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INSTITUTO SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO E IMAGEM

DE MOÇAMBIQUE

Licenciatura em Contabilidade e Auditoria

Disciplina: Fiscalidade

Turma: CAN2A

Pontos Chaves do Imposto Pessoal


Autárquico (IPA)

Autor: Sidney Simbine

Novembro de 2020
INSTITUTO SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO E IMAGEM

DE MOÇAMBIQUE

Licenciatura em Contabilidade e Auditoria

Disciplina: Fiscalidade

Turma: CAN2A

Pontos Chaves do Imposto Pessoal


Autárquico (IPA)
Autor: Sidney Paz Simbine

Código de estudante: 2014273

Turma: CAN2A

Trabalho III, individual

apresentado na cadeira de Fiscalidade.

Docente: Dr. Nivaldo Muchanga

Novembro de 2020
Resumo: A tributação visa a satisfação das necessidades financeiras
do estado e de outras entidades públicas e promove a justiça
social, a igualdade de oportunidade e a necessidade de
redistribuição de riqueza. O presente trabalho tece sobre
uma pequena parte dessa imensidão que é o nosso sistema
tributário moçambicano, no que tange aos impostos
autárquicos, analisando concretamente o Imposto Pessoal
Autárquico, que pela entrada em vigor da lei 1/2008 (Lei
do Sistema Tributário Autárquico), abre espaço para uma
série de questionamentos e/ou comparações. Serão
abordados neste trabalho pontos-chaves do imposto, como
finalidade, legalidade, incidência, taxa, dentre outros
aspectos.

Imposto, município, povoação, bairro, IPA, IRN,


Palavras-Chave:
Moçambique, autarquia, governo local, tributação,
fiscalidade.

I
Índice
Resumo................................................................................................................................................ I
Palavras-Chave .................................................................................................................................... I
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 2
2 CONTEXTUALIZAÇÃO .................................................................................................................. 2
2.1 IPA (IMPOSTO PESSOAL AUTÁRQUICO) ............................................................................. 3
2.1.1 Sujeito Passivo ............................................................................................................ 3
2.1.2 Isenção ....................................................................................................................... 3
2.1.3 Taxa ............................................................................................................................ 4
2.1.4 Periodicidade.............................................................................................................. 4
2.1.5 Local de pagamento ................................................................................................... 4
3 CONCLUSÃO ............................................................................................................................... 5
4 Bibliografia ................................................................................................................................. 5

1
1 INTRODUÇÃO
O objectivo deste trabalho é trazer de forma nítida todos os aspectos relevantes do imposto pessoal
autárquico, em destaque para a sua finalidade, modo de cobrança e legalidade.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO
“A tributação visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e de outras entidades
públicas e promove a justiça social, a igualdade de oportunidades e a necessária redistribuição da
riqueza e do rendimento” (Lei n. 15/2002, de 26 de Junho).

O sistema tributário vigente em Moçambique classifica os impostos em directos e indirectos, sendo


que estes tributam directamente os rendimentos e, tributam de forma indirecta as despesas,
respectivamente e, por fim o sistema complementa-se com outros impostos a nomear (Art.56 e
Art.70, Lei 15/2002):

a) Imposto do Selo;
b) O imposto sobre sucessões e doações;
c) A Sisa;
d) O imposto especial sobre o jogo;
e) O imposto de reconstrução nacional;
f) O imposto sobre veículos;
g) Outros impostos e taxas especificas, estabelecidas por lei.

Em alinhamento com os objectivos da tributação, importa referir que o governo de Moçambique,


baseado no princípio de descentralização e desconcentração da administração Pública, é
representado por órgãos do Estado a nível local (Art. 249 e Art. 263, CRM). Estes fazem jus a solução
dos problemas das comunidades. Compreendem autarquias locais de Moçambique, de acordo com
(Art. 273, CRM), os municípios e as povoações.

”Nesse sentido, as autarquias locais para resolver os problemas de sua comunidade,


nomeadamente: prover água e saneamento, cuidados de saúde primária, de educação, construção
e manutenção de estradas, gestão de resíduos sólidos etc., necessitam de obter para o efeito
recursos financeiros adequados que podem resultar da exploração do património da autarquia ou
pela cobrança de tributos onde se destacam os impostos autárquicos, taxas, tarifas e licenças
provenientes de prestação de um determinado serviço municipal, etc.” (Tamele, 2018).

As autarquias locais gozam de autonomia financeira e patrimonial, dispondo legalmente do direito


de arrecadar receitas que por lei lhes sejam destinadas, incluindo o produto da cobrança dos
impostos e taxas autárquicas (Art. 3 e 7 Lei 1/2008).

O Sistema Tributário Autárquico, compreende os seguintes impostos e taxas (Art.51 Lei 1/2008):

a) Imposto Pessoal Autárquico;

b) Imposto Predial Autárquico;

c) Imposto Autárquico de Veículos;

2
d) Imposto Autárquico de Sisa;

e) Contribuição de Melhorias;

1) Taxas por Licenças Concedidas e por Actividade Económica;

g) Tarifas pela Prestação de Serviços.

2.1 IPA (IMPOSTO PESSOAL AUTÁRQUICO)


2.1.1 Sujeito Passivo
De acordo com Art.52, Lei 1/2008, O IPA incide sobre todas as pessoas nacionais ou estrangeiras
residentes (que tenham domicílio fiscal) na respectiva Autarquia, com idade compreendida entre
os 18 e os 60 anos e para elas se verifiquem, basicamente, circunstâncias de ocupação e aptidão
para o trabalho.

Este imposto substitui, nas Autarquias, o Imposto de Reconstrução Nacional1.

Os novos residentes na Autarquia ficam sujeitos ao pagamento do imposto:

 Na nova Autarquia desde que não provem terem satisfeito esta obrigação no local onde
anteriormente estavam domiciliados;
 Na nova Autarquia a partir do ano seguinte àquele em que nela fixaram residência. Esta
disposição fica condicionada à apresentação de prova de pagamento do IPA ou do Imposto
de Reconstrução Nacional (IRN) no local do domicílio anterior, ou de isenção, quando
residentes no território nacional.
Não sendo apresentadas estas provas será o imposto liquidado e cobrado como remisso na
Autarquia do domicílio actual.

2.1.2 Isenção
Estão isentos do IPA (Art.5 e 6, Decreto 63/2008):

 Os indivíduos que por debilidade, doença ou deformidade física estejam incapazes de


trabalhar;
 Os cidadãos no cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, compreendendo o ano da
incorporação e o ano da passagem à disponibilidade;
 Os estudantes, em regime de tempo inteiro, níveis médio e superior, abrangendo o ano em
que perdem essa qualidade, até completarem 21 e 25 anos respectivamente, incluindo os
estudantes moçambicanos no estrangeiro;

1
“O IRN representa a contribuição mínima de cada cidadão para os gastos públicos e incide, Segundo taxas
específicas, sobre todas as pessoas residentes no território nacional, ainda que estrangeiras, quando para
elas se verifiquem as circunstâncias de idade, ocupação, aptidão para o trabalho e demais condições
estabelecidas no respectivo código”. (Art.70, Lei 15/2002).

3
 Os pensionistas do Estado, das Autarquias, da Segurança Social e de outras formas de
pensão desde que não obtenham outros rendimentos;
 Os estrangeiros ao serviço do país da respectiva nacionalidade, quando haja reciprocidade
de tratamento.
 Para o efectivo reconhecimento das isenções, os interessados devem requerer ao
Presidente do Conselho Municipal ou de Povoação e obter o respectivo certificado de
Isenção.

Isenções excepcionais

“Quando se verifiquem circunstâncias excepcionais, como por exemplo, calamidades naturais, a

Assembleia Municipal ou de Povoação pode mediante proposta do executivo Autárquico isentar


temporariamente o pagamento do IPA aos contribuintes que não se encontrem em condições
financeiras de o satisfazer em determinado ano.” (ACIS em cooperação com USAID, 2011, pag.70).

2.1.3 Taxa
O valor do IPA a vigorar anualmente em cada autarquia é calculado pela aplicação de taxas sobre o
valor do salário mínimo nacional mais elevado em vigor em 30 de Junho do ano anterior,
considerando a classificação das Autarquias, como se segue (Art.8, Decreto 63/2008):

a) 4% para as Autarquias de nível A;

b) 3% para as Autarquias de nível B;

c) 2% para as Autarquias de nível C;

d) 1% para as Autarquias de povoações e vilas de nível D.

“Sobre as dívidas do imposto que não forem pagas dentro do respectivo ano, acresce-se ao valor do
imposto determinado pela taxa normal, devida em cada Autarquia, uma taxa de 2%, a título de
juros de mora.” (Art.17, Decreto 63/2008).

2.1.4 Periodicidade
O prazo de pagamento do IPA decorre durante o ano a que respeita, entre 2 de Janeiro e 31 de
Dezembro.

2.1.5 Local de pagamento


A cobrança do imposto é feita em cada Autarquia, cabendo aos presidentes dos Conselhos
Municipais ou de Povoação designar, em ordem de serviço, os agentes competentes para efectuar
a cobrança de imposto, e os correspondentes locais de pagamento, no território de cada Autarquia.
(Art.12, Decreto 63/2008).

“Para o caso do IPA a cobrança é feita através de anúncios nos jornais e o pagamento desenrola-se
de duas maneiras: i) para os trabalhadores, o imposto é retido na fonte pelas entidades
empregadoras, descontando automaticamente no salário; e ii) os desempregados devem dirigir-se
de livre e espontânea vontade à Secretaria das Administrações dos Distritos Urbanos ou a Brigadas
Móveis, criadas para o efeito…” (apud Guimarães, Amândio Vasco, 2010)

4
Segundo (Tamele, 2018 pag.29), uma das estratégias adoptadas pelos municípios é descentralizar
a cobrança até ao nível dos bairros incluindo os secretários dos bairros e os chefes de quarteirão
no processo de cobrança do IPA.

3 CONCLUSÃO
Para fazer face aos problemas locais, o governo pauta pela descentralização e desconcentração da
administração Pública, é nesse sentido que as autarquias ganham autonomia financeira e
patrimonial, para fazer jus a solução dos problemas de seus munícipes, dispondo legalmente do
direito de arrecadar receitas que por lei lhes sejam destinadas. O IPA, sendo um imposto, contribui
para a receita das autarquias que, por sua vez canalizam-nas para a resolução de problemas locais.

4 Bibliografia
(s.d.). Lei n. 15/2002, de 26 de Junho.

ACIS em cooperação com USAID, S. e. (12 de 2011). O Quadro Legal. Outros impostos e taxas(Para
Impostos em Mocambique).

apud Guimarães, Amândio Vasco. (2010). Descentralização e Finanças Autárquicas: Análise da


Eficácia do Sistema Tributário Autárquico como(Monografia).

Art. 249 e Art. 263, CRM (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA).

Art. 273, CRM (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA).

Art. 3 e 7 Lei 1/2008 (LEI N.1/2008, DE 16 DE JANEIRO).

Art.12, Decreto 63/2008. (s.d.). DECRETO 63/2008, DE 30 DE DEZEMBRO.

Art.17, Decreto 63/2008. (s.d.). DECRETO 63/2008, DE 30 DE DEZEMBRO .

Art.5 e 6, Decreto 63/2008. (s.d.). DECRETO 63/2008, DE 30 DE DEZEMBRO.

Art.51 Lei 1/2008 (LEI N.1/2008, DE 16 DE JANEIRO).

Art.52, Lei 1/2008. (s.d.). LEI 1/2008, DE 16 DE JANEIRO.

Art.56 e Art.70, Lei 15/2002 (Lei n.15/2002, de 26 de Junho).

Art.8, Decreto 63/2008. (s.d.). DECRETO 63/2008, DE 30 DE DEZEMBRO.

Tamele, V. J. (2018). Análise dos Determinantes da Arrecadação dos Impostos Pessoal e Predial
Autárquicos no. Trabalho de fim de curso(Monografia).

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