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ERU 300 - ECONOMIA RURAL

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PARTE I – INTRODUÇÃO

01. O CONCEITO DE ECONOMIA

Em um sistema econômico, o problema central gira em torno da escassez. As


pessoas - e a sociedade como um todo - têm necessidades, mas como os recursos são
escassos, é preciso desenvolver uma maneira de alocá-los convenientemente, sob pena
de não haver disponibilidade dos mesmos para todos os indivíduos. Assim, pode-se
dizer que os principais elementos da atividade econômica são as necessidades humanas,
os fatores de produção e a tecnologia disponível.
No que diz respeito às necessidades humanas, é importante salientar que estas
possuem duas características principais: são diversificadas e insaciáveis. É claro que não
se pretende com isso dizer que o desejo de um indivíduo em consumir um determinado
tipo de bem é ilimitado, mas que, no agregado, suas necessidades não têm limitações.
Isso decorre tanto do volume disponível de bens quanto da capacidade humana em
desenvolver necessidades.
Tal insaciabilidade torna-se ainda mais clara se tomarmos por base alguns outros
fatores como cultura, status ou ambiente social. No que diz respeito às necessidades
encontramos, em primeiro lugar, as relativas à satisfação de exigências orgânicas que,
além de múltiplas, diferenciam-se de acordo com as preferências individuais. Em
seguida às necessidades biológicas encontramos aquelas relacionadas às atividades
desenvolvidas pelo indivíduo, suas exigências psíquicas etc. Além do exposto, é preciso
ter em mente que a sociedade como um todo também possui necessidades, ditas
coletivas, como as de transporte, educação, ordem pública, etc.
Nesse sentido, um outro ponto importante refere-se à relação existente entre a
capacidade de satisfação das necessidades e nível de vida, entendidos, no contexto
social, como sinônimos. A interpretação de nível (ou padrão) de vida é bastante abstrata,
e está estreitamente relacionada com o contexto histórico pelo qual passa uma
sociedade. Assim, o que pode ser considerado um padrão de vida satisfatório em uma
determinada época, pode não sê-lo em um período posterior.
Da mesma forma, esta definição varia entre as comunidades, sendo que o que é
considerado ‘bom’ para uma estrutura social, pode ser ‘ruim’ para uma mais
desenvolvida. Deve-se lembrar, ainda, que na medida em que a capacidade produtiva da
economia se amplia o padrão considerado satisfatório para uma sociedade se eleva,

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deslocando-se para cima. Assim, segundo LEFTWITCH (1979) “a insaciabilidade das
necessidades humanas, juntamente com os aumentos seculares da capacidade
produtiva, conduz à contínua mudança no conceito do que constitui um nível de vida
satisfatório.
Contudo, ainda que sejam consideradas essas questões do ponto de vista da
eficiência, o desempenho da economia não deve ser avaliado apenas em virtude de estar
conseguindo, ou não, proporcionar um padrão de vida “satisfatório”. Tal julgamento
deveria considerar se está sendo obtido o maior nível de vida possível, dadas as
limitações de fatores e técnicas de produção, poupando-se uma parcela dos recursos
para posterior aumento da capacidade produtiva, a fim de que sempre exista uma
expectativa de aumento do nível de vida da sociedade. O Quadro 1.1 permite uma
melhor visualização do que foi exposto até o momento:

Necessidade Humana: é a sensação de carência de algo aliada ao desejo de satisfazê-la.

Quadro 1.1 - Tipos de necessidades


(a) Segundo o requerente:
(a.1) Necessidades do indivíduo:
- natural: comer ou dormir.
- social: convívio social.
(a.2) Necessidades da sociedade:
- Coletivas: transporte, educação.
- Públicas: ordem pública ou defesa nacional.
(b) Segundo a natureza:
(b.1) Necessidades vitais ou primárias: conservação da vida.
(b.2) Necessidades civilizadas/secundárias: aumentam o bem-estar do
indivíduo.

A necessidade de satisfazer às exigências materiais (sobrevivência e bem-estar)


faz com que a sociedade engendre seus membros de tal forma que seja possível a
produção do que é necessário. Nesse processo são detectados dois segmentos básicos:
produção e consumo. Na produção a empresa deve decidir quais insumos utilizar
(recursos produtivos ou fatores de produção), quanto produzir (o que se sujeita à

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disponibilidade) e o que produzir, bem como os mecanismos pelos quais se dará a
alocação de tais recursos (padrão tecnológico vigente). Na órbita do consumo,
empresas e famílias decidem como alocar os recursos de que dispõem a fim de
satisfazer suas necessidades

1.1. Economia - definição


Em síntese, pode-se dizer que “a economia estuda a maneira como se
administram os recursos escassos com o objetivo de produzir bens e serviços e distribuí-
los para seu consumo, entre os membros da sociedade.”.

1.2. Economia: Macro e Micro


Uma questão importante, que surge na esfera do estudo econômico, diz respeito
às distinções entre as preocupações macro e microeconômicas. Contudo, vale salientar
que, embora aparentemente díspares no fundo as duas tratam do mesmo objeto: o
sistema econômico: a Microeconomia trata do comportamento das unidades
econômicas, enquanto a Macroeconomia trata do conjunto da economia - para tanto
sempre são feitas abstrações.

1.3. Os Bens econômicos


Os bens econômicos caracterizam-se pela sua utilidade, sua escassez e por serem
transferíveis. Basicamente podem ser tipificados como a seguir:
Tipos de bens:
( a ) Segundo seu caráter
(a.1) Livres
(a.2) Econômicos
( b ) Segundo sua natureza
(b.1) De capital
(b.2) De consumo * Durável
* Não durável
( c ) Segundo sua função
(c.1) Intermediários
(c.2) Finais

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Segundo o caráter, os bens ditos livres são aqueles cujo consumo não possui
restrições, ou seja, existem com tal abundância que não se submetem a um sistema de
preços. Os bens classificados como econômicos, por sua vez, são de consumo restrito e
têm preço, sendo esse, a princípio, estipulado pelas leis de mercado vigentes.
A classificação seguinte, de acordo com a natureza, distingue inicialmente os
bens, como sendo de capital ou de consumo. Os bens de capital são os que permitem a
ampliação da capacidade produtiva, ou seja, engendram o próprio funcionamento do
sistema econômico, enquanto que os bens de consumo são aqueles que se destinam ao
consumo final por parte dos indivíduos.
Cabe destacar que um mesmo bem pode ser considerado de capital ou de
consumo de acordo com a sua utilização; se for usado como insumo, é um bem de
capital, do contrário, pode ser considerado um bem de consumo. Como exemplo, pode-
se citar um automóvel. No caso de ser utilizado estritamente como instrumento de
prestação de serviços é um bem de capital, contudo, se o mesmo veículo presta-se
exclusivamente ao uso doméstico, para lazer de uma família, é um bem de consumo –
no caso, bem de consumo durável.
Os bens de consumo podem ser classificados como duráveis ou não duráveis.
Como a própria denominação sugere, os bens de consumo duráveis têm maior tempo de
utilização como é o caso de veículo de uso particular, eletrodomésticos etc. Já os não
duráveis são os de curta vida útil, como os alimentos e vestuário, dentre outros.
A classificação posterior – segundo a função – distingue os bem como
intermediários, caso estes devam ser submetidos a transformações antes de se
converterem em bens de capital ou em produto final de consumo para os indivíduos; ou
como finais, quando o bem já encontra-se nas condições necessárias de uso ou
consumo social.
Existe ainda, na economia, um tipo de atividade que não gera bens físicos: os
serviços. Atualmente, este segmento vem crescendo e ocupando grande parte da parcela
produtiva da economia, envolvendo grande parcela de trabalhadores.

1.4. Recursos ou fatores de produção


Podem ser definidos como os fatores ou elementos básicos utilizados na
produção de bens e/ou serviços. Eles possuem três características essenciais: são

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normalmente limitados na quantidade, são versáteis e podem ser combinados em
proporções variáveis.
A maioria dos recursos é dita escassa em relação ao desejo ilimitado pelos bens
que eles podem produzir, ou seja, no sentido de que necessitam ser alocados
convenientemente para atender a uma exigência social, de forma que é justamente esta
escassez que torna necessária a avaliação cuidadosa de quais necessidades devem ser
satisfeitas, em que medida e em que ordenação.
A versatilidade dos recursos refere-se à possibilidade de seu aproveitamento nos
mais variados usos. Como exemplo, tomemos o fator trabalho; ele pode ser empregado
em quase todos os tipos de produção. Entretanto, quanto mais especializado for, maiores
serão as restrições ao seu uso. Em outras palavras quanto maior a especificidade de um
fator de produção, maiores serão suas limitações de utilização.
Por fim, na maioria das vezes, é possível produzir um mesmo bem combinando
de formas diferentes os fatores de produção. Poucos são os bens que exigem uma
combinação a proporções fixas de insumos. Como pode ser notado, essa terceira
característica está intimamente relacionada à anterior, versatilidade.
Os fatores produtivos podem ser classificados, basicamente, em três grandes
segmentos: ( a ) Terra, ( b ) Capital e ( c ) Trabalho.
O fator terra deve ser entendido em um sentido amplo, uma vez que os recursos
oriundos da natureza estão na base de todos os bens produzidos em um sistema
econômico. O recurso capital (Quadro 1.2) indica a participação de instrumentos de
transformação dos recursos primários de produção, e envolvem toda a gama de
máquinas e equipamentos destinados a tal finalidade - não deve, portanto, ser
confundido com o capital financeiro.
Quadro 1.2 – Tipos de Capital

(a) Capital físico ou real


(a1) Capital fixo: engloba os elementos utilizados na produção e dura vários
ciclos produtivos;
(a2) Capital circulante: consiste em bens em processo de preparação para o
consumo – matéria-prima e estoques disponíveis;
(a) Capital humano: envolve tudo o que diz respeito à elevação da capacidade
produtiva dos seres humanos.

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Por fim, o fator trabalho (Quadro 1.3) relaciona-se com a capacidade produtiva
dos trabalhadores, presente direta ou indiretamente, na produção de todo tipo de bens.
Mesmo aqueles que aparentemente não o envolvem, por terem uma produção
extremamente mecanizada, tem na sua origem o trabalho intelectual humano como fonte
de elaboração.

Quadro 1.3 – Fator trabalho


Fator trabalho: parte da população que desenvolve tarefas produtivas.

(a) População ativa: intervém no processo produtivo;


(a1) empregados: engloba a parcela da população ativa empregada, quer seja
em empresas, com salário fixo, ainda que afastado por questões diversas,
quer seja os empregados ativos marginais, que fazem trabalhos periódicos.
(a2) desempregados: reúnem todas as qualidades exigidas para
empregabilidade, mas não se encontram empregados.
(b) População inativa: parcela da população que apenas consome: aposentados,
estudantes, incapacitados ao trabalho etc.

Sendo assim, os fatores de produção acima descritos, tendo por característica a


possibilidade de combinação múltipla, são associados das mais diversas maneiras a fim
de proporcionarem a satisfação das exigências humanas em uma sociedade, em um
determinado período histórico.

1.5. A necessidade de optar


Continuamente os agentes têm que optar entre o que consumir / o que produzir
etc. Nesse contexto, gera-se o conceito de custo de oportunidade de um bem ou
serviço, que deve ser entendido como equivalente à quantidade/valor de outros bens aos
quais se deve renunciar para obtê-lo.

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1.5.1 A curva ou fronteira de possibilidades de produção

A fronteira de possibilidades de produção reflete as opções que são fornecidas à


sociedade e a necessidade de se optar entre elas. Uma economia está situada sobre a
fronteira quando todos os fatores de que esta dispõe estão sendo utilizados para a
produção de bens e serviços.
Para uma melhor visualização, imaginemos uma determinada economia, com
certa tecnologia disponível dada e com uma dotação fixa de recursos produtivos. Nessa
economia podem ser produzidos dois tipos de bens: milho ou soja. Se, em um
determinado momento, opta-se por produzir mais milho, é preciso que se desloquem
fatores produtivos da outra atividade – produção de soja – para que seja possível tal
expansão. Portanto, aumentar a produção de milho tem um custo para a sociedade em
termos da soja que se deixou de produzir.
As diversas possibilidades que se apresentam como opções a uma economia
podem ser demonstradas a partir de um exemplo numérico. As diferentes opções são as
diversas combinações possíveis de trigo e algodão (Tabela 01), cujos valores podem ser
plotados em um gráfico, a fim de possibilitar uma melhor visualização do exposto
(Gráfico 01).

Tabela 1.1 – Possibilidades de produção

Opção Milho Soja Custo de


oportunidade*
A 0 7,5 -
B 1 7,0 0,5
C 2 6,0 1,0
D 3 4,5 1,5
E 4 2,5 2,0
F 5 0 2.5
* Unidades de soja que não devem ser produzidas para obter-se uma unidade adicional
de milho.

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Graficamente a tabela acima pode ser expressa como segue:

Gráfico 1.1 – Curva de possibilidades de produção

Soja
7,5
7,0

6,0

4,5

2,5

1 2 3 4 5 Milho

Essa curva reflete as opções oferecidas à sociedade e a necessidade de escolha entre


elas. Como pode ser notado, um aumento na produção de milho implica,
necessariamente em uma redução na produção de soja, e vice-versa. Se a produção é
eficiente, ou seja os recursos são empregados eficientemente, a economia situar-se-á
sobre os limites da curva.

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02. OS AGENTES ECONÔMICOS

As atividades econômicas desenvolvidas por uma sociedade são realizadas por


meio de numerosas unidades (ou agentes) de produção, que empregam os diversos
recursos produtivos – terra, capital e trabalho – na elaboração de tais bens. É através
destas unidades produtivas que se faz possível o fenômeno da divisão do trabalho.
Os agentes econômicos – as famílias, as empresas e o setor público – são os
responsáveis pela atividade econômica. Supõe-se que eles agem racionalmente, ou seja,
são sempre coerentes quando tomam decisões.

2.1. Setores econômicos


Os agentes econômicos responsáveis pela produção podem ser agrupados em
três grandes setores:
( a ) Primário: engloba as atividades que se realizam próximas às bases dos
recursos naturais, isto é, atividades extrativistas, de pesca, agrícola, pecuárias
etc.
( b ) Secundário: Envolve as atividades de transformação (industriais) como a
indústria e a construção.
( c ) Terciário ou de serviços: agrupa as atividades direcionadas à satisfação das
necessidades de serviços produtivos que não envolvem produto físico, como o
comércio, o setor transporte, os bancos, etc.

2.2. As empresas
Nas sociedades mais primitivas a produção era feita de modo artesanal e muitas
vezes realizada individualmente. Atualmente, praticamente toda a produção é
desenvolvida por empresas dos mais variados tipos e estruturas. Assim sendo, pode-se
dizer que a empresa é a unidade de produção básica que contrata trabalho e compra
fatores com o fim de fabricar e vender bens e serviços. Além disso, as empresas
modernas contam com possibilidades de organizar complexos processos de produção e
distribuição, exigidos pelas sociedades atuais, contando cada vez mais com as
possibilidades de produção de massa e ganhos de escala.
As sociedades, a fim de conseguirem fundos que financiem sua expansão
buscam, continuamente, mecanismos de crédito e empréstimos além de buscarem o

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autofinanciamento através do reinvestimento dos lucros obtidos. No caso do
empréstimo, a empresa recebe de imediato da instituição financiadora, o montante
solicitado; no caso do crédito, a empresa retira, dentro do limite máximo combinado, o
capital necessário, podendo realizar diversas retiradas e pagamentos de forma que
somente pague os juros relativos ao capital efetivamente utilizado.
Além das formas descritas de financiamento, a empresa, se for uma sociedade
anônima, pode emitir ações e obrigações. Quando a empresa emite ações ela está,
automaticamente, aceitando uma nova participação societária, já que as ações concedem
aos seus proprietários direitos políticos, como a participação nas assembléias gerais de
acionistas, e econômicos, através do recebimento de dividendos. Além da emissão de
ações a empresa pode optar por emitir obrigações e bônus, contraindo para si uma
dívida junto aos detentores do título, mas sem admitir um novo sócio em seu quadro.

2.3. As famílias ou unidades familiares


Dentro de um sistema econômico, os agentes podem ser classificados,
basicamente, como públicos e privados. Os agentes econômicos privados básicos são as
empresas, tratadas no item anterior, e as unidades familiares.
As atribuições essenciais das famílias consistem em, de um lado, consumir os
bens e serviços oferecidos pelas empresas, dentro dos limites de sua disponibilidade
financeira (orçamento) e, de outro, oferecer seus recursos produtivos, quase sempre a
sua força de trabalho, às empresas.

2.4. O Setor público


A esfera governamental composta de órgãos e administrações públicas podem
ser classificadas em pelo menos três esferas: as administrações municipais, estaduais e a
central (federal). Além dessa classificação básica, existe outra, um pouco mais
abrangente, descrita no Quadro 2.1.

Quadro 2.1 – Setor público

(a) Setor público produtivo


(a1) Empresas estatais financeiras
(a2) Empresas estatais não-financeiras

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(b) Administração pública
(b1)Entes territoriais: estados, municípios e territórios;
(b2)Previdência social: Sistema de previdência social e outras
administrações;
(b3) Administração central: Governo da União e demais organismos de
caráter nacional.

As funções do setor público, qualquer que seja a sua instância, são muito
relevantes. Nos dias de hoje a participação Estatal na vida da sociedade desenvolve-se
das mais variadas formas, estendendo-se para além da função de guardião do bom
desempenho da atividade econômica para converter-se em verdadeiro agente
econômico. Como empresário o setor público oferece à comunidade certos bens com
características particulares, os bens públicos. Tais bens podem ser entendidos como
aqueles que são proporcionados a todas as pessoas a um custo que não é maior que o
seu fornecimento para um único indivíduo – como exemplo, podemos citar a defesa
nacional.
O Estado desempenha, ainda, um papel regulador na economia, procurando
através de políticas econômicas permitirem o crescimento estável e contínuo da
economia, pleno aproveitamento dos recursos etc.

03. O SISTEMA ECONÔMICO

Um sistema econômico pode ser entendido como o conjunto de relações


técnicas, básicas e institucionais que caracterizam a organização econômica de uma
sociedade. Independentemente do seu tipo, todo sistema econômico deve, de algum
modo, desempenhar cinco funções básicas, determinando:
( a ) O que se deve produzir;
( b ) Como se deve organizar a produção;
( c ) Como devem se distribuir os produtos;
( d ) Como se devem racionar os bens no período em que a oferta é fixa;
( e ) Como se deve sustentar expandir a capacidade produtiva.

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( a ) Determinação do que se deve produzir:
É, basicamente, uma questão de determinar quais são as necessidades dos
consumidores; em essência, a economia deve estabelecer um conjunto de valores para
os diferentes tipos de bens e serviços considerando, essencialmente, sua escassez e sua
utilidade para os consumidores.

( b ) Organização da produção:
A organização da produção envolve:
1. procurar canalizar os recursos disponíveis para as atividades produtoras dos bens
mais desejados;
2. usar os recursos eficientemente.

( c ) Distribuição do produto:
1. A questão da renda: a renda de um indivíduo depende de duas coisas:
* das quantidades dos diferentes recursos que pode empregar no sistema
produtivo;
* do quanto recebe por eles.
2. A distribuição total da renda depende, pois, da forma como os indivíduos podem
dispor os recursos que possuem.

( d ) Racionamento no curto prazo

( e ) Manutenção do crescimento do sistema econômico

Assim, em síntese, pode-se afirmar que a economia deve responde a três grandes
questionamentos:
1. O que produzir e em que quantidade? Deve-se escolher entre as possibilidades
de produção de uma economia de modo a satisfazer o mais adequadamente à sociedade.
2. Como produzir tais bens e serviços? Toda sociedade deve determinar quem
vai ser o responsável pela produção, qual a tecnologia a ser empregada, qual o tipo de
organização da produção etc.

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3. Para quem produzir, ou em outras palavras, quem será o consumidor?
Devem ser definidos o público-alvo e as maneiras através das quais o produto deverá
atingi-lo.

3.1. Os sistemas econômicos e as trocas


Simultânea às funções de produção e consumo, características básicas do sistema
econômico, existe um terceira de grande importância que faz intermediação às duas
anteriores: as trocas. É de certa forma, intuitivo que, se um indivíduo age isoladamente,
ele é o único responsável pelo suprimento de suas necessidades. Contudo, a partir do
momento em que se insere em uma sociedade passam a ser observadas as características
de todos os indivíduos a fim de que se possam estabelecer as participações relativas de
cada um, mais eficazes para o desenvolvimento do sistema econômico. Assim, como
cada indivíduo tem habilidades diferentes, existe uma tendência natural para que os
diferentes agentes se busquem a fim de trocarem seus excedentes de produção. Tal
intercâmbio é vantajoso na medida em que torna possível a especialização que contribui
para a eficiência da produção individual. A divisão do trabalho, surgida nesse contexto,
permite:
(a) a especialização;
(b) maior capacidade de cada operário;
(c) introdução de ferramentas e maquinarias específicas.

Todos esses fatores aumentam a produção por pessoa. Na Antigüidade, nos


primórdios do desenvolvimento da economia, como entendida atualmente, o meio de
troca era o escambo, mecanismo através do qual eram trocados os excedentes de
produção em espécie, ou seja, de acordo com as necessidades os indívíduos procuravam
trocar suas mercadorias. Assim, se um produtor de trigo necessitava de carne para sua
sobrevivência ele procurava encontrar-se com um criador a fim de trocar parte do seu
trigo pela quantidade de proteína necessária. Nesse processo não havia moeda envolvida
e o ‘preço’ da mercadoria era relativo à necessidade de seu uso.

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Esquema 3.1 – O escambo

Trigo
Agricultor Criador
Carne

A troca realizada somente através do escambo trazia sérios inconvenientes, pois, de


um lado, era muito demorada, na medida em que era preciso encontrar um indivíduo
que possuísse a mercadoria desejada e quisesse realizar a troca. Por outro a
indivisibilidade de algumas mercadorias trazia problemas na hora da efetivação da
troca. Quando havia muitos participantes as trocas tornavam-se ainda mais complexas e
as limitações – coincidência de necessidades e indivisibilidade – tornavam-nas
praticamente inviáveis.

Esquema 3.2. Intercâmbio com dinheiro.


Agricultor Criador
Necessita vender trigo e Trigo Necessita vender
carne e comprar um arado. Fluxo monetário e comprar trigo.

A C
r Ferreiro a
a Necessita vender um arado e r
d comprar carne. n
o e

-------- Fluxo monetário


_____ Fluxo real

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04. O SISTEMA DE ECONOMIA DE MERCADO
4.1. Base de funcionamento
As regras básicas de funcionamento de um sistema lastreado na economia de
mercado é um conjunto de regras que envolvem os mecanismos de compra e venda de
mercadorias. O mercado não deve ser entendido apenas de forma geográfica, e sim pela
amplitude da interferência dos preços em uma determinada região:
Mercado é toda instituição social na qual bens e serviços, na qual bens e serviços,
assim como os fatores produtivos, são trocados livremente.

Esquema 4.1. Diagrama do Fluxo circular de bens e serviços e dos fatores


produtivos e dos pagamentos monetários.
Mercado de Bens de Consumo e Serviços
(1) Custo de Vida Pagamentos monetários pelos produtos (2) Receita dos
Negócios Fluxo monetário

Fluxo de produtos

Famílias: Empresas:
1. Consomem bens e produtos finais 1. Fornecem bens e serviços para
produzidos pelas empresas; consumo;
2. Fornecem fatores produtivos. 2. Utilizam fatores fornecidos
pelas famílias

Fatores produtivos (terra, trabalho, capital...)

(3) Renda dos (4) Custos


Consumidores Fluxo monetário de Produção
Pagamentos pelos fatores produtivos
Mercado de Recursos

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O Fluxo classifica as unidades econômicas em:
* famílias
* empresas
Classifica os mercados em:
* mercado de bens de consumo e serviços;
* mercado de recursos.
* Em termos monetários os dois fluxos são iguais
* O fluxo monetário assume quatro aspectos correntes:
* Custo de vida do consumidor;
* Receita auferida com os negócios;
* Custo de produção;
* Renda dos consumidores.

4.1.1. Os mercados e o dinheiro

Como já dito anteriormente, foi graças à existência do dinheiro que o


intercâmbio mais amplo das mercadorias tornou-se possível, na medida em que cada
mercadoria é inicialmente trocada por dinheiro e, a seguir, trocado este por outra
mercadoria.
Nesse contexto cada mercadoria passou a ‘valer’ um determinado montante de
dinheiro, de acordo com a sua valorização junto à sociedade, em outras palavras, cada
mercadoria passou a ter um preço determinado pela interação entre compradores
(demandantes) e vendedores (ofertantes). Conceitualmente pode-se dizer que o preço de
um bem é a sua relação de troca pelo dinheiro, isso é, o número de unidades monetárias
necessárias para obter em troca uma unidade do referido bem.

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Tabela 4.1. Esquema do fluxo circular.
Atividade Mercado de Bens e Serviços Mercado de Recursos
Fluxo Real Os principais fatores de
Produtos das empresas para produção são: recursos da
satisfazer as necessidades natureza; trabalho,
dos consumidores em capacidade empresarial,
alimentação, vestuário, capacidade tecnológica...
educação, saúde...
Fluxo Monetário As famílias transferem parte As empresas remuneram as
de suas rendas para as famílias pelo uso dos
empresas ao adquirirem seus recursos através de salários,
produtos. aluguéis, lucros...
Oferta Exercida pelas empresas Exercida pelas famílias
Demanda ou Procura Exercida pelas famílias Exercida pelas empresas
Interação Através dos preços dos Através do preço dos
produtos recursos

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PARTE II -TEORIA DOS PREÇOS

1. A DEMANDA

Definição: São as várias quantidades de um bem ou serviço que os consumidores estão


dispostos a retirar do mercado a um conjunto de preços alternativos, tudo o mais
permanecendo constante.

1.1. Tabelas e curva de demanda

Definição: Uma tabela de demanda descreve as diferentes quantidades de bens e


serviços que os consumidores adquirirão aos vários preços alternativos (Tabela1. 1 e
Gráfico 1.1)

Tabela 1.1. Preço e quantidade de carne de frango.


Preço (R$/kg) Quant. (kg/semana)
5 1
4 2
3 3
2 4
1 5

Gráfico 1.1. Curva de demanda de carne de frango


P
5

1 5 Q

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A representação gráfica da relação entre a quantidade demandada de um bem,
num dado período de tempo, e o seu preço é dado pela curva de demanda.

1.2. Mudança na quantidade demandada versus mudança na demanda

(a) Mudança na quantidade demandada

Definição: O efeito no preço de um produto, no caso, a carne de frango, tudo o mais


permanecendo constante pode ser mostrado como um movimento ao longo da curva de
demanda.

Gráfico 1.2. Curva de demanda de frango

Qd = 6 - P
P
4

2 4 Q

(b) Mudanças na curva de demanda

Definição: Quando alguns dos fatores, que estavam sendo mantidos constantes na
definição da curva de demanda, sofrem alterações, há mudanças na própria curva de
demanda. Os fatores que influenciam a posição da curva de demanda são:
1. renda do consumidor; 2. gosto e preferência; 3. preços dos produtos relacionados;
4.expectativa de preço.

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1. Exemplo de alteração na renda do consumidor

Gráfico 1.3. Deslocamento da curva de demanda por um aumento na renda do


consumidor para um bem normal ou superior e para um bem inferior.

P D1

Bem normal ou superior

P0
D0

Q0 Q1 Q
P
D0

Bem inferior

P0
D1

Q1 Q0 Q

Definições:
(a) Bem normal ou superior: é um bem cujo aumento na renda do consumidor resulta
em acréscimos na demanda;

(b) Bem inferior: é um bem cujo aumento na renda do consumidor resulta em


decréscimos na demanda.

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2. Mudança na preferência ou gosto ( Gráfico 1.4)

P
D0 D1

P0

Q0 Q1 Q (Produtos dietéticos)

3. Mudança nos preços dos bens relacionados (Gráfico 1.5)

Definições:

(a) Bens substitutos: dois bens são ditos substitutos se eles desempenham funções
similares para o consumidor. O aumento no preço de um bem X desloca a curva de
demanda do bem Y para a direita, se X e Y são substitutos. Ex.: Carne de boi e porco;
manteiga e margarina.

(b) Bens complementares: dois bens são complementares se eles são usados em
conjunto um com o outro. Se eles são complementares o aumento no preço de um bem
X, reduz a quantidade consumida de Y, ou seja, desloca para a esquerda a curva de
demanda de Y Ex.: Pão e manteiga.

4. Mudanças nas expectativas de preços

Se existe a expectativa do aumento do preço de um bem X, pode haver um


deslocamento da sua curva de demanda para a direita, na tentativa dos consumidores
anteciparem a compra deste bem.

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1.3. Função de demanda

Definição: expressa matematicamente a relação entre a quantidade demandada por um


bem ou serviço, em dado período de tempo, e os vários fatores que a afetam.

É expressa como:

X = f (PX, R, PC, PS)

Em que:
PX = Preço do bem em questão;
R = Renda disponível;
PC = Preço do bem complementar;
PS = Preço do bem substituto;

Ex 1.: Função de demanda por carne

QX = 4 - 18 PX + 0,7 R + 0,6 PS - 0,2 PC


Sendo:
PX = R$12,00
R = R$ 300,00
PS = R$11,00
PC = R$ 9,00
Então:
QX = 4 - 18 (12) + 0,7 (300 ) + 0,6 (11) - 0,2 (9) = 2,8 kg de carne.

Exemplo 2.: Função de demanda por manteiga


QX = 2 - 15 PX + 0,5 R + 0,8 PS - 0,3 PC
Sendo:
PX = R$10,00
R = R$ 300,00
PS = R$12,00
PC = R$ 8,00

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Então:
QX = 2 - 15 (10) + 0,5 (300) + 0,8 (12) - 0,3 (8) = 9,2 Kg de manteiga.

1.4. Elasticidade preço da demanda

Definição: Indica a mudança percentual na quantidade demandada em resposta à


mudança percentual nos preços.

Ep = é definida como a mudança percentual da quantidade demandada dividida pela


mudança percentual do preço

Seja Q = f (Pq)

Ep = ∆ Q / Q / ∆ P/P = ∆Q/∆
∆P . P/Q

Há duas maneiras de calcular a elasticidade-preço da demanda: através do cálculo da


elasticidade-arco e da elasticidade-ponto;

Gráfico 1.6. Elasticidade-arco.

R$
3 A

2 B

1 2 Q/u.t.

Calculada de A para B: Ep = -3
Calculada de B para A: Ep = -1

24
Logo, utiliza-se uma fórmula mais precisa:

Ep = (Q2 - Q1 / P2 - P1) . (P2 + P1 / Q2 + Q1)

Assim, no exemplo acima, Ep = 5/-3 = -1,67, que é a elasticidade média entre A e B.

Gráfico 1.7. Elasticidade-ponto: pode ser determinada matemática e geometricamente.

P
P0
E>1
L, E = 1

E<1
0 M T Q/u.t

Geometricamente:

A inclinação da curva de demanda linear é LM/MT = ∆P/∆Q


ou seja: ∆Q/∆P = MT/LM
P = LM e Q = OM, então
Ep = ∆Q/∆P . P/Q ou então Ep = MT/LM. LM/OM = MT/OM
No ponto L, E = 1 = elasticidade-preço da demanda unitária
à direita de L, E <1 = demanda inelástica
à esquerda de L, E>1 = demanda elástica

Quando se diz que a elasticidade-preço da demanda é unitária, quer-se


evidenciar que uma mudança de 1% no preço desta mercadoria gera uma variação de
sentido inverso e magnitude igual na sua quantidade demandada. Se a demanda é
inelástica, tem-se que, frente a uma determinada variação nos preços, a quantidade
demandada caminha em sentido contrário, e o impacto se dá em menor proporção. Se a
demanda é elástica, por sua vez, uma variação de 1% no preço dessa mercadoria gera
uma queda superior a esse percentual na sua quantidade demandada.

25
1.5. Demanda de mercado
Definição: Resulta da soma horizontal de todas as curvas de demanda individuais para
determinado produto. A cada preço, a quantidade demandada no mercado é a soma das
quantidades de cada indivíduo. A curva de demanda de mercado é mais elástica, ou seja,
menos inclinada do que a curva de demanda de um indivíduo.
1.6. Formas de curvas de demanda e elasticidade
Gráfico 1.8. Perfeitamente elástica.

P0

Q0 Q1 Q/u.t

Gráfico 1.9. Perfeitamente inelástica.

P0

P1

Q0 Q/u.t

26
Gráfico 1.10. Elasticidade constante

P
P0

Q0 Q1 Q/u.t

Gráfico 1.11 Elasticidade Variável.

P
P0
E>1
L, E = 1

E<1
0 M T Q/u.t

Gráfico 1.12 Elasticidade Variável e diferenciada


P

P0

P1

Q0 Q1 Q2 Q

27
Questões relevantes:
* Qual a importância em se saber acerca da elasticidade?
* Os produtos agrícolas, em geral são mais inelásticos.

Importante: fatores que afetam a elasticidade-preço da demanda

1. Disponibilidade de produtos substitutos;


2. Número de usos que se pode dar ao produto;
3. Proporção da renda gasta com o produto;
4. Grau de essencialidade do produto;
5. O período do tempo.

1.7. Elasticidade-renda da demanda

Definição: A elasticidade-renda da demanda é a mudança percentual na quantidade


demandada dividida pela mudança percentual na renda; matematicamente é expressa
como:

Eγ = ∆Q/∆Y * Y/Q
Sendo assim, se:
Eγ > 1, o bem é dito superior.
0 ≤ Eγ ≤ 1, o bem é dito normal.
Eγ < 0, o bem é dito inferior.

OBS.: Usualmente a elasticidade-renda dos alimentos é muito baixa.

1.8. Elasticidade-preço-cruzada da demanda

Definição: é a variação proporcional na quantidade demandada de um bem dividida pela


variação proporcional no preço do outro bem.
EXY = (∆ QX / ∆ PY) . (PY / QX)
Se EXY > 0 os bens são substitutos;
Se EXY < 0 os bens são complementares.

28
1.9. Fatores que afetam a demanda por produtos agrícolas

Foram apresentados anteriormente os fatores que são responsáveis pelo deslocamento


da curva de demanda por um produto qualquer. Contudo, existem ainda outros fatores
que afetam a demanda por produtos agrícolas, como:

1. Demografia: o aumento da população gera um deslocamento para a direita da curva


de demanda;
2. Geografia e clima: determinados produtos são mais demandados em regiões mais
frias, por exemplo;
3. Nacionalidade e etnia: de acordo com os ‘gostos culturais’ de determinada região ou
população poderemos ter um tipo de demanda.

1.10. Relação entre elasticidade-preço da demanda e receita total

Definição: Receita total = Quantidade vendida (Q) x Preço de Venda (P)

P
Ep = 1

Ep>1 Receita total

Ep<1 Demanda

Q/u.t.
Receita marginal

29
Sintetizando:
Preço/elasticidade Ep > 1 Ep = 1 Ep < 1
P aumenta RT cai RT mantém RT aumenta
P diminui RT aumenta RT mantém RT cai

30
2.OFERTA

Definição: É definida como as várias quantidades de um bem ou serviço que os


vendedores desejam e são capazes de vender durante dado período de tempo, a todos os
possíveis preços alternativos, tudo o mais permanecendo constante.

Curva de Oferta: Mostra as quantidades máximas que os vendedores colocarão no


mercado, por unidade de tempo, aos vários preços.

Diferentemente da curva de demanda, a curva de oferta é positivamente inclinada,


indicando que quanto maior o preço, maior a quantidade de bens que os produtores
estarão dispostos a colocar no mercado.
Portanto, a lei da oferta diz que: “A quantidade ofertada de um produto cresce se o
preço dele aumenta, e cai se o preço diminui”. Assim, se há uma relação inversa entre
preço e quantidade demandada, há uma relação direta entre preço e quantidade ofertada.

Função de Oferta: é a expressão matemática da relação entre a quantidade ofertada do


produto e os fatores que a afetam.

QS = f (PS, I, T) ou seja, a quantidade ofertada é influenciada, de forma geral, pelos


impostos (I), pela tecnologia (T) e pelo preço do produto em questão (PS). Na realidade,
muitos outros fatores podem ser incorporados na determinação da quantidade ofertada,
como será visto posteriormente.

31
2.1. Relação numérica entre o preço de um produto e a sua quantidade ofertada
Gráfico 2.1

Preço (R$/kg) Quantidade

5 5

4 4

3 3

2 2

1 1

2.2. Mudanças na curva de oferta x mudanças da curva de oferta

a) Mudanças na curva de oferta: somente as variações no preço do produto em questão


podem gerar deslocamentos ao longo da curva de oferta.
Gráfico 2.2

P1

P0

Q0 Q1 Q/u.t.

b) Mudança da curva de oferta = deslocamento da curva.


Fatores que levam ao deslocamento:

b.1. Tecnologia - Uma inovação tecnológica, geralmente reduz o custo de produção, o


que gera um aumento da quantidade ofertada.

32
Ex.: Uma firma dispõe de certa quantidade de dinheiro para produzir certa quantidade
de uma mercadoria; quando uma inovação tecnológica reduz o custo de produção, a
firma poderá, com os mesmos recursos, produzir mais unidades do referido bem.

Gráfico 2.3

S0
P
S1

P0

Q0 Q1 Q

b.2. Impostos e/ou subsídios

AUMENTO DOS IMPOSTOS ⇒ AUMENTO DOS CUSTOS ⇒ REDUÇÃO DA


OFERTA
REDUÇÃO DOS SUBSÍDIOS

Gráfico 2.5

P
S1 S0

P0

Q1 Q0 Q/u.t.

33
REDUÇÃO DOS IMPOSTOS ⇒ REDUÇÃO DOS CUSTOS ⇒ AUMENTO DA
OFERTA
AUMENTO DOS SUBSÍDIOS
Gráfico 2.6

P
S0 S1

P0

Q0 Q1 Q/u.t.

b.3. Preços dos fatores de produção

AUMENTO DO PREÇO DOS FATORES ⇒ REDUÇÃO DA OFERTA


Gráfico 2.7

P
S1 S0

P0

Q1 Q0 Q/u.t.
REDUÇÃO DOS PREÇOS DOS FATORES ⇒ AUMENTO DA OFERTA
Gráfico 2.8

P
S0 S1

P0

Q0 Q1 Q/u.t.

34
b.4. Preços dos bens relacionados - competitivos

AUMENTO DO PREÇO DOS BENS RELACIONADOS ⇒ PRESSÃO DA DEMANDA


⇒ AUMENTO DA OFERTA

Gráfico 2.9

P
S0 S1

P0

Q0 Q1 Q/u.t.

REDUÇÃO DO PREÇO DOS BENS COMPETITIVOS ⇒ REDUÇÃO DA OFERTA


DOS BENS CONSIDERADOS

Gráfico 2.10

P
S1 S0

P0

Q1 Q0 Q/u.t.

35
b.5. Expectativa de mudança no preço

EXPECTATIVA DE AUMENTO NO PREÇO ⇒ AUMENTO DA OFERTA


Gráfico 2.11

P
S0 S1

P0

Q0 Q1 Q/u.t.

EXPECTATIVA DE REDUÇÃO DE PREÇO ⇒ REDUÇÃO NA OFERTA


Gráfico 2.12

P
S1 S0

P0

Q1 Q0 Q/u.t.

b.6. Mudanças no clima - um clima ruim pode gerar uma quebra de safra e reduzir
a oferta de algum bem agrícola, por exemplo. (Gráfico 2.13)
P
S1 S0

P0

Q1 Q0 Q/u.t.

36
2.3. Elasticidade-preço da oferta

Definição: é a variação percentual na quantidade ofertada de um bem, em resposta a


variações percentuais em seu preço.

Matematicamente:
Es = (∆Q/Q) / (∆P/P)
Es = ∆QS/∆P . P/QS

Elasticidade-arco da oferta
Es = (∆Q/∆P) . (P0+ P1/Q0+Q1)
Elasticidade-ponto da oferta
Es = dQS/dP * P/QS

2.4. Formas de curvas de oferta e elasticidade


Es = 1 ⇒ oferta unitária
Es < 1 ⇒ oferta inelástica
Es > 1 ⇒ oferta elástica

A curva de oferta pode ser classificada, em relação à elasticidade, da mesma forma que
a curva de demanda.
S1
Análise gráfica
S2

P S3

A
P0

E 0 C B Q

37
a) Curva S1 (corta o eixo das quantidades)
Inclinação da curva = AB/CB = ∆P/∆Q ou seja, ∆Q/∆P = CB/AB
P = AB
Q = OB
Es1 = ∆Q/∆P.P/Q = CB/AB. AB/OB
Es1 = CB/OB, e como CB < OB, Es2 < 1

b) Curva S2 (passa pela origem)


Inclinação da curva = cateto oposto / cateto adjacente
= AB/OB = ∆P/∆Q , logo, ∆Q/∆P = OB/AB
P = AB e Q = OB
Logo, Es2 = ∆Q/∆P . P/Q = OB/AB . AB.OB = 1

c) Curva S3 (corta o eixo dos preços)


Inclinação da curva = AB/EB = ∆Q/∆P ou seja, ∆Q/∆P = EB/AB
P = AB
Q = OB
Es1 = ∆Q/∆P.P/Q = EB/AB. AB/OB
Es1 = EB/OB, e como EB > OB, Es3 > 1
Portanto, no que diz respeito às curvas de oferta:

P S1

P1 S2

P0

Q1 Q2 Q

38
3. EQUILÍBRIO DE MERCADO

Embora seja relevante o estudo, em separado, da oferta e demanda, com vistas a


compreender com maior profundidade os fatores que as afetam, é de extrema relevância
analisar os dois lados (do vendedor e do comprador) conjuntamente, a fim de determinar
o preço e a quantidade de equilíbrio - Gráfico 2.15.

Oferta
P1 a b

e
P0

c d
P2

Demanda

0 qa qc qe qd qb q(u.t)

O gráfico 2.15, acima representado, ilustra a determinação do preço de mercado.


Observe-se que ao preço P1 (acima do preço de equilíbrio P), os vendedores estão
dispostos a vender 0qb da mercadoria, mas os compradores somente comprarão 0qa. O
diferencial representado pela linha pontilhada ‘ab’ representa um excesso de oferta no
mercado, e a tendência, nesse caso, é a de queda do preço do produto. Por outro lado, ao
preço P2, os consumidores estarão dispostos a comprar 0qd, mas somente encontrarão
0qc no mercado. Analogamente à análise precedente, o diferencial ‘cd’ representa um
escassez do produto (ou excesso de demanda), o que propicia uma elevação de perço.
Assim, o preço P é o chamado preço de equilíbrio. Segundo LEFTWITCH
(1991:37), ele pode ser definido como se segue

“ dadas as condições de oferta e demanda do produto X, é o preço que , se


alcançado, será mantido. Se o preço se desviar de P, surgirão forças em ação para
razê-lo de volta àquele nível [...] Ao preço de equilíbrio para as quantidades levadas

39
pelos fornecedores no mercado é tal que seu preço e avaliação pelos consumidores, de
uma unidade do produto, coincidem.”

3.1. Efeitos de uma mudança na curva de demanda sobre o preço e quantidade de


equilíbrio

S
P

P3
P2
P1

D3
D2
D1
q1 q2 q3 q (u.t.)
Como pode ser observado no gráfico acima, deslocamentos positivos da curva
de demanda, mantida constante a curva de oferta, geram aumentos tanto no preço
quanto na quantidade de equilíbrio, enquanto reduções sucessivas na demanda trariam
efeitos contrários.

3.2. Efeitos de uma mudança na curva de oferta sobre o preço e a quantidade de


equilíbrio
S1 S2 S3

P1
P2
P3
D

q1 q2 q3 q(u.t.)
Como pode-se perceber, aumentos sucessivos na oferta, mantida constante a
demanda, levam, simultaneamente, a aumentos na quantidade ofertada e queda de
preço. Tal fato é previsível, uma vez que inalteração da demanda frente a um aumento
na disponibilidade de produto no mercado gera queda no preço do mesmo.

40
3.3. Efeitos de um deslocamento simultâneo das curvas de oferte e demanda sobre
o nível de preço e quantidade de equilíbrio

a) Deslocamentos de ambas as curvas no mesmo sentido: Pode-se inferir apenas que


há um aumento na quantidade se os deslocamentos são positivos e retração na
quantidade se os deslocamentos são negativos. Nada se pode afirmar sobre os preços.
P S1 S2 S1
S2
E2
E2 E1
E1

D2 D1
D1 D2
0 q1 q2 q/ut 0 q2 q1 q/ut

b) Deslocamento de ambas as curvas em sentido contrário: Se houver deslocamento


positivo da oferta e negativo da demanda o preço cairá (Caso 1); se a demanda cresceer
e a oferta retrair-se, o preço irá subir (Caso 2). Entretanto, nada se pode inferir sobre a
quantidade disponível no mercado.
Caso 1 Caso 2
S2
P S1 P S1
E1 S2
P2 E2
P1

E2
P1 E1
P2 D2
D1
D2 D1
0 q/ut 0 q/ut

41
PARTE III - TEORIA DA FIRMA

CONCEITOS ECONÔMICOS BÁSICOS

Diariamente os agentes econômicos se deparam com a necessidade de optar pelo


tipo de produção a ser realizada, como deve ser elaborada e em que quantidade. Essas
três questões fundamentais fazem parte constante do processo de tomada de decisão dos
agentes e, por conseguinte são úteis nesse processo decisório, conhecimentos acerca da
função de produção, lei dos rendimentos marginais decrescentes, estágios de produção e
marginalidade.
Em muitos aspectos a Teoria da Firma se assemelha à Teoria do Consumidor. A
unidade econômica analisada é, por exemplo a firma, ao invés do indivíduo, e enquanto
o consumidor tenta maximizar a sua satisfação dentro de uma determinada restrição
orçamentária, a empresa tenta maximizar os seus lucros tendo por restrições o custo dos
fatores de produção, o preço do produto e a fronteira tecnológica de produção.
Assim como na abordagem da teoria da procura, existem diferentes formas de
analisar a teoria da produção. A primeira delas, mais tradicional, desenvolve-se paralela
à teoria neoclássica da utilidade. A segunda é o tratamento isoproduto-isocusto, que é
similar à abordagem das curvas de indiferença. O tratamento tradicional inicia pela
avaliação da função de produção, passa pela lei dos rendimentos decrescentes e analisa,
posteriormente a curva de fator –produto para, finalmente definir a escolha que
minimiza os custos da firma.

1. A ABORDAGEM TRADICIONAL (FATOR-PRODUTO)

1.1. A função de produção

A função de produção descreve uma relação física entre os recursos de uma


determinada firma e a quantidade de produto produzida por ela, por unidade de tempo,
sem considerar os preços. Matematicamente, pode ser expressa como:
Y = f (X1/X2,X3...)

42
Em que a quantidade de produto Y é produzida a partir da combinação dos recursos
X1,X2,X3..., sendo que a barra após o primeiro fator indica que somente ele poderá ter
sua quantidade variada ao longo do tempo. Em outras palavras, no caso exposto, se a
firma deseja aumentar ou reduzir o volume produzido deve variar apenas o fator X1,
mantendo constante todos os demais recursos utilizados. O montante de produto
depende, além dos recursos empregados, da tecnologia em vigor.
A função de produção neoclássica considera apenas um fator variável podendo
ser expressa como:
Y = f (X1)
Supondo uma relação entre ganho de preso de aves e quantidade de ração
utilizada, descrita como uma função de produção (Tabela 1.1) podemos esboçar o
gráfico de uma função de produção simples como sendo:
Gráfico 1.1
Y

PFT

X1/u.t

Tabela 1.1 Resposta do ganho de peso do frango face à diferentes quantidades de ração
Fator X1: Consumo de ração (kg) Y: Ganho de peso do frango (kg)
0 -
1 0.156
2 0.560
3 1.116
4 1.728
5 2.300
6 2.736
7 2.940

43
A função de produção que expressa matematicamente os dados apresentados na
Tabela 1.1 é:
Y = 0,172 X12 – 0,016 X13 (1)
Em que Y é o peso total do frango (em kg) e X 1 é a quantidade de ração
consumida (em kg). A equação estimada possui algumas vantagens em relação à função
apresentada na forma tabular, uma vez que permite a análise de forma contínua, e não
apenas discreta como no caso apresentado na forma de tabela. Assim, tendo em mãos a
função de produção em sua forma matemática, é possível calcular o ganho de peso
considerando quantidades de ração não constantes na tabela. Imagine-se, assim, uma
quantidade de ração igual a 3,5 kg; a quantidade equivalente de ganho de peso seria:
0,172 (3,5)2 – 0,016 (3,5)3 = 2,10 – 0,69 = 1,41 kg de frango.
Utilizando os dados fornecidos pela tabela 1.1 é também possível calcular essa
mesma informação através da interpolação de valores conhecidos. Assim, se 3 kg de
ração produzem 1,100 kg de frango, e 4kg de ração produzem 1,700 kg de frango, 3,5
kg de ração irão produzir (1,100 + 1,700)/2 = 1,400 kg de frango. Deve-se reparar no
fato de que os valores obtidos através da interpolação não são necessariamente os
mesmos obtidos através da equação (1).
A Tabela 1.2 mostra a função de produção (equação 1) em termos de ganho de
peso de frango. Pode-se notar que os retornos apresentados mostram-se primeiro
crescentes, passando posteriormente a constantes e depois decrescentes. Isso ocorre em
virtude da Lei dos rendimentos marginais decrescentes, segundo a qual unidades
adicionais de um fator variável , mantidos todos os demais constantes, geram primeiro
ganhos de produtividade, passa por um ponto de retorno constante para, posteriormente
decrescer.
Assim, a relação entre a quantidade de insumo variável e a quantidade de
produto produzida pode assumir três formas gerais, como já citado:
1. Os retornos constantes ocorrem quando cada unidade adicional do fator
variável, aplicada aos fatores fixos, aumenta a produção em iguais
quantidades;
2. Os retornos decrescentes ocorrem quando cada unidade adicional do fator
variável aumenta a produção total menos do que a unidade de fator variável
anterior;

44
3. Os retornos crescentes acontecem quando o acréscimo na produção,
resultante da adição do fator variável, é maior do que o provocado pelo
emprego da unidade anterior.

Tabela 1.2 Ganho de peso de frango (kg), consumo de ração (kg) e os retornos
proporcionados à produção pelo fator variável.

X1 Y (PFT) Retorno
Consumo de ração (kg) Ganho de peso de frango (kg)
(kg)
0,00 0,000 -
0,50 0,041 (0,041-0,00)/(0,50-0,00) =
0,082
1,00 0,156 (0,156-0,041)/(1,00-0,50) =
0,230
1,50 0,333 0,354
2,00 0,560 0,454
2,50 0,825 0,530
3,00 1,116 0,582
3,50 1,421 0,610
4,00 1,728 0,614
4,50 2,025 0,594
5,00 2,300 0,550
5,50 2,541 0,482
6,00 2,736 0,390
6,50 2,873 0,274
7,00 2,940 0,134
7,50 2,925 -0,030

45
1.2. Produtividade dos fatores

Do produto físico total (PFT), que vem a ser a produção (Y), duas importantes
relações podem ser derivadas, o Produto Físico Médio (PFMe) e o Produto Físico
marginal (PFMa). O PFMe é o PFT dividido pela quantidade empregada de insumo
variável, ou seja:

PFMeX1 = PFT/X1 = Y/X1

O PFMa, por sua vez, é a variação no produto físico total, decorrente da variação
de uma unidade na quantidade empregada do insumo variável, sendo matematicamente
representado por:

PFMaX1 = ∆PFT/∆X1 = ∆Y/∆X1 ou, para valores infinitesimais, = dY/dX1

Aplicando as fórmulas de PFMeX1 e PFMaX1 na equação (1) tem-se:

Y = 0,172 X12 – 0,016 X13 (1)

PFMeX1 = (0,172 X12 – 0,016 X13)/X1 = 0,172 X1 – 0,016 X12 (2)

PFMaX1 = 0,344X1 – 0,048X12 (3)

O PFMeX1 apresentado na Tabela 1.3, foi estimado a partir dos dados discretos X1 e
Y, que se encontram nas duas primeiras colunas desta mesma tabela. A produtividade
média pode ser obtida para cada nível de ração consumida pelas aves. No exemplo
tabulado o produto físico médio cresce, atinge um ponto máximo e decresce, não
atingindo, contudo, valores negativos.
O produto físico marginal é obtida aplicando-se a fórmula apresentada na equação
(3), substituindo X1 pelos valores fornecidos pela Tabela 1.3. O comportamento do
produto físico marginal é o seguinte: cresce, apresenta um ponto de máximo e, a partir
deste ponto, decresce, chegando a zero e passando a ser negativo.

46
Tabela 1.3. Ganho de peso de frango, consumo de ração, produto físico médio e
produto físico marginal.

X1 Y (PFT)
Consumo de ração Ganho de peso de PFMeX1 PFMaX1
(kg) frango (kg) Y/X1 dY/dX1
0,00 0,000 - -
0,50 0,041 0.082 0.160
1,00 0,156 0.156 0.296
1,50 0,333 0.222 0.408
2,00 0,560 0.280 0.496
2,50 0,825 0.330 0.560
3,00 1,116 0.372 0.600
3,50 1,421 0.406 0.616
4,00 1,728 0.432 0.608
4,50 2,025 0.450 0.576
5,00 2,300 0.460 0.520
5,50 2,541 0.462 0.440
6,00 2,736 0.456 0.336
6,50 2,873 0.442 0.208
7,00 2,940 0.420 0.056
7,50 2,925 0.390 -0.120

Caso se deseje saber a quantidade de insumo variável que proporciona


incremento nulo, ou seja o ponto exato onde o acréscimo de X1 gera um PFMa = 0,
basta proceder da seguinte maneira:
PFMaX1 = 0,344X1 – 0,048X12 = 0
Ou seja:
X1 (0,344 – 0,048 X1) = 0
X1 = 0,344/0,048 = 7,166
Assim, conclui-se que quando são utilizados 7,166 kg de ração o PFMaX1 = 0.

47
Graficamente, as curvas de produto físico total, produto físico médio e produto
físico marginal assumem as seguintes formas:
Gráfico 1.2 – Produto Físico Total

I II III PFT

PFMe

PFMa

Gráfico 1.3 – Produto Físico Médio e Produto Físico Marginal

O Gráfico 1.2 representa uma função de produção neoclássica e demonstra a lei


dos rendimentos marginais decrescentes. Essa lei estabelece que, à medida em que se
empregam mais quantidades de insumo variável, enquanto a quantidade dos demais
insumos permanece constante, a produção total aumenta, a princípio, a taxas crescentes,
depois a taxas decrescentes, atinge um máximo e, finalmente, decresce.

48
A lei dos rendimentos marginais decrescentes pode também ser descrita em
termos do produto físico marginal, dado que esse é a taxa de crescimento do PFT. O
PFMa cresce, atinge um máximo, posteriormente decresce, anula-se e, por fim, torna-se
negativo.
Em termos práticos, a lei dos rendimentos marginais decrescentes pode ser
melhor visualizada por meio da análise da resposta do ganho de peso do frango frente a
diferentes níveis de consumo de ração. Cada unidade de ração consumida aumenta o
peso do frango, inicialmente, a taxas crescentes, de pois, o faz de forma menos que
proporcional, atinge um máximo e, finalmente, decresce.
A análise conjunta dos Gráficos 1.2. e 1.3 permite ainda tecer algumas
considerações a respeito das curvas de PFT, PFMe e PFMa. A construção geométrica da
curva de PFMa se dá pela união dos sucessivos pontos de tangência sobre a curva PFT,
sendo que é possível perceber que o PFMa é máximo no ponto de inflexão da curva
PFT, e o PFMa é nulo quando o PFT é máximo. A curva de PFMe, por sua vez,
representa a sucessão dos ângulos formados por uma reta (suposta) que parte da origem
e toca sucessivamente os pontos que forma a curva PFT; a curva apresenta primeiro um
crescimento, atinge um máximo e decresce, não sendo, contudo nula em nenhuma
circunstância.
Vale ainda observar que é possível fazer comparações entre as curvas de PFMe e
PFMa. O ponto de máximo do PFMa é anterior ao ponto máximo do PFMe e, onde o
PFMe é máximo, ele se iguala ao PFMa.

1.3. Estágios de produção

Os três estágios de produção podem ser definidos a partir das relações entre o PFT,
PFMe e PFMa (Gráficos 1.2 e 1.3).
O primeiro estágio de produção corresponde àquele em que o PFMe é sempre
crescente. Nesse estágio o PFMa é sempre maior do que o PFMe, e ambos são
positivos; o PFT também apresenta-se crescente. Esse estágio é considerado um estágio
irracional de produção, porque os insumos são alocados ineficientemente. Um produtor
irracional jamais operaria nesse estágio de produção porque ele estaria limitando o uso
do insumo variável, dado que maior produtividade média poderia ser atingida pelo

49
maior uso desse insumo. O limite entre o primeiro e o segundo estágio de produção
ocorre no ponto onde o PFMe é máximo, ou seja, no ponto onde o PFMe = PFMa.
O terceiro estágio é caracterizado, principalmente, por apresentar um produto físico
total decrescente, PFMa negativo e PFMe também decrescente. Esse estágio também é
considerado irracional da produção, visto que o emprego de unidades adicionais do
insumo variável resultaria na redução do produto físico total, ou seja, tais acréscimos
contribuem para o crescimento do custo e redução da receita.
O segundo estágio de produção apresenta PFMe decrescente, assim como o produto
físico marginal, mas ambos são positivos. Nesse estágio o PFMe é sempre superior ao
PFMa e esse é considerado o estágio racional de produção. O limite entre o segundo e o
terceiro estágios ocorre no ponto onde o PFT é máximo, ou seja, onde o PFMa é nulo.
Sendo esse o único estágio racional, e sendo os seus limites o ponto onde o PFMe é
máximo e o ponto onde o PFMa é nulo, deduz-se que o ponto ótimo de produção estará
sempre à esquerda ou, no limite, coincidirá com o ponto de máxima produção física.
Voltando à Tabela 1.3 tem-se que o limite entre os dois primeiros estágios
encontra-se entre 5,000 e 5,500 kg de ração. O limite entre o segundo e o terceiro
estágios está entre 7,000 e 7,500 kg de ração. Os valores exatos podem ser obtidos
fazendo a primeira derivada do PFT (que é o PFMa) e a primeira derivada do PFMe
iguais a zero. Assim, o limite entre o primeiro e o segundo estágio será, exatamente:

PFMeX1 = (0,172 X12 – 0,016 X13)/X1 = 0,172 X1 – 0,016 X12


d PFMeX1/d X1 = 0,172 – 0,032 X1 = 0
Logo, X1 = 5,375 (ponto de consumo de X1 que proporciona o PFMe máximo)

Fazendo PFMaX1 = 0 tem-se o limite entre o 2º e o 3º estágios:

PFMaX1 = 0,344X1 – 0,048X12 = 0


Ou seja:
X1 (0,344 – 0,048 X1) = 0
X1 = 7,166 (ponto de consumo de X1 que proporciona o PFT máximo, ou
PFMa nulo).

50
1.4. Nível ótimo de uso do insumo

A premissa básica que norteia o comportamento do empresário é o de que ele


busca a maximização dos lucros da empresa (π), ou da sua receita líquida. Na
determinação do nível de insumo variável que maximiza o lucro, o uso da análise
marginal é o mais apropriado. Essa análise é utilizada para comparar o custo do insumo
variável com a receita do produto.
Um insumo variável deve ser adicionado ao processo produtivo até o ponto onde
a mudança na renda, devido ao uso da última unidade de insumo, for maior ou igual à
mudança no custo resultante da última unidade empregada desse fator. Se a última
unidade do insumo variável empregada aumentar mais a receita do que o custo, mais
desse fator deve ser utilizado. Contudo, se a última unidade de insumo aumentar mais
os custos do que a receita, menor quantidade desse fator deve ser empregada.
Em síntese, um fator variável deve ser empregado até o ponto onde o valor
adicional do produto for maior ou igual ao total adicional do custo do insumo, isso é, o
ponto onde o PFMa do insumo, multiplicado pelo preço do produto for maior ou igual
ao preço do insumo: PFMaX1 . PY ≥ PX1. De outra forma, desde que o valor do produto
marginal (VPFMa = PFMaX1 . PY) do insumo for maior ou igual ao preço do insumo:
VPFMa ≥ PX1.
A derivação matemática dessa regra de ‘tomada de decisão’ é apresentada a
seguir:

Max π = RT – CT (4)

O lucro é dado pela diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT). Na
determinação do lucro é necessário, portanto, conhecer a receita e os custos. Os preços
dos insumos de produção e a tecnologia constituem-se os determinantes basicos do
custo. Uma vez estabelecida a tecnologia, o total de cada insumo necessário para
produzir qualquer nível de produto pode ser determinado.
O custo total é dado pela soma dos insumos variável e fixo:

CT = X1. PX1 + K (5)

51
Em que X1 é a quantidade de insumo variável utilizada e PX1 é o seu preço; e
onde K é o custo dos insumos fixos.
A receita total é obtida pelo produto da quantidade total vendida e preço de
venda.

RT = Y.PY (6)

Em que Y é a quantidade total do produto produzido e PY é o preço de venda do


mesmo.
Assim, para maximizar o lucro tem-se que diferenciar a função π com relação ao
insumo variável X1, assumindo-se que os preços do produto e do insumo sejam
constantes.

π = RT – CT
π = Y. PY – X1.PX1 – K
ϕπ/ϕX1 = (ϕPY/ϕX1). Y + (ϕY/ϕX1). PY – (ϕPX1/ϕX1).X1 - (ϕX1/ϕX1).PX1 -
ϕK/ϕX1 = 0
ϕπ/ϕX1 = 0 + (ϕY/ϕX1). PY + 0 - (ϕX1/ϕX1).PX1 + 0 = 0
ϕπ/ϕ
ϕX1 = (ϕ
ϕY/ϕ
ϕX1). PY - (ϕ
ϕX1/ϕ
ϕX1).PX1 = 0

Logo, tem-se:

(ϕY/ϕX1). PY - PX1 = 0
VPFMaX1 – PX1 = 0
VPFMaX1 = Px1

Se voltarmos à análise dos dados presentes na tabela 1.3, é possível determinar o


peso ótimo de abate do frango. Para tanto, é preciso introduzir o preço do frango (kg) e
o preço da ração (kg). Supondo, por exemplo, que o kg de ração custe R$ 0,30 e o kg do
frango custe R$ 0, 60 o peso ótimo de abate do frango seria de 2,3845 kg e a quantidade
ótima de utilização do insumo seria de 5,140 kg de ração. Esses dados são obtidos da
seguinte forma:

52
Definindo a quantidade ótima de insumo

PY.PFMaX1 = PX1
0,60 . PFMaX1 = 0,30
0,60. (0,344 X1 – 0,048 X12) = 0,30
0,2064 X1 – 0,0288 X12 – 0,30 = 0
∆ = (0,2064)2 – 4(-0,0288. –0,30)
∆ = 0,04260096 – 0,03456 = 0,00804096
Logo:
X1 = [-(0,2064) ± (0,00804096)1/2]/ 2 (-0,0288)
X1 = -0,2064 ± 0,089667/ -0,0576
X1 = 5,140 Kg de ração

Definindo o peso ótimo do frango

Y = 0,172 X12 – 0,016 X13


Y = 0,172 (26,4196) – 0,016 ( 135, 796)
Y = 4,557312 – 2,17274
Y = 2,385 Kg de frango

Utilizando as equações de PFT e PFMa anteriormente definidas é possível ainda,


definir o nível de ração que maximiza a produção (e não o lucro). Para tanto, como já
dito, basta igualarmos a equação do PFMa a zero. Assim, tem-se:

PFMaX1 = 0,344X1 – 0,048X12 = 0


Ou seja:
X1 (0,344 – 0,048 X1) = 0
X1 = 7,166 Kg de ração(ponto de consumo de X1 que proporciona o PFT máximo,
ou
PFMa nulo).

53
O Gráfico 1.3 ilustra a evolução do ganho de peso do frango frente às diversas
quantidades utilizadas de ração. Ilustra, ainda, o comportamento dos produtos físicos
médio e marginal. Os dados são originados da Tabela 1.3.
Gráfico 1.3

Evolução dos Produto Físico Total (Y), Produto Físico Médio(PFMe) e


Marginal(PFMa)

3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0
-0,5 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 5,5 6 6,5 7 7,5
Quantidade de insumo utilizada

Y PFMeX1 PFMaX1

2. CUSTOS

Existem vários e diferentes tipos de custos, e vários significados são atribuídos à


expressão custo de produção. Portanto, simplesmente o termo ‘custo’ tem pouco
significado para os propósitos aqui desenvolvidos.
O termo custo significa, para os fins da análise econômica, a compensação que os
donos que os detentores dos fatores de produção, utilizados por uma firma para produzir
determinado bem, devem receber para que eles continuem fornecendo esses fatores à
empresa. O termo compensação é aqui utilizado – e não pagamento – porque existem
casos onde tal ‘remuneração’ não acontece de modo formal. Segundo HOFFMANN et
al (1987) existe ainda a possibilidade de alguns donos dos fatores de produção
fornecerem seu fatores ainda que pouco ou nada ganhem com isso. Segundo esses
autores “os proprietários de um negócio que não esteja fornecendo um rendimento
normal sobre o investimento continuarão, muitas vezes, a operá-los por vários anos,
porque eles não podem, rapidamente, retirar o seu capital investido em bens de

54
produção especializados, com duração de vários anos. Contudo, uma vez desagastados
os bens de capital, o capital-dinheiro não será reinvestido nesse negócio”.

2.1. Curto prazo e longo prazo

O curto e o longo prazo são conceitos temporais (envolvem tempo), mas eles não
são definidos como períodos fixos no calendário. Sendo assim, pode-se entender o curto
prazo como sendo aquele período de tempo no qual pelo menos um insumo é fixo,
enquanto que no longo prazo, todos os fatores utilizados são variáveis. Em
conseqüência, no curto prazo existem custos variáveis e custos fixos (já que existem
fatores fixos e variáveis), porém, no longo prazo, existem apenas custos variáveis, ou
seja apenas custos que dependem do volume de produção.
Custos fixos são os custos dos fatores fixos da empresa, portanto, no curto prazo,
independem do nível de produção. Os custos variáveis, ao contrário, dependem da
quantidade empregada dos fatores variáveis e, portanto, varia de acordo com o volume
da produção. Os custos totais da empresa são representados pela soma dos custos fixos
com os custos variáveis.
Como exemplo, imaginemos uma empresa têxtil que produz camisas. Os custos
fixos são os custos do edifício, da maquinaria e da iluminação; eles independem do
volume de camisas produzido e somente podem ser evitados se a fábrica deixa de
funcionar. Ainda assim, muitas vezes o proprietário continua tendo custos com a
manutenção das máquinas (ou com sua depreciação) e com as demais instalações. Os
custos variáveis dessa empresa podem ser representados, basicamente, pelo trabalho –
número de empregados – e matéria-prima envolvidos na produção, e irão variar de
acordo com o volume produzido, aumentando com um acréscimo na produção e
reduzindo, caso a produção seja diminuída.

2.2. Tipos de custos

2.2.1. Custos explícitos, contábeis ou diretos

Para um economista, o conceito relevante de mercado pode ser captado pelas


alternativas de mercado. Muitos fatores de produção são comprados no mercado e

55
utilizados imediatamente na produção da empresa. Uma vez que estes insumos são
oferecidos para venda em um mercado aberto, o custo alternativo (custo de
oportunidade), para qualquer uso específico será igual ao seu preço de mercado. Por
exemplo, suponha que uma empresa rural compre milho, soja, vitaminas, minerais e
outros insumos para a alimentação do seu rebanho. Esses insumos, comprados em um
mercado aberto, têm preços específicos. Esses preços, multiplicados pela quantidade,
podem então ser utilizados no cômputo do custo de produção daquela atividade
específica. Esses custos dos insumos que são diretamente determinados pelo produto
final, são denominados custos explícitos.

2.2.2. Custos implícitos, indiretos ou econômicos.

Os custos implícitos constam dos custos dos fatores que a empresa já possui,
quase sempre não registrados pela contabilidade, por não constituírem despesas pagas,
em dinheiro, durante o processo produtivo (por exemplo, aluguel não recebido por uma
propriedade possuída e utilizada pela firma). Nessa abordagem dos custos, os fatores
pertencentes à empresa e utilizados no processo produtivo têm custo associado, medido
pelo seu preço em uso alternativo, ou seja, preço relativo ao que o empresário está
deixando de receber ao alocar os recursos produtivos em sua empresa. Vale salientar a
necessidade de se verificar a existência de oportunidade relacionada aos recursos, pois,
nem sempre os recursos próprios devem ter custos implícitos.

2.2.3. Custos fixos

Os custos fixos são aqueles que permanecem inalteráveis durante um período de


tempo (curto prazo) e independentes do nível de produção. Esses custos ocorrem,
mesmo que o recurso não seja utilizado. No longo prazo, como todos os insumos podem
Ter suas quantidades variadas, os custos fixos são inexistentes.
Outra característica dos custos fixos é que eles não estão sob o controle do
administrador no curto prazo; eles existem no mesmo nível, independente de quanto do
recurso é utilizado. Outra maneira de conceituar os custos fixos, e que facilita o seu
entendimento é apresentada por REIS e GUIMARÃES (1986), que os consideram como
sendo aqueles correspondentes aos recursos que:

56
a) têm duração superior ao curto prazo, portanto sua renovação só acontece no
longo prazo;
b) não se incorporam totalmente no produto no curto prazo, fazendo-o em
tantos ciclos quanto permitir a sua vida útil;
c) não são facilmente alteráveis no curto prazo, e o seu conjunto determina a
capacidade de produção da atividade, ou seja, sua escala de produção;

O custo fixo total (CFT) é simplesmente a soma dos vários tipos de custos fixos
e inclui, usualmente os componentes: depreciação, seguros, impostos e juros. O custo
fixo médio (CFMe) , que expressa o custo fixo por unidade de produto (Y) é
determinado pela equação:
CFMe = CFT / Y
Em que o produto é medido em unidades físicas. Uma vez que, por definição, o
custo fixo total é um valor fixo ou constante, independente do nível de produção, o
CFMe irá decrescer continuamente, com o aumento da produção. A tabela 3.1 apresenta
os custos fixos e os custos fixos médios de uma firma hipotética.

2.2.4. Custos Variáveis

Os custos variáveis são aqueles sobre os quais o administrador exerce controle


no curto prazo. Eles podem ser aumentados ou diminuídos pala ação direta do
administrador e irão variar no mesmo sentido das mudanças na produção. Itens como
semente, fertilizantes, produtos químicos, gastos com sanidade de rebanho, com
serviços de máquinas e com mão-de-obra, em geral, são exemplos de custos variáveis.
Se nenhum produto for produzido, o custo variável pode ser evitado.
De acordo com REIS e GUIMARÃES (1986), os custos variáveis são os custos
com recursos que apresentam as seguintes características:
a) têm duração inferior ou igual ao curto prazo, sendo, portanto, sua
recomposição feita a cada ciclo do processo produtivo;
b) incorporam-se totalmente ao produto no curto prazo, não sendo aproveitados
(pelo menos não claramente) para outro ciclo;
c) são alteráveis no curto prazo e estas provocam variações na quantidade e na
qualidade do produto dentro do ciclo. Essas variações se verificam em certos

57
níveis permitidos pelo conjunto dos recursos fixos e pelas técnicas de
produção.
O custo variável total (CVT) pode ser encontrado pela soma de cada custo
variável individual, que é igual à quantidade do recurso comprada, multiplicada pelo
preço. O custos variável médio (CVMe) é o custo variável total dividido pelo produto, e
é calculado pela equação:

CVMe = CVT / Y

O custo variável existe tanto no curto, quanto no longo prazo, sendo que, neste
último, todos os recursos são considerados variáveis. Assim, a distinção entre custos
fixos e variáveis também depende do exato ponto no tempo, no qual a próxima decisão
será tomada. Gastos com fertilizantes são, geralmente, considerados custos variáveis.
No entanto, uma vez que ele tenha sido comprado e aplicado, o administrador não tem
mais controle sobre esse gasto. Esse custo deve ser, então, considerado como fixo para o
restante do ciclo de produção desse produto e futuras decisões devem considerar esse
fato. O custo com trabalho e o custo de arrendamento da terra são exemplos similares.
Após a contratação da mão de obra e o contrato de arrendamento Ter sido assinado o
administrador não pode alterar o valor e seus custos devem ser considerados como fixos
durante o contrato. Os custos variáveis totais e os variáveis médios hipotéticos para um
empresa fictícia, são apresentados na tabela 3.1.

2.2.5. Custo total

O custo total é a soma do custo fixo total e do custo variável total (CT = CVT +
CFT). No curto prazo, ele irá aumentar somente com o aumento do CVT, uma vez que o
CFT é um valor constante. O custo total médio (CTMe) para um determinado nível de
produto é igual à soma do CVMe e CFMe ou, ainda, igual a:

CTMe = CT / Y

O custo total médio é tipicamente decrescente, em baixos níveis de produção,


uma vez que o CFMe decresce rapidamente, e o CVMe pode também ser decrescente. A

58
elevados níveis de produção, o CFMe irá decrescer menos rapidamente e o CVMe irá
aumentar e será maior mais rapidamente do que a taxa de decréscimo do CFMe. Essa
combinação faz com que o CTMe aumente. A tabela 3.1 apresenta os custos totais e os
totais médios hipotéticos.

2.2.6. Custo marginal

O custo marginal (CMa) é definido como a variação no custo total dividido pela
variação do produto:
CMa = ∆ CT / ∆ Y, ou ainda como CFT não varia CMa = ∆ CVT/ ∆ Y
O custo marginal é também apresentado na tabela 3.1.

2.2.7. Custo operacional

Pode ser definido como o custo de todos os recursos de produção que exigem
desembolso por parte da empresa para sua recomposição. Esquematicamente, o custo
operacional compõe-se de todos os itens de custo considerados variáveis adicionado de
uma parcela dos custos fixos, e ainda pela parcela da mão de obra familiar que, embora
não remunerada, realiza serviços básicos imprescindíveis ao desenvolvimento da
atividade.
A finalidade do uso desse custo é mostrar, caso a empresa não tenha
remuneração igual ou superior ao custo alternativo, se e quanto ela tem de resíduo que
remunera em parte o capita;, o tempo, a administração e recursos auto-renováveis.

59
Tabela 3.1. CFT, CVT, CT, CMa, CTMe, CVMe e CFMe para uma empresa hipotética.

Produto CFT CVT CT Cma CTMe CVMe CFMe


(Y)
(a) (b) ( c) (d) (e) (f) (g) (h)
$ $ $ $ (d/a) (c/a) (b/a)
0 10,00 0,00 10,00
1 10,00 4,00 14,00 4,00 14,00 4,00 10,00
2 10,00 7,50 17,50 3,50 8,75 3,75 5,00
3 10,00 10,75 20,75 3,25 6,92 3,58 3,33
4 10,00 13,80 23,80 3,05 5,95 3,45 2,50
5 10,00 16,70 26,70 2,90 5,34 3,34 2,00
6 10,00 19,50 29,50 2,80 4,92 3,25 1,67
7 10,00 22,25 32,25 2,75 4,61 3,18 1,43
8 10,00 25,10 35,10 2,85 4,39 3,14 1,25
9 10,00 28,30 38,30 3,20 4,26 3,14 1,11
10 10,00 32,30 42,30 4,00 4,23 3,23 1,00
11 10,00 38,30 48,30 6,00 4,39 3,48 0,91
12 10,00 47,30 57,30 9,00 4,78 3,94 0,83
13 10,00 60,30 70,30 13,00 5,41 4,64 0,77
14 10,00 78,30 88,30 18,00 6,31 5,59 0,71
15 10,00 102,30 112,30 24,00 7,49 6,82 0,67
2.3. Forma das curvas de custo

60
O Gráfico 3.1 mostra a forma das curvas de custo total convencionais (CT, CVT e CF).
$ CT

CVT

CFT

Quant. ofertada
A curva de custo fixo total é paralela ao eixo das quantidades, uma vez que
independe do nível de produção. Situa-se acima do eixo das quantidades por sua
distância equivalente aos custos fixos. Por sua vez, o custo variável total, que depende
do nível da produção, cresce à medida em que maior quantidade de produto é produzida,
isto é, maior quantidade de insumo variável está sendo utilizada. Inicialmente, a curva
de custo variável total cresce a uma taxa decrescente e depois a uma taxa crescente.
Enfim, a curva de custo total é paralela à curva de custo variável total, e são separadas
por uma distância equivalente ao custo fixo total.
O Gráfico 3.2 abaixo apresenta as curvas de custo fixo médio, custo variável
médio, custo total médio e custo marginal.
CMe
$ CMa

CVMe

CFMe

Gráfico 3.2. Curvas de custos médios e custo marginal

61
A curva de custo fixo médio inclina-se para baixo e para a direita em toda a sua
extensão não interceptando o eixo horizontal ou o vertical. É uma hipérbole retangular.
A curva de custo variável médio, geralmente tem a forma de “U”. Inicialmente,
apresenta uma inclinação descendente e depois passa a Ter uma inclinação ascendente.
O mesmo formato é observado nas curvas de custo total médio e, vale ressaltar, tal
forma depende da eficiência com que ambos os recursos, fixos e variáveis, são
utilizados. Geralmente, a curva de custo marginal também apresenta uma forma “U”,
conseqüência do formato da curva de custo total.
As formas das curvas de custo marginal e custo variável médio estão
estritamente relacionadas com a função de produção. A inter-relação das curvas de
custo marginal e produto físico marginal, custo variável médio e produto físico médio é
mostrada no Gráfico 3.3., abaixo relacionado.

PFMe
PFMa

PFMe

PFMa X1
CMa
CVMe CMa
CVMe

Y
Gráfico 3.3. Relação entre as curvas PFMe e CVMe, e PFMa e Cma.

62
Matematicamente, as relações entre as curvas explicitadas no Gráfico acina são:

CVMeX1 = CVT/Y = X1. PX1/Y = 1/ PFMeX1 . PX1

CmaX1 = ∆CT/∆Y = ∆X1/∆Y. PX1 = 1/PmaX1. Px1

Deve-se notar que o produto físico médio se eleva a um máximo e depois


diminui, e que o custo variável médio reduz a um mínimo e depois se eleva; o produto
marginal eleva-se para um máximo, e continua a decrescer, enquanto o custo marginal
baixa, atinge um mínimo, depois sobe, interceptando o custo variável médio em seu
ponto de mínimo, continuando a crescer depois.

2.4. Equilíbrio da firma em um mercado de competição perfeita

Em competição perfeita, a firma estará em equilíbrio quando o custo marginal do


insumo utilizado na produção igualar-se à receita marginal auferida com a venda da
mercadoria, que deve ser igual ao preço de mercado do bem. Assim:

Cma = Rma = Py

63
2.5. Lucro normal e supernormal

O gráfico abaixo ilustra situações de lucro normal, supernormal, prejuízo e ponto de


fechamento da firma no curto prazo.
$
CMe

CMa CVMe

Lucro supernormal
Lucro normal

Ponto de Fechamento

Prejuízo – a firma não atua

Y
Gráfico 3.4. Lucro e prejuízo da firma no curto prazo

Analisando individualmente cada um dos casos, tem-se:

$
CMe

CMa CVMe

C
A

B D

O
E

Em que
AOEC = Receita total
BOED = Custo total
AOEC – BOED = ABDC = Lucro positivo

64
$
CMe

CMa CVMe

A
B

O
C

Em que
ABCO = Receita total
ABCO = Custo total
ABCO – ABCO = ABCO = Lucro nulo ou normal (A firma oferta)

$
CMe

CMa CVMe

A
Prejuízo B
D
C

O
E

Em que
DOEC = Receita total
AOEB = Custo total
DOEC – AOEB = ABCD = Prejuízo (Cobre CVMe e parte do CFMe)

65
A firma ainda produz

$
CMe

CMa CVMe

A
Prejuízo B

O
E

Em que
DOEC = Receita total
AOEB = Custo total
DOEC – AOEB = ABCD = Prejuízo (Cobre apenas CFMe)
A firma ainda produz, mas deixará de fazê-lo a partir deste ponto, uma vez que será
incapaz de cobrir até mesmo os custos fixos médios. Esse é o ponto de fechamento da
firma.

3.6. O nível ótimo de produção da firma

Segundo LEFTWITCH (1991:192)


“ O nível de produção em que o custo médio a curto prazo é o mínimo é aquele
em que o tamanho da firma é o mais eficiente. Aqui, o valor dos investimentos nos
recursos, por unidade de produto, é mínimo. Esta quantidade de produto é chamado
nível ótimo de produção. O termo ótimo significa “mais eficiente”. Qualquer que seja o
tamanho da empresa, a produção de custo médio mínimo é o nível ótimo de produção
para aquele tamanho de firma.
Vale salientar que o nível ótimo para dado tamanho de firma não é,
necessariamente, aquele em que a firma obtém o maior lucro. A existência de lucro e a
sua magnitude dependem tanto da receita quanto do custo.

66
2.6. Curvas de custo no longo prazo (LP)

No longo prazo, em virtude da inexistência de custos fixos, todos os ajustamento de


escala (tamanho) são passíveis de serem realizados. A análise é feita considerando o LP
como uma sucessão de situações de curto prazo.

$/unid. CmeL1 CmeL3


x
CmeL2

Y Y’ Y1 Y3

Gráfico 3.5. Curvas de custo médio de longo prazo.

Como se pode imaginar, os possíveis tamanhos de firma são infinitos. Para cada
tamanho imaginado haverá um imediatamente um pouco maior ou um pouco menor.
Como a curva de custo médio no LP é formada por pequenos segmentos de cusrvas de
custo médio no CP, a CmeL pode ser construída como sendo a linha tangente a todas as
possíveis curvas de CmeCP, que representam os possíveis tamanhos da firma.
Matematicamente, é chamada de “curva envelope” das curvas de CP.
$/Y

CMeLP

Economias de escala Y* Deseconomias de escala Y/ut


Gráfico 3.6. Representação da curva envelope, economias e deseconomias de escala

67
Normalmente, a curva de custo médio de longo prazo tem forma de “U”. Isso
ocorre, segundo LEFTWITCH (1991), se a firma tornar-se sucessivamente mais
eficiente até um determinado ponto (um tamanho limite) e, a partir de então, tornar-se
sucessivamente menos efidiente.
Eficiência crescente associada a tamanhos cada vez maiores de planta reflete-se
por curvas de custo médio de curto prazo situadas sucessivamente em níveis mais
baixos e mais à direita. A eficiência decrescente é demonstrada pelo movimento
inverso, resultando em uma curva CmeLP também em formato de “U”.
“As forças que levam a curva CMeLP a decrescer em maiores níveis de
produção e dimensões da empresa são chamadas “economias de escala”. Duas
importantes economias, nesse sentido são:
a) Crescente possibilidade de divisão e especialização da produção;
b) Crescentes possibilidades de uso e desenvolvimento tecnológico avançado e,
ou, equipamentos maiores.

[...] Mesmo considerando tais questões, existem limitações à eficiência em


administrar e controlar (coordenar) uma só firma com grandes proporções. Estas
limitações são denominadas “deseconomias de escala” LEFTWITCH (1991:195,196)

68
Tamanho ótimo da firma

O tamanho ótimo da firma refere-se à planta mais eficiente de todas as que a


firma pode estabelecer. Em outras palavras, o tamanho ótimo da firma é aquele que faz
com que a curva de custo médio de curto prazo atinja o ponto mínimo no mesmo nível
de produ’~ao que o custo médio de longo prazo.

$/Y

CMeLP

Y* Y/ut
Gráfico 3.7. Tamanho ótimo da firma.

69
Exercícios:

1. Introdução à economia

1. Comente: O problema econômico básico é o da escassez.


2. Diferencie, em rápidas palavras, a Macroeconomia da Microeconomia.
3. Como podem ser classificados os bens econômicos (cite exemplos).
4. Como podem ser classificados os fatores de produção (cite exemplos)
5. O que se pode entender por ‘custo de oportunidade’?
6. Quais são as funções básicas de um sistema econômico (discorra, e não apenas cite).
7. Comente: O mercado pode ser entendido como uma instituição social na qual bens,
serviços e fatores produtivos são trocados livremente.
8. Interprete o fluxo circular de bens e serviços e dos fatores produtivos, e dos
pagamentos monetários - Complete o diagrama e comente.
9. Quais as vantagens da elaboração de uma teoria que não reflete com precisão a
realidade?
10. Quais os principais pressupostos da Teoria da Concorrência Pura?

2. Teoria dos Preços

2.1. A Demanda

1. Comente: A demanda é um conceito de máximo.


2. Quais os principais fatores que podem influenciar a demanda?
3. As duas maneiras mais conhecidas de se mostrar que a curva de demanda apresenta
a relação inversa entre preço e quantidade são: através a abordagem da utilidade e
pelo emprego das curvas de indiferença. Comente.
4. Mostre, graficamente e textualmente, a lei dos rendimentos marginais decrescentes.

5. Conceitue elasticidade-preço, elasticidade-preço-cruzada e elasticidade-renda da


demanda.

70
6. Construa a curva de demanda por carne bovina, dado o consumo mensal de uma dona
de casa representada na tabela a seguir:

Preço Quantidade
(R$/kg) (kg)

3 24
4 20
5 16
6 12
7 8

a) Caso o preço aumentasse de R$ 3,00 para R$ 6,00, a dona de casa iria alterar suas
compras em quantos quilos de carne bovina?

b) A visita de amigos que gostam de carne bovina fez com que a dona de casa passasse
a comprar uma quantidade maior de carne, aos mesmos preços vigentes. Houve um
movimento ao longo da curva ou um deslocamento da curva de demanda? Mostre este
movimento graficamente.

c) Calcule a elasticidade-preço (arco) da demanda entre os pontos A e B, isto é, quando


o preço cai de R$ 6,00 para R$ 3,00. Classifique e interprete esse coeficiente.

7. Considere a seguinte equação de demanda do bem x.

X = 300 - 0,2Px - 0,5Py + 0,8R

Em que
X = quantidade demandada do bem x por unidade de tempo;
Px = preço do bem x;
Py = preço do bem y;
R = renda dos consumidores.

71
a) Considerando Py = 500; R = 1000 e Px = 750, determine o coeficiente de
elasticidade-preço da demanda, interprete e classifique-o.

b) Com os mesmos dados da letra “a” determine o coeficiente de elasticidade-renda da


demanda, interprete e classifique-o.

c) Considere o coeficiente da elasticidade-preço da demanda encontrado em “a”. Se os


vendedores desejarem aumentar suas receitas neste mercado, que política de preços
deveriam adotar, isto é, aumentar ou reduzir o preço de Px?

d) Com os mesmos dados da letra “a” determine a elasticidade-preço cruzada da


demanda, interprete e classifique-a .

8. Seja a seguinte equação de demanda para o bem X:

X = 130 – 2Px

Em que

Px = preço do bem X;
X = quantidade demandada do bem X.

a) Calcule as elasticidades-preço da demanda pelo bem X considerando os seguintes


níveis de preço: Px = R$15,00, Px= R$ 50,00 e Px=R$60,00. Como você pode
interpretar os diferentes coeficientes calculados?

b) Por que a elasticidade-preço se altera ao longo da curva de demanda pelo bem X?

9. Seja a seguinte equação de demanda para o bem X:

QX = 10 – 5Px

Em que

72
Px = preço do bem X;
QX = quantidade demandada do bem X.

a) Calcule as elasticidades-preço da demanda pelo bem X considerando os seguintes


níveis de preço: Px = R$1,50 e Px= R$0,50. Como você pode interpretar os
diferentes coeficientes calculados?

b) Quais preço e quantidade do bem X tornariam unitária a elasticidade por este bem?

c) Com base na teoria, explique o que aconteceria com a elasticidade preço da


demanda por este bem se o preço sofresse um acréscimo de 58%.

10. A atual carência de carne bovina no Rio de Janeiro está resultando em aumento da
demanda. O aumento da demanda causará aumento da oferta. O aumento da oferta
reduzirá os preços. Dada essas informações, você confirma a redução no preço da
carne bovina? Avalie, cuidadosamente, o texto acima e faça o seu comentário.

11. Os valores da tabela abaixo referem-se à variação no consumo de manteiga e


margarina de um consumidor quando o preço de manteiga sobe, Ceteris Paribus.

Antes Depois
Preço Quantidade Preço Quantidade
R$/kg kg/mês R$/kg kg/mês
Manteiga 2,5 2 2,8 1

Margarina 2,0 2 2,0 3

a) Desenhe uma figura mostrando essas mudanças.

b) Explicar a figura desenhada.

73
12. Uma mercearia vendia café a R$1,98/kg. Precisando aumentar a receita e reduzir
estoques, resolveu fazer uma promoção e vender café 10% abaixo do preço normal. Ao
preço de R$1,98, vendia 50kg/semana. Com a promoção passou a vender 54kg/semana.
Com base nessas considerações, responda:

a) Qual é o coeficiente da elasticidade-preço da demanda de café nessa faixa de preços


(arco)? Classifique-o e interprete-o .

b) Com essa promoção, a mercearia conseguiu o aumento desejado da receita? Sim?


Não? De quanto? Explique o resultado?

c) Se, ao invés de reduzir o preço, a mercearia tivesse aumentado o mesmo, qual seria
o impacto sobre a receita. Comente.

2.2. Oferta

1. Conceitue o termo “oferta” explicitando o fato de ser este um conceito de mínimo.

2. Seja a seguinte equação de oferta para o bem X:

X = 200 + 3Px + 0,4 T – 0,2 I

Em que

Px = preço do bem X;
T = tecnologia;
I = impostos que incidem sobre a produção de X;
X = quantidade ofertada de X.

a) Considere, inicialmente, Px = R$300,00, T = 20 e I = 40. Com estes dados,


determine a elasticidade-preço da oferta, interprete e classifique-a .

74
b) Considere, agora, que a alíquota da tributação que incide sobre a produção aumente
de 0,2 para 0,5. Nesta condição, qual a nova elasticidade preço da oferta?

c) Mantidos os dados da letra “a”, como seria afetada a elasticidade-preço da oferta


caso o preço do bem X caísse em 20%?

d) A curva de oferta descrita na letra “a” corta o eixo horizontal ou o eixo vertical? Por
que? Esboce graficamente.

e) Existe algum nível de preço que poderia alterar a classificação da elasticidade-preço


da oferta calculada nas letras anteriores. Responda com base na teoria microeconômica.

3.Considere a seguinte equação de oferta simplificada do bem X

Qx = 10 + 30 Px
Em que Qx é a quantidade ofertada do bem X
Px é o preço do bem X

a) Essa equação representa uma curva de oferta elástica, unitária ou inelástica?


Justifique a sua resposta.

b) Desenhe o gráfico representativo dessa equação, para o intervalo de preços


[$0,00;$5,00].

75
c) Calcule a elasticidade-preço da oferta no ponto onde Px = $4,00 (classifique-a e
interprete-a).

d) Se o coeficiente de inclinação aumentar de 30 para 50, espera-se que a elasticidade-


preço da oferta aumente ou diminua? Justifique a sua resposta com base nos
argumentos da teoria econômica.
e) Que fatores poderiam aumentar a quantidade ofertada, ainda que o preço do produto
permanecesse constante? Esboce no gráfico acima, esse deslocamento.

2.3. Equilíbrio de mercado

17. Considere as seguintes equações de oferta e demanda para o bem X:

QDx = 130 – 2Px


QSx = 100 + Px

Em que

QDx = Quantidade demandada do bem X;


QSx = Quantidade ofertada do bem X;
Px = Preço do bem X.

a) Calcule o preço e a quantidade de equilíbrio para o bem X e esboce graficamente.


Calcule, ainda a elasticidade-preço da demanda e interprete-a.

b) Suponha um incremento na demanda de X, onde a quantidade demandada passa


para QDx = 160 – 2Px. Considerando a mesma equação de oferta inicial, qual o novo
preço e quantidade de equilíbrio? Mostre graficamente o deslocamento. Calcule a
nova elasticidade-preço da demanda e interprete-a .

76
c) Suponha uma retração na demanda de X, onde a quantidade demandada passa para
QDx = 109 – 2Px. Considerando a mesma equação de oferta inicial, qual o novo
preço e quantidade de equilíbrio. Mostre graficamente o deslocamento. Calcule a
nova elasticidade-preço da demanda.

d) Considere, agora, uma retração na oferta de X, onde a quantidade ofertada passa


para Qsx = 40 + Px. Considerando a mesma equação de demanda inicial, qual o novo
preço e quantidade de equilíbrio? Mostre graficamente o deslocamento. Calcule a
nova elasticidade-preço da oferta e interprete-a .

e) Considere, uma expansão na oferta de X, onde a quantidade ofertada passa para


Qsx = 112 + Px. Considerando a mesma equação de demanda inicial, qual o novo
preço e quantidade de equilíbrio? Mostre graficamente o deslocamento. Calcule a
nova elasticidade-preço da oferta e interprete-a .

f) Suponha que simultaneamente se alterem a oferta e a demanda de X, onde a equação


de oferta passa a ser Qsx = 112 + Px e a equação de demanda QDx = 160 – 2Px. Neste
caso, qual o novo preço e quantidade de equilíbrio? Mostre graficamente o duplo
deslocamento.

g) Considere novamente um deslocamento simultâneo da oferta e da demanda de X,


onde a equação de oferta passa a ser Qsx = 40 + Px e a equação de demanda QDx =
160 – 2Px. Neste caso, qual o novo preço e quantidade de equilíbrio? Mostre
graficamente o duplo deslocamento.

3. Teoria da firma

1.1. Teoria da Produção

1. O quadro abaixo apresenta uma função de produção de trigo, utilizando diferentes


níveis de uso de mão-de-obra.

77
Mão-de-Obra PFT PFMe PFMa
(dh) (kg) (kg) (kg)
0 0
1 50
2 150
3 300
4 400
5 475
6 540
7 560
8 560
9 540
10 500

a) Que nível de mão-de-obra limitaria o 1.o e 2.o estágios de produção e o 2.o e 3.o
estágios de produção? Esboce graficamente a delimitação dos estágios. Como
você justificaria sua resposta?

b) O produtor racional jamais operaria no primeiro estágio de produção. Você aceita


ou rejeita esta afirmação? Comente.

c) Qual o intervalo em que este produtor poderia usar do recurso variável e estar
agindo racionalmente.

2. Seja a função de produção

Y = 12 X2 - X3 ,

em que Y é a produção de trigo em kg/ha, e X, a quantidade do fator m.d.o utilizado no


processo produtivo.

Pede-se:

78
a) Determinar as expressões algébricas das funções de produto físico médio e do
produto físico marginal.

b) Determinar o ponto de máxima produção física.

c) Delimitar os diferentes estágios da função de produção.

d) Determinar a quantidade de m.d.o que maximiza a receita líquida,


sabendo que o preço do fator é R$ 42,00, e do produto, R$ 2,00.

3. Considere a seguinte função de produção:

Q = 30 X2 – X3
Em que: Q = quantidade produzida
X = fator de produção variável
Pede-se:

a) A quantidade empregada do fator variável que maximiza a produção.

b) A produção máxima.

c) A equação do produto físico médio.

d) A equação do produto marginal.

e) A quantidade de fator variável que permite ao produtor obter a máxima eficiência


técnica.

f) Se o preço do fator é $1,00 e o preço do produto é $2,00, qual a quantidade de fator


variável que leva o agricultor a obter a máxima eficiência econômica.

4. Imagine uma empresa agrícola produtora de milho. O fator fixo é representado pela
área de terra disponível associada ao equipamento existente. O fator variável é

79
representado pela mão-de-obra utilizada, ou seja, pelo número de empregados
contratados. Os dados relativos à produção são dados por:
Terra Mão-de-obra Produto Total Produtividade Produtividade
(fator fixo) (fator variável) Média Marginal
10 1 6
10 2 14
10 3 24
10 4 32
10 5 38
10 6 42
10 7 44
10 8 44
10 9 42

Pede-se:
a) As produtividades média e marginal.
b) O número de empregados no limite do estágio I para o estágio II, e do II para o III.
c) O número de empregados que faz com que a empresa esteja agindo irracionalmente.

1.2. Teoria dos custos

1. Suponha que você seja administrador de uma empresa fabricante de tratores


pequenos,
operando em um mercado competitivo. Seu custo de produção é expresso pela equação:
C= 500 + Q2 + 4Q , em que Q é o nível de produção e C é o custo total de produção.

a) Esta é uma função de curto ou de longo prazo?

b) Qual é o custo fixo dessa empresa?

c) Quais as equações que representam os custos totais médios e variáveis médios?

80
d) Se o preço do trator no mercado for de R$ 2004,00, quantos tratores deveriam ser
produzidos para a empresa maximizar lucros?

2. Comente:

a) No longo prazo todos os custos são variáveis.

b) A verificação de funções com retornos crescentes, constantes ou decrescentes


explicitam conceito de curto prazo.

c) Que fatores justificam a existência de economias e deseconomias de escala?

81
PARTE IV - PREÇOS AGRÍCOLAS (6,9, TEXTOS AVULSOS)

1. FORMAÇÃO E ANÁLISE DOS PREÇOS AGRÍCOLAS

1.1. Introdução

Dentre os mercados reais que se aproximam da construção teórica da Concorrência


Perfeita, o mercado agrícola destaca-se como de maior equiparação. Isso porque traz,
dentre suas características, a pulverização dos agentes partícipes, a flexibilidade, em
muitos casos, da combinação dos insumos utilizados e outras especificidades que fazem
com que a oferta e a demanda por produtos agrícolas sejam os principais fatores
determinantes dos preços nesse segmento. Os preços agrícolas regulam, dessa maneira,
os níveis de produção e de consumo.
Segundo MARQUES e AGUIAR (1993), o preço que se consegue por um produto
ao nível do consumidor, em um mercado competitivo, reflete a satisfação que este
espera conseguir através do consumo daquele produto; significando, ao mesmo tempo, o
nível de equilíbrio onde o máximo que os consumidores estão dispostos a pagar
coincide com o mínimo que os produtores concordam em receber pela produção daquela
quantidade de produto.
Contudo, atingir tal equilíbrio não é tarefa fácil, pois envolve o ‘acerto’ de interesses
diferentes acerca de uma mesma questão: ao produtor interessa maior lucro, onde o
preço tem papel fundamental; ao consumidor interessa maior satisfação, onde preço e
quantidade são quesitos determinantes.
Os preços das mercadorias podem ser formados, basicamente, de duas formas. Pela
interação das curvas de oferta e demanda , como dito acima, ou através de mecanismos
que adicionam ao custo de produção margens referentes às despesas com transporte e
armazenamento, e lucro do vendedor final. Quanto maior o controle sobre o nível dos
estoques - de insumo e de produto – maiores as chances de influência de outros fatores,
que não procura e oferta, nos preços dos bens.

82
Gráfico 1.1. Determinação dos preços pela interação das curvas de oferta e
demanda

P
Quantidade Ofertada

PE

Quantidade Demandada

QE Quantidade
No caso específico dos produtos agrícolas isso pode ser observado com relativa
facilidade. Embora o mecanismo básico de determinação de preços seja o real equilíbrio
de mercado, de acordo com o produto agrícola negociado os preços tornam-se mais ou
menos voláteis frente à demanda. É por isso que, produtores que lidam com
hortifrutigranjeiros presenciam grandes flutuações nos preços de suas mercadorias, uma
vez que são muito pequenas as possibilidades de armazenamento e, não vender a
produção, significa, normalmente, um prejuízo maio do que vendê-la a um preço mais
baixo. No caso dos produtores de grãos, no entanto, é possível arcar com os custos de
armazenamento se houver a expectativa de melhora futura de preços.
Um exemplo típico dessa diferença na volatilidade dos preços agrícolas é percebido
em visitas a centrais estaduais de abastecimento – CEASAs. Nas ‘alas ’responsáveis
pela comercialização de hortiftutigranjeiros, existe uma grande movimentação, muita
negociação de preços e grande pressão da demanda por parte dos intermediários. O
impacto do aumento da oferta sobre os preços é impressionante e as cotações sofrem
constantes ajustes ao longo das horas. À medida em que nos afastamos desse setor e nos
dirigimos ao espaço reservado à negociação de raízes e tubérculo, tal ‘alvoroço’ diminui
substancialmente e, ao nos depararmos com o setor de negociação de grãos, os critérios
de negociação mostram-se já muito distintos, sendo notória a redução da volatilidade
dos preços.

83
1.2. Principais características dos preços de produtos agrícolas

Além do já exposto, pode-se salientar, ainda, algumas importantes características


dos preços agrícolas, como a sazonalidade, ciclos de preços, impactos defasados sobre a
produção e influência dos custos de transporte.
Algumas variações periódicas de preços estão associadas às estações do ano. Essas
variações, denominadas sazonais, existem por variações específicas na demanda
(aumento no consumo de peixe na semana Santa), na oferta de fatores de produção (na
época da colheita de cana-de-açúcar em uma determinada região, pode faltar mão de
obra para a horticultura, por exemplo), ou na oferta dos produtos agrícolas (em virtude
de períodos de entressafra). Graficamente pode-se representar tais deslocamentos como
segue:

Gráfico 1.2. Variações sazonais de preços


P S* P S* P S
P* S S
D*
P

D D D

Q* Q Q* Q Q Q*
(a) (b) (c)
Em que S* significa a ‘nova’ oferta, S a oferta inicial, D* a nova demanda e D a
demanda inicial.
(a) Retração da oferta e consequente aumento dos preços em período de entressafra;
(b) Retração da oferta e consequente aumento dos preços por redução da
disponibilidade de insumo (fator de produção);
(c) Expansão da demanda e consequente aumento do preço por questões culturais
periódicas.

Além das variações sazonais podem ser ainda observadas a presença das tendências
e dos ciclos de preços. As tendências são variações ao longo do tempo que refletem a

84
perspectiva contínua de crescimento, estabilidade ou diminuição nos dados de alguma
variável analisada ( normalmente preços, quantidade etc...). Os ciclos, ao contrário das
tendências, podem ser ascendentes ou descendentes apresentando, contudo, repetição
periódica de seus movimento. Um exemplo clássico é o do ciclo de preços do boi gordo,
que apresenta periodicidade de sete anos. Essas variações cíclicas são provocadas,
principalmente, pelo abate indiscriminado de matrizes no período de baixa do ciclo. Os
motivos que levam os produtores a variar o número de matrizes está principalmente
associado ao preço recebido. Na fase de preços declinantes, devido à expectativa de
uma retração ainda maior dos mesmos e às necessidade de recursos dos pecuaristas, os
produtores incrementam o abate, gerando uma superoferta de carne , forçando o seu
preço ainda mais para baixo.
As matrizes abatidas nessa primeira fase provocarão uma redução na oferta futura de
animais gordos, o que iniciará uma nova fase de crescimento dos preços.

Gráfico 1.3. Esboço gráfico de tendência, ciclo e sazonalidade.

Tendência
Ciclo
Variação sazonal

O impacto de alterações nos preços agrícolas sobre a quantidade ofertada não é,


na maioria dos casos, um imediato. Isso porque uma vez efetivado o plantio, a cultura
segue o seu curso natural (ciclo biológico) ao fim do qual dar-se-á a colheita. Caso os

85
preços não estejam compatíveis com as expectativas dos produtores (por uma
superssafra oriunda de ótimas condições climáticas, por exemplo), a não ser que ele
opte por estocar a produção – se possível – ou que ocorram interferências de compras
governamentais, uma retração na oferta só será possível no próximo período agrícola,
quando então ele fará uma redução na sua área plantada ou fará o cultivo de outro
produto.
Desconsiderada a possibilidade da estocagem ou das compras governamentais
compensatórias, o que geralmente acontece com produtos de maior perecibilidade, é
bastante freqüente que uma alta nos preços em uma safra atraia maior número de
produtores o que, no período seguinte, gera um excesso de oferta e uma queda nos
preços. Tal retração, uma vez observada pelos produtores cujo cultivo do produto em
questão não é tradicional, faz com que estes busquem novas opções, levando a um novo
ajuste positivo dos preços.
Esses pequenos ciclos, embora ocorram em curtos intervalos de tempo não são
fruto da sazonalidade, uma vez que não derivam de períodos de safra ou entressafra.
No caso de culturas destinadas à exportação existem outros fatores que
influenciam fortemente os preços e, em consequência, a quantidade ofertada. Dentre
eles pode-se citar os preços mundiais, as preferências externas, a qualidade de produtos
similares ofertados por concorrentes internacionais e mesmo as políticas comerciais
externas adotadas pelo governo.
Por fim, vale ressaltar o peso relativo dos custos com transporte e
armazenamento sobre os preços agrícolas. No que diz respeito a esses dois itens, a
primeira consideração refere-se ao grande desperdício observado em muitos casos,
decorrente de armazenamento e transporte inadequado, o que leva a grandes perdas da
produção. Além disso, estradas mal conservadas, dificuldade de escoamento da
produção e acesso a insumos, dentre outros fatores, são responsáveis por parcela
significativa do encarecimento de alguns produtos agrícolas.
No caso brasileiro, os índices de perda de alguns produtos por más condições de
transporte e acondicionamento chegam a 25% no caso do tomate, 20% na soja e mais de
40% no caso do transporte das bananas.

86
3 A ECONOMIA DOS MERCADOS AGRÍCOLAS

3.1. Os problemas de mercado para a agricultura

O setor agrícola é importante tanto do ponto de vista social quanto sob o prisma
econômico. Cerca de 5 milhões de famílias, em todo o Brasil, exercem atividades
ligadas ao setor agrícola. Esse imenso contingente humano enfrenta, entre muitos
problemas, alguns derivados do próprio mercado agrícola, dentre os quais podem ser
destacados a instabilidade de preços dos produtos, a queda real desses preços, a
descapitalização do setor e a forte tendência à redução da participação relativa das
atividade na formação do Produto Interno Bruto (PIB).
Antes de abordar a questão específica da instabilidade de preços, o que demanda
um esforço adicional de análise, podemos tecer algumas considerações acerca dos três
outro itens citados.
A queda real nos preços dos produtos agroindustriais, notadamente nos últimos
dez anos, pode ser melhor constatada a partir da informação de que a maioria dos onze
principais produtos da agricultura do estado do Paraná apresentou, como tendência, uma
taxa negativa de crescimento, à exceção do algodão, do milho e do boi gordo. Tal
informação, com variações nos produtos analisados, pode ser estendida para a quase
totalidade do território nacional.
Quanto à descapitalização do setor rural, medida pelo índice de paridade (IP),
constata-se que, devido à presença, de um lado, de oligopólios na venda dos insumos
necessários para as atividades agrícolas, e, de outro, de oligopsônios na aquisição dos
produtos, os preços dos produtos têm aumentado menos do que os preços dos insumos.
Isso ocorre, geralmente, porque os oligopólios cobram relativamente mais pelos seus
produtos do que os oligopsônios pagam pelos produtos agropecuários.
Com relação à participação decrescente da agricultura na formação do PIB, esse
é um fenômeno próprio do processo de crescimento econômico, e ocorre também em
outros países. No Brasil, nos últimos 40 anos, a participação agrícola caiu de cerca de
27% em 1947 para 12% em 1988. A pauta de exportações agrícolas também sofreu
profundas modificações, sendo que, nos últimos 15 anos houve intensa redução nas
exportações de produtos de baixo valor agregado (in natura) e aumento nas vendas
externas de produtos agroindustriais mais elaborados. Esse fato, e também a crescente

87
participação da indústria no PIB em detrimento da agricultura se deve a alguns fatores:
concentração da renda, que combinado com a inelasticidade-renda dos produtos
agrícolas, resulta no crescimento menos da demanda por esses últimos produtos,
alterações nos mercados externos, política econômica voltada para o setor industrial e,
por fim, a presença acentuada, nos últimos 15 anos de oligopólios e oligopsônios no
setor agrícola, com efeitos perversos sobre a agricultura.
Retornando à questão da instabilidade dos preços e, conseqüentemente da renda
agrícola, avaliemos os principais fatores que fazem com que os preços agrícolas sejam
mais voláteis do que os preços industriais. Em primeiro lugar cabe ressaltar que, quanto
menor o preço menor tende a ser sua variabilidade. Além disso, a agricultura envolve
riscos de produção, e esse mais risco se deve a dois fatores combinados. De um lado, a
demanda por esses produtos é relativamente inelástica a preços (principalmente para
reduções nos mesmos) e, de outro, sua oferta é fortemente instável ou sazonal. Essa
variação na oferta decorre do fato de que a agricultura encontra-se sujeita a oscilações
que não estão sob o controle do produtos, como doenças, inundações, secas, geadas, e
mesmo condições climáticas excepcionalmente favoráveis, que podem gerar
superssafras. Como já visto anteriormente, essas flutuações são menores quanto maiores
forem as possibilidades de armazenamento da produção e processamento do produto.
O Gráfico 3.1 explicita o fato de que, uma retração nos preços dos produtos não
é, no caso de uma grande inelasticidade, compensada por aumentos na quantidade
ofertada, de forma que no caso particular dos produtos agrícolas, variações dessa
natureza não são favoráveis.

88
Gráfico 3.1. Variações diferenciadas na quantidade demanda de um produto mais
elástico e um menos elástico, considerando variações não planejadas na oferta.

P Oferta real
Oferta planejada

Pr
Pp
Demanda mais elástica

Demanda menos elástica

qpe,i qri qre q/un.t

Quanto aos efeitos de possíveis aumentos de preços convém ressaltar que


embora no geral, os produtos agrícolas apresentem inelasticidade-preço, ela é mais
evidente para produtos com baixa substitubilidade. As possibilidades da formação de
diferente combinações de alimentos que geram um mesmo nível calórico-proteico-
vitamínico, faz com que exista inelasticidade por alimento, mas que, entre eles possa
existir grande substitubilidade. Assim, uma quebra na safra setorial de alface pode ser
compensada com um aumento no consumo de outra verdura; o aumento na carne de boi
por ser adapatada a uma elevação no consumo de outra proteína, e assim por diante.

3.1.1. O paradoxo do mercado agrícola

O título acima serve apenas para identificar a dificuldade presente para os


indivíduos que atuam simultaneamente em mercados de concorrência perfeita (para
venda) e oligopolizados (para compra), como é o caso do produtor rural. De um lado,
ele enfrenta as agruras de não poder, isoladamente, negociar reduções nos preços dos

89
insumos utilizados e, de outro encontra-se impossibilitado de provocar variações nos
preços dos seus produtos sem consequências indesejáveis sobre a quantidade ofertada.
Mesmo quando organizados - o que é raro, principalmente em alguns segmentos desse
setor – os produtores dificilmente conseguem estabelecer relações
favoráveis...normalmente minimizam as perdas.
Além do exposto, a grande facilidade que existe no acesso a diferentes tipos de
cultura faz com que qualquer lucro excedente no segmento seja rapidamente dissolvido
pela presença de outras firmas no setor.

3.1.2. Mudanças na oferta e na demanda de longo prazo e o custo de vida

No curto ou no longo prazo, os movimentos de preços resultam de alterações na


oferta e/ou na demanda. As situações anteriores de variações de preços (até aqui
consideradas)ocorriam em um contexto de curto prazo. A partir do momento em é
considerado o longo prazo, realça-se o fato de que a renda dos consumidores e a
tecnologia são os dois fatores mais importantes no deslocamento das curvas de demanda
e oferta de logo prazo.
Dependendo da magnitude de mudança da oferta ou da demanda, os preços
podem apresentar uma tendência à queda ou aumento. Se a tecnologia apresentar um
incremento positivo ao longo dos anos, de tal modo que supere a taxa de crescimento
da demanda, os preços apresentarão uma tendência à queda. Por outro lado, se a
demanda crescer a taxas elevadas, devido ao crescimento populacional e da renda, por
exemplo, é provável que os preços tenham perspectiva de crescimento ao longo dos
anos.
No Brasil, embora tenha ocorrido um decréscimo nos preços reais pagos ao
produtor – Gráfico 3.2 – a nível de consumidor, a maioria dos produtos tem sofrido
elevação de preços, indicando um aumento do custo de vida. Nos últimos anos,
entretanto (a partir de 1992) esse quadro tem se mostrado mais estável, mas os estudos a
esse respeito encontram-se ainda em andamento e carecem de maior tempo de
maturação. Contudo, é certo que até o final da década de noventa os preços no varejo
apresentavam taxas crescentes.

90
Gráfico 3.2. Esboço da evolução dos preços pagos ao produtor , 1965 -1985.

P S65
S70
S75
P5
P4 S80
P3
S85
P2
P1
TENDÊNCIA

Q65 Q70 Q75 Q80 Q85 Q/u.t.

O que explica, então, a simultânea elevação de preços ao consumidor e queda


junto ao produtor? Durante um largo período de tempo, notadamente os anos
compreendidos entre 1975 e 1985, ocorreu um sistemático incremento da demanda, que
não foi plenamente compensado pelos incrementos tecnológicos, uma vez que as altas
taxas inflacionárias corroíam parte dos benefícios advindos de tal avanço. Além disso, a
cada dia encontram-se mais processados os alimentos disponíveis ao consumidor,
fazendo com que exista, entre o preço pago ao produtor e o preço pago pelo consumidor
final, considerável margem de agregação de valor.

91
Gráfico 3.3 . Esboço do comportamento histórico dos preços pagos no varejo, 1965-
1985.

P S65 S70 S75


S80 S85

TENDÊNCIA
P85
P80
P75
P70 D80 D85
P65 D75
D70
D65

Q65 Q70 Q75 Q80 Q85 Q/u.t

a. Duas alternativas para os problemas agrícolas de mercado

i. Efeito do armazenamento sobre os preços

Pelo que foi exposto até o momento, pode-se perceber que as flutuações dos
preços dos produtos agrícolas decorrem, principalmente, da demanda inelástica dos
mesmos, da oferta instável e das variações sazonais. O fato da produção agrícola
encontrar-se submetida à sazonalidade provoca uma acentuada variação nos preços ao
longo dos meses do ano, de tal modo que, durante e logo após a colheita (período da
safra) os preços ficam a níveis muito baixos, mas sobem muito na época da entressafra,
período em que, normalmente, os produtores já não dispõem mais da sua produção.
Devido a essa característica da sazonalidade na produção, enquanto o consumo
de produtos agrícolas é relativamente constante ao longo dos meses do ano, o

92
armazenamento de parcela da produção na época da colheita, para ser consumida na
entressafra, permite reduzir as flutuações de preço desses produtos. A função do
armazenamento é produzir a utilidade de tempo, tornando a mercadoria disponível no
momento desejado pelos consumidores.
O armazenamento do ‘excesso’ da produção, ao ‘ajustar’ a oferta ao nível de
consumo normal, reduz a variabilidade dos preços do produto no mercado trazendo, em
consequência, efeitos positivos sobre a receita e a renda dos agricultores. E o produtor,
por ter aversão ao risco, ao receber uma renda mais estável, se sente estimulado a
expandir a produção nos anos seguintes.
Graficamente, é possível analisar o efeito econômica do armazenamento –
Gráfico 3.4 – de forma relativamente simplificada.

Gráfico 3.4. Oferta de produtos agrícolas nos períodos de safra e entressafra (com e
sem a formação de estoques)

P Oferta na entressafra
Oferta na safra com estoques

Pe Oferta na safra, sem


estoques

Ps

Qe Qs Q/u.t

Suponhamos, de acordo com o gráfico acima, que Ps seja o preço de


determinado produto agrícola no período de safra e Pe o seu preço na entressafra. Como
é possível observar, Pe > Ps, o que era esperado, uma vez que no período de safra existe
uma oferta bem maior de produto no mercado e, além disso, os produtos agrícolas são

93
inelásticos em relação aos seus preços. Assim, ma das formas de reduzir a variação de
preços sofrida pela questão da sazonalidade envolve, justamente, a formação de
estoques, que embora onerosos permitem uma volta a patamares de preços mais
adequados. Em outras palavras, o armazenamento de uma mercadoria, mesmo a um
custo relativamente elevado, possibilita distribuir melhor a oferta disponível, evita a
acentuada queda nos preços na safra, e assegura maior nível de renda para o produtor.
De certa forma, esse resultado é compatível também com o desejo dos consumidores,
que preferem pagar um pouco mais pelo produto tendo-o disponível o ano inteiro.

ii. O dilema das cooperativas de produtores

A motivação existente “por trás” da ação coletiva é de fácil percepção. A


posição de equilíbrio em um setor perfeitamente competitivo é invariavelmente aquela
em que uma restrição de produção e um consequente aumento nos preços aumentaria o
lucro de todos os produtores. Isso é particularmente óbvio quando a demanda é
inelástica em relação aos preços – o que é justamente o caso dos produtos agrícolas.
Nesse caso, a tendência é de que uma redução na produção não apenas aumente as
receitas, como também reduza os custos, o que eleva necessariamente os lucros. Assim,
pode-se afirmar que, do ponto de vista do produtor agrícola, será sempre benéfico
participar de qualquer tipo de associação que reduza a produção global.
Embora, por um lado, haja incentivo, sob a competição perfeita, para que todos
os produtores concordem em restringir a produção, infelizmente, de outro, há também
um estímulo para que cada produtor viole qualquer acordo de restrição da produção.
Obviamente, se cada um responde a esse segundo incentivo, os ganhos que adviriam de
um comportamento cooperativo deixam de existir. É nesse sentido que se entende o
dilema cooperativista; cada produtor estará efetivamente melhor se a cooperativa for
implantada, mas, simultaneamente, sente-se tentado a driblar os mecanismos de controle
da oferta, de modo a auferir ganhos individuais mais elevados, uma vez que os preços
encontram-se a níveis mais elevados.

94
b. Políticas de suporte e estabilização de preços

Devido às constantes variações nos preços e na renda agrícola, os governos têm


adotado algumas políticas que contribuem para manter mais estáveis os preços e,
conseqüentemente, as rendas dos agricultores. Entre essas políticas estão a de preços
mínimos, a de controle da oferta e a de estoques reguladores.

i. Política de preços mínimos

Dois bons exemplos de política em que o governo intervém com o intuito de


impedir a transação comercial abaixo de um determinado valor são a Política de
Garantia de Preços Mínimos (PGPM) aos produtos agrícolas e a Política de Salário
Mínimo para os trabalhadores. Enfatizemos, pois, a primeira delas.
Com a extinção da política de crédito rural subsidiado, notadamente a partir do
início da década de 80, por força de contenção dos gastos do governo, esse começou a
pensar em um modelo que buscasse trocar o subsídio ao crédito pelo preço – deve-se
ressaltar que a política de crédito rural subsidiado nem sempre beneficia o produtor, em
virtude dos grandes viesamentos e tendenciosidades existente, enquanto que a política
de preços mínimos tem uma ação mais eficaz para quem produz.
Devido a essa mudança de postura, a PGPM tem se tornado o principal
instrumento de política agrícola e sustentação da renda do setor rural. Através dessa
política o governo federal sustenta que determinados produtos agrícolas não deverão ser
comercializados, a nível do produtos, por preços abaixo de um determinado patamar
previamente estipulado, já que esse teto mínimo é o preço ao qual o governo garante a
compra destes bens.
A PGPM, que visa assegurar um nível mínimo de renda para o produtor, é
fundamental para a agricultura, por ser um setor cuja produção é instável e cujo produto
tem demanda, como já dito, inelástica. Os preços mínimos podem ser utilizados como
instrumento de política agrícola para atingir os seguintes objetivos:
1. proteger a renda do setor agrícola;
2. aumentar a produção da agricultura;
3. reduzir o risco de preço enfrentado pelo agricultor;
O Gráfico 3.5 ilustra a atuação da PGPM junto ao produtor rural

95
P D S

S’ E A PREÇO MÍNIMO EFETIVO D’


Pm

PE

S
D
Qdm QE Qsm
Gráfico 3.5. Fixação do preço mínimo para um determinado produto agrícola

O gráfico acima ilustra os efeitos do estabelecimento de um preço mínimo para


determinado produto agrícola, onde as curvas relevante (de mercado) de oferta e
demanda passam a ser SAS’ e DED’, é não mais SS e DD. Ao preço mínimo
estabelecido ocorre, normalmente um excesso de produção, na medida em que Pm
estimula os produtores e desestimula a aquisição do produto, de modo que há a
necessidade de um controle efetivo da quantidade produzida a fim de que não ocorra um
contínuo aumento do estoque excedente.
Outra conclusão possível é a de que a fixação de preços terá efeito ineficaz se os
preços de mercado estiverem acima dos preços mínimos oferecidos pelo governo, e
sempre gera um estímulo ao excesso de produção de quando Pm encontra-se mais alto
que PE. Tal excedente pode, eventualmente, ser destinado ao mercado externo; caso
contrário, se o produto se destina ao consumo exclusivamente doméstico, a sustentação
de um preço Pm muito elevado implicará em um custo adicional para o governo, porque
ele terá que adquirir, e ainda armazenar a quantidade (Q2 –Q1).
Normalmente, o governo adquire toda a produção Q2 – Q1 para, em momentos
de desabastecimento, ou safras insuficientes, colocar à disposição do público os seus
estoques. Tendo em vista que a política de PGPM tem um custo financeiro para os
cofre públicos, é importante que ela seja ‘ideal’ e ‘eficiente’. O objetivo final da PGPM

96
seria o de conseguir uma estrutura tal que o preço mínimo projetado pelo governo fosse
a real antecipação do preço de mercado, pois ainda assim beneficiaria o produtor (é uma
defesa contra possíveis quedas nos preços) isentando de custos o governo.
O gráfico 3.7 ilustra de forma esquemática os efeitos da PGPM sobre as
variações sazonais de preços, onde a curva cheia representa as oscilações nos preços de
mercado e a pontilhada os preços mínimos estabelecidos pelo governo.

Gráfico 3.7. Efeitos da PGPM sobre a sazonalidade de preços dos produtos amparados

P
r
e
ç
o
s

S
a
z
o SAFRA ENTRESSAFRA
n
Meses

Uma outra finalidade da política de preços mínimos é o aumento da produção,


via redução dos riscos de preço envolvidos. As decisões de produção são tomadas pelo
agricultor meses antes da venda da colheita, época em que nada garante que o preço de
mercado seja o mesmo que vigorava na época do plantio. Assim, mesmo atuando em
concorrência, onde o preço é um dado que o produtor não consegue alterar, na época em
que decido o que e quanto produzir, essa variável não é uma incógnita. Assim, a curva
de oferta que incorpora a presença de preços mínimos – no Gráfico 3.8, a curva S1 – é
mais à direita do que a curva de oferta que se atém somente às informações do mercado
(S0).

97
Gráfico 3.8. Ação da PGPM sobre a oferta de um determinado produto agrícola

P S0 S1

P’

q0 q1 Q

3.3.2. Controle da produção (oferta)

A política de controle da produção e, por conseguinte, da oferta, é uma Segunda


alternativa de suporte de preço para o produtor. A limitação ou restrição da produção
agrícola, embora traga resultados altamente positivos em termos econômicos, torna
extremamente difícil de ser operacionalizada, devido ao grande número de produtores e
aos fatores não controláveis, como clima, pregas e doenças.
No Brasil, existe um produto cuja produção apresenta condições favoráveis de
controle e cujos resultados tem sido positivos, apesar da política de preços
administrados. Esse produto é a cana-de-açúcar, de que é fácil restringir a produção,
porque a mesma se concentra em determinadas regiões do país 9COMO São Paulo,
Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná) e ao mesmo empo toda a
produção comercial tem um destino certo, que é a industrialização via usinas e
destilarias. Assim, a adoção de quotas de produção distribuídas pelo Governo, em
termos de açúcar e álcool, resultará, necessariamente , na redução da área a ser plantada
com esta cultura.

98
Esta política é praticamente impossível de ser aplicada para um produto como o
milho, por ser cultivado por mais de 2,8 milhões de produtores, distribuídos por mais de
4 mil municípios e pelos múltiplos usos e destinos da produção.
Além desse controle direto da oferta pela distribuição de cotas de produção, um
controle indireto pode ser feito através da restrição do uso de um fator estratégico
(terra, por exemplo) como acontece nos Estados Unidos, cujo governo paga ao produtor
para reduzir a área destinada ao plantio. O Gráfico 3.9, ilustra os efeitos de tal política
sobre a oferta.

Gráfico 3.9. Impacto econômico do controle da produção sobre o nível de preços


P
S2 S1

P2 A

P1 B

Q2 Q1 Q/ u t

Sob o ponto de vista econômico, a justificativa para o controle da produção se


baseia na inelasticidade –preço da demanda para produtos agrícolas. Por essa política, o
governo limita a produção e “força” um deslocamento da oferta de S1 para S2, como no
gráfico acima.
Se os agricultores produzirem uma quantidade total menor, cada um deles
receberá um preço maior (P2). Como a demanda por produtos agrícolas é geralmente
inelástica a redução na quantidade ofertada leva a um aumento na receita total recebida
pelos produtores – ela passa de OP1BQ1 para OP2AQ2.
Esse procedimento resulta em má alocação de recursos, uma vez que os
consumidores são forçados a pagar mais pelos produtos agrícolas, mas o principal
objetivo dos produtores é manter os preços próximos a P2.

99
3.3.3. Política de estoques reguladores

Já foi discutido anteriormente os efeitos do armazenamento sobre os preços,


tendo como preocupação as flutuações dos mesmos ao longo dos meses do ano, ou seja,
o armazenamento na época da colheita contribui para reduzir a sazonalidade de preço,
que é uma característica dos produtos agrícolas. Por outro lado, a política de estoques
reguladores visa ajustar a oferta e a demanda ao longo dos anos, funcionando como uma
política de ajuste e estabilização de preços. Assim, nos anos de safra excepcional, o
Governo entraria comprando o produto e, nos anos de baixa safra, ele entraria vendendo
a mercadoria.
É importante notar, contudo, que para uma política de estoques reguladores ser
eficiente, é preciso que vise essencialmente a eliminação das variações aleatórias da
renda do setor agrícola. Sob o prisma da alocação de recursos essa política seria
altamente ineficiente se buscasse impedir as variações ou tendências impostas pelas
forças de mercado a longo prazo.
O gráfico 3.10 ilustra o funcionamento desta política considerando a oferta nos
anos de produção “normal”, em anos de clima favorável (“bom”) e em anos de
frustração de safra (“ruim”). Como já foi visto, a instabilidade da produção agrícola, de
vido a fatores físicos e biológicos, associada a uma curva de demanda relativamente
inelástica a preços, gera grandes flutuações de preços dos produtos agrícolas. Esta
instabilidade de preços prejudica tanto os produtores como os consumidores, e é nesse
sentido que se dá a ação da política dos estoques reguladores: funciona no sentido de
garantir, ao longo dos anos, tal volatilidade dos preços agrícolas.
Suponhamos, a partir do gráfico acima, que houve um anos de safra excepcional
(SB). Sem a intervenção governamental, o preço seria reduzido de PN para PB, o que
acarretaria uma redução na receita total auferida pelos produtores ( passaria de OPNBQN
para OPBCQB). Com a participação do Governo, este entra comprando a quantidade QB
– QN, a estoca e, em períodos ruins, como o representado graficamente pela oferta SR,
desova o estoque, a fim de evita a subida de preços de PN para PR.

100
Gráfico 3.10. Efeitos econômicos da política de estoques reguladores para um
determinado produto agrícola

P
SR SN SB

PR A

PN B

PB C

O QR QN QB Q/ u t

O Gráfico 3.111 ilustra o impacto da política de estoques reguladores sobre a


receita do produtor. A linha preta representa a receita sem estoque regulador a azul, a
receita com estoque regulador. A área relativa à perda ilustra o quanto o produtor deixa
de ganhar em períodos de safra ruim pelo fato da política de estoques impedir a
elevação dos preços do produto, pela desova de estoques, enquanto a área de ganho
representa o quanto o produtor ganha em virtude de se manter um preço acima do de
equilíbrio de mercado em períodos de safra excelente (acima do normal).
Gráfico 3.11. Impacto positivo da política de estoques reguladores sobre a receita do
produtor.

RT

Perda
Ganho

101
QE
4. INTERVENÇÃO GOVERNAMENTAL NOS MERCADOS AGRÍCOLAS

1.1. Política de subsídios

Um mecanismo econômico pelo qual o governo acredita poder ajudar os


agricultores é adoção de subsídios. Esta política consiste na ação governamental em
fornecer aos produtores um incentivo econômico maior do que aquele originado
exclusivamente via mercado. Há muitos tipos de subsídios e distintas formas de aplicá-
los, sendo que as duas formas mais importantes são:

a) na produção, via redução no preço de determinado insumo ou através da


diminuição nas taxas de juros dos financiamentos contraídos pelos agricultores
(crédito rural);

b) na venda, via comercialização da mercadoria, por preço inferior ao custo de


aquisição adicionado dos demais custos de comercialização, como: transporte,
armazenagem, embalagem classificação, entre outros.
1.1.1. Subsídio na produção

No Brasil, o mecanismo do crédito rural subsidiado foi muito utilizado entre o


período de 1965 a 1980 - a partir de 1984, ele foi drasticamente reduzido, por
necessidade de contenção de gastos governamentais.
O subsídio constitui para o produtor, na realidade, em uma redução nos custos de
produção, desde que os recursos oriundos desse mecanismo de “ajuda” seja realmente
direcionados por exemplo, para inovações tecnológicas. Graficamente, a política de
subsídios via crédito rural pode ser vista no gráfico 4.1.

102
Gráfico 4.1. Efeito do subsídio sobre a oferta

P
S0 S1
P0

PE

P1
D

0 Q0 QE Q1 Q

Suponhamos, inicialmente, que a oferta seja S0, vendida ao preço P0. Do lado do
produtor, o que se vê é que uma intervenção governamental via crédito subsidiado
atuaria diretamente nos custos de produção, reduzindo-os, tornando possível ao
produtor ofertar, ao preço P0 o nível Q1 de produto, ou, mantendo a oferta em Q0,
reduzir o preço para P1. Por outro lado, ao considerarmos a interação coma curva de
demanda, pode-se observar que, provavelmente, estabelecer-se-á uma quantidade
intermediária QE, a um preço igualmente intermediário PE. É claro que os efeitos da
política de subsídios sobre a oferta dependerá da elasticidade das curvas de oferta e de
demanda de mercado – quanto mais elásticas as curvas, maior o impacto.
Estas análises são muito importantes para efeito de previsão de uma política de
subsídios para a produção agrícola. Considerando que a demanda por produtos agrícolas
é, de modo geral, inelástica, pode-se supor que uma política de subsídios nem sempre
será eficaz para aumentar a quantidade demandada. Isso significa dizer que é provável
que o governo gaste recursos vultosos em subsídios e os resultados sobre a demanda
não sejam os melhores esperados. Contribuem, entretanto para uma considerável queda
no preço dos produtos agrícolas junto aos consumidores.1
Imaginemos o seguinte exemplo: admita-se a existência de 100 agricultores que
produzem um determinado produto e cada um com a seguinte função de custo:

103
Ci = 0,1 qi2 + qi + 10

A condição para a maximização do lucro requer que cada agricultor reduza no nível em
que o custo marginal do insumo (CMa) seja igual ao preço do produto (P), já que CMa
= VPFMa. Assim:

CMai = 0,2 qi + 1 = P

Logo: qi = 5P – 5
As funções de demanda e de oferta agregadas, ou de mercado são:

(Oferta) S = 500 P – 500


(Demanda) D = -400 P + 4000

Nessas condições o equilíbrio de mercado acontece onde S = D, logo:


Sendo P = 5, Q = 2000

Supondo , agora, um subsídio do governo de “x” reais por unidade para a produção
dessa mercadoria; a função de custo de cada agricultor passaria a ser:
Ci = 0,1 qi2 + (1 – x) qi + 10
E o custo marginal equivalente seria: CMai = 0,2 qi + 1 - x = P
Logo, nesse caso, qi = 5 (P + x).

A curva de oferta de mercado seria: S1 = 500 (P + x) – 500


Mantida a curva de demanda, o novo preço de mercado de equilíbrio seria:
P1 = 5 – 5/9 x

Assim, se o subsídio fosse de, por exemplo, R$ 0,90, o novo preço seria R$ 4,50 e a
nova quantidade produzida igual a 2.200 unidades.

1
Convém ressaltar que os produtos agroindustrializados, por terem eslasticidade-preço maior respondem

104
1.1.2. Subsídios na comercialização

Esse tipo de subsídio ocorre por ocasião da venda do produto e, portanto, após a
produção. Ele envolve o pagamento de um preço artificialmente elevado para os
produtores com a posterior revenda aos consumidores a um preço menor. Por esse
mecanismo o governo paga aos agricultores a diferença entre o preço baixo para os
consumidores e o elevado ( de suporte ) para os produtores. O preço aos consumidores
cai ao nível competitivo PV (resultante da interação da curva de demanda com a de
oferta S1), mas para os agricultores o Governo garante o preço de garantia, ou de
suporte (PP). O Gráfico 4.2 ilustra os efeitos do subsídio na comercialização.

Gráfico 4.2. Efeitos do subsídio na comercialização


P S

PP F

PV E
D
0 Q0 Q/ut
Na figura acima, o custo total do governo é dado pela área PPPVFE. Ressalte-se
que, sem a intervenção do governo a quantidade ofertada seria Q0 ao preço Pv, logo a
sua receita seria dada pela área PV0Q0E, e não por PPFQ00.

1.2. Política de impostos

Uma medida de política governamental de grande incidência na comercialização


são os impostos sobre a venda dos bens e serviços, os quais são importantes exemplos
de impostos indiretos.
Um imposto indireto é aquele que recai sobre os bens e serviços, ao contrário dos
impostos diretos, que incidem diretamente sobre a renda das pessoas ou o lucro das

mais intensamente na produção aos estímulos dos subsídios.

105
empresas como, por exemplo, o imposto de renda. De um modo geral pode-se afirmar
que enquanto o Governo Federal conta notadamente com os impostos diretos, os estados
tendem a contar mais com os impostos indiretos, como principal alternativa de geração
de receitas.
O efeito de um imposto sobre a venda de um produto pode ser avaliado através do
diagrama de oferta e demanda. Um imposto pode corresponder a um dado valor
monetário por unidade do produto (como , por exemplo, um imposto sobre a gasolina e
o álcool) ou pode, também, ser uma porcentagem sobre o preço de venda do produto
(como acontece com o ICMS). O primeiro é denominado imposto específico e o
segundo, imposto ad valorem.

1.2.1. Imposto específico

Um imposto específico é aquele em que o valor monetário definido deve ser


pago ao Estado para cada unidade de produto vendida, independente do preço da
mercadoria. Uma maneira interessante de pensar num imposto sobre a venda, é que ele
aumenta, de um dado valor, o preço do bem taxado; e deve-se ressaltar dois aspectos:
a) O valor do imposto é normalmente repassado tanto para os consumidores
como para os vendedores, embora não necessariamente em parcelas iguais.
b) A incidência será a mesma, se o imposto é arrecadado dos compradores, ao
invés de dos vendedores.

Considere-se primeiro a situação em que o imposto “t” é arrecadado dos


vendedores cuja curva de oferta é dada na forma tradicional P = a + bQ. Se o Governo
dispõe de t reais para cada unidade vendida pelos produtores, o preço efetivo para os
vendedores passa a ser P – t. Então, a função deve ser alterada para:
P –t = a + bQ, ou P = (a + t) + bQ
A adoção do imposto sobre o vendedor desloca o intercepto da curva de oferta
pelo valor do imposto, reduzindo a quantidade ofertada sobre qualquer nível de preço,
conform mostra o Gráfico 4.3.Assim, se os vendedores forem induzidos a colocar Q0
unidades no mercado, eles precisam receber um preço P0 por unidade; ou seja, existe a
necessidade de eles receberem P0 + t dos consumidores. Dessa forma, para qualquer
preço pago pelos consumidores, os produtores estarão desejando vender menos do que

106
antes, pois irão receber não o preço que o consumidor paga, mas o preço menos o valor
do imposto.

Gráfico 4.3. Efeito de um imposto específico arrecadado do vendedor


P
S1
P0 + t S0

P1 + t Et t

P0
E0
P1
D

0 Q1 Qt Q0
Q
Contudo, os consumidores não comprarão Q0 unidades ao valor P0 + t uma vez
que a curva de demanda mostra que a este valor eles adquirirão apenas a quantidade Q1,
resultando, em consequência, em um excedente Q0 – Q1. Nesse caso, os vendedores
devem tomar a iniciativa de baixar o preço ao nível P1 + t, ao qual os consumidores
adquirirão a quantidade Qt. Assim, a diferença entre P0 e P1 + t refere-se ao valor do
imposto unitário que é repassado aos consumidores, enquanto a diferença entre P0 e P1
mostra a parcela do imposto unitário que incide sobre os vendedores. Portanto, o
imposto t é repartido, embora não necessariamente em parcelas iguais, entre produtores
e consumidores. O resultado final é que, regra geral, os consumidores pagarão mais caro
e os produtores receberão menos, e o volume negociado será menor.
A incidência será a mesma se o imposto for arrecadado sobre os consumidores,
ao invés dos vendedores. Nessa situação, partindo-se de uma curva de demanda dada
por P = a – bQ, se o governo impõe um imposto de “t” reais sobre cada unidade
adquirida, o preço efetivo para os consumidores passa a ser P + t, e a função de
demanda é novamente alterada para P = (a – t) – bQ.

107
A adoção de um imposto constante t sobre o comprador desloca o
intercepto da curva de demanda pelo valor do imposto, reduzindo a quantidade
demandada para qualquer nível de preço, ou seja, a curva de demanda desloca-se de D0
para D1 (Gráfico 4.4). Do ponto de vista dos consumidores, a curva de demanda não é
afetada pela adoção do imposto t, mas do ponto de vista dos vendedores a curva de
demanda se desloca para baixo, pelo valor do imposto. Isso significa dizer que para
adquirir a quantidade Q0 os consumidores estarão disposto a pagar um preço P0, mas
com a imposição do imposto, o preço que seria repassado aos vendedores, para esse
volume de negócio (Q0) seria apenas P0 – t. Contudo, a esse nível de preços as
quantidades oferecidas pelos vendedores seria de Q1, resultando em uma escassez de Q0
– Q1. Devido à escassez, os consumidores “forçam” o preço a subir para P1, e, a esse
preço, a quantidade negociada será Qt, e os compradores estarão pagando P1 + t por
cada unidade. Assim, o efeito do imposto é o mesmo demonstrado no gráfico anterior.
Em ambas as situações o resultado do imposto muda a posição do ponto de
equilíbrio de E0 para Et. A produção cairá, o preço pago pelos consumidores será maior
e o preço pago pelos vendedores será menor. A carga tributária é distribuída entre os
dois de acordo com as elasticidades – preço da demanda e da oferta. Do mesmo modo, o
impacto sobre a produção do produto, depende, também, destas elasticidades.
Gráfico 4.4. Efeito de um imposto específico arrecadado do comprador

P
S

P1 - t
P0 E0
Pt Et t
P0 - t

D0
Dt

0 Q1 Qt Q0 Q

108
Os diagramas que compões o total do gráfico 4.5., com elasticidades-preço de
demanda e oferta diferentes, possibilitam um melhor entendimento do efeito do imposto
sobre a produção e sobre a distribuição da carga tributária . Da análise desses diagramas
pode-se afirmar que:
a) Se a demanda for perfeitamente inelástica (no caso do produto ser extremamente
essencial) o encargo tributário recairá inteiramente sobre os consumidores (figura
4.5.a), e, nesse caso a adoção de um imposto não ocasionará uma redução de
produção;
b) Se a oferta for perfeitamente inelástica (condições de produção tão adversas que
resultam em custos marginais elevadíssimos), o encargo cairá totalmente sobre os
vendedores (figura 4.5.b) e não haverá alteração na produção;
c) Se a demanda for relativamente inelástica (como acontece com a maioria dos
produtos agrícolas) a aplicação de um imposto arrecadado diretamente dos
vendedores provocará uma redução da produção proporcionalmente pequena, mas o
preço aumentará muito mais para os consumidores, do que cairá para os produtores
(figura 4.5.c);
d) Caso contrário, se a demanda for relativamente elástica, o imposto resultará numa
grande redução da produção, uma vez que o preço cairá proporcionalmente mais
para os produtores do que aumentará para os consumidores (figura 4.5.d);
e) Se a oferta for relativamente inelástica, (feijão) a adoção de um imposto de t reais
por unidade (saca, por exemplo) fará com que a produção caia pouco, embora a
queda nos preços dos produtores seja proporcionalmente maior do que o aumento no
preço para os compradores;
f) Se a oferta for relativamente elástica (soja) a imposição de um imposto resulta em
uma substancial queda de produção, muito embora a redução relativa de preço para
a produção seja menor do que o aumento de preço para os compradores.

Em conclusão, quanto mais inelásticas forem as curvas de oferta e procura de um


bem, tanto menor será a redução na produção, ocasionada por qualquer imposto. Isso
explica porque tais produtos devem ser tributados, uma vez que os impostos
normalmente apenas causam reduções em sua produção.

109
Gráficos 4.5 Efeitos da aplicação de um imposto segundo a magnitude das
elasticidades-preço da demanda e da oferta.

P D P S
St

P1
P0
P0
P1

0 Q0 = Qt 0 Q0 = Qt
Figura 4.5.a – “D” inelástica Figura 4.5.b – “S” inelástica

P P
St St
S0 Et S0
P1 + t Et P1 + t
P0 D
P0
P1 D P1

0 Qt Q0 Q 0 Qt Q0 Q

Figura 4.5.c – “D” relativamente Figura 4.5.d – “D” relativamente


inelástica elástica

110
P St P
S0
Et Et St
P1 + t P1 + t
P0 E0 P0 E0 S0
P1 D P1
D

0 Qt Q0 0 Qt Q0 Q

Figura 4.5.e – “S” relativamente Figura 4.5.f – “S” relativamente


inelástica elástica

1.2.2. Imposto “ad valorem”

Um imposto ‘ad valorem’ é aquele em que o valor do tributo pago em cada


unidade do produto negociado não é fixo (constante), mas um percentual fixo
(proporcional) sobre o preço de venda do produto. O Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) é um imposto ‘ad valorem’ uma vez que consiste em
uma alíquota sobre o preço do bem, de forma que, quanto maior o preço do produto no
mercado, maior o valor do imposto. Via de regra, o que se pode dizer de um imposto
‘ad valorem’ é que a arrecadação feita sob este critério cresce mais rapidamente do que
um imposto específico, na medida em que o volume das vendas aumenta.

1.3. Política de preços máximos

Sob o nome “preços máximos” estão englobadas todas as políticas de controle de


preços (à exceção da política de preços mínimos) tais como as políticas de
congelamento de preço, preço-teto e tabelamento de preço, partindo do pressuposto de
que ele só tem influência no mercado se o preço estabelecido situar-se abaixo do preço
normal de equilíbrio em um mercado livre. Normalmente o governo estabelece controle
de preços quanto existem produtos de grande necessidade que estão com preços muito
elevados, ou quanto existem períodos de grande inflação.

111
Quando os preços são congelados, ou quando são estabelecidos preços-teto, todo o
funcionamento do mecanismo de preços deixa de existir. Em termos do impacto sobre a
curva de demanda de mercado, congelando o preço reduz-se a demanda a uma única
combinação (ponto) de preço-quantidade sobre a curva de demanda. O impacto do
congelamento sobre a disponibilidade (oferta) do produto irá depender da relação entre
o preço de congelamento e o preço de equilíbrio de mercado. Como normalmente essa
política é adotada quando há preços de mercado elevados, normalmente haverá, com o
congelamento um excesso de demanda sobre a oferta.
4.2.1. Alternativas de curto prazo

A política de preços máximos pode ser economicamente aceitável apenas por um


período relativamente pequeno (meses) uma vez que sua fixação gera sérias distorções
entre a oferta de a demanda. O governo possui, contudo, algumas alternativas de curto
prazo que podem corroborar uma tentativa de equilibrar os níveis ofertados e
demandados de determinado bem.
A venda de estoques gerados em safras anteriores (estoques reguladores) pode
cobrir total ou parcialmente a escassez do produto, minimizando problemas de
insatisfação da demanda e, consequentemente evitando a pressão da mesma sobre a
oferta, o que poderia gerar um estímulo à quebra do limite de preços. O Gráfico 4.6
ilustra os impactos do congelamento.
Gráfico 4.6. Impacto de um congelamento de preços abaixo do preço de equilíbrio
P
S

S’ = S + I ou S + Estoques
P0 E

Pt

0 Qs Q0 Qd Q

112
O gráfico acima mostra que o preço imposto Pt encontra-se abaixo do preço de
equilíbrio P0, o que gera uma escassez de produção (dada por Qd – Qs). Nesse caso o
governo poderia tentar utilizar-se de um dos citados recursos de curto prazo, a fim de
deslocar, ainda que temporariamente, a oferta de S para S’evitando pressões da
demanda sobre os preços.
Uma outra alternativa de curto prazo do governo são as importações.
Entretanto, ela somente deve ser utilizada em um prazo curto, uma vez que tende a
desestimular a produção doméstica e mesmo levar a uma dependência de outros países
no que diz respeito ao abastecimento interno de alguma mercadoria.
Por fim, o governo pode valer-se do racionamento, ou seja do controle da
demanda. Assim, através da restrição das compras é possível promover uma melhor
distribuição do produto, já escasso, entre as diversas regiões e/ou segmentos sociais. O
Gráfico 4.7 ilustra essa situação.

Gráfico 4.6. Impacto de um congelamento de preços abaixo do preço de equilíbrio com


a alternativa do racionamento
P
S

P0 E

Pt

D’ D

0 Qs Q0 Qd Q

113
PARTE V – MERCADO E COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA
(BIBLIOGRAFIA – AGUIAR D. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS
AGRÍCOLAS)
1. INTRODUÇÃO

1.1. A questão da comercialização dos produtos agrícolas

O termo ‘comercialização agrícola’ tem encontrado as mais diversas definições


na literatura. Dentre elas encontra-se a de Barros (1987), citada por AGUIAR (1993),
que mostra-se uma das mais interessante. O autor entende a comercialização agrícola
como sendo uma série de funções ou atividades de transformação e adição de utilidade,
onde bens e serviços são transferidos dos produtores aos consumidores. Nesse contexto,
cabe maior destaque é o processo produtivo da atividade, onde se percebe a
transformação de produtos agrícolas em seu estado natural, em mercadorias prontas para
o consumo final. Essas transformações pode ser divididas em quatro categorias, a saber:
alterações de posse, de forma, de tempo e de espaço.
A primeira dessas transformações diz respeito apenas ao fato de que o produto,
da sua origem ao consumo final, tem sua propriedade transferida a diversos agentes. A
segunda se reporta ao fato de que esse mesmo produto normalmente sofre
beneficiamentos do seu estado original até o consumo; a terceira indica a presença da
sazonalidade no setor agropecuário e, por fim, a quarta alteração diz respeito ao
deslocamento da produção (escoamento), uma vez que quase sempre há uma distância
entre a localização do cultivo e as regiões de consumo.
É importante ressaltar, contudo, que um produto agrícola pode encontrar-se
submetido a todas ou apenas algumas destas transformações. Por exemplo, quando uma
bebida láctea, produzida em Minas Gerais no mês de setembro, é consumida em
outubro, em São Paulo, tem-se a presença de todas as alterações citadas, pois o leite foi
extraído, passou a beneficiamento, deslocou-se para outro estado e, nesse meio tempo,
houve passagem de um mês. Contudo, se uma manga é colhida de um pomar no interior
do Rio de Janeiro, levada no mesmo dia para venda na feira local e é consumida por
determinado indivíduo, temos apenas alterações de posse e espaço, uma vez que o
produto não sofreu alterações em sua forma e tampouco houve alterações temporais.

114
O mercado
A atividade de comercialização envolve a troca de bens e/ou serviços por
dinheiro, e isso se dá em um ‘local’ denominado mercado. Embora o mercado possa ser
entendido como uma área circunscrita a um determinado espaço geográfico (centrais de
abastecimento, por exemplo), essa não é a sua melhor interpretação. Deve-se entender
mercado como a área de abrangência (influência) de um determinado produto. Assim
sendo, pode-se entender o mercado de carne de São José do Rio Preto como a região
onde vigora o preço da arroba do boi gordo naquela região, tendo por base o preço do
município citado.
Essa determinação, entretanto, não é definitiva. Alterações na infra-estrutura, por
exemplo, podem vir a ser fatores determinantes na mudança da área de abrangência de
um produto. Imagine-se um município “X” relativamente isolado, por questões de infra
estrutura, de algum centro de produção de arroz “Y”. Ele poderia encontrar-se fora
desse mercado, mas quando são construídas estradas adequadas ao intercâmbio entre as
duas localidades, pode haver a ampliação do campo de influência de “Y”.
Dentro do mercado podem ser encontrado diferentes níveis. O nível do produtor
é aquele que onde os produtores vendem a sua produção aos intermediários; o nível de
atacado é onde ocorrem as transações mais volumosas2. Por fim, o nível de varejo é
aquele onde encontra-se o último elo da ligação, e é o nível mais próximo ao
consumidor – esse é um nível de grande diversificação de mercadorias.

1.2. Principais características da produção e consumo agrícolas

Algumas características intrínsecas aos produtos e às atividades agrícolas


interferem diretamente no processo de comercialização. As principais peculiaridades
dos produtos agrícolas são a sua produção na forma bruta, sua perecibilidade e o seu
volume. Quanto à produção merecem se destacados a variabilidade da produção anual, a
sazonalidade, a distribuição geográfica da produção, a atomização da produção, a
presença de variações qualitativas, as dificuldades de ajustamento e as estruturas de
mercado enfrentadas.

2
É importante destacar que, no nível de atacado, existe relativa especialização da produção, o que permite
aos agentes um bom conhecimento do mercado onde atuam.

115
Características dos produtos agrícolas

a) Produtos agrícolas são produzidos na forma bruta: os produtos agrícolas sempre


necessitam de algum tipo de ajuste para consumo final, que pode variar desde uma
simples lavagem (como é o caso da couve), até uma total transformação no produto
(como é o caso do extrato de tomate).
b) Produtos agrícolas são perecíveis: todos os produtos agrícolas, em maior ou menor
grau, são perecíveis. Isso indica que produtores que não têm condições de armazenar
e conservar devidamente seus produtos devem comercializá-los rapidamente – a
exemplo tem-se os feirantes que tendem a baixar os preços de seus produtos no final
da feira.
c) Produtos agrícolas são volumosos: o grande volume ocupado pelos produtos de
origem agrícola encarecem bastante os gastos em transporte e armazenamento da
produção.

Características da produção agrícola

a) Variabilidade da produção anual: o fato de a produção agrícola depender de fatores


que não estão totalmente sob controle do produtor (clima e pragas, por exemplo),
faz com que exista grande possibilidade de alterações nas safra de uma ano agrícola
para o outro. Deste fato surge a necessidade de estocagem de produtos essenciais
para a população para ‘desova’ em períodos de escassez.
b) Sazonalidade: as variações na safra ocorrem também ao longo do ano (efeito
sazonal) em função do ciclo das culturas e das estações. Assim, além dos estoques
formados com a finalidade de se manter uma margem de segurança entre os anos,
também é feito um armazenamento ao longo do ano, a fim de abastecer o mercado
nos períodos de entressafra.
c) Distribuição geográfica da produção: o fato da produção agrícola encontrar-se
distribuída por diversas regiões torna importante o serviço de transporte nas
atividades de comercialização. Essa diversificação das áreas ocupadas pela produção
se dá, algumas vezes em virtude de ganhos com a proximidade e disponibilidade dos
fatores de produção. Por outro lado, produtos muito volumosos, cujo transporte

116
encarece sobremaneira seu custo de produção, tendem a ser produzidos mais
próximos às regiões de consumo.
d) Atomização da produção: Além da produção der pulverizada geograficamente, no
Brasil, uma das principais características da produção agrícola é a atomização da
produção. Ela diz respeito ao fato de que pequenas quantidades do produto tendem a
ser produzidas por diversos pequenos agricultores. Muitos deles, na verdade,
produzem para autoconsumo e vendem somente os excedentes de sua safra.
e) Variações na qualidade dos produtos: Já foi afirmado que existem variações nas
quantidades dos produtos agrícolas, mas, além desse fato, merece destaque a
variação qualitativa a que se encontram sujeitos, principalmente em virtude de
problemas climáticos. Tais variações são relevante na medida em que influenciam
diretamente o preço obtido no mercado, principalmente em regiões onde o consumo
é mais exigente.
f) Dificuldade de ajustamento: A agricultura não é uma indústria que pode, num
determinado momento, por questões particulares, ajustar a sua produção de forma
imediata. O planejamento da produção é feito com meses de antecedência o que
torna maior o risco assumido pelos produtores rurais.
g) Estruturas de mercado enfrentadas: No mercado agrícola existe um alto grau de
concorrência e grande dificuldade de interferência no preço. Por outro lado, o
mercado de insumos é bastante concentrado, o que gera dificuldades adicionais de
manutenção dos ganhos dos produtores.

Além das características dos produtos e da produção agrícola, é importante ressaltar


os pontos mais relevantes na diferenciação do consumo de produtos agrícolas, uma vez
que fatores bastante subjetivos como os hábitos alimentares de cada grupo social podem
variar bastante de região para região e de período de tempo para período de tempo. De
modo geral os hábitos alimentares são consequência de quatro influências:
a) Valores psicológicos e funcionais da alimentação – contribuição nutricional;
b) Valores sociopsicológicos – status, religião, estilo de vida;
c) Disponibilidade e preço dos alimentos;
d) Conhecimento e informações obre o produto em questão;

117
Além desses fatore, que influenciam consideravelmente o consumo através do
impacto sobre os hábitos alimentares, existem outros que devem ser lembrados.

Modernização da sociedade e consumo de alimentos


Quanto mais ‘moderna’ é uma sociedade, mais exigente ela se torna quanto ao
beneficiamento feito no produto. Assim, o frango que antigamente era comprado vivo
na feira, hoje é adquirido semi-pronto nos supermercados. Essa alteração na demanda
leva a uma consequ6encia importantíssima: o incremento no pagamento de serviços
dentro das cadeias de produção agroalimentares.

Preço e consumo de produtos agrícolas


A demanda por produtos agrícolas é, de maneira geral, inelástica a preços. Isso
quer dizer, como já visto anteriormente, que uma queda na quantidade oferecida pelo
produtor gera um aumento na receita do agricultor mais que proporcional, enquanto que
um incremento na quantidade ofertada não consegue compensações na rende auferida
frente à queda nos preços. Contudo, pode-se perceber, dentro da categoria ‘produtos
agrícolas’, variações nas elasticidades dos produtos: quanto mais necessário, menor a
elasticidade; quanto mais supérfluo, mais elástico ele é em relação aos preços.

Renda e consumo de produtos agrícolas


Da mesma forma que os produtos agrícolas são pouco sensíveis a variações nos
preços, eles também não se mostram muito influenciados por alterações na renda. É
claro que este ponto merece algumas ressalvas. Em primeiro lugar tem-se que nas
sociedade onde existe extrema carência alimentar, alterações na renda tendem a
aumentar a demanda, necessariamente. Contudo, excluída essa hipótese, os aumentos
(ou redução) na disponibilidade de recursos não refletem na mesma medida sobre a
elevação (ou queda) do consumo de alimentos. Assim, se um trabalhador vê seu salário
aumentado em 50%, dificilmente ele aumentaria o consumo de algum produto alimentar
nessa mesma magnitude.
Existem ainda casos onde o aumento da renda pode levar à diminuição do
consumo de determinado tipo de bem (são os bens ditos inferiores). Imagine-se o caso
de uma comunidade que, por carência de recursos, consuma um alto nível de arroz e
quase nenhuma carne. Na medida em que o padrão de renda se eleva provavelmente as

118
pessoas não comprarão mais arroz; do contrário, passarão a diminuir a quantidade
consumida deste produto e procurarão aumenta o consumo proteínas.

2. ORGANIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DOS MERCADOS

2.1. Estrutura de mercados agroindustriais

Na maioria das vezes o produtor rural encontra-se em situação desvantajosa junto


aos mercado onde atua. De um lado, vende em um mercado onde quase sempre não tem
poder de influenciar o preço – que seja o de competição perfeita, quer seja ele
oligopsonista. De outro, compra seus insumos em um mercado concentrado, onde sua
ação é, em geral, pequena o suficiente para não se fazer notar em termos de influência
real nos preços de mercado.
Nesse contexto, um conhecimento mais preciso acerca das estruturas de mercado
pode ser um instrumento importante no auxílio aos produtores, no sentido de lhes
permitir conviver com mais adequação em ambiente adverso. Basicamente existem
quatro tipos de mercado: o de concorrência pura, o monopólio, o oligopólio e a
concorrência monopolística. É claro que existem inúmeras variações entre essas
definições padronizadas, mas essas estruturas fornecem uma base suficientemente sólida
para o que será aqui desenvolvido. Embora esses mercado venham a ser melhor
estudados na seqüência desse texto, é importante destacar algumas características que
lhe são mais particulares.
Um mercado em concorrência perfeita caracteriza-se pela ausência de competição
parcial, pelo grande número de agentes partícipes, pela homogeneidade do produto e
pela total facilidade que os agentes encontram de entrar e sair desse mercado. O
monopólio, ao contrário se caracteriza pela existência de um único vendedor, que
controla totalmente o mercado, sendo o seu surgimento fruto das condições naturais
existentes no momento ou advindo da imposição de barreiras político-financeiras. Os
oligopólios são estruturas onde pouco e influentes participantes ‘dividem’ o mercado e
efetuam acordos, explícitos ou implícitos, de atuação. Por fim, a concorrência
monopolística se caracteriza pela presença de muitos agentes que se destacam via
diferenciação do produto.

119
Independente, contudo, do mercado em questão, o conhecimento das suas estruturas
é sempre ferramenta eficaz na melhoria da ação produtiva. A estrutura de mercado pode
ser entendida como o conjunto dos elementos estratégicos do meio ambiente que
influenciam e são influenciados pela conduta e pelo desempenho da firma no mercado
em que ela opera (AGUIAR, 1993).
O quadro 1.1 a seguir descreve a estrutura de análise e as possíveis variáveis a serem
consideradas na avaliação de um mercado.

Quadro 1.1. Estrutura de análise e possíveis variáveis para a avaliação de mercados

CONDIÇÕES BÁSICAS DE MERCADO


Oferta Demanda
Elasticidade (própria e cruzada) Elasticidade-preço
Origem da matéria básica Taxa de crescimento
Tecnologia Tipo de mercado
Durabilidade do produto Método de compra
Valor/peso Caracteres cíclico/estacionais
Atitudes comerciais Localização
Localização

ESTRUTURAS DE MERCADO
Maturidade da indústria Participação do governo Diferenciação
do produto
Distribuição Barreiras à entrada Estruturas de custo
Número de agentes Integração vertical Economias de escala

CONDUTA DA EMPRESA
Colusão Estratégia de preço Estratégia de produto Táticas legais
Flexibilidade Propaganda Pesquisa e desenvolvimento

DESEMPENHO E EFICIÊNCIA DAS EMPRESAS


Produto Crescimento do produto Emprego
Equidade

120
Avanços tecnológicos Eficiência alocativa

Barreiras à entrada de novas firmas


Uma das principais conclusões da teoria econômica é a de que as imperfeições
de mercado (ausência da competição perfeita) leva à possibilidade da existência de
lucros supernormais, ou seja, à presença de remuneração atrativa no mercado, para os
agentes que dele participam. Essa situação tende a despertar o interesse de outros
participantes potenciais que se vêm estimulados pela possibilidade dos ganhos
adicionais.
A entrada de tais concorrente não acontece em virtude da existência de
‘barreiras’ à sua entrada, mecanismos de proteção contra o aumento de concorrência
dentro dos mercados. Algumas das barreiras possíveis são:
1. Condições de demanda (exigência por diferenciação do produto, lealdade dos
consumidores a uma determinada marca etc...);
2. Controle sobre a oferta de insumos;
3. Fatores legais e institucionais;
4. Economia de escala;
5. Requerimentos de capital;
6. Fatores tecnológicos.

Desempenho das empresas no mercado


As avaliações de mercado devem levar em consideração os objetivos de
qualquer sistema econômico, quais sejam:
1. Fazer a completa utilização dos recursos disponíveis, utilizando-os no limite da
tecnologia existente;
2. Propiciar, através dessa utilização, a máxima satisfação para a sociedade de forma a
impedir que tal satisfação social se dê às custas do rebaixamento do padrão de vida
de quaisquer de seus membros;
3. Deve haver progresso, isto é, deve-se sempre tentar manter a disponibilidade e
aumentar a qualidade das mercadorias disponíveis no mercado.

121
Para mensurar o desempenho, é importante conceituar o que venha a ser eficiência
de mercado, que pode ser basicamente entendida como o alcance do objetivo de utilizar
os recursos segundo uma combinação, a mais rentável possível, tal que seja produzida a
maior quantidade de produto minimizando os custos. Esse conceito envolve ainda dois
outros:
1. Eficiência-preço: indica o sucesso das firmas em maximizar lucros, isto é, em
igualar o valor do produto marginal ao seu preço;
2. Eficiência-técnica: indica o sucesso das firmas em produzir maiores quantidades do
produto a partir de um conjunto de insumos mensuráveis;
Em consequência disso, ter-se-á:
1. Uma firma será preço-eficiente se receber de cada fator de produção exatamente
aquilo que paga para utilizar o mesmo;
2. Uma firma será considerada tecnicamente mais eficiente que outra que utiliza a
mesma tecnologia se, dadas as mesmas quantidades de insumo conseguir um mais
alto nível de produto.

2.2. Integração vertical

Quanto mais modernas são as sociedades, mais exigentes elas se tornam no que diz
respeito à elaboração do produto agrícola consumido. Isso quer dizer que a participação
do produto não agrícola (serviços por exemplo) é cada vez mais avançada. Como
consequência, surgiu a necessidade de homogeneização da produção e a certeza da
manutenção de um fluxo contínuo de produto para alimentar as atividades industriais.
Nesse contexto surge a figura da firma – cada vez mais presente – que coleta o
insumo diretamente junto ao produtor, o processa e o coloca no mercado. Essa empresa,
denominada integradora passou a Ter importância fundamental em certos setores da
agricultura. Ela está associada ao desenvolvimento técnico, ao crescimento de alguns
setores e ao deslocamento da produção para outras regiões. Existem diversas culturas
intimamente ligadas ao processo de integração, como o fumo, a seda, semente e suínos,
dentre outros; contudo, é na avicultura de corte que a integração assume maior impacto.

122
O conceito de integração
Segundo (AGUIAR,1993),o termo integração é geralmente utilizado para
descrever um aspecto organizacional da produção. Existem, basicamente, dois tipos de
integração:
1. Integração horizontal, quando há a combinação de duas ou mais firmas atuando no
mesmo estágio do mesmo processo produtivo;
2. Integração vertical, que ocorre no caso de duas ou mais firmas colocadas sob a
mesma organização atuarem em estágios separados do mesmo processo produtivo.

A firma é então definida como a unidade individual de tomada de decisão, no


sentido de planejar e colocar juntos, no tempo e no espaço, suprimentos e materiais que
darão origem a um determinado tipo específico de bem.. Cada estágio de produção deve
ser entendido como uma das diferentes fases do processamento produtor-consumidor
em que existe troca da propriedade do produto sem que o bem seja consumido.
A integração vertical ainda pode ser subdividida em integração para trás e/ou
integração para frente, estas sendo entendidas como:
1. Integração para trás: ocorre na direção dos insumos e é feita de forma a permitir
maior controle sobre a matéria prima, assegurando o seu fluxo em tempo e
qualidade desejados;
2. Integração para frente: se dá em direção ao consumidor final do produto, permitindo
organizar melhor a produção.

Os ganhos para a firma, advindos da integração vertical advém principalmente dos


ganhos de eficiência obtidos em:
1. Redução de custos (ganhos de escala);
2. Evitam-se custos associados com o mecanismo de preços de mercado, ou seja, a
própria empresa se apropria de ganhos normalmente auferidos por setores
econômicos intermediários.
3. Redução do grau de incerteza associado à qualidade e pontualidade na entrega dos
produtos agrícolas utilizados como matéria-prima.

A figura 1.1 fornece uma descrição gráfica do processo de integração vertical na


indústria de frango de corte, demonstrando a interdependência relativa dos diversos

123
agentes e evidenciando os diferentes processos existentes no trajeto produtor-
consumidor.
Um freqüente questionamento a respeito dos benefícios da integração vertical
para o produtor, principalmente o de pequeno porte, refere-se ao fato de que a empresa
integradora pode obter ganhos consideravelmente mais elevados pela sua posição
relativamente monopolística. Em outras palavras, uma vez integrado, o produtor se vê
afastado dos mecanismos tradicionais de formação de preços via mercado, de forma
que, em algumas situações, depara-se com preços menos atraentes junto à empresa com
a qual se encontra integrado.

Figura 1.1. Descrição da integração vertical na indústria de frango de corte

Frango vendido no varejo


(frango abatido)

Frigoríficos
(frango vivo)

Integrados
(criação de pintos)

Fábrica de ração
Incubadora (ração)

Ovos
Matrizeiro
Pintos

124
Mas, sendo assim, o que leva o produtos a aceitar, e mesmo optar pela
integração? O principal motivo, sem dúvida é a redução nos riscos de preço propiciada
pelo processo integrativo. O pequeno produtor, em particular, por não possuir condições
de enfrentar grandes variações nos preços, é extremamente avesso ao risco. Sendo
assim, escolhe integrar-se pois, se eventualmente perde alguma coisa, no geral ganha
pela estabilidade proporcionada pelos contratos. Além disso, a integradora, pelo fato de
possuir interesse na homogeneização do produto e na qualidade do mesmo, quase
sempre fornece razoável infra-estrutura de assistência técnica e saneamento.
É preciso lembrar, ainda, que os contratos de integração nem sempre são totais,
ou seja, muitas vezes exige a garantia do fornecimento de apenas parte da produção
total, podendo o produtor vender o restante a preços de mercado, se assim o desejar.

2.3. Cooperativas agrícolas

Há mais de sessenta anos o modelo cooperativista participa ativamente da


estrutura produtiva brasileira. Tendo suas origens nas necessidades individuais e de
grupos que viam nesta alternativa a solução para vários de seus problemas - através da
convergência de interesses e ações num objetivo comum -, as cooperativas foram
ganhando espaço crescente principalmente nas atividades agropecuárias brasileiras.
A partir de meados dos anos trinta, podemos notar a expansão desse movimento
sob o influxo dos incentivos governamentais. Tal ocorrência não se deu apenas pela
visualização por parte do Estado, de que os pequenos produtores deveriam buscar
alternativas que lhes permitissem aumentar a sua rentabilidade e superar problemas de
condução da sua atividade. Esse apoio governamental se dava também pelo fato de que
la se comparado a estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais as cooperativas
poderiam alavancar o crescimento da produção agrária e solucionar - ainda que
parcialmente - um grave problema de então : o abastecimento urbano.
Dessa maneira o movimento cooperativista cresceu e sustentou seus objetivos
durante cerca de quatro décadas. A partir de 1970 com a chegada de multinacionais de
porte no ramo dos alimentos, as cooperativas passaram a enfrentar algumas dificuldades
em manter seu controle de mercado e expansão.

125
Atualmente a participação das cooperativas na produção e comercialização de
produtos agrícolas ainda é grande. Como em todo país, elas vêm enfrentando o desafio
de diversificar sua linha de produção, aumentar sua flexibilidade e poder de
adaptação, e competir num mercado dinâmico e de estratégias mais agressivas, ainda
que com mecanismos de atuação aquém das requisitadas .
Como já dito, modelo de organização e funcionamento das cooperativas atendeu,
durante um bom período de tempo - até fins da década de 60 - , a quase totalidade das
expectativas traçadas a seu respeito. Isso porque, desde o seu surgimento oficial nos
anos 30 até por volta de 1970, seus objetivos de facilitar e aumentar a rentabilidade dos
produtores pareciam estar sendo satisfatoriamente atingidos.
Dentro do segmento agropecuário o movimento cooperativista
conseguiu ganhar um espaço considerável. Isso decorre do fato de que
haviam inúmeros pequenos produtores que encontravam na união de esforços
a alternativa para o bem comum. Entretanto as características desse mercado nos
anos 30 não são as mesmas observadas nos anos 70, e tampouco se equiparam às dos
dias atuais. Com isso não deseja-se rechaçar a idéia de que várias pessoas com um
único propósito tenham maiores chances que agindo de modo individual. Pretendemos
apenas destacar que estudos recentes mostram que as cooperativas têm demonstrado
uma certa dificuldade em acompanhar o dinamismo atual do setor. As que conseguem
êxito, o fazem justamente por terem procurado se adequar à filosofia de funcionamento
das cooperativas às exigências do mercado , principalmente no que tange à competência
administrativa.
"O ambiente concorrencial não se define fundamentalmente em torno da
questão tecnológica. A falta de atualização tecnológica detectada em alguns estudos
reflete as condições do mercado doméstico , mais do que barreiras em relação ao
acesso. No entanto, a conjuntura atual exige novas competências que apontam para a
necessidade de medidas para acelerar o profissionalismo das estruturas gerenciais
das cooperativas, bem como mecanismos que flexibilizem sua estrutura
3
organizacional.
Com a consolidação da presença das multinacionais a partir de meados de 1970
as cooperativas puderam sentir o impacto de uma nova ordem de coisas , a necessidade
de se ajustarem ao processo de alteração dos padrões concorrenciais.

3
Wilkinson, 1993,pag.08.

126
A partir de então as multinacionais aqui presentes adotaram estratégias
agressivas de crescimento com aquisições subsequentes e lançamentos de novos
produtos. Ao mesmo tempo se instala um panorama mundial de subsídios e
concorrência via preços , requisitando maior eficiência administrativa e um melhor
gerenciamento de custos .
"Nesse ambiente a situação das cooperativas mostra-se a mais vulnerável.
Estratégias agroindustriais determinadas prioritariamente por interesses agrícolas e
uma certa fragilidade gerencial e financeira colocam a estrutura cooperativa em
desvantagem face a padrões de concorrência baseados em take overs e capacidade
mercadológica. Uma avaliação da reestruturação do setor nos EUA e na CEE aponta
para um declínio na participação do setor cooperativista, onde este convive com um
forte setor de capital aberto." 4
Um avanço importante na organização das cooperativas foi a consolidação em
centrais, que permitiu maior capacitação para atender a demanda dos centros urbanos ,
através da expansão de seus parques e da diversificação de seus produtos. Atualmente,
além de tentar manter sob controle as conquistas já realizadas, as cooperativas vêm se
empenhando em participar de segmentos mais dinâmicos que os seus mercados
tradicionais.
Três fatores se mostram como os mais relevantes nesse processo de ajuste
cooperativista ao novo contexto de competitividade. Em primeiro lugar é preciso
fomentar as ações de concentração de atuação no mercado - como as que se vêm
realizando através da união em Centrais - e mais ainda, é preciso definir estratégias
que tornem mais as ágeis. A adoção do modelo europeu, com a formação de sociedades
anônimas subsidiárias parece ser uma alternativa viável, pois esse modelo permite uma
maior autonomia , tendo a empresa, por finalidade o seu crescimento e lucratividade,
enquanto que a estrutura básica da cooperativa prevê que o objetivo desta deverão ser
ela própria, mas seus associados.
Em segundo lugar é preciso que se dê atenção especial à questão gerencial.
Embora alguns avanços nesse sentido já possam ser notados - principalmente pela
utilização de planejamento estratégico - em algumas centrais cooperativas, é preciso
melhorar a definição de como atingir este aprimoramento administrativo. O panorama
atual, onde não há tabelamento de preços, existe uma maior abertura de mercados - a

4
Wilkinson, 1993, pag.02.

127
nível nacional e mundial -, e com uma dinâmica explícita exige que se faça uma
profissionalização dos quadros gerenciais das cooperativas.
"Alguns aspectos dessa profissionalização dizem respeito à ordem jurídica das
cooperativas, à natureza de sua diretoria e as suas relações com o Estado."5
Por fim vale ressaltar que a própria estrutura das cooperativas - principalmente
as mais antigas e que não se modernizaram - quer Centrais ou individuais - , representa
um entrave à integração dos diversos níveis de sua estrutura. Essa afirmação é valida
tanto internamente, quanto para o processo de integração das cooperativas com as
Centrais e das Centrais entre si.
Pelo que se pode concluir , o problema da manutenção da estrutura
cooperativista como empreendimento viável e competitivo , principalmente nos
segmentos mais dinâmicos do mercado de alimentos, depende da sua adequação aos
padrões concorrenciais vigentes. Sua filosofia de funcionamento, conquanto positiva
em seus objetivos e fundamentos , deve ser trabalhada de forma a dar espaço para que
se desenvolvam, paralelas a ela, mecanismos que as tornem mais competitivas.
Para tanto, é preciso reestruturar o modelo de funcionamento cooperativista,
buscando alternativas de fazê-lo capaz de fazer frente a empresas dinâmicas e
realmente dispostas a disputar o mercado.

2.4. Riscos na comercialização e mercados futuros

Praticamente toda atividade econômica incorre em algum tipo de risco, uma vez
que nem todas as variáveis envolvidas em um processo produtivo encontram-se sob o
controle dos agentes responsáveis pela produção. Com relação à comercialização de
produtos agrícolas, a amplitude dessa variabilidade depende do tipo de mercado
utilizado e do produto comercializado. De qualquer forma, os principais tipos de riscos
envolvidos são:
1. Destruição da produção por desastres naturais;
2. Deterioração do valor do produto que pode ocorrer por deterioração da qualidade ou
por bruscas variações nos preços.
Embora o risco de perda por agentes naturais seja praticamente impossível de ser
eliminado, existem, atualmente, mecanismos que os minimizam, como é o caso dos

5
Wilkinson, 1993, pag. 47.

128
seguros. No Brasil, o seguro sobre a produção agrícola vem sendo feito exclusivamente
pelo Estado. No caso das perdas oriundas por deterioração física do produto, a única
forma de preveni-la é através de um adequado processo de armazenamento e transporte
(principalmente no caso de hortifrutigranjeiros) e, quanto à perda por quedas nos preços,
a alternativa poderia ser uma eficaz política governamental de preços agrícolas.

Introdução aos mercados futuros


Os mercados futuros, como são conhecidos, constituem o instrumento de
mercado mais eficaz para eliminar o risco de preço dos bens econômicos. Toda
atividade econômica está sujeita a riscos que podem, como já dito anteriormente, advir
de dois fatores: do risco intrínseco ao negócio em si e o relacionado a fatores externos.
Um agricultor, por exemplo, no desenvolvimento de sua atividade, corre o risco de não
ter uma colheita bem sucedida, em função de uma série de fatores – variação climática,
má preparação da mão-de-obra, más condições de estocagem etc. Esses aspectos,
entretanto, constituem o risco inerente a sua atividade econômica. Por correr esse risco
o agricultor demanda uma rentabilidade para o seu negócio.
Contudo, ele sabe que, devido a outros fatores sobre os quais não tem controle
e/ou conhecimento, sua rentabilidade pode ficar comprometida. Esses fatores adicionais
implicam incerteza quanto ao preço pelo qual conseguirá vender seus produtos quando
estiverem disponíveis Evidentemente esse risco pode ser benéfico ao agricultor, ou seja,
ele pode conseguir vender a sua colheita a um preço melhor do que o esperado. Porém,
ele poderia estar disposto a abrir mão dessa possibilidade, em troca de não precisar
correr o risco de realizar a venda por preço inferiores ao que lhe traria uma rentabilidade
compensadora.
Inversamente, outros agentes econômicos, além dos riscos inerentes às suas
atividades, correm um risco adicional exatamente oposto: comerciantes e distribuidores,
ou processadores dos produtos vendidos pelo agricultor gostariam de se ver livres do
risco de uma alta abrupta nos preços dos bens que lhes serão necessários. Para tanto,
abrem mão da possibilidade de adquiri-los, no futuro, por preços mais baixos.
É em permitir a permuta desses riscos que se insere a função básica dos
mercados futuros.
Embora o surgimento dos mercados futuros esteja ligado aos produtos agrícolas,
atualmente as operações a futuro nas bolsas de commodities de todo o mundo são

129
realizadas com uma variada gama de bens, incluindo metais (ouro, prata) , produtos
agropecuários (café, milho, soja), ativos financeiros , moedas e índices.
Embora as transações a futuro sejam muito difundidas em alguns países mais
desenvolvidos, esse tipo de negociação ainda é relativamente pouco utilizado no Brasil.
As compras e vendas de contratos ocorrem nas bolsas de mercadorias. Essas
bolsas têm a função de padronizar quantidade, qualidade, época e local de entrega dos
produtos. Como exemplo pode-se citar que na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F)
de São Paulo, cada lote de café corresponde a cem sacas de 60kg líquidos de bebida tipo
6, para melhor, livre de gosto “Rio” ou “Rio Zona”, para entrega em março, maio, julho,
setembro ou dezembro.
As negociações, dentro da bolsa ocorrem de maneira bastante aberta, de modo
que a sua apresentação aproxima-se bastante de um mercado em concorrência perfeita.
Além disso, qualquer pessoa, física ou jurídica, pode participar da bolsa, desde que
preencha os requisitos por ela estabelecidos.
Os participantes das operações a futuro podem ser classificados em dois grupos:
os “hedgers” e os especuladores. Os primeiros são agentes que têm ou desejam Ter o
produto (físico) e buscam proteção contra flutuações nos preços; eles utilizam o
mercado futuro como meio de apoio para suas atividades no mercado e não como
atividade fim. Por outro lado, os especuladores são agentes que quase sempre não têm o
menor interesse no produto físico. Eles buscam apenas os lucros resultantes das
sucessivas operações de compra e venda dos contratos futuros.
Para o bom funcionamento do mercado é preciso a existência de ambos os
agentes. A função dos especuladores, longe de ser adversa, é benéfica no sentido de
conferir maior liquidez ao mercado. A especulação proporciona um número muito
maior de propostas de compra e venda, o que facilita a estabilização dos preços e torna
mais fácil a entrada e saída dos demais agentes.

O mercado de opções

Recentemente o governo federal lançou os Contratos de Opção como um


mecanismo de sustentação dos preços agrícolas, ou seja, uma nova alternativa para a

130
comercialização de sua produção. Trata-se de uma modalidade de seguro de preços
bastante difundida em alguns países, como os Estados Unidos.
O Contrato que o governo federal lança é o de Opção de Venda, que dá ao
produtor o direito – mas não a obrigação – de vender a sua produção para o Governo,
numa data futura, a um preço previamente fixado. Serve para proteger o produtor contra
riscos de queda nos preços de seu produto.
Como é do conhecimento da maioria dos produtores, os recursos para o Governo
Federal comprar ou financiar a estocagem de produtos agrícolas, através da Política de
Preços Mínimos, estão ficando cada vez mais escassos. Tem sido frequente os preços de
mercado ficarem abaixo dos preços mínimos por insuficiência de recursos para garantir
o preço mínimo a todos os produtores em todas as regiões produtoras.
Daqui por diante, se ocorrer essa hipótese, o Governo terá a alternativa de
oferecer aos produtores o Contrato de Opção. Ele não viabiliza a venda imediata da
produção, mas dá ao produtor a certeza de que o seu produto poderá ser vendido ao
Governo, numaa data mais à frente, previamente conhecida, a um preço superior ao
preço mínimo.
De posse da garantia dada por esse contrato formal, o produtor ganhará fôlego
para buscar no mercado um preço melhor para seu produto e, ao mesmo tempo, terá
mais facilidade na obtenção de financiamento bancário para estocagem da produção, até
o momento adequado à venda.
Embora esteja sendo implementado o mecanismo das Opções o preço mínimo
não deixará de existir. Ele é um mecanismo previsto em lei e não será substituído, mas
complementado pelo Contrato de Opção. Assim, o Contrato de Opção será interessante
para o produtor sempre que, diante da escassez de recursos para sustentar os preços de
mercado no nível dos preços mínimos, sua única alternativa seja a venda da produção a
preços abaixo do mínimo fixado pelo Governo. Nessa hipótese, adquirir o Contrato de
Opção será o mesmo que fazer um seguro para o preço da mercadoria ou seja, garantir
que o preço da produção não cairá abaixo do preço previsto naquele contrato. Se, até a
data de vencimento da Opção, o mercado não pagar um preço melhor do que o
oferecido no Contrato, o produtor poderá vender a sua produção ao governo, pelo preço
previamente contratdo e, nesse caso, estará exercendo a sua opção de venda.
Nem todos os produtos agrícolas estão amparados por esse mecanismo.
Inicialmente, apenas o arroz (agulhinha) em casca, o milho em grãos, o trigo em grãos e

131
o algodão em pluma serão beneficiados. Uma outra exigência feita pelo Governo é a de
a primeira compra seja feita pelo produtor. A partir daí o contrato poderá ser livremente
negociado pelo produtor com qualquer outro agente de mercado ou parte interessada em
adquiri-la.
Como esse contrato funciona como um seguro (seguro de preços), o acesso a
esse benefício não será gratuito. Ele será vendido em Bolsas de Mercadorias ou de
Futuros, através de leilões públicos a serem feitos pela Companhia Nacional de
Abastecimento/CONAB e os produtores participam através das corretoras credenciadas
na Bolsa. Para a aquisição do direito de vender a sua produção para o Governo (compra
do contrato de Opção) o produtor terá de oferecer, no leilão da CONAB, o preço que ele
julga poder pagar para ter direito a esse seguro de preços. O valor a ser pago para a
aquisição do Contrato é chamado de prêmio, e os Contratos oferecidos serão
arrematados pelos produtores que oferecerem os maiores prêmios.
Quanto ao pagamento do produto pela CONAB, este será feito a um valor
definido como peço de exercício, que será divulgado antes do leilão, através de um
aviso específico, publicado em jornais e enviado às Bolsas participantes da operação.
Quanto às possibilidades de desistência tem-se que, por parte do produtor, caso
optem por não vender o Contrato ao Governo, não precisará tomar nenhuma
providência, bastando não manifestar interesse pela venda dentro do prazo exigido para
tal. Já o Governo, caso decida pela não formação de estoques do produto ou por poupar
recursos pode fazer leilões específicos para tentar recomprar os Contratos vendidos. Se
o produtor (ou outro titular) se interessar pelo prêmio que o Governo lhe oferecer para
desfazer o negócio, o contrato poderá ser recomprado e a operação desfeita. É claro que
essa operação somente irá interessar ao produtor se o valor oferecido pelo governo,
somado ao preço que o seu produto alcança no mercado, for igual ou superior ao valor
de aquisição previsto no Contrato (preço de exercício).
Por fim, vale destacar as principais diferenças entre o mecanismo das Opções e
a Política de preços mínimos , já que estes podem ser confundidos - tabela 2.1. abaixo.

132
Tabela 2.1. Principais diferenças entre a Política de Preços Mínimos e o Contrato de
Opção

Preço Mínimo Contrato de Opção


O preço mínimo é um direito previsto na lei, O Contrato de Opção é um instrumento
cuja efetividade fica limitada aos recursos jurídico que dá uma garantia objetiva ao
alocados anualmente no Orçamento Geral da produtor, com cláusulas específicas sobre
União. datas, valores, etc...
O valor do Preço Mínimo é fixo, O Contrato de Opção tem um valor (preço de
independente do mês em que o produtor exercício) geralmente maior do que o preço
venda a sua produção ao Governo. mínimo, pois é projetado para a época do
vencimento, podendo variar de acordo com o
prazo do contrato.
O Preço Mínimo é pago na data da O preço de exercício previsto no Contrato de
contratação da operação, seja como Opção somente é pago na época de seu
Aquisição do Governo Federal -AGF -, seja vencimento (venda ao governo)
como Empréstimo do Governo Federal –
EGF .
Quando o produtor consegue acesso aos Para ter direito de vender o seu produto ao
preços mínimos, não lhe é cobrado qualquer Governo, via Opção, o produtor tem que
custo. pagar um prêmio de aquisição.
A garantia do Preço mínimo é obtida através A compra do Contrato de Opção é feita
do sistema bancário. através das Bolsa de Mercadorias e Futuros.
A efetividade da Política de Preços Mínimos Os Contratos de Opção serão vendidos na
depende da disponibilidade de recursos no época da colheita; no caso da safra de verão
Orçamento da União, quando os preços da região Centro-Sul, por exemplo, isso
mínimos da safra de verão são anunciados, significa que já se saberá o valor previsto no
ainda que não exista um orçamento aprovado Orçamento para essa finalidade.
para o ano em que a produção será colhida.

133
3. CUSTOS NA COMERCIALIZAÇÃO

Entre o produtor e o consumidor de produtos agrícolas existe um grande número de


agentes intermediários. Quando esses atores exercem suas atividades, incorrem em uma
série de despesas, como salários, aluguéis, impostos, depreciações etc., gatos esses que
são definidos como ‘custos de comercialização’. A mensuração de tais custos é
complexa porque envolve o levantamento sistemático de todas as atividades envolvidas
por cada um dos intermediários. Em virtude disso, define-se, então, a chamada margem
de comercialização, que é a diferença no preço do produto nos diversos níveis de
mercado expressos em unidades equivalentes. Ela é calculada a partir do levantamento
dos preços nos diferentes níveis, o que é bem mais simples do que efetuar o
levantamento de todos os ítens envolvidos no processamento da produção. Sendo assim,
conceitualmente a margem pode ser entendida como:
M = C + L, onde C é o custo e L o lucro (positivo ou negativo)
A principal vantagem no cálculo das margens consiste no acompanhamento de sua
evolução para a avaliação do desempenho dos mercados. No entanto, algumas
considerações devem ser realizadas:
1. Para produtos idênticos, quanto mais competitivo o mercado, menor deve ser a
margem de comercialização;
2. Quanto maior o processamento e manuseio do produto, maior deve ser a margem de
comercialização;
3. Quanto maior o risco envolvido, maior a margem de comercialização;
4. Certas alterações na tecnologia tendem a diminuir as margens, enquanto outras
tendem a aumentá-la;

134
5. COMERCIALIZAÇÃO NO AGRONEGÓCIO

5.1. Introdução

Atualmente está cada vez mais difícil para o produtor rural responde às clássicas
perguntas do sistema econômico: o quê? Quanto? Como? E para quem produzir? Saber
o que produzir tornou-se uma tarefa tão cheia de ameaças e/ou riscos que exige do
produtor um planejamento, o mais preciso possível, para remunerar suficientemente os
recursos investidos e permanecer na atividade com sucesso.
A principal dificuldade que o produtor rural encontra hoje é interpretar os desejos e
as necessidades do consumidor moderno num contexto de mudanças contínuas dos
hábitos e preferências dos consumidores. Cada vez mais exigentes, esses consumidores
exigem uma atenção redobrada do produtor para acompanhar e atender seus desejos.
Um fato importante para o produtor rural, decorrente da necessidade de
atendimento rápido e eficiente ao consumidor moderno citado acima, é a mudança
ocorrida na forma de organização do sistema de distribuição dos produtos. O sistema
tradicional de produção-distribuição dos produtos. Tal sistema se transformou em um
mecanismo mais moderno de produção-agroindustrialização-distribuição, para
conseguir atender as necessidades dos consumidores em tempo, forma e lugar de modo
mais efetivos. O produtor, antes isolado, passa a fazer parte de um sistema mais
complexo e mais integrado, que é o agronegócio. Nesse novo sistema, a
comercialização passa a Ter um papel muito mais relevante do que antes, ela não só
exerce a função de levar o produto do produtor ao consumidor, mas assume uma
abrangência muito maior que é a de dirigir todo o processo de produção-
agroindustrialização, além da distribuição, como era entendido.

5.2. A comercialização no agronegócio

O agronegócio pode ser visto como um conjunto de subsetores ou segmentos


interrelacionados que trabalham juntos formal ou informalmente para produzir bens e
serviços. De um modo geral pode-se dizer que, sob o novo sistema de organização da
produção-agroindustrialização, a comercialização exige do produtor e/ou dos

135
empresários pertencentes ao sistema uma visão mercadológica, uma visão
administrativa e uma visão sistêmica para gerenciar o mesmo adequadamente.
5.2.1. Visão mercadológica

O modo de praticar ou fazer a comercialização, para muitos, é uma habilidade


inata, um dom para os negócios, uma questão de bom sendo. Entretanto, como ciência, a
comercialização apresenta várias técnicas que, combinadas a uma ‘filosofia’ de como
administrar adequadamente as questões, podem ampliar, substancialmente, o sucesso da
atividade.
O termo ‘marketing’, traduzido por comercialização na maioria dos livros-texto
no Brasil, tem sido percebido ou interpretado de maneiras diversas. Ora como um
conjunto de atividades, principalmente físicas, voltadas para a movimentação de
mercadorias; ora como uma maneira ou ‘know-how’ de fazer vendas bem feitas,
associada, principalmente, à idéia de propaganda ou imagem de produtos ou serviços.
Essas e outras visões são, em geral, equivocadas: as organizações podem Ter uma
percepção ampla da comercialização, seja como um instrumento de influenciar pessoas
ou de servir pessoas, seja como uma pequena parte de seu negócio ou grande parte, seja
como uma tarefa de bom senso ou como uma prática treinada. A figura 5.1. mostra a
diferencá entre os conceitos de comercialização-venda e comercialização-marketing.

Figura 5.1. Contras te entre os conceitos de comercialização-venda e comercialização-


marketing
FOCO MEIO FIM

Produto técnicas de Venda Lucro através de


propaganda, promoção maior volume de vendas hoje.
Influenciar pessoas

(a) Comercialização-venda

136
FOCO MEIO FIM

Desejos do Componentes do Lucro através de


consumidor marketing satisfação do consumidor +
maior volume de vendas
no longo prazo
Influenciar pessoas

(b) Comercialização-marketing

O conceito de ‘comercialização-venda’ começa com os produtos existentes na firma


e considera a tarefa de comercialização como a de usar a venda e a promoção, para
estimar um volume de vendas lucrativas. O conceito de ‘comercialização-marketing’
começa com os clientes existentes e potenciais e suas necessidades; e considera a tarefa
da comercialização como um conjunto planejado de produtos e programas para servir ou
atender a essas necessidades, e espera obter seus lucros na criação de valiosas e
significativas satisfações para o consumidor. Desse modo pode-se dizer que o conceito
de comercialização-marketing é uma orientação voltada para o consumidor por meio da
comercialização integrada, com o objetivo de gerar a satisfação do consumidor como
chave para satisfazer os objetivos de lucros e os propósitos da organização.
A diferença entre comercialização-venda e marketing está mais do que na
semântica. A venda focaliza a necessidade do vendedor, o marketing a necessidade do
consumidor. A comercialização-venda está preocupada com a necessidade do vendedor
em converter o seu produto em dinheiro, enquanto que a comercialização-marketing
com a idéias de satisfazer à necessidade do consumidor por meio do produto e de todo
o conjunto de atividades associada à sua criação, entrega e consumo final.
Em uma organização orientada para a comercialização-marketing, os produtos, os
canais de distribuição usados e as promoções de venda estão todos relacionados, como
meios de se atingirem as necessidades dos consumidores com lucro. A comercialização
assim entendida está relacionada com três atividades: 1. Reconhecimento da demanda
(ou demanda potencial); 2. Estimulação da demanda pela promoção e venda ; e 3.
Satisfação da demanda, em grande parte, pelo produto em si mesmo e pelos meios de

137
distribuição que o torne disponível. Do ponto de vista da firma, isso pode ser visto na
figura 5.2.

Figura 5.2. Componentes do marketing

Produtor
Venda Preço

Satisfação Embalage
Propaganda do m
Consumidor

Promoção Marca

Distribuição

Cada elemento da figura acima, em uma maior ou menor extensão, dependendo


do caso específico, desempenha o papel de persuadir o consumidor a comprar. Os itens
individuais estão interrelacionados, não podem ser considerados isoladamente, por isso
é a combinação deles, e não cada um, que resultará na venda.

5.2.2. Visão administrativa

A essência do trabalho do indivíduo pela comercialização é ser capaz de


balancear os vários componentes do marketing, de tal modo a maximizar as vendas.
Para alguns estudiosos, a comercialização agrícola é uma atividade específica, em que
aspectos políticos e sociais são inerentes a ela. Trataria dos negócios, da política e do
aspecto social. Contudo, no que diz respeito à comercialização de produtos agrícolas,
tem havido cada vez mais a preocupação de redefini-la nos termos da filosofia de

138
comercialização-marketing ou, como comumente conhecida, pelo termo de marketing
rural ou marketing de produtos agrícolas.
Se assume que os desejos das pessoas, com relação aos itens específicos de bens
são criados por fatores ambientais, e que os bens não podem ser produzidos em
condições de produção de massa, para atender a todas as diferentes especificações dos
consumidores, então se torna tarefa principal da comercialização reconciliar os desejos
dos consumidores potenciais com os produtos reais que os produtores e empresários têm
a oferecer. Isso significa, por um lado, que bens devem ser encontrados ou criados para
que, o mais próximo possível, sejam atendidas as expectativas dos consumidores, em
natureza, qualidade e preço, e que esses bens devem ser apresentados no tempo próprio
e sob condições das mais atraentes ou simpáticas aos consumidores. Por outro lado, isso
significa que os consumidores potenciais devem ser condicionados a aceitar os bens
com o melhor comprometimento possível entre o que eles pensam e o que eles podem
obter.
Desse ponto de vista, a tarefa da administração da comercialização agrícola ou
marketing dos produtos agrícolas pode ser feita pelo desempenho dos seis diferentes
grupos de funções, cada uma das quais contribui para o propósito geral expresso acima.
Cada função, ou grupo de funções atende, em geral, aos seguintes propósitos:

1. Função contatual: Engloba as funções de compra e venda; o processo de achar o


mercado e de descobrir compradores e vendedores potenciais de um produto e fazer
contato com eles.

2. Função mercadológica: Refere-se ao ajustamento feito aos bens para atender às


exigências do mercado. Inclui o planejamento e o preparo do produto para o
mercado. Envolve a seleção do produto a ser produzido ou estocado e decisões sobre
detalhes como tamanho, aparência, apresentação, forma, embalagem, quantidades
compradas eóu produzidas, época de produção ou compra etc.. Constitui-se em
funções de beneficiamento, classificação padronização e embalagem; envolve ainda
a coordenação do setor venda com o setor compra.

139
3. Função de propaganda: Responsável pela criação de demanda ou do
condicionamento de compradores para influenciar compradores e vendedores,
respectivamente.

4. Função de estabelecimento de preço: Refere-se à busca do melhor preço. Um


preço deve ser alto o suficiente para compensar a sua produção e baixo o suficiente
para induzir os compradores a aceitá-lo. Os preços não são somente simples função
da oferta e da procura; dependem também de outros fatores, como demanda
esperada, custo da produção e venda, e preços dos competidores.

5. Função de distribuição física: Refere-se à colocação de bens no mercado no tempo


e lugar certo. É o suporte físico à movimentação do fluxo ou mercadorias e inclui o
estudo das funções de transporte e armazenamento.

6. Função de terminação: Uma vez estabelecido o contato entre vendedores e


compradores, torna-se necessário negociar, chegar a um acordo sobre [elo menos
três pontos essenciais: a) qualidade, b) preço, c) quantidade. Assim, a função de
terminação refere-se à conservação do processo de comercialização ou efetivação
da transação comercial. Todavia, essa função envolve um aspecto mais amplo de
crédito, garantias e assistência; envolve também os aspectos morais e legais do
vendedor, com relação aos compromissos assumidos sobre o produto e sobre a
transferência de sua posse.

5.2.3. Comercialização, utilidade e valor agregado

Os desejos dos consumidores reais e potenciais podem ser traduzidos em termos


das utilidades que a comercialização incorpora aos bens e serviços. A utilidade é a
qualidade que faz com que um bem seja desejado ou procurado; é a capacidade que
possui um bem ou serviço de satisfazer a uma necessidade ou a um desejo. Nesse
aspecto, a definição de comercialização como o “processo que cria e transfere
utilidades” é particularmente significativa, principalmente do ponto de vista didático e
funcional. O processo que cria e transfere utilidades é a própria função da
comercialização. Já o conceito de utilidade envolvido nessa definição torna mais

140
concreto o significado da função de comercialização, à medida que cada uma das
funções possui uma utilidade específica ou grupo de utilidades.
O conceito de utilidade também pode ser entendido na prática como o conceito
de valor adicionado ou agregado. Ou seja, quando se incorpora uma utilidade ao
produto, através de uma função de comercialização, o produto tem o seu valor
aumentado, que pode ser igual ou maior que o custo de fazer tal função de
comercialização. Há vários tipos de utilidades de comercialização, tais como:
1. Utilidade de forma: é a satisfação que o consumidor tem da forma como o produto
se apresenta para o consumo. Ex. Leite pasteurizado, leite em pó, leite aromatizado
etc.
2. Utilidade de tempo: é a satisfação do consumidor advinda do fato de poder contar
com aquele produto na hora em que deseja – o armazenamento desempenha essa
função;
3. Utilidade de lugar: é a satisfação que o consumidor tem de encontrar um produto ou
serviço no lugar onde ele deseja ou procura.
4. Utilidade de posse: é a satisfação advinda de possuir um bem ou serviço. Dar
utilidade de posse ao produto é fazer tudo o que facilite a sua aquisição pelo
consumidor, e esta é uma função da comercialização que é desempenhada por meio
de várias outras funções, como a função de financiamento ou um sistema de crédito
ao consumidor;
5. Utilidade social: é a satisfação que o consumidor tem de consumir um produto ou
serviço que proporciona bem-estar para toda a comunidade. Dar utilidade social a
um produto é colocar alguma qualidade no mesmo, que resulte em bem-estar como,
por exemplo, optar por uma embalagem biodegradável.
6. Utilidade de segurança na expectativa: é a satisfação que o consumidor tem na
segurança de expectativa com relação a um ato qualquer na comercialização de um
produto ou serviço, como qualidade prometida, assit6encia técnica etc.

5.2.4. Visão sistêmica

A visão sistêmica na comercialização decorre da própria forma de organização


do sistema em que fazem parte a integração dos segmentos e a inter-relação entre os
mesmos. Na integração, os agentes, os produtores, atacadistas e varejistas negociam sob

141
o controle de uma gerência central programada, buscando economia de operação e
máximo impacto na comercialização. Constituem os chamados complexos
agroindustriais, na medida em que a integração forma elos de uma cadeia agroalimentar.
Os canais integrados subdividem-se nos controlados pelo produtor, controlados pelo
atacadista ou controlados pelo varejista.
É interessante notar as principais estratégias que as firmas utilizam para
conseguir a integração parcial ou total, as quais podem ser enumeradas da seguinte
forma:
1. A firma controladora pode adquirir e administrar todas as unidades envolvidas no
canal de comercialização;
2. Controle pela compra das patentes da maquinaria básica usada no processo de
produção e comercialização ou através de controle legal sobre um produto ou grupo
de produtos;
3. Controle financeiro-organizacional;
4. Controle informal através de agressiva promoção de venda, o qual cria preferência
por uma marca e força o controle de uma firma sobre outras no canal;
5. Expansão dos arranjos creditícios;
6. Acordos sobre a manutenção dos preços de revenda;
7. Formação de cartéis ou compartilhamentos de mercado.
7. GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA E COMÉRCIO INTERNACIONAL

7.1. Mercado doméstico ‘versus’ mercado externo

O processo da globalização passou a ser, nos últimos anos, tema freqüente nos
mais diversos debates acerca das tendências atuais e futuras do comportamento do
comércio internacional. Embora sua conceituação não deva ser restrita a um âmbito
meramente econômico, para fins de realização desse estudo, torna-se imperioso
proceder a tal limitação, uma vez que questões de outra natureza fogem ao escopo de
análise do trabalho. Ainda assim, lidar com a idéia da inexorabilidade de tal fenômeno,
é tarefa que demanda esforços adicionais no que diz respeito à plena compreensão de
seus impactos e das formas alternativas de coordenação por ele requisitadas.
Na realidade, em uma perspectiva histórica, podem ser identificados quatro
processos de globalização (Campos, 1997). O primeiro deles remonta à época do

142
Império Romano, quando este, através de suas conquistas, conseguiu impor o uso de
uma moeda única e de estruturar a defesa de seu “patrimônio” contra a ação dos piratas.
Posteriormente, o segundo momento de globalização ocorreu à época das grandes
descobertas, quando foram abertos os caminhos para a China e a Índia, reforçando o
estabelecimento de rotas comerciais navegáveis e estimulando aventuras além-mar,
rumo a novas possibilidades de intercâmbio.
O terceiro processo ocorreria somente no século XIX, com o fim das guerras
napoleônicas, quando, segundo Campos (1997), o mercantilismo foi sobrepujado pelo
liberalismo e a democracia política começou a prosperar. Vários fatores constituíram
conjuntura favorável ao comércio nesse período e, dentre eles, podem ser citados: o
tratado de livre comércio estabelecido entre a França e a Inglaterra, em 1860; a
colonização européia da Ásia e da África; e as grandes migrações humanas rumo aos
novos continentes.
O quarto movimento ocorreu somente após a Segunda Guerra, período no qual
foram criados diversos organismos internacionais com vistas à regulamentação do
comércio mundial e, simultaneamente, proliferaram as empresas transnacionais,
favorecidas pela ampliação dos mercados financeiros e pelo aumento do intercâmbio
econômico entre as nações. Contudo, embora as origens do desenvolvimento dessa
quarta etapa encontrem-se na década de quarenta, este processo somente atingiu o seu
apogeu após o colapso socialista de 1989/91.

7.2. Visões da globalização

Segundo Bauman (1996), nesse contexto, pelo menos cinco esferas importantes
devem ser abordadas: uma perspectiva estritamente financeira, uma comercial, o ponto
de vista do setor produtivo, uma visão institucional e, por fim, o aspecto que envolve a
política econômica.
Sob um prisma estritamente financeiro a globalização corresponde, ainda que
em diferentes graus de composição e níveis, a um aumento do volume de recursos
transacionados e a um incremento da velocidade de sua circulação. Uma perspectiva
comercial, por sua vez, explicita uma tendência à similarização das demandas entre os
diferentes países, o que fomenta ganhos de escala, a uniformização dos procedimentos

143
administrativos e de produção, e mesmo uma redução do ciclo de vida do produto. Tais
fenômenos, além de chamarem a atenção para um firme deslocamento do enfoque
central da produção (da concorrência em termos de produto para a competição via
processos), realça o fato de que a competição ocorre, agora, em escala mundial, com
consequente aumento das exigências por flexibilidade, adaptação e resistência à
obsolescência.
Do ponto de vista do setor produtivo, ao contrário dos demais, não há um
consenso quanto aos efeitos da globalização. Boa parte da literatura argumenta que ela
poderia estimular a incidência de oligopólios internacionais, ao que se contrapõem
alguns autores, quando afirmam que embora factível, essa perspectiva não encontra
respaldo nas evidências empíricas.
Sob uma visão institucional, a expectativa é de que sejam crescentes as
semelhanças nas diversas configurações dos sistemas nacionais, bem como se tornem
análogas as formas de regulamentação em diversas áreas, o que permitiria uma maior
homogeneidade entre países, além de aumentar as possibilidades de cooperação entre os
mesmos.
Por fim, do ponto de vista da política econômica, a principal polêmica gira em
torno do fato de que a globalização reduz graus de liberdade da soberania econômica e
mesmo política das nações.
7.3. Os blocos econômicos

Nesse contexto, a década de noventa veio consolidar a tendência mundial da


formação dos blocos regionais, que decorre, em certa medida, da própria globalização.
A proposta central dessa unificação é a aglutinação de forças e a compensação de
vulnerabilidades individuais, a fim de que a participação no mercado global se dê de
maneira mais efetiva e duradoura. Segundo dados do Banco Mundial, cerca de 41,4%
do comércio internacional se dá em esquemas regionais, demonstrando que o mundo
passa a funcionar, em grande parte, com base na economia de blocos.
Embora os acordo comerciais entre blocos não sejam exatamente recentes (há
muito tempo os países efetuam preferências comerciais e parcerias), foi a partir da
estruturação e do êxito da integração européia que o processo da integração regional
ganhou maior impulso, ficando clara a viabilidade dos países se agruparem em blocos

144
econômicos unificados e, além disso, explicitando a idéia de que a globalização não se
caracteriza apenas por uma intensificação dos fluxos comerciais entre países, mas que
isso representa mudanças qualitativas nas relações internacionais.
Normalmente, a formação dos blocos regionais se dá em etapas, num processo
gradativo que culmina com a harmonização das políticas macroeconômicas dos países
membros e a adoção de uma moeda comum. A Política Agrícola Comum (PAC),
vigente na Europa, foi uma decorrência do Tratado de Roma, em 1957, e, embora não se
possam precisar as suas raízes diretas, é certo que a França e a Alemanha tiveram um
papel relevante na sua estruturação, principalmente no que se refere à imposição das
formas de intervenção. Cinco anos depois, a PAC já era implementada e tinha por
princípios básicos6: a criação de um único mercado; garantia de acesso preferencial do
países membros aos mercados dos demais partícipes; estabelecimento de um
mecanismo de subsídio às exportações; e , por fim, a ajuda financeira, consolidada pela
formação do Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola (FEOGA) pelo
deslocamento do processo decisório do nível individual para o comunitário
A respeito da integração norte-americana, pode-se dizer que esta é ainda recente,
pelo menos em termos oficiais. O anúncio das negociações entre México, Canadá e
Estados Unidos, com o objetivo de formar uma área de livre comércio, data de
fevereiro de 1991. Pouco mais de dois anos depois, em novembro de 1993, o Congresso
Americano ratificou a participação dos EUA no NAFTA (Acordo de Livre Comércio da
América do Norte), um megabloco com um PIB (Produto Interno Bruto) conjunto de
cerca de três trilhões de dólares e mais de 360 milhões de consumidores potenciais.
Atualmente, não apenas o NAFTA, mas a nova política agrícola dos Estados Unidos - a
FAIR - merece atenção ao se pretender traçar as perspectivas de participação do Brasil
no mercado internacional. Nesse sentido, é importante realçar a necessidade de se
consolidarem as propostas sul-americanas de regionalização, com ênfase no
MERCOSUL.
O fortalecimento dos mercados interno e regional latino-americanos teve seu
início em fins da década de 50, com a formação da Comissão Econômica para América
Latina e Caribe. Na década posterior foi criada a ALALC - Associação Latino-
americana de Livre Comércio, com o objetivo de criar as bases de sustentação para o
estabelecimento de um mercado comum, contudo, seus objetivos não tiveram pleno

6
ABREU & LOYO, 1994.

145
êxito. Em 1980, a ALALC foi substituída pela ALADI - Associação Latino Americana
de Desenvolvimento e Integração, que procurava ter uma visão mais realista do
processo de integração, estimulando inicialmente os arranjos bilaterais de comércio.
Cinco anos depois, na Declaração de Iguaçu, foi formada uma comissão para estudar as
potencialidades da integração econômica entre Brasil e Argentina, que resultou na
implementação do PICE - Programa de Integração e Cooperação Econômica -, em 1986,
com o objetivo de “criar um espaço comum com estímulos à complementação dos
setores econômicos dos dois países. Nessa fase, uma série de protocolos foram
assinados em diversas áreas: biotecnologia, bens de capital, cooperação nuclear, trigo,
siderurgia, industria automotriz e outros”7.
O processo de integração Brasil/Argentina continuou com o tratado de
Integração, Cooperação e Desenvolvimento (1988), e , em julho de1990, os dois países
assinaram a Ata de Buenos Aires, que fixou com prazo limite para a definitiva
implantação do MERCOSUL, 31 de dezembro de 1994. Um 26 de março de 1991, os
presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o Tratado de Assunção -
base para a consolidação do Mercado Comum do Sul8.
As bases constitutivas desse mercado comum são9:
a) livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos, através da eliminação
gradativa de quaisquer mecanismos de restrições ao livre comércio - sejam elas
tarifárias ou não;
b) estabelecimento de uma tarifa externa comum (TEC) e a adoção de uma
política em relação a terceiros países ou agrupamentos de países, bem como a
coordenação de foros econômico-comerciais regionais e internacionais;
c) permitir novas adesões visando a liberação do comércio, a plenitude
demográfica, o fortalecimento da livre iniciativa e a presença da
estabilidade macroeconômica, ao menos em relação às políticas
adotadas com esta finalidade
O estabelecimento do MERCOSUL traz, além do exposto, a necessidade de se
coordenar as políticas macroeconômicas e setoriais de comércio exterior, agrícola,
industrial, fiscal, monetária, cambial e de capitais, de serviços, alfandegária, de
transporte e comunicações, dentre outras. Nesse sentido, vale ressaltar que todos os

7
‘Perspectivas de integração do Cone Sul”- 1992.
8
Atualmente , desde outubro de 1996, já participa do Mercosul o Chile; e a participação boliviana está
prevista para breve.

146
países membros do MERCOSUL estão passando por um rápido processo de
liberalização comercial; no caso particular do Brasil, três medidas explicitaram essa
ocorrência: redução das tarifas aduaneiras, eliminação dos controles prévios
administrativos, e a extinção de órgãos como a CACEX e a CONCEX.
A agricultura tem sido considerada o ponto mais sensível na integração do Brasil
ao MERCOSUL, em decorrência de dois fatores: em primeiro lugar, os produtos de
origem agrícola representam 60% do total das importações provenientes dos parceiros, e
, em segundo, a maior parte dos produtos de origem agrícola, provenientes do
MERCOSUL, é produzida no pampa úmido (Argentina), uma região de excelente
qualidade edafoclimática. Os principais produtos dessa região, dentre os quais o leite, o
trigo, o arroz, a carne bovina e algumas frutas, competem diretamente com a produção
brasileira, e possuem expressivas vantagens de custo. Assim, o impacto do
MERCOSUL é diferenciado, de acordo com o segmento produtivo e também o será em
relação às regiões, já que o Brasil tem proporções continentais.
Como já citado anteriormente, o setor agrícola é especialmente sensível para o
Brasil, em relação ao de manufaturados. Assim, a expectativa e o desejo de muitos
produtores brasileiros é o estabelecimento de um prazo de ajuste que permita a
reestruturação da estrutura produtiva brasileira, nos segmentos mais afetados pela
integração; na realidade, a integração regional irá explicitar uma série de ineficiências e
dificuldades presentes na produção brasileira, além de acirrar a competição - existe um
maior temor em relação aos cereais, frutas de clima temperado, vinhos, laticínios e
algodão em pluma.

7.4. O Brasil frente à globalização dos mercados

O Brasil está vivenciando um acelerado processo de internacionalização de sua


economia, e, nesse contexto, é preciso repensar a participação das políticas públicas em
um cenário ainda sem regulamentação definida e onde vigora a iniciativa privada.
Durante muito tempo, o setor agropecuário brasileiro foi discriminado sob a alegação da
necessidade de barateamento da alimentação e manutenção do abastecimento; as
ferramentas utilizadas foram o tabelamento, o congelamento de preços, especulação
com estoques e, até mesmo, restrições drásticas às exportações agrícolas. Se, por um

9
ibid, 1992.

147
lado, as ações compensatórias do governo - em forma de crédito subsidiado -
favoreceram a modernização de uma parcela da agricultura brasileira, os mecanismos
pelos quais foi estabelecida essa compensação foram por demais paternalistas,
favorecendo a presença de ineficiências que hoje se mostram em toda a sua extensão.
Além disso, a dificuldade de gerenciamento apresentada pela grande maioria de nossos
produtores, a inadaptação a inovações e a visão de curto prazo, são características que
também tendem a dificultar a competitividade brasileira.
Hoje, a participação do Brasil no cenário internacional a níveis satisfatórios
depende muito mais de políticas macroeconômicas bem conduzidas do que de decisões
segmentadas, que visem satisfazer a grupos específicos e não o todo do setor agrícola
nacional. Segundo JANK ( ),
“além da tão difícil liberdade de preços, a agricultura precisa de juros
baixos, de taxa de câmbio em equilíbrio [......] que seja eficiente sobre a entrada de
produtos agrícolas subsidiados e, finalmente, de impostos mais baixos. Assim, ao
invés de implorar um subsídio que não existe, o setor privado agrícola brasileiro
deveria exigir uma política macroeconômica estável, não discriminatória e igualitária
no MERCOSUL (cobrando menos a igualdade de tratamento tarifário em relação às
agroindústria correlatas e mecanismos eficientes de defesa contra subsídios e outras
práticas desleais de comércio).
É importante salientar , ainda, que numa economia de livre mercado três
atributos são essenciais: organização, representatividade e poder de negociação.
Tendo em vista a reduzida participação prevista do Estado nesse processo, os
complexos agroindustriais somente serão competitivos se contarem com uma maior
organização dos produtores, com maior atenção na formulação dos contratos sobre a
agricultura, e maior ênfase no agronegócio internacional e nas novas exigências
mercadológicas.
O comércio internacional é responsável, pelo menos, pela quinta parte da renda
das cadeias agroindustriais. Esse fato, aliado às dificuldades que as exportações
brasileiras estão encontrando de se sustentarem no mercado mundial, estabelece a
necessidade de se proceder a um estudo mais acurado das possibilidades de reverter
esse quadro. A tabela 1 mostra o crescimento das exportações brasileiras de produtos
básicos, manufaturados e semimanufaturados entre 1985 e 1995.

148
Desde a implantação do Plano Real, existe a argumentação de que as
exportações brasileiras estariam sendo frontalmente prejudicadas pela sobrevalorização
da moeda nacional. Entretanto, a maior parte das dificuldades enfrentadas pelo setor
exportador brasileiro está muito mais ligada a dificuldades intrínsecas a ele , do que a
questões cambiais. Segundo este autor, a redução do ritmo de crescimento das
exportações nacionais é anterior à implantação do Real;
“Em síntese, o comportamento não satisfatório das exportações
brasileiras existia muito antes da implementação do plano Real, e a evidência
permite pensar que os problemas não estão vinculados pura e exclusivamente a
uma valorização do câmbio. Com uma expansão da demanda doméstica e, portanto
da atividade econômica, as exportações diminuíram mesmo com taxas de câmbio
atrativas. [ ... ] existe um problema de queda de ritmo de crescimento que pode
indicar, além da perda de competitividade, uma insuficiente expansão da
capacidade produtiva para exportação”.

Nos últimos dez anos, uma importante inversão pode ser percebida na pauta de
exportações agrícolas brasileiras, não somente do ponto de vista quantitativo mas,
principalmente, sob o prisma qualitativo. Nesse período foi clara a perda de participação
relativa dos produtos agrícolas mais tradicionais, e simultaneamente, o ganho relativo
dos de maior valor agregado. A esse fenômeno agrega-se um outro, de igual relevância:
a diversificação da pauta de exportações brasileiras.
O cenário no qual se desenvolvem tais transformações é dinâmico e incorpora
importantes modificações no conceito de competitividade. Na visão de Dias (1996), as
forças motoras dessas transformações, quais sejam, a revolução tecnológica e
organizacional, propiciada pela difusão quase irrestrita de conhecimento tecnológico e
de formas de gestão; e a globalização dos mercados, onde as empresas transnacionais
representam o principal canal de inversão externa direta, criam novos padrões de
comércio.
Assim, as vantagens comparativas tradicionais deixam de ser os determinantes
fundamentais da produção e exportação, cedendo lugar a uma análise de
competitividade onde os fatores determinantes podem ser caracterizados como internos
e externos à empresa. Os primeiros envolvem condições de eficiência que a empresa
possui para suprir seu mercado como preços, a qualidade e produtividade da empresa,

149
conhecimento das necessidades e exigências do mercado etc. Os fatores externos dizem
respeito à infra-estrutura existente no país, às tendências de comércio mundial e
políticas de comércio exterior, políticas macroeconômicas adotadas (políticas comercial,
monetária, cambial, fiscal), apoio existente à pesquisa, distribuição espacial da
produção, políticas regulatórias de proteção à propriedade industrial e de preservação
ambiental e situação de qualificação da mão-de-obra.
Segundo Ferreira (1997), a maior polêmica encontra-se quanto à influência da
política governamental sobre a competitividade. A maior parte dos fatores externos
anteriormente descritos encontra-se, de uma forma ou de outra, vinculados à postura
governamental, cuja ação se faz sentir sobre a competitividade da nação.
Além do exposto, sobre esse tema, algumas considerações relevantes não podem
ser esquecidas. A primeira delas diz respeito à noção convencional de política
econômica que, segundo este autor, está associada ao Estado-nação, onde grande parte
das decisões que afetam objetivos, como o crescimento econômico e padrão de
distribuição de renda são considerados, normalmente, decorrência direta da interação
entre as políticas dos países e a ação dos agentes econômicos no espaço nacional.
Contudo, em um sistema globalizado,
“a diferença dessa concepção tradicional - a relação entre unidades
nacionais passa a não ser limitada às transações nos mercados de bens e fatores. O
processo produtivo adquirre uma racionalidade distinta, na medida em que diversas
unidades nacionais passam a ser componentes da mesma estrutura integrada de
geração de valor, ao mesmo tempo em que aumenta a fluidez de transmissão de
normas, valores e rotinas operativas, condição necessária à crescente
homogeinização produtiva.”
Em outros termos, a novidade encontra-se no fato de que, uma vez inserido em
um mercado globalizado, a ação do Estado e dos demais agentes envolvidos na
produção nacional é orientada para viabilizar o alcance e a manutenção de níveis
internacionais de competitividade em termos sistêmicos. Surge, cada vez mais explícita,
a necessidade de do país comportar-se como “global trader”, ou seja, concentrar
esforços na diversificação da produção e das exportações, minimizando riscos frente às
cada vez mais freqüentes crises internacionais. O risco de preço envolvido no cenário
internacional é maior em alguns segmentos, muitas vezes bastante atrativos, e a

150
participação setorial nesses nichos pressupõe a existência de recursos outros que
garantam resistência às possíveis flutuações de demanda.

151
PARTE VI – MERCADOS IMPERFEITOS
BIBLIOGRAFIA: 8, 13, NOTAS DE AULA)

1. REVISÃO DO MODELO DE CONCORRÊNCIA PERFEITA

1.1. Introdução

Como já visto anteriormente, o termo ‘concorrência’ tem sentido múltiplo. Em


economia, acompanhado da palavra ‘pura’, significa justamente a inexistência de
competição, no sentido parcial da mesma. Em outras palavras, emm um mercado onde
vigora a concorrência pura, os competidores não têm rivalidade entre si.
1.1.1 Condições básicas para a existência de concorrência pura

a) Homogeneidade do produto: um requisito da concorrência pura é que todos os


vendedores de um dado produto vendam unidades homogêneas do mesmo, e os
compradores também consideram o produto homogêneo;
b) Insignificância de cada comprador ou vendedor diante do mercado: cada comprador
e/ou vendedor precisa ser pequeno o suficiente para não ser capaz de influenciar,
sozinho, o preço de mercado;
c) Ausência de restrições artificiais: não devem existir restrições artificiais à procura, à
oferta ou aos preços. Em outros termos, é preciso que os preços sejam livres para
oscilar de acordo com as exigências de mercado;
d) Mobilidade: é preciso que haja mobilidade de bens, serviços e recursos. Novas
firmas devem poder entrar sem dificuldade nesse mercado, assim como não devem
existir impedimento à saída.
e) Pleno conhecimento (atributo da palavra ‘perfeita’): a concorrência perfeita
incorpora o pleno conhecimento do sistema econômico e de todas as suas
interrelações por parte dos agentes partícipes desse mercado.

152
1.2. A demanda

A demanda por um bem pode ser entendida como sendo as várias quantidades
deste, por unidade de tempo, que os consumidores estarão dispostos a adquirir no
mercado, a todos os possíveis preços alternativos, tudo o mais permanecendo constante.
As quantidades que os consumidores estarão dispostos a adquirir depende, basicamente:
1. do preço do bem;
2. dos gostos e das preferências dos consumidores;
3. do número de consumidores considerado;
4. da renda dos consumidores;
5. dos preços dos bens relacionados;
6. da variedade de bens disponíveis;
7. das expectativas sobre os preços dos produtos.10

É importante lembrar que variações no preço do bem em questão provocam


deslocamentos ao longo da curva de demanda, enquanto que as demais possibilidades
citadas provocam deslocamentos da curva.
Normalmente, como já visto, preço de um bem e a sua quantidade demandada
caminham em sentidos opostos. Assim, quanto maior o preço, menor tende a ser a
quantidade demandada. Assim, o formato genérico de uma curva de demanda é o
apresentado no gráfico 1.1. abaixo:
Gráfico 1.1. Curva de demanda por um produto ‘X’
P

P1

P2

Q1 Q2 Q/ u.t.

10
Quaisquer dúvidas, retorne à parte dois desta apostila.

153
1.3. Oferta

A oferta de um bem pode ser definida como as várias quantidades desse bem que
os vendedores colocam em um mercado, a todos os possíveis preços alternativos,
quando todas as demais coisas permanecem constantes. É, em outras palavras, a relação
preço/quantidade em disponibilidade para venda, por unidade de tempo.
A ‘curva de oferta’, por sua vez, deve ser entendida como expressão gráfica da
relação numérica existente entre preço do bem e quantidade ofertada do mesmo.
Normalmente tal relação é positiva, indicando que, a preços mais elevados os
produtores estariam dispostos a ofertar mais.
Os principais fatores a afetar a oferta são:
1. o preço do produto;
2. a escala dos preços dos recursos utilizados na produção;
3. a quantidade de técnica de produção disponível;

sendo que o primeiro desses fatores gera deslocamento ao longo da curva de oferta, e os
demais, deslocamentos da própria curva.Graficamente, tem-se:

Gráfico 1.2. Curva de oferta de um bem ‘X’

P1

P2

Q1 Q2 Q/ u.t.

1.4. Determinação do preço e da quantidade de equilíbrio

154
Representando, em um gráfico, as curvas de oferta e demanda de um determinado
bem, é possível visualisar o preço e a quantidade de equilíbrio desse bem, nesse
mercado. Como já visto na parte II, uma vez definido o preço de equilíbrio, uma
situação onde o preço vigore acima do valor de mercado gera excesso de oferta,
enquanto que se o preço encontra-se abaixo do valor de equilíbrio, haverá escassez, ou
excesso de demanda. Graficamente, tem-se a seguinte representação (gráfico 1.3.)

Gráfico 1.3. Determinação do preço e da quantidade de equilíbrio de mercado

Excedente
Equilíbrio

Escassez
Quantidade de X/ut
X2 X1 X X1’ X2’

2. FORMAÇÃO DE PREÇOS E PRODUÇÃO EM MONOPÓLIO PURO

2.1. Introdução

O monopólio puro é uma situação de mercado em que há um só vendedor de um


produto, para o qual não existem substitutos. O produto vendido pelo monopolista deve
ser nitidamente diferente dos demais, e as mudanças nos preços e na produção de outros
bens não devem afetar o monopolista, sendo a recíproca totalmente verdadeira.
No mundo real, o monopólio puro é muito raro. Aproximam-se dele as indústrias
locais de utilidade pública e outras, como grandes empresas extrativistas e de porte
muitíssimo elevado.

155
Contudo, quer exista ou não o monopólio puro, seus princípios proporcionam um
instrumental indispensável para analisar problemas de formação de preços, produção,
utilização de recursos e bem-estar.

Barreiras à entrada
A existência de um monopólio, bem como a sua sobrevivência no longo prazo,
está vinculada à existência de barreiras à entrada de novos competidores, ou seja, à
vigência de mecanismos que impedem, ou ao menos dificultam, que outros parceiros
potenciais se vejam estimulados a entrar neste mercado.
1. Propriedade dos recursos sem substitutos próximos;
2. Problema do levantamento do capital adequado;
3. Licenças, franquias e certificados de conveniência;
4. Patentes;
5. Economias de escala;
6. Capacidade excessiva.

Curva de demanda do monopólio


O monopólio é a única firma na indústria; a curva de demanda do monopólio é a
curva de demanda da indústria ou do mercado. Supondo que a lei da demanda
permaneça válida, a curva de demanda da indústria terá inclinação descendente e sua
elasticidade estará entre -∞ e 0 (ver gráfico 2.1.).
Normalmente imagina-se que o monopolista enfrenta uma curva de demanda
inelástica; o que, entretanto, não é verdade. A curva de demanda mostrada no gráfico
2.1. é linear e, portanto tem uma elasticidade preço de demanda que vai de ∞ a 0,
conforme os movimentos feitos ao longo da curva de demanda. Na verdade pouco se
pode dizer sobre a elasticidade da curva de demanda do monopolista. O que se pode
afirmar é que ela será mais elástica quanto mais baratos e numerosos forem os
substitutos próximos e potenciais disponíveis no mercado.
Outras informações podem ainda ser extraídas do gráfico 2.1. acima. Pode-se
perceber que, nele, a receita total é zero quando as vendas unitárias são zero, o que faz
com que a curva de receita total comece na origem. Numa situação como a ilustrada
pelo gráfico 2.1., fica claro que o monopolista não atuaria no segmento onde a

156
elasticidade encontra-se entre zero e um, pois, aí, a receita marginal é negativa. Em
outras palavras, o monopolista nunca operaria na parte inelástica da curva de demanda

Gráfico 2.1. Elasticidade e renda total

P,RMg Ep entre ∞ e 1; Ep=1; Ep entre 1 e 0

Curva de demanda

Curva de receita marginal

Curva de receita total

Uma outra curiosidade sobre monopólios diz respeito à sua curva de oferta.
Define-se curva de oferta como sendo o lugar geométrico das diferentes combinações de
preço e quantidade ofertada, por uma determinada firma, em certo período de tempo,
mantidos constantes os demais fatores. Sendo assim, partindo dessa definição, pode-se
dizer que o monopolista não tem curva de oferta, na medida em que não existe uma
relação única entre preços e quantidades, o que seria essencial para a construção de uma
curva.

157
Lucro no monopólio
O termo ‘monopólio’ evoca a noção de uma firma que explora o público e obtém
lucros exorbitantes. Entretanto, a mera existência de um monopólio não garante lucros
monopolísticos. Um exemplo de fácil visualização é imaginarmos um inventor cujo
invento, patenteado, seja de produção econômica inviável, o que torna impossível a
existência de lucros na produção, ainda que exclusiva, daquele produto.

Discriminação de preços
Em um mercado perfeitamente competitivo, cada comprador paga o mesmo
preço pela mercadoria, uma vez que alterações no seu preço não são capazes de alterar
quaisquer elementos neste mercado. Contudo, um monopolista pode ser capaz de cobrar
preços diferenciados de acordo com os seus consumidores ou, de outra forma, cobrar
diferentes preços unitários para unidades sucessivas compradas por um mesmo
consumidor. A isso denomina-se discriminação de preço. Deve estar claro que os
diferentes preços cobrados de diferentes pessoas, que refletem diferenças no custo de
serviço para estas determinadas pessoas, não é discriminação de preço, ou seja,
diferenças no preço que refletem diferentes custos marginais não caracterizam
diferenciação.
É importante ressaltar, também, que um preço uniforme não indica
necessariamente ausência de discriminação. Se os custos marginais são diferentes e os
preços são iguais pode estar havendo discriminação de preços.

3. FORMAÇÃO DE PREÇOS E PRODUÇÃO EM OLIGOPÓLIO

Normalmente, entende-se oligopólio como sendo o tipo de mercado onde existem


um número restrito de empresas, cujas ações são interdependentes e onde, graças à
existência de barreiras à entrada de novos participantes, são garantidas algumas
condições intermediárias entre a concorrência perfeita e monopólio.
Dentre as várias terminologias presentes na literatura econômica, referentes ao
estudo do mercado, entretanto, o entendimento acerca das estruturas de mercado se
destaca como peça fundamental. Embora tendo sido tratadas por outros autores, é nas

158
considerações desenvolvidas por Possas11 que encontramos o referencial de que iremos
nos valer, dado o seu maior dinamismo em relação às demais propostas.
Baseados então no estudo supracitado, podemos classificar as estruturas de
mercado em três grupos, com enfoques distintos quanto à fundamentação e
abrangência. O primeiro deles, bastante restrito, se limita a avaliar as características
aparentes dos mercados quanto ao número de participantes - indo do Monopólio.
passando pelo Oligopólio e chegando ao modelo de plena Concorrência -, e a discernir
os produtos que se prestam à diferenciação daqueles que são homogêneos.
A segunda abordagem, conquanto não se contraponha diretamente à anterior, a
complementa, centralizando esforços no modelo estrutura - conduta - desempenho . Os
seus pontos centrais são: i ) a concentração do mercado; ii ) a existência da
substitubilidade dos produtos ; e iii ) as variáveis que limitam a entrada de novos
concorrentes - as barreiras à entrada. Este item, embora aqui ainda apresentado em
caráter estático, se constitui peça fundamental no estudo que pretendemos elaborar. Ele
incorpora o fato de que mercados distintos apresentam formas diferentes de tentar
impedir o surgimento de novos competidores e, uma vez assumindo um caráter mais
interativo, se torna peça fundamental na definição das formas de competição a serem
estabelecidas.
A última análise se encarrega de dinamizar a proposta anterior, agregando a ela a
idéia de que as estruturas de mercado se redefinem de acordo com os acontecimentos.
As barreiras à entrada passam, a partir daí, a não mais representar apenas uma
característica - evoluem conceitualmente -, se tornando fundamentais à discussão sobre
os padrões concorrenciais estabelecidos no mercado em questão. É esta a conceituação
que mais se adequa ao propósito deste trabalho devido, principalmente, à necessidade de
se compreender a evolução do processo de concentração das economias e as
consequências do mesmo.
O fenômeno da concentração dos mercados, nos mais diversos
setores e níveis, vêm se tornando, ao longo do tempo uma característica
marcante das economias, à medida que se modernizam. O modelo inicial, calcado na
concorrência plena, foi gradativamente cedendo lugar a formas diferentes de
estruturação, e o grau de concentração se tornava progressivamente maior onde o

11
Possas, 1985.

159
acúmulo de barreiras à entrada e à sobrevivência eram maiores, e onde ficava claro que
a existência de pequenos competidores era inviável.
Essa tendência à concentração já pode ser detectada desde as origens do
Capitalismo, mas foi em fins do século passado que se pode notar sua presença de
forma mais ostensiva. As origens desse movimento se encontram principalmente nas
profundas revoluções sofridas pelos mercados, em decorrência das alterações ocorridas
nos padrões tecnológicos de até então.
O progresso dos meios de transporte e comunicações, que antes se constituiam
fatores determinantes quando da definição da viabilidade - ou não - de um
empreendimento, passaram a dividir espaço com outros componentes, não apenas no
que diz respeito à evolução dos mecanismos de produção, mas também aos incentivos
oferecidos pelo governo - principalmente as políticas protecionistas -, e a componentes
tais como a proximidade do local de fornecimento de matéria prima ou de mercados
consumidores mais expressivos.
Essa tendência , porém, não se firma sob a forma monopolística; é o Oligopólio
que passa, paulatinamente, a responder pela maioria dos mercados existentes. De modo
algum se pretende com isso dizer que os modelos de Monopólio e de Concorrência
estejam abolidos. Pequenas empresas se estruturam em nichos específicos do mercado,
geralmente atuando em função de outras maiores, em regime de livre concorrência. Por
outro lado, ainda são encontrados setores onde o monopólio se sustenta - embora com
maior dificuldade - , indo os motivos disto desde à existência de barreiras à entrada
muito expressivas, até a participação em um mercado cuja demanda assim o permite.
Ocorre, no entanto, que na maioria dos mercados o Oligopólio surge como a
estrutura mais presente, entendido ele "não como sendo um pequeno número de
grandes empresas em um mercado altamente concentrado, mas a partir da existência
de uma classe produtiva portadora de um número significativo de barreiras à entrada."
12

Os mercados oligopolizados, conquanto tenham como ponto de convergência a


definição supracitada, Têm características intrínsecas referentes ao setor no qual se
inserem. A partir dessa conceituação genérica, podemos traçar uma tipologia de
mercados, qual seja:
i ) Oligopólio Concentrado

12
Possas, 1985.

160
ii ) Oligopólio Misto
iii) Oligopólio Diferenciado
iv ) Oligopólio Competitivo
v ) Mercado Competitivo
i) Oligopólio Concentrado : Como deduz-se com facilidade, se trata de um
mercado altamente concentrado, que conta com poucos participantes e com grandes
barreiras à entrada. Uma das principais características desse tipo de mercado é a
presença de produtos unidimensionais, ou seja, produtos que não se prestam à
diferenciação.
Em decorrência disto deve ser classificado segundo os padrões de concorrência
que estabelece e pelas barreiras que apresenta. Dentre elas podemos destacar a escala
mínima de capital exigida, dificuldade de acesso à tecnologia necessária, produção de
escala, e a necessidade de obter-se licença governamental para exploração de lavras. As
empresas que participam deste mercado são de porte considerável, relacionadas à
exploração de jazidas, e disputam mercados segundo formas particulares de
concorrência, tais como definição da estratégia de investimento, incremento tecnológico
- englobando aí a descoberta de novas formas de produção e melhoria na qualidade do
produto ofertado, de onde se percebe a prioridade dos investimentos em P&D .
ii ) Oligopólio Misto : Ainda que se mostre bastante concentrado, já não se
verifica nele a presença de produtos unidimensionais, incorporando o processo de
diferenciação do produto. Impondo grandes barreiras à entrada tais como magnitude
mínima de capital inicial, planta, produção de escala, acesso à tecnologia e capacitação
de pessoal, muitas dessas em consonância com o Oligopólio Concentrado, agrega a elas
a necessidade de se arcar com as despesas decorrentes de uma forma concorrencial que
englobe a diferenciação de produto.
iii ) Oligopólio Diferenciado : Caracteriza-se pela existência de produtos
eminentemente multidimencionais. Nele, a idéia de que seus produtos possuem outros
similares, substitutos próximos, e que esta existência é uma constante ameaça, que exige
um esforço de diferenciação constante, se constitui ponto de fundamental importância.
A principal barreira à entrada é a diferenciação, mas se aliam a ela os
investimentos em tecnologia e melhorias nas formas de produção, gastos em Pesquisa e
Desenvolvimento, aprimoramento da capacitação gerencial e dispêndios com
propaganda - item intrinsecamente ligado ao sucesso no campo da diferenciação.

161
iv ) Oligopólio Competitivo : Já bastante desconcentrado , conta com grande
número de pequenas e médias empresas, que disputam mercado utilizando-se, inclusive
da competição via preços. Como barreiras, encontramos, além do desenvolvimento de
meios produtivos e de distribuição mais baratos, gastos com diferenciação, pesquisa de
novos produtos e propaganda - sendo que este último vem gradativamente tomando
vulto e se expressando de forma cada vez mais definitiva.
Considera-se esta estrutura um Oligopólio dada a existência de empresas -
líderes que direcionam o setor, determinando os níveis de competitividade.
v) Mercado Competitivo : Vem progressivamente se tornando uma exceção .
Tendo barreiras à entrada praticamente inexistentes, se constitui principalmente de
pequenas empresas que disputam mercado usualmente via preços, e pela qualidade do
produto oferecido. Ainda pode ser observada a sua existência em alguns setores da
economia, e de forma mais marcante nos segmentos de prestação de serviços.

Dentro do estudo acerca dos oligopólios, um tema sempre polêmico é o que diz
respeito à formação de cartéis e/ou à existência de acordos, explícitos ou implícitos,
entre as firmas oligopolistas. É certo que tais mecanismos existem e, da mesma forma, é
sabida a existência de mecanismos legais de controle e tentativa de regulamentação de
tais procedimentos. Não raras vezes sabe-se, através da imprensa, de denúncias sobre a
formação de cartéis em prejuízo do consumidor. Entretanto, tais situações são de difícil
controle e de comprovação nem sempre simples.

4. FORMAÇÃO DE PREÇOS E PRODUÇÃO EM CONCORÊNCIA


MONOPOLÍSTICA

A teoria sobre a concorrência monopolística data da década de trinta, período no


qual os estudiosos estavam buscando uma alternativa que não fossem as considerações
extremistas do monopólio e concorrência perfeita e que, ao mesmo tempo, não tivesse a
suposição das barreiras à entrada de forma tão explícita, como acontecia na teoria
oligopolista.

162
Características fundamentais
1. Diferenciação de produtos;
2. Promoção de vendas – propaganda;
3. Grupos de produtos

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PARTE VII – O COMPLEXO AGROINDUSTRIAL
(BIBLIOGRAFIA 14, TEXTOS AVULSOS)

1. SISTEMAS AGROINDUSTRIAIS: DEFINIÇÕES E CORRENTES


METODOLÓGICAS

1.1. A noção de “Commodity Sistem Aproach” , Filières e o conceito de agribusiness

Nos anos 50, mais especificamente no ano de 1957,os professores Ray Goldberg
e John Davis, da Universidade de Harvard - EUA, perceberam que as atividades rurais e
as que a ela achavam-se relacionadas não deveriam ser analisadas de forma isolada. A
partir desta constatação, explicitaram o conceito de agribusiness como sendo “a soma
de operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de
produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, processamento e distribuição dos
produtos agrícolas e ítens produzidos a partir deles.”
Segundo os autores, a agricultura não poderia ser entendida convenientemente
sem que fossem consideradas as interrelações com os outros agentes, responsáveis por
atividades que garantem a produção, transformação, distribuição e consumo dos
alimentos (BATALHA et al., 1997). Nesse contexto, começou a ganhar relevância uma
visão mais ampla e sistêmica, que percebia e avaliava todos os elementos partícipes do
processo, ou seja, desde o “antes da porteira” até o “após a porteira” - tal evolução de
análise permitiu a obtenção de informações preciosas para os tomadores de decisão,
responsáveis pela conduta da economia, facilitando as ações e favorecendo acertos.
Em 1968, Godberg fez uso da idéia de Commodity System Approach (CSA) em
um estudo sobre o comportamento dos sistemas de produção de trigo, laranja e soja nos
Estados Unidos, que tinha como referência um corte vertical na economia, e buscava
perceber as alterações ocorridas ao longo do tempo. Como resultado ele obteve, além de
grande adequação do aparato teórico às necessidades da pesquisa, um elevado grau de
acerto nas previsões.
Existe ainda uma metodologia, dentre as várias existentes sobre os negócios
agroindustriais, que merece destaque: a das filières. A idéia das filières teve origem na
Escola Francesa de Organização Industrial, que as definiu como sendo “uma sequência

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de operações que conduzem à produção de bens, cuja articulação é amplamente
influenciada pelas possibilidades tecnológicas e definidas pelas estratégias dos
agentes”.
Embora surgidos em épocas e locais distintos, faz-se importante compreender
os principais pontos de contato e distinções presentes entre os dois posicionamentos. As
principais convergências percebidas entre ambos são:

1. Nas duas abordagens, observa-se toda a sequência de transformações pelas quais


passa o produto, realçando a visão sitêmica;
2. Utiliza-se, em maior ou menor grau, da matriz insumo-produto;
3. O conceito de estratégia é abordado, embora distintamente, nas duas visões, sendo
mais próximo à firma no caso da CSA e mais ligado ao escopo governamental no
prisma das filières;
4. Consideram importante o conceito de tecnologia (sem contudo entendê-la sob o
mesmo significado);
5. Têm como objeto principal de estudo o sistema de produção, com a análise
orientada para o sistema produtivo de um determinado produto;
6. Evoluem, ambas, para uma análise dinâmica, na medida em que entendem que as
instituições não são neutras.

Dentre as distinções que podem ser observadas, as mais relevantes são o fato de
que a abordagem das cadeias de produção não é muito centrada na matriz insumo-
produto, considerando, simultaneamente, conceitos como barreiras à entrada e
dominância induzida pelo domínio de nós estratégicos do sistema. Além disso, a
abordagem das filières considera três subsistemas: produção (indústria de insumos,
produção agrícola e processamento de alimentos), transferência (sistema de transportes
e de armazenagem) e consumo (análise da demanda, preferência dos consumidores
etc.); enquanto a ótica do CSA é mais ligada ao consumo final realçando o papel cada
vez mais determinante do comportamento do consumidor.
Independente do enfoque, contudo, o que se destaca é o fato de que a cadeia do
“agribusiness” é atualmente responsável por cerca de metade dos empregos e envolve
aproximadamente 50% dos ativos empregados na atividade econômica internacional.

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No Brasil, o “agribusiness” representa 35% do PIB, 40% das exportações e 65% do
saldo da balança comercial, além de empregar considerável parcela da população.

1.2. Níveis de análise de Sistema Agroindustrial

A literatura que trata da problemática agroindustrial no Brasil tem feito muita


confusão entre as expressões ‘Sistema Agroindustrial’, ‘Complexo Agroindustrial’,
‘Cadeia de Produção’ e ‘Agribusiness’. Essas expressões, embora circunscrita a um
mesmo espaço de análise, apresentam diferenças. Na verdade, cada uma delas reflete
um nível de análise do Sistema Agroindustrial (SAI).

SISTEMA AGROINDUSTRIAL(SAI)
O SAI pode ser considerado o conjunto de atividades que concorrem para a
produção de produtos agroindustriais, desde a produção de insumos até o produto final,
dedicado ao consumidor. Ele não está associado a nenhuma matéria-prima ou produto
específico e pode ser visto como composto de seis conjuntos de atores:
1. agricultura, pecuária e pesca;
2. indústrias agroalimentares (IAA);
3. distribuição agrícola e alimentar;
4. comércio internacional;
5. consumidor;
6. indústria e serviços de apoio.

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A figura 1.1 ilustra o citado acima, ou seja, o SAI e suas divisões.
Figura 1.1. Sistema Agroindustrial

INDÚSTRIAS S.A I.
DE APOIO

ALIMENTAR NÃO ALIMENTAR

TRANSPORTES
COMBUSTÍVEIS
INDÚSTRIA QUÍMICA PRODUÇÃO TRANSFORMAÇÃO DISTRIBUIÇÃO EXPLORAÇÃO
INDÚSTRIA MECÂNICA AGRICULTURA FLORESTAL
INDÚSTRIA ELETROD. PECUÁRIA VAREJO IND. FUMO
EMBALAGENS PESCA ATACADO COUROS
OUTROS SERVIÇOS RESTAURANTES MÓVEIS
HOTÉIS PAPEL

COMPLEXO AGROINDUSTRIAL
Um Complexo agroindustrial, tal como é entendido nesse trabalho, tem como
ponto de partida uma determinada matéria-prima de base. Desta forma poder-se-ia, por
exemplo, fazer alusão ao complexo leite, ao complexo soja, ao complexo café etc. A
arquitetura deste complexo agroindustrial seria ditada pela ‘explosão’ da matéria prima
principal que o originou, segundo os diferentes processo industriais e comerciais que ela
pode sofrer até se transformar em diferentes produtos agroindustriais e comerciais que
ela pode sofrer até se transformar em diferentes produtos finais. Assim, a formação de
um complexo agroindustrial exige a participação de um conjunto de cadeias de
produção, cada uma delas associada a um produto ou família de produtos.

CADEIA DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL


O conceito de cadeia de produção agroindustrial já foi apresentado
anteriormente. Cabe somente destacar que, ao contrário do complexo agroindustrial,
uma cadeia é definida a partir de um determinado produto final. Após essa
identificação, cabe ir encadeando de jusante a montante, as várias operações técnicas,
comerciais e logísticas necessárias à sua produção.

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AGRIBUSINESS
O termo ‘agribusiness’, quando transcrito para o português, deve vir
necessariamente acompanhado de um complemento delimitador. Assim, o termo
‘agribusiness’ não está particularmente associada a nenhum dos níveis de análise
apresentados anteriormente. O enfoque pode ser mais global – o ‘agribusiness’
brasileiro – ou mais específico – o ‘agribusiness’ do suco de laranja.
Existe ainda um nível de análise representado pelas Unidades Socioeconômicas
de Produção (USEP) que participam em cada cadeia. São as unidades que asseguram o
funcionamento do sistema; elas têm capacidade de influenciar e serem influenciadas
pelo meio no qual estão inseridas.

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