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Economia 2 Docente: Júlio Lucombo

Organização da Contabilidade Nacional


Ao estudarmos o circuito económico, podemos agrupar as unidades económicas em duas
ápticas:
1ª Óptica funcional – Isto é, tendo em conta as funções desempenhadas.
2ª Óptica institucional - Quando são caraterizadas por gozarem de autonomia de decisão no
exercício da sua função principal.
Exemplo: As empresas (desde que assumem a forma de sociedade) constituem unidades
institucionais. As famílias também constituem unidades institucionais.
Unidades institucionais: São aquelas que gozam de autonomia de decisão no exercício da sua
função principal.
Casos das empresas: A principal função e decisão de produzir.
Caso das famílias: A principal função é de consumir.
Na contabilidade nacional, há uma grande variedade de agregados como PIB- Produto Interno
Bruto, mais conhecido como rendimento disponível, a poupança e o investimento.
A medição e o desenvolvimento destes agregados macroeconómicos ao longo do tempo é objeto
de interesse para os decisores políticos e económicos

3- Objetivo do estudo da Contabilidade Nacional


- Ela é estudado por duas razões:
1ª Porque fornece a estrutura formal para os nossos modelos Macroteóricos.
2ª Porque permite o conhecimento de uns quantos números que ajudam à caracterização
da economia.
Questões Macroeconómicas centrais que interagem fortemente com o PIB são:
- Crescimento económico, a relação entre actividade económica e o desemprego e a
quantificação e as causas da inflação.
As três ópticas da medição do produto são:
a) Óptica da produção – Numa economia produz-se.
b) Óptica da despesa- Numa economia efetua-se despesa.
c) Óptica do rendimento- Numa economia distribui-se rendimento.
PIB- É o valor de todos os serviços e bens finais produzidos no país, num determinado
período de tempo (normalmente um (1) ano).
- Ele permite avaliar se a economia está em contração (parada) ou expansão
(crescimento), se necessita de um impulso, se deve ser travada ou se há ameaça de grave
recessão ou inflação.
PIB percapita – permite aos economistas determinarem o desenvolvimento económico
de um país.
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3.1- Óptica da produção


-VAB- Valor acrescentado bruto, que com relação a um produtor, é igual ao valor das
suas vendas liquida menos o valor dos produtos e serviços consumidos na produção
(consumos intermédios).
PIB- É a soma dos VAB de todas as entidades de produção que residem no país.
PNB-Produção Nacional Bruto- É o PIB adicionado ou subtraído as unidades residentes
o não residentes.
O produto, nacional ou interno, bruto ou liquido (sem amortização), pode ser valorizado
a:
1ª Custo de factores- Inclui apenas a remuneração dos factores de produção.
2ªA preços no mercado- É igual ao produto a custo de factores acrescidos dos impostos
indiretos e diminuído dos subsídios.
3.2 – Óptica da despesa
-A despesa interna é aquela que é feita em bens e serviços finais produzidas
internamente. Ela classifica-se em:
Consumo privado: É a despesa nos produtos consumidos e pagos diretamente pelos
residentes. Isto inclui tudo mesmo as despesas do consumidor com bens duradouros.
Consumo público: É a despesa feita pelo sector público administrativo em compras de
bens e serviços; exclui a despesa em transformação.
Investimento bruto: Investimento significa aumento do Stock físico de capital bruto no
sentido em que a depreciação não se encontra deduzida (não se faz sentir).
Assim, o investimento bruto é igual a soma do investimento líquido com (+)
amortizações;
IB=IL+A
Ou soma da formação bruta de capital fixo com variação de Stock.
IB=FB+
Exportações: É a despesa feita pelos não residentes em bens e serviços vendidos por
residentes.
Despesa interna – É a despesa feita pelos residentes quer em produtos internos quer em
importados.
DI=DPin+DPim
Procura interna: É a soma do consumo privado, do consumo público e do investimento
bruto.
PI=CPr+CPu+IB
Procura externa: São as exportações
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Procura global: É a soma da procura interna e da procura externa.


PG=Pin+Pex
Parte desta procura total é satisfeita por importações e não por bens e serviços
produzidos internamente.
A despesa interna é igual a procura global subtraída das importações
DI=PG-Imp
DI=Pin+Pex-Imp
3.3- Óptica de rendimento
Factores de produção: trabalho, capital e terra para se poder realizar, a actividade
produtiva necessita de factores cujos detentores são remunerados pela sua utilização. A
remuneração de trabalho inclui não apenas o salário, mas também as contribuições
socias, o capital e remunerado através de juros, lucros e rendas, estás últimas
remuneram também o factor terra.
Rendimento interno- Remuneração do trabalho (salário, contribuições socias) +
remunerações do capital (juros, lucros e rendas).
VAB-Valor acrescentado bruto- É a diferença entre as vendas e os consumos
intermédios do produtor. Do VAB, uma parte destina-se a suportar as amortizações e o
resto a pagar salário, contribuições, juros e rendas; o remanescente restante que sobra é
lucro. Ou seja o VAB subtraído das amortizações divide-se em rendimentos de diversas
categorias.
PIL- Produto Interno Liquido- o rendimento interno é igual ao produto interno líquido.
-Citamos a importância do estudo da contabilidade nacional.
-A mesma (C.N) permite analisar os circuitos económicos, tornando evidentes a sua
interdependência.
- A contabilidade nacional (C.N) fornece informações globais sobre o andamento da
economia.
-A C.N permite fazer previsões e definir políticas.
- A C.N permite fazer comparações internacionais.
4-Sectores institucionais e ramos de actividades
Sector institucional- É o conjunto de todas as unidades institucionais que tem
comportamento económico análogo (igual).
Os sectores institucionais são constituídos a partir:
1- Da função principal desempenhada.
2- Da autonomia de decisão dos agentes.
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Unidade institucional- É a unidade de produção que, além de gozar de capacidade de


decisão autonomia no exercício da sua função principal, dispõe-se da contabilidade
organizada e completa.
5- Contas e seus saldos
Para cada sector institucional e para o conjunto da economia, a contabilidade nacional
estabelece um conjunto de seis contas. Estás contas aparecem classificadas segundo
uma ordem lógica; primeiro, aparece a contabilização dos fluxos ligados a produção
(Contas de Produção e Exploração) depois a sua decomposição em termos de repartição
(contas de rendimento e utilização de rendimento) e de objetivos de investimento
(Contas de capital), por último a contabilização das operações financeiras (Contas
financeiras).
5.1-Conta de Produção
A conta de produção descreve as operações ligadas ao processo de produção (criação de
bens e serviços no discurso de um período).Tem como recursos a produção de bens e
serviços valorizados ao preço de saída da fábrica (Valor Bruto de Produção) e como
empregos os consumos intermédios necessários a obtenção dessa produção. O saldo é o
valor acrescentado bruto (VAB), que procura medir a contribuição das unidades
produtivas para o produto interno bruto (PIB).
Do lado dos empregos registam-se todas as compras de bens intermédio de que a
empresa necessita para realizar a sua produção (Matéria prima e Matérias subsidiarias)
dos recursos regista-se o valor final da produção, ou seja, aquilo que a empresa recebe
pela venda da sua produção.
Matéria subsidiária- O que se acrescenta a matéria-prima para produção do bem
(Produto acabado).
Saldo da conta- É a diferença entre os empregos e os recursos (VAB).
O valor acrescentado de uma unidade económica é igual a produção desta unidade os
consumos intermédios e mede a riqueza efetivamente pela unidade de produção.
5.2- Conta de Exploração
Mostra como o valor acrescentado gerado na actividade produtiva se reparte pelas
agentes que diretamente tomaram parte no processo produtivo. Constituem recursos
desta conta o valor acrescentado bruto (VAB), que transita da conta anterior.
5.3- A conta utilização do rendimento
Mostra como o saldo da conta anterior a que constituído em recursos, vai fazer face a
dois empregos alternativos: consumo final ou constituição de poupança bruto. No caso
dos sectores que não tem consumo final ao seu rendimento disponível corretamente
poupança bruta.
5.4- A conta Capital
Registo as diversas operações ligados ao investimento em actividade não financeiros.
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O saldo deste conta permite-nos averiguar ate que ponto o sector ou sectores em analise
se auto financiam. Se este saldo é positivo, o sector ou sectores em causa tem
capacidade financeira, se o saldo é negativo, então o sector ou sectores em foco tem
necessidade de financiamento (recorrerão a empréstimo).
5.5- A conta Financeira
Esta conta regista as variações dos diferentes débitos e créditos financeiros isto é
transferência para o plano financeiros as necessidades ou capacidade de financiamento
as necessidade de financiamento do sector ou sectores e mostra como elas são satisfeitas
ou utilizadas. O seu saldo chama-se saldo de créditos e débitos, e tem significado
idêntico ao da conta anterior, ou melhor, constitui a sua conta partida financeira.
5.6- Recursos e empregos
Tendo em conta o circuito económico, constata-se que entre cada dois agentes se
estabelece um circuito, de tal forma que o que sai de agente empregos é igual ao que
entra noutro agente recurso. Por exemplo, uma compra de uma família corresponde a
um emprego deste agente, mas a um recurso para as empresas.
O diagrama de fluxo em que se traduz o circuito económico pode então representar-se
sob a forma de contas. Generalizando estas relações a todas agentes, podemos concluir
que os recursos dos diversos agentes, correspondem aos empregos dos outros agentes, o
que traduz na igualdade entre o total dos recursos e o total dos empregos.
6. Os Fluxos e Contas
A cada fluxo saído de uma conta corresponde uma inscrição em emprego dessa conta.
Assim concretiza-se a aptidão das contas para representar os fluxos económicos, graças
a técnica da dupla entrada. Pode então, fazer-se uma representação perfeitamente
equivalente á do diagrama de fluxo mas sob a forma de contas;
Temos aqui um exemplo simplificado. Do lado direito temos a formação dos
rendimentos das famílias (que são proveniente das empresas).
Do lado esquerdo temos a aplicação desses rendimentos em consumo de bens
comprados aas empresas, ficando um saldo positivos que constitui a poupança das
famílias.
Fluxos de Saída Fluxos de Entradas
Famílias
Empregos Recursos
Compras de bens e Serviços 800, 900 Salários 500
Poupança (Saldo) 100, 200, 900 Juros 100, 200
Lucros 300, 400, 900

6.1- Preços correntes e preços constantes


O PIB tal como outras grandezas macroeconómicas pode ser valorizado a preços
correntes ou a preço constantes. O pib é valorizado a preços correntes (pib nominal)
quando os bens e serviços produzidos em cada ano são valorizados a preço desse ano.
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Ex: 1990 1991 1992


100,00Kz 200,00kz 300,00kz
O Pib é valorizado a preço constantes (PIB real).