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Ações e práticas pedagógicas escolares: relações


étnico raciais em debate
Professora Drª Janaína de
Azevedo Corenza
IFRJ

Primeiras questões...
Apresentação
Motivação
Expectativas
Ementa
Instrumentalização de licenciandos e/ou professores que
atuam na educação básica com atividades que visem o
debate sobre as relações étnico raciais nas escolas.
Valorização da importância da formação continuada como
mecanismo para a implementação da Lei 10.639/2003 nas
escolas. Levantamento de ações práticas que contribuam
para a mudança do cenário escolar que envolvem racismo,
preconceitos e estereótipos socialmente construídos.
Objetivo

Proporcionar oportunidades variadas e significativas para o


estudo e a produção de material prático para uso nas
escolas, envolvendo as relações étnico raciais no contexto
escolar.
Momento 1:

-Histórico da Lei 10.639/2003


-Duas atividades práticas
Momento 1:

Atividade prática 1: “Sua escola é etnocêntrica ou anti


racista?”
A atividade é desenvolvida a partir de 13 questões que
buscam examinar, a partir das respostas dadas, se a escola
tem características que promovem uma educação
etnocêntrica ou anti racista.

Atividade prática 2: “A palavra é...”


A atividade busca explicitar e conhecer o significado de algumas
palavras e expressões que devem ser repensadas em prol da
reconstrução, ressignificação e a reconstrução das noções
preconceituosas existentes.
Debate das ideias apresentadas
Momento 2

-A escravidão moderna no mundo

-A escravidão nos dias atuais/escravidão moderna


Exibição do documentário “Sim nós temos escravos, e
lucramos com eles”. TED x Ver o peso/ Leonardo
Sakamoto(10 minutos)
-Debate sobre as ideias apresentadas a partir dos dados
da escravidão (antiga e atual)

Atividade prática 3: “Jogo do contraponto”


O jogo visa proporcionar momentos de reflexão e debate
sobre a questão racial brasileira, possibilitando a formação
de conceitos e conclusões.
Escravidão moderna
Para jus ficar a escravidão, encontramos um eco distante desse pensamento nos
conceitos de muitos fazendeiros americanos da época moderna, bem como nas
“Memórias de uma princesa árabe de Zanzibar”*, Emily Ruete, publicadas em 1888.
Num capitulo dedicado à escravidão, ela diz que são “as desigualdades de natureza”
que “diferenciam as responsabilidades”, antes de falar da “falta de inteligência da raça
negra” e dos escravos das plantações de seu pai, que só trabalhavam quando
apanhavam.

Zanzibar é nome dado ao conjunto de duas ilhas do


Arquipélago de Zanzibar, ao largo da costa da Tanzânia,
na margem leste-africana, de que formam um estado
semiautônomo daquele país.
“O negro ama sua comodidade acima de tudo, só trabalha quando é absolutamente
forçado e, ainda, só se submete debaixo do mais severo controle (...). Ficar preso não é
cas go que os assuste, ao contrário: um negro se sen rá bem feliz de passar uns dias
na prisão, ao abrigo do calor e dispensado do trabalho (...) ganhará novas forças para
prosseguir o curso de seus malfeitos uma vez devolvido à liberdade (...). Em
semelhantes condições, infelizmente só há um meio eficaz: os cas gos corporais”.
(Emily Ruete, 1888)
A ESCRAVIDAO MODERNA: OS 10 PAISES QUE MAIS
ESCRAVIZAM ADULTOS E CRIANÇAS

Fonte: h ps://www.greenme.com.br/viver/costume-e-sociedade/1095-a-escravidao-moderna-os-10-paises-que-mais-escravizam-adultos-e-criancas
• Um relatório recentemente publicado pela Walk Free Fonda on, uma organização
pelos direitos humanos, es ma que 35,8 milhões de pessoas são escravizadas em
todo o mundo, e 10 países possuem 70% deste total.
• A escravidão moderna é diferente da tradicional. Esta úl ma, ilegal em cada um
dos 167 países pesquisados em 2014 pelo Global Slavery Index que tratam as
pessoas como se elas fossem uma propriedade. A escravidão moderna, definida
como a posse ou o controle de uma pessoa privada de seus direitos, com a
intenção de exploração, existe em cada uma destas 167 nações.
• Em alguns países, o número de escravos é par cularmente elevado. Cinco países são
responsáveis por 61% do total de pessoas que vivem sob a escravidão moderna,
e 70% de todas as pessoas escravizadas, vivem em 10 países. A Índia é o país que
abriga o maior número de escravos, mais de 14 milhões.
• O segundo país mais populoso do mundo, a Índia tem o maior número absoluto de
pessoas que vivem em condições de escravidão moderna. Os 14,3 milhões de
escravos ali presentes são quatro vezes mais do que o número de escravos
modernos na China, país na segunda posição do ranking. A prevalência da escravidão
na Índia, como em outros países da região da Ásia-Pacífico, é em grande parte
devida à dependência da economia baseada na mão de obra barata e não
qualificada.
• Na China a população escravizada é de cerca de 3,2 milhões de pessoas. Este valor
elevado pode ser proporcional ao fato de que a China é o país mais populoso do
mundo, com mais de 1,3 bilhão de pessoas. No entanto, nos EUA, o terceiro país
mais populoso do mundo, há pouco mais de 60 mil pessoas que vivem em condições
de escravidão moderna, de acordo com o Walk Free Founda on. A rápida
modernização da China e a urbanização juntamente com a grande migração
nacional, seriam a base da escravização de muitas pessoas, especialmente
na indústria da construção civil e na mineração.
• No Paquistão (sul da Ásia) vivem na escravidão 2,1 milhões de pessoas, cerca de 1%
da população do Paquistão. A forma mais comum é a servidão por dívidas, uma
técnica frequentemente u lizada pelos empregadores. Se os trabalhadores
aumentarem ainda mais as suas dívidas, outros membros da família são muitas
vezes forçados a ajudar o empregador gratuitamente.
• Cerca de 4% de todas as pessoas que vivem nas proximidades do Uzbequistão (Ásia
central) encontram-se em condições de escravidão moderna. Quase a porcentagem
mais alta do mundo, com mais de um milhão de pessoas forçadas a colher
algodão por dois meses a cada ano. Apesar de uma queda na produção do algodão
nos úl mos anos e de uma queda nos preços mundiais deste produto, seja o FMI
que o Banco Asiá co de Desenvolvimento prevê um forte crescimento na economia
do país em 2014 e em 2015.
• A Rússia é um dos cinco países do mundo com mais de um milhão de pessoas que
vivem como escravos modernos, de acordo com a Walk Free Founda on. Entre
esses trabalhadores nascidos na an ga União Sovié ca, mulheres e crianças são
ví mas do tráfico sexual. A fundação também é bastante crí ca à resposta do
governo russo para o problema, e assinala que a corrupção desenfreada na aplicação
da lei aumenta a vulnerabilidade dos russos que vivem em condições de escravidão
moderna.
• O país Africano tem 834.200 pessoas escravizadas. A Nigéria não sofre a guerra e os
distúrbios civis na mesma medida que outros países africanos. No entanto, o país
ainda luta com a escravidão moderna. Cerca de uma a cada 200 pessoas vivem na
escravidão, uma das mais altas taxas de todo o mundo. O governo nigeriano é o
que está melhor enfrentando o problema. A Nigéria foi um dos apenas oito países da
África Su, a ter um orçamento claro - 11.900 mil dólares - para financiar o combate
ao tráfico humano. Este também foi o maior orçamento regional, o que
provavelmente ajudou o governo da Nigéria a receber o melhor índice de avaliação
entre os países africanos contra a escravidão.
• Na República Democrá ca do Congo, 762.900 pessoas são escravizadas. Apesar da
economia forte, o país ainda está entre os menos desenvolvidos do mundo. A RDC
tem sido palco de uma sangrenta guerra que envolveu vários países africanos entre
1998 e 2003, e que custou milhões de vidas. Vários conflitos armados con nuam até
hoje. De acordo com a Walk Free Founda on, décadas de instabilidade polí ca e de
uma violenta guerra civil deixaram muitos cidadãos da República Democrá ca do
Congo vulneráveis à escravidão moderna. Outro fator é a rica quan dade de
minerais no país, por isso existem ali muitos escravos u lizados na extração de
diamantes, cobre e ouro.
• São 714.100 pessoas na escravidão moderna. A Indonésia país localizado entre o
Sudeste Asiá co e a Austrália, sendo o maior arquipélago do mundo, composto
pelas Ilhas de Sonda é um dos países mais populosos do mundo, com quase 250
milhões de cidadãos. De acordo com a Walk Free Founda on, a escravidão moderna
na Indonésia é caracterizada por trabalho forçado domés co, agrícola e no setor
pesqueiro. Em par cular, o relatório iden fica a produção do óleo de palma como
um problema, dizendo que muitas vezes é produzido pelos trabalhadores que estão
presos nas plantações. O óleo de palma é usado em muitos produtos de consumo,
do batom ao sorvete.
• País localizado na Ásia, são 680.900 pessoas na escravidão moderna. De acordo com
a Walk Free Founda on, o desabamento de uma fábrica de roupas de oito andares
no ano passado matou mais de 1.000 trabalhadores. O incidente pôs em evidência
a situação dos cidadãos que trabalham em ambientes perigosos e desprotegidos.
• A população em estado de escravidão moderna na Tailândia – sudeste asiá co-é de
cerca de 475.300 pessoas. Como muitos outros países da região da Ásia-Pacífico -
onde vivem cerca de dois terços dos escravos modernos do mundo - a economia da
Tailândia depende fortemente de empregos pouco qualificados, especialmente na
pesca e nas indústrias de vestuário. Além disso, os trabalhadores migrantes de
países vizinhos representam uma proporção considerável da força de trabalho na
Tailândia e são, talvez, ainda mais propensos a aceitarem o trabalho forçado ou a
exploração sexual.
• Vídeo para reflexão sobre escravidão moderna
Leonardo More Sakamoto é um jornalista brasileiro. Além da graduação em
jornalismo, possui mestrado e doutorado em ciência polí ca pela USP.
É membro da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e colunista
do portal Uol. Nesta palestra, Sakamoto fala sobre a dura realidade de quem acredita
na ilusão de uma vida melhor mas acaba preso, isolado, explorado e abandonado em
algum confim do Brasil -- sob a ganância, a tortura sica e psicológica alheias. Esta
apresentação foi gravada no dia 27 de agosto de 2011 durante o TEDxVer-o-Peso,
primeiro evento TEDx do Pará.
h ps://youtu.be/sAS9KPbmCH8
Atividade prática 3: “Jogo do contraponto”
O jogo visa proporcionar momentos de reflexão e debate
sobre a questão racial brasileira, possibilitando a formação
de conceitos e conclusões.
Momento 3
Personalidades negras: mulheres e histórias
-Explanação sobre algumas histórias de mulheres negras
nem sempre presentes no currículo escolar da educação
básica
Exibição do documentário: “Um novo olhar sobre a pessoa
negra; novas narrativas importam" | Gabi Oliveira |
TEDxUNIRIO” (10 minutos)
Debate sobre pontos explorados no vídeo e as possíveis
relações com ações pedagógicas excludentes.
-Atividade prática 4: "Quem é quem na história negra?=
Jogo da memória”
-Atividade prática 5: Bingo
Os jogos promovem maior conhecimento sobre
personalidades negras, símbolos, instrumentos e objetos
pertencentes à cultura negra.
Intelectuais/cientistas/estudiosas
negras
Pense na professora ou no professor negro que você teve na sua
vida acadêmica.

Ele /ela é um intelectual?


Ele/ela é um cientista?
Para início de conversa...
Nos Estados Unidos, mulheres negras têm três
vezes mais chances de morrerem devido ao parto.
No Brasil, 60% das vítimas de mortalidade materna
são negras (pretas e pardas) e 34% são brancas,
segundo o Ministério da Saúde. Os números
refletem o óbito durante a gravidez, o parto e o
aborto.
 Fonte: https://
www.metropoles.com/vida-e-estilo/bem-estar/saude-bem-estar/por-que-mulheres-negras-sao-as-que-mais-morrem-na-gravidez-e
-no-parto
Mulheres negras: objeto de pesquisa
O racismo possui raízes antigas, mas continua
sendo repassado com os ensinamentos do “pai da
ginecologia”, J Marion Sims. “Ele abria mulheres
negras grávidas para fazer experimentos,
realizava cesáreas sem anestesia. Existe essa
história já construída e ela faz parte do processo
de como uma pessoa negra é atendida no sistema
de saúde”. Várias mulheres operadas por Sims
morriam também devido à infecções, porque ele
não prescrevia cuidados pós-cirúrgicos.
(Emanuelle Goés, enfermeira, doutora em saúde
pública)
-Nas ciências da natureza e tecnológicas, assim como em outros
setores de investigação, a mulher negra não constitui o sujeito
do qual e para o qual se fala, pois ao se mencionar os negros
tais áreas se referem ao homem negro e ao se mencionar as
mulheres, se referem à mulher branca (SCHIEBINGER,
2001).
-As práticas e os valores das ciências, que foram elaborados
em sua maioria por homens, agregam os conceitos de
universalidade, neutralidade e objetividade sob os quais não
há espaços para abarcar discussões de raça ou
gênero (SCHIEBINGER, 2008).
Logo, “ser branco passa a ser considerado como
padrão normativo e único de ser humano”
(CARDOSO, 2011, p. 82) e se considera
constrangedora qualquer relação cultural ou
biológica que se tenha com a negra (CARDOSO,
2011).
Da mesma maneira, se tenta apagar e excluir os
povos não-europeus das narrativas históricas
(CRUZ, 2005), suprimindo suas contribuições no
campo da economia, das ciências, da política, na
tendência de se contar apenas uma história.
Romper com uma representação estereotipada de negras e
negros simboliza a ruptura com uma postura que “reforça o
estereótipo do não-lugar social imposto ao negro e impede
que o vejamos como sujeito histórico, social e cultural”
(GOMES, 2002a, p. 42).
Portanto, contar outra versão da história, em que esteja
presente a ideia de que um corpo negro contestador
(GOMES, 2002), significa desconstruir estereótipos e
desnaturalizar desigualdades raciais de maneira a
conceber uma imagem positiva da negra (GOMES, 2002a).
Essa é uma tarefa pedagógica, política e social que
também compete a nós, professores, sujeitos pertencentes
a uma sociedade racista e também como formadoras de
sujeitos para atuarem nesta mesma sociedade.
Consideramos que neste nível de análise a questão
orientadora é: quais são os obstáculos que a cultura
científica impõe às mulheres? Aqui se encontram as
práticas e códigos instituídos a partir do referencial
masculino. Podemos considerar que alguns pontos desta
discussão encontram-se diluídos nas abordagens
sociológicas sobre a participação das mulheres onde são
descritas as dificuldades, por exemplo, entre a maternidade
e a produção científica ou a oposição dos modelos de ser
mulher e cientista.
Conhecendo mulheres
Cientistas que fizeram história
Annie Easley (1933-2011)
Cientistaaeronáutica que desenvolveu um software
para o Centaur, um dos lançadores de foguete mais
importantes da NASA.
O Centaur é um lançador de foguetes usado para
propulsionar sondas e satélites até o espaço. Ele
tem um valor inestimável para a Nasa desde sua
criação.
Annie Easley também contribuiu em pesquisas para
usinas elétricas e baterias eletrônicas, o que
permitiu a criação de veículos híbridos.
Mamie Phipps Clark (1917-1983)
Psicóloga social cuja pesquisa sobre a autoimagem
das crianças negras foi essencial para demonstrar o
dano causado pelas escolas segregadas durante o
caso Brown v. Board of Education.
No agora famoso “teste da boneca”, Mamie e seu parceiro
de pesquisa (seu marido) ofereceram a crianças uma
boneca negra e uma branca. Depois, perguntaram a elas
como se sentiam em relação a cada uma delas.
Foi principalmente devido às suas descobertas — que as
crianças preferiam brincar com a boneca branca em vez da
boneca negra, demonstrando que
a segregação realmente afetava negativamente a
autoimagem das crianças negras — que as escolas foram
finalmente dessegregadas nos Estados Unidos.
Alice Ball (1892-1916)
Química que criou o primeiro tratamento eficaz
contra a hanseníase quando tinha apenas 23 anos.
Antes de Alice, as pessoas sabiam que um
tratamento potencial para a hanseníase existia no
óleo de Chaulmoogra. No entanto, ele era espesso
demais para circular através do corpo.
Alice Ball, prodígio da ciência e química
extraordinária, foi quem descobriu como transformá-
lo em um tratamento que funcionasse.
Jane Wright (1919-2013)
Oncologista que foi essencial no desenvolvimento
de tratamentos contra o câncer.
Jane Wright criou tratamentos mais seguros contra
o câncer. Quando ela começou seu trabalho, a
quimioterapia ainda era, em grande parte,
experimental. Wright descobriu formas menos
invasivas de administrá-la e desenvolveu formas de
testá-la em células isoladas em vez de em
pacientes vivos ou ratos de laboratório.
Cientistas negras brasileiras
Medicina
Dra Katleen Conceição.
Katkeen é Dermatologista pela Sociedade Brasileira
de Dermatologia do Rio de Janeiro e Membro da
Sociedade Brasileira de Laser.
Iniciousua carreira como estagiária na Santa Casa
de Misericórdia e fez pós-graduação na
Universidade Federal Fluminense, onde ficou por
quatro anos à frente do ambulatório de acne e
peeling.
Referência na área foi chefe do primeiro
Ambulatório de Dermatologia da Pele Negra, no
Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de
Janeiro. 
Odontologia
Dra. Kátia Cristina Neves
Entrevista
 Como foi sua infância, quando decidiu que seria médica?
Minha infância foi maravilhosa fui criada na casa que nasci junto com os
meus avós maternos, tio, pais e minha irmã mais velha. Tive um acidente
doméstico no recreio na escola enquanto brincava de pega-pega com um
colega e tivemos um encontrão e tive que ser atendida com urgência pelo
dentista que fez uma mobilização no meu dente anterior que não era mais o
de leite. Achei o máximo a conduta profissional, tinha 12 anos e estava na
antiga 7ª série primária.
 Como foi o ingresso na universidade? Você teve dificuldades
nesse ingresso?
Ingressei na Universidade aos 18 anos após o Cursinho Pre-Vestibular.
Prestei Medicina Veterinária nas Públicas e passei em Odontologia na
Universidade de Mogi das Cruzes.
 Em qual área se especializou?

Odontopediatria
Filosofia
 Aparecida Sueli Carneiro Jacoel é uma filósofa, escritora e ativista
antirracismo do movimento social negro brasileiro. Sueli Carneiro é
fundadora e atual diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e
considerada uma das principais autoras do feminismo negro.
Há 30 anos, Sueli fundou, ao lado de outras nove
mulheres negras, o Geledés – Instituto da Mulher
Negra. Primeira organização negra e feminista
independente de São Paulo, o Geledés escancara a
desigualdade e impulsiona estratégias de inclusão.
Na prática, trabalha junto às maiores instituições
públicas e privadas no país, combatendo o racismo
e o sexismo.
Nessa luta, Sueli participou de audiências públicas do
Supremo Tribunal Federal (STF) para a criação de cotas.
Sueli também atua na criação e difusão de cursos de
cidadania para mulheres de periferia e lideranças
populares na área de proteção à mulher com a criação de
programas e aplicativos, além do desenho de políticas
públicas para a igualdade de gênero. “É a nova geração
que leva esse legado. Tenho recebido muito carinho, e com
isso vem a certeza de que a luta valeu a pena.”
Engenharia
 EnedinaAlves Marques (1913-1981) foi a primeira mulher a se
formar em engenharia no estado do Paraná e a primeira
engenheira negra do Brasil. Filha de um casal de negros provenientes
do êxodo rural após a abolição da escravatura em 1888, a família chegou
em Curitiba em busca de melhores condições de vida.
-Ainda na infância, ajudava a mãe nas tarefas domésticas
na casa do militar e intelectual republicano Domingos
Nascimento, em troca de instrução educacional.
-Foi alfabetizada aos 12 anos e em 1926 ingressou no
Instituto de Educação do Paraná, sempre trabalhando como
doméstica e babá em casas da elite curitibana para custear
seus estudos.
-Recebeu seu diploma de professora em 1932.
-Entre 1932 e 1935, Enedina lecionou em várias escolas
públicas no interior do Paraná, entre elas, no grupo escolar
São Matheus em 1932, atual colégio São Mateus.
Física
 SôniaGuimarães é uma física brasileira, professora do Instituto
Tecnológico de Aeronáutica, primeira mulher negra brasileira doutora
em Física e primeira mulher negra brasileira a lecionar no ITA, tendo
ingressado em 1993, quando a instituição ainda não aceitava
mulheres como estudantes.
Relatos de Sônia
 Ela conta sobre o que é ser mulher num instituto tecnológico militar, onde
majoritariamente a comunidade é masculina, branca e homofóbica, por
mais que os preconceitos não sejam declarados da parte deles. Porém,
como no ITA “não existe raça ou gênero”, Sônia sempre foi julgada como
“incapaz”, afinal, é como ela diz: “Eles dizem que não sou inteligente o
suficiente, porque se fizerem um comentário sobre eu ser mulher, posso
processá-los. Se falarem que é porque sou negra, racismo é crime. Mas se
o problema é eu ser burra, não dá pra fazer nada. A todo momento eu
tenho que provar que sou o bastante”.
 Sônia também cita o contexto social que envolve sua condição: “Dou aula
num lugar em que o vestibular tem de 13 a 15 mil candidatos
para 120 vagas. Não foi fácil para esses 120 meninos. Aí eles
entram na sala do ITA e vêem uma pessoa desse jeitinho, que
eles só viram limpando a casa deles ou cuidando deles
pequenos, ou limpando a rua e, agora, professora do ITA?”.
Para finalizar mas jamais parar...
 Nos contaram acerca de uma história de inferioridade programada da
população negra no mundo nos últimos quatro séculos e
“esqueceram” de nos contar sobre os milênios de pioneirismo
intelectual desses nossos e nossas ancestrais nas ciências, na
matemática, na filosofia, no desenvolvimento da escrita, na
arquitetura, na medicina etc. Nos ensinaram uma história negra que
ontologicamente remonta à escravidão, entretanto invisibilizaram
informações relevantes, como o fato de a humanidade ter nascido em
África – o verdadeiro velho mundo –; de uma mulher negra africana,
Merit Ptah (2700 a.C), ser a PRIMEIRA MÉDICA de que se
tem conhecimento; como o fato de não conhecermos grandes
impérios africanos como Axum, Meroé, Núbia, Numídia, a Terra de
Punt, o Império de Kush, o Império Ashanti e o Império de Gana,
dentre outros.
Momento 3

Exibição do documentário: “Um novo olhar sobre a pessoa


negra; novas narrativas importam" | Gabi Oliveira |
TEDxUNIRIO” (10 minutos)
Debate sobre pontos explorados no vídeo e as possíveis
relações com ações pedagógicas excludentes.
-Atividade prática 4: "Quem é quem na história negra?=
Jogo da memória”

-Atividade prática 5: Bingo


Os jogos promovem maior conhecimento sobre
personalidades negras, símbolos, instrumentos e objetos
pertencentes à cultura negra.
Momento 4

Finalização com debate sobre as propostas apresentadas e as


possibilidades de ações pedagógicas no espaço escolar.
Referências
• BRASIL. Lei nº. 10.639 de 09 de janeiro de 2003. Inclui a
obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” no
currículo oficial da rede de ensino. Diário Oficial da União, Brasília,
2003.

• BRASIL. Parecer CNE/CP n.º 3, de 10 de março de 2004 BRASILIA:


MEC, 2004.

• BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das


Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-
Brasileira e Africana. Brasília, MEC/SECADI, 2004.

• BRASIL. Proposta de Plano Nacional de Implementação das


Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação das Relações Étnico-
raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana
– Lei 10.639/2003. Brasília: MEC/UNESCO, 2008.
.
GOMES, Nilma Lino. Práticas pedagógicas e questão racial: o
tratamento é igual para todos (as)? Belo Horizonte. Formato,
2004.

• PETRE GRENOUILLEAU, Oliver Petre. A história da


escravidão. São Paulo. Boitempo, 2009.

• ROCHA, Rosa Margarida de Carvalho. Almanaque


pedagógico afro-brasileiro. Nzinga, 2008.
• Outros: https://www.todamateria.com.br/personalidades-
negras-brasileiras/
SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? Bauru: Edusc, 2001.
__________________, Londa. Mais mulheres na ciência: questões de
conhecimento. História, Ciências e Saúde – Manguinhos, 2008, vol. 15, p. 269-281.
TAVARES, Isabel; BRAGA, Maria Lúcia de Santana; LIMA, Betina Stefanello. As
negras e os negros nas bolsas de formação e de pesquisa do CNPq, 2015.
Disponível em: <http://www.cnpq.br/documents/10157/66f3ea48-f292-4165-bf7b-
8d630bdc8f9f>.
CARDOSO, Lourenço. Branquitude acrítica e crítica: A supremacia racial e o
branco anti-racista. Revista Latinoamericana de ciencias sociales, niñez y juventud,
v. 8, p. 607-630, 2010.
CARDOSO, Lourenço C. O branco objeto: O movimento negro situando a
branquitude. Instrumento (Juiz de Fora), v. 13, p. 81-93, 2011.
GOMES, Nilma Lino. Educação e identidade negra. Aletria (UFMG), Belo Horizonte,
n.9, p. 38-47, 2002a.
GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores/as:
um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo. Educação e Pesquisa, São Paulo,
v. 29, n.1, p. 167-182, jan./jun. 2003.
Obrigada!

Contatos:

janaina.corenza@ifrj.edu.br.

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