre, os conservadores na figura do Barão do Rio


Branco começaram a aderir ao movimento.

Boris Fausto (2008) discute em seu livro, História do Brasil, o que levou os
fazendeiros a aderir ao movimento e conclui que uma das questões é que era mais
viável os escravos serem libertos pelos seus senhores, caracterizando assim um ato
de generosidade, do que se impor uma lei, uma vez que a generosidade levaria os

escravos a reconhecer e obedecer aos fazendeiros:


Libertar os escravos por um ato de
generosidade do senhor levava os
beneficiados ao reconhecimento e à
obediência. Abrir caminho à liberdade
por força da lei gerava nos escravos a
ideia de um direito, o que conduziria o
país à guerra entre raças. (p.218)

A Lei do Ventre Livre estabelecia que os filhos de escravas nascidos a partir

daquela data estariam livres. No entanto, a criança ficaria com a mãe até os oito
anos e o fazendeiro escolhia se receberia uma indenização do Estado ou se o menor

ficaria com ele até os 21 anos. Era muito comum os escravos continuarem nas
fazendas.

Em 1885, foi decretada a Lei do Sexagenários, que estabelecia que os


escravos com mais de sessenta anos estariam livres. Fausto (2008) destaca que:

em linhas gerais, ela [a lei] concedia


liberdade aos cativos maiores de sessenta
anos e estabelecia normas para a
libertação gradual de todos os escravos,
mediante indenização. (p. 219).

Percebemos que essas leis não estabelecem o fim da escravidão, mas

demonstram que o Brasil caminhava para tal. Principalmente porque, ao longo


desses decretos, muitos conservadores abandonavam suas posições radicais e

começavam a entender sobre a necessidade da abolição para o progresso da


economia.

A década de 1880 foi marcada pelo estouro de inúmeras campanhas


abolicionistas. Figuras como Joaquim Nabuco, parlamentar e escritor

pernambucano, surgiram para marcar a história da abolição. Com 21 anos, ele já


escrevia uma de suas maiores obras, A Escravidão, em que refletia sobre essa
condição trazendo reflexões acerca do tema, além de ideias e números revelando
a vida cruel de um escravo desde sua partida da África até chegar ao Brasil. Entre

as figuras menos abastadas, ou seja, entre os pobres, destacou-se José do


Patrocínio, filho de um fazendeiro e de uma negra, proprietário da Gazeta da Tarde,

jornal abolicionista do Rio de Janeiro, e que ficou famoso por seus discursos
emocionados (FAUSTO, 2008, p. 219).
Junta-se às campanhas abolicionistas o grande número de fugas de
escravos, principalmente nas fazendas paulistas e as associações que chegavam a

arrecadar fundos para comprar cartas de alforria. Mary Del Priore e Venancio (2010)

destacam ainda a atuação de muitos profissionais liberais nesse contexto de


libertação:

Se no período colonial a rebeldia escrava ocorria na forma de fugas e


insurreições, após o surgimento do movimento abolicionista observam-se novas

alternativas legais de luta, baseadas em alianças entre cativos e homens livres.


Advogados abolicionistas passam a recorrer às leis para proteger a vida de escravos,

a integridade de suas famílias ou para punir senhores cruéis. (p.206)


No decorrer dos anos, o movimento abolicionista foi ganhando cada vez

mais adeptos. Fausto (2008) defende que em 1888 apegavam-se à escravidão


apenas representantes das velhas zonas cafeeiras do Vale do Paraíba, cujas fortunas
em declínio se concentravam nos escravos.
Nesse contexto, devemos lembrar que a Inglaterra há muito vinha

pressionando o Brasil para acabar com a escravidão. Os ingleses tinham interesse


em fazer comércio com o Brasil e com o mundo, afinal, eles fizeram a Revolução

Industrial e pretendiam vender seus produtos industrializados. Porém, países que


possuíssem escravos eram sérios candidatos a não comprar seus produtos,

considerando que, como os negros não recebiam quantia nenhuma por seu
trabalho, não teriam o dinheiro necessário para consumir. Assim, os britânicos

usaram de todos os seus truques para acabar com a escravidão na América e no


mundo.
A abolição era uma tendência nacional e, embora alguns conservadores

ainda tentassem que a abolição viesse acompanhada de indenizações, o projeto


aceito defendia uma abolição sem restrições. Assim, seguindo uma lógica nacional,

em 13 de maio de 1888 foi sancionada, pela princesa Isabel, que substituía o pai no
trono, a Lei Áurea que decretava a libertação dos escravos a partir daquela data.

A escravidão estava de tal maneira presente na vida do Império que várias


tentativas visando aboli-la acabavam esbarrando no conservadorismo dos

fazendeiros e proprietários, mesmo entre os liberais. As relações entre a Regente

Princesa Isabel e o Ministério de Cotegipe eram tensas, embora aparentassem ser


cordiais, Enquanto a Princesa aliava-se ao movimento popular, o Ministério de

Cotegipe defendia a manutenção da escravidão. Aproveitando-se da oportunidade


oferecida por um incidente de rua, a Princesa substitui o Gabinete. O novo

ministério, conhecido como o Gabinete da Abolição, tinha a frente o Conselheiro


João Alfredo, a quem a Princesa sugeriu na Fala do Trono que se fizesse o quanto

antes a abolição da escravatura.


O primeiro ponto a ser analisado foi o da liberdade dos escravos que, depois

do dia 13 de maio, saíram das fazendas sem rumo. Alguns fizeram acordos com
seus senhores e continuaram a trabalhar para eles, outros foram para a cidade em
busca de emprego.

Bilhete da princesa Isabel a seu pai, datado de “13 de maio” de 1888: "Empereur
Brésil, Milan. Acabo sanccionar a lei da extincção da escravidão. Abraço Papae com
toda a effusão do meu coração. Muito contentes com suas melhoras.
Commungamos hoje por sua intensão. Isabel".
Como a maioria não conseguiu, acabou se sujeitando a fazer trabalhos sujos,

pesados e mal remunerados. Além disso, é importante lembrar que no Brasil já havia
se construído uma memória de que o negro não possuía alma e era ignorante;

agora, após a libertação, ele não tinha casa, nem emprego e teria que competir
com o imigrante europeu, branco e mais qualificado no mercado de trabalho. Essa

construção foi a base do preconceito racial que ainda é praticado país afora. Outra

questão é a assinatura da Lei Áurea que foi o ponto mais alto de um processo que
começou com os próprios negros e suas diversas formas de resistência e terminou

com a ajuda dos abolicionistas rumo à libertação. A abolição ocorreu por meio de
um processo, até que os homens da política no Brasil foram convencidos de que a

escravatura provocava um atraso econômico do Brasil em relação a outros lugares.


Mesmo assim, fomos o último país da América a acabar com a escravidão.

BUSCANDO CONHECIMENTO

The History Channel - Eduardo Bueno - O tardio fim da escravidão No Brasil.


Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=nnduUY7ncmw

Abolição da escravidão: A luz que veio da Inglaterra. Disponível em:


http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/abolicao-escravidao-luz-

veio-inglaterra-435570.shtml

Registros da liberdade.
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/perspectiva/registros-da-liberdade

União faz a liberdade. http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-


revista/uniao-que-faz-a-liberdade
UNIDADE 17 - JOSÉ DO PATROCÍNIO E ANDRÉ REBOUÇAS

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

José do Patrocínio e André Rebouças foram uns dos representantes da


pequena classe média negra em ascensão no “Segundo Reinado” e uma das vozes

mais importantes em prol da abolição da escravatura.


Ao lado Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e André Rebouças ajudaram a

criar a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão.

ESTUDANDO E REFLETINDO

José do Patrocínio
José do Patrocínio nasceu em Campos, Rio de Janeiro, no dia 9 de outubro

de 1853. Filho do Cônego João Carlos Monteiro, vigário de Campos, e da escrava


Justina Maria. Com permissão do pai foi para a capital, onde começou a trabalhar

na Santa Casa de Misericórdia. Em 1868, com a ajuda do professor João Pedro de


Aquino, entrou para Faculdade de Medicina, como aluno do curso de farmácia.
Forma-se e para sobreviver e passa a lecionar.
Lança um quinzenário satírico, “Os Ferrões”, que logo foi extinto. No ano

seguinte escreve um poema, com doze estrofes, dirigido à princesa Isabel, que foi
publicado no periódico “O Mequetrefe” e começa a trabalhar para a Gazeta de

Notícias.
Casou-se com a aluna Maria Henriqueta e com a ajuda do sogro, compra a

Gazeta da Tarde, que se torna o local onde se articulavam todos os movimentos


contra a escravidão. Em 1880, ocupa a tribuna do Teatro São Luiz, para atacar o

regime escravagista. Criou a Confederação Abolicionista, que se tornou uma força


reconhecida pelos políticos.
Patrocínio se candidata à Câmara Municipal. Nesse período escreve três

romances, "Mota Coqueiro", "Os Retirantes" e "Pedro Espanhol" e funda a cadeira


nº 21 da Academia Brasileira de Letras e foi eleito para a Câmara com grande

votação.
José do Patrocínio participa ativamente da campanha abolicionista, que

chega ao ápice, no dia 13 de maio de 1888, com a assinatura, pela Princesa Isabel,
da lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil; José do Patrocínio beijou as mãos

da princesa, pois chegava ao fim sua luta de dez anos.

Patrocínio manteve-se ligado à Princesa, recusando a adesão aos


republicanos. Os amigos da Confederação abolicionista afastaram-se dele. O jornal

A Cidade do Rio perdia sua importância.

José Carlos do Patrocínio

Na manhã de 15 de novembro, a insurreição chefiada por Deodoro da


Fonseca era vitoriosa. Patrocínio, antigo orador, vê o povo voltar-se contra ele.
Ele cede, discursa apoiando a República, mais tarde divulga um manifesto,
em seu jornal, dirigido ao presidente, escrito por generais e almirantes. Floriano

decreta estado de sítio e manda prender José do Patrocínio, Olavo Bilac, entre
outros. Patrocínio é confinado em Cucí, às margens do Rio Negro.

Um ano depois é solto e volta ao Rio de Janeiro, quando em setembro de


1893 a Marinha rebela-se contra o Presidente Floriano, era a Revolta da Armada.

Patrocínio publica um manifesto dos almirantes revoltosos. Floriano manda fechar


o jornal, “A Cidade do Rio” é o fim de sua carreira de jornalista, reduzindo à miséria.
Construiu um balão “O Santa Cruz”, que não deu certo. Doente, continuou

escrevendo para outros jornais. José Carlos do Patrocínio morreu no dia 18 de


agosto de 1905, numa homenagem a Santos Dumont, ao discursar, José do

Patrocínio sofreu uma hemoptise e faleceu a 30 de Janeiro.

André Rebouças
Filhos de um alfaiate português, Antônio Pereira Rebouças, que viria a se

tornar advogado e parlamentar, e de uma escrava alforriada, Carolina Pinto

Rebouças, Andréa Pinto Rebouças nasceu em Cachoeira, na Bahia. em 13 de janeiro


de 1838 e no ano seguinte seu irmão Antônio Filho.

Aos 16 anos, seguiu com a família para o Rio de Janeiro e matriculou-se,


junto com seu irmão Antônio, na antiga Escola Militar, depois Escola Politécnica.

Tornou-se 2º tenente do corpo de engenheiros e recebeu o grau de bacharel em


Ciências Físicas e Matemáticas, sendo sempre o primeiro aluno da turma. Em 1860,

recebeu o grau de engenheiro militar.

André Pinto Rebouças


Muitos anos antes da abolição da escravatura, que só aconteceu no Brasil,

tardiamente, em 1888, os irmãos André e Antônio Rebouças foram os primeiros


negros brasileiros a cursar uma universidade.

Seguiu para a Europa, em 1861, onde fez especialização em engenharia civil.


André aproveitou seus contatos para divulgar as coisas do Brasil, como a

obra do compositor Carlos Gomes, autor das óperas “Fosca” e “O Guarani”.


Retornando ao Brasil, continuou seus estudos como autodidata e dedicou-

se à causa abolicionista. Tornou-se, junto com seu irmão Antônio, comissionado do


Brasil para vistoriar e trabalhar no aperfeiçoamento de portos e fortificações do

litoral. Participou como engenheiro militar na Guerra do Paraguai.


Retornou ao Rio de Janeiro, onde passou a desenvolver projetos com seu

irmão Antônio, para companhias privadas que investiam na modernização do Brasil.


Destacam-se, nesta fase, as obras para o abastecimento de água do Rio de Janeiro,

as docas Dom Pedro II e as docas da Alfândega.

Ainda na capital do Império, André foi secretário do Instituto Politécnico e


redator geral de sua revista, na qual escreveu vários artigos técnicos. Foi

responsável pela seção de Máquinas e Aparelhos da Sociedade Auxiliadora da


Indústria Nacional. Participava ativamente das discussões sobre o desenvolvimento

social e econômico da Nação.


Nos anos 1880, engajou-se ativamente na campanha abolicionista e lecionou

na Escola Politécnica. Participou da Confederação Abolicionista, da criação da


Sociedade Brasileira Contra a Escravidão e redigiu os estatutos da Associação

Central Emancipadora.
André Rebouças era monarquista e, com o movimento militar republicano
de 15 de novembro de 1889, embarcou para a Europa, junto com a família imperial.
Em Lisboa, foi correspondente do “The Times” de Londres, depois foi para Cannes,

na França, onde ficou até a morte de Dom Pedro II.


Em 1892, partiu para Angola, onde trabalhou por 15 meses. Em seguida,

estabeleceu-se em Funchal, na Ilha da Madeira. Suicidou-se em 9 de maio de 1898,


atirando-se em um penhasco, próximo ao hotel onde vivia.

André Rebouças deu grandes contribuições para a construção do Brasil no


século 19 e teve participação importante no movimento abolicionista. Introduziu no

país, técnicas inovadoras de engenharia, incluindo o uso do concreto armado,


utilizado pela primeira vez no Brasil em uma ponte em Piracicaba, construída em
1875, da qual foi o responsável técnico junto com seu irmão Antônio.
BUSCANDO CONHECIMENTO

Livro: “Da Abolição da Escravatura à Abolição da Miséria: A vida e as ideias de André

Rebouças” - Andréa Santos Pessanha .

Site: A saga dos Engenheiros Rebouças

http://www.geledes.org.br/atlantico-negro/patrimonio-cultural/

Vídeo: André Rebouças O primeiro engenheiro negro


https://www.youtube.com/watch?v=OJmPEaMNNaM

Vídeo: José do Patrocínio

https://www.youtube.com/watch?v=jHhrKv6WHcw
Site: José do Patrocínio

http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=226
UNIDADE 18 - OS IMIGRANTES

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Embora vinculada ao problema da abolição, a imigração estrangeira para o


Brasil tem outros condicionamentos externos. O esgotamento das terras na Europa,

as tensões entre trabalhadores e grandes proprietários, o desemprego, as


deficiências dos sistemas econômicos, incapazes de garantir trabalho para todos.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Da parte do Brasil contribui para o estímulo à imigração toda uma gama de

causas mais imediatas, que vão da propaganda, particularmente das companhias


de navegação, interessadas no transporte dos imigrantes, até as notícias enviadas

pelos emigrados, excitando a imaginação dos parentes e amigos, a demanda de


mão de obra graças à expansão da lavoura, provocada pelos preços

compensadores, as facilidades concedidas pelo governo, o interesse dos grandes


proprietários.
Embora as primeiras notícias sobre imigrantes vindos para o Brasil datem de
1817, somente na década de 1850 é que há maior incremento da imigração.

Os imigrantes chegavam ao porto brasileiro, onde permaneciam algum


tempo praticamente confinados, sendo objeto de "negociações", intermediadas por

intérpretes, entre os fazendeiros interessados ou seus prepostos e os colonos e suas


famílias.

Não transcorria em melhores condições a viagem dos imigrantes do porto


de desembarque no Brasil até a fazenda onde iriam trabalhar. As estradas eram

precárias e o que se chamava de albergues para pernoitar não eram mais do que
simples ranchos desabrigados. Embora a fazenda pudesse fornecer carros de boi
ou tropas para o transporte dos colonos, não era raro terem que caminhar a pé.
Como os imigrantes recebiam rações de alimentos durante a viagem, havia

parada para as refeições, que eram preparadas por eles próprios. Geralmente eram
compostas de carne, arroz, feijão, café, açúcar e toucinho. O preparo da comida

exigia a busca de lenha e água, o que resultava muito trabalho. À noite não era raro
dormirem no chão, em leitos de folhas.

Havia fazendas que forneciam, à chegada, como os itens necessários ao


estabelecimento da família dos colonos. Claro que tudo era debitado em suas

contas. Sem entender muito que se passava famintos e cansados, tomavam

conhecimento do "regulamento da fazenda", do qual geralmente recebiam cópia.


Esse documento tratava dos direitos e deveres de cada colono, compreendendo

desde os negócios até os festejos.


A distribuição de moradias era feita por sorteio. Para os padrões de moradia

do camponês europeu, as residências no Brasil eram bem deficientes.


Um dos regimes de trabalho que mais se propagou, num certo período,

entre os imigrantes nas fazendas de café foi o contrato de parceria. Implicava um


acerto, pelo qual o fazendeiro cedia ao colono determinada área de sua

propriedade, com o respectivo cafezal, para ser cultivado, colhido e beneficiado,


repartindo-se os resultados entre ambos, na proporção que fosse estipulada pelo
contrato.
Habituados a tratar com os escravos, a quem forçavam a longas jornadas de

trabalho diário, com custo mínimo para sua alimentação, vestuário e alojamento,
além do exercício de severo controle sobre sua movimentação, os fazendeiros não

aceitavam a apresentação de reivindicações pelos colonos, portadores de um


elenco maior de necessidades, de certo grau de cultura e politização que

dificultavam as relações sociais de produção baseadas na exploração selvagem.


Enganados pelos agenciadores de viagem e recrutamento nas aldeias, os imigrantes

construíam uma expectativa de rápido e relativamente fácil enriquecimento, que


logo se desvanecia em esperanças perdidas.
Num contexto diverso, mas em seguimento de certa prática que já vinha da

escravidão, inclusive reconhecida como uma "brecha campesina", os fazendeiros


concediam aos colonos o plantio de cereais entre os pés de café, assegurando assim

o abastecimento das fazendas. Em áreas menos próprias ao café, plantavam batata,


milho, tendo também criação e vendendo o excedente aos domingos, nas feiras

das vilas, depois do culto. A parceria foi marcada pela rápida percepção de ambas
as partes de que os seus interesses eram prejudicados. Os fazendeiros alegavam

diante dos resultados que não correspondiam, que entre os colonos vinham

vagabundos, condenados, enfermos, velhos, inválidos, etc. Da parte dos imigrantes,


a falta de garantias e a realidade de sua redução a escravos estavam entre os

motivos mais fortes para sua revolta.


Embora o sistema de salários prefixados fosse oferecendo mais garantias aos

colonos contra as oscilações do preço do café e de outros riscos, outros regimes de


pagamento foram sendo praticados.

Os primeiros imigrantes chegaram ao Brasil para trabalhar em sistema de parceria

nas lavouras de café.

Enquanto os colonos viveram com as suas famílias dentro da fazenda,


comumente um simples ajuste verbal com o fazendeiro fixava o número de pés de

café que competia a cada família cuidar, havendo aquelas que, por numerosas e/ou
capazes, encarregavam-se de 8 a 10 mil pés.
O controle contábil desse pagamento era feito precariamente, em

cadernetas. Nesse processo incluía-se o crédito dos colonos pela venda do


excedente de sua produção ao fazendeiro, bem como as suas dívidas para com

este. O regime de colonato comporta geralmente três formas de pagamento:


• Fixo, por 1000 pés, sendo o colono obrigado a manter limpo e preparado o

terreno para a colheita;


• Por dia de trabalho, para os serviços de poda, adubação, reparos no

equipamento de produção, etc. e

• Proporcional ao número de sacas colhidas.


O salário assim recebido é complementado pela lavoura de subsistência

consentida ao colono, dentro das ruas do cafezal ou em terreno separado, pela


criação doméstica, lenha, café para o consumo, etc. O colonato configura-se como

exploração tipicamente capitalista, na qual o fazendeiro é o empresário que assume


todos os riscos do negócio.

O sistema de contratos também era objeto de crítica das partes. Quando os


colonos conseguiam liquidar seus débitos até o final do contrato, deslocavam-se

em massa, levando o fazendeiro a ficar exposto a sérios prejuízos.


Vindos muitas vezes de países frios do Norte da Europa, os colonos estranhavam
os costumes, a alimentação e as formas de vida. O asseio corporal que o trópico
exigia parecia diminuir-lhes a resistência.

Todavia, temos que reconhecer que a imigração possibilitou a continuidade da


expansão cafeeira, após a abolição. Dignificou o trabalho manual, aviltado pela

escravidão. Introduziu certos tipos de veículos rurais e instrumentos agrícolas


europeus, ensinando novos métodos de utilização dos animais. Revolucionou a

dieta alimentar brasileira: introduziram-se o consumo diário da manteiga fresca, do


leite, etc., e as massas de farinha de trigo e fubá ingressaram definitivamente em

nossa cozinha.
O cultivo de hortas, pomares e jardins foi desenvolvido. No meio urbano os

imigrantes influenciaram os costumes e usos, a indumentária, as atividades lúdicas,


a arquitetura, o lazer.

A grande imigração, particularmente de italianos, foi fortemente estimulada e


subvencionada pelos cofres públicos, ficando o governo encarregado do

pagamento das passagens dos imigrantes e muitas vezes dos primeiros serviços de
assistência quando de sua chegada.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Da escravidão às migrações
http://www.academia.edu/541987/Da_escravidao_as_migracoes_raca_e_etnicidade

_nas_relacoes_de_trabalho_no_Brasil
Da escravidão à Imigração

http://intertemas.unitoledo.br/revista/index.php/Juridica/article/viewFile/121/124
Imigração

Os Imigrantes
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-foram-as-maiores-levas-de-
imigracao-para-o-brasil
Imigrantes

https://www.youtube.com/watch?v=iPzcjR647JQ
UNIDADE 19 - REPUBLICANOS

"Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927).

Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

O movimento abolicionista se firmava no Brasil com outro forte aliado: o

movimento republicano. Quando o primeiro conseguiu se impor, restava ao


segundo também conseguir tal proeza.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Crise econômica, saúde do imperador, Guerra do Paraguai, Conde D`Eu e

insatisfação militar e civil. Essas são as palavras-chave que determinaram o fim do


período imperial no Brasil.

Dom Pedro II sofria com sua diabetes e sua saúde piorava gradualmente.
Dessa situação decorriam dois importantes episódios para a política brasileira.

Primeiro, com a saúde debilitada do imperador e sua notória ausência, as disputas


políticas principalmente entre militares e civis não tinham seu mestre estabilizador.
Com Dom Pedro II fora de cena, não existia no império nenhuma figura

capaz de amortecer as brigas e equilibrar as forças. O segundo fator é a questão


de que, com a morte do imperador, quem assumiria o trono seria sua filha, a

princesa Isabel, cujo marido, o francês Conde d`Eu, não agradava aos brasileiros.
Boris Fausto (2008) comenta que o conde francês era uma personalidade muito

discutível (p. 235).


Embora tenha lutado a frente ao Exército brasileiro na Guerra do Paraguai,

o conde não poupava dinheiro e era anfitrião de altas festas imperiais, mesmo em

tempos de crise econômica. Essa era uma de suas atitudes que desagradava civis e
militares.

A abolição da escravidão também se configura como um fator considerável


para a perda de forças do império. Muitos fazendeiros, que eram a favor da

abolição, também eram a favor da República, uma vez que essa poderia garantir
mais autonomia para as províncias e consequentemente para a atuação dos

“homens importantes” da economia regional, os cafeicultores. Já aqueles que eram


contra a abolição se sentiram traídos pelo imperador, sendo que não receberam as

tão esperadas indenizações por libertarem seus escravos. Fausto (2008) destaca
que:

As iniciativas do imperador no sentido de


extinguir gradualmente o sistema
escravista provocaram fortes
ressentimentos entre os proprietários
rurais, e não só entre eles. Os fazendeiros
de café do Vale do Paraíba desiludiram-
se do Império, de quem esperavam uma
atitude de defesa dos seus interesses.
(p.236)

O autor afirma ainda que o regime perdia sua base social mais importante:
os grandes proprietários rurais. Mas aliado a esses fatores encontramos como
grande divisor de ideias e ações a Guerra do Paraguai.
Primeiro porque a guerra, além de provocar grandes perdas da população

civil e militar, afundou o Brasil ainda mais em uma gigantesca dívida junto à
Inglaterra. Não bastasse o conflito ter causado esse cenário econômico, ele foi

responsável pela afirmação e insatisfação dos militares.


Afirmação de que, como já ressaltamos, a partir da Guerra do Paraguai, o

Exército criou seu próprio perfil, passou a ter sua própria organização e opinião.
Exemplo dessa organização é que, em 1884, o Tenente-coronel Sena

Madureira defendeu a luta pela libertação dos escravos no Ceará e segundo Fausto

(2008) convidou os jangadeiros (aqueles que haviam participado da luta) para visitar
a Escola de Tiro do Rio de Janeiro. Sena Madureira publicou um artigo no Jornal

Republicano narrando o episódio. Foi duramente punido, transferido para o Rio


Grande do Sul e o Ministro da Guerra assinou uma ordem em que proibia militares

de discutir pela imprensa questões políticas ou da corporação (p.234).


Nesse contexto surgiu a figura do Marechal Deodoro da Fonseca, presidente

da província do Rio Grande do Sul, que se negou a punir seus oficiais e ainda
solicitou ao ministro que o Exército não fosse mais obrigado a caçar escravos

fugidos (p.234). O ministro negou o pedido, mas, mesmo assim, Deodoro se


recusava a ordenar que o Exército praticasse tal ato.
Diante dessas questões, o Exército começava a mostrar claros sinais de
insatisfação, considerando que tinham acabado de vencer a Guerra do Paraguai,

mas não recebiam o devido valor e prestígio político que desejavam. Del Priore e
Venancio (2010) chegam a afirmar que:

Os militares tinham razões para o


descontentamento: a política de
enfraquecimento e de desmobilização
das forças armadas significou para eles
que de nada tinha valido o sangue
derramado na Guerra do Paraguai. (p.212)
O cenário para a proclamação da República no Brasil já estava armado.
Faltava alguém para executar esse plano. O imperador já não tinha mais saúde nem
apoio civil, muito menos militar, a princesa Isabel e seu marido francês não eram

vistos como o melhor para o Brasil e os militares, claramente insatisfeitos,


começavam a defender a República como melhor forma de governo para o país.

Fausto (2008) descreve então como se deu o processo da proclamação da


República:

A insatisfação militar e a propaganda


republicana cresciam quando em junho
de 1889, o imperador convidou um liberal
– o Visconde de Ouro Preto- para formar
novo gabinete. Ouro Preto propôs uma
série de reformas, mas contribuiu para
acender os ânimos ao nomear para
presidência do Rio Grande do Sul Silveira
Martins, inimigo pessoal de Deodoro.
(p.234)

Deodoro da Fonseca era amigo pessoal de Dom Pedro II, mas foi convencido
a liderar o movimento da proclamação da República, já que as ações do Visconde

de Ouro Preto demonstravam o processo para desestabilização do próprio Exército.


O Marechal Manuel Deodoro da Fonseca era uma figura de respeito e

prestígio dentro do império e principalmente do Exército, pela necessidade de sua


liderança.
Depois de uma série de boatos que diziam sobre uma suposta prisão de
Deodoro, o mesmo resolveu agir e iniciou o processo de instauração da República:

Deodoro, apesar de estar se recuperando


de uma doença, toma a iniciativa,
decretando a prisão do visconde de Ouro
Preto, chefe do Gabinete e presidente do
Conselho de Estado; a agitação do
Exército toma conta das ruas e é
proclamado o fim da monarquia; dois
dias mais tarde, a família real embarca
para a Europa, rumo ao exílio. (DEL
PRIORE; VENANCIO, 2010, p.210)
Não é surpresa para ninguém que a proclamação da República no Brasil

tenha sido um fato isolado do exército, com o conhecimento e apoio de alguns


civis.

A população, maior interessada no episódio, assistiu a tudo sem ter noção


do impacto que aquilo provocaria na sociedade brasileira. A história se repetia:

depois de uma independência proclamada pelo filho do rei, tínhamos uma


república instituída pelo amigo do imperador. Uma república que não nos custou

revoltas, nem sangue, apenas a coragem e audácia de um Exército que se

conscientizou do tamanho da sua força.

BUSCANDO CONHECIMENTO

The History Channel - Eduardo Bueno - 15 de Novembro Proclamação da


Republica.

http://www.youtube.com/watch?v=4scq0tRBqK8&feature=relmfu

A ideia de República no império do Brasil.


http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/a-ideia-de-republica-no-imperio-
do-brasil

O despertar da República. Download do Primeiro Capítulo.


http://www.editoracontexto.com.br/produtos.asp?cod=52
UNIDADE 20 - A QUEDA DA MONARQUIA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Podemos compreender a crise do Império principalmente através do regime


monárquico intempestivo em relação às modificações na economia e na sociedade

que ocorreram em meados do século XIX.


As transformações econômicas e sociais vêm do crescimento da cafeicultura,

porém essas transformações não eram significativas para o País, pois o sistema
monárquico brasileiro estava bastante enervado.

ESTUDANDO E REFLETINDO

As mudanças no setor político-administrativo só privilegiavam o crescimento

econômico do Império, e os interesses dos grupos sociais predominantes. Sendo


assim, os cafeicultores e a camada média passaram a apoiar os republicanos na

derrubada do Império.

Questão social: O abolicionismo


A Inglaterra foi a grande responsável pela abolição da mão de obra escrava

no Brasil. A “revolução industrial” necessitava de mercados consumidores. Os


negros, sendo livres, iriam tornar-se assalariados e, consequentemente,

consumidores.
Após a guerra do Paraguai, em 1870, a sociedade mobilizou-se e assumiu

uma posição abolicionista clara e direta. Vários segmentos sociais começaram a se


posicionar em defesa da libertação dos escravos.

A oligarquia agrária produtora de café do Oeste paulista, principal


responsável pela lavoura, tornou-se defensora do fim da escravidão. Esta classe
social tomou consciência de que o trabalho escravo era inoperante; portanto

deveria ser substituído pelo trabalho livre.


As pressões contra a escravidão eram defendidas por várias instituições

antiescravistas (internacionais e nacionais) que se avolumaram entre os anos de


1870 e 1880. O Brasil era o único país americano livre que ainda utilizava escravos.

As principais leis abolicionistas foram

Lei Bill Aberdeen (1845)


• Proíbe o tráfico negreiro e aprisiona navios que transportavam escravos.
• Julga os traficantes na Inglaterra.

Lei Eusébio de Queiroz (1850)


• Extinção do tráfico negreiro. Os ingleses viviam sua industrialização e viam
na abolição da escravidão as possibilidades de aumentar seu mercado

consumidor.
Lei do Ventre Livre (1871)
• Foi de autoria do visconde de Rio Branco. Declarava livres os filhos de
escravos que nascessem a partir da promulgação da lei. Apesar de liberto, o
menor ficaria até 8 anos de idade sob o controle dos senhores, os quais
teriam a opção de receber do Estado a indenização de 600$000 ou de

utilizar-se dos serviços do menor de idade até os 21 anos.


Lei do Sexagenário (1885)
• Também chamada de "Saraiva-Cotegipe", declarava livres os escravos com
mais de 65 anos.

Lei Áurea (1888)


• Extinguiu a escravidão no Brasil.
Questão Religiosa (1872 – 1875)

Na monarquia brasileira a Igreja e o Estado estavam associados pelo


padroado que instituía o catolicismo como a religião oficial do Brasil e os padres e

bispos eram trabalhadores públicos, pagos pelo Estado; e pelo beneplácito, que
determinava que os bispos escolhidos pelo papa só seriam efetivados no cargo

mediante a aprovação de Dom Pedro II.


Logo a relação entre o Estado e a Igreja começou a se agravar. Em1864, ano

em que a Europa sofria com os conflitos entre maçons e católicos, o papa decretou

a proibição da relação entre o clero e a maçonaria, mas como o conflito só estava


atingindo a Europa, o decreto do papa não refletiu muito no Brasil.

Porém, em 1872 tornou-se evidente a Questão Religiosa, quando os bispos


D. Vital de Oliveira (Olinda) e D. Antônio de Macedo (Belém do Pará), declararam

que todas as irmandades de suas dioceses que não excetuassem os seus integrantes
maçons seriam interditadas.

No entanto, a maçonaria tinha grande importância social para o governo


imperial, que interpôs a sua autoridade, e como consequência os bispos foram

condenados a 4 anos de prisão com trabalho forçado. Em 1875, o primeiro-ministro


Duque de Caxias entrou com um pedido de anistia para os bispos condenados, que
foi concedido pelo Imperador.
A Questão Religiosa deixou o governo politicamente destruído, e com isso

grande parte da população ficou a favor da dissociação do Estado e da Igreja,


fortalecendo ainda mais os republicanos.

As questões militares (1884 – 1886)

Após a guerra do Paraguai, o Exército brasileiro se fortaleceu, pois até então


o seu exercício era insignificante, se comparado à Guarda Nacional. A partir daí, o

setor militar brasileiro se tornou mais organizado e moderno.


Contudo, politicamente, o Exército não tinha grandes prestígios, o que
deixava os oficiais insatisfeitos. O clima tenso entre os militares e civis, conhecidos
como “fardas” e “casacas”, respectivamente, aumentava cada vez mais. E assim,

começaram a ocorrer alguns incidentes, expandindo as questões militares.


A primeira questão ocorreu quando o Coronel Sena Madureira declarou-se

publicamente através da imprensa, contra a reforma do Montepio Militar, e


considerando que atitudes como esta eram proibidas aos militares, este foi

repreendido pelo Ministério da Guerra.


A segunda questão está relacionada à prisão de Sena Madureira, que

recebeu com muita honra na Escola de Tiro do Campo Grande, o Cearense

Francisco Nascimento, um jangadeiro que impedia o embarque de escravos de


Fortaleza para o Sul, e veio para o Rio de Janeiro para participar de um comício a

favor da abolição. Como Madureira prestigiou a chegada do jangadeiro, o governo


imperial sentiu-se ofendido e ordenou a demissão do coronel da Escola de Tiro,

bem como a sua prisão. Esse fato causou a revolta de outros militares, que ao
fazerem seus manifestos também foram detidos.

A terceira questão partiu de uma inspeção de rotina feita pelo Coronel


Cunha Matos em Piauí, onde foi descoberto o extravio de fardamentos, e

negociatas com o salário dos militares. Após descobrir a corrupção, Cunha pediu o
afastamento do oficial responsável, e foi acusado de ter agido sem dignidade. Para
se defender, Cunha desobedeceu a lei e se manifestou publicamente, através da
imprensa, por isso foi punido, ficando preso por 48 horas. Com isso, um novo

conflito é iniciado. Cunha recebeu o apoio do marechal Deodoro da Fonseca, que


não suspendeu a prisão dos militares que estavam sobre o seu domínio.

Diante de uma situação irreversível e temendo uma revolta militar, o governo


imperial suspendeu as penas estabelecidas e libertou os militares presos. A

participação dos militares nos combates políticos foi uma fase evidente da queda
do Império.
A proclamação da república

Foi a vitória dos republicanos. A República era um desejo coletivo que unia,
no mesmo ideal, grupos que estavam descontentes com o Império:

Setores do exército
Camadas médias urbanas

Setores do clero (igreja)


Fazendeiros do Oeste Paulista

A Proclamação da República ocorreu no dia 15 de novembro de 1889, ela foi

imposta no Rio de Janeiro por Marechal Deodoro da Fonseca.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Questão Religiosa

http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/questao-religiosa.htm

Questão Militar
http://www.historiabrasileira.com/brasil-imperio/questao-militar/
História é Vida - O Fim do Segundo Reinado

https://www.youtube.com/watch?v=pN1zeFs_TBo
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