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Direito da Família - Resumos

Direito da Família (Universidade Catolica Portuguesa)

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Direito da Família
I. Introdu•‹o ao direito da fam’lia Ð Fam’lia, Direito e lei
1. Caracter’sticas da fam’lia
à Fen—meno natural: anterior ao pr—prio Estado e ˆ interven•‹o legislativa;
à Car‡ter universal: desde a mais rudimentar sociedade atŽ ˆ mais desenvolvida, a fam’lia sempre existiu. Apesar
disto, as caracter’sticas da fam’lia n‹o s‹o iguais em todas as sociedades;
à Juridicidade intr’nseca: s‹o os pr—prios membros do grupo familiar que criaram as regras para regular as suas
rela•›es Ð capacidade de autorregula•‹o (ex: o art. 1877¼ CC regula o conteœdo das responsabilidades parentais, mas os
pais, mesmo sem regras, j‡ atuam tendencialmente assim);
à Fen—meno social: a fam’lia serve como ponte entre a crian•a e a sociedade: tem um papel importante na
socializa•‹o dos seus membros, estando estes vinculados a uma solidariedade rec’proca (ex: art. 2009¼ CC: obriga•‹o de
pagar alimentos);
à Conjunto de princ’pios comuns aos pa’ses do mesmo quadrante jur’dico, apesar das caracter’sticas da fam’lia
variarem de acordo com o contexto hist—rico e os pa’ses (ex: proibi•‹o da bigamia, do incesto, etc.);

2. Abordagem jur’dica da fam’lia e sua especificidade Ð O problema da ordena•‹o legal da Fam’lia. A fam’lia e as leis sobre
a fam’lia. Tend•ncias do Direito da Fam’lia na atualidade.
A fam’lia tradicional (casamento perpŽtua entre pessoas de sexo diferente) tem vindo a ser substitu’da pela fam’lia
moderna à O legislador coloca-se, ent‹o, perante a seguinte quest‹o: como atuar perante novas realidades?
à Os dados estat’sticos d‹o-nos a prova destas: os casamentos diminuem; div—rcios aumentam;
casamentos mais tardios; nœmero de filhos diminui; aumenta a idade com que a mulher tem o primeiro filho; filhos saem
mais tarde de casa dos pais; aumento das uni›es de facto.
à Surgem, ent‹o, diferentes quest›es, sendo o legislador cada vez mais chamado a intervir nas rela•›es
jur’dicas familiares:
- Respeitar a privacidade das pessoas e interferir pouco OU impor condutas inspiradas em
valores?
- Privilegiar o individualismo das pessoas OU a comunh‹o?
- A œnica fonte das rela•›es jur’dicas familiares Ž o casamento OU pode existir fam’lia sem
casamento?
- Quem Ž respons‡vel pelo sucesso da vida familiar? S— os pr—prios membros OU tambŽm a
sociedade?

3. A fam’lia na lei portuguesa


Conceito constitucional de Fam’lia. Princ’pios constitucionais do Direito da Fam’lia. Os direitos da Fam’lia
1¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/1, 2» parte CRP Ð direito ˆ celebra•‹o do casamento
à Òtodos t•m o direito a casarÓ Ð n‹o Ž bem assim, uma vez que o CC estabelece, nos seus arts. 1601¼, 1602¼ e
1604¼, os impedimentos matrimoniais (ser‹o estas normas inconstitucionais?)
à este princ’pio constitucional significa apenas que o legislador ordin‡rio n‹o pode criar impedimentos que n‹o
visem acautelar interesses pœblicos fundamentais (ex: interesses baseados na nacionalidade, etnia, etc.)

2¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/1, 1» parte CRP Ð direito a constituir fam’lia


à para o prof. Castro Mendes, estes dois œltimos direitos s‹o o mesmo, no entanto, este argumento NÌO Ž
v‡lido pois para constituir fam’lia n‹o Ž preciso casar (ex: m‹e solteira, ado•‹o singular)
à o prof. Gomes Canotilho e o prof. Vital Moreira acham que este direito a constituir fam’lia se refere ˆ uni‹o de
facto, considerando-a uma rela•‹o familiar Ð este entendimento tambŽm NÌO Ž seguido pelo nosso curso, j‡ que n‹o se
entende a uni‹o de facto como uma rela•‹o familiar, mas sim parafamiliar (prof. Pereira Coelho e Rita Lobo Xavier)
à o prof. Pereira Coelho considera que Ž poss’vel constituir fam’lia sem ser atravŽs do casamento nem da uni‹o
de facto Ð direito de procriar e de estabelecer as correspondes rela•›es de filia•‹o Ð com os seguintes argumentos:
- Nos trabalhos preparat—rios da CRP n‹o h‡ nada que indique que se est‹o a referir ˆ uni‹o
de facto;
- Art. 16¼ da DUDH e 12¼ da CEDH tambŽm consagra este direito e n‹o se refere ˆ uni‹o
de facto.

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à Assim, seria inconstitucional uma norma que estabelecesse um nœmero m‡ximo de filhos ou que impedisse
procriar sem casamento.

3¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/2 CRP Ð reserva para a lei civil a compet•ncia para regular os requisitos e os efeitos
do casamento, qualquer que seja a forma de celebra•‹o
à em rela•‹o aos efeitos n‹o h‡ problema nenhum porque o art. 1588¼ CC diz-nos que o casamento cat—lico
produz efeitos civis, para evitar que os cat—licos tenham de se casar duas vezes);
à o problema coloca-se em rela•‹o aos requisitos: art. 1625¼ CC Ð qualquer quest‹o relacionada com a validade
do casamento cat—lico tem de ser colocada aos tribunais eclesi‡sticos Ð ora, estes v‹o aplicar o direito can—nico à h‡,
aparentemente, uma contradi•‹o entre estes dois artigos MAS, com base num argumento hist—rico, chegou-se ˆ conclus‹o
que n‹o haveria aqui esta colis‹o:
1. Concordata entre Portugal e a Santa SŽ de 1940: ambas as partes fizeram ced•ncias. Constava o art. 25¼
que dizia o mesmo que o atual art. 1625¼ CC;
2. 1966: Surge o nosso atual C—digo Civil, onde se introduziu o art. 1625¼;
3. 1975: a Concordata foi revista, alguns artigos foram alterados MAS o art. 25¼ manteve-se inalterado e
podia ter sido alterado;
4. 1976: entrou em vigor a nossa atual Constitui•‹o e surge o art. 36¼/2 Ð n‹o ser‡ muito prov‡vel que,
t‹o pouco tempo depois, o legislador queira alterar, unilateralmente, aquilo que no ano anterior tinha
confirmado Ð come•a, ent‹o, a pensar-se que talvez n‹o fosse essa a vontade do legislador;
5. 1977: Reforma constitucional, com o objetivo de adequar o C—digo Civil ˆ nova ordem constitucional
MAS n‹o se mexeu no art. 1625¼ CC
à com base nestes argumentos, chegamos ˆ conclus‹o que n‹o h‡ aqui uma contradi•‹o entre estes dois artigos.
ƒ necess‡rio, sim, fazer uma interpreta•‹o restritiva da palavra ÒrequisitosÓ do art. 36¼/2 CRP, referindo-se apenas a
requisitos de capacidade e n‹o do consentimento.
à Assim, a lei civil regula a capacidade, qualquer que seja o tipo de casamento. Quanto ao consentimento, Ž o
direito can—nico que regula, se estivermos perante um casamento cat—lico à ter‹o
de ser aplicados os dois ordenamentos jur’dicos: art. 1596¼ CC (quem casar catolicamente, tambŽm ter‡ de o fazer
civilmente);
à MAS toda esta quest‹o tem de ser analisada, atualmente, ˆ luz da nova Concordata de 2004, que j‡ n‹o tem o
art. 25¼ - ou seja, Portugal j‡ n‹o est‡ obrigado a manter o seu art. 1625¼ CC, podendo alter‡-lo livremente. Apesar disso,
este permanece em vigor atŽ ˆ data.

4¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/2 CRP - admissibilidade do div—rcio para qualquer casamento, qualquer que seja a
forma de celebra•‹o.

5¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/3 CRP Ð igualdade dos c™njuges


à Ž uma deriva•‹o do art. 13¼ CRP (princ’pio da igualdade) Ð apenas vem refor•ar;
à quando entrou em vigor, em 1976, houve necessidade de alterar algumas normas que constavam do C—digo
Civil, porque eram inconstitucionais (ex: a mulher, para exercer certas profiss›es, tinha de ter autoriza•‹o do marido).

6¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/5 CRP Ð os pais t•m o direito e o dever da educa•‹o e manuten•‹o dos filhos
à 1¼: poder em rela•‹o aos filhos Ð responsabilidades parentais (conteœdo no art. 1878¼ CC) Ð vertente em
rela•‹o aos filhos;
à 2¼: o Estado deve colaborar com os pais em rela•‹o ˆ educa•‹o dos filhos (art. 67¼/2, al. c) CRP) Ð vertente
em rela•‹o ao Estado.

7¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/6 CRP Ð inseparabilidade dos filhos em rela•‹o aos seus progenitores
à princ’pio regra;
à exce•‹o: quando os pais n‹o est‹o a cumprir com as suas responsabilidades parentais, sempre por decis‹o
judicial.

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Direito da Família
8¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/4 CRP Ð proibi•‹o da discrimina•‹o entre filhos nascidos dentro do casamento e fora
do casamento
à do ponto de vista formal: entidades pœblicas e privadas n‹o podem usar express›es discriminat—rias para se
referirem ao filho fora do casamento (ex: Òfilho ileg’timoÓ, Òfilho bastardoÓ, Òfilho adulterinoÓ);
à do ponto de vista material: n‹o podem ser objeto de discrimina•‹o do legislador ordin‡rio MAS n‹o t•m de ter
exatamente o mesmo tratamento (igualdade material) Ð as diferen•as de tratamento podem ser justificadas pela diferente
condi•‹o de nascimento (ex: presun•‹o de que o filho de uma mulher casada Ž do marido Ð o mesmo n‹o se pode aplicar a
filhos nascidos fora do casamento Ð n‹o Ž inconstitucional a presun•‹o por n‹o se referir a estes œltimos Ð n‹o Ž poss’vel
fazer ju’zo de probabilidade qualificada).

9¼ princ’pio constitucional: art. 36¼/7 CRP Ð prote•‹o da ado•‹o


à impede o legislador ordin‡rio de suprimir a figura/ institui•‹o da ado•‹o

(Todos estes princ’pios do art. 36¼ s‹o direitos, liberdades e garantias, pelo que t•m uma grande prote•‹o constitucional,
mas h‡ mais)

10¼ princ’pio constitucional: art. 67¼ CRP Ð prote•‹o da fam’lia (conjugal, natural e adotiva)
à no n¼2 d‡-se exemplos de a•›es que o Estado pode tomar no sentido de proteger a fam’lia (meramente
exemplificativo);

11¼ princ’pio constitucional: art. 68¼ CRP Ð prote•‹o da maternidade e paternidade


à valores sociais eminentes

12¼ princ’pio constitucional: art. 69¼ CRP Ð prote•‹o da inf‰ncia

13¼ princ’pio constitucional: art. 70¼ CRP Ð prote•‹o da juventude

14¼ princ’pio constitucional: art. 71¼ CRP Ð prote•‹o dos cidad‹os portadores de defici•ncia

15¼ princ’pio constitucional: art. 72¼ CRP Ð prote•‹o dos idosos

O Direito Civil da fam’lia


A fam’lia Ž um ramo de Direito Civil (Livro IV do C—digo Civil), embora tambŽm assuma import‰ncia noutros
ramos de Direito Civil, como por exemplo o Direito das Sucess›es:
à herdeiros leg’timos (relacionados com a fam’lia): art. 2133¼ CC;
à herdeiros legitim‡rios: art. 2157¼ CC (rela•‹o matrimonial ou rela•›es de parentesco).

Breve refer•ncia ao Direito n‹o civil da fam’lia


H‡ outros ramos de Direito, que n‹o o Direito Civil, que tambŽm atribuem relev‰ncia ˆs rela•›es familiares:
à Direito Penal (por exemplo, o C—digo Penal tem um cap’tulo relativo aos crimes contra a fam’lia - ex:
bigamia, falsifica•‹o do estado civil, subtra•‹o de menor, etc. Ð e de crimes agravados ou atenuados se forem praticados
contra a fam’lia Ð ex: homic’dio qualificado (agrava) ou infantic’dio (atenua)
à Direito Fiscal (ex: as pessoas casadas podem apresentar declara•‹o de IRS conjuntamente);
à Direito do Trabalho (art. 23¼: a maternidade e a paternidade constituem valores sociais eminentes; ex:
art. 35¼ - licen•a de maternidade).
à Direito da Seguran•a Social (ex: subs’dio de paternidade, abono de fam’lia, pens‹o de sobreviv•ncia,
subs’dio por morte, etc.)

4. Caracter’sticas das rela•›es jur’dicas familiares e especificidades do Direito da Fam’lia na lei portuguesa

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Direito da Família
à Predom’nio de normas imperativas (n‹o podem ser afastadas pela vontade das partes) Ð ex: arts. 1601¼ e ss.
CC: impedimentos matrimoniais; deveres conjugais; regras de estabelecimento da filia•‹o; requisitos e efeitos da ado•‹o;
modalidades de div—rcio; fundamentos para o div—rcio; responsabilidades parentais, etc.
- demonstra que existem interesses pœblicos fundamentais que o legislador visa acautelar no
‰mbito do direito da fam’lia;
- MAS esta caracter’stica n‹o se nota em todas as ‡reas Ð h‡ tambŽm espa•o para a autonomia
privada (ex: quest›es de car‡ter patrimonial; conven•›es antinupciais no art. 1698¼ CC, com
os limites do art. 1699¼ CC; art. 1714¼ CC) Ð normas dispositivas;
- Apesar disto, continua a ser um ramo de direito privado.

à Institucionalismo Ð Ž uma institui•‹o muito antiga, anterior ao pr—prio Estado; tem poder de autorregula•‹o.
- o legislador vem reproduzir as pr—prias solu•›es encontradas pelo grupo familiar no
exerc’cio da sua juridicidade intr’nseca, embora o legislador, por vezes, venha contrariar essas
solu•›es, por exemplo, para proteger a parte mais fraca, impondo comportamentos
diferentes.

à Coexist•ncia de duas ordens jur’dicas que regulam a rela•‹o matrimonial: o direito civil e o direito can—nico Ð
art. 1625¼ CC

à Permeabilidade ˆs transforma•›es sociais, culturais, pol’ticas, etc.


- esta caracter’stica n‹o Ž comum a todos os ramos de direito, nomeadamente matŽrias mais
tŽcnicas, como o Direito das Obriga•›es;
- Ligado a esta caracter’stica, tambŽm podemos dizer que Ž um direito nacional Ð as
caracter’sticas do direito da fam’lia s‹o adequadas a cada pa’s, acompanhando a sua evolu•‹o
hist—rica à apesar disto, conseguimos encontrar um conjunto de princ’pios comuns a pa’ses
culturalmente pr—ximos uns dos outros Ð direito natural da fam’lia (ex: proibi•‹o da bigamia,
igualdade dos c™njuges, etc.) à passo no sentido da unifica•‹o

à Liga•‹o forte a outras ci•ncias sociais (ex: psicologia, pedagogia, etc.) Ð necessidade de interdisciplinaridade;

à Algumas quest›es s‹o decididas em sec•›es especializadas junto dos Tribunais de comarca: Tribunais de
Fam’lia e menores (ex: ado•‹o, div—rcio, alimentos, responsabilidades parentais, etc.) Ð Lei 62/2013 de 26 de agosto:
sec•›es de compet•ncia especializada

Caracter’sticas dos direitos familiares pessoais


à Poderes-deveres/ Poderes funcionais - N‹o s‹o direitos subjetivos (que conferem ao seu titular ampla
liberdade) à aqui, o interesse que se visa proteger j‡ n‹o Ž do pr—prio titular, mas de terceiros (ex: na responsabilidade
parental, atribui-se poderes aos pais, para que sejam exercidos no interesse dos filhos);

à Fragilidade da sua garantia (era definida tradicionalmente, mas hoje em dia j‡ n‹o existe)
- tinham uma garantia mais fr‡gil: n‹o era poss’vel pedir uma indemniza•‹o com fundamento
na viola•‹o destes direitos, tirando os casos mais graves, em que existia responsabilidade
penal. Havia sempre a possibilidade de div—rcio, mas este n‹o Ž visto como uma san•‹o Ð
estas quest›es est‹o relacionadas com a esfera privada dos c™njuges, pelo que n‹o se pode
levar a tribunal;
- Esta fragilidade s— existe enquanto se mantiver o casamento. Se entretanto houver um
pedido de div—rcio, j‡ n‹o h‡ necessidade de acautelar a intimidade privada;
- Atualmente, a doutrina entende que, mesmo estando os c™njuges casados, pode um deles
pedir uma indemniza•‹o com fundamento na viola•‹o dos deveres conjugais, ainda que esta
quest‹o, na pr‡tica, tenha pouca aplica•‹o Ð ex: art. 1792¼/1 CC

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à Car‡ter duradouro: relacionados com o estatuto da pessoa
- ao contr‡rio dos direitos de crŽdito que, geralmente, nascem com o objetivo de se
extinguirem, o objetivo destes direitos Ž a seguran•a, a certeza, a estabilidade à Registo civil,
para dar publicidade ao estado civil das pessoas.

à Car‡ter relativo: s— se op›em a certas e determinadas pessoas, com as devidas exce•›es (ex: A Ž casado com B
Ð s— pode exigir o cumprimento a B)

à Tipicidade: s— existem os direitos familiares pessoais e os neg—cios jur’dicos familiares pessoais que est‹o
previstos na lei Ð numeros clausus Ð com fundamento na seguran•a jur’dica.

5. Rela•›es jur’dicas familiares na lei portuguesa: casamento, parentesco, afinidade e ado•‹o


Art. 1576¼ CC: fontes das rela•›es jur’dicas familiares: casamento, parentesco, afinidade e ado•‹o
à Este artigo, na verdade, n‹o foi muito feliz, uma vez que s— o casamento e a ado•‹o podem ser consideradas
verdadeiras fontes:
- rela•‹o matrimonial: casamento;
- rela•‹o de parentesco: gera•‹o;
- rela•‹o de afinidade: casamento e gera•‹o;
- rela•‹o adotiva: ado•‹o (decretada por senten•a judicial).

Rela•‹o matrimonial
Resulta da celebra•‹o do casamento (art. 1577¼ CC);
O regime jur’dico que se vai aplicar ˆs quest›es de car‡ter patrimonial passa a ser diferente consoante se Ž casado
ou solteiro (ex: d’vidas contra’das por um dos c™njuges v‹o responsabilizar tambŽm o outro; administra•‹o dos bens de
um c™njuge por outro Ð art. 1678¼/2, al. e) CC).

Rela•‹o de parentesco Ð art. 1578¼ CC


Rela•‹o que une as pessoas com o mesmo sangue: ou porque descendem umas das outras ou porque t•m um
progenitor comum.
à Princ’pio da verdade biol—gica
Linhas de parentesco: reta e colateral: art. 1580¼/1 CC
- linha reta: descendem umas das outras (filhos, netos, ...)
o ascendente: parte-se do ascendente para o que dele procede;
o descendente: parte-se do descendente para o progenitor;
- linha colateral: t•m um progenitor comum (tios, primos, irm‹os, ...)
O art. 1581¼ CC ensina-nos como se contam os graus de parentesco:
- n¼1: linha reta: h‡ tantos graus quantas as pessoas que formam a linha de parentesco,
excluindo o progenitor;
- n¼2: linha colateral: os graus contam-se pela mesma forma, subindo por um dos ramos e
descendo pelo outro, sem contar o progenitor comum
Os limites do parentesco est‹o consagrados no art. 1582¼ CC: salvo disposi•‹o da lei em contr‡rio, os efeitos do
parentesco produzem-se em qualquer grau da linha reta e atŽ ao sexto grau da linha colateral:
à Exce•›es: art. 2042¼ CC: sucess‹o legal Ð direito de representa•‹o a favor dos descendentes do irm‹o
que j‡ faleceu, independentemente do grau de parentesco + art. 2133¼, d) CC e art. 2009¼ CC

Efeitos que decorrem da rela•‹o de parentesco


à Efeito sucess—rio: art. 2133¼ + 2157¼ CC Ð heran•a;
à Obriga•‹o de pagar alimentos: art. 2009¼ CC, dependente dos pressupostos gerais do art. 2004¼ CC
(possibilidades de quem pede e de quem vai ser chamado a pagar);
à Transmiss‹o do direito de arrendamento: art. 1106¼ CC Ð ex: A Ž arrendat‡rio de uma casa e morre Ð os seus
parentes sucedem nessa posi•‹o;
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à Exerc’cio de tutela; parte do conselho de fam’lia: art. 1931¼/1 e 1952¼/1 CC;
à Legitimidade para propor a•‹o de anula•‹o do casamento: art. 1939¼ CC (parentes atŽ ao 4¼ grau);
à Impedimentos matrimoniais: art. 1602¼ e 1604¼ (impedimento impediente: se o casamento for celebrado, Ž
v‡lido, mas com certas particularidades Ð pode ser dispensado) Ð parentes em linha reta, irm‹os e tio com a sobrinha;
à Averigua•‹o oficiosa da paternidade e maternidade: art. 1809¼, al. a) e 1866¼, al. a) CC Ð cessa a averigua•‹o
oficiosa quando se descobre que h‡ ali uma rela•‹o incestuosa Ð o Estado n‹o quer for•ar esta revela•‹o de uma situa•‹o
t‹o complicada MAS a lei n‹o impede que haja perfilha•‹o, simplesmente n‹o h‡ obriga•‹o.

Rela•‹o de afinidade Ð art. 1584¼ CC


Rela•‹o que se estabelece entre um dos c™njuges e os parentes do outro: madrasta, padrasto, enteado, sogros,
cunhados;
Fonte: casamento e gera•‹o.
E quando o casamento cessa? A lei distingue consoante a causa de cessa•‹o: art. 1585¼ parte final CC:
- morte: mantŽm-se a rela•‹o de afinidade;
- div—rcio: termina a rela•‹o de afinidade.
As linhas e os graus contam-se da mesma forma que os de parentesco: art. 1585¼ CC remete para os arts. 1580¼ e
1581¼ CC Ð v•-se qual Ž a rela•‹o que o c™njuge tem com o seu parente e transporta-se para a rela•‹o de afinidade (ex: A
vai ser afim em linha reta no mesmo grau que B, seu c™njuge, Ž parente em linha reta)

Efeitos que decorrem da afinidade


à Obriga•‹o de pagar alimentos: madrasta e padrasto relativamente a enteados menores: art. 2009¼, al. f) CC;
à Transmiss‹o do direito de arrendamento;
à Exerc’cio da tutela; fazer parte do Conselho de fam’lia;
à Impedimento matrimonial (afim na linha reta);
à Averigua•‹o oficiosa da maternidade e paternidade: cessa se descobrir que s‹o afins na linha reta.

Rela•‹o de ado•‹o Ð art. 1586¼ e 1973¼ e ss. CC


à Princ’pio da verdade afetiva ou sociol—gica;
Instituto centrado no interesse da crian•a desprovido de um meio familiar normal.
Este v’nculo s— se constitui atravŽs de senten•a judicial e o processo Ž regulado por diploma pr—prio (Lei
143/2015 de 8 de setembro);
Art. 1974¼ CC: requisitos da ado•‹o (hoje em dia s— existe ado•‹o plena);
O tribunal tem compet•ncia para aplicar uma medida de promo•‹o e prote•‹o com vista ˆ futura ado•‹o Ð art.
1978¼ CC à os pais ficam inibidos das responsabilidades parentais e j‡ n‹o se exige o consentimento dos pais biol—gicos
para a ado•‹o da crian•a;
Arts. 1979¼ e ss. CC: ado•‹o plena:
- ado•‹o singular: feita s— por uma pessoa;
- ado•‹o conjunta: feita por um casal (de qualquer sexo);
- requisitos: idade do adotante e dura•‹o do casamento;
Art. 1981¼ CC: necessidade de consentimento de certas pessoas (da pr—pria crian•a a partir dos 12 anos e dos pais
biol—gicos) Ð podem ser dispensados.

Efeitos da ado•‹o Ð art. 1986¼ CC


à Extin•‹o das rela•›es com a fam’lia biol—gica, sendo a crian•a integrada na nova fam’lia como filha MAS
continuam a aplicar-se os impedimentos matrimoniais;
à n¼3: pode ser permitida, excecionalmente, a conviv•ncia entre a crian•a adotada e a fam’lia biol—gica, mediante
consentimento dos pais adotivos;
à Art. 1988¼ CC: a crian•a perde os apelidos da fam’lia biol—gica e ganha os apelidos da nova fam’lia à tambŽm
se pode alterar o nome pr—prio, em especiais circunst‰ncias;
à ƒ irrevog‡vel, embora a senten•a possa ser revista nos termos do art. 1990¼ CC

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Direito da Família
- art. 1990¼, al. a) CC: a crian•a tem o direito ao conhecimento das suas origens (a conhecer a
identidade dos pais biol—gicos).

Ë fam’lia de uma pessoa, fazem parte as pessoas com quem se mantŽm todas estas rela•›es mas, em termos
sociais, s— tem express‹o a Òpequena fam’liaÓ, com quem se convive no dia-a-dia.
A fam’lia Ž composta por um conjunto de pessoas, mas n‹o tem personalidade jur’dica, embora a lei proteja os
interesses da fam’lia que, por vezes, divergem dos interesses das pessoas que dela fazem parte à S‹o as pessoas que fazem
parte do grupo familiar que v‹o defender os interesses da fam’lia.

6. Rela•›es parafamiliares
6.1. Uni‹o de facto Ð lei 7/2001 e lei 2/2016
Situa•‹o jur’dica de duas pessoas, independentemente do sexo, que vivam em condi•›es an‡logas ˆs dos c™njuges
h‡ mais de 2 anos
- viver em comunh‹o de mesa, leito e habita•‹o;
- ˆs vezes Ž uma situa•‹o transit—ria (antes de casar), outras Ž definitiva.
A Constitui•‹o refere-se ˆ uni‹o de facto:
à alguns autores: rela•‹o familiar (direito a constituir fam’lia);
à nossa Escola: art. 26¼ CRP Ð princ’pio do livre desenvolvimento da personalidade
Haver‡ aqui uma viola•‹o do princ’pio da igualdade pela diferen•a de tratamento dada ao casamento e ˆ uni‹o de
facto?
à NÌO! Igualdade material Ð tratar igual o que Ž igual e diferente o que Ž diferente à os que vivem em
uni‹o de facto n‹o assumiram o compromisso matrimonial, pelo que n‹o podem ter os mesmos direitos e deveres. Se
confer’ssemos exatamente o mesmo regime, isso sim seria inconstitucional por viola•‹o do princ’pio constante no art.
36¼/1 CRP (direito a contrair casamento, com a sua vertente negativa Ð direito a n‹o contrair casamento) Ð ex: A n‹o quer
casar com B, mas estaria sujeito ao mesmo regime que o casamento.
A uni‹o de facto inicia-se quando as pessoas se juntam e passam a viver em comunh‹o de mesa, leito e habita•‹o
à n‹o h‡ nenhum ato formal e, ao contr‡rio do casamento, n‹o tem de ser registada, o que levanta problemas ao n’vel da
prova:
- art. 2¼ A da lei 7/2001: princ’pio da liberdade de prova Ð as partes podem socorrer-se de
qualquer tipo de prova, a n‹o ser que para aquele efeito se exija prova espec’fica (agora pode
atŽ recorrer-se ˆ junta de freguesia).

Condi•›es/ requisitos de efic‡cia:


à dura•‹o superior a 2 anos;
à necess‡rio que n‹o se preencha nenhuma das exce•›es do art. 2¼ da lei 7/2001 (as circunst‰ncias aqui
previstas correspondem aos impedimentos dirimentes matrimoniais, com algumas diferen•as:
- al. a) Ð idade inferior a 18 anos;
- al. c) Ð casamento n‹o dissolvido, salvo se tiver sido decretada a separa•‹o de pessoas e bens
(art. 1795¼ A).

Efeitos decorrentes da uni‹o de facto


Efeitos pessoais:
à As pessoas que vivem em uni‹o de facto n‹o assumem o compromisso de vida em comum que o casamento
assume: n‹o est‹o vinculadas aos deveres conjugais (a existir, seriam deveres morais);
à N‹o podem acrescentar apelidos do c™njuge (art. 1677¼ CC n‹o se aplica)
à N‹o gera efeito sucess—rio (art. 2133¼ e 2157¼ CC)
à Ado•‹o conjunta: podem adotar conjuntamente uma crian•a (com a entrada em vigor da lei 2/2016, tambŽm
podem adotar as pessoas do mesmo sexo Ð alterou o art. 7¼ da lei 7/2001);
à Possibilidade de um dos membros adquirir a nacionalidade portuguesa: art. 3¼/3 da lei da nacionalidade;
à Desde que sejam de sexo diferente, podem recorrer ˆ procria•‹o medicamente assistida Ð lei 32/2006 de 26
de julho;

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à C—digo de Processo Civil: um dos membros pode-se recusar a prestar o seu depoimento como testemunha
quando est‡ em uni‹o de facto com uma das partes no processo;
à art. 3¼, als. b) e c) da lei 7/2001: ficam sujeitos ao mesmo regime em matŽria de fŽrias, feriados e faltas que as
pessoas casadas;
à art. 1911¼ CC: quando t•m filhos, ambos poder‹o exercer as responsabilidades parentais como pessoas
casadas.

Efeitos patrimoniais:
à ficam sujeitas, em regra, ˆs mesmas regras que se n‹o vivessem em uni‹o de facto à n‹o h‡ regime espec’fico
(ex: matŽrias de div—rcio, ilegitimidades conjugais, regime de bens, etc.);
à Quest‹o que se coloca: os membros da uni‹o de facto podem regular certos aspetos patrimoniais da rela•‹o?
Ex: identificar os bens que cada um levou; estipular um regime de alimentos em caso de rutura à ao abrigo do princ’pio
da autonomia privada/ liberdade contratual, a maior parte da doutrina entende que isto Ž poss’vel: contratos de coabita•‹o
(em Portugal n‹o s‹o muito comuns);
à gera-se uma apar•ncia de que existe o casamento à levantasse a quest‹o de saber se, para prote•‹o de
terceiros, se pode aplicar o art. 1691¼, al. b) CC:
- d’vidas contra’das por um responsabilizariam o outro;
- a analogia pressup›e que as situa•›es sejam id•nticas Ð prof. Cristina Araœjo Dias;
à O que acontece quando o credor de alimentos inicia uma uni‹o de facto com outra pessoa? Continua a ter
direito ˆ pens‹o de alimentos? N‹o Ð perde nos termos do art. 1619¼ CC.
- AtŽ 2010, quem passasse a viver em uni‹o de facto, n‹o perdia a pens‹o de alimentos à esta
posi•‹o era criticada pela doutrina porque desincentivava o casamento, j‡ que este perdia o
direito;
- Assim, o art. 2019¼ CC foi alterado: agora a pens‹o de alimentos cessa se o alimentado
celebrar novo casamento ou iniciar uni‹o de facto.
- Coloca-se a quest‹o de saber quando Ž que se inicia a uni‹o de facto nos termos do art.
2019¼ CC? Passados dois anos da vida em comum ou logo no in’cio?
o Prof. Pereira Coelho e Rita Lobo Xavier: distinguem os efeitos favor‡veis e os
efeitos desfavor‡veis:
§ Favor‡veis: exigem-se todos os requisitos da lei 7/2001 (2 anos + n‹o haver
impedimentos);
§ Desfavor‡veis: n‹o se exige o preenchimento de todos os requisitos à
neste caso, como Ž um efeito desfavor‡vel, n‹o Ž preciso esperar os 2 anos,
entrando logo em vigor (em rela•‹o aos efeitos que n‹o se encontram na lei
7/2001) ou seja, perde-se a pens‹o de alimentos no momento em que os
dois se juntam.
à Art. 3¼, al. d) da Lei 7/2001: atribui o mesmo regime de IRS ˆs pessoas em uni‹o de facto que Ž atribu’do ˆs
pessoas casadas.

E quando uma pessoa era casada, e iniciou uma uni‹o de facto com outra pessoa? A partir de quando se come•am
a contar os 2 anos? à Querela doutrinal
- Jorge Duarte Pinheiro: s— se podem contar os 2 anos a partir do div—rcio, ou estaria a dar-se
relev‰ncia jur’dica a uma situa•‹o ÒilegalÓ;
- Prof. Fran•a Pitel e prof. Rita Lobo Xavier: os 2 anos servem apenas para provar que Ž uma
rela•‹o est‡vel Ð o que interessa Ž que, no momento em que se vai invocar, n‹o se verifique
nenhum impedimento.

Dissolu•‹o da uni‹o de facto


Art. 8¼ da lei 7/2001: a) morte de um dos membros;
b) rotura vontade de, pelo menos, um dos membros:
à mœtuo consentimento;
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à unilateral;
c) casamento de um dos membros Ð visto que a uni‹o de facto n‹o constitui um impedimento
matrimonial, ao contr‡rio do que acontece com o casamento

à Como se prova a dissolu•‹o? Nos mesmos termos que se prova a uni‹o de facto Ð art. 2¼, a) da lei 7/2001 à
princ’pio da liberdade de prova
à MAS em algumas situa•›es, Ž preciso declarar judicialmente: art. 8¼/2 da lei 7/2001, quando os membros querem
declarar efeitos que decorrem dessa rotura, ter‹o de recorrer a tribunal.

Efeitos que decorrem da dissolu•‹o da uni‹o de facto:


à Partilha do patrim—nio: n‹o existe aqui nenhum regime de bens à aplicam-se as regras normais de car‡ter
patrimonial daquelas pessoas:
- n‹o existem bens comuns, s‹o sempre bens pr—prios de um ou do outro (eventualmente dos
dois, em regime de compropriedade);
- MAS podiam ter celebrado um acordo de coabita•‹o, estipulando algumas regras da sua
rela•‹o patrimonial (1¼ passo a dar: ver se existe contrato);
- T•m de ser as pr—prias pessoas a provar que aquele bem Ž seu (o prof. Jorge Duarte
Pinheiro, isoladamente, entende que quando n‹o Ž poss’vel fazer prova, presume-se que o
bem pertence aos dois em regime de compropriedade)
- A e B viviam em uni‹o de facto e compraram um autom—vel, registado em nome de A. B
vem provar que tambŽm contribuiu para a compra - O bem vai ser atribu’do ao propriet‡rio
formal e, ao outro membro da rela•‹o, aplica-se a figura do enriquecimento sem causa (art.
473¼ e ss. CC) à Aquele que foi beneficiado ter‡ de pagar.

Rotura
N‹o Ž preciso qualquer formalismo e pode ser unilateral, sem ter de invocar fundamentos.
Efeitos (ter‹o de obter declara•‹o judicial):
à Destino a dar ˆ casa de morada comum Ð art. 4¼ da lei 7/2001 manda aplicar os arts. 1793¼ (casa
pr—pria) e 1105¼ (casa arrendada) CC, previstos para o div—rcio, n‹o podendo estes ser aplicados diretamente;
à Exerc’cio de responsabilidades parentais: art. 1911¼/2 CC manda aplicar os arts. 1905¼ e 1906¼ CC,
previstos para o div—rcio

Morte
Ser‡ que a morte de um dos membros da uni‹o de facto produz efeito sucess—rio? à NÌO! Ð o sobrevivo n‹o vai
ser considerado herdeiro do falecido por for•a da lei
Art. 2020¼ CC: apesar disso, poder‡ ter direito a alimentos da heran•a do falecido, sujeito aos requisitos do art.
2004¼ CC;
Destino a dar ˆ casa de morada comum: art. 5¼ da lei 7/2001:
- casa pr—pria do falecido: direito real de habita•‹o por prazo de 5 anos + direito de uso do
recheio pelo mesmo prazo, que pode ser alargado + direito de residir a t’tulo de arrendat‡rio,
esgotado o prazo estabelecido + direito de prefer•ncia (se os propriet‡rios quiserem vender a
casa e o membro sobrevivo estiver l‡ a viver);
- casa arrendada pelo falecido: transmiss‹o do direito de arrendamento (art. 5¼/10 da lei
7/2001)
Morte na sequ•ncia de um facto il’cito: o sobrevivo tem direito a ser indemnizado pelos danos patrimoniais (art.
495¼/3 CC) e pelos danos n‹o patrimoniais (art. 496¼/2 CC).
Art. 6¼ da lei 7/2001: o sobrevivo tem direito a certas presta•›es por morte (ex: subs’dio por morte, pens‹o de
sobreviv•ncia, etc.)
- n¼1: n‹o Ž necess‡rio fazer a prova de que necessita de alimentos;
- n¼2: se a entidade respons‡vel pelo pagamento destas presta•›es ficar com dœvidas em
rela•‹o ˆ uni‹o de facto, pode recorrer a a•‹o judicial para comprovar esta situa•‹o.

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Conclus‹o: avaliando o regime, conclui-se que estamos perante uma rela•‹o parafamiliar, uma vez que as suas
caracter’sticas n‹o permitem a constitui•‹o de um v’nculo jur’dico t‹o forte como o familiar à O legislador deu muito
mais import‰ncia ao estatuto social (perante terceiros) do que privado (entre os membros):
à n‹o gera deveres conjugais;
à n‹o gera efeito sucess—rio;
à n‹o gera afinidade;
à n‹o exige formalismos;
à n‹o constitui impedimento matrimonial;
à Ž necess‡rio que dure pelo menos 2 anos, etc.

6.2. Refer•ncia a outras rela•›es parafamiliares: a vida em economia comum; a rela•‹o entre ex-c™njuges; o
apadrinhamento civil; a rela•‹o entre tutor e tutelado

Vida em economia comum Ð lei 6/2001


à Comunh‹o de mesa e habita•‹o pelo per’odo de 2 anos;
à Exce•›es: art. 3¼ da lei 6/2001 (diferentes das da uni‹o de facto);
à Efeitos mais limitados:
- Destino a dar ˆ casa de morada comum (s— se a rela•‹o se extinguir por morte);
- Regime jur’dico especial em matŽria de fŽrias, feriados e faltas;
- Regime dos impostos, etc.

Rela•‹o entre os ex-c™njuges


Com o div—rcio, extingue-se a rela•‹o matrimonial (art. 1788¼ CC) mas a lei continua a atribuir relev‰ncia jur’dica
ˆ rela•‹o dos ex-c™njuges (ex: obriga•‹o de pagar alimentos Ð art. 2016¼ e 2016¼, a) CC); direito de manter os apelidos que
acrescentou do outro Ð art. 1677¼, b) CC).

Apadrinhamento civil Ð lei 103/2009 (imprimir, n‹o temos no CC)


Figura que se situa entre a tutela e a ado•‹o e que Ž criada para as crian•as que est‹o institucionalizadas e para as
quais a ado•‹o n‹o Ž vi‡vel (art. 5¼ da lei 103/2009):
à A tutela termina com a maioridade Ð aqui n‹o, Ž uma rela•‹o duradoura que, em princ’pio,
acompanhar‡ toda a vida da crian•a + gera obriga•›es rec’procas de alimentos (na tutela n‹o) + pressup›e rela•‹o afetiva
entre crian•a e padrinho (na tutela n‹o) à mais forte que a tutela;
à Requisitos menos exigentes do que os previstos para a ado•‹o + Ž mais f‡cil a dispensa do
consentimento do que na ado•‹o + n‹o Ž poss’vel acrescentar apelidos dos padrinhos ˆ crian•a + n‹o produz efeitos
sucess—rios como na ado•‹o + pode ser revogada, o que n‹o acontece com a ado•‹o à mais fraca que a ado•‹o.
Art. 2¼ da lei 103/2009 : defini•‹o + sujeito a registo civil;
Art. 3¼: constitui-se por senten•a/ decis‹o judicial ou por acordo (compromisso de apadrinhamento, homologado
pelo tribunal);
Art. 4¼: requisitos à maiores de 25 anos, previamente habilitados para o efeito (art. 12¼);
Art. 5¼: quem pode ser apadrinhado
Art. 7¼: Ž o padrinho que vai exercer as responsabilidades parentais, respeitando os limites previstos;
Art. 8¼: direitos que os pais mantŽm em rela•‹o ˆs crian•as;
Art. 21¼: obriga•‹o de pagar alimentos;
Art. 22¼: impedimento matrimonial que impede casamento entre crian•a e padrinho Ð impedimento impediente,
que pode ser dispensado;
Art. 23¼: direitos que decorrem desta rela•‹o;
Art. 25¼: pode haver revoga•‹o da rela•‹o, sendo sempre prejudicial (Ž preciso recorrer ao tribunal);
Foi alterada pela Lei 8/2016: os padrinhos podem ser do mesmo sexo

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II. Constitui•‹o, prova, conteœdo e extin•‹o das rela•›es familiares (Casamento, parentesco, afinidade e ado•‹o)

1. O Casamento: conceito de casamento e sistema matrimonial


No•‹o: art. 1577¼ CC
Foi alterada em 2010 Ð pode ser casamento entre pessoas do mesmo sexo;
ƒ uma no•‹o restrita, pois Ž a que vale para o casamento civil e n‹o para o casamento cat—lico, constante do
C—digo Can—nico.

Sistemas matrimoniais
Existem diferentes modalidades de celebra•‹o do casamento:
à civil;
à cat—lico;
à civil sob forma religiosa.

A este prop—sito, fala-se de sistemas matrimoniais:


1. sistema do casamento religioso obrigat—rio à a œnica forma poss’vel de celebrar o casamento era o religioso
(GrŽcia atŽ 1982 Ð Igreja ortodoxa grega) à violava o princ’pio da liberdade religiosa.
2. Sistema de casamento civil obrigat—rio à o œnico casamento capaz de produzir efeitos jur’dicos Ž o casamento
civil (as pessoas podem celebrar as cerim—nias religiosas, mas n‹o produz efeitos jur’dicos) à por regra, n‹o Ž este
o sistema que vale entre n—s:
- vale na Alemanha, na Fran•a,...;
- vantagem: h‡ apenas um direito matrimonial Ð todos os casamentos s‹o regidos pelas
mesmas regras;
- desvantagem: obriga a duas cerim—nias se quiserem que tambŽm seja v‡lido ˆ luz da Igreja
que seguem.
3. Sistema do casamento civil subsidi‡rio à o casamento civil estava apenas previsto para aquelas pessoas que n‹o
estavam obrigadas a casar catolicamente, segundo as regras do direito can—nico (todos os batizados que n‹o
tenham apostatado Ð sair da Igreja Cat—lica atravŽs de um ato formal) à estes tinham obrigatoriamente de
celebrar o casamento cat—lico
- tambŽm viola o princ’pio da liberdade religiosa;
- n‹o vigora entre n—s.
4. Sistema de casamento civil facultativo à podem livremente optar pelo casamento civil ou religioso Ð quer num
caso quer noutro, o Estado vai reconhecer efeitos jur’dicos. Tem duas modalidades:
- 1» modalidade: os nubentes podem optar, mas est‹o a optar apenas pela forma de celebra•‹o
do casamento Ð Ž a lei estadual que regula o resto;
- 2» modalidade: os nubentes podem optar, sendo dois institutos diferentes, regidos por regras
diferentes à Ž o que vigora em Portugal (entre n—s, se uma pessoa optar por casar
catolicamente, vai estar sujeita a um regime diferente, por for•a do art. 1625¼ CC) e tem a
vantagem de poupar a necessidade de duas cerim—nias.

Evolu•‹o hist—rica em Portugal


à C—digo de Seabra: sistema do casamento civil subsidi‡rio, teoricamente. Na pr‡tica, n‹o funcionava bem: n‹o
havia averigua•‹o prŽvia da religi‹o e n‹o era fundamento de invalidade à Na pr‡tica, vigorava o casamento civil
facultativo;
à 1910: casamento civil obrigat—rio;
à Concordata de 1940: art. 25¼ = art. 1625¼ CC à casamento civil facultativo na 2» modalidade;
à Atualmente: continua o mesmo sistema:
- pessoas cat—licas: casamento civil facultativo na 2» modalidade;

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- outras religi›es come•aram a achar que havia uma grande injusti•a porque eram obrigadas a
celebrar duas cerim—nias Ð surge ent‹o a lei da liberdade religiosa (lei 16/2001) que vem
criar uma terceira forma de celebra•‹o:
o casamento civil sob forma religiosa à s— em rela•‹o ˆs pessoas cuja religi‹o Ž
considerada radicada no pa’s Ð requisitos no art. 19¼ da lei:
§ casamento civil facultativo na 1» modalidade (porque para estas religi›es n‹o
existe art. 1625¼ CC) Ð tudo Ž regulado pela lei civil, exceto a forma;
§ pessoas sem religi‹o ou com religi‹o n‹o radicada no pa’s: casamento civil
obrigat—rio;
§ pessoas do mesmo sexo: casamento civil obrigat—rio.

Notas:
à Art. 1588¼ CC: o casamento cat—lico produz efeitos civis;
à Art. 51¼/2 CC: diz como Ž que dois portugueses podem casar no estrangeiro (remiss‹o para o art. 161¼ do
C—digo de Registo Civil);
à Art. 51¼ CC n‹o est‡ completo Ð o C—digo de Registo Civil acrescenta mais uma forma;
à O casamento, para produzir efeitos, tem de ser registado, sob pena de inatendabilidade (ninguŽm o pode
invocar);
à Registo do casamento cat—lico: transcri•‹o (art. 167¼ C—digo do Registo Civil);
à Registo do casamento civil: inscri•‹o;
à Art. 1589¼/2 CC: pro’be que, j‡ estando os c™njuges casados catolicamente, possam casar civilmente (porque
n‹o acrescenta nada de novo); j‡ o contr‡rio Ž poss’vel, uma vez que j‡ acrescenta algo em termos espirituais;
à Quando a compet•ncia Ž dos tribunais eclesi‡sticos e estes consideram que o casamento n‹o Ž v‡lido, para se
transpor para o direito civil, Ž necess‡rio seguir o processo do art. 1626¼ CC;
à Se o tribunal eclesi‡stico considerar v‡lido ˆ luz do Direito Can—nico, mas n‹o for v‡lido ˆ luz do Direito Civil
à o Estado Portugu•s pode recusar a transcri•‹o (art. 174¼ CRC) e, por isso, Ž v‡lido mas n‹o produz os seus efeitos Ð Ž
inatend’vel. Art. 1699¼ CC (remiss‹o para art. 2¼ CRC) Ð ˆ face do Estado n‹o s‹o considerados casados.

Contrato promessa de casamento Ð art. 1591¼ e ss. CC


Efeitos que decorrem: duas obriga•›es de casar, sem garantia muito forte:
- n‹o h‡ direito a execu•‹o espec’fica no caso de incumprimento, uma vez que Ž uma
presta•‹o de car‡ter pessoal Ð n‹o h‡ direito a exigir a falta de casamento;
- em caso de rompimento da promessa, a lei prev• uma indemniza•‹o, mas esta Ž limitada a
certos danos, para garantir a liberdade do consentimento Ð art. 1594¼.
o Que tipos de danos podem ser objeto de indemniza•‹o?
§ Art. 1594¼/1 CC: das despesas feitas e obriga•›es assumidas à n‹o h‡
indemniza•‹o de danos patrimoniais nem de lucros cessantes;
§ Art. 1594¼/3 CC: segundo os critŽrios da equidade, pode acontecer que a
indemniza•‹o fique aquŽm
- H‡ ainda obriga•‹o de restitui•‹o (ex: restituir os donativos que se recebeu por causa do
casamento; cartas e fotografias) Ð art. 1592¼ e 1593¼ CC
o Quando Ž por morte: fica com os donativos mas n‹o h‡ restitui•‹o do que deu, e
pode conservar as fotografias e as cartas;
- Prazo: 1 ano (art. 1595¼ CC)
- Se houvesse justo motivo para o rompimento, em princ’pio, teria de pagar uma
indemniza•‹o, mas s— se tivesse havido dolo (se n‹o houver dolo, n‹o h‡ indemniza•‹o)

Caracter’sticas do casamento:
Caracter’sticas do casamento como ato:
à neg—cio jur’dico bilateral:
- Ž um contrato;
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- instrumento/ manifesta•‹o do princ’pio da liberdade contratual (ex: pessoas tem liberdade
para casar ou n‹o, para escolher o regime, para escolher com quem querem casar).
à neg—cio jur’dico pessoal:
- interfere com o estado das pessoas (ex: estado civil);
- as pessoas que n‹o t•m capacidade jur’dica n‹o o podem celebrar, nem pode ser suprida (ex:
menor de 15 anos Ð incapacidade negocial de gozo) à Ž poss’vel realiz‡-lo por procura•‹o/
representa•‹o volunt‡ria.
à neg—cio jur’dico solene:
- Ž formal, o consentimento tem de ser prestado de uma determinada forma;
- forma especial Ð cerim—nia do casamento.

Caracter’sticas do casamento como estado:


à unidade e exclusividade:
- s— pode estar casado com uma pessoa ao mesmo tempo (ex: C—digo Penal pro’be a bigamia;
art. 1601¼, c) CC);
à tendencialmente perpŽtuo:
- atualmente com menos express‹o;
- o div—rcio sem o consentimento do outro tem de preencher determinadas causas
- n‹o se pode celebrar um casamento com termo ou condi•‹o resolutiva.

Requisitos do casamento à capacidade e consentimento


1¼ capacidade matrimonial: tem duas especificidades em rela•‹o ˆ capacidade para celebrar outro neg—cio jur’dico:
à n‹o h‡ coincid•ncia entre as capacidades de exerc’cio e as incapacidades matrimoniais (ex: neg—cio jur’dico Ð
18 anos; casamento Ð 16 anos. Os outros fundamentos da incapacidade n‹o levam ˆ incapacidade matrimonial);
à para a capacidade matrimonial existe um processo de averigua•‹o prŽvia da capacidade matrimonial, faz-se na
conservat—ria do registo civil à processo preliminar para casamento Ð art. 134¼ e ss. CRC
à Qual o momento relevante para a capacidade matrimonial? à o momento da celebra•‹o do casamento (ex: A
casa com B e 10 anos depois Ž declarado interdito Ð o casamento Ž v‡lido, vice-versa o casamento Ž inv‡lido)

Impedimentos matrimoniais
Impedimentos dirimentes: art. 1601¼ e 1602¼ CC à tornam o casamento inv‡lido, e Ž anul‡vel nos termos do art.
1631¼, a) CC;
Impedimentos impedientes: art. 1604¼ CC à Ž v‡lido (art. 1627¼ CC) mas sujeito a san•›es (art. 1649¼ e 1650¼
CC).

Impedimentos absolutos: impedem que X se case com qualquer pessoa (ex: anomalia ps’quica);
Impedimentos relativos: impedem que X se case apenas com aquela pessoa (ex: parentesco).

Impedimentos dispens‡veis: art. 1609¼ CC à podem ser dispensados pelo legislador, cumprindo o processo
regulado no art. 253¼ CRC;
Impedimentos indispens‡veis: n‹o podem ser dispensados

Impedimentos de Direito Civil: previstos no CC: arts. 1601¼, 1602¼ e 1604¼ CC;
Impedimentos de Direito Can—nico: previstos no C—digo de Direito Can—nico: art. 1596¼ CC

Legitimidade para propor a•‹o de anula•‹o Ð art. 1639¼ CC


- Prazo: art. 1643¼ CC;
- Convalida•‹o: alguns impedimentos dirimentes do casamento podem ser sanados;
- Art. 1633¼ CC: valida•‹o do casamento que se torna v‡lido desde o in’cio

Art. 1596¼ CC: quem casar catolicamente, tambŽm tem de ter capacidade civil;
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Art. 1597¼ CC: processo preliminar para o casamento, na conservat—ria;
Art. 1598¼ CC + 151¼ CRC: no fim, o conservador envia o certificado para o padre/ par—quia Ð se este celebrar o
casamento sem o certificado fica sujeito a san•›es (art. 196¼ CRC)

Impedimentos can—nicos, cuja consequ•ncia Ž a nulidade:


à C‰nones 1083¼ e ss. à homens 16 anos e mulheres 14 anos (em Portugal, as mulheres tambŽm Ž s— aos 16
anos, devido ˆ confer•ncia episcopal que existiu em Portugal, que aumentou a idade da mulher);
à Art. 1083¼: idade nupcial;
à Art. 1084¼: impedimento de impot•ncia (n‹o corresponde ao direito civil);
à Art. 1085¼: v’nculo matrimonial anterior;
à Art. 1086¼: disparidade de culto Ð pode ser dispensado e n‹o corresponde ao direito civil;
à Art. 1087¼: ordem chacras (n‹o corresponde ao direito civil);
à Art. 1088¼: voto pœblico de castidade (n‹o corresponde ao direito civil);
à Art. 1089¼: rapto (no direito civil pode ser ao n’vel do consentimento);
à Art. 1090¼: crime (art. 1602¼, e) CC)
à Art. 1091¼: consanguinidade

2¼: consentimento
ƒ importante sabermos se estamos perante um casamento civil ou cat—lico:
- civil: s— as regras previstas no C—digo Civil;
- cat—lico: o consentimento Ž exclusivamente regulado pelo direito can—nico.
- Casamento civil facultativo na 2» modalidade: 2 institutos diferentes.
Sem vontade de casar, n‹o h‡ casamento.
O consentimento deve revestir certas caracter’sticas:
- atual (art. 1627¼ CC)
- pessoal (art. 1619¼ CC) à apesar disso, a lei permite que se possa celebrar casamento por
procura•‹o:
o procura•‹o (arts. 1620¼, 1621¼ CC e 43¼ e 44¼ CRC):
§ exig•ncias formais (art. 43¼ CRC): documento particular assinado pelo
representado sem reconhecimento presencial da assinatura; documento
autenticado; escritura pœblica;
§ exig•ncias materiais (art. 1620¼/2 CC e 44¼ CRC): procura•‹o deve conter
poderes especiais para o ato; tem de identificar qual a modalidade do
casamento; tem de identificar a pessoa do outro nubente;
§ apenas um dos nubentes poder‡ estar representado por procurador;
§ quando cessam os efeitos da procura•‹o? Ð art. 1621¼ CC Ð revoga•‹o (a
todo o tempo atŽ ˆ celebra•‹o do casamento Ð n¼2); a revoga•‹o Ž uma
declara•‹o n‹o recet’cia (n‹o tem de chegar ˆ esfera do procurador, mas
poder‡ ter de indemnizar se n‹o conseguir chegar a tempo de evitar o
casamento); morte quer do representante, quer do representado; interdi•‹o
ou inabilita•‹o quer do representante quer do representado;
§ consequ•ncia que se aplica a um casamento celebrado depois da procura•‹o
ter cessado os seus efeitos: inexist•ncia (art. 1628¼, al. d) CC);
§ o procurador Ž um verdadeiro representante ou um simples nœncio?
¥ Prof. Pereira Coelho defende que depende do que foi combinado
entre procurador e representado:
o Se ficar obrigado a celebrar o casamento em qualquer
circunst‰ncia Ð nœncio;
o Se puder recusar o casamento em determinadas
circunst‰ncias (tendo conhecimento destas) Ð
representante mas com pouqu’ssimos poderes
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Direito da Família
- Puro e simples (art. 1618¼ CC) Ð vai dirigido ˆ produ•‹o de todos os efeitos legais do
casamento (n‹o pode ser oposta qualquer condi•‹o ou termo);
- Perfeito, livre e esclarecido (art. 1634¼ CC) Ð a vontade subjacente ao consentimento Ž livre
de press›es exteriores;
o Art. 1636¼ CC: erro relevante Ž um erro sobre as qualidades essenciais do outro,
quando Ž desculp‡vel (homem mŽdio tambŽm teria acreditado) e essencial para a
celebra•‹o do casamento
§ Doutrina acrescenta mais um requisito: erro pr—prio (n‹o recai sobre
requisitos de validade do casamento)
§ Prazo: art. 1645¼ CC
§ Legitimidade: art. 1641¼ CC
H‡ v’cios de falta de vontade que geram a anulabilidade do casamento (art. 1631¼ CC) à se n‹o for pessoal, puro
e simples, perfeito e livre.
Falta ou v’cio da vontade (art. 1627¼ e ss. CC)
à As causas de anulabilidade s‹o taxativamente previstas à Art. 1631¼ CC: Ž anul‡vel o casamento
celebrado por um ou por ambos os nubentes com falta de vontade
- Simula•‹o
o Ex: A casa com B para adquirir nacionalidade portuguesa
o Pressupostos: art. 240¼ CC Ð acordo simulat—rio; diverg•ncia entre a vontade real e
a vontade declarada; intuito de enganar terceiros.
o No negocio jur’dico em geral, o negocio Ž nulo e a simula•‹o pode ser invocada por
qualquer interessado a todo o tempo (art. 286¼ CC); pode ser invocada pelo pr—prio
simulador sem preju’zo de terceiro de boa-fŽ;
o Na simula•‹o do casamento t•m de estar preenchidos os pressupostos do negocio
jur’dico em geral;
o S— h‡ simula•‹o quando os nubentes apenas pretendem atingir um determinado fim,
diferente do fim habitual normal do casamento, e recusam a vida em comum
§ Ex: A casa com B para adquirir nacionalidade portuguesa mas pretende
fazer vida em comum à n‹o h‡ simula•‹o
o Consequ•ncias da simula•‹o:
§ Lei presume que a declara•‹o de vontade corresponde ˆ vontade real (art.
1634¼ CC) à se ainda assim falta a vontade o casamento Ž anul‡vel por
simula•‹o (art. 1635, al. d) CC);
§ Pessoas legitimadas para invocar a anula•‹o por simula•‹o (art. 1644¼ CC):
dentro dos 3 anos seguintes ˆ celebra•‹o do casamento ou, se este era
ignorado do requerente, no prazo de 6 meses a contar do conhecimento;
§ Prova da simula•‹o: os c™njuges n‹o podem provar o acordo simulat—rio
por testemunhas nem por presun•‹o (art. 394¼/2 e 351¼ CC); mas os
terceiros que invoquem a simula•‹o podem faz•-lo por testemunhas (art.
394¼/3 CC)
§ A simula•‹o n‹o pode ser oposta a terceiros que acreditaram de boa-fŽ na
validade do casamento (art. 243¼/9 CC).
- Erro na declara•‹o negocial
o Art. 1635¼, al. a) CC: anulabilidade do casamento
o Falta de vontade da a•‹o (ex: sonambulismo, efeito de drogas) ou falta de vontade
de declara•‹o (ex: A diz sim a outra pessoa que n‹o o conservador);
o No regime geral, o negocio jur’dico Ž totalmente ineficaz (art. 246¼ CC);
o Legitimidade para invocar a anulabilidade do negocio por erro na declara•‹o
negocial (art. 1640¼/2 CC): invocada pelo c™njuge cuja vontade faltou; se ele morrer
os herdeiros podem prosseguir com a a•‹o;
o Prazo para invocar a anulabilidade (art. 1644¼ CC)

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à V’cio de consentimento Ð o consentimento tem de ser esclarecido e com liberdade exterior à Art. 1627¼:
taxatividade dos casos que s‹o motivo da anula•‹o do neg—cio: erro da declara•‹o (art. 247¼ CC) e erro do v’cio (art. 251¼
e 252¼ CC) e coa•‹o moral
- Arts. 1636¼ e 1638¼ CC: estes casos s— relevam nos termos destes artigos (alŽm das regras
gerais previstas para o erro e para a coa•‹o moral);
- Regime do erro do v’cio (art. 1636¼ CC):
o ƒ necess‡rio que o erro recaia sobre as qualidades essenciais da pessoa do outro
c™njuge, seja desculp‡vel e que se mostre que se n‹o houvesse erro no motivo, o
casamento n‹o seria celebrado à qualquer outro erro n‹o Ž causa de anulabilidade
do casamento
§ Exemplos de qualidades essenciais: estado civil, deformidades graves
§ O erro Ž indesculp‡vel quando, apesar de todos os avisos e suspeitas que
davam a entender que o noivo/a n‹o tinha as qualidades essenciais, o outro
c™njuge n‹o quis saber.
o O erro tem de ser relativo ˆs qualidades pessoais do outro c™njuge;
o N‹o releva o erro sobre o regime do casamento.
- Regime da coa•‹o moral (arts. 1638¼ e 255¼ CC):
o Receio de um temos ocasionado no declarante pela amea•a de um mal dirigida ˆ sua
pessoa ou a terceiro
§ Ex: ou casas ou mato a tua filha
o Pressupostos:
§ Tem de ser exercida pelo outro contraente ou por terceiro;
§ Deve ser essencial ou determinante da vontade;
§ Tem de haver inten•‹o de extorquir a declara•‹o;
§ A consequ•ncia da amea•a deve ser injusta ou il’cita: vantagem anormal,
desproporcionada; tem de ser grave o mal e justificado o receio da sua
consuma•‹o;
§ Regime da anulabilidade (art. 1641¼ CC): s— o c™njuge pode;
§ Prazo para intentar a a•‹o (art. 1645¼ CC): tem de ser instaurado no prazo
de 6 meses a contar da cessa•‹o da amea•a.
- Em qualquer um destes casos, erro ou coa•‹o, a anulabilidade Ž san‡vel mediante
confirma•‹o (art. 288¼ CC).

Casamento civil urgente Ð arts. 1622¼ e ss. CC e 156¼ e ss. CRC


à S— Ž poss’vel em duas situa•›es:
- receio de morte pr—xima;
- imin•ncia de parto.
à Verificados estes fundamentos Ž poss’vel celebrar o casamento sem processo preliminar para casamento e sem
a presen•a do funcion‡rio do registo civil.
à T•m de respeitar as formalidades exigidas no art. 156¼ CRC
- declara•‹o oral ou escrita do casamento;
- prestem consentimento perante 4 testemunhas e 2 delas n‹o podem ser parentes sucess’veis;
- reda•‹o de uma ata, sem formalidades especiais e assinada por todos os presentes Ð art.
1622¼ CC
o se faltar uma delas, Ž inexistente.
à Depois de celebrado o casamento, o conservador vai ter de homologar (ato de homologa•‹o), nos termos do
art. 1623¼ CC o conservador vai analisar o casamento
à Se n‹o tiver havido processo preliminar para casamento, vai decorrer ap—s a ata, oficiosamente Ð o
conservador tem de averiguar se existem impedimentos matrimoniais;

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à A homologa•‹o Ž um poder discricion‡rio Ð s— pode recusar nos casos previstos na lei: art. 1624¼ CC e 160¼
CRC:
- n‹o se verificam os requisitos exigidos por lei;
- requisitos ou formalidades falsas;
- impedimento dirimente;
- considerado casamento cat—lico
à Se for homologado: mesmo regime do casamento civil Ð os efeitos retroagem e Ž v‡lido a partir da celebra•‹o
- Art. 1720¼ CC: fica obrigatoriamente sujeito ao regime de separa•‹o de bens
à Se n‹o for homologado: consequ•ncia Ð art. 1628¼, al. b) CC Ð Ž inexistente (art. 1630¼ CC); n‹o produz
efeitos nenhum, nem os efeitos putativos
- Qualquer pessoa pode invocar a inexist•ncia, a todo o tempo (sem prazo).

Casamento cat—lico urgente Ð art. 1599¼ CC


à N‹o necessita de homologa•‹o;
à Mas pode haver uma recusa de transcri•‹o Ð art. 174¼ CRC Ð por impedimentos dirimentes à impede a
produ•‹o de efeitos;
à No momento da recusa, este impedimento ainda tem de existir

Casamento putativo
à Serve para evitar destruir os efeitos do casamento Ð para evitar a aplica•‹o do art. 289¼ CC
à MantŽm os efeitos que o casamento produziu atŽ ao momento do tr‰nsito em julgado da senten•a Ð n‹o se v‹o
destruir retroativamente;
à Art. 1647¼ e 1648¼ CC t•m de preencher certos pressupostos cumulativos:
- casamento inv‡lido mas existente (os casamentos inexistentes n‹o produzem efeitos
putativos Ð art. 1628¼ CC)
- senten•a de anula•‹o do casamento civil ou senten•a de nulidade se for casamento cat—lico
(tribunais eclesi‡sticos);
- boa-fŽ Ð pelo menos um dos c™njuges Ð art. 1648¼ CC:
o n¼3: presume-se de boa-fŽ; a m‡-fŽ vai ter de ser provada;
o n¼1: desconhecia o v’cio, sem culpa ou quem conhecia o v’cio estava a ser coagido.

Efeitos do casamento putativo


1. Em rela•‹o aos c™njuges:
- ambos est‹o de boa-fŽ: todos os efeitos que o casamento produziu atŽ ao tr‰nsito em julgado
da senten•a v‹o-se manter, ou seja, n‹o se v‹o destruir;
- ambos est‹o de m‡-fŽ: (ex: simula•‹o) n‹o se aplica o casamento putativo porque falta o
requisito da boa-fŽ Ð todos os efeitos v‹o ser destru’dos retroativamente Ð vamos aplicar o
art. 289¼ CC
- um dos c™njuges est‡ de boa-fŽ e o outro est‡ de m‡-fŽ: vai produzir os efeitos putativos
favor‡veis ao c™njuge de boa-fŽ e os desfavor‡veis v‹o ser destru’dos.
2. Em rela•‹o aos filhos:
- presun•‹o de paternidade Ð art. 1826¼ CC
- ex: se fossem os dois irm‹os e soubessem, estavam de m‡-fŽ Ð destr—i-se a presun•‹o de
paternidade? NÌO! à ƒ o œnico caso que n‹o exige boa-fŽ, mas vai poder impugnar a
presun•‹o da paternidade biol—gica (mesmo que estivessem os dois de m‡-fŽ, este efeito da
presun•‹o da paternidade aplica-se).
3. Em rela•‹o a terceiros:
- ambos est‹o de boa-fŽ: todos os efeitos, mesmo que interfiram com terceiros, v‹o-se manter
(ex: d’vida)
- ambos est‹o de m‡-fŽ: n‹o produz efeitos putativos nenhuns, nem sequer os que interfiram
com terceiros;
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- um de boa-fŽ e outro de m‡-fŽ: produzem-se os efeitos que interfiram com terceiros, se
forem favor‡veis ao c™njuge de boa-fŽ; caso contr‡rio, v‹o ser destru’dos retroativamente.

2. Filia•‹o: o sistema de estabelecimento da filia•‹o


As regras quanto ao estabelecimento da filia•‹o s‹o regras imperativas à N‹o podem ser afastadas pela vontade
das partes.
A filia•‹o Ž um facto que est‡ obrigatoriamente sujeito a registo civil (art. 1¼ CRC), sob pena de inatendibilidade
(art. 2¼ CRC).
A maternidade e a paternidade s‹o situa•›es de facto, factos biol—gicos, que n‹o t•m s— por si relev‰ncia jur’dica Ð
para terem, Ž necess‡rio transpor estas realidades de facto para o mundo do direito Ð esta transposi•‹o faz-se atravŽs do
registo.
O momento do registo da declara•‹o de nascimento Ž um momento que assume especial relev‰ncia à Est‡
prevista nos arts. 96¼ e ss. CRC Ð legitimidade, onde Ž feita a declara•‹o, elementos que devem constar, etc.

Princ’pios importantes
Art. 26¼ CRP: princ’pio da identidade pessoal
à Os filhos t•m direito a conhecer a sua ascend•ncia, a sua historicidade pessoal (quem Ž o pai e a m‹e).

Princ’pio da verdade biol—gica


à Princ’pio chave em matŽria de estabelecimento da filia•‹o;
à Legislador quer que haja uma correspond•ncia entre a filia•‹o biol—gica e a filia•‹o jur’dica;
à Exce•›es:
- ex: insemina•‹o artificial heter—loga (de um dador) Ð Ž o marido que Ž considerado o pai e
n‹o o dador.

Princ’pio do superior interesse da crian•a

Regras quanto ao estabelecimento da filia•‹o


Art. 1796¼/1 Ð maternidade; n¼2 Ð paternidade.
à O legislador portugu•s continua a regular a matŽria de forma diferente consoante estejamos perante
maternidade ou paternidade:
Relativamente ˆ maternidade (art. 1803¼ e ss. CC) à Processo simples: vem da ideia antiga que a m‹e Ž
sempre certa; Regra geral faz-se a declara•‹o de nascimento da crian•a, identifica-se a m‹e, lavra-se o registo, e fica a
maternidade estabelecida Ð Para as crian•as que nasceram h‡ menos de um ano; Para as que t•m mais do que um ano, o
sistema Ž diferente.
Relativamente ˆ paternidade, esta estabelece-se de duas formas:
- presun•‹o (art. 1826¼ CC);
- reconhecimento (art. 1847¼ CC)
o volunt‡rio Ð perfilha•‹o;
o judicial Ð a•‹o de investiga•‹o da paternidade.
à Per’odo legal de concess‹o (art. 1798¼ CC)
- lei presume em que momento Ž que a crian•a ter‡ sido concebida;
- Contamos 300 dias para tr‡s desde a data do nascimento da crian•a: os primeiros 120 dias
correspondem ao per’odo legal de concess‹o;
- Poder‡ ser relevante para saber se aplicamos a presun•‹o ou n‹o;
- A doutrina costuma referir o princ’pio da indivisibilidade do per’odo legal de concess‹o Ð
qualquer um daqueles 120 dias tem ˆ partida igual probabilidade de ter sido o dia em que a
crian•a foi concebida;
- 2 presun•›es ilid’veis:
o gravidez n‹o dura mais do que 300 dias;
o gravidez n‹o dura menos do que 180 dias

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- Art. 1800¼ CC: ƒ poss’vel propor uma a•‹o judicial destinada a fixar a data mais prov‡vel,
para restringir a 2 ou 3 dias dentro dos 120 dias
à Art. 1801¼ CC: nas a•›es relativas ao estabelecimento da filia•‹o s‹o admitidos exames cient’ficos (exames de
sangue, de ADN, etc.) à exames periciais.

Regras do C—digo Civil relativas ao estabelecimento da paternidade


Na maior parte dos casos, Ž muito importante estabelecer primeiro a maternidade (art. 1796¼/1 CC)
O que dissermos a prop—sito da m‹e, poder‡ condicionar o que vamos dizer a prop—sito do pai:
- Se a m‹e for casada, podemos aplicar a presun•‹o de paternidade (art. 1826¼ CC) Ð Òpate is
estÓ
o Fundamento: ideia de probabilidade qualificada (como os c™njuges est‹o vinculados
a deveres conjugais Ð art. 1672¼ CC, isto faz com que haja uma probabilidade forte
do marido ser o pai);
o Casos em que se aplica esta presun•‹o:
§ Filhos que nasceram e foram concebidos na const‰ncia do matrim—nio da
m‹e;
§ Antes do matrim—nio;
§ Depois do matrim—nio.
o Se o marido da m‹e n‹o for o pai da crian•a, tem de haver forma de afastar a
presun•‹o de paternidade:
§ AtravŽs de causas de cessa•‹o da presun•‹o (arts. 1828¼, 1829¼, 1832¼ e
1834¼ CC):
¥ Invocados no momento em que se vai registar a crian•a;
§ Impugna•‹o da presun•‹o de paternidade (art. 1838¼ e ss. CC)
¥ Paternidade chegou a constar no registo de nascimento do filho;
¥ ƒ necess‡rio propor uma a•‹o no tribunal.
- Se a m‹e n‹o for casada ou se for casada, mas exista uma causa de cessa•‹o:
o N‹o existe presun•‹o de paternidade;
o Paternidade vai ser estabelecida por reconhecimento (art. 1847¼ CC):
§ Volunt‡rio: perfilha•‹o (art. 1849¼ e ss. CC):
¥ Car‡ter pessoal Ð tem de ter capacidade de gozo
¥ Car‡ter livre Ð doutrina entende que Ž um dever moral e n‹o
jur’dico (mas n‹o Ž un‰nime)
¥ Art. 1850¼ CC: capacidade para perfilhar
¥ Art. 1852¼ CC: conteœdo defeso Ð a declara•‹o Ž pura e simples, vai
dirigida a todos os efeitos (n‹o pode limitar os efeitos legais nem
excluir)
¥ Art. 1853¼ CC: forma Ð forma mais usual Ž na conservat—ria do
registo civil mediante declara•‹o; a presun•‹o do art. 1826¼ CC n‹o
se aplica, por isso tem de se ir ˆ conservat—ria perfilhar;
o Existem mais formas de perfilhar:
§ Testamento
§ Escritura pœblica
§ Termo lavrado em ju’zo Ð processo de averigua•‹o
oficiosa, vai ser ouvido e esse homem, perante o
juiz, pode dizer que Ž o pai
¥ Art. 1854¼ CC: prazo de perfilha•‹o Ð n‹o depende de prazo, pode
ser feita a todo o tempo (mesmo antes da crian•a nascer Ð
nascituros propriamente ditos)

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¥Art. 1857¼ CC: se estiver a perfilhar um filho maior, exige-se
assentimento para ser eficaz; Ž apenas condi•‹o de efic‡cia e n‹o de
inexist•ncia ou invalidade;
¥ Art. 1858¼ CC: irrevogabilidade
¥ Art. 1859¼ CC: impugna•‹o à pode ser impugnada quando n‹o
corresponder ˆ verdade biol—gica, a todo o tempo, pelo perfilhado,
pelo perfilhante ou por qualquer outra pessoa que tenha interesse
moral ou patrimonial na sua proced•ncia, ou ainda pelo MinistŽrio
Pœblico
¥ Art. 1860¼ CC: anula•‹o à pode ser anulada por erro ou coa•‹o,
mesmo que seja o pai biol—gico
§ Judicial: a•‹o de investiga•‹o da paternidade (arts. 1869¼ e ss. CC).
o Averigua•‹o oficiosa da paternidade (art. 1864¼ e ss. CC)
§ H‡ um interesse do pr—prio Estado em saber quem Ž o pai
§ ƒ na conservat—ria que se descobre que n‹o h‡ pai Ð o funcion‡rio manda
declara•‹o para o tribunal, que contacta a m‹e:
¥ A m‹e identifica o pai e este reconhece e perfilha Ð perfilha por
termo lavrado em ju’zo
¥ A m‹e identifica mas este n‹o reconhece Ð a•‹o de investiga•‹o Ð
se n‹o houver ind’cios suficientes o processo Ž arquivado
§ Art. 1866¼ CC: casos em que a averigua•‹o oficiosa n‹o Ž admitida
§ Lei 141/2015: processo de averigua•‹o oficiosa da paternidade
o Art. 1871¼ CC Ð presun•›es de paternidade:
§ S‹o h’bridas;
§ Assento STJ 21 de junho de 1993
¥ Interpreta•‹o restritiva do assento
¥ Esta doutrina s— pode valer quando n‹o existam exames cient’ficos
que provem a paternidade
¥ Em 1998 acrescenta-se a al. e) Ð acabou de vez com a doutrina do
assento Ð basta que se prove uma rela•‹o sexual durante o per’odo
legal de conce•‹o, para que se presuma que o rŽu seja o pai e j‡ n‹o
tem de se provar exclusividade
¥ Objetivo do legislador ao criar esta al’nea: partiu de uma ideia
pragm‡tica, porque h‡ uma probabilidade que o rŽu seja o pai Ð
basta uma rela•‹o sexual
§ As presun•›es do art. 1871¼ CC podem ser afastadas à n¼2: basta criar
dœvidas sŽrias no juiz (ex: dizer que a m‹e teve rela•›es sexuais com outros
homens)

TŽcnicas de procria•‹o medicamente assistida Ð lei 32/2006


à Mesmo antes de 2006 j‡ eram utilizadas tŽcnicas de procria•‹o medicamente assistidas, mas n‹o havia
legisla•‹o que regulasse (vazio legal) à Havia apenas os limites que resultavam do c—digo moral e ontol—gico dos mŽdicos.
- Art. 67¼ CRP: regula•‹o do recurso ˆs tŽcnicas de procria•‹o medicamente assistida com
respeito pelo princ’pio da dignidade da pessoa humana;
- Estas tŽcnicas envolvem problemas Žticos: direito da crian•a de conhecer a sua identidade
pessoal (art. 26¼ CRP).
à Art. 3¼ da lei: princ’pio da dignidade e da n‹o discrimina•‹o
à Art. 4¼ da lei: condi•›es para que se possa recorrer a estas tŽcnicas Ð s‹o um mŽtodo subsidi‡rio e n‹o
alternativo Ð s— mediante um diagn—stico de infertilidade Ž que ser‡ poss’vel recorrer a estas tŽcnicas; excecionalmente Ž
poss’vel recorrer a estas tŽcnicas sem diagn—stico de infertilidade;

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à Art. 6¼ da lei: casal (homem e mulher) Ð estrutura biparental; exige-se a diversidade de sexos e, por isso, est‡ a
ser objeto de discuss‹o;
à Art. 7¼ da lei: Ž expressamente proibida a clonagem;
à Art. 8¼ da lei: pro’be a maternidade de substitui•‹o (barriga de aluguer) Ð se estes neg—cios forem celebrados,
quem vai ser considerada m‹e Ž quem deu ˆ luz;
à Art. 9¼ da lei: n‹o se podem criar embri›es com objetivo prŽ-determinado de utiliza•‹o em investiga•‹o
cient’fica; mas em alguns casos excecionais, Ž poss’vel utilizar embri›es em investiga•‹o cient’fica (n¼4);
à Art. 10¼ da lei: pode haver doa•‹o de espermatozoides (neg—cios gratuitos)
- art. 14¼/4 da lei: o consentimento tem de ser livre, esclarecido, dado por escrito, expresso,
perante o mŽdico assistente, informados dos benef’cios, riscos, implica•›es Žticas, sociais e
jur’dicas; Ž livremente revog‡vel atŽ ao in’cio dos processos terap•uticos (a prof. Rita Lobo
Xavier entende que o processo terap•utico j‡ se iniciou quando os embri›es j‡ est‹o
formados)
à Art. 15¼ da lei: choca com o art. 26¼: em princ’pio, a crian•a que nasceu de uma procria•‹o medicamente
assistida em que houve interven•‹o de dador n‹o ir‡ conhecer a identidade desde, apenas em casos excecionais;
à Art. 19¼ da lei: insemina•‹o artificial: hom—loga (Ž utilizado o sŽmen do marido ou do companheiro) e
heter—loga (sŽmen de terceiro dador Ð se n‹o for vi‡vel a insemina•‹o com o do marido)
- como Ž que se estabelece a paternidade nos casos de insemina•‹o hom—loga? Ð de acordo
com as regras normais à presun•‹o de paternidade (art. 1826¼ CC);
- em rela•‹o ˆ insemina•‹o heter—loga Ð aplicamos o art. 20¼ da lei à Desvio ao princ’pio da
verdade biol—gica: exclui-se o dador (art. 21¼ da lei) e considera-se o marido ou
companheiro da m‹e como pai Ð esta paternidade poder‡ ser impugnada pelo marido que
n‹o deu o consentimento (art. 20¼/5)
à Arts. 24¼ e ss. da lei: fertiliza•‹o in vitro: juntamos a cŽlula masculina e feminina fora do corpo materno que
v‹o dar origem a embri›es, que depois ser‹o transferidos para o corpo materno
- d‡ origem a problemas de embri›es excedent‡rios (art. 25¼ da lei);
- Destino para estes embri›es Ð lei imperfeita;
- N‹o h‡ nenhuma san•‹o prevista para o incumprimento desta obriga•‹o;
- Passados 3 anos podem ser doados a outro casal ou, em ultimo caso, utilizados em
investiga•‹o cient’fica.
à Art. 27¼ da lei: manda aplicar as mesmas regras ˆ fertiliza•‹o in vitro
à Art. 34¼ e ss. da lei: san•›es.

3. Conteœdo das rela•›es familiares: v’nculos de solidariedade rec’procos


3.1. Situa•‹o jur’dica dos c™njuges
Efeitos do casamento Ð como estado
à Efeitos pessoais - Intimamente relacionados com os princ’pios referidos no art. 1671¼ CC
- n¼1: princ’pio da igualdade dos c™njuges Ð deriva•‹o daquele que est‡ previsto na CRP; j‡
n‹o h‡ nenhum chefe de fam’lia;
o Levanta um problema: as quest›es que surgem t•m de ser resolvidas pelos dois de
comum acordo, o que nem sempre acontece à a lei permite que, em algumas
situa•›es, possam recorrer ao tribunal, que vai decidir em substitui•‹o dos c™njuges
(ex: art. 1673¼/3 CC Ð fixa•‹o da casa de morada de fam’lia; art. 1875¼/2 CC -
escolha do nome do filho; art. 1901¼/2 CC Ð exerc’cio das responsabilidades
parentais em quest›es de particular import‰ncia para a vida do filho)
- n¼2: princ’pio da dire•‹o conjunta da fam’lia Ð tambŽm deriva do princ’pio da igualdade; Òos
c™njuges devem acordar sobre a orienta•‹o da vida em comumÓ Ð decorre, segundo a prof.
Rita Lobo Xavier e o prof. Pereira Coelho, da’, um dever de acordar (dever de estarem
dispon’veis para dialogar com o objetivo de tentar chegar a um acordo);
o a vida pessoal dos c™njuges n‹o precisa de ser acordada (ex: partido);

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1. Art. 1672¼ CC Ð deveres conjugais Ð traduzem a plena comunh‹o de vida que deve existir entre os c™njuges
na const‰ncia do casamento Ð s‹o imperativos (n‹o podem ser afastados pela vontade das partes Ð ex: art.
1618¼/2 CC Ð as partes n‹o podem excluir nenhum efeito legal do casamento, considerando-se a cl‡usula
como n‹o escrita + art. 1699¼/1, al. b) Ð limites para as conven•›es antenupciais Ð os c™njuges n‹o podem,
nestas, alterar os deveres conjugais):
a. Respeito Ð tem um conteœdo residual, acaba por abarcar outros deveres conjugais n‹o elencados, por
exemplo, o dever de sinceridade, dever de n‹o violar direitos absolutos:
b. Fidelidade;
c. Coopera•‹o Ð art. 1674¼ CC Ð obriga•‹o de socorro e aux’lio mœtuos + assumir em conjunto as
responsabilidades inerentes ˆ vida da fam’lia que fundaram;
d. Coabita•‹o Ð comunh‹o de mesa, leito e habita•‹o Ð importa, para isso, escolher a casa de morada de
fam’lia (art. 1673¼ CC Ð quem a escolhe)
i. MAS, o n¼2 deste artigo diz-nos que, salvo motivos ponderosos em contr‡rio, os c™njuges
devem adotar a resid•ncia da fam’lia (ex: quando casaram, a casa de morada de fam’lia ainda
estava em obras e a casa dos pais n‹o tinha espa•o para os dois, etc.);
ii. O prof. Pereira Coelho entende que situa•›es em que um dos c™njuges est‡ constantemente
a ser maltratado/ agredido, constituem motivos ponderosos Ð teoria do limite do sacrif’cio.
e. Assist•ncia Ð conteœdo de car‡ter patrimonial Ð art. 1675¼ CC Ð obriga•‹o de pagar alimentos (s— se
autonomiza quando as pessoas deixam de viver juntas) + contribuir para os encargos da vida familiar
(quando vivem juntos, traduz-se neste):
i. Como se contribui para os encargos da vida familiar? Art. 1676¼/1 CC à pela afeta•‹o dos
seus recursos ˆqueles encargos ou pelo trabalho despendido no lar ou na manuten•‹o e
educa•‹o dos filhos.

Nota: embora os deveres conjugais sejam imperativos, estes s‹o suficientemente el‡sticos para que os c™njuges
possam acordar a forma como devem ser cumpridos Ð acordo sobre a orienta•‹o da vida em comum:
- para o prof. Pereira Coelho, este acordo Ž um negocio jur’dico, com certas particularidades:
o n‹o se admite a execu•‹o espec’fica;
o n‹o se aplica o art. 406¼ CC (Òos contratos s— podem ser modificados ou revogados
por mœtuo consentimento das partesÓ) Ð pode ser alterado e revogado de forma
unilateral, principalmente se as circunst‰ncias se alterarem.

Efeitos patrimoniais
Estatuto patrimonial de base (aplicam-se a qualquer casamento, independentemente do regime de bens):
1. Administra•‹o dos bens Ð art. 1678¼ CC
a. Normas imperativas Ð n‹o podem ser alteradas em conven•›es antenupciais (princ’pio da
imutabilidade) Ð art. 1699¼/1, al. c) CC Ð apenas atravŽs do mandato, uma vez que este Ž
revog‡vel ;
b. Importa distinguir:
i. bens pr—prios - por regra, administrados pelo pr—prio Ð art. 1678¼/1 CC. 3 exce•›es:
1. art. 1678¼/2, als. E) Ð bens m—veis, pr—prios do outro c™njuge ou comuns, por
ele exclusivamente utilizados como instrumento de trabalho;
2. f) Ð bens pr—prios do outro c™njuge, se este estiver, por qualquer motivo,
impossibilitado de exercer a administra•‹o sobre esse bem;
3. g) Ð bens pr—prios do outro c™njuge, se este lhe conferir por mandato esse
poder.
ii. de bens comuns Ð por regra, s‹o os dois que administram o bem Ð art. 1678¼/3, parte
final CC. Com exce•›es:
1. atos de administra•‹o ordin‡ria, que n‹o afeta a raiz do bem e que se enquadra
dentro do n’vel de vida do casal (pode ser praticado por qualquer um dos
c™njuges) Ð ex: venda das ma•‹s de um pomar; pintar o muro da casa;

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2. bem que, embora seja comum, tem especial liga•‹o com um dos c™njuges Ð
dever‡ ser administrado por esse c™njuge Ð art. 1678¼/2, al. a) - proventos que
receba do seu trabalho -, b) Ð seus direitos de autor -, c) Ð por ele levados para o
casamento ou adquiridos por ele, a t’tulo gratuito, depois do casamento -, d) Ð
doados ou deixados ambos, com exclus‹o da administra•‹o de um deles - e e) Ð
exclusivamente utilizados por um deles como instrumento de trabalho - CC.
3. o prof. Pereira Coelho entende que as restantes al’neas, embora se refiram a
bens pr—prios, tambŽm devem ser aplicadas aos bens comuns.

2. Responsabilidade do c™njuge administrador Ð art. 1681¼ CC Ð ou quando administra sozinho bens comuns
ou quando administra bens pr—prios do outro:
a. N¼1: por for•a da lei Ð s— vai responder pelos danos intencionalmente praticados
b. N¼2: por for•a de mandato conferido pelo outro Ð aplicam-se aqui as regras do mandato
(responsabilidade mais ampla) + obriga•‹o de prestar contas dos œltimos 5 anos
c. Pode acontecer que o c™njuge administrador tenha causado danos ao outro, surgindo aqui um
crŽdito de indemniza•‹o Ð ser‡ tomado em considera•‹o apenas no momento da partilha Ð art.
1689¼ CC -, sujeito a prazo de prescri•‹o MAS este n‹o corre enquanto estiverem casados (art.
318¼, al. a) CC);
d. Se for de forma constante: pode-se aplicar a figura de simples separa•‹o judicial de bens Ð arts.
1767¼ e ss. CC

3. Poderes do c™njuge n‹o administrador Ð art. 1679¼ CC Ð este poder‡ atuar se o atraso nessas dilig•ncias
puder causar preju’zos aos bens;
a. O prof. Pereira Coelho entende que, em alternativa, pode recorrer ao abrigo da figura da gest‹o de
neg—cios Ð arts. 464¼ e ss. CC Ð pode atuar para garantir uma vantagem MAS tem de ser
ratificado pelo outro c™njuge.

4. Ilegitimidades conjugais Ð arts. 1682¼ e ss. CC Ð exce•›es ao princ’pio da liberdade contratual (ex: alguŽm
Ž propriet‡rio de um bem e n‹o poder‡ vend•-lo sem o consentimento do outro c™njuge, etc.) - Justificam-
se para prote•‹o de interesses do outro c™njuge e da pr—pria fam’lia - Art. 1682¼/1 e 2 CC: em princ’pio,
quem administra os bens m—veis tambŽm vai poder dispor deles, a n‹o ser em casos espec’ficos:
a. Regimes de comunh‹o (comunh‹o geral + comunh‹o de adquiridos):
i. Art. 1682¼ A/1, al. a) CC: aliena•‹o, onera•‹o (constitui•‹o de direitos reais de garantia
ou de gozo), arrendamento ou constitui•‹o de outros direitos pessoais de gozo (direito
obrigacional que confere a posse da coisa Ð ex: comodato) sobre im—veis pr—prios ou
comuns;
ii. Al. b): aliena•‹o, onera•‹o ou loca•‹o de estabelecimento comercial pr—prio ou comum;
iii. N¼2: aliena•‹o, onera•‹o, arrendamento ou constitui•‹o de outros direitos pessoais de
gozo sobre a casa de morada de fam’lia (j‡ resulta da al. a)).
iv. Art. 1682¼ B CC: disposi•‹o do direito de arrendamento relativamente ˆ casa de morada
de fam’lia, quando a casa est‡ arrendada em nome de um dos c™njuges;
v. Art. 1682¼/3, al. a) e b) CC: aliena•‹o ou onera•‹o de bens m—veis utilizados
conjuntamente por ambos os c™njuges na vida do lar (prof. Pereira Coelho entende que
n‹o se deve exigir que sejam os dois c™njuges a utilizar o bem Ð ex: fog‹o, e o marido n‹o
cozinha Ð importa, sim, que fa•a parte do quadro normal da vida familiar) ou como
instrumento comum de trabalho + bens m—veis que pertencem exclusivamente ao
c™njuge que os n‹o administra;
vi. Art. 1683¼/2 CC: repœdio (n‹o aceitar) da heran•a ou do legado Ð porque, se for uma
comunh‹o geral, esse bem entraria para o patrim—nio comum e, se for uma comunh‹o de
adquiridos, esses bens seriam pr—prios do c™njuge herdeiro mas os frutos desses bens
seriam de ambos MAS j‡ n‹o Ž necess‡rio o consentimento do outro c™njuge para aceitar
heran•as, legados ou doa•›es (n¼1), uma vez que este Ž um patrim—nio aut—nomo (pelas
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d’vidas da heran•a/ doa•‹o respondem apenas os bens deixados Ð arts. 2071¼ e 963¼/2
CC).
b. Regime de separa•‹o de bens:
i. Art. 1682¼ A/2 CC: Em rela•‹o aos bens im—veis, s— h‡ ilegitimidade conjugal quanto ˆ
casa de morada de fam’lia;
ii. Art. 1682¼ B CC: disposi•‹o do direito de arrendamento relativamente ˆ casa de morada
de fam’lia;
iii. Art. 1682¼/2, al. a) e b) CC: = regimes de comunh‹o de bens.

Em todas estas situa•›es de ilegitimidade conjugal, um dos c™njuges n‹o pode praticar determinada a•‹o sem o
consentimento (art. 1684¼ CC) do outro. E quais os pressupostos deste?
- N¼1: especial para cada um dos atos (n‹o se pode dar um consentimento geral, sem visar
neg—cios concretos);
- N¼2: deve seguir a mesma forma exigida para a procura•‹o (em princ’pio, exige-se a mesma
forma que Ž exigida para o neg—cio a celebrar Ð art. 262¼/2 CC, com as devidas exce•›es);
- N¼3: suprimento judicial do consentimento (arts. 1000¼ e ss. CPCivil), por parte do tribunal
Ð ainda sem o consentimento de um dos c™njuges, o neg—cio pode ser celebrado:
o Impossibilidade de um c™njuge de prestar o consentimento;
o Injusta recusa.

Consequ•ncias do neg—cio celebrado com ilegitimidade conjugal (consentimento exigido e n‹o prestado, sem
suprimento judicial) Ð art. 1687¼ CC:
- N¼1: em princ’pio, ser‡ anul‡vel (que pode ser sanada nos termos gerais, se houver
confirma•‹o Ð art. 288¼ CC);
o legitimidade para propor a•‹o de anula•‹o Ð c™njuge cujo consentimento faltou
- N¼2: prazo: 6 meses depois de ter tomado conhecimento, mas nunca ap—s 2 anos;
- N¼3: prote•‹o em rela•‹o aos terceiros de boa-fŽ se estiver em causa a aliena•‹o ou onera•‹o
de bens m—veis n‹o sujeitos a registo;
- N¼4: s‹o aplic‡veis as regras relativas ˆ aliena•‹o de coisa alheia (art. 892¼ CC)

Coloca-se a quest‹o de saber se estas ilegitimidades conjugais tambŽm valem para as disposi•›es mortis causa (ex:
deixar um destes bens em testamento) à NÌO! Porque o testamento s— vai produzir efeitos ap—s a morte, no momento
em que j‡ n‹o existe casamento Ð art. 1685¼ CC à Poder‡, ent‹o, dispor do que Ž seu: os bens pr—prios e metade dos
bens comuns:
- N¼2: se o c™njuge dispuser da sua mea•‹o dos bens comuns, o herdeiro n‹o poder‡ exigir
aquele bem certo e determinado, mas apenas o valor correspondente a este, pois antes de
fazer a partilha n‹o se sabe se esse bem vai caber na parte do de cuius ou do c™njuge
sobrevivo, a n‹o ser que:
o al. a): aquele bem, na altura em que o c™njuge morreu, j‡ era um bem pr—prio;
o al. b): se a disposi•‹o tiver sido previamente autorizada pelo outro c™njuge;
o al. c): se a disposi•‹o tiver sido feita por um dos c™njuges em benef’cio do outro.

Na falta de conven•‹o nupcial, e a n‹o ser que seja um regime imperativo, o regime supletivo Ž o da comunh‹o de
adquiridos (art. 1721¼ e ss. CC) Ð s— entrou em vigor com o nosso CC (antes era o regime da comunh‹o geral de bens Ð
pode aparecer um caso pr‡tico celebrado antes da entrada em vigor do C—digo!! Ð antes de 1966).

5. D’vidas que responsabilizam ambos os c™njuges Ð art. 1691¼ CC


- n¼1, al. a): d’vida contra’da pelos dois ou contra’da por um com o consentimento do outro,
mesmo que tenha sido antes do casamento;
- n¼1, al. b): d’vidas contra’das por um dos c™njuges, antes ou depois da celebra•‹o do
casamento, para ocorrer aos encargos normais da vida familiar (ex: compras no

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supermercado; despesas na farm‡cia, etc.) à Prof. Pereira Coelho defende que, por regra,
s‹o despesas peri—dicas que se enquadram no padr‹o normal da vida familiar, com as devidas
exce•›es (ex: um dos c™njuges fica gravemente doente; viagem de finalistas do filho);
- n¼1, al. c): d’vidas contra’das na const‰ncia do matrim—nio, pelo c™njuge administrador (tem
de estar relacionada com um bem em concreto), contra’da em proveito comum (n‹o se
presume, tem de ser provado Ð n¼3 Ð e Ž aferido, n‹o pelo resultado, mas pela finalidade com
que a d’vida foi contra’da; n‹o Ž necessariamente de ordem patrimonial Ð ex: tirar fŽrias
juntos Ð alŽm disso, o prof. Pereira Coelho exige ainda que, aos olhos do bom pai de fam’lia,
aquela d’vida tivesse hip—tese de ter sido contra’da em proveito comum Ð ex: um dos
c™njuges pensou em fazer uma planta•‹o de bananeiras no rio Douro Ð o homem mŽdio
saberia que aquilo n‹o ia resultar em proveito comum);
- n¼1, al. d): d’vidas contra’das por um dos c™njuges no exerc’cio do comŽrcio, salvo se se
provar que n‹o foi em proveito comum (provado pelo c™njuge do comerciante) ou se o
regime for o de separa•‹o de bens à aplica-se essencialmente quando um dos c™njuges Ž
comerciante (os atos comerciais do comerciante presumem-se que foram praticados no
exerc’cio do comŽrcio Ð art. 15¼ CComercial) Ð presume-se, aqui, que h‡ proveito comum;
- n¼1, al. e): d’vidas consideradas comunic‡veis nos termos do art. 1693¼/2 CC:
o d’vidas que oneram heran•as, doa•›es ou legados, se esses bens forem bens comuns
(regime da comunh‹o geral de bens).
- n¼2: regime de comunh‹o geral de bens: d’vidas contra’das antes do casamento em proveito
comum do casal (ex: festa do casamento);
- art. 1694¼/1 CC: d’vidas que oneram bens comuns (ex: A e B s‹o casados e t•m uma casa
que Ž um bem comum de casal Ð a d’vida de IMI onera um bem comum);
- n¼/2, 2» parte: d’vidas que onerem bens pr—prios de um dos c™njuges, se tiverem como
causa a percep•‹o dos respetivos rendimentos e estes, por for•a do regime aplic‡vel, forem
considerados comuns (no regime da comunh‹o de adquiridos, os frutos ou rendimentos dos
bens pr—prios v‹o ser considerados comuns).

à Quais os bens que respondem pelas d’vidas comuns? Ð em primeira linha, respondem os bens comuns do
casal. Mas, se estes forem insuficientes, ser‹o utilizados os bens pr—prios de cada um dos c™njuges, que v‹o responder por
regime de solidariedade (salvo se for um regime de separa•‹o de bens) Ð art. 1695¼ CC (remeter do art. 1691¼ CC).

6. D’vidas que responsabilizam apenas um dos c™njuges


- art. 1692¼, al. a) CC: d’vidas contra’das por um dos c™njuges sem o consentimento do
outro;
- al. b): d’vidas provenientes de crimes e as indemniza•›es, restitui•›es, custas judiciais ou
multas devidas por factos imput‡veis a cada um dos c™njuges;
- al. c): d’vidas cuja incomunicabilidade resulta do disposto no art. 1694¼/2 CC (d’vidas que
oneram bens pr—prios);
- art. 1693¼/1 CC: d’vidas que oneram doa•›es, heran•as ou legados.

à Quais os bens que respondem pelas dividas pr—prias? Ð em primeira linha, respondem os bens pr—prios do
c™njuge devedor. Mas, se estes bens n‹o forem suficientes, responder‡ a sua mea•‹o nos bens comuns Ð art. 1696¼ CC
(remeter do art. 1692¼ CC).

Art. 1697¼ CC: compensa•›es devidas pelo pagamento de d’vidas do casal:


- n¼1: d’vida comum que acabou por ser paga por bens pr—prios de um dos c™njuges à este
torna-se credor do outro, mas este crŽdito s— Ž exig’vel no momento da partilha dos bens do
casal, a n‹o ser que vigore o regime de separa•‹o;

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- n¼2: d’vidas da exclusiva responsabilidade de um dos c™njuges, que acabou por ser paga
pelos bens comuns à esta quantia ser‡ levada a crŽdito do patrim—nio comum no momento
das partilhas.

Conven•›es antenupciais
Em todos os casamentos existe um regime de bens, mas as partes/ os nubentes podem escolher qual Ž que
querem para o seu casamento, a n‹o ser nos casos em que a lei fixa um regime imperativo Ð art. 1720¼ CC:
- um dos nubentes tem mais de 60 anos
- casamento civil urgente (sem processo preliminar de casamento)
Escolhe-se o regime de bens atravŽs de um contrato: conven•‹o antenupcial à contratos acess—rios do
casamento (s— fazem sentido se depois as pessoas vierem a casar Ð se n‹o for celebrado o casamento, estas caducam) Ð
arts. 1698¼ e ss. CC:
- princ’pio da liberdade Ð art. 1698¼ CC Ð os c™njuges t•m ampla liberdade para fixarem o que
pretenderem na conven•‹o antenupcial, dentro dos limites da lei
o MAS a experi•ncia demonstra que a maior parte dos nubentes optam por um dos
regimes previstos no C—digo Civil
o Art. 1699¼ CC Ð limites:
§ Al. a): Regula•‹o da sucess‹o heredit‡ria;
§ Al. b): Alterar direitos e deveres paternais e conjugais;
§ Al. c): Altera•‹o das regras sobre a administra•‹o dos bens Ð s— podem ser
alteradas atravŽs de um mandato;
§ Al. d): Estipula•‹o da comunicabilidade dos bens enumerados no art. 1633¼
CC;
§ N¼2: se alguŽm estiver casado com um filho fora do casamento, n‹o pode
optar pelo regime da comunh‹o geral de bens
§ O prof. Pereira Coelho entende que estes limites n‹o s‹o taxativos Ð vale
aqui tambŽm o respeito pelos limites gerais, como Ž o caso do respeito por
normas imperativas.
- princ’pio da imutabilidade Ð art. 1714¼ CC Ð depois de celebrado o casamento n‹o Ž mais
poss’vel alterar o regime de bens
o Justifica-se pela necessidade de proteger terceiros e os pr—prios c™njuges
o Limites: art. 1715¼ CC:
§ Al. a): quest›es relacionadas com o Direito das Sucess›es
§ Al. b): pela simples separa•‹o judicial de bens (remeter para arts. 1767¼ e
ss. CC) Ð passa a ser regime de separa•‹o de bens
§ Al. c): separa•‹o judicial de pessoas e bens (remeter para os arts. 1794¼ e
ss. CC);
§ Al. d): em todos os demais casos, previstos na lei, de separa•‹o de bens na
vig•ncia da sociedade conjugal (ex: art. 740¼ e ss. CPC Ð d’vidas pr—prias
em que Ž nomeado ˆ penhora um bem comum do casal).
- Art. 1713¼ CC: a lei permite que sejam celebradas conven•›es antenupciais sob condi•‹o ou
termo (ex: c™njuges escolhem regime de separa•‹o de bens mas estabelecem que, se vierem a
ter filhos, passa a ser o regime da comunh‹o geral de bens) à n‹o Ž uma exce•‹o ˆ
imutabilidade porque esta situa•‹o foi definida antes da celebra•‹o do casamento;
- Art. 1708¼ CC: Capacidade para celebrar conven•›es antenupciais = capacidade para celebrar
casamento (valem aqui tambŽm os impedimentos matrimoniais);
o N¼2: certas pessoas precisam de autoriza•‹o para celebrar conven•›es antenupciais:
§ Menores;
§ Interditos;
§ Inabilitados

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¥ Estes interditos e inabilitados s‹o apenas aqueles que n‹o podem
dispor dos seus bens e n‹o aqueles que n‹o podem casar (por
anomalia ps’quica)
¥ V‹o necessitar da autoriza•‹o do seu representante legal.
- Art. 1710¼ CC: Forma da conven•‹o antenupcial:
o Declara•‹o prestada perante funcion‡rio do registo civil;
o Escritura pœblica.
- Art. 1711¼ CC: Deve ser registada
o Consequ•ncia para a falta de registo: n‹o produz efeitos em rela•‹o a terceiros (com
exce•‹o dos herdeiros e dos demais outorgantes da escritura Ð n¼2) MAS produz
efeitos entre as pr—prias partes.
- Art. 1716¼ CC: a conven•‹o caduca se o casamento n‹o for celebrado dentro de 1 ano e
tambŽm caduca se o casamento for celebrado mas for declarado nulo/ anulado (a n‹o ser
que se possa invocar a figura do casamento putativo Ð ir‡ depender da boa-fŽ).

Regimes de bens
Regime da comunh‹o de adquiridos Ð arts. 1721¼ e ss. CC
à regime supletivo Ð art. 1717¼ CC Ð na falta de conven•‹o antenupcial Ž este o regime de bens que ser‡ aplicado
ao casamento;
à Existem bens pr—prios e bens comuns;
- Os bens comuns s‹o um exemplo de patrim—nio coletivo, isto Ž, pertencem em bloco aos
dois c™njuges (diferente da compropriedade, em que cada uma das pessoas tem uma fra•‹o);
à Bens pr—prios: art. 1722¼ CC
- n¼1, al. a): bens que cada um levou para o casamento;
- al. b): bens que advieram depois do casamento a t’tulo gratuito (sucess‹o ou doa•‹o);
- al. c): bens adquiridos na const‰ncia do matrim—nio por virtude de direito pr—prio anterior Ð
n¼2 d‡ v‡rios exemplos:
o sobre patrim—nios il’quidos partilhados depois do casamento;
o usucapi‹o fundada em possa que tenha in’cio antes do casamento;
o comprados antes do casamento com reserva de propriedade (ex: A compra um carro
a presta•›es com reserva de propriedade, antes de casar com B Ð a propriedade
transmite-se s— quando for paga a œltima presta•‹o);
o direito de prefer•ncia fundado em situa•‹o existente antes do casamento (ex: A Ž
arrendat‡rio h‡ v‡rios anos e, depois de casar com B, o senhorio quer vender o
im—vel, e este compra-o, exercendo o seu direito de prefer•ncia).
o O prof. Pereira Coelho entende que este artigo n‹o Ž taxativo e, por isso, Ž poss’vel
identificarmos outras situa•›es, por exemplo:
§ Aquisi•‹o na const‰ncia do matrim—nio em virtude de um contrato
aleat—rio celebrado antes do casamento (ex: A comprou uma rifa antes de
casar e, depois do casamento, esta foi sorteada e ganhou um autom—vel);
§ Existia um contrato-promessa antes do casamento, com efic‡cia real (s— a’
surge um direito real de aquisi•‹o) (ex: A celebrou um contrato-promessa de
compra e venda de um bem im—vel e s— celebrou o contrato prometido
depois do casamento)
- Art. 1723¼ CC Ð bens sub-rogados no lugar de bens pr—prios
o Al. a): por meio de troca direta (ex: A troca o seu carro, bem pr—prio, por um mais
moderno);
o Al. b): pre•o dos bens pr—prios alienados;
o Al. c): bens adquiridos ou benfeitorias feitas com dinheiro ou valores pr—prios
§ Exig•ncia: a proveni•ncia do dinheiro ou valores tem de ser mencionada no
documento de aquisi•‹o, ou em documento equivalente, com a interven•‹o
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de ambos os c™njuges (ex: A, casado com B, compra um autom—vel com o
seu pr—prio dinheiro Ð ambos t•m de referir, num documento, que este
autom—vel foi comprado com o dinheiro de A) Ð de outra forma, ser‡
considerado um bem comum porque foi adquirido na const‰ncia do
matrim—nio, a t’tulo oneroso.
¥ O prof. Pereira Coelho entende que, se o requisito n‹o for
preenchido, em face de terceiros o bem Ž comum mas, nas rela•›es
entre os dois c™njuges, estes podem provar de outra forma que
aquele bem foi adquirido com dinheiro pr—prio de um deles.
¥ A prof. Rita Lobo Xavier entende que, na falta de preenchimento
do requisito, o bem ser‡ sempre considerado comum.
- Art. 1726¼ CC: bem adquirido na const‰ncia do matrim—nio, em parte com dinheiro pr—prio
e em parte com dinheiro comum, SE a mais valiosa das presta•›es tiver sido paga com
dinheiro pr—prio.
o MAS poder‡ originar compensa•‹o no momento da partilha
o Se for 50/50 aplica-se o regime supletivo: bem comum
- Art. 1728¼ CC: bens adquiridos por virtude da titularidade de bens pr—prios anteriores sem
preju’zo da eventual compensa•‹o:
o N¼ 2, al. a): acess‹o;
o Al. b): materiais resultantes da demoli•‹o ou destrui•‹o de bens;
o Al. c): parte do tesouro adquirida pelo c™njuge na qualidade de propriet‡rio;
o Al. d): prŽmios de amortiza•‹o de t’tulos de crŽdito ou de outros valores mobili‡rios
pr—prios + t’tulos ou valores adquiridos por virtude de um direito de subscri•‹o
ˆqueles inerente
- Art. 1733¼ CC: bens considerados pr—prios por for•a da lei Ð bens incomunic‡veis (mesmo
num regime de comunh‹o geral de bens, s‹o pr—prios).
à Bens comuns:
- Art. 17924¼, al. a) CC: produto do trabalho dos c™njuges;
- Al. b): aquisi•›es a t’tulo oneroso, n‹o excecionadas por lei;
- Art. 1728¼/1 CC: frutos (tudo aquilo que uma coisa produz periodicamente sem preju’zo da
sua subst‰ncia) dos bens pr—prios (ex: A, antes de casar, comprou uma casa. Depois de casar,
arrendou-a. Os frutos do arrendamento s‹o dos dois);
- Art. 1725¼ CC: presun•‹o de comunicabilidade Ð se existirem dœvidas acerca da titularidade
dos bens m—veis, presume-se que s‹o bens comuns;
- Bens sub-rogados no lugar de bens comuns
- Art. 1726¼ CC: bem adquirido em parte com o dinheiro pr—prio e em parte com dinheiro
comum, SE a mais valiosa presta•‹o tiver sido paga com dinheiro comum.
- Art. 1729¼ CC: bens herdados/ doados quando o doador/ testador assim o determinar.

Regime da comunh‹o geral de bens Ð arts. 1732¼ e ss. CC


à Quando Ž que se aplica?
- nubentes escolheram este regime atravŽs de uma conven•‹o antenupcial
- casamentos celebrados antes da entrada em vigor deste C—digo Civil e para os quais n‹o
havia conven•‹o nupcial (31 de maio de 1967 Ð antes era o regime supletivo)
à Regime:
- regra: todos os bens s‹o comuns Ð art. 1732¼ CC Ð salvo exce•›es (art. 1733¼ CC Ð norma
imperativa Ð os c™njuges n‹o podem afastar esta disposi•‹o Ð art. 1699¼, al. d) CC):
o al. a): bens doados ou deixados com cl‡usula de incomunicabilidade;
o al. b): bens doados ou deixados com cl‡usula de revers‹o ou fideicomiss‡ria;

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Direito da Família
o al. c): usufruto, uso ou habita•‹o e demais direitos estritamente pessoais (prof.
Pereira Coelho entende que podemos considerar aqui algumas licen•as obtidas,
concedidas com base nas caracter’sticas da pessoa);
o al. d): indemniza•›es devidas por factos verificados contra a pessoa de cada um dos
c™njuges ou contra os seus bens pr—prios;
o al. e): seguros vencidos em favor da pessoa de cada um dos c™njuges ou para
cobertura de riscos sofridos por bens pr—prios;
o al. f): vestidos, roupas e outros objetos de uso pessoal e exclusivo, bem como os
diplomas e correspond•ncia;
o al. g): recorda•›es de fam’lia de diminuto valor econ—mico.

Regime da separa•‹o de bens Ð arts. 1735¼ e ss. CC


à N‹o existem bens comuns à os bens s‹o todos pr—prios de um ou pr—prios do outro;
à Quando se aplica?
- quando este regime Ž imperativo Ð art. 1720¼ CC
o um dos nubentes tem mais de 60 anos;
o casamentos urgentes (sem preced•ncia do processo preliminar de casamento)
- quando for convencionado em conven•‹o antenupcial pelos c™njuges
à Art. 1735¼ CC: ÒSe o regime de bens imposto por lei (art. 1720¼ CC) ou adotado pelos esposados for o da
separa•‹o, cada um deles conserva o dom’nio e frui•‹o de todos os seus bens presentes e futuros, podendo deles dispor
livrementeÓ
- Este artigo n‹o Ž rigoroso, porque pode haver na mesma ilegitimidades conjugais neste
regime:
o Ex: casa de morada de fam’lia (art. 1682¼ A/2 CC), etc.
à Art. 1736¼/2 CC: embora n‹o existam bens comuns, podem existir bens que pertencem aos dois, em regime
de compropriedade (arts. 1412¼ e ss. CC) à Quando h‡ dœvidas em rela•‹o ˆ titularidade dos bens m—veis, presume-se
que s‹o dos dois em regime de compropriedade

Partilha (art. 1689¼ CC)


à Judicial
- a•›es nos tribunais;
- aplica-se o processo de invent‡rio Ð Lei 23/2013, de 5 de mar•o
à Extrajudicial
- fora do tribunal
- feito na conservat—ria do registo civil Ð Art. 272¼ A e ss. CRC
à Cada um dos c™njuges fica com os seus bens pr—prios + mea•‹o nos bens comuns;
à Art. 1730¼ CC: norma imperativa
- cada um fica com metade do patrim—nio comum
à A partilha envolve v‡rias opera•›es atŽ que seja realmente realizada a partilha:
1. Separar os bens pr—prios;
2. Liquidar o patrim—nio comum:
a. Relacionar os bens comuns;
b. Compensa•›es;
i. Ex: arts. 1697¼, 1726¼, 1727¼ CC.
c. Pagar as d’vidas
i. D’vidas de um dos c™njuges em rela•‹o ao outro (ex: art. 1681¼
CC);
ii. D’vidas em rela•‹o a terceiros.
3. Partilha propriamente dita.
à Em princ’pio, a partilha Ž feita segundo o regime de bens em que o casamento foi feito.
- Exce•›es:
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o Div—rcio Ð art. 1790¼ CC Ð imperativo;
o Caso de morte Ð art. 1719¼ CC Ð podem, Ž facultativo Ð se n‹o disserem nada,
aplicamos o regime do casamento.

3.2. Conteœdo das rela•›es entre pais e filhos: responsabilidades parentais e deveres rec’procos entre pais e filhos
Efeitos da filia•‹o Ð arts. 1874¼ e ss. CC
Esta rela•‹o Ž uma rela•‹o que resulta do estabelecimento da filia•‹o e de direitos e deveres rec’procos (vinculam
quer os pais quer os filhos Ð antes da reforma de 67, n‹o era assim)
à Art. 1874¼ CC: Pais e filhos devem-se mutuamente respeito, aux’lio e assist•ncia:
- n¼2: dever de assist•ncia: obriga•‹o de contribuir para os encargos da vida familiar +
obriga•‹o de prestar alimentos (autonomiza-se quando n‹o h‡ vida em comum Ð ex: os pais
divorciam-se e o filho fica a viver s— com um dos pais), que n‹o se extingue com a
maioridade do filho (art. 2009¼ CC)
o Art. 250¼ CP: incumprimento da obriga•‹o de prestar alimentos Ž crime
à Art. 2157¼ CC: efeito sucess—rio (s‹o herdeiros legitim‡rios uns em rela•‹o aos outros);
à Art. 1875¼ e 1876¼ CC: o nome do filho Ž escolhido pelos seus progenitores e desse devem constar apelidos
pelo menos de um dos progenitores.
- quando a paternidade n‹o se encontre estabelecida e a m‹e for casada, poder‹o ser atribu’dos
ao filho menor apelidos do marido da m‹e, se ambos declararem que Ž esta a sua vontade.

4. Crises familiares e solu•›es jur’dicas


Ës vezes as rela•›es matrimoniais entram em crise e, dependendo da gravidade, o legislador apresenta algumas
solu•›es: (1) V’nculo conjugal n‹o se extingue, embora a rela•‹o v‡ sofrer altera•›es.

4.1. As modifica•›es da rela•‹o matrimonial + 4.3. Consequ•ncias jur’dicas das ruturas conjugais
Simples separa•‹o judicial de bens (art. 1767¼ e ss. CC)
à Quando Ž poss’vel recorrer?
- um dos c™njuges est‡ a fazer administra•‹o de tal forma ruinosa, que o outro c™njuge
come•a a ficar em risco de perder o que Ž seu;
- casos em que um dos c™njuges est‡ a administrar sozinho bens comuns ou um dos c™njuges
est‡ a administrar bens do outro c™njuge (ex: bem utilizado de forma exclusiva como
instrumento de trabalho Ð art. 1678¼/2, al. e) CC);
à Fundamento (art. 1767¼ CC) Ð perigo de perder o que Ž seu pela m‡ administra•‹o do outro c™njuge;
à Art. 1768¼ CC: car‡ter litigioso à ƒ sempre proposta uma a•‹o por um dos c™njuges contra o outro;
à Legitimidade para recorrer (art. 1769¼ CC) à C™njuge lesado;
à Efeitos (art. 1770¼ CC):
- Cessam as rela•›es patrimoniais entre os c™njuges à partilha dos bens comuns (art. 1689¼
CC);
- Casamento n‹o se dissolve, mas passam a estar num regime de separa•‹o de bens (exce•‹o
ao princ’pio da imutabilidade do regime de bens);
à Irrevogabilidade (art. 1771¼ CC);
à Art. 1772¼ CC: os dois artigos anteriores tambŽm se aplicam a todos os casos em que se permite a separa•‹o de
bens na vig•ncia do casamento (ex: art. 740¼ CPCivil Ð d’vidas pr—prias em que Ž nomeado ˆ penhora um bem comum Ð
o c™njuge pode pedir a simples separa•‹o judicial de bens).

Separa•‹o de facto
à C™njuges n‹o vivem em comunh‹o de leito, mesa e habita•‹o (art. 1782¼ CC) Ð n‹o vivem em comunh‹o de
vida e pelo menos um deles n‹o tem a inten•‹o de a restabelecer;
- H‡ c™njuges que vivem na mesma casa, mas que est‹o na mesma separados de facto à N‹o
vivem em comunh‹o de vida.
à Efeitos:
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- fundamentos para o div—rcio sem o consentimento do outro, desde que a separa•‹o de facto
dure h‡ mais de um ano (art. 1781¼, al. a) CC);
- c™njuges j‡ n‹o residem os dois juntos Ð dever de assist•ncia pode-se traduzir na obriga•‹o
de pagar alimentos (art. 2015¼ à art. 1675¼ CC);
o Limite: em caso de div—rcio, o c™njuge que tiver direito a alimentos, n‹o tem o
direito de exigir a manuten•‹o do n’vel de vida que tinha na const‰ncia do
matrim—nio (art. 2016¼ A CC) à A maior parte da doutrina considera que este
limite n‹o se aplica na separa•‹o de facto, na medida das possibilidades de quem
paga e das necessidades de quem pede
o Apenas aquele que Ž culpado (...)
- Exerc’cio das responsabilidades parentais à v‹o-se aplicar as mesmas regras que est‹o
previstas para o div—rcio (art. 1909¼ à art. 1905¼ e ss. CC);
- (...)

Separa•‹o de pessoas e bens (art. 1794¼ e ss. CC)


à Distin•‹o para o div—rcio:
- V’nculo matrimonial mantŽm-se;
- Solu•‹o para os cat—licos, que queiram respeitar o grave dever moral de n‹o dissolver o
matrim—nio.
à Art. 1794¼ CC: manda aplicar as regras do div—rcio;
à Efeitos (art. 1795¼ A CC):
- extingue os deveres de coabita•‹o e assist•ncia, sem preju’zo do direito ˆ alimenta•‹o;
- faz-se a partilha dos bens comuns e passam a estar num regime de separa•‹o de bens
(exce•‹o ao princ’pio da imutabilidade);
- apelidos mantŽm-se (regra), embora possa ser privado do uso desses apelidos (art. 1677¼ B
CC);
- Efeito sucess—rio Ð os c™njuges j‡ n‹o v‹o ser chamados ˆ heran•a do outro (art. 2133¼/3
CC);
- Arts. 1790¼, 1791¼, 2016¼, 1792 e 1793¼ CC por remiss‹o do art. 1794¼ CC-
à Como Ž que se termina?
- Reconcilia•‹o (art. 1795¼ C CC) Ð tem de ser homologado, pelo conservador ou pelo juiz, se
esta era judicial: arts. 12¼ e 13¼ do DL 272/2001;
o A lei n‹o resolve o problema de saber o que acontece depois da reconcilia•‹o quanto
ao regime de bens:
§ Prof. Pereira Coelho: equivale a um novo casamento e, por isso, os c™njuges
podem escolher um novo regime de bens;
§ Prof. Rita Lobo Xavier: recupera-se o regime de bens anterior ˆ separa•‹o;
§ Outra doutrina: continua a aplicar-se o regime da separa•‹o de bens.
- Convers‹o da separa•‹o em div—rcio (art. 1795¼ D CC) à depende de requerimento; se
estiverem os dois de acordo, n‹o Ž preciso esperar prazo nenhum; se apenas um quiser, Ž
necess‡rio esperar o prazo de um ano:
o Se o pedido de convers‹o for feito no tribunal Ð art. 993¼ CPCivil;
o Se o pedido for feito perante o conservador do Registo Civil Ð art. ¼ do DL
272/2001.
à O legislador, atravŽs da forma como regula ambos, parece preferir o div—rcio à Esta vis‹o est‡ subjacente ao
art. 1795¼ CC Ð se um c™njuge quer uma coisa e o outro quer outra, o ju’z deve decretar o div—rcio.

4.2. A dissolu•‹o do casamento por div—rcio


As invalidades est‹o relacionadas com v’cios que se verificam no momento em que o casamento Ž celebrado à
casamento vai ser destru’do de forma retroativa, sem preju’zo do que acontece no casamento putativo.
Dissolu•‹o à n‹o extingue o v’nculo matrimonial de forma retroativa, os seus efeitos valem apenas para o futuro:
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- morte;
- div—rcio;
- casamento rato e n‹o consumado (casamento cat—lico).

Evolu•‹o hist—rica
à O div—rcio foi introduzido em Portugal a 3 de novembro de 1910 Ð Lei do div—rcio;
à Concordata entre Portugal e a Santa SŽ: 1940 Ð Cat—licos n‹o podiam divorciar-se.
à C—digo de 1966 Ð Art. 1790¼ proibia o div—rcio em rela•‹o ˆs pessoas que tinham casado catolicamente e
dificultava tambŽm os div—rcios para os casamentos civis Ð estabelecem-se apenas causas subjetivas para o div—rcio Ð Ž
necess‡rio provar a culpa da viola•‹o dos deveres conjugais (o div—rcio era visto como uma san•‹o);
à Protocolo adicional ˆ concordata de 1940, em 1975: passou-se a permitir que o Estado portugu•s decrete o
div—rcio para os casamentos cat—licos, embora estes tenham um grave dever moral de n‹o o pedir Ð Art. 1790¼ foi
alterado;
à Lei 61/2008 de 31 de outubro: introduz o novo regime do div—rcio.

Direito ao div—rcio
à Direito potestativo Ð poder de livremente produzir determinados efeitos jur’dicos; s— pode ser exercido
mediante recurso a autoridade pœblica Ð tribunal;
- direito potestativo extintivo Ð vai produzir na esfera jur’dica da outra pessoa a extin•‹o da
rela•‹o matrimonial;
- condicionalismo justificativo Ð art. 1781¼ CC: Ž necess‡rio justificar.
à Direito pessoal Ð direito exercido pelos pr—prios c™njuges (art. 1785¼ CC), embora se o c™njuge morrer na
pend•ncia da a•‹o, esta possa continuar;
à Direito irrenunci‡vel Ð c™njuges n‹o podem, ˆ partida, renunciar a este direito (ex: atravŽs da conven•‹o
antenupcial); legislador quer que os c™njuges decidam face as circunst‰ncias concretas.

Modalidades de div—rcio (art. 1773¼ CC)


Div—rcio por mœtuo consentimento: div—rcio requerido por ambos os c™njuges
à Compet•ncia exclusiva das Conservat—rias do Registo Civil
à O requerimento do div—rcio por mœtuo consentimento tem de ser acompanhado de 3 acordos:
- acordo sobre o exerc’cio das responsabilidades parentais (quando existam filhos menores e
n‹o tenha havido previamente regula•‹o judicial);
- acordo sobre a presta•‹o de alimentos ao c™njuge que deles care•a;
- acordo sobre o destino da casa de morada de fam’lia Ð art. 1755¼ CC
o Estes acordos s‹o apreciados pelo conservador, que pode convidar o c™njuge a
alter‡-los se estes n‹o acautelarem os interesses de algum deles ou dos filhos (art.
1778¼ A/2 CC)
o O acordo relativo aos filhos Ž especialmente apreciado pelo MP (arts. 1776¼ e 1776¼
A CC)
o A n‹o homologa•‹o dos acordos implica que o processo seja integralmente remetido
para o Tribunal (art. 1778¼ CC).
à Exige-se ainda a apresenta•‹o de uma rela•‹o especificada dos bens comuns, com a indica•‹o dos respetivos
valores
- Os c™njuges podem juntar acordo sobre a partilha ou pedir elabora•‹o do mesmo (art. 272¼
A/2 CRC)

Div—rcio por mœtuo consentimento judicial


- Quando, num processo de div—rcio inicialmente contencioso, os c™njuges acabam por
acordar na modalidade do mœtuo consentimento (art. 1779¼/2 CC);
- Quando o div—rcio Ž requerido por mœtuo consentimento na Conservat—ria de Registo Civil,
mas algum dos acordos foi rejeitado (art. 1778¼ CC);
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- Quando os c™njuges coincidem na vontade de se divorciarem, mas n‹o apresentam os
Òacordos complementaresÓ referidos anteriormente (art. 1778¼ A/1 CC).
à Nas duas œltimas hip—teses, o div—rcio Ž Òpor mœtuo consentimentoÓ s— quanto ˆ dissolu•‹o do casamento,
pois existe Òlit’gioÓ quanto aos aspetos em que os c™njuges n‹o chegaram a consenso à o juiz dever‡, n‹o apenas
promover o acordo dos c™njuges, mas tambŽm t•-lo em conta na determina•‹o das consequ•ncias do div—rcio (art. 1778¼
A/6 CC)
à Art. 1778¼ A/3 CC: se n‹o for poss’vel obter acordos, Òo juiz fixa as consequ•ncias do div—rcio nas quest›es
referidas no art. 1775¼/1 como se se tratasse de um div—rcio sem o consentimento de um dos c™njugesÓ

Div—rcio sem o consentimento do outro c™njuge (arts. 1779¼ e ss CC e 931¼ e ss. CPCivil):
à Causa tem de ser revelada e tem de ser uma causa que esteja no art. 1781¼ CC;
à Ju’z vai marcar uma confer•ncia para tentar a concilia•‹o dos c™njuges;
à Fundamentos para as causas de div—rcio (art. 1781¼ CC) Ð causas objetivas, n‹o dependem da culpa; todas as
causas demonstram a rutura definitiva do casamento:
a) Separa•‹o de facto por um ano consecutivo;
b) Altera•‹o das faculdades mentais do outro c™njuge, quando dure h‡ mais de um ano e, pela sua
gravidade, comprometa a possibilidade de vida em comum;
c) Aus•ncia, sem que do ausente haja not’cias, por tempo n‹o inferior a um ano;
d) Quaisquer outros factos que, independentemente da culpa dos c™njuges, mostrem a rutura definitiva
do casamento
- H‡ quem interprete de forma mais leve Ð ex: j‡ n‹o gostam um do outro;
- Prof. Rita Lobo Xavier interpreta de forma mais r’gida, pois estamos perante um contrato
(ex: viola•‹o dos deveres conjugais independentemente da culpa) Ð seguimos esta opini‹o (Ž
necess‡rio alegar e provar factos).
à Este uma associa•‹o de mulheres juristas que criticou o art. 1781¼ CC, por causa da falta de visibilidade da
viol•ncia domŽstica Ð queriam que houvesse uma al’nea aut—noma sobre a viol•ncia domŽstica;
à A senten•a do tribunal decreta o div—rcio, mas as consequ•ncias/ efeitos do div—rcio n‹o s‹o reguladas na
pr—pria a•‹o de div—rcio à Ž necess‡rio propor a•›es aut—nomas para cada quest‹o (ex: casa de morada de fam’lia,
responsabilidades parentais, etc.).

Em qualquer modalidade de div—rcio, o juiz deve dar conhecimento aos c™njuges que existem servi•os de
media•‹o familiar (art. 1774¼ CC).

4.4. Em especial: Efeitos do div—rcio


Tem como principal efeito a dissolu•‹o do casamento com efeitos apenas para o futuro.
à Art. 1789¼/1 CC: regra geral produzem-se os efeitos a partir do tr‰nsito em julgado, mas temos uma exce•‹o
em rela•‹o aos efeitos patrimoniais entre os c™njuges, n‹o se produzem a partir da data da propositura da a•‹o Ð v‹o
retroagir ˆ data da propositura da a•‹o;
à Art. 1789¼/2 CC: qualquer um dos c™njuges pode pedir que os efeitos do div—rcio retroajam ˆ data do in’cio
da separa•‹o de facto (a prof. Rita Lobo Xavier entende que esta faculdade s— faz sentido num div—rcio sem o
consentimento do outro);
- AtŽ que momento Ž poss’vel fazer esse requerimento?
o O prof. Salter Cid entende que Ž poss’vel fazer esse requerimento (art. 1789¼/2 CC
- os efeitos do div—rcio v‹o retroagir ˆ data do in’cio da separa•‹o de facto) mesmo
ap—s a senten•a, desde que seja feito atŽ ao momento da partilha dos bens.
à Art. 1789¼/3 CC: os efeitos patrimoniais do div—rcio s— se podem opor a terceiros a partir do registo da
senten•a (ex: credor).
à Os efeitos pessoais s— v‹o ser produzidos quando o div—rcio for decretado Ð n¼1 Ð ex: A era casado
com B e pede o div—rcio. Enquanto aguarda que este seja decretado, n‹o pode casar com C.
à Os c™njuges deixam de estar vinculados pelos deveres conjugais. MAS apesar de cessarem, poder‡ um dos
c™njuges continuar a pagar alimentos ao outro (dever de assist•ncia).

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à As rela•›es de afinidade extinguem-se (art. 1585¼ CC).
à Em princ’pio, perdem-se os apelidos que se tinha acrescentado do ex-c™njuge. Ainda assim, podem ser
conservados em algumas situa•›es Ð art. 1677¼ B CC:
- o outro c™njuge deu autoriza•‹o
- o tribunal autoriza mediante os motivos invocados.

Efeitos patrimoniais (houve uma grande altera•‹o em 2008 pela lei 61/2008 Ð antes dependia da culpa, penalizando o
c™njuge que tinha sido culpado no div—rcio)
à Art. 1790¼ CC Ð Partilha Ð aplica-se a qualquer um dos c™njuges, quando o regime Ž o da comunh‹o geral de
bens:
- nenhum dos c™njuges pode receber mais na partilha do que aquilo que teria recebido se o
casamento tivesse sido celebrado segundo o regime da comunh‹o de adquiridos
- Prof. Cristina Araœjo Dias entende que se est‡ aqui a impor um limite injustificadamente
- Levanta outro problema: aplica•‹o da lei no tempo à Aplica-se a que casamentos?
o A prof. Rita Lobo Xavier entende que, por quest›es que se prendem com as
expectativas das partes e os direitos adquiridos, devem-se aplicar aos casamentos
celebrados ap—s a entrada em vigor da lei e, relativamente aos casamentos celebrados
antes de 2008, este artigo s— se aplica em rela•‹o aos bens que foram adquiridos
ap—s a entrada em vigor da lei.
à Art. 1791¼ CC: perdem os benef’cios recebidos ou que haja de receber do outro c™njuge (ex: disposi•‹o
testament‡ria) em vista do casamento ou em considera•‹o do estado de casado = doa•›es (art. 1760¼, al. b) CC e 1766¼,
al. c) CC Ð entende-se que a œltima parte deste artigo Ž revogada).
à Art. 1792¼ CC: repara•‹o de danos
- N¼1: o c™njuge lesado tem o direito de pedir a repara•‹o dos danos causados pelo outro
c™njuge
o nos termos gerais da responsabilidade civil Ð art. 483¼ CC
o nos tribunais comuns
- N¼2: danos n‹o patrimoniais sofridos por causa da dissolu•‹o do casamento
o legitimidade: c™njuge que sofreu as altera•›es das faculdades mentais
o este pedido de indemniza•‹o deve ser deduzido na pr—pria a•‹o de div—rcio.
à Arts. 2016¼ e 2016¼ A CC: Obriga•‹o de pagar alimentos
- sujeito ao critŽrio do art. 2004¼ CC Ð possibilidades de quem vai ser obrigado a pagar e
necessidades de quem vai pedir os alimentos
o MAS pode n‹o ser justo, ainda assim, fixar alimentos (ex: aquele que foi v’tima de
viol•ncia domŽstica n‹o tem que pagar alimentos ao agressor; adultŽrio) por motivos
de equidade
- Deve tomar em conta outras circunst‰ncias Ð art. 2016¼ A/1 CC.
- N¼3: n‹o h‡ o direito de exigir a manuten•‹o do n’vel de vida Ð n‹o era o entendimento da
doutrina e da jurisprud•ncia
à Art. 1676¼/2 e 3 CC: Possibilidade de um dos c™njuges ter uma compensa•‹o
- Se a contribui•‹o de um dos c™njuges para os encargos da vida familiar foi
consideravelmente superior (ex: renœncia de forma excessiva ˆ satisfa•‹o dos seus interesses
em favor da vida em comum, designadamente a sua vida profissional), com preju’zos
patrimoniais importantes, esse c™njuge ter‡ direito a exigir do outro a correspondente
compensa•‹o.
- tem de ser exigida no momento da partilha, a n‹o ser que vigore o regime da separa•‹o de
bens Ð compensa•‹o s— pode ser pedida num momento ap—s o div—rcio.
à Art. 1673¼ e 1105¼ CC: destino a dar ˆ casa de morada de fam’lia
- Art. 1673¼ CC Ð a casa Ž pr—pria

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o Art. 1793¼/1 CC Ð o tribunal pode dar de arrendamento a qualquer um dos
c™njuges, quer esta casa seja comum ou pr—pria do outro, considerando as
necessidades de cada um dos c™njuges e os interesses dos filhos do casal
o N¼2: Ž o tribunal que fixa as cl‡usulas do contrato e, se as condi•›es se alterarem, Ž
poss’vel pedir uma altera•‹o daquilo que foi fixado
o Art. 990¼ CPCivil
- Art. 1105¼ CC Ð a casa Ž arrendada
à Art. 2133¼/3 CC: Deixa de haver efeitos sucess—rios.

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