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Processo Civil

2013-09-17
Direito Processual Civil

Jorge Augusto Pais do Amaral

11ª edição (2013) Almedina

2013-09-19
PI (autor)

Contestação (réu)

Despacho saneador

Julgamento (produção Prova)

Sentença

Noção de Processo Civil


 Sequência de atos destinados à justa composição de um conflito de interesses, através de
uma sentença por um tribunal (órgão dotado de autoridade)

 Interesses privados ou particulares

Características do Processo Civil


 Direito Adjetivo (processual): é um instrumento ao serviço da aplicação do direito
substantivo (Direito Civil) ao conflito de interesses.

 Direito Público: regula o exercício de uma função do Estado  a função jurisdicional


(impede o regresso à justiça privada).

Importância
 O mau uso pode comprometer o Direito que se pretende fazer valer  tendência de
desformalização, privilegiando a decisão de mérito em detrimento da decisão da decisão de
forma.

Fontes
 Código Processo Civil

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Princípios e deveres estruturantes

 Garantia de acesso aos tribunais


 Princípio do dispositivo
 Princípio do inquisitório
 Princípio do contraditório
 Igualdade
 Cooperação
 Economia processual
 Dever boa fé processual
 Dever de recíproca correção

Garantia de acesso aos tribunais

 A todo o direito corresponde uma ação – art. 2º nº2 CPC

 Lei do apoio judiciário – 34/2004 de 29 de Julho, visa garantir que alguém é impedido de
recorrer ao tribunal por insuficiência de meios.

Princípio do dispositivo

 O tribunal só se pronuncia sobre o conflito de interesses se isso lhe for solicitado – art. 3º
CPC

 É aos litigantes que compete instruir a ação e impulsionar a ação

 É aos litigantes que compete a prorrogativa de pôr termo à ação (por desistência ou por
acordo)

 A sentença não pode condenar em quantia superior ou em objeto diverso do que constado
pedido – art. 609º CPC

 É às partes que compete alegar e provar os factos constitutivos do direito que pretendem
fazer valer – art. 342º C.Civ.

 Quando contesta o réu deve tomar posição específica sobre os factos alegados pelo autor –
art. 574º nº1 CPC

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Princípio do inquisitório

 O juiz tem um poder de gestão do processo

 O juiz supre a falta de pressupostos processuais que forem sanáveis – art. 6º CPC

 Impede a transação ou a desistência em relação a direitos indisponíveis

 O juiz convida ao aproveitamento de articulados – art. 590º nº3, nº4 CPC

 O juiz pode oficiosamente requisitar informação, pareceres técnicos ou outros elementos, ou


determinar outras diligências, nomeadamente de prova – art. 436º nº1, 487º nº2, 494º nº1,
526º nº1 CPC

Princípio do contraditório

 O tribunal não pode resolver o conflito de interesses sem oportunidade de oposição do


demandado  citação – art. 3º nº1 CPC

 O contraditório é válido ao longo de todo o processo – art. 3º nº3 CPc

 Não se trata só de defesa, trata-se também de influência

Igualdade

 As partes estão em posição de paridade plena entre si – art. 4º CPC

Cooperação

 Magistrados, mandatários, partes, funcionários públicos e terceiros devem cooperar para a


composição breve e eficaz do litígio – art. 7º CPC

 Limites – art. 417º nº3 CPC


 Violação da integridade física ou moral
 Intromissão da vida privada ou familiar
 Violação de sigilos objetores

 A cooperação aplica-se a terceiros sob condenação de multa ou utilização de meios


coercivos (ex. apreensão de objetos)

 A recusa provinda das partes faz com que o tribunal aprecie livremente para efeitos de prova
– art. 417º nº2 CPC. Sem prejuízo de condenação em multa ou como litigantes de má fé

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Economia processual

 Imperativo de eficiência na aplicação de justiça

 Proíbe a prática de atos impertinentes, dilatórios ou inúteis

2013-09-24

Dever de boa fé processual

 Incumprimento do dever de boa fé é sancionado com a condenação como litigante de má fé


Ex.: deduzir pretensão cuja falta de fundamento não devia ignorar
Ex.: alterar a verdade dos factos ou omitir factos relevantes
Ex.: omitir o cumprimento do dever de cooperação
Ex.: usar o processo de modo reprovável
 Objeto ilegal
 Dilatório
 Impedir a descoberta da verdade

Dever de reciproca correção

 Aplicável ao relacionamento entre magistrados, advogados e funcionários – art. 9º, 150º,


157º nº3 CPC

 Ocorrendo justificados obstáculos ao início pontual da diligência, o juiz deve comunicar aos
mandatários e a secretaria às partes, sob pena de passados 30 minutos serem
automaticamente dispensados – art. 151º nº6 e nº7 CPC

2013-10-01

Ações declarativas

 Simples apreciação
 Positiva
 Negativa
 Constitutivas
 Condenação

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Simples apreciação

Aquelas em que é preciso uma apreciação, e podem ser negativas ou positivas.

Exemplo: Há 2 agricultores que discutem entre si a propriedade de um terreno. Através de uma


ação de simples apreciação o Tribunal vai apreciar de quem é o terreno, aprecia a existência do
direito do A do B.

Constitutivas

Visam autorizar uma mudança na ordem jurídica existente.

Exemplo: Divórcio, servidões legais de passagem

Condenação

Condenar outrem no cumprimento da prestação de algo.

Exemplo: Ação de reivindicação de propriedade

Ações Declarativas

 Processo comum
 Processo especial
 Processos de jurisdição voluntária
 Processos de tutela da personalidade
 AECOPEC – ação especial de cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de
contrato (injunção)

Tutela de personalidade – art. 878º ss CPC

Providências adequadas a evitar a consumação de qualquer ameaça ilícita e direta à personalidade


física e moral humana.

Nota: o n.º2 do art. 70º C.Civ. no domínio da tutela dos direitos de personalidade, prevê o direito de
solicitar providências tendentes a evitar a consumação da ameaça ou atenuar os efeitos da ofensa já
cometida.

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É suposto serem processos rápidos:

 Celeridade

 Apresentação de contestação na audiência de julgamento

 Possibilidade de decisões provisórias e proferidas sem contraditório (sem ser ouvida a parte
contrária) – art. 879º CPC

 Mediante análise das provas oferecidas pelo requerente – art. 879º nº5 CPC

 As decisões podem ser alteradas sem prejuízo dos efeitos produzidos

Como é que se desenrola o processo

 Apresentação de requerimento com indicação de provas

 A contestação do requerimento é apresentada na audiência

 Tentativa de conciliações

 Produção de provas e sentença sucintamente fundamentada

 Em caso de procedência o juiz indica o comportamento concreto que o requerido deve


adotar, prazo e fixa sanções pecuniárias compulsórias

 Em caso de decisão provisória a mesma não admite recurso

 O processo tem natureza urgente

 A execução é oficiosa e corre nos próprios autos – art. 808º CPC

Ação especial de cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contratos

AECOPEC só serve para obrigações pecuniárias, mas que sejam emergentes de contratos (contratos
de compra e venda, faturas), falamos de injunções, processos mais rápidos.

Ação especial e injunção são ações diferentes, mas ambas são emergentes de contratos, e até ao
valor de 15.000 €.

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Ação declarativa de processo especial

 DL 269/98 de 1/9

 É aplicável a obrigações pecuniárias emergentes de contratos com valores até 15.000€

 O autor nesta ação expõe sucintamente os factos sem necessidade de forma articulada

 O réu vai ser notificado, tem prazo para contestar, 15 dias se for ação até 5.000€ , 20 dias
para valores a partir de 5.001€

 O réu é citado com designação de data de julgamento

 O réu não contesta, então o juiz vai-se limitar a executar os bens. O juiz confere força
executiva à petição, salvo ocorrendo manifesta improcedência do pedido ou exceções
dilatórias

 Se o réu contestar, o juiz pode decidir (ex. a ação já está prescrita) ou realiza audiência de
julgamento

 As provas são oferecidas na audiência com limite específico de 3 testemunhas por facto,
sendo 3 no total para ações com valor igual ou inferior a 5.000€, e 5 testemunhas para ações
de valor superior a 5.000€
Exemplo: 5 testemunhas A, B, C, D, E
1º facto : A, B, C
2º facto: D, E, C temos limite de 3 testemunhas por facto
3º facto: C

 Tentativa de conciliação

 Produção de prova

 Sentença sucintamente fundamentada

 Possibilidade de depoimento escrito quando a testemunha tem conhecimento dos factos por
causa do exercício de funções

 Possibilidade de fixar domicílio para efeitos de citação (só para contratos reduzidos a escrito)

Injunção

 DL 269/98 de 1/9
 DL 32/2003 de 17/2
 Portaria 220-A/2008 de 4/3
 DL 62/2013 de 10/5 (revoga quase na totalidade o DL 32/2003, mas é necessário para
perceber)

Aplica-se a:

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 Cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contratos até 15.000€

 Cumprimento de obrigações emergentes de transações comerciais – transações entre


empresas ou entre empresas e entidades públicas, destinadas ao fornecimento de bens ou
prestações de serviços contra remunerações. (Sendo empresa a entidade que desenvolve
uma atividade económica profissional autónoma, incluindo pessoas singulares). Não há
limite de valor na injunção pode ser superior a 15.001€ - art. 3º a) DL 32/2003.

 Tudo o que sejam obrigações pecuniárias que não sejam emergentes de contrato
 Condomínio
 Indemnização
 Enriquecimento sem causa

 Requerimento de modelo aprovado apresentado por transmissão eletrónica ao Balcão


Nacional de Injunções (não é tribunal é uma entidade, não é nenhuma ação judicial)

 Segue-se notificação ao requerido para pagar ou deduzir oposição (tem prazo de 15 dias para
fazer oposição)

 Se não for deduzida oposição o Balcão Nacional de Injunções limita-se a atribuir força
executiva ao requerimento e devolve-lo ao requerente

 Frustrando-se a notificação ou sendo deduzida oposição o BNI remete o procedimento para


o Tribunal, seguindo-se os termos da AECOPEC

Disposições relativas à notificação

 Frustrando-se a notificação por via postal, a secretaria obtém oficiosamente informação


sobre a residência, local de trabalho ou sede (Identificação Civil, Segurança Social, Direção
Geral de Impostos, DGV)

 Se a informação coincidir com a que foi utilizada procede-se à notificação por via postal
simples

 Se a frustração ocorrer por recusa de assinatura ou recebimento, o distribuidor postal lavra


nota do incidente e a notificação considera-se efetuada

 O requerente pode optar por não remeter à distribuição em caso de frustração da


notificação

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Pressupostos processuais

Noção
Requisitos de cuja verificação depende a apreciação de mérito da causa.

Positivos: a verificação dos pressupostos é essencial para conhecer o mérito da ação .

 personalidade judiciária,
 capacidade judiciária,
 interesse em agir,
 competência,
 legitimidade e
 Patrocínio

Negativos: a verificação dos pressupostos impede o conhecimento do mérito da ação

 Litispendência – art. 580º, 581º CPC


 Caso julgado – art. 580º, 581º CPC
 Compromisso

Personalidade judiciária
 Consiste na suscetibilidade de ser parte
 Inclui partes principais e acessórias
 Tem personalidade judiciária quem tem personalidade jurídica
 Pessoas singulares do nascimento completo e com vida até à morte
 Pessoas coletivas (associações, fundações e sociedades)

2013-10-08

Nota: quem tem personalidade judiciária pode fazer parte da ação

Exceções: (tem personalidade judiciária mas não tem personalidade jurídica) – art. 11º, 12º CPC

 Herança jacente (os titulares da herança ainda não foram determinados, por não ter ocorrido
aceitação – art. 2046º C.Civ.)

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 Patrimónios autónomos cujo titular não está determinado (ex. doação a nascituros – art.
952º C.Civ.)

 Sucursais, filiais e agências – art. 13º nº1 CPC


Se a ação tem por fundamento factos praticados pela sucursal ou sempre que a sede é
estrangeira e a obrigação tiver sido contraída em Portugal ou por um estrangeiro com
domicílio em Portugal

 Associações sem personalidade jurídica,


 condomínio,
 sociedades civis,
 sociedades comerciais antes de ser realizado o registo,
 Navios

Sanação

 A falta de personalidade judiciária é insanável, há lugar a uma sentença de absolvição da


instância.
A falta de personalidade da sucursal é sanável por intervenção da administração principal –
art. 14º CPC

 A falta de personalidade judiciária é exceção dilatória de conhecimento oficiosa – art. 577º


c), 5478º CPC

Capacidade judiciária

 Consiste na aptidão para adquirir e exercer direitos


 Capacidade de exercício – menores, interditos e inabilitados  representação legal
 Quem não tem capacidade judiciária não pode estar por si na ação – Art. 15º

Suprimento

Menores:
 Suprida pelo poder paternal – art. 124º C.Civ.
 Propor ações depende do consentimentos dos progenitores e sendo o menor réu é
necessário a citação de ambos os progenitores
 Em caso de desacordo decide o tribunal – art. 18º CPC

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Interditos:
 Anomalia psíquica, surdez-mudez e cegueira, desde que inviabilizantes do governo de
pessoas e bens – art. 138º C.Civ.

 A capacidade é suprida pela tutela, sendo o tutor designado na sentença que determina a
interdição

Inabilitados:
 As mesmas da interdição + prodigalidade, abuso de bebidas alcoólicas e estupefacientes –
art.152º C.Civ.

 O inabilitado é representado por curador na prática de atos especificados na sentença de


inabilitação, o inabilitado pode intervir na ação sob orientação do curador, cuja posição
prevalece em caso de divergência – art. 19º CPC

Nomeação de representante legal


 Em caso de urgência e não estando designado representante legal é nomeado curador
provisório (exerce funções até nomeação de representante legal)
A questão pode colocar-se no ato de citação

Representação pelo Ministério Público


 Se o incapaz e o representante legal não deduzem oposição dá lugar de citação do MP – art.
21º CPC

Sanação:
 Falta de capacidade judiciária é sanável por intervenção do representante legal
 Ao representante compete ratificar o processado ou não ratificar, sem ratificação há
anulação do processado – art. 27º CPC

 Exceção dilatória de conhecimento oficioso, sanável – art. 28º CPC

Legitimidade – art.º30º CPC

Noção:
 Deve figurar como Autor a pessoa que pode fazer valer a pretensão contra o Réu

 Deve figurar como Réu a pessoa que se pode opor à pretensão do Autor por ser aquela cuja
esfera jurídica é diretamente atingida pela providência requerida

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Critério de determinação da legitimidade
 Interesse direto em demandar e interesse direto em contradizer

 Utilidade para o Autor e prejuízo para o Réu (de acordo com a configuração que o Autor dá à
ação)

Pluralidade subjetiva
 Litisconsórcio
 Necessário
 voluntário
 coligação

Litisconsórcio
pluralidade de partes mas unicidade de relação jurídica controvertida

 voluntário:

 a pluralidade de partes não é obrigatória, se um dos interessados não intervem a


única consequência é que não há benefício/prejuízo – art. 32º, 35º 2ª parte CPC

 A regra é de litisconsórcio voluntário

2013-10-10

 necessário:
 a pluralidade de partes é obrigatória
 a consequência de não demandar todos é verificar-se a exceção dilatória da ilegitimidade –
art. 33º, 35º 1ª parte CPC
 há litisconsórcio necessário quando o impõe a lei, o contrato ou a natureza da relação
jurídica controvertida

Imposta por lei

 ações que devem ser propostas por ambos os cônjuges ou por um deles com o
consentimento do outro - art. 34º nº1 CPC

 ações de que possa resultar a perda ou oneração de bens que só podem ser vendidas
pelos dois ou a perda de direitos que só podem ser exercidos pelos dois

 ações que tenham por objeto, direta ou indiretamente a casa de morada de família

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 ações propostas conta ambos os cônjuges – art. 34º nº3

 ações emergentes de factos praticados por ambos

 ações em que se pretenda obter título contra ambos

 ações referidos no art. 34º nº1

Imposto pela natureza da relação jurídica contro vertida

 ação de divisão de coisa comum – a intervenção de todos os comproprietários é essencial


para que a ação produza o efeito útil normal

 exercício de direitos inerentes à herança

Coligação

 pluralidade de partes e pluralidade de relações controvertidas

 condições de admissibilidade da coligação – art. 36º

 quando há uma única causa de pedir

 quando há prejudicialidade (a decisão de uma influi na decisão de outra) ou


dependência (uma só pode ser conhecida se a outra for procedente)

 sendo diferentes as causas de pedir, a procedência dos pedidos depende


essencialmente da apreciação dos mesmos factos ou da interpretação e aplicação
das mesmas regras de direito ou de cláusulas de contrato análogas – art. 36º nº2

 quando os pedidos são deduzidos contra vários réus, uns com base na relação
cartelar, outros com base na relação subjacente

relação cartelar relação subjacente

credor a pessoa à ordem de quem o cheque foi emitido sapataria

devedor quem passou o cheque comprador dos sapatos

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sanação:

 a ilegitimidade constitui exceção dilatória que é de conhecimento oficioso – art. 576º, 577º
e), 261º nº2, 578º CPC

 quando se trata de litisconsórcio necessário, a ilegitimidade é sanável mediante intervenção


da parte em falta
esta intervenção é admissível até 30 dias do trânsito da decisão que conheceu a exceção
renovando-se a instância extinta

Litisconsórcio subsidiário ou eventual – art. 39º CPC

 o autor pode deduzir pedidos subsidiários contra réus diferentes no caso de dúvida
fundamentada quanto ao sujeito da relação controvertida

Legitimidade para tutela de interesses difusos – art. 31º CPC

 tem legitimidade ativa em matéria como saúde pública, ambiente, qualidade de vida,
qualquer cidadão no gozo dos seus direitos civis e políticos, Mistério Público , associações e
fundações – Lei 83/95 de 30 Agosto

2013-10-15

Interesse em agir
 o autor deve ter necessidade de instaurar ação para tutela do seu direito

 não basta ter direito, deve haver necessidade de tutela judicial

 na ação de simples apreciação deve existir dúvida objetiva e grave sobre a existência do
direito

 a falta de interesse em agir constitui exceção dilatória e conduz à absolvição da instância

 o interesse em agir pode verificar-se do lado do réu

 a desistência da instância depende de autorização do réu a partir do oferecimento da


contestação – art. 286º nº1 CPC

 a desistência do pedido não prejudica o pedido reconvencional do réu – art. 286º nº2
CPC

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Patrocínio judiciário
 assistência técnica prestada às partes por profissionais forenses
 exercício pleno: advogados
 exercício limitado: solicitadores e advogados estagiários

 o patrocínio é sempre admitido

 o patrocínio por advogado é obrigatório – art. 40º CPC:


 causas em que é sempre admissível recurso – art. 629º nº2 e mº3
 recursos e causas da competência de tribunais superiores (ex. art. 967º e 978º CPC)
 causas da competência de tribunais com alçada em que seja admitido recurso
ordinário – art. 629º nº1 (causas de valor superior a 5.000€)

 mesmo quando é obrigatório o patrocínio por advogado, as partes podem apresentar


requerimentos que não envolvem questões de direito

 não confundir patrocínio com assistência técnica a advogados – art. 50º CPC

 o mandato forense é conferido por procuração:


 por instrumento público ou
 por documento particular (sem necessidade de intervenção notarial – DL 267/92, de
28 de Novembro)
 oralmente e no âmbito de qualquer diligência – art. 43º b) CPC

 a procuração abrange poderes para intervir em todos os atos do processo, incluindo


respetivos incidentes

 presume-se incluído o poder de subestabelecer (com e sem reserva)

 a desistência, a confissão de factos ou transação por mandatário depende de menção


expressa desses poderes na procuração
 a nulidade do ato decorrente da falta de poderes é sanável por confirmação pela
parte – art. 291º nº3, 44º e 45º CPC

 cessação do mandato:
 revogação de mandato – cessação de mandato provocada pela parte
 renúncia ao mandato – cessação do mandato provocada pelo mandatário
 a revogação e a renúncia só produzem efeitos a partir da notificação

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 se o patrocínio é obrigatório e na sequência da cessação de mandato não for constituído
novo mandatário:
 sendo a falta do autor, suspende-se a instância
 sendo a falta do réu, o processo segue
 sendo a falta do opoente, requerente ou embargante, a instância extingue-se

 patrocínio a título de gestão de negócios – art. 49º CPC, art. 464º C.Civ.

 patrocínio sem instrumento mandato e sem autorização, o mandatário intervém por


conta e no interesse do cliente, mas sem mandato, para situações de emergência

 fica sujeito a ratificação pela parte, sob pena de o mandatário ser responsável pelas
custas e pelo pagamento de indemnizações pelos danos causados

 falta ou irregularidade do mandato

 irregularidade – falta a procuração, o juiz fixa prazo para junção de procuração e


ratificação do processado, se não houver ratificação ficam sem efeito os atos
praticados pelo mandatário, que será condenado em custas e indemnização pelos
prejuízos – art. 48º CPC

 falta – o patrocínio é obrigatório, mas a parte não constitui advogado, há notificação


à parte para constituir advogado dentro de certo prazo, não sendo a notificação
cumprida – art. 41º CPC:

 se a falta é do autor, o réu é absolvido da instância


 se a falta é do réu, fica sem efeito a defesa apresentada
 se a falta é do recorrente, o recurso não prossegue

Competência
 Organização Judiciária
 Jurisdição comum e jurisdição administrativa e fiscal
 Alçadas cíveis
 Conflitos de competência e de jurisdição
 Modalidades de competência

Organização judiciária
Lei da organização de sistema judicial – Lei nº 62/2013, 26 Agosto

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Categoria de tribunais
 Tribunal Constitucional
 Supremo Tribunal de Justiça
 Tribunais Judiciais de 1ª e 2ª instância
 Supremo Tribunal Administrativo
 Tribunais administrativos e fiscais de 1ª e 2ª instância
 Tribunal de contas

 Julgados de Paz
 Tribunais arbitrais
 Ad Hoc
 Institucionalizados

Hierarquia

Supremo Trbunal de
Justiça
Tribunal da relação
- Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Guimarães
Tribunais Judiciais de 1ª instância

Tribunais Judiciais de 1ª instância


 Tribunais de Comarca (23)
 Instâncias centrais – art. 117º Lei 62/2013
 Instâncias locais – art. 130º Lei 62/2013
 Tribunais de competência territorial alargada

Tribunais de Comarca – art. 81º Lei 62/2013

 Instâncias centrais que integram secções de competência especializada:


 Civil
 Criminal
 Instrução criminal
 Família e menores
 Trabalho
 Comércio
 Execução
 Mistas (art. 81º nº4 Lei 62/2013)

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 Instâncias locais
 Secções de competência genérica (possibilidade de desdobramento em secções
cíveis, criminais)

 Secções de proximidade

Tribunal de competência territorial alargada – art. 83º Lei 62/2013

 A respetiva competência é territorialmente superior à área da comarca

 São de competência especializada:


 Propriedade intelectual
 Concorrência, regulação e supervisão
 Marítimo
 Instrução criminal
 Execução de penas

Alçadas cíveis – art. 44º Lei 62/2013

 Alçadas cíveis são valores atribuídos aos tribunais de 1ª instância e aos tribunais da relação

 Alçadas cíveis:
 1ª instância – 5.000 €
 Relação – 30.000 €

Conflitos de competência e de jurisdição

Conflitos de jurisdição – art. 109º CPC

 Duas ou mais autoridades, pertencentes a diversas atividades do Estado, integrados em


jurisdição diferente arrogam-se (conflito positivo) ou declinam (conflito negativo) a
competência para conhecer uma questão.

 Os conflitos são dirimidos pelo STJ e Tribunal dos Conflitos (órgão constituído por juízes do
STJ e do STA) .

Conflitos de competência – art. 109º CPC

 Dois ou mais tribunais da mesma ordem jurisdicional arrogam-se ou declinam a competência


para conhecer uma questão.

 São resolvidos pelo presidente do tribunal de menor categoria que exerça jurisdição sobre
ambos – art. 110º nº2 CPC

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Modalidades da competência

 Internacional
 Interna
 Matéria
 Valor
 Hierarquia
 Território
 Extensão e modificação da competência
 Competência convencional
 Incompetência
 Preterição de tribunal arbitral

Internacional
 A questão da competência internacional só se coloca quando a relação jurídica controvertida
tem conexão real ou pessoal com mais do que uma ordem jurídica, sendo uma delas a
portuguesa.

 Fatores de atribuição de competência internacional – art. 62º CPC


 Princípio da coincidência
 Princípio da causalidade
 Princípio da necessidade

Princípio da coincidência:

 o tribunal português tem competência internacional quando é também competente


pelo critério competência interna/território - art. 62º a) CPC

Princípio da causalidade:

 o tribunal português tem competência internacional quando o facto causa de pedido


ocorreu em território português – art. 62º b), 70º CPC

Princípio da necessidade:

 o tribunal português tem competência internacional quando o direito invocado só


possa ser exercido em ação proposta em tribunal português – art. 62º c)

2013-10-22

 competência exclusiva de tribunais portugueses – art. 63º CPC

 direitos reais sobre imóveis ou arrendamento de imóveis situados em território


português.

 Validade da constituição ou dissolução de pessoas coletivas com sede em Portugal


ou deliberações dos seus órgãos.

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 Validade de inscrições em registos públicos portugueses.

 Execuções sobre imóveis situados em Portugal.

 Insolvência e revitalização de pessoas singulares ou coletivas domiciliadas ou


sediadas em território português.

 Sentenças proferidas por tribunal estrangeiro sobre questões da competência


exclusiva de tribunais portugueses não podem ser revistas e confirmadas em
Portugal – art. 980º c) in fine CPC

 Pactos de jurisdição – Art. 59º, 94º

 As partes podem estipular sobre competência internacional desde que exista


conexão com mais do que uma ordem jurídica.

 O pacto é atributivo quando atribui competência ao tribunal português.

 O pacto é privativo quando exclui a competência do tribunal português

 Requisitos para a validade do pacto:


 Estarem em causa direitos disponíveis (direitos a que o titular pode
renunciar)

 É necessário que o tribunal designado aceite a designação

 É necessário que o pacto acautele um interesse sério de uma ou de ambas as


partes

 Não pode ser privativo em matérias da competência exclusiva de tribunais


portugueses

 Tem de constar de acordo escrito e a menção à jurisdição deve ser expressa

Competência Interna – matéria

 os tribunais judiciais prevalecem sobre tribunais de jurisdição administrativa e fiscal, salvo


existindo norma expressa que atribua a estes a competência – art. 144º LOSJ e ETAF, art. 64º
CPC

 os tribunais de competência genérica prevalecem sobre os tribunais de competência


especializada, salvo existindo norma expressa que atribua a estes a competência – art. 65º
CPC, art. 122º LOSJ

Competência Interna – valor

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 as leis da organização judiciária repartem competências entre instâncias central e local – art.
66º CPC, art. 117º nº1 a), 130º nº1 a) LOSJ

Competência Interna – hierarquia


Art. 67º a 69º CPC

 os tribunais estão organizados em hierarquia, os tribunais hierarquicamente superiores


podem, por via de recursos, alterar as decisões de tribunais hierarquicamente inferiores

 os tribunais de 1ª instância julgam todos os processos independentemente do valor

 os tribunais da 1ª instância conhecem recursos de conservadores e notários

 os tribunais da relação e o supremo conhecem em sede de recurso

 excecionalmente as relações e o supremo conhecem em 1ª instância – art. 53º e 73º LOSJ

Competência Interna – território

 foro do réu: se não houver norma especial é competente o tribunal do domicílio do réu – art.
80º CPC

 foro real: é competente o tribunal da situação dos bens, sempre que estão em causa direitos
reais de gozo sobre imóveis, ação de divisão de coisa comum, ação de preferência, execução
específica e alteração de hipoteca – art. 70º CPC

 foro obrigacional: é competente o tribunal do domicílio do réu, para cumprimento de


obrigações , indemnização pelo incumprimento e resolução de contratos:

 o autor pode optar pelo tribunal do lugar do cumprimento da obrigação:


 se o réu é pessoa coletiva

 se o autor e o réu têm ambos domicílio na mesma área metropolitana de


Lisboa ou Porto

 se estiver em causa responsabilidade extracontratual é competente o tribunal onde


ocorreu o facto – art. 71º CPC

 foro do autor: em ações de divórcio ou separação de pessoas e bens é competente o tribunal


do domicilio do autor – art. 72º CPC

 pluralidade de réus: é competente o tribunal em que estão domiciliados o maior nº de réus,


em caso de empate escolhe o autor – art. 82º CPC

 ação de honorários: corre por apenso, tendo como ação principal aquela em que os serviços
foram prestados, está em causa a cobrança dos serviços prestados pelo mandatário ou
técnico, não há distribuição – art. 73º

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Extensão e modificação da competência

 questões incidentais
 questões prejudiciais
 questões reconvencionais

Questões incidentais:

 questões que surgem no decurso da ação, distintas mas relacionadas com ela

 o tribunal competente para a ação principal é também competente para conhecer os


incidentes – art. 364º nº1, 352º nº2
exemplos: providência cautelar, habilitação
 caso julgado material vs caso julgado formal
 a decisão dos incidentes só constitui caso julgado no âmbito da ação principal (caso
julgado formal)

 a parte pode requerer que se forme caso julgado material se o tribunal não for incompetente
em razão da matéria, hierarquia e internacional – art. 91º

2013-10-24

Questões prejudiciais:

 o conhecimento da ação depende do conhecimento prévio da questão suscitada em matéria


criminal ou administrativa

 o tribunal pode suspender a ação até conhecimento da questão prejudicial

 a questão prejudicial não pode estar sem impulso por mais de 30 dias

 se houver falta de impulso, a ação principal prossegue, mas a decisão proferida sobre a
questão prejudicial só forma caso julgado formal – art. 92º CPC

Questões reconvencionais:

 o tribunal competente para a ação principal é competente para a reconvenção, salvo se


houver conflito com algum dos seguintes critérios: internacional, matéria, hierarquia – art.
93º CPC

 o valor da ação e da reconvenção somam, o resultado pode determinar alterações no critério


competência valor, se isso acontecer o processo é oficiosamente remetido ao tribunal
competente

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Competência convencional

 as partes podem convencionar o foro competente, desde que não afastem os critérios de
hierarquia, matéria e valor. Podem afastar o território

 deve ser reduzido a escrito e a questão deve ser concretamente indentificada

Incompetência

 a incompetência é exceção dilatória – art. 557º a) CPC

 a competência fixa-se no momento em que a ação é proposta, não sendo relevantes


alterações de factos posteriores – art. 38º LOSJ

 quando ocorre alteração da lei, há remessa oficiosa para o novo tribunal competente – art.
61º CPC

Incompetência absoluta – art. 96º ss CPC

 infração dos critérios matéria, hierarquia e internacional

 corresponde à violação de normas fundadas na tutela de interesses públicos

 determina a absolvição da instância ou indeferimento liminar (o autor pode no prazo de 10


dias a contar do trânsito, requerer a remessa para o tribunal competente)

 a decisão forma caso julgado formal

 é de conhecimento oficioso

 pode ser conhecido até ao trânsito da sentença que conheça o mérito (salvo matéria que só
pode ser conhecida até ao despacho saneador)

Incompetência relativa – art. 102º ss CPC

 infração de critérios valor, território e convenção

 corresponde à violação de normas fundadas na tutela de interesses das partes

 determina a remessa oficiosa para o tribunal competente – art. 105º nº3

 da decisão cabe reclamação para o Presidente da Relação, que forma caso julgado material

 depende de arguição da parte


 exceções (incompetências relativas que são de conhecimento oficioso):
 art. 104º (território)
 regras de valor da causa

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Preterição de tribunal arbitral

 consiste na violação de compromisso arbitral

 é exceção dilatória

 é de conhecimento oficioso, apenas no caso de arbitragem necessária (vs voluntária) – art.


578º, 96º b), 97º nº1 CPC

2013-10-29

Acesso ao direito e aos tribunais

Lei 34/2004, de 29 de julho

 art. 20º CRP – garantia de acesso ao direito e aos tribunais em casos de insuficiência
económica
 informação jurídica vs proteção jurídica

Informação jurídica: orientação genérica dirigida ao Ministério da Justiça (MJ) no sentido de divulgar
o ordenamento jurídico

Proteção jurídica:

 consulta jurídica
 apoio judiciário

Apoio judiciário
 cancelamento - quando o beneficiário adquire meios que lhe permitem dispensar o apoio –
art. 10º da lei

 caducidade - quando decorre 1 ano sem consulta ou sem ação – art. 11º da lei

 consulta jurídica – esclarecimento prestado por técnico jurídico

Modalidades – art. 16º da lei


 pagamento faseado
 dispensa de pagamento
 nomeação e pagamento ao mandatário

Tempo do requerimento – art. 18º da lei


 antes da primeira intervenção processual

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Procedimento
 é requerido pelo interessado ou por mandatário e MP em representação do interessado
 requerido e decidido pela segurança social
 em caso de urgência é suficiente a apresentação de ter sido requerido apoio judiciário – art.
552º nº4 CPC
 deferimento tácito passados 30 dias – art. 25º nº1 da lei
 possibilidade de impugnação judicial – art. 26º a 28º da lei
 se envolver nomeação de patrono a indicação é feita pela ordem dos advogados – art. 30º
nº1 da lei
 os efeitos da propositura da ação reportam à data do pedido de proteção jurídica na
modalidade de nomeação de patrono – art. 33º nº4
 o patrono nomeado não pode auferir remuneração diversa

Procedimentos cautelares

Objetivos – art. 362º


 visam prevenir o perigo de produção de danos irreparáveis associados à demora de
pendência da ação

Tipos – art. 362º


 conservatórias
 ou antecipatórias

 as conservatórias mantêm uma situação de facto, porque a alteração seria prejudicial (exemplo:
arresto, arrolamento, embargo de obra nova, suspensão deliberações sociais)

 as antecipatórias antecipam os efeitos da decisão final (exemplo: arbitramento de reparação


provisória, restituição provisória de posse)

 especificadas
 e não especificadas

 as não especificadas só podem ser utlizadas se nenhuma das especificadas se adequar ao fim
pretendido e dependem :

 probabilidade séria da existência do direito


 fundado receio de lesão
 desadequação das especificadas

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Dependência da ação principal – art. 364º nº1
 a providência cautelar regra geral é dependência da ação principal

 o julgamento da matéria de facto e a decisão final da providência cautelar não têm qualquer
influência sobre a ação principal

 a providência pode ser preliminar ou incidente da ação principal

 se for incidente corre por apenso

 se for preliminar é remetida à ação principal e o juiz da ação principal passa a ser
competente para a providência

Inversão do contencioso – art. 369º


 a inversão de contencioso ou consolidação da decisão. Exemplos: suspensão deliberações
sociais, restituição provisória da posse, alimentos provisórios e embargos de obra nova

 permite que o requerente fique dispensado de propor a ação principal

 consolida-se a decisão proferida na providência cautelar

 depende de requerimento expresso do requerente da providência a apresentar até ao


encerramento da audiência final

 o deferimento do requerimento depende de:


 a providência requerida se adequar à inversão

 o juiz deve formar a convicção de que a matéria apreendida garante com segurança
a existência do direito

 caso seja deferido é ao requerido que compete propor a ação principal se quiser evitar a
consolidação – prazo de 30 dias

 a decisão também se torna definitiva se a ação principal estiver parada mais de 30 dias por
negligência do requerido

2013-10-31

Caducidade – art. 373º


 as medidas decretadas caducam se não for proposta a ação principal ou se a ação estiver
sem impulso por negligência do autor por período superior a 30 dias

 as medidas decretadas caducam se a ação for julgada improcedente

 as medidas decretadas caducam se o direito se extinguir

 as medidas cautelares caducam se houver absolvição da instância sem aproveitamento dos


efeitos da ação anterior

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Responsabilidade do requerente – art. 374º
 a caducidade da providência ou seu caráter injustificativo tornam o requerente responsável
pelos danos causados se não tiver agido com providência normal

 o requerente pode ser obrigado a prestar caução

Urgência de procedimento – art. 363º


 prazos correm em férias judiciais – art. 138º

 prazo para decisão de 2 meses, passa para 15 dias se o requerido não foi previamente ouvido
– art. 363º nº2

 precedência sobre serviços não urgentes – art. 363º nº1

 não há citação edital, se não é possível a citação pessoal, há dispensa de contraditório prévio
– art. 366º nº4

Contraditório do requerido
 pode ser dispensado o contraditório prévio do requerido, se esse contraditório poder colocar
em causa a utilidade da providência – art. 366º nº1 e nº6

 se for dispensado o contraditório prévio, pode contrariar a previdência depois de esta ser
decretada – art. 372º nº1 e nº2

 deduzindo a oposição se quiser impugnar factos invocados pelo requerente ou alegar


factos novos

 interpor recurso se entender que os factos apurados não fundamentam


suficientemente o decretamento da providência

Processamento
 requerimento inicial com razões de facto e razões de direito – art. 365º nº1

 está sujeito a despacho liminar


 o juiz manda citar o requerido

 ou indeferir liminarmente – hipótese:


 manifesta improcedência – art. 226º nº4 b)

 exceções dilatórias insupríveis de conhecimento oficioso

 prova sumária (sumario cognitio) do direito ameaçado e do justo receio de lesão – art. 365º
nº1

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 contestação no prazo de 10 dias pelo requerido – art. 293º nº2

 prova oferecida com articulados – art. 365º nº3

 audiência final gravada – art. 155º nº1

 breve alegação oral – art. 215º

 decisão imediata e por escrito – art. 295º

 art. 376º nº3 – o tribunal não está vinculado à providência concretamente requerida

Garantia penal – art. 375º


 tipo legal de crime de desobediência qualificada associada ao incumprimento da providência

Recurso
 regra feral não é admissível recurso para o STJ – art. 370º nº2

 a decisão que indefere a inversão de contencioso não é recorrível – art. 370 nº1

 a decisão que defere a inversão só é recorrível conjuntamente com a decisão que decretou a
providência - art. 370º nº1

Restituição provisória da posse – art. 377º ss


 posse como atuação por forma correspondente ao exercício do direito real – art. 125º C.Civ.

 o possuidor esbulhado (privado do uso) com violência tem direito à restituição sem
contraditório prévio da parte contrária – art. 378º CPC , art. 1279º, 1261º, 1255º C.Civ.

 prazo para decisão de 15 dias

 prazo para propor a ação principal é de 30 dias contados do trânsito de decisão

 não depende de periculum in mora (não tem que existir justificação fundamental, castigo do
esbulhador)

 é aplicável a inversão de contencioso

Suspensão de deliberações sociais


 tem por objeto deliberações contrárias à lei, aos estatutos ou ao contrato

 só se aplica a deliberações sociais não executadas

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 qualquer sócio tem legitimidade ativa

 é aplicável a inversão de contencioso

 prazo de 10 dias a contar da Assembleia para sócios presentes ou regularmente convocados,


ou para os restantes a contar do conhecimento – art. 380º

 o requerimento inicial apresentado com cópia da ata

 a deliberação não pode ser concretizada a partir da citação do requerido – art. 381º nº3

Alimentos provisórios
 alimentos abrangem tudo o que é necessário para o sustento

 requerimento inicial com imediata designação de data para julgamento

 o requerido apresenta contestação e prova na data do julgamento

 tentativa de conciliação, produção de prova, sentença

 é aplicável a inversão de contencioso

Arbitramento de reparação provisória – art. 388º


 a ação principal é de indemnização por morte ou dano corporal – art. 388 nº1

 legitimidade ativa compete ao lesado e os alimentados do lesado – art. 388 nº1

 consiste no pagamento de uma renda mensal certa – art. 388º nº1

 na improcedência da ação principal, há lugar à restituição – art. 390º nº2

 na procedência da ação principal, há lugar ao abatimento – art. 388º nº3

 não é aplicável a inversão de contencioso

 são aplicáveis à tramitação as regras dos alimentos provisórios

Arresto
 visa conservar garantia patrimonial do crédito

 depende de alegação e prova da probabilidade da existência do crédito e do fundado receio


de perda de garantia patrimonial

 não tem audiência prévia da parte contrária

 o requerente indica o objeto do arresto

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 não é aplicável a inversão de contencioso

 o arresto converte-se em penhora na execução da sentença proferida na ação principal

 o arresto caduca se a execução não for proposta no prazo de 2 meses subsequentes ao


trânsito em julgado da sentença – art. 395º, ou se a execução estiver sem impulso por
negligência do exequente por mais de 30 dias

Embargo de obra nova


 consiste na suspensão da obra, trabalho ou serviço que prejudique direito real de gozo

 pode ser requerido ao tribunal, mas também extrajudicialmente (forma verbal na presença
de 2 testemunhas e sujeito a confirmação judicial) – art. 397º

 não se aplica a obras concluídas

 prazo de 30 dias a contar do conhecimento

 se o embargado prosseguir com a obra há lugar a demolição

Arrolamento
 a intenção é preservar bens evitando o extravio ou dissipação

 pode ser recorrido por quem tem direito aos bens ou à utilização dos bens

 o requerente faz prova de direito aos bens e do receio do extravio

 o requerido é citado para oposição no prazo de 10 dias, salvo se for requerida dispensa de
contraditório prévio – art. 293º ex vi 365º nº3, art. 366º nº1 ex vi 376º

 a decisão que decreta o arrolamento nomeia depositário dos bens

 o arrolamento se faz por descrição e avaliação dos bens

 não há lugar a inversão de contencioso.

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