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HISTÓRIA

HISTÓRIA DO BRASIL COLÔNIA

Angélica Cristina de Freitas Sabbadin


Reformulação: Andréa Wolff
UNIDADE 01 - FORMAÇÃO DE PORTUGAL

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Nesta unidade estudaremos a formação de Portugal e as condições que o


fizeram colonizador do Brasil. Embora não receba tanto destaque hoje em dia,

Portugal foi um dos países mais importantes, ricos e evoluídos em determinada


época.

ESTUDANDO E REFLETINDO

A Península Ibérica foi habitada inicialmente pelos Celtas e Iberos, depois

pelos Fenícios, Gregos e Romanos. A partir do séc. V foi invadida pelos Visigodos.
No ano de 711 os muçulmanos a invadem e a conquistam, menos o

extremo norte (Astúrias), formando-se, quatro reinos cristãos: Leão, Castela,


Navarra e Aragão. Da união desses reinos inicia-se a Guerra da Reconquista
(união dos reinos cristãos para a expulsão dos muçulmano-mouros da Península
Ibérica), que
terá a participação de vários cristãos da Europa. Um deles, Henrique de Borgonha,
que se destaca e recebe do Rei Afonso VI de Leão em 1094, o Condado

Portucalense, mais a mão de sua filha Tereza. Desse casamento nascerá Afonso
Henriques. No ano de 1139, Afonso Henriques, lutaria contra a submissão do

Condado Portucalense, em relação a Leão, proclamando a independência,


tornando-se o primeiro rei da Dinastia de Borgonha.

FEUDALISMO PORTUGUÊS

O Feudalismo de Portugal assumirá características totalmente distintas do


restante da Europa Ocidental. Os fatores que colaboraram para isso se
encontrariam nos seguintes fatores:
a) Ao sul de Portugal havia a preocupação da luta contra os muçulmanos e a leste
contra as investidas dos espanhóis. Essas pressões externas sobre o novo Estado

levaram a população a cerrar fileiras em torno da figura do rei, fortalecendo a


centralização da autoridade monárquica. (impede a descentralização política,

característica do feudalismo clássico europeu).

b) As terras que o rei distribuía aos nobres, não eram dadas em caráter

hereditário. Quando estes morriam, as terras voltavam ao rei. Além disso, em


várias ocasiões, o rei entregava a terra sob a condição de poder reavê-la quando

assim decidisse. Devido a isso, eram raros, os senhores que possuíam autonomia
de fato sobre seus feudos.

c) Os burgos (municípios) recebiam do rei os forais (cartas de autonomia), que os

liberavam do domínio e do controle dos senhores feudais.

d) Desde o séc. XII já existiam muitos trabalhadores assalariados no campo. A


existência de uma mão de obra agrícola pouco numerosa condicionou os
monarcas a impulsionarem a libertação dos servos da gleba (porção de terra
cultivável).

OBS: As poucas características feudais existentes em Portugal eram: os tributos


sobre a terra e o desfrute de alguns privilégios e imunidade pela nobreza.

A DINASTIA DE BORGONHA (1139-1383)


Foi durante o reinado desta primeira dinastia, fundada por Afonso

Henriques, que se configuraram plenamente as características do feudalismo


português.
A economia de Portugal era essencialmente agrária (azeite, vinho e

cereais). No interior agricultura e pastoreio, na região litorânea começavam a se


desenvolver outras atividades ligadas à navegação, pesca artesanato e a um

incipiente comércio.
A dinastia de Borgonha, não se mostrou capaz de acompanhar as

transformações sociais e econômicas ocorridas em Portugal. Essa dinastia


indispôs-se com a classe dos mercadores, que crescera bastante nesse período, e

acabou sendo substituída pela dinastia de Avis, mais ligada aos interesses

comerciais e urbanos.
Em fins do séc. XIV Portugal, até então predominantemente agrário, passou

a desenvolver uma economia mais voltada para a navegação e o comércio. Para


entender as transformações ocorridas em Portugal, é preciso analisar o que

aconteceu durante aquele século em toda a Europa.

A CRISE DO SÉC. XIV EM PORTUGAL.


Quando falamos sobre a crise do séc. XIV, estamos nos referindo aos três

grandes flagelos que atingiram a Europa, causando uma crise que devastou o
continente. Foram eles:

Grande Fome (1315-1317) - foi consequência do crescimento populacional, das

más colheitas e da alta dos preços do cereais. A fome afetou principalmente a


população urbana, que, devido à escassez de alimentos migrou para o campo.

Peste Negra (1347-1350) - foi um surto de peste bubônica, que, agravado pelas
precárias condições de higiene e alimentação da população, dizimou um terço

dos europeus.
Guerra dos Cem Anos (1337-1453) – travada entre a França e a Inglaterra,

devastou a agricultura e desarticulou o comércio no Ocidente europeu.


Além dessa crise, os camponeses empobreciam à medida que os senhores

feudais intensificavam suas exigências com relação aos tributos, provocando


grandes revoltas camponesas conhecidas como jacqueries, que contribuíram

ainda mais para agravar a decadência do feudalismo.


Até então o comércio europeu girava em torno de dois polos principais: a

Itália ao sul e Flandres ao norte. Essas regiões se ligavam por rotas comerciais
terrestres que atravessavam o centro da Europa. Devido a crise do séc. XIV essas

rotas foram abandonadas e eles optariam por um trajeto marítimo, que partia do

Mediterrâneo, chegava ao Atlântico e, fazendo escala em Portugal, prosseguiam


em direção ao mar do Norte.

Essa nova rota impulsionou a economia portuguesa, expandindo o


comércio, desenvolvendo as cidades litorâneas e enriquecendo a burguesia

mercantil.
Nas cidades litorâneas, a burguesia passava aos poucos a formar uma

classe rica e poderosa que procurava se desembaraçar dos entraves feudais. Essa
nova classe almejava incrementar as atividades de navegação e expandir o

comércio ultramarino, uma vez que os mercados europeus já não eram seguros
nem suficientes.

A REOLUÇÃO DE AVIS

Em 1383, a morte de D. Fernando desencadeou uma luta pela sucessão ao


trono português, que serviu de estopim para a revolução de Avis. O rei não havia

deixado um filho varão e sua filha D. Beatriz era casada com D. João I de Castela.
Se ela herdasse a coroa, o reino perderia a independência política e se tornaria

domínio de Castela.
A crise sucessória dividiu a sociedade portuguesa. A nobreza era partidária

da união com Castela, que era feudal, beneficiando-a. Já a burguesia, considerava


a perda da independência uma ameaça a seus interesses, apoiariam então as
pretensões de D. João, Mestre de Avis, irmão bastardo do rei. Quando D. João foi
aclamado rei , Castela invadiu Portugal.

Em 1385, os partidários do Mestre de Avis (burguesia, pequena nobreza e a


população pobre), derrotaram os castelhanos na Batalha de Aljubarrota (Padeira),

consolidando a independência portuguesa.


A vitória das forças autonomistas ficou conhecida como revolução de Avis,

que comandaria no séc. XV a expansão marítima portuguesa.


A aliança entre a dinastia de Avis e a burguesia fortaleceu a centralização

monárquica, criando condições para a expansão das atividades comerciais e abriu

caminho as grandes navegações.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Site: História de Portugal – José Palma

http://palma1.no.sapo.pt/indexport.htm

Livro: História Geral da Civilização Brasileira – Sérgio Buarque - 4 ed. S. Paulo:


Difusão Europeia do Livro , 1971.v.1.

Livro: Eurico, o presbítero - Alexandre Herculano - 5 ed. São Paulo: Ática, 1978.

Site: Formação de Portugal

http://www.formacaoportugal.com/

Site: Formação de Monarquia Nacional Portuguesa


http://www.brasilescola.com/historiag/formacao-monarquia-nacional-

portuguesa.htm
UNIDADE 02 - INÍCIO DAS NAVEGAÇÕES

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Durante os séculos XV e XVI, os europeus, principalmente portugueses e


espanhóis, lançaram-se nos oceanos Pacífico, Índico e Atlântico com dois

objetivos principais: descobrir uma nova rota marítima para as Índias e encontrar
novas terras. Este período ficou conhecido como a “Era das Grandes Navegações

e Descobrimentos Marítimos”.

ESTUDANDO E REFLETINDO

No século XV, os países europeus que quisessem comprar especiarias


(pimenta, açafrão, gengibre, canela e outros temperos), tinham que recorrer aos

comerciantes de Veneza ou Gênova, que possuíam o monopólio destes produtos.


Com acesso aos mercados orientais - Índia era o principal - os burgueses italianos

cobravam preços exorbitantes pelas especiarias do oriente.


O canal de comunicação e transporte de mercadorias vindas do oriente era
o Mar Mediterrâneo, dominado pelos italianos. Encontrar um novo caminho para
as Índias era uma tarefa difícil, porém muito desejada. Portugal e Espanha

desejavam muito ter acesso direto às fontes orientais, para poderem também
lucrar com este interessante comércio.

Bóris Fausto (2008) afirma que, após a consolidação de Portugal como


Estado e a centralização do poder nas mãos do rei, a sociedade portuguesa

começou a se reorganizar em torno da figura do rei e a expansão marítima


ganhou destaque como um interesse de todos. Para o autor a expansão

converteu-se em:

“...uma espécie de projeto nacional, ao


qual todos, ou quase todos, aderiram e
que atravessou os séculos.” (p.23).

Estamos nos referindo a uma época em que o conhecimento sobre o

mundo era quase nulo se comparado a hoje. Portugal se lançou aos mares sem
saber o que encontraria e com a convicção de que algumas coisas não seriam tão

agradáveis. Fausto (2008) lembra que o navegante Cristovão Colombo, navegador


e explorador Genovês, responsável pela frota que alcançou o continente

americano, acreditava que poderia encontrar em outras partes do mundo,


pessoas com um olho só e outras com focinho de cachorro.
Essa indefinição do que seria encontrado foi superada pelas conquistas de
lugares com pessoas diferentes em comportamentos e costumes, mas não tão

“anormais” de fisionomia. Como Sérgio Buarque de Holanda (1995) ressalta,


Portugal tinha um espírito aventureiro e foi movido por ele até chegar ao Brasil.

Embora portugueses e espanhóis tivessem uma visão equivocada do


mundo além da Europa, eles não se intimidaram diante da vontade e da

necessidade de conquistar os mares. Os lusitanos investiram em novas técnicas de


navegação e mudaram a mentalidade, começando a acreditar na experiência

como fonte das concepções e não apenas no que algumas pensavam e diziam
sobre o assunto.
Instrumentos de Navegações

No que diz respeito ao desenvolvimento das técnicas de navegação, os

portugueses avançaram com as invenções e o aperfeiçoamento do quadrante e


do astrolábio que facilitaram a percepção em relação à localização das

embarcações. Entretanto, Fausto (2008) destaca a invenção e utilização das


famosas caravelas como o grande feito dos portugueses:

Era uma embarcação leve e veloz para as


condições da época, de pequeno calado,
permitindo por isso aproximar-se
bastante da terra firme e evitar, até certo
ponto o perigo de encalhar. A caravela
foi a menina dos olhos dos portugueses,
que a empregaram bastante nos séculos
XVI e XVII, nas viagens para o Brasil (p.
26)

A grande experiência em navegações, principalmente da pesca de


bacalhau, ajudou muito Portugal. As caravelas, principal meio de transporte

marítimo e comercial do período, eram desenvolvidas com qualidade superior à


de outras nações. Portugal contou com uma quantidade significativa de

investimentos de capital vindos da burguesia e também da nobreza, interessadas


nos lucros que este negócio poderia gerar. Neste país também houve a
preocupação com os estudos náuticos, pois os portugueses chegaram a criar até

mesmo uma centro de estudos: A Escola de Sagres.

Vista sobre a fortaleza de Sagres

Com as técnicas de navegação desenvolvidas e meio de transporte sendo


utilizados, os portugueses saíram mar afora em busca de especiarias e metais

preciosos. Experientes nos mares e sedentos por produtos, os portugueses


começaram a expansão de seus domínios pela África. Ocuparam a costa africana e

nela estabeleceram as feitorias, que eram postos fortificados de comércio (p.28).


Os feitores eram locais onde o comércio dos produtos explorados pelos lusitanos

era realizado e que necessitava de proteção, por isso era fortificado. O feitor
comprava as mercadorias dos nativos, por isso Portugal não adentrou totalmente

o continente.
Com a costa africana ocupada e sendo explorada, os portugueses

investiram nas Ilhas do Atlântico. Perderam as Ilhas Canárias para os espanhóis,


mas conquistaram a Ilha da Madeira, Cabo Verde e São Tomé. Nesses lugares

apostaram na agricultura e colonizaram as terras com a ajuda de portugueses que


tinham a posse das terras.

Esse país, pioneiro das grandes navegações, que conseguiu superar até
mesmo venezianos e genoveses no comércio marítimo, continuou sua busca por
especiarias e metais preciosos, até que em 1500 chegou às terras que lhes

renderiam as maiores riquezas já vistas.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Vídeo de Bóris Fausto sobre o pioneirismo português nos mares:

http://www.youtube.com/watch?v=vvnX_KU5ULs

Vídeo: As Grandes Navegações

http://www.youtube.com/watch?v=cGVib-cflww

Link: Navegações Portuguesas:


http://www.infoescola.com/historia/navegacoes-portuguesas/

Livro: História do Brasil – Boris Fausto – Ed.Edusp – 2012 – 14 ed.

Filme: 1492 - A Conquista do Paraíso

http://www.youtube.com/watch?v=O6fNI7MLnfY
UNIDADE 03 - O DESCOBRIMENTO EM 1500

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Portugal e Espanha eram as nações mais poderosas do mundo e se


lançaram ao mar em busca de novas terras para explorar. Usavam também o mar

como rota para chegar as Índias, grande centro comercial da época, onde
compravam especiarias (temperos, tecidos, joias) para revender na Europa com

alta lucratividade.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Os portugueses investiram em conhecimento, infraestrutura e tecnologia a


fim de expandir seus domínios e sua influência no comércio marítimo. A história

portuguesa e sua posição geográfica são outros fatores positivos para o país se
posicionar na linha da frente durante as grandes navegações.

A esquadra de Cabral contou com aproximadamente 1400 homens. Eram


marinheiros (maioria), técnicos em navegação, escrivão, cozinheiros, padre,
ajudantes entre outros.
A descoberta do Brasil ocorreu no período das grandes navegações,

quando Portugal e Espanha exploravam o oceano em busca de novas terras.


Poucos anos antes da descoberta do Brasil, em 1492, Cristóvão Colombo,

navegando pela Espanha, chegou a América, fato que ampliou as expectativas dos
exploradores. Diante do fato de ambos terem as mesmas ambições e com

objetivo de evitar guerras pela posse das terras, Portugal e Espanha assinaram o
Tratado de Tordesilhas, em 1494. De acordo com este acordo, Portugal ficou com

as terras recém descobertas que estavam a leste da linha imaginária (370 léguas a
oeste das ilhas de Cabo Verde), enquanto a Espanha ficou com as terras a oeste
desta linha.
O Descobrimento do Brasil ocorreu no dia 22 de abril de 1500. Nesta data

as caravelas da esquadra portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral,


chegou ao litoral sul do atual estado da Bahia. Era um local que havia um monte,

que foi batizado de Monte Pascoal.


No dia 24 de abril, dois dias após a chegada, ocorreu o primeiro contato

entre os indígenas brasileiros que habitavam a região e os portugueses. De


acordo com os relatos da Carta de Pero Vaz de Caminha foi um encontro pacífico

e de estranhamento, em função da grande diferença cultural entre estes dois

povos.

PRIMEIROS CONTATOS COM OS INDÍGENAS


Cabral recebeu alguns índios em sua caravela. Logo de cara, os índios

apontaram para objetos de prata e ouro. Este fato fez com que os portugueses
pesassem que houvesse estes metais preciosos no Brasil. Neste contato os

portugueses ofereceram água aos índios que tomaram e cuspiram, pois era água
velha com gosto muito diferente da água pura e fresca que os índios tomaram. Os

índios também não quiseram vinho e comida oferecidos pelos portugueses.


Neste contato, que foi um verdadeiro “choque de culturas”, houve
estranhamento de ambos os lados. Os portugueses estranharam muito o fato dos
índios andarem nus, enquanto os indígenas também estranharam as vestimentas,

barbas e as caravelas dos portugueses.

DESCOBRIMENTO OU CHEGADA?
Quando usamos o termo “Descobrimento do Brasil” parece que nossa terra

não era habitada e os portugueses foram os primeiros a encontra-la. Desta forma,


desconsideramos a presença de mais de cinco milhões de indígenas, divididos em

várias nações, que já habitavam o Brasil muito tempo antes da chegada dos
portugueses.
Portanto, muitos historiadores preferem falar em “Chegada dos

Portugueses ao Brasil”. Assim é valorizada a presença dos nativos brasileiros no


território. Diante deste contexto, podemos afirmar que os portugueses

descobriram o Brasil para os europeus.

A CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA

A carta de Pero Vaz de Caminha


A principal fonte histórica sobre o Descobrimento do Brasil é um
documento redigido por Pero Vaz de Caminha, o escrivão da esquadra de Cabral.
A "Carta de Pero Vaz de Caminha" a D. Manuel I, rei de Portugal, que conta com
detalhes aspectos da viagem, a chegada ao litoral brasileiro, os índios que
habitavam na região e os primeiros contatos entre os portugueses e os nativos.

PRIMEIRA MISSA REALIZADA NO BRASIL


A Primeira Missa no Brasil, uma das principais obras de Victor Meireles, pintado
em 1860.
Entre 24 e 25 de abril, um número maior de portugueses foi a terra e os

contatos com os índios foram frequentes. Na impossibilidade de comunicação


linguística, as tentativas de entendimento se basearam na troca de produtos entre

índios e portugueses.
No dia 26, o primeiro domingo após a Páscoa, por ordem do capitão, o

frade franciscano Henrique Soares de Coimbra rezou uma missa, no ilhéu da

Coroa Vermelha, assistida pela tripulação e, à distância, em terra firme, por cerca
de 200 índios, dos quais, ao final da missa, "muitos se levantaram e começaram a

tocar corno ou buzina, saltando e dançando por um bom tempo".


Após deixarem o local em direção à Índia, Cabral, na incerteza se a terra

descoberta tratava-se de um continente ou de uma grande ilha, alterou o nome


para Ilha de Vera Cruz. Após exploração realizada por outras expedições

portuguesas, foi descoberto tratar-se realmente de um continente, e novamente o


nome foi alterado. A nova terra passou a ser chamada de Terra de Santa Cruz.

Somente depois da descoberta do pau-brasil, ocorrida no ano de 1511, nosso país


passou a ser chamado pelo nome que conhecemos hoje: Brasil.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Site: Formação de Portugal

http://www.todamateria.com.br/formacao-de-portugal/

O descobrimento do Brasil - 22 de abril


http://www.youtube.com/watch?v=VTlWfwllOak

Memorial do Descobrimento:
http://www.memorialdodescobrimento.com.br/lingua_portuguesa/carta-de-pero-

vaz-de-caminha-ao-rei-de-portugal/

Livro: Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil. In: CAMINHA, Pero


Vaz de. Carta de Pero Vaz de Caminha. – Paulo Roberto Pereira - RJ Nova Aguilar.

Navegações Portuguesas

http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/g19.html
UNIDADE 04 - PERÍODO PRÉ COLONIAL

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

É chamado de pré-colonial o período da história do Brasil entre os anos de


1500 a 1530. Este nome é devido ao fato de que nestes 30 anos não houve

colonização portuguesa no Brasil.

Da chegada dos portugueses ao Brasil (1500) até a vinda da primeira


expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza (1531), o Brasil recebeu

expedições portuguesas voltadas para a exploração do pau-brasil, defesa e


reconhecimento territorial.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Planisfério de Cantino (1502), um dos primeiros mapas ainda existentes mostrando

o território do Brasil. A linha do Tratado de Tordesilhas também está


representada.

Mesmo com a descoberta das terras brasileiras, Portugal continuava

empenhado no comércio com as Índias, pois as especiarias que os portugueses


encontravam lá eram de grande valia para sua comercialização na Europa.
Enquanto realizava este lucrativo comércio, Portugal aqui no Brasil realizava

o extrativismo do pau-brasil, explorando da Mata Atlântica toneladas da valiosa


madeira, cuja tinta vermelha era comercializada na Europa.

Os historiadores muitas vezes distinguem duas formas de colonialismo,


principalmente com base no número de pessoas do país colonizador que se

estabelecem na colônia:

Colônia de Povoamento: Na colonização de povoamento, os colonizadores

buscam desenvolver a região colonizada. Criam leis, organizam, investem em

infra-estrutura e lutam por melhorias. Como exemplo, as Trezes Colônias, que


deram origem aos Estados Unidos da América. Essas colônias foram criadas por

pessoas que vieram morar no território. Famílias inteiras, que necessitavam de


comércio, escolas, bibliotecas, bancos, etc. Também precisavam de uma economia

diversificada, com agricultura, pesca, criação de diversos tipos de animais, e até


manufaturas. Geraram uma nação rica e desenvolvida;

Colônia de Exploração: Os colonizadores buscavam retirar recursos naturais e


minerais. Nessas colônias, pretendia-se apenas explorar o que tivesse algum lucro,

fosse pau-brasil, ouro, prata, ou até artigos plantados, como tabaco, algodão,
cana-de-açúcar, etc. Nem sempre eram famílias que vinham, e foi utilizada a mão-
de-obra escrava. Esse tipo de colônia gerou países com grandes dificuldades para
se desenvolver, com má distribuição de terras, grandes diferenças sociais,

preconceito.
As três primeiras décadas da colonização portuguesa em terras brasileiras.

Neste período o Brasil era habitado por diversas nações indígenas.

Pesquisadores calculam que havia de 3 a 4 milhões de indígenas no Brasil em


1500.

Os portugueses enviaram, para o Brasil, expedições guarda-costas e de


reconhecimento territorial.

As expedições de reconhecimento tinham como objetivo principal

encontrar metais preciosos, principalmente ouro. Não houve interesse por parte
da coroa portuguesa, nestes 30 anos, de colonizar o Brasil.
Os portugueses construíram, neste período, diversas feitorias no litoral.
Estas tinham como função armazenar madeira (pau-brasil), facilitando o

transporte para as caravelas.


Os portugueses usaram mão-de-obra indígena na exploração do pau-

brasil, em troca de espelhos, chocalhos, facas e outras bugigangas, os índios eram


convencidos a trabalharem no corte e carregamento do pau-brasil para os navios.

Esta troca de trabalho por objetos é conhecida como escambo.


A exploração do pau-brasil, principal atividade econômica desta época, era

monopólio da coroa portuguesa. Esta podia conceder a exploração à particulares


em troca do pagamento de 1/5 da madeira extraída.
Nestes 30 anos de exploração do pau-brasil, houve devastação de grande

parte da vegetação litorânea nativa. O pau-brasil foi praticamente eliminado das


matas entre o litoral do Rio de Janeiro até o do Rio Grande do Norte. Neste

período houve contrabando de pau-brasil praticado por europeus, principalmente


franceses.

A coroa portuguesa precisou enviar ao Brasil expedições de caráter militar


para proteger a costa brasileira. Cristóvão Jacques comandou uma das principais

expedições deste tipo, entre os anos de 1516 a 1526.

O "Terra Brasilis" faz parte do Atlas Miller, feito em 1519 por Jorge Reinel e
Lopo Homem.

Em 1530, o rei de Portugal D. João III resolveu dar início a colonização do


Brasil, fixando pessoas no território colonial. A diminuição dos lucros com a

exploração do pau-brasil e as constantes presenças de estrangeiros no litoral

brasileiro preocupou o monarca português.


A primeira expedição colonizadora, chefiada por Martin Afonso de Souza,

partiu de Portugal em dezembro de 1530 e chegou ao Brasil no começo de 1531.


Com cerca de 400 homens, a expedição tinha como objetivo principal dar início a

colonização do Brasil. Martin Afonso de Souza distribuiu lotes de terras


(sesmarias) e deu início ao plantio da cana-de-açúcar ao criar o primeiro engenho.
Foi somente a partir de 1531, com a expedição organizada por Martin

Afonso de Souza, que a coroa portuguesa começou a interessar-se pela


colonização da nova terra. Isso ocorreu, pois havia um grande receio dos

portugueses em perderem as novas terras para invasores que haviam ficado de


fora do tratado de Tordesilhas, como, por exemplo, franceses, holandeses e

ingleses. Navegadores e piratas destes povos estavam praticando a retirada ilegal


de madeira de nossas matas. A colonização seria uma das formas de ocupar e

proteger o território. Para tanto, os portugueses começaram a fazer experiências

com o plantio da cana-de-açúcar, visando um promissor comércio desta


mercadoria na Europa.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Carta de Caminha
http://www.baixaki.com.br/download/a-carta-pero-vaz-de-caminha.htm

Site: Editora Positiva: http://www.editorapositivo.com.br

Colônias de Povoamento:

http://www.infoescola.com/historia/colonias-de-povoamento/

Período Pré Colonial


http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/periodo-precolonial.htm

A chegada dos colonizadores portugueses

http://revistaescola.abril.com.br/historia-do-brasil/

A história do brasil por Bóris Fausto: Colônia


http://www.youtube.com/watch?v=PL9VQNkdmBI
UNIDADE 05 - OS ÍNDIOS

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

O litoral brasileiro era repleto de tribos indígenas no começo do século XVI,


época em que os portugueses chegaram ao Brasil. Como o objetivo principal dos

colonos era a obtenção de lucro na nova terra conquistada, a opção pela


escravidão indígena foi quase que imediata.

O auge da escravidão indígena no Brasil foi no período inicial da


colonização, entre os anos de 1540 e 1580.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Diversos povos indígenas habitavam o Brasil muito tempo antes da

chegada dos portugueses em 1500. Cada povo possuía sua própria cultura,
religião e costumes. Viviam basicamente da caça, pesca e agricultura. Tinham um

contato total com a natureza, pois dependiam dela para quase tudo. Os rios,
árvores, animais, ervas e plantas eram de extrema importância para a vida destes
índios. Por isso, os índios respeitavam muito a natureza.
Os índios viviam em tribos e tinham na figura do cacique o chefe político e

administrativo. O pajé era o responsável pela transmissão da cultura e dos


conhecimentos. Era o pajé que também cuidava da parte religiosa e medicinal,

através da cura com ervas, plantas e rituais religiosos.


Faziam objetos artesanais com elementos da natureza: cerâmica, palha,

cipó, madeira, dentes de animais, etc.


A religião indígena era baseada na crença em espíritos de antepassados e

forças da natureza. Os índios faziam festas e cerimônias religiosas. Nestas


ocasiões, realizavam danças, cantavam e pintavam os corpos em homenagem aos
antepassados e aos espíritos da natureza.
Historiadores calculam que existiam de 3 a 4 milhões de índios no Brasil

antes de 1500, espalhados pelos quatro cantos do país.


O contato dos índios brasileiros com os portugueses foi extremamente

prejudicial para os primeiros. Os índios foram enganados, explorados,


escravizados e, em muitos casos, massacrados pelos portugueses. Perderam terras

e foram forçados a abandonarem sua cultura em favor da europeia.

Embora muitas nações indígenas tenham enfrentado os portugueses

através de guerras, ficaram desfavorecidos, pois não tinham armas de fogo como
os portugueses.

A primeira “relação de trabalho” entre portugueses e índios brasileiros foi o


escambo. Os portugueses ofereciam objetos (espelhos, apitos, cordas, facas e etc.)

aos índios em troca do trabalho no corte e transporte de pau-brasil.


Com o estabelecimento dos engenhos de açúcar no nordeste do Brasil, os

colonos precisavam de grande quantidade de mão-de-obra. Muitos senhores de


engenho recorreram à escravização de índios. Organizavam expedições que

invadiam as tribos de forma violenta, inclusive com armas de fogo, para


sequestrarem os indígenas jovens e fortes para levarem até o engenho.
A mão-de-obra escrava indígena foi muito utilizada na segunda metade do
século XVII, principalmente no Maranhão. Os índios foram usados em pequenas

lavouras e também na exploração das "drogas do sertão". Os portugueses, ao


verificarem a presença destes produtos, acabaram encontrando uma solução para

substituir as especiarias das Índias. Pode-se considerar como drogas do sertão os


seguintes produtos: gordura do peixe-boi, ovos de tartaruga, araras e papagaios

vivos, jacarés, lontras, peles de felinos, castanhas, ervas com propriedades


curativas, fibras, tinturas, baunilha, poaia, pimentas, cascas de árvores, urucum,
guaraná, cravo, cacau e outros condimentos. Essas “drogas do sertão” eram
coletadas pelos índios na Amazônia e exportadas para a Europa, tanto por

contrabandistas, quanto por padres jesuítas. Como o acesso à região era muito
difícil, a floresta foi preservada.

A falta e o alto custo dos escravos africanos fizeram com que os colonos

optassem pelos índios. O uso dos nativos como escravos teve forte oposição dos
jesuítas, que entraram em conflito com os colonos da região.

Foi somente em 1682, com a criação da Companhia Geral de Comércio do


Estado do Maranhão, que a mão-de-obra indígena começou a deixar de ser

usada, sendo substituída pelos escravos africanos.


Houve até um mercado de negócios com escravos indígenas. Comerciantes

organizavam expedições de captura indígena para lucrar com a venda destes


escravos aos senhores de engenho.

Era muito comum a guerra entre tribos indígenas. Os portugueses


aproveitaram esta rivalidade, faziam alianças com determinadas tribos e, em troca

de apoio militar, recebiam índios adversários capturados como recompensa.


Durante as bandeiras, expedições realizadas pelos colonizadores para

capturar índios e escravizá-los e que contribuíram para ampliar as fronteiras

territoriais do país, os portugueses não estiveram sozinhos. Essas expedições


tinham, no mínimo, duas vezes mais índios do que portugueses.

No processo de colonização do Brasil ocorreram organizações de


expedições pelo interior que se dividiram entre a realização das bandeiras e

entradas. As entradas envolviam a organização do governo português que


buscava aprisionar os índios e prosperar através dos minérios, neste contexto

apareciam os bandeirantes, particulares interessados em obter riquezas, buscar


metais preciosos e capturar escravos.

Desde o início a escravidão indígena não deu certo pelos seguintes


motivos:
• Os índios não aguentava o trabalho forçado e intenso nos engenhos;
• Muitos indígenas resistiam ao trabalho forçado, não trabalhando (mesmo

recebendo punições físicas) ou tentando a todo custo fugir para a mata;


• Havia forte oposição ao trabalho escravo indígena por parte dos jesuítas

portugueses que vieram para o Brasil catequizarem os indígenas no


período colonial;

• Com o aumento do lucrativo tráfico de escravos africanos, a própria coroa


portuguesa começou a se opor à escravização indígena no final do século

XVI;
• Muitos indígenas morreriam de doenças trazidas pelos colonos
portugueses como, por exemplo, sarampo, varíola e gripe.
A partir do final do século XVI houve uma forte redução da escravidão

indígena. Isso ocorreu, principalmente, em função das dificuldades apontadas


acima e também do aumento da escravidão negra africana. Esta segunda era bem

mais lucrativa aos comerciantes e também a cora portuguesa.


Não houve também, como ocorre com a indígena, uma forte oposição dos

jesuítas ao trabalho escravo africano no Brasil.


Oficialmente, a escravidão indígena só foi proibida em 1757 através de um decreto

do Marques de Pombal que expulsava os jesuítas do Brasil. Além disso, existiam

muitas divergências entre os clérigos e os colonos.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Site: Índios do Brasil


http://www.brasilescola.com/historiab/indios-brasil.htm

Livro: O Povo Brasileiro – Darcy Ribeiro


http://www.iphi.org.br/sites/filosofia_brasil/Darcy_Ribeiro_-_O_povo_Brasileiro-

Museu do índio
http://www.museudoindio.gov.br/

Livro: Guia politicamente incorreto da História do Brasil - Leandro Narloch -


Ed.Leya.

FUNAI
http://www.funai.gov.br/

Filme: A Missão
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-2152/
UNIDADE 06 - AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Para o rei de Portugal o Brasil tinha uma extensa área a ser vigiada. Ele
pretendia povoar todo o Brasil e por isso utilizou o sistema de capitanias

hereditárias que é o controle administrativo colonial que marcou a história da


colonização portuguesa no Brasil, assim os donos das capitanias poderiam ajudá-

lo a vigiar as fronteiras brasileiras. Por essa razão todo o Brasil foi dividido em
capitanias e entregue nas mãos de pessoas de confiança do rei para que fossem

administradas.

ESTUDANDO E REFLETINDO

A partir do ano de 1530, o governo português passou a voltar os seus


interesses políticos e econômicos para as terras brasileiras. Contudo, isso exigia a

instalação de algum modelo de administração que fosse capaz de assegurar a


posse portuguesa sobre o território e, ao mesmo tempo, tornar o Brasil uma
colônia lucrativa.
Foi buscando resolver esse problema que os portugueses implantaram no

Brasil o sistema de capitanias hereditárias, em 1534. Nesse sistema, Portugal


realizava a divisão das terras brasileiras em longas faixas que partiam do litoral até

alcançar os limites do Tratado de Tordesilhas. Assim, cada faixa de terra era


considerada uma capitania. Cada capitania tinha um responsável por ela, que era

escolhido pelo rei de Portugal, e ganhava o título de donatário.


Foram eles, os donatários, que introduziram no país o gado e os animais

de carga, bem como a cana-de-açúcar, plantada pioneiramente em São Vicente. A


cana era um produto comercial de alto valor que os portugueses já cultivavam
com sucesso em suas possessões nas ilhas do Atlântico.
Ganharam o nome de Capitanias Hereditárias, pois eram transmitidas de

pai para filho (de forma hereditária).


Os donatários, no entanto, não foram isentados de pagar impostos à monarquia.

A partir da instituição
das capitanias foi inserido o sistema de sesmarias – pedaço de terra

devolvido ou abandonado, prática comum durante o Brasil - Colônia.

Cabia a estes donatários permitirem que os colonos cultivassem estes

nacos de terra e os tornassem novamente produtivos, objetivando o progresso da


agricultura.

O sistema de capitanias não funcionou muito bem. Apenas as capitanias de


São Vicente e Pernambuco deram certo. Podemos citar como motivos do

fracasso:
A grande extensão territorial para administrar (e suas obrigações);

 Falta de recursos econômicos;


 Os constantes ataques indígenas.

Martim Afonso de Souza, pertencente à nobreza portuguesa, foi um dos


principais donatários que o Brasil conheceu e que deixou um grande feito para a
história do nosso país: a Capitania de São Vicente, local no qual semeou os
alicerces da primeira povoação do Brasil. Por aqui ficou por cerca de dois anos,

somente retornando a Portugal no final do ano de 1533 ou início de 1534, e veio a


morrer em Lisboa no ano de 1571.
Capitanias hereditárias - Luís Teixeira. 1586. Lisboa, Biblioteca da Ajuda

Os beneficiários, no total de quinze, eram elementos da pequena nobreza


de Portugal, dos quais sete haviam se destacado nas campanhas da África e na

Índia, quatro eram altos funcionários da corte e um deles era capitão de confiança
de Martim Afonso de Sousa.

Não possuíam, em sua maioria, capital ou outros recursos que lhes

permitissem fazer progredir as terras, apesar dos enormes privilégios jurídicos e


fiscais que a Coroa lhes concedera. Esses privilégios incluíam o direito de fundar

cidades e de lhes atribuir direitos municipais; o direito da pena capital para


escravos, pagãos e cristãos livres das classes mais baixas; o direito de cobrar

impostos locais, exceto no que se referia à mercadorias (como o pau-brasil) que


constituíam em monopólio da Coroa; o direito de autorizar construções, como de

engenhos de açúcar, e de receber dízimas sobre determinados produtos, entre os


quais o açúcar e o peixe. De norte a sul as capitanias hereditárias iniciais eram:
Capitania Limites aproximados Donatário

Capitania do Maranhão Extremo leste da Ilha de Marajó à João de Barros e Aires da


(primeira secção) foz do rio Gurupi (PA/MA) Cunha

Capitania do Maranhão Foz do rio Gurupi (PA/MA) a Fernando Álvares de

(segunda secção) Parnaíba (PI) Andrade

Antônio Cardoso de
Capitania do Ceará Parnaíba (PI) a Fortaleza (CE)
Barros

Fortaleza (CE) à Baía da Traição João de Barros e Aires da


Capitania do Rio Grande
(PB) Cunha

Capitania de Itamaracá[2] Baía da Traição (PB) a Igaraçu (PE) Pero Lopes de Sousa

Igaraçu (PE) à foz do Rio São


Capitania de Pernambuco Duarte Coelho Pereira
Francisco (AL/SE)

Capitania da Baía de Foz do Rio São Francisco (AL/SE) a Francisco Pereira

Todos os Santos Itaparica (BA) Coutinho

Jorge de Figueiredo
Capitania de Ilhéus Itaparica a Comandatuba (BA)
Correia

Capitania de Porto Seguro Comandatuba a Mucuri (BA) Pero do Campo Tourinho

Vasco Fernandes
Capitania do Espírito Santo Mucuri (BA) a Itapemirim (ES)
Coutinho

Capitania de São Tomé Itapemirim (ES) a Macaé (RJ) Pero de Góis da Silveira

Capitania de São Vicente


Macaé (RJ) a Caraguatatuba (SP) Martim Afonso de Sousa
(primeira secção)[3]

Capitania de Santo Amaro Caraguatatuba (SP) a Bertioga (SP) Pero Lopes de Sousa

Capitania de São Vicente Bertioga (SP) a Cananeia/Ilha do


Martim Afonso de Sousa
(segunda secção) Mel (PR)

Capitania de Santana Ilha do Mel/Cananeia (SP) a Laguna Pero Lopes de Sousa


(SC)

Mesmo com todas essas motivações e um modelo já organizado, o sistema


de capitanias hereditárias não atingiu o sucesso esperado.

Por fim, devemos também salientar a presença e a resistência das


populações indígenas, que se sentiam injustiçadas com a ocupação promovida

pelos portugueses.
Ao mostrar claros sinais de ineficiência, o sistema de capitanias hereditárias

foi progressivamente substituído pelo Governo Geral. As duas únicas exceções do


grande fracasso desse modelo foram notadas nas capitanias de São Vicente (atual

estado de São Paulo) e Pernambuco.


Nessas duas regiões, o sistema prosperou graças aos rápidos lucros

obtidos pela exploração da cana de açúcar que era exportada para a Europa.
Somente no ano de 1759, sob as ordens do marquês de Pombal, que o sistema de

capitanias foi completamente extinto dando lugar somente ao Governo Geral.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Vídeo: As capitanias hereditárias –


http://www.youtube.com/watch?v=9wcvub23GUU

LIVRO: Formação do Brasil contemporâneo: colônia. São Paulo – Caio Prado Junior.
Companhia das Letras, 2011. p. 324.

Site: Capitanias Hereditárias


http://www.clickestudante.com/o-que-foram-as-capitanias-hereditarias.html

Site: O Sistema de Capitanias Hereditárias


http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/cap_hereditarias.html

Site: As Capitanias Hereditárias e a Administração colonial


http://www.historiadobrasil.net/capitaniashereditarias/
UNIDADE 07 - OS PRIMEIROS TEMPOS COLONIAIS

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Os passos iniciais da colonização do Brasil foram dados a partir da criação


de núcleos de colonização. Em dezembro de 1530, partiu de Lisboa uma grande

expedição composta por 50 embarcações transportando homens, ferramentas,

sementes e víveres. Comandada por Martim Afonso de Souza, teve como objetivo
estabelecer os primeiros núcleos de povoamento permanente no país.

ESTUDANDO E REFLETINDO

“Gente alegre e formosa”, assim descrito por Pero Vaz de Caminha, nas

primeiras impressões do povo que habitava a terra brasileira, mas que não
demoraria a começar a sofrer nas mãos dos portugueses. Aculturação, exploração,

mortes por causa de epidemias e doenças trazidas pelos europeus. Para a maioria
da população indígena foi isso que a chegada dos portugueses representou.

Entre os anos de 1500 e 1535 não houve a preocupação de se povoar o


Brasil. Nesse período os lusitanos apenas exploraram o pau-brasil, utilizando a

mão de obra indígena.


O pau-brasil possuía duas utilidades: a madeira era a matéria prima para a

fabricação de móveis e navios e seu cerne, de cor avermelhada, utilizado como


corante. Sua extração era feita pelos índios que em troca do trabalho recebiam

dos portugueses utensílios que não conheciam e que também não tinham valor
nenhum para os europeus, como pentes, escovas e espelhos. Conforme as árvores

da costa foram acabando, o conhecimento que os índios tinham do restante do


território ajudou os portugueses a adentrarem o Brasil para explorar a madeira.

No entanto, a França acabou forçando uma mudança de planos do rei


português. Os franceses eram adeptos da ideia de que uma área pertencia a
quem a ocupasse e a explorasse. Assim, desembarcaram no Brasil e começaram a

piratear o pau-brasil. Essa atitude fez com que Portugal se preocupasse em


colonizar efetivamente o Brasil.

Em 1530, Martim Afonso de Sousa comandava uma expedição rumo ao Brasil e


com a intenção de dividir o território e colonizar as terras.

Cada vez mais enfraquecidas e progressivamente retomadas pela Coroa, o


sistema de Capitanias Hereditárias vigorou até o ano de 1759, quando foi extinto

pelo Marquês de Pombal. Mas deixam sua marca na ocupação do território,

sobretudo da faixa litorânea, e na formação política do país. Além de fixar o nome


de muitos dos atuais estados brasileiros, as capitanias dão origem a uma estrutura

de poder regional que ainda se mantém atuante.


O fracasso das colônias e a possibilidade de fracasso com o comércio das

Índias e do império português na África fizeram com que o Rei Dom João III
tomasse a atitude de estabelecer um governo geral para o Brasil.

Charge: “ou Portugal acertava ou as nações europeias governariam essa

terra”.

Tomé de Souza foi político português, militar e primeiro governador-geral


do Brasil. Foi enviado ao Brasil pela corte portuguesa em março de 1549. Sua

missão era estabelecer um novo sistema de administração política no Brasil: o


governo-geral.
Atuou também no combate aos indígenas rebeldes e na defesa militar do

litoral brasileiro. A expedição chefiada por Tomé de Souza, que chegou à Bahia
em 1549, contava com cerca de mil homens, além dos primeiros jesuítas.

Chegada de Tomé de Sousa à Bahia

Em vias gerais, o governador-geral deveria viabilizar a criação de novos


engenhos, a integração dos indígenas com os centros de colonização, o combate

do comércio ilegal, construir embarcações, defender os colonos e realizar a busca

por metais preciosos. Mesmo que centralizadora essa experiência não determinou
que o governador cumprisse todas essas tarefas por si só. De tal modo, o

governo-geral trouxe a criação de novos cargos administrativos.


A primeira capital brasileira, Salvador da Bahia de Todos os Santos, foi

fundada em 1549 a primeira cidade do Brasil e Capital do País até 1763, quando
essa função foi transferida para o Rio de Janeiro.

Na Bahia aportaram colonos, soldados, funcionários públicos, cobradores


de impostos, padres, engenheiros, barbeiros, comerciantes e muitos outros

profissionais que, por determinações do rei de Portugal, vieram formar e construir


a primeira cidade brasileira. São Paulo de Piratininga, em 1554; e São Sebastião do

Rio de Janeiro, em 1565.


Ao contrário do que se possa imaginar, o sistema de capitanias hereditárias

não foi prontamente descartado com a organização do governo-geral. No ano de


1759, a capitania de São Vicente foi a última a ser destituída pela ação oficial do
governo português. Com isso, observamos que essas formas de organização

administrativa conviveram durante um bom tempo na colônia.

Fundação de São Vicente, por Benedito Calixto

Nos tempos da fundação da vila de São Vicente, a região era dominada

por grupos tupis, majoritariamente tamoios, os quais mantiveram uma convivência


pacífica com os portugueses.

Martim Afonso instalou um pelourinho, uma igreja, uma câmara e


engenhos para a manufatura do açúcar. Além do plantio da cana, desenvolveu-se

também a agricultura de subsistência e a pecuária. A vila, por suas características


geográficas, tornou-se um eficiente ponto de parada para o reabastecimento dos

navios e para o tráfico de escravos índios.


De lá também saíram as primeiras expedições para o interior, inclusive a

que fundou a cidade de São Paulo.


Ao findar a terceira década, a Bahia possuía três vilas: Porto Seguro,

fundada em 1535; São Jorge dos Ilhéus, hoje Ilhéus, em 1536; e Santa Cruz, hoje
Santa Cruz Cabrália, também em 1536.

Fora da Bahia foram fundadas São Vicente, em São Paulo, em 1532;


Igarassu, em Pernambuco; e Espírito Santo, no Espírito Santo, ambas em 1535.
A rede urbana brasileira, no final do século XVII, tinha quase 60 núcleos.

Este desenvolvimento urbano privilegiou São Paulo, até então com apenas seis
núcleos, número ampliado para 16.

Assim, enquanto o primeiro século da colonização privilegiou a Bahia, o


segundo prestigiou o Sudeste, principalmente São Paulo. Já o terceiro século foi

marcado pela interiorização do processo de fundação de vilas e cidades


associadas ao ciclo da mineração.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Vídeo: Bóris Fausto sobre o pioneirismo português nos mares:


http://www.youtube.com/watch?v=vvnX_KU5ULs

Site: Sistemas de Capitanias

http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/cap_hereditarias.html

Livro: Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. – Eduardo Bueno Rio
de Janeiro; Edit. Objetiva,

Site: A Vila de São Vicente

http://www.saovicente.sp.gov.br/
UNIDADE 08 - ESTADO E IGREJA

A presença da Igreja Católica foi constante nos primeiros anos da


colonização. Como de costume em grande parte da Europa, Estado e Igreja

estavam ligados um ao outro. Fausto (2008) afirma que:

... a religião do Estado era a católica e os


súditos, isto é, os membros da
sociedade, deviam ser católicos (p.60).

A atuação dos jesuítas no Brasil estava relacionada à catequização dos

índios. E eles desempenharam esse papel com muita vontade e zelo.


Del Priore e Venâncio (2010) lembram que Mem de Sá, terceiro governador

geral do Brasil, chegou a dizer que o que o levou a povoar o Brasil:

... foi que a gente do Brasil se


convertesse à nossa santa fé católica
(p.28).

Reconhecemos a ligação entre Estado e Igreja pelo simples fato de que


apenas quatro dias após a chegada dos portugueses a, já era rezada a primeira
missa do Brasil.

A primeira cidade do Brasil foi Salvador, fundada por Tome de Souza, em


1549, na baia de Todos os Santos. Para construí-la o governador-geral teve a

ajuda dos jesuítas, chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega; dos índios de Diogo
Álvares, o Caramuru, e dos antigos colonos.

Foram logo construídas as primeiras casas, como a do Governo e a do


Colégio dos Jesuítas. Também foram levantadas as fortificações para a defesa da
cidade contra o ataque dos índios e dos estrangeiros.
Diversas ordens religiosas lançaram-se para cumprir essa função, em
especial a Companhia de Jesus, uma ordem religiosa espanhola, foi a mais
interessada em explorar o território português. Apesar de não ter sido a primeira

ordem a aqui se instalar (aos franciscanos coube também no Brasil essa


precedência), tomou-se a mais importante e a que maior influência teve na vida

colonial brasileira.
Os jesuítas foram encarregados da educação dado aos moradores das

colônias, essa educação era dividida entre a educação dada às baixas classes e às
altas classes. Também prestavam trabalhos de sacerdócio aos que quisessem

seguir a carreira. Por fim, os jesuítas passam ao trabalho de catequização dos

índios, um processo no qual se ensinava ao índio a religião cristã.


O processo de catequização indígena acabava por “matar” o índio que

existia, pois o tornava mais suscetível ao ataque dos colonos que tinham intuito
de roubar o índio para trabalhar como escravo nas plantações. Sim, antes do

escravo africano foram utilizados os escravos indígenas, mas esses foram


progressivamente deixados de lado, pois eram muito rebeldes. Além de,

obviamente, ao ensinarem o Índio, fazerem com que ele se tornasse um ótimo


escravo, pois ele aprendia também técnicas de agricultura.

Em janeiro de 1554, um grupo de jesuítas, comandado pelos padres


Manuel da Nóbrega, superior da ordem no Brasil, e José de Anchieta, chega ao

planalto paulista, auxiliado por João Ramalho. Com o objetivo de catequizar os


índios que viviam na região, os jesuítas erguem um barracão de taipa de pilão, em
uma colina alta e plana, localizada entre os rios Tietê, Anhangabaú e

Tamanduateí, com a anuência do cacique Tibiriçá, que comandava uma aldeia de


guaianases nas proximidades. Em 25 de janeiro daquele ano,o padre Manuel de

Paiva celebra a primeira missa na colina. A celebração marcou o início da


instalação dos jesuítas no local, e entrou para a história como nascimento da

cidade de São Paulo.

Fundação de São Paulo, 1913. Pintura de Antônio Parreiras

Dois anos depois, os padres erguem uma igreja – a primeira edificação


duradoura do povoado. Em seguida, ergueram o colégio e o pavilhão com os

aposentos, onde hoje encontra-se o Pátio do Colégio.


Duarte da Costa (1553 a 1558) e depois Mem de Sá (1558 a 1572) segundo e

terceiro governadores gerais da colônia, enfrentaram o problema da defesa do


território brasileiro na baía da Guanabara, atual Rio de Janeiro. Durante o período

de 1555 a 1567, os franceses fundaram um povoamento conhecido como França


Antártica. Coube principalmente a Mem de Sá (auxiliado pelo seu sobrinho Estácio

de Sá) combater os franceses e posteriormente os indígenas que atacaram a


região do planalto de Piratinga (atual São Paulo).

Os franceses invadiram o território por uma questão óbvia: estavam pouco


se importando com o tal de “Tratado de Tordesilhas”, já o problema com os

indígenas era mais complicado. Índios Tupinambás, Carijós Guarayás e parte dos
Tupiniquins dos arredores de Piratininga fizeram uma enorme aliança contra a

escravização por parte dos colonizadores e contra as aldeias jesuítas.


Os índios tinham vantagem enquanto obtinham apoio material, recebendo

armas de fogo dos franceses, porém quando esses foram expulsos do território, o
poder dos indígenas ficou reduzido, no fim, uma forte epidemia de varíola atacou

todo o litoral, varrendo boa parte dos indígenas, isso aliado a participação dos
próprios jesuítas na guerra e de um grande reforço de militares portugueses

resultaram na extinção dos índios Tupinambás

Vários outros grupos de clérigos católicos vieram também à colônia


portuguesa com a missão principal de evangelizar os indígenas, como as ordens

dos franciscanos e dos carmelitas, levando a eles a doutrina cristã. Esse processo
se interligou às próprias necessidades dos interesses mercantis e políticos

europeus no Brasil, como base ideológica da conquista e colonização das novas


terras. As consequências foram o aculturamento das populações indígenas e os

esforços no sentido de disciplinar, de acordo com os preceitos cristãos europeus,


a população que aqui habitava, principalmente através de ações educacionais.

As relações entre Igreja Católica e Estado foram estreitas no Brasil tanto na


colônia quanto no Império, pois, além de garantir a disciplina social dentro de
certos limites, a igreja também executava tarefas administrativas que hoje são
atribuições do Estado, como o registro de nascimentos, mortes e casamentos.

Contribuiu ainda a Igreja com a manutenção de hospitais, principalmente as


Santas Casas. Em contrapartida, o Estado nomeava bispos e párocos, além de

conceder licenças à construção de novas igrejas.


O cenário mudou com a nomeação do Marquês de Pombal, que afastou a

influência da Igreja Católica da administração do Estado. Após sua morte, os laços


voltaram a se estreitar, perpassando por todo o período imperial brasileiro no

século XIX.
BUSCANDO CONHECIMENTO

Livro: História Geral da Civilização Brasileira - Sérgio Buarque de Holanda

Livro: História do Brasil - Boris Fausto:

Livro: O livro de ouro da história do Brasil: do descobrimento à globalização. –

Mary Del Priore e Renato Pinto Venâncio - Rio de Janeiro: Ediouro, 2001

Vídeo: Jesuítas no Brasil.

http://www.youtube.com/watch?v=LG1-K3ltqS8
UNIDADE 09 - AS INVASÕES INGLESA, FRANCESA E HOLANDESA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Durante os séculos XVI e XVII, o Brasil sofreu saques, ataques e ocupações


de países europeus. Estes ataques ocorreram na região litorânea e eram

organizados por corsários ou governantes europeus. Tinham como objetivos o


saque de recursos naturais ou até mesmo o domínio de determinadas regiões.

Ingleses, franceses e holandeses foram os povos que mais participaram destas


invasões nos primeiros séculos da História do Brasil Colonial

ESTUDANDO E REFLETINDO

Invasões Inglesas

Durante o período colonial, as incursões inglesas no Brasil restringiram-se a


ataques de piratas e corsários. Foram saques ocasionais, que tornaram a presença

inglesa na colônia bem menos intensa que a francesa e a holandesa.


Embora tanto a pirataria quanto o corso se caracterizassem pela pilhagem
e pelo saque, o pirata agia por conta própria, enquanto o corsário tinha o apoio
oficial de uma entidade ou governo.

O primeiro corsário inglês a aportar na colônia foi o traficante de escravos


William Hawkins. Entre 1530 e 1532, percorreu alguns pontos da costa e fez

escambo de pau-brasil com os índios.


Em 1591, sob o comando do corsário inglês Thomas Cavendish, ingleses

saquearam, invadiram e ocuparam, por quase três meses, as cidades de São


Vicente e Santos. Conhecido como “lobo-do-mar”, Cavendish estava a serviço da

rainha inglesa Elizabeth I.


O corso realizado pelos ingleses, entretanto, intensificou-se apenas na
segunda metade do século XVI, quando os conflitos entre católicos e protestantes
tomaram-se intensos na Inglaterra e os mercadores empolgaram-se com as

possibilidades comerciais abertas pelas novas rotas marítimas.


Em 1595, o inglês James Lancaster conseguiu tomar o porto do Recife.

Retirou grande volume de pau-brasil, que levou para a Inglaterra depois de


realizar saques na capitania durante mais de um mês.

Invasões Francesas

Os franceses invadiram o Brasil em duas ocasiões e estabeleceram colônias

no território:

• No Rio de Janeiro (1555-1567), fundaram a França Antártica;


• No Maranhão (1612-1615), a França Equinocial.

Um dos motivos das invasões foi o fato de que o Tratado de Tordesilhas,

assinado entre Portugal e Espanha, excluía a França e outras nações da divisão do


Novo Mundo. Essas nações ficavam à margem das cobiçadas riquezas brasileiras,

como o pau-brasil, a pimenta nativa e o algodão.


A primeira invasão da França foi comandada por Villegaignon. Os franceses
se estabeleceram na baía de Guanabara em novembro de 1555, onde fundaram a
França Antártica. Para facilitar sua permanência na região, aliaram-se aos índios
tamoios, apoiando-os na luta contra os portugueses.
O governador-geral Duarte da Costa empreendeu diversas tentativas de

expulsar os franceses, mas não obteve sucesso. Isso só aconteceu em 1567, sob o
comando de Estácio de Sá, sobrinho do terceiro governador-geral, Mem de Sá.

Para isso, contou com o apoio de jesuítas, colonos e algumas populações


indígenas da região, além de reforços mandados pela metrópole.

Expulsos do Rio de Janeiro, os franceses voltaram-se para a região norte da


colônia. Comandados por La Touche, em 1612 ergueram no Maranhão o forte de
São Luís, em homenagem ao rei francês Luís XIII, e fundaram ali a França
Equinocial. Foram expulsos três anos depois, graças a uma aliança luso-espanhola
com o apoio dos índios tremembés.
Invasões Holandesas

Os holandeses invadiram e ocuparam o território do Brasil em duas ocasiões:

• Em 1624, invasão na Bahia;


• Em 1630, invasão em Pernambuco.

A Holanda, na época, era dominada pela Espanha e lutava por sua

independência. As invasões constituíram um modo de atingir as bases coloniais


espanholas - uma vez que, de 1580 a 1640, período conhecido como União

Ibérica, o Brasil pertencia às duas Coroas: Portugal e Espanha.


A situação econômica da Holanda, além disso, era difícil, devido ao

embargo imposto pela Espanha: os holandeses estavam proibidos de comerciar


com qualquer região dominada pela Espanha, perdendo assim o direito de refinar

e distribuir o açúcar produzido no Brasil, como vinha fazendo havia vários anos.
As invasões holandesas foram o maior conflito político-militar da colônia.

Embora concentradas no atual Nordeste, não se resumiram a um episódio


regional.
Em 1624, 500 canhões carregados por 26 navios de holandeses invadem o
Brasil pela primeira vez, aportando na cidade de Salvador, principal centro

administrativo da época. Entretanto, um ano depois foram expulsos por uma


poderosa armada dos espanhóis, que chegou a enviar até 14 mil homens para

combatê-los.
Em 1630, novamente os holandeses tentam invadir o território brasileiro,

desta vez no estado de Pernambuco, dominando as cidades de Recife e Olinda.


Com a efetividade da conquista, nomearam, em 1637, o conde Maurício de

Nassau para liderar o então Brasil-holandês.


Enquanto administrou a região nordestina, Nassau buscou apoio dos

senhores de engenho, oferecendo-lhes recursos financeiros na aquisição de


escravos e equipamentos necessários para produção do açúcar.

Nassau também foi responsável por um intenso processo de urbanização


das cidades de Recife e Olinda, construindo hospitais, asilos e ladrilhos nas ruas da

região.
Por volta de 1640, os senhores de engenho nordestinos estavam

insatisfeitos com os altos impostos cobrados pelos holandeses; e os portugueses,

que conseguiram tornarem-se independentes da política expansionista da


Espanha, decidiram retomar seu domínio pela colônia brasileira. De certa forma,

ambos queriam que os holandeses fossem expulsos do país.


Com a partida de Nassau, em 1644, os conflitos entre holandeses e

brasileiros só se intensificariam. O Brasil liderou diversas tentativas de resistência,


lutando na Batalha dos Guararapes e Campina de Tamborda com o apoio dos

senhores de engenho, tribos indígenas e ex-escravos. Pelo florescimento do


nacionalismo brasileiro, tais batalhas foram a força motriz para a organização do

primeiro Exército do país.


Após inúmeras batalhas, em 1654 os holandeses foram expulsos com a
Insurreição Pernambucana, depois de anos de aprisionamento. Entretanto, a
economia colonial seria fortemente abalada, pois os holandeses detinham grande

parte do conhecimento técnico da produção açucareira.


Assim que foram expulsos, os holandeses dominaram a região das Antilhas,

forçando uma concorrência com a extração de cana brasileira. Os portugueses,


retomando o domínio no Brasil, tiveram que explorar outros campos para

estabilizar a economia do país, iniciando um amplo processo de extração de ouro,


prata e minério na região de Minas Gerais.
BUSCANDO CONHECIMENTO

Revista: Nova Escola – Invações Francesas e Holandesas

http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/franca-holanda-
brasil-colonia-invasoes-621818.shtml

Livro: Cinco séculos de presença francesa no Brasil - invasões, missões e irrupções

- Perrone-Moises, Leyla - Editora: Edusp

Livro: O Brasil e os Holandeses, de Evaldo Cabral de Mello

Site: Educação Uol – Invasões estrangeiras

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u11.jhtm

Site: Info Escola – Invasões holandesas


http://www.infoescola.com/historia/invasoes-holandesas-no-brasil/
UNIDADE 10 - A COLONIZAÇÃO DO NORTE, SUDESTE E CENTRO SUL

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Preocupado com a possibilidade real de invasão do Brasil por outras


nações (holandeses, ingleses e franceses), o rei de Portugal Dom João III, que

ficou conhecido como “o Colonizador”, resolveu colonizar o litoral brasileiro.


Povoando, protegendo e desenvolvendo a colônia, seria mais difícil de

perdê-la para outros países. Teve início assim a efetiva colonização do Brasil

ESTUDANDO E REFLETINDO

A colonização do Norte
Até 1612, quando os franceses se estabeleceram no Maranhão, fundando

São Luís, os portugueses não tinham demonstrado maior interesse por se instalar
na região. Os riscos de perda territorial levaram à luta contra os franceses que ali

se tinham instalado e, em 1616, à fundação de Belém. Essa foi a base de uma


gradual penetração pelo Rio Amazonas, percorrido na viagem de Pedro Teixeira
(1637) até o Peru.
A influência indígena foi nítida, tanto em termos numéricos como culturais,

houve uma extensa mestiçagem da população, mesmo porque as mulheres


brancas eram raras, apesar dos esforços de enviar emigrantes dos Açores para

São Luís.
Se todas as regiões do Brasil colonial tiveram problemas de escassez de

moeda, no Norte esse fato seria ainda mais acentuado. Até meados do século
XVIII, foram freqüentes as trocas diretas de produtos, ou a utilização de pano de

algodão ou de cacau como moeda. Por essa época, o Maranhão transformou-se


rapidamente em importante região produtora de algodão e o seu plantio se
estendeu ao Nordeste. No seu conjunto, a produção do Norte baseou-se nos
produtos da floresta, as chamadas "drogas do sertão", como a baunilha, a

salsaparrilha e sobretudo o cacau nativo, colhido por índios e mestiços ao longo


dos rios e trazido até Belém.5656

Conflitos entre representantes da Coroa, colonizadores e religiosos foram


constantes na região. Os jesuítas eram muito visados, pois tinham, um projeto de

aculturação e controle dos indígenas diverso dos colonizadores. Além disso,


possuíam extensas fazendas de gado, plantações de algodão, engenhos e

participavam ativamente do comércio das drogas do sertão. Muito antes da época

do Marquês de Pombal, eles enfrentaram uma série de problemas, sendo


expulsos do Maranhão em 1684. Com o apoio da Coroa, voltaram dois anos

depois, mas o equilíbrio entre missionários e colonos seria sempre precário até a
expulsão definitiva dos jesuítas, em 1759.

A colonização do Sudeste e do Centro Sul

A colonização da Capitania de São Vicente começou, como a do Nordeste,


pelo litoral, com o plantio de cana e a construção de engenhos. Essa atividade

não foi muito longe. O açúcar produzido concorria desvantajosamente com o do


Nordeste, seja pela qualidade do solo, seja pela maior distância dos portos
europeus.
Por outro lado, a existência de índios, em grande número, atraiu para a

região os primeiros jesuítas. Padres e colonizadores, com objetivos diferentes,


iriam se atirar a uma grande aventura no rumo do interior: a escalada da Serra do

Mar, abrindo caminho por trilhas indígenas até chegar ao Planalto de Piratininga a
uma altura de oitocentos metros. Em 1554, os padres Nóbrega e Anchieta

fundaram no planalto a povoação de São Paulo, convertida em vila em 1561, aí


instalando o colégio dos jesuítas.

Separados da costa pela barreira natural, os primeiros colonizadores e os


missionários se voltaram cada vez mais para o sertão, percorrendo caminhos com
a ajuda dos índios e utilizando-se da rede fluvial formada pelo Tietê, o Paranaíba

e outros rios.
Houve algumas semelhanças entre a região paulista em seus tempos mais

remotos e a periferia do Norte do Brasil: fraqueza de uma agricultura exportadora,


forte presença de índios, disputa entre colonizadores e missionários pelo controle

daqueles, escassez de moeda e freqüente uso da troca nas relações comerciais.


Um extenso cruzamento, incentivado pelo número muito pequeno de

mulheres brancas, deu origem ao mestiço de branco com índio, chamado de

mameluco. O tupi era uma língua dominante até o século XVIII. Os portugueses
de São Paulo adotaram muitos dos hábitos e habilidades indígenas, tornando-se

tão capazes de usar o arco e a flecha como as armas de fogo.


Mais uma vez, missionários e colonizadores se chocaram, dados os seus

métodos e objetivos diversos na subordinação dos índios. Por exemplo, decisões


do papa e da Coroa (1639-1640) reiterando os limites à escravização indígena

provocaram violentas reações no Rio de Janeiro, em Santos e em São Paulo. Os


jesuítas foram expulsos da região, só retornando a São Paulo em 1653.

Apesar das semelhanças iniciais com o Norte, a região de São Paulo teria,
já a partir de fins do século XVI, uma história bem peculiar. Os povoadores
combinaram o plantio da uva, do algodão e sobretudo do trigo com outras
atividades que os levaram a uma profunda interiorização nas áreas desconhecidas

ou pouco exploradas do Brasil. Criadores de gado paulistas espalharam-se pelo


Nordeste, penetrando no Vale do Rio São Francisco até chegar ao Piauí.

A grande marca deixada pelos paulistas na vida colonial do século XVII


foram as bandeiras. Expedições que reuniam às vezes milhares de índios

lançavam-se pelo sertão, aí passando meses e às vezes anos, em busca de


indígenas a serem escravizados e metais preciosos. Não é difícil entender que

índios já cativos participassem sem maiores problemas dessas expedições, pois,


como vimos, a guerra - ao contrário da agricultura - era uma atividade própria do
homem nas sociedades indígenas. O número de mamelucos e índios sempre
superou o dos brancos. A grande bandeira de Manuel Preto e Raposo Tavares

que atacou a região do Guaíra em 1629, por exemplo, era composta de 69


brancos, 900 mamelucos e 2 mil indígenas.

As bandeiras tomaram as direções de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e


as regiões onde se localizavam as aldeias de índios guaranis organizadas pelos

jesuítas espanhóis. Dentre elas, destacava-se o Guaíra, situado no oeste do


Paraná, entre os Rios Paranapanema e Iguaçu, região onde os bandeirantes

empreenderam seguidas campanhas de saques, destruição e apresamento de

índios.
Raposo Tavares percorreu, entre 1648 e 1652, um roteiro de 12 mil

quilômetros: caminhou em direção ao Paraguai até os contrafortes dos Andes,


seguiu depois no rumo nordeste atravessando o atual Estado de Rondônia, para

depois descer os Rios Mamoré e Madeira e, pelo Amazonas, chegar afinal a


Belém.

No Sul, o atual Paraná - onde ocorreram algumas tentativas de mineração

- tornou-se uma extensão de São Paulo. O gado esparramou-se por Santa


Catarina, o Rio Grande do Sul e a Banda Oriental (Uruguai).
Iniciativas individuais combinaram-se com a ação da Coroa, interessada em
assegurar a ocupação da área e estender o mais possível a fronteira com a

América espanhola. Imigrantes trazidos do Arquipélago dos Açores e paulistas


fundaram Laguna em Santa Catarina (1684).

Alguns anos antes (1680), os portugueses haviam estabelecido às margens


do Rio da Prata, em frente a Buenos Aires, a Colônia do Sacramento, pretendendo

com isso interferir no comércio do alto Peru, especialmente da prata, que


transitava pelo rio, no rumo do exterior.

Observadores jesuítas estimaram em 300 mil o número de índios


capturados apenas nas missões do Paraguai. Este número pode ser exagerado,
mas outras estimativas também são sempre elevadas.
BUSCANDO CONHECIMENTO

Livro: Brasiol: Uma História – Eduardo Bueno 2ª ed. SP. Ática. 2003.

Livro: Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda

Site: Relendo Raízes do Brasil

http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=549

Vídeo: Expansão territorial do Brasil

http://www.youtube.com/watch?v=p3RC9KjFNwQ

Enciclopédia Larousse Cultural


http://pt.wikipedia.org/wiki/Larousse_Cultural
UNIDADE 11 – BANDEIRANTES

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Os bandeirantes eram os sertanistas da época do Brasil Colônia. A partir do


século XVI, eles exploravam os sertões do país à procura de riquezas,

principalmente a prata, que poderia ser encontrada em abundância em toda a


América Espanhola, além dos índios para escravizar e extermínio de quilombos.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Os bandeirantes saiam de São Vicente e São Paulo e adentravam o interior

do país, explorando o desconhecido. Essas explorações que eles faziam


frequentemente ficaram conhecidas como Bandeiras ou Entradas.

Entradas: tratava-se das expedições que eram organizadas pelo próprio

governo, as “oficiais”.
 Bandeiras: ao contrário da anterior, essas expedições eram organizadas e
financiadas por particulares, como os senhores de engenho, comerciantes,
proprietários de minas, entre outros.

Estes homens, que saiam de São Paulo e São Vicente, dirigiam-se para o

interior do Brasil caminhando através de florestas e também seguindo caminho


por rios, o Rio Tietê foi um dos principais meios de acesso para o interior de São

Paulo. Estas explorações territoriais eram chamadas de Entradas ou Bandeiras.


Estas expedições tinham como objetivo predominante capturar os índios e

procurar por pedras e metais preciosos. Contudo, estes homens ficaram


historicamente conhecidos como os responsáveis pela conquista de grande parte
do território brasileiro. Alguns chegaram até fora do território brasileiro, em locais

como a Bolívia e o Uruguai.


Do século XVII em diante, o interesse dos portugueses passou a ser a

procura por ouro e pedras preciosas. Então, os bandeirantes Fernão Dias Pais e
seu genro Manuel Borba Gato, concentraram-se nestas buscas desbravando

Minas Gerais.

"Os Bandeirantes" (óleo sobre tela de Henrique Bernardelli)

Alguns dos bandeirantes que ganharam destaque nessa ocasião:


• Antonio Pedroso;

• Francisco Bueno;
• Jerônimo Leitão.

• Fernão Dias Pais


• Manuel Borba Gato

• Bartolomeu Bueno da Veiga (Anhanguera)


• Domingo Jorge Velho
• Antônio Raposo Tavares

• Nicolau Barreto
• Manuel Preto

Depois outros bandeirantes foram para além da linha do Tratado de


Tordesilhas e descobriram o ouro. Muitos aventureiros os seguiram, e, estes,

permaneceram em Goiás e Mato Grosso dando início a formação das primeiras


cidades. Nessa ocasião destacaram-se: Antonio Pedroso, Alvarenga e Bartolomeu

Bueno da Veiga, o Anhanguera.

Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista

Outros bandeirantes que fizeram nome neste período foram: Jerônimo

Leitão (primeira bandeira conhecida), Nicolau Barreto (seguiu trajeto pelo Tietê e
Paraná e regressou com índios capturados), Antônio Raposo Tavares (atacou

missões jesuítas espanholas para capturar índios), Francisco Bueno (missões no Sul
até o Uruguai).

Os bandeirantes foram responsáveis pela expansão do território brasileiro,


desbravando os sertões além do Tratado de Tordesilhas. Por outro lado, agiram

de forma violenta na caça de indígenas e de escravos foragidos, contribuindo para


a manutenção do sistema escravocrata que vigorava no Brasil Colônia.
Houve três tipos de bandeiras:
Apresador, para a captura de índios, chamado, indistintamente, "o gentio", para

vender como escravos;

Prospector, voltadas para a busca de pedras ou metais preciosos

Sertanismo de contrato, para combater índios e negros (quilombos).

De início, eram aprisionados os índios sem contato com o homem branco.

Posteriormente, passaram a aprisionar os índios catequizados, reunidos nas


missões jesuíticas. Grandes bandeirantes apresadores foram Manuel Preto e

Antônio Raposo Tavares, que forneciam índios às fazendas do Brasil que


necessitavam de mão de obra escrava e que não contavam com suficiente

quantidade de escravos negros.

Estátua de Antônio Raposo Tavares, um dos mais famosos bandeirantes, no

Museu Paulista, em São Paulo


BUSCANDO CONHECIMENTO

Vídeo: História do Brasil : Os Bandeirantes

http://www.youtube.com/watch?v=ZU9Epqqw6-A

Vídeo: Bóris Fausto - História do Brasil - Colônia (Parte 1)


http://www.youtube.com/watch?v=sGFROOSJcx4

Livro: Negros da Terra. Índios e Bandeirantes nas origens de São Paulo, no séc.XVI.
– John Monteiro - São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

Livro: O Bandeirismo Paulista e o Recuo do Meridiano – Ellis Alfredo Júnior, -

Companhia Ed. Nacional, São Paulo.

Slide: Expansão Territorial do Brasil


http://www.sagradomarilia.com.br/ArqDownloads/Bandeirantes.pdf

Site: Entradas e Bandeiras


http://www.brasilescola.com/historiab/entradas-bandeiras.htm

Site: Bandeirantes
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/bandeirantes/
UNIDADE 12 - ESCRAVIDÃO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Índios, negros e portugueses envolvidos em combate no Brasil colônia. 
Guerrilhas


índias. Johann Moritz Rugendas, 1820.

É comum, no Brasil, quando se refere aos escravos, dizer que esses eram as
mãos e os pés do senhor de engenho, uma vez que sem o trabalho dos negros e

dos índios a colonização não teria vingado.


A partir dessa afirmativa, estudaremos nesta unidade a vida de negros e
índios na colônia, considerando seu sofrimento, sua cultura e sua identidade.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Os primeiros passos do trabalho dentro do engenho foram dados pelos


indígenas, mas não tardou e a entrada de escravos negros africanos se tornou

uma realidade frequente na colônia. Mary Del Priore e Renato Venâncio (2010)
indicam que tribos indígenas inteiras foram exterminadas tendo como causas

principais doenças e mortalidades ligadas ao trabalho forçado. Para cobrir a falta


de mão de obra indígena, os portugueses investiram no tráfico negreiro.
Os autores destacam que o padre Anchieta dizia que os portugueses não

têm índio amigo que os ajude porque os destruíram todos (p.51). O cenário
brasileiro dos grandes engenhos foi esse: quando não conseguiram escravizar os

índios, trouxeram os negros africanos para suprir as necessidades do trabalho.


Antes mesmo dos altos investimentos nos engenhos, os nativos sofreram

nas mãos dos portugueses. O primeiro contato pareceu amigável, ou pelo menos
se controlava de uma forma ou de outra. Del Priore e Venâncio (2010) defendem

que os portugueses.

Dependiam dos nativos, seus “aliados”,


para sua alimentação e proteção. O
escambo de produtos como pau-brasil,
farinha, papagaios e escravos- motivos
de guerras intertribais – por enxadas,
facas, foices, espelhos e quinquilharias
dava regularidade aos entendimentos
(p.24)

Durante os primeiros anos da colonização esse relacionamento baseado no

escambo, ou seja, quinquilharias por trabalho e riqueza, deu certo. Mas a partir
dos anos 30 de 1500, os portugueses já não dependiam mais desse

relacionamento “amigável” com os índios e as críticas ao modo de vida dos


nativos tornaram-se frequentes. A prática do canibalismo, por exemplo, passou a

ser considerada uma prática indígena, sem distinções, e os índios passaram a ser
vistos como bárbaros pelos europeus.

Vale lembrar que houve movimentos de resistência. A escravização do


índio era clara e cruel. Documentos e relatos comprovam que os índios que não

aceitavam o trabalho forçado eram mortos, na tentativa de servir de exemplo para


os outros. Del Priore e Venâncio (2010) caracterizam a Confederação dos Tamoios

como o primeiro movimento de resistência a reunir vários povos indígenas, como


tupinambás, goitacases e aimorés (p.26). Os autores afirmam que o movimento
terminou com milhares de índios mortos e outros escravizados, além de 130
aldeias destruídas. O saldo é assustador, mas a iniciativa rumo à resistência deve
ser considerada, uma vez que a escravização indígena não ultrapassou séculos

como a negra, sua substituta.


O historiador Boris Fausto (2008) reflete sobre as causas da escravidão

indígena não ter se firmado na colônia, como a negra.


Para ele, a escravização indígena
chocou-se com uma série de
inconvenientes, tendo em vista os fins da
colonização. Os índios tinham uma
cultura incompatível com o trabalho
intensivo e regular e mais ainda
compulsório, como pretendido pelos
europeus. Não eram vadios ou
preguiçosos. Apenas faziam o necessário
para garantir sua subsistência, o que não
era difícil em época de peixes
abundantes, frutas e animais. (...) As
noções de trabalho contínuo ou do que
hoje chamaríamos de produtividade
eram totalmente estranhos a eles (p.49)

Além do fator cultura e trabalho, temos que destacar a questão religiosa,

que muito interferiu na relação entre europeus e nativos. Ao desembarcar na


colônia, os portugueses trouxeram junto a Igreja Católica e por tabela a
Companhia de Jesus, na figura dos jesuítas, a fim de catequizar os “selvagens”. Os
jesuítas ensinaram o catolicismo aos nativos, iniciando o processo de aculturação

dos gentios. Porém, em alguns momentos, compraram brigas com colonos para
proteger os índios da escravidão.

Os indígenas tentaram resistir a sua maneira, fosse por guerras, fugas ou se


deixando morrer, de desgosto, aos europeus e ao trabalho compulsório e o

resultado foi o extermínio de milhares de vidas que habitavam o Brasil antes da


chegada dos portugueses. A solução para repor a mão de obra em falta, foi

buscar escravos na África.


Fausto (2008) afirma que Salvador e Rio de Janeiro foram os grandes
centros importadores de escravos do Brasil. Negros cativos que vinham de
Angola, Moçambique, do Congo e Golfo da Guiné ou de reinos e tribos como os

iorubás, jejes e tapas. Nesse caso a Igreja apoiou o comércio e a escravidão, tanto
que algumas ordens, como os beneditinos, possuíam escravos.

Os escravos eram classificados: Boçais eram aqueles recém-chegados ao


Brasil, ladinos eram aqueles que já estavam adaptados e crioulos aqueles que

haviam nascido no Brasil.


A sociedade brasileira se constituiu de um processo de miscigenação que

tem o negro como a base. Milhões de negros entraram no Brasil como escravos e

sofreram as consequências dessa condição. Os engenhos brasileiros utilizaram a


mão de obra negra para a sua efetivação no cenário econômico mundial. Depois

a lavoura do café e a extração dos metais preciosos também dependeram da


força de trabalho dos africanos que desembarcaram em terras brasileiras.

O escravo sofreu a exploração, mas também resistiu a sua maneira, com a


formação dos quilombos. Del Priore e Venâncio (2010) definem os quilombos

como comunidades originalmente constituídas por negros fugidos, instaladas,


hoje, nas áreas onde houve luta e resistência contra a escravidão (p.59).
Os quilombos nada mais eram que o refúgio dos escravos, quando esses
conseguiam fugir dos engenhos, das fazendas e dos locais onde eram explorados.
Alagoas abrigou aquele que é considerado por Fausto (2008) o maior quilombo
colonial: Palmares. Liderado por Zumbi dos Palmares, esse quilombo é uma

referência quilombola quanto à organização e resistência. Milhares de negros


habitavam e se organizavam naquele local, tanto que Del Priore e Venâncio (2010)

afirmam que quando Zumbi foi capturado e executado em 20 de novembro de


1695, os invasores encontraram no local casas, ruas, capelas, estátuas e até toscas

construções, denominadas “palácios” (p.63).


Negros e índios foram a base para a produção econômica do Brasil.

Explorados pelos portugueses, sofreram castigos,morreram em suas mãos e não


viram a recompensa pelo trabalho que realizaram. A força das armas e do
conhecimento científico dos portugueses destruíram inúmeros elementos do

conhecimento e da cultura de índios e negros.


No entanto, hoje, identificamos sua importância na formação da sociedade

brasileira. Elementos culturais, linguísticos, físicos e comportamentais desses dois


grupos contribuíram para a constituição do povo brasileiro.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Filme: Quilombo de Cacá Diegues.


Livro: Sinhá Moça - Maria Dezonne Pacheco Fernandes.

O Povo Brasileiro: África - Darcy Ribeiro - Parte 3.


http://www.youtube.com/watch?v=llgw7FbAS0U

Revista: Escravos Povo Marcado – Revista de História da Biblioteca Nacional


UNIDADE 13 - SOCIEDADE AÇUCAREIRA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

A história do Brasil proporciona conceitos que são usados até hoje, mesmo
que os elementos que deram origem ao seu significado, não existam mais. É o

caso dos termos casa-grande e senzala, lembrados ainda hoje, mas que possuíam

grande força e destaque na época dos famosos engenhos brasileiros, base da


economia colonial.

A sociedade que se estabeleceu a partir dos engenhos e da produção do


açúcar no Brasil é o que estudaremos nesta unidade.

Fonte: http://www.infoescola.com/brasil-colonia/engenho-de-acucar/

ESTUDANDO E REFLETINDO

À medida que Portugal não encontrava os metais preciosos que procurava


e que a exploração do pau-brasil se tornava mais difícil, o rei lusitano tinha que

dar um novo rumo para a colônia. O Nordeste brasileiro apareceu como a menina
dos olhos da colonização. Não é por acaso que a capital do Brasil ficou em
Salvador até 1763, a região foi o principal centro econômico da colônia até

meados do século XVIII devido a uma rica sociedade que se estruturou a partir da
grande produção de açúcar dos engenhos nordestinos.

Segundo Boris Fausto (2008), a empresa açucareira foi o núcleo central da


ativação socioeconômica do Nordeste (p. 77). O historiador destaca que em 1532
Martim Afonso trouxe um perito na manufatura do açúcar e depois se plantou
cana e
construíram-se engenhos em todas as capitanias, de São Vicente a Pernambuco
(p.77). Fatores climáticos, geográficos e até políticos e econômicos facilitaram a
produção do açúcar e a instalação de engenhos na região. Fausto (2008) afirma

que Pernambuco e Bahia foram os grandes centros açucareiros da colônia, pois:


As duas capitanias combinavam, na
região costeira, boa qualidade de solos e
um adequado regime de chuvas.
Estavam mais próximas dos centros
europeus e contavam com relativa
facilidade de escoamento da produção,
na medida em que Salvador e Recife se
tornaram portos importantes (p.78)

O trabalho com a cana-de-açúcar era feito nos famosos engenhos. A


dinâmica da produção do açúcar estava completamente envolvida com a

dinâmica do engenho.
O autor Caio Prado Júnior (1979) destaca que o engenho: é a fábrica

propriamente, onde se reúnem as instalações para a manipulação da cana e o


preparo do açúcar. O nome de “engenho” estendeu-se depois da fábrica para o

conjunto da propriedade com suas terras e culturas: “engenho” e “propriedade


canavieira” se tornaram sinônimos (p.37)

Os custos para a manutenção dos engenhos eram altíssimos. Júnior (1979)


afirma que um engenho deve abrigar, para a produção do açúcar, a moenda, a

caldeira, a casa de purgar, isso somente para espremer a cana e purificar o caldo.
Depois a propriedade deve ter a casa-grande, ou seja, local onde o senhor iria
morar com sua família, além da senzala, para abrigar os escravos, e outras

instalações como uma capela, por exemplo.


O autor ressalta que a grande propriedade açucareira é um verdadeiro

mundo em miniatura em que se concentra e resume a vida toda de uma pequena


parcela da humanidade e que nos bons engenhos, os escravos são de 80 a 100
(p.38), chegando a alguns casos a ultrapassar esses números.
Passados os primeiros momentos da colonização, com a extração do pau-

brasil, a economia brasileira passou a construir bases sólidas com o açúcar. Caio

Prado (1979) afirma, sem dúvidas, que: durante mais de um século e meio a
produção do açúcar, com as características assinaladas, representará a única base

em que assenta a economia brasileira. (...) Até meados do séc. XVII o Brasil será o
maior produtor mundial de açúcar (p.39)

O autor ainda indica que as extensões dos engenhos e da produção


avançam significativamente com o passar dos anos. Como já ressaltamos, no

Nordeste, as capitanias de Pernambuco e Bahia e depois São Vicente foram as


que mais lucraram e expandiram com a produção do açúcar. Para o autor

encontramos na baía de Todos os Santos o maior centro produtor de açúcar da


colônia. Em outros lugares, como Porto Seguro e Ilhéus formaram-se pequenos
centros, em razão do solo com qualidade ruim ou da hostilidade dos índios que
se negavam a trabalhar.

Segundo Boris Fausto (2008), nos engenhos trabalhavam tanto negros


escravos africanos, como índios cativos. As condições de trabalho, como é de se

esperar, eram péssimas. Era preferível se perder um escravo a uma máquina. O


autor apresenta que os índios eram treinados desde cedo para determinados

serviços e que era muito comum escravos e cativos perderem membros do corpo
nas moendas, por exemplo.
Jean Baptiste Debret (1768-1848)

A produção açucareira, que rendeu o status de maior produtor mundial ao


Brasil, também gerou uma sociedade comandada pelos grandes senhores de

engenho. Esses homens, pais de ricas famílias, mas que estavam sujeitos às
oscilações dos preços do açúcar, podiam ter uma origem nobre, ou ser um

imigrante com posses ou ainda comerciantes que se aventuravam em duas


atividades. Os senhores de engenho desfrutavam de poder econômico, social e

político na Colônia (Fausto, 2008, p.80). A vida da sua família, dos escravos e dos
trabalhadores livres, dependiam das decisões dos senhores de engenho. Fausto

(2008) destaca que o engenho envolvido pela sua complexidade abrigava

escravos para a realização do trabalho, mas também recebia trabalhadores livres,


os cortadores de cana. Esses eram livres, mas precisavam negociar as condições

de trabalho com o senhor.


Os autores Del Priore e Venâncio (2010) destacam que o plantio e o trato

da cana-de-açúcar significavam a possibilidade de participar ativamente na


estrutura de poder colonial (p.46), ou seja, como a vida econômica e social girava
em torno da produção do açúcar, aqueles que possuíam atividades relacionadas a
esse ramo, estavam envolvidos com essas questões, inclusive a política.
Em relação à grande produtividade que envolve os engenhos e a cana-de-

açúcar, o pesquisador Caio Prado Júnior (1979) ressalta que as propriedades


canavieiras ofereciam tanto matéria para o açúcar como para a feitoria de outros

produtos, como a aguardente. A Europa consumia o açúcar brasileiro, e a África


consumia a aguardente que também era produzida nos engenhos, porém com

um custo menor e uma praticidade maior. As costas africanas recebiam grande


quantidade de aguardente em troca de escravos, por exemplo.

Fato é que a sociedade do período colonial se estruturou a partir da

grande produção de açúcar que o solo brasileiro proporcionou. Senhores de


engenho e casa-grande de um lado, escravos, senzala e trabalhadores, do outro.

Um rico comércio, com a venda do açúcar, uma colônia recém descoberta que
rendia grandes frutos aos colonizadores.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Revolta da Cachaça: http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/revolta-


cachaca-435117.shtml
Espetáculo da cana: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em-
dia/espetaculo-da-cana

Engenho–Patrimônio Histórico:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/engenho-centenario-

ocupado-por-sem-teto
Casa-GrandeSenzala -

http://www.vestibular1.com.br/resumos_livros/casa_grande_e_senzala.htm
UNIDADE 14 - SOCIEDADE MINERADORA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Fonte:http://mestresdahistoria.blogspot.com/2011/03/saiba-mais-sobre-o-seculo-

xviii-e.html

Em 1500 as expedições portuguesas teriam desembarcado no Brasil


supostamente à procura de ouro e prata. Não encontraram, mas não desistiram.
Dois séculos depois da colonização, quando o açúcar brasileiro não
conseguia mais sobreviver à concorrência das Antilhas, os bandeirantes

encontraram o ouro no Brasil. A sociedade brasileira sofreria novamente drásticas


mudanças.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O historiador Boris Fausto (2008) defende que a grande marca deixada

pelos paulistas na vida colonial do século XVII foram as bandeiras (p.94). As


bandeiras foram expedições feitas pelos paulistas, que adentravam o território
brasileiro em busca de índios para escravizar e metais preciosos. O autor descreve
que as bandeiras foram em direção a Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Temos

dimensão da importância dos bandeirantes a partir da própria constituição do


país hoje.

Cidades, rodovias e monumentos espalhados pelo país levam os nomes de


bandeirantes como Raposo Tavares, Borba Gato e Fernão Dias.

Fausto (2008) destaca que os paulistas possuíam uma origem burguesa e


uma população relativamente branca. Isso lhes estimulava um sentimento de

superioridade que se comprovava com muitas atitudes desafiadoras perante a

Coroa. Chegaram até ser chamados por um governador-geral de “gente que não
conhecia nem Deus, nem Lei, nem Justiça” (p.97). O autor afirma que muitas
bandeiras tinham o apoio da Coroa, já que também era de interesse da Metrópole
o apresamento de índios e a busca por metais preciosos.

A América espanhola oferecia ouro sem limites e por que a América lusa
não? Essa era a grande dúvida dos portugueses que foi destruída por volta de

1695, quando minas de ouro foram encontradas no Brasil. Fausto relata que:

Em 1695, no Rio das Velhas, próximo às


atuais, Sabará e Caeté, ocorreram as
primeiras descobertas significativas de
ouro. A tradição associa a essas
primeiras descobertas o nome de Borba
Gato, genro de Fernão Dias. Durante os
quarenta anos seguintes, foi encontrado
ouro em Minas Gerais, na Bahia, Goiás e
Mato Grosso (p.98)

Agora já não existiam mais dúvidas, o Brasil tinha ouro e era a hora de

explorá-lo. Fausto (2008) afirma que a corrida do ouro provocou a primeira


grande corrente imigratória para o Brasil (p.98). Milhares de pessoas das mais
variadas condições (padres, comerciantes, prostitutas, aventureiros) chegaram de
Portugal com a intenção de arrecadar seu quinhão.
Para as finanças lusitanas a descoberta do ouro não poderia vir em melhor

hora. Portugal, um país essencialmente agrícola, dependia demais da Inglaterra,


que acabara de fazer a Revolução Industrial e o ouro vindo do Brasil pagaria

grande parte da dívida dos portugueses com os ingleses.


Em relação à economia colonial, o ouro sentenciou a falência do Nordeste

e do açúcar da região. O açúcar da colônia já vinha passando por um momento


ruim, já que não conseguia concorrer com o açúcar das Antilhas e com a

descoberta do ouro ganhou outro concorrente, só que dentro da mesma

economia. A população nordestina, junto com os escravos, se deslocaram para a


região Centro-Sul à procura do metal precioso.

O Rio de Janeiro passou a se configurar com uma cidade base, por aonde
chegavam os escravos e escoava-se o ouro para a Europa. Não demorou, para

que em 1763 a capital fosse transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. Boris
(2008) afirma que as duas cidades tinham aproximadamente a mesma população

(cerca de 40 mil habitantes), mas uma coisa era ser a capital e outra, apenas a
principal cidade do Nordeste (p.99). Acaba nesse momento os anos de ouro do
Nordeste brasileiro, rumo ao isolamento demográfico e econômico.
A extração do ouro seguia um critério básico: O governo português usaria
todos os meios para controlar e tributar a exploração. Havia duas formas de
arrecadação, o quinto e a capitação. Boris Fausto (2008) descreve como

funcionava a arrecadação dos dois:


A quinta parte de todos os metais extraídos
devia pertencer ao rei. O quinto do ouro
era deduzido do ouro em pó ou em pepitas
levado às casas de fundição. A capitação,
lançada pela Coroa em busca de maiores
rendas, em substituição ao quinto era bem
mais abrangente. Ela consistia, quanto aos
mineradores, em um imposto cobrado por
cabeça de escravo, produtivo ou não, de
sexo masculino ou feminino, maior de doze
anos. Os faiscadores, ou seja, os
mineradores sem escravos, também
pagavam o imposto por cabeça, no caso
sobre si mesmos (p.100)

Guerra dos Emboabas


O controle pela região das minas não era uma pretensão apenas da Coroa,

mas também dos paulistas, os primeiros a chegar à região. Portugueses e baianos,


chamados de emboabas pelos paulistas, começaram a aparecer em grande

número para a extração dos metais. Os paulistas, revoltados, não aceitaram e

reivindicavam a concessão das áreas de exploração. Essa rincha entre paulistas e


estrangeiros provocou a Guerra dos Emboabas, ocorrida entre 1708 e 1709 e que

foi vencida pelos Emboabas, fazendo com que os paulistas se retirassem da região
e procurassem outros rumos.

A sociedade mineradora possui características singulares. De um lado


estavam comerciantes, negociantes, advogados, mineradores, que recebiam os

lucros da exploração das minas e investiam em uma vida sofisticada e


ornamentada. Eram muito comuns naquela época algumas dessas pessoas

financiarem a construção de Igrejas recheadas de ouro, para representar seu


poder naquela sociedade. Do outro lado estavam os escravos, que trabalhavam

arriscando suas vidas, nos leitos de rios e em galerias subterrâneas, procurando


cada vez mais ouro e diamantes. Sujeitos a doenças e mortes por acidente essa

população, negra e mulata, representava cerca de 70% da sociedade mineira.

Artes
Em relação à construção das igrejas e à arte na sociedade das minas, dois
personagens se destacam: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, mulato e filho

de um português com uma escrava e Manuel da Costa Ataíde, amigo de


Aleijadinho, com quem realizava as obras, um esculpindo e o outro pintando.
Porta da Igreja São Francisco – Obra de Aleijadinho.

A descoberta do ouro no interior do território brasileiro provocou uma


série de profundas mudanças na organização da sociedade colonial a partir do

século XVIII.
Riqueza para a Coroa, impostos exagerados, transferência da capital e da

vida econômica da colônia do Nordeste para o Centro-Sul, disputas pelo poder,


utilização massiva da mão de obra escrava e abundância de metais preciosos. Esse

foi o cenário que tomou conta do Brasil anos após a descoberta do ouro e do
diamante, e que seria o responsável por novos caminhos que a colônia tomaria
anos depois.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Coartações e alforrias nas Minas Gerais do século XVIII: Disponível em:


http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.

As toneladas. Disponível em:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/as-toneladas
Por baixo dos panos. Disponível em:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/por-baixo-dos-panos

Vídeo A Economia Mineradora


https://www.youtube.com/watch?v=bc-RZf15gQw
UNIDADE 15 - INCONFIDÊNCIA MINEIRA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

A Inconfidência Mineira, também referida como Conjuração Mineira, foi


uma tentativa de revolta de natureza separatista ocorrida na então capitania de

Minas Gerais, no Estado do Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da


derrama e o domínio português. Foi abortada pela Coroa portuguesa em 1789.

ESTUDANDO E REFLETINDO

No século 18, a capitania das Minas Gerais era uma das mais prósperas do

Brasil, com suas jazidas de ouro e pedras preciosas. Sua produção anual chegava
a cerca de 10 toneladas de ouro, nos melhores anos. Toda jazida pertencia ao Rei,

que fornecia concessões de exploração.


A Coroa Portuguesa estipulava sua parte (royalties) em um quinto da

produção (embora houvesse alterações nos critérios de cobrança, em certos


períodos). Esse valor não era exagerado, muito menor do que se paga hoje em
impostos. As jazidas eram basicamente de aluvião, ou seja, encontrava-se nas
margens dos rios. Em sua extração, utilizava-se técnicas básicas, normalmente

envolvendo escravos.
No final do século 18, as minas já estavam em decadência. Em 1788, com o

acúmulo das dívidas devido à falta de pagamento dos royalties, Portugal resolveu
executar uma derrama, forçando a cobrança através de confiscos.

Seria a terceira derrama na Capitania das Minas Gerais. A primeira


começou em 1763, a segunda, em 1768. Portugal também preocupava-se com o

contrabando, que existia.


Nessa época, ideais de liberdade fluíam pelo mundo Ocidental. No Brasil
somava-se ainda o descontentamento dos brasileiros com a preferência dada aos
portugueses em todos os níveis. Nas Minas Gerais, panfletos, com críticas ao

governo, eram publicados sob pseudônimo (acredita-se que eram de Tomás


Antônio Gonzaga).

A partir de 1785, surgem os primeiros indícios de um movimento nas Minas


Gerais, em busca da independência, com apoio dos Estados Unidos.

A derrama insuflou ainda mais os brios de liberdade dos brasileiros


endividados, principalmente na Vila Rica de Albuquerque, atual Ouro Preto.

Esses ideais de liberdade, entretanto, não envolviam os escravos.

Nesse movimento, reuniram-se proprietários rurais, intelectuais, clérigos e


militares. Os principais protagonistas eram parte da elite mineira. Entre eles,

destacaram-se o poeta e jurista Claudio Manuel da Costa, o advogado e poeta


Inácio José de Alvarenga Peixoto, o poeta e jurista Tomás Antônio Gonzaga, o

alferes da Cavalaria Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, entre outros.

A Praça Tiradentes na histórica cidade de Ouro Preto, antiga Vila Rica de


Albuquerque e cenário de muitos dos acontecimentos da Inconfidência Mineira.

Os planos dos inconfidentes eram a tomada do poder no início da

execução da derrama, quando acreditava-se haveria clima para o movimento.

Seria proclamada uma república independente. Vila Rica seria ocupada pelas
tropas dos inconfidentes e contava-se que as vilas vizinhas aderissem.
O lema seria libertas quae sera tamen (liberdade, ainda que tardia), tirado
de um poema de Virgílio, em latim. Todos os devedores da Fazenda Real teriam

suas dívidas perdoadas.


Antes que fosse disparado um tiro, a conspiração foi delatada pelo coronel

Joaquim Silvério dos Reis, que havia aderido inicialmente ao movimento. Ele,
também, um devedor de royalties, buscava o perdão de sua dívida. Em 15 de

março de 1789, ele encontrou-se com o Visconde de Barbacena, governador da


Capitania, e denunciou a conspiração. O governador suspendeu a execução da

derrama e instaurou uma devassa, o processo que resultou na acusação de 34

pessoas. As sentenças foram definidas em 19 de abril de 1792.


Onze dos acusados foram condenados à morte, incluindo Tiradentes e

Alvarenga Peixoto, outros foram condenados a prisão perpétua. Tiradentes


confessou-se culpado, sem arrependimentos, e foi o único executado, os demais

tiveram a pena comutada para degredo perpétuo por D. Maria I, incluindo Tomás
Antônio Gonzaga. Cláudio Manuel da Costa morreu na prisão da Casa dos

Contos, por suicídio ou assassinato.

A Participação de Tiradentes

As feições reais de Tiradentes não são conhecidas, mas o alferes foi representado

por vários artistas.


Tiradentes por J. W. Rodrigues, em 1940.
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, nasceu na Fazenda do Pombal

(atual Ritápolis), interior de Minas Gerais, em 1746. Era o quarto de sete irmãos.
Filho do português Domingos da Silva dos Santos, proprietário de terras e

conselheiro municipal, e da brasileira Antônia da Encarnação Xavier.

Ruínas da Fazenda do Pombal, atualmente no município de Ritápolis. Neste

local nasceu Tiradentes, onde está prevista a construção de um memorial.

O garoto Joaquim José ficou órfão de mãe, aos nove anos, e órfão de pai,

aos onze. Os irmãos se separaram e ele foi morar com seu padrinho, o cirurgião
Sebastião Ferreira Leitão, que tirava dentes na vila de São José (atual Tiradentes).

Tiradentes aprendeu o ofício do padrinho, mas não se sabe até que ponto ele
trabalhou nessa atividade. Ainda jovem, trabalhou com mineração e montou uma

tropa para o transporte de mercadorias.


Em 1775, entrou para o Batalhão dos Dragões, como alferes, um posto de

oficial equivalente a 2º tenente.


Em março de 1787, ele pediu licença de suas funções militares e seguiu

para o Rio de Janeiro. Com a delação do movimento, Tiradentes foi preso no Rio
de Janeiro, em 10 de maio de 1789, estava refugiado na casa de um amigo. Foi

enforcado em 21 de abril de 1792, então esquartejado e partes de seu corpo


foram expostas no caminho do Rio de Janeiro a Minas Gerais.

A cabeça foi exposta em Vila Rica (atual Ouro Preto), no alto de um poste
defronte à sede do governo. O castigo era exemplar, a fim de dissuadir qualquer
outra tentativa de questionamento do poder da metrópole.
Tiradentes, ao contrário do que se pensa, não tinha barba e cabelos longos

quando foi enforcado, na prisão, onde ficou por algum tempo antes de cumprir
sua pena, teve o cabelo e barba raspados para evitar a proliferação de piolhos, a

própria posição de alfere não permitia tal aparência. Após a decapitação e


exposição pública, a cabeça de Tiradentes foi furtada, sendo o seu paradeiro

desconhecido até os dias de hoje.


Foi alçado posteriormente, pela República Brasileira, à condição de um dos

maiores mártires da independência do Brasil e como um dos precursores da

República no país.

BUSCANDO CONHECIMENTO
Livro: A Verdade sobre Tiradentes, Instituto de História - Waldemar de Almeida

Barbosa - Letras e Artes, Belo Horizonte, s/d.

Música: Inconfidência Mineira - Dino Franco e Mouraí


http://www.kboing.com.br/dino-franco-e-mourai/1020827-inconfidencia-

mineira.html

Vídeo: Documentário sobre a Inconfidência Mineira (Tiradentes)


https://www.youtube.com/watch?v=f5UhtAkNNQI

Filme: Mártir da Independência, Tiradentes (1977) TVRip

https://www.youtube.com/watch?v=4pEfwjUD9Os
UNIDADE 16 - A VINDA DA FAMÍLIA RELA PARA O BRASIL

“Como uma rainha louca, um príncipe


medroso e uma corte corrupta enganaram
Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil.”
Laurentino Gomes

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Napoleão sonhou em construir o império francês e para realizar sua


peripécia teria que enfrentar os reis e rainhas espalhados pela Europa. Ele o fez. O

problema é que nem todos os reis queriam enfrentá-lo e a solução, para o rei
lusitano, foi à fuga para a colônia. Não seria somente um episódio inusitado e

histórico, seria um fato marcante na caminhada do Brasil rumo a sua libertação.

ESTUDANDO E REFLETINDO

O Lord Wellington, que derrotou Napoleão Bonaparte em 1815 na batalha

de Waterloo, disse que Napoleão, sozinho valia por 50 000 soldados (GOMES,
2010, p. 44). O príncipe regente de Portugal, Dom João VI, preferiu não enfrentar
o temido imperador e se transferiu junto com toda a corte portuguesa para o

Brasil.
Em 1806, Bonaparte decretou na Europa o chamado Bloqueio Continental,

em que proibia todos os países continentais de fazer comércio com a Inglaterra


sob a pena de invasão para quem não cumprisse. A intenção do imperador era

enfraquecer a Inglaterra sua maior rival no momento.


Dentro desse contexto temos Portugal que estava sendo governado pelo

príncipe Dom João, já que em 1792 sua mãe, Dona Maria, fora considerada louca

e interditada.
O país mantinha um intenso comércio com a Inglaterra, o que o impediria

de aderir ao Bloqueio Continental. No entanto, Portugal não possuía forças para


combater o exército de Napoleão. Boris Fausto (2008) relata em seu livro A

História do Brasil, que Napoleão ordenou a invasão de Portugal, uma vez que o
mesmo não se manifestava nem a favor, nem contra o bloqueio continental:

em novembro de 1807, as tropas


francesas cruzaram a fronteira de
Portugal com a Espanha e avançaram
em direção a Lisboa. O príncipe Dom
João (...) decidiu-se, em poucos dias,
pela transferência da Corte para o Brasil.
Entre 25 e 27 de novembro de 1807,
centenas de pessoas embarcaram em
navios portugueses rumo ao Brasil, sob a
proteção da frota inglesa (p.121)

A corte portuguesa partiu às pressas de Lisboa, em 29 de novembro de

1807. Na comitiva vinha D. João, sua mãe D. Maria I, a princesa Carlota Joaquina;
as crianças D. Miguel, D. Maria Teresa, D. Maria Isabel, D. Maria Assunção, D. Ana

de Jesus Maria e D. Pedro, o futuro imperador do Brasil e mais cerca de 15 mil


pessoas entre nobres, militares, religiosos e funcionários da Coroa.

O jornalista e historiador Laurentino Gomes (2007) defende que Portugal já


pensava nessa possibilidade de transferir a Corte para o Brasil e Napoleão só
acelerou essa iniciativa. Para o autor, Portugal era um país pequeno, sem muitos

recursos, que possuía uma colônia com uma imensidão de riquezas naturais e
mão de obra em abundância. O fato é que a Corte portuguesa saiu às pressas do

país lusitano. Fausto (2008) descreve a cena:


Todo um aparelho burocrático vinha
para a colônia: ministros, conselheiros,
juízes da Corte suprema, funcionários do
Tesouro, patentes do exército e da
marinha, membros do alto clero.
Seguiam também o tesouro real, os
arquivos do governo, uma máquina
impressora e várias bibliotecas que
seriam a base da Biblioteca Nacional do
Rio de Janeiro (p.121)

Gomes (2007) ressalta que foram três dias de organização para o

embarque. Dom João não hesitou em levar toda prataria e dinheiro de Portugal.
O autor destaca que o povo assistia a essa movimentação e que quando,

finalmente, a notícia da partida se espalhou, o povo reagiu de forma indignada.


Nas ruas havia choro e demonstração de revolta (p.67). A população de Portugal
ficara abandonada à sorte, para que quando as tropas de Napoleão chegassem,
seu destino fosse sentenciado.
O príncipe não escreveu um discurso, mas mandou afixar um decreto nas
ruas em que explicava a ausência. Dizia que as tropas francesas estavam a

caminho de Lisboa e que resistir seria derramar sangue inutilmente (p .69). Esse foi
o cenário da partida das 22 embarcações, que tinha como rumo a rica colônia, o

Brasil. Na correria da partida cerca de 60 000 livros da Biblioteca real e a prataria


das igrejas ficaram esquecidas no cais.
Dom João VI. Partida do Príncipe Regente de Portugal para o Brasil, 27 de
novembro de 1807, litogravura de F. Bartolozzi

Segundo Fausto (2008) a viagem foi trabalhosa:

Uma tempestade dividiu a frota; os


navios estavam superlotados, daí
resultando a falta de comida e água; a
troca de roupa foi improvisada com
cobertas e lençóis fornecidos pela
marinha inglesa; para completar o
ataque dos piolhos obrigou as mulheres
a raspar o cabelo (p.121)

Após 54 dias de viagem a esquadra portuguesa chegou ao porto de

Salvador na Bahia, em 22 de janeiro de 1808. Lá foram recebidos com festas, onde


permaneceram por mais de um mês. Enquanto a embarcação de Dom João

chegava à Bahia em 28 de janeiro de 1808, as demais embarcações se


encaminhavam para o Rio de Janeiro
Rota da frota real para o Brasil

Logo que chegou às terras brasileiras, o príncipe regente começou a

realizar suas façanhas políticas. Na Bahia decretou a abertura dos portos para as
nações amigas, afinal a Coroa Portuguesa estava nessas terras e como Portugal

estava ocupado pelas tropas francesas o comércio com a Inglaterra deveria ser
feito diretamente com o Brasil. Fausto (2008) afirma que a abertura dos portos

punha fim a trezentos anos de sistema colonial (p. 122), considerando que agora a
“colônia” teria liberdade comercial.
A família real desembarcou em 1808 no Brasil e promoveu as mudanças
necessárias para a sua estada na Colônia. No entanto essas mudanças seriam

profundas e despertariam a noção do desenvolvimento e o ideal de liberdade na


elite brasileira. Por isso, o desembarque da família real se constitui como o

primeiro passo para a independência do Brasil.


“A colônia virou metrópole e a metrópole virou colônia”

BUSCANDO CONHECIMENTO

Filme: “Carlota Joaquina – Princesa do Brasil”, Brasil, 1995, 100 minutos


Livro: “A vinda da família real para o Brasil” - Autor: Farias, Airton de =Editora:

Construir
Site: “História Mais” - http://www.historiamais.com/familia_real.htm
UNIDADE 17 - PERÍODO JOANINO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

O ato de Dom João beneficiou a Inglaterra que passou a enviar uma


enormidade de produtos manufaturados para o Brasil. Mas, segundo Boris Fausto

(2008) a abertura dos portos favoreceu também os proprietários rurais,


produtores de bens destinados à exportação (açúcar e algodão principalmente),

os quais se livraram do monopólio comercial da Metrópole (p.122).


Com a chegada da família real ao Brasil, a Inglaterra passou a dominar

parte da economia da colônia.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Na chegada ao Rio de Janeiro, a Corte portuguesa foi recebida com uma


grande festa: o povo aglomerou-se no porto e nas principais ruas para

acompanhar a Família Real em procissão até a Catedral, onde, após uma missa em
ação de graças, o rei concedeu o primeiro "beija-mão".

Registro da cerimônia do beija-mão na corte carioca de Dom João, um costume

típico da monarquia portuguesa


A transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro provocou uma

grande transformação na cidade. D. João teve que organizar a estrutura


administrativa do governo. Nomeou ministros de Estado, colocou em

funcionamento diversas secretarias públicas, instalou tribunais de justiça e criou o


Banco do Brasil (1808).

Era preciso acomodar os novos habitantes e tornar a cidade digna de ser a


nova sede do Império português. O vice-rei do Brasil, D. Marcos de Noronha e

Brito cedeu sua residência, O Palácio dos Governadores, no Lago do Paço, que

passou a ser chamado Paço Real, para o rei e sua família e exigiu que os
moradores das melhores casas da cidade fizessem o mesmo. Duas mil residências

foram requisitadas, pregando-se nas portas o "P.R.", que significava "Príncipe


Regente", mas que o povo logo traduziu como "Ponha-se na Rua". Prédios
públicos, quartéis, igrejas e conventos também foram ocupados. A cidade passou
por uma reforma geral: limpeza de ruas, pinturas nas fachadas dos prédios e

apreensão de animais.
As mudanças provocaram o aumento da população na cidade do Rio de

Janeiro, que por volta de 1820, somava mais de 100 mil habitantes, entre os quais
muitos eram estrangeiros – portugueses, comerciantes ingleses, corpos
diplomáticos – ou mesmo resultado do deslocamento da população interna que
procurava novas oportunidades na capital. As construções passaram a seguir os

padrões europeus. Novos elementos foram incorporados ao mobiliário; espelhos,


bibelôs, biombos, papéis de parede, quadros, instrumentos musicais, relógios de

parede.
Em 1810 Portugal assinou o Tratado de Navegação e Comércio, que fixava

que os produtos ingleses pagariam uma tarifa de apenas 15% do seu valor. Junto
com esse tratado portugueses e ingleses firmaram o Tratado de Aliança e

Amizade, em que Portugal prometia restringir o tráfico de escravos. Os lusitanos


não tinham outra saída, senão depender dos britânicos, já que a Metrópole estava
ocupada pelos franceses.
Dom João começou a promover mudanças no cenário urbano, político,

administrativo, econômico e cultural do Brasil. Mudanças que fortaleceriam a


colônia e impediriam o Brasil de voltar a ser totalmente explorado por Portugal.

Fausto (2008) ressalta que :


A vinda da Família real deslocou
definitivamente o eixo da vida administrativa da
Colônia para o Rio de Janeiro, mudando
também a fisionomia da cidade. Entre outros
aspectos, esboçou-se aí uma vida cultural. O
acesso aos livros e uma relativa circulação das
ideias foram marcas distintivas no período. Em
setembro de 1808, veio a público o primeiro
jornal editado na Colônia; abriram-se também
teatros, bibliotecas, academias literárias e
científicas, para atender aos requisitos da Corte
e de uma população urbana em rápida
expansão (p.125)

A oferta de mercadorias e serviços diversificou-se. A Rua do Ouvidor, no

centro do Rio, recebeu o cabeleireiro da Corte, costureiras francesas, lojas


elegantes, joalherias e tabacarias. Para a elite, a presença da Corte e o número

crescente de comerciantes estrangeiros trouxeram familiaridade com novos


produtos e padrões de comportamento em moldes europeus. As mulheres
seguindo o estilo francês; usavam vestidos leves e sem armações, com decotes
abertos, cintura alta, deixando aparecer os sapatos de saltos baixos. Enquanto os

homens usavam casacas com golas altas enfeitadas por lenços coloridos e
gravatas de renda, embora apenas uma pequena parte da população usufruísse

desses luxos.
Sem dúvida, a vinda de D. João deu um grande impulso à cultura no Brasil,

destacamos a chegada da Missão Artística Frances em1816, com a tarefa de


representar a vida cotidiana da família real e da Corte no Rio de Janeiro. Jean-

Baptiste Debret e Taunay eram os pintores responsáveis pela missão. Além disso,
o período é caracterizado pela circulação do jornal A Gazeta do Rio de Janeiro,
que possuía um caráter oficial, e do Correio Brasiliense, de Hipólito Costa,

primeiro jornal independente do Brasil, editado em Londres entre 1808 e 1822


(FAUSTO, 2008, p. 127).

Obra de Taunay que é exposta na Pinacoteca em SP mostra entrada da

cidade do Rio vista de terraço do convento de Santo Antônio

Foi criado o Arquivo Central, aberta a Biblioteca Real, com 60 mil volumes

trazidos de Lisboa.Criaram-se as Escolas de Cirurgia e Academia de Marinha, a


Aula de Comércio e Academia Militar e a Academia Médico-cirúrgica. A ciência

também ganhou com a criação do Observatório Astronômico, do Jardim Botânico


e do Laboratório de Química.

Jardim Botânico do Rio de Janeiro – Fundado em 13 de junho de 1808


A presença de artistas estrangeiros, botânicos, zoólogos, médicos,

etnólogos, geógrafos e muitos outros que fizeram viagens e expedições regulares


ao Brasil – trouxe informações sobre o que acontecia pelo mundo e também

tornou este país conhecido, por meio dos livros e artigos em jornais e revistas que
aqueles profissionais publicavam. Foi uma mudança profunda, mas que não

alterou os costumes da grande maioria da população carioca, composta de


escravos e trabalhadores assalariados.

Dom João não poupou a colônia e continuou a aumentar os impostos e

dar privilégios para os portugueses. Essas atitudes fizeram com que em 1817,
estourasse uma Revolução em Pernambuco, conhecida como Revolução de 1817,

e que se estendeu até Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Os revolucionários


defendiam a independência, motivados pela insatisfação em relação às más

condições de vida, os altos impostos e os privilégios portugueses. Depois de


tomar Recife e proclamar a República, o movimento foi abafado pelas tropas

portuguesas, deixando apenas a simbologia do ideal de liberdade no Nordeste.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Jogo Interativo: Laurentino Gomes: http://educarparacrescer.abril.com.br/1808/

Vídeo: Boris Fausto: http://www.youtube.com/watch?v=_XYM18WV5oE


UNIDADE 18 - DOM JOÃO E FAMÍLIA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Nascido em Lisboa a 13 de Maio de 1767, era filho segundo da rainha D.


Maria I, e de seu marido e tio D. Pedro III. A 8 de Maio de 1785 casou com a

princesa espanhola, D. Carlota Joaquina de Bourbon, filha de Carlos IV e da rainha

D. Maria Luísa Teresa de Bourbon. Em 1788 foi declarado herdeiro do trono, por
ter falecido seu irmão primogénito, o príncipe D. José. Tendo enlouquecido a

rainha sua mãe, teve de assumir a regência do reino no dia 1 de Fevereiro de 1792.

ESTUDANDO E REFLETINDO

João estava habituado a entregar-se à caça e a percorrer os conventos,


muito despreocupado dos negocies públicos, que se lhe tornavam indiferentes,

bem longe de pensar seria cedo nomeado regente do reino, e mais tarde
aclamado rei. Além disso, o país encontrava-se numa situação deplorável

Em 1785 seu casamento foi arranjado com a infanta Dona Carlota Joaquina,
filha do futuro rei Carlos IV de Espanha (na época, ainda era o herdeiro do trono)

e de Dona Maria Luísa de Parma. Por razões políticas, temendo uma nova União
Ibérica, parte da corte portuguesa não via o casamento com uma princesa

espanhola com bons olhos. Apesar de sua pouca idade, Carlota era considerada
uma menina muito vivaz e de educação refinada. Não obstante, teve de suportar

quatro dias de testes diante dos embaixadores portugueses antes que o


casamento se confirmasse. Também, sendo parentes, e pela pouca idade da

infanta, os noivos precisaram de uma dispensa papal para poderem se unir. Após
a confirmação, a outorga das capitulações matrimoniais foi assinada na sala do

trono da corte espanhola, cercada de grande pompa e com a participação dos


grandes de ambos os reinos, seguindo-se imediatamente o esponsal, realizado
por procuração. D. João foi representando pelo próprio pai da noiva. À noite foi

oferecido um banquete para mais de dois mil convidados.


Pela excessiva juventude da esposa, o casamento não se consumara, e

dizia: "Cá há de chegar o tempo em que eu hei de brincar muito com a infanta. Se
for por este andar julgo que nem daqui a seis anos. Bem pouco mais crescida está

de que quando veio". De fato, a consumação teve de esperar até o dia 5 de abril
de 1790. Em 1793 nascia Dona Maria Teresa, a primeira dos nove filhos que teriam.

• Maria Teresa de Bragança, Princesa da Beira (1793-1874), casada em


primeiras núpcias com o infante de Espanha D. Pedro Carlos de Bourbon, e
pela segunda vez com D. Carlos de Bourbon, Conde de Molina, também

infante de Espanha e seu cunhado; sem descendência.


• Francisco António, Príncipe da Beira (1795-1801); sem descendência.
• Maria Isabel de Bragança (1797-1818), casou-se com Fernando VII de
Espanha; uma filha natimorta.

• Pedro I do Brasil e IV de Portugal, imperador do Brasil e Rei de Portugal


(1798-1834), casado em primeiras núpcias com DonaLeopoldina da Áustria

e em segundas com Dona Amélia de Leuchtenberg; com descendência.


• Maria Francisca de Assis de Bragança (1800-1834), casou com Carlos de
Bourbon, Conde de Molina; com descendência.
• Isabel Maria de Bragança, regente de Portugal (1801-1876); sem
descendência.
• Miguel I de Portugal (1802-1866), casado com Dona Adelaide de
Löwenstein-Wertheim-Rosenberg; com descendência.
• Maria da Assunção de Bragança (1805-1834); sem descendência.
• Ana de Jesus Maria de Bragança (1806-1857), casou com Nuno José Severo
de Mendonça Rolim de Moura Barreto, 1º duque de Loulé; com

descendência.
Em 1788 morre seu irmão mais velho Dom José de Bragança o Príncipe da
Beira, vítima de varíola, fato que fez com que Dom João se tornasse o primeiro na
linha de sucessão. Na verdade em 1788 Dona Maria I perde dois dos seus filhos:

Dom José e Dona Maria Ana .


Em 1789 explodiu a Revolução Francesa, que espalhou pela Europa seu

ideário liberal, e alguns anos mais tarde, o terror da ocupação pelos exércitos
napoleônicos.

Por motivo do problema mental de sua mãe, passou a governar desde


1792, porém só se tornou Príncipe Regente a partir de 15 de julho de 1799.

Dom João só foi coroado em 6 de fevereiro de 1818 dois anos após a morte

da sua mãe. A partir da coroação, seu título ficou sendo Dom João VI, Rei do
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A cerimônia aconteceu no Rio de

Janeiro. É bom lembrar que Dom João VI foi o único rei coroado nas Américas

Pai de nove filhos, um deles Pedro que seria imperador do Brasil .

Em virtude do conflito entre França e Inglaterra, seu governo teve um

período de grande intranquilidade. A fim de prejudicar a Inglaterra, Napoleão


decretou o bloqueio continental. Quando Portugal foi invadida pelas tropas do

Marechal francês Junot, a família real portuguesa com toda a corte embarcou para
o Brasil, sua colônia.
Na madrugada do dia 27 de novembro de 1807 os membros da Família

Real saíram de Lisboa. Chovia muito em todos os dias que antecederam o


embarque da família real.

Sidney Smith e Lorde Strangford foram a bordo do navio Príncipe Real e


ofereceram hospedagem ao Príncipe Regente na nau capitânia da frota da escolta

inglesa, Dom João recusou.


As esquadras portuguesa e inglesa, são surpreendidas por uma forte

tempestade que dispersa os navios. Na tarde do dia 22 de janeiro de 1808

finalmente todos os navios chegam a Bahia, e são recebidos pelo Conde da Ponte,
governador da Bahia, e em março de 1808 chegam ao Rio de Janeiro. Em 1821,

Dom João chama seu filho Dom Pedro ao seu quarto no Paço de São Cristóvão e
comenta: "Pedro , se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de

respeitar, do que para algum desses aventureiros".


Em 26 de abril de 1821, partiu levando sua esposa, Carlota Joaquina , e sete

dos oito filhos vivos. Só Dom Pedro, o mais velho, ficou no Brasil como príncipe
regente. Sua comitiva foi composta de 14 navios, que levaram também 4.000

cortesãos e serviçais; e é claro os cofres lotados do dinheiro brasileiro.


Em Portugal , Dom João foi obrigado a jurar a Constituição Liberal , ou
jurava ou era deposto e possivelmente morto. Isto provocou a indignação de sua
mulher e do filho Dom Miguel , ambos de olho no trono real pois a constituição

liberal assinada por ele, retirava muitos de seus poderes absolutistas; Carlota
Joaquina , que considerava o marido excessivamente tolerante, uniu-se a Dom

Miguel e passou a conspirar contra o marido.


Dom João só reconhece a independência do Brasil 3 anos após proclamada

depois de muitas concessões feitas por Dom Pedro I , já como Imperador do Brasil
e o pagamento do equivalente a 500 mil libras esterlinas em ouro. Em 1823 com o

auxílio de seu filho o Infante Dom Miguel readquire seus poderes absolutista, mas
no ano seguinte o próprio filho tenta depô-lo.
Em 1824, após uma tentativa fracassada de golpe para derrubar o rei,

Carlota foi confinada no Paço de Queluz ( Portugal ), e Dom Miguel , foi exilado
em Viena . Dois anos depois o rei morreria misteriosamente.

O corpo de Dom João VI foi embalsamado e levado para o Panteão dos


Reis de Bragança , no mosteiro de São Vicente de Fora , em Lisboa .

BUSCANDO CONHECIMENTO

Vídeo: Episodio 1 - Dom Joao no Brasil (Canal FUTURA) - Nos tempos de Bonaparte -
http://www.youtube.com/watch?v=oFueoD5r-z0

Revista: A nova história de Dom João VI

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81336-6014-506,00.html

Árvore genealógica dos reis de Portugal


http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rvore_geneal%C3%B3gica_dos_reis_de_Portug

al
UNIDADE 19 - O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Museu Paulista da USP (Museu do Ipiranga) –


Monumento dedicado à memória da Independência do Brasil – Situado em São

Paulo.

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Quando Dom João chegou ao Brasil, encontrou uma colônia insatisfeita


que esperava um impulso para poder voar. E ele deu esse impulso quando trouxe

o desenvolvimento por meio da liberdade de comércio, da biblioteca, do teatro e


da Universidade. Em sua partida percebera que a colônia já não era mais submissa

a Portugal e sua tentativa de manter o controle foi um fracasso.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Em 1820 estourou em Portugal a Revolução Liberal do Porto. Como as


tropas francesas já haviam deixado o país, depois da derrota de Napoleão, os
ingleses estavam resolvendo as pendências no país. Os lusitanos estavam
descontentes devido às crises que ameaçavam o país. Segundo Fausto (2008) o

cenário era de:


crise política, causada pela ausência do
rei e dos órgãos de governo; crise
econômica, resultante em parte da
liberdade de comércio do Brasil; crise
militar, consequência da presença de
oficiais ingleses nos altos postos do
exército e da preterição de oficiais
portugueses nas promoções (p.130)

Os revoltosos exigiam a volta do agora rei Dom João, já que em 1815 Dona

Maria, a louca, morrera em terras brasileiras, e que o Brasil voltasse a sua


condição de colônia, coisa que deixara de ser também em 1815 quando foi

elevado a categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. Uma nova Constituição,


limitando o poder absoluto do rei também estava nas metas dos revolucionários.

As revoltas começaram com os militares em Portugal e se estendeu para os


militares no Brasil. Os portugueses defendiam a volta do rei, enquanto os

brasileiros, representados pelo “partido brasileiro” não aceitava o retorno do


monarca, uma vez que isso significaria o retorno do Brasil à condição de colônia.

O Partido Brasileiro era constituído principalmente por proprietários rurais


nascidos no Brasil e que defendiam seus interesses econômicos e políticos.

Porém a situação tornou-se insustentável e em abril de 1821, depois de


quase treze anos, Dom João regressou a Portugal:

temendo perder o trono, caso não


regressasse a Portugal, o rei decidiu-se
afinal pelo retorno. Embarcou em abril
de 1821, acompanhado de 4 mil
portugueses. Em seu lugar, ficava como
príncipe regente seu filho Pedro, futuro
Dom Pedro I (FAUSTO, 2008, p.131)

Logo após a partida de Dom João, foram realizadas as eleições para as


Cortes. A maioria dos eleitos eram brasileiros. Enquanto isso, os portugueses não
escondiam o seu desejo de que o Brasil voltasse a ter suas liberdades restringidas.

No mesmo passo os brasileiros começavam a defender com mais força a


independência.

Dom João e as Cortes portuguesas começaram a decretar a transferência


de repartições instaladas no Brasil para Lisboa e a exigir a volta do príncipe

regente para o país lusitano. No entanto, a elite brasileira e principalmente o


Partido Brasileiro defendiam a permanência do mesmo no Brasil e que a

proclamação da independência fosse feita por ele. Em 9 de janeiro de 1822, O

príncipe eternizou o dia do fico. Segundo Fausto (2008):


os atos do príncipe regente posteriores
ao “fico” foram atos de ruptura. As
tropas portuguesas que se recusaram a
jurar fidelidade a Dom Pedro viram-se
obrigadas a deixar o Rio de Janeiro.
Esboçava-se a partir daí a criação de um
exército brasileiro. Dom Pedro formou
um novo ministério, composto de
portugueses, mas cuja chefia coube a
um brasileiro, José Bonifácio de Andrada
e Silva (p.132)

Dom Pedro acabara de enfrentar seu pai e a Corte portuguesa iniciara a


conquista da independência do Brasil. José Bonifácio tornou-se uma das figuras

políticas mais importantes do Brasil no período e principal conselheiro de Dom


Pedro. O período que se estendeu de meados de 1821 a meados de 1822 foi

marcado por decisões que rompiam a união entre Brasil e Portugal e esboçavam
um projeto de Brasil independente.

Fausto (2008) ressalta que, em junho de 1822, o Brasil acolhia a proposta


de convocar uma Assembleia Constituinte e que em agosto, o príncipe regente

decretou que as tropas vindas da Metrópole seriam consideradas inimigas (p.134).


Questão de dias separava o Brasil colônia do Brasil independente.

Dom João e os portugueses não aceitaram a “afronta” de Dom Pedro e dos


brasileiros e despacharam um decreto sentenciando a volta do príncipe a Portugal
e acusando os ministros de traição. Estava claro que já não existiam mais relações

entre Brasil e Portugal. Diante da situação Dona Leopoldina e José Bonifácio


enviaram às pressas as notícias ao príncipe em viagem a caminho de São Paulo
(p.134).

Senhor, os dados estão lançados e de Portugal não temos a esperar senão


escravidão e horrores. (José Bonifácio, 1822)

Dom Pedro voltava de uma viagem a Santos quando recebeu as cartas e

sentindo que não tinha mais o que fazer proclamou a independência do Brasil:

Alcançado a 7 de setembro de 1822, às


margens do Riacho Ipiranga, Dom Pedro
proferiu o chamado Grito do Ipiranga,
formalizando a independência do Brasil.
A 1º de dezembro, com apenas 24 anos ,
o príncipe era coroado imperador,
recebendo o título de dom Pedro I. O
Brasil se tornava independente, com a
manutenção da forma monárquica de
governo. Mais ainda, o novo país teria
no trono um rei português (p.134)

O Brasil rompia trezentos e vinte e dois anos de laços com Portugal. Seria

governado agora por um imperador, filho do rei de Portugal, mas unido com as
elites brasileiras. A Inglaterra continuaria a fazer parte da vida do país, uma vez

que Portugal só reconheceu a independência depois que o Brasil pagou uma


quantia de 2.000.000 de libras esterlinas, dinheiro que foi emprestado aos

brasileiros pelos ingleses.


Muitos historiadores discutem o significado da independência para o Brasil.

Enquanto no restante da América, em países como Argentina, Chile, Colômbia,


Bolívia e Venezuela as independências foram conquistadas a partir de revoluções

populares e as formas de governo adotadas eram em sua maioria a república, o


Brasil continuava a ser uma monarquia, governada pelo filho do rei de Portugal e

o processo de independência fora conquistado a partir de um acordo entre o


príncipe e as elites brasileiras. A escravidão era outro ponto a ser questionado, já
que foi mantida atendendo aos interesses dos grandes proprietários de terra. Esse

era o cenário do Brasil independente.

Fonte: http://www.culturabrasil.org/independencia2004.htm

Quadro de Pedro Américo – O Grito do Ipiranga. Foi produzido em 1888, a

partir de relatos e gera muitas discussões a respeito de algumas características,


como as vestimentas que não cabem para uma viagem tão longa e os cavalos que

na verdade seriam mulas. Como o ato de dom Pedro precisava ser retratado
como um ato heroico, as características seguiram um estilo que evidenciasse toda

a magnitude do ato do príncipe.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Vídeo: Eduardo Bueno/Fantástico – A independência do Brasil. Disponível em:

http://www.youtube.com/watch?v=97X1HafIRoM

Uma leve bagagem cultural. Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br


UNIDADE 20 - O REINADO DE D. JOÃO E A EDUCAÇÃO

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Pensando na história da educação no Brasil, desde seus primórdios até os


dias atuais, é necessário que os educadores possam visualizar de forma mais

completa temas em volta de seu oficio.

ESTUDANDO E REFLETINDO

D. João não veio para o Brasil sozinho, junto com ele estava toda sua corte,
que incluía mais 10 mil nobres e os maiores intelectuais de Portugal. Além disto,

vieram para o Brasil setecentas carroças e carruagens, móveis rebuscados, obras


de arte e, o mais importante, todos os arquivos portugueses e sessenta mil livros.

Para uma zona onde havia carência de livros, então raros, a transferência
da Biblioteca Real para o Brasil foi um passo importante rumo a algumas

melhorias no sistema educacional.As melhorias que a mudança da corte para o


Brasil trouxeram não se resumiram apenas a criação de uma biblioteca pública.

Vista aera da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede do governo português


não por sua infraestrutura, mas pela localização geográfica e maior distância do
cenário da guerra, possuindo facilidade de comunicação marítima com a África e

a Ásia.Salvador, por exemplo, em termos estruturais, estava muito mais preparada.


Apesar de ser já a capital do Brasil e das reformas implementadas pelo

Marquês do Lavradio, o Rio de Janeiro não tinha a menor condição de servir de


capital ao Império marítimo português.

Influenciado por seus conselheiros, o príncipe regente remodelou a cidade,


calçando as ruas e criando uma rede de iluminação pública.

Dentro deste contexto, procurou também modificar o ambiente cultural no

Brasil, abrindo os portos brasileiros, em 1808, aos navios de todas as nações.


Uma medida que envolveu outras questões que não apenas a cultural

obviamente, mas o que atraiu um bom número de intelectuais estrangeiros que


foram responsáveis por um enorme salto no campo educacional.

Além disto, em 1816, sob a influência de Antônio de Araújo de Azevedo, o


Conde da Barca, intelectual de orientação francesa, D. João organizou a vinda de

uma missão francesa composta por intelectuais para o Brasil.


Como a França estava envolta em uma agitação social sem precedentes,

herdada da revolução francesa, tendo os franceses sido derrotado pelos ingleses


por esta altura, o Conde da Barca, encarregado de selecionar os intelectuais que
seriam escolhidos, não teve o menor problema para encontrar gente que havia
antes apoiado Napoleão e que estava disposta a vir para o Brasil.

Para estes intelectuais franceses, o convite representou a possibilidade de


escapar de represarias do novo governo que estava sendo formado na França. Na

chamada missão francesa, vieram intelectuais e artistas que seriam responsáveis


por uma mudança radical na cara do Rio de Janeiro.

Eles fizeram escola, formando um grupo de intelectuais brasileiros que


seriam vitais dentro do sistema educacional do Brasil durante o Império, inclusive,

acabando gradualmente com a falta de professores que estava em voga


aqui.Entre outros, fizeram parte da missão francesa:
Joachim Lebreton, considerado como o chefe da missão, que antes fora um

dos organizadores do Louvre e, ao se recusar a devolver obras pilhadas nas


campanhas de Napoleão, havia caído em desgraça, trazendo consigo para o Brasil

cinquenta e quatro telas do Louvre, que mais tarde acabaram sendo perdidas por
apodrecerem.

Auguste-Marie Taunay, um famoso escultor que iria se notabilizar como


professor de artes e formar inúmeros artistas brasileiros.

Grandjean de Montigny, um grande arquiteto responsável pela construção

de belos edifícios que serviram de sede a órgãos do Estado.


Os pintores Charles Pradier e Jean Baptiste Debret, responsáveis pela

retratação do Brasil daquela época e também de parte do período Imperial.


E os gravadores e escultores Marc e Zéphyrin Ferrez, responsáveis pela

criação da estampa da primeira moeda brasileira.


Sob influência das quarenta e seis pessoas que vieram na missão francesa,

foram criados diversos órgãos e departamentos de Estado, tal como Academia de


Belas Artes.

No entanto, depois que a academia começou a funcionar, intrigas internas,


acusações do embaixador francês no Brasil de serem os artistas subversivos e
contrários a monarquia, além do ciúme dos artistas brasileiras, praticamente
expulsou quase todos os franceses. Alguns deles voltaram para a França e outros

permaneceram no Brasil como professores particulares, dando inicio a uma


tradição que se perpetuaria durante o Império.

Apesar do ar abobalhado de D. João VI e da missão francesa, em certa


medida, ter fracassado depois de alguns anos, o fato é que a vinda da corte para

o Brasil gerou a fundação de instituições de nível superior, antes inexistente. Para


além da Academia de Belas Artes, foram criadas no Rio de Janeiro a Academia da

Marinha, a Academia Real Militar, uma Escola anatômico-cirúrgica e médica, um


curso de Agricultura e a Escola Real de Ciências Artes e Ofícios.
Na Bahia, em Salvador, foram fundados o curso de Cirurgia, a cadeira de

Economia, o curso de Agricultura, o curso de Química e o curso de Desenho


técnico.

Durante o governo de D. João foram estabelecidas ainda, no Rio de


Janeiro, quatro instituições que iriam estimular as ciências no Brasil: o Jardim

Botânico, um observatório astronômico, um museu da mineração e um


laboratório químico.

No ensino elementar e médio, nenhuma mudança foi feita, mas, apesar das

instituições criadas terem sido fundadas principalmente para dar emprego aos
nobres e intelectuais que tinham vindo com D. João de Portugal, a fundação de

instituições de nível superior e de cunho cientifico iriam formar um quadro de


homens capacitados a exercerem a profissão docente.

O período joanino facilitou as mudanças que seriam implantadas depois da


independência do Brasil. O grande legado do governo de D. João VI para o ensino

elementar e médio foi a criação da Imprensa Régia.


O primeiro livro editado foi a “Riqueza das Nações”de Adam Smith,

passando a editar também um jornal diário, chamado a Gazeta do Rio de Janeiro.


Ato que foi acompanhado da extinção da proibição da imprensa no Brasil, o que
culminou imediatamente com a fundação de tipografias particulares no Rio de
Janeiro, São Paulo e Salvador.

Os livros, antes de difícil acesso, por serem muito caros, uma vez que
necessariamente importados, ficaram mais acessíveis, facilitando, em alguns casos,

o autodidatismo nas províncias mais distantes e periféricas.


Devemos notar que, apesar da importância que tiveram as mudanças

implantadas por D. João VI, todas as medidas e instituições serviram somente a


elite e tiveram como objetivo formar uma casta dirigente brasileira.

Algo que, em certa medida, contraditoriamente, foi um responsável pelo


fomento da luta em prol da independência.
D. João VI foi obrigado a partir para Portugal, em um momento em que

seu trono estava ameaçado por lá caso não voltasse.Deixou seu filho como
regente, o príncipe D. Pedro I, o qual teria, em um lampejo de sabedoria, pouco

afeito ao seu caráter, pressentido que as medidas tomadas por ele mesmo
terminariam fazendo o Brasil se separar de Portugal.

Na verdade, um contexto gradual que se iniciou ainda no período colonial,


tanto que, ao partir, D. João teria dito a D. Pedro: “Se o Brasil se separar, antes

seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Site: A Educação no Período Colonial (1500-1822)

http://navegandohistedbr.comunidades.net/index.php?pagina=121930643

Vídeo: EDUCAÇÃO NO BRASIL COLÔNIA Parte 1


http://www.youtube.com/watch?v=MBhHRLPalWk
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