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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DO ZANGO (ISPO-ZANGO)

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS E ECONÓMICA

CURSO DE PSICOLOGIA

HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA PSICOLOGIA CIENTIFICA

Luanda/2020

1
Júlio Edvaldo Marques António

NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA PSICOLOGIA CIENTIFICA

O trabalho apresentado como requisito para


primeira prova parcelar do curso de
Psicologia do 1º ano, período Tarde

Docente
____________________
Dr. Joana Gomes

2
ÍNDICE
RESUMO.....................................................................................................................................4
INTRODUÇÃO...........................................................................................................................5
OBJECTIVO:...............................................................................................................................5
1. NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA PSICOLOGIA CIENTIFICA: O
PERÍODO DOS PIONEIROS, O SEGUNDO PERÍODO E O TERCEIRO PERÍODO..............6
2. NA ALEMANHA: WHILHELM WUNDT E O NASCIMENTO DA PSICOLOGIA
EXPERIMENTAL; O NASCIMENTO DA PSICOLOGIA DO ACTO; OS TRABALHOS DE
EBBINGHANS; A ESCOLA DE WURZUBURGO; GESTALTISMO OU PSICOLOGIA DA
FORMA.......................................................................................................................................7
 Whilhelm wundt e o nascimento da psicologia experimental...............................................8
 O Nascimento Da Psicologia Do Acto.................................................................................9
 Os Trabalhos De Ebbinghans.............................................................................................10
 A Escola de Wurzuburgo................................................................................................11
 Gestaltismo Ou Psicologia Da Forma.................................................................................13
3. INGLATERRA: O NASCIMENTO DA PSICOLOGIA COMPARADA COM CHERLES
DARWIN; HEREDITARIEDADE PSICOLÓGICA E A OBRA DE FRANCIS GALTON.....14
 Obra De Francis Galton......................................................................................................15
 Hereditariedade Psicológica...............................................................................................16
 Efeitos da Hereditariedade sobre o Comportamento.......................................................17
 Os estudos de gêmeos.....................................................................................................18
4. FRANÇA...........................................................................................................................20
 A Escola Do Funcionalismo Ou A Escola De Chicago......................................................24
 Contribuição De Stanley Hall.............................................................................................24
6. RUSSIA.............................................................................................................................25
CONCLUSÃO...........................................................................................................................27
BIBLIOGRAFIA.......................................................................................................................28

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RESUMO

O trabalho em questão tende a clarear-nos um pouco mais sobre pertinente tema


que é o Nascimento e Desenvolvimento da Psicologia Cientifica. A palavra psicologia
deriva do grego psico- (“alma”, “actividade mental”) e -logia (“estudo”). Trata-se da
ciência que estuda os processos mentais através de três dimensões: cognitiva, afectiva e
comportamental.

Dentro do campo da psicologia há diversos outros denominados “subcampos”


(ou ramos da psicologia), dentre os quais podemos citar: psicologia infantil, psicologia
social, psicologia criminal, entre outras. A psicologia faz fronteira com vários outros
campos, incluindo fisiologia, neurociência, inteligência artificial, sociologia, serviço
social, antropologia, assim como filosofia e outros componentes das humanidades. A
história da psicologia como um estudo académico da mente e do comportamento
remonta aos gregos antigos. Há também evidências de pensamento psicológico
no Egipto antigo.

A psicologia foi um ramo do domínio da filosofia até a década de 1870, quando


se desenvolveu como uma disciplina científica independente na Alemanha. A psicologia
como um campo auto consciente de estudo experimental começou em 1879, em
Leipzig, Alemanha, quando Wilhelm Wundt fundou o primeiro laboratório dedicado
exclusivamente à pesquisa psicológica na Alemanha. Wundt também foi a primeira
pessoa a se referir como um psicólogo (um precursor notável de Wundt foi Ferdinand
Ueberwasser (1752-1812) que se designou Professor de Psicologia Empírica e
Lógica em 1783 e deu palestras sobre psicologia científica na Universidade Velha de
Münster, Alemanha). Outros importantes colaboradores iniciais da área
incluem Hermann Ebbinghaus  (pioneiro no estudo da memória),  William James (o pai
americano do pragmatismo) e Ivan Pavlov (que desenvolveu os procedimentos
associados ao condicionamento clássico).

Logo após o desenvolvimento da psicologia experimental, vários tipos de


psicologia aplicada apareceram.  G. Stanley Hall trouxe pedagogia científica para os
Estados Unidos da Alemanha no início da década de 1880. A teoria educacional de John
Dewey da década de 1890 foi outro exemplo. Também na década de 1890, Hugo
Münsterberg começou a escrever sobre a aplicação da psicologia na indústria, direito e
outros campos. Lightner Witmer estabeleceu a primeira clínica psicológica na década de
1890 (foi o criador do termo "psicologia clínica"). James McKeen Cattell adaptou os
métodos antropométricos de Francis Galton para gerar o primeiro programa de testes
mentais na década de 1890. Enquanto isso, em Viena, Sigmund Freud desenvolveu uma
abordagem independente para o estudo da mente chamada psicanálise, que tem sido
amplamente influente.

Platão estava mais interessado em saber o papel da mente no controle do


comportamento humano. Ele foi o progenitor do dualismo em psicologia. Ele

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considerava materiais e substâncias espirituais, o corpo e a mente como dois princípios
independentes e antagónicos, mas ele não poderia esclarecer sua dúvida de forma
satisfatória. Dualismo de Platão foi largamente superado por seu aluno Aristóteles, que
reuniu pensamento psicológico com os estudos naturais e restaurou a sua estreita ligação
com a biologia e medicina. Ele transmitiu a ideia da inseparabilidade da alma e do corpo
vivo.

Ele levantou a hipótese de que a mente é o resultado das actividades psicológicas


e disse que é necessário entender os processos psicológicos, incluindo as actividades
dos órgãos dos sentidos que ajudam o indivíduo a experimentar seu ambiente.

Esta suposição era acessível para verificação por causa de sua base científica. É
verdade que o cérebro controla nossas experiências e comportamentos conscientes.
Então veio um filósofo francês chamado René Descartes (1596-1650), que postulou a
existência da alma como uma entidade separada que é independente do corpo.

Ele disse que o nosso corpo é como um motor de automóvel que vai continuar o
seu trabalho sem a supervisão da alma e, portanto, o corpo e a alma são separados. Ele
declarou que o homem tem uma natureza dupla: mental e física. Desta forma esclarecia
a dúvida levantada por Platão.

Ele afirmou que o processo de duvidar é a prova de existência da alma. (Cogito


ergo sum – penso, logo existo). Em outras palavras, a alma deve existir em mim, porque
eu posso pensar, e pensar é a principal função da alma.

Gradualmente à medida que a perspectiva científica foi desenvolvida, filosofia


começou a perder sua proeminência, assim também a alma. Em seguida,  a psicologia
foi definida como “o estudo da mente’. A palavra mente era menos misteriosa e vaga
do que a alma e, portanto, esta definição foi continuada por algum tempo.

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INTRODUÇÃO

Psicologia não surgiu directamente como uma ciência. Ela começou como um
ramo da filosofia e continuou por cerca de 2000 anos antes de emergir como uma
ciência. Psicologia começou como resultado da curiosidade dos cosmólogos para
entender sobre as experiências místicas e actividades de pessoas e eventos. Estes
incluem as suas experiências na vida, sonhos, vida materialista, os impulsos que têm e
peculiaridades no comportamento das pessoas em diferentes situações.

O termo psicologia foi encontrado pela primeira vez em livros filosóficos do


século 16. Foi formada de duas palavras gregas: ‘psique’ (alma) e “logos” (Doutrina).
Por alma, entende-se o princípio subjacente de todos os fenómenos da vida mental e
espiritual.

As ideias modernas sobre mente e seu funcionamento foram derivadas da


filosofia grega. Uma das primeiras pedras na base da psicologia como ciência foi
colocada pelo médico do grego clássico Alemão de Cortina no século 6 aC, que propõe
que, a “vida mental é uma função do cérebro”. Esta ideia fornece uma base para
entender a psique humana até hoje. Os outros filósofos gregos notáveis são Hipócrates
(460-370 aC), Sócrates (469-399 aC), Platão (428 / 7-348 aC) e Aristóteles (384-322
aC).

Hipócrates, conhecido como o pai da medicina, classifica as pessoas em 4 tipos


com base nos humores corporais, fleumático (fleuma), sanguíneo (sangue), melancólico
(bile negra), colérico (bile amarela) e fleumático (catarro). Sócrates reconhecia a mente
também, além da alma. Ele tinha analisado as actividades da mente na forma de
pensamento, imaginação, memória e sonhos. Além disso, seus alunos Platão e
Aristóteles reforçaram e continuaram a ideia de Sócrates. No entanto, eles não têm
muita crença na existência da alma. Então, eles enfatizaram a capacidade de raciocínio
do homem e chamaram o ser humano de animal racional.

OBJECTIVO:

Geral: Conhecer a história do nascimento da psicologia científica.

Específicos: Estudar a evolução da psicologia em diversos países

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1. NASCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA PSICOLOGIA
CIENTIFICA: O PERÍODO DOS PIONEIROS, O SEGUNDO PERÍODO
E O TERCEIRO PERÍODO.

Psicologia surgiu como uma disciplina científica pelo estabelecimento do


primeiro Instituto de Psicologia em 1879, em Leipzig, na Alemanha, por Wilhelm
Wundt (1832-1920). É aqui que os primeiros psicólogos profissionais adquiriram as
competências de trabalho experimental para estudar a mente. Wundt centrou suas
experiências nas experiências conscientes e ele substituiu o conceito de espírito
por consciência. Ele adotou o método de “Introspecção“.

Decorrido tempo, o desenvolvimento da Psicologia como uma


ciência independente tem ímpeto. Os psicólogos começaram rejeitando os diferentes
métodos e abordagens baseadas em especulações e tentaram fornecer base científica
para o assunto.

Esses esforços resultaram no surgimento de diferentes escolas de pensamento


como o estruturalismo, o funcionalismo, Behaviorismo, gestaltismo, Psicanálise,
Escola humanista, etc. A formulação destas escolas tem levado a várias abordagens para
entender o comportamento em suas próprias maneiras.

1.1. DESENVOLVIMENTO DA PSICOLOGIA EXPERIMENTAL NOS


DIFERENTES PAISES: EUROPEUS E AMERICANOS

A aplicação do método experimental à realidade psicológica confluiu com uma


série de condições e ensejou o desenvolvimento de técnicas e conceitos. As condições
para a experimentação em psicologia foram providas pelos avanços em fisiologia e
anatomia do sistema nervoso, bem como pelas orientações filosóficas do
associacionismo, materialismo e empirismo.

O desenvolvimento de modelos matemáticos, necessários à precisão


experimental de medida dos efeitos da manipulação de variáveis e da estatística,
também confluíra nesse sentido. Como culminação desses movimentos, Wilhelm Wundt
estabeleceria em Leipzig o primeiro laboratório experimental de que a psicologia teve
conhecimento.

A primazia de Wundt rendeu-lhe a concorrida participação em seu laboratório de


inúmeros estudantes europeus e norte-americanos que buscavam com ele estudar e
conhecer a maneira de se produzir conhecimento à luz da nova ciência psicológica. A
influência de Wundt, como veremos ao longo deste capítulo e do capítulo 20, não foi
tanto no sentido de angariar seguidores que proferissem a sua teoria.

Na verdade, Wundt marcaria a psicologia ao causar diretamente a criação de


uma ciência autônoma e, indiretamente, de uma profissão. Mais especificamente, ele

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deu à psicologia um lugar (o laboratório), e preparou um terreno fértil para o
desenvolvimento de uma psicologia experimental que veio a ser o carro-chefe desta
ciência, e de um movimento de avaliação psicológica que provocaria, por sua vez,
sobretudo nos Estados Unidos, uma notável expansão da chamada psicologia aplicada,
campo profissional por excelência.

A psicologia experimental, assim iniciada em alguns países europeus, sobretudo


na Alemanha, veio a ter desenvolvimento notável nos Estados Unidos, onde, de acordo
com Hilgard (1987), até 1900, foram fundados, quase sempre por ex-alunos de Wundt,
ao menos 42 laboratórios de psicologia em diferentes Universidades.

2. NA ALEMANHA: WHILHELM WUNDT E O NASCIMENTO


DA PSICOLOGIA EXPERIMENTAL; O NASCIMENTO DA
PSICOLOGIA DO ACTO; OS TRABALHOS DE EBBINGHANS; A
ESCOLA DE WURZUBURGO; GESTALTISMO OU PSICOLOGIA
DA FORMA.

Quanto ao aspecto geográfico do avanço da psicologia experimental, foi


notadamente a antiga Prússia, actual Alemanha, a região que viu florescer esse
movimento. A inserção da psicologia nas universidades não iniciou na Alemanha por
acaso. Na área da Filosofia, a obra de Christian Wolff reinou como a principal
influência académica (Hearnshaw, 1987); lembremos que Wolff também divulgou a
psicologia, ao dedicar dois volumes a esta ciência no século XVIII (capítulo 10). O
substituto de Wolff como principal filósofo alemão foi Kant.

Embora o próprio Kant não visualizasse a possibilidade de uma psicologia como


ciência empírica, a sua crítica das condições do conhecimento do mundo fenomenal
inspirou em grande medida a oposição à psicologia racionalista e a adesão dos alemães
ao empirismo. Um outro factor, relacionado a políticas educacionais, é relevante para
compreendermos o surgimento da psicologia experimental na Alemanha. Em 1810, a
reforma universitária propugnada pelo Filósofo e Ministro da Educação da Prússia, Karl
Wilhelm von Humboldt (1767-1835), cujo modelo foi a Universidade Friedrich
Wilhelm, de Berlim, criou a fórmula moderna de universidade como um centro onde o
ensino superior e a pesquisa científica encontram-se unidos em departamentos e
laboratórios. O desígnio de "pai da psicologia" conferido a Wilhelm Wundt deve-se
sobretudo ao fato de este haver sido o primeiro professor a estabelecer um laboratório
de psicologia experimental, na Universidade de Leipzig, em 1879.

Wundt era um Professor de Filosofia que conduzia experimentos sistemáticos


em psicologia. A aproximação entre ensino e pesquisa foi certamente um fator
preponderante para atrair inúmeros estudiosos de outras partes do mundo ao laboratório
de Wundt. Wundt deu à psicologia a marca da introspecção, realizada por indivíduos
adultos e normais, como método para analisar os elementos mentais. A divulgação da

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psicologia de laboratório em outros países, embora intimamente ligada a Wundt, posto
que foram por ela responsáveis os leitores e alunos dele, submeteu-se a peculiaridades
culturais e institucionais. Por exemplo, os laboratórios franceses de psicologia
experimental não estavam nas universidades, como os alemães, mas sim nos hospitais, e
os sujeitos de pesquisa eram os doentes mentais. Nos Estados Unidos da América,
embora os inúmeros laboratórios universitários fossem inspirados nos da Alemanha, o
conhecimento valorizado não era o dos elementos mentais, mas aquele que tivesse uso
relevante, seja do ponto de vista social, ou do comercial.

Na Inglaterra, com forte influência do darwinismo, a mente humana passou a ser


comparada com a dos animais. Na Rússia, o fisiologista Sechenov previu a redução da
vida psíquica a contrações musculares em reflexo a estímulos sensoriais. Após
considerar a história pregressa das influências filosóficas do experimentalismo em
psicologia, acompanhamos neste capítulo o surgimento do embrião da psicologia
científica nos trabalhos de neurofisiologia experimental de Bell, Magendie e Johannes
Müller. Traçamos o desenvolvimento da Psicofísica como uma tentativa de tratar o
problema da relação entre mente e corpo a partir de leis matemáticas conferidas através
de estudos experimentais. Retomamos o papel crucial de Wilhelm Wundt na
consolidação da psicologia experimental instrospeccionista de base fisiológica como
modelo para a psicologia científica.

O capítulo termina com uma breve apreciação do estudo experimental da


memória conduzido por Hermann Ebbinghaus em 1885. O famoso estudo baseado no
procedimento das sílabas sem sentido é provavelmente o exemplo mais acabado, tanto
do tipo de trabalho em psicologia experimental do final do século XIX, quanto da
duradoura influência que essa abordagem exerceria nos desenvolvimentos posteriores
da nova ciência.

 Whilhelm wundt e o nascimento da psicologia experimental.

Whilhelm Wundt (1832-1920), foi um fisiólogo alemão da universidade de


Leipzig e o pioneiro da psicologia experimentai, criou o primeiro laboratório para
realizar experimento nas área de psicofisiologia, facto que pode ser considerado o
iónico da psicologia como ciência independente. Whilhelm Wundt era considerado um
paralisia psicofísico ou seja acreditava que havia fenómenos do mundo físico
constituído pelo corpo e fenómeno do mundo mental constituído pela mente. Os seus
experimentos envolviam as sensações, percepções, sentimentos e emoções e se davam
por meio do método da introspecção, método e termo criado por ele próprio.

O método instituído por Whilhelm Wundt se baseava no sujeito das


experiências, para o acto observação para descrever ao experimentador as suas
sensações, percepções e sentimentos.

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Wundt acreditava que cada processo da mente envolvia simultaneamente um
processo físico, dai analise, estímulo físico, é um processo mental ou seja, as sensações
mental correspondente. A sua influencia marcou a constituição da psicologia enquanto
ciência, fazendo com que ele foi-se considerado o pai da psicologia moderna ou
cientifica.

Em Leipzig, o Instituto de Psicologia Experimental tornou-se, entre as décadas


de 1880 e o início do século XX, um verdadeiro centro internacional de pesquisa em
psicologia. Lá Wundt foi professor e/ou supervisor de dezenas de pesquisadores
(psicólogos, fisiologistas, psiquiatras), de várias partes do mundo (EUA, Inglaterra,
Rússia, França, além da própria Alemanha), entre os quais encontramos a maioria dos
principais nomes da psicologia norte-americana da virada do século XIX para o XX.
Esses pesquisadores traduziram as obras de Wundt para seus idiomas, e, voltando a seus
países, geralmente instalavam laboratórios nos moldes do Instituto em Leipzig,
adotando a mesma instrumentação.

No entanto, excetuandose o caso de Edward Brandford Titchener, um inglês


radicado nos Estados Unidos que foi o primeiro assistente de Wundt, a maioria dos
egressos de Leipzig não adotavam integralmente as posições teóricas e metodológicas
do professor alemão. Na verdade, o que eles buscavam junto a Wundt era a
aproximação de uma maneira pela qual a psicologia podia ser introduzida como prática
científica reconhecida.

 O Nascimento Da Psicologia Do Acto

Franz Brentano (1838-1917) é considerado um dos mais importantes


psicólogos do início da disciplina, devido à diversificação de seus interesses de estudos.
Sua psicologia era de base empirista, ou seja, de observação. Contrário à psicologia de
Wundt, que era de experimentação, Brentano acreditava que era mais importante o ato
mental do que o objeto em si. Por exemplo, para ele era mais importante estudar o ato
mental de ver, do que o conteúdo mental o que é visto. Esse método ficou conhecido
como psicologia do ato.

Brentano afirmava que deveria haver uma distinção entre experiência como
estrutura e experiência como atividade. Contrariando Wundt e seus seguidores e
redirecionando o objeto de estudo da psicologia, Brentano teve de criar um método de
análise diferente da introspecção (olhar para dentro de si), uma vez que o ato não é
acessível por este meio. Assim, criou o método de análise dos atos mentais, através da
observação (empirismo), mais adequado para a psicologia do ato.

Brentano aperfeiçoou duas formas de estudo dos atos mentais:

 Por meio do uso da memória (lembrança dos processos mentais envolvidos em


um determinado estado mental);

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 Por meio do uso da imaginação (imaginando um estado mental e observando os
processos mentais que ocorrem).

Embora atraísse muitos seguidores, a psicologia de Brentano não foi tão


conhecida quanto à de Wundt, pois este publicou mais obras e artigos. Os psicólogos
achavam mais fácil estudar as sensações ou o conteúdo consciente com os métodos da
psicofísica, do que usar a observação para analisar as atos mais evasivos (aqueles que
deixam dúvidas).

Na mesma linha moderada de Brentano e influenciado por este, surge Carl


Stumpf (1848-1936), que alegava serem os fenômenos os dados mais importantes para a
psicologia. A fenomenologia, tipo de introspecção defendida por Stumpf, diz respeito ao
exame da experiência imparcial, tal como ela ocorre, sem tentar reduzi-la a seus
componentes elementares (reducionismo), como fazia Wundt.

 Os Trabalhos De Ebbinghans

Hermann Ebbinghaus (1850-1909) foi professor de psicologia em Berlim,


Breslau e Halle, e contribuiu de forma bastante original com a psicologia experimental
que iniciava na época. Consta que após conhecer os "Elementos de Psicofísica" de
Fechner, Ebbinghaus sentiu-se desafiado a investigar com a mesma precisão um
processo superior, a memória (Murphy, 1962; Wertheimer, 1991). Independentemente
do laboratório de Wundt, ele submeteu o problema da memória e do esquecimento a um
tratamento experimental e quantitativo.

O estudo da memória publicado por Ebbinghaus em 1885, Über das Gedächtnis,


é um protótipo da aplicação do método experimental à pesquisa de processos
psicológicos superiores. O capítulo Memory: A contribution to experimental
psychology é um esforço consciente no sentido de exemplificar o uso da
experimentação em psicologia, e seu mérito é múltiplo. Por um lado, Ebbinghaus
constrói uma situação de pesquisa que permite o controlo de variáveis na explicação do
desempenho de memorização, e assim serve de exemplo para a exploração experimental
de outras entidades psicológicas tão complicadas quanto a memória. Por outro lado, o
paradigma experimental de Ebbinghaus definiu um padrão, guiando a produção de
conhecimento sobre memória humana por décadas a fio.

Em certo sentido, apesar de grandes avanços e numerosas críticas, o modelo


experimental de Ebbinghaus influenciou a psicologia experimental em âmbito mundial,
tanto pelas soluções práticas para os problemas experimentais que inspiraram inúmeros
estudos de outras capacidades mentais complexas como a memória, quanto pelos
avanços no tema da aprendizagem, que influenciariam autores como Thorndike. Na
introdução de seu artigo, Ebbinghaus define o objectivo exemplar de seu trabalho, o de
tornar possível isolar variáveis espúrias do estudo do funcionamento da memória. O
isolamento desses factores iniciou... e culminou com um dispositivo necessário para se

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evitar que o significado das palavras a serem lembradas, combinado com a experiência
prévia do sujeito, influenciasse os resultados. Afora isso, o pesquisador desenvolveu
critérios para a quantificação das variáveis a serem testadas.

A questão da quantificação seria assim resolvida pela indicação clara de


variáveis dependentes e independentes precisamente mensuráveis. O procedimento
lógico de Ebbinghaus para lidar com o controle nos experimentos psicológicos é assim
descrito em seu estudo: Procura-se manter constante a massa de condições
comprovadamente conectadas causalmente com um certo resultado.

Ebbinghaus marcou mais a história da psicologia pela sua forma de resolver os


problemas acima enunciados.

O experimento de Ebbinghaus é exemplo de uma árdua busca de soluções que


se demonstrariam cruciais para uma possível aplicação do método das ciências naturais
à psicologia. Afinal, não seria apenas no funcionamento da memória que uma tal massa
de condições evanecentes e ilusórias dificultaria o controle dos fatores causais
intervenientes. Os estudos de Ebbinghaus aplicavam o método experimental a uma
concepção associacionista da memória. Os principais resultados que Ebbinghaus aferiu
com seus experimentos de sílabas sem sentido elucidavam as seguintes relações
(Garrett, 1941): entre o tamanho de uma série de informações e a rapidez com que elas
podem ser lembradas; entre o número de repetições e o grau de retenção de uma série;
entre o esquecimento e o intervalo de tempo entre o treinamento e a recuperação; entre
as repetições e a retenção do que foi estudado. Outras perguntas formuladas estavam
ligadas ao critério associacionista que embasa o conceito de aprendizagem: se as
conexões formadas no aprendizado poderiam ser somente entre termos contíguos ou se
poderiam saltar termos, se a direção das associações poderia para frente ou para trás, e
qual o grau de coesão entre as associações aprendidas.

 A Escola de Wurzuburgo

A escola de psicologia de Würzburg é famosa, em primeiro lugar, pelo fato de


ter sido lá que o estudo experimental do pensamento começou. Foi fundada pelo
cientista alemão O. Kühlpe (1862-1915). Külpe, como Titchener, foi aluno de Wundt;
sob sua supervisão, ele estudou na Universidade de Leipzig, e mais tarde escreveu sua
tese de doutorado, que defendeu em 1887. Ele dedicou seu primeiro livro a Wundt, "An
Outline of Psychology Based on Experiment" (1893). Depois de se formar na
universidade, trabalhou para Wundt como assistente, depois como professor
extraordinário. Em 1894, a convite da Universidade de Würzburg, mudou-se para esta
cidade e em 1896 criou aí um laboratório psicológico.

Nos primeiros anos de atividade, repetiu parcialmente as experiências realizadas


no laboratório de Leipzig, aprimorou parcialmente o método introspectivo. A mudança
na instrução dada ao sujeito antes do início do experimento levou ao fato de que a
atenção principal nas obras de Kulpe e seus colaboradores não estava mais voltada para

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os resultados da atividade (velocidade de resposta, sua precisão, etc.), mas para seu
processo. Ao propor um problema ao assunto e observar sua solução, Kulpe na verdade
começou um estudo experimental do processo de pensamento. Isso refutou a opinião de
Wundt de que apenas processos elementares (sensoriais) são acessíveis ao estudo
experimental e que a consciência é um mosaico sensorial, ou seja, complexos de
elementos sensoriais inter-relacionados - sensações e representações.

Os experimentos da escola de Würzburg mostraram que o sujeito, ao realizar


tarefas, realiza operações mentais das quais normalmente não tem consciência. Disto se
seguiu, em primeiro lugar, que junto com o "material" sensorial no "tecido" da Vida
psicológica de uma pessoa, incluíam elementos que não são redutíveis a sensações, em
segundo lugar, que esses elementos estão associados às ações do sujeito, sua atividade
mental e, finalmente, terceiro, que o desconhecimento desses atos no momento de sua
prática requer ajustes no método de introspecção.

O trabalho de Külpe sobre uma modificação do método de introspecção levou à


sua transformação em um método de "introspecção experimental sistemática".
Resolvendo um problema intelectual (por exemplo, estabelecendo uma conexão lógica
entre conceitos), o sujeito tinha que fazer um relato retrospectivo dos estados de
consciência experimentados por ele no processo de resolução. Esse autorrelato foi
denominado de sistemático porque todo o processo foi precisamente dividido em
intervalos de tempo e repetido várias vezes para corrigir a descrição. Verificou-se que o
pensamento, do ponto de vista psicológico, pode ser caracterizado, não só
negativamente (como qualitativamente diferente dos dados sensoriais), mas também
positivamente, como operando com significados. Assim, o conceito anterior de
conteúdo de consciência foi mudado de forma decisiva, no qual novos fenômenos foram
introduzidos - imagens mentais.

Essas conclusões levaram Külpe a desenvolver seu próprio programa de estudos


laboratoriais da consciência, que foi implementado com sucesso por seus alunos. Ele
não formulou esse programa em nenhum trabalho especial - nem em Ensaios de
psicologia, nem em Lectures on Psychology, que depois de sua morte foram publicados
em 1920 por K. Buhler. Kulpe compartilhou suas ideias e hipóteses com jovens
psicólogos, foi objecto de seus estudos experimentais. Sua natureza gentil e crítica
benevolente contribuíram para a criação de uma atmosfera criativa em uma pequena
equipe, graças ao qual esta equipe se tornou um gerador de novas ideias muito mais
eficaz do que dezenas de outros laboratórios em vários países.

Nos experimentos de Marbet (1901), ao pesar objectos, os sujeitos foram


solicitados a relatar não apenas qual deles é mais pesado, mas também como chegaram
a essa conclusão. O objectivo dos experimentos de Watt e Messer era rastrear quais
processos ocorrem na consciência do sujeito no intervalo entre a percepção da palavra
estímulo e a resposta verbal. Esses experimentos, assim como o trabalho de N. Akh, que
aprimorou o método de introspecção sistemática em 1905, provaram a presença de
componentes não sensoriais na consciência. Eles também revelaram a presença de um

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factor novo e desconhecido determinando o processo de pensamento. Não era um fluxo
de associações, mas não era guiado pela percepção, como acreditava Wundt.

Em 1906, Ah começou, seguindo o estudo do pensamento, a investigar o ato


volitivo. Ele partiu do fato de que o princípio de construção desses atos é o mesmo (o
que também foi confirmado por Wundt) e que a resposta a um estímulo ao pressionar a
tecla não é diferente de responder com uma palavra. A partir dos resultados obtidos,
introduziu o conceito de tendência determinante que orienta o curso da atividade nos
dois processos e ajuda a obter um melhor resultado.

 Gestaltismo Ou Psicologia Da Forma

A gestalt (guès) (do alemão Gestalt, "forma"), também conhecida


como gestaltismo (gues), teoria da forma, psicologia da gestalt, psicologia da boa
forma e leis da gestalt, é uma doutrina que defende que, para se compreender as partes,
é preciso, antes, compreender o todo. Refere-se a um processo de dar forma, de
configurar "o que é colocado diante dos olhos, exposto ao olhar". A palavra gestalt tem
o significado "de uma entidade concreta, individual e característica, que existe como
algo destacado e que tem uma forma ou configuração como um de seus atributos".

A gestalt, ou psicologia da forma, surgiu no início do século XX e, diferente


da gestalt-terapia, criada pelo psicanalista berlinense Fritz Perls (1893-1970), trabalha
com dois conceitos: super-soma e transponibilidade. O filósofo austríaco Cristian von
Ehrenfels apresentou esses critérios pela primeira vez em 1890, na Universidade
de Graz.

Um dos principais temas trazido por ela é tornar mais explícito o que está
implícito, projetando na cena exterior aquilo que ocorre na cena interior, permitindo
assim que todos tenham mais consciência da maneira como se comportam aqui e agora,
na fronteira de contato com seu meio. Trata-se de seguir o processo em curso,
observando atentamente os “fenômenos de superfície” e não mergulhando nas
profundezas obscuras e hipotéticas do inconsciente – que só podem ser exploradas com
a ajuda da iluminação artificial da interpretação.

De acordo com a teoria gestáltica, não se pode ter conhecimento do "todo" por
meio de suas partes, pois o todo é outro, que não a soma de suas partes: "(...) 'A+B' não
é simplesmente '(A+B)', mas sim, um terceiro elemento 'C', que possui características
próprias". Segundo o critério da transponibilidade, independentemente dos elementos
que compõem determinado objeto, a forma é que sobressai: as letras r, o, s, a não
constituem apenas uma palavra em nossas mentes: "(...) evocam a imagem da flor, seu
cheiro e simbolismo - propriedades não exatamente relacionadas às letras."

Um dos seus principais representantes foi Max Wertheimer (1880-1943).


Wertheimer demonstrou que quando a representação de determinada frequência não é
transposta se tem a impressão de continuidade e chamou o movimento percebido em
14
sequência mais rápida de "fenômeno phi". A tentativa de visualização do movimento
marca o início da escola mais conhecida da psicologia da gestalt e seus pioneiros, além
de Wertheimer, foram Kurt Koffka (1886-1941); Kurt Lewin (1890-1947); e Wolfgang
Köhler (1887-1967).

Em 1913, a Academia Prussiana de Ciências instalou, na ilha de Tenerife, nas


Canárias, uma estação para estudo do comportamento do macaco. Wolfgang Köhler foi
nomeado, então, diretor da estação - ainda muito jovem e com quase nenhuma
experiência em biologia e psicologia de animais. Suas pesquisas, pioneiras com
antropoides, enfatizaram que "não só a percepção humana, mas também nossas formas
de pensar e agir funcionam, com frequência, de acordo com os pressupostos da Gestalt.
Os seus experimentos comprovaram que os chimpanzés têm condições de resolver
problemas complexos, como conseguir alimentos que estão fora do seu alcance.

Paralelamente às pesquisas contemporânea da biologia celular, que atribuem


uma importância capital às funções da membrana de qualquer célula viva,
concomitantemente barreira de proteção e lugar privilegiado de trocas, os trabalhos dos
gestaltistas têm enfatizado o papel real e metafórico da pele, que nos protege, nos
delimita e nos caracteriza, mas constitui, ao mesmo tempo, um órgão privilegiado de
contato e de trocas com nosso meio, através das terminações nervosas sensoriais e de
suas miríades de poros. O gestalt-terapeuta procede da superfície para o fundo - isso não
significa que ele permaneça na superfície. Na realidade, a experiência confirma que a
Gestalt atinge, mais facilmente do que as abordagens de suporte essencialmente verbal,
as camadas profundas arcaicas da personalidade - aliás, constituídas no período pré-
verbal do desenvolvimento da pessoa.

O gestaltista está atento aos diversos indícios comuns de reações emocionais


subjacentes, tais como discretos fenômenos de vasodilatação no rosto ou no pescoço
(traduzidos em ligeiras e efêmeras modificações da cor da pele), minicontrações do
maxilar, mudanças no ritmo da respiração ou da deglutição, mudanças bruscas no tom
da voz, mudanças na direção do olhar e os "microgestos" involuntários das mãos, pés ou
dedos.

Em geral, o Gestalt–terapeuta sugere amplificar esses gestos inconscientes,


considerados, de certa forma, como "lapso do corpo", reveladores do processo em curso,
imperceptíveis para o cliente.

3. INGLATERRA: O NASCIMENTO DA PSICOLOGIA COMPARADA


COM CHERLES DARWIN; HEREDITARIEDADE PSICOLÓGICA E A
OBRA DE FRANCIS GALTON

Charles Robert Darwin foi um importante naturalista, nascido no dia 12 de


fevereiro de 1809,  na Inglaterra, mais precisamente na cidade de Shrewsbury. Esse
importante pesquisador, desde muito jovem, já demonstrava seu amor pela ciência,

15
dedicando-se às suas colecções e a realizar experimentos, com seu irmão, em um
laboratório de química.

Darwin ficou conhecido por sua obra A origem das espécies, que contribuiu para
o entendimento da evolução e, actualmente, é considerada um dos livros académicos de
maior influência na história.

Quando Darwin voltou para a Inglaterra após sua viagem a bordo do Beagle, ele
havia compreendido que as espécies sofriam mudanças no decorrer do tempo.
Entretanto não publicou de imediato suas percepções, principalmente por questões
religiosas. A princípio, suas publicações eram voltadas para a fauna e flora dos locais
que visitou durante a viagem.

Em 1958, Darwin recebeu uma carta de Alfred Russel Wallace, e percebeu que o


naturalista havia chegado às mesmas conclusões que ele. Essa carta impulsionou-o a
escrever sua obra o mais rápido possível. Entretanto, o lançamento do livro não ocorreu
de imediato, e, com ajuda de Hooker e Lyell, dois pesquisadores e seus amigos, Darwin
e Wallace apresentaram seus artigos no mesmo dia, evitando, assim, que este publicasse
primeiro sua teoria.

A obra principal de Darwin, conhecida como A origem das espécies por meio da
seleção natural, foi publicada um ano depois, em 1859. Mais tarde foi renomeada com
seu título mais conhecido: A origem das espécies. O livro foi um sucesso de vendas,
entretanto, a teoria não foi bem aceita, principalmente pelos religiosos.

 Obra De Francis Galton

Francis Galton (Birmingham, 16 de fevereiro de 1822 — Haslemere, Surrey, 17


de janeiro de 1911) foi um antropólogo, meteorologista, matemático e estatístico inglês.

Galton era o mais novo de nove filhos de um próspero banqueiro, nasceu em


uma família socialmente abastada. Aos 16 anos, começou a aprender medicina, mas
interessou-se pela matemática, formando-se nesta. Depois voltou a estudar medicina até
à morte do seu pai, decidindo então por viajar e estudar parte da África. Voltando,
escreveu muito a respeito de suas viagens, fez muito sucesso por isso, mas deixou de
viajar quando se casou. Deu atenção a meteorologia, criando instrumentos e mapas
aperfeiçoados e usados até hoje.

Galton produziu mais de 340 artigos e livros em toda sua vida envolvendo a
distribuição geográfica da beleza, a moda, as impressões digitais, a eficácia da oração
religiosa e o levantamento de peso. Também criou o conceito estatístico de correlação, a
amplamente promovida regressão à média e várias invenções como um periscópio, um
dispositivo para abrir cadeados e uma versão inicial da impressora de teletipo. Ele foi o
primeiro a aplicar métodos estatísticos para o estudo das diferenças e herança humanas
de inteligência, e introduziu a utilização de questionários e pesquisas para coletar dados

16
sobre as comunidades humanas, o que ele precisava para obras genealógicas e
biográficas e para os seus estudos antropométricos. Como pesquisador da mente
humana, fundou a psicometria (a ciência da medição faculdades mentais) e a psicologia
diferencial. Era primo de Charles Darwin e, baseado em sua obra, criou o conceito de
"eugenia" que seria a melhora de uma determinada espécie através da seleção artificial.

O primeiro livro importante para o pensamento de Galton foi Hereditary


Genius (1869). A sua tese afirmava que um homem notável teria filhos notáveis.

O termo eugenia passa a ser cunhado apenas em 1883 na obra Inquiries into


Human Faculty and Its Development. As conclusões de Galton sobre a hereditariedade e
os chamados "bem nascidos" devem ser observadas pelo conhecimento científico no
século XIX. Por isso, os estudos que tratam de Galton e a eugenia procuraram
diferenciar aquilo que é proposto pelo cientista inglês em sua época e as diferentes
formas políticas e sociais de como a noção de "eugenia" foi interpretada em lugares
distintos.

Galton acreditava que a "raça" humana poderia ser melhorada caso fossem
evitados "cruzamentos indesejáveis" o que acompanhava o sentido racista da eminente
burguesia europeia da época. Isto porque se aproveitava das condições desumanas em
países explorados por países europeus onde fez suas viagens para comparar as
capacidades de um burguês com um camponês analfabeto levando ao pensamento
orgulhoso e odioso que promoveu a eugenia que persiste até hoje em segregar pessoas
em fundamentos racistas.

Os desenvolvimentos de testes de inteligência para seleccionar homens e


mulheres brilhantes, destinados à reprodução selectiva são obras de Francis Galton em
carácter de promover estes ideais para reafirmar o senso de superioridade eurocêntrico e
como propaganda deturpar as possibilidades de enfraquecimento da comunidade branca
europeia contra imigrantes. Esta ideologia teve papel fundamental na formação
do Fascismo e nazismo como paralelos do ultranacionalismo e afins.

O esforço de Galton foi de mostrar que as habilidades mentais, o que ele


chamava Genios, eram traços hereditários tanto quanto os padrões físicos e estavam,
consequentemente submissas aos mesmo dispositivos de transmissão. O Lord Inglês
utilizou para demonstra tal propósito dos estrumemos de legitimação, um artificio
matemático (A teoria das possibilidades) e as palavras David a selecção artificial.

 Hereditariedade Psicológica

A importância da interação entre fatores hereditários e ambientais na


determinação do desenvolvimento do indivíduo tem sido reconhecida pelas mais
diversas áreas da Psicologia contemporânea. Entretanto, muitas vezes, esta compreensão
não chega a produzir uma metodologia de investigação que realmente a reflita. Os
trabalhos tendem a se concentrar na análise de variáveis hereditárias ou de variáveis
17
ambientais e embora esta concentração não represente necessariamente obstáculo ao
estudo do desenvolvimento, a adoção de uma perspectiva interacionista mais plena
poderia ser heurística, sugerindo novas vertentes de pesquisa, promovendo maior rigor
metodológico na interpretação dos resultados e levando a tentativas de integração de
dados aparentemente incompatíveis.

Não se trata de uma questão de preferências, nem de escolha de área de


investigação. Em qualquer das áreas específicas de interesse no estudo do
desenvolvimento, mesmo nos extremos da genética ou do ambientalismo, a natureza do
fenômeno exige uma perspectiva interacionista mais plena, que nada mais é do que uma
compreensão integrada dos efeitos dos fatores hereditários e ambientais, com
reconhecimento da complexidade e inseparabilidade entre eles. Antes da apresentação
de implicações conceituais e metodológicas de tal perspectiva, convém que se justifique
sua adoção, através de evidências relativas à natureza do fenômeno.

 Efeitos da Hereditariedade sobre o Comportamento

Mediante estas considerações, coloca-se a questão de como estudar os efeitos da


seleção natural sobre o comportamento. Existem inúmeras maneiras de proceder a esta
investigação. Cada uma delas se presta a um tipo de elucidação ao mesmo tempo que
carrega dificuldades inerentes de interpretação. Algumas destas metodologias serão
apresentadas, especialmente porque a análise de seus limites de demonstração pode ser
reveladora da própria complexidade do fenômeno de desenvolvimento.

As técnicas da genética molecular, embora potencialmente poderosas, ainda são


insuficientes para esclarecer modos complexos de herança. Interesses psicológicos,
capacidades mentais, traços de personalidade, atitudes sociais e psicopatologias têm
sido objeto de estudos de genética do comportamento, através da utilização de uma
estratégia mais global e indireta (Bouchard, 1997), que envolve comparação do
comportamento de populações em função de suas características genéticas. A análise de
variância originou-se neste contexto de pesquisas.

A lógica subjacente a muitos destes estudos é teoricamente impecável: nos casos


de mesma genética e de ambientes diferentes, as diferenças comportamentais devem ser
atribuídas a fatores ambientais, e vice-versa (Hinde, 1970). É preciso notar que o
raciocínio se aplica a diferenças. Uma demonstração significativa de diferenças
decorrentes de fatores hereditários não implica em exclusão da importância da
experiência , nem esclarece o processo de desenvolvimento do traço em questão.

Aliás, não há, em muitos casos, nenhuma preocupação explícita com o processo
de desenvolvimento nos estudos da genética das populações: avaliam-se, através de
procedimentos estatísticos, as diferenças hereditárias entre populações de organismos,
ou seja, espécies, sub-espécies ou grupos de indivíduos, sem referência ao
desenvolvimento individual e ao modo pelo qual os genes contribuem para produzir o
traço em questão.

18
Os 50 anos de intensa pesquisa desde a afirmação de Snyder (1940, citado por
Gottlieb, 1995) sobre a lacuna existente entre a presença do gene no cromossoma e o
aparecimento de determinada característica no indivíduo, então não totalmente
compreendida, serviram para mostrar que esta lacuna é mais complexa e ainda maior do
que se supunha. Esboçam-se mudanças na concepção básica de como todo o sistema
opera.

A expressão do gene é influenciada por fatores supragenéticos e esta


compreensão acarreta modificações essenciais, conceituais e metodológicas, para quem
quer entender o processo de desenvolvimento. Os genes não estão fora do sistema,
agindo como causas independentes; ao contrário, fazem parte do sistema de
desenvolvimento. Desse modo, a expressão dos genes, quer estejam ativos ou inativos, é
determinada por influência de outros níveis do conjunto. A atividade genética não
produz por si própria um produto comportamental ou neural acabado, mesmo quando os
estudos de genética parecerem indicar uma ligação direta entre a atividade genética e o
fenótipo comportamental ou entre a atividade genética e diferenças nos fenótipos
comportamentais.

Uma cadeia complexa pode ser descrita (Gottlieb, 1995). Fatores


citoplasmáticos, que representam o ambiente imediato, influenciam a expressão
genética e são influenciados pelo ambiente externo, via comportamento, o qual expõe o
organismo a diferentes fatores físicos, sociais e culturais. Os hormônios desencadeiam
expressões genéticas e são, por sua vez, produzidos em resposta a experiências do
organismo no mundo externo. A ação de alguns genes depende de estimulações
sensoriais em fases iniciais do desenvolvimento. Diferentes proteínas são formadas
dependendo dos fatores específicos que estiverem influenciando a expressão genética.

Uma diferença genética pode se expressar num ambiente e não se expressar em


outro. Interessa ao estudioso do comportamento montar o quebra cabeças procurando
atinar com o mecanismo subjacente aos diferentes cursos ontogenéticos. O método
tradicional de estudo de genética do comportamento nas populações contribui ao
apontar a herança e sugerir, desta maneira, modos específicos de investigar os processos
de desenvolvimento. A rigor, deveria interferir nos estudos de desenvolvimento, uma
vez que um resultado demonstrativo de herança deveria apontar para investigações de
desenvolvimento esclarecedoras do referido efeito genético.

Dentro deste contexto, o estudo de gêmeos tem recebido uma atenção especial e
permitido um redimensionamento das complicações metodológicas decorrentes das
características do fenômeno estudado.

 Os estudos de gêmeos

Gêmeos parecem preencher todos os requisitos para atender ao raciocínio básico


dos estudos de genética do comportamento. A comparação de gêmeos idênticos versus
gêmeos fraternos, criados juntos ou em separado, parece permitir a concretização, em

19
ambiente natural, de todos os controles experimentais necessários para o estudo de
efeitos do ambiente e da genética. Entretanto, muitas dificuldades devem ser
consideradas. A idéia de igualdade de ambiente requer a consideração de aspectos muito
diferenciados. Nem mesmo o ambiente intra-uterino de gêmeos idênticos é
completamente comum. Por exemplo, quanto ao envelope placentário, todos os gêmeos
fraternos são dicoriônicos - desenvolvem-se em envelopes separados - enquanto cerca
de 70% dos gêmeos idênticos são monocoriônicos. Gêmeos idênticos que se
desenvolvem no mesmo envelope placentário diferem dos gêmeos idênticos que se
desenvolvem em envelopes separados. Curiosamente, os gêmeos idênticos
monocoriônicos, embora tendam a nascer com pesos mais diferentes entre si, são os que
mais tarde vão apresentar maiores semelhanças psicológicas (Spitz, 1996), o que é um
complicador do raciocínio que opõe hereditariedade e ambiente.

Ainda nessa mesma linha, ser criado junto pode significar coisas diferentes para
diferentes pares de gêmeos. Há indícios de que gêmeos monozigóticos criados juntos
tenham um ambiente mais semelhante que os dizigóticos criados juntos, pois tendem a
estudar mais na mesma classe e a partilhar mais atividades extracurriculares (Spitz,
1996).

Mais instigante ainda é a constatação de que gêmeos idênticos são tratados de


modo mais parecido do que os fraternos: mesmo quando criados em separado, por pais
diferentes, relatam histórias mais semelhantes de criação (Harris, 1998). Trata-se de
efeito indireto dos genes. Crianças com determinadas características genéticas, como
timidez, provocam reações típicas nos pais, irmãos e amigos. O produto final resulta do
efeito direto e indireto do traço. As diferenças entre gêmeos idênticos têm de ser
atribuídas a efeitos ambientais As semelhanças entre gêmeos idênticos requerem
considerações mais complicadas.

Embora exijam cuidados de interpretação, estes estudos têm evidenciado


resultados interessantes. Estratégias metodológicas permitem avaliações do efeito da
herança e correções dos efeitos ambientais. As diferenças entre as correlações de
gêmeos idênticos criados juntos e as correlações de gêmeos idênticos criados em
separado aponta a magnitude da influência genética, bem como a do ambiente, para
cada traço psicológico investigado. Ao contrário do que se costuma pensar, estes
planejamentos servem para esclarecer também o efeito do ambiente (Bouchard, 1997).

A pesquisa que ficou conhecida como o Estudo de Minnesota de Gêmeos


Criados em Separado (Minnesota Study of Twins Reared Apart - MISTRA), fornece
diversos exemplos ilustrativos. Bouchard (1997) retomou a análise dos dados da
aplicação de um teste vocacional: a medida de correlação dos gêmeos idênticos criados
em separado é da ordem de 0,50, enquanto a medida de correlação dos gêmeos
dizigóticos também separados é da ordem de 0,07. Considerando-se os dizigóticos como
um grupo de controle, poder-se-ia dizer que a diferença entre os grupos, da ordem de
0,43, é determinada por efeito genético. Resultados desta mesma ordem de magnitude

20
são encontrados para traços de personalidade, como extroversão e medidas de
psicopatologia, entre muitas outras.

Prosseguindo em revisão sobre o assunto, Bouchard (1997) analisa dados sobre


o desenvolvimento de quociente de inteligência (Q.I.), que se prestam à
problematização das questões de desenvolvimento. As semelhanças de Q.I. entre os
gêmeos criados à parte não podem ser explicadas por idade de separação, quantidade de
contato entre eles ou características gerais das famílias adotivas. Outra restrição às
comuns super-estimativas de efeitos ambientais provém de estudos sobre indivíduos não
aparentados criados juntos: medidas feitas na infância revelam uma influência ambiental
da ordem de 30%, que cai com o passar do tempo. Este tipo de resultado é provocativo e
merece não passar despercebido. Ainda mais quando contrastado ao que acontece com
os gêmeos: revendo dados da literatura sobre Q.I. de gêmeos criados juntos e
organizando-os em função da idade, Bouchard e McGue (1981) mostraram aumento do
efeito da hereditariedade em função da idade.

Tais resultados precisam ser mais bem entendidos e comportam várias hipóteses,
embora sugiram um prevalecimento do efeito genético com o passar da idade. O próprio
Bouchard (1997) parece levar em conta um conjunto mais geral de indicadores, ao
apontar no final do artigo, que a conclusão não é negar a influência do ambiente, nem
negar a existência de ambientes inadequados e debilitadores, e tampouco minimizar os
efeitos da aprendizagem, mas supor o ser humano como um organismo criativo
dinâmico, para quem a oportunidade de aprender e a experiência em novos ambientes,
amplifica os efeitos do genótipo no fenótipo.

4. FRANÇA

Ao contrário do caso alemão, a psicologia experimental francesa nasceu nos


laboratórios dos hospitais, e não nos das universidades. Essa origem fez do
experimentalismo francês uma abordagem psicopatológica das funções psicológicas.
Estudiosos como Ribot e Janet entendiam que, através de uma descrição exaustiva de
casos de enfermidades mentais, poderiam inferir leis e padrões para o desempenho das
mesmas funções em indivíduos normais. Previamente à psicologia experimental,
diversos fisiologistas e anatomistas franceses estudaram enfermidades mentais
identificando disfunções anatômicas subjacentes, como á o caso de Flourens, Broca e
Wernicke. Os antecedentes filosóficos franceses que permearam a psicologia
experimental consistem no materialismo de Condillac, Cabanis e La Mettrie e no
positivismo de Auguste Comte (1798-1857).

Théodule Ribot (1839-1916) é freqüentemente apontado como o pai da


psicologia científica francesa. Não que pensadores como Descartes tenham deixado de
tratar da mente em suas filosofias, mas coube a Ribot trazer à França a tradição
científica e experimental que se iniciava na Alemanha.

21
Embora fosse professor de Psicologia Experimental (na Sorbonne em 1885 e no
Collège de France a partir de 1889), Ribot não costumava conduzir experimentos como
aqueles difundidos por Wundt. Ele considerava a observação da patologia como fonte
suficiente de dados para a teorização psicológica. Ribot publicou na França dois
trabalhos intitulados "A psicologia inglesa contemporânea" (1870) e "A psicologia
alemã contemporânea" (1879). Nesses trabalhos, coerentemente com a tradição
materialista francesa de Condillac e La Mettrie, ele reafirmava que a psicologia
ocupava-se dos fenômenos, das suas causas e das leis que os regiam, e não da alma ou
das essências, que seriam questões pertinentes à metafísica. Em 1885, Ribot assumiu a
cátedra de Psicologia Experimental na Sorbonne, onde fundaria o Primeiro Laboratório
de Psicologia Experimental, em 1889.

Ainda em 1889, transferiu-se para o Collège de France, onde foi responsável


pelos cursos de Psicologia Experimental e Comparada. Segundo Mueller (1978), ao
estudar a patologia mental, Ribot interessava-se pelos processos superiores e pela
personalidade individual, forçando-se a superar o associacionismo e o atomismo
característicos de Wundt. Pierre Janet (1859-1947), assim como Ribot foi um Filósofo
formado pela Ècole Normale Superieure. Contudo, ainda estudou Medicina e Letras.
Sua tese sobre o automatismo psicológico foi bastante influente, dando início à sua
interpretação psicodinâmica das patologias mentais.

Por essa época, ele foi um contendor de Sigmund Freud: ambos estudaram o
trauma e elaboraram sistemas de terapia para a neurose, mas discordavam frontalmente
quanto à etiologia da doença, sexual para Freud, emocional para Janet. Enquanto Freud
desenvolveu a psicanálise a partir do hipnotismo e abandonaria o trauma em nome da
fantasia, Janet desenvolveu a terapia catártica da neurose e continuaria a explicar a
neurose pelo trauma. Em 1890, Janet foi indicado por Charcot para ser Diretor do
Laboratório de Psicologia na Salpêtrière. Em 1902, Janet substituiu Théodule Ribot no
Collège de France. Assim como Ribot, Janet afirmava que a psicologia deveria guiar-se
exclusivamente pelos fatos visíveis. Talvez por influência do evolucionismo, ele
estudava a filogênese e a ontogênese dos comportamentos humanos. Seu método ficou
conhecido como "análise psicológica".

A análise psicológica consistia no uso de todo o conhecimento psicológico e


fisiológico disponível sobre o assunto a ser tratado, no intuito de traçar uma psicologia
individual, a partir dos traços que distinguem uns indivíduos dos outros. Alfred Binet
(1857-1911) consolidou a psicologia experimental na França. Ele iniciou no laboratório
de Charcot na Salpêtrière, e após ter sido preterido por Janet no Collège de France e por
Dumas na Sorbonne, finalmente dirigiria o Laboratório de Psicologia Fisiológica da
Escola Prática de Altos Estudos, ligada à Sorbonne (Fraisse, 1970). Apesar de usar os
mesmos instrumentos de Wundt, preferia estudar experimentalmente processos
superiores, como a inteligência e o pensamento. O método de Binet era comparativo: os
dados sobre um determinado fenômeno psicológico eram aferidos em sujeitos normais,
bem como em doentes mentais, superdotados e crianças. Além da prática de laboratório,

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Binet desenvolverá a partir de 1907, em colaboração com Simon, a sua Escala para
Medição da Inteligência (que ficará conhecida como "Escala Binet-Simon").

A Escala consta de testes que, sabe-se de antemão, são corretamente respondidos


por crianças normais de determinadas idades. O resultado medido por essa escala é a
idade mental do sujeito, a qual, comparada à sua idade cronológica, gera o quociente de
inteligência (Q.I.).

5. AMÉRICA: WILLIAM JAMES E O METODO


EXPERIMENTAL; A ESCOLA DO FUNCIONALISMO OU A
ESCOLA DE CHICAGO; CONTRIBUIÇÃO DE STANLEY HALL.

William James recebeu educação eclética, desenvolvendo fluência em francês e


alemão e um caráter cosmopolita. Sua inclinação artística precoce levou-o a trabalhar no
ateliê de William Morris Hunt em Newport. Em 1861, no entanto, James preferiu
dedicar-se à ciência na Lawrence Scientific School (Universidade de Harvard). No
início de sua vida adulta, James sofreu de uma série de problemas físicos, envolvendo
seus olhos, costas, estômago e pele. Ele também apresentou sintomas psicológicos,
diagnosticados na época como neurastenia, e que incluíram períodos durante os quais
ele contemplou o suicídio por meses.

William James, durante a Expedição Thayer no Brasil, 1865.

Em 1864, James decidiu ingressar o curso de medicina, na Harvard Medical


School. Foi nesse período que ele começou a estudar teologia. Ele interrompeu seus
estudos durante parte de 1865 para se juntar ao zoólogo e geólogo suíço Louis
Agassiz numa expedição científica (Expedição Thayer) no Brasil. Permaneceu oito
meses no país, principalmente no Rio de Janeiro e na Amazônia, inclusive rascunhou
um diário e produziu diversos desenhos de cenas da expedição, que expressam uma
consciência crítica e um distanciamento moral da ideia colonialista que a norteava. Teve
de interromper sua viagem após sentir forte enjoo e contrair varíola.

Seus estudos foram interrompidos mais uma vez devido a doenças em abril de
1867. Ele viajou à Alemanha em busca de uma cura, onde ficou até novembro de 1868.
Esse período marcou o início de sua produção literária, com alguns de seus artigos
aparecendo em publicações especializadas. James completou o curso de medicina em
Junho de 1869, mas nunca praticou essa profissão. Ele se casou com Alice Gibbens em
1878. A diversidade de interesses de William James fez com que ocupasse diferentes
postos durante sua carreira em Harvard. Ele foi nomeado instrutor em fisiologia e
anatomia em 1873, tornando-se professor-assistente de psicologia em 1876. Em 1881,
assumiu o posto de professor-assistente de filosofia, tornando-se professor titular em
1885. Mais tarde, em 1889, retornou à psicologia como diretor, voltando à filosofia em
1897, área em que tornou-se professor emérito em 1907. Em 1902, ele escreveria: “Eu
inicialmente estudei medicina para ser um fisiologista, mas eu acabei direcionado à

23
filosofia e à psicologia como que por fatalidade. Eu nunca havia tido instrução
filosófica, e a primeira palestra sobre psicologia que escutei foi a que eu proferi.”

James estudou medicina, fisiologia e biologia, tendo como um de seus principais


interesses o estudo científico da mente humana em um tempo em que a psicologia
estava se constituindo como ciência. A familiaridade de James com o trabalho de
figuras como Hermann Helmholtz na Alemanha e Pierre Janet na França facilitou sua
introdução de cursos de psicologia científica em Harvard. Ele lecionou sua primeira
disciplina em psicologia experimental em Harvard no ano acadêmico de 1875-1876.

Durante seus anos em Harvard, James se juntou a discussões filosóficas


com Charles Sanders Peirce, Oliver Wendell Holmes e Chauncey Wright, que
evoluíram em um animado grupo conhecido como o Clube Metafísico, em 1872. Louis
Menand, em seu livro sobre o assunto, especula que o Clube estabeleceu os
fundamentos para o pensamento intelectual norte-americano por décadas.Em 1882 ele
começou a ser um notório pesquisador científico da paranormalidade, se associando a
recém fundada inglesa Society for Psychical Research, organização que o influenciou a
fundar em 1885 a American Society for Psychical Research. Durante duas décadas
estudou a médium Leonora Piper, junto a cientistas das duas organizações. Em 1896,
um discurso no qual ele descreveu Piper como uma paranormal autêntica chegou a ser
publicado pela revista Science. Em 1907 participou da Comunidade Helicon Hall, em
Englewood, New Jersey. William James e seu amigo filósofo Josiah Royce (1903)

Ao longo de sua carreira, James publicou clássicos como Princípios de


Psicologia, Imortalidade Humana, As Variedades da Experiência Religiosa, Universo
Pluralístico, Pragmatismo e O Significado da Verdade. Em seus últimos anos, foi
acometido por problemas cardíacos. Essa condição piorou em 1909, quando ele
trabalhava em um texto de filosofia (inacabado mas publicado de forma póstuma
como Alguns Problemas em Filosofia). Ele viajou para a Europa em 1910 para tentar
tratamentos experimentais, sem sucesso, retornando para os Estados Unidos a seguir.
James faleceu em consequência de problemas cardíacos em 26 de Agosto de 1910.

O cientista interagiu intelectualmente com uma ampla gama de escritores e


acadêmicos proeminentes ao longo de sua vida, incluindo seu padrinho Ralph Waldo
Emerson, seu afilhado William James Sidis, e outros como Bertrand Russell, Charles
Peirce, Josiah Royce, Ernst Mach, George Santayana, Macedonio Fernández, Edward L.
Thorndike, John Dewey, Walter Lippmann, Mark Twain, Carl Jung, Sigmund
Freud, Horatio Alger, Jr, Henri Bergson e Frederic Myers. Entre os seus alunos na
Universidade de Harvard, houve muitos intelectuais renomados, como Boris
Sidis, Theodore Roosevelt, George Santayana, W. E. B. Du Bois, G. Stanley
Hall, Ralph Barton Perry, Gertrude Stein, Horace Kallen, Morris Raphael
Cohen, Walter Lippmann, Alain Locke, C. I. Lewis, e Mary Whiton Calkins.

Em um estudo empírico por Haggbloom et al., usando critérios como o número


de citações, James foi considerado o 14° mais célebre psicólogo do século XX.

24
 A Escola Do Funcionalismo Ou A Escola De Chicago

Nos dez anos que passou em Chicago tornou essa Universidade o centro do
funcionalismo que pode-se dizer deram origem ao behaviorismo e entre os trabalhos que
assim contribuíram está o artigo O conceito de arco Reflexo em Psicologia (The reflex
arc concept in psychology, 1896) já incluindo as concepções de Charles Bell (1774-
1842) e Fraçois Magendie (1783-1855) da distinção entre as vias sensoriais e motoras.
Nessa concepção de estímulo, processamento central e resposta, aproximava na noção
de processamento central e/ou funcional da resposta à função da consciência que era o
principal objeto de estudo da psicologia americana da época estabelecida a partir das
proposições de William James (1842-1910).

Em defesa da origem do behaviorismo na corrente funcionalista, além do fato de


John B. Watson (1878-1958) ter sido aluno de James Rowland Angell (1869-1949) o
sucessor de Dewey na Universidade de Chicago (1900-1903) Edward L. Thorndike
(1874-1949) o funcionalista da Universidade de Columbia, autor da Lei do Efeito
(referindo-se às consequências do comportamento sobre este), é reconhecido
publicamente por ele numa conferência em Chicago, 1908 onde proferiu suas intenções
de fundar uma psicologia humana, objetiva, comparada. É clássica a definição do
funcionalismo a partir da declaração de Angell que enquanto os estruturalistas
perguntam, O que é a consciência? os funcionalistas perguntam: Para que a
consciência?. Angell estudou com James em Harvard (1891), assistiu aulas de Wundt e
Hermann Ebbinghaus em Leipzig, entrou para Universidade de Chicago em 1895 como
professor assistente e tornou-se seu diretor em 1918. Definiu o funcionalismo como a
psicologia das operações ou funções mentais, destacou a importância de C. Darwin para
psicologia especialmente: a teoria do instinto; a ideia de continuidade entre as mentes
das diferentes espécies (evolução do comportamento) e seu estudo sobre a expressão das
emoções no homem e nos animais.

 Contribuição De Stanley Hall

Granville Stanley Hall nasceu em 1 de Fevereiro de 1844, em Ashfield, no


estado de Massachusetts. Em 1867, formou-se no Williams College e, depois,
interessado em Teologia e Filosofia, estudou no Seminário de União Teológica.
Posteriormente, influenciado pela obra de Wilhelm Wundt, dedicou-se à psicologia e,
em 1878, obteve o seu doutoramento, sob a orientação de Willian James, pela
Universidade de Harvard, tornando-se o primeiro doutorado em psicologia do país. 

No estudo do desenvolvimento da criança e da psicologia educacional,


influenciado pela teoria da evolução de Darwin, o psicólogo procurou analisar o
desenvolvimento da criança (ontogénese), a partir do desenvolvimento da espécie
(filogénese), a fim de compreender o comportamento hereditário. Mas a subjetividade
desses estudos tornou a sua validação impossível. Nas suas investigações, debruçou-se
também sobre os problemas da criança e do adolescente em três aspectos: conflitos com

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os pais, perturbações de humores e comportamentos de risco. Para Hall a adolescência
deveria ser considerada como um estágio especial do desenvolvimento humano, que
anteriormente era ignorado.

A mais influente obra de Hall é o extenso (cerca de mil e trezentas páginas) livro
em dois volumes Adolescence: Its Psychology, and Its Relations to Physiology,
Ahthropology, Sociology, Sex, Crime, Religion, and Education, publicado em 1904.

Essa enciclopédia contém a mais completa sistematização da teoria de


recapitulação de Hall, sobre o desenvolvimento psicológico. Ao envelhecer, Hall
naturalmente se interessou por um estágio ulterior do desenvolvimento: a velhice. Aos
setenta e oito anos, publicou o livro em dois volumes Senescence, em 1922, foi a
primeira pesquisa de natureza psicológica em larga escala sobre questões geriátricas.
Nos últimos anos de vida, ele também escreveu duas autobiografias. Recreations of a
Psychologist (Recreações de um Psicólogo), em 1920, e The Life and Confessions of a
Psychologist (Vida e Confissões de um Psicólogo), em 1923 e faleceu a 24 de Abril de
1924, no estado de Massachusetts.

Os interesses primários de G. Stanley Hall estavam em psicologia evolutiva e


desenvolvimento da criança. Ele foi fortemente influenciado por Ernst Haeckel e
sua teoria da recapitulação, que sugere que os estágios embrionários de um organismo
lembram as fases de desenvolvimento de ancestrais evolutivos do organismo, uma teoria
que é hoje rejeitada pela maioria dos cientistas evolucionistas. Talvez a maior
contribuição de Granville Stanley Hall para a psicologia seja o desenvolvimento e
crescimento da em seu início como ciência independente. Até o ano de 1898, Granville
Stanley Hall tinha supervisionado 30 dos 54 PhDs que tinham sido concedidos nos
Estados Unidos. Alguns dos que estudaram sob sua influência incluem Lewis Terman,
John Dewey, e James McKeen Cattell.

6. RUSSIA

Na medida em que a psicologia era considerada a ciência da alma e


institucionalmente parte dos cursos de filosofia nas escolas de teologia, a psicologia
estava presente na Rússia a partir da segunda metade do século XVIII. Por outro lado,
se por psicologia queremos dizer uma disciplina separada, com cadeiras para
universidades e as pessoas empregadas como psicólogos, só apareceram depois
da Revolução de Outubro. Mesmo assim, até o final do século XIX, muitos tipos
diferentes de atividades chamadas psicologia se espalharam na filosofia, ciências
naturais, literatura, medicina, educação, prática jurídica e até ciência militar. A
psicologia era tanto um recurso cultural quanto uma área definida da academia.

A pergunta "Quem deve desenvolver a psicologia e como?" era tão importante


que Ivan Sechenov, fisiologista e médico por formação e professor de instituições de
ensino superior, escolheu-a como título para um ensaio em 1873. Sua pergunta era

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retórica, pois ele já estava convencido de que a fisiologia era a base científica sobre a
qual construir a psicologia. A resposta ao ensaio popular de Sechenov incluiu uma, de
1872 a 1873, de um professor liberal de direito, Konstantin Kavelin. Ele apoiou um
desenho psicológico de materiais etnográficos sobre caráter nacional, um programa que
existia desde 1847, quando a divisão etnográfica da recém-criada Sociedade Geográfica
Russa circulou um pedido de informações sobre o modo de vida das pessoas, incluindo
“habilidades intelectuais e morais". Isso fazia parte de um debate mais amplo sobre
caráter nacional, recursos nacionais e desenvolvimento nacional, no contexto em que
um proeminente linguista, Alexander Potebnja, começou, em 1862, a publicar estudos
sobre a relação entre mentalidade e linguagem.

Embora fossem os departamentos de história e filologia que tradicionalmente


ministravam cursos de psicologia, foram as escolas de medicina que introduziram os
laboratórios de psicologia e os cursos de psicologia experimental. Já nas décadas de
1860 e 1870, I. M. Balinskii (1827-1902) na Academia Militar-Cirúrgica (que mudou
seu nome na década de 1880 para Academia Médica Militar) em São Petersburgo
e Sergey Korsakov, psiquiatra da Universidade de Moscou, começou para comprar
aparelhos psicométricos. Vladimir Bekhterev criou o primeiro laboratório - um espaço
especial para experimentos psicológicos - em Kazan, em 1885.

Em uma reunião da Sociedade Psicológica de Moscou em 1887, os


psiquiatras Grigory Rossolimo e Ardalion Tokarskii (1859–1901) demonstraram os
experimentos e a hipnose de Wundt. Em 1895, Tokarskii montou um laboratório
psicológico na clínica psiquiátrica da universidade de Moscou, com o apoio de seu
chefe, Korsakov, para ensinar futuros psiquiatras sobre o que ele promoveu como
técnicas novas e necessárias. Em janeiro de 1884, os filósofos Matvei Troitskii e Iakov
Grot fundaram a Sociedade Psicológica de Moscou. Eles queriam discutir questões
filosóficas, mas como qualquer coisa chamada "filosófica" poderia atrair desaprovação
oficial, eles usavam "psicológico" como eufemismo. Em 1907, Georgy Chelpanov
anunciou um curso de três anos em psicologia baseado em trabalho de laboratório e um
seminário de ensino bem estruturado. Nos anos seguintes, Chelpanov viajou pela
Europa e Estados Unidos para conhecer institutos existentes; o resultado foi um luxuoso
prédio de quatro andares para o Instituto Psicológico de Moscou, com laboratórios bem
equipados, inaugurado formalmente em 23 de março de 1914.

No início do século XX, os experimentos de comportamento e condicionamento


de Ivan Pavlov se tornaram a contribuição russa mais reconhecida internacionalmente.
Com a criação da União Soviética, a ideologia estatal promoveu uma tendência da
psicologia para um reducionismo reflexologista de Bekhterev e para o materialismo
histórico, suprimindo filósofos e psicólogos idealistas. Destacou-se também Sergei
Rubinstein, e Alexei Leontiev, Lev Vygostky e Alexander Luria formaram um grupo
que adotava um paradigma socio-histórico determinista; devido à censura soviética,
muitas obras de Vygotsky não foram publicadas cronologicamente.
O lysenkoismo afetou a ciência russa, que sofria expurgo a partir de 1930.

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CONCLUSÃO

Duma forma clara podemos concluir que a psicologia científica tem uma origem
claramente definida. O alemão Wilhelm Wundt foi seu fundador no século XIX, embora
o ano de 1879 se destaca como o momento principal, uma vez que Wundt fundou um
laboratório em Leipzig para realizar estudos experimentais sobre os processos
psíquicos.

Ao longo da sua trajetória, Wundt afirmou que a vida mental pode ser reduzida a
uma simples associação de elementos básicos, tais como as sensações e os sentimentos.
Desta forma, sua maneira de entender a psicologia costuma se definida como
associacionismo.

Posteriormente, Kulpe, que havia sido discípulo de Wundt, aprofundou as teorias


do seu mentor com a realização de diversos experimentos para estudar o pensamento
humano através da introspecção ativa, sendo que o próprio sujeito do estudo era o
responsável por relatar o que acontecia em seu interior. Com o passar dos anos, esta
teoria foi decaindo por não ser considerada confiável e ao causar alteração dos
resultados.

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